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	<title>Meia Palavra&#187; Laranja Mecânica</title>
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		<title>Meia Palavra Indica: Distopias</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Nov 2011 16:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Meia Palavra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Considerando que trata-se de uma antítese da utopia, a distopia carrega consigo todos os valores negativos que se poderia imaginar em uma sociedade. O governo de uma distopia normalmente é totalitário e valores como a liberdade e a identidade são itens de museu. Por conta dessas questões, a distopia surge na literatura como uma fonte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Distopia01.jpg"><img class="size-medium wp-image-15731 alignleft" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Distopia01-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Considerando que trata-se de uma antítese da utopia, a distopia carrega consigo todos os valores negativos que se poderia imaginar em uma sociedade. O governo de uma distopia normalmente é totalitário e valores como a liberdade e a identidade são itens de museu. Por conta dessas questões, a distopia surge na literatura como uma fonte de crítica a muitos dos elementos que a sociedade contemporânea traz, através de situações mais hiperbólicas chama a atenção para problemas que alguns preferem não questionar.</p>
<p style="text-align: justify">A distopia na literatura não é algo recente, especialmente se considerarmos que mesmo <em>A Máquina do Tempo</em> de H.G. Wells pode se enquadrar como tal. É bastante explorada no campo da ficção científica, mas pode aparecer em outros gêneros, como a fábula <em>A Revolução dos Bichos,</em> de Orwell. A partir de um número vasto de obras que trazem o tema, escolhemos algumas para quem deseja embarcar nessa visão crítica do que podemos ser (ou do que já somos).</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-15729"></span><strong><a title="kika" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/kika/" target="_blank">Kika</a></strong>: <em>Fahrenheit 451, Ray Bradbury - </em> Um mundo em que as casas não pegam mais fogo, as paredes da sala são ocupadas por TVs gigantes, nas quais uma programação interativa aliena mais e mais a população, e onde livros são subversivos. Neste mundo, o trabalho dos bombeiros é queimar livros. E livros queimam à temperatura de 451 °F. Nesta Terra onde pensar é antissocial, Guy Montag (bombeiro) conhece Clarisse, uma garota de 17 anos, questionadora, leitora, única. Ela, Dr. Faber e alguns livros levam Montag a questionar sua realidade. O que me atrai e me assusta neste livro, é a proximidade com nossos dias. Claro, hoje não há uma proibição da leitura, mas um desinteresse por ela, a ponto de haver pessoas que se orgulham por &#8220;nunca terem lido um livro&#8221;. Bradbury consegue nesta obra imaginar uma vida sem eles, e não é uma vida que eu quereria viver&#8230;</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a title="liv" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/Liv/" target="_blank">Liv</a></strong>: <em>1984, George Orwell - </em> Assim como em Fahrenheit 451, pensar é um ato perigoso. A história de George Orwell se passa em um algum lugar do futuro, onde os seres humanos sofrem os erros cometidos em algum lugar do passado. No protagonista Winstom Smith temos uma fagulha questionadora em relação à opressão da presença do Grande Irmão e o que ela significa para a sociedade, que vai desde à mídia até o pensamento da população. Qualquer intenção contra essa presença é vaporizada sumariamente, sem que nenhuma pessoa sequer lembre dos fatos. Se o Grande Irmão diz que um fato é &#8216;assim&#8217; é porque ele sempre foi &#8216;assim&#8217; e ponto final. Com esse livro, George Orwell nos mostra que nem sempre o herói consegue vencer o vilão, e que nosso pensamento não é tão livre quanto gostaríamos que fosse.