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	<title>Meia Palavra&#187; Teatro</title>
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		<title>Um Bonde chamado Desejo (Tennesse Williams)</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 16:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fazia tempo que eu não pegava uma peça de teatro para ler. Lembro de ter lido algo do August Strindberg há algum tempo, mas esparso demais para contar como uma leitura mais afeita. Quando terminei de ler Um Bonde chamado Desejo, do autor estadunidense Tennessee Williams (de uma sentada), lembrei de como é agradável acompanhar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Um.Bonde_.chamado.Desejo.Tennessee.Williams.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-15971" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Um.Bonde_.chamado.Desejo.Tennessee.Williams-179x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Fazia tempo que eu não pegava uma peça de teatro para ler. Lembro de ter lido algo do August Strindberg há algum tempo, mas esparso demais para contar como uma leitura mais afeita. Quando terminei de ler <em>Um Bonde chamado Desejo</em>, do autor estadunidense Tennessee Williams (de uma sentada), lembrei de como é agradável acompanhar o ritmo peculiar das composições para o teatro.</p>
<p style="text-align: justify">A princípio a apresentação “brusca” dos personagens logo na primeira página em forma de lista (uso aspas em brusca porque não é realmente brusco, é próprio da literatura destinada a ser peça) assusta um pouco, pois parece que não daremos conta de lembrarmos dos personagens, visto que é costumeiro que o autor nos acompanhe pela mão quando da introdução de um novo personagem. Não se preocupe, a história dá conta de situar o leitor tranquilamente.</p>
<p style="text-align: justify">As descrições de cenário e das impostações de voz, das características dos personagens, do fundo musical, dos arranjos de cena para a representação, com o perdão do trocadilho, “teatralizam” a história, fazendo com que de cada fala e de cada personagem e situação brote uma eloqüência concisa, que lapida a linguagem e os diálogos (o próprio corpo do texto) e que torna ainda mais emblemática cada passagem.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-15970"></span></p>
<p style="text-align: justify">Na peça de Tennessee Williams ficamos conhecendo o casal Stanley e Stella Kowalski, que moram em Nova Orleans, no primeiro andar de um sobrado humilde e apertado, desfrutando de uma vida conjugal que parece a primeiro momento quase ideal. O andar de cima é habitado pelo casal amigo deles, Steve e Eunice Hubbell, que partilham de praticamente as mesmas opiniões e modo de vida dos Kowalski. A situação está bastante estável até que a irmã de Stella, Blanche DuBois entra em cena, descendo do bonde de nome Desejo, e mudando toda a dinâmica da vida na pacata (porém repleta de blues) Nova Orleans.</p>
<p style="text-align: justify">Um passado obscuro antecede a vinda de Blanche para o ninho de amor do casal Kowalski, passado esse que vai sendo descascado ao longo da trama, ao mesmo tempo em que vamos conhecendo tanto a própria Blanche como Stanley e Stella, os três vértices desse triângulo de relações tensas e dúbias.</p>
<p style="text-align: justify">Blanche transpira nobreza e finesse, mesmo que não saibamos até onde vai sua autenticidade e apesar de ter vindo para Nova Orleans por conta de ter perdido Belle Reve, a propriedade da família DuBois, onde ela e Stella passaram sua infância. O contraste existente entre os modos esbanjadores de Blanche e sua situação pecuniária esconde um mistério que Stella, em sua inocência, não vê (ou não quer ver), mas que seu marido Stanley, rústico mas perspicaz, quer desnudar desde sua indisposição quase imediata com a cunhada.</p>
<p style="text-align: justify">O desenvolvimento dos personagens é o ponto forte do livro, as recorrências dos diálogos torna o conjunto dinâmico e delicioso de ler. Pela frequência dos diálogos os personagens são aprofundados a partir de suas próprias falas, e uma crescente de tensão vai se avolumando ao longo de toda a trama. O passado de Blanche vai vindo à tona simultaneamente ao acirramento das diferenças conjugais (resolvidas essas com fogosas noites de amor e espetáculos pitorescamente bizarros como os gritos selvagens e desconsolados de Stanley: ‘Ste-e-e-e-e-e-e-lla! Ste-e-e-e-e-e-e-e-lla!).</p>
<p style="text-align: justify">Tennessee Williams realmente acertou a mão, <em>Um Bonde chamado Desejo</em> é uma história redonda, bem amarrada, de uma beleza arrebatadora. Contrapõem-se estilos de vida muito diferentes, concepções de mundo muito distintas e trajetórias potencialmente explosivas. Basta ler algumas falas de qualquer conversa entre Blanche e Stanley para saber que a menor fagulha pode fazer todo o decoro e os bons modos irem pelos ares.</p>
<p style="text-align: justify">Blanche vive numa espécie de conto de fadas do qual não consegue se desvencilhar, se agarra a ele de forma melancólica, negando-se a admitir que o mundo cavalheiresco de seus sonhos não existe mais. Nesse sentido ela se assemelha um pouco à Norma Desmond, de <em>Crepúsculo dos Deuses</em> (aquela obra-prima de Wim Wenders). A vida boêmia e romântica que levava anteriormente a levaram a sua condição atual, não há mais espaço para o “mundo” que ela viveu, provavelmente nos “loucos anos 20”. A realidade é bem mais dura e rude do que ela pode suportar, tipos como Stanley, embrutecidos, estão mais aptos a sobreviver nesse ambiente.</p>
<p style="text-align: justify">Não à toa que os sentimentos em relação à Blanche variem tanto, vão do asco e ódio, podendo-se chamá-la de “duas caras”, víbora ou manipuladora interesseira; até a pena, pois se trata de uma pobre-diabo que se perdeu nos trilhos da vida. O simbólico trecho que lhe explica a condição é de expressividade metafórica singular:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“Blanche – Você está falando é do desejo animal&#8230;é só desejo!&#8230;nome daquele bonde desconjuntado, barulhento, o ferro-velho que passa sacolejando pelo French Quarter, subindo uma ruela estreita e descendo outra&#8230;<br />
Stella – E você nunca andou nesse bonde?<br />
Blanche – Ele me trouxe até aqui&#8230;onde não me querem e onde me sinto envergonhada de estar&#8230;” (pp. 76-77)</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">WILLIAMS, Tennessee. <strong>Um bonde chamado desejo.</strong> Tradução de Beatriz Viéga-Faria. Porto Alegre: L&amp;PM, 2010.</p>
<p><strong>Um Bonde chamado Desejo</strong><br />
Tradução de Beatriz Viégas-Faria<br />
160 páginas<br />
