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	<title>Meia Palavra&#187; Poesia</title>
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		<title>Wysława Szymborska (02/07/1923 &#8211; 01/02/2012)</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 13:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
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		<description><![CDATA[A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa, foi o berço de grandes personagens históricas. Lá nasceram Chopin, Madame Curie, João Paulo II. Czesław Miłosz também é outro polonês de peso. Ontem, juntou-se a esse verdadeiro panteão a poeta Wysława Szymborska: aos 88 anos, a vencedora do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/szymborska.jpg"><img class="size-medium wp-image-17939 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/szymborska-300x227.jpg" alt="" width="300" height="227" /></a>A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa, foi o berço de grandes personagens históricas. Lá nasceram Chopin, Madame Curie, João Paulo II. Czesław Miłosz também é outro polonês de peso. Ontem, juntou-se a esse verdadeiro panteão a poeta <strong>Wysława Szymborska</strong>: aos 88 anos, a vencedora do Nobel de Literatura de 1996 faleceu depois de uma longa doença – tendo, inclusive, sido operada no ultimo mês de novembro. Segundo o secretário de Szymborska, porém, a poeta morreu em sua casa em Cracóvia, de forma tranquila.</p>
<p>***</p>
<p><span id="more-17938"></span></p>
<p style="text-align: justify">Filha do político Wincenty Szymborski e de Anna Maria de d. Rottermund, Wysława Szymborska nasceu em 1923 na cidade de Kórnik, região centro-oeste da Polônia. Em 1924 sua família mudou-se para Toruń, e em 1929 para Cracóvia – onde ela viveria pelo resto da vida.</p>
<p style="text-align: justify">Uma vez em Cracóvia, ela estudou na escola primária Józefy Joteyko e, a partir de 1935, no Colégio Irmã Ursulina. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a continuidade de seus estudos foi em segredo. Em 1943, para evitar ser deportada para a Alemanha, começou a trabalhar nas estradas de ferro. Na mesma época ilustrou um livro didático de inglês. Começou a escrever algumas histórias e poemas.</p>
<p style="text-align: justify">Em 1945 começou seus estudos de língua e literatura polonesa na Universidade Jagellonica de Cracóvia – mais tarde mudaria de curso para sociologia. Nessa mesma época começou a envolver-se no universo literário, tomando parte do grupo de vanguarda <em>Inaczej </em>– junto com Stanisław Lem. Também acabou conhecendo Czesław Miłosz, que muito a influenciaria. Foi em 1945 que também publicou seu primeiro poema, <em>Szukam s</em><em>łowa </em>(<em>Eu procuro a palavra</em>).</p>
<p style="text-align: justify">Em 1948 ela desiste dos estudos por conta de dificuldades financeiras. No mesmo ano se casa com o poeta Adam Włodek. Em 1949 seu primeiro livro deveria ter sido publicado, mas a censura impediu, já que seus versos não se encaixavam nos padrões do recém-instaurado regime socialista. Durante esse tempo ela trabalhava como secretaria de uma revista bissemanal, bem como ilustradora.</p>
<p style="text-align: justify">Acabou começando a publicar apenas em 1952, com <em>Dlatego żyjemy</em> (<em>Por isso vivemos</em>). Como a maioria dos intelectuais poloneses, ela apoiava o regime socialista em seus primeiros anos, e seus poemas demonstravam isso com clareza: exaltavam Lênin e os feitos de Stálin. Em 1953 começou a trabalhar para a revista <em>Życie Literackie </em>(<em>Vida Literária</em>) – onde trabalharia até 1981, chegando a ter sua própria coluna dedicada à crítica literária, <em>Lektury Nadobowiązkowe </em>(Leitura Não-Obrigatória).</p>
<p style="text-align: justify">Em 1954 ela lançou seu segundo volume de poesia, <em>Pytania zadawane sobie </em>(<em>Perguntas que fazemos para nós mesmos</em>), ainda bastante influenciado pela ideologia oficial do Partido dos Trabalhadores Poloneses Unidos, o partido comunista polonês – ao qual era filiada. Nesse mesmo ano, a poeta também divorciou-se.</p>
<p style="text-align: justify">Depois desse segundo livro, porém, Wysława começou a distanciar-se do partido. Permaneceria oficialmente nele até 1966, mas antes disso já afastava-se paulatinamente, começando a manter contato com dissidentes. Em 1957, ano em que lançou <em>Wołanie do Yeti </em>(<em>Chamando pelo Ieti</em>), tornou-se amiga de Jerzy Giedoryc – editor do jornal dissidente baseado em Paris, <em>Kultura</em>, para o qual Szymborska passaria a escrever.</p>
<p style="text-align: justify">Seus poemas afastavam-se da política, tornando-se cada vez mais espirituais, falando cada vez mais de coisas simples, cotidianas. Ela chegou a renegar seus dois primeiros livros. Ao mesmo tempo, assinou diversos manifestos pela liberdade dos países sob o julgo da URSS, entre os quais a &#8220;Lista 34&#8243; e a &#8220;Lista 59&#8243;, além de escrever para alguns jornais publicados de maneira ilegal, como <em>samizdat</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Ganhou diversos prêmios literários durante sua carreira, sendo o mais famoso deles o Nobel de Literatura. Publicou 13 livros de poesia, além de ensaios e crítica literária. Nos últimos anos esteve doente, diminuindo suas aparições públicas. E ontem, faleceu.</p>
<p style="text-align: justify">Uma perda histórica para a Polônia – ela viveu e participou da conturbada história do país durante o século XX, que culminou com a retomada <em>de facto</em> da independência após séculos de dominação estrangeira. Mas, além disso, perdeu-se uma das maiores poetas que vivia, cujos versos estão entre os mais sublimes que já tive o prazer de ler.</p>
<p><strong>Sobre a morte, sem exageros</strong></p>
<p>(de Wysława Szymborska, tradução do polonês de Luciano R. Mendes)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não entende piadas,</p>
<p>nem sobre estrelas, sobre pontes,</p>
<p>sobre tecer, sobre mineração, sobre cultivar a terra,</p>
<p>sobre construir navios ou assar bolos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em nossas conversas sobre planos futuros,</p>
<p>sempre tem a última palavra</p>
<p>fora do assunto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não consegue sequer as coisas</p>