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a title="anica" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/anica/" target="_blank">Anica</a></strong>: <em>Nós, Yevgeny Zamyatin</em> - Embora desconhecido por muitas pessoas, esse livro pode ser considerado o avô (e por que não pai?) do famoso 1984 de George Orwell, que reconheceu ter se inspirado nessa obra de Yevgeny Zamyatin escrita no começo do século XX. Muitos dos elementos já conhecidos e discutidos nas distopias mais populares estão lá. O controle do governo, a falta de identidade, a falsa noção de liberdade que vem com a ignorância do &#8220;mundo lá fora&#8221;. A história é narrada por D-503 em uma espécie de diário, e vamos acompanhando gradualmente seu despertar para a realidade em que vive. É uma obra emocionante, questionadora e cativante, que prende a atenção do leitor do começo ao fim. E até por isso é realmente uma pena que o livro não seja tão conhecido aqui no Brasil (onde ganhou duas traduções, uma chamada &#8220;Nós&#8221; e outro &#8220;Muralha Verde&#8221;).</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a title="dindii" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/dindii/" target="_blank">Dindii</a></strong>: <em>Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley -</em> Publicado em 1932, a narrativa acontece em um futuro indeterminado em que os principais valores da sociedade foram alterados. As pessoas vivem em uma sociedade organizada por castas e são condicionadas a seguirem as leis que regem esse mundo. Nesse ambiente, não existe a concepção de família, religião e arte. As crianças são ensinadas através da hipnopedia, espécie de aprendizado sonoro que acontece durante o sono. Através desse método, elas são influenciadas moralmente e aprendem os comportamentos que deverão seguir por toda a vida. Além disso, ainda na fase embrionária, o indivíduo já tem o seu destino traçado: classes baixas são produzidas em série com limitações mentais e físicas, enquanto que classes mais altas são produzidas de forma mais refinada. Huxley propõe uma realidade futura bastante pessimista, que muito lembra as tragédias gregas do passado no que se trata das temáticas do destino e liberdade, mas a diferença aqui é que não são os Deuses que definem a vida, mas sim a tecnologia.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a title="tiago" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/tiago-pinheiro-2/" target="_blank">Tiago</a></strong>: <em>La literatura nazi en América, Roberto Bolaño -</em> Seria essa bio-bibliografia dos escritores nazi-fascistas do Novo Continente uma distopia? Olhe com atenção. Algumas datas – escritores mortos em 2030? livros com lançamento posterior ao texto escrito nesta enciclopédia? a fama que chega antes da obra? – dão alguma pista de que algo está errado, que algo vai mal. O que sonha os autores aqui canonizados? O que imaginam os escritores que se associam a Hitler ou a Mussolini aqui na América? Não, eles não sonham com a utopia ariana. Não lutam por sociedades organizadas, nem com o Homem Novo. Leram muito bem as ficções-científicas de Philip K. Dick, de Norman Spinrad e de Alfred Bester para saber onde isso vai dar. Todos eles são no fundo uma trapaça. Sonham no fundo com um mundo literário. Não, não com um mundo ficcional – um mundo literário, do qual eles possam participar. Com festas, com boas críticas, com respeito de seus colegas, com saraus de leitura. Sonham com uma liberdade e sonham em serem escritores num mundo de escritores. Toda a distopia é familiar, não é mesmo? Até que vem Carlos Ramírez Hoffmann, com sua poesia-aérea e a arte-performance da tortura, e mostra como tudo isso é possível. E caímos no inferno. Sem pára-quedas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a title="lucas" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/lucas-deschain-2/" target="_blank">Lucas</a></strong>: <em>Laranja Mecânica, Anthony Burgess -</em> Acho o livro do Burgess uma das visões mais assustadoras sobre a esperança que algumas pessoas insistem em querer fazer repousar sobre a tecnologia e algumas concepções demasiadamente biológicas sobre o homem. O tratamento a que o jovem Alex é submetido (o Método Ludovico) tem um desfecho tão aterrorizante quanto os atos de delinquência que o levaram a ser detido. A reprogramação biológica feita a revelia de humanidade se manifesta num comportamento arredio, perturbador e longe de ser saudável. Ironicamente, o método que o deveria corrigir acaba tornando-o mais socialmente desajustado que outrora. Burgess consegue criar um clima mórbido de inumanidade kafkiana onde o leitor se sente desconfortável, como o expectador de um espetáculo sinistro. O livro tem como &#8220;bônus&#8221; ainda um glossário de expressões &#8220;horrorshow&#8221; do dialeto falado pelos jovens das gangues e descrições das sensações causadas pelas composições de Ludwig Van Beethoven que são de uma beleza memorável, profundamente contrastante com o clima pesado do livro.