<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Meia Palavra&#187; Literatura Estrangeira</title>
	<atom:link href="http://blog.meiapalavra.com.br/tag/literatura-estrangeira/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blog.meiapalavra.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 05 Feb 2012 23:06:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>O professor e o louco (Simon Winchester)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/05/o-professor-e-o-louco-simon-winchester/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/05/o-professor-e-o-louco-simon-winchester/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 22:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia de Bolso]]></category>
		<category><![CDATA[Dr. William Minor]]></category>
		<category><![CDATA[James A. H. Murray]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[O Professor e o Louco]]></category>
		<category><![CDATA[OED]]></category>
		<category><![CDATA[Oxford English Dictionary]]></category>
		<category><![CDATA[Simon Winchester]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Filológica de Londres]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=18025</guid>
		<description><![CDATA[Foram 70 anos, 12 volumes, 414.825 verbetes e 1.827.306 citações ilustrativas.  A criação do Oxford English Dictionary foi o trabalho da Sociedade Filológica de Londres, resultado dos esforços de homens como Herbert Coleridge, Frederick Furnivall e  James Murray, além de um incontável número de voluntários, entre eles o Dr. William Minor, ex-capitão cirurgião do exército [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/professorlouco.jpg"><img class="size-medium wp-image-18039 alignright" style="margin: 5px; border: 0pt none;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/professorlouco-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Foram 70 anos, 12 volumes, 414.825 verbetes e 1.827.306 citações ilustrativas.  A criação do <em><a href="http://www.oed.com/public/oedhistory">Oxford English Dictionary </a></em>foi o trabalho da Sociedade Filológica de Londres, resultado dos esforços de homens como Herbert Coleridge, Frederick Furnivall e <a href="http://www.oxforddnb.com/public/dnb/35163.html"> James Murray</a>, além de um incontável número de voluntários, entre eles o Dr. William Minor, ex-capitão cirurgião do exército dos EUA, irremediavelmente insano.</p>
<p style="text-align: justify;">Num mundo em que dicionários são fator comum, disponíveis nas mais diferentes plataformas e formatos e em todos os idiomas possíveis; é difícil conceber a monstruosidade e ambição do projeto do <em>Oxford English Dictionary</em>.  Uma obra que pretendia abarcar, explicar e codificar todas as palavras de um idioma advindo de influências etimológicas diversas e que, até meados do século XIX, não conhecia um código comum. A necessidade era premente. A influência do idioma era sentida mundialmente, todas as outras grandes línguas ocidentais já contavam com um norteador ortográfico e lexicográfico, os dicionários existentes até então eram listas de vocábulos difíceis, rebuscados ou obsoletos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-18025"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para construir tal obra de referência, a literatura inglesa deveria ser passada em revista. Toda ela. Voluntários em toda a Inglaterra atenderam ao apelo de James A. H. Murray e liam obras e separavam palavras e citações a serem colocadas no dicionário. Entre aqueles que atenderam este apelo apaixonado estava Dr. Willam Minor, e suas contribuições foram de suma importância para o sucesso do projeto. Nascia uma amizade que duraria pelo menos 30 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">A aproximação e o relacionamento amistoso entre o eminente Dr. Murray e o desequilibrado Dr. Minor é o cerne de <em>O professor e o louco: Uma história de assassinato e loucura durante a elaboração do dicionário Oxford. </em>Simon Winchester aborda o assunto pelas beiradas, com os últimos momentos de George Merrett, cuja morte levou William Minor ao Broadmoor Asylum, a 65km de Oxford. Segue um prelúdio e um histórico das personalidades dos dois protagonistas, e aos poucos a história do dicionário se imiscui na vida destes dois homens tão parecidos e tão diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O autor inicia cada capítulo (inclusive notas e agradecimentos) com um verbete retirado do famoso OED, como o dicionário ficou conhecido. Tal verbete tem relação direta com o teor do texto a que se refere, e o texto em si, apesar de acessível e leve, é pontuado por escolhas de palavras que levam à consulta do dicionário. Ao menos foi o que a tradução deixou transparecer. A história que conta é fascinante e recheada de detalhes e anedotas históricas, que deixam o texto ainda mais atrativo. <em>O professor e o louco </em>é a história da obra prima da Inglaterra Vitoriana e um livro para ler e reverenciar estes homens semi-anônimos que nos permitiram acesso irrestrito ao idioma da globalização.</p>
<p>O professor e o louco<br />
Simon Winchester<br />
Título original: THE PROFESSOR AND THE MADMAN (POCKET)<br />
Tradução: Flávia Villas-Boas<br />
240 Páginas<br />
Selo: Companhia de Bolso<br />
Preço Sugerido: R$ 25,00</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/05/o-professor-e-o-louco-simon-winchester/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A vida está em outro lugar (Milan Kundera)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/04/a-vida-esta-em-outro-lugar-milan-kundera/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/04/a-vida-esta-em-outro-lugar-milan-kundera/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 16:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A vida está em outor lugar]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia de Bolso]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Tcheca]]></category>
		<category><![CDATA[Milan Kundera]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=18014</guid>
		<description><![CDATA[A vida está em outro lugar, obra do já famoso escritor tcheco Milan Kundera, tem basicamente três pilares de sustentação: sexo, poesia e política. Não é uma combinação exatamente inédita em seus livros, mas é algo que via de regra funciona bem. Nesse caso, o resultado é especialmente bom. O protagonista, Jarosmil, nasceu na cidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/vida.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-18015" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/vida-207x300.jpg" alt="" width="207" height="300" /></a>A vida está em outro lugar</em>, obra do já famoso escritor tcheco Milan Kundera, tem basicamente três pilares de sustentação: sexo, poesia e política. Não é uma combinação exatamente inédita em seus livros, mas é algo que via de regra funciona bem. Nesse caso, o resultado é especialmente bom.</p>
<p style="text-align: justify">O protagonista, Jarosmil, nasceu na cidade de Praga. É fruto de um casamento sem amor, e nem mesmo era desejado por seu pai. Por outro lado, sua mãe, herdeira de uma família abastada, o ama de modo incondicional e possessivo. Ainda bastante pequeno Jaromil demonstra talento com palavras, rimas e metáforas. É incentivado a tornar-se poeta.</p>
<p style="text-align: justify">Acompanhamos sua vida durante momentos bastante complicados da história Tcheca,  como a Segunda Guerra Mundial e a tomada do poder pelos comunistas. Seu pai morre pelas mãos da Gestapo. Ele afasta-se de sua família e do meio pequeno-burguês em que vivia, abraçando o comunismo e rejeitando até mesmo a arte moderna – que lhe era bastante cara – para rejeitar, entre outras coisas, o tio que acreditava que &#8220;<em>Voltaire inventou os volts&#8221;.<span id="more-18014"></span></em></p>