<p>que combinam diretamente com sua especialidade:</p>
<p>nem cavar uma cova,</p>
<p>nem fazer um caixão,</p>
<p>nem limpar a propria sujeira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Preocupada em matar,</p>
<p>o faz desastradamente,</p>
<p>sem método nem perícia.</p>
<p>Como se cada um de nós fosse um treino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Até tem seus triunfos,</p>
<p>mas costuma ser derrotada,</p>
<p>erra seus golpes</p>
<p>e experimenta novas tentativas!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Às vezes lhe faltam forças,</p>
<p>para abater uma mosca no ar.</p>
<p>Para várias lagartas</p>
<p>perdeu corridas rastejantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todos esses tubérculos, casulos,</p>
<p>tentáculos, barbatanas, traquéias,</p>
<p>penas nupciais e pelos de frio</p>
<p>provam o atraso</p>
<p>em seu maçante trabalho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não é suficiente</p>
<p>mesmo que ajudemos com guerras e golpes de estado,</p>
<p>isso, até agora, é pouco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Corações batem dentro de ovos.</p>
<p>Crescem os esqueletos dos lactentes.</p>
<p>A sementes, esforçadas, vingam com suas primeiras folhinhas,</p>
<p>e algumas vezes também árvores altas caem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quem afirma sua onipotência,</p>
<p>é a propria prova viva,</p>
<p>de que onipotente ela não é.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não existe vida</p>
<p>que pelo menos por um momento</p>
<p>não tenha sido imortal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Morte</p>
<p>sempre chegando um momento tarde demais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em vão puxa a maçaneta</p>
<p>de uma porta invisível.</p>
<p>Quem  chegou a tempo,</p>
<p>não pode voltar atrás.</p>
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		<title>Sanguínea (Fabiano Calixto)</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 16:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Editora 34]]></category>
		<category><![CDATA[Fabiano Calixto]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Brasileira]]></category>
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		<description><![CDATA[De uns tempos para cá eu tenho lido muito mais literatura brasileira do que de costume. Carol Bensimon, Antônio Xerxenesky, Daniel Galera, J. P. Cuenca são alguns dos exemplos. É notável, porém, a falta de poetas entre essas leituras – uma falta quase que imperdoável, sendo que não só gosto de poesia (colocando-me, assim, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/sanguinea.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17591" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/sanguinea-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a>De uns tempos para cá eu tenho lido muito mais literatura brasileira do que de costume. Carol Bensimon, Antônio Xerxenesky, Daniel Galera, J. P. Cuenca são alguns dos exemplos. É notável, porém, a falta de poetas entre essas leituras – uma falta quase que imperdoável, sendo que não só gosto de poesia (colocando-me, assim, em um grupo relativamente pequeno de pessoas, como já escreveu a Szymborska), mas ultimamente tenho versos à prosa.</p>
<p style="text-align: justify">É claro, não faz muito tempo eu andei resenhando o Piva. Mas um só é pouco, e ele não é exatamente contemporâneo. Eu suspeitava que devesse existir algum outro poeta que valesse a pena ler. Não precisei procurar: o Tiago fez com que <strong><em>Sanguínea</em></strong>, de Fabiano Calixto, viesse parar em minhas mãos.</p>
<p style="text-align: justify">É preciso dizer que a única referência que eu tinha do livro e do autor eram o próprio Tiago. De resto eu sou, naturalmente, bastante desconfiado de todo e qualquer poeta. Além disso, andei folheando as primeiras páginas e vi uma dedicatória que dizia ‘<em>So I sing a song of love para Juliana, todos os poemas’</em>: Poemas de amor? Que droga! &#8211; pensei. Via de regra, só poetas muito bons conseguem escrever esse tipo de poema sem cometer algum tipo de atentado contra a humanidade.<span id="more-17590"></span></p>
<p style="text-align: justify">Acabei, no entanto, por me enganar. Existem, no livro, uma infinidade de poemas de amor. Mas eles não são ruins como meu primeiro impulso me levou a crer. São suaves, por vezes um pouco melancólicos – outras vezes otimistas. Mas a grande questão é que mesmo os poemas de amor de Calixto não são somente poemas de amor. São instantâneos da vida, da qual o amor faz parte – tanto quanto qualquer outra coisa – a morte, política, sofrimentos, alegrias, música, literatura.</p>
<p style="text-align: justify">Tudo está misturado ali. Existem poemas que mencionam os Beatles e Anna Akhmátova. Outras vezes é a própria linguagem que é posta em cena, ou ainda a situação sócio-política do Brasil. A única coisa que nunca abandona os poemas presentes em <strong><em>Sanguínea</em> </strong>é uma espécie de autoconsciência sobre o próprio fazer poético, sobre a visão do poeta que empresta, de seus próprios sonhos e anseios, a beleza que quer ver no mundo e imprimir nos versos.</p>
<p style="text-align: justify">Ainda estou começando a conhecer a literatura brasileira contemporânea. Já conheço uma boa quantidade de prosadores, mas Calixto é o primeiro poeta brasileiro da atualidade que li e que realmente parece merecer uma publicação. Não posso dizer se é ou vai ser um grande poeta – conheço pouco de sua obra e, de qualquer modo, é cedo para afirmar algo assim -, mas de qualquer maneira <strong><em>Sanguínea</em> </strong>é uma excelente leitura.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Não mais (Czesław Miłosz)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/25/nao-mais-czeslaw-milosz/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 16:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Existe uma tendência, já notada por Baudelaire, a se considerar a modernidade como uma automática rejeição de tudo aquilo que existiu anteriormente. Isso não necessariamente é verdade. No caso da poesia, talvez seja quase o oposto, já que alguns dos poetas de maior força unem características de novo e de tradicional. É o caso do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/naomais.jpg"><img class="wp-image-16917 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/naomais-216x300.jpg" alt="" width="216" height="300" /></a>Existe uma tendência, já notada por Baudelaire, a se considerar a modernidade como uma automática rejeição de tudo aquilo que existiu anteriormente. Isso não necessariamente é verdade. No caso da poesia, talvez seja quase o oposto, já que alguns dos poetas de maior força unem características de novo e de tradicional. É o caso do polonês Czesław Miłosz.</p>