Preço Sugerido: R$ 14,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Rock n&#8217; Roll e outras peças (Tom Stoppard)</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 19:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O nome Tom Stoppard pode não soar muito familiar para você, mas vamos tentar estes aqui: Que tal Brazil, o filme? Ainda nas produções da década de 80, quem sabe Império do Sol? Ou ainda o papa-Oscar Shakespeare Apaixonado? Pois saiba que os roteiros desses filmes tem as mãos de Stoppard, seja em autoria, co-autoria ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/rocknroll.jpg"><img class="size-medium wp-image-15922 alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/rocknroll-206x300.jpg" alt="" width="206" height="300" /></a>O nome Tom Stoppard pode não soar muito familiar para você, mas vamos tentar estes aqui: Que tal <a title="brazil" href="http://www.imdb.com/title/tt0088846/" target="_blank">Brazil, o filme</a>? Ainda nas produções da década de 80, quem sabe <a title="império do sol" href="http://www.imdb.com/title/tt0092965/" target="_blank">Império do Sol</a>? Ou ainda o papa-Oscar <a title="shakespeare apaixonado" href="http://www.imdb.com/title/tt0138097/" target="_blank">Shakespeare Apaixonado</a>? Pois saiba que os roteiros desses filmes tem as mãos de Stoppard, seja em autoria, co-autoria ou adaptação. Não acha que são boas referências ainda? Que tal irmos para o campo em que ele realmente atua, o teatro? Ganhador de vários prêmios Tony, além de ser nada mais, nada menos do que &#8220;Sir&#8221; Tom Stoppard. Já deu para ter uma ideia da importância da figura, não?</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que a publicação de <em>Rock n&#8217; Roll e outras peças</em> pela coleção listrada da Companhia das Letras vem em tão boa hora. Eu já <a title="Traduções por vir: Literatura de Língua Inglesa" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/18/traducoes-por-vir-literatura-de-lingua-inglesa/" target="_blank">havia comentado em outro momento</a> como fazia falta uma tradução de <em>Rosencrantz and Guildenstern are Dead</em> aqui no Brasil, imagine então minha alegria ao saber que não seria apenas essa peça, mas uma coletânea dos trabalhos de Stoppard que chegariam em português, traduzidas pelo ótimo <a title="10 Perguntas e Meia para Caetano W. Galindo" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/24/10-perguntas-e-meia-para-caetano-w-galindo/" target="_blank">Caetano W. Galindo</a>. É livro para fazer os olhos dos amantes de teatro brilharem, e mais importante, é daqueles para apresentar Stoppard para um público que aprecia boa literatura.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-15921"></span>A coletânea não está organizada por ordem cronológica, mas a forma como foi montada aproximou temas recorrentes do teatro de Stoppard, quase como se fosse uma galeria de quadros dos mais variados estilos na qual temos a oportunidade de ver um pouco de tudo que ele já fez. Stoppard já escreveu mais de 30 peças, a coletânea traz sete (oito se separarmos <em>O Macbeth de Cahoot</em> de <em>O Hamlet de Dogg</em>, embora o dramaturgo afirme que uma complementa a outra). Algumas delas vem com um texto introdutório de Tom Stoppard, explicando algumas questões sobre a criação do texto, característica de personagem, contexto, etc., o que é ótimo para uma leitura mais fluida dos textos.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro abre com <em>Arcádia</em> (encenada pela primeira vez em 1993) que lembra em muito o teatro de Oscar Wilde com peças como <a title="A importância de ser prudente e outras peças (Oscar Wilde)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/08/23/a-importancia-de-ser-prudente-e-outras-pecas-oscar-wilde/" target="_blank">A importância de ser prudente</a>. O humor e a inteligência do texto saltam aos olhos, especialmente na fala do tutor Septimus, que é uma personagem adorável. O texto intercala momentos no passado (com Septimus) e no presente (com pessoas estudando o que seriam &#8220;pistas&#8221; deixadas em um livro de Septimus), apresentando até uma conexão com Lord Byron. Se você tem alguma dúvida ao abrir o livro se gostará de Stoppard, já nas primeiras páginas dá de cara com a seguinte resposta de Septimus para a pupila que diz que é impossível &#8220;desmisturar&#8221; o arroz doce e a geleia:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Nunca, de fato, pois o tempo teria de correr ao contrário; e como ele não corre, temos que ir abrindo nosso caminho a colheradas, misturando tudo enquanto isso, desordem vinda da desordem gerando desordem até que tudo esteja rosa, estável e imutável, e tenhamos desistido para sempre. A isso se chama livre-arbítrio ou autodeterminação.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">É realmente um começo delicioso. Seguimos então para <em>De verdade</em>, encenada pela primeira vez em 1982, e um pouco mais amarga (embora o humor esteja sempre presente, uma característica marcante do autor). Para narrar a vida de dois casais envolvidos com teatro, Stoppard faz um jogo genial entre a Cena 1 e a Cena 2: na primeira vemos a discussão entre um casal, Max e Charlotte. Na seguinte, vemos Charlotte na casa de Henry, e pensamos que ela se separou de Max por conta da discussão. Aos poucos descobrimos que na realidade Henry é um dramaturgo que colocou a vida pessoal no roteiro e que na realidade a primeira cena era Max e Charlotte representando um momento da vida de Henry e Charlotte.</p>
<p style="text-align: justify;">Além desse efeito, frases muito bem sacadas fazem dessa peça algo fora do comum se for pensar que se baseia principalmente em relações de casais. Como por exemplo quando Max, interpretando Henry (o que tem as melhores falas, no final das contas) diz para uma Charlotte enfurecida: <em>Pode me dar um tapa se quiser. Eu não devolvo. Odeio clichês. É uma das coisas que me mantiveram fiel</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Após essa peça temos <em>O verdadeiros Inspetor Cão</em>, encenada pela primeira vez em 1962. Se julgar a data de estreia e o que Stoppard faz com o roteiro, dá para ter uma ideia de quão inovador o dramaturgo sempre foi. Começamos com uma cena na qual a plateia vê uma plateia, e a partir daí uma encenação começa em uma espécie de metalinguagem mesclando uma trama ao estilo Agatha Christie, mas com (muitas) doses de <em>nonsense</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Na peça seguinte, <em>Pastiches</em> (encenada pela primeira vez em 1974), outro recurso interessante. A memória de Henry Carr que recria os eventos, e portanto tem falhas, como uma representação perfeita do que é nosso processo de lembrança. A peça apresenta personagens reais como James Joyce e Lênin, e, como Stoppard conta na introdução, o próprio Carr (que processou Joyce no passado). Aliás, a relação de Carr com Joyce rende alguns momentos muito engraçados, como na fala de Carr:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Eu sonhei com ele, sonhei que estava com ele no banco das testemunhas, um interrogatório de mestre, caso praticamente ganho, admitiu tudo, a coisa toda, as calças, tudo, e eu <em>joguei</em> na cara dele &#8220;E o que você fez na Grande Guerra?&#8221; &#8220;Eu escrevi <em>Ulisses</em>&#8220;, ele disse. &#8220;O que é que você fez?&#8221; Cara de pau.