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	<title>Meia Palavra&#187; Machado de Assis</title>
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		<title>O jornal e o livro (Machado de Assis)</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 19:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Machado de Assis é um dos maiores escritores brasileiros. Reconhecido como excelente romancista, contista, poeta e teatrólogo, Machado é autor de romances memoráveis, como Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, sendo este último citado como um dos cinco melhores livros do cineasta Woody Allen no último ano. Porém, existe um lado do escritor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/jornaleolivro.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17308" style="margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/jornaleolivro-194x300.jpg" alt="" width="194" height="300" /></a>Machado de Assis é um dos maiores escritores brasileiros. Reconhecido como excelente romancista, contista, poeta e teatrólogo, Machado é autor de romances memoráveis, como <em>Dom Casmurro</em> e <em>Memórias Póstumas de Brás Cubas</em>, sendo este último citado como um dos cinco melhores livros do cineasta Woody Allen no último ano.</p>
<p style="text-align: justify">Porém, existe um lado do escritor brasileiro pouco conhecido do público, o do crítico e cronista habilidoso. Para sanar essa dívida, acaba de ser lançado pela <strong>Companhia das Letras</strong>, pelo selo Penguin, a obra <strong>O jornal e o livro,</strong> que contém cinco crônicas instigantes de <strong>Machado de Assis</strong>.</p>
<p style="text-align: justify">Os textos foram publicados originalmente na imprensa carioca entre 1850 e 1870, e mostram um forte crítico atento a questões sociais, políticas e culturais, com um olhar especial à evolução literária do Brasil. Essa preocupação fica nítida na primeira crônica intitulada “Ideal do crítico”, ao fazer uma análise sobre a importância deste para a o crescimento dos escritores e obras.<span id="more-17307"></span></p>
<p style="text-align: justify">O lado de crítico literário é exercido em outro texto do livro, em que Machado critica veementemente o realismo pragmático de Eça de Queiroz no romance <em>Primo Basílio</em>. Este lado também é visto na crônica “Notícias da atual literatura brasileira – Instinto de nacionalidade&#8221;, em que Machado analisa o modo como o espírito nacional vem sendo representado nos gêneros de romance, poesia, teatro e na própria língua.</p>
<p style="text-align: justify">Já no texto que dá nome a esta edição, o escritor mostra-se um defensor do jornal em detrimento do livro como instrumento de democratização, o que além de mostrar a opção do escritor pelos contos e romances em formatos de folhetim, também demonstra a preocupação com a incipiente independência política nacional.</p>
<p style="text-align: justify">No último texto, chamado “Aquarela”, Machado aborda alguns exemplos de estereótipos de cidadãos daquela época. Ao falar do fanqueiro literário, do parasita, do empregado público aposentado e do folhetinista é perceptível o ar de cinismo e ironia viril do escritor.</p>
<p style="text-align: justify">Enfim, em <em>O jornal e o livro</em> é possível ter contato com alguns dos primeiros textos de Machado de Assis e observar que, além de excepcional romancista, ele também é um voraz crítico atento ao seu tempo. E para aqueles que conhecem um pouco da obra de Machado, é perceptível nas opiniões do escritor os caminhos que ele já estava tomando para sua evolução literária tão consagrada anos mais tarde.</p>
<p><strong>O Jornal e o livro</strong><br />
<strong>Autor:</strong> Machado de Assis<br />
<strong>80 páginas</strong><br />
<strong>Preço Sugerido:</strong> R$ 10,90</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Indignação (Philip Roth)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/29/indignacao-philip-roth/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 16:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[A humilhação]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
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		<description><![CDATA[Marcus Messner é um jovem de dezoito anos exemplar. Dividindo seu tempo entre o estudo, prática de esportes – beisebol – e o trabalho no açougue do pai, que mesmo não gostando do cheiro de “sangue e sebo” desempenha sua função como fora-lhe ensinado pelo patriarca no corte da galinha: &#8220;Abre o cu com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/indignacao.jpg"><img class="size-medium wp-image-16971 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/indignacao-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a>Marcus Messner é um jovem de dezoito anos exemplar. Dividindo seu tempo entre o estudo, prática de esportes – beisebol – e o trabalho no açougue do pai, que mesmo não gostando do cheiro de “sangue e sebo” desempenha sua função como fora-lhe ensinado pelo patriarca no corte da galinha: <em>&#8220;Abre o cu com um corte, enfia a mão bem fundo, agarra as vísceras e puxa para fora. Nauseabundo e repugnante, mas tinha de ser feito&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: justify">O fato de ser o primeiro Messner a entrar na universidade é outro fator que enche de orgulho os pais de Marcus. Mas que também causa a transformação de uma história simples e pacata sobre o relacionamento entre pai e filho em uma reviravolta de acontecimentos, descobertas e conflitos na vida do jovem Messner que mudam a condução do livro e presenteiam o leitor com a narrativa arrebatadora de Philip Roth.</p>
<p style="text-align: justify">O livro <strong>Indignação</strong>, lançado pela <strong>Companhia das Letras</strong>, é o segundo da tetralogia composta também por “<em>Homem Comum</em>”, “<em>A humilhação</em>” e <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/22/nemesis-philip-roth/" target="_blank">“<em>Nêmesis</em>”</a>. Apesar da obra destoar de outros livros de Roth ao não abordar os temas da velhice, alguns questionamentos identitários são mantidos, como o conflito judaico no cenário cristão norte-americano.<span id="more-16969"></span></p>
<p style="text-align: justify">Mas o que mais impressiona na obra de Roth é o poder narrativo do autor. Logo nas primeiras páginas do livro já é anunciado o destino do protagonista – a morte – que também está explícito no nome do capítulo de abertura, e majoritário da obra, chamado <em>“Sob o efeito da Morfina”</em>.</p>
<p style="text-align: justify">A comparação com Brás Cubas de Machado de Assis é inevitável, apesar de morar a dúvida se o narrador de <strong>Indignação</strong> está de fato morto no decorrer dos fatos. Mas assim como no romance de Machado, o desfecho não é o ponto chave da obra de Roth, mas o poder narrativo na condução de fatos corriqueiros que levaram Marcus ao seu destino.</p>
<p style="text-align: justify">Os problemas do protagonista começam com a entrada na universidade de Robert Treat, em Nova Jersey. O medo no futuro do filho único enlouquecem o pai, que passa a perseguir Marcus: <em>“Como posso saber onde você está?”</em>. Na esperança do retorno da sanidade do patriarca, o jovem muda-se para a distante universidade de Winsburd, em Ohio, que é uma tradicional instituição cristã.</p>
<p style="text-align: justify">Os conflitos ganham proporções maiores com a mudança. O foco de Marcus é unicamente o estudo &#8211; pelo menos é o que ele procura passar ao leitor – com o intuito de fugir da linha de frente da guerra da Coreia, que em 1951 vinha matando muitos soldados norte-americanos. Mas tão logo aparecem obstáculos como os companheiros de quarto, ora importunando o sono do narrador, ora com a indiferença da presença dele. Assim como também a preocupação do diretor na falta de integração do novo estudante a universidade, além das obrigatórias aulas de educação religiosa cristã – fato que gera repulsa em Marcus, que se diz ateu convicto &#8211; e a contínua loucura do pai que se agravava a cada ligação do filho para casa.</p>