<p style="text-align: justify">Junto com Wysława Szymborska, <em>Zbigniew </em>Herbert e <em>Tadeusz Różewicz</em>, Miłosz é um dos pilares do verso polonês do século XX. Começou a publicar ainda no entre guerras, como membro da vanguarda catastrofista.</p>
<p style="text-align: justify">Foi apenas em 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial, que publicou sua coletânea ‘Ocalenie’ (Salvação; pronuncia-se ‘otsalénie’), na qual sofreu uma ‘virada classicizante’, assumindo seu compromisso com a representação da realidade e abandonando a arte da ruptura pura e simples. Essa realidade, porém, não deriva diretamente do mundo concreto, mas da memória.</p>
<p style="text-align: justify">Em <em>Não mais</em>, publicado na coleção Poetas do Mundo da editora da UNB, podem-se ver poemas de praticamente toda a trajetória de Miłosz, o que fornece a um leitor um panorama geral dessa e de outras problemáticas presentes em sua obra.<span id="more-16916"></span></p>
<p style="text-align: justify">Os poemas, presentes em polonês e na tradução de Henryk Siewierski e Marcelo Paiva de Souza, são, em geral, breves e construídos cuidadosamente, com enorme atenção aos detalhes. Muitas vezes pode-se imaginar com tranquilidade os lugares e cenas evocadas, como em ‘Do outro lado’:</p>
<blockquote><p>“Caindo agarrei-me aos trilhos<br />
e o seu veludo na mão foi a última coisa na Terra</p>
<p>quando deslizei berrando: aaa aah</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não conseguia acreditar que assim como os outros, eu.</p>
<p>Depois segui os trilhos</p>
<p>na rua esburacada. Barracos de madeira,</p>
<p>ou um prédio capenga num campo de ervas daninhas,</p>
<p>hortas de batata cercadas de arame farpado.</p>
<p>E jogavam quase-cartas e havia cheiro de quase-repolho</p>
<p>E quase-vodca, quase-sujeira e quase-tempo.</p>
<p>&#8230;“</p></blockquote>
<p style="text-align: justify">Outro aspecto que salta aos olhos é uma autoconsciência lancinante, que em momento algum abandona esse fazer poético, tão dependente da realidade quanto daquele a observa. Miłosz chega até mesmo ao meta-texto, inserindo reflexões acerca do poema dentro dele, como no final de ‘Anotado de manhã cedo: na Telegraph Avenue’:</p>
<blockquote><p>“&#8230;</p>
<p>Alguém vai se perguntar se isso é verso ou prosa e qual a intenção de Miłosz destinando o fortuito à publicação.</p>
<p>Eu no entanto gostaria enfim de estar além do verso e da prosa, da intenção e da justificação.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify">E, antes que eu me esqueça, vale destacar ainda o rico estudo introdutório feito pelos dois tradutores- nos qual dão a conhecer aspectos centrais da poética de Miłosz, relacionando-os com o mundo e a poesia que o rodeava.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Bosque da maldição (Miodrag Pávlovitch)</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 16:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[A Sérvia é um pais considerado ‘exótico’ e até ‘misterioso’ aqui no Brasil. A galeria de nomes sérvios que chega até nós é relativamente curta: o infame Slobodan Milosevic e, com sorte, Danilo Kis. Com sorte as pessoas se lembrem da Guerra dos Balcãs, nos anos 1990, ou de Kosovo. Sarajevo – que é na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/bosque.jpg"><img class="size-full wp-image-16776 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/bosque.jpg" alt="" width="133" height="200" /></a>A Sérvia é um pais considerado ‘exótico’ e até ‘misterioso’ aqui no Brasil. A galeria de nomes sérvios que chega até nós é relativamente curta: o infame Slobodan Milosevic e, com sorte, Danilo Kis. Com sorte as pessoas se lembrem da Guerra dos Balcãs, nos anos 1990, ou de Kosovo. Sarajevo – que é na Bósnia – pode ser uma alusão vaga ao país.</p>
<p style="text-align: justify">Ao menos no que tange a literatura, porém, a culpa certamente é da pequena quantidade de publicações. O já citado Danilo Kis, Milorad Pavic e Ivo Andric são quase a totalidade dos autores sérvios publicados por aqui.<span id="more-16775"></span></p>
<p style="text-align: justify">Existe, porém, uma coleção da editora da Universidade de Brasília, chamada Poetas do Mundo, na qual foram publicados alguns volumes curtos e bilíngues de poesia. Um destes, &#8220;Bosque da maldição&#8221;, possui poemas do sérvio Miodrag Pávlovitch – além de um excelente estudo introdutório pelo tradutor, Aleksandar Jovanovic.</p>
<p style="text-align: justify">Pavlovich é um dos mais importantes poetas sérvios do século XX. Conjuga influências diversas sem, no entanto, copiá-las. Ao mesmo tempo em que dialoga com uma rica tradição poética – especialmente sérvia, mas eslava de modo geral – ele consegue ser original.</p>
<p style="text-align: justify">Sua poesia é relativamente leve e musical, mas é sombria. Seu pessimismo é marcante e, ao lê-lo, a catástrofe parece iminente.  Utilizando de versos livres e, por vezes, descartando a rima, Pávlovitch utiliza a sátira ao mesmo tempo em que fala de tragédias – pessoais ou históricas – e faz todo o turbilhão balcânico parecer meramente inevitável. E, no entanto, seu poemas ainda tem força universal.</p>
<p style="text-align: justify">Vale mencionar ainda a qualidade da tradução de Jovanovic. Se o português e o sérvio são idiomas bastante distantes, muito pouco se perdeu na passagem dos poemas de uma língua a outra. O ritmo e a escolha de palavras manteve-se bastante adequado, oferecendo uma boa mostra do que é Pávlovitch.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Paranóia (Roberto Piva)</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 16:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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		<category><![CDATA[Roberto Piva]]></category>

