<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Meia Palavra&#187; Literatura Brasileira</title>
	<atom:link href="http://blog.meiapalavra.com.br/tag/literatura-brasileira/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blog.meiapalavra.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 05 Feb 2012 23:06:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Pó de Parede (Carol Bensimon)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/05/po-de-parede-carol-bensimon-3/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/05/po-de-parede-carol-bensimon-3/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 16:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Bensimon]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Gaúcha]]></category>
		<category><![CDATA[Modernidade]]></category>
		<category><![CDATA[Não Editora]]></category>
		<category><![CDATA[Pó de Parede]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=18017</guid>
		<description><![CDATA[Foi lendo Nove Noites, do Bernardo de Carvalho que me dei conta de quanto estava perdendo em não conhecer autores brasileiros contemporâneos. Há mais riqueza e boas leituras na literatura brasileira atual do que podem supor artigos de revistas pessimistas e o senso comum, que acha que o ônus da literatura tupiniquim se sustenta sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><img class="alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/parede-350.jpg" alt="" width="200" height="300" />Foi lendo <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/11/17/nove-noites-bernardo-carvalho/">Nove Noites</a></em>, do Bernardo de Carvalho que me dei conta de quanto estava perdendo em não conhecer autores brasileiros contemporâneos. Há mais riqueza e boas leituras na literatura brasileira atual do que podem supor artigos de revistas pessimistas e o senso comum, que acha que o ônus da literatura tupiniquim se sustenta sobre os ombros de três ou quatro nomes, metade deles do século retrasado. <em>Pó de Parede</em>, da jovem escritora gaúcha Carol Bensimon, serve como prova disso.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Pó de Parede</em> é um livro curtinho, que dá para ler de uma sentada, mas não se deixe enganar pela natureza “não-tijolesca” do livro, ele pode até não ser tão pretensioso (o que, na maioria das vezes, é um sinal de maturidade), mas encerra uma prosa intimista e belamente lapidada que se vale de pequenos fragmentos, referências, metáforas e comparações que em seu conjunto possuem um “grau” de expressividade muito interessante.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Pó de Parede</em> se constitui de três contos: <em>A Caixa, Falta Céu</em> e <em>Capitão Capivara</em>. São histórias independentes que não se tocam em relação ao enredo, mas que possuem diversas intersecções temáticas e que, a meu ver, lidam com o que, tratando assim de forma mais generalizante, poderíamos chamar de modernidade. Ou pelo menos alguns dos aspectos dela, a urbanização, a solidão, a superficialidade falseada das relações pessoais e o clima de decadência.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-18017"></span></p>
<p style="text-align: justify">Vamos por partes: <em>A Caixa</em> conta a história de Alice e de seus amigos, Tomás e Laura, em uma fase da vida bastante conturbada, a adolescência. Essa história, porém, é contada do ponto de vista adulto tanto quanto do adolescente. As divisões do conto se dão em torno de anos específicos, nos quais estão localizados eventos-chave para tentarmos compreender o infausto destino de Alice.</p>
<p style="text-align: justify">O conto lida com as experiências desses adolescentes, como a experimentação de drogas, de relacionamentos e de música, por exemplo. No caso de Alice, algo mais, pois ela mora na casa arquitetonicamente peculiar projetada pelo famoso arquiteto Kowalski: a Caixa. Não bastasse isso, ela é estigmatizada ainda pelos pais nada convencionais que possui, que parecem ser hippies, o que contribui para alimentar o caldeirão de mistura explosiva que é sua existência, e que desempenha um papel fundamental na constituição dela.</p>
<p style="text-align: justify">O segundo conto, <em>Falta Céu</em>, versa sobre o choque da modernização urbana sobre os habitantes de uma cidadezinha do interior, principalmente Lina, uma adolescente. Além dos lampejos de dramaticidade, como quando um sujeito invade o condomínio que está sendo construído ou quando são contrapostas as agruras cinzentas e frias do concreto ao clima tépido e acolhedor do interior; Bensimon também pontua seu texto com tiradas irônicas e um sarcasmo velado mas perceptível. As tiradas aparecem, por exemplo, quando ela fala sobre as propagandas do condomínio, que prometem natureza (e que só oferecem mais artificialidade) ou quando brinca com os lugares-comuns do discursos dos vendedores, embalados pelo “administrês” tacanho e um marketing cheio de cafonices de auto-ajuda.</p>
<p style="text-align: justify">O terceiro conto é <em>Capitão Capivara</em>, na minha opinião o mais emblemático dos três. Autores que falam sobre o estranhamento que causa a modernidade ou como são inócuos diversos dos elementos que a constituem são vários, e Carol Bensimon se insere entre eles com elegância, desnudando situações isoladas para costurá-las com o quadro mais amplo e mostrar algumas das contradições bizarras que, pela repetição exaustiva, se tornam banais.</p>
<p style="text-align: justify">A história é contada a partir de dois focos: Clara, a aspirante a escritora que aceita um emprego em um hotel como o mascote Capitão Capivara, cuja função é entreter as crianças e dar sossego aos pais em férias; e Carlo Bueno, um escritor decadente que largou a veia crítica da literatura para vender-se à literatura policial propagandística, em que chega a fazer publicidade de produtos em seus livros.</p>
<p style="text-align: justify">A admiração de Clara por Carlo é desconstruída conforme ela vai conhecendo o autor e descobrindo o que o ofício de escritor se tornou para ele. Nessa relação envolve-se ainda uma amiga de Clara, que entra em desavença com essa e resolve dar o troco. <em>Capitão Capivara</em> é um conto sobre a literatura e sobre a existência na contemporaneidade, onde sonhos são decompostos à toque de caixa pela constatação cruel de verdades outrora desconhecidas.</p>