<p style="text-align: justify">Em todos os conflitos que surgem ele opta naturalmente pela fuga perante a indignação de que sente por tudo que acontece a sua volta. Mas o envolvimento com a jovem e estranha Olivia Hutton muda os caminhos do protagonista, que não foge da jovem, mas mergulha em um mar de pensamentos provocados pela descoberta sexual, conflitos identitários e uma paixão juvenil que levam-no para o seu anunciado destino.</p>
<p style="text-align: justify">Quando o efeito da morfina passa Marcus perde a capacidade de contar sua própria história e é substituído. Inicia-se assim o segundo e último capítulo do livro que em poucas páginas conta, em terceira pessoa, o desfecho do jovem Messner.</p>
<p style="text-align: justify">Independente do seu trágico e premeditado destino, o efeito da obra de Philip Roth é impactante. A habilidade com que ele conduz a narrativa de fatos banais através das decisões e questionamentos do jovem Messner prende o leitor que é incapaz de largar o livro até a última página, e provavelmente ficará com o gosto amargo da obra por alguns dias ao tentar digeri-la.</p>
<p><strong>Indignação</strong><br />
<strong>Autor:</strong> Philip Roth<br />
<strong>Tradução:</strong> Jorio Dauster<br />
<strong>176 páginas</strong><br />
<strong>Preço Sugerido:</strong> R$ 39,50</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para André Diniz</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 16:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Meia Palavra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[André Diniz é roteirista e ilustrador. Nasceu no Rio de Janeiro em 1975, mas adotou São Paulo como residência. Segundo as palavras dele próprio: “Sempre adorei aqui, sou um carioca fajuto”. André é atualmente um dos quadrinistas de maior prestígio no Brasil, vencedor de diversos prêmios, dentre estes o HQMIX e Ângelo Agostini, o quadrinista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/andre.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-16520" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/andre-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify">André Diniz é roteirista e ilustrador. Nasceu no Rio de Janeiro em 1975, mas adotou São Paulo como residência. Segundo as palavras dele próprio: <em>“Sempre adorei aqui, sou um carioca fajuto”</em>. André é atualmente um dos quadrinistas de maior prestígio no Brasil, vencedor de diversos prêmios, dentre estes o HQMIX e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%AAmio_Angelo_Agostini" target="_blank">Ângelo Agostini</a>, o quadrinista possui algumas obras ligadas a história do Brasil, como Morro da Favela e Quilombo Orum Aiê.. Além disso já produziu Zines, possuiu sua própria editora e publicou por grandes editoras brasileiras. Com a simpatia habitual, e uma trajetória que se confunde com a evolução dos quadrinhos no país, André nos cedeu uma entrevista fantástica.<span id="more-16510"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>01 &#8211; Qual a maior dificuldade em se publicar/vender histórias em quadrinhos no Brasil? Podemos dizer que é uma mídia consolidada no país?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Há uma década atrás, o maior desafio de um autor de quadrinhos era a publicação. A auto-publicação era praticamente o único caminho existente, e foi assim que eu e praticamente toda a minha geração de quadrinhistas começamos: juntando dinheiro, pagando a gráfica e distribuindo nas lojas especializadas e poucas livrarias que aceitavam vender HQs, tudo por conta própria.</p>
<p style="text-align: justify">Hoje, porém, publicar não é mais um fantasma. As editoras estão bem abertas aos quadrinhos, assim como as livrarias. O grande desafio agora do quadrinhista é viver somente da sua arte. Costumo dizer que viramos gente grande, com as benesses e os problemas de adulto. Assim como um escritor, o quadrinhista tem espaço de destaque na livraria, mas vai ter que conciliar outros trabalhos em paralelo para viver.</p>
<p style="text-align: justify">Mas o cenário é fabuloso se compararmos com sete, oito anos atrás. Temos espaço generoso nas livrarias, na mídia, várias editoras especializadas em HQs. E, o que considero ainda mais interessante: as ediToras em geral estão abertas a uma HQ que se encaixe em sua linha editorial. Fiz uma adaptação para HQ do poema A Cacheira de Paulo Afonso, de Castro Alves, e quem publicou não foi uma editora de quadrinhos. Foi a Pallas, especializada em cultura afro-brasileira. Isso é uma prova da maturidade das HQs no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/Morro.da_.Favela.Andr%C3%A9.Diniz_.e.Maur%C3%ADcio.Hora_.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-12383" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/Morro.da_.Favela.Andr%C3%A9.Diniz_.e.Maur%C3%ADcio.Hora_.jpg" alt="" width="200" height="288" /></a>02 &#8211; Você trabalhou com Maurício Hora na HQ Morro da Favela, como foi essa parceria? O roteiro e a história foram construídas de maneira conjunta? As experiências do Maurício te serviram de que modo?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Fiz uma série de entrevistas com ele, gravamos horas e horas de conversa, e com base nisso fiz o roteiro e desenhei a HQ. A construção da história foi toda minha, apenas mandei a história pronta ao Maurício para que ele desse pitacos finais. Mas a história não se limita a contar a vida dele &#8211; o que por si só já seria riquíssimo. Um componente fundamental da história é a forma como ela fala da história de Maurício e de seu pai &#8211; um dos primeiros traficantes do Rio &#8211; assim como fala de quatro décadas de vida na favela, da forma menos óbvia possível. Em vez de mostrar tiroteios, por exemplo, ela mostra que Maurício não sabe arrumar seu armário até hoje, pois cresceu com a polícia entrando em sua casa e revirando suas coisas. Essas sutilezas, assim como uma forma de ver tudo de dentro e com distanciamento nas doses certas, é uma visão 100% do Maurício. As observações ricas e a forma particular com que a favela é mostrada na história, tudo isso quem me deu foi o Maurício. Então, não há como negar que ele também é autor da HQ. Sem falar nas fotos dele, no final do livro. Fotos de dentro da favela, muitas noturnas, que talvez fossem únicas até a implementação da UPP &#8211; Unidade de Polícia Pacificadora &#8211; que se deu quando o livro já estava pronto.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>03 &#8211; No início de Morro da Favela, você diz que se trata de um &#8220;romance em quadrinhos&#8221;. Quais as peculiaridades presentes na produção que o caracterizariam dessa forma?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Na verdade, quem usa esse termo é o Marcos Vinicius Faustini, que escreveu o prefácio. Particularmente, acho que quadrinhos é quadrinhos, embora eu não entre muito nessa questão de nomenclaturas. Mas é que o termo “quadrinhos”, por décadas, ficou marcado como algo mais descartável para o público infantojuvenil, ao menos na visão do grande público. Daí, há uma certa resistência de muitos &#8211; leitores e autores &#8211; de chamar pelo mesmo nome uma obra adulta, que levou três anos para ser feita. Por mim, tanto faz, o importante é que leiam!</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Orum_quilombo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-14404" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Orum_quilombo-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>04 &#8211; Em O Quilombo Orum Aiê, você trabalha com um assunto que vem sendo gradativamente inserido nos programas de ensino escolares, mesmo nas cursos de História e Ciências Humanas e no senso comum em alguma medida, que é a História Africana ou africanidade de um modo geral. Quais os cuidados, pesquisas e potencial encontrado no trato com esse assunto?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Fui abençoado pelo destino nessa questão de quadrinhos nas escolas, pois mesmo na época em que eu me auto-publicava, na época ainda que sequer se falava em usar HQ na educação, as minhas obras já tinham, em grande parte, o mesmo ponto de partida de O Quilombo Orum Aiê: personagens fictícios em cenários históricos. Então, de uma hora pra outra, aquilo que eu queria fazer de qualquer jeito, aquilo que me dava prejuizo mas eu continuava mesmo assim, auqilo virou um filão, por ironia do destino. Então, eu faria O Quilombo Orum Aiê com ou sem mercado para escolas, pois era uma história que eu precisava contar.</p>
