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	<title>Meia Palavra &#187; Poesia</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>Matthieu Chédid (-M-)</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 13:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[-M-]]></category>
		<category><![CDATA[Cantores]]></category>
		<category><![CDATA[Je dis Aime]]></category>
		<category><![CDATA[Le Baptême]]></category>
		<category><![CDATA[Matthieu Chedid]]></category>
		<category><![CDATA[Música francesa]]></category>
		<category><![CDATA[Música Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Você já gostou de uma banda que todo mundo que você conhece odeia? Eu já. Ou pelo menos é essa a sensação que tenho toda vez que resolvo falar de -M-. Tá, talvez quase ninguém conheça mesmo. Pelo menos não aqui.
Matthieu Chedid, e seu personagem -M-, parecem ser grandes na França, e -M- já ganhou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/mathieu-chedid-par-yann-orhan1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2881" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="mathieu-chedid-par-yann-orhan" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/mathieu-chedid-par-yann-orhan1.jpg" alt="" width="193" height="270" /></a>Você já gostou de uma banda que todo mundo que você conhece odeia? Eu já. Ou pelo menos é essa a sensação que tenho toda vez que resolvo falar de -M-. Tá, talvez quase ninguém conheça mesmo. Pelo menos não aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Matthieu Chedid, e seu personagem -M-, parecem ser grandes na França, e -M- já ganhou inclusive um Oscar pela canção de “<em>Triplettes de Bellevile</em>”. Eu conheci por acaso,  vendo seu clip de “<em>Je dis aime</em>” no programa “<em>Paroles de clip</em>” no TV5Monde, e desde então procurei pelo cara na internet, em lojas, enfim, em tudo quanto é lugar. Tente fazer uma pesquisa de uma letra no Google, e entenderá meu sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem me conhece sabe que sou fascinada por (quase) tudo que se refere à França, mas mesmo quando estava aprendendo o idioma tive dificuldades em achar, musicalmente falando, algo atual,vindo de lá, que me agradasse. Num dia um pouco mais obstinado, finalmente reencontrei-me com -M- no YouTube, e desde então estou mais ou menos obcecada. Vou tentar explicar o porquê, e peço desculpas antecipadamente pelos arroubos passionais que tenho certeza que aparecerão.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2878"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Matthieu Chédid tem 38 anos, é filho de Louis Chédid (outro cantor francês) e neto da poetisa francesa de origem egípcia Andrée Chédid, e foi namorado de Audrey Tautou. Para controlar sua timidez, Matthieu criou uma persona excêntrica, apelidada de -M-, que se refere tanto à letra do alfabeto, quanto à palavra francesa <em>aime</em>. Seu primeiro álbum é seu batismo, literalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">-M- possui um visual ousado, com cabelos pontudos e <em>trench coats</em> espalhafatosos.  Em termos de sonoridade, ele é um camaleão. Numa faixa M é rock, na outra brega, depois flerta com a música africana, com o eletrônico, a bossa nova, o que talvez justifique o nariz torcido que as pessoas me mostram quando, empolgadíssima, mostro um clip novo dele para alguém. Mas mesmo tendo este lado “tudo ao mesmo tempo agora”, seu estilo é muito característico. Sua voz é única, seu jeito de tocar guitarra, reconhecível.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que me pegou de jeito mesmo foram as letras.  Sua poesia aborda desde a própria criação do personagem (<em>Le baptême</em>), ao ecoativismo (<em>Bonoboo</em>), passando pelo humorístico (<em>Matchistador</em>), pela crítica social (<em>Mama Sam</em>, <em>Monde Virtue</em>l), autocrítica (<em>Je suis une cigarrette</em>), amor (<em>La belle étoile</em>), desejo (<em>Lettre à Tanagra</em>), carinho (<em>Ma mélodie</em>), um temperinho de metamúsica (<em>Qui de nous deux</em>), filosofia (<em>Est-ce que c&#8217;est ça?</em>), à poesia pura (<em>L&#8217;Éclipse</em>, este em parceria com Sean Lennon).</p>
<p style="text-align: justify;">Como poeta, seu jogo de palavras e sonoridades em francês me lembra muito o que João Bosco faz com o português, com frases de múltiplos sentidos e um som, e é uma fonte de bons versos e boas reflexões. Com risco de perder sua genialidade em minhas traduções, seguem alguns trechos de músicas dele:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“J&#8217;ai une tendancieuse nostalgie du futur” (Souvenir du futur)<br />
Tenho uma nostalgia tendenciosa do futuro)</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Est-ce qu&#8217;il faut pour de vrai<br />
Qu&#8217;ça sonne faux” (Ça sonne faux)<br />
Será que se deve, para ser verdadeiro, que soe falso”</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“<em>Après quoi on cours?</em>” (Est-ce que c&#8217;est ça)<br />
- Atrás do que corremos?</p>
<p style="text-align: justify;">
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Souviens-toi de demain, il ne roulera qu&#8217;une fois<br />
C&#8217;est pas pour hier que demain s&#8217;oubliera<br />
J&#8217;ai la mémoire courte<br />
Mais le futur ne s&#8217;oublie pas” (Souvenir du futur)</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">- Lembre-se do amanhã, ele só acontecerá uma vez. Não será por ontem, que o amanhã se esquecerá. Eu tenho a memória curta, mas o futuro não se esquece.”</p>
