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	<title>Meia Palavra &#187; Resenhas</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>2666: A parte de Amalfitano</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 13:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[A parte de Amalfitano]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a leitura de 2666 de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666.jpg"><img class="size-medium wp-image-2621 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="2666" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Continuando a leitura de <em>2666</em> de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes de iniciar a parte seguinte. Minhas opiniões sobre a primeira parte (A parte dos críticos) você pode encontrar <a title="a parte dos críticos" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/15/2666-a-parte-dos-criticos/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que em teoria estou lendo o livro tal e qual a qualquer um – até porque mal estou interrompendo a leitura. Por causa disso acho que as sensações que tive sobre A parte de Amalfitano não serão tão diferentes, talvez só os achismos sobre o que as outras três partes podem trazer, o que será até divertido de confirmar depois. A verdade é que se não fosse a já familiar dificuldade para ler o catatau na cama, fiquei em alguns momentos com a impressão que tratava-se de um outro livro.<span id="more-2991"></span>A parte de Amalfitano é extremamente melancólica e densa, muito densa. Ontem quando concluí a leitura fiquei morrendo de vontade de voltar para o começo e reler os trechos em que Amalfitano aparece para os críticos, porque o que ele falava ali ganharia toda uma outra conotação depois de saber o que ele vivera antes daquele encontro, especialmente aquele trecho no qual comenta sobre a sombra se separando do escritor que trabalha para o Estado. A narrativa trata basicamente dos caminhos que o levaram a viver em Santa Teresa (cidade onde encontrará os críticos), começando do momento que sua esposa Lola o abandona para viajar em busca de um poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando falo que a segunda parte é diferente, é porque realmente distoa do que foi visto antes, tendo como único elo três elementos que se repetem d’A parte dos críticos: Amalfitano, o livro de Dieste pendurado no varal e os assassinatos que estão acontecendo em Santa Teresa.  Mesmo o estilo é diferente, tendendo muito mais para o fluxo de consciência do que para um discurso direto, o que funciona muito bem se considerar que um dos temas recorrentes dessa parte é a loucura.</p>
<p style="text-align: justify;">A loucura do poeta que Lola persegue, depois a loucura de Lola e então o próprio Amalfitano questionando se está ou não louco. A rapidez do estilo adotado por Bolaño para registrar diálogos e pensamentos nessa segunda parte acabam justamente criando aquele redemoinho que tiram a segurança da personagem (e óbvio, do leitor) sobre o que é real, sobre o que é certo. E no final das contas, acredito eu, pesam bastante para o plot dos crimes, mas aqui provavelmente também pela união de alguns elementos que são colocados na primeira parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre isso, a ideia que as duas partes dão é que Bolaño brinca um pouco com as exepectativas do leitor. Sempre retomando aquela ideia de que o ato de ler carrega junto o de prever, os elementos que ele oferece na primeira parte apontam para um grande clímax que não acontece. E agora a fórmula se repete: quando parece que tudo tende a levar a uma conclusão, ele segue uma outra direção. Da minha parte acho um exercício ótimo como leitora (e bem, da parte dele como escritor), mas tenho a sensação que no fim da segunda parte ele pode perder o leitor que busca apenas um enredo com  estrutura básica de começo meio e fim, digamos assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso para não falar da questão da melancolia, que comentei inicialmente. Não são só as ações (ou em alguns momentos a falta delas) de Amalfitano que constroem esse tom. As personagens ao seu redor, desde a filha até um possível novo interesse romântico, mostram a aridez de Amalfitano, como ele simplesmente não sente. Aridez como a de Santa Teresa, que cresce ainda mais na história e se revela triste tal como o protagonista. Eu sei que isso varia muito de leitor para leitor, mas para quem não suporta o calor como eu, dá quase para entender porque Amalfitano fica daquele jeito nesse lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluindo, a leitura continua sendo uma ótima experiência – e é experiência mesmo, extrapola um pouco aquela linha da leitura por puro entretenimento. E a verdade é que agora mal posso esperar para ver qual a próxima expectativa que será frustrada na terceira parte (talvez o fato de que não será frustrada?). E sim, eu continuo evitando ler o máximo possível o que saiu por aí sobre o livro, mas acabei lendo o post no blog do Tony Bellotto e aproveito para recomendar aqui: <a title="testamento geométrico" href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2010/07/testamento-geometrico/" target="_blank">Testamento geométrico</a>. Em tempo, se você ainda não conferiu, corre lá no blog do Meia Palavra para ler o <a title="10 perguntas e meia para tony bellotto" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/21/10-perguntas-e-meia-para-tony-bellotto/" target="_blank">10 Perguntas e Meia para Tony Bellotto</a>. Está bem legal!</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/26/2666-a-parte-de-amalfitano/" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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		<title>Poesia Matemática &#8211; Millôr Fernandes</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 15:35:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Millôr]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Matemática]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde muito criança, tinha uma coisa que eu achava engraçadíssimo nas aulas de matemática. Os nomes das grandezas matemáticas. Tinha até uma brincadeira com as minhas amiguinhas de colégio, escolher qual o nome de batismo dos nossos futuros filhos. Eu teria dois: Um menino que seria “o” Subtração e uma menina com “nome duplo” como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/capa_poesiamatematica1.jpg"><img class="size-full wp-image-2970 alignright" style="margin: 5px; border-width: 0px;" title="capa_poesiamatematica" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/capa_poesiamatematica1.jpg" alt="" width="226" height="230" /></a>Desde muito criança, tinha uma coisa que eu achava engraçadíssimo nas aulas de matemática. Os nomes das grandezas matemáticas. Tinha até uma brincadeira com as minhas amiguinhas de colégio, escolher qual o nome de batismo dos nossos futuros filhos. Eu teria dois: Um menino que seria “o” Subtração e uma menina com “nome duplo” como a mãe: Expressão Numérica. E eles seriam amiguinhos de: Adição, Colchetes e Parênteses.<br />