<p style="text-align: justify">A ideia inicial me veio quase como algo simbólico: a jornada de três jovens escravos em busca de um quilombo utópico, que eles sequer sabem de fato se existe ou não. Algo que representasse o fim da infância e a entrada na adolescência, o fim da inocência e o encontro com o mundo real, talvez a maior aventura da vida de todos nós. Aí entraram as pesquisas, para a ideia amadurecer.</p>
<p style="text-align: justify">Na fase das pesquisas, decidi inserir na história a Revolta dos Malês, a maior revolta escrava da nossa história. É durante ela que dá-se a fuga dos personagens. Descobri, também, o quanto o tema é bem mais rico do que o tradicional escravo passivo cortando cana na fazenda e dormindo na senzala. Decidi ir por outro caminho: mostrar os escravos urbanos, usar a confusão linguística de um cenário onde muitos eram recém-chegados de diferentes povos africanos, além de mostrar também os escravos que seguiam o islã, religião adotada por seus povos. Dessa forma, a ideia inicial, foi bem enriquecida pelas pesquisas. O livro foi comprado pelo governo, em 2010, para todas as bibliotecas de escolas públicas do país pelo programa PNBE.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>05 &#8211; A internet tem tornado mais fácil ou mais concorrido o trabalho de ilustrador e roteirista de quadrinhos? O que de bom e de ruim você tem experimentado nesse meio?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A internet é um antes-e-depois para os autores nacionais de quadrinhos. Através dela, passamos a ter contato com o que é feito lá fora, a trocar dicas e experiências entre autores de diversos cantos do país e do mundo, a divulgar, marcar encontros, lançamentos&#8230; Mas, principalmente, por dois motivos: foi pela internet que começamos a ter uma mídia de grande alcance que noticia e critica quadrinhos no Brasil, sem falar quando a internet é a própria mídia em si para a veiculação das HQs, especialmente tiras. Diante disso tudo, nem lembro do lado ruim!</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/diniz3.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-16524" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/diniz3-300x300.jpg" alt="" width="210" height="210" /></a>06 &#8211; Não podemos deixar de notar a similaridade entre suas ilustrações e as presentes na chamada literatura de cordel. Ela é uma de suas influências? Quais outras obras/autores influênciam o seu trabalho?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sem dúvida, junto com a arte africana. Xilogravuras em geral, não só as do cordel. São grandes paixões minhas que resumem bem a forma como consigo ver o mundo. São artes que não se “limitam” a reproduzir o mundo como ele é, elas o recriam. Nisso, também sou fascinado pelo cubismo e pelo impressionismo. Amo a distorção de formas, a economia de traços o uso livro das cores e o exagero do resultado final.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>07 &#8211; A História do Brasil é uma das recorrências de sua obra, seja através do AI-5 na ditadura civil-militar (em Ato 5), seja através da revolta de Canudos (em História do Brasil em quadrinhos). Quais tem sido suas preocupações ao retratar episódios da História do país?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Tenho claro pra mim que não sou um historiador. Sou, sim um autor que quer contar uma boa história. Porém, há uma responsabilidade, claro, principalmente ao imaginar que minhas HQs podem ser usadas em sala de aula. Mas eu sempre foco muito mais no ser humano do que nos eventos, e vem daí a minha linha de criar personagens fictícios em cenários históricos, pois posso contar a saga de um personagem meu e, como consequência, o leitor reviverá um momento único e decisivo que, mesmo tendo sido há três séculos, influi muito mais nas nossas vidas do que podemos imaginar. E é em grandes acontecimentos que o ser humano se revela, por isso acho fascinante recriar épocas e eventos passados, sem falar no prazer da pesquisa, da reconstituição.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>08 &#8211; Você tem em seu currículo obras que lidam com temas em acirrada disputa mesmo em nosso tempo, como História Mundial, História do Brasil e Filosofia. Adaptar tais produções para a linguagem dos quadrinhos encontra que barreiras? Como foi o feedback que você recebeu por essas produções?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não vejo barreiras, já que o objetivo da HQ não é substituir o livro teórico ou didático. Ela atua em paralelo, e com isso há um casamento perfeito. O estudante aprende a matéria pela forma tradicional, onde os fatos e seus agentes são ensinados a ele. Depois, pela história em quadrinhos, é a hora do aluno se envolver com o tema. Ali ele revive aquela época e aquele momento, vê como as pessoas viviam, envolve-se com o lado aventuresco ou dramático dos fatos e descobre que aqueles nomes distantes que a professora falou, na verdade eram gente de carne-e-osso, com defeitos, medos, caprichos, ambições. O quadrinho faz o aluno gostar do tema e entendê-lo melhor, aumentando o seu interesse. Sem falar na lingiagem visual, pela qual se aprende muito também. E, nisso, o quadrinho é imbatível, ao lado do cinema.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>09 &#8211; Quais foram as razões que o levaram a ser quadrinista e roteirista?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Eu já fazia as minhas primeiras HQs antes mesmo de saber ler e nunca pensei em fazer outra coisa. Se existe predestinação, eu sou um bom exemplo disso!</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10 &#8211; Você já publicou obras de forma independente, no meio digital (em sites) e por diversas editoras. Baseado na sua experiência, quais dicas você daria para novos autores (roteiristas e quadrinistas) que desejam publicar suas obras?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Ter sempre humildade, saber ouvir críticas e saber avaliá-las para o seu crescimento como artista. Claro que um vai achar pequeno demais e outro vai achar grande demais, daí cabe ao artista saber ver sua própria obra com distanciamento. Mas sempre lembrando que, assim como a nossa própria imagem no espelho, nunca conseguiremos ver sem distorção a nossa própria obra. É importantíssimo saber ouvir. Isso vale também para os elogios: mesmo que eles sejam unânimes, o artista deve sempre procurar onde melhorar e ver os elogios com certa relatividade.</p>
<p style="text-align: justify">Outra postura fundamental é diversificar-se ao máximo culturalmente. O autor, seja de cinema, de romances ou de quadrinhos, tem que ter algo a dizer. É para isso que o leitor vai comprar a sua obra. Portanto, viaje, leia jornal, assista a filmes iranianos, a desenhos da Pixar, assista a novelas, vá ao teatro, confira as exposições em cartaz, navegue na internet, leia Dostoiévski, Machado de Assis, Harry Potter, bula de remédio&#8230; Mas não seja fã de nada, ou você vai se prender a um gênero e não vai conseguir oferecer nada de novo como autor. Ah, e conheça pessoas e nunca as pré-julgue. Ouça-as abertamente. Se o taxista não puxar conversa com você, tome então a iniciativa!</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2 &#8211; Na nona arte há&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify">um mundo de possibilidades criativas.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agradece a grande atenção dada por André Diniz.</em></p>
