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	<title>Meia Palavra &#187; Literatura</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>As Aventuras de Sharpe &#8211; Bernard Cornwell</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 17:44:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Bernard Cornwell]]></category>
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		<category><![CDATA[Romance Histórico]]></category>
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		<description><![CDATA[
Richard Sharpe, um britânico de origem humilde, órfão, que para fugir da prisão faz sua entrada no exército de Sir Arthur Wellesley, é o centro destra série de livros de Bernard Cornwell. Iniciada em 1981, ambientada nas campanhas militares conhecidas como Guerras Napoleônicas,  a série Sharpe acompanha a carreira de Sir Arthur Wellesley, logo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/AS_AVENTURAS_DE_SHARPE__01__O_TIGRE_DE_1258232215P.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2984" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="AS_AVENTURAS_DE_SHARPE__01__O_TIGRE_DE_1258232215P" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/AS_AVENTURAS_DE_SHARPE__01__O_TIGRE_DE_1258232215P.jpg" alt="" width="200" height="290" /></a>Richard Sharpe, um britânico de origem humilde, órfão, que para fugir da prisão faz sua entrada no exército de Sir Arthur Wellesley, é o centro destra série de livros de Bernard Cornwell. Iniciada em 1981, ambientada nas campanhas militares conhecidas como Guerras Napoleônicas,  a série Sharpe acompanha a carreira de Sir Arthur Wellesley, logo Duque de Wellington, através de Sharpe, seus amigos, seus inimigos e, como não poderia deixar de ser, suas mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Dick Sharpe é um homem rude, mas inteligente, que aprende a ler a duras penas, fiel, exímio atirador, bom estrategista, um dos poucos a avançar em sua carreira militar unicamente em função de seu mérito e, como tal, alvo da admiração de uns e da inveja de muitos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2982"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O autor não escreve as obras cronologicamente, e o primeiro livro que chegou a público lá para os gringos foi o “Sharpe&#8217;s Eagle”, que até agora é o último lançado em português. Aqui a história é outra. A editora optou por publicá-los em ordem cronológica, o que destaca ainda mais a coerência de Cornwell ao longo da história.</p>
<p style="text-align: justify;">Sharpe não precisa ser lido cronologicamente, sendo cada livro como um episódio de série padrão: facilmente aproveitável sozinho, e muito mais interessante para quem acompanha todos os episódios; e esta continuidade é bastante apreciada por esta que vos escreve, especialmente naqueles momentos em que o autor insere aquele detalhe num dos livros que remete diretamente a outro – que talvez nem tivesse sido escrito ainda!</p>
<p style="text-align: justify;">Vê-se o cuidado na pesquisa nestes detalhes. Da conservação do uniforme, às descrições de terrenos, das técnicas e armas militares ao treinamento de seu uso, do acampamento da infantaria aos escritórios de Wellesley, do comportamento dos oficiais às disputas políticas, tudo é vívido, palpável e bem colocado. É quase como se a pólvora se impregnasse em seus dedos e o salitre em suas narinas, enquanto as páginas são quase freneticamente viradas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que surpreende mesmo em &#8216;As Aventuras de Sharpe&#8217; é mesmo  a inserção e caracterização dos personagens, incluídos nesta ambientação histórica., Cornwell costura a ficção de tal maneira na trama da história que alguns fatos tomam ares de ficção e vice-versa.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez pelo cuidado com que a tradução é feita, dos mais de 20 livros  da série já publicados nos Estados Unidos, apenas oito foram lançados  no Brasil, e cada um deles vale o dinheiro e o tempo investidos. São  eles:</p>
<p style="text-align: justify;">O Tigre de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">O Triunfo de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">A Fortaleza de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">Sharpe em Trafalgar</p>
<p style="text-align: justify;">A Presa de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">Os Fuzileiros de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">A Devastação de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">A Águia de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">Seja na Índia, Portugal, Dinamarca, França, Espanha, ou mesmo no mar – com a participação do Almirante Nelson, Sharpe nos transporta direto ao exército britânico do início do século XIX de tal maneira, que fica difícil soltar o livro e voltar ao século XXI.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5112">COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>2666: A parte de Amalfitano</title>
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		<comments>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/26/2666-a-parte-de-amalfitano/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 13:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[A parte de Amalfitano]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a leitura de 2666 de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666.jpg"><img class="size-medium wp-image-2621 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="2666" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Continuando a leitura de <em>2666</em> de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes de iniciar a parte seguinte. Minhas opiniões sobre a primeira parte (A parte dos críticos) você pode encontrar <a title="a parte dos críticos" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/15/2666-a-parte-dos-criticos/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que em teoria estou lendo o livro tal e qual a qualquer um – até porque mal estou interrompendo a leitura. Por causa disso acho que as sensações que tive sobre A parte de Amalfitano não serão tão diferentes, talvez só os achismos sobre o que as outras três partes podem trazer, o que será até divertido de confirmar depois. A verdade é que se não fosse a já familiar dificuldade para ler o catatau na cama, fiquei em alguns momentos com a impressão que tratava-se de um outro livro.