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	<title>Meia Palavra&#187; Resenha</title>
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		<title>Night- Verdrana Rudan</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 19:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tonka]]></category>
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		<description><![CDATA[Até a Segunda Guerra Mundial a maioria dos países europeus eram plurinacionais. Isso quer dizer que, no território que se chamava Polônia, por exemplo, viviam poloneses, alemães, polábios, judeus, bielo-russos, ucranianos e lituanos. Foram as duas grandes guerras, a xenofobia e os grandes relocamentos, via de regra forçados, que fizeram com que cada país passasse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/night.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-18043" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/night-186x300.jpg" alt="" width="186" height="300" /></a>Até a Segunda Guerra Mundial a maioria dos países europeus eram plurinacionais. Isso quer dizer que, no território que se chamava Polônia, por exemplo, viviam poloneses, alemães, polábios, judeus, bielo-russos, ucranianos e lituanos. Foram as duas grandes guerras, a xenofobia e os grandes relocamentos, via de regra forçados, que fizeram com que cada país passasse a ser habitado praticamente por uma só nacionalidade.</p>
<p style="text-align: justify">Na Iugoslávia, porém, a coisa funcionou de maneira diferente. As diferentes nacionalidades constituíram, cada uma, seu país. Mas Croácia, Eslovênia, Sérvia, Bósnia, Montenegro e Macedônia estavam unidos em uma federação e, na prática, eram um único estado. Como resultado a separação étnica não aconteceu ali.</p>
<p style="text-align: justify">Foi apenas com a morte de Tito e a dissolução da Iugoslávia que as diferenças entre os vários povos vieram à tona, e a Guerra dos Bálcãs aconteceu. Sérvia e Montenegro, sob o comando de Slobodan Milosevic, atacaram a Croácia, a Eslovênia e mais tarde a Bósnia, que se declaravam independentes. Ambos os lados tornaram-se brutais e limpezas étnicas aconteceram, na forma de assassinatos meticulosamente calculados e de estupros em massa – a criança sempre tem a nacionalidade do pai, então se, por exemplo, todas as mulheres croatas carregassem filhos de sérvios e os homens croatas estivessem todos mortos, em uma geração a croácia seria habitada por sérvios. Vizinhos que viviam em paz passaram a se odiar.<span id="more-18042"></span></p>
<p style="text-align: justify">A guerra acabou, o que era a Iugoslávia agora são seis países independentes (ou sete; mas o Kosovo, de maioria albanesa não é reconhecido por muitos países) que vivem em paz, os idealizadores e incitadores da barbárie foram presos, julgados e condenados. As feridas, porém, não cicatrizaram: acusações e culpas ainda pairam no ar.</p>
<p style="text-align: justify">E é nesse cenário, mais especificamente na Croácia de 2004, que se passa a ação de <em>Uho, Grlo, Nož</em>, de Verdrana Rudan, lançado em ingles como <em>Night</em>, pela Dalkley Archive Press, tradução de Celia Hawkesworth.</p>
<p style="text-align: justify">A protagonista, Tonka, já não é mais uma mulher tão jovem, podemos apenas adivinhar que sua idade está entre cinquenta e sessenta anos. Ela é filha de mãe croata, entusiasta do antigo Partido Comunista Iugoslavo e de pai sérvio, que nunca conheceu mas que culpa por muitos de seus problemas. É casada com Kiki, que vende ternos roubados. Os dois tem uma filha, chamada Aki, que estuda – ao que tudo indica &#8211; na Alemanhna.</p>
<p style="text-align: justify">O livro é um grande monólogo de Tonka, na noite em que espera a chegada de Miki, seu amante que é 12 anos mais jovem, para levá-la embora. Ela espera na frente da TV, vestindo o pajama do marido. E ela se dirige a alguém, que incorpora-se no leitor.</p>
<p style="text-align: justify">Mas Tonka é um barril de ódio: ela odeia os sérvios que vivem na Croácia como ela, ela odeia os croatas, ela odeia as mulheres casadas, ela odeia as gerações mais jovens e as gerações mais antigas, ela odeia sentir-se feia e odeia, também, a obrigação de sentir-se bonita, odeia os EUA, a Guerra dos Bálcãs, a Guerra do Afeganistão, todas as guerras.  Acima de tudo Tonka odeia dar explicações. Cada vez que sente que seu ouvinte poderia perguntar os motivos por trás de alguma coisa ela explode, demonstrando uma crueldade verbal desmedida.</p>
<p style="text-align: justify">Em todos esses ódios, temos o cerne da obra. A guerra é um deles: é quase inevitável não falar da guerra quando ainda se vive suas consequências. Mas o outro ponto é menos explorado, e talvez seja ele o grande atrativo da obra de Rudan. Ela retrata a situação da mulher no que sobrou da Iugoslávia. Pois se os homens morreram na guerra, as mulheres perderam seus pais, irmãos, maridos e amigos e, ainda, foram violentadas, abusadas e obrigadas a permanecer em silêncio. Foram obrigadas a reconhecer estupradores e assassinos – que estupraram e mataram do outro lado da fronteira – como heróis.</p>