<span id="more-2969"></span><br />
Apesar de ser apenas um poema, Millôr me lembrou dessa brincadeirinha infantil, ao juntar a poesia com a matemática. Coisa essa que eu achava impossível antes de ler essa simpática edição de 2009 da Editora Desiderata.</p>
<p style="text-align: justify;">Com certeza, o autor é muito conhecido por suas crônicas deliciosas e suas charges sempre mordazes. Já seus poemas, são menos numerosos, mas nem por isso menos  excepcionais que suas demais obras.</p>
<p style="text-align: justify;">Poesia Matemática, possivelmente é o mais consagrado, pois quem mais teria a idéia de contar a história de amor entre uma Hipotenusa charmosa e um Quociente romântico? Mesmo que em poucas páginas, essa linda historinha nada deve aos “grandes livros” românticos. Com começo, meio e fim, essas grandezas ganham vida e sentimentos (olha só, e quem disse que não há sentimentos na matemática?), te emocionam e te seguram até a última página.</p>
<p style="text-align: justify;">Com as ilustrações de Mariana Newlands, a simpatia e a leveza de Millôr são elevadas até o infinito das expectativas daqueles que (como eu) achavam que a matemática era fria e sem setimentos.</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5127">Comente esse artigo no fórum Meia Palavra</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F24%2Fpoesia-matematica-millor-fernandes%2F&amp;linkname=Poesia%20Matem%C3%A1tica%20%26%238211%3B%20Mill%C3%B4r%20Fernandes">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Dossiê H (Ismail Kadaré)</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 11:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê H]]></category>
		<category><![CDATA[Homero]]></category>
		<category><![CDATA[Ismail Kadaré]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Albanesa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A pessoa de Homero está para sempre imersa nas trevas impenetráveis da lenda. Ignoramos quando viveu; não sabemos que terra privilegiada lhe ouviu os primeiros vagidos (&#8230;) Venerandas tradições representavam-no como um velho cantor, pobre e cego que, peregrinando de terra em terra, recompensava a quem o agasalhava com a declamação de seus poemas”. (Augusto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/homero.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2934" style="margin: 5px;" title="homero" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/homero.jpg" alt="" width="238" height="300" /></a>&#8220;A pessoa de Homero está para sempre imersa nas trevas impenetráveis da lenda. Ignoramos quando viveu; não sabemos que terra privilegiada lhe ouviu os primeiros vagidos (&#8230;) Venerandas tradições representavam-no como um velho cantor, pobre e cego que, peregrinando de terra em terra, recompensava a quem o agasalhava com a declamação de seus poemas</em>”. (Augusto Magne)</p>
<p style="text-align: justify;">Homero é considerado um dos pais da literatura ocidental- se não o pai em sim- mas a verdade é que é uma figura controversa: alguns sustentam que, talvez, o autor da Ilíada e da Odisséia não seja um só indivíduo, mas uma ficção que acoberta centenas ou milhares de indivíduos, de trovadores de uma tradição épica já perdida. Ou ainda talvez ele tenha existido mas não criou os poemas que lhe são atribuídos: selecionou as versões e os catalogou, uma tarefa no mínimo tão árdua quanto a de os criar.<span id="more-2933"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em o &#8216;Dossiê H&#8217; o escritor Ismal Kadaré transporta dois homeristas- estudiosos do poeta cego e sua obra- irlandeses para sua Albânia em busca da resposta para o enigma de Homero; na primeira metade do século XX, quando se passa a ação do livro, a Albânia era um lugar extremamente singular, em que o começo de uma modernidade imiscuia-se e transmutava tradições milenares e a poesia época e o trovadorismo davam lá seus últimos suspiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Munidos de um &#8216;magnetofone&#8217;- um esboço de gravador de som- e certa ingenuidade acadêmica os dois homeristas acabam sendo envolvidos, sem saber, no milenar conflito sérvio-albanes, em intrigas políticas e até mesmo nas fantasias eróticas de mulheres provincianas, enquanto tentam registrar as alterações sofridas pelos últimos épicos a cada vez que são cantados, para que possam reconstruir o esforço homérico.</p>
<p style="text-align: justify;">Não cabe aqui um spoiler, contando o resultado. Basta-me escrever que mesmo não estando entre as principais obras de Kadaré- e com razão quando pensamos em &#8216;Abril Despedaçado&#8217; ou &#8216;Concerto no fim do Inverno&#8217;- &#8216;O Dossiê H&#8217; é um livro muito bom, que mostra de modo breve e conciso o porque de Marguerite Yourcenar ter dito que a literatura albanesa supera, hoje, a francesa, mesmo que o seu único autor com um reconhecimento universal seja Kadaré- cuja escrita consegue misturar beleza, tristeza e mesmo humor de modo que o resultado final é sempre algo singular.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5104">COMENTE O POST NO FORUM DO MEIA-PALAVRA</a></p>
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		<title>2666: A parte dos críticos</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 14:37:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[A parte dos críticos]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[A tradução de Eduardo Brandão para 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2621" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="2666" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>A tradução de Eduardo Brandão para <em>2666</em> do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão da família de Bolaño em não dividir <em>2666</em> em cinco partes como sugerido pelo escritor para facilitar o sustento dos filhos quando morresse. A obra foi publicada mais de um ano após sua morte, mas, como garante Ignacio Echevarría em nota à primeira edição, &#8220;o romance se aproxima muito do objetivo que ele traçou&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">E eu sei que para muitos fãs de Bolaño (e de <em>2666</em>) eu provavelmente estarei cometendo uma heresia, mas decidi seguir o caminho oposto da família, e comentar o livro por partes, publicando os comentários  sempre antes de iniciar a leitura da parte seguinte. E para começar, vamos de <em>A parte dos críticos</em>, primeira parte de <em>2666</em>. Acredito ser importante destacar aqui que estou tentando ler o mínimo possível sobre o livro para não estragar a experiência, e que muito do que falar agora eu posso contrariar em textos futuros. Mas bem, qual é a graça de se ler uma obra sem participar da brincadeira da adivinhação do que está por vir?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2620"></span><strong>A parte dos críticos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu tenho uma curiosidade enorme de conhecer a obra de Bolaño porque muitas pessoas próximas que acredito terem bom gosto literário simplesmente adoram o que ele publicou. Mas eu sou teimosa e encasquetei que meu primeiro Bolaño seria o <em>tão-falado-2666</em>, que demorou um pouco para chegar no Brasil porque Brandão levou mais de um ano para traduzir a obra.<sup>1</sup> E então finalmente tive a oportunidade de ler o livro, com as expectativas lá no alto, é óbvio.</p>