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a title="luciano" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/luciano-r-m/" target="_blank">Luciano</a></strong>: <em>O Processo, Franz Kafka - </em>Joseph K., em seu aniversário de 30 anos, é visitado por dois homens que dizem que ele está preso. Deve, porém, permanecer em casa aguardando instruções. Mais tarde, quando vai ao tribunal, descobre que a coisa parece ser grave, mas não consegue descobrir qual seu crime. Não pode sequer alegar ser inocente, pois não pode responder a pergunta &#8216;inocente de quê?&#8217; que lhe é lançada como resposta. Fosse apenas esse seu tormento, mas tudo se torna cada vez mais bizarro: um advogado que humilha os clientes por sua subserviência, os agentes sendo açoitados por terem lhe pedido dinheiro, um padre que ele nunca viu na vida lhe chamando pelo nome e explicitando quão pouco esperança ele deve ter quanto a seu processo. Apesar de alguns poderem discordar sobre a novela de Kafka ser ou não uma distopia, acredito que os principais elementos estão aí, de forma bastante terrível: um estado (ou uma instância burocrática superior, pelo menos) totalitário e autoritário, com o qual não se pode argumentar; e um completo desprezo não apenas pelos direitos do indivíduo mas por toda a lógica vital que suporta a própria noção de mundo deste indivíduo.</p>
<p style="text-align: justify">***</p>
<p style="text-align: justify">Quer saber um pouco mais sobre os livros comentados? Confira então o que já foi publicado no Meia Palavra:</p>
<ul>
<li><a title="fahrenheit 451" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/13/fahrenheit-451-ray-bradbury/" target="_blank">Fahrenheit 451</a>, por Lucas</li>
<li><a title="1984" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/09/03/meia-palavra-explica-1984/" target="_blank">Meia Palavra Explica: 1984</a></li>
<li><a title="we" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/26/we-yevgeny-zamyatin/" target="_blank">We (Yevgeny Zamyatin)</a>, por Anica</li>
<li><a title="se já vi o filme" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/14/se-eu-ja-vi-o-filme-por-que-eu-deveria-ler-o-livro-%E2%80%93-laranja-mecanica-de-anthony-burgess/" target="_blank">Se eu já vi o filme, por que eu deveria ler o livro? – Laranja Mecânica, de Anthony Burgess</a>, por Tuca</li>
<li><a title="laranja mecânica" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/08/27/laranja-mecanica-anthony-burgess/" target="_blank">Laranja Mecânica</a>, por Dindii</li>
<li><a title="philip k. dick" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/09/meia-palavra-indica-philip-k-dick/" target="_blank">Meia Palavra Indica: Philip K. Dick</a> (que não apareceu na lista, mas escreveu muitas distopias)</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Anos-luz Depois &#8211; Literatura em 140 caracteres</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Nov 2011 22:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Não é novidade pra ninguém que o consumo de literatura muda a cada dia com a tecnologia e internet. Um dos assuntos mais debatidos, nesse sentido, são os e-books. Nessa discussão, há quem seja apocalíptico-exageradinho e diga que os livros de papel vão acabar e, de outro lado, há quem queira martelar todos os e-readers [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/anosluz2.png"><img class="alignleft size-full wp-image-15629" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/anosluz2.png" alt="" width="200" height="200" /></a> Não é novidade pra ninguém que o consumo de literatura muda a cada dia com a tecnologia e internet. Um dos assuntos mais debatidos, nesse sentido, são os <strong>e-books</strong>. Nessa discussão, há quem seja apocalíptico-exageradinho e diga que os livros de papel vão acabar e, de outro lado, há quem queira martelar todos os e-readers do mundo e sair abraçando e cultuando o amor livre aos sebos e bibliotecas (sem mencionar aqueles que têm uma opinião um pouco menos extremista do que eu citei para ambos os lados). De qualquer maneira, minha ideia na coluna desse mês é tentar abordar outras questões relacionadas ao assunto, contando um pouco sobre o que eu acho dessas novas ferramentas e como elas afetam a minha experiência pessoal de leituras.</p>