<span id="more-2991"></span>A parte de Amalfitano é extremamente melancólica e densa, muito densa. Ontem quando concluí a leitura fiquei morrendo de vontade de voltar para o começo e reler os trechos em que Amalfitano aparece para os críticos, porque o que ele falava ali ganharia toda uma outra conotação depois de saber o que ele vivera antes daquele encontro, especialmente aquele trecho no qual comenta sobre a sombra se separando do escritor que trabalha para o Estado. A narrativa trata basicamente dos caminhos que o levaram a viver em Santa Teresa (cidade onde encontrará os críticos), começando do momento que sua esposa Lola o abandona para viajar em busca de um poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando falo que a segunda parte é diferente, é porque realmente distoa do que foi visto antes, tendo como único elo três elementos que se repetem d’A parte dos críticos: Amalfitano, o livro de Dieste pendurado no varal e os assassinatos que estão acontecendo em Santa Teresa.  Mesmo o estilo é diferente, tendendo muito mais para o fluxo de consciência do que para um discurso direto, o que funciona muito bem se considerar que um dos temas recorrentes dessa parte é a loucura.</p>
<p style="text-align: justify;">A loucura do poeta que Lola persegue, depois a loucura de Lola e então o próprio Amalfitano questionando se está ou não louco. A rapidez do estilo adotado por Bolaño para registrar diálogos e pensamentos nessa segunda parte acabam justamente criando aquele redemoinho que tiram a segurança da personagem (e óbvio, do leitor) sobre o que é real, sobre o que é certo. E no final das contas, acredito eu, pesam bastante para o plot dos crimes, mas aqui provavelmente também pela união de alguns elementos que são colocados na primeira parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre isso, a ideia que as duas partes dão é que Bolaño brinca um pouco com as exepectativas do leitor. Sempre retomando aquela ideia de que o ato de ler carrega junto o de prever, os elementos que ele oferece na primeira parte apontam para um grande clímax que não acontece. E agora a fórmula se repete: quando parece que tudo tende a levar a uma conclusão, ele segue uma outra direção. Da minha parte acho um exercício ótimo como leitora (e bem, da parte dele como escritor), mas tenho a sensação que no fim da segunda parte ele pode perder o leitor que busca apenas um enredo com  estrutura básica de começo meio e fim, digamos assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso para não falar da questão da melancolia, que comentei inicialmente. Não são só as ações (ou em alguns momentos a falta delas) de Amalfitano que constroem esse tom. As personagens ao seu redor, desde a filha até um possível novo interesse romântico, mostram a aridez de Amalfitano, como ele simplesmente não sente. Aridez como a de Santa Teresa, que cresce ainda mais na história e se revela triste tal como o protagonista. Eu sei que isso varia muito de leitor para leitor, mas para quem não suporta o calor como eu, dá quase para entender porque Amalfitano fica daquele jeito nesse lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluindo, a leitura continua sendo uma ótima experiência – e é experiência mesmo, extrapola um pouco aquela linha da leitura por puro entretenimento. E a verdade é que agora mal posso esperar para ver qual a próxima expectativa que será frustrada na terceira parte (talvez o fato de que não será frustrada?). E sim, eu continuo evitando ler o máximo possível o que saiu por aí sobre o livro, mas acabei lendo o post no blog do Tony Bellotto e aproveito para recomendar aqui: <a title="testamento geométrico" href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2010/07/testamento-geometrico/" target="_blank">Testamento geométrico</a>. Em tempo, se você ainda não conferiu, corre lá no blog do Meia Palavra para ler o <a title="10 perguntas e meia para tony bellotto" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/21/10-perguntas-e-meia-para-tony-bellotto/" target="_blank">10 Perguntas e Meia para Tony Bellotto</a>. Está bem legal!</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/26/2666-a-parte-de-amalfitano/" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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		<title>Dossiê H (Ismail Kadaré)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/20/dossie-h-ismail-kadare/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 11:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê H]]></category>
		<category><![CDATA[Homero]]></category>
		<category><![CDATA[Ismail Kadaré]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Albanesa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A pessoa de Homero está para sempre imersa nas trevas impenetráveis da lenda. Ignoramos quando viveu; não sabemos que terra privilegiada lhe ouviu os primeiros vagidos (&#8230;) Venerandas tradições representavam-no como um velho cantor, pobre e cego que, peregrinando de terra em terra, recompensava a quem o agasalhava com a declamação de seus poemas”. (Augusto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/homero.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2934" style="margin: 5px;" title="homero" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/homero.jpg" alt="" width="238" height="300" /></a>&#8220;A pessoa de Homero está para sempre imersa nas trevas impenetráveis da lenda. Ignoramos quando viveu; não sabemos que terra privilegiada lhe ouviu os primeiros vagidos (&#8230;) Venerandas tradições representavam-no como um velho cantor, pobre e cego que, peregrinando de terra em terra, recompensava a quem o agasalhava com a declamação de seus poemas</em>”. (Augusto Magne)</p>
<p style="text-align: justify;">Homero é considerado um dos pais da literatura ocidental- se não o pai em sim- mas a verdade é que é uma figura controversa: alguns sustentam que, talvez, o autor da Ilíada e da Odisséia não seja um só indivíduo, mas uma ficção que acoberta centenas ou milhares de indivíduos, de trovadores de uma tradição épica já perdida. Ou ainda talvez ele tenha existido mas não criou os poemas que lhe são atribuídos: selecionou as versões e os catalogou, uma tarefa no mínimo tão árdua quanto a de os criar.<span id="more-2933"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em o &#8216;Dossiê H&#8217; o escritor Ismal Kadaré transporta dois homeristas- estudiosos do poeta cego e sua obra- irlandeses para sua Albânia em busca da resposta para o enigma de Homero; na primeira metade do século XX, quando se passa a ação do livro, a Albânia era um lugar extremamente singular, em que o começo de uma modernidade imiscuia-se e transmutava tradições milenares e a poesia época e o trovadorismo davam lá seus últimos suspiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Munidos de um &#8216;magnetofone&#8217;- um esboço de gravador de som- e certa ingenuidade acadêmica os dois homeristas acabam sendo envolvidos, sem saber, no milenar conflito sérvio-albanes, em intrigas políticas e até mesmo nas fantasias eróticas de mulheres provincianas, enquanto tentam registrar as alterações sofridas pelos últimos épicos a cada vez que são cantados, para que possam reconstruir o esforço homérico.</p>