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		<description><![CDATA[A alcunha de ‘poeta maldito’ é bastante brega. Serve designar aqueles que são eleitos – seja pelo público leitor (ou não) , seja pela crítica especializada (ou não) – como os bad boys da literatura em versos. Frequentemente escrevem poesias pessimistas, violentas, eróticas, transgressoras. Todo adolescente que se preze, em algum momento, sentiu-se um poeta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Captura-de-tela-2011-12-17-%C3%A0s-13.32.32.png"><img class="size-medium wp-image-16661 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Captura-de-tela-2011-12-17-%C3%A0s-13.32.32-300x208.png" alt="" width="300" height="208" /></a>A alcunha de ‘poeta maldito’ é bastante brega. Serve designar aqueles que são eleitos – seja pelo público leitor (ou não) , seja pela crítica especializada (ou não) – como os <em>bad boys </em>da literatura em versos. Frequentemente escrevem poesias pessimistas, violentas, eróticas, transgressoras. Todo adolescente que se preze, em algum momento, sentiu-se um poeta maldito.</p>
<p style="text-align: justify">Claro que isso não quer dizer necessariamente que eles sejam ruins. Os que são bons, aliás, geralmente são donos de obras bastante maduras, quando se é capaz de enxergar através da cortina de fumaça das paixões e cagadas adolescentes. Roberto Piva é, talvez, um dos melhores exemplos disso na poesia brasileira.<span id="more-16660"></span></p>
<p style="text-align: justify">Nascido em 1937 e falecido em 2010, publicou seu primeiro livro, <em>Paranóia</em>, em 1963. Já nessa obra mostra as características que marcaram sua produção posterior – e que lhe valeram a famigerada etiqueta.</p>
<p style="text-align: justify">O foco é a cidade de São Paulo, visitada a partir de uma poética que lembra bastante a estética <em>beat</em>: drogas, influências surrealistas e subversão se combinam. Junta-se a isso um homoerotismo denso, e referencias literárias e religiosas em profusão. O resultado é algo, ao mesmo tempo, bizarro e poético – casando com várias concepções modernas de beleza, de Baudelaire a Breton.</p>
<p style="text-align: justify">Os versos longos e verborrágicos, assim como um sentimento um tanto apocalíptico, remetem, quase que inevitavelmente, a Ginsberg – que parece ser uma influência bastante poderosa, aliás, para Piva. Existem, no entanto, algumas diferenças fundamentais.</p>
<p style="text-align: justify">A principal, talvez, é que Ginsberg era um nômade, e Piva nunca ia muito longe de São Paulo. Isso pode ser visto pela forma com que as paisagens da cidade dominam os versos, sendo que praças e ruas são retratadas de modo ao mesmo tempo depreciativo e carinhoso – coisa que apenas alguém profundamente ligado ao lugar poderia fazer.</p>
<p style="text-align: justify">Piva era um poeta profundamente transgressor, mas não desprezava a tradição que tinha atrás de si, o que torna sua obra especialmente rica. Em <em>Paranóia</em> ele ainda estava começando e obviamente não atingira todo seu potencial. Também ainda não existiam suas volumosas referências xamãnicas. Mesmo assim, <em>Paranóia</em> já é um livro marcante, com trechos certamente ‘inesquecíveis’, seja por sua estranheza, seja pelas tessituras poéticas complexas que lhe são peculiares – vide o o poema ‘A piedade’:</p>
<blockquote><p>&nbsp;</p>
<p>Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento</p>
<p>abatido na extrema paliçada</p>
<p>os professores falavam da vontade de dominar e da</p>
<p>luta pela vida</p>
<p>as senhoras católicas são piedosas</p>
<p>os comunistas são piedosos</p>
<p>os comerciantes são piedosos</p>
<p>só eu não sou piedoso</p>
<p>se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria</p>
<p>aos sábados à noite</p>
<p>eu seria um bom filho meus colegas me chamariam</p>
<p>cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio</p>
<p>bóia? por que prego afunda?</p>
<p>eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as</p>
<p>estátuas de fortes dentaduras</p>
<p>iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos</p>
<p>pederastas ou barbudos</p>
<p>eu me universalizaria no senso comum e eles diriam</p>
<p>que tenho todas as virtudes</p>
<p>eu não sou piedoso</p>
<p>eu nunca poderei ser piedoso</p>
<p>meus olhos retinem e tingem-se de verde</p>
<p>Os arranha-céus de carniça se decompõem nos</p>
<p>pavimentosos adolescentes nas escolas bufam como cadelas</p>
<p>asfixiadas</p>
<p>arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através</p>
<p>dos meus sonhos</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Caveira 41 (Age de Carvalho)</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 16:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel F.</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Caveira-41-gde.gif"><img class="size-full wp-image-16106 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Caveira-41-gde.gif" alt="" width="150" height="243" /></a>Com certeza, Age de Carvalho, nascido em 1958, em Belém (PA), não é dos poetas brasileiros mais conhecidos pelo grande público, ainda que tenha obras publicadas desde 1980. Também não há grandes chances de encontrá-lo em eventos literários, já que ele foi morar na Europa há cerca de 30 anos. Além disso, ele não é dos mais aclamados pela crítica, bem pelo contrário, parece haver alguns muito revoltados com o caráter de sua produção poética. Então por que haveria motivos para lê-lo? A principal razão talvez seja justamente o fato de ele ter causado rejeição da parte de muitos.</p>
<p>Recentemente, Age teve dois livros publicados na coleção Ás de Colete, publicada pela Cosac Naify em associação com a 7 Letras: <em>Caveira 41 </em>(2003) e <em>Trans </em>(2011). Essa coleção, coordenada pelo também poeta Carlito Azevedo, já rendeu muita discussão para críticos atuais, que consideram boa parte dos textos como representativos de uma certa tendência poética do país (“limitada” e “afetada”, segundo o crítico Ronald Augusto). <em>Caveira 41</em>, livro do qual trato aqui, parece ser uma boa opção para começar a ler a poesia de Age, porém acredito que para se ver imerso no mundo de Age uma leitura progressiva de toda a sua produção seria necessária. Ainda assim, nesse livro temos como que uma síntese das temáticas mais recorrentes desse poeta, dentre elas a família, a morte, a negatividade e o concreto. Claro que a sua literatura não se resume a só isso, mas acredito que quase todos os seus poemas estão permeados desses elementos. Uma leitura comparativa entre Age e os outros integrantes da Ás de Colete também seria pertinente, porém não é o nosso enfoque aqui.<span id="more-16105"></span></p>