<div>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Nesses últimos meses, eu me ausentei de publicações aqui no Meia Palavra, além de ter mudado radicalmente a minha rotina (entenda por isso: fiquei sem rotina). Em meio ao caos dos dias passados e de alguns livros largados em um cantinho da minha cômoda, formando o que eu chamo carinhosamente de &#8220;pequeno Monte Everest das leituras atrasadas&#8221;, pude perceber melhor como a internet é, para mim, uma extensão dos livros de papel. O livro não é mais limitado ao seu número de páginas, também é possível experenciar uma obra de incríveis novas maneiras, sem necessariamente ler ela em sua forma original (e olha que eu não estou falando de procurar resumo, ok?)<span id="more-15625"></span></p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Para começar, percebi que o <a href="www.twitter.com">Twitter</a> se tornou minha rede social favorita quando o assunto é literatura. Organizado em listas, eu consigo filtrar tudo que é informação relevante nesse âmbito, acompanhando, assim, atualizações de blogs que eu leio, autores e notícias em geral. É o canal mais rápido para ver o que está sendo produzido e receber boas indicações. Com isso tudo, pode até ser tentador pensar em<strong> literatura de 140 caracteres</strong>, não? E, de fato, já tem gente editando e publicando as melhores twittadas de alguns famosos nomes dessa rede. Também existe pessoas que conseguiram agradar tanta gente na hora de twittar, que virou autor. O mesmo acontece no Tumblr, vlogs e blogs. Aí vai do gosto de cada um.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Ah sim, não podemos esquecer de citar os twitters dedicados somente a citações de alguns autores. Atualmente, Clarisse Lispector e Caio F. de Abreu são os mais ploriferados nos 140 caracteres. E, com isso, entramos em mais uma situação de amor e ódio, similar a que eu mencionei na introdução da coluna: há aqueles que adoram espalhar ainda mais essa cultura e há os que acham isso extremamente brega. Minha opinião é que uma citação (ou um conjunto delas) não se equipara a um livro. Se você leu o livro e gosta daquele trecho, que mal há em compartilhá-lo? Contudo, achar que você conhece um autor porque sabe suas citações mais conhecidas não é tão válido assim.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Mas essa proposta de literatura de 140 caracteres acabou me inspirando, então resolvi me arriscar em uns micro resumos de clássicos para checar se a minha opinião é coerente. Deixo por conta de vocês:</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">&#8220;Every Breath You Take, Every breath you take, Every move you make, Every bond you break, Every step you take&#8230; I&#8217;ll be watching you &#8221; (Police para resumir 1984 - George Orwell)</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">&#8220;My Precious!&#8221; (O Senhor dos Anéis &#8211; J.R.R. Tolkien)</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">&#8220;Todo mundo é louco, Alice. E você está sonhando&#8221; (Alice no País das Maravilhas &#8211; Lewis Carroll)</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">&#8220;Cordei KD ultraviolência?&#8221; (Laranja Mecânica &#8211; Anthony Burgess)</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">&#8220;Zoom in + Zoom in + Zoom in. Ai meu deus um assassino!