<p style="text-align: justify;">Não cabe aqui um spoiler, contando o resultado. Basta-me escrever que mesmo não estando entre as principais obras de Kadaré- e com razão quando pensamos em &#8216;Abril Despedaçado&#8217; ou &#8216;Concerto no fim do Inverno&#8217;- &#8216;O Dossiê H&#8217; é um livro muito bom, que mostra de modo breve e conciso o porque de Marguerite Yourcenar ter dito que a literatura albanesa supera, hoje, a francesa, mesmo que o seu único autor com um reconhecimento universal seja Kadaré- cuja escrita consegue misturar beleza, tristeza e mesmo humor de modo que o resultado final é sempre algo singular.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>A Guardiã da Meia-Noite – Sarah Jane Stratford</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/17/a-guardia-da-meia-noite-%e2%80%93-sarah-jane-stratford/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 22:09:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A Guardiã da Meia-Noite]]></category>
		<category><![CDATA[Chick-lit]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Jane Stratford]]></category>
		<category><![CDATA[Vampiros]]></category>

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		<description><![CDATA[Vampiros sempre foram criaturas que despertaram um grande interesse (ou, no mínimo, curiosidade) entre nós. Representados, sobretudo, através da literatura e do cinema, a temática vampiresca retornou de forma intensa nesta década – reforçando a idéia de que nenhum mito ou lenda caem em eterno esquecimento. E foi justamente o que Sarah Jane Stratford resgatou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/A-Guardia-da-Meia-noite.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2913" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="A Guardia da Meia noite" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/A-Guardia-da-Meia-noite-207x300.jpg" alt="" width="199" height="287" /></a>Vampiros sempre foram criaturas que despertaram um grande interesse (ou, no mínimo, curiosidade) entre nós. Representados, sobretudo, através da literatura e do cinema, a temática vampiresca retornou de forma intensa nesta década – reforçando a idéia de que nenhum mito ou lenda caem em eterno esquecimento. E foi justamente o que Sarah Jane Stratford resgatou, ao publicar seu primeiro livro “A Guardiã da Meia-Noite”, retomando a essência destes personagens da noite.</p>
<p style="text-align: justify;">Mestre em História Medieval, a autora uniu útil ao agradável: seu conhecimento acadêmico com sua paixão em contar histórias. O enredo possui um contexto histórico embasado – passando-se durante meses antecedentes à Segunda Guerra Mundial, o qual os vampiros do Tribunal de Londres buscam interferir. Embora a história possua certos mistérios em torno da real missão do grupo, o que acaba até confundindo de início, se prender à narrativa é fatal. A protagonista, Brigit, é uma vampira milenar que não se conforma com as atrocidades cometidas pelos nazistas e tem uma missão especial a ser cumprida: ser guardiã de duas crianças que lhe foram confiadas.<span id="more-2912"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas, ela não está desamparada: além dos companheiros do Tribunal, ela ultrapassa a barreira do tempo e espaço para manter contato com Eamon, seu amado, que teve que deixar para poder levar adiante o plano contra a suástica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que torna o livro ainda mais peculiar, é o modo como a autora e explora a mente de Brigit: a bela vampira, para o leitor, torna-se uma janela entre o mundo dos seres humanos e dos mortos, levando a reflexões em meio à época mais desumana da história.<br />
Suas personagens têm fortes características, enriquecendo ainda mais a narrativa que é deliciosa de ler. Com grande sensualidade em torno das mais clássicas lendas sobre vampiros, Stratford encanta em sua estreia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O vampiro de Sarah</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Diante da flexibilidade que os autores possuem para manipular os personagens – até mesmo os mitológicos -, cabem algumas ressalvas a respeito do vampiro, na concepção de Sarah Jane Stratford. Algumas coisas não mudam! O instinto aguçado e a sedução fazem parte de todo o universo vampiresco. Mas, antes de adquirirem tais habilidades, eles devem renascer. E para que o ritual seja completo, a nova criatura passa por um teste de dificuldade – representado por um túmulo: o corpo morto é enterrado, e a prova da força do novo vampiro dá-se quando ele consegue sair da vala. A renascença, assim, torna-se um triunfo por meio do rito de passagem para a nova vida (ou sobrevida).</p>
<p style="text-align: justify;">Do mesmo modo que um recém-nascido recebe um nome da mãe, o novo vampiro também deve ser nomeado. A escolha do nome representa a ruptura com a vida humana, e comumente não é imediata à transformação. Mais que isso, significa deixar de lado os vínculos com as pessoas, sobretudo a família, de modo que somente restem as lembranças, caso seja necessário retornar aos dias de mortal.</p>
<p style="text-align: justify;">Consequentemente, a transformação de um vampiro acarreta na busca pela sobrevivência. Como Sarah descreve, por meio de sua fabulosa protagonista, um demônio divide o espaço de um corpo humano, com a existência de Brigit. Sua própria existência, assim, é uma ideia, pois se alterna entre a manifestação do demônio, que possibilita a alimentação – obviamente, através de sangue humano. E cada vampiro possui um dom presenteado por este demônio.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, o diferencial de Stratford não é enfatizar as proezas dos dons dos vampiros – velocidade, força ou qualquer outro poder sobre-humano. A nova forma de existência possibilita uma nova visão, afastada do mundo dos seres humanos, mas ainda inserido no mesmo. As fraquezas e medo de ambas as partes são exploradas, e dentro do contexto de pré-guerra, isso se torna mais evidente, pois a missão do Tribunal passa a ser secundária, diante das reflexões pessoais de cada personagem – que, por mais que neguem, ainda têm um pouco de humano dentro de si.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre a autora:</strong> Elis é estudante de Jornalismo e pode ser encontrada como <a title="Brigit" href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=2015" target="_blank">Brigit</a> no Fórum Meia Palavra. Além da literatura, sua outra paixão é o cinema.</p>
