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	<title>Meia Palavra&#187; Música</title>
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		<title>10 Perguntas e Meia para DW Ribatski</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 16:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[DW Ribatski ou DW RBTZK, também é conhecido como Darlan Willian Ribaski. Nasceu em Curitiba no ano de 1982 e mora atualmente em São Paulo. Darlan é músico, produtor, educador, ilustrador, publicitário, designer e cartunista. Com esse currículo invejável ele intitula-se um Artista Plástico, afinal, como ele mesmo diz: &#8220;meu maior interesse na vida é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-15508" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI-300x292.jpg" alt="" width="300" height="292" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI.jpg"><br />
</a>DW Ribatski ou DW RBTZK, também é conhecido como Darlan Willian Ribaski. Nasceu em Curitiba no ano de 1982 e mora atualmente em São Paulo. Darlan é músico, produtor, educador, ilustrador, publicitário, designer e cartunista. Com esse currículo invejável ele intitula-se um Artista Plástico, afinal, como ele mesmo diz: &#8220;meu maior interesse na vida é arte, seguido viagens, garotas e a vontade de colaborar com o mundo de alguma forma&#8221;. E é com esse jeito descontraído que o artista e quadrinista DW Ribatski nos cedeu uma entrevista leve, sincera e interessantíssima.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-15504"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Como foi seu primeiro contato com os quadrinhos? Quando você decidiu, ou descobriu, que seria quadrinista?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Meus primeiros contatos foram porque meus pais me davam muitos quadrinhos. Meu pai tinha uma espécie de prazer em me dá-los, mesmo ele não lendo, um mistério pra mim até hoje. Minha mãe gostava de mudar as histórias, lia pra mim a versão dela de livros e quadrinhos. Eu fazia quadrinhos desde antes de saber ler, primeiro tirinhas e aos 7 anos fiz meu primeiro &#8220;gibi&#8221;. Tenho boa parte desse material até hoje.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. Qual a importância dos fanzines na sua carreira?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Muito grande. Eu passava tardes e tardes desenhando quadrinhos no meu quarto, em formato de revistinha, mas sempre cópias únicas. Até que um amigo do colégio um dia trouxe uma fotocópia de uns quadrinhos que ele tinha feito e eu quis muito fazer igual. Daí comecei a xerocar os meus e tentar vender pros amigos. Mais tarde conheci algumas pessoas que também gostavam da brincadeira de editar e fiz pelo menos 100 fanzines diferentes. Eu não era muito dessa turma que enviava pelo correio, tinha preguiça, mas costumava (tentar) vender em bares. Fiz fanzines compulsivamente junto a amigos que frequentavam a Gibiteca de Curitiba (ainda tem muitos zines meus lá) e fiquei super inspirado ao ver que as primeiras publicações do Adrian Tomine eram super bem cuidadas. Acho que adquiri esse desejo, de sempre tentar ir além da expectativa (da minha principalmente). O Guilherme Caldas, com quem trabalhei um tempo também tinha fanzines muito legais, inspiradores.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. O que acha da mistura da linguagem da HQ com a do teatro, como Paulo Biscaia costuma fazer em suas peças, como Morgue Story?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Acho bacana. Acho que em algum caso poderia ser uma idéia péssima. Muita gente curte meter o bico em coisas que não conhece e sai aquela coisa boba, pra público de novela. Tenho muita preguiça. Não é o caso do Paulo. Saquei desde sempre nossas afinidades por uma área, na qual ele é expert, que é aquela onde a coisa pop encontra algo mais profundo, mas sem deixar de lado o cinismo, não exclusivo, mas típico do séc. XX pra cá. Acho importante.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Quais são suas maiores influências dos quadrinhos? E de outras expressões de arte?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Quadrinhos atualmente eu diria, acredite ou não, não estou puxando o saco, são alguns amigos como Rafa Coutinho, Diego Gerlach, Gabriel Góes, André Ducci, Allan Ledo, Rafael Silveira, José Aguiar, Guilherme Caldas, ElCerdo, Mateus Aciolli, Laura Teixeira, Kitagawa, DSalete, os gêmeos Moon e Bá (achava eles &#8220;médio&#8221; até ler o Daytripper, que achei uma obra prima, desculpem aí moleques, caso leiam, mas é a verdade, rs) e tantos outros que vou começar a lembrar tão logo envie este e-mail. Bem, tem os mestres também, que acabaram se tornando amigos, pra minha honra total, Zimbres, Jaca, Mutarelli, Laerte. Sempre fui bem ligado em &#8220;ídolos locais&#8221; e, no meio desse fascínio demorei pra perceber que eles são muito menos reconhecidos do que eu achava (Muta ficou mais famoso por causa dos livros, claro). É como se todo mundo fosse cego, não percebendo que tem alguns dos maiores gênios da história do Brasil vivos e produzindo (vou citar o Zimbres e Jaca aqui como exemplo), heheh, será que foi nisso que o Saramago pensou? (&#8230;) Eu diria que minhas maiores influências de fora do Brasil são o Muñoz, o Schultz, o Crumb, o Pettibon, o pessoal da Fantagraphics e Drawn and Quaterly, o pessoal da Krammers Ergott. Na literatura curto muito a Lispector, o Kafka, o Cortázar, o Joseph Campbell, os Beatniks. Cinema e música, putz, muita coisa, deixa pra lá, haha.</p>
<div id="attachment_15553" class="wp-caption alignright" style="width: 222px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DW.jpg" target="_blank"><img class="size-medium wp-image-15553" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DW-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem da nova HQ autobiográfica (Clique para aumentar)</p></div>
<p style="text-align: justify"><strong>5. Você atua na música, quadrinhos, design e animação. Qual dessas produções artítisticas é a mais prazerosa? E por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, acho que todas em seu momento. Tive um momento forte ligado a quadrinhos que achei que tinha desaparecido. Fiquei anos só pensando em música e agora, sei lá, 6 anos depois, os quadrinhos voltaram à minha mente. Acho que um pouco porque o mundo da música é muito disputado, e na minha opinião, rola muita briga, rixa&#8230; Me parece que os quadrinhos por serem uma coisa um pouco mais nova, ainda não deu tempo de aparecer essas coisas, é todo mundo muito amigo e admirador do trabalho um do outro. Não sei muito de quadrinistas que se odeiam, etc. Até eu que não leio super heróis sou amigo do Marcelo Campos e também não sendo muito fã de tiras admiro muito algumas pessoas específicas (citando a nova geração, o Lafayette, por ex). O que eu não suporto, confesso, são cartuns e caricaturas. Nada contra as pessoas e desculpe se sou um canalha, mas não gosto, pronto.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. Além das artes, você ministra cursos sobre quadrinhos. Como é o seu trabalho como educador?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, entrei na faculdade de artes e no primeiro dia de aula um professor falou: &#8220;vocês sabem que estão num curso de licenciatura, né?&#8221;, todo mundo concordou e eu fiquei pensando: &#8220;o que é &#8216;licenciatura&#8217; mesmo?&#8221;<br />
rs. Mas depois isso meio que acabou virando uma missão pra mim. Até porque trabalhei bastante em comunidades carentes e quando não são a nuvem de gafanhotos do apocalipse, os jovens são muito empolgados e dedicados. Isso me fez descobrir algo que eu não conhecia em mim. Prazer em repassar algo que eu &#8220;saiba&#8221;. Essas aspas estão aí, clichê ou não, porque aprendo muito muito mesmo ao ensinar. Sobre o meu trabalho e sobre formas de abrir as possibilidades dele. As pessoas olham pras coisas de jeitos muito diferentes e isso é muito legal. Fico imaginando que quem tem &#8220;crise de criatividade&#8221; não se abre pra essas trocas. Hoje em dia não trabalho mais nesses projetos sociais, por mais que gostaria de ter tempo um dia pra isso de novo. Mas esse outro lado de iniciar as pessoas no mundo dos quadrinhos autorais é algo que pra mim tem também um efeito social, por mais que de outro modo, e ao mesmo tempo ajuda minha área profissional artística a crescer: disseminar pensamento crítico e boas referências.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Você está produzindo junto com o escritor Emilio Fraia a graphic novel “Campo em Branco”, que será publicada pela Companhia das Letras. Como é a composição de um trabalho que une a literatura aos quadrinhos? O Emilio escreve o texto e te passa para fazer as imagens, ou o trabalho funciona melhor se feito em conjunto?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, este trabalho já teve várias fases. Tivemos que aprender qual o melhor processo, e a cada semestre, digamos, ele se modifica naturalmente. O mais importante foi aprendermos a parar de xingar a mãe um do outro. Não sei se diria que este trabalho é literatura + quadrinhos, por mais que seja deste ambiente que o Emilio veio, eu acho que é um trabalho de quadrinhos. Procuramos aproveitar as propriedades da linguagem, criar algo que se virar, por exemplo, um filme ou se fosse adaptado para um livro ficaria naturalmente diferente, como uma adaptação tem que ser pra não ser simplesmente uma &#8220;simplificadora de linguagem&#8221;. O Emilio escreve de um modo que não é o meu, mas que eu gosto muito. Pra mim essa experiência tem sido muito interessante por isso. Se eu tivesse que trabalhar com alguém de cujo texto eu não gostasse ou que quisesse que eu trabalhasse uma linguagem muito naturalista, acho que não daria certo. Gosto de cortes bruscos e quase sempre, de pouca repetição de cenas. Não quero fazer &#8216;animações estáticas&#8217;, então o texto tem que se adaptar a esta forma de trabalho. É uma coisa dinâmica, sem muito &#8220;tempo&#8221;. Gosto de ter imagens que resumem/sugerem uma sequência e não desenhar a sequência. Gosto de confusão, rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. Em uma entrevista ao programa Entre Linhas você afirma que os quadrinhos possuem uma linguagem própria. Como podemos definir os quadrinhos como linguagem artística?