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>Rock n&#8217; Roll</em>, destaque da coletânea e também um dos trabalhos mais recentes presentes nela (encenada pela primeira vez em 2006) tem dois elementos mais importantes no texto. O primeiro, como fica óbvio pelo título da peça, é a música. O segundo fica por conta das raízes tchecas do escritor, que nasceu Tomáš Straüssler e deixou o país aos dois anos de idade, fugindo da ocupação nazista. A personagem Jan, como Stoppard aponta no texto introdutório, tem muito do que seria ele caso tivesse retornado para seu país. A peça foca principalmente na <a title="primavera de praga" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera_de_Praga" target="_blank">Primavera de Praga</a> (e por conta desse evento apresenta ecos de A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera) e na <a title="revolução de veludo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_Veludo" target="_blank">Revolução de Veludo</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois é a vez de <em>Rosencrantz e Guildenstern morerram</em>, que continua sendo minha peça favorita de Stoppard. Ela foi encenada pela primeira vez em 1966 e também ganhou uma versão para o cinema com Gary Oldman e Tim Roth nos papeis principais. Sobre a peça <a title="Rosencrantz &amp; Guildenstern Are Dead (Tom Stoppard)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/21/rosencrantz-guildenstern-are-dead-tom-stoppard/" target="_blank">já falei em outro momento aqui no blog</a>, então deixo como sugestão de leitura para quem quiser saber um pouco mais desse texto que traz, como as outras peças do dramaturgo, muito humor e um texto brilhante.</p>
<p style="text-align: justify;">Fechando a coletânea temos duas peças que, como já dito antes, se complementam. São <em>O Hamlet de Doog</em> e <em>O Macbeth de Cahoot</em>. A ideia principal que move o texto é que são atribuídos sentidos diferentes para palavras que já conhecemos, com frases como &#8220;Merda, otário&#8221; significando &#8220;Até mais, senhor&#8221;. De toda a coletânea acho que foi a que mais senti falta de ter a oportunidade de ver encenada &#8211; a sensação que deve causar essa variação de significados parece ser algo realmente fora do comum.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como comentei anteriormente, é um livro que chega para apresentar Tom Stoppard para o público brasileiro. Representa bem os variados lugares por onde o dramaturgo já caminhou nessa tão longa carreira, e são todos ótimos textos. Para quem já está familiarizado com textos de teatro, reparem no cuidado de Stoppard nas indicações de características de personagem, cenário, trilha sonora e afins. Impecável.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<p><strong>Rock n&#8217; Roll e outras peças</strong><br />
Tom Stoppard<br />
Tradução: Caetano W. Galindo<br />
624 páginas<br />
Preço sugerido: R$54,00</p>
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		<title>Drama o Mirjana i ovima oko nje (Ivor Martinić)</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 19:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Croácia não é um país que costume receber muita importância no cenário teatral e literário mundial. Não que sua produção seja irrelevante, muito pelo contrário: o país possui uma história bastante conflituosa, o que fornece subsídio para muita coisa. O problema acabou sendo, basicamente, a posição política independente da antiga Iugoslávia (da qual a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/mirjana-plakat.jpg"><img class="size-medium wp-image-15542 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/mirjana-plakat-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" /></a>A Croácia não é um país que costume receber muita importância no cenário teatral e literário mundial. Não que sua produção seja irrelevante, muito pelo contrário: o país possui uma história bastante conflituosa, o que fornece subsídio para muita coisa. O problema acabou sendo, basicamente, a posição política independente da antiga Iugoslávia (da qual a Croácia era parte, até 1991) e o idioma praticamente desconhecido fora do país.</p>
<p style="text-align: justify">Um bom exemplo da produção recente desse país, que para nós soa um tanto quanto exótico, é a obra dramatúrgica de Ivor Martinić. Um autor jovem, nascido em 1984, ele estuda na Academia de Artes Dramáticas de Zagreb, e já teve várias de suas peças montadas e traduzidas para idiomas como o francês, o inglês, o espanhol e o alemão (e, como adendo, eu estou trabalhando em uma tradução para o português).</p>
<p style="text-align: justify">Em <em>Drama o Mirjani i ovima oko nje</em> – cujo título significa ‘Um drama sobre Miriam e as pessoas que a rodeiam’ – Martinić apresenta um retrato da vida na Croácia de hoje, depois de décadas fazendo parte da República Socialista da Iugoslávia e de uma guerra extremamente cruel com o país vizinho e culturalmente mais próximo de si – a República da Sérvia (até a guerra, aliás, considerava-se os idiomas Sérvio e Croata como uma unidade linguística, hoje em dia, apesar de continuarem praticamente iguais, existe uma separação política entre os dois).<span id="more-15541"></span></p>
<p style="text-align: justify">A vida, afinal, continuou. E Miriam, com seus quarenta anos, um divórcio, sua filha adolescente que a trata com crueldade e que sonha em ser famosa, mostra isso: de modo fragmentado, com perdas cada vez mais pesadas e irreversíveis, ela vive – e é a primeira a anunciar isso.</p>
<p style="text-align: justify">A dramaturgia de Martinić é ousada e complexa, não devendo nada aos escritores pós-modernos de países mais centrais, como a França ou a Inglaterra. Rubricas que são repetidas nas falas dos personagens e vice-versa, um desrespeito pelas convenções formais do teatro e um conteúdo que beira o absurdo – mas que se mostra, no fim, completamente realista – são alguns de seus grandes trunfos.</p>
<p style="text-align: justify">Uma versão adaptada (e encurtada) da peça (em inglês) está disponível na revista do Centro Croata de Teatro, que <a href="http://www.hciti.hr/en/index.html">pode ser baixada gratuitamente no site deles</a>.</p>
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		<title>Odejście Głodomora (Tadeusz Róźewicz)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/11/05/odejscie-glodomora-tadeusz-rozewicz/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Nov 2011 19:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[The Hunger Artist Departs]]></category>

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		<description><![CDATA[A impossibilidade da comunicação. A insuficiência da linguagem. Quando Franz Kafka escreveu sobre esses assuntos, no começo do século passado, foi aclamado como gênio – e com toda razão. De lá pra cá, porém, as coisas mudaram – e a história, junto com uma exaustiva repetição dessas idéias, apagaram um pouco do brilho dessas terríveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><em></em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/odejscieg.jpg"><img class="size-medium wp-image-15484 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/odejscieg-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>A impossibilidade da comunicação. A insuficiência da linguagem. Quando Franz Kafka escreveu sobre esses assuntos, no começo do século passado, foi aclamado como gênio – e com toda razão. De lá pra cá, porém, as coisas mudaram – e a história, junto com uma exaustiva repetição dessas idéias, apagaram um pouco do brilho dessas terríveis constatações do escritor Tcheco.</p>