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		<title>Tumbas de poetas y pensadores (Cees Nooteboom)</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 19:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os que conhecem a obra do holandês Cees Nooteboom (1933-) sabem da fascinação desse autor pelo tema, talvez não tanto da morte em si, mas dos processos que a envolvem. Algo que fica patente desde o título do seu principal romance, Dia de Finados (1999), no qual o processo de luto não está restrito apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/tumbasdepoetasypensadores.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-16377" style="margin: 5px;border: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/tumbasdepoetasypensadores-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a>Os que conhecem a obra do holandês Cees Nooteboom (1933-) sabem da fascinação desse autor pelo tema, talvez não tanto da morte em si, mas dos processos que a envolvem. Algo que fica patente desde o título do seu principal romance, <em>Dia de Finados</em> (1999), no qual o processo de luto não está restrito apenas ao indivíduo que perde entes queridos – o protagonista, Artur Daane, documentarista que perde mulher e filha num acidente de avião –, mas a um tempo, a uma forma de viver, neste que talvez seja um dos melhores livros sobre o momento imediatamente posterior a Queda do Muro de Berlim. Uma pequena novela anterior, intitulada <em>Rituais</em> (1980), poderia ter todo o seu argumento resumido da seguinte maneira: “O modo como a cerimônia do chá pode levar logicamente ao suicídio”. Por último, na publicação mais recente dele no Brasil, <em>Paraíso Perdido</em> (2004), termina numa espécie de epifania coletiva envolvendo freqüentadores de festas literárias procurando por moças vestidas de asas e aureolas, numa das atividades do evento – num retrato bastante patético daquilo que seria um sublime artístico bastante volátil. Não é surpreendente, portanto, que num dos seus livros mais recentes, Nooteboom se dedique – junto com a fotógrafa Simone Sasseen, sua esposa – a narrar suas visitas a túmulos de escritores, filósofos, teatrólogos e críticos de todo o mundo. São 80 pequenos textos, todos acompanhados de fotos, além de um prefácio brilhante sobre poesia (“Para o verdadeiro amante de poesia é sempre Pentecostes”), que compõe esse <em>Tumbas de poetas y pensadores</em> (tradução espanhola do original holandês).<span id="more-16375"></span></p>
<p style="text-align: justify">Talvez esse empreendimento não fosse tão interessante se não fosse o conhecimento amplo que esse holandês possui da literatura mundial, que certamente acompanha sua obsessão por viagens – é possível dizer que, antes de romancista ou contista (14 títulos), Nooteboom é, sobretudo, um autor de livros de viagem (22 títulos). Para o leitor brasileiro, não será sem surpresa que verá, na primeira entrada dessa enciclopédia, o túmulo de Carlos Drummond de Andrade. Achará ainda, mais a frente, o de Machado de Assis. Mas vai além: procura a tumba de Roberto Juarroz (1925-1995), poeta argentino autor de treze volumes todos intitulados <em>Poesia vertical</em>, escritor que tenho dúvidas se mesmo os argentinos ainda lêem seus livros (apesar de ser genial). Visita Gregory Corso (1930-2001), o mais esquecido dos grandes nomes da literatura beat, ao lado de Kerouac e Ginsberg. Ou ainda, Yasunari Kawabata e Murasaki Shikibu, do Japão; Emmanuel Bove e Louis Bouilhet (cujo único mérito é ter sido remetente das cartas de Flaubert) da França; quase todos os grandes nomes da literatura holandês-flamenca do século XX, como Lucebert, Siebelink e Pierre Kemp; Witold Gombrowicz, cuja nacionalidade só pode ser entrevista naquele pequeno reinado polonês que estabeleceu na Argentina durante os anos que lá permaneceu; e diversos etecéteras. Claro que os grandes estão lá – não se preocupem! Flaubert, Goethe, Baudelaire, Pound, Montale (por quem parece obsessionado), Brecht, Italo Calvino, Proust, Virgilio, Dante, mas também (e aí vêm os pensadores) Walter Benjamin, Wittgenstein, Spinoza&#8230; Um mundo (mais de um, certamente!), enfim.</p>
<p style="text-align: justify">Os comentários de Nooteboom são excelentes, muito espirituosos, mesmo quando ele se limita a destacar algum trecho da obra do escritor em questão ou simplesmente descrever as condições e os objetos que circundam a tumba: as flores que são depositadas pelo visitantes (algo que ele sempre faz questão de registrar), a garrafa de absinto no túmulo de Cortázar, as cartas na de Nabokov, pedras sob a de Paul Celan, cruzes católicas nas de Canetti e Brodsky (ambos judeus&#8230;). Não há dúvidas que ele conhece muito bem a singularidade da emoção que se manifesta  em cada um que se vê diante do túmulo de um autor que admira, mesmo que não haja “nada lá” – nem o autor, nem sua obra, nem nada. É sobre isso que ele reflete em seu longo prefácio: por que nos emocionamos nessas situações? &#8220;Porque ouvir as palavras vivas desses autores no silêncio da morte e apesar dela&#8221;, será uma das respostas provisórias de Nooteboom. Não há dúvidas que cada um elegerá as lápides sob a quais gostaria de se deter. Limito-me às possíveis de serem aqui elencadas com precisão: as minhas, as que eu visitaria.</p>
<p style="text-align: justify">Comovem-me as marcas de beijos no túmulo de Oscar Wilde. Comove-me o isolamento do lugar de descanso de Stevenson, numa montanha no meio da floresta da ilha de Samoa (comove-me duplamente porque lembro que Marcel Schwob tentou visitá-la no fim de sua vida e não conseguiu devido a sua doença, fato que Nooteboom surpreendentemente não menciona). Comove-me o túmulo de Lady Murasaki, essa dama japonesa do longínquo século X, do qual nada conhecemos, perdida em meio aos prédios do XX, em um pedaço de terra que lembra um terreno baldio. Comove-me os túmulos que Nooteboom não encontrou: o de Onetti, o de Fernando Pessoa, o de Juarroz.</p>
<p style="text-align: justify">Mas, sobretudo e todos, comovem-me o túmulos de Jorge Luis Borges e o de Adolfo Bioy Casares. Como a maioria sabe esses dois gigantes da literatura argentina foram grandes amigos e inclusive escreveram vários livros juntos. Seria triste dizer que “amizade” aqui é um eufemismo – mais correto, talvez, seria dizer que neles é possível lembrar um sentido maior que se esconde nessa palavra e que a maioria de nós esqueceu ou banalizou. Sou impreciso quando digo que foi a fotografia de seus túmulos que me emocionaram nas páginas do livro de Nooteboom (ainda que Borges seja um dos autores mais importantes para mim). O que me comove aqui é um pequeno milagre que surge e que só se opera no plano da escrita. Milagre esse que aparentemente o próprio Nooteboom não se deu conta.</p>
<p style="text-align: justify">Alguns talvez saibam que, devido aos tramites do destino, Borges está enterrado em Genebra, na Suiça, longe de sua terra e também de onde está o túmulo de Casares, no cemitério no bairro La Recoleta de Buenos Aires. É na correção dessa injustiça geográfica que o livro de Nooteboom realiza, pelos lances milagrosos da ordenação alfabética que o livro segue, que agora <span style="text-decoration: underline">B</span>orges descansa logo a frente de <span style="text-decoration: underline">C</span>asares.</p>
<p style="text-align: center">***</p>
<p style="text-align: justify">Deixo aqui a tradução do texto sobre o túmulo (?) de Lawrence. Nele, Nooteboom fala um pouco dos túmulos desaparecidos. Fica aí uma amostra do bom humor do livro.</p>
<p style="text-align: center"><strong>D.H. Lawrence </strong><br />
<strong>1885-1930</strong></p>
<p style="text-align: justify"><em>Alguns mortos são bastante inquietos e não querem que os encontremos. Yeats, alguns anos depois de sua morte, abandonou Roquebrune, retirando-se na Irlanda, e em Montevideo estive horas buscando a tumba de Onetti no Cemitério Central, porque nas livrarias da cidade me haviam assegurado que estava lá.</em></p>
<p style="text-align: justify"><em>A seguinte história me aconteceu com Pessoa em Lisboa. Fiz uma longa viagem costa acima em um ônibus catigado pelo calor, mas tampouco pude encontrar a sepultura que buscava. Dessa vez havia um vigilante, que me deu uma explicação concisa: “Não, não&#8230; Já não está mais aqui. Partiu”. Imaginei o homem de bigode do famoso desenho, com seu chapéu, com seu casaco esvoaçante, transpondo a larga cancela e desaparecendo a caminho de sua nova sepultura, provavelmente mais próxima do café La Brasileira. </em></p>
<p style="text-align: justify"><em>O terceiro inquilino foi D.H. Lawrence. Eu havia lido que descansava no mesmo cemitério de Gombrowicz </em>[em Provença, na França]<em>. </em></p>
<p style="text-align: justify"><em>Aquele que busca uma tumba olha para o chão e não para os muros, mas era num dos muros que ele estava, ou melhor, onde já não estava mais. “Aqui repousou D.H. Lawrence de março de 1930 até março de 1935”, dizia-se ali, em tom pesaroso, como se tivessem digerido muito mal o fato que Frieda, depois de todos esses cinco anos de sossego, o tivesse levado a Taos, no Novo México. </em></p>