<p style="text-align: justify">A teatralização da convivência, o falseamento das identidades e a volatilidade da existência de crenças ou de modelos são todos sintomas de uma realidade que desafia todos os que vivem, e de forma peculiar os escritores, que devem tentar entender e dar visibilidade aos conflitos que pululam nela, por mais escamoteados que esses estejam. Espero não estar exagerando na minha leitura de <em>Pó de Parede</em> no que tange à modernidade, mas conscientemente ou não, Carol Bensimon tratou de vários dilemas e contradições de nosso tempo, extraindo deles drama e expressividade com pitadas de sarcasmo e elegância. Isso não é qualquer coisa.</p>
<p><strong>Pó de Parede</strong><br />
128 páginas<br />
Preço Sugerido: R$ 28,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Não Editora</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.naoeditora.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/naoeditoralogo.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/05/po-de-parede-carol-bensimon-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Contos Essenciais Meia Palavra &#8211; Os desastres de Sofia (Clarice Lispector)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/contos-essenciais-meia-palavra-os-desastres-de-sofia-clarice-lispector/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/contos-essenciais-meia-palavra-os-desastres-de-sofia-clarice-lispector/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 16:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos Essenciais]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A legião estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lispector]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Os desastres de Sofia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17846</guid>
		<description><![CDATA[Dando continuidade aos Contos Essenciais do Meia Palavra, eu resolvi indicar o meu favorito de  Clarice Lispector:  Os desastres de Sofia, que pode ser lido em A legião estrangeira. Conhecida por centenas de frases e pensamentos profundos nas redes sociais, qualquer pessoa pode citar alguma coisa de Clarice, pois ela foi uma escritora das mazelas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/sala_aula.jpg"><img class="size-medium wp-image-17847 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/sala_aula-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Dando continuidade aos <em>Contos Essenciais</em> do Meia Palavra, eu resolvi indicar o meu favorito de  Clarice Lispector:  <em>Os desastres de Sofia,</em> que pode ser lido em <em>A legião estrangeira</em>. Conhecida por centenas de frases e pensamentos profundos nas redes sociais, qualquer pessoa pode citar alguma coisa de Clarice, pois ela foi uma escritora das mazelas cotidianas.</p>
<p style="text-align: justify">Romancista, contista, cronista e jornalista. Nascida na Ucrânia em 1920, chegou ao Brasil com dois meses de vida junto com a família, que fugia das perseguições aos judeus pela Guerra Civil Russa. Aqui escreveu todos os seus livros e nunca se considerou ucraniana, faleceu vítima de câncer no útero em 1977. Comparada com James Joyce, Virgínia Woolf e Kafka, a literatura brasileira nunca mais foi a mesma depois dela.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17846"></span></p>
<p style="text-align: justify"><em>Os desastres de Sofia</em> conta a história do primeiro amor da menina e toda a sua rebeldia nesse sentimento. Focando no ambiente escolar, Sofia tem uma relação intensa com o professor. Começando com um desafio, seu mau comportamento em sala era uma maneira de chamar a atenção dele, que a cada dia ficava mais aborrecido com isso; e terminando em um jogo de sedução entre os dois, mas sem envolvimento sexual.</p>
<p style="text-align: justify">A personagem tem nove anos e sente-se completamente confusa com esse sentimento. Apesar da rebeldia e da <em>demonização</em> da criança, o sentimento ainda é puro. <em>“E eu era atraída por ele. Não amor, mas atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência que ele tinha em nos ensinar e que, ofendida, eu adivinhara”. </em>Porém, Sofia é uma menina repleta de ilusões, com o seu amor infantil acredita que será aceita entre o mundo dos adultos, e com sua atitude rebelde tenta tirar a máscara na qual se esconde o frágil professor.</p>
<p style="text-align: justify">Ao fim do conto, tanto a menina como o professor acabam aprendendo sobre si próprios e com o outro, invertendo a posição de mestre e aluno. Em uma simples lição, uma redação escrita pela menina, a autora nos mostra que o tesouro (e esse conto é) está escondido, só basta descobri-lo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/contos-essenciais-meia-palavra-os-desastres-de-sofia-clarice-lispector/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Escritos em verbal de ave (Manoel de Barros)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/27/escritos-em-verbal-de-ave-manoel-de-barros/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/27/escritos-em-verbal-de-ave-manoel-de-barros/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 19:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Leya]]></category>
		<category><![CDATA[Escritos em verbal de ave]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel de Barros]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17738</guid>
		<description><![CDATA[A primeira coisa que salta aos olhos no novo livro de poesia de Manoel de Barros (1916-) é o seu formato. Escritos em verbal de ave é formado por uma encadernação e uma grande folha, dobrada em seis partes. Assim, a pequena história em versos que abre as primeiras partes da obra envolve o conteúdo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/barros.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-17739 alignleft" style="margin: 5px;border: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/barros-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>A primeira coisa que salta aos olhos no novo livro de poesia de <strong>Manoel de Barros</strong> (1916-) é o seu formato. <em>Escritos em verbal de ave</em> é formado por uma encadernação e uma grande folha, dobrada em seis partes. Assim, a pequena história em versos que abre as primeiras partes da obra envolve o conteúdo desse grande plano poético, no qual estão espalhadas pequenas trincas, semelhantes aos haikais. O livro de Manoel de Barros cumpre sua promessa: é uma obra ornitológica, em que vamos ciscando versos nesse chão de onde brota a poesia.<span id="more-17738"></span></p>
<p style="text-align: justify">Como é costumeiro em sua obra, a poesia aqui é uma volta à infância das palavras. Trata-se de buscar, pelo personagem Bernardo, que já aparece em livros anteriores, um desentranhamento da liberdade perdida, das pessoas e das palavras, quando o sentido foi imposto (aos dois):</p>
<blockquote><p>Significa<br />
reduz novos sonhos<br />