<p style="text-align: justify">Talvez seja justamente por isso que o polonês Tadeusz Róźewicz inicia sua peça <em>Odejście Głodomora </em>(<em>A retratação do artista</em>, sem tradução para o português) com um pedido de desculpas a Kafka: a peça é uma apropriação, por um homem que nasceu pouco antes da morte de Kafka, de um dos contos mais pessoais e mais relevantes do criador de Gregor Samsa, <em>Um artista da fome</em>.<span id="more-15483"></span></p>
<p style="text-align: justify">Róźewicz transportou, na peça, todos os personagens do conto de Kafka para os anos 1960. No início, tudo parece estar lá: o artista da fome, o empresário, os locais que duvidam da autenticidade do espetáculo, os guardas que devem impedir que o homem coma, o limite de quarenta dias para o jejum, a perda do interesse do público.</p>
<p style="text-align: justify">Não existe, porém, o circo, e nem a figura da pantera- tão poderosa no conto. Ao invés disso existe um contraponto ainda maior, e que Kafka sequer poderia ter imaginado: quem se interessa em um homem que jejua por opção – por orgulho, sugere o empresário – em um mundo em que milhares de pessoas, países inteiros, morrem de fome, em um mundo que já viu Auschwitz e os Gulags?</p>
<p style="text-align: justify">Róźewicz aponta não para a dificuldade de comunicar-se, ou para a insuficiência da linguagem, mas para um ponto nevrálgico da sociedade do pós-guerra: o que é preciso para atrair ou chocar as pessoas, o que pode ofender a sensibilidade de seres humanos que já internalizaram fatos tão terríveis e catastróficos quanto os que aconteceram na Segunda Guerra Mundial (e pelo resto do século XX, em menor escala)?  Não é a falta de um modo para dizer as coisas, mas o anacronismo de qualquer coisa que venha a ser dita que perturba o autor.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar de não ser listada entre as obras mais relevantes de Róźewicz, eu considero essa uma de suas melhores peças. O franco diálogo com Kafka é bastante rico, mas não é tudo: Róźewicz foi forçado a dar voz a personagens que eram mudas, foi forçado a criar poesia onde Kafka deixou silência. O resultado é ao mesmo tempo poético e terrível, pois se trata do mundo que nos restou.</p>
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		<title>Białe małżeństwo (Tadeusz Różewicz)</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 14:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tadeusz Różewicz não é um autor conhecido no Brasil. Então, antes de mais nada, é preciso dizer que ele é um dos mais expressivos nomes da poesia e do drama polonês do pós-guerra. Na Europa é tido como um dos principais nomes do teatro do absurdo, sendo algumas vezes citado ao lado de gigantes como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/biale_malzenstwo.jpg"><img class="size-medium wp-image-14947 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/biale_malzenstwo-206x300.jpg" alt="" width="206" height="300" /></a>Tadeusz Różewicz não é um autor conhecido no Brasil. Então, antes de mais nada, é preciso dizer que ele é um dos mais expressivos nomes da poesia e do drama polonês do pós-guerra. Na Europa é tido como um dos principais nomes do teatro do absurdo, sendo algumas vezes citado ao lado de gigantes como Samuel Beckett. O próprio Różewicz é considerado uma espécie de gigante, principalmente na Polônia e na Alemanha.</p>
<p style="text-align: justify">Seus poemas possuem um tom sombrio, sendo que a descrição &#8216;niilistas&#8217; não lhes é totalmente descabida. Isso pode, muitas vezes, afastar alguns leitores &#8211; apesar de eu ver nisso um de seus maiores atrativos.</p>
<p style="text-align: justify">No caso dos dramas, porém, essa negatividade encontra-se mais diluída o que os torna um tanto quanto mais palatáveis, se comparados com sua obra poética. Some-se a isso a miríade de temas que suas mais de 15 peças abordam, e temos um dos dramaturgos mais respeitados e prolíficos da Europa Centro-Oriental.<span id="more-14944"></span></p>
<p style="text-align: justify">Em <em>Białe małżeństwo </em>(&#8216;<em>Casamento branco&#8217;</em>) temos como personagens centrais as duas irmãs Pauline e Bianca. Vivem no final do século XIX, uma época de costumes rijos e de uma moral estrita. As duas meninas, porém, estão &#8211; ao que tudo indica &#8211; no final da adolescência, e o sexo está começando a tornar-se um de seus interesses.</p>
<p style="text-align: justify">A peça começa justamente com essa curiosidade nascente. Durante a madrugada Bianca acorda Pauline para mostrar-lhe um livro que roubou da biblioteca do pai. É um livro de biologia que versa sobre a reprodução dos animais. A imaginação das duas não tarda a ser capturada e estimulada. Mais tarde, porém, descobriremos quão diversas são os rumos que tais estímulos tomam em cada uma das irmãs.</p>
<p style="text-align: justify">Nas cenas seguintes o universo que circunda as duas protagonistas é desenhado: um pai um tanto distante, mais preocupado em seguir um rabo de saia do que em criar as filhas; uma mãe absorvida pela aversão que o marido lhe inspira e pela amargura que sente com relação a si mesma; o avô, que lamenta profundamente não ter se tornado insento de desejos carnais com o passar dos anos e que prepara-se para a morte; Benjamin, noivo de Bianca; uma tia, irmã da mãe; além de funcionários da casa e uma estranha figura com algo de mítico, uma versão &#8216;minotaurica&#8217; do pai.</p>
<p style="text-align: justify">Essas figuras agem em um cenário que alterna entre algo que parece realista (mas sobre o qual sempre podem pairar dúvidas) e o franco desdém por uma realidade concreta. A reação é a criação do caráter &#8211; e da definição da sexualidade &#8211; das duas meninas.</p>
<p style="text-align: justify">A tragédia resite justamente no fato de que não apenas o passado &#8211; uma disputa entre a mãe e a tia, envolvendo o pai &#8211; parece fadado a ser repetido, mas isso necessáriamente trará uma dissolução e um desvio daquilo que Bianca e Pauline são.</p>
<p style="text-align: justify">A obra ainda não existe em edição brasileira (e, até onde eu saiba, nem em portuguesa) &#8211; e dada a aparente má vontade de as editoras brasileiras lançarem peças de teatro, vai demorar a surgir. Para quem lê inglês, porém, existe uma excelente tradução feita por Adam Czerniawski, publicada pela editora Marion Boyars.</p>