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		<title>Leitura Marginal: Em busca de novos autores</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 22:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos últimos dias eu ando questionando-me como leitor. Isso não quer dizer que eu tive um ano ruim de leituras, pelo contrário. Na verdade foi um ano bem produtivo, e o número de leituras deve chegar a média de um livro por semana o que não é pouca coisa. Você deve então deduzir que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/marg.png"><img class="size-full wp-image-8101 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/marg.png" alt="" width="200" height="200" /></a>Nos últimos dias eu ando questionando-me como leitor. Isso não quer dizer que eu tive um ano ruim de leituras, pelo contrário. Na verdade foi um ano bem produtivo, e o número de leituras deve chegar a média de um livro por semana o que não é pouca coisa.</p>
<p style="text-align: justify">Você deve então deduzir que o meu questionamento está ligado a qualidade das minhas leituras. Porém não é algo que eu possa me queixar. Afinal durante esse ano eu estive em contato com Joseph Conrad, H. G. Wells, Arturo Pérez-Reverte, Edmondo de Amicis, Lemony Snicket, Jhon Reed, Neil Gaiman e John Boyne. Isso sem falar nas HQs de Joe Sacco, Robert Crumb, Cyril Pedrosa, Rafael Sica, Hergé e Gene Luen Yang. E dos brasileiros Rubem Alves, Bartolomeu Campos Queirós e Dalton Trevisan.<span id="more-16002"></span></p>
<p style="text-align: justify">Mas o questionamento começou de fato depois da leitura do livro <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/21/antes-de-nascer-o-mundo-mia-couto/" target="_blank">“Antes de nascer o mundo”</a> de Mia Couto. A escrita desconexa e intrigante de Mia pegou-me de surpresa e levou-me para novas veredas literárias. Tanto que a falta de obviedade na construção e desfecho da obra criou dúvidas sobre os habitantes de Jerusalém e dos livros que habitaram minha estante e tomaram conta das minhas leituras durante o ano.</p>
<p style="text-align: justify">Não quero dizer que as demais leituras foram ruins, mas é que a falta da obviedade é propícia para o surgimento da curiosidade e assim gerar discussões em torno da complexidade da obra e dos conflitos interpessoais entre os personagens e o próprio leitor.</p>
<p style="text-align: justify">Essa curiosidade foi descrita por <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/pelo-mundo/amos-oz-e-o-poder-dos-livros-vale-a-pena-tentar/" target="_blank">Amós Oz em uma entrevista ao Sérgio Rodrigues do Todoprosa</a>: <em>“Considero a curiosidade como uma virtude moral. Uma pessoa curiosa é melhor do que uma pessoa não curiosa, porque a curiosidade implica certa empatia, a capacidade de sentir como o outro sente. É por isso que a literatura é um dos antídotos contra o fanatismo”</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Essa empatia descrita por Amós Oz fica evidente no contato com os personagens de Mia Couto &#8211; e também em alguns trechos de <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/02/mexico-insurgente-john-reed/" target="_blank">México Insurgente</a> de John Reed. A leitura do romance torna-se muito mais do que simplesmente uma viagem a um território diferente, somos capazes de penetrar no seio dos personagens e conviver com eles durante alguns dias &#8211; dependendo do tempo de digestão das palavras – criando quase como uma relação intimista.</p>
<p style="text-align: justify">Essa relação é descrita por Uiara Nunes no seu artigo <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/11/14/afinal-de-que-serve-a-literatura/" target="_blank">“Afinal, de que serve a literatura?”</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">E seu efeito se faz sentir porque a literatura “produz um tremor de sentimentos, abala nosso aparelho de interpretação simbólica, desperta nossa capacidade de associação e provoca um movimento cujas ondas de choque prosseguem por muito tempo depois do contato inicial”. Com ela, contemplamos e compreendemos o outro sem necessariamente aderir ao que ele representa, descobrimos uma beleza que enriquece nossa existência, permitindo “que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Por toda essa curiosidade e empatia que eu venho buscando novos escritores capazes de produzir esse <em>“tremor de sentimentos”</em>. Alguns já foram eleitos como é o caso de <strong>Machado de Assis, José Saramago, Julio Cortázar </strong>e<strong> Philip Roth</strong> que devem ocupar algumas de minhas próximas leituras.</p>
<p style="text-align: justify">Não que eu vá abandonar os demais escritores, muitos deles já conquistaram seu espaço literário na minha estante – alguns com mais de uma obra. Na verdade, ando a procura de novos livros que provoquem muito mais do que o simples prazer da leitura, mas que vão além e sejam capazes de criar um terremoto de sensações que vão muito além da última página.</p>
<p style="text-align: justify">E caso você saiba de escritores capazes de provocar terremotos, não hesite em indicá-los. Afinal, estou em busca de novos autores.</p>
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		<title>Links e notícias da semana #58</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/14/links-e-noticias-da-semana-58/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 17:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8216;Nunca digo não quando ela pede um livro&#8217;, diz mãe sobre Dia das Crianças. O poeta brasileiro Ricardo Domeneck comenta a escolha de Tomas Tranströmer para o Nobel de 2011, em seu blog e na Folha de São Paulo. E no site da Revista Serrote, Paulo Roberto Pires comentou a &#8216;não-eleição&#8217;, em forma de fake [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://alinde.tumblr.com/post/11437766178/teachingliteracy-visuaria"><img class="size-medium wp-image-14975 aligncenter" style="border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/tumblr_lt1d3xJZlQ1qzhokmo1_500-300x237.jpg" alt="" width="300" height="237" /></a></p>
<p><a href="http://g1.globo.com/dia-das-criancas/2011/noticia/2011/10/nunca-digo-nao-quando-ela-pede-um-livro-diz-mae-sobre-dia-das-criancas.html" target="_blank">&#8216;Nunca digo não quando ela pede um livro&#8217;</a>, diz mãe sobre Dia das Crianças.</p>
<p>O poeta brasileiro Ricardo Domeneck comenta a escolha de Tomas Tranströmer para o Nobel de 2011, em <a href="http://ricardo-domeneck.blogspot.com/2011/10/sobre-tomas-transtromer-e-minha-pequena.html" target="_blank">seu blog</a> e na <a href="http://ricardo-domeneck.blogspot.com/2011/10/sobre-tomas-transtromer-e-minha-pequena.html" target="_blank">Folha de São Paulo</a>. E no site da <a href="http://www.revistaserrote.com.br/2011/10/cosic-o-nao-nobel" target="_blank">Revista Serrote</a>, Paulo Roberto Pires comentou a &#8216;não-eleição&#8217;, em forma de fake e de protesto, do sérvio Dobrica Cosic para o Nobel. No primeiro dia da Feira de Frankfurt, é anunciado um novo prêmio literário britânico &#8220;anti-Man Booker Prize&#8221;, o <a href="http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/arch2011-10-09_2011-10-15.html#2011_10-12_16_52_21-160637125-0">Literature Prize</a>.</p>
<p><a href="http://mundodek.blogspot.com/2011/10/animacoes-de-carlos-lascano.html" target="_blank">No Mundo de K</a>, Kovacs comentou as animações de Carlos Lascano. Editora publica discurso do filósofo esloveno <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/989280-editora-publica-discurso-do-filosofo-esloveno-slavoj-zizek-em-wall-street.shtml" target="_blank">Slavoj Zizek</a> em Wall Street. Polêmicas no mundo dos livros: a <a href="http://money.cnn.com/2011/10/07/technology/kindle_dc_comics/?source=cnn_bin" target="_blank">Livraria Barnes &amp; Noble</a> tira das prateleiras Comics da DC por conta do acordo com o Kindle Fire (em inglês) e a Caixa reeditou e voltou a passar o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=FBwJtxCsWyQ&amp;feature=youtu.be" target="_blank">comercial de Machado de Assis</a>, desta vez com ator negro.</p>