<p style="text-align: justify;">E, para aquele que chegou até aqui, e se interessou por esse personagem marcante, um bônus: &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=CeZtBEMF7sI">Est-ce que c&#8217;est ça</a>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5062" target="_self">COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Avraham Sutzkever</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 13:21:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Avraham Sutzkever]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Ídiche]]></category>

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		<description><![CDATA[Em junho de 1941 tropas do II Reich invadiram a Polônia. Àquele tempo a cidade de Vilna- hoje na Lituânia- chamava-se Wilno e pertencia ao país invadido. Como em todos os outros lugares invadidos a mando de Adolf Hitler, lá os judeus foram severamente perseguidos- para serem mortos ou enviados para campos de concentração e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/10/avraham.gif"><img class="alignright size-medium wp-image-1625" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="avraham" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/10/avraham-217x300.gif" alt="avraham" width="183" height="252" /></a>Em junho de 1941 tropas do II Reich invadiram a Polônia. Àquele tempo a cidade de Vilna- hoje na Lituânia- chamava-se Wilno e pertencia ao país invadido. Como em todos os outros lugares invadidos a mando de Adolf Hitler, lá os judeus foram severamente perseguidos- para serem mortos ou enviados para campos de concentração e guetos. Um jovem judeu que habitava essa cidade escondeu-se por algum tempo dentro de uma lareira, mas acabou sendo preso. Mais tarde fugiu do gueto para o qual foi enviado, e alistou-se como partisan para lutar contra os alemães.</p>
<p style="text-align: justify;">Poderia ser a história de um filme qualquer, ou só mais uma anedota sobre o Holocausto. Mas acontece que esse jovem judeu havia publicado seu primeiro poema em 1934, e fora parte do grupo dos “Jovens de Wilno”- artistas e escritores iniciadores do modernismo polonês. Mas Avraham Sutzkever- esse é o nome do poeta sobre o qual tudo isso se trata- não escreve em polonês: é um dos maiores nomes da poesia ídiche do século XX.<span id="more-1581"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Nascido em Smorgon- na época Polônia, hoje Bielorrússia- em 15 de Julho de 1913, descendia de uma linhagem de importantes rabínos e chassidins. Sua família fugiu para a Sibéria durante a I Guerra Mundial, e de lá indo para Wilno em 1922. Lá formou-se no ginásio, freqüentou o Séder (a escola religiosa judaica), juntou-se ao movimento escoteiro ídiche e começou sua carreira literária, tendo publicado seu primeiro poema em um jornal de literatura, em 1934- como parte dos “Jovens de Wilno”.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a ocupação alemã da Polônia escondeu-se, como eu já disse, na chaminé de sua casa- onde escreveu o poema ‘A Peste’/&#8217;Rostos nos Pântanos’. Seu esconderijo não foi exatamente efetivo, e, feito prisioneiro, foi enviado para o gueto de Wilno.<br />
No gueto ele traficou livros e armas para dentro, além de ensinar poesia ídiche. Em 12 de setembro de 1943, por uma brecha na grade, ele, sua esposa e mais alguns escaparam para as florestas.</p>
<p style="text-align: justify;">Pouco depois ele e um amigo, o também poeta Shmerke Kaczerginsky, alistaram-se como partisans e lutaram na guerra. Toda a fase da vida de Sutzkever durante o período do nazismo ficou registrada em mais de 80 poemas, muitos cujos manuscritos originais foram encontrados há pouco tempo- Sutzkever os tinha reescrito de memória, mas julgava os originais perdidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois da guerra ele viveu em Moscou, em Lodz e, em 1947, imigrou ilelmente para a Palestina Britânica, que logo tornar-se-ia Israel. Um ano depois fundou o ‘Die Golden Keyâ’, um jornal literário em ídiche. Esse jornal foi um importante instrumento para o renascimento da língua ídiche como idioma literário.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, aos 96 anos, é um dos últimos poetas ídiches, e um dos maiores entre estes. Seus poemas avant-garde com formas perfeitas e rimas incomuns eram rejeitadas por muitos tradicionalistas, mas alcançaram renome e reconhecimento mundiais (tanto quanto um poeta ídiche o pode fazer). De brinde, dois poemas que eu traduzi do ídiche (por isso a tradução pode não estar exatamente primorosa):</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Serei culpado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">— Serei culpado, devo pagar pela culpa?<br />
E para quem: o presente ou o passado?<br />
— Que importa, seu tolo, se há uma culpa,<br />
Talvez não seja sua — mas você deve pagar!</p>
<p style="text-align: justify;">— Fui eu criado porque o quis?<br />
Pense a respeito, por favor, e guarde seu escárnio!<br />
— Não pensarei em nada, não pergunte o que, quando,<br />
E não baseie sua fé em espinho algum.</p>
<p style="text-align: justify;">— Seremos eu e o destino um só ou dois estranhos?<br />
Se dois, mostra — E eu o espancarei!<br />
— Decida-se. No instante da sua dor<br />
Você o vê nos guardas que o cercam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Trilhas de Cinza</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu esquento o chá com suas cartas:<br />
Meu único tesouro.<br />
Finas linhas de cinza restam,<br />
Ainda brilhando, a brasa<br />
Que só eu posso ler, posso perguntar:<br />