para as palavras</p></blockquote>
<p style="text-align: justify">Por isso, Bernardo é, ao mesmo tempo, inventor e naturalista, alguém que aprendeu a criar coisas impossíveis, “desobjetos”, tais como o “guindaste para levantar vento” ou “o ferro para engomar gelo”, observando seus mestres na natureza: o caracol, a rã e, é claro, a ave. A presença constante deles nos versos da grande página “central” (apesar de só haver duas) reforça essa sensação de que estamos diante de uma poesia ao mesmo tempo contemplativa e criativa, “poemas concebidos sem pecados” (para lembrar o título de seu primeiro livro, de 1937), entre um cristianismo arcaico e um zen budismo diante dos cenários do Mato Grosso, de onde se origina o poeta.</p>
<p style="text-align: justify">São os sentidos – principalmente a visão e o tato – que fornecem uma porta de entrada de volta a relação com as palavras, assim com a natureza. Para Manoel de Barros, existe sim uma natureza das palavras, no sentido biológico mesmo desse termo. É preciso aprender a manifestá-la, a tocá-las, da mesma maneira como as lesmas “lambem as pedras” ou como o vento “semeia borboletas”.</p>
<blockquote><p>Visões descobrem<br />
descaminhos<br />
para as palavras</p></blockquote>
<p style="text-align: justify">Triste dizer que esse livro também é um funeral. A sabedoria de Bernardo é fugaz como o próprio universo de suas invenções: mal a vislumbramos e ela já some. Só não podemos esquecê-la ou mesmo deixar de reacendê-la, de cantá-la a cada manhã como fazem os pássaros e assumir novamente sua morte ao fim do dia, com cáustico sol num último momento de brilho, em que sentido tudo desaparecer: “De tarde o deserto já estava em nós”.</p>
<p style="text-align: justify">É para esse enorme chão poético que todos nós voltamos.</p>
<p style="text-align: justify"> Título: Escritos em verbal de ave</p>
<p style="text-align: justify">Autor: Manoel de Barros</p>
<p style="text-align: justify">Paginação especial</p>
<p style="text-align: justify">Preço: 34, 90 reais</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Leya</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.leya.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/leyalogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/27/escritos-em-verbal-de-ave-manoel-de-barros/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A vida de Joana d’Arc (Érico Verissimo)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/24/a-vida-de-joana-darc-erico-verissimo/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/24/a-vida-de-joana-darc-erico-verissimo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 16:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A vida de Joana d'Arc]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Érico Veríssimo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Infanto-Juvenil]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17696</guid>
		<description><![CDATA[A história da jovem camponesa de 17 anos que liderou o exército francês na vitória de algumas batalhas e acabou morrendo na fogueira acusada de heresia e feitiçaria não é nenhuma novidade. Joana d’Arc é um dos personagens históricos mais conhecidos da humanidade, cuja imagem já foi reproduzida em pinturas e esculturas e sua história [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/joanadarc.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17697" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/joanadarc-217x300.jpg" alt="" width="217" height="300" /></a>A história da jovem camponesa de 17 anos que liderou o exército francês na vitória de algumas batalhas e acabou morrendo na fogueira acusada de heresia e feitiçaria não é nenhuma novidade. Joana d’Arc é um dos personagens históricos mais conhecidos da humanidade, cuja imagem já foi reproduzida em pinturas e esculturas e sua história contada em inúmeros filmes e livros.</p>
<p style="text-align: justify">Essa tão comentada história também foi reescrita por <strong>Érico Verissimo</strong>, um dos maiores escritores brasileiros, autor de <em>Clarissa, Olhai os Lírios do Campo, O tempo e o vento</em> e <em>Incidente em Antares</em>. Porém, a história de Joana ganha um tom especial nas mãos de Érico ao recontar a vida da camponesa francesa em uma linguagem delicada e adequada ao público infantojuvenil. <em>A vida de Joana d’Arc</em> foi o primeiro romance nessa linha publicado pelo autor, de outros 11 que se seguiram. Lançado inicialmente em 1935, foi republicado pela Companhia das Letras.<span id="more-17696"></span></p>
<p style="text-align: justify">A vida da jovem francesa é contada em detalhes pelo escritor gaúcho. Desde seu nascimento na cidade de Domrémy, passando pelas visões dos santos e a memorável batalha de Orleans, em que Joana comanda os exércitos franceses na vitória contra os ingleses. Também não ficam de fora todo o conflito político da guerra dos 100 anos, o longo julgamento da santa inquisição e a morte impura na fogueira.</p>
<p style="text-align: justify">A linguagem infantojuvenil aplicada por Érico Verissimo denota dois aspectos importantes para a obra do escritor. O primeiro é a maneira simples e descomplicada que Érico destrincha os fatos políticos que geraram a guerra dos 100 anos e colocaram em risco a hegemonia francesa sobre seu território.</p>
<p style="text-align: justify">O segundo aspecto é o modo delicado, e quase íntimo, com que o escritor conta a história de Joana. O tratamento infantil exige uma linguagem mais simples, porém, é nítido nas palavras do escritor o carinho e apreço com que ele pinta a figura ingênua, forte e fiel a Deus da camponesa, como se de fato Joana fosse uma amiga íntima.</p>
<p style="text-align: justify">Vale lembrar que a simplicidade aplicada na linguagem não deixa a obra pobre de detalhes, mas aproxima o leitor da história – seja adulto ou infantojuvenil. Os aspectos históricos não são deixados de lado, muito menos as batalhas ou o desfecho trágico da camponesa.</p>
<p style="text-align: justify">Érico Verissimo é muito feliz ao retratar a história de Joana d’Arc de maneira tão delicada e íntima, tanto que por vezes temos a sensação de enxergarmos os fatos pelos olhos da menina ingênua, forte e temente a Deus. Através da habilidade do escritor gaucho, até mesmo os momentos de maior angústia durante as guerras e o trágico desfecho tornam-se tocantes.</p>
<p><strong>A vida de Joana d’Arc</strong><br />
<strong>Autor:</strong> Érico Verissimo<br />
<strong>288 páginas</strong><br />
