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	<title>Meia Palavra&#187; Quadrinhos</title>
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		<title>O último cavaleiro andante &#8211; Uma adaptação de Dom Quixote de Miguel de Cervantes (Will Eisner)</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 19:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sancho Pança]]></category>
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		<description><![CDATA[Dom Quixote está para a literatura assim como Will Eisner está para os quadrinhos. O que é possível dizer quando o desenhista que batizou o maior prêmio dos quadrinhos resolve desenhar uma das mais importantes obras da literatura mundial? A resposta está em O último cavaleiro andante: Uma adaptação de Dom Quixote de Cervantes, da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/oltimocavaleiroandante0.jpg"><img class="size-medium wp-image-17440 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/oltimocavaleiroandante0-221x300.jpg" alt="" width="221" height="300" /></a>Dom Quixote está para a literatura assim como Will Eisner está para os quadrinhos. O que é possível dizer quando o desenhista que batizou o maior prêmio dos quadrinhos resolve desenhar uma das mais importantes obras da literatura mundial? A resposta está em <em>O último cavaleiro andante: Uma adaptação de Dom Quixote de Cervantes</em>, da editora Companhia das Letras.</p>
<p style="text-align: justify">Não houve outro desenhista como Eisner, de um talento infinito, que marcou o universo das HQ’s com as aventuras do detetive Denny Colt em <em>The Spirit</em> e por seus novos estilos de enquadramentos, luz e sombras. Nos últimos anos da sua carreira, Eisner adaptou também outros títulos, como <em>Moby Dick</em>, o que desperta a curiosidade de uma parcela de leitores não acostumada a esse tipo de leitura.</p>
<p><span id="more-17439"></span></p>
<p style="text-align: justify">Datada de 1605, na Espanha, a obra original conta a história de um senhor com idade avançada que se entrega à leitura de romances, acaba enlouquecendo e começa a viver as histórias românticas como um cavaleiro andante. Em contraponto ao Cavaleiro da Triste Figura temos Sancho Pança, o fiel escudeiro que dá o tom de realidade à trama satírica de Cervantes.</p>
<p style="text-align: justify">As aventuras do cavaleiro já são conhecidas por todos, e de uma forma sintética e inteligente temos o completo entendimento da obra de Cervantes em apenas trinta e duas páginas. Cada quadro é altamente informativo, desde a expressão dos personagens até as paisagens, são diversos os recursos empregados pelo autor na obra.</p>
<p style="text-align: justify">Na contracapa está escrito &#8220;Não importa: Dom Quixote, o &#8216;Cavaleiro da Triste Figura&#8217; veio ao mundo para sonhar e também para semear justiça e amor&#8221;. Nessa adaptação sonhamos juntos esses ideais através de Eisner.</p>
<p>O último cavaleiro andante &#8211; Uma adaptação de Dom Quixote de Miguel de Cervantes<br />
Ilustrações: Will Eisner<br />
Tradução: Carlos Sussekind<br />
Páginas: 32<br />
Sugestão de Preço: R$ 37,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Aventuras de Menino (Mitsuru Adachi)</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 16:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Aventuras de Menino]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Japonesa]]></category>
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		<category><![CDATA[Mitsuru Adachi]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sou leitor costumaz de mangás, para falar a verdade, até pouco tempo atrás, eu tinha um pouco de preconceito com o formato e as especificidades dele. Tinha lido alguma coisa de Dragon Ball e Dr. Slump na minha adolescência (ou infância, não lembro ao certo), mas nada além disso. Como diria Heródoto, ledo engano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Aventuras.de_.Menino.Mitsuru.Adachi.jpg"><img class="wp-image-17403 alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Aventuras.de_.Menino.Mitsuru.Adachi.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Não sou leitor costumaz de mangás, para falar a verdade, até pouco tempo atrás, eu tinha um pouco de preconceito com o formato e as especificidades dele. Tinha lido alguma coisa de Dragon Ball e Dr. Slump na minha adolescência (ou infância, não lembro ao certo), mas nada além disso. Como diria Heródoto, ledo engano de minha parte, pois lendo <em>Aventuras de Menino</em>, do japonês Mitsuru Adachi, pude ver como o mangá guarda surpresas e como lida com a humanidade com uma sensibilidade toda especial.</p>
<p style="text-align: justify;">O mangá em questão possui sete capítulos com histórias distintas, independentes umas das outras. Apesar das várias distinções que as marcam, elas tem em comum o fato de lidarem com a passagem da infância à vida adulta, um processo complexo o suficiente para já ter gerado boas histórias, inclusive por ter um grau de universalidade dificilmente alcançável por outras questões, já que todos passaram ou passarão por ele algum dia.</p>
<p style="text-align: justify;">O que torna tudo isso mais interessante é que os personagens são adultos quando narram suas histórias, por isso o tom de nostalgia que percorre todas elas. Há algo de belo e profundamente aconchegante em cada pequeno detalhe que transparece nas falas e nos traços. Mitsuru Adachi consegue criar um universo de significação pleno de sentido e de beleza ao tratar das aventuras cotidianas das crianças.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-17402"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Mitsuru.Adachi.jpg"><img class="wp-image-17404 alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Mitsuru.Adachi.jpg" alt="" width="300" height="450" /></a>Contrapondo-se ao universo infantil encontra-se o mundo adulto, muito mais árido e distante, marcado pela modernidade desumanizadora. Essa característica se manifesta ora sob as vestes de bucolismo, localizando no ambiente campestre do Japão um reino de felicidade; ora por meio de brincadeiras imaginativas, que transcendem o aspecto cinzento da cidade para transformá-lo em um mundo onírico e aventuroso, seja num navio pirata, no período jurássico ou no espaço.</p>