<p>A poesia de Age de Carvalho aparece de início como escrita por Paul Celan (ou ainda Georg Trakl), composta de versos cuja forma é sempre a atração principal pelo seu caráter metapoético forte. Por isso, Age também pode ser visto como herdeiro do Concretismo (“A cantar: a trans- / ferida faca n’água / a nos abençoar / de mão em mão”), levando-nos a jogos como “trans-ferida”, palavra separada pela quebra de verso, origem de outras duas &#8211; sendo “trans”, assim como no livro <em>Trans</em>, referente ao vocábulo latino idêntico, que nos remete a “passagem”, “através”. Acredito que a sua poesia se mostra realmente distinta desses referenciais citados por querer se fechar em si mesma e eliminar os seus vínculos com o mundo para além dela, retomando constantemente os mesmos fragmentos (pedra, árvore, pai, filho, Deus e outros) para construir novos significados.</p>
<p>Aqui a afirmação de Roland Barthes de que “o livro é um mundo” é certamente verdadeira, porque temos de ir e voltar no livro a todo o momento com a vontade de apreender cada detalhe de cada verso para construir significados próprios na sua leitura. Inevitável procurar entender o que é “árvore” ou “pedra” em <em>Caveira 41</em>, desligando-nos do que conhecemos como uma árvore ou ainda do que a árvore pode representar na poesia moderna. O livro, separado em partes não nomeadas, nos oferece diversas visões sobre esse mundo novo que cria através da ruptura com a realidade, indo para além do <em>nonsense</em> em busca de um novo sentido (um novo “<em>sense</em>”).</p>
<p>Por essa ligeira apresentação da obra, espero incentivá-los a ler esse livro e toda a obra de Age de Carvalho, certamente muito interessante. Diante desses poemas, acredito que a idéia é procurar juntar os pedacinhos, os fragmentos do quebra-cabeça para tentar juntá-los a fim de construir algo relevante como leitura para cada um.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Caveira 41</strong></p>
<p>de Age de Carvalho</p>
<p>110 páginas</p>
<p>R$ 34,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Cosac Naify</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://editora.cosacnaify.com.br/Default/1/Default.aspx"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/cosaclogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Anna Akhmatova</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 16:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
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		<description><![CDATA[A Rússia foi um dos países que teve um modernismo tardio: ao contrário dos centros culturais, que consistiam da França, Inglaterra, Áustria e Alemanha, a grosso modo países como a Rússia, Polônia e Itália só foram ‘despertar’ para a arte moderna no final do século XIX, ou ainda no começo do século XX. Quando o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/1.jpg"><img class="size-medium wp-image-15464 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/1-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></a>A Rússia foi um dos países que teve um modernismo tardio: ao contrário dos centros culturais, que consistiam da França, Inglaterra, Áustria e Alemanha, a grosso modo países como a Rússia, Polônia e Itália só foram ‘despertar’ para a arte moderna no final do século XIX, ou ainda no começo do século XX. Quando o fizeram, porém, passaram por uma espécie de movimento compensatório, com ideias e movimentos muito mais radicais em seu desprezo pela tradição e proposição da estética do novo, vide o futurismo italiano.</p>
<p style="text-align: justify">Entre o mar de artistas, poetas e dramaturgos com ímpetos revolucionários, alguns poucos se destacaram. Os que o fizeram, notadamente, foram aqueles que não se associaram a grupos (pelo menos não por muito tempo) ou que não se comprometeram com ideais estéticos fechados. Witkacy, com seu estilo ímpar, que conjugava um pouco de dadaísmo, um pouco de expressionismo, um pouco de futurismo e muito de coisa nenhuma, é considerado até hoje um dos maiores escritores de língua polonesa, bem como Bruno Schulz e Witold Gombrowicz.</p>
<p style="text-align: justify">De maneira semelhante, na Rússia uma das figuras literárias de maior destaque foi Anna Andreyevna Gorenko – que, a pedido do pai, publicou sob o pseudônimo de Anna Akhmatova. A adoção do nome Akhmatova, por si só, já é simbólica: o nome é uma russificação do sobrenome da avó de Anna, teoricamente descendente de Genghis Khan. Vale lembrar que, nos últimos dias do Império Russo – época em que ela começou a escrever- tal herança seria vista mais com desconfiança do que com interesse.<span id="more-15463"></span></p>
<p style="text-align: justify">Logo, porém, sobreveio a Revolução de Outubro, e Akhmatova tornou-se <em>persona non-grata</em>: sua família tinha ligações com a nobreza de outrora, seu primeiro marido foi executado por ser considerado um inimigo da revolução, e as formas e temas que ela utilizava em seus poemas eram considerados subversivos. Tudo isso lhe valeu uma vida de sofrimento e perseguições, uma luta infindável contra o um sexto da superfície terrestre pelo qual Akhmatova estava cercada.</p>
<p style="text-align: justify">A despeito disso e de todos os poemas que foram perdidos devido às perseguições, pode-se considerar que Akhmatova venceu o regime. Ela viveu de modo humilde, tinha dificuldades para publicar, teve de fazer muitas concessões para tentar salvar seu filho, que passou 18 anos em um <em>gulag</em>. Seu nome, porém, está inscrito no cânon da poesia russa e, porque não, universal.</p>