<p style="text-align: justify">Verdrana Rudan é de origem croata. No começo dos anos 1990 ela perdeu seu emprego numa rádio por satirizar o presidente da Croácia. Tonka é uma sérvia que vive na Croácia. O livro, no entanto, é uma das poucas ocasiões em que se deu voz às mulheres iugoslavas, e, quiçá, não só a elas: todas as mulheres, crianças e velhos, todas as minorias poderiam sentir esse ódio nascido da impotência e do abuso que Rudan expressa tão bem.</p>
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		<title>Historia universal de la infamia (Jorge Luis Borges)</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 19:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Historia Universal de la Infamia]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Luis Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Latino-americana]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[O realismo mágico é uma das correntes literárias mais famosas de todos os tempos. É, também, inequivocamente associada à América Latina e, em especial, ao escritor argentino Jorge Luis Borges. Pois que Angel Flores, o primeiro a utilizar o termo, situa o começo dessa espécie de literatura a partir de Historia universal de la infamia, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/historia_universal_de_la_infamia.jpg"><img class="size-medium wp-image-17630 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/historia_universal_de_la_infamia-188x300.jpg" alt="" width="188" height="300" /></a>O realismo mágico é uma das correntes literárias mais famosas de todos os tempos. É, também, inequivocamente associada à América Latina e, em especial, ao escritor argentino Jorge Luis Borges. Pois que Angel Flores, o primeiro a utilizar o termo, situa o começo dessa espécie de literatura a partir de <em>Historia universal de la infamia</em>, do supracitado portenho.</p>
<p style="text-align: justify">O livro, cuja primeira edição data de 1935, é uma coleção de contos que – à exceção de <em>Hombre de la esquina rosada</em> – são histórias reais de criminosos. Borges, inclusive, cita as fontes nas quais pesquisou as biografias de seus vilões. Isso, porém, não implica em nenhuma espécie de compromisso com a veracidade: maiores ou menores, todos os contos apresentam divergências para com a bibliografia consultada.<span id="more-17628"></span></p>
<p style="text-align: justify">Ao inserir o adjetivo <em>universal</em> no título, Borges não exagerou: seus criminosos vão desde uma pirata chinesa, que começou sua carreira de vilanias após a morte do marido, que fora duplamente traído pelo Império Chinês; até o famigerado cowboy criminoso, Billy the Kid. Há ainda o relato sobre um samurai que recusava-se a cometer o haraquiri após ter causado a morte de seu senhor e um falso profeta islâmico, que disfarçava sua hanseníase alegando esplendor divino.</p>
<p style="text-align: justify">O livro se divide em três sessões: a primeira, homônima ao livro, sobre a qual já falei. A segunda compreende apenas o conto <em>Hombre de la esquina rosada</em>, que destoa de todo o resto do livro. A terceira chama-se <em>Etcétera</em>, e é composta por relatos ainda mais breves, mas que retornam ao esquema de apropriação de coisas existentes em ouras fontes – notadamente, aqui, o <em>Livro das mil e uma noites</em> e a obra de Emmanuel Swedenborg.</p>
<p style="text-align: justify">Antes de terminar, cabe aqui falar sobre <em>Hombre de la esquina rosada</em>. Borges diz que é um conto ruim, quiçá seu pior. Chega a enuncia-lo como um erro. Eu não diria que concordo com o autor, mas existe certa carga de estranheza ali: é um conto sobre ‘<em>um desconhecido que provoca outro desconhecido, sobre um desconhecido que chega a um bairro e desafia outro desconhecido a lutar</em>’. Diz-se, porém, que é o conto de Borges que rendeu as melhores adaptações, incluindo aí teatro, cinema e ballet.</p>
<p style="text-align: justify">É difícil falar que um livro de Borges não é recomendável: quase tudo que ele escreveu é altamente recomendável. Mas vejo especial interesse nessa obra em tempos em que escritores como Bolaño fazem sucesso: reconhece-se muita coisa, seja reafirmada, seja negada, na obra do chileno.</p>
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		<title>Os Corvos de Hollywood (Joseph Wambaugh)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 19:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Joseph Wambaugh]]></category>
		<category><![CDATA[Novela Policial]]></category>
		<category><![CDATA[Os Corvos de Hollywood]]></category>