<p style="text-align: justify;">A sensibilidade com que o autor lida com essa mudança nos surpreende, pois ele nos atinge exatamente no cerne de nossa própria humanidade, lembrando-nos do quanto somos obrigados a mudar quando passamos à vida adulta. Um jovem que vive subsumido nas rotinas exaustivas de trabalho, em ‘Do outro lado da porta’, encontra alento ao retornar ao quarto em que passara sua infância, local onde se passavam suas aventuras imaginárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Todas as histórias, apesar de lidarem com a infância, se referem de forma pujante ao mundo adulto, pois é a partir das agruras desse que florescem as lembranças e situações da infância. É assim que em ‘Perdidos na estrada’ um grupo de amigos se reúne novamente e volta ao lugar onde passaram a infância para se darem conta de que nunca mais tinham mantido contato entre si; ou que em ‘Caderno de desenho’, um caderno de desenhos serve como dispositivo de lembrança, fazendo o protagonista lembrar-se de como os sonhos que embalaram sua infância foram deixados de lado há muito tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Mitsuru.Adachi.2.jpg"><img class="wp-image-17405 alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Mitsuru.Adachi.2.jpg" alt="" width="300" height="450" /></a>O famoso e titânico ambiente metropolitano japonês, com sua profusão de luzes, letreiros, propagandas, telas, placas, sinais, prédios, concreto e tecnologias sofisticadas serve como contraponto à simplicidade da infância, tornando-se o ponto nodal a partir do qual os personagens das histórias se lembram com tanto carinho do tempo em que contavam a idade com os dedos das mãos. O traço preciso de Mitsuru Adachi, que opta na maioria das vezes pelo simples sem se tornar simplista, reconstrói tanto o inócuo ambiente moderno quanto o fabuloso ambiente da infância, dimensionando a profundidade das mudanças.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da série de resistências que o mangá enfrenta perante os leitores (entre os quais me incluía, minha mea culpa está no primeiro parágrafo desse texto), <em>Aventuras de Menino</em> se revela uma leitura agradabilíssima, intimista e emblemática ao retratar a situação de muita gente. Ele é prolífico, inclusive, para desvendar mais sentidos e expressões do que Marshall Berman explora em <em>Tudo que é sólido se desmancha no ar,</em> ou seja, de como a modernidade vem toldando as experiências das pessoas e fazendo-as construir paraísos perdidos, seja em projetos de sociedade, seja em utopias literárias, seja nas aventuras de suas próprias infâncias.</p>
<p><strong>Aventuras de Menino</strong><br />
Tradução de Adriana Kazue Sada<br />
216 páginas<br />
Preço Sugerido: R$ 15,00</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Clara dos Anjos (Lima Barreto)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/20/clara-dos-anjos-lima-barreto/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 13:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptações da Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
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		<description><![CDATA[Clara dos Anjos, assim como outros diversos clássicos da literatura nacional, tem a graça divina de ser atemporal. Ainda hoje vivemos como Capitus, Bentinhos, Aurélias e Fernandos Seixas, buscando o amor e a felicidade. A história de Clara, contada por Lima Barreto, é recontada nesta edição da Companhia das Letras na versão de graphic novel. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/clara_dos_anjos.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17395" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/clara_dos_anjos-227x300.jpg" alt="" width="227" height="300" /></a><em>Clara dos Anjos</em>, assim como outros diversos clássicos da literatura nacional, tem a graça divina de ser atemporal. Ainda hoje vivemos como Capitus, Bentinhos, Aurélias e Fernandos Seixas, buscando o amor e a felicidade. A história de Clara, contada por Lima Barreto, é recontada nesta edição da Companhia das Letras na versão de <em>graphic novel</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Mulata pobre, de origem humilde e com pouca experiência de vida. Em poucas palavras podemos descrever Clara, filha do carteiro João dos Anjos. Atrás da personalidade pacífica da menina há todo o contexto social na qual ela e a família estão inseridas. O subúrbio, a modernização carioca, o preconceito e a diferença de classes, tudo isso englobado no nascimento do Rio de Janeiro no início do século XX.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17393"></span></p>
<p style="text-align: justify">Na outra ponta da história conhecemos Cassi Jones. Indiferente a qualquer coisa que não seja a boa vida provida pelos pais, ele é o malandro galanteador. Tem proteção extremada da mãe, alheia aos crimes do filho e preocupada apenas com o bom nome da família. Para desespero do pai, que já não tem mais esperanças na sua mudança de caráter, nem a polícia parece ser capaz de pôr fim as diversas barbaridades.</p>
<p style="text-align: justify">No seu aniversário, Clara tem o primeiro encontro com Cassi Jones, seu primeiro amor e algoz. Ele, por ofício, é um modinheiro, um cantor que coloca nas músicas a tristeza e o sofrimento do povo. Porém, ao mesmo tempo em que ele entra na casa do carteiro João dos Anjos, vem junto a sua fama de conquistador. Mesmo contra a vontade da família, Clara se envolve com Cassi.</p>
<p style="text-align: justify">Começa, então, a tragédia de Clara. A cada página ficam evidentes as intenções de Cassi, ela se deixa seduzir e entrega-se a ele. No início do século XX, era inadmissível que qualquer moça que se considerasse com reputação mantivesse relações sexuais antes do casamento, a situação torna-se pior pela condição social e a gravidez.</p>
<p style="text-align: justify">No posfácio, há um trecho da obra original que diz: “Uma diferença acidental de cor é a causa para que se possa julgar superior à vizinha; o fato do marido desta ganhar mais do que o daquela é outro”. <em>Clara dos Anjos</em> é uma história de preconceito e infelicidade, pois a cada página do livro, através do traço de Lelis, temos o registro do sofrimento das pessoas que viviam fora dos “bons círculos” da sociedade carioca. Onde tudo parece ser sem vida, beleza ou esperança.</p>