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		<title>A Mãe (Stanisław Ignacy Witkiewicz)</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 17:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Stanisław Ignacy Witkiewicz, mais conhecido pelo pseudônimo Witkacy, foi um dos maiores escritores poloneses do início do século XX. Foi, ainda, pintor, desenhista, teórico da arte e filósofo.Vanguardista de proposições radicais &#8211; como suas idéias a respeito da pura forma &#8211; destacou-se por sua extensa obra dramática, sendo que é considerado um dos nomes mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/matka.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-14632" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/matka-300x222.jpg" alt="" width="300" height="222" /></a>Stanisław Ignacy Witkiewicz, mais conhecido pelo pseudônimo Witkacy, foi um dos maiores escritores poloneses do início do século XX. Foi, ainda, pintor, desenhista, teórico da arte e filósofo.Vanguardista de proposições radicais &#8211; como suas idéias a respeito da pura forma &#8211; destacou-se por sua extensa obra dramática, sendo que é considerado um dos nomes mais influentes do teatro europeu do último século.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar disso tudo sua obra está estranhamente ausente do acervo dos países de língua portuguesa. Um ou outro ensaio perdido em alguma coletânea (todas publicadas em Portugal, até onde eu saiba) e uma de suas peças, que é objeto dessa resenha: A Mãe ou, no original, Matka. Nem mesmo montagens Witkacy recebeu em língua portuguesa, já que a única vez que foi encenado no Brasil foi em francês e, em Portugal, a ditadura impediu que a peça (nessa versão publicada, traduzida da língua de Proust) fosse exibida.<span id="more-14631"></span></p>
<p style="text-align: justify">O teor iconoclástico da obra é perfeitamente capaz de explicar o problema que os governos militarizados e totalitários de ambos os países tinham com ela. Trata-se da história de uma família, ou dos restos de uma: Nina Cobraska e seu filho, Leão Cobraski. Ela tem 54 anos e está quase cega, de tanto tricotar &#8211; modo como sustenta a si mesma e ao filho, teórico que tenciona salvar a arte da sua decadência que seria inevitável, não fosse esse vadio genial. Do marido, apenas nos chega a infâmia: meteu-se em um negócio de criação de capivaras na América do Sul e, criminoso, acabou sendo enforcado no Brasil, mais especificamente no Paraná.</p>
<p style="text-align: justify">Leão surge com uma noiva, uma mulher de modos vulgares e que ele mal conhece, Sofia. Ela aceita noivar com ele antes mesmo de saber sobre seu ideário, segundo o qual uma melhora nas condições sociais do mundo é inevitável mas, com essa, o achatamento do indivíduo e o desaparecimento da arte. O único modo de se evitar que a arte morra é através do intrincado &#8211; e nunca claramente explanado &#8211; plano de Leão Cobraski. A exposição detalhada disso é suficiente para fazer com que Sofia se apaixone perdidamente.</p>
<p style="text-align: justify">Finda o primeiro ato, e, no segundo, tudo está radicalmente diferente. Leão e Sofia trabalham e o ar de pobreza e decadência parecem ser coisa do passado. Não entrarei em maiores detalhes, para evitar spoilers, mas o segundo ato e o terceiro ato &#8211; na forma de epílogo &#8211; demonstram a validade da definição que o próprio Witkacy deu à obra, &#8216;uma peça repugnante em dois atos e um epílogo&#8217;.</p>
<p style="text-align: justify">A peça é relativamente curta mas é suficiente para que se possa ter uma idéia da obra de Witkacy, até porque muitas das idéias de Leão derivam das idéias do próprio autor, assim como os virulentos ataques à Ibsen, Strindberg e toda a tradição teatral de então. Também é interessante notar o tom apocalíptico da obra, escrita em uma época em que a Polônia era toda euforia &#8211; depois de séculos não existindo, com seu território repartido entre Império Russo, Império Austro-Húngaro e Prússia, o país recuperou a independência.</p>
<p style="text-align: justify">Esse tom, aliás, está presente em toda a obra de Witkacy, figura seminal na história do drama, da literature e da arte do século que deixamos para trás. Não à toa, quando viu que suas previsões poderiam realizar-se (quando a Polônia foi novamente repartida, entre nazistas e soviéticos, em 1939), Witkacy cometeu suicídio.</p>
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		<title>The Terrible Voice of Satan (Gregory Motton)</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Sep 2011 17:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para mim a grande força da literatura britânica, hoje, está no teatro. Autores como Sarah Kane, Mark Ravenhill, Martin Crimp e Phyllis Nagy, expoentes (relutantes, quiçá) do chamado teatro ‘in-yer-face’ estão entre os escritores recentes mais importantes da terra da rainha. Não são os únicos, porém. Gregory Motton – até pouco tempo proscrito dos palcos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Captura-de-tela-2011-09-10-%C3%A0s-14.41.53.png"><img class="size-medium wp-image-14111 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Captura-de-tela-2011-09-10-%C3%A0s-14.41.53-186x300.png" alt="" width="186" height="300" /></a>Para mim a grande força da literatura britânica, hoje, está no teatro. Autores como Sarah Kane, Mark Ravenhill, Martin Crimp e Phyllis Nagy, expoentes (relutantes, quiçá) do chamado teatro ‘<em>in-yer-face</em>’ estão entre os escritores recentes mais importantes da terra da rainha.</p>
<p style="text-align: justify">Não são os únicos, porém. Gregory Motton – até pouco tempo proscrito dos palcos ingleses, sabe-se lá porque – também aparece entre os grandes da nova geração britânica, e não se vincula ao ‘<em>in-yer-face­’. </em>Suas peças herdam algo da complexidade cerebral de Pinter, mesclado à sutileza poética do norueguês Jon Fosse. Talvez fosse pertinente, ainda, incluir as obras mais sombrias de Ingmar Bergman nessa explicação hesitante da obra de Motton. Apesar de todas as comparações que fiz, sua obra é singular e sua poética, inovadora.<span id="more-14109"></span></p>
<p style="text-align: justify">Em <em>The Terrible Voice of Satan </em>(que já foi montada no Brasil pela companhia <em>Club Noir</em>, com tradução do diretor Roberto Alvim) existem todos os elementos fundamentais da obra de Motton: a fragmentação do diálogo e a inexistência de rubricas, a confusão entre as personagens e a própria representação dessas personagens, muitas das quais seriam melhor descritas como <em>forças </em>ou <em>ideias </em>do que como pessoas.</p>
<p style="text-align: justify">A história gira em torno de Tom Doheny, camponês, marinheiro, navio, Deus ou o diabo – a questão fica em aberto – que questiona a existência humana, recebendo respostas confusas e circulares, semelhantes elas mesmas à essa existência.</p>
<p style="text-align: justify">Falando com Tom existem um padre, um pássaro mágico, o Homem Seco, um convidado, o Imperador do Reino Sob as Águas, o próprio Reino Sob as Águas, um médico e a escuridão. Os diálogos, porém, não seguem lógica alguma – ou melhor, seguem a uma lógica que foi meticulosamente destruída e reconstruída em um plano diverso – já que muitas vezes Tom responde às próprias perguntas, falando pelas outras personagens.</p>
<p style="text-align: justify"><em>The Terrible Voice of Satan </em>é uma obra inquietante e perturbadora. Talvez não cumpra os ideais de beleza que muitas pessoas buscam na literatura, mas não é esse seu objetivo: uma das coisas que faz, aliás, é justamente negar essa beleza, enquanto nega a lógica de tudo aquilo que esperamos e de tudo aquilo em que cremos. Não vi nenhuma montagem, mas mesmo sendo ‘simplesmente’ lida, a obra, bem curta, aliás, é impressionante.</p>