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sim, acho que se trata exatamente disso. Ao trabalhar com quadrinhos tem que se ter em mente: quadrinhos não são filmes de quem não tem dinheiro/equipe pra fazer um. Não são livros pra pessoas que precisam de desenhos pra entender. Não são animações estáticas e não são contos ilustrados. Se você conseguir encontrar algo que não seja nenhuma dessas coisas, você estará fazendo quadrinhos. Mas claro, grosso modo. Existem obras ótimas, como Watchmen, por exemplo, que são super cinematográficas. Estou sendo propositalmente purista, rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. Recentemente o uso de tiras e histórias em quadrinhos no Enem gerou discussão a respeito de uma suposta &#8216;supervalorização&#8217; dos quadrinhos em detrimento da literatura. O que você pensa sobre essa conflituosa relação entre literatura e quadrinhos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não sei bem o que pensar. Acho só que se é pra criterizar que tipo de texto é &#8220;mais inteligente&#8221; porque não temos textos mais subjetivos no vestibular? Põe um texto do Joyce, põe Lispector&#8230; Põe textos medievais, põe textos indianos direto do sânscrito, mesopotâmicos, sumérios&#8230; Sei lá. Acho a educação no Brasil toda errada. O incentivo aos quadrinhos na infância e juvenilidade seria um modo de aumentar a capacidade do cérebro das pessoas antes que seja tarde. rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. Como você enxerga as 400 mil cópias vendidas em uma única edição da Turma da Mônica Jovem em comparação com as vendas, ainda pequenas, das HQs para adultos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Normal. Já achei antigamente que Mônica era um &#8220;inimigo&#8221;. Mas sei lá, quem faz o mundo são as pessoas. E se Mônica fosse igual à dos anos 70 e 80 eu ainda leria!<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2. Se sobre a sua cabeça houvesse um balão, ele diria&#8230; </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong></strong>&#8220;calaboca DW&#8221;</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agradece a grande atenção dada por DW Ribatski.</em></p>
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		<title>Mozipedia: The encyclopedia of Morrissey and The Smiths (Simon Goddard)</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 13:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para quem viveu os anos 80 ou mesmo para quem gosta da cultura daquela década, é impossível falar de música sem citar a banda The Smiths. Formada em 1982 e liderada por Steven Patrick Morrissey (mais conhecido pelo sobrenome, Morrissey), o grupo apresentava muitos dos elementos principais das músicas mais populares daquela época, com letras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/mozi.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-15189" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/mozi-232x300.jpg" alt="" width="232" height="300" /></a>Para quem viveu os anos 80 ou mesmo para quem gosta da cultura daquela década, é impossível falar de música sem citar a banda <em>The Smiths</em>. Formada em 1982 e liderada por Steven Patrick Morrissey (mais conhecido pelo sobrenome, Morrissey), o grupo apresentava muitos dos elementos principais das músicas mais populares daquela época, com letras bastante melancólicas falando sobre solidão e inadequação. Mesmo quem não consegue relacionar o nome à música, provavelmente já ouviu em algum momento hits como <em>Heavens Knows I&#8217;m Miserable Now</em>,<em> How Soon Is Now?</em>, <em>Bigmouth Strikes Again</em>, <em>Panic</em> e <em>Ask</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Mas como é bastante comum na história de muitas bandas de rock, um desentendimento entre Morrissey e o guitarrista Johnny Marr acabou levando ao fim da banda cinco anos após sua formação original. A partir daí Morrissey seguiu uma (muito bem) sucedida carreira solo, com músicas ainda bastante similares ao estilo dos Smiths e outros grandes hits, como <em>Everyday is Like Sunday</em> e <em>Suedehead &#8211; </em>carreira essa que continua até os dias de hoje, sendo que o último álbum do músico (<em>Years of Refusal</em>) saiu em 2009.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-15188"></span>Com tanto tempo de estrada e com tantas canções que parecem refletir exatamente o que sentimos em momentos mais tristes, Morrissey ganhou uma legião de fãs que viam nele alguém que conseguia transformar melancolia em música. Por isso, não é de surpreender um livro como a <em>Mozipedia: The encyclopedia of Morrissey and The Smiths</em>, escrita por Simon Goddard, jornalista que cobre a área de Música e é bastante conhecido por seus artigos sobre os Smiths.</p>
<p style="text-align: justify">A enciclopédia é um trabalho para aquecer o coração de qualquer apaixonado pela banda de Manchester. Seguindo um formato de verbetes, traz a história da banda desde sua formação, além da fase de carreira solo de Moz. Entre alguns verbetes, há curiosidades sobre os músicos (evidentemente, como já indica o título, o foco é Morrissey), além de inúmeras referências culturais que aparecem nas composições (Charles Dickens e Oscar Wilde, por exemplo).</p>
<p style="text-align: justify">Mas sem sombra de dúvida os melhores verbetes são os que falam das canções. Uma vez que muito da força dos Smiths (e da carreira solo de Morrissey) estava nas letras, é muito interessante ficar sabendo de onde alguns versos surgiram, ou o que o compositor queria dizer com outros (<em>Alma Matters</em> foi uma surpresa para mim, imaginava algo completamente diferente). É realmente uma viagem ao coração da história da banda, e mais ainda, para a cultura musical britânica na década de 80 (de quando ainda se tentava conseguir contratos com gravadoras através de fitas demo, e não de videos no YouTube ou músicas no MySpace, por exemplo).</p>
<p style="text-align: justify">Com capa dura e algumas imagens em papel especial (e coloridas), a <em>Mozipedia</em> é uma espécie de biografia picotada, e deliciosa de ler. Mesmo que você tente assumir o compromisso de ir aos poucos, quando vê as mais de 500 páginas do livro já acabaram. Indispensável para fãs e bastante recomendado para quem quer um guia para começar com os Smiths, é realmente uma pena que ainda não tenha tradução aqui no Brasil.</p>
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		<title>O Pequeno Livro do Rock (Hervé Bourhis)</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 20:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma enciclopédia do Rock em quadrinhos, uma cronologia da música, Um teste de memória, &#8220;O Pequeno Livro do Rock&#8221; é ao mesmo tempo uma leitura fácil e um desafio. Hervé Bourhis é um aficcionado pelo Rock. Não só pela música, mas também sua essência caótica. Lê-se bem em sua obra, que não possui uma narrativa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/pequenolivrodorock.jpg"><img class="size-medium wp-image-14636 alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/pequenolivrodorock-300x300.jpg" alt="" width="270" height="270" /></a>Uma enciclopédia do Rock em quadrinhos, uma cronologia da música, Um teste de memória, &#8220;O Pequeno Livro do Rock&#8221; é ao mesmo tempo uma leitura fácil e um desafio. Hervé Bourhis é um aficcionado pelo Rock. Não só pela música, mas também sua essência caótica. Lê-se bem em sua obra, que não possui uma narrativa linear, mas é um apanhado de quase tudo de importante para o Rock de 1915 a junho de 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada quadrinho é uma referência, cada ano tem sua lista à là Alta Fidelidade, de NIck Hornby. Não só o Rock é contemplado neste roqueiramente caótico compêndio. Há referências ao soul, ao R&amp;B, Reggae, Rockabilly, Hip Hop, Pop, Punk, e até mesmo Bossa Nova e tropicalismo. Hervé nos lembra que quase todas essas vertentes tiveram sua origem no Rock. Anedotas famosas- Como Keith Richard cheirando as cinzas do próprio pai,  são entremeadas de capas de discos icônicos, como o Black do Metallica e pequenas notas autobiográficas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-14635"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Todo em preto e branco e desenhado num estilo livre, n&#8221;O Pequeno Livro do Rock&#8221; vemos atravessar as páginas o Bob Marley vendedor de bijouterias em Woodstock, o primeiro encontro entre Lennon e McCartney num festival de igreja; a conversa fortuita entre Mick Jagger e Keith Richards numa estação de metrô, Os Ramones dividindo uma página com o Peter Gabriel do Genesis (este fantasiado de espinha), os primórdios de caras como Frank Zappa e Serge Gainsbourg. Várias referências à música alemã, francesa, brasileira, finlandesa, um aglomerado de rockstars, mas também de popstars, reggaestars e gangstas.</p>
<p style="text-align: justify;">Há também páginas duplas dedicadas a Batalhas musicais. O autor escolhe dois ícones de um estilo, e os coloca frente a frente, disco a disco. Entre eles Chuck Berry vs Little Richards, David Bowie,vs Lou Reed, Prince e Michael Jackson. As escolhas são claramente pessoais, assim como a escolha de quem aparece no livro. Alguns sentirão falta de grandes bandas (eu senti falta, por exemplo, de Rammstein), outros se irritarão com algumas comparações. Os puristas amaldiçoarão o autor por colocar Madonna, Bob Marley ou Eminem, ou por comparar Punk ao Grunge, ou mesmo chamar por os Mutantes de Os Beatles brasileiros. O livro, assim como o Rock, está fadado á polêmica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas com certeza agradará o fã de música sem rótulos. Uma aula de história, que nos faz ver as inter-referências de estilo, as mudanças no gosto musical, a influência da tecnologia. É um livro para ler e ouvir, haja vista a gigantesca lista de hits e singles no fim do livro. Uma lição de humildade para quem acha que sabe tudo sobre música contemporânea.  Vale ainda a bela edição, em formato de um LP, que na versão original tem o tamanho exato de um 45 rotações antigos, no tempo em que tudo que indicava qual era o artista era o rótulo do disco, e a capa não tinha desenhos ou fotos.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Mapas do Acaso (Humberto Gessinger)</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jul 2011 14:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música Pop]]></category>