<strong>Preço Sugerido:</strong> R$ 35,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/24/a-vida-de-joana-darc-erico-verissimo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Clara dos Anjos (Lima Barreto)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/20/clara-dos-anjos-lima-barreto/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/20/clara-dos-anjos-lima-barreto/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 13:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptações da Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Clara dos Anjos]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Lima Barreto]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos na Cia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17393</guid>
		<description><![CDATA[Clara dos Anjos, assim como outros diversos clássicos da literatura nacional, tem a graça divina de ser atemporal. Ainda hoje vivemos como Capitus, Bentinhos, Aurélias e Fernandos Seixas, buscando o amor e a felicidade. A história de Clara, contada por Lima Barreto, é recontada nesta edição da Companhia das Letras na versão de graphic novel. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/clara_dos_anjos.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17395" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/clara_dos_anjos-227x300.jpg" alt="" width="227" height="300" /></a><em>Clara dos Anjos</em>, assim como outros diversos clássicos da literatura nacional, tem a graça divina de ser atemporal. Ainda hoje vivemos como Capitus, Bentinhos, Aurélias e Fernandos Seixas, buscando o amor e a felicidade. A história de Clara, contada por Lima Barreto, é recontada nesta edição da Companhia das Letras na versão de <em>graphic novel</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Mulata pobre, de origem humilde e com pouca experiência de vida. Em poucas palavras podemos descrever Clara, filha do carteiro João dos Anjos. Atrás da personalidade pacífica da menina há todo o contexto social na qual ela e a família estão inseridas. O subúrbio, a modernização carioca, o preconceito e a diferença de classes, tudo isso englobado no nascimento do Rio de Janeiro no início do século XX.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17393"></span></p>
<p style="text-align: justify">Na outra ponta da história conhecemos Cassi Jones. Indiferente a qualquer coisa que não seja a boa vida provida pelos pais, ele é o malandro galanteador. Tem proteção extremada da mãe, alheia aos crimes do filho e preocupada apenas com o bom nome da família. Para desespero do pai, que já não tem mais esperanças na sua mudança de caráter, nem a polícia parece ser capaz de pôr fim as diversas barbaridades.</p>
<p style="text-align: justify">No seu aniversário, Clara tem o primeiro encontro com Cassi Jones, seu primeiro amor e algoz. Ele, por ofício, é um modinheiro, um cantor que coloca nas músicas a tristeza e o sofrimento do povo. Porém, ao mesmo tempo em que ele entra na casa do carteiro João dos Anjos, vem junto a sua fama de conquistador. Mesmo contra a vontade da família, Clara se envolve com Cassi.</p>
<p style="text-align: justify">Começa, então, a tragédia de Clara. A cada página ficam evidentes as intenções de Cassi, ela se deixa seduzir e entrega-se a ele. No início do século XX, era inadmissível que qualquer moça que se considerasse com reputação mantivesse relações sexuais antes do casamento, a situação torna-se pior pela condição social e a gravidez.</p>
<p style="text-align: justify">No posfácio, há um trecho da obra original que diz: “Uma diferença acidental de cor é a causa para que se possa julgar superior à vizinha; o fato do marido desta ganhar mais do que o daquela é outro”. <em>Clara dos Anjos</em> é uma história de preconceito e infelicidade, pois a cada página do livro, através do traço de Lelis, temos o registro do sofrimento das pessoas que viviam fora dos “bons círculos” da sociedade carioca. Onde tudo parece ser sem vida, beleza ou esperança.</p>
<p style="text-align: justify">Assim como com a maioria dos clássicos da literatura brasileira, <em>Clara dos Anjos</em> mostra os dois lados de uma mesma moeda. Sinal de que o Brasil não teve muitas alterações no seu comportamento e que os problemas e sofrimentos contados por Lima Barreto ainda são vividos. Essa adaptação torna a história mais singular do que ela já é, tornando atrativa para uma nova geração de leitores que ainda desconhecem ou tem pavor de segurar em um clássico. Imperdível em todos os aspectos!</p>
<p><strong>Clara dos Anjos</strong></p>
<div>Lima Barreto<br />
Ilustrações de: Lelis<br />
Páginas: 112<br />
Sugestão de Preço: R$ 42,00</div>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/20/clara-dos-anjos-lima-barreto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Roça Barroca (Josely Vianna Baptista)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/15/roca-barroca-josely-vianna-baptista/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/15/roca-barroca-josely-vianna-baptista/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 16:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Roa Bastos]]></category>
		<category><![CDATA[Cantos]]></category>
		<category><![CDATA[Cosac Naify]]></category>
		<category><![CDATA[Guaranis]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Josely Vianna Baptista]]></category>
		<category><![CDATA[Lendas Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Mbyá-guarani]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[Mitos de Origem]]></category>
		<category><![CDATA[Roça Barroca]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17383</guid>
		<description><![CDATA[Escrever essa resenha se torna uma tarefa cada vez mais acabrunhante na medida em que minha memória me permite retomar os versos que Josely Vianna Baptista trouxe ao português. O ônus no que concerne à palavra é deveras grande, pois é ela que faz a ponte entre o humano e o divino na crença dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Roça.Barroca.Josely.Vianna.Baptista.jpg"><img class="alignleft  wp-image-17384" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Roça.Barroca.Josely.Vianna.Baptista.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Escrever essa resenha se torna uma tarefa cada vez mais acabrunhante na medida em que minha memória me permite retomar os versos que Josely Vianna Baptista trouxe ao português. O ônus no que concerne à palavra é deveras grande, pois é ela que faz a ponte entre o humano e o divino na crença dos Mbyá-guarani, é ela que cria e recria o mundo a cada conto e reconto. <em>Roça Barroca</em>, livro compilado à luz desse fato, cultiva com a reverência e o respeito histórico devido à tradição indígena que procura trazer a lume.</p>