<p>E tem ensaio bem legal no <a href="http://www.nytimes.com/2011/10/09/books/review/will-the-e-book-kill-the-footnote.html?_r=1&amp;ref=books" target="_blank">NY Times</a> (em inglês): E-Readers acabarão com as notas de rodapé? Ainda em inglês, as <a href="http://www.totalfilm.com/features/50-worst-movie-adaptations/the-golden-compass-2007-1" target="_blank">50 piores adaptações para o cinema</a>.</p>
<p>A nossa Anica zombie fan falou um pouco de <a href="http://praler.wordpress.com/2011/10/06/n%C2%BA-13/" target="_blank">Literatura sobre zumbis no Pra Ler!</a>, da Rádio UFMG Educativa. Saiu a terceira edição do <a href="http://issuu.com/bibliotecapr/docs/candido3" target="_blank">Jornal Cândido</a>, da Biblioteca Pública do Paraná</p>
<p>Enxurrada de links sobre tradução: no <a href="http://www.lpm-blog.com.br/?p=11564" target="_blank">blog da L&amp;PM</a>, saiu uma matéria sobre as traduções e edições dos livros de Jack Kerouac em Portugal; no blog da <a href="http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=9358" target="_blank">Cosac Naify</a>, Benjamin Moser falou da tradução da obra de Clarice Lispector; e no <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2011/10/12/traduzindo-fitzgerald/" target="_blank">Mundo Livro</a>, tradutores das novas edições de O grande Gatsby respondem duas perguntinhas e o blog ainda faz uma <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2011/10/12/traducao-e-reacao-14/">comparação entre 5 traduções</a>.</p>
<p>Este mês o Ultraje a Rigor está completando 30 anos de estrada, e tem promoção rolando com sorteio da biografia da banda (&#8220;Nós vamos invadir sua praia&#8221;) e uma camiseta exclusiva. Basta acessar a <a href="https://www.facebook.com/event.php?eid=267936366562427" target="_blank">página da promoção no facebook</a>, seguir as regras e cruzar os dedos.</p>
<p>Hoje, dia 14, tem lançamento da <a href="http://www.cafeespacial.com/" target="_blank">Revista Café Espacial n° 10</a> comemorando os 4 anos da publicação que será realizado na cidade de Marília, interior de São Paulo. No dia 19 de outubro, às 21h, a Kafka Edições lança a coleção <em>Livros que não param em pé</em>, no Jokers em Curitiba. Os livros lançados são: Com que se pode jogar, de <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/13/10-perguntas-e-meia-para-luci-collin/" target="_blank">Luci Collin</a>; O Rei era assim, de Paulo Sandrini; e Os hábitos e os monges, de Assionara Souza.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Lançamentos da Companhia das Letras:</strong></p>
<p>O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald (Tradução de Vanessa Barbara)<strong></strong></p>
<p>O anel mágico da tia Tarsila, de Tarsila do Amaral</p>
<p>Sombras no asfalto, de Luís Dill</p>
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		<title>Ressurreição (Machado de Assis)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/08/16/ressurreicao-machado-de-assis/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 20:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
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		<description><![CDATA[É sempre agradável ler um romance de Machado de Assis. Fazia tempo que não sentava para apreciar as utilizações machadianas da língua e a destreza com que ele faz situações simples se desdobrarem em relações e estudos complexos, que versam sobre as peculiaridades do comportamento e os ânimos do espírito humanos. Há uma separação clássica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/Ressurreição.Machado.de_.Assis_.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-13360" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/Ressurreição.Machado.de_.Assis_.jpg" alt="" width="200" height="332" /></a>É sempre agradável ler um romance de Machado de Assis. Fazia tempo que não sentava para apreciar as utilizações machadianas da língua e a destreza com que ele faz situações simples se desdobrarem em relações e estudos complexos, que versam sobre as peculiaridades do comportamento e os ânimos do espírito humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma separação clássica empreendida sobre a obra de Machado de Assis, que separa sua produção em duas fases, a chamada “fase romântica” (que tomando os anos de publicação como base, vai de 1872 a 1878) e a posterior “fase realista” (1881-1908). Embora essa divisão seja tanto interessante quanto limitadora, é interessante perceber como que, a despeito de possíveis enquadramentos meio “escravizantes”, as distinções e semelhanças vão se manifestando nas produções de uma e outra fase.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ressurreição</em>, por exemplo, é um romance de 1872, ano que marca o debute de Machado no universo literário do romance, que, de acordo com aquela delimitação tradicional citada anteriormente, estaria situado ainda na fase romântica do autor. Essa pertença se daria por conta de, por exemplo, a imagem projetada sobre a mulher, ainda residualmente aquela musa idealizada e divinizada típica dos folhetins e dos romances de José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo; a celebração do <em>affair</em> como uma experiência espiritual suprema; os “exageros” (deixo as aspas por estar essa palavra fortemente ligada a considerações de ordem pessoal) vinculados aos enlaces e desenlaces amorosos e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-13359"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Desse universo que flerta com elementos tipicamente românticos é que surge a história de Félix, um médico de espírito boêmio cujos rendimentos pecuniários lhe permitem ter uma vida folgazã sem preocupações da ordem da subsistência. Esse médico tem uma regra para si mesmo, que diz que seus amores são semestrais, ou seja, tem duração de seis meses, doa a quem doer.</p>
<p style="text-align: justify;">É então que se apresenta a mocinha que anuncia profundas mudanças nos hábitos do médico protagonista: a viúva Lívia, irmã de Viana (um dos que freqüentam a casa de Félix), cuja graça e distinção cativam a atenção de Félix e o fazem refém de um amor que vai florescendo aos poucos. Está posta a estrutura sobre a qual se baseará todo o desenrolar subseqüente.</p>
<p style="text-align: justify;">Félix, até então comedido e desapegado de seus romances, vê operar-se em si próprio uma mudança radical, pois passa a perder noites de sono pensando em Lívia; a escrever cartas de arroubos poéticos e amorosos que não ousa entregar; viver dilemas sobre visitar a amada ou não etc. Enfim, aquela paixão candente que anima o herói romântico a empreender jornadas mirabolantes passa a toldar os pensamentos e ações do outrora frio e racional médico.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como vem o amor e a paixão, lhes acompanha também o ciúme, e começam as suspeitas, as intrigas, as desavenças, os cerceamentos e interrogatórios; e nesse ritmo segue o <em>affair</em>, aos trancos e barrancos. Se em um momento Félix e Lívia se entregam ao mais sublime abraço de namorados, proferindo promessas e loas recíprocas; em outro estão distantes, sem saber ao certo o que pensar ou como agir, sentindo a insatisfação um do outro, ao mesmo tempo em que os anseios de reconciliação se insinuam a cada fala.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eis que todo esse imbróglio amoroso encontra em Machado destino diferente: aquele sacrifício final no altar do amor não tem lugar no livro; a cândida viúva não tem somente qualidades, alguns defeitos (ainda que tímidos) permeiam essa ou aquela descrição; os trancos e barrancos do casal tomam proporções maiores e ameaçam a harmonia imanente dos amores românticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso vem orquestrado por aquela ironia refinada e eruditíssima, recheada de referências à Shakespeare, à fábulas ou à histórias da cultura clássica greco-romana. O autor segue complexo, camaleônico e multifacetado o suficiente para tornar divisões e conceituações escopos imperfeitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tendo em vista a miríade de referências que a <a href="http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=292715&amp;ID=917363">edição da L&amp;PM</a> se apresenta como ótima opção, pois conta com notas de rodapé bastante elucidativas, prefácio e posfácio, que deslindam detalhes importantes para compreender a obra machadiana. Um prato cheio para fãs e não-(ainda-)fãs do (perdoem-me a liberdade) bom e velho Machadão.</p>