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		<title>2666: A parte dos críticos</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 14:37:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[A parte dos críticos]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[A tradução de Eduardo Brandão para 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2621" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="2666" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>A tradução de Eduardo Brandão para <em>2666</em> do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão da família de Bolaño em não dividir <em>2666</em> em cinco partes como sugerido pelo escritor para facilitar o sustento dos filhos quando morresse. A obra foi publicada mais de um ano após sua morte, mas, como garante Ignacio Echevarría em nota à primeira edição, &#8220;o romance se aproxima muito do objetivo que ele traçou&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">E eu sei que para muitos fãs de Bolaño (e de <em>2666</em>) eu provavelmente estarei cometendo uma heresia, mas decidi seguir o caminho oposto da família, e comentar o livro por partes, publicando os comentários  sempre antes de iniciar a leitura da parte seguinte. E para começar, vamos de <em>A parte dos críticos</em>, primeira parte de <em>2666</em>. Acredito ser importante destacar aqui que estou tentando ler o mínimo possível sobre o livro para não estragar a experiência, e que muito do que falar agora eu posso contrariar em textos futuros. Mas bem, qual é a graça de se ler uma obra sem participar da brincadeira da adivinhação do que está por vir?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2620"></span><strong>A parte dos críticos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu tenho uma curiosidade enorme de conhecer a obra de Bolaño porque muitas pessoas próximas que acredito terem bom gosto literário simplesmente adoram o que ele publicou. Mas eu sou teimosa e encasquetei que meu primeiro Bolaño seria o <em>tão-falado-2666</em>, que demorou um pouco para chegar no Brasil porque Brandão levou mais de um ano para traduzir a obra.<sup>1</sup> E então finalmente tive a oportunidade de ler o livro, com as expectativas lá no alto, é óbvio.</p>
<p style="text-align: justify;">E Bolaño já começa impondo um ritmo de narrativa mais lento, fazendo com que o leitor mais afoito volte a acostumar os olhos a uma leitura mais cuidadosa, detalhada. O autor não tem pressa e vai desenvolvendo as personagens e os eventos que as conectam de forma cuidadosa: não são apenas suas ações que os definem, são seus sonhos, o que se pensou mas não foi dito, o modo como se relacionam com o que ou quem gostam.</p>
<p style="text-align: justify;">E por causa disso, quanto menos se espera, você já está completamente amarrado pelo quarteto de críticos apaixonados pela obra do recluso escritor alemão Benno von Archimboldi. Espinoza, Pelletier, Norton e Morini se encontram nos congressos de estudos literários que frequentam, e desenvolvem um grande laço de amizade justamente por causa do interesse em comum &#8211; Archimboldi &#8211; e, mais precisamente, por onde andará Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify;">A relação entre eles se estreita, e apesar de obviamente as cutucadas que Bolaño dá na crítica literária ficarem mais ao gosto de quem é da área, ainda assim a amizade independe desse aspecto, e mesmo quem não é muito familiar aos estudos literários vai acabar se encantando com as personagens, até mesmo ao se enxergar na situação de apaixonado que eles se encontram. Isso não precisa ser só entre leitor e escritor, aparece de tantas formas: o músico e o sujeito que o escuta, o cineasta e quem o assiste. É a relação com a arte.</p>
<p style="text-align: justify;">E nisso, um dos trechos mais memoráveis é o dos críticos conversando com a dona da editora que publicou Archimboldi pela primera vez, a senhora Bubis. O comentário da mulher sobre o gosto que tinha pela obra de Grosz e da diferente reação que ela tinha para seus quadros da que seu amigo tinha é genial. A questão da diferença entre o gostar e o entender, e de como uma obra pode refletir de maneiras diferentes de acordo com quem a vê.</p>
<p style="text-align: justify;">É o que acaba nos levando ao trecho com o pintor Edwin Johns, que decepou a própria mão para fazer o que seria sua obra-prima.  O artista causa reações diferentes nas personagens, sendo a mais forte certamente sobre Morini, o único que lhe pergunta a razão da mutilação. A história é retomada na conclusão da primeira parte, servindo como o elemento que faltava para definir a relação dos quatro críticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como comentei, evitei ao máximo possível saber sobre <em>2666</em> antes de completar a leitura, mas é óbvio que do básico do enredo é impossível fugir, e sei que uma pequena história contada para os críticos enquanto seguiam uma pista de Archimboldi no México, de assassinatos de centenas de mulheres, vai acabar se desdobrando nas partes que virão. Mas no momento o que temos é isso: esse primeiro quadro com a relação entre os quatro críticos e a relação desses com Benno von Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu adorei, especialmente pelo modo como Bolaño conduz a narrativa. Um &#8220;truque&#8221; legal utilizado por ele é mudar a forma de escrever de acordo com o que está representando. Por exemplo, um sujeito está contando uma história, a fala vem com marcas de oralidade &#8211; aquelas pequenas idas e vindas de quando relatamos algo. A parte do email de Norton é simplesmente fantástica, com ações de Pelletier e Espinoza entrecortadas por trechos do que ela escreveu para eles. Ou ainda, Amalfitano falando sobre os artistas e o Estado na América Latina, fala longa e cheia de metáforas que é cortada por um &#8220;Não entendi nada do que você disse&#8221; de Norton.