<p style="text-align: justify">Em meio a inseguranças e temores relacionados ao sexo, ele torna-se um homem ciumento e dominador, que obedece cegamente o Partido Comunista da República Tcheca. Ao mesmo tempo vemos o desabrochar do artista, tateando por uma voz própria, que possa falar de beleza e exaltar o proletariado.</p>
<p style="text-align: justify">Jarosmil consegue, finalmente, o sucesso: em primeiro lugar, faz sexo, sentindo que deixa de pertencer à classe das crianças e adolescentes e tornando-se, verdadeira e completamente, um homem. Sua namorada, aliás, pertence à gente simples, ao povo, o que muito lhe agrada. Seus poemas atingem certa maturidade que antes lhes era negada, e ele consegue ser publicado e convidado a eventos poéticos.</p>
<p style="text-align: justify">O livro é, porém, trágico. Não é a toa que, durante toda a narrativa, apareçam inúmeras alusões à Lermontov, Rimbaud e outros poetas que tiveram fins dolorosos ou obscuros. Os três sustentáculos da vida de Jarosmil &#8211; lembremos-nos, o sexo, a poesia e a política &#8211; parecem aliar-se para se transformarem em uma força soturna e esmagadora, um poder destrutivo e incontrolável.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>A vida está em outro lugar</strong></p>
<p style="text-align: justify">de Milan Kundera</p>
<p style="text-align: justify">traduzido do francês por Denise Rangé Barreto</p>
<p style="text-align: justify">336 páginas</p>
<p style="text-align: justify">R$ 26,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/04/a-vida-esta-em-outro-lugar-milan-kundera/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fábulas (Liev Tolstói)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/03/fabulas-liev-tolstoi/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/03/fabulas-liev-tolstoi/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 13:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Sofia Mariz]]></category>
		<category><![CDATA[Cárcamo]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Fábulas]]></category>
		<category><![CDATA[Liev Tólstoi]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Tatiana Mariz]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17982</guid>
		<description><![CDATA[Liev Tolstói é um dos escritores mais conhecidos do mundo, principalmente por ter escrito dois clássicos da literatura mundial – Ana Karênina e Guerra e Paz. Além de grande escritor, Tolstói também era preocupado com a educação em seu tempo, tanto que abriu uma escola gratuita para crianças menos favorecidas. Além da escola, ele também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/FABULAS.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-17983" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/FABULAS.jpg" alt="" width="200" height="288" /></a>Liev Tolstói é um dos escritores mais conhecidos do mundo, principalmente por ter escrito dois clássicos da literatura mundial – <em>Ana Karênina</em> e <em>Guerra e Paz</em>. Além de grande escritor, Tolstói também era preocupado com a educação em seu tempo, tanto que abriu uma escola gratuita para crianças menos favorecidas.</p>
<p style="text-align: justify">Além da escola, ele também escreveu artigos dedicados a educação infantil e publicou obras como <em>Livros de estudos</em> e <em>Livros de leitura para crianças</em>. E foi com base nessas duas obras que Tatiana Maris e Ana Sofia Maris retiraram os textos que compõem o livro <em>Fábulas</em>, que ainda conta com a ilustração de Cárcamo e foi publicado pela Companhia das Letras.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17982"></span></p>
<p style="text-align: justify">A obra é composta por contos que contêm animais como personagens. Assim, encontramos leões, ratos, mosquitos, gaviões, galos, raposas entre outros. Em todos os contos os animais são humanizados em suas ações, despertando pequenas mazelas e virtudes humanas, como egoísmo, prepotência, inveja humildade, solidariedade e cidadania, ficando claro seu intuito educativo.</p>
<p style="text-align: justify">A preocupação educativa também está em como as histórias são retratadas. Com uma linguagem clara e um senso de humor delicioso, é fácil correr os olhos pelo livro e captar em cada conto a mensagem que o escritor quer passar, acompanhada da simples e bela ilustração de Cárcamo, que segue o ritmo e atmosfera do livro.</p>
<p style="text-align: justify">Certamente este não é o livro de entrada para a literatura de Liev Tosltói, mas ao ler <em>Fábulas</em> é curioso perceber o cuidado e a preocupação do escritor com as crianças, as quais ele “considerava de grande importância estimular a criatividade, o senso de beleza e a sinceridade”. E é perceptivel todo o cuidado a esses estímulos em cada imagem criada em cada conto, na clareza da linguagem e, principalmente, no humor estimulante a leitura.</p>
<p><strong>Fábulas</strong><br />
<strong>Autor:</strong> Liev Tolstói<br />
<strong>Tradução:</strong> Tatiana Mariz e Ana Sofia Mariz<br />
<strong>Ilustrações:</strong> Cárcamo<br />
<strong>48 páginas</strong><br />
<strong>Preço Sugerido:</strong> R$ 36,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/03/fabulas-liev-tolstoi/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children (Ransom Riggs)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/miss-peregrines-home-for-peculiar-children-ransom-riggs/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/miss-peregrines-home-for-peculiar-children-ransom-riggs/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 19:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Miss Peregrine's Home for Peculiar Children]]></category>
		<category><![CDATA[Ransom Riggs]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17927</guid>
		<description><![CDATA[Eu não lembro bem como foi que encontrei Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children pela primeira vez. Só sei que a capa chamou minha atenção (uma foto antiga, em preto e branco, de uma menininha cujos pés não tocam o chão) e que achei o título interessante. Julgando a sinopse (falando de orfanato abandonado e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/Miss-Peregrine’s-Home-For-Peculiar-Children-Book-Cover.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17928" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/Miss-Peregrine’s-Home-For-Peculiar-Children-Book-Cover-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>Eu não lembro bem como foi que encontrei <em>Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children</em> pela primeira vez. Só sei que a capa chamou minha atenção (uma foto antiga, em preto e branco, de uma menininha cujos pés não tocam o chão) e que achei o título interessante. Julgando a sinopse (falando de orfanato abandonado e afins) e a imagem da garotinha da capa, pensei &#8220;Opa, é horror, vamos conferir&#8221;. Aí comecei a leitura e para mim pareceu algo meio <em><a title="the princess bride" href="http://www.imdb.com/title/tt0093779/" target="_blank">The Princess Bride</a></em> meets <em><a title="a vida é bela" href="http://www.imdb.com/title/tt0118799/" target="_blank">A Vida é Bela</a></em>, com o avô do protagonista Jacob contando histórias sobre a ilha em que ele passou uma parte da vida com outras crianças como ele &#8211; que tinham habilidades extraordinárias. A sensação que fica é de que o livro será uma doce e divertida história sobre como o avô maquiou os horrores da Segunda Guerra Mundial com relatos sobre pessoas extraordinárias (judeus?) que precisavam se esconder em um orfanato para fugir dos monstros (nazistas?).