Eu esquento o chá com suas cartas,<br />
Meu único tesouro?</p>
<p style="text-align: justify;">E que o vento seja mudo como uma tumba!<br />
E que minha sombra não se mova!<br />
Um sopro—<br />
E toda a sua beleza restauradora<br />
Irá se revolver de ciúmes<br />
Em todas as estadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Quão cara você me é em linhas de cinzas,<br />
Quão brilhante você morre em rastros de cinzas,<br />
Que só eu posso ler, posso perguntar<br />
Eu esquento o chá com suas cartas,<br />
Meu único tesouro?</p>
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		<title>Nova Fase do I Concurso de Poesias Meia Palavra</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/06/03/nova-fase-do-i-concurso-de-poesias-meia-palavra/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 11:54:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Concurso]]></category>
		<category><![CDATA[I Concurso de Poesias Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[O amor do Pequeno Príncipe]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Saint-Exupéry]]></category>

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		<description><![CDATA[Começa hoje nova fase do I CONCURSO DE POESIAS MEIA PALAVRA. Todos as poesias enviadas foram publicadas em um tópico no Fórum Meia Palavra e durante uma semana a enquete para escolha da melhor poesia estará aberta nesse mesmo tópico, que você pode visitar clicando aqui. Caso você não tenha cadastro no Fórum, basta clicar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/03/meiatwitter.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-624" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="meiatwitter" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/03/meiatwitter.jpg" alt="meiatwitter" width="100" height="100" /></a>Começa hoje nova fase do <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/05/12/i-concurso-de-poesias-meia-palavra/">I CONCURSO DE POESIAS MEIA PALAVRA</a>. Todos as poesias enviadas foram publicadas em um tópico no <a href="http://www.meiapalavra.com.br">Fórum Meia Palavra</a> e durante uma semana a enquete para escolha da melhor poesia estará aberta nesse mesmo tópico, que você pode visitar <strong><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=3080">clicando aqui</a></strong>. Caso você não tenha cadastro no Fórum, basta <strong><a href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=register">clicar aqui</a></strong> para se registrar. O registro é rápido e gratuito, e além de permitir acesso à enquete, também é porta de entrada para diversas discussões sobre Literatura e assuntos variados.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembramos que os três primeiros colocados no concurso terão seus poemas publicados aqui no blog do Meia Palavra, e que o primeiro colocado também ganhará uma edição de <a href="http://www.oamordopequenoprincipe.com.br/oamordopequenoprincipe/home.asp">O amor do Pequeno Príncipe</a>, de Antoine de Saint-Exupéry (cortesia da editora Nova Fronteira). Contamos com sua participação na escolha da melhor poesia e desde já agradecemos todos os que mandaram seus trabalhos para o Meia Palavra.</p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2009%2F06%2F03%2Fnova-fase-do-i-concurso-de-poesias-meia-palavra%2F&amp;linkname=Nova%20Fase%20do%20I%20Concurso%20de%20Poesias%20Meia%20Palavra">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Autopsicografia &#8211; uma análise.</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/02/24/autopsicografia-uma-analise/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 20:22:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Autopsicografia]]></category>
		<category><![CDATA[Bernardo Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[
Autopsicografia
Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-612" style="margin: 5px;" title="Fernando Pessoa" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/02/216_2310-fernando-pessoa-276x300.jpg" alt="216_2310-fernando-pessoa" width="276" height="300" /></p>
<p><strong>Autopsicografia</strong><br />
<em>Bernardo Soares (Fernando Pessoa)</em></p>
<p>O poeta é um fingidor.<br />
Finge tão completamente<br />
Que chega a fingir que é dor<br />
A dor que deveras sente.</p>
<p>E os que lêem o que escreve,<br />
Na dor lida sentem bem,<br />
Não as duas que ele teve,<br />
Mas só a que eles não têm.</p>
<p>E assim nas calhas de roda<br />
Gira, a entreter a razão,<br />
Esse comboio de corda<br />
Que se chama coração.</p>
<p style="text-align: justify;">Fernando Pessoa era um homem complicado. Seus heterônimos são assim considerados (ao invés de pseudônimos), visto que além de terem uma vida completa criada, Fernando Pessoa acreditava ser mesmo esses outros nomes. Quando os usava, &#8220;esquecia-se&#8221; por completo de quem era, e passava a ser  naquele momento Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caieiro ou Bernardo Soares.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-611"></span><br />
Conhecedor de astrologia, como um bom ocultista, chegou a conhecer o famoso mago Aleister Crowley. Ambos até trocaram cartas, mas Pessoa não quis muita intimidade com o mago já que acreditava que este era maluco e assim, perigoso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre Autopsicografia:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Resolvi colocar aqui a análise da Autopsicografia por diversos motivos. Esse é considerado um dos poemas do Pessoa mais famosos, muitas vezes é o único poema do Fernando que foi lido por muitas pessoas. Algumas não conseguem entender o que ele quer dizer com o fingidor, ou não conseguem captar a mensagem da poesia feita pelo autor, então resolvi ser a &#8220;chata&#8221; e explicar aqui o quanto ele fingia também.</p>