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto é quase como um labirinto, que em alguns momentos você continua seguindo e com a certeza de que está no caminho certo, em outros anda, anda e anda para então dar de cara com uma parede indicando que é hora de recomeçar. Mas não pensem que isso faz de <em>2666</em> um texto difícil. Muito pelo contrário: Bolaño é acima de tudo um contador de histórias, e a primeira parte fluiu muito bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem ficou curioso, <a title="2666 na companhia" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12537" target="_blank">no site da Companhia das Letras está disponível um trecho do livro em pdf</a>. Vale a pena conferir, mas se as outras quatro partes do livro forem tão boas (ou melhores) do que a primeira, vale a pena é ir atrás do livro mesmo.  Se já leu e quer saber mais sobre outras obras do Bolaño, não deixe de conferir as resenhas do Pips para <a title="noturno do chile" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/03/18/noturno-do-chile-roberto-bolano/" target="_blank">Noturno do Chile</a>, <a title="os detetives selvagens" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/26/os-detetives-selvagens/" target="_blank">Os Detetives Selvagens</a> e <a title="estrela distante" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/04/estrela-distante/" target="_blank">Estrela Distante</a> já publicadas aqui no blog do Meia Palavra. Enquanto isso, aguardo dicas  das melhores posições para ler <em>2666</em> na cama, há!</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5037" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2620" class="footnote">para saber mais sobre a tradução, vale a pena conferir <a title="tradução 2666" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/766166-tradutor-brasileiro-de-bolano-defende-que-narrativa-do-autor-e-anti-heroica.shtml" target="_blank">uma entrevista com Brandão para a Livraria da Folha</a></li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F15%2F2666-a-parte-dos-criticos%2F&amp;linkname=2666%3A%20A%20parte%20dos%20cr%C3%ADticos">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Louras Zumbis (Brian James)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 13:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Brian James]]></category>
		<category><![CDATA[Louras Zumbis]]></category>
		<category><![CDATA[Zumbis]]></category>

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		<description><![CDATA[Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/louraszumbis.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2606" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="louraszumbis" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/louraszumbis-194x300.jpg" alt="" width="194" height="300" /></a>Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque no fim é tudo sobre o sujeito diferentão que atrai a menina para sua vida, que apresenta supostos perigos. No final das contas, quem ainda busca esses livros atrás de diversão acaba se desapontando e simplesmente deixando de lado títulos novos, pensando que será mais do mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por isso que li com certo alívio <a title="louras zumbis" href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24887" target="_blank"><strong><em>Louras Zumbis</em></strong></a>, de Brian James lançado aqui no Brasil pela <a title="galera record" href="http://www.record.com.br/grupoeditorial_editora.asp?id_editora=11" target="_blank">Galera Record</a>. Quando fiquei sabendo sobre o título, pensei que lá vinha outra história com uma heroína desajeitada perdidamente apaixonada, só que dessa vez por um zumbi. Bem, as coisas são diferentes com <em>Louras Zumbis</em>, porque não se trata de um livro romântico, mas de ação (ou, sendo mais específica, de horror).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2605"></span>Logo de início somos apresentados à Hannah Sanders, uma garota que vive mudando de cidade porque o pai precisa fugir das dívidas. Eles chegam na pequena Maplecrest, uma cidadezinha que ela pensa ser como qualquer outra no começo. Chegando no primeiro dia de aula, ela precisa enfrentar a rotina que já conhece bem para se adaptar ao novo ambiente. Hannah é já mudou tantas vezes que sequer tem dificuldades para reconhecer quem são as garotas populares da escola: as líderes de torcida, todas louras e perfeitas e admiradas pelos demais.</p>
<p style="text-align: justify;">A história em muito apresenta essa adaptação de Hannah em Maplecrest, que apesar de alertada por Lukas, o &#8220;esquisitão&#8221; da escola ainda assim sente uma vontade irresistível de se aproximar dessas meninas. Aqui aquele ponto interessante do deslocamento, de simplesmente querer fazer parte de algo &#8220;normal&#8221;, mesmo que sabendo que com certo prazo de validade, acaba dando um histórico legal para a personagem. Mas é nos avisos de Lukas que começa a parte da ação: as meninas são mesmo zumbis ou é só exagero da parte de alguém que lê muito gibi?</p>
<p style="text-align: justify;">E enquanto a protagonista ainda está querendo encontrar a resposta para essa dúvida, já temos a preparação do que são capítulos finais que já estavam fazendo falta em livros do gênero: muito mais tensão do que sacarina, e a conclusão (que eu obviamente não vou contar aqui) simplesmente me conquistou. Então se você já estava meio cansado desse tema porque nunca era o que você achava que TINHA que ser, dê uma chance para <em>Louras Zumbis</em>. Não segue a metáfora do ótimo <a title="generation dead" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/08/13/10-perguntas-e-meia-para-daniel-waters/" target="_blank">Generation Dead de Daniel Waters</a>, mas diverte muito quem gosta do gênero.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4726&amp;pid=81812#pid81812" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/04/feliz-ano-velho-marcelo-rubens-paiva/</link>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 20:19:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Feliz Ano Velho]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Rubens Paiva]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[ Jovem, bonitão e cheio de vida. Algumas características do jovem Marcelo Rubens Paiva.  Em uma farra com os amigos, decide dar um mergulho à moda &#8220;Tio Patinhas&#8221;, para mais uma vez ser &#8220;a alegria da galera&#8221;.