<p><strong>Ressurreição</strong><br />
144 páginas<br />
Preço Sugerido: R$ 12,00</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<p><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=8007" target="_blank">COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Anos-Luz depois: Vontade literária</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 22:50:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer &#8220;a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.” Começo a minha coluna, citando essa clássica passagem de Dom Casmurro para falar sobre vontades (prometo explicar melhor adiante). Meu primeiro contato com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/anosluz2.png"><img class="alignright size-full wp-image-13177" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/anosluz2.png" alt="" width="200" height="200" /></a>&#8220;Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer &#8220;a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.” Começo a minha coluna, citando essa clássica passagem de <strong>Dom Casmurro</strong> para falar sobre vontades (prometo explicar melhor adiante). Meu primeiro contato com Machado de Assis foi através de Dom Casmurro quando tinha cerca de 13 anos. O livro me foi passado como um dever da aula de português da minha escola. Nessa época, eu e quase todos os meus amigos líamos quase que somente o que éramos obrigados pela professora, natural entre os primeiros frutos de uma geração que crescia entre computadores domésticos e videogames. Eu ainda tive a opção de viver entre tecnologia e brincadeiras de rua, numa cidade tranquila do interior, ou seja, tinha bastante distração para ficar longe dos livros, mas agora se eu quisesse uma nota satisfatória (e, com isso, o direito de não ter meus jogos e saídas com amigos vetadas), teria que encarar mais aquela leitura.</p>
<p style="text-align: justify">Preciso assumir que detestei. Todos os dias, tinha que me deparar com um personagem ranzinza que de tudo reclamava e adorava usar palavras difíceis. Desconfiava que <strong>Machado de Assis</strong> tinha um certo prazer em dificultar a minha vida e que existia uma conspiração internacional que só dizia que o livro é bom pra parecer cult. Olhos de ressaca? Cigana oblíqua e dissimulada? Gente, deixa a mulher então, que droga! Da minha memória literária da época (e excluindo os quadrinhos), só consigo salvar o <strong>Pedro Bandeira</strong>. Esse sim sabia conquistar a gente. Os Karas eram incríveis. Miguel, Crânio, Calú, Chumbinho e Magrí ficaram registrados na minha memória. Também posso agradecer ao <strong>Lewis Carroll</strong> por Alice no País das Maravilhas, livro que me acompanharia (e acompanha até hoje).</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-13158"></span></p>
<p style="text-align: justify">Mas o assunto dessa coluna é sobre vontades. E como esse fluxo nostálgico de pensamento se relaciona com tudo isso? Bom, passado algum tempo, tive que ler Dom Casmurro novamente e a coisa começou a ser diferente. Alguma coisa ali começou a me atrair, assim como fui atraída antes pelo Pedro Bandeira e Lewis Carroll. Aliás, vários livros começaram a me atrair. Será que eu tinha amadurecido, então? De repente, eu adorava aquela frase que citei logo no início do texto e simpatizava com o Bento. O tempo foi passando e outras leituras começaram a me agradar cada vez mais.</p>
<p style="text-align: justify">Acho que o meu surto literário aconteceu entre o fim do ensino médio e primeiro ano de faculdade. Isaac Asimov, Mia Couto, Douglas Adams, William Gibson, Vladimir Nabokov, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar, Edgar Allan Poe (e a lista continua). Apesar de continuar gostando da rua e dos videogames, ler se tornou algo inseparável de mim e acho que isso se deve ao fato de eu ter percebido o que todo livro possui: Vontades. Num livro, todo mundo é alguma coisa e busca alguma coisa. Os filmes, que me atraiam muito antes disso, também funcionam assim, mas os livros evidenciam as vontades muito mais e de forma psicológica.</p>
<p style="text-align: justify">O Bento era obcecado pela vontade de descobrir a verdade sobre uma traição, assim como Alice era tomada pela vontade de obter respostas e sair daquele mundo paralelo. Os Karas queriam salvar o mundo e era por isso que eu gostava tanto deles. Que criança não compartilha dessa vontade de ter poder de mudar as coisas, de criar suas próprias regras? Muito tempo depois, ao conhecer os manuais de Robert Mckee sobre roteiros (e que se aplicam, muitas vezes, a qualquer tipo de narrativa ficcional), a coisa fica até meio óbvia. Segundo ele &#8220;Stories are the creative conversion of life itself into a more powerful, clearer, more meaningful experience. They are the currency of human contact.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify">Nenhum dia é banal nos romances. Livros são recortes em que todo fato conduz a história a algum lugar. Não existe tédio ou dia perdido. Existem sim seres observadores, impulsivos e que transbordam vontades. Mia Couto, por exemplo, é um exemplo de autor mestre em criar personagens cheios de vontade por entender a vida. Não tem como não se encantar.</p>
<p style="text-align: justify">Todos nos buscamos alguma coisa. Somos domados de vontades e esse é dos fortes elos de identificação pessoal com um personagem ou um livro. Não que você compartilhe dos objetivos de um personagem, mas sim de sua força e do seu sentimento de busca. É isso que torna, na minha opinião, o ritual da leitura tão importante.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7939">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Bolha de Luzes (João Inácio Padilha)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/30/bolha-de-luzes-joao-inacio-padilha/</link>
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		<pubDate>Sat, 30 Jul 2011 22:53:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A matéria que está dentro de uma bolha não é a mesma que nos rodeia. A bolha, por breve instante, guarda “signos crípticos” e lembranças que só os olhos mais curiosos e os ouvidos mais sensíveis conseguem desvendar, tornando-se Bolha de Luzes, título do livro de contos de João Inácio Padilha. Cada um dos 13 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/bolhadeluzes.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-12852" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/bolhadeluzes-184x300.jpg" alt="" width="184" height="300" /></a>A matéria que está dentro de uma bolha não é a mesma que nos rodeia. A bolha, por breve instante, guarda “signos crípticos” e lembranças que só os olhos mais curiosos e os ouvidos mais sensíveis conseguem desvendar, tornando-se <strong>Bolha de Luzes</strong>, título do livro de contos de <strong>João Inácio Padilha</strong>. Cada um dos 13 contos reunidos no livro estão ligados por essa mesma massa efêmera, seja de forma direta, com sua formação física, ou de forma mais sensível e psicológica, ao narrar as experiências íntimas das personagens desenvolvidas pelo autor.</p>