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		<description><![CDATA[Ronnie Sinclair é uma oficial acostumada a trabalhar sob muita pressão e grandes crimes. No entanto, há um ano trabalhando na delegacia de Hollywood, ela se encontra cansada da rotina perturbadora. Aconselhada por seu ex-sargento, ela acaba decidindo pedir transferência para a Divisão de relações comunitárias de Hollywood, onde passa a trabalhar com Nate Weiss, também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/os-corvos-de-hollywood_folheto.jpg"><img class="size-medium wp-image-16505 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/os-corvos-de-hollywood_folheto-194x300.jpg" alt="" width="175" height="270" /></a>Ronnie Sinclair é uma oficial acostumada a trabalhar sob muita pressão e grandes crimes. No entanto, há um ano trabalhando na delegacia de Hollywood, ela se encontra cansada da rotina perturbadora. Aconselhada por seu ex-sargento, ela acaba decidindo pedir transferência para a Divisão de relações comunitárias de Hollywood, onde passa a trabalhar com Nate Weiss, também recém transferido, e o experiente Bix Ramstead. Os policiais que atuam neste departamento se auto intitulam corvos, por conta da sigla do departamento em inglês: CRO, que, quando pronunciada, se assemelha com a palavra corvo, em inglês, crow.</p>
<p style="text-align: justify">A Divisão de relações comunitárias é responsável por cuidar de pequenos casos do dia a dia que passam pelo DPLA. Para Ronnie e Nate, isso significava ter um pouco de paz no trabalho, mas aos poucos eles vão descobrindo que estavam enganados. Isso porque o caso da separação entre  Margot Aziz e o milionário Ali Aziz toma proporções e rumos inesperados.</p>
<p><span id="more-16504"></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Ronnie Sinclair  é  reconhecida pelo bom trabalho entre os profissionais do DPLA. Casada e divorciada duas vezes e, carregando um filho de cada casamento, ela se torna o tipo de personagem independente, forte e atraente. Enquanto isso, Nate parece ser uma piada pronta. Há 15 anos no DPLA, ele é uma espécie de conquistador barato, além disso, aspira a carreira de ator e, por isso, ganha o apelido de &#8220;Hollywood&#8221; Nate. </span></p>
<p style="text-align: justify">Mas é justamente esse policial que conhece Margot Aziz e inicialmente traz o caso para o DP e, ao longo da narrativa, perde um pouco das características estereotipadas do início da história. O que acontece entre Margot e Ali não é apenas uma separação, mas sim um cuidadoso jogo de interesses em que um tenta passar por cima do outro ao longo da narrativa. Aos poucos, cada policial do DP é envolvido na trama, que também ganha grandes cargas de violência, política e escândalos midiáticos.</p>
<p style="text-align: justify"><span class="Apple-style-span" style="color: #ff0000"><span style="color: #000000">No entanto, o grande foco do livro não são os atores ou o grande crime do casal Aziz. Na verdade, tudo que conhecemos dos personagens é o que será mínimo necessário para entrarmos na trama e realidade criminosa. O foco é, assim, o DPLA. O objetivo do livro é expor a as lutas enfrentadas pelos oficiais e o submundo de Los Angeles e revelar a visão da polícia sobre o assunto</span>. </span></p>
<p style="text-align: justify"><span class="Apple-style-span" style="color: #000000">Wambaugh também nos mostra, entre os crimes e realidade do DP, o funcionamento de Los Angeles. O lugar não poderia ser mais próprio para uma narrativa policial, já que possui ritmo alucinante, além do choque multicultural, onde grandes estrelas do cinema vivem lado a lado com espanhóis, imigrantes da Guatemala, roqueiros, surfistas e trapaceiros. Com tudo isso, temos um local interessante onde um crime muito bem traçado nas linhas de Wambaugh nos é apresentado. O único ponto contra que eu colocaria é que, em alguns momentos, senti quebras de narrativa que incomodaram.  </span></p>
<p style="text-align: justify">Por fim, vale ressaltar que esta não é a primeira vez que  Wambaugh escreve sobre a vida de policiais atuando na capital mundial do cinema. Wambaugh é ex-sargento do Departamento de Polícia de Los Angeles e, em 2006, com <em>Hollywood Station</em>, já havia trabalhado a temática dos Corvos e do dia a dia de trabalho no DPLA. Além desse título, <em>Hollywood Moon</em> e <em>Hollywood Hills</em>, ainda não traduzidos para o português, completam a série de livros sobre essa temática.</p>
<p style="text-align: justify">Título original: Hollywood crows<br />
tradução: Alexandre Raposo<br />
páginas: 416<br />
preço: R$52,90</p>
<p style="text-align: justify">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
<h1 id="firstHeading" style="text-align: justify"><span style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><span class="Apple-style-span" style="font-size: 11px;line-height: normal"><br />