</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, a questão é que Ransom Riggs tem uma carta na manga: ele te leva a pensar que o livro vai tomar um rumo e aí surpreende. E isso não é apenas uma vez só (e é óbvio que eu não vou ficar revelando aqui as surpresas). A leitura de <em>Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children</em> fica parecendo um pouco com um passeio em um trem fantasma, onde você nunca sabe ao certo o que virá a seguir. Eu disse que achava que seria uma história de horror, certo? <em>É</em> horror.  Mas também fantasia. E aventura. Daquelas obras que enquanto você passa por alguns parágrafos fica só pensando: &#8220;Caramba, digam que vão filmar isso aqui!&#8221;<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/miss-peregrines-home-for-peculiar-children-ransom-riggs/#footnote_0_17927" id="identifier_0_17927" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Fox j&aacute; comprou os direitos de filmagem do filme">1</a></sup></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-17927"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O bacana é que Riggs, embora esteja escrevendo para o público mais jovem (o livro é classificado como &#8220;young adult&#8221; lá fora), segue a escola Neil Gaiman de não poupar a juventude de grandes pesadelos. A combinação das fotos com o texto em alguns momentos causa medo de verdade, aquela sensação de &#8220;Ufa, ainda bem que é só um livro&#8221;. Aliás, um dos charmes da história é realmente a coleção de fotografias que Riggs usa para ilustrá-la (por isso desaconselho cópias piratas do livro, elas podem vir sem essas imagens, que são fundamentais para a compreensão da obra). No meio da leitura, estava tão empolgada que fui pesquisar um pouco sobre <em>Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children </em>e sobre o autor, e acabei descobrindo que as fotos são todas REAIS, emprestadas de colecionadores (os créditos aparecem no final). Algumas delas são perturbadoras, como do dentista e a outra com a menininha sentada no meio-fio e a sombra de um homem próxima a ela.</p>
<p style="text-align: justify;">As imagens são tão importantes dentro da narrativa que eu não ficaria surpresa se em alguma entrevista eu lesse o autor contando que algumas coisas foram criadas a partir delas. Para ter uma ideia, <a title="riggs" href="http://www.ransomriggs.com/" target="_blank">em seu site</a> Riggs conta que haverá uma continuação para o livro, e que estava viajando atrás de uma nova coleção de fotos para esse segundo volume. E talvez o fato de ele trabalhar com filmagem e fotografia (este é seu primeiro livro) seja uma boa explicação para o cuidado que ele teve com este detalhe da obra. Cuidado que teve também com o trailer que fez para o livro, que incluiu até viagem para a Europa em busca de casas abandonadas que servissem de cenário, como você pode conferir aqui (ah, no book trailer aparecem fotos que estão no livro):</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/XWrNyVhSJUU?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">E então o que você tem em mãos é realmente um pouco de tudo. Dá para sentir medo, mas com a aventura e o humor da história dá para lembrar de bons filmes de Sessão da Tarde, como <em>Os Goonies. </em>Talvez o único momento em que o autor derrape seja quando vai se arriscar no romance e no drama &#8211; fica um pouco forçado, mas nada que estrague de fato o livro. E retomando a ideia de que é um livro para o público jovem, chama a minha atenção o fato de sê-lo sem que isso necessariamente signifique soar como algo idiota para um adulto na casa dos 30 como eu. É óbvio, trata-se de entretenimento, mas é entretenimento <em>de qualidade</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Por conta disso, fica a torcida para que chegue logo a tradução do livro aqui no Brasil, e que ele receba a atenção que merece. Fico realmente feliz que tenha encontrado este livro, porque é o tipo de título que eu certamente deixaria passar batido em outra situação. Valeu a leitura, valeu a diversão e fica agora a curiosidade para o próximo volume e a tal da adaptação para o cinema. Para quem tem Kindle, está custando só <a title="miss peregrine's" href="http://www.amazon.com/Miss-Peregrines-Peculiar-Children-ebook/dp/B004FGMDOQ/ref=tmm_kin_title_0?ie=UTF8&amp;m=AGFP5ZROMRZFO" target="_blank">$7,99 na Amazon</a>.</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_17927" class="footnote">A Fox já comprou os direitos de filmagem do filme</li></ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/miss-peregrines-home-for-peculiar-children-ransom-riggs/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Giovanni (James Baldwin)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/giovanni-james-baldwin/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/giovanni-james-baldwin/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 16:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Coleção Biblioteca do Leitor Moderno]]></category>
		<category><![CDATA[Giovanni]]></category>
		<category><![CDATA[Homossexualismo]]></category>
		<category><![CDATA[James Baldwin]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Norte-Americana]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17908</guid>
		<description><![CDATA[James Baldwin é um dos vários nomes da literatura estadunidense que se dedicaram a denunciar o racismo e criticar a segregação racial que permeou a sociedade do país, principalmente aquela que dominou o século XX. Conquanto seja conhecido principalmente por sua luta no campo dos direitos civis dos negros, ele também atuou na defesa dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/Giovanni.James_.Baldwin.jpeg"><img class="alignleft  wp-image-17909" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/Giovanni.James_.Baldwin.jpeg" alt="" width="200" height="300" /></a><strong>James Baldwin</strong> é um dos vários nomes da literatura estadunidense que se dedicaram a denunciar o racismo e criticar a segregação racial que permeou a sociedade do país, principalmente aquela que dominou o século XX. Conquanto seja conhecido principalmente por sua luta no campo dos direitos civis dos negros, ele também atuou na defesa dos direitos dos homossexuais.</p>
<p style="text-align: justify">O livro <em>Giovanni</em> (ou <em>Giovanni’s Room</em>, no original [<em>O quarto de Giovanni</em>]), segundo romance do autor, publicado em 1956, trata principalmente da questão dos homossexuais, sendo que, curiosamente, não há nesse livro nenhum personagem negro. A edição a qual eu tive acesso, publicada pela editora Civilização Brasileira na ótima coleção <em>Biblioteca do Leitor Moderno</em>, contava com a orelha escrita por Paulo Francis, que escreveu algo que nos ajuda a entender <em>Giovanni</em>. Segundo ele, Baldwin criticou outros autores estadunidenses que também trataram dos direitos dos negros na sociedade americana, como Paul Green e Richard Wright, justamente porque enquanto a questão do negro não fosse encarada do ponto de vista humanista, ou seja, em uma acepção ampla, que dissesse respeito não só aos negros, mas a todos enquanto seres humanos, seus resultados seriam também restritos.</p>
<p style="text-align: justify">O <em>élan</em> do romance, portanto, pode começar a ser entendido a partir dessa colocação de Paulo Francis, já que, não apenas pelos personagens e questões, mas também pelo tratamento dado a trama, fica um tanto distante considerarmos <em>Giovanni</em> um livro que versa sobre a situação dos negros. Ao lidar com um relacionamento amoroso entre dois homens na Paris do século XX, Baldwin falava de forma análoga sobre o negro, tocando-o enquanto membro da humanidade, o que, por conseguinte, lhe faz comungar com um constructo de saberes e relações que lhe dizem respeito tanto quanto qualquer outro ser humano existente. Não se trata de igualdade por generalização abstrata, mas sim do reconhecimento da diferença pela reciprocidade.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17908"></span></p>