Como ele poderia saber que naquele pequeno lago com meio metro de profundidade no dia 14 de dezembro de 1979 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/feliz-ano-velho.jpg"><img class="size-full wp-image-2594 alignright" style="border-width: 0px; margin: 5px;" title="feliz-ano-velho" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/feliz-ano-velho.jpg" alt="" width="125" height="187" /></a> Jovem, bonitão e cheio de vida. Algumas características do jovem Marcelo Rubens Paiva.  Em uma farra com os amigos, decide dar um mergulho à moda &#8220;Tio Patinhas&#8221;, para mais uma vez ser &#8220;a alegria da galera&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Como ele poderia saber que naquele pequeno lago com meio metro de profundidade no dia 14 de dezembro de 1979 a sua vida ia se transformar para sempre?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2593"></span></p>
<p style="text-align: justify;">&#8221; &#8211; Aí, Gregor, vou descobrir o tesouro que você escondeu aqui embaixo, seu milionário disfarçado.</p>
<p style="text-align: justify;">Pulei com a pose do Tio Patinhas, bati a cabeça no chão e foi aí que ouvi a melodia: biiiiiin. &#8220;</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, intenso desse jeito, já na primeira página até a última é o livro é a história de Marcelo Rubens Paiva, que ficou tetraplégico aos 20 anos de idade.</p>
<p style="text-align: justify;">Contando basicamente a sua experiência de vida ao longo de um ano entre UTI, coletes, cadeiras de roda, internações, medos e memórias, este best-seller da década de 80 é um livro emocionante sem ser piegas.</p>
<p style="text-align: justify;">Trabalhando com a tragédia de sua vida, ele nos prende por horas, dias, semanas. A cada página virada fica sempre aquela vontade de ler mais um pouco, compartilhar um pouco mais. É como se um amigo muito querido seu estivesse contando o que realmente aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;">Marcelo, conta também como foi não ter o pai presente na sua vida, devido à Ditadura Militar, todo o sofrimento e angústia passado por ele e a família, que nunca mais se recuperou desse choque.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas agora, você deve estar pensando: &#8220;Coitadinho, esse não teve sorte na vida&#8221;. Muito pelo contrário, o autor tinha vários motivos para pragejar contra tudo e todos, mas não o fez. Ao invés de ser a vítima da vida, ele resolveu não se entregar.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele não tem a pretensão de ser herói de ninguém, é apenas um cara normal, com uma vida normal, que em um pequeno ato sem pensar, acabou mudando a sua vida. (E quantas vezes isso acontece na nossa?)</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo não sendo um livro de auto-ajuda ou coisa semelhante, Marcelo dá uma aula de vida e de uma excelente literatura. Apesar do tema trágico, o livro é repleto de humor, ternura e erotismo. Indispensável e intenso até o fim. Simples assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4922">Comente esse artigo no fórum Meia Palavra!</a></p>
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		<title>A dançarina e o rubi &#8211; Barry Unsworth</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 01:39:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A Dançarina e o Rubi]]></category>
		<category><![CDATA[Barry Unsworth]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta é uma história de enganos, preconceito, sensualidade e choque de culturas. A história de Thurstan Beauchamp se passa num período turbulento da Sicília, recém-conquistada pelos normandos, e habitada por sarracenos, gregos, bizantinos, italianos e franceses. A segunda cruzada acabou e foi um verdadeiro fracasso.
THurstan é um funcionário do rei Roger, um jovem católico, filho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/BUNS.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2585" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="BUNS" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/BUNS-208x300.jpg" alt="" width="168" height="243" /></a>Esta é uma história de enganos, preconceito, sensualidade e choque de culturas. A história de Thurstan Beauchamp se passa num período turbulento da Sicília, recém-conquistada pelos normandos, e habitada por sarracenos, gregos, bizantinos, italianos e franceses. A segunda cruzada acabou e foi um verdadeiro fracasso.</p>
<p style="text-align: justify;">THurstan é um funcionário do rei Roger, um jovem católico, filho de pai normando e mãe inglesa.  Seu cargo, ao menos nominalmente, é de “provedor do rei”,  ou seja,  responsável pelo entretenimento da corte, por trazer novas atrações para animar a mesa real. Mas o <em>Diwan </em>(nome árabe para Douana) em que trabalha possui outra função, mais escusa.  É o órgão responsável por prestar os serviços de que o rei precisa, mas que não pode solicitar abertamente, como o pagamento de subornos e informantes.</p>
<p style="text-align: justify;">E é no cargo de pagador, e não de provedor, que Thurstan está investido quando conhece a dançarina Nesrin e seus companheiros anatolianos, cuja dança do ventre fascina a todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2583"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Escrita em primeira pessoa, numa prosa em princípio bastante confusa, <a href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24836">“A dançarina e o rubi”</a> lembra muito o estilo que usamos para contar nossos ‘causos’ aos amigos. Começamos de um ponto indistinto pelo meio da história, esquecemos pedaços que incluímos depois, abrimos milhares de parênteses, a ponto de, às vezes, perdermos a atenção de nosso interlocutor.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu confesso ter perdido algumas vezes o fio da meada, e me irritei várias vezes com Thurstan, achando-o  um idiota ingênuo, crédulo, frívolo e manipulável, incapaz de ver a extensão da crise que assola seu país, mesmo com todos os indícios em suas mãos. Ao mesmo tempo, me dei conta que, mesmo sendo um personagem com quem eu não tenha me identificado, Thurstan é muito bem construído, e causa uma forte impressão, com suas qualidades e suas falhas, e eu devo esse crédito ao autor.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a confusão do texto, aliada à uma expectativa errônea que tive ao ler o título, me deixou um pouco decepcionada. Acredito que o título não condiz com o que realmente importa nesta história, sendo tanto a dançarina quanto o rubi meros coadjuvantes da jornada truncada do personagem principal.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, uma vez passado o dissabor, a história se mostra uma boa comédia de erros, um bom retrato do preço que o preconceito e a intolerância cobram de uma nação.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>O ciclista da madrugada e outras crônicas (Arnaldo Bloch)</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 21:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Arnaldo Bloch]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[O ciclista da madrugada e outras crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[É sempre assim. Quem pouco conhece de literatura (seja ela brasileira, inglesa ou japonesa) sempre se surpreende com um bom livro.  Não fujo dessa regra. Confesso que esse livro me chamou a atenção pelo título &#8211; eu esperava uma história de suspense, meio “Sherlock Holmes” – E não é que o título confirmou as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/capaCiclistaDaMadrugada.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2567" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="capaCiclistaDaMadrugada" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/capaCiclistaDaMadrugada-223x300.jpg" alt="" width="223" height="300" /></a>É sempre assim. Quem pouco conhece de literatura (seja ela brasileira, inglesa ou japonesa) sempre se surpreende com um bom livro.  Não fujo dessa regra. Confesso que esse livro me chamou a atenção pelo título &#8211; eu esperava uma história de suspense, meio “Sherlock Holmes” – E não é que o título confirmou as minas expectativas?</p>