<p style="text-align: justify;">E Bolaño já começa impondo um ritmo de narrativa mais lento, fazendo com que o leitor mais afoito volte a acostumar os olhos a uma leitura mais cuidadosa, detalhada. O autor não tem pressa e vai desenvolvendo as personagens e os eventos que as conectam de forma cuidadosa: não são apenas suas ações que os definem, são seus sonhos, o que se pensou mas não foi dito, o modo como se relacionam com o que ou quem gostam.</p>
<p style="text-align: justify;">E por causa disso, quanto menos se espera, você já está completamente amarrado pelo quarteto de críticos apaixonados pela obra do recluso escritor alemão Benno von Archimboldi. Espinoza, Pelletier, Norton e Morini se encontram nos congressos de estudos literários que frequentam, e desenvolvem um grande laço de amizade justamente por causa do interesse em comum &#8211; Archimboldi &#8211; e, mais precisamente, por onde andará Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify;">A relação entre eles se estreita, e apesar de obviamente as cutucadas que Bolaño dá na crítica literária ficarem mais ao gosto de quem é da área, ainda assim a amizade independe desse aspecto, e mesmo quem não é muito familiar aos estudos literários vai acabar se encantando com as personagens, até mesmo ao se enxergar na situação de apaixonado que eles se encontram. Isso não precisa ser só entre leitor e escritor, aparece de tantas formas: o músico e o sujeito que o escuta, o cineasta e quem o assiste. É a relação com a arte.</p>
<p style="text-align: justify;">E nisso, um dos trechos mais memoráveis é o dos críticos conversando com a dona da editora que publicou Archimboldi pela primera vez, a senhora Bubis. O comentário da mulher sobre o gosto que tinha pela obra de Grosz e da diferente reação que ela tinha para seus quadros da que seu amigo tinha é genial. A questão da diferença entre o gostar e o entender, e de como uma obra pode refletir de maneiras diferentes de acordo com quem a vê.</p>
<p style="text-align: justify;">É o que acaba nos levando ao trecho com o pintor Edwin Johns, que decepou a própria mão para fazer o que seria sua obra-prima.  O artista causa reações diferentes nas personagens, sendo a mais forte certamente sobre Morini, o único que lhe pergunta a razão da mutilação. A história é retomada na conclusão da primeira parte, servindo como o elemento que faltava para definir a relação dos quatro críticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como comentei, evitei ao máximo possível saber sobre <em>2666</em> antes de completar a leitura, mas é óbvio que do básico do enredo é impossível fugir, e sei que uma pequena história contada para os críticos enquanto seguiam uma pista de Archimboldi no México, de assassinatos de centenas de mulheres, vai acabar se desdobrando nas partes que virão. Mas no momento o que temos é isso: esse primeiro quadro com a relação entre os quatro críticos e a relação desses com Benno von Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu adorei, especialmente pelo modo como Bolaño conduz a narrativa. Um &#8220;truque&#8221; legal utilizado por ele é mudar a forma de escrever de acordo com o que está representando. Por exemplo, um sujeito está contando uma história, a fala vem com marcas de oralidade &#8211; aquelas pequenas idas e vindas de quando relatamos algo. A parte do email de Norton é simplesmente fantástica, com ações de Pelletier e Espinoza entrecortadas por trechos do que ela escreveu para eles. Ou ainda, Amalfitano falando sobre os artistas e o Estado na América Latina, fala longa e cheia de metáforas que é cortada por um &#8220;Não entendi nada do que você disse&#8221; de Norton.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto é quase como um labirinto, que em alguns momentos você continua seguindo e com a certeza de que está no caminho certo, em outros anda, anda e anda para então dar de cara com uma parede indicando que é hora de recomeçar. Mas não pensem que isso faz de <em>2666</em> um texto difícil. Muito pelo contrário: Bolaño é acima de tudo um contador de histórias, e a primeira parte fluiu muito bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem ficou curioso, <a title="2666 na companhia" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12537" target="_blank">no site da Companhia das Letras está disponível um trecho do livro em pdf</a>. Vale a pena conferir, mas se as outras quatro partes do livro forem tão boas (ou melhores) do que a primeira, vale a pena é ir atrás do livro mesmo.  Se já leu e quer saber mais sobre outras obras do Bolaño, não deixe de conferir as resenhas do Pips para <a title="noturno do chile" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/03/18/noturno-do-chile-roberto-bolano/" target="_blank">Noturno do Chile</a>, <a title="os detetives selvagens" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/26/os-detetives-selvagens/" target="_blank">Os Detetives Selvagens</a> e <a title="estrela distante" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/04/estrela-distante/" target="_blank">Estrela Distante</a> já publicadas aqui no blog do Meia Palavra. Enquanto isso, aguardo dicas  das melhores posições para ler <em>2666</em> na cama, há!</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5037" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2620" class="footnote">para saber mais sobre a tradução, vale a pena conferir <a title="tradução 2666" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/766166-tradutor-brasileiro-de-bolano-defende-que-narrativa-do-autor-e-anti-heroica.shtml" target="_blank">uma entrevista com Brandão para a Livraria da Folha</a></li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F15%2F2666-a-parte-dos-criticos%2F&amp;linkname=2666%3A%20A%20parte%20dos%20cr%C3%ADticos">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Louras Zumbis (Brian James)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 13:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Brian James]]></category>
		<category><![CDATA[Louras Zumbis]]></category>
		<category><![CDATA[Zumbis]]></category>