<p style="text-align: justify;">Fernando nos diz que o poeta é um fingidor. O que ele quis dizer com isso?<br />
Quer dizer que a poesia não é exteriorização imediata dos sentimentos – e sim o pranto. Esse fingir pode querer significar uma modelagem estética do sentimento: a poesia.  O poeta lida primeiro com a linguagem e muda a experiência, modifica a vivência através da linguagem. Todo processo que constrói poesia é algo que é perpassado pela linguagem – não há experiência imediata. Esse é o “fingimento”, o poeta imagina algo que sequer imaginou em poesia . Sendo o alquimista que transmuta vivência através da linguagem, acaba sendo fingidor porque fala tanto do vivido quanto do não vivido. Pode-se partilhar e mimetizar até um sentimento que ele também sente, mas quando escreve já não o é mais verdade e sim poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">O leitor então é aquele que acredita na magia da linguagem como espelho da alma. Lê a dor vivida/escrita/ lida/ fingida (que é a lida quando escrita) e a toma como sua mesmo não a sendo.</p>
<p style="text-align: justify;">E o ponto final do poema, o coração: refere-se às paixões (ira, ódio, amor), e a simultaneidade entre sentir e pensar, que é o verdadeiro dilema transmitido ao leitor.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2434">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Emily Dickinson</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/09/07/emily-dickinson/</link>
		<comments>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/09/07/emily-dickinson/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 19:18:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Emily Dickinson]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Poema]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[
No Brasil a poesia dessa norte-americana nascida em 1830 é pouco conhecida &#8211; pelo menos para aqueles que não circulam com muita freqüência nas praias da poesia gringa. O que não deixa de ser uma pena, visto que tanto a escritora quanto os escritos são interessantíssimos. Ironia das ironias, enquanto a primeira é de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/09/emily-dickinson.gif"><img class="size-medium wp-image-170 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="emily-dickinson" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/09/emily-dickinson-230x300.gif" alt="Emily Dickinson" width="230" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil a poesia dessa norte-americana nascida em 1830 é pouco conhecida &#8211; pelo menos para aqueles que não circulam com muita freqüência nas praias da poesia gringa. O que não deixa de ser uma pena, visto que tanto a escritora quanto os escritos são interessantíssimos. Ironia das ironias, enquanto a primeira é de uma complexidade de deixar biógrafos de cabelo em pé, a segunda é de tal simplicidade que talvez seja uma das razões pelas quais os trabalhos dela não são tão famosos quanto de outros poetas de língua inglesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Em vida, pouco de seus poemas foram publicados. Dickinson na realidade só fez uma tentativa com quatro poesias, mas foi aconselhada pelo editor da Atlantic Monthly, Thomas Wentworth Higginson, a não publicá-los, pois seu estilo de escrita não era &#8220;comercial&#8221;. Apenas após a morte da poeta que sua irmã, Lavinia, ao encontrar diversos de seus trabalhos, resolveu publicá-los. São mais de 1.800 poemas escritos durante o período em que viveu em Homestead.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-169"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Desses escritos, a maior parte lida com temas como a morte, a vida e a natureza &#8211; mas de um jeito bastante leve, simples. O que a diferencia é o estilo, que apresenta um ritmo diferente e a presença constante de travessões. Curioso é o fato de que as primeiras edições de poemas de Dickinson deixavam de lado o que seria considerado &#8216;extravagâncias&#8217; da escritora, sendo que apenas edições mais modernas trazem os recursos estilísticos originais. Por exemplo, &#8220;How happy is the little stone&#8230;&#8221;, foi escrito assim:</p>
<blockquote><p>How happy is<br />
the little Stone<br />
That rambles<br />
in the Road<br />
alone,<br />
And doesn&#8217;t<br />
care about<br />
Careers<br />
And Exigencies<br />
never fears –<br />
Whose Coat<br />
of elemental Brown<br />
A passing<br />
Universe put on,<br />
And independent<br />
as the Sun<br />
Associates<br />
or glows alone,<br />
Fulfilling absolute<br />
Decree<br />
In casual<br />
simplicity –</p></blockquote>
<p>Mas foi publicado inicialmente assim:</p>
<blockquote><p>How happy is the little stone<br />
That rambles in the road alone,<br />
And doesn&#8217;t care about careers<br />
And exigencies never fears —<br />
Whose coat of elemental brown<br />
A passing universe put on;<br />
And independent as the sun,<br />
Associates or glows alone,<br />
Fulfilling absolute decree<br />