<p style="text-align: justify">Assim como com a maioria dos clássicos da literatura brasileira, <em>Clara dos Anjos</em> mostra os dois lados de uma mesma moeda. Sinal de que o Brasil não teve muitas alterações no seu comportamento e que os problemas e sofrimentos contados por Lima Barreto ainda são vividos. Essa adaptação torna a história mais singular do que ela já é, tornando atrativa para uma nova geração de leitores que ainda desconhecem ou tem pavor de segurar em um clássico. Imperdível em todos os aspectos!</p>
<p><strong>Clara dos Anjos</strong></p>
<div>Lima Barreto<br />
Ilustrações de: Lelis<br />
Páginas: 112<br />
Sugestão de Preço: R$ 42,00</div>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Nico Demo: Aí vem encrenca (Mauricio de Sousa)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/10/nico-demo-ai-vem-encrenca-mauricio-de-sousa/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/10/nico-demo-ai-vem-encrenca-mauricio-de-sousa/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 13:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[L&PM]]></category>
		<category><![CDATA[Maurício de Sousa]]></category>
		<category><![CDATA[Maurício de Sousa Digital Productions]]></category>
		<category><![CDATA[Nico Demo]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos Nacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Mauricio de Sousa é um ícone da minha geração. Raros são os meus amigos que não tiveram gibis da Turma da Mônica e adquiriram seu gosto pela leitura através deles. O que poucos sabem, ou melhor, se lembram, é que Mauricio de Sousa começou sua carreira como jornalista e a turminha apareceu primeiro em tirinhas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/nicodemo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17120" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/nicodemo-191x300.jpg" alt="" width="191" height="300" /></a>Mauricio de Sousa é um ícone da minha geração. Raros são os meus amigos que não tiveram gibis da <strong>Turma da Mônica</strong> e adquiriram seu gosto pela leitura através deles. O que poucos sabem, ou melhor, se lembram, é que<strong> Mauricio de Sousa</strong> começou sua carreira como jornalista e a turminha apareceu primeiro em tirinhas de jornal, muito antes da minha geração ser sonhada.</p>
<p align="JUSTIFY">O personagem Nico Demo foi criado em 1966 no <em>Jornal da Tarde</em> de São Paulo, num período de forte censura devido à ditadura militar. Mesmo sem texto, seu conteúdo politicamente incorreto acabou objeto de censura. A <strong>L&amp;PM</strong> e a Mauricio de Sousa Produções resgatam essas tirinhas, para a felicidade desta que vos escreve.</p>
<p align="JUSTIFY"><span id="more-17119"></span></p>
<p align="JUSTIFY">Nico Demo é a personificação da frase “de boas intenções o inferno está cheio”. Um rapaz cuja maior vontade é ser útil, mas que escolhe os piores momentos para ajudar o próximo, que normalmente fica fulo da vida. Não há balões de diálogo e só uma ou outra indicação escrita, por meio de placas, que nos orienta quando o desenho não é suficiente.</p>
<div>As situações pelas quais Nico Demo passa são politicamente incorretas. Talvez ainda mais hoje do que quando foram lançadas. Talvez por serem lançadas em jornal, tenham um tom mais irônico, destinado aos leitores mais velhos, com um maior discernimento</div>
<p align="JUSTIFY">O traço de Mauricio de Sousa sempre foi, para mim, muito expressivo. Essa característica fica ainda mais visível pela falta de texto. Nico Demo desperta a imaginação do leitor, e nas 128 páginas com duas tirinhas existem milhares de historietas, só esperando o leitor para serem completadas. Um excelente começo de ano literário para mim.</p>
<p align="JUSTIFY">Nico Demo &#8211; Aí vem encrenca</p>
<p align="JUSTIFY">Mauricio de Sousa</p>
<p align="JUSTIFY">128 Páginas</p>
<p align="JUSTIFY">Coleção L&amp;PM Pocket</p>
<p align="JUSTIFY">Preço Sugerido: R$ 11,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Rei Emir Saad, o monstro de Zazarov (André Dahmer)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/07/rei-emir-saad-o-monstro-de-zazarov-andre-dahmer/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 16:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[André Dahmer]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Leya]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[Rei Emir Saad o Monstro de Zazarov]]></category>
		<category><![CDATA[Zinguistão]]></category>

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		<description><![CDATA[Um ditador sanguinário, utilizando das desculpas mais diversas para um único resultado final: o massacre de todos aqueles que considera como possíveis opositores. Poderia estar falando de inúmeros países no sudeste asiático, na África, na América Latina e – alguns anos atrás – na Europa Oriental. Mas não. É um personagem fictício: Emir Saad, Rei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/emirsaad.jpg"><img class="size-medium wp-image-17077 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/emirsaad-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>Um ditador sanguinário, utilizando das desculpas mais diversas para um único resultado final: o massacre de todos aqueles que considera como possíveis opositores. Poderia estar falando de inúmeros países no sudeste asiático, na África, na América Latina e – alguns anos atrás – na Europa Oriental. Mas não. É um personagem fictício: Emir Saad, Rei e tirano do Ziniguistão, criação do cartunista brasileiro André Dahmer – mais conhecido por seu trabalho em <em>Os malvados</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Em <em>Rei Emir Saad, o mostro de Zazarov</em>, publicado pela editora Leya, estão reunidas algumas das tiras sobre o ditador, originalmente lançadas no portal G1. É um livro relativamente curto e rápido para ser lido, mas extremamente divertido. Quer dizer, desde que se lide bem com o humor negro de Dahmer.</p>
<p style="text-align: justify">Esse humor, aliás, é sua grande marca, e o principal atrativo das historietas do Rei Emir. Em diversas épocas de sua vida o rei manda matar seus adversários das mais diversas maneiras e pelos mais esdrúxulos motivos.<span id="more-17076"></span></p>