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		<description><![CDATA[Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/louraszumbis.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2606" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="louraszumbis" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/louraszumbis-194x300.jpg" alt="" width="194" height="300" /></a>Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque no fim é tudo sobre o sujeito diferentão que atrai a menina para sua vida, que apresenta supostos perigos. No final das contas, quem ainda busca esses livros atrás de diversão acaba se desapontando e simplesmente deixando de lado títulos novos, pensando que será mais do mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por isso que li com certo alívio <a title="louras zumbis" href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24887" target="_blank"><strong><em>Louras Zumbis</em></strong></a>, de Brian James lançado aqui no Brasil pela <a title="galera record" href="http://www.record.com.br/grupoeditorial_editora.asp?id_editora=11" target="_blank">Galera Record</a>. Quando fiquei sabendo sobre o título, pensei que lá vinha outra história com uma heroína desajeitada perdidamente apaixonada, só que dessa vez por um zumbi. Bem, as coisas são diferentes com <em>Louras Zumbis</em>, porque não se trata de um livro romântico, mas de ação (ou, sendo mais específica, de horror).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2605"></span>Logo de início somos apresentados à Hannah Sanders, uma garota que vive mudando de cidade porque o pai precisa fugir das dívidas. Eles chegam na pequena Maplecrest, uma cidadezinha que ela pensa ser como qualquer outra no começo. Chegando no primeiro dia de aula, ela precisa enfrentar a rotina que já conhece bem para se adaptar ao novo ambiente. Hannah é já mudou tantas vezes que sequer tem dificuldades para reconhecer quem são as garotas populares da escola: as líderes de torcida, todas louras e perfeitas e admiradas pelos demais.</p>
<p style="text-align: justify;">A história em muito apresenta essa adaptação de Hannah em Maplecrest, que apesar de alertada por Lukas, o &#8220;esquisitão&#8221; da escola ainda assim sente uma vontade irresistível de se aproximar dessas meninas. Aqui aquele ponto interessante do deslocamento, de simplesmente querer fazer parte de algo &#8220;normal&#8221;, mesmo que sabendo que com certo prazo de validade, acaba dando um histórico legal para a personagem. Mas é nos avisos de Lukas que começa a parte da ação: as meninas são mesmo zumbis ou é só exagero da parte de alguém que lê muito gibi?</p>
<p style="text-align: justify;">E enquanto a protagonista ainda está querendo encontrar a resposta para essa dúvida, já temos a preparação do que são capítulos finais que já estavam fazendo falta em livros do gênero: muito mais tensão do que sacarina, e a conclusão (que eu obviamente não vou contar aqui) simplesmente me conquistou. Então se você já estava meio cansado desse tema porque nunca era o que você achava que TINHA que ser, dê uma chance para <em>Louras Zumbis</em>. Não segue a metáfora do ótimo <a title="generation dead" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/08/13/10-perguntas-e-meia-para-daniel-waters/" target="_blank">Generation Dead de Daniel Waters</a>, mas diverte muito quem gosta do gênero.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4726&amp;pid=81812#pid81812" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>O ciclista da madrugada e outras crônicas (Arnaldo Bloch)</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 21:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Arnaldo Bloch]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[O ciclista da madrugada e outras crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[É sempre assim. Quem pouco conhece de literatura (seja ela brasileira, inglesa ou japonesa) sempre se surpreende com um bom livro.  Não fujo dessa regra. Confesso que esse livro me chamou a atenção pelo título &#8211; eu esperava uma história de suspense, meio “Sherlock Holmes” – E não é que o título confirmou as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/capaCiclistaDaMadrugada.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2567" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="capaCiclistaDaMadrugada" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/capaCiclistaDaMadrugada-223x300.jpg" alt="" width="223" height="300" /></a>É sempre assim. Quem pouco conhece de literatura (seja ela brasileira, inglesa ou japonesa) sempre se surpreende com um bom livro.  Não fujo dessa regra. Confesso que esse livro me chamou a atenção pelo título &#8211; eu esperava uma história de suspense, meio “Sherlock Holmes” – E não é que o título confirmou as minas expectativas?</p>
<p style="text-align: justify;">Repleto de suspense, comédia, amizade e alegrias, as histórias de Arnaldo Bloch mostram o Rio de Janeiro para os não cariocas, a Alemanha para os não alemães, o Judaísmo para os não judaicos e (por que não?) as crônicas para aqueles que assim como eu não as conhecem tão bem. Misturando o cotidiano com suas memórias, o autor te prende a cada linha e no final de cada página você pensa: “Pô, gente boa esse Arnaldão!”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2566"></span>É simplesmente impossível não rir com a verdade em “Disque TPM para Matar” onde nós mulheres somos literalmente invadidas e nosso maior segredo (que é por a culpa de tudo o que acontece na dita cuja TPM) é revelado.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou em “BBB na Veia” onde até o mais forte dos cavaleiros pode sucumbir e eliminar alguém no paredão.  Nem mesmo o Orkut escapa das garras do “Arnaldão” em “Orkut na Reta” (pode inserir uma piadinha infame aqui) fazendo uma análise muito bem humorada da coqueluche dos brasileiros que tanto o acessam.</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente que nem só as crônicas sobre o cotidiano vão te prender ao livro, as ótimas: “O Porteiro lá de casa”, “O Judeu Alvinegro” e “Mãos de Pai”, emocionantes e sinceras  fornecendo  o contraponto necessário para tornar o livro uma ótima oportunidade para você (que como eu, não tem muito acesso à sua coluna no segundo caderno do jornal ao Globo) ou que simplesmente tinha a convicção preconceituosa de que os bons cronistas brasileiros eram apenas o Rubem Braga e o L. F. Verissimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em síntese, é como diz o Eugênio Bucci na contracapa: “Entre o jornalismo e a literatura, Arnaldo Bloch fica com os dois”- Oferecendo aos amantes da boa literatura, um prato cheio de boas histórias – e a Maria Bethânia na capa: “Adoro te ler, rapaz encantado” – Digo a mesmo, Bethânia. Digo o mesmo.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p><a title="O ciclista da madrugada" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4882" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F06%2F24%2Fo-ciclista-da-madrugada-e-outras-cronicas-arnaldo-bloch%2F&amp;linkname=O%20ciclista%20da%20madrugada%20e%20outras%20cr%C3%B4nicas%20%28Arnaldo%20Bloch%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A Misteriosa Chama da Rainha Loana (Umberto Eco)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/06/21/a-misteriosa-chama-da-rainha-loana-umberto-eco/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 13:45:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A misteriosa chama da rainha loana]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>

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		<description><![CDATA[Bueno.
Terminei a leitura do meu primeiro romance do Umberto Eco, A Misteriosa Chama da Rainha Loana. E posso dizer que, embora não seja dos melhores que li, as muitas horas de leitura até que valeram a pena.