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		<description><![CDATA[Admito que ao pegar o livro de Humberto Gessinger para ler não o fiz com tamanha empolgação. Simplesmente por que nunca fui grande admirador das músicas e letras dos Engenheiros do Hawaii, e sempre duvidei da capacidade criativa de compositores para escrever um material que pudesse ser chamado de livro. Porém ao começar a ler [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/Mapas-do-Acaso.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-12042" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/Mapas-do-Acaso.jpg" alt="" width="236" height="298" /></a>Admito que ao pegar o livro de Humberto Gessinger para ler não o fiz com tamanha empolgação. Simplesmente por que nunca fui grande admirador das músicas e letras dos Engenheiros do Hawaii, e sempre duvidei da capacidade criativa de compositores para escrever um material que pudesse ser chamado de livro.</p>
<p style="text-align: justify">Porém ao começar a ler o livro do arquiteto<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/05/mapas-do-acaso-humberto-gessinger/#footnote_0_12040" id="identifier_0_12040" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Humberto Gessinger n&atilde;o chegou a a concluir o curso de arquitetura, faltando para tal 3 per&iacute;odos">1</a></sup>, músico, compositor e vocalista da banda sulista, Engenheiros do Hawaii, joguei qualquer julgamento precoce no lixo. Isso por que a escrita de Gessinger é deliciosa, quase como um diálogo com o leitor entre cervejas e chimarrão sempre acompanhado de um olhar romântico e musical de tudo aquilo que os olhos e ouvidos do compositor conseguem captar.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-12040"></span></p>
<p style="text-align: justify">Não é de se admirar que um músico tenha uma memória auditiva fantástica. São inúmeras as referências como o som da infância, das crianças em volta da mesa da avó, dos pedais da máquina Singer<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/05/mapas-do-acaso-humberto-gessinger/#footnote_1_12040" id="identifier_1_12040" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="m&aacute;quina de costura">2</a></sup>, da torcida do Grêmio, a emoção dos jogos narrados pelo rádio, o som do rock russo e das palavras italianas da avó no final de sua vida.</p>
<p style="text-align: justify">Além dos sons, também é possível notar uma relação particular que passa pelos olhos de Humberto Gessinger. Uma visão romântica através dos seus óculos tortos ao falar sobre Walkmans, música, as estações, o Olímpico<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/05/mapas-do-acaso-humberto-gessinger/#footnote_2_12040" id="identifier_2_12040" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Est&aacute;dio de futebol do Gr&ecirc;mio Foot-ball Porto Alegrense">3</a></sup>, “Esparta-Alegre”<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/05/mapas-do-acaso-humberto-gessinger/#footnote_3_12040" id="identifier_3_12040" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Porto Alegre">4</a></sup>, Camus e Kafka.</p>
<p style="text-align: justify">Vale destacar algumas histórias futebolísticas como o sonho de marcar um gol aos 39 minutos do segundo tempo de um Grenal<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/05/mapas-do-acaso-humberto-gessinger/#footnote_4_12040" id="identifier_4_12040" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Jogo de futebol entre Gr&ecirc;mio e Internacional">5</a></sup>, dos exageros somente perceptíveis por uma narração pelo rádio e da cronologia que Humberto Gessinger faz de sua carreira relacionada com as Copas do Mundo de futebol, mas que também poderiam ser com as moedas de países, presidentes ou Papas.</p>
<p style="text-align: justify">Além dos textos iniciais, separados por capítulos intitulados por notas mentais, encontramos no final do livro 45 letras de músicas. Algumas escritas a mão ou na máquina de escrever, com esparsos comentários em algumas das composições.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Mapas do Acaso</strong> é o terceiro livro<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/05/mapas-do-acaso-humberto-gessinger/#footnote_5_12040" id="identifier_5_12040" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Publica&ccedil;&atilde;o de livros cronologicamente: 1&deg; Meu Pequeno Gremista (2008); 2&deg; Pra ser sincero (2010); 3&deg; Mapas do Acaso (2011). ">6</a></sup> de <strong>Humberto Gessinger</strong>, publicado pela <strong>Editora Belas-Letras</strong>, porém o escritor não deixa claro ser a continuação ou o princípio de sua obra. Independente da ordem, a escrita romântica, sonora e visual de Gessinger faz desta uma obra surpreendentemente bela.</p>
<p><strong>Mapas do Acaso</strong><br />
<strong> Autor:</strong> Humberto Gessinger<br />
<strong>144 páginas</strong><br />
<strong>Preço sugerido:</strong> R$ 34,90</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Belas-Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.belasletras.com.br/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/belalogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
<p><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7525" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FORUM DO MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_12040" class="footnote">Humberto Gessinger não chegou a a concluir o curso de arquitetura, faltando para tal 3 períodos</li><li id="footnote_1_12040" class="footnote">máquina de costura</li><li id="footnote_2_12040" class="footnote">Estádio de futebol do Grêmio Foot-ball Porto Alegrense</li><li id="footnote_3_12040" class="footnote">Porto Alegre</li><li id="footnote_4_12040" class="footnote">Jogo de futebol entre Grêmio e Internacional</li><li id="footnote_5_12040" class="footnote">Publicação de livros cronologicamente: 1° Meu Pequeno Gremista (2008); 2° <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/16/pra-ser-sincero-humberto-gessinger/#more-11362" target="_blank">Pra ser sincero (2010)</a>; 3° Mapas do Acaso (2011). </li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Andréa Ascensão</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/02/10-perguntas-e-meia-para-andrea-ascensao/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 16:02:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Andréa Ascenção]]></category>
		<category><![CDATA[Nós vamos invadir sua Praia]]></category>
		<category><![CDATA[Rock dos anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Roger Rocha Moreira]]></category>
		<category><![CDATA[Ultraje a Rigor]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje é o grande dia do lançamento da Biografia do Ultraje a Rigor “Nós vamos invadir sua praia” escrita pela jornalista Andréa Ascenção. O lançamento do livro vai acontecer hoje (02/05) às 19 horas no Shopping Anália Franco em São Paulo com a presença da escritora e de integrantes do Ultraje a Rigor. A escritora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/Andreaascencao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9832" title="Andreaascencao" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/Andreaascencao.jpg" alt="" width="243" height="353" /></a>Hoje é o grande dia do lançamento da Biografia do <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/26/ultraje-a-rigor-%E2%80%93-nos-vamos-invadir-sua-praia-andrea-ascencao/#more-9614" target="_blank">Ultraje a Rigor “Nós vamos invadir sua praia”</a> escrita pela jornalista <strong>Andréa Ascenção</strong>. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/Convite_lan%C3%A7amento.jpg" target="_blank">O lançamento do livro</a> vai acontecer hoje (02/05) às 19 horas no Shopping Anália Franco em São Paulo com a presença da escritora e de integrantes do <strong>Ultraje a Rigor.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A escritora <strong>Andréa Ascenção</strong> é paulistana, nascida em 12 de setembro de 1986, quando o <strong>Ultraje a Rigor</strong> já era um sucesso nacional e  Roger completava 30 anos. Formada em jornalismo pela Universidade Paulista, Andréa foi colaboradora da revista de classic rock Poeira Zine e freelancer do Portal Casa Cláudia, da Editora Abril. Hoje trabalha como redatora e gestora de marketing direto e cedeu uma entrevista descontraída e em primeira mão para o Meia Palavra.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-9829"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. Dentre tantas bandas do rock nacional por que você optou por fazer uma biografia do Ultraje a Rigor?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro porque eu gosto do Ultraje, admiro o trabalho deles. Sem isso acho que é impossível escrever um livro. É algo que demora e demanda muita dedicação. Então se você não gosta do tema muito provavelmente vai desistir no meio do caminho. Segundo porque não existia um registro dessa história (para minha sorte, rs. Digo isso, porque lá fora é comum você encontrar diversas biografias de uma mesma banda. Aqui esse mercado está ainda começando) foi então que encontrei o que procurava: uma oportunidade de humanizar uma história. Porque no jornalismo feito no dia-a-dia quase não existe tempo para mergulhar de cabeça na complexidade do ser humano e em um livro se tem essa chance.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. O rock brasileiro é um estilo que engloba muitas bandas, que assumem diferentes posturas e temáticas em suas composições. Pra você, o que o Ultraje tem pra ser uma banda de rock?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Toda a essência do rock n&#8217; roll. <strong>Atitude, contestação, ideologia e no palco a energia contagia e o lance todo é autêntico</strong>. Também tem o <strong>humor,</strong> que não necessariamente faz parte do rock, mas no caso do Ultraje é como se fosse um plus em tempo integral.