<p style="text-align: justify">Mas nem só de carnificinas vive um ditador. Existem algumas de suas incursões ao mundo da propaganda estatal, além de retalhos de seu passado – que já mostram que ele tinha um talento para a violência.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar de todas as tiras já terem sido publicadas antes, é interessante vê-las reunidas em um livro: lê-las de modo contínuo garante boas risadas – até porque muitas delas se relacionam, e o leitor pode conhecer praticamente toda a vida do Rei.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Rei Emir Saad, o monstro de Zazarov</strong></p>
<p style="text-align: justify">de André Dahmer</p>
<p style="text-align: justify">128 páginas</p>
<p style="text-align: justify">R$ 34,90</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Leya</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.leya.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/leyalogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
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		<title>As aventuras de Tintim – O segredo do Licorne &amp; O Tesouro de Rackham, o Terrível (Hergé)</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 19:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[As Aventuras de Tintim]]></category>
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		<description><![CDATA[As aventuras de Tintim ganharam um lançamento especial da Companhia das Letras ao reunir, em um único exemplar, duas aventuras do detetive criado por Hergé: O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível. A publicação mostra um pouco do que será o filme de Steven Spielberg e Peter Jackson com lançamento previsto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/as-aventuras-de-tintim-o-segredo-do-licorne-e-o-tesouro-de-rackham-o-terrivel.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17036" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/as-aventuras-de-tintim-o-segredo-do-licorne-e-o-tesouro-de-rackham-o-terrivel-223x300.jpg" alt="" width="223" height="300" /></a>As aventuras de Tintim ganharam um lançamento especial da <strong>Companhia das Letras</strong> ao reunir, em um único exemplar, duas aventuras do detetive criado por Hergé: <strong>O Segredo do Licorne </strong>e<strong> O Tesouro de Rackham, o Terrível</strong>. A publicação mostra um pouco do que será o filme de <em>Steven Spielberg e Peter Jackson</em> com lançamento previsto para janeiro de 2012, uma vez que contém as histórias que dão base a trama.</p>
<p style="text-align: justify">Na história, Tintim passeia pelo mercado de pulgas quando encontra um belo navio em miniatura. Decide comprá-lo para presentear o seu amigo, o capitão Haddock. Por coincidência, é a réplica de um navio de um antepassado do capitão, o cavaleiro Hadoque. A partir deste fato coisas estranhas começam a ocorrer. O navio é roubado, a casa de Tintim revirada, um suspeito de roubo é encontrado desmaiado, outro é baleado e Tintim se vê no meio de um intrigante mistério.</p>
<p style="text-align: justify">Ao procurar o amigo para contar-lhe alguns fatos que lhe aconteceram, ele ouve do intrépido capitão os relatos encontrados de seu antepassado. Em uma narração cômica e épica de Haddock, Tintim descobre que o cavaleiro Hadoque enfrentou em alto mar o terrível pirata Rackham, e que após muitas lutas de espada e algumas garrafas de rum o Licorne afunda em alto mar junto com o tesouro do pirata. Porém, o antepassado do capitão deixa um mapa dividido em três miniaturas do seu antigo navio, com o caminho para o tesouro.<span id="more-17035"></span></p>
<p style="text-align: justify">A descoberta incita ainda mais Haddock e Tintim para encontrar as três partes do mapa e achar o tesouro, e como ambos adoram aventuras nada vai impedi-los, será? Não vão faltar bons vilões e mistérios para entreter os dois amigos nesse mistério, marca que prende o leitor do começo ao fim da primeira parte do livro.</p>
<p style="text-align: justify">Na segunda parte &#8211; com a história “O Tesouro de Rackham, o Terrível” – Tintim e Haddock já têm em mãos as três partes do mapa e seguem em busca do tesouro, e para tal enfrentam uma aventura em alto mar e em uma ilha aparentemente deserta para encontrar o escondido tesouro.</p>
<p style="text-align: justify">Além de <strong>Tintim</strong> e <strong>Haddock</strong>, outros personagens famosos das aventuras se juntam a trama. Os atrapalhados policiais <strong>Dupont</strong> e <strong>Dupond</strong>, que vivem repetindo-se como se completassem as frases um do outro. E o <strong>professor Girassol</strong>, que cria um submarino em formato de tubarão para auxiliar na expedição em busca do Licorne. A curiosidade do professor é a aparente surdez do personagem, que nunca entende o que os outros falam, mas sempre responde com tal naturalidade e arbitrariedade causando situações divertidas na trama.</p>
<p style="text-align: justify">Enfim, as duas histórias compiladas nesta edição da Companhia das letras – em belíssima edição em capa dura &#8211; trazem muito do que é o famoso detetive criado por Hergé. O espírito aventureiro de Tintim, o eterno companheiro Milu, o inusitado capitão Haddock, os atrapalhados Dupond e Dupont e o surdo professor Girassol dão cor a trama que envolve e diverte o leitor com suas inúmeras reviravoltas. Sem dúvida, este é um livro para os fãs das histórias de Tintim e um ótimo aperitivo para os curiosos pelo filme de Spielberg e Peter Jackson.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>As aventuras de Tintim – O segredo do Licorne &amp; O Tesouro de Rackham, o Terrível</strong><br />
<strong>Autor:</strong> Hergé<br />
<strong>Tradução:</strong> Eduardo Brandão<br />
<strong>128 páginas</strong><br />
<strong>Preço Sugerido:</strong> R$ 43,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Enciclopédia dos quadrinhos (Goida e André Kleinert)</title>
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		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/26/enciclopedia-dos-quadrinhos-goida-e-andre-kleinert/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 19:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[André Kleinert]]></category>