Para falar sobre esse livro, não quero começar fazendo um resuminho do enredo. Quero que vocês entrem nele, ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Eco_capa.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2555" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="Eco_capa" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Eco_capa.jpg" alt="" width="200" height="297" /></a>Bueno.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminei a leitura do meu primeiro romance do Umberto Eco, A Misteriosa Chama da Rainha Loana. E posso dizer que, embora não seja dos melhores que li, as muitas horas de leitura até que valeram a pena.</p>
<p style="text-align: justify;">Para falar sobre esse livro, não quero começar fazendo um resuminho do enredo. Quero que vocês entrem nele, ao menos aqui, às escuras. E quero isso porque isso é importante para esse livro. Por ora, digo que ele foi publicado pela Record, em 2005, que a tradutora é a Eliana Aguiar e que ele tem 456 páginas. E também que a narrativa divide-se em três grandes partes: “O Acidente”, “Uma memória de Papel” e “OI NOΣTOI”. Vamos a elas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2554"></span><strong>O Acidente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Então compramos o livro e, faceiramente, começamos a leitura:</p>
<p style="text-align: justify;">“E o senhor, como se chama?”</p>
<p style="text-align: justify;">“Espere, está na ponta da língua.”</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo começou assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Era como se acordasse de um longo sono&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois discursos diretos com os quais a narrativa começa já nos dão o tom de toda a primeira parte do livro: o protagonista não sabe seu nome, ou melhor, não o sabia no momento em que a história que será narrada começou. Mais adiante, descobriremos que ele não sabe nada sobre sua vida: não reconhece a si próprio, a sua esposa, filhos, netos; não recorda nada sobre seus pais e seus demais familiares; não sabe onde mora, no que trabalha e, ao menos, se trabalha. Em resumo, não se lembra de nada relacionado a si próprio, embora saiba quem foi Napoleão, que houve duas grandes guerras mundiais, que o branco chama-se branco – todas as coisas que o mundo inteiro sabe, na medida do possível. O interessante aqui é que ele, o protagonista e narrador da história, e nós, os leitores, estamos na mesma situação, não sabemos nada sobre ele mas sabemos quem foi Napoleão, que houve duas grandes guerras mundiais, que o branco chama-se branco&#8230; E, juntos, nessa primeira parte, descobriremos que ele está num hospital, que sofreu um acidente cardiovascular (embora o livro não explicite isso, dá pra supor durante a leitura), que por isso perdeu sua memória autobiográfica – aquela responsável pelas coisas que vivemos – mas que manteve intacta sua memória semântica, ou seja, ele não esqueceu de como se fala, de como se dirige, se escova os dentes ou de como se faz amor, embora não consiga lembrar de qual é a sensação que o sexo provoca nele; descobrimos que sua esposa se chama Paola, que tem filhos, netos, prováveis amantes e, dentre outras coisas, que é vendedor de livros raros. Vamos, juntos com ele, descobrindo, através dos outros, todas as coisas sobre sua vida, e vamos descobrindo, também juntos, que ele não sabe como se sentiu e como se sentia frente a todo esse mundo e a essa vida agora nova que se nos abrem – mas sabemos como se sente, um outro de quem nada se sabe. Já em casa, num determinado momento, sua esposa propõe que Yambo (a essa altura, já sabemos que seu nome é Giambattista Bodoni e que seu apelido é Yambo) viaje para Solara – uma cidadezinha na qual há uma antiga casa da família em que ele viveu, quando criança, durante a segunda guerra mundial, momentos decisivos de sua vida –, pois ela acreditava que lá, reencontrando-se com as coisas e os lugares do seu passado, ele pudesse recobrar sua memória. E, entrando em Solara, entramos também na segunda parte da narrativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma memória de Papel</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chegando à casa da família, em que vive uma empregada já com seus 70 anos e que viveu sua infância junto com Yambo, que tem quase 60, nosso herói começa suas investigações sobre seu passado. Investigando junto com ele, descobrimos que Yambo foi um grande leitor na sua infância e pré-adolescência. Lia revistas em quadrinhos, diferentes formas de narrativa e gostava também de música, principalmente clássica. E aqui a narrativa fica chata, deve-se confessar. Ao encontrar seus livros e revistas da infância, Yambo acredita que, (re)fazendo essas leituras, pode se (re)descobrir. E a narrativa entra em longas descrições de histórias em quadrinhos e de livros dos anos 20, 30 e 40, principalmente, de músicas, e aí o troço fica maçante pacas – embora existam momentos em que pequenas histórias sejam contadas e apareçam muitas ilustrações e reproduções de capas de livros, de HQs, de discos, compilações de músicas, cartazes, panfletos e etc (tá, o que cansa um pouco também). Mas, a essa altura, nós – agora o nós somos só nós leitores – já estamos querendo saber se isso vai adiantar de alguma coisa, se Yambo vai recobrar sua memória e parar de nos cansar com essa catalogação de tudo aquilo que leu e ouviu durante os tempos em Solara – não esqueçamos de que ele é vendedor de livros raros, para quem a catalogação é uma prática fundamental. Daí que a coisa toda parece que não adiantou de nada, e, ao que tudo indica, nós – leitores e ele – não avançamos muito nas suas memórias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em qualquer caso, até o momento Solara não me restituíra algo que fosse realmente e somente meu. Tudo o que descobri foi o que lera, mas assim como tantos outros leram.</p>
<p style="text-align: justify;">Até  que, quando já está decidido a voltar para Milão, onde morava com sua esposa, descobre um livro: o in-folio de 1623 das obras de Shakespeare, talvez um dos livros mais raros e desejados e procurados.</p>
<p style="text-align: justify;">Com esse in-fólio estou vivendo um romance mais excitante que todos os mistérios vividos entre os muros de Solara, durante quase três meses de alta pressão [Yambo ficou cerca de três meses em Solara e tinha pressão alta]. A emoção me embaralha as idéias, sobem a meu rosto lufadas de calor.</p>
<p style="text-align: justify;">É seguramente o grande golpe da minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Então que ele acha o in-fólio de 1623 do Shakespeare, e parece que vai ter uma síncope. E a segunda parte acaba.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>OI NOΣTOI</strong></p>