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. O livro é repleto de depoimentos dos integrantes, fãs e pessoas ligadas ao rock nacional. Como foi esse processo para colher todas as entrevistas para compor o livro? Quanto tempo esse processo levou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Houve muita pesquisa logo de cara, mas justamente por se tratar de um livro inédito, esse processo (as entrevistas) é o esqueleto do livro. Todo o resto se desenvolveu a partir daí.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo levou quase 4 anos, mas eu não fiz todas as entrevistas, depois sentei e escrevi. É difícil precisar por isso até porque não acabou. Espero fazer mais entrevistas, porque a banda continua aí fazendo história, acho que está para começar uma nova fase e eu quero atualizar com tudo que vier pela frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. Além das entrevistas há muitas referências bibliográficas no livro. Você teve dificuldades de acesso a literatura para compor o livro? Nós podemos dizer que temos uma vasta literatura do rock nacional?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi bom você ter perguntado isso, porque o Centro Cultural de São Paulo, por exemplo, tem um acervo muito grande com jornais completos, etc, mas quando comecei a pesquisar para escrever o livro descobri que nada disso era digitalizado. Quer dizer, por mais cuidado que se tenha, com o tempo isso se perde e para encontrar alguma coisa é inviável. E eles são até organizados, o problema é que você precisa pegar uma espécie de rolo de filme (parecem aqueles negativos de máquina fotográfica de antigamente) encaixar numa máquina imensa e ir ajustando na mão para ler (embaçado) numa telinha. A hora que você encontra a página que interessa eles trazem o jornal mesmo e você copia, tira foto ou xérox ali mesmo (o que não é nada barato). Quer dizer é no mínimo um sufoco pesquisar desse jeito. Percebendo isso eu passei a garimpar revistas em sebos. Daí tem aquele problema de estar rasgada, sem capa, ou seja, muitas vezes já não se sabe datas e créditos. Quanto aos livros sobre rock, é realmente um mercado que ainda está começando.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu acho que os empresários deveriam voltar mais os olhos para isso. Investir mesmo. Patrocinar. De modo geral não é só uma música ou uma banda. É a cultura do nosso país e são exemplos de vida que podem inspirar e guiar muita gente. No caso do Ultraje, imagine só aprender o valor da liberdade, do voto, da importância de grandes movimentos populares a partir de Inútil? Acho que isso atrairia a atenção do adolescente que acha chato o livro ou a aula de história e muitas vezes com razão. Além disso, acho que quando se investe em arte se contribui muito para a formação crítica, quer dizer as pessoas passam a ter argumentos firmes e desenvolver novas linhas de raciocínio. Mas talvez a gente ainda somos inútil demais para &#8220;tudo&#8221; isso, não é?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. O fato de você ser jornalista ajudou na organização da biografia? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não vejo como escrever a biografia se não fosse jornalista e isso não implica em um diploma, embora eu tenha um. Além das técnicas, um ponto muito importante quando se fala em biografias é manter &#8220;a distância&#8221; do biografado. Senão você perde o foco. 100% de imparcialidade é mito, mas é necessário se policiar e estabelecer regras para você mesmo. Nem toda biografia é um livro-reportagem. Às vezes o autor reúne diversas entrevistas já publicadas, que não foram escritas por ele e monta um livro, citando as fontes. Mas <em>Nós Vamos Invadir Sua Praia</em> é um livro-reportagem. Eu entrevistei todos da banda (sempre que possível pessoalmente), além dos &#8220;personagens secundários&#8221;. Acho essa a essência do jornalismo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. Em uma <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/11/29/10-perguntas-e-meia-para-roger-moreira/" target="_blank">entrevista recente ao Meia Palavra Roger</a> disse &#8220;&#8230; não tenho paciência para ler livros. Embora tenha, é claro, lido muitos.&#8221; Baseado nisso, o que você sentiu quando ele leu seu livro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele me disse que o livro estava gostoso de ler e que tinha coisa que nem ele sabia (opiniões dos demais integrantes da banda) ou lembrava. Sensação de missão cumprida, né? É uma honra ter a chance de invadir a praia deles e poder levar essa história para todo o Brasil. Acho que é uma história que precisava e merecia ser contada. Agora tá aí, Ó!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. O livro tem um trabalho gráfico belíssimo e que, de certa forma, é a cara do Ultraje a Rigor. Como foi a construção de todo o trabalho gráfico que compõe a obra? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu sempre quis que o livro fosse todo colorido porque acho que traduziria o humor do Ultraje. Cheguei a comentar isso com meu editor Gustavo Guertler, mas o projeto gráfico é de Celso Orlandin Jr. Eu passei o texto com as marcações de onde entrariam os box e corri atrás das fotos. Mandei com as legendas e créditos e a Belas Letras arrasou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. O que foi mais díficil: Escrever a biografia ou conseguir uma editora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Responder essa pergunta..rs Cada etapa que passava por mais trabalhosa e difícil que tenha sido já tinha passado. Então, dá aquela sensação de que a próxima, talvez, por ainda não ter rolado estava sendo mais complicada de fazer. Eu não sei, quero te contar, mas não sei explicar&#8230; Tudo tem seu tempo e agora que consegui publicar saiu do jeito que queria. Escrever um livro é algo solitário. Os shows sempre trazem muita inspiração, mas depois é eu comigo mesma. A hora que entreguei o texto para meu agente literário, Andrey do Amaral começou a ter outros profissionais envolvidos e foi aí que decolou, porque antes eu tinha tentado contato com algumas editoras, mas eu sou autora. Já ele é o profissional especializado no assunto e foi muito rápido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. Quais dicas você pode dar para escritores que desejam escrever uma biografia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acho que Isso vale para tudo na vida: faça o que você ama. Você estará motivado &#8220;de graça&#8221;. Agora não sei até que ponto isso pode ajudar outras pessoas, mas eu sou muito persistente. Então, diria para que não desistam do que realmente querem.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a escrever de fato uma biografia acho que vale muito ser minucioso e se perguntar o que o leitor gostaria de saber e não tem a chance porque não esta cara a cara com o biografado?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. Depois do lançamento do primeiro livro, você já pensa em futuros trabalhos como escritora? Pode nos revelar alguns desses planos? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Mas eu quero sentir o que rola quando o livro vai para a prateleira. Acho que a resposta dos leitores vai me apontar onde acertei e o onde posso melhorar. Aí é partir para o segundo filho</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>½. Ultraje é&#8230;</strong> rock n&#8217; roll</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bonus Track</strong><br />
<strong>Qual &#8220;descoberta&#8221; que vc fez sobre o Ultraje que mais se orgulha de ter feito e publicado no livro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O papo no encontro com o Ulysses Guimarães foi revelado por Carlinhos. Não me lembro de nenhum livro de rock revelar isso. Acho que é um furo! Mas tem umas tiradas entre os músicos que renderam muitas risadas. Eu não esqueço, por exemplo, o dia em que o Flávio e o Roger contaram sobre a armação no dia da mentira, que eu não vou dizer qual é senão perde a graça, né?</p>
<p><em>A Equipe Meia Palavra agradece a atenção de Andréa Ascenção.</em><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7071"></a></p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7071" target="_blank">DISCUTA ESSA ENTREVISTA NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a><em><br />
</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ultraje a Rigor – Nós vamos invadir sua praia (Andréa Ascenção)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/26/ultraje-a-rigor-%e2%80%93-nos-vamos-invadir-sua-praia-andrea-ascencao/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 16:07:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
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		<description><![CDATA[Chega essa semana nas livrarias a biografia de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro. O nome é sempre escrito de maneira peculiar, o “Ultraje&#8221; pincelado com uma brocha em vermelho e o “a Rigor” escrito com mais capricho e sempre acompanhado do periscópio com seu olhar provocador. O Ultraje a Rigor faz parte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/rigor.jpg"><img class="size-full wp-image-9615 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="rigor" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/rigor.jpg" alt="" width="219" height="299" /></a>Chega essa semana nas livrarias a biografia de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro. O nome é sempre escrito de maneira peculiar, <em>o “<span style="color: #ff0000;"><strong>Ultraje</strong></span><span style="color: #ff0000;"><strong></strong></span>&#8221; pincelado com uma brocha em vermelho e o “<strong>a Rigor</strong>” escrito com mais capricho</em> e sempre acompanhado do periscópio com seu olhar provocador. O <strong>Ultraje a Rigor</strong> faz parte de uma geração de bandas de rock dos anos 80, década onde o rock começou a se desenvolver com maior sucesso no Brasil, com o nascimento de muitas bandas, como Titãs, Paralamas, Capital Inicial, Legião Urbana, entre outras.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrito pela jornalista e agora escritora <strong>Andréa Ascenção</strong>, a biografia que ganhou o nome de “<strong>Nós vamos invadir sua praia</strong>”, nome de uma das músicas de maior sucesso do Ultraje, é um passeio por histórias dos 17 integrantes que já fizeram parte do Ultraje a Rigor.</p>