<p style="text-align: justify">A história se passa na romântica Paris, local por onde perambulam David (o narrador), sua namorada Hella, dois americanos que resolveram conhecer os encantos do Velho Mundo; e outros amigos, como Guillaume e Jacques, além, é claro, do homem com que o narrador se envolve, o enigmático Giovanni. Durante as madrugadas de conversas, risos e vida boêmia pelos bares e cafés de Paris, a atração do casal central do livro começa a se desenvolver, e antes que percebam, Giovanni e David se veem emaranhados em um relacionamento amoroso que começa tímido, mas que vai se aprofundando (e chegando a extremos) em pouco tempo.</p>
<p style="text-align: justify">A namorada de David decide passar uma temporada na Espanha, deixando o caminho livre para que ele, após algumas reviravoltas, constrangimentos e resistências, acabe indo dividir um quarto com Giovanni, onde partilham de uma tórrida relação amorosa. Giovanni se entrega com paixão ao romance e faz dele um dos pontos centrais de sua existência, colocando David, que a princípio procurara não se envolver tanto, em maus lençóis. Uma sucessão de situações extremas e está preparado o terreno para a tragédia.</p>
<p style="text-align: justify">É preciso desfazer um mal entendido que possa ter sido gerado por essa simplificação do enredo: o livro não se resume a exposição sumária que eu aqui lhe dei. A forma como Baldwin conduz a história, e como consegue contá-la a partir de um dos lados da relação, revela um talento narrativo e dramático bastante apurados e dignos de nota. Já sabemos logo no começo que a tragédia é uma das marcas dessa história, justamente porque a primeira cena que Baldwin nos apresenta é a de David sentado com uma taça de conhaque na mão refletindo sobre o ocorrido. O livro se desenrola no sentido de trazer-nos novamente aquele momento, munido, então, da cadeia de fatos desencadeados até ali.</p>
<p style="text-align: justify">Além disso, o foco em primeira pessoa nos transporta para dentro das emoções e sentimentos de David, revelando nuances interessantes da trama. A inspiração calcada na verve clássica do romantismo encontra-se vivificado no desfecho da trama e no complexo imbróglio amoroso que percorre toda a obra, fazendo de <em>Giovanni</em> uma interessante e ousada reelaboração de um estilo e de uma temática passadas em pleno século XX, sob novas vestes e novos problemas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/giovanni-james-baldwin/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Wysława Szymborska (02/07/1923 &#8211; 01/02/2012)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/wyslawa-szymborska-2061923-01022012/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/wyslawa-szymborska-2061923-01022012/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 13:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Polonesa]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Polonesa]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>
		<category><![CDATA[Wysława Szymborska]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17938</guid>
		<description><![CDATA[A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa, foi o berço de grandes personagens históricas. Lá nasceram Chopin, Madame Curie, João Paulo II. Czesław Miłosz também é outro polonês de peso. Ontem, juntou-se a esse verdadeiro panteão a poeta Wysława Szymborska: aos 88 anos, a vencedora do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/szymborska.jpg"><img class="size-medium wp-image-17939 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/szymborska-300x227.jpg" alt="" width="300" height="227" /></a>A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa, foi o berço de grandes personagens históricas. Lá nasceram Chopin, Madame Curie, João Paulo II. Czesław Miłosz também é outro polonês de peso. Ontem, juntou-se a esse verdadeiro panteão a poeta <strong>Wysława Szymborska</strong>: aos 88 anos, a vencedora do Nobel de Literatura de 1996 faleceu depois de uma longa doença – tendo, inclusive, sido operada no ultimo mês de novembro. Segundo o secretário de Szymborska, porém, a poeta morreu em sua casa em Cracóvia, de forma tranquila.</p>
<p>***</p>
<p><span id="more-17938"></span></p>
<p style="text-align: justify">Filha do político Wincenty Szymborski e de Anna Maria de d. Rottermund, Wysława Szymborska nasceu em 1923 na cidade de Kórnik, região centro-oeste da Polônia. Em 1924 sua família mudou-se para Toruń, e em 1929 para Cracóvia – onde ela viveria pelo resto da vida.</p>
<p style="text-align: justify">Uma vez em Cracóvia, ela estudou na escola primária Józefy Joteyko e, a partir de 1935, no Colégio Irmã Ursulina. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a continuidade de seus estudos foi em segredo. Em 1943, para evitar ser deportada para a Alemanha, começou a trabalhar nas estradas de ferro. Na mesma época ilustrou um livro didático de inglês. Começou a escrever algumas histórias e poemas.</p>
<p style="text-align: justify">Em 1945 começou seus estudos de língua e literatura polonesa na Universidade Jagellonica de Cracóvia – mais tarde mudaria de curso para sociologia. Nessa mesma época começou a envolver-se no universo literário, tomando parte do grupo de vanguarda <em>Inaczej </em>– junto com Stanisław Lem. Também acabou conhecendo Czesław Miłosz, que muito a influenciaria. Foi em 1945 que também publicou seu primeiro poema, <em>Szukam s</em><em>łowa </em>(<em>Eu procuro a palavra</em>).</p>
<p style="text-align: justify">Em 1948 ela desiste dos estudos por conta de dificuldades financeiras. No mesmo ano se casa com o poeta Adam Włodek. Em 1949 seu primeiro livro deveria ter sido publicado, mas a censura impediu, já que seus versos não se encaixavam nos padrões do recém-instaurado regime socialista. Durante esse tempo ela trabalhava como secretaria de uma revista bissemanal, bem como ilustradora.</p>
<p style="text-align: justify">Acabou começando a publicar apenas em 1952, com <em>Dlatego żyjemy</em> (<em>Por isso vivemos</em>). Como a maioria dos intelectuais poloneses, ela apoiava o regime socialista em seus primeiros anos, e seus poemas demonstravam isso com clareza: exaltavam Lênin e os feitos de Stálin. Em 1953 começou a trabalhar para a revista <em>Życie Literackie </em>(<em>Vida Literária</em>) – onde trabalharia até 1981, chegando a ter sua própria coluna dedicada à crítica literária, <em>Lektury Nadobowiązkowe </em>(Leitura Não-Obrigatória).</p>
<p style="text-align: justify">Em 1954 ela lançou seu segundo volume de poesia, <em>Pytania zadawane sobie </em>(<em>Perguntas que fazemos para nós mesmos</em>), ainda bastante influenciado pela ideologia oficial do Partido dos Trabalhadores Poloneses Unidos, o partido comunista polonês – ao qual era filiada. Nesse mesmo ano, a poeta também divorciou-se.</p>
<p style="text-align: justify">Depois desse segundo livro, porém, Wysława começou a distanciar-se do partido. Permaneceria oficialmente nele até 1966, mas antes disso já afastava-se paulatinamente, começando a manter contato com dissidentes. Em 1957, ano em que lançou <em>Wołanie do Yeti </em>(<em>Chamando pelo Ieti</em>), tornou-se amiga de Jerzy Giedoryc – editor do jornal dissidente baseado em Paris, <em>Kultura</em>, para o qual Szymborska passaria a escrever.</p>