In casual simplicity.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Desnecessário entrar na discussão dos males que esse tipo de &#8220;edição&#8221; pode causar aos trabalhos daqueles que estudam Dickinson, mas de certa forma há de se considerar se atualmente teríamos acesso fácil aos poemas se eles não tivessem aparecido inicialmente na forma &#8220;comercial&#8221; &#8211; embora também há de se questionar a intenção de Dickinson de ser lida, visto que com tantos escritos ela tenha tentado publicar poucos.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, chegamos novamente à complexidade da autora, o que de certa forma acaba influenciando muito a leitura de sua obra. Aos 20 anos Dickinson passou a se vestir apenas de branco, e decidiu não mais sair de casa. Recebia os amigos (poucos) em uma sala separada por uma tela, e ninguém além de sua mãe ou irmã podiam vê-la. Além da fama de &#8220;esquisita&#8221; local, essa reclusão também deu margem a vários debates sobre quais seriam as condições que levaram a poeta a se &#8220;esconder&#8221;, sendo a mais aceita uma doença (embora não se saiba qual).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, mais do que isso, talvez o fator mais importante dessa peculiaridade da escritora sejam os poemas como por exemplo &#8220;I&#8217;m nobody! Who are you?&#8221;:</p>
<blockquote><p>I&#8217;m nobody! Who are you?<br />
Are you nobody, too?<br />
Then there&#8217;s a pair of us — don&#8217;t tell!<br />
They&#8217;d banish us, you know.<br />
How dreary to be somebody!<br />
How public, like a frog<br />
To tell your name the livelong day<br />
To an admiring bog!</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Para quem ficou interessado no trabalho dessa brilhante poeta e estão com o inglês em dia, não deixem de comprar a edição da Barnes &amp; Nobles, que está custando apenas <a href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=241027&amp;ID=C95601EA7D809070836080938">11 reais na Saraiva</a> (não se deixe enganar pelo preço, é um livro importado com mais de 300 páginas e ótimos artigos sobre Dickinson).</p>
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		<title>Robert Frost</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/07/01/robert-frost/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 23:11:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Frost]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu às vezes vejo a poesia como uma floresta: você vai abrindo seu caminho para o coração da mata aos poucos, vencendo medos (”Poesia é só para gênios!”), se alimentando de uma ou outra fruta coletada ao longo da jornada (”Ei, esse poeta é bom mesmo!”) e claro, utilizando mapas desenhados por quem já esteve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/07/460px-robert_frost_nywts_41.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2841" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="460px-robert_frost_nywts_41" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/07/460px-robert_frost_nywts_41.jpg" alt="" width="200" height="261" /></a>Eu às vezes vejo a poesia como uma floresta: você vai abrindo seu caminho para o coração da mata aos poucos, vencendo medos (”Poesia é só para gênios!”), se alimentando de uma ou outra fruta coletada ao longo da jornada (”Ei, esse poeta é bom mesmo!”) e claro, utilizando mapas desenhados por quem já esteve lá (ou o conhecido “seguir a indicação de professores e amigos”). Mas, ao contrário do que acontece em uma exploração em um espaço real, com a poesia parece que você dificilmente desvendará todo o caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja o meu caso, por exemplo. Eu demorei para me encantar pela poesia, de verdade. Acho que os primeiros poetas que de fato curti foram alguns haijins (ou haicaísta, termo usado para quem escreve haikai), apresentados para mim através de uma coletânea de haikais da Estrela. A paixão completa mesmo só veio na universidade, com alguns professores como a Luci e o Édison, que, continuando na metáfora da floresta, entregaram não só mapas mas fotos mostrando toda a beleza desse espaço.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-121"></span></p>
<p style="text-align: justify;">E aqui você me pergunta: “Mas peraí, Anica, o que o Robert Frost tem a ver com tudo isso?” Tem a ver com a questão da abrangência desse campo. Sou bacharel em estudos literários e só conheci <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Frost">Robert Frost</a> de fato após terminar o curso. É culpa de professor? Não. Porque eu tenho certeza que Robert Frost já esteve na minha frente, mas eu não conseguia enxergá-lo. É quase como você curtir o som de determinada banda toda vez que escuta, mas por não saber o nome da banda ela simplesmente passa batida e nunca entra na sua lista de favoritos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois o Frost é muito, muito citado na cultura pop. Neil Gaiman, por exemplo, já bebeu dessa fonte (<a href="http://www.anica.com.br/2007/01/25/deja-vu/">e eu até comentei sobre isso no meu blog, o Hellfire Club</a>). E o poema “Stopping by the Woods on a Snowy Evening” tem uma listinha de referências lá na Wiki, sendo uma das mais modernas o <a href="http://www.imdb.com/title/tt1028528/">Death Proof</a> do Tarantino (os versos que a Jungle Julia diz para seus ouvintes recitarem para Butterfly em troca de uma lap dance é na verdade a última estrofe do poema).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a minha favorita mesmo, a que eu queria compartilhar com vocês e por isso até comecei essa conversa sobre o Frost, é “<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Road_Not_Taken">The Road Not Taken</a>“. Para quem não entende inglês, segue aí uma tradução de José Alberto Oliveira:</p>
<blockquote><p>A estrada que não foi seguida</p>