<p style="text-align: justify;">O conto <strong>Memorial do Esquecimento</strong>, por exemplo, é um dos mais diretos a temática da bolha como objeto físico. Na narrativa, Maria Kodama dorme no momento de seu trabalho, que é o de tomar notas do escritor Jorge Luis Borges, que despeja várias memórias de sua infância ao se lembrar das primeiras vezes que teve contato com bolhas, desenvolvendo tudo até criar um manifesto. Tudo que ele declamou naquela tarde foi perdido pela displicência de Kodama, mas nós, leitores privilegiados, sabemos o que foi dito graças ao narrador-observador, que nos conta o ocorrido. &#8220;Apenas os poetas consultam essas bolhas. Encontram dentro delas, como em bolas de cristal, indícios de seres que viveram e fatos que aconteceram no mundo real, mas foram esquecidos. Que horror.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-12847"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Dois outros contos que merecem destaque, na minha opinião, são <strong>Viagens e viajantes na história da literatura</strong> e <em><strong>In God we trust</strong></em>. Ambos tratam a figura da bolha de forma mais interior.  O primeiro fala exatamente do que o título sugere e, assim como Memorial do Esquecimento, também apresenta um escritor real no enredo. Nessa narrativa, um conferencista conversa com o professor Otacílio, personagem que revela ter vivido experiências incríveis ao lado de Machado de Assis e pretende provar que Machado deve ser elencado ao lado de Dante, Camões e Verne, como autor de livros com a temática da viagem. Para isso, os dois percorrem ruas do Rio de Janeiro a fim de reviver os passos do escritor até que o professor consiga provar sua teoria. É bom ressaltar, neste ponto, que várias personagens criadas por Padilha são obcecadas, seja por suas memórias, ou por seus objetivos, beirando até mesmo a loucura. Isso deixa os contos ainda mais interessantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Já o conto <em>In God we trust</em> não faz alusão a nenhum escritor, mas sim a um dos rostos mais conhecidos da América - George Washington, que estampa as notas de um dólar.  O conto, narrado em primeira pessoa, revela a vida de um homem que começa a encontrar sucessivas notas de um dólar, sempre posicionadas em um mesmo lugar entre um estabelecimento e a rua. Esse pequeno acontecimento começa a invadir o íntimo da personagem, que não tem outra alternativa a não ser a reclusão e o surto. Tanto nesse conto como em outros ao decorrer do livro, é possível encontrar trechos escritos em francês, italiano, espanhol ou inglês, de acordo com a nacionalidade da personagem ou citação. Padilha mantém esse recurso, que trás mais veracidade aos contos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para finalizar, retomo novamente ao conto do Memorial do Esquecimento, mais especificamente, uma parte em que o autor cego pensa em propor para Maria Kodama que a memória está para a água assim como o esquecimento está para o ar contido em bolhas. Retomo a esse ponto, pois acredito que essa seja a base dos textos de Bolha de Luzes – o esquecimento. João Inácio Padilha revela, em seus textos, relatos que tratam do mais oblíquo pensamento de cada personagem, passando por divagações alucinantes e preciosas. O sentimento, ao lê-las, é de que se tratam, como dito no próprio livro, de “íntimas ocorrências” que poderiam ser deixadas de lado e esquecidas, mas felizmente foram salvas pela escrita de um autor criativo e original. Padilha revela algumas histórias que beiram o absurdo e são recheadas de delírios, mas consegue dar a elas o tom de realidade. Em alguns momentos, ele mistura figuras reais e até personagens de livros como Tintin a sua ficção, mostrando, dessa forma, uma fina camada que separa a fantasia do real, assim como bolhas de sabão.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a>Autor: João Inácio Padilha</p>
<p style="text-align: left;">Preço: R$44,50</p>
<p style="text-align: left;">Páginas: 144</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7743" target="_blank">COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Revista Café Espacial N.09</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/27/revista-cafe-espacial-n-09/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 20:07:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Indicada mais uma vez para o prêmio HQMIX (2011) a Revista Café Espacial chegou ao último mês de junho a sua nona edição. Seu formato já conhecido brinca com um conteúdo que mescla histórias em quadrinhos e matérias culturais no cenário independente. Porém, a independência ganha uma temática anunciada na capa pelas certeiras flechas na menina [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/cafeespacial9.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-12746" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/cafeespacial9-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Indicada mais uma vez para o prêmio <strong>HQMIX (2011)</strong> a <strong>Revista Café Espacial</strong> chegou ao último mês de junho a sua nona edição. Seu formato já conhecido brinca com um conteúdo que mescla histórias em quadrinhos e matérias culturais no cenário independente.</p>
<p style="text-align: justify">Porém, a independência ganha uma temática anunciada na capa pelas certeiras flechas na menina de cabelos vermelhos. O amor é encontrado em traços distintos em todo conteúdo da revista. Não de uma forma explícita como em uma relação entre um homem e uma mulher, mas em tantas outras formas que ele pode ser expresso.</p>
<p style="text-align: justify">A começar pela capa aberta, arte de <strong>Lese Pierre</strong><sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/27/revista-cafe-espacial-n-09/#footnote_0_12744" id="identifier_0_12744" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Mesmo artista da primeira edi&ccedil;&atilde;o">1</a></sup> que contém uma contradição. Na capa a menina com três flechas em seu coração expressa uma face delicada, já na contracapa três loucos cupidos preparam-se para novos ataques. O amor não está no ar, mas cravado no coração.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-12744"></span></p>
<p style="text-align: justify">Dentro da revista o amor segue seu caminho nas histórias em quadrinhos. Em <em>Bukowski</em>, de <strong>Liber Paz</strong>, encontramos uma HQ montada em cima de frases de <em>Charles Bukowski</em>, indescritível e imperdível. Seguem-se a esta as belas histórias <em>O Passageiro</em>, do português <strong>Susa Monteiro</strong>, e <em>criação e técnica da prosa moderna</em>, da argentina <strong>Loris Ziggiotto</strong>.</p>
<p style="text-align: justify">Mas vale destacar <em>por que é este meu ofício</em> do português <strong>Paulo Monteiro</strong>. A história lembrou-me em muito o filme Peixe Grande, e trata basicamente do amor entre pai e filho, com as incríveis histórias que o filho cresceu escutando e lembrava-se do pai em toda sua infância e vida.</p>
<p style="text-align: justify">Na parte literária encontram-se duas histórias tocantes. Em <em>os nossos</em>, de <strong>Jana Lauxen</strong>, o amor cego da mãe pelo filho inconseqüente fica explícito de forma quase que hilária. Já em <em>desbotado</em>, de <strong>Sergio Chaves</strong>, presenciamos o amor descolorir a cada frase da narrativa.</p>
<p style="text-align: justify">Ainda na parte cultural, vale um destaque para a bela poesia visual de <strong>João Nicodemos</strong>, e a fotografia poética de <strong>Sissy Eiko</strong>, com texto de <strong>Elisa Andrade Buzzo</strong>. Nem preciso destacar que o amor é visto em cada detalhe, certo?</p>
<p style="text-align: justify">Mas apesar das histórias de amor, o que mais chama atenção na revista são as matérias culturais. Muito mais encorpadas, com um conteúdo mais selecionado e mais interessante. Sem dúvida uma flechada certeira no coração de qualquer leitor.</p>
<p style="text-align: justify">Assim, uma leitura breve deixa os ouvidos curiosos pela música instrumental da banda potiguar <em>Camarones Orquestra Guitarrística</em>, assim como os sentidos ficam aguçados para ver os filmes dos <em>Irmãos Marx</em>, donos de um humor irresistível, segundo a reportagem da jornalista Lídia Basoli.</p>
<p style="text-align: justify">Isso sem falar nas belas resenhas de <em>Líelson Zeni</em> e <em>Vanessa Rodrigues</em> sobre as obras de <em>Ernesto Sabato</em> e <em>Machado de Assis</em>, um passeio apaixonante pelas letras.</p>
<p style="text-align: justify">Enfim, ao terminar a <strong>Revista Espacial N°09</strong> é evidente que as flechas dos cupidos da contracapa tinham destino certo: o leitor. Que é presenteado por uma revista que mantém seu formato e cenário independente, mas também ganha corpo com histórias e reportagens que provocam o leitor a ir além das páginas da revista.</p>
<p><strong>Revista Café Espacial N°09</strong><br />
Editado: Sérgio Chaves e Lídia Basoli<br />
Publicação Independente<br />
60 páginas<br />
Valor Sugerido: R$ 6,00<br />
Site Oficial: <a href="http://cafeespacial.wordpress.com/" target="_blank">http://cafeespacial.wordpress.com/</a></p>
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<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_12744" class="footnote">Mesmo artista da primeira edição</li></ol>]]></content:encoded>
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