<p style="text-align: justify">Seus poemas afastavam-se da política, tornando-se cada vez mais espirituais, falando cada vez mais de coisas simples, cotidianas. Ela chegou a renegar seus dois primeiros livros. Ao mesmo tempo, assinou diversos manifestos pela liberdade dos países sob o julgo da URSS, entre os quais a &#8220;Lista 34&#8243; e a &#8220;Lista 59&#8243;, além de escrever para alguns jornais publicados de maneira ilegal, como <em>samizdat</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Ganhou diversos prêmios literários durante sua carreira, sendo o mais famoso deles o Nobel de Literatura. Publicou 13 livros de poesia, além de ensaios e crítica literária. Nos últimos anos esteve doente, diminuindo suas aparições públicas. E ontem, faleceu.</p>
<p style="text-align: justify">Uma perda histórica para a Polônia – ela viveu e participou da conturbada história do país durante o século XX, que culminou com a retomada <em>de facto</em> da independência após séculos de dominação estrangeira. Mas, além disso, perdeu-se uma das maiores poetas que vivia, cujos versos estão entre os mais sublimes que já tive o prazer de ler.</p>
<p><strong>Sobre a morte, sem exageros</strong></p>
<p>(de Wysława Szymborska, tradução do polonês de Luciano R. Mendes)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não entende piadas,</p>
<p>nem sobre estrelas, sobre pontes,</p>
<p>sobre tecer, sobre mineração, sobre cultivar a terra,</p>
<p>sobre construir navios ou assar bolos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em nossas conversas sobre planos futuros,</p>
<p>sempre tem a última palavra</p>
<p>fora do assunto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não consegue sequer as coisas</p>
<p>que combinam diretamente com sua especialidade:</p>
<p>nem cavar uma cova,</p>
<p>nem fazer um caixão,</p>
<p>nem limpar a propria sujeira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Preocupada em matar,</p>
<p>o faz desastradamente,</p>
<p>sem método nem perícia.</p>
<p>Como se cada um de nós fosse um treino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Até tem seus triunfos,</p>
<p>mas costuma ser derrotada,</p>
<p>erra seus golpes</p>
<p>e experimenta novas tentativas!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Às vezes lhe faltam forças,</p>
<p>para abater uma mosca no ar.</p>
<p>Para várias lagartas</p>
<p>perdeu corridas rastejantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todos esses tubérculos, casulos,</p>
<p>tentáculos, barbatanas, traquéias,</p>
<p>penas nupciais e pelos de frio</p>
<p>provam o atraso</p>
<p>em seu maçante trabalho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não é suficiente</p>
<p>mesmo que ajudemos com guerras e golpes de estado,</p>
<p>isso, até agora, é pouco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Corações batem dentro de ovos.</p>
<p>Crescem os esqueletos dos lactentes.</p>
<p>A sementes, esforçadas, vingam com suas primeiras folhinhas,</p>
<p>e algumas vezes também árvores altas caem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quem afirma sua onipotência,</p>
<p>é a propria prova viva,</p>
<p>de que onipotente ela não é.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não existe vida</p>
<p>que pelo menos por um momento</p>
<p>não tenha sido imortal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Morte</p>
<p>sempre chegando um momento tarde demais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em vão puxa a maçaneta</p>
<p>de uma porta invisível.</p>
<p>Quem  chegou a tempo,</p>
<p>não pode voltar atrás.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/wyslawa-szymborska-2061923-01022012/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Forte (Bernard Cornwell)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/01/o-forte-bernard-cornwell/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/01/o-forte-bernard-cornwell/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 16:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Bernard Cornwell]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Independência dos EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Majabigwaduce]]></category>
		<category><![CDATA[O Forte]]></category>
		<category><![CDATA[Romance Histórico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17870</guid>
		<description><![CDATA[A batalha ocorreu no ano de 1779, durante a Guerra da Independência americana, numa comunidade portuária em Massachussets, que à época chamava-se Majabigwaduce. Os americanos têm sede de liberdade, enquanto os ingleses querem manter o porto de localização estratégica. Os ingleses possuem apenas três navios de guerra e uma pequena força em terra, regida pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/O-FOrte.jpg"><img class="size-medium wp-image-17871 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/O-FOrte-190x300.jpg" alt="" width="190" height="300" /></a>A batalha ocorreu no ano de 1779, durante a Guerra da Independência americana, numa comunidade portuária em Massachussets, que à época chamava-se Majabigwaduce. Os americanos têm sede de liberdade, enquanto os ingleses querem manter o porto de localização estratégica. Os ingleses possuem apenas três navios de guerra e uma pequena força em terra, regida pelo general de brigada Francis McLean e pelo Capitão Henry Mowat no mar.</p>
<p style="text-align: justify">As forças americanas são comandadas pelo  general de brigada Peleg Wadsworth, pelo tenente-coronel de artilharia Paul Revere, estes sob o comando do general Lovell; e pelo comodoro Saltonstall, da marinha federal. Os americanos estão evidentemente em maior número, motivo pelo qual McLean determina a construção de um forte &#8211; o Forte George &#8211; para melhorar suas defesas.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17870"></span></p>
<p style="text-align: justify">Quem gosta de <strong>Bernard Cornwell</strong> já sabe o que esperar de uma de suas obras: uma batalha histórica marcante, normalmente envolvendo o exército britânico, e um personagem principal de forte caráter, geralmente um homem alto e forte, mas de origem humilde.  É assim com Derfel (das <em>Crônicas de Arthur</em>), com Sharpe, Thomas de Hookton (na trilogia do <em>Graal</em>), Nicholas Hook (<em>Azincourt</em>) e Uthred (<em>Crônicas Saxônicas</em>). São características comuns aos livros, que não tiram o mérito e o talento de contador de histórias de Cornwell.</p>
<p style="text-align: justify">No entanto, <em>O Forte </em>não possui um personagem principal. Ou, melhor, a batalha e a construção do Forte George são os protagonistas. Nesta obra, Cornwell decide nos levar atrás das linhas dos dois exércitos, através dos olhos de seus comandantes. Tal traço do romance, por não ser habitual do autor, me encantou.</p>
<p style="text-align: justify">Somos levados a criar simpatias e antipatias com os oficiais de ambos os batalhões, e a estrutura mantém o leitor curioso pelo desfecho que, ainda que histórico, é surpreendente. Foi com a minha lealdade de leitora dividida entre Wadsworth e McLean que devorei mais uma história de Bernard Cornwell, e mais uma vez me deliciei com sua prosa.</p>
<p style="text-align: justify">Tendo o confronto como personagem principal, Cornwell é ainda mais visual em sua descrição de batalhas do que de costume. Sua qualidade gráfica pode enojar os mais sensíveis, mas é necessária para a criação da cena. O autor nos lembra constantemente que a guerra não é um negócio bonito, nem segue regras de ética e boa educação. Este aparente sensacionalismo é uma maneira bastante eficaz de nos transportar para a época, assim como o é a apresentação de trechos de cartas e ordens emitidos durante o cerco ao final de cada capítulo.</p>
<p style="text-align: justify">É uma história de erros e acertos, hesitação e incompetência, que retrata uma das expedições mais emblemáticas da história dos Estados Unidos da América.</p>