&#8221; (As babas do diabo &#8211; Julio Cortázar)</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Enfim, para mim, nesses meses de correria, a internet foi o espaço para continuar a estar em contato com os meus autores favoritos e notícias. A facilidade dos e-books também permitiu que eu pudesse ler algumas coisas entre uma folga e outra. Vale ainda lembrar do aproveitamento da internet para a produção e compartilhamento de conteúdo. Graças a ferramentas como blogs e fóruns, assim como o Meia Palavra e <a href="www.skoob.com">Skoob</a>, podemos ter um espaço de discussão. Além disso, a internet vêm possibilitando a maior publicação de autores desconhecidos e iniciantes em formato digital, já que dessa forma eles não precisam de editoras. No mais, a produção com a licença <a href="http://www.creativecommons.org.br/">Creative Commons</a> permite que diversas pessoas alterem e construam novos enredos juntos. Atualmente, uma das coisas que mais estou curiosa para ver é o <a href="www.potermore.com">Pottermore</a>, que foi lançado em versão beta em outubro e promete ser um importante espaço virtual para fãs de Harry Potter e, mais do que isso, pode nos mostrar ainda mais como a produção literária online não se limita aos e-books.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Por fim, não sei se os e-readers vão se popularizar, ou se as pessoas vão se revoltar e queimar todos os livros de papel do mundo, mas o que eu posso dizer é que a internet se tornou uma extensão praticamente natural e que eu espero que a criatividade e tecnologia permitam, cada vez mais, a produção de novos conteúdos, bem como o aproveitamento e extensão do livro de papel.</p>
</div>
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		<item>
		<title>Se eu já vi o filme, por que eu deveria ler o livro? – Laranja Mecânica, de Anthony Burgess</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/14/se-eu-ja-vi-o-filme-por-que-eu-deveria-ler-o-livro-%e2%80%93-laranja-mecanica-de-anthony-burgess/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 14:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tuca</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Stanley Kubrick]]></category>

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		<description><![CDATA[A resposta curta: por causa de seu último capítulo e por ser bom pra caramba. A resposta longa vem a seguir. Esse foi um dos poucos casos em que li o livro antes de ver o filme: li-o em 2005 e terminei de relê-lo há menos de duas horas; assisti à adaptação de Kubrick há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify" dir="ltr"><img class="alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/a-laranja-mecanica-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" />A resposta curta: por causa de seu último capítulo e por ser bom pra caramba. A resposta longa vem a seguir.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Esse foi um dos poucos casos em que li o livro antes de ver o filme: li-o em 2005 e terminei de relê-lo há menos de duas horas; assisti à adaptação de Kubrick há duas, três semanas, finalmente – algo nada legal para um cinéfilo admitir. O tempo todo entre leitura e experiência audiovisual gerou um resultado interessante: se não me recordava de fatos específicos da obra pouco antes de colocar o DVD para funcionar, durante o filme eu relembrei de várias daquelas cenas no livro. Por alguma razão, esqueci-me totalmente de metade do terceiro ato (correspondente à terceira e última parte do romance de Burgess) e pensei que fosse invenção do diretor. A memória é uma coisa estranha.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Isso me fez buscar novamente o romance, na excelente tradução de Fábio Fernandes (com “Prefácio” e “Notas sobre a nova tradução brasileira” também escritos por ele) publicada pela editora Aleph. Aproveitando-me do longo tempo que se passou até a releitura, li todo o livro sem consultar o glossário da linguagem nadsat, utilizada pelos adolescentes criados por Burgess. Tudo para preservar ao máximo o estranhamento de que se fala no “Aviso ao leitor”.