<p style="text-align: justify">E essa inscrição é plenamente justificada. Akhmatova conseguiu, em um tempo de ruptura, dialogar com as formas e mesmo com temas clássicos sem soar anacrônica.  Sua poesia tinha uma profundidade que, como Joseph Brodsky cita, ‘era inexplicável’ e ‘só pode ser atribuía à voz com que Akhmatova nasceu’.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Links e Notícias da Semana #60</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 16:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/feiradolivro.jpg"><img class="size-medium wp-image-15310 aligncenter" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/feiradolivro-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Porto-alegrenses de plantão: é hoje que começa a <a href="http://www.feiradolivro-poa.com.br">57ª Feira do Livro</a> da cidade, e a ocupação da Praça da Alfândega por livreiros e leitores vai até 15 de novembro! E o <a href="http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/10/museu-da-lingua-portuguesa-mostra-exposicao-sobre-oswald-de-andrade.html" target="_blank">Museu da Língua Portuguesa</a> mostra exposição sobre Oswald de Andrade. A Escritora brasileira <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/996367-escritora-brasileira-andrea-del-fuego-vence-premio-saramago.shtml" target="_blank">Andrea del Fuego</a> venceu Prêmio Saramago com o livro &#8220;Os Malaquias&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://minhavida.uol.com.br/conteudo/14103-desvende-os-mitos-da-leitura-e-mantenha-a-visao-saudavel.htm" target="_blank">Ler no ônibus ou no computador</a> não necessariamente prejudica a visão. <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/ensino/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1184502&amp;tit=Melhores-alunos-leem-por-prazer" target="_blank">Estudo mostra</a> que leitura sem obrigação é pré-condição para se tornar leitor efetivo. O <a href="http://www.letrasecia.com.br/blog/?p=1078" target="_blank">Blog das Letras </a>aponta oito motivos que fazem a leitura do manuscrito original de <em>On the Road</em> valer a pena.</p>
<p style="text-align: justify;">O Meia Palavra teve na última semana um pequeno probleminha com o RSS. Então, se você costuma acompanhar os posts pelo Reader ou outros, provavelmente não vai estar vendo esses links porque o RSS antigo não está mais funcionando. Rá! Mas se por um acaso você ver isso, por favor, refaça sua inscrição por <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/feed/rss/">esse link aqui</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">No blog <a href="http://www.eupensosozinho.com.br/2011/10/bartleby-o-escriturario-uma-historia-de.html" target="_blank">Eu penso sozinho</a>, Fabricio M. Alves teceu comentários sobre o enigmático <em>Bartleby, o Escriturário</em>, do escritor Herman Melville. No seu blog, <a href="http://armonte.wordpress.com/2011/10/22/um-poema-de-wislawa-szymborska-para-cada-dia-da-semana/" target="_blank">Alfredo Monte</a> publicou e comentou poemas da polonesa Wislawa Szymborska. Aliás, o trabalho da poeta chega ao Brasil graças ao esforço da tradutora curitibana <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1184059&amp;tit=Alguns-gostam-de-poesia" target="_blank">Regina Przybycien</a>.</p>
<p>No <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2011/10/21/o-mundo-dos-quadrinhos/?topo=77,1,1" target="_blank">Mundo Livro</a>, Carlos André Moreira comentou a velha (porém ainda pujantemente acesa) polêmica que ronda os quadrinhos. No blog da <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/outra-babel/2011/10/18/a-pagina-assombrada-por-fantasmas-de-antonio-xerxenesky/" target="_blank">Bravo!</a>, Vinícius Jatobá comentou o mais recente livro de Antônio Xerxenesky, <em>A página assombrada por fantasmas</em>. No <a href="http://mundodek.blogspot.com/2011/10/granta-vol-4-ambicao.html" target="_blank">Mundo de K</a>, Kovacs resenhou o volume 4 da Revista Granta: Ambição.</p>
<p>No <a href="http://mundofantasmo.blogspot.com/2011/10/2694-o-papel-do-critico-22102011.html" target="_blank">Mundo Fantasmo</a>, Braulio Tavares escreveu sobre o papel do crítico. No site da <a href="http://revistacult.uol.com.br/home/2011/10/o-antropologo/" target="_blank">Revista Cult</a>, o professor da USP José Guilherme Magnani respondeu algumas perguntas a respeito da herança do antropólogo Levi-Strauss. No site do <a href="http://rascunho.gazetadopovo.com.br/a-critica-literaria-existe/">Jornal Rascunho</a>, José Castello questiona a existência da &#8220;crítica literária&#8221;. Na página cultural, a terceira parte do artigo <a title="a maldição da leitura" href="http://paginacultural.com.br/autores/a-maldicao-da-leitura-parte-3/" target="_blank">A maldição da leitura</a> de Homero Gomes.</p>
<p style="text-align: justify;">Coisas legais por aí. NÃO ENTRE EM PÂNICO: o <a href="http://naoentreempanico.com.br/index.php?title=P%C3%A1gina_principal" target="_blank">Guia do Mochileiro das Galáxias online.</a> Uma edição de <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/blog/diadeclassico/?id=1184232&amp;tit=shakespeare-e-leiloado-por-quase-r$-1-milhao" target="_blank">Shakespeare</a> é leiloada por quase R$ 1 milhão. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/997494-segredo-de-manuscrito-alemao-do-seculo-18-e-decifrado.shtml" target="_blank">Decifraram um manuscrito</a> alemão muy secreto do século XVIII. No <a href="http://www.cineplayers.com/artigo.php?id=129" target="_blank">CinePlayers, </a>Rodrigo Cunha elegeu os 7 robôs mais legais do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">A editora <a href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=280481921982464&amp;set=a.239560169407973.65756.236716476359009&amp;type=1&amp;theater" target="_blank">Dublinense</a>, para comemorar seu aniversário de 2 anos, disponibilizou 13 livros de seu catálogo em e-book (e bem baratinho). Por falar em aniversário, a <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/10/25-anos-de-respeito-a-inteligencia-do-leitor/">Companhia das Letras</a> completou ontem 25 anos, e quem participou de seu nascimento relembrou a festa de inauguração.</p>
<p style="text-align: justify;">Dia 4/11, próxima sexta-feira, tem lançamento da revista Café Espacial n#10, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, à partir das 19h. Na terça-feira, dia 1, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, tem o lançamento da revista <a href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=131738413596341&amp;set=a.121327337970782.13585.100002805482361&amp;type=1&amp;theater">VOX</a>, do Instituto Estadual do Livro, editada pelo Tailor Diniz. E no mesmo dia, às 19h30, tem lançamento de &#8220;Jerusalém&#8221;, segundo livro da série Expedições Urbanas de Airton Ortiz, na Praça de Autógrafos.</p>