<p style="text-align: justify">Antes de adentrar nas majestosas lendas que constituem o coração do livro, é preciso que se traga ao conhecimento do leitor o longo e árduo processo que foi a compilação deste. O primeiro a conseguir ter acesso aos cantos mbyá-guarani foi o pesquisador León Cadogan, por ocasião do livramento de um indígena que iria ser condenado injustamente. A versão que lhe foi concedida, entoada pelo cacique Yro’ysã, foi publicada no Boletim de Antropologia da USP em 1959.</p>
<p style="text-align: justify">O prefácio do livro, &#8220;Catecismo da Beleza&#8221;, foi escrito pelo autor paraguaio Augusto Roa Bastos. Ele esteve presente em São Paulo, em 2003, para o lançamento de seu livro <em>Vigília do Almirante</em> (também traduzido por Josely), ocasião em que ouviu fragmentos da primeira versão dos versos traduzidos pela autora de <em>Roça Barroca</em>. Nesse texto introdutório ficamos conhecendo o longo percurso que percorreram os cantos dos Mbyá-guarani e também a empreitada de proporções titânicas enfrentada pela tradutora e autora Josely Vianna Baptista para chegar à obra na versão a que temos acesso.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17383"></span></p>
<p style="text-align: justify"><em>Roça Barroca</em> é um livro que transborda em esmero e reverência. A autora não poupou nos detalhes em tudo o que concerne os cantos, ela se baseou tanto na versão de León Cadogan como também no material recolhido quando das suas visitas às aldeias na região do Guairá. Após os cantos (que contam com o texto original e o traduzido) há todo um estudo sobre a composição semântica e lexicográfica dos versos, entrelaçando história, gramática e, porque não, política.</p>
<p style="text-align: justify">Para complementar, a autora, que tem livros de poesia publicados, nos brinda com algumas de suas composições, evidentemente inspiradas no universo mitológico dos índios cujos cantos trouxe ao português. A gama de sensações e imagens suscitada pelos versos cria um impacto sinestésico digno de uma epopeia em pequenos fragmentos, lastreada nos pequenos elementos para crescer em esplendor. Ainda mais quando a palavra está, mais do que o normal, investida de prerrogativas tão fundamentais como está no âmbito dos cantos Mbyá-guarani.</p>
<p style="text-align: justify">Reconhecida a valorosa jornada da autora, passemos então aos cantos propriamente ditos. O livro conta com os três primeiros cantos: &#8220;Os primitivos ritos do Colibri&#8221;, &#8220;A fonte da fala&#8221; e &#8220;A primeira Terra&#8221;. Nesses, vários elementos da cosmologia e cosmogonia guarani são explorados e aparecem se entretecendo na própria vida e dinâmica presentes no cotidiano e nos rituais dos guaranis.</p>
<p style="text-align: justify">Os cantos contêm elementos observados cotidianamente, que fazem parte da vida dos guaranis de modo imediato, e congrega-os a esfera divina na medida em que os dota de significado por meio de sua inserção no mito. Isso pode ser observado no seguinte trecho:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“Nosso primeiro Pai, sumo, supremo,<br />
a sós foi desdobrando a si mesmo<br />
do caos obscuro do começo.<br />
(&#8230;)<br />
Sobre a fronte do deus<br />
as flores do cocar<br />
- olhos de orvalho<br />
Entre as corolas do cocar sagrado<br />
o Colibri, pássaro original,<br />
pairava, esvoaçante.” (p. 25)</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Não se trata, pois, de um simples colibri, mas de um animal cujas raízes mitológicas (e nesse sentido também históricas) lhe dotam de novo significado: ele é o “pássaro original”, sua descendência remonta aos idos mais ancestrais da criação do universo. Isso ocorre não só com outros animais como também as práticas culturais, rituais, de cura e interpretação do mundo.</p>
<p style="text-align: justify">A fala aparece como conhecimento proveniente da sabedoria do Pai criador, que a fez aflorar para sua criação para que dela emanassem bons frutos:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“Tendo aflorado<em> [Ñamandu, o Pai verdadeiro],</em> a sós, a fonte da futura fala,<br />
e desdobrando, a sós, um pouco de amor;<br />
tendo criado, a sós, um breve som sagrado,<br />
ele refletiu longamente<br />
sobre com quem compartilhar a fonte da fala;<br />
sobre com quem compartilhar o amor,<br />
com quem partilhar as fieiras das palavras do som sagrado.<br />
Depois de muito meditar,<br />
com o saber contido em seu ser-de-céu,<br />
e sob o sol de seu lume criador<br />
desdobrou-se em quem refletiria<br />
seu ser-de-céu.<br />
(&#8230;)<br />
criou o Ñamandu de Grande Coração<br />
Para que fosse o pai de seus muitos filhos vindouros,<br />
o verdadeiro pai das almas dos numerosos filhos vindouros” (pp. 35-36)</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Os cantos contêm toda a arquitetura mítica do universo de significados e sentidos dos guaranis, e não se encontra em instância separada da vida dos homens: ela é a substância entranhada nas suas práticas mais cotidianas, desde a organização social, a designação de tarefas, os rituais religiosos, na compreensão da natureza circundante e da sua própria existência enquanto ser.</p>
<p style="text-align: justify">Espero que a obra de Josely Vianna Baptista sirva de catalisador para os esforços de tornar cada vez mais pública essa rica cultura. Tenho certeza de que existem muitas pesquisas sobre os diversos grupos indígenas brasileiros, trabalhos que procurem compreender a peculiaridade de seus costumes, organização social, cultura, etc. O detalhe é que não estejam se tornando públicos com tanta extensão quanto gostaríamos, ou pelo menos não como tantas outras coisas que se tornam difundidas demais. Nesse sentido, <em>Roça Barroca</em> assume ainda mais o status de grande obra.</p>
<p><strong>Roça Barroca</strong><br />
152 páginas<br />
Preço Sugerido: R$ 28,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Cosac Naify</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://editora.cosacnaify.com.br/Default/1/Default.aspx"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/cosaclogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/15/roca-barroca-josely-vianna-baptista/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mirinha (Dalton Trevisan)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/14/mirinha-dalton-trevisan/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/14/mirinha-dalton-trevisan/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 16:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[L&PM]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Paranaense]]></category>