<span id="more-14200"></span></p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">E o livro empolga tanto quanto na primeira leitura. Toda aquela ultraviolência horrorshow, numa mente fértil, vira um filme muito mais violento do que a adaptação de Kubrick – e esse é um dos fatores desse excelente filme que podem decepcionar um pouquinho aos que leram o livro antes. Acostumados que estamos à violência gráfica, exacerbada e rica em detalhes de muitos filmes contemporâneos (Kubrick também a utilizou em “Full Metal Jacket”, por exemplo), a versão cinematográfica pode nos parecer um pouco “conservadora”. Além disso, a idade dos adolescentes (13, 14 anos no livro; 28 anos a idade do ator que interpreta o protagonista) também torna o filme um pouco menos chocante, ainda que aponte algo comum hoje, a chamada adultescência. Ainda que isso não seja propriamente um defeito do filme (aliás, após pensar um pouco, as escolhas do diretor e roteirista fazem todo o sentido), citei porque são as diferenças mais patentes entre uma obra e outra.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Mas se a obra empolga tanto quanto eu falo, por que o meu texto está consideravelmente mais curto? Porque o que não falta aqui no Meia Palavra são resenhas sobre o livro, algo que descobri só após já ter escolhido falar sobre esse livro. <a title="hey drugue" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2008/05/01/hey-drugue/" target="_blank">Há um texto mais antigo que curti mais pelos comentários da Anica do que pela resenha mesmo</a> (tenho de admitir que, numa eventual briga de rua, nem de longe “o filme suplanta o livro que lhe originou”); há outro que trata do<a title="a-lex" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/01/28/lendo-e-ouvindo-%E2%80%93-laranja-mecanica-e-a-lex/" target="_blank"> álbum A-Lex, da banda Sepultura</a>, inspirado no romance de Burgess; e, muito recentemente, a Dindii publicou <a title="laranja mecânica" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/08/27/laranja-mecanica-anthony-burgess/" target="_blank">uma resenha que se debruça</a>, em especial, sobre a questão do título, estranhíssimo e marcante.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">O que me sobrou foi apenas o último (e ótimo) capítulo do romance. E como ele está totalmente ausente da versão cinematográfica (e, inclusive, de algumas edições do livro nos Estados Unidos), não me sinto à vontade para discuti-lo. Recomendo, portanto que, você que viu o filme, leia o livro também. Se não tiver tempo ou vontade de lê-lo todo, leia ao menos o último capítulo, para ter uma ideia melhor de onde Burgess queria chegar – ainda que seja um desperdício de toda a boa prosa que o antecede. A omissão do capítulo final (de uma coisa tão pequena como o comentário da Anica, em comparação com a resenha), fez o filme perder o desenvolvimento de uma das questões mais importantes da obra: o amadurecimendo de Alex.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Não que Kubrick fosse obrigado a mostrar isso. Mas creio que foi isso que me fez considerar que, numa briga de rua, ele não teria chance.</p>
</div>
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		<title>Laranja Mecânica (Anthony Burgess)</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 17:06:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;As queer as a clockwork orange&#8221; ou, em uma tradução livre, &#8220;tão bizarro quanto uma Laranja Mecânica&#8221; foi a expressão que deu origem ao livro mais conhecido de Anthony Burgess, que se tornou uma verdadeira obra-prima ao retratar gangues adolescentes de um futuro não determinado. Muita ultraviolencia e horrorshow são vistos nas quase 200 páginas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/a-laranja-mecanica.jpg"><img class="size-medium wp-image-13636 alignright" style="margin: 5px; border: 0px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/a-laranja-mecanica-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>&#8220;As queer as a clockwork orange&#8221; ou, em uma tradução livre, &#8220;tão bizarro quanto uma Laranja Mecânica&#8221; foi a expressão que deu origem ao livro mais conhecido de Anthony Burgess, que se tornou uma verdadeira obra-prima ao retratar gangues adolescentes de um futuro não determinado. Muita <em>ultraviolencia</em> e <em>horrorshow</em> são vistos nas quase 200 páginas da ficção, que não poupam o leitor em nenhum detalhe da vida de Alex. É ele o personagem que nos relata sua vida de vandalismo, agressão e transgressões de regras ao lado de seus camaradas <em>drugis </em>e, depois, as consequências desses crimes. Ao longo da narrativa, o vermelho salta não só da pele de vítimas, mas sim em cada linha da história.