<p style="text-align: justify;">Repleto de suspense, comédia, amizade e alegrias, as histórias de Arnaldo Bloch mostram o Rio de Janeiro para os não cariocas, a Alemanha para os não alemães, o Judaísmo para os não judaicos e (por que não?) as crônicas para aqueles que assim como eu não as conhecem tão bem. Misturando o cotidiano com suas memórias, o autor te prende a cada linha e no final de cada página você pensa: “Pô, gente boa esse Arnaldão!”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2566"></span>É simplesmente impossível não rir com a verdade em “Disque TPM para Matar” onde nós mulheres somos literalmente invadidas e nosso maior segredo (que é por a culpa de tudo o que acontece na dita cuja TPM) é revelado.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou em “BBB na Veia” onde até o mais forte dos cavaleiros pode sucumbir e eliminar alguém no paredão.  Nem mesmo o Orkut escapa das garras do “Arnaldão” em “Orkut na Reta” (pode inserir uma piadinha infame aqui) fazendo uma análise muito bem humorada da coqueluche dos brasileiros que tanto o acessam.</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente que nem só as crônicas sobre o cotidiano vão te prender ao livro, as ótimas: “O Porteiro lá de casa”, “O Judeu Alvinegro” e “Mãos de Pai”, emocionantes e sinceras  fornecendo  o contraponto necessário para tornar o livro uma ótima oportunidade para você (que como eu, não tem muito acesso à sua coluna no segundo caderno do jornal ao Globo) ou que simplesmente tinha a convicção preconceituosa de que os bons cronistas brasileiros eram apenas o Rubem Braga e o L. F. Verissimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em síntese, é como diz o Eugênio Bucci na contracapa: “Entre o jornalismo e a literatura, Arnaldo Bloch fica com os dois”- Oferecendo aos amantes da boa literatura, um prato cheio de boas histórias – e a Maria Bethânia na capa: “Adoro te ler, rapaz encantado” – Digo a mesmo, Bethânia. Digo o mesmo.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p><a title="O ciclista da madrugada" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4882" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>A Misteriosa Chama da Rainha Loana (Umberto Eco)</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 13:45:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A misteriosa chama da rainha loana]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>

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		<description><![CDATA[Bueno.
Terminei a leitura do meu primeiro romance do Umberto Eco, A Misteriosa Chama da Rainha Loana. E posso dizer que, embora não seja dos melhores que li, as muitas horas de leitura até que valeram a pena.
Para falar sobre esse livro, não quero começar fazendo um resuminho do enredo. Quero que vocês entrem nele, ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Eco_capa.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2555" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="Eco_capa" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Eco_capa.jpg" alt="" width="200" height="297" /></a>Bueno.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminei a leitura do meu primeiro romance do Umberto Eco, A Misteriosa Chama da Rainha Loana. E posso dizer que, embora não seja dos melhores que li, as muitas horas de leitura até que valeram a pena.</p>
<p style="text-align: justify;">Para falar sobre esse livro, não quero começar fazendo um resuminho do enredo. Quero que vocês entrem nele, ao menos aqui, às escuras. E quero isso porque isso é importante para esse livro. Por ora, digo que ele foi publicado pela Record, em 2005, que a tradutora é a Eliana Aguiar e que ele tem 456 páginas. E também que a narrativa divide-se em três grandes partes: “O Acidente”, “Uma memória de Papel” e “OI NOΣTOI”. Vamos a elas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2554"></span><strong>O Acidente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Então compramos o livro e, faceiramente, começamos a leitura:</p>
<p style="text-align: justify;">“E o senhor, como se chama?”</p>
<p style="text-align: justify;">“Espere, está na ponta da língua.”</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo começou assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Era como se acordasse de um longo sono&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois discursos diretos com os quais a narrativa começa já nos dão o tom de toda a primeira parte do livro: o protagonista não sabe seu nome, ou melhor, não o sabia no momento em que a história que será narrada começou. Mais adiante, descobriremos que ele não sabe nada sobre sua vida: não reconhece a si próprio, a sua esposa, filhos, netos; não recorda nada sobre seus pais e seus demais familiares; não sabe onde mora, no que trabalha e, ao menos, se trabalha. Em resumo, não se lembra de nada relacionado a si próprio, embora saiba quem foi Napoleão, que houve duas grandes guerras mundiais, que o branco chama-se branco – todas as coisas que o mundo inteiro sabe, na medida do possível. O interessante aqui é que ele, o protagonista e narrador da história, e nós, os leitores, estamos na mesma situação, não sabemos nada sobre ele mas sabemos quem foi Napoleão, que houve duas grandes guerras mundiais, que o branco chama-se branco&#8230; E, juntos, nessa primeira parte, descobriremos que ele está num hospital, que sofreu um acidente cardiovascular (embora o livro não explicite isso, dá pra supor durante a leitura), que por isso perdeu sua memória autobiográfica – aquela responsável pelas coisas que vivemos – mas que manteve intacta sua memória semântica, ou seja, ele não esqueceu de como se fala, de como se dirige, se escova os dentes ou de como se faz amor, embora não consiga lembrar de qual é a sensação que o sexo provoca nele; descobrimos que sua esposa se chama Paola, que tem filhos, netos, prováveis amantes e, dentre outras coisas, que é vendedor de livros raros. Vamos, juntos com ele, descobrindo, através dos outros, todas as coisas sobre sua vida, e vamos descobrindo, também juntos, que ele não sabe como se sentiu e como se sentia frente a todo esse mundo e a essa vida agora nova que se nos abrem – mas sabemos como se