		<category><![CDATA[Mirinha]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17214</guid>
		<description><![CDATA[Um livro novo de Dalton Trevisan não é nenhuma novidade: lança-os as pilhas, com força, contra nossas cabeças, todos os anos. Também não são novos os personagens que, com nomes ou sem, são sempre os mesmos: crianças inocentemente promíscuas, pais depravados, velhos nojentos, tarados, assassinos, violentos, putas, puritanas, putas puritanas, vovôs e vovós gagás, etc. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/mirinha.jpg"><img class="size-medium wp-image-17218 alignright" style="margin: 5px;border: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/mirinha-180x300.jpg" alt="" width="180" height="300" /></a>Um livro novo de Dalton Trevisan não é nenhuma novidade: lança-os as pilhas, com força, contra nossas cabeças, todos os anos. Também não são novos os personagens que, com nomes ou sem, são sempre os mesmos: crianças inocentemente promíscuas, pais depravados, velhos nojentos, tarados, assassinos, violentos, putas, puritanas, putas puritanas, vovôs e vovós gagás, etc. Nem os argumentos, que raras vezes existem no sentido forte da palavra. Mas a despeito da repetição – que com toda a razão o autor diz não ser culpa sua, mas do mundo -, há sempre alguma pequena modificação, um desvio, que são por vezes sinais dos tempos (os tarados de Trevisan dos anos 1960 eram menos psicóticos que os de hoje) e, por outras, de técnica. Em <em>Mirinha</em>, lançado agora pela L&amp;PM, não é diferente: já conhecemos tudo, sem que isso signifique alguma coisa, a não ser a confirmação das nossas indiferenças. Porém, esse livro em especial traz consigo uma coisa rara dentro da rotina de produção do escritor paranaense: esse é o seu primeiro romance/novela desde <em>A Polaquinha</em>, de 1985, que até agora era sua única incursão no gênero.<span id="more-17214"></span><br />
Fazer um resumo parece algo desnecessário: uma menina de quinze anos é seduzida por um homem mais velho e casado; sua mãe descobre e a bota para fora de casa, enquanto seu amante promete sustentá-la; ela fica confinada num quartinho enquanto vai ganhando peso; é expulsa e quase morta depois de uma crise de ciúme do seu amante; passa a frequentar bares e uma mulher tenta seduzi-la; mora numa casa onde acontecem orgias todas as quintas; é expulsa de lá, chega até a pobreza extrema, até quando a mãe resolve recebê-la de volta em casa, já quase desfigurada.</p>
<p style="text-align: justify">Para se ter uma ideia mais próxima do que é esse livro, seria preciso colocar um pouco a imaginação de um açougueiro nesse resumo: seria preciso cortar rudemente cada um desses episódios até transformá-los em picadinhos de história, que formam, em seu todo, uma bola de vísceras desfigurada.</p>
<p style="text-align: justify">Do mesmo modo funcionam os aprimoramentos da técnica de escrita de Trevisan: aqui, a mudança só se dá pela eliminação. Os diálogos estão cada vez mais secos, chegando realmente ao mínimo comunicativo que, na falta de atribuição de muitas das falas (nem sempre sabemos quem fala o que e todos falam sem que transpareça qualquer marca de subjetividade que os diferencie), aquilo que poderia ser visto como personagens se relacionando no mundo social, torna-se uma massa amorfa curtida pela violência, pela pobreza, pelo machismo, pelo preconceito, pelo dinheiro, pela novelinha da TV e outras constantes daquilo que insistimos chamar de “vida”.<br />
<em></em></p>
<p style="text-align: justify"><em>Mirinha</em> é, como todos os livros de Trevisan, a insistência da denuncia da falcatrua romântica que ronda o imaginário (seria muito chamá-lo assim?) brasileiro. Já no seu título, com esse diminutivo típico de uma desfaçatez que mascara a subordinação racista e sexista com afetos de idílio amoroso, e que lembra, por exemplo, <em>A Moreninha</em>, de Joaquim Manuel de Macedo.</p>
<p style="text-align: justify">O exercício anual de ler um livro novo desse autor é sempre a lembrança de que nossa violência diária foi construída em alicerces de promessas de amores eternos. Se, para Dalton Trevisan, nem Guimarães Rosa escapa, e até mesmo sob Machado de Assis paira uma dúvida, quem somos para acreditarmo-nos inocentes?</p>
<p style="text-align: justify">Título: Mirinha</p>
<p style="text-align: justify">Autor: Dalton Trevisan</p>
<p style="text-align: justify">96 páginas</p>
<p style="text-align: justify">Preço: 12 reais</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/14/mirinha-dalton-trevisan/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Delacroix escapa das chamas (Edson Aran)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/09/delacroix-escapa-das-chamas-edson-aran/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/09/delacroix-escapa-das-chamas-edson-aran/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 19:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Delacroix escapa das chamas]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Edson Aran]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17113</guid>
		<description><![CDATA[Delacroix escapa das chamas é o tipo de livro em que você para e pensa três vezes antes de fazer uma síntese, pois não consegue formar uma opinião a respeito. Quando abrimos o livro, já na orelha sabemos que ele é atípico, porém, a curiosidade aguça e lá vamos nós direto ao universo paralelo criado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/delacroix.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17114" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/delacroix-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a>Delacroix escapa das chamas</em> é o tipo de livro em que você para e pensa três vezes antes de fazer uma síntese, pois não consegue formar uma opinião a respeito. Quando abrimos o livro, já na orelha sabemos que ele é atípico, porém, a curiosidade aguça e lá vamos nós direto ao universo paralelo criado pelo autor.</p>
<p style="text-align: justify">Lançado em 2009 pela <em>Editora Record</em>, <em>Delacroix escapa das chamas &#8211; Um romance em 4 tempos</em> é da autoria de Edson Aran, autor de diversos títulos e com a profissão mais desejada entre os meninos: ele é editor da revista Playboy.</p>
<p style="text-align: justify">A história se passa em uma São Paulo futurista, onde uma parte da população vive dentro de cidades-cubo, as Shopping Cities. Na Shopping City 22, pode-se encontrar de tudo. Desde novas visões sociais, fusões ideológicas que misturam sociologia com arte e um canal de TV para a minoria heterossexual até prostitutas cibernéticas e moradores de rua mutantes.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17113"></span></p>