<p>Duas estradas separavam-se num bosque amarelo,<br />
Que pena não poder seguir por ambas<br />
Numa só viagem: muito tempo fiquei<br />
Mirando uma até onde enxergava<br />
Quando se perdia entre os arbustos;</p>
<p>Depois tomei a outra, igualmente bela,<br />
E que teria talvez maior apelo,<br />
Pois era relvada e fora de uso;<br />
Embora, na verdade, o trânsito<br />
As tivesse gasto quase o mesmo,</p>
<p>E nessa manhã nas duas houvesse<br />
Folhas que os passos não enegreceram.<br />
Oh, reservei a primeira para outro dia!<br />
Mas sabendo como caminhos sucedem a caminhos,<br />
E duvidava se alguma vez lá voltaria.</p>
<p>É como um suspiro que conto isto,<br />
Tanto, tanto tempo já passado:<br />
Duas estradas separavam-se num bosque e eu -<br />
Eu segui pela menos viajada,<br />
E isso fez a diferença toda.</p></blockquote>
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		<item>
		<title>O Poeta Simples das Coisas Complexas</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/06/04/o-poeta-simples-das-coisas-complexas/</link>
		<comments>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/06/04/o-poeta-simples-das-coisas-complexas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Jun 2008 20:42:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Quintana]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar de nunca ter lido um livro do Quintana, tenho aqui no PC inúmeras citações do seu famoso Caderno H e outros vários poemas de sua autoria: o suficiente pra me tornar um fã incondicional de sua obra e considerá-lo o maior poeta brasileiro, superando muito alguns dos mais famosos e renomados.
Mário Quintana ganhou o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a title="Quitana" href="http://covildoorc.files.wordpress.com/2008/01/quintana.jpg"></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/06/Mario-Quintana.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2779" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="Mario Quintana" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/06/Mario-Quintana.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a>Apesar de nunca ter lido um livro do Quintana, tenho aqui no PC inúmeras citações do seu famoso <em>Caderno H</em> e outros vários poemas de sua autoria: o suficiente pra me tornar um fã incondicional de sua obra e considerá-lo o maior poeta brasileiro, superando muito alguns dos mais famosos e renomados.</p>
<p style="text-align: justify;">Mário Quintana ganhou o título de “O poeta das coisas simples” pois, despreocupado com a crítica, fazia poesia porque “sentia necessidade”, segundo suas próprias palavras. No entanto, não considero justo esse título. Não há nada de simples nos poemas de Quintana, muito pelo contrário: existe ali um significado profundo por trás de cada palavra, visões do mundo e da vida traduzidas em versos complexos, porém de vocabulários simples; costumo dizer que Quintana tem um poema para cada momento da vida, tamanha é a variedade de seus temas! <span id="more-113"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Seus ‘Quintanares’, como ele próprio intitulava seus versos, tinham, na maioria das vezes um quê de pessimismo, tragédia, ternura, mas tudo tratado com muita ironia e sarcasmo, talvez até um pouco de humor-negro – se essa não for uma expressão muito forte. Alguns bons exemplos do que digo:</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>Das Oferendas</strong></div>
<div style="text-align: justify;"><em>Eu queria trazer-te uns versos muito lindos…<br />
Trago-te estas mãos vazias<br />
Que vão tomando a forma do teu seio.</em></div>
<p style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"><strong>Dos Milagres</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O milagre não é dar vida ao coro extinto,<br />
</em><em>Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo…<br />
</em><em>Nem mudar água pura em vinho tinto…<br />
</em><em>Milagre é acreditarem nisso tudo!</em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"><strong>Evolução</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"><em>O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"><strong>Da Discrição</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"><em>Não te abras com teu amigo<br />
Que ele um outro amigo tem.<br />
E o amigo do teu amigo<br />
Possui amigos também…</em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;">
<div style="text-align: justify;">E esses são só alguns exemplos, pequenos poemas e citações feitas de maneira irônica e divertida, sempre tratando de coisas nada otimistas e nem um pouco fáceis de lidar: vida, morte, amor, fé…</div>
<p style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;">Talvez, o melhor modo de se conhecer Quintana seja lendo as citações de seu<br />
<em>Caderno H</em> (“Todas as coisas acabam sendo escritas na última hora, na hora h, na hora final”, M. Quintana, justificando o título do livro): textos curtos, enxutos, minimalistas, onde ele escreve o máximo com o mínimo de palavras. Mas, como infelizmente ainda não li o livro todo, apenas alguns trechos esparsos pegos pela internet, o melhor mesmo é ver o que Quintana achava de si próprio, nesse texto que escreveu para a revista IstoÉ de 14/11/1984:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;">
<blockquote style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px;">“Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px;">Nasci no rigor do inverno, temperatura:  1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro &#8211; o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo &#8211; que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.”</p>