<p style="text-align: justify;">A biografia é recheada com fotos, letras de músicas e depoimentos que saltam do texto pelas cores que pintam o livro com a cara da banda, que  nos convidam para invadir a praia de uma das bandas mais marcantes do rock nacional.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-9614"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O produtor musical Peninha, define o grupo de maneira única:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O Ultraje era mortal no palco, tudo funcionava, letra, música, timing, as piadas internas e externas, o confuso amontoado de referências e citações que juntavam numa cacofonia de paródias e pastiches, puro sarro, um modo de ver o mundo pronto para o tombo, disposto a risadas fartas.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">A escritora da biografia conseguiu transmitir todo o humor do Ultraje no decorrer da leitura, descrevendo e narrando as provocações entre os integrantes que renderam apelidos curiosos como Vovô, Mastiga, Digão, Cloaca, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos apelidos, o livro é repleto de histórias e fotos hilárias de momentos de pura descontração, como Maurício (baixista) tocando violino com a ante de TV, os integrantes da banda espremendo o baterista Leôspa em uma mesa no Ibirapuera e os oito integrantes de uma das últimas formações, fazendo chifres uns nos outros após show da Virada Cultural de 2008.</p>
<div id="attachment_9617" class="wp-caption aligncenter" style="width: 636px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/ultraje.jpg"><img class="size-full wp-image-9617 " title="ultraje" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/ultraje.jpg" alt="" width="626" height="470" /></a><p class="wp-caption-text">Bacalhau, Osvaldinho, Serginho Serra, Roger, Paulinho, Ricardinho, Manito e Mingau (Foto: Andréa Ascenção)</p></div>
<p style="text-align: justify;">A alegria também é marca registrada nas histórias de algumas músicas que marcaram época e que continuam fazendo parte do cenário brasileiro e mundial, que ganham conotação de atemporais: <strong>Zoraide</strong>, <strong>Ciúme</strong>, <strong>Inútil</strong>, <strong>Eu me amo</strong>, <strong>Pelado</strong>, <strong>Sexo!!</strong>,<strong> Marylou</strong>, <strong>Nós vamos invadir a praia</strong> entre muitas outras.  O próprio Roger explica o processo criatvo para compor as músicas:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Nem tinha um modelo para seguir no caso de fazer rock em português, foi meio intuitivo. Eu peguei palavras que encaixam, para não ficar soando esquisito. Então passar a acentuação dá um trabalho extra e, ao mesmo tempo, não pode parecer para o cara que está ouvindo que está complicado de cantar, porque é uma música popular, então tem que soar expontâneo.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">A biografia do Ultraje não poupa nada, nem o ritmo da criação artística das músicas, que muitas vezes eram o ponto de conflito com as gravadoras que pressionavam a banda por mais músicas inéditas, a fim de proporcionar maior exposição na mídia e aumento das vendas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas mesmo nesse quesito, a banda encara com uma ironia inusitada ao lançar o CD <strong>Ó!</strong>, com a idéia de mostrar a gravadora que estava reclamando, que eles conseguiram gravar como quiseram, e no CD <strong>Os Invisíveis</strong>, fazendo referência a pouca exposição da banda na mídia.</p>
<p style="text-align: justify;">A ironia, a alegria e irreverência presentes nos CD`s e músicas da banda são também traços marcantes de <strong>Roger</strong>, vocalista e autor de quase todas as músicas do <strong>Ultaje a Rigor</strong>. Mas o livro contempla pequenas biografias de todos os 17 integrantes que já passaram pelas 12 formações da banda, além do emaranhado de histórias desde sua formação em 1980.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida a biografia do <strong>Ultraje a Rigor</strong>, escrita por <strong>Andréa Ascensão</strong>, é daqueles livros que nos faz invadir a história de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro. E somos levados a procurar os vídeo clipes na internet, resgatar alguns CD`s escondidos e ouvir as músicas alegres e atemporais que marcam gerações até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ultraje a Rigor – Nós vamos invadir sua praia</strong><br />
Autor: Andréa Ascenção<br />
Editora: Belas Letras<br />
Páginas: 352<br />
Preço sugerido: R$ 49,90</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7026" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO BLOG DO MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Beth Goulart</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 16:04:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Beth Goulart nasceu em 1961 no Rio de Janeiro, filha de Paulo Goulart e Nicete Bruno sua vocação para a dramaturgia parece ter vindo do berço. Estreiou na televisão com o teleteatro &#8220;Alô, Alguém aí?&#8221;, de William Saroya em 1975 e desde então já trabalhou com televisão, música, teatro e cinema, onde participou de dois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/BethGoulart.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8026" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/BethGoulart.jpg" alt="" width="452" height="303" /></a>Beth Goulart nasceu em 1961 no Rio de Janeiro, filha de Paulo Goulart e Nicete Bruno sua vocação para a dramaturgia parece ter vindo do berço. Estreiou na televisão com o teleteatro &#8220;Alô, Alguém aí?&#8221;, de William Saroya em 1975 e desde então já trabalhou com televisão, música, teatro e cinema, onde participou de dois filmes de  Carlos Reichenbach (Dois Córregos e Bens Confiscados). No teatro ela está atualmente com a peça “Simplesmente Eu, Clarice Lispector” em que ela interpreta a famosa escritora brasileira, e que lhe rendeu o prêmio SHELL – RJ de melhor atriz em 2010. E foi com muita simpatia e amor pelo seu trabalho que Beth Goulart nos presenteou com essa calorosa entrevista.<span id="more-8024"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. Como surgiu a idéia de fazer um monólogo sobre Clarice Lispector? E por que com Clarice?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sou admiradora de Clarice Lispector desde minha adolescência e sempre nutri a vontade de fazer algo sobre ela. Penso que minha vontade foi alimentada pelo mistério, pelo amor e por um profundo respeito que sinto por esta mulher e escritora que revolucionou a literatura brasileira com seus questionamentos sobre a própria literatura e por dimensões de entendimento sobre o ser humano que seus escritos nos trazem. Lendo Clarice exercitamos nossa capacidade de compaixão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Esse não foi seu primeiro trabalho solo para o teatro. Você já fez “Pierot”, “Dorotéia Minha” (sobre as cartas de amor escritas por Nelson Rodrigues a Eleonor Bruno, avó de Beth Goulart) e o mais novo trabalho “Simplesmente eu, Clarice Lispector”, e nos três trabalhos você fez o roteiro. Qual foi o trabalho mais difícil e mais prazeroso? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cada trabalho tem seu brilho , sua beleza e seu desafio. Todos foram frutos de muita pesquisa, paixão e dedicação, elementos fundamentais para sua realização. Sem eles não haveria sentido no trabalho. Cada um serviu de degrau para o outro e seu resultado é conseqüência de um amadurecimento natural que envolve a própria vida. Se você me perguntar qual deles foi o melhor, sem dúvida lhe diria que é o ultimo, mas ele seria impossível sem os anteriores, porque foi através de uma somatória de experiências que se chegou a este resultado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Você disse em uma entrevista que a montagem do espetáculo é uma “colcha de retalhos” de entrevistas e textos da escritora. Como foi a pesquisa para selecionar todo esse material e compor o roteiro para a peça? Teve algo que você se arrependeu ter deixado de fora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Li muitos livros e trabalhos sobre Clarice, sua vida, suas entrevistas e correspondências. Uma  de minhas fontes de pesquisa foi o “<a href="http://ims.uol.com.br/hs/clb/clbclarice/clbclarice.html" target="_blank">Cadernos de Literatura” do Instituto Moreira Salles</a>. Lá tem todo este material além de vários artigos interessantíssimos sobre Clarice e sua literatura. Outra fonte de pesquisa foi a entrevista que ela deu ao Museu da Imagem e do Som que também foi bastante reveladora. Agora a escolha dos temas e sua organicidade com sua obra é que me ajudaram a tecer esta colcha colorida de informações e emoções. Foi uma escolha pessoal. Com este material poderia fazer vários outros espetáculos mas me ative a este olhar que também me revela como mulher.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/BethClarice.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-8028" style="margin: 5px; border: 0pt none;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/BethClarice-300x222.jpg" alt="" width="300" height="222" /></a>4. No espetáculo você interpreta Clarice e outras quatro personagens (Joana, de Perto do Coração Selvagem; Ana, personagem do conto Amor; Lóri, de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres; e a Mãe de Deus do conto Perdoando Deus). Qual foi a mais difícil de fazer, interpretar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que a Joana de “Perto do Coração Selvagem” foi a mais difícil porque é um romance muito abstrato e ela está presente em várias idades diferentes, da infância até a idade adulta então unir a adolescente que quer beijar as estrelas e a mulher forte e bela como um cavalo novo da oração foi um desafio por estarem elas separadas por outras cenas de outras obras. Para manter a unidade de personagem utilizei a repetição de gestos e atitudes, mas é muito sutil, nem todos percebiam que se tratava da mesma personagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. Você estreou a peça “Simplesmente Eu” antes de o americano Benjamin Moser publicar a biografia “Clarice,”. E é impressionante a sintonia da visão do Moser com o seu roteiro, até parece que vocês trabalharam juntos no processo de pesquisa. Você chegou a conversar com Moser? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Só conheci  o Benjamin e sua obra muito depois de ter estreado o espetáculo e me senti sua amiga antes mesmo de conhecê-lo justamente pela proximidade de nosso olhar por Clarice. Somos ambos admiradores de Clarice o que já nos tornou cúmplices de cara. Acho que algumas idéias ficam pairando no ar esperando que alguém consiga captá-las e as vezes mais de uma pessoa consegue captar a mesma idéia, com isso se explica o fato de várias pessoas escolherem o mesmo tema ao mesmo tempo. Talvez seja a hora e a vez deste tema e os mais sensíveis conseguem captar. Acho que era a hora e a vez de Clarice , eu e Benjamin nos conectamos através dela.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. Clarice dizia que o conto “Ovo e a Galinha”, além de “O Mineirinho”, era o texto que ela tinha mais carinho por ser um enigma para ela. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/12/20/10-perguntas-e-meia-para-benjamin-moser/#more-5422" target="_blank">Benjamin Moser, em uma entrevista ao Meia Palavra</a>, disse que os textos difíceis são os mais interessantes para ele e cita “O Lustre” e “A cidade sitiada”. E para você, qual a sua relação com a obra da Clarice? Quais livros e textos mais te marcaram?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/Claricedancing.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-8029" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/Claricedancing-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Adoro vários textos de Clarice mas tenho um carinho especial por  “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres “ . Este livro é uma verdadeira declaração de amor ao amor e acho linda a proposta de um personagem se preparar para a entrega com a consciência necessária para o entendimento que esta entrega significa. Amar não é só amar o outro mas principalmente o entendimento de que para se amar alguém é preciso saber se amar primeiro e amar a vida e tudo o que ela representa. É um verdadeiro aprendizado da existência humana disfarçado de romance.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. Muitas pessoas afirmavam que Clarice escrevia como homem, por ser uma das poucas mulheres escritoras de sua época. Ela foi de fato uma prercursora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acho que este titulo se deve mais ao fato da inovação de sua linguagem do que pelo fato de ser mulher. Como mulher ela foi adiantada para seu tempo, se separou, criou seus filhos sozinha com seu trabalho, foi uma das primeiras jornalistas de sua época, foi a primeira advogada formada de sua faculdade etc&#8230; mas a sua linguagem como escritora era única e totalmente inovadora. Seus romances possuem várias vozes narrativas, pode-se quase ouvir Clarice pensando junto com seus personagens e isso era inesperado e desconhecido provocando um estranhamento raro e especial. Neste sentido ela foi uma precursora sim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. Além de Clarice, quais outras escritoras nacionais e internacionais você admira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">•	Gosto muito de Hilda Hilst que considero uma Clarice despudorada.<br />
•	Nélida Piñon e Lygia Fagundes Telles ambas maravilhosas escritoras e amigas de Clarice<br />
•	Lya Luft por sua clareza de visão e sensibilidade com as palavras.<br />
•	Inês Pedrosa, uma escritora portuguesa que possui uma literatura lírica, poética e multi facetada. Seus romances são sempre surpreendentes e delicados.<br />
•	Virginia Woolf obviamente pela potência de suas palavras e personagens e<br />
•	Katerine Mansfield que a própria Clarice quando leu disse: Mas esta sou eu!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. Quais são suas inspirações artísticas e culturais para desempenhar tantos papéis distintos no cinema, teatro e TV?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A inspiração vem da própria vida, é ela que nos arrebata e nos provoca. É dela que  surgem as surpresas e emerge o desconhecido. É do mistério da existência que a arte se nutre para tocar o real e transformá-lo. Os personagens são instrumentos da arte para tecer o destino dos homens para o auto-conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 Você já atuou na televisão, cinema, teatro e até gravou três discos. O que é mais desafiador? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Atuar bem é o maior desafio. Ser instrumento do autor, de uma idéia, um personagem. Todos os veículos são maravilhosos e tem suas características. O desafio é ser bom, é fazer bem feito, nem sempre a gente consegue mas este é nosso objetivo. Procuro dar o melhor de mim em cada experiência e todas são válidas e importantes, mas não nego meu compromisso com o Teatro, é no Teatro que nasci e é no Teatro que posso escrever minha história .</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>½.  Ser Clarice é&#8230;</strong> transcender sempre!</p>
<p><em>A Equipe Meia Palavra agradece a atenção de Beth Goulart e sua Assessora Pierina Morais.</em></p>
<p><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6668" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Florence &amp; The Machine &#8211; Dog Days Are Over</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 15:53:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Análise de Clipe]]></category>
		<category><![CDATA[Dog Days Are Over]]></category>
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		<description><![CDATA[“I want my music to sound like throwing yourself out of a tree, or off a tall building, or as if you’re being sucked down into the ocean and you can’t breathe” ( Florence Welch ) O Clipe, da banda Florence and The Machine, dirigido por Georgie Greville e Geremy Jasper, é o segundo single [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/09/florence-the-machine-500x500.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3866" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="florence-the-machine-500x500" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/09/florence-the-machine-500x500-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>“<em>I want my music to sound like throwing yourself out of a tree, or off a tall building, or as if you’re being sucked down into the ocean and you can’t breathe</em>”<br />
( Florence Welch )</p>
<p style="text-align: justify;">O Clipe, da banda Florence and The Machine, dirigido por Georgie Greville e Geremy Jasper, é o segundo single do álbum Lungs.  Nele, Florence uma espécie de líder xamânica de uma orquestra surreal, de diferentes experiências religiosas. A ideia do clipe é transmitir uma exaltação espiritual e anarquia em meio à fumaça psicodélica que aparece em diversos momentos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3865"></span>Cada elemento musical da canção é personificado em um grupo de personagens, que surge com diferentes figurinos e representações de cores.  Têm-se, na tela, desde crianças, hindus, pagãos e coros que remetem ao cristianismo.</p>
<p style="text-align: justify;">O clipe parece ser, a princípio, simples, porém é muito rico em detalhes. Recentemente, “Dog Days are Over” ganhou o Video Music Awards 2010 (VMA) na categoria Direção de Arte.  A partir daí, tive curiosidade em saber o que esse clipe tem de tão especial, por isso, procurei analisar especificamente Direção de Arte, incluindo figurino, composição, maquiagem, cenário, cores e texturas.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="313" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/iWOyfLBYtuU?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="313" src="http://www.youtube.com/v/iWOyfLBYtuU?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CENÁRIO E ILUMINAÇÃO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dizer que o cenário de “Dog Days are Over” é inexistente seria equivocado, mas dizer que ele é minimalista seria um exagero. O espaço trata-se de um fundo branco. A iluminação não deixa sequer a existência de sombra ao redor dos personagens. Não temos, desta forma, uma espacialização do ambiente em que se passa o clipe. O local se torna pequeno quando o enquadramento é fechado, e maior quando o plano é aberto e enquadra o maior número possível de personagens (o que acontece no refrão da música). A profundidade do cenário só é percebida quando coloca-se um elemento em primeiro plano e outro mais ao fundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em certo momento da música, o fundo branco dá lugar a um fundo negro e um holofote redondo direciona o olhar do espectador, através de um ponto luminoso na escuridão. Neste instante, o espectador só consegue realmente enxergar o que está dentro do holofote e, no resto do quadro, temos uma região opaca, como se numa espécie de “penumbra”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>OBJETOS</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os únicos objetos que temos nos trechos analisados são instrumentos musicais. Eles são: harpas, tambores e pratos.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos esses objetos, com exceção do prato (que é inteiro dourado), aparecem em cores que formam um contraste de preto ou marrom escuro com dourado ou amarelo.</p>