		<category><![CDATA[Enciclopédia dos quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Goida]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma coisa difícil de entender no mundo dos quadrinhos é como muita gente ainda os considera “coisa de criança”. Para mim, desde o começo, gibis, HQ’s, graphic novels, enfim, álbuns e tirinhas que num olhar superficial são destinados às crianças servem para qualquer idade. Se eu pegar agora um dos gibis da Turma da Mônica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/enciclopedia-dos-quadrinhos.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-16862" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/enciclopedia-dos-quadrinhos-211x300.jpg" alt="" width="211" height="300" /></a>Uma coisa difícil de entender no mundo dos quadrinhos é como muita gente ainda os considera “coisa de criança”. Para mim, desde o começo, gibis, HQ’s, graphic novels, enfim, álbuns e tirinhas que num olhar superficial são destinados às crianças servem para qualquer idade. Se eu pegar agora um dos gibis da <strong>Turma da Mônica</strong> ou do <strong>Pato Donald</strong> que li quando pequena, vou me divertir tanto quanto naquela época. Assim como <strong>Peanuts</strong> é uma das minhas tiras favoritas desde a infância, e que parece trazer muito mais significados para os adultos que para as crianças com suas ironias e reflexões sobre a vida. O mesmo para <strong>Mafalda </strong>e muitas outras histórias que fizeram a infância de muita gente e ainda são admirados por eles, independente da idade.</p>
<p style="text-align: justify">Há muito por aí para provar o contrário, de que só porque é desenho, é infantil. Olhe só <strong>Maus</strong>, de <strong>Art Spiegelman</strong>. As HQ’s reportagem de <strong>Joe Sacco </strong>com sua cobertura de conflitos. Os próprios super-herois que cresceram junto com seu público e hoje são muito mais voltados para adultos que para crianças, como no seu início. Chega até a ser cansativo repetir que “quadrinho é coisa séria” porque isso é praticamente uma obviedade. É uma arte que já se espalhou tanto que precisa de uma, duas, muitas enciclopédias para reunir os principais nomes que fizeram e fazem história. É aí que nos deparamos com <strong>Enciclopédia dos quadrinhos</strong>, que surgiu primeiro em 1990 organizada por <strong>Goida</strong>, e agora volta em uma edição atualizada, revisada e ampliada com a participação de <strong>André Kleinert</strong> e<strong> </strong>publicada também pela <strong>L&amp;PM</strong>.<span id="more-16859"></span></p>
<p style="text-align: justify">Como os próprios autores explicam na introdução dessa enciclopédia, a intenção não foi reunir todos os nomes dos quadrinhos do mundo todo, mas sim os mais significativos – e com grande destaque para desenhistas, argumentistas e roteiristas nacionais. Ou seja, nem todos os nomes da área aparecerão nessa enciclopédia, tanto alguns novos que surgem por aí como outros mais conhecidos, até. Para isso, o número de páginas desse livro – que ultrapassa as 500 – deveria ser muito maior, sem falar em mais volumes. Só de ilustradores e autores de tirinhas na internet existe um número infindável no Brasil. Imagina só recolher essas informações do mundo todo.</p>
<p style="text-align: justify">Antes de dar início aos verbetes dos principais nomes dos quadrinhos mundiais e nacionais, Goida e Kleinert fazem o leitor percorrer uma breve história das HQ’s, relatando seu início lá no final do século XIX, despontando nos jornais norte-americanos – como meio de atrair mais leitores imigrantes –, passando pela era de ouro, período de guerra, censuras e moralismo que limitaram a produção e publicação de histórias em quadrinhos. Essa pequena contextualização dos quadrinhos na História e no mercado editorial mostra que, além de importantes para a formação de leitores que cresceram com as aventuras dos super-herois, foi também aos poucos ficando mais madura até virarem fetiche de adultos. O recente boom no próprio mercado brasileiro, com cada vez mais autores sendo publicados por editoras que antes não atuavam nesse segmento, também é comentado no livro.</p>
<p style="text-align: justify">Passando para os verbetes, Goida e Kleinert fazem um grande resumo da história dos quadrinhos e seus autores. Em cada verbete, eles relacionam as principais obras desses nomes, resumem as maiores e mais conhecidas publicações (incluindo edições brasileiras) e também fazem um pequeno relato biográfico de cada desenhista, roteirista, argumentista e até editores – nomes como Roberto Marinho, falecido dono da Globo, aparecem no livro como figuras importantes na publicação de HQ’s. O mais interessante é notar o grande número de autores brasileiros listados na obra, o que Goida confessou não ter dado tanta atenção na primeira edição da enciclopédia.</p>
<p style="text-align: justify">Os amantes dos quadrinhos encontram os nomes que fizeram história com as revistas de super-herois, as tiras diárias ou semanais em jornais, em revistas coletivas com as mais diversas abordagens e públicos e, claro, as graphic novels que hoje vivem um bom momento no mercado editorial. E se nomes como <strong>Roberto Marinho</strong> – que não desenhava nem escrevia – são listados, <strong>Walt Disney</strong> e <strong>Hanna e Barbera</strong> também merecem seu espaço – apesar de criadores de personagens como <strong>Mickey Mouse</strong>, <strong>Tom &amp; Jerry</strong> e outros, nunca desenharam uma tira sequer.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar do grande número de autores presentes na <strong>Enciclopédia dos quadrinhos</strong>, senti falta de mais nomes dos famosos mangás, as HQ’s japonesas. Claro que os principais estão aqui, como os roteiristas e desenhistas de <strong>Lobo solitário</strong>, <strong>Dragon Ball </strong>e <strong>Akira</strong>. Mas alguns nomes que fazem sucesso entre um público mais jovem – alguém falou nas meninas da <strong>CLAMP</strong>? – fazem falta.</p>
<p style="text-align: justify">Para adoradores das HQ’s, a <strong>Enciclopédia dos quadrinhos </strong>é mais que um grande presente. Com o melhor e mais cultuado da “nona arte”, Goida e Kleinert fizeram um bom trabalho em reunir as principais referências da arte sequencial. Sem falar que é um exemplar que reúne o que foi produzido de maior e melhor, tanto no mundo como no Brasil, o que já serve como um guia de leitura infalível para quem quer se aprofundar ainda mais no que as HQ’s têm a oferecer.</p>