<p>Pra dar mais um gostinho, aí vão alguns trechos do Caderno H:</p>
<blockquote><p><strong>A Coisa</strong><br />
<em>A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa… e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.</em></p>
<p><strong>As Indagações</strong><br />
<em>A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.</em></p>
<p><strong>Arte Poética</strong><br />
<em>Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.</em></p>
<p><strong>Das Escolas</strong><br />
<em>Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px;"><strong>Destino Atroz</strong><br />
<em>Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0px;">
<p><strong>Do Estilo</strong><br />
<em>O estilo é uma dificuldade de expressão.</em></p>
<p><strong>O Assunto</strong><br />
<em>E nunca me perguntes o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa.</em></p>
<p><strong>O Trágico Dilema</strong><br />
<em>Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.</em></p>
<p><strong>Poesia &amp; Lenço</strong><br />
<em>E essa que enxugam as lágrimas em nossos poemas com defluxos em lenços… Oh! tenham paciência, velhinhas… A poesia não é uma coisa idiota: a poesia é uma coisa louca! </em></p></blockquote>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, minha estante que aguarde. Espero que dentro em breve ela esteja ostentando os livros de Quintana (todos, nem que sejam aos pouquinhos), afinal, não importa o que dizem, Quintana pra mim é o maior! Seus versos poderiam, sim, ser simples, mas o poder por trás de cada um era imenso!</p>
<div style="text-align: justify;"><em>(Esse artigo é da autoria de: <strong>João Victor (Snaga)</strong>. Para ler mais coisas do dele, clique <strong><a href="http://covildoorc.wordpress.com/">aqui</a>)</strong></em></div>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=1331"><strong>Comente esse post no Fórum Meia Palavra.</strong></a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Anatomia da poesia: One Art</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 20:08:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Elizabeth Bishop]]></category>
		<category><![CDATA[Poema]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode parecer estranho estabelecer uma relação entre criaturas feitas de carne e osso com outras feitas de palavras e idéias, mas o fato é que poesia é, de certa forma, um ser vivo. Tão vivo que depois de criada parece que ganha pernas e sai por aí, para todo o sempre (ou pelo menos enquanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/04/elizabeth-bishop1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2811" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="elizabeth-bishop" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/04/elizabeth-bishop1.jpg" alt="" width="144" height="176" /></a>Pode parecer estranho estabelecer uma relação entre criaturas feitas de carne e osso com outras feitas de palavras e idéias, mas o fato é que poesia é, de certa forma, um ser vivo. Tão vivo que depois de criada parece que ganha pernas e sai por aí, para todo o sempre (ou pelo menos enquanto a última cópia não sumir). É levando em consideração essa idéia que começo hoje a série &#8220;Anatomia da poesia&#8221;, que procura indicar os <em>órgãos vitais</em> de alguns poemas, visando estudá-los de uma forma um pouco mais divertida do que é feito em sala de aula.</p>
<p style="text-align: justify;">E, para começar, coloco sob observação a brilhante poeta norte-americana, Elizabeth Bishop. O charme na poesia de Bishop vai além do domínio sobre as palavras: embora escreva na língua inglesa, tem muito do Brasil em suas obras &#8211; ou pelo menos das paisagens que ela viu enquanto por aqui passou. Vejamos então o que <em>One Art </em>pode nos oferecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-51"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para começar, uma leitura completa do poema:</p>
<blockquote><p><strong>One Art</strong><br />
The art of losing isn&#8217;t hard to master;<br />
so many things seem filled with the intent<br />
to be lost that their loss is no disaster.<br />
Lose something every day. Accept the fluster<br />
of lost door keys, the hour badly spent.<br />
The art of losing isn&#8217;t hard to master.<br />
Then practice losing farther, losing faster:<br />
places, and names, and where it was you meant<br />
to travel. None of these will bring disaster.<br />
I lost my mother&#8217;s watch. And look! my last, or<br />
next-to-last, of three loved houses went.<br />
The art of losing isn&#8217;t hard to master.<br />
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,<br />
some realms I owned, two rivers, a continent.<br />
I miss them, but it wasn&#8217;t a disaster.<br />
-Even losing you (the joking voice, a gesture<br />
I love) I shan&#8217;t have lied. It&#8217;s evident<br />
the art of losing&#8217;s not too hard to master<br />
though it may look like (Write it!) like disaster.</p></blockquote>
<p>***</p>
<p>Tradução de Paulo Henriques Britto</p>
<blockquote><p>“A arte de perder não é nenhum mistério;<br />
Tantas coisas contêm em si o acidente<br />
De perdê-las, que perder não é nada sério.<br />
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,<br />
A chave perdida, a hora gasta bestamente.<br />
A arte de perder não é nenhum mistério.<br />
Depois perca mais rápido, com mais critério:<br />