<p><strong>Posts do Meia Palavra mais lidos no mês de outubro: </strong></p>
<p>1. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/03/bolao-do-nobel/">Bolão do Nobel</a><br />
2. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/07/amrik-ana-miranda/">Amrik</a> (Ana Miranda)<br />
3. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/02/24/autopsicografia-uma-analise/">Autopsicografia &#8211; uma análise</a><br />
4. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/08/27/a-polemica-sobre-a-guerra-dos-tronos-no-brasil/">A polêmica sobre A Guerra dos Tronos no Brasil</a><br />
5. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/06/hitler-ian-kershaw/">Hitler</a> (Ian Kershaw)<br />
6. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/10/31/meia-palavra-indica-livros-para-o-halloween/">Meia Palavra Indica: Livros para o Halloween</a><br />
7. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/07/poemas-de-tomas-transtromer/">Poemas de Tomas Tranströmer</a><br />
8. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/12/meia-palavra-indica-livros-que-marcaram-nossa-infancia/">Meia Palavra Indica: Livros que marcaram nossa infância</a><br />
9. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/26/calvin-e-haroldo-bill-watterson/">Calvin e Haroldo</a> (Bill Watterson)<br />
10. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/02/04/entendendo-a-operacao-valquiria/">Entendendo a Operação Valquíria</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Lançamentos da Companhia das Letras: </strong></p>
<p>Em casa, de Bill Bryson (Tradução de Isa Mara Lando)</p>
<p>Da arte das armadilhas, de Ana Martins Marques</p>
<p>Os ásperos tempos (Os subterrâneos da liberdade, vol. 1), de Jorge Amado</p>
<p>Tio Tungstênio, de Oliver Sacks (Tradução de Laura Teixeira Motta)</p>
<p>Passaporte para a China, de Lygia Fagundes Telles</p>
<p>Asterios Polyp, de David Mazzucchelli (Tradução de Daniel Pellizzari)</p>
<p>Pelas cores da Índia, de Laurence Quentin (Ilustrações por Catherine Reisser; Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)</p>
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		<title>Folhas de relva, edição do leito de morte (Walt Whitman)</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 19:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Hedra]]></category>
		<category><![CDATA[Folhas de relva]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Norte-Americana]]></category>
		<category><![CDATA[Walt Whitman]]></category>

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		<description><![CDATA[Existem livros que poderiam preencher uma página de superlativos no lugar de uma resenha, opiniões ou comentários. Folhas de relva, edição do leito de morte lançado pela editora Hedra certamente é um deles. Walt Whitman foi a voz de uma geração que assumia a sua identidade como uma sociedade unida. Ao todo, existem sete edições [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/hedra.jpg"><img class="size-full wp-image-15205 alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/hedra.jpg" alt="" width="138" height="220" /></a>Existem livros que poderiam preencher uma página de superlativos no lugar de uma resenha, opiniões ou comentários. <em>Folhas de relva, edição do leito de morte</em> lançado pela editora <em>Hedra </em>certamente é um deles. <em>Walt Whitman</em> foi a voz de uma geração que assumia a sua identidade como uma sociedade unida.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao todo, existem sete edições de Folhas de relva que correspondem ao período de 1855 a 1892 (essa é a única edição autorizada pelo autor). De início, foi ignorado pela crítica de seu tempo devido à sua forma livre de poesia e aos temas polêmicos sobre os quais escrevia, e a cada edição expunha sem dogmas a religiosidade, política e sexualidade de seu povo.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-15204"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A edição do leito de morte, na verdade, marca uma vida de produção poética ininterrupta, condensando 40 anos de poemas em uma única edição. Trabalhando por gerações, de uma forma única, foi na sua obra que a poesia se revolucionou. Em cada linha o leitor se depara com poemas que nos falam de vida e linguagem, inspirando diversos autores ao longo dos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, a linguagem original de Whitman faz de Folhas de relva um dos livros mais importantes e poderosos da história da poesia norte-americana e mundial. Enquanto os Estados Unidos se assumia como uma unidade, o autor mostrava em seus poemas as estruturas sociais complexas nas quais as bases da nação estavam surgindo. Os poemas, quando bem escritos, têm a capacidade de sobreviver por eras e ganhar a eternidade. O que Withman escreve aqui é denso e intenso, porém afetuoso. Repletos de drama, mas conciliadores de suas contradições e aflições, abrangendo em um único livro o simples e o complicado.</p>
<p style="text-align: justify;">O que torna o livro tão difícil de ler, é que ele não possui uma forma linear e que o autor não seguiu qualquer padrão poético da época, o que o torna também grandioso. Não à toa, o livro é considerado a Bíblia da democracia norte-americana, pois nada mais é do que uma reinterpretação das idéias e ideais da Revolução Francesa. Por seu caráter muitas vezes nacionalista, o autor por meio de seus poemas busca tocar o povo, em nome de uma grandeza humana (levando-o a criticar publicamente a escravidão) e se mostrando através de suas linhas é que compreendemos a sua dimensão de mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro como um todo, é um marco para a literatura, poesia e democracias mundiais, ao invés de continuar essa resenha superlativa, transcrevo aqui as próprias palavras do autor:</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Para ti Ó Democracia!</p>
<p>Vem! Farei este continente indissolúvel,</p>
<p>Farei a mais esplêndida raça sobre a qual este sol jamais raiou,</p>
<p>Farei divinas terras magnéticas,</p>
<p>Com o amor dos camaradas,</p>