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		<title>A morte de um caixeiro viajante e outras 4 peças de Arthur Miller</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 20:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<category><![CDATA[A morte de um caixeiro viajante]]></category>
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		<category><![CDATA[Um homem de sorte]]></category>
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		<description><![CDATA[Falar que Arthur Miller é um dos maiores nomes da dramaturgia norte-americana é até um lugar comum. Não há quem goste de teatro e em algum momento não tenha cruzado com algum texto seu, sendo que o encontro se dá normalmente com duas de suas obras mais famosas, A morte de um caixeiro viajante (Death of [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/12699_gg.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-13850" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/12699_gg-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Falar que Arthur Miller é um dos maiores nomes da dramaturgia norte-americana é até um lugar comum. Não há quem goste de teatro e em algum momento não tenha cruzado com algum texto seu, sendo que o encontro se dá normalmente com duas de suas obras mais famosas, <em>A morte de um caixeiro viajante</em> (<em>Death of a Salesman</em>) e <em>As bruxas de Salém </em>(<em>The Crucible</em>). A força de seu texto está principalmente no retrato fiel de uma época, o pós-guerra nos Estados Unidos, que tão fortemente moldou a sociedade daquela época, seja com valores como o do &#8220;sonho americano&#8221; como com a histeria do anti-comunismo.</p>
<p style="text-align: justify">Miller era um crítico ácido e astuto, e em suas peças em determinados momentos até bastante sutil. Do recorte de um dia comum na vida de pessoas ordinárias é possível tirar tanto que chega a ser injusto reduzir a importância de sua obra só à literatura norte-americana: ele fala de homens, tão reais, tão tridimensionais que poderiam estar falando de suas tristezas, paixões, medos e sonhos em qualquer lugar do mundo. É o que se pode perceber na coletânea <em>A morte de um caixeiro viajante e outras 4 peças de Arthur Miller</em>, lançada pela Companhia das Letras com tradução de José Rubens Siqueira.<span id="more-13849"></span></p>
<p style="text-align: justify">O livro está organizado em ordem cronológica, começando com <em>O homem de sorte</em> (1944), seguido de <em>Todos eram meus filhos</em> (1947) depois <em>A morte de um caixeiro viajante</em> (1949), <em>As bruxas de Salém</em> (1953) e fechando com <em>Um panorama visto da ponte</em> (1955). Ao longo do texto das cinco peças alguns temas se repetem, como a ideia do <em>self-made man</em>, o homem de origem pobre que a partir de muito trabalho acaba melhorando sua posição social, conceito bastante ligado ao do sonho americano, a liberdade da terra estadunidense que prometia a possibilidade de sucesso e prosperidade que os europeus não encontravam mais em seus países.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Um homem de sorte</em> (<em>The Man Who Had All the Luck</em>), embora anterior a conclusão da Segunda Guerra Mundial já traz alguns desses elementos. David é uma personagem que você provavelmente já viu em sua própria vida: aquele sujeito que ganha tudo, em que tudo dá certo, sem ter que fazer qualquer esforço para tal. O problema é que como uma personagem de tragédia grega, ele não aceita esse que seria seu &#8220;destino&#8221;, não se conforma com tanto sucesso em sua vida quando convive com pessoas como Amos, que treina a vida inteira para jogar baseball mas nunca consegue de fato reconhecimento. Em dado momento a personagem explode e pergunta &#8220;Por quê? É tudo sorte? É isso que é?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify">Talvez até mesmo pelo fato de David querer lutar tanto contra a facilidade com a qual sua vida se arranja que o leitor acaba simpatizando com o protagonista, o que é fundamental para o efeito no desfecho. Miller acaba cutucando forte a ferida daqueles que tanto lutam para conseguir algo e são sempre sombra de outros que talvez nem tenham talento, apenas sorte.</p>
<p style="text-align: justify">A peça seguinte, <em>Todos eram meus filhos</em> (<em>All My Sons</em>) já traz a marca da Grande Guerra, já que o foco da ação se divide em dois fatos principais: o sumiço na guerra de Larry, o filho dos Kellers; e um caso envolvendo a venda de peças estragadas para aviões de guerra, o que causou a morte de 21 soldados. As peças estragadas foram despachadas pelo pai de Ann, antiga namorada de Larry e que retorna agora para casar com o irmão dele, Chris. Porém, ao longo da história ficamos sabendo que ele só as despachou porque recebeu orientações de Joe Keller para fazê-lo. A peça é bastante melancólica, com uma conclusão tristíssima &#8211; não espere um final feliz de Walt Disney aqui.</p>
<p style="text-align: justify">Chega então a peça mais famosa de Miller, <em>A morte de um caixeiro viajante</em> (<em>Death of a Salesman</em>). Com esta peça Miller ganhou um prêmio Pulitzer e três prêmios Tony e ao ler não dá para negar o valor dessa obra. É talvez a que melhor critica a ideia do sonho americano, através de Willy Loman (não consigo deixar de pensar em um trocadilho Loman = Low man), que busca cegamente pelo sucesso na vida através de seu trabalho. O fracasso nos negócios acaba fazendo com que ele cobre ainda mais este sucesso a partir dos filhos, Biff e Happy, o que leva a consequências trágicas. Todo o drama da peça reside no fato de Willy abraçar com tanta força a ideia do sonho americano, e não perceber o mal que está fazendo à própria família por conta disso.</p>
<p style="text-align: justify"><em>As bruxas de Salém</em> (<em>The Crucible</em>) baseia-se na história real dos <a title="bruxas de salém" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruxas_de_Sal%C3%A9m" target="_blank">julgamentos das bruxas de Salém</a>, em Massachussetts, que aconteceram no século XVII. De acordo com o próprio Miller<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/01/a-morte-de-um-caixeiro-viajante-e-outras-4-pecas-de-arthur-miller/#footnote_0_13849" id="identifier_0_13849" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="para quem estiver com o ingl&ecirc;s afiado, pode dar uma conferia em Why I wrote The Crucible, texto que Miller escreveu para o New Yorker">1</a></sup>, trata-se de uma alegoria sobre o <a title="macartismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Macartismo" target="_blank">Macartismo</a>, como uma resposta inclusive ao fato de o próprio autor ter sido denunciado como comunista e ter que prestar depoimentos para o Comitê Parlamentar de Atividades Antiamericanas. Algo sobre a indústria do medo, de quanto alguns podem ganhar causando pânico aos outros.  A questão é que embora tendo em mente o Macartismo, com seu Proctor e Abigail, Miller faz uma história universal e atemporal, vide como a &#8220;guerra contra o terrorismo&#8221; de Bush pode se encaixar tão bem nessa crítica. É uma peça forte, que certamente sobreviverá ao tempo por falar tanto para qualquer tipo de leitor.</p>