</span></span></h1>
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		<title>“Amor, de novo” (Doris Lessing)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/10/amor-de-novo-doris-lessing/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Dec 2011 16:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Autora de uma obra extensa e variada, que passa por diferentes temáticas, como o feminismo, política, questões raciais, ficção espacial e erotismo, Doris Lessing ganhou diversos prêmios durante sua carreira. Alguns a se citar foram o Somerset Maugham (1954), o Mondello (1987), o Príncipe de Astúrias (2001) e, em 2007, o Prêmio Nobel de Literatura, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/13136_gg.jpg"><img class="size-medium wp-image-16454 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;margin-left: 5px;margin-right: 5px;border-width: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/13136_gg-208x300.jpg" alt="" width="166" height="240" /></a>Autora de uma obra extensa e variada, que passa por diferentes temáticas, como o feminismo, política, questões raciais, ficção espacial e erotismo, Doris Lessing ganhou diversos prêmios durante sua carreira. Alguns a se citar foram o Somerset Maugham (1954), o Mondello (1987), o Príncipe de Astúrias (2001) e, em 2007, o Prêmio Nobel de Literatura, se tornando a oitava mulher a receber a premiação. Naquele ano, a Academia qualificou a autora como sendo &#8221;uma escritora épica da experiência feminina que com ceticismo, paixão e poder visionário submeteu uma civilização dividida ao escrutínio&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify">Por isso, &#8220;Amor, de novo&#8221;, é o título que integra a Coleção Prêmio Nobel, da Companhia das Letras. A narrativa gira em torno da personagem Sarah, de 65 anos, que redescobre o sentimento de amor por outros homens em uma fase da vida em que acreditava que isso não mais seria possível. Além disso, ela também percebe a volta de sua sexualidade. No livro, somos apresentados ao universo teatral. Sarah está preparando uma peça histórica sobre Julie-Varion, mulher que viveu nas florestas do sul da França de maneira nada convencional, e é nesse cenário que a personagem passa a se sentir atraída por dois homens que participam da peça como ator e diretor, ambos décadas mais novos que Sarah.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-16425"></span>“Sarah, que durante anos jamais pensara em se casar ou mesmo viver com um  homem, passaria agora a procurar um homem com quem pudesse partilhar aquele amor que carregava com ela como uma carga que tinha de depositar nos braços de alguém… Eus esquecidos brotavam como bolhas num líquido fervente, explodindo em palavras: Aqui estou—lembra-se de mim?” Doris Lessing mostra que as mudanças e sentimentos fortes não estão restritas somente a uma fase da vida, como na adolescência ou infância, mas que seguem durante toda a vida. Aqui, Sarah se depara com sentimentos e situações que exigem dela uma busca por tudo aquilo que ela viveu, como mostra o trecho. O espaço interior se torna o local para que ela encontre formas de se redescobrir e agir, afinal, um amor vivido na adolescência não é igual a um amor vivido aos 65 anos de idade, mas um pode buscar raízes no outro: o sentimento é o mesmo, embora tratado em diferentes momentos da vida. E, mesmo nessa fase, ela se encontrará em momentos de amor desenfreado e imaturo.</p>
<p style="text-align: justify">Doris Lessing não tem medo de escrever usando grandes cargas de sentimento. &#8220;Amor, de novo&#8221;, como o próprio título sugere, vai questionar, de todas as formas possíveis, o amor. Por exemplo, Sarah é uma personagem que vai viver as sensações da descoberta amorosa, as dores que essas relações podem causar, o jogo de status e sedução entre duas pessoas, e, além de tudo isso, a relação entre sexo e amor, que dependem uma da outra nesse romance.</p>
<p style="text-align: justify">Com tudo isso, &#8220;Amor, de novo&#8221;, é uma leitura que sensibiliza o leitor. A cada página, somos apresentados ao belo mundo do teatro, exterior, e, ao mesmo tempo, às dúvidas e descobertas de Sarah. A narrativa é complexa e, muitas vezes, borbulha em sentimentos enquanto os personagens transitam pela narrativa. Mais do que isso, o livro também mostra uma visão sobre a velhice que, ainda hoje, não tem muito espaço e é criticado por muitos, sendo assim mais uma das importantes questões que Lessing consegue levantar através da sua escrita.</p>
<p style="text-align: justify">Título original: Love, Again</p>
<p style="text-align: justify">Tradução: José Rubens Siqueira</p>
<div>Páginas: 440</div>
<div>Preço: R$59,00</div>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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