<p style="text-align: justify">O FORTE</p>
<p style="text-align: justify">Bernard Cornwell</p>
<p style="text-align: justify">Título original: The Fort</p>
<p style="text-align: justify">Tradução: Alves Calado</p>
<p style="text-align: justify">490 Páginas</p>
<p style="text-align: justify">Preço sugerido: R$ 49,90</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/01/o-forte-bernard-cornwell/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Se eu já vi o filme, por que eu deveria ler o livro? – A fantástica fábrica de chocolate, de Roald Dahl</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/se-eu-ja-vi-o-filme-por-que-eu-deveria-ler-o-livro-a-fantastica-fabrica-de-chocolate-de-roald-dahl/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/se-eu-ja-vi-o-filme-por-que-eu-deveria-ler-o-livro-a-fantastica-fabrica-de-chocolate-de-roald-dahl/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 19:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tuca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A fantástica fábrica de chocolate]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptação]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Mel Stuart]]></category>
		<category><![CDATA[Roald Dahl]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Burton]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17875</guid>
		<description><![CDATA[(A coluna desse mês pede uma alteração provisória no título para “Se eu já vi os filmes, etc.”: em português, ambas as adaptações foram intituladas A fantástica fábrica de chocolate, mesmo título da tradução do livro. Em inglês, a adaptação cinematográfica mais antiga foi denominada Willy Wonka &#38; the Chocolate Factory, e a mais recente Charlie [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify" dir="ltr"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/oompaloompas.jpg"><img class="size-medium wp-image-17876 alignleft" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/oompaloompas-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>(A coluna desse mês pede uma alteração provisória no título para “Se eu já vi os filmes, etc.”: em português, ambas as adaptações foram intituladas <em>A fantástica fábrica de chocolate</em>, mesmo título da tradução do livro. Em inglês, a adaptação cinematográfica mais antiga foi denominada <em>Willy Wonka &amp; the Chocolate Factory, </em>e a mais recente <em>Charlie and the Chocolate Factory</em>. Nada contra a tradução indiferenciada: é muito melhor, por exemplo, do que tornar <em>Extremamente alto e incrivelmente perto</em> em, argh!, <em>Tão perto e tão longe</em>.)</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Eu queria muito utilizar a palavra “remake” nesse texto (ops, já o fiz), mas claramente não é a mais adequada. Ela se refere, por exemplo, a uma refilmagem de uma obra anterior que seja originalmente cinematográfica. É o caso de <em>Duas vidas</em> (mais conhecido como <em>Love Affair</em>) e <em>Tarde demais para esquecer</em>: um filme, com roteiro original, que é refilmado – com mudanças que vão de mínimas a substanciais. Voltando ao chocolate, a diferença entre o filme de 1971 e o de 2005, gritante, torna claro que não estamos diante de um remake, mas de uma nova adaptação cinematográfica do livro de <strong>Roald Dahl</strong>, tal como a aguardadíssima adaptação de David Fincher de <em>Os homens que não amavam as mulheres</em> – o diretor nem deve ter olhado a versão sueca.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr"><span id="more-17875"></span>Aparentemente, todo remake ou readaptação exige um posicionamento de quem os comenta: quase ninguém dirá que as duas adaptações são igualmente boas e satisfatórias. Nesse sentido, a preferência muito provavelmente recairá sobre o filme mais antigo: como exemplo disso, o enaltecimento de <em>A letra escarlate</em>, filme mudo de 1926, em comparação com a versão (homônima) estrelada por Demi Moore (e seus longos banhos), lançada em 1995, e pela personagem de Emma Stone em <em>A mentira</em> – outro filme que poderia ser considerado uma leitura moderna da obra de Nathaniel Hawthorne.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Eis então minha opinião: a adaptação de <strong>Tim Burton</strong> é infinitamente superior à de <strong>Mel Stuart</strong> (Mel who?). Vi-o no cinema duas vezes – na segunda, infelizmente, só havia cópias dubladas – e não tive dúvidas que assistira a um filme muito mais divertido e mágico do que o anterior. Comparando ambos os filmes a brinquedos de um parque de diversões, a versão com Gene Wilder se aproximaria a um carrossel – possui certo charme, é levemente enjoativo e inofensivo e serve para entreter as crianças menores –, enquanto Johnny Depp protagoniza uma montanha-russa muito bem construída, que utiliza o melhor da tecnologia para fazer todos os seus espectadores se sentirem como crianças.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Após a leitura do livro de Dahl, minha opinião apenas se fortaleceu. Busquei algumas informações a respeito das adaptações na internet e descobri duas coisas interessantes sobre ambas. No que diz respeito à primeira, o autor a odiou; quanto à segunda, o roteirista contratado era fã do livro e, pasmem!, não havia assistido à versão anterior – ou seja, nada de homenagem a esta.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Isso tudo deságua num dos temas mais recorrentes quando da abordagem comparativa de livros e filmes: fidelidade. Sim, o filme de Tim Burton é muito mais fiel. Estivesse o autor vivo, não só teria ajudado na divulgação, como provavelmente teria cedido os direitos autorais para a produção da sequência da história – <em>Charlie and The Great Glass Elevator</em> (em tempo, Burton e Depp já negaram qualquer interesse em filmar uma continuação do filme de 2005).</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Isso é perceptível a partir do título, que mantém o protagonismo de Charlie ao contrário da versão anterior, substituído por Willy Wonka no título do filme. Há eventos e detalhes no filme de Burton que poderiam ser tomados por exibicionismo do diretor, mas que são meramente fruto da conjunção das imaginações deste e do autor do livro. As invenções anteriores à reclusão de Wonka, o trabalho do pai de Charlie como “tampador de tubo de pasta de dentes”, o Taj Mahal de chocolate, o país dos oompa-loompas (os trabalhadores da fábrica, viciados em cacau), o elevador de vidro, os esquilos que escolhem as nozes: tudo isso já tinha sido descrito por Roald Dahl em <em>A fantástica fábrica de chocolate</em>.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">O que não significa que o diretor não tenha criado situações que inexistiam no livro. O tom mais “dark”, a repaginada no visual dos trabalhadores da fábrica (originalmente, eles continuam a vestir os trajes típicos de sua terra) e os motivos psicanalíticos para a obsessão de Wonka por chocolate – ah, a problemática relação entre pais e filhos&#8230; – estão entre os acréscimos de Tim Burton ao original.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Aproximo-me da conclusão do texto e parece que não apresentei nenhuma razão para a leitura do livro. Este é, sem trocadilhos, delicioso. De ler numa sentada. Um pouco moralista (as canções são levemente mais assustadoras e adultas no livro), não surpreendentemente: as peraltices e defeitos de personalidade das crianças más levam a determinadas consequências, temíveis o suficiente para que o pequeno que ouça a história antes de dormir pense duas vezes antes de ser malcriado.