<p style="text-align: justify">Por último, chegamos à peça <em>Um panorama visto da ponte</em> (<em>A View from the Bridge</em>), que também traz as personagens melancólicas e trágicas já agora bem conhecidas de Miller. O sonho americano é mais uma vez duramente criticado, especialmente quando Catherine, criada por Eddie e Beatrice, se apaixona pelo italino Rodolpho, e por conta do que lhe diz Eddie começa a desconfiar que o namorado queira apenas o green card. Há um momento da conversa das duas personagens que Rodolpho diz &#8220;<em>Você acha que eu ia carregar nas costas uma mulher que eu não amasse só para ser americano? É tão maravilhoso assim? Você acha que não tem prédios altos na Itália? Luz elétrica? Ruas largas? Bandeiras! Automóveis! Só trabalho que não tem. Eu quero ser americano para poder trabalhar, esta é a única maravilha aqui!</em>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify">Há ainda o cuidado de Miller com o roteiro em si, fazendo com que o leitor quase consiga imaginar o palco, iluminando Alfieri enquanto ele narra a história de Eddie e sua família. É inclusive um aspecto bastante positivo, porque tem tudo para agradar até aqueles que não gostam de ler textos para teatro.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A morte de um caixeiro viajante e outras 4 peças de Arthur Miller</em> é uma ótima coletânea, que traz o que há de melhor desse dramaturgo e consegue por si só explicar o motivo pelo qual ele é um dos grandes nomes do teatro contemporâneo. E principalmente o real motivo pelo qual ele deveria ser lembrado, já que em inúmeras biografias o que se vê em destaque é o fato de que ele foi casado com Marilyn Monroe.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>A morte de um caixeiro viajante e outras 4 peças de Arthur Miller</strong><br />
Arthur Miller<br />
Tradução: José Rubens Siqueira<br />
464 Páginas<br />
Preço sugerido: R$R$ 47,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_13849" class="footnote">para quem estiver com o inglês afiado, pode dar uma conferia em <a title="why I wrote the crucible" href="http://the_english_dept.tripod.com/miller.html" target="_blank">Why I wrote The Crucible</a>, texto que Miller escreveu para o New Yorker</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>A importância de ser prudente e outras peças (Oscar Wilde)</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 17:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A importância de ser prudente]]></category>
		<category><![CDATA[A importância de ser prudente e outras peças]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[O marido ideal]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar Wilde]]></category>
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		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
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		<description><![CDATA[Há algo de irônico na produção teatral de Oscar Wilde: as falas e ações de suas personagens parecem a todo momento um festival de tapas de luva de pelica na mesma sociedade que iria aos teatros assistir às peças, ou que aceitaria o dramaturgo em seu convívio (obviamente aceitação anterior ao período que passou na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/85015_gg.jpg"><img class="size-medium wp-image-13512 alignleft" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/85015_gg-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>Há algo de irônico na produção teatral de Oscar Wilde: as falas e ações de suas personagens parecem a todo momento um festival de tapas de luva de pelica na mesma sociedade que iria aos teatros assistir às peças, ou que aceitaria o dramaturgo em seu convívio (obviamente aceitação anterior ao período que passou na prisão de Reading). O artista que falava da arte pela arte, de escrever sem querer passar morais edificantes, no final das contas conseguia através de suas peças fazer as mais ácidas críticas a uma sociedade que vivia de aparências, um jogo de máscaras onde ninguém de fato era o que aparentava ser.</p>
<p style="text-align: justify">É o que se pode ver em <em>A importância de ser prudente e outras peças</em>, lançado recentemente através do selo Penguin-Companhia da editora Companhia das Letras. As três peças que fazem parte da coletânea têm em comum o fato de servirem como retrato perfeito do comportamento da grande sociedade da época, cheia de figuras que mostram a mais completa frivolidade sobre assuntos considerados importantes, como o casamento, por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-13508"></span>A coletânea abre com <em>Uma mulher sem importância</em>, que teve sua primeira apresentação em 1893. A ação se passa na casa de campo de Lady Hunstanton, em um encontro com diversas pessoas que representam a alta classe inglesa, embora nas palavras de Lady Caroline &#8220;ela seja um pouco permissiva na seleção das pessoas que convida para vir aqui&#8221;, o que pode significar uma crítica inclusive para sua interlocutora, a americana Hester. Aos poucos durante a peça as verdadeiras personalidades vão se revelando, até chegarmos ao desfecho que é até um tanto inesperado se considerarmos a época.</p>
<p style="text-align: justify">O chame de <em>Uma mulher sem importância</em> não reside tanto no enredo, mas nos diálogos criados por Oscar Wilde. Muitas das citações que as pessoas fazem do escritor sobre casamento, mulheres, etc. são retirados desta peça, principalmente das falas da ótima personagem que é Lorde Illingworth. Para quem está familiarizado com o Retrato de Dorian Gray, acredito que basta dizer que ele se parece em muito com Lord Henry.</p>
<p style="text-align: justify">A peça a seguir é <em>O marido ideal</em>, que aqui mescla politicagem e amor a já mencionada falsidade da alta sociedade vitoriana. Mais uma vez os diálogos inteligentes e rápidos fazem toda a graça da história, que tem como enredo o sucesso político de Robert Chiltern sendo ameaçado por uma chantagista, Lady Cheveley. Quem rouba a atenção aqui é o excelente Lorde Goring, que como os outros &#8220;lordes&#8221; de Wilde é um <em>bon vivant</em> encantador, talvez até mesmo por sempre dizer a verdade que a sociedade tanto se esforça para esconder sob máscaras.</p>
<p style="text-align: justify">Inclusive a relação de Goring com a irmã de Robert Chiltern, Mabel, também rende ótimos momentos. Há um diálogo próximo no quarto ato que é simplesmente impagável:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">MABEL &#8211; Você quer dizer que não veio até aqui expressamente para me pedir em casamento?<br />
LORDE GORING &#8211; (triunfante) Não; foi um lampejo de genialidade.<br />
MABEL &#8211; O seu primeiro.<br />
LORDE GORING &#8211; (com determinação) O meu último.<br />
MABEL &#8211; Fico muito feliz em saber. Agora não saia daqui. Volto em cinco minutos. E não caia em nenhuma tentação enquanto eu estiver longe.<br />