<p style="text-align: justify;">(Grego. Alguma coisa do tipo: retorno/retornam para casa)</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, algo aconteceu com nosso herói. Aqui, estamos dentro da cabeça de Yambo – mas não esperem técnicas narrativas extremamente apuradas para a representação disso. As suas memórias começam a voltar, completamente embaralhadas, e as vamos percebendo, só pra variar, junto com Yambo, que tenta organizá-las, dar a elas algumas formas. Yambo, novamente, não sabe onde está e nem como está, mas imagina-se num hospital, em coma, ou morto, no limbo. Essa é uma das coisas que fica suspensa até o final da narrativa, mas muitas outras começam  a fazer sentido, até o momento em que, nas suas lembranças, a possibilidade de ver o rosto daquela que fora seu primeiro amor embaralha tudo novamente, e, numa confusão entre ficção e realidade somos conduzidos junto com Yambo ao final da história, que eu não vou contar.</p>
<p style="text-align: justify;">É essa a história que Eco nos conta, um homem que perdeu sua memória e tenta recuperá-la. A narrativa em primeira pessoa faz com que nos colemos a Yambo e sigamos, junto com ele, na busca por suas lembranças – o que seria bem difícil de ser feito em uma narrativa em terceira pessoa. Escutar a história de um narrador-personagem, que conta a sua história de como procurou rememorar todas as suas lembranças que haviam sido perdidas é a grande sacada da narrativa de Eco. E é a grande sacada pelo motivo no qual insisti durante meu texto: fazemos isso juntos. Exceto a segunda parte do livro, cansativa por seu aspecto algo catalográfico – explicável estruturalmente pelo fato de a história ser contada por um vendedor de livros raros –, a história nos prende. É verdade que mais pela curiosidade em saber se Yambo se (re)descobre que por qualquer outro motivo – a sua busca pelo rosto do seu primeiro amor parece ser um outro recurso utilizado para se prender a atenção do leitor, e, embora se confunda em alguns momentos com o objetivo principal da busca de Yambo, pode ser caracterizada como algo que desempenha o papel de fortalecer o seu ímpeto pela busca. Podemos dizer também que o livro não deixa de tematizar uma velha questão da teoria literária: ficção vs realidade. Na primeira parte, Yambo relembra trechos de diversos textos literários, embora não saiba bem o porquê disso acontecer. Na segunda parte, é através da ficção – seja ela a música, a literatura ou as histórias em quadrinho – que Yambo procura (re)descobrir quem realmente foi. Porém, nenhuma das histórias que leu o ajudam, mas sim um livro visto como objeto, que o ajuda não pelo que conta, mas sim por sua raridade – Yambo é, no fundo, um bibliófilo. Ao final da terceira parte, temos por fim a total confusão entre ficção e realidade, quando da interação entre personagens históricas – pessoas reais – e personagens ficcionais, e da confusão entre essas duas, digamos, categorias: será que Lila, seu primeiro amor, é real? Será que ela é uma personagem de ficção? Talvez uma pessoa real ficcionalizada? Não sabemos. E não acredito que precisemos dar um veredicto sobre isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Bueno, dos caminhos possíveis para a abordagem do livro, achei que esse seria bom para provocar a sua leitura. E é isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Até  a próxima!</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor:</strong> Leandro Cardoso é o <a title="leandrão" href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=123" target="_blank">Leandrão</a> no Fórum Meia Palavra.  É formado em Letras – Bacharelado em Estudos da Tradução, Português e Latim – pela UFPR e mestrando em Literatura pela mesma instituição.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4812&amp;pid=80428#pid80428" target="_blank"><strong>COMENTE O ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F06%2F21%2Fa-misteriosa-chama-da-rainha-loana-umberto-eco%2F&amp;linkname=A%20Misteriosa%20Chama%20da%20Rainha%20Loana%20%28Umberto%20Eco%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Bartleby, o Escrivão – Uma história de Wall Street (Herman Melville)</title>
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		<comments>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/06/14/bartleby-o-escrivao-%e2%80%93-uma-historia-de-wall-street-herman-melville/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jun 2010 22:17:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Bartleby]]></category>
		<category><![CDATA[Herman Melville]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao mostrar minha edição de Bartleby, O Escrivão para minha mãe, falei toda orgulhosa que era “um Cosac Naify” e então expliquei que era o equivalente para uma pessoa que gosta muito de moda comprar um produto de grife. Ok, a compração é meio leviana, mas a verdade é que os preços da Cosac são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/bartleby_abrindo.gif"><img class="alignright size-full wp-image-2539" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="bartleby_abrindo" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/bartleby_abrindo.gif" alt="" width="200" height="133" /></a>Ao mostrar minha edição de <em>Bartleby, O Escrivão</em> para minha mãe, falei toda orgulhosa que era “um Cosac Naify” e então expliquei que era o equivalente para uma pessoa que gosta muito de moda comprar um produto de grife. Ok, a compração é meio leviana, mas a verdade é que os preços da Cosac são diretamente proporcionais ao capricho das edições, e toda vez que consigo colocar um na minha estante, fico toda serelepe. Mesmo que seja fininho como esse Bartleby<sup>1</sup></p>
<p style="text-align: justify;">Mas aí tem toda a história do dizáin do produto, né? Eu não sou exigente, normalmente uma “edição caprichada” para mim tem lá o meu amado papel pólen e capa dura. Mas no caso de Bartleby, você leva para casa o 3º colocado do 7º Prêmio Max Feffer de Design Gráfico. Hum. Confesso que quando chegou aqui em casa pensei que meu livro estava zoado, e depois pensei “Ahá, nova noção de literatura hermética!” (sacou, sacou?). O livro vem com a capa costurada, e as páginas precisam ser “rasgadas” para serem lidas. <a title="bartleby" href="http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/10900/Bartleby,-o-escriv%C3%A3o---Uma-hist%C3%B3ria-de-Wall-Street.aspx" target="_blank">Explicação da editora</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2538"></span>Para ler a nova edição deste clássico de 1853, o leitor começa pelo <strong><span style="text-decoration: underline;">desafio</span></strong> de descosturar a capa (puxando para baixo a linha vermelha que a lacra) e cortar as páginas não refiladas do livro (com a espátula plástica que acompanha o livro). Só assim, aos poucos, poderá desemparedar este personagem enigmático da ficção moderna que, no dizer do filósofo francês Gilles Deleuze, “desafia toda a psicologia e a lógica da razão”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Grifo meu para a palavra desafio, porque realmente foi um desafio para minha paciência. Em resumo, projeto gráfico super inovador e tchananam, mas eu não tenho muita paciência nem coordenação motora para esse tipo de coisa, então gostaria que meu Bartleby estivesse encarando paredes só no texto mesmo. Ah, sim, não se apoquente, vou falar do texto agora.</p>