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">A história também comove de uma forma que, ao menos comigo, só a versão de 2005 conseguiu – o Charlie loiro (interpretado por um péssimo ator) de 1971 parecia estar muito “por cima da carne-seca” para alguém que passava fome:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Dia a dia, Charlie ia emagrecendo. Seu rosto foi ficando terrivelmente pálido e judiado. A pele estava tão grudada na face, que dava para ver os ossos. Se ele continuasse daquele jeito, ia acabar ficando muito doente.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Então, calmamente, com aquela estranha sabedoria que frequentemente parece tomar conta das crianças em épocas de dificuldade, ele começou a mudar algumas coisas em sua vida, para poupar forças. De manhã, saía de casa dez minutos antes, e andava bem devagar até a escola, para não ter que correr. Ficava quietinho, sentado na classe na hora do recreio, descansando, enquanto os outros corriam para fora, atirando bolas de neve e rolando na neve. Ele fazia tudo devagar, com cuidado, para não se cansar.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Descrições tristes como essa são compensadas por outros momentos de “magia” típica dos livros infantis, como no momento em que seus avós descobrem que ele conseguiu um cupom dourado (“O velhinho respirou fundo e de repente, sem qualquer aviso prévio, pareceu ter explodido por dentro. Levantou os braços e gritou: – Iupiii! Seu corpo ossudo levantou da cama fazendo voar a tigela de sopa bem em cima da Vovó Josefina. Num salto fantástico, aquele velhote de noventa e seis anos e meio, que não saía da cama há mais de vinte anos, pulou no chão e começou a dançar, de pijama, a dança da vitória.”), ou quando Willy Wonka nota a magreza do garoto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">De repente, o Sr. Wonka, que estava sentado do outro lado de Charlie, pegou uma caneca no fundo do barco, mergulhou-a no rio, encheu-a de chocolate e ofereceu para Charlie. – Beba – ele disse. – Parece um esqueleto! Qual é o problema? Não tem tido o que comer em casa?</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– Não muito – disse Vovô José.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Charlie levou a caneca até os lábios e um chocolate quentinho, cremoso, saboroso lhe desceu pela garganta, até sua barriga vazia. Todo o seu corpo, da cabeça aos pés, começou a tremer de prazer, e um sentimento de intensa satisfação tomou conta dele.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– Gostou? – perguntou o Sr. Wonka.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– Puxa, é maravilhoso! – disse Charlie.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– O chocolate mais delicioso e cremoso que já experimentei! – disse Vovô José, estalando os lábios.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– É porque foi misturado pela cachoeira – disse o Sr. Wonka.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">As ilustrações de Cláudia Scatamacchia dão um charme todo especial ao volume: você sente que lê um dos livros paradidáticos que a escola recomendava para que os alunos começassem a gostar de ler.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Mas creio que aquilo de que mais gostei durante a leitura foi perceber a coragem de Tim Burton, um dos diretores que mais admiro, ao criar um filme tão diferente da adaptação anterior, que já conquistara milhões de fãs, utilizando todos os recursos visuais possíveis para homenagear adequadamente o livro em que se baseou. Aproximou-se mais dos delírios imaginativos aos quais nos permitimos enquanto lemos um bom livro. E isso foi mágico o suficiente para mim.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/se-eu-ja-vi-o-filme-por-que-eu-deveria-ler-o-livro-a-fantastica-fabrica-de-chocolate-de-roald-dahl/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Drive (James Sallis)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/drive-james-sallis/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/drive-james-sallis/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 13:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Ação]]></category>
		<category><![CDATA[Drive]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Leya]]></category>
		<category><![CDATA[James Sallis]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Norte-Americana]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Gosling]]></category>
		<category><![CDATA[Suspense]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17855</guid>
		<description><![CDATA[Há um termo pejorativo em inglês conhecido como chick-lit, ou seja, literatura para garotinhas, e mulherzinhas também, com muito açúcar, corações partidos, reatados e questões voltadas mais para o universo feminino (ou como é considerado universal, afinal, nem todas as mulheres e garotas gostam de livros dessa alcunha). Familiarizado com esse termo por causa da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/drive.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17857" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/drive-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" /></a>Há um termo pejorativo em inglês conhecido como <em>chick-lit</em>, ou seja, literatura para garotinhas, e mulherzinhas também, com muito açúcar, corações partidos, reatados e questões voltadas mais para o universo feminino (ou como é considerado universal, afinal, nem todas as mulheres e garotas gostam de livros dessa alcunha). Familiarizado com esse termo por causa da série<em> Crepúsculo</em>, tentei encontrar um equivalente para o gênero masculino durante a minha leitura de <em>Drive</em>, de <strong>James Sallis</strong>, lançado pela editora Leya, mas não encontrei algo específico mesmo recorrendo à Anica, a quem expliquei ser um gênero recheado de violência, anti-heróis <em>bad asses</em>, carros e frases espertinhas.</p>
<p style="text-align: justify">Neste quarto livro escrito pelo autor norte-americano, e primeiro levado às telas no ano passado com Ryan Gosling no papel principal, acompanhamos a vida e carreira d’O Piloto, nascido em um lar destruído com ambos os pais com problemas, crescendo em outra casa, fugindo para Los Angeles e finalmente conseguindo uma carreira: a de motorista em cenas de ação em grandes produções hollywoodianas &#8211; de acordo com o próprio personagem, ele dirige e é apenas isso que faz, e muito bem. Não há, porém, lendo por cima essa pequena sinopse, nada de superação ou um verdadeiro sonho americano, a história não é apresentada em ordem cronológica, não são <em>flashbacks</em> e <em>flashfowards</em>, são momentos isolados que montam a vida do Piloto, o que obriga o leitor a ficar atento às diversas pontas que vão se amarrando.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17855"></span>A trama não se prende apenas a manobras automobilísticas em sets de filmagem, um dos bicos d’O Piloto é ser motorista de fuga para criminosos e ajudá-los a sumir antes da polícia aparecer. É claro que muitos dos crimes não dão certo e auxiliam na injeção de suspense, que nunca é solucionado no capítulo seguinte, sempre em pílulas, e é como poderia ser classificado grande parte dos capítulos do livros, alguns não ocupam mais que uma página.</p>