<p style="text-align: justify">No meio dessa cidade maluca e futurista, temos o crítico de arte Wagner Krupa, e nos quatro “tempos” acompanhamos a sua descida ao inferno e a sua redenção. Logo na primeira aventura, ele combate um novo tipo de arte, a bioarte. Na verdade, são plantas que cresceram demais e por consequência começaram a destruir o que estava no caminho. Logo depois temos o seu envolvimento em um suposto leilão de quadros considerados perdidos, com direito a desvio de dinheiro, o banimento de Wagner da Shopping City e a entrada triunfal da despachante Shirley Shana (sim, você leu direito), que tem o dom de resolver qualquer problema.</p>
<p style="text-align: justify">Nas duas últimas aventuras, Wagner é contratado por São Ariano, um padre que está para se tornar santo a qualquer momento e que precisa do aval do crítico para a sua capela. Como todo o tipo de arte conhecida em Shopping City 22 não é muito ortodoxa, ele pretende convencer o Vaticano de que será um bom santo com uma bela capela. Porém, ele não poderia prever que aconteceria um atentado bem no local, estourando quase uma guerra mundial. E que de certa forma, nos leva à última história do livro, onde Wagner e Shirley se deparam com os Canibais Dadá, um grupo que quer revolucionar a arte através dos elementos dadaístas e que nas horas vagas comem pessoas.</p>
<p style="text-align: justify">O livro todo é uma viagem sem fim. É uma mistura daquele sonho esquisito que todo mundo já teve um dia em uma conversa de bar. Recheado de referências pop, faz pesadas críticas ao nosso modo de viver e pensar, porém, elas acabam morrendo entre a cerveja com vitamina C e armas biológicas que te matam de câncer em 30 segundos. Certamente uma boa companhia para as férias, mas não leve esse livro a sério de forma alguma. É como diz na orelha do livro: <em>“Aran é uma espécie de reforma ortográfica de uma mente sem tremas e um mínimo de hifens”.</em></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Delacroix escapa das chamas</strong></p>
<p>Edson Aran<br />
Páginas: 176<br />
Sugestão de Preço: R$ 29,20</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/09/delacroix-escapa-das-chamas-edson-aran/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Beatriz (Cristóvão Tezza)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/05/beatriz-cristovao-tezza/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/05/beatriz-cristovao-tezza/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 19:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Beatriz]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Cristovão Tezza]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17049</guid>
		<description><![CDATA[Conhecido por seus romances, o escritor lajeano radicado em Curitiba Cristóvão Tezza publicou recentemente &#8220;Beatriz&#8221;, seu segundo volume de contos &#8211; depois que um enorme hiato, em que se dedicou exclusivamente ao romance. Que começa com um prefácio: uma espécie mista de confissão e explicação, já que parece não sentir-se confortável com essa literatura mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/beatriz1.jpg"><img class="size-medium wp-image-17050 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/beatriz1-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>Conhecido por seus romances, o escritor lajeano radicado em Curitiba Cristóvão Tezza publicou recentemente &#8220;Beatriz&#8221;, seu segundo volume de contos &#8211; depois que um enorme hiato, em que se dedicou exclusivamente ao romance. Que começa com um prefácio: uma espécie mista de confissão e explicação, já que parece não sentir-se confortável com essa literatura mais breve. Explica que percebe não aproveitar bem as  personagens, criadas sempre com certa dificuldade.</p>
<p style="text-align: justify">O resultado, no entanto, não é mau. Eu diria até que fica bastante próximo dos romances, com as mesmas qualidades e os mesmos defeitos. Talvez ajude o fato de ser uma mesma personagem, Beatriz, o centro de quase todos os contos &#8211; exceto pelo que abre o livro, onde ela é mera coadjuvante.</p>
<p style="text-align: justify">São sete contos, e em cada um deles acontece basicamente o encontro de Beatriz, revisora e professora particular de português, jovem e divorciada, com um personagem diferente, em situações diferentes.<span id="more-17049"></span></p>
<p style="text-align: justify">Sempre, no entanto, existe um elemento que torna o encontro um tanto estranho, como se para torná-lo digno de ser contado. Em <em>Aula de reforço</em>, ela é contratada por uma mãe super-protetora e com segundas intenções para dar aulas de português para um adolescente; em <em>Beatriz e a velha senhora </em>ela acaba por escutar a confissão de um crime; em <em>Um dia ruim</em> ela é contratada para revisar um trabalho de cunho racista escrito por um velho, que acaba morrendo quando ela chega na casa dele.</p>
<p style="text-align: justify">Com isso já se pode ter uma ideia do inusitado de algumas situações. Os sentimentos despertados também se alternam, sendo que se as vezes as coisas parecem muito engraçadas, em outras tudo é muito terrível. Outras vezes, como em <em>O homem tatuado</em>, há um lirismo sutil, que empresta uma espécie de alegria melancólica ao conto.</p>
<p style="text-align: justify">O grande defeito de <em>Beatriz</em> é o mesmo grande defeito de toda a obra de Tezza: parece existir uma crença de que a literatura é uma espécie de virtude e que aqueles que vivem às voltas com os livros, especialmente aqueles que os escrevem, são melhores do que os outros. Isso é algo que considero particularmente incômodo – e que é o que impede que eu tenha um melhor conceito da obra do ex-professor da UFPR.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Beatriz<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">de Cristóvão Tezza</p>
<p style="text-align: justify">144 páginas</p>
<p style="text-align: justify">R$ 34,90</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/05/beatriz-cristovao-tezza/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Peregrina de araque (Mariana Kalil)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/02/peregrina-de-araque-mariana-kalil/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/02/peregrina-de-araque-mariana-kalil/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 16:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Dublinense]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Kalil]]></category>
		<category><![CDATA[Peregrina de araque]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=16865</guid>