<p style="text-align: justify"> <strong>Enciclopédia dos quadrinhos</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Autores: </strong>Goida e André Kleinert</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Editora: </strong>L&amp;PM</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Páginas: </strong>536</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Preço sugerido: </strong>R$ 59,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Links e Notícias da Semana #68</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/23/links-e-noticias-da-semana-68/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Dec 2011 16:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[(clique para ver GRAN-DÃO) Para tudo!!!! Como diria o infame João Kleber em seus tempos de teste de fidelidade, os corações nerds e tolkienmaniacs (há tempos órfãos de novidades do professor) se deleitaram, rolaram e pareciam coelhos no cio em pleno Facebook ao verem o 1º Trailer de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada! De volta a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/yes-man-feature.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-16871" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/yes-man-feature-300x184.jpg" alt="" width="300" height="184" /></a></p>
<p style="text-align: center"><em>(clique para ver GRAN-DÃO)</em></p>
<p style="text-align: justify">Para tudo!!!! Como diria o infame João Kleber em seus tempos de teste de fidelidade, os corações nerds e tolkienmaniacs (há tempos órfãos de novidades do professor) se deleitaram, rolaram e pareciam coelhos no cio em pleno Facebook ao verem <a href="http://www.valinor.com.br/17684/" target="_blank">o 1º Trailer de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada!</a></p>
<p style="text-align: justify">De volta a programação normal, nossos links e notícias da semana vêm para presentear um felizardo, ou melhor, felizarda, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/14/promocao-whole-lotta-led-zeppelin-quero-saber-tudo-sobre-a-banda/#comment-6202">Larissa</a>, ganhadora da promoção Whole Lotta Led Zeppelin &#8211; Quero saber tudo sobre Led Zeppelin &#8211; promovido no Meia Palavra na última semana! Para todos os nossos queridos participantes, não participantes e leitores fissurados, assíduos e ocasionais, um Feliz Natal, um Chanukah cheio de estrelas e outros feriados que coincidem com a data cristã (e alguns dizem que é pagã, mas não entraremos no mérito do assunto). Por falar em Navidad, que tal descobrir <a href="http://www.lpm-blog.com.br/?p=12956" target="_blank">livros para pendurar na árvore de Natal</a>?</p>
<p style="text-align: justify">Enquanto a <a href="http://b33p.com.br/2011/12/enquanto-a-amazon-nao-chega" target="_blank">Amazon </a>não chega&#8230; <a href="http://revolucaoebook.com.br/pedro-herz-fala-sobre-amazon-google-books-e-ebooks-para-a-folha/" target="_blank">Pedro Herz </a>fala sobre a empresa do Kindle, Google Books e eBooks para a Folha. Se você não conhecia <a href="http://www.novinite.com/view_news.php?id=134953" target="_blank">Vaclav Havel</a>, saiba que ele morreu e Luciano e Tiago (membros anarco-literários do Meia) pretendem invadir a Academia Sueca e exigir um prêmio póstumo. <a href="http://www.universohq.com/quadrinhos/2011/beco_2011eventos.cfm" target="_blank">Sidney Gusman</a> faz uma análise sobre o grande ano dos quadrinhos no Brasil em 2011. <a href="http://www.universohq.com/quadrinhos/2011/n19122011_08.cfm" target="_blank">Quadrinista francês Boulet</a> parodia declaração de Frank Miller sobre Occupy Wall Street.</p>
<div>
<p style="text-align: justify">Teve o jogo final do <a href="http://gauchaodeliteratura.wordpress.com/2011/12/19/jogo-51-historia-de-nao-acontecer-x-anjo-das-ondas/" target="_blank">Gauchão de Literatura</a>! E o João Gilberto Noll, que ganhou o campeonato de literatura citado desse ano, vai ministrar uma <a href="http://www.studioclio.com.br/atividades/cursos-e-oficinas/evento/24666/dar-alma-correnteza-oficina-literaria-de-joao-gilberto-nol" target="_blank">oficina literária em Porto Alegre durante o mês de janeiro.</a></p>
<p style="text-align: justify">BOMBA! 27 anos depois do livro, <a href="http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI828617-EI315,00-Apos+anos+Christiane+F+ainda+luta+contra+vicio.html" target="_blank">Christiane F. continua nas drogas</a> e <a href="http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/1023369-michel-jackson-e-john-lennon-ganham-biografia-em-quadrinhos.shtml" target="_blank">Michael Jackson e John Lennon</a> ganham biografia em quadrinhos. Saiu <a href="http://blogcasmurros.blogspot.com/2011/12/casmurros-3.html" target="_blank">Casmurros #3</a>! E como fizemos guia, resenhamos seus livros e fizemos até um Meia Palavra Indica, saiba mais sobre <a href="http://rascunho.gazetadopovo.com.br/os-labirintos-de-bolano/" target="_blank">os labirintos de Bolaño</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Lançamentos da Companhia das Letras:</p>
<p style="text-align: justify"><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12419" target="_blank">Nove ensaios dantescos &amp; A memória de Shakespare</a></em>, de Jorge Luis Borges</strong> (Tradução de Heloisa Jahn)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80194" target="_blank">O fim da Terra e do Céu</a></em>, de Marcelo Gleiser<br />
</strong><strong><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12480" target="_blank">Crônica de um vendedor de sangue</a>, de Yu Hua</strong> (Tradução de Donaldson M. Garschagen)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13204" target="_blank">Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto</a></em>, de Marc Fischer</strong> (Tradução de Sergio Tellaroli)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13029" target="_blank">A vida de Joana d’Arc</a></em>, de Erico Verissimo</strong> (Ilustrações de Rafael Anton)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12627" target="_blank">A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3)</a></em>, de Jorge Amado<br />