<p style="text-align: justify">Perto de um desfecho, ou o que poderia ser um, afinal, James Sallis fala que muitas coisas aconteceram com O Piloto depois das histórias apresentadas nesse livro, mas uma das coisas mais bizarras, que até assustam quando se lê, é quando o personagem principal tem lembranças e não sabe se são reais ou imaginárias. Ele começa a travar uma conversa sobre Dom Quixote e Borges para assimilar e aceitar o mundo real e violento.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Drive</em> não é um livro de mistério a ser solucionado, é um livro de ação com toques de suspense e em diversos momentos é possível ler numa tacada só e, realmente, esquecer quem é quem ou em que período do tempo estamos, qual segmento é mais importante &#8211; todos são. O que poderia ser ruim como um filme do gênero Michael Bay, em que cortes rápidos de câmera não deixam o espectador ver, nesse livro a ação é direta e descritiva, mas não se apega a detalhes mínimos de como a pessoa quebrou um braço e como ocorreu dentro do corpo dela. Não é uma questão de superficialidade ou falta de descrição, tudo é mantido de maneira sucinta para não atrapalhar o ritmo de adrenalina proposto por Sallis. Isso é tão visível que grande parte dos seus personagens não têm nomes próprios, os que participam de subtramas mais relevantes têm apelidos, como O Cozinheiro, O Montanha, O Doutor, etc.; enquanto outros têm nomes curtos, como Nino, Manny, os Smiths, o que ajuda na leitura desenfreada.</p>
<p style="text-align: justify">Irônico é que o filme inspirado por esse livro não pega todas as histórias, apenas duas, e as juntam transformando a trama em um suspense sufocante, pois assim como o protagonista do livro, na grande tela não existem diálogos marcantes dele, seu silêncio é seu principal trunfo para passar despercebido. Aliás, são dois exemplares diferentes que jogam muito bem em seus esportes, o livro consegue prender o leitor, enganá-lo e fazê-lo repensar as situações, enquanto o filme cria um certo desespero com tanto suspense e choque com a violência. Se alguém disser que o livro é melhor, não confie.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Drive</em> não mudará sua vida em nada, é entretenimento em forma de braços quebrados, perseguições de carros e, acreditem, longe de qualquer romantismo. É nesse ponto que demorei para formular um gênero específico para garotos, graças à Anica, não achei outro melhor:<em> testo-lit</em>, a literatura de testosterona, não apenas para os marmanjos que querem ter a língua afiada, mas para qualquer pessoa que quer um pouco menos de açúcar em forma de prosa.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>SALLIS,</strong> James. <em>Drive</em>. Editora Leya, 2012. Tradução: Texto Editores Ltda. 160 páginas. Preço sugerido: R$ 29,90.</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Leya</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.leya.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/leyalogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/drive-james-sallis/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A estrela mais brilhante do céu (Marian Keyes)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/30/a-estrela-mais-brilhante-do-ceu-marian-keyes/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/30/a-estrela-mais-brilhante-do-ceu-marian-keyes/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 13:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A estrela mais brilhante do céu]]></category>
		<category><![CDATA[Bertrand Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Chick-lit]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Irlandesa]]></category>
		<category><![CDATA[Marian Keyes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17819</guid>
		<description><![CDATA[Marian Keyes é uma das autoras mais conceituadas quando falamos de literatura chick-lit. A estrela mais brilhante do céu, publicada pela Bertrand Brasil, é o seu décimo livro. Pode-se encontrar neste certo grau de amadurecimento na autora, já que a história das divertidas irmãs Walsh, que a consagrou, não é a mesma desse e de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/8528615391_yS.jpg"><img class="size-medium wp-image-17820 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/8528615391_yS-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a><strong>Marian Keyes</strong> é uma das autoras mais conceituadas quando falamos de literatura chick-lit.<em> A estrela mais brilhante do céu</em>, publicada pela Bertrand Brasil, é o seu décimo livro. Pode-se encontrar neste certo grau de amadurecimento na autora, já que a história das divertidas irmãs Walsh, que a consagrou, não é a mesma desse e de pelo menos a metade dos seus escritos.</p>
<p style="text-align: justify">Nesse livro, assim como em <em>Sushi</em>, temos três histórias que ao longo dos capítulos vão se interligando. Todo o livro se passa em uma antiga casa, dividida em quatro apartamentos, na Irlanda. Na cobertura mora Katie, que trabalha em o <em>divertido</em> emprego de ser babá de astros do rock na Apex Entretenimentos. Abaixo de Katie, mora Lydia, a personagem que rende boas risadas devido ao seu mau humor e os passageiros estranhos com que ela convive no seu táxi. No segundo andar mora Fionn, que se considera um deus, e no térreo o estranho casal Matt e Maeve. Em sessenta dias, a vida de todos irá mudar.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17819"></span></p>
<p style="text-align: justify">O livro começa no “Dia 61” com um narrador que não se identifica e, por isso, as primeiras páginas da história soam estranhas e de difícil compreensão. Cada capítulo corresponde a um dia e em ordem decrescente (é só o narrador-personagem que está em ordem decrescente, a história segue seu curso normalmente). Portanto, nós só vamos descobrir realmente quem é o narrador por volta do dia primeiro.</p>
<p style="text-align: justify">Todo o enredo desse livro se concentra no narrador misterioso que está para chegar a qualquer momento, e fica observando todas as personagens: a independente Katie, babá de astros do rock que tenta equilibrar a vida profissional com a sentimental. Conall, que só pensa no trabalho e nada mais. Lydia, taxista moderna e mal humorada por opção que tenta buscar a paz de espírito sendo uma boa filha. Fionn é o personagem bonitão da história, mas é só uma casquinha bonita e nada mais. Matt e Maeve são os personagens que rendem o drama por terem o comportamento estranho devido a um trauma do passado. Para o mundo, parece um casal apaixonado, porém, tomam antidepressivos todas as manhãs.</p>
<p style="text-align: justify">Já é de conhecimento dos leitores de Marian Keyes que seus livros muitas vezes tratam do cotidiano, o que os tornam muitas vezes uma leitura agradável. Cada personagem descobre a seu modo a solução para seus problemas como: relacionamentos, amigos, trabalho, dinheiro. Às vezes eles acabam afogando as mágoas em rios de cheescakes e chocolates, mas esse detalhe só torna seus livros mais divertidos.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A estrela mais brilhante do céu</em>, certamente é um livro mais maduro e sério do que seus antecessores, sem perder a graça que só Marian Keyes tem. Tem alguns pontos fracos, como os diversos flashbacks que tornam a leitura um pouco trabalhosa. Porém, mesmo com quase seiscentas páginas, continua mantendo aquele gosto de filme de comédia romântica onde tudo dá certo no final e que faz a vida parecer um doce conto cor de rosa. Leitura divertida, própria para as férias.</p>
<p><strong>A estrela mais brilhante do céu</strong><br />
Marian Keyes<br />
<strong>Tradução: </strong>Maria Clara Mattos<br />
<strong>Páginas: </strong>602<br />
<strong>Sugestão de Preço: </strong>R$ 59,00</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/30/a-estrela-mais-brilhante-do-ceu-marian-keyes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
<!-- This Quick Cache file was built for (  blog.meiapalavra.com.br/tag/literatura-estrangeira/feed/ ) in 1.53438 seconds, on Feb 6th, 2012 at 6:27 am UTC. -->
<!-- This Quick Cache file will automatically expire ( and be re-built automatically ) on Feb 6th, 2012 at 7:27 am UTC -->