Lugares, nomes, a escala subseqüente<br />
Da viagem não feita. Nada disso é sério.<br />
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero<br />
Lembrar a perda de três casas excelentes.<br />
A arte de perder não é nenhum mistério.<br />
Perdi duas cidades lindas. E um império<br />
Que era meu, dois rios, e mais um continente.<br />
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.<br />
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente<br />
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Agora à análise!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cérebro</strong>: Assim como na língua portuguesa temos bastante poemas escritos em formas fixas (tal como haicai, soneto e balada), na poesia em inglês também podemos encontrar obras que seguem um padrão pré-estabelecido para números de estrofes, posicionamento de rimas, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso de <em>One Art</em>, temos um bom exemplo de uma forma fixa conhecida como &#8220;villanelle&#8221;, que apresenta 19 versos distribuídos em 5 tercetos (estrofes de três versos) e 1 quadra (estrofe de quatro versos). Lembra, de certa forma, uma canção, até por apresentar dois refrões que se repetem alternadamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Na poesia de Bishop as idéias que se repetem são a de que a perda não é um desastre e que dominar a arte de perder não é difícil. Durante os cinco tercetos a poeta intercala o refrão com exemplos de perdas, das mais banais (chaves, relógios, nomes) para outras maiores (cidades, impérios, continentes).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Coração</strong>: Embora siga uma forma fixa, o que torna o processo de criação mais complexo já que não trata-se mais de dizer algo, mas também de respeitar as regras do &#8220;como dizer&#8221;, ainda assim <em>One Art</em> não é um poema frio: ele é todo sentimento, quente, e tão pessoal que, contraditoriamente, torna-se universal. Ao falar de suas próprias perdas, Elizabeth Bishop cria um vínculo com o leitor que se identificará com a idéia central.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das formas de capturar o leitor é quando, no final, ao usar a expressão &#8220;<em>Write it!</em>&#8220;, ela deixa claro que está conversando com ele. Como em uma entrevista, ou conversa entre o sábio e o aprendiz. E é na conclusão do poema (a quadra) que toda a ironia e a paixão do discurso explodem ao mesmo tempo, com a utilização de uma única expressão.</p>
<p style="text-align: justify;">Bishop salta de &#8220;The art of losing isn&#8217;t hard to master.&#8221; para um &#8220;The art of losing isn&#8217;t <strong>TOO</strong> hard to master.&#8221; A expressão &#8220;too&#8221;, que no inglês quando posicionado na frente do adjetivo indica algo que é mais do que você gostaria, deixa evidente que apesar do que disse anteriormente, quando o assunto é a perda da pessoa amada, as coisas mudam e a idéia de perda já não é mais tão simples quanto como quando tratava-se de coisas e lugares.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui cabe uma curiosidade: nos rascunhos de Bishop para o poema, a conclusão de <em>One Art</em> fica muito mais explícita, como é possível ler nesse trecho:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>All that I write is false, it&#8217;s evident<br />
The art of losing isn&#8217;t hard to master.<br />
oh no.<br />
anything at all anything but one&#8217;s love. (Say it: disaster.)</p>
<p>Tradução livre:<br />
Tudo o que escrevi é mentira, é evidente<br />
A arte da perda não é dificil de dominar<br />
oh não<br />
qualquer coisa, qualquer coisa exceto o amor de alguém.<sup>1</sup></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Estômago</strong>: E quem é essa pessoa? Apesar de ser bastante contrária às leituras biográficas, para alguns poemas é simplesmente impossível não estabelecer uma relação entre vida e obra. <em>One Art</em> é quase uma biografia em versos. Como dito anteriormente, o Brasil é peça importante na vida da poeta, visto que ela passou mais de quinze anos por aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Bishop fazia uma espécie de cruzeiro e resolveu desembarcar em Santos. Depois disso, foi para o Rio e lá reencontrou Lota (Maria Carlota de Macedo Soares, uma importante arquiteta carioca), ficando sob os cuidados da amiga brasileira por causa de uma reação alérgica a um pedaço de caju. Dos cuidados nasceu a paixão, e elas passaram a morar juntas em Petrópolis e depois em Ouro Preto (&#8220;I lost two cities, lovely ones.&#8221;), tranformando o lar em ponto de encontro dos intelectuais da época (&#8220;some realms I owned&#8221;).</p>
<p style="text-align: justify;">Lota e Bishop romperam por volta de 1965, e a poeta voltou à terra natal para dar aulas na universidade. Um ano depois, recebe a visita de Lota, que acaba tomando um vidro de valium e se suicida. Quase dez anos depois, Bishop nos presenteia com <em>One Art</em>.</p>
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<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_51" class="footnote">Mais sobre os rascunhos pode ser encontrado neste site: <a href="http://www.english.uiuc.edu/maps/poets/a_f/bishop/drafts.htm">The Drafts of &#8220;One Art&#8221;</a>, em inglês</li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2008%2F04%2F27%2Fanatomia-da-poesia-one-art%2F&amp;linkname=Anatomia%20da%20poesia%3A%20One%20Art">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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