<p style="text-align: justify;">Como o clipe procura passar uma mensagem de união de diversas culturas religiosas, busquei saber o significado dos instrumentos mostrados no clipe, dentro das religiões também abordadas nele: O tambor, por exemplo, é muito usado em rituais africanos onde “a música ritual é basicamente o som do tambor, essa música é acompanhada de dança e o transe é o objetivo pretendido e alcançado com o ritual primitivo” (Vanderlei Dorneles)</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, segundo um dos maiores historiadores do século XX, Mircea Eliade,  “a obtenção de conhecimentos místicos, nas religiões primitivas, está sempre associada a um êxtase xamânico (ou seja, transe possessivo). Isso explica a importância capital da música&#8221; nos rituais. &#8220;Os xamãs preparam o seu transe cantando e tocando tambor&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Aguiar Bastos, outro antropólogo, diz que &#8220;o tambor não é um simples instrumento de ritmo quanto à sua mais antiga tradição ligada às danças sagradas. Ele é, por sua vez, um instrumento de correspondência, isto é, de comunicação entre o homem e os seres misteriosos que governam a natureza&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à harpa, sabemos que ela é comumente vista em igrejas Cristãs, normalmente acompanhadas por imagens de anjos, que as carregam e tocam, porém, mais específico que isso, a harpa que temos neste clipe é a chamada “harpa celta” ou irlandesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é um dos instrumentos mais antigos da cultura Celta e também usado para celebrar a Natureza, como diz a seguinte passagem “Um bosque, a brisa, a alvorada, o outono – ou qualquer outra estação – enfim, cada pequeno movimento da Natureza carrega um som, e era função do músico senti-lo e traduzi-lo em música.”</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto aos pratos, que surgem carregados por uma criança oriental, podemos dizer que eles são excelentes para a Cerimônia do Fogo e da Prosperidade, em regiões orientais. “Os pratos de percussão semelhantes aos usados em bandas escolares ou em orquestras são utilizados no Tibete como instrumentos de cerimônias religiosas. São feitos dos mesmos sete metais das tigelas cantantes e servem para “afastar os espíritos de baixa vibração”. Na musicoterapia os pratos (symbals) são utilizados juntamente com os exercícios de visualização para os trabalhos de desatamento intencional dos nós que nos ligam aos problemas dos ciclos cármicos.” (José Joacir dos Santos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>FIGURINOS E ADEREÇOS</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Neste momento, divido o figurino por personagem:</p>
<p style="text-align: justify;">Florence: Aparece com três figurinos diferentes. Todos eles usam tecidos que parecem ser bastante confortáveis e ajustáveis ao corpo.<br />
O primeiro, trata-se de um vestido bastante solto ao corpo, da cor nude. Ele também é acompanhado de jóias douradas. O segundo é uma túnica roxa e dourada, que aparece exclusivamente no refrão da música. O terceiro é um casaco de pele marrom escuro, preso por várias fitas coloridas<br />
As roupas parecem ter tido como referência várias épocas e culturas. A primeira, lembra a cultura egípcia, a túnica lembra a cultura religiosa oriental e o casaco de pele, os bárbaros.<br />
As cores desse figurino tendem a uma composição muito bonita em vídeo. Os detalhes em dourado nos dois primeiros figurinos, dão a sensação de nobreza e importância.</p>
<p style="text-align: justify;">Dançarinas: As dançarinas, vestidas inteiramente de dourado, dão também uma sensação de nobreza, porém, com a mistura da maquiagem azul, que nos passa calma, tranqüilidade e harmonia, temos a impressão de que elas são seres elevados que acompanham Florence em todos os lugares. A roupa, bem como às cores do figurino e maquiagem, remetem também à influencias indianas.</p>
<p style="text-align: justify;">A roupa delas, diferente da de Florence, não parece ser tão confortável, mas sim como se fosse feita inteiramente de pequenas pedrinhas de jóias. No vídeo, esse contraste de azul com dourado chama muito atenção, por isso, essas personagens são usadas para direcionar o olhar do espectador</p>
<p style="text-align: justify;">Harpistas: Aparecem em quadro com uma grande túnica encapuzada na cor vinho. O tecido absorve um pouco de luz, refletindo a cor dourada. Com o capuz, não é possível enxergar o rosto dos personagens. A roupa remete ao paganismo e bruxaria.</p>
<p style="text-align: justify;">Tamborista 1: Aparecem com uma vestimenta bastante simples, que trata-se de um pano ao redor do rosto e parte superior do corpo, e calça nude. Os panos variam entre as cores roxa e vinho. Há, nesta roupa, uma representação dos pagãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tamborista 2: Surgem com vestimentas de pele, em diferentes tons de nude e marrom. A pintura corporal e acessórios como bolsas de pele também nos ajudam a perceber a referência bárbara da vestimenta.</p>
<p style="text-align: justify;">Coro: Aparece com uma roupa bastante simples, uma túnica branca com detalhes em roxo, que remetem exatamente à roupa utilizada por padres em igrejas cristãs. O branco transmite a sensação de paz e conforto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MAQUIAGEM</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Neste ponto, pretendo me ater à maquiagem da cantora, Florence, e de duas dançarinas que a segue por boa parte do trecho. Elas aparecem completamente pintadas de azul, em contraste com a roupa, inteiramente dourada, enquanto que Florence predomina com uma maquiagem branca e vermelha na região dos olhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na minha opinião, a maquiagem de Florence representa o xamanismo.  Em rituais xamânicos, a pintura corporal aparece com freqüência, como no seguinte trecho: “durante a realização de rituais no cemitério, protegem contra os vein kuprin (almas dos falecidos), entidades que podem causar doenças e a morte, uma vez que, impulsionadas pela saudade de seus parentes próximos, pretendem levá-los para o numbê (aldeia dos mortos). A pintura corporal, efetuada com tintas oriundas de um domínio natural concebido como dividido, torna a pessoa invisível em relação aos espíritos dos mortos.” Além disso, o vermelho tem forte significado entre os xamãs: “É interessante notar que o fogo &#8211; elemento ligado ao mundo social – está sempre presente no momento da obtenção dos poderes vindos da natureza: a erva queimada, a fumaça do remédio do mato que sobe &#8220;pra atropelar as enfermidades&#8221;, a erva usada em pó, depois de queimada, o carvão da samambainha e do pinheiro para a pintura corporal no kiki. O fogo parece ser o elemento social que ativa, potencializa e domestica o remédio que vem do mato.”</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, sabemos também que o vermelho é ma cor quente, e, portanto, em meio a um quadro predominantemente branco, esta cor chama a atenção e acentua o olhar da cantora.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a maquiagem das dançarinas, acredito que a intenção seja representar espíritos. As duas dançarinas seguem Florence ao longo do clipe e aparecem em quadro muito mais do que qualquer outro personagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>VISAGE DOS PERSONAGENS E COMPOSIÇÃO DA CENA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os personagens são colocados em quadro de forma simétrica, com o objetivo de sempre destacar a cantora, que aparece quase o tempo inteiro nos pontos mais visíveis do enquadramento.</p>
<p style="text-align: justify;">No refrão da música, quando todos os personagens aparecem simultaneamente em quadro, vemos a figura de um triângulo ser formada, tendo assim, uma ampliação do enquadramento, bem como marcação clara do ponto de interesse da cena.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é apenas neste momento que vemos a composição triangular aparecer. Também é aplicada, a todo o momento, a regra dos terços, em que os pontos de interesse do quadro estão no vértice de quadrados demarcados por uma regra.</p>
<p style="text-align: justify;">É bom lembrar que os figurinos, cenário clean e simetria ajudam também a direcionar o olhar do espectador, desta forma, Florence pode ser enquadrada perfeitamente no exato centro do quadro sem que isso perca beleza ou visibilidade da cena.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CORES</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tanto as cores brancas como pretas, no cenário, são neutras. O que significa que o olhar do espectador não se prende a este fundo, mas sim a qualquer coisa com cores ou movimento que aparecer na tela. No caso de “Dog Days are Over”, esta é exatamente a intenção: Tornar o personagem como ponto a ser percebido na tela.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto às cores dos instrumentos musicas e figurinos, ou seja, os objetos de cena, temos sempre a mistura de tons de nude com detalhes em dourado e vinho ou roxo em alguns tecidos. A sensação dos figurinos e objetos de cena é que eles são bastante cleans. Nenhuma cor se destaca mais do que a outra, com exceção do vermelho da maquiagem de Florence, por se tratar de uma cor muito quente.</p>
<p style="text-align: justify;">A respeito da fumaça, temos o azul (roxo) se fundindo com o vermelho (vinho). O azul é uma cor fria e o vermelho quente, porém, colocá-las juntas em quadro é totalmente possível e até mesmo harmônico.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5470" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Xampu &#8211; Lovely Losers</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 19:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A juventude está categorizada naquele grupo de temas complicados de serem abordados dentro do mundo das HQs. Aparentemente essa pode parecer uma afirmação sem sentido, já que as histórias em quadrinhos deveriam ter como público-alvo os “as gerações mais novas”, mas nesse caso o problema não está exatamente no produto e sim nos seus desenvolvedores, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/capa_v001_200.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-3046" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/capa_v001_200.jpg" alt="" width="200" height="268" /></a>A juventude está categorizada naquele grupo de temas complicados de serem abordados dentro do mundo das HQs. Aparentemente essa pode parecer uma afirmação sem sentido, já que as histórias em quadrinhos deveriam ter como público-alvo os “as gerações mais novas”, mas nesse caso o problema não está exatamente no produto e sim nos seus desenvolvedores, porque escrever sobre jovens para que outros jovens leiam, é dar início a uma experiência vivenciada no limiar dos clichês falhos. Felizmente, vez ou outra, obras como <em>Xampu – Lovely Losers</em> aparecem para mostrar que a “juventude”, mesmo tardia, pode ser uma temática bem explorada, chegando ao ponto de merecer uma indicação.</p>