<p style="text-align: justify;">Verdade é que já tinha lido a obra em inglês depois que uma professora de Literatura da faculdade tinha citado em uma disciplina sobre Sátira. E o <em>I would prefer not to</em> falou tão alto que eu fui atrás dessa novela e na época gostei e tudo o mais, mas acho que foi uma leitura meio desatenta. Porque dessa vez tanta coisa que não tinha chamado minha atenção antes começou a ficar mais evidente, ao ponto de eu terminar o livro pensando no que de fato a “parede” significa, porque Bartleby é a única personagem que não é chamada por um apelido como no caso de Turkey, ou Ginger Nuts, o papel do “meio dia” na história (que não só marca as transformações dos colegas de trabalho de Bartleby, mas também alguns momentos-chave da história)… enfim, fiquei lá pirandinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais ainda porque como já tinha lido a história antes, comecei a ler pelo posfácio de Modesto Carone, que chama a atenção para o narrador de uma forma que não tinha pensado anteriormente. Aquele “narrador-não-confiável”,  e aí você começa a perceber que o ritmo da narrativa muda, partindo do sujeito que se apresenta como calmo (“nunca deixei que os problemas perturbassem a minha paz”) e que se explica em mil detalhes, para então diante das recusas de Bartleby começar a comentar os fatos e seus pensamentos de forma até um tanto afobada (para não dizer caótica), dando a entender que ele simplesmente não sabia como agir naquela situação.</p>
<p style="text-align: justify;">E aquela coisa, como toda obra literária, ela dá espaço a ‘n’ interpretações. Depende sempre do leitor, livro como máquina preguiçosa, etc. etc. etc. Mas eu gosto especialmente da ideia de que Bartleby era como Melville, alguém cujo trabalho consistia em escrever, e que bem, preferia não escrever o que lhe era solicitado. Não acho que isso tenha relação só com o ato de escrever, é claro, mas enfim, é minha leitura preferida da obra (embora essa deixe de lado um fator importante que é o narrador-personagem).</p>
<p style="text-align: justify;">Penso muito na apatia de Bartleby também, em como o não-fazer dele era tão mais forte que as ações das outras personagens. Nippers e Turkey tinham comportamentos que também tirariam qualquer patrão do sério, mas o narrador não parece se perturbar de fato. E a verdade é que ele não se perturba com Bartleby, pelo menos não de forma tão forte, até que comecem a comentar sobre a relação dele com o subordinado fora do escritório. É quando é julgado pela não-reação (o não-fazer parece realmente marcar a história) que ele de fato começa a tomar medidas mais fortes para tentar resolver a situação.</p>
<p style="text-align: justify;">E é aí, para cada brechinha, cada personagem, cada detalhe que você fica pensando e pensando sobre o texto. No mais, eu sei que o absurdo da recusa de Bartleby pode soar engraçada para alguns, e realmente a reação do patrão inicialmente pode tirar algum riso. Mas é um livro melancólico, na minha opinião. Não pelo desfecho, mas porque Bartleby é a melancolia personificada. As  palavras utilizadas pelo narrador nas descrições que ele faz da personagem sempre levam à isso, em alguns momentos mesmo referindo-se a ele como um fantasma.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que é um texto curto, e que provavelmente muita gente deixa de lado porque se sente mais “desafiado” pelo catatau <em>Moby Dick</em>, mas <em>Bartleby</em> é um daqueles exemplos de que você não precisa de muitas palavras para dizer muito. Qualquer obra que te faça pensar além do jogo de adivinhação típico imposto ao leitor enquanto no exercício de leitura, já merece atenção. Então nem que não seja com capa costurada e páginas a serem rasgadas (há!),  procure por <em>Bartleby</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="comente" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4629&amp;pid=79995#pid79995" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2538" class="footnote">eu estava prestes a dar a dica que na Saraiva somando com a promoção do desconto progressivo saiu por menos de 15 reais, mas agora lá já está na casa dos 31 e no site da Cosac por 37. Blé.</li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F06%2F14%2Fbartleby-o-escrivao-%25e2%2580%2593-uma-historia-de-wall-street-herman-melville%2F&amp;linkname=Bartleby%2C%20o%20Escriv%C3%A3o%20%E2%80%93%20Uma%20hist%C3%B3ria%20de%20Wall%20Street%20%28Herman%20Melville%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O chamado de Cthulhu e outros contos (H.P.Lovecraft)</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 11:39:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Edgar Allan Poe]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Hedra]]></category>
		<category><![CDATA[H. P. Lovecraft]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu já tive contato com Lovecraft anteriormente. Naquele momento, para falar bem a verdade, era TANTA gente dizendo que era a coisa mais bacana do mundo em se tratando de horror que bem, como fã do gênero é óbvio que li os livros com altíssimas expectativas. E nós sabemos que esse tipo de coisa causa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/chamado-179x300.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2527" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="chamado-179x300" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/chamado-179x300.jpg" alt="" width="179" height="300" /></a>Eu já tive contato com Lovecraft anteriormente. Naquele momento, para falar bem a verdade, era TANTA gente dizendo que era a coisa mais bacana do mundo em se tratando de horror que bem, como fã do gênero é óbvio que li os livros com altíssimas expectativas. E nós sabemos que esse tipo de coisa causa decepção na grande maioria das vezes, e com o sr. Lovecraft não foi diferente. Fiquei pensando em como ele fazia caca ao prolongar demais a história após o clímax (eu sou meio fã daquela coisa de unidade de efeito, sabe como é) ou ainda ao tentar explicar o que foi visto.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem. Eis que após a leitura de <a title="fumaça e espelhos" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/05/28/fumaca-e-espelhos-neil-gaiman/" target="_blank">Smoke and Mirrors</a> do Neil Gaiman eu me animei a ler novamente Lovecraft (até porque uma das minhas histórias favoritas na coletânea prestava homenagem ao autor). E lá vou eu, conferir uma edição de bolso publicada pela editora Hedra, que me surpreendeu, diga-se de passagem. Fui consultar os livros disponíveis no catálogo da editora e o legal é que eles fogem do óbvio – tem muita coisa que foge dos títulos que vemos nas publicações de mesmo formato aqui no Brasil, a começar pela seleção de contos do Lovecraft. Troféu joinha para eles.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2526"></span>Sobre os contos. Hum. As teorias do Poe ainda pesam muito quando estou lendo um conto de horror. Eu fico pensando naquelas ideias de não ser muito prolixo, para não prejudicar o efeito final e yadda yadda yadda. Nesse sentido, Lovecraft falha miseravelmente MESMO. Porque alguns de seus contos são quase novelas.<sup>1</sup> E então eu comecei a observar os textos não como quem tenta atingir a tal unidade de efeito, mas como quem simplesmente quer contar uma história de horror. E aí, meu filho, o sujeito manda muito bem.</p>