		<description><![CDATA[O nome, a capa, o subtítulo: tudo indicava que Peregrina de araque: uma jornada de fé e ataque de nervos no Oriente Médio é um daqueles tipos de livros no melhor estilo YA Books, só que nacional. Lembra aquelas histórias de mulheres decididas que embarcam em alguma viagem maluca para esquecer um desapontamento afetivo ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/peregrina-de-araque.jpg"><img class="size-medium wp-image-16866 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/peregrina-de-araque-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>O nome, a capa, o subtítulo: tudo indicava que <strong>Peregrina de araque: uma jornada de fé e ataque de nervos no Oriente Médio</strong> é um daqueles tipos de livros no melhor estilo YA Books, só que nacional. Lembra aquelas histórias de mulheres decididas que embarcam em alguma viagem maluca para esquecer um desapontamento afetivo ou profissional e, no melhor estilo Sessão da Tarde, aprontam altas confusões. Depois de muitas situações absurdas e engraçadas, terminam em um momento de epifania, autoconhecimento ou qualquer outra coisa que “levante o astral”. O diário de viagem da jornalista gaúcha <strong>Mariana Kalil</strong>, publicado pela editora <strong>Dublinense</strong>, pode até ter muito disso. Contudo, ele não tem a pretensão de trazer importantes ensinamentos sobre a vida através de um romance água com açúcar. Mariana só quer mesmo contar como foi sua viagem, assim, de forma bem despretensiosa.</p>
<p style="text-align: justify">Não, a autora não passou por nenhuma decepção amorosa ou algo do gênero para partir para o Oriente Médio. Jornalista da Zero Hora, foi a convite do jornal que ela topou partir para o Egito, Jordânia e Israel com mais 35 pessoas para fazer uma peregrinação religiosa em 15 dias. Sem procurar paz, conhecimento, Deus, revelações sobre a vida ou outras questões que inquietam as pessoas. Era para ela simplesmente ir e relatar sua viagem na companhia dos peregrinos. Puro trabalho. Mas o Oriente Médio, com todas as suas peculiaridades – a cultura, os conflitos, etc. – não podia deixar de marcar Mariana, e os e-mails diários enviados para a família em Porto Alegre como desabafo da estranha viagem se transformaram no livro <strong>Peregrina de araque</strong>.<span id="more-16865"></span></p>
<p style="text-align: justify">Durante a leitura, uma das coisas que pensei em comentar sobre o livro é a visão um tanta ingênua e preconceituosa da jornalista para o que via logo na primeira etapa da viagem, em passagem pelo Cairo. A pobreza e sujeira da cidade surpreenderam negativamente Mariana que, em certo momento, se pergunta: onde estão os ricos? Aqui não tem nenhuma Padre Chagas? Uma Zara? O que pensei na hora foi “se você queria ir numa Padre Chagas, poderia ter continuado em Porto Alegre”. Mas lembrei da minha própria reação ao começar a ler o livro, de julgá-lo logo de cara como uma leitura não tão interessante, e deixei de lado essa reclamação – todos têm seus defeitos perdoáveis. De forma descontraída e objetiva, Mariana segue no relato de suas visitas a mosteiros, conventos, pontos sagrados, refazendo o caminho da santa família ao lado daqueles 35 peregrinos, idosos em sua maioria.</p>
<p style="text-align: justify">Tanto quanto as visitas a pontos turísticos da região, a própria relação dela – uma religiosa, mas não praticante – com os devotos liderados por um frei e um padre, que a caminho das visitas rezavam missas, cantavam os cantos e orientavam os peregrinos com detalhes históricos – e religiosos – sobre tudo o que viam. E no meio disso está Mariana, contando sem medo ou vergonha tudo o que via – o comportamento de seus colegas de viagem, o chilique em cima de um camelo, o calor insuportável e a irritação em ter que servir de tradutora para pessoas que achavam um absurdo a população do Oriente Médio não falar português. Tudo de um jeito bem humorado, claro. O texto de Mariana, por mais rabugentas que sejam algumas de suas reclamações, esbanja simpatia.</p>
<p style="text-align: justify">Claro que em um livro sobre peregrinação religiosa não poderia deixar de ter um pouco do citado autoconhecimento. Passar pelos lugares onde, segundo a Bíblia, Jesus passou não deixa de despertar certa emoção na autora, que transborda nos momentos mais inoportunos e a leva a se aconselhar também com os padres que lideram a turma de turistas. E, por mais incrível que pareça para um leitor pouco ligado em religião, é nesses momentos que o livro é melhor. Principalmente quando os próprios padres desfazem alguns mitos da Bíblia – a partilha dos pães, a anunciação da gravidez de Maria e a ressurreição de Lázaro – com interpretações mais lógicas e muito mais tocantes. Interpretações que, contrariando qualquer resquício de inteligência, os peregrinos negaram veementemente, preferindo a fantasia da leitura literal do livro sagrado. Como o próprio padre comenta com Mariana: <em>“O problema é que a maioria prefere acreditar em milagres e poucos colocam a teoria em prática”</em>. A teoria, nesse caso, é levar para a vida os bons exemplos de solidariedade e compaixão com o próximo, e não se preocupar apenas com seus próprios pecados.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Peregrina de araque</strong> é um livro divertido, não existe pretensão de ser obra literária e nem foi com esse objetivo que ele nasceu. É apenas um registro de um momento na vida da autora que, sim, é interessante o bastante para ser compartilhado com quem se dispuser a ler. E a leitura, com a simpatia de Mariana Kalil, garante bons momentos de descontração.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Peregrina de araque</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Autora: </strong>Mariana Kalil</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Editora: </strong>Dublinense</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Páginas: </strong>144</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Preço sugerido: </strong>R$ 32,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Dublinense</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.dublinense.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/dublinenselogo.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/02/peregrina-de-araque-mariana-kalil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
<!-- This Quick Cache file was built for (  blog.meiapalavra.com.br/tag/literatura-brasileira/feed/ ) in 3.89149 seconds, on Feb 6th, 2012 at 6:19 am UTC. -->
<!-- This Quick Cache file will automatically expire ( and be re-built automatically ) on Feb 6th, 2012 at 7:19 am UTC -->