sente, um outro de quem nada se sabe. Já em casa, num determinado momento, sua esposa propõe que Yambo (a essa altura, já sabemos que seu nome é Giambattista Bodoni e que seu apelido é Yambo) viaje para Solara – uma cidadezinha na qual há uma antiga casa da família em que ele viveu, quando criança, durante a segunda guerra mundial, momentos decisivos de sua vida –, pois ela acreditava que lá, reencontrando-se com as coisas e os lugares do seu passado, ele pudesse recobrar sua memória. E, entrando em Solara, entramos também na segunda parte da narrativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma memória de Papel</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chegando à casa da família, em que vive uma empregada já com seus 70 anos e que viveu sua infância junto com Yambo, que tem quase 60, nosso herói começa suas investigações sobre seu passado. Investigando junto com ele, descobrimos que Yambo foi um grande leitor na sua infância e pré-adolescência. Lia revistas em quadrinhos, diferentes formas de narrativa e gostava também de música, principalmente clássica. E aqui a narrativa fica chata, deve-se confessar. Ao encontrar seus livros e revistas da infância, Yambo acredita que, (re)fazendo essas leituras, pode se (re)descobrir. E a narrativa entra em longas descrições de histórias em quadrinhos e de livros dos anos 20, 30 e 40, principalmente, de músicas, e aí o troço fica maçante pacas – embora existam momentos em que pequenas histórias sejam contadas e apareçam muitas ilustrações e reproduções de capas de livros, de HQs, de discos, compilações de músicas, cartazes, panfletos e etc (tá, o que cansa um pouco também). Mas, a essa altura, nós – agora o nós somos só nós leitores – já estamos querendo saber se isso vai adiantar de alguma coisa, se Yambo vai recobrar sua memória e parar de nos cansar com essa catalogação de tudo aquilo que leu e ouviu durante os tempos em Solara – não esqueçamos de que ele é vendedor de livros raros, para quem a catalogação é uma prática fundamental. Daí que a coisa toda parece que não adiantou de nada, e, ao que tudo indica, nós – leitores e ele – não avançamos muito nas suas memórias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em qualquer caso, até o momento Solara não me restituíra algo que fosse realmente e somente meu. Tudo o que descobri foi o que lera, mas assim como tantos outros leram.</p>
<p style="text-align: justify;">Até  que, quando já está decidido a voltar para Milão, onde morava com sua esposa, descobre um livro: o in-folio de 1623 das obras de Shakespeare, talvez um dos livros mais raros e desejados e procurados.</p>
<p style="text-align: justify;">Com esse in-fólio estou vivendo um romance mais excitante que todos os mistérios vividos entre os muros de Solara, durante quase três meses de alta pressão [Yambo ficou cerca de três meses em Solara e tinha pressão alta]. A emoção me embaralha as idéias, sobem a meu rosto lufadas de calor.</p>
<p style="text-align: justify;">É seguramente o grande golpe da minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Então que ele acha o in-fólio de 1623 do Shakespeare, e parece que vai ter uma síncope. E a segunda parte acaba.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>OI NOΣTOI</strong></p>
<p style="text-align: justify;">(Grego. Alguma coisa do tipo: retorno/retornam para casa)</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, algo aconteceu com nosso herói. Aqui, estamos dentro da cabeça de Yambo – mas não esperem técnicas narrativas extremamente apuradas para a representação disso. As suas memórias começam a voltar, completamente embaralhadas, e as vamos percebendo, só pra variar, junto com Yambo, que tenta organizá-las, dar a elas algumas formas. Yambo, novamente, não sabe onde está e nem como está, mas imagina-se num hospital, em coma, ou morto, no limbo. Essa é uma das coisas que fica suspensa até o final da narrativa, mas muitas outras começam  a fazer sentido, até o momento em que, nas suas lembranças, a possibilidade de ver o rosto daquela que fora seu primeiro amor embaralha tudo novamente, e, numa confusão entre ficção e realidade somos conduzidos junto com Yambo ao final da história, que eu não vou contar.</p>
<p style="text-align: justify;">É essa a história que Eco nos conta, um homem que perdeu sua memória e tenta recuperá-la. A narrativa em primeira pessoa faz com que nos colemos a Yambo e sigamos, junto com ele, na busca por suas lembranças – o que seria bem difícil de ser feito em uma narrativa em terceira pessoa. Escutar a história de um narrador-personagem, que conta a sua história de como procurou rememorar todas as suas lembranças que haviam sido perdidas é a grande sacada da narrativa de Eco. E é a grande sacada pelo motivo no qual insisti durante meu texto: fazemos isso juntos. Exceto a segunda parte do livro, cansativa por seu aspecto algo catalográfico – explicável estruturalmente pelo fato de a história ser contada por um vendedor de livros raros –, a história nos prende. É verdade que mais pela curiosidade em saber se Yambo se (re)descobre que por qualquer outro motivo – a sua busca pelo rosto do seu primeiro amor parece ser um outro recurso utilizado para se prender a atenção do leitor, e, embora se confunda em alguns momentos com o objetivo principal da busca de Yambo, pode ser caracterizada como algo que desempenha o papel de fortalecer o seu ímpeto pela busca. Podemos dizer também que o livro não deixa de tematizar uma velha questão da teoria literária: ficção vs realidade. Na primeira parte, Yambo relembra trechos de diversos textos literários, embora não saiba bem o porquê disso acontecer. Na segunda parte, é através da ficção – seja ela a música, a literatura ou as histórias em quadrinho – que Yambo procura (re)descobrir quem realmente foi. Porém, nenhuma das histórias que leu o ajudam, mas sim um livro visto como objeto, que o ajuda não pelo que conta, mas sim por sua raridade – Yambo é, no fundo, um bibliófilo. Ao final da terceira parte, temos por fim a total confusão entre ficção e realidade, quando da interação entre personagens históricas – pessoas reais – e personagens ficcionais, e da confusão entre essas duas, digamos, categorias: será que Lila, seu primeiro amor, é real? Será que ela é uma personagem de ficção? Talvez uma pessoa real ficcionalizada? Não sabemos. E não acredito que precisemos dar um veredicto sobre isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Bueno, dos caminhos possíveis para a abordagem do livro, achei que esse seria bom para provocar a sua leitura. E é isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Até  a próxima!</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor:</strong> Leandro Cardoso é o <a title="leandrão" href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=123" target="_blank">Leandrão</a> no Fórum Meia Palavra.  É formado em Letras – Bacharelado em Estudos da Tradução, Português e Latim – pela UFPR e mestrando em Literatura pela mesma instituição.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4812&amp;pid=80428#pid80428" target="_blank"><strong>COMENTE O ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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