<p style="text-align: justify;">O legal nos contos dele não é a unidade de efeito, mas as imagens. Lovecraft é um autor extremamente visual. Mesmo dias após ler alguns contos eu ainda fecho os olhos e vejo o que li como se tivesse presenciado aqueles momentos. E alguns deles são horror puro, ainda mais se somadas à exploração dos demais sentidos que ele faz, ao incluir elementos como frio intenso, fedor insuportável e afins. É um outro tipo de horror, mas é um ótimo horror.</p>
<p style="text-align: justify;">Dos contos presentes na coletânea meu favorito é O Modelo de Pickman, simplesmente genial. Por causa de algumas coisas que o narrador comenta você meio que já sabe o que está por vir, mas essa antecipação acaba auxiliando no desenvolvimento da tensão cada vez que se aproxima da conclusão. E a conclusão por si, é daquelas para não colocar defeito algum.</p>
<p style="text-align: justify;">Gostei também dos demais, mesmo Dagon que já tinha lido antes e não curtido muito, agora ficou interessante depois que adotei esse novo esquema de leitura dos contos do Lovecraft. E no final das contas valeu muito a pena, até (e aqui elogiando a Hedra mais uma vez) pelo trabalho bacana que fizeram, com uma ótima introdução e com uma carta do Lovecraft no fim, além de “Notas sobre a escritura de contos fantásticos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Resumindo: daquela história de “Poe ser melhor do que Lovecraft”, eu cheguei a conclusão de que eles são diferentes. E eu sei que isso parece ser o tipo de coisa que se fala sobre a amante para a esposa, mas a verdade é que a coletânea me convenceu que vale muito a pena reler e ir atrás de outras coisas dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrando para quem gosta do autor que o Gabriel postou uma excelente tradução do conto <em>Os Gatos de Ulthar</em> aqui para nós no Blog Meia Palavra. Confira clicando <a title="os gatos de ulthar" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/05/28/os-gatos-de-ulthar-h-p-lovecraft/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4831" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2526" class="footnote">por novela aqui entenda-se texto mais longo que conto e mais curto que romance, sim?</li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F06%2F09%2Fo-chamado-de-cthulhu-e-outros-contos-h-p-lovecraft%2F&amp;linkname=O%20chamado%20de%20Cthulhu%20e%20outros%20contos%20%28H.P.Lovecraft%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Excalibur (Bernard Cornwell)</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 12:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Artur]]></category>
		<category><![CDATA[Bernard Cornwell]]></category>
		<category><![CDATA[Excalibur]]></category>

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		<description><![CDATA[Finais de sagas são sempre tristes. Não importa se porque a conclusão por si só seja melancólica ou feliz, a verdade é que depois de ler vários livros acompanhando uma determinada personagem, você se apega e aí às vezes a “tristeza” do fim tem mais a ver com a despedida do que com o término [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/excalibur.jpg"><img class="size-full wp-image-2509 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="excalibur" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/excalibur.jpg" alt="" width="200" height="291" /></a>Finais de sagas são sempre tristes. Não importa se porque a conclusão por si só seja melancólica ou feliz, a verdade é que depois de ler vários livros acompanhando uma determinada personagem, você se apega e aí às vezes a “tristeza” do fim tem mais a ver com a despedida do que com o término da história. E não poderia deixar de ser assim com Excalibur, que completa a <a title="as crônicas de artur" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/?s=cr%C3%B4nicas+de+artur" target="_blank">trilogia As Crônicas de Artur</a>, de Bernard Cornwell.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não vou dizer que me apeguei tanto assim à Derfel e cia. São apaixonantes (especialmente Artur, que na maioria das lendas é só um bundão enganado por todos e aqui é um líder cativante) e algumas delas odiosas (lembrando aqui de Lancelote, sempre um dos favoritos em histórias de Artur, e descrito por Cornwell como o mais asqueroso dos covardes). Mas talvez o fato de não ter lido um livro seguido do outro pode ter pesado um pouco na questão do “apego”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2508"></span>De qualquer modo, Excalibur conclui muito bem a saga. E o título é perfeito, porque dos três eu achei que foi o que mais teve batalhas, mais sangue. Nesse desfecho Artur finalmente consegue se livrar dos saxões (embora todos soubessem que temporariamente) mas aí passa a ter que lidar com as disputas por poder dentro do próprio reino que jurou defender. E se você lembrar qual é a conclusão da lenda de Artur, e mesmo retomar a condição do narrador Derfel desde o primeiro livro (vivendo em um mosteiro, recebendo ordens de Samsum), já dá para imaginar que não é exatamente um “final feliz”.</p>
<p style="text-align: justify;">O que mais gostei aqui é, mais uma vez, como Cornwell trabalhou com as personagens. Depois de dois livros eu achava que Guinevere era a vaca mais nojenta de qualquer história já escrita, e em Excalibur ela reaparece como uma personagem extremamente cativante, inclusive participando das batalhas. E não de um jeito forçado, como se ela tivesse acordado da noite para o dia mais bacaninha. Houve um desenvolvimento progressivo, que levou a isso (e me faz lembrar de quando no primeiro livro Igraine diz que odiava Guinevere e Derfel comenta que então falhou miseravelmente em descrevê-la).</p>
<p style="text-align: justify;">Outra personagem que muda é Nimue, sempre amiga do narrador e nessa conclusão completamente louca e obcecada com sua religião, ao ponto de fazer o impensável para conseguir o que precisa para completar um ritual: Excalibur e o filho de Artur. Ela aparece como mais uma peça em um tabuleiro cheio de personagens prontas para atacar Artur, que falhou justamente por não aceitar sua natureza, a de ser rei.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale a pena acompanhar a trilogia, e deixar para trás algumas imagens já cristalizadas sobre o ciclo arturiano. Insisto que a questão de ser a mais verdadeira história de Artur não é exatamente a melhor definição, porque Cornwell mesmo comenta no posfácio que nenhum dos dados nos quais se baseou eram conclusivos e/ou definitivos. Foram inspiradores, no final das contas. O brilho da obra no sentido histórico ainda fica por conta de como o autor descreve os hábitos da época, como por exemplo as comemorações de Beltane e Imbolc.</p>
<p style="text-align: justify;">Diversão garantida, daqueles livros que você lê tão rápido que só percebe que chegou no fim porque as personagens estão se despedindo. E se bater saudades, talvez valha a pena arriscar <a title="cornwell" href="http://www.record.com.br/autor_sobre.asp?id_autor=292" target="_blank">os outros títulos de Cornwell</a> que já foram publicados no Brasil.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4817" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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