<p style="text-align: justify">O roteiro de <em>Xampu</em> é focado dentro da vida de 4 personagens principais e os elementos em comum que os rodeiam. Max, O Sombra, Nicole e Raquel estão na capa da HQ como uma daquelas ilustrações que vinham no centro dos discos de vinil. A presença do LP e os personagens são suficientes para se deixar claro que essa não é uma história atual e nem sobre uma juventude “colorida”. Toda a trama se passa nos anos 80 e é recheada de citações à filmes, programas e bandas da época, ficando em maior apelo a parte musical já que O Sombra, um dos personagens principais, é vocalista de uma banda de Hard Rock e um apaixonado pela música e a fama que ela pode trazer.<span id="more-3045"></span>As histórias são divididas em faixas, assim como seriam num LP de verdade. Nelas, os 4 personagens vão vivenciando experiências comuns a todos aqueles que tiveram seus 20 poucos anos vividos durante a década de 80. Festas regadas a bebidas e muita música, dividir apartamento com amigos, sobreviver com uma renda limitada, tentar mudar de vida, ser famoso entre as meninas, viver, crescer, chegar ao fundo do poço e, talvez, voltar. São tantas as experiências dentro de poucas páginas e apresentadas com uma certa rapidez.</p>
<p style="text-align: justify">Xampu usa todos esses elementos revolucionários para a época como, por exemplo, o comportamento transgressor dos ditos “roqueiros”, a fim de abordar uma gama de acontecimentos que são sentidos de uma forma mais acentuada na fase chamada juventude. Amores partidos, vidas queimadas, destinos cruéis e o cotidiano juvenil são postos em sua forma mais realista. Ou seja, não existem duas páginas seguidas com um texto pretensioso e pouco comum. Os personagens são parecidos com amigos seus, os lugares são idênticos aos que vocês podem ver por toda a grande São Paulo e, principalmente, os acontecimentos são muito reais, ao ponto de já terem ocorrido com boa parte de leitores.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/prev_v001_002g.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3047" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/uploads/2010/08/prev_v001_002g-223x300.jpg" alt="" width="223" height="300" /></a>Talvez o mais legal de Xampu seja o fato de que toda a obra foi solidificada usando uma argamassa chamada “clichê satisfatório”. Por mais comum ou usual que os perfis e ambientes sejam, ou por mais real que as situações possam parecer, em momento algum o leitor vai se queixar de estar sendo enganado. O realismo é a ferramenta utilizada para espalhar essa argamassa sem prejudicar a escultura com traços forçados.</p>
<p style="text-align: justify">No que diz respeito a arte e as cores, não existem reclamações. Colocar toda a ilustração em preto e branco, com um traço marcado deu expressão aos personagens e vida aos ambientes. Um possível descontentamento seja com o fato de que a cidade de São Paulo não está bem ambientada, simplesmente por uma falta de visões comuns e pontos de encontro.</p>
<p style="text-align: justify">Um outro susto para o leitor é saber que tudo essa obra foi pensada, escrita e ilustrada por uma única pessoa. Roger Cruz, um nome conhecidos para os leitores da Marvel, nasceu em São Paulo em plenos anos 70 e começou a trabalhar com ilustração ainda jovem. Fica visível a influencia de sua juventude dentro de Xampu e talvez essa marca de ainda mais credibilidade ao roteiro de Xampu.</p>
<p style="text-align: justify">Acredito que os dois melhores grupos para se indicar a leitura de Xampu sejam grupos conflitantes. O primeiro deles é formado pelos saudosistas que viveram nos anos 80 sua juventude e estavam antenados com o cenário <em>rock n&#8217; roll</em>. Já o segundo grupo, pode ser formado justamente por uma juventude que está bem longe do ambiente retratado pela HQ, não sei se existe uma nomenclatura correta, porém gosto de chamar esse grupo em questão de “coloridos”. No caso, esse segundo grupo, deveria ler a HQ para ter a oportunidade de conhecer os anos 80 de uma forma diferenciada e mais direta.</p>
<p style="text-align: justify">Xampu Lovely Loser saiu pela editora Devir e custa uma média de 25 à 30 reais. Quem quiser comprar uma, indico a <a href="https://www.comix.com.br/distinction.php">Comix Book</a> pela confiança que tenho no trabalho deles.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Sobre o autor</strong>: Breno Cavalcante é o <a title="breno c." href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=17" target="_blank">Breno C.</a> no Meia Palavra e também pode ser encontrado no blog <a title="csides" href="http://www.csides.com.br" target="_blank">CSIDES</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4813&amp;pid=84010#pid84010" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Matthieu Chédid (-M-)</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 13:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[-M-]]></category>
		<category><![CDATA[Cantores]]></category>
		<category><![CDATA[Je dis Aime]]></category>
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		<category><![CDATA[Matthieu Chedid]]></category>
		<category><![CDATA[Música francesa]]></category>
		<category><![CDATA[Música Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Você já gostou de uma banda que todo mundo que você conhece odeia? Eu já. Ou pelo menos é essa a sensação que tenho toda vez que resolvo falar de -M-. Tá, talvez quase ninguém conheça mesmo. Pelo menos não aqui. Matthieu Chedid, e seu personagem -M-, parecem ser grandes na França, e -M- já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/mathieu-chedid-par-yann-orhan1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2881" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/mathieu-chedid-par-yann-orhan1.jpg" alt="" width="193" height="270" /></a>Você já gostou de uma banda que todo mundo que você conhece odeia? Eu já. Ou pelo menos é essa a sensação que tenho toda vez que resolvo falar de -M-. Tá, talvez quase ninguém conheça mesmo. Pelo menos não aqui.</p>
<p style="text-align: justify">Matthieu Chedid, e seu personagem -M-, parecem ser grandes na França, e -M- já ganhou inclusive um Oscar pela canção de “<em>Triplettes de Bellevile</em>”. Eu conheci por acaso,  vendo seu clip de “<em>Je dis aime</em>” no programa “<em>Paroles de clip</em>” no TV5Monde, e desde então procurei pelo cara na internet, em lojas, enfim, em tudo quanto é lugar. Tente fazer uma pesquisa de uma letra no Google, e entenderá meu sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify">Quem me conhece sabe que sou fascinada por (quase) tudo que se refere à França, mas mesmo quando estava aprendendo o idioma tive dificuldades em achar, musicalmente falando, algo atual,vindo de lá, que me agradasse. Num dia um pouco mais obstinado, finalmente reencontrei-me com -M- no YouTube, e desde então estou mais ou menos obcecada. Vou tentar explicar o porquê, e peço desculpas antecipadamente pelos arroubos passionais que tenho certeza que aparecerão.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-2878"></span></p>
<p style="text-align: justify">Matthieu Chédid tem 38 anos, é filho de Louis Chédid (outro cantor francês) e neto da poetisa francesa de origem egípcia Andrée Chédid, e foi namorado de Audrey Tautou. Para controlar sua timidez, Matthieu criou uma persona excêntrica, apelidada de -M-, que se refere tanto à letra do alfabeto, quanto à palavra francesa <em>aime</em>. Seu primeiro álbum é seu batismo, literalmente.</p>
<p style="text-align: justify">-M- possui um visual ousado, com cabelos pontudos e <em>trench coats</em> espalhafatosos.  Em termos de sonoridade, ele é um camaleão. Numa faixa M é rock, na outra brega, depois flerta com a música africana, com o eletrônico, a bossa nova, o que talvez justifique o nariz torcido que as pessoas me mostram quando, empolgadíssima, mostro um clip novo dele para alguém. Mas mesmo tendo este lado “tudo ao mesmo tempo agora”, seu estilo é muito característico. Sua voz é única, seu jeito de tocar guitarra, reconhecível.</p>
<p style="text-align: justify">Mas o que me pegou de jeito mesmo foram as letras.  Sua poesia aborda desde a própria criação do personagem (<em>Le baptême</em>), ao ecoativismo (<em>Bonoboo</em>), passando pelo humorístico (<em>Matchistador</em>), pela crítica social (<em>Mama Sam</em>, <em>Monde Virtue</em>l), autocrítica (<em>Je suis une cigarrette</em>), amor (<em>La belle étoile</em>), desejo (<em>Lettre à Tanagra</em>), carinho (<em>Ma mélodie</em>), um temperinho de metamúsica (<em>Qui de nous deux</em>), filosofia (<em>Est-ce que c&#8217;est ça?</em>), à poesia pura (<em>L&#8217;Éclipse</em>, este em parceria com Sean Lennon).</p>
<p style="text-align: justify">Como poeta, seu jogo de palavras e sonoridades em francês me lembra muito o que João Bosco faz com o português, com frases de múltiplos sentidos e um som, e é uma fonte de bons versos e boas reflexões. Com risco de perder sua genialidade em minhas traduções, seguem alguns trechos de músicas dele:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“J&#8217;ai une tendancieuse nostalgie du futur” (Souvenir du futur)<br />
Tenho uma nostalgia tendenciosa do futuro)</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“Est-ce qu&#8217;il faut pour de vrai<br />
Qu&#8217;ça sonne faux” (Ça sonne faux)<br />
Será que se deve, para ser verdadeiro, que soe falso”</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“<em>Après quoi on cours?</em>” (Est-ce que c&#8217;est ça)<br />
- Atrás do que corremos?</p>
<p style="text-align: justify">
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“Souviens-toi de demain, il ne roulera qu&#8217;une fois<br />
C&#8217;est pas pour hier que demain s&#8217;oubliera<br />
J&#8217;ai la mémoire courte<br />
Mais le futur ne s&#8217;oublie pas” (Souvenir du futur)</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">- Lembre-se do amanhã, ele só acontecerá uma vez. Não será por ontem, que o amanhã se esquecerá. Eu tenho a memória curta, mas o futuro não se esquece.”</p>
<p style="text-align: justify">E, para aquele que chegou até aqui, e se interessou por esse personagem marcante, um bônus: &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=CeZtBEMF7sI">Est-ce que c&#8217;est ça</a>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify">
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<p style="text-align: justify">
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