LORDE GORING &#8211; Mabel, querida, quando você esá longe, não há nenhuma tentação. Isso me torna terrivelmente dependente de você.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">É esse tipo de conversa, com jogos de palavras e um tom muito espirituoso que tomam conta das peças de Wilde, inclusive na última da coletânea e que justamente dá nome ao livro: <em>A importância de ser prudente</em>. Há nesse título um trocadilho que infelizmente acaba se perdendo na tradução, entre a palavra <em>Ernest</em> (nome bastante importante no enredo) e <em>Earnest</em> (palavra que pode ser traduzida como &#8220;honesto&#8221;). Uma vez que não há pessoa que se chame &#8220;honesto&#8221;, está aí a razão para que tenha sido escolhida a outra possibilidade de tradução da palavra, &#8220;prudente&#8221;, que até que satisfaz o sentido. Essa peça já foi traduzida também como <em>A importância de ser honesto</em> e <em>A importância de ser Ernesto</em>, mas prefiro a tradução da Penguin-Companhia.</p>
<p style="text-align: justify">O motivo pelo qual o nome é tão importante é que o enredo todo se sustenta nele: Prudente (Ernest no original) é o nome adotado por Jack para viver uma vida livre de qualquer cobrança ou preocupação na cidade, enquanto no campo por conta da resposabilidade que deve à Cecily encarna uma personalidade de &#8220;homem respeitável&#8221;. Por outro lado, Algernon adota o nome Prudente quando visita a casa no interior de Jack, e se apaixona por Cecily. Temos então alguns desencontros misturados sempre ao ótimo humor de Wilde até chegarmos ao final feliz.</p>
<p style="text-align: justify">O tema da falsidade se repete, servindo como crítica para a alta sociedade da Inglaterra vitoriana. O mesmo grupo que tanto parece admirar Wilde embora como colocado na introdução de Richard Allen Cave, o trate como uma espécie de bufão, o bobo da corte que tem a licença poética para falar as verdades que eles mesmos queriam tanto esconder. Aliás, a introdução de Cave é muito interessante, por ser observada principalmente sob a ótica do teatro em si &#8211; algo que falta em material traduzido aqui no Brasil sobre Oscar Wilde.</p>
<p style="text-align: justify">A importância de ser prudente e outras peças vem também com as já conhecidas notas do selo Penguin-Companhia, que complementam (e muito) a leitura. Considerando que boa parte do texto do Wilde é crítica social, é fundamental conhecer detalhes da sociedade em questão, que é uma das informações que as notas trazem. Elas aparecem no final do livro, e embora eu prefira as que fiquem no rodapé da página, até entendo a opção: alguns textos das notas são relativamente longos e a formatação da página ficaria estranha. Mas é realmente algo que faz valer inclusive eventuais releituras. Comento isso por experiência, já que <em>O Marido Ideal</em> é uma das minhas peças favoritas e a conheço quase de cor. Mesmo assim, ler acompanhando as informações das notas enriqueceu muito a experiência.</p>
<p style="text-align: justify">Assim, somando à introdução de Cave e à boa seleção das peças, dá para dizer que <em>A importância de ser prudente e outras peças</em> é indispensável para os fãs de Wilde, e uma boa sugestão para quem leu <em>O Retrato de Dorian Gray</em> e quer conhecer um pouco mais do autor. Acreditem, ler Wilde é realmente um prazer. São raros os casos em que fica tão claro que humor é também um sintoma da mais fina inteligência.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>A importância de ser prudente e outras peças</strong><br />
Oscar Wilde<br />
Tradução: Sonia Moreira<br />
424 Páginas<br />
Preço sugerido: R$28,50</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=8093">COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Esperando Godot (Samuel Beckett)</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Jul 2011 16:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Cosac Naify]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Irlandesa]]></category>
		<category><![CDATA[Samuel Beckett]]></category>

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		<description><![CDATA[Esperando Godot, do irlandês Samuel Beckett é, provavelmente, uma das obras mais universais do século XX. Mesmo quem não leu e até mesmo muitas das pessoas que não fazem a menor ideia de quem foi  Beckett conseguem fazer uma associação com a história dos dois homens que esperam um terceiro- que nunca vem. Foi sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/ESPERANDO_GODOT_1302399475P.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11945" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/ESPERANDO_GODOT_1302399475P-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>Esperando Godot</em>, do irlandês Samuel Beckett é, provavelmente, uma das obras mais universais do século XX. Mesmo quem não leu e até mesmo muitas das pessoas que não fazem a menor ideia de quem foi  Beckett conseguem fazer uma associação com a história dos dois homens que esperam um terceiro- que nunca vem.</p>
<p style="text-align: justify">Foi sua primeira peça publicada após a II Guerra Mundial, e uma das responsáveis por catapultar sua fama internacional- já era razoavelmente conhecido em sua Irlanda e na França, seu exílio auto-imposto e que ajudou a defender durante a guerra. E o momento de sua publicação é essencial para a obra: em uma Europa destruída pela guerra, na Europa que permitiu que algo como Auschwitz acontecesse, em um mundo agora mais dividido do que nunca entre Ocidente e Oriente, não eram apenas dois homens que esperavam por algo que não sabiam o que era e que nunca chegaria. Beckett traduziu a ânsia da humanidade naquele momento.</p>
<p style="text-align: justify">A história não é exatamente complexa. Dois amigos, Vladimir e Estragon esperam por um homem chamado Godot- que eles admitem que não reconheceriam se vissem. Enquanto esperam eles conversam, brigam, jogam, dormem, comem e até mesmo pensam em se matar.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-11944"></span>Eventualmente encontram com Pozzo e Lucky: o primeiro um aristocrata bem alinhado, porém cruel; o segundo seu escravo fiel e devotado. Eles encontram com Vladimir e Estragon duas vezes, na segunda Pozzo está cego.</p>
<p style="text-align: justify">Godot, no entanto, nunca chega. Isso tem gerado, desde que a peça foi publicada, muita especulação- Godot poderia ser Deus, a morte, o futuro ou até mesmo Pozzo. Beckett ofereceu uma única pista- que talvez se trate mais de uma brincadeira do que qualquer outra coisa: <em>godillot </em>é uma gíria francesa para bota- e os pés são um elemento sempre presente na obra.</p>
<p style="text-align: justify">Independentemente de quem ou o quê é Godot, essa é uma das obras mais influentes de um dos autores mais influentes do século XX. Sem Beckett e sem Godot talvez a pós-modernidade não fosse o que é- estaríamos, de qualquer modo, esperando, porém ignorantes desse fato.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Esperando Godot</strong></p>
<p style="text-align: justify">de Samuel Beckett, tradução de Fábio de Souza Andrade</p>
<p style="text-align: justify">R$ 66,00</p>
<p style="text-align: justify">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Cosac Naify</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://editora.cosacnaify.com.br/Default/1/Default.aspx"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/cosaclogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7504">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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