</strong><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12949" target="_blank">O livro selvagem</a></em>, de Juan Villoro</strong> (Tradução de Antônio Xerxenesky)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13243" target="_blank">Assim falou Zaratustra</a></em>, de Friedrich Niestzsche</strong> (Tradução de Paulo César de Souza)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40625" target="_blank">Olavo Holofote</a></em>, de Leigh Hodgkinson </strong>(Tradução de Érico Assis)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13078" target="_blank">Fotobiografia de Fernando Pessoa</a></em>, de Richard Zenith &amp; Joaquim Vieira<br />
</strong><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40668" target="_blank">Ismael e Chopin</a></em>, de Miguel Sousa Tavares</strong> (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40667" target="_blank">O segredo do rio</a></em>, de Miguel Sousa Tavares</strong> (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40685" target="_blank">Garrafinha</a></em>, de Mariana Caltabiano</strong> (Ilustrações de Rodrigo Leão)</p>
</div>
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		<title>Daytripper (Fábio Moon e Gabriel Bá)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/19/daytripper-fabio-moon-gabriel-ba/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 19:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando abri as primeiras páginas de &#8220;Daytripper&#8221;, dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (vencedores do Eisner desse ano), pensei que estaria ali uma história sobre uma pessoa que não consegue realizar seus maiores sonhos e que não sabe como se relacionar com seus pais &#8211; e vive à sombra desses . Ou seja, mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/daytripper_capa.jpg"><img class="alignleft  wp-image-16700" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/daytripper_capa-191x300.jpg" alt="" width="191" height="300" /></a>Quando abri as primeiras páginas de &#8220;Daytripper&#8221;, dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (vencedores do Eisner desse ano), pensei que estaria ali uma história sobre uma pessoa que não consegue realizar seus maiores sonhos e que não sabe como se relacionar com seus pais &#8211; e vive à sombra desses . Ou seja, mais uma leitura sobre uma pessoa infeliz que debandaria em uma série de questões semi-existenciais, dispensáveis e superficiais. Claro que eu estava enganado em grande parte.</p>
<p style="text-align: justify">Lançado originalmente no exterior e superando, na lista de best-sellers do New York Times, títulos como &#8220;Scott Pilgrim&#8221; e &#8220;The Walking Dead&#8221;, a história de Brás de Oliva Domingos, escritor de obituários de um jornal de São Paulo, começa no dia de seu aniversário, aparentemente esquecido pelas pessoas graças a uma homenagem ao seu pai &#8211; um escritor reconhecido mundialmente e a quem Brás se inspira para ser um grande autor também - no Theatro Municipal. São dez capítulos mostrando Brás na infância, na faculdade, após os 30, etc. Optando por usar cada capítulo como um ano de mudanças na vida de seu personagem principal &#8211; o que torna cada decisão um jogo valendo sua vida -, Bá e Moon acertam ao revelarem aos poucos a relação com o pai, com o amigo Jorge, seus casos amorosos e com seu filho.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-16699"></span>Daytripper é uma história sobre o cotidiano, sobre o dia a dia, tudo pode acontecer quando decisões são tomadas, sejam elas de uma frieza calculada ou de atitudes impensadas. Não importa. O que importa é que todo dia as pessoas podem acordar e conhecer o amor de suas vidas ou podem ser atropeladas &#8211; e isso não é visto como uma fatalidade pelo olhar dos gêmeos, é o caminho natural. Aliás, esse conceito de banalidade e destino é o grande atrativo da obra, todas as pessoas podem se identificar com Brás indo a casa dos avós no interior quando pequeno ou como tudo parece impedir com que ele conheça seu filho no dia do nascimento.</p>
<p style="text-align: justify">O problema mais incisivo é o sentimentalismo, principalmente chegando perto do fim, parece que tudo beira a ensinamentos de vida &#8211; aceitar o destino, perdoar, se encontrar, etc. -, e essa insistência retira a força e naturalidade da história, tornando o desfecho de pouco menos da metade dos capítulos previsíveis. Contudo, se não existem esses momentos mais <em>cheesy</em>, seria difícil reconhecer os bons momentos que Bá e Moon proporcionam &#8211; acima de tudo com seus traços inconfundíveis (confundíveis se tentarmos descobrir quem da dupla fez qual página) e uma coloração surpreendente, pelas mãos de Dave Stewart, que dá uma aspecto sexy e quente.</p>
<p style="text-align: justify">Como diria Chris Marker: <em>“Após viajar o mundo todo, só a banalidade me interessa”</em>, Daytripper é sobre a banalidade do nosso cotidiano, retratado com extrema sensibilidade e realismo &#8211; e se existe sentimentalismo de mais em alguns momentos, é porque na vida tudo há em demasia em algum ponto dela</p>
<p style="text-align: justify"><strong>MOON, Fábio &amp; BÁ, Gabriel</strong>. <em>Daytripper</em>. Panini Books, 2011. Cores: Dave Stewart. Tradução: Érico Assis. 256 págs. Preço sugerido: R$ 62,50</p>
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		<title>Delírios Cotidianos (Charles Bukowski e Matthias Schultheiss)</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 19:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A puta de 135 quilos]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Bukowski]]></category>
		<category><![CDATA[Dois Bêbados]]></category>
		<category><![CDATA[Henry Beckett]]></category>
		<category><![CDATA[Kid Foguete no Matadouro]]></category>
		<category><![CDATA[L&PM]]></category>
		<category><![CDATA[Mamãe Bunduda]]></category>
		<category><![CDATA[Matthias Schultheiss]]></category>
		<category><![CDATA[N. York 95 cents ao dia]]></category>
		<category><![CDATA[Os Assassinos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo!!]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Um Trabalho em Nova Orleans]]></category>
		<category><![CDATA[Velho Safado]]></category>