<p>Com o amor de uma vida inteira dos camaradas</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Plantarei o companheirismo robusto como as árvores que crescem ao longo de todos</p>
<p>os rios da América e ao longo das margens dos grandes lagos e ao longo das</p>
<p>pradarias,</p>
<p>Farei inseparáveis as cidades, com seus braços por sobre os ombros umas das outras.</p>
<p>Pelo amor dos camaradas</p>
<p>Pelo masculino amor dos camaradas.</p>
<p>A você dedico estas folhas que vem de mim, Ó Democracia, para servi-la <em>ma femme</em>!</p>
<p>É para você, é para você que hoje gorjeio estas canções.<em> </em></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Folhas de Relva, edição do leito de morte<br />
Walt Whitman<br />
Tradução de: Bruno Gambarotto<br />
Páginas: 446<br />
Sugestão de Preço: R$ 65,00</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Hedra</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.hedra.com.br/home/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Editora Hedra" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/hedra1.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
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		<title>Poesia (Jorge Luis Borges)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/21/poesia-jorge-luis-borges/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 19:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Luis Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Latino-americana]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Argentina]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez o maior problema desta grande reunião da Poesia do escritor argentino Jorge Luis Borges seja a dificuldade que temos em seguir em frente. Para usar uma figura que o autor gostava muito, é como a corrida de Aquiles e a Tartaruga – há sempre uma distância infinita entre um poema e outro, entre uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/borgespoesia.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-15137" style="margin: 5px;border: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/borgespoesia.jpg" alt="" width="200" height="299" /></a>Talvez o maior problema desta grande reunião da <em>Poesia</em> do escritor argentino Jorge Luis Borges seja a dificuldade que temos em seguir em frente. Para usar uma figura que o autor gostava muito, é como a corrida de Aquiles e a Tartaruga – há sempre uma distância infinita entre um poema e outro, entre uma estrofe e outra. Seus temas, como ele próprio sempre anuncia a cada prefácio de cada um dos livros coligidos aqui, são sempre os mesmos, já que existe apenas uma meia dúzia disponível em toda a história da literatura ocidental – o que variam são os modos de apresentação. A cegueira, a cidade de Buenos Aires, os <em>gauchos</em>, os livros, os antepassados da família Borges, os tigres e os labirintos povoam aqui, como nos contos de <em>Ficções</em> e <em>Aleph</em>, estrofes variadas, passando desde o desafio do verso livre, até formas mais convencionais, até chegar a algumas tentativas de apropriação de suportes orientais, como o tanka, os dísticos do <em>Rubaiyat</em> ou ainda os haikais, ou mesmo algumas formas mais populares, como a milonga.<span id="more-15135"></span><br />
Mas aqui o argumento fantástico, a quebra que parece ferir toda nossa lógica baseada em certos costumes verbais e textuais (a marca maior de Borges), dá lugar a belas imagens ou modos de reconstruir termos comuns, como, por exemplo, “noite” e “dia”, e trocando-lhes por “segundo crepúsculo” e “primeiro crepúsculo”, deslocando todo o paradigma comum de contagem do nosso tempo: nunca há um começo, há apenas fins de tempo. O título de um poema assim não poderia ser outro, se não “Heráclito”. Chamar a morte de um “hábito do homem” é diminuir-lhe a importância, e fazer ecos ao seu mestre que sempre foi fiel, o escritor Macedônio Fernández, que sempre dizia que as pessoas deixariam de morrer quando parecem agir como se isso de fato fosse acontecer inevitavelmente.</p>
<p style="text-align: justify">E assim como cada palavra para Borges sempre carrega uma história, as histórias, a história dos livros, carregam a de todos os homens. E é isso que lemos nos diversos poemas em homenagem ao autor de Ulisses, como nessa “Invocação a Joyce”: “Dispersos em dispersas capitais,/ solitário e muitos,/ brincávamos de ser o primeiro Adão/ que nomeou as coisas [...]”. Ou ainda, a Keats, cujos poemas rememoram a voz de seu pai. Ou Sherlock Holmes. Ou John Milton, que também perdeu a visão. Ou Walt Whitman, a quem por vezes censura, mas sempre coloca como horizonte de seus escritos. Ou desses poetas sem nomes que são o forasteiro, o viajante, o gaucho, o tocador de tango, etc. Ou esses homens do tempo que são os islandeses, os saxões, os gregos, os romanos, os argentinos.</p>
<p style="text-align: justify">Talvez seja difícil sairmos de um primeiro verso, de um primeiro poema, de um primeiro livro de poesia de Borges, mas não há problemas – todos são conjurações, todos são repetições. Talvez, e por mero acaso, os mais bem acabados, quando fala da cegueira que o ronda, da impossibilidade de ler os livros que o cercam, sejam aqueles que estão em <em>O ouro dos tigres</em>. Do mesmo jeito (arbitrariamente), os mais espirituais estejam em <em>Elogio da sombra</em>. Os mais filosóficos, em <em>História da Noite</em>. E os mais bondosos (essa é uma qualidade rara num autor e mais rara ainda que a valorize tão explicitamente), em <em>Os Conjurados</em>. Mas tudo isso é pura causalidade.</p>
<p style="text-align: justify">Ainda em tempo: essa nova tradução da Companhia das Letras reúne os livros da fase “madura” do autor, que vão de 1969 (<em>Elogio da Sombra</em>) até o seu último de 1985 (<em>Os Conjurados</em>). Ele vem complementar outra reunião, <em>Primeiros Poemas</em>, e com ele completam sua obra poética integral, em edições bilíngues.</p>
<p style="text-align: justify">Título: Poesia</p>
<p style="text-align: justify">Autor: Jorge Luis Borges</p>
<p style="text-align: justify">Tradução: Josely Vianna Baptista</p>
<p style="text-align: justify">645 páginas</p>
<p style="text-align: justify">Preço: 73 reais</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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