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		<description><![CDATA[Charles Bukowski é conhecido pelos seus temas nada convencionais, por falar sobre o lado sujo e cru da vida diária, não poupando palavras e descrições grotescas a respeito de prostitutas, drogas, bebidas, empregos ruins, brigas de bar e afins. Representar esse universo literário agressivo através de ilustrações passa por não ter pudor de explorar cada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Delírios.Cotidianos.Bukowski.e.Schultheiss.jpg"><img class="size-full wp-image-16603 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Delírios.Cotidianos.Bukowski.e.Schultheiss.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Charles Bukowski é conhecido pelos seus temas nada convencionais, por falar sobre o lado sujo e cru da vida diária, não poupando palavras e descrições grotescas a respeito de prostitutas, drogas, bebidas, empregos ruins, brigas de bar e afins. Representar esse universo literário agressivo através de ilustrações passa por não ter pudor de explorar cada mísero detalhe imundo da literatura de Bukowski e ir fundo na mente do autor deixando de lado qualquer elegância ou meias-palavras. Matthias Schultheiss preenche todos esses requisitos.</p>
<p style="text-align: justify">A coletânea de histórias em quadrinhos <em>Delírios Cotidianos</em> retoma sete contos famosos do “velho safado” e os traduz na linguagem dos quadrinhos, preservando em grande medida o clima sórdido que lhes é peculiar. Schultheiss, que fez algumas incursões nos quadrinhos eróticos, adequou-se muito bem às perversões do autor e com o aspecto mórbido e <em>underground</em> da literatura bukowskiana.</p>
<p style="text-align: justify">O trabalho desprovido de sentido e normalmente sujo e deteriorante em todos os sentidos, por exemplo, pode ser observado nas histórias <em>Dois bêbados</em>, onde dois homens empilham dormentes de trilho de trem em condições extenuantes; e em <em>Kid Foguete no matadouro</em>, onde um ex-lutador de boxe encara a dura e fétida lida de um abatedouro de carne bovina (a história dele se parece um pouco com o ocaso de Randy ‘The Ram’ Robinson em <em>O Lutador</em>).</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-16602"></span></p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Matthias.Schultheiss.1.jpg"><img class="size-full wp-image-16604 alignleft" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Matthias.Schultheiss.1.jpg" alt="" width="300" height="500" /></a>Outro conto que explora as vilezas e parcas recompensas do trabalho é <em>N. York, 95 cents ao dia</em>, em que o narrador se junta a um grupo de trabalhadores responsável por trocar a publicidade dos metrôs de Nova York. Vale ressaltar aqui que as ilustrações de Schultheiss, que procuram mostrar o caráter liliputiano e irrelevante dos sujeitos perante a imensidão sombria da cidade, são habilidosas e repletas de detalhes. Em <em>Um trabalho em New Orleans</em>, Bukowski conta a história de como um trabalho de ajudante de posto de gasolina lhe valeu a companhia de várias prostitutas e várias festas privadas. Desnecessário dizer que ele acaba sendo despedido, vibrando, inclusive, porque uma das prostitutas resolveu “apagar” um italiano que o enchia.</p>
<p style="text-align: justify">A célebre perversão de Bukowski vem à tona de maneira central (nos outros aparece mais nas bordas) nos contos <em>A puta de 135 quilos</em> e <em>Mamãe bunduda</em>. No primeiro, o título já dimensiona a história sórdida que será contada, que, só deve ser encarada por aqueles com estômago devidamente operante e forte. No segundo é contada uma história de alcova, só que sem a costumeira exoticidade desses contos eróticos, aqui essas preocupações deixaram de existir para deixar livre a costumeira imoralidade de Bukowski.</p>
<p style="text-align: justify">A violência aparece também em dois contos: <em>Os assassinos</em> e <em>Henry Beckett</em>. No primeiro conhecemos a história de um assalto que acaba saindo do controle, transformando ladrões em assassinos. Schultheiss cria um clima de solidão e de irrelevância para terminar a história tragicômica no qual os dois personagens se envolvem.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Matthias.Schultheiss.2.jpg"><img class="size-full wp-image-16605 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Matthias.Schultheiss.2.jpg" alt="" width="300" height="500" /></a>Henry Beckett</em> merece uma análise pormenorizada, seja pela questão com a qual lida, seja pela forma com a qual as ilustrações se alternam para contar a história. Beckett é um sujeito comum, praticamente banal, o que o Gregor Samsa representava para o início do século XX. Certo dia ele acorda coberto de uma série de manchas (parecem escrófulas) que não conhece a origem, e cujo diagnóstico é impreciso, como ele vem atestar posteriormente. Diante da delicadeza de seu caso e do sentimento de ter sido ludibriado por uma injustiça cósmica, ele resolve apanhar seu rifle, ir para as montanhas e começar a disparar em todos os transeuntes da rodovia que passa ali por perto.</p>
<p style="text-align: justify">Essa história nos perturba não só por falar de casos que esporadicamente aparecem nos noticiários (e que permanecem sem uma explicação conclusiva, até porque provavelmente ela não existe), mas também por deixar-nos em um mal-estar em primeira pessoa, pois o ilustrador se vale desse “foco narrativo” como forma de nos colocar em contato direto com o que Beckett vê e faz. Diante da sua condição de irrelevância anterior, é como assassino que a existência dele é notada (como na arrepiante fala de Woody Harrelson em <em>Assassinos por Natureza</em>), e, curiosamente, é pelo massacre que ele se livra das escrófulas.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Delírios Cotidianos</em> traz boas histórias de Bukowski, que vão além das características espetacularizadas com as quais ele é propagandeado muitas vezes. São histórias que nos informam sobre a condição esmagada do homem, que aparece pequenino e anônimo, cercado por todos os lados (trabalho, moralidade, sexualidade, comportamento etc.) e que justamente através da quebra desses padrões sente-se vivo, por mais mórbido e sórdido que isso possa parecer. O traço de Schultheiss, rico em detalhes, dono de uma precisão admirável e abundante de hachuras casa-se perfeitamente com as questões de Bukowski, alçando-as em significado e impacto.</p>
<p><strong>Delírios Cotidianos</strong><br />
Tradução de Suely Bastos<br />
152 páginas<br />
Preço Sugerido: R$ 29,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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