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mais que Burgess tenha recriado um vocabulário próprio para seus personagens, o<em> nadsat</em>, além de uma nova ambientação para Londres (mais futurista) receber as ações inconsequentes dos jovens, percebemos um flerte amargo com a realidade. Em sua ficção científica, o autor encontra o espaço para críticas que ainda hoje se aplicam a nossa sociedade. Essa obra é, inclusive, considerada como uma tentativa dele próprio superar um trauma que circulava sua vida, já que sua mulher foi estuprada por jovens. Burgess escreveu Laranja Mecânica para exorcizar a dor, o que torna ainda mais chocante o momento em que, no livro, um escritor (que está trabalhando em um livro de nome &#8220;Laranja Mecânica&#8221;) vê a mulher sendo estuprada por Alex, Pete, Tosko e Georgie. Ainda não o bastante, na época que escreveu o romance, Burgess ainda era assombrado por uma doença que deveria matá-lo em até um ano (se o parecer do médico tivesse sido correto, ele haveria morrido sem completar o livro).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-13635"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Laranja Mecânica</em> marcou muitas pessoas que tiveram contato com o livro e até mesmo com sua adaptação cinematográfica, dirigida por Stanley Kubrick. Uma resenha meramente descritiva seria praticamente desnecessária. É preciso ir mais afundo e, por isso, nesse artigo, eu gostaria de me aprofundar em três pontos do livro: A natureza inconsequente do ser humano, a irônica simpatia que Alex desperta no leitor e, por fim, o meu palpite pessoal para a expressão &#8220;Laranja Mecânica&#8221; ter sido usada no livro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>What about an in-out-in-out really really horrorshow, pretty devotchka?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das questões que deixam Laranja Mecânica ainda mais interessante, é o fato dos personagens não terem real consciência de bem e mau, de certo e errado. É claro, Alex sabe que prejudica a vida de outras pessoas ao agredi-las, mas antes de ser tomado pela moral, ele deixa-se levar pelo instinto e vontade. Para ele e seus companheiros, o vandalismo era, acima de tudo, um prazer e diversão. Suas vidas eram fáceis e eles detinham todo o poder, mesmo assim, isso não o bastava. &#8220;Eu não conseguia deixar de me sentir um pouquinho decepcionado com as coisas do jeito que eram naquela época. Nada contra lutar de verdade. Tudo era fácil como tirar doce de criança&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Laranja Mecânica</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para além da expressão, o livro contém uma parte explicativa sobre o significado de Laranja Mecânica: &#8220;A tentativa de impor ao homem, uma criatura evoluída e capaz de atitudes doces, que escorra suculento pelos lábios barbados de Deus no fim, afirmo que a tentativa de impor leis e condições que são apropriadas a uma criação mecânica, contra isto eu levanto a minha caneta-espada&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A expressão se revela muito mais do que algo que propõe bizarro, ou diferente, como revela a expressão que citei no início do artigo. De fato, a proposta de Burgess é inovadora pois ele recria um mundo e um dialeto que causam estranheza ao leitor, mas, se pararmos para pensar, as palavras Laranja e Mecânica são praticamente opostas. A primeira sugere algo natural, enquanto que a segunda leva consigo as mudanças humanas e a tecnologia, bem como a falta de criatividade em prol da realização de uma atividade automática.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensando nessa ótica, podemos dizer que a mente de qualquer ser humano é uma Laranja. Alex, no livro, é uma laranja no sentido de que, para ele, é natural ser mau. Ele despertou isso em si apesar de ter pais presentes e ser educado na escola. Seu comportamento, no entanto, o tornam um perigo social. Ao se tentar corrigí-lo com o Método Ludovico ou com o sistema carcerário, estamos tentando &#8220;mecanizá-lo&#8221;. O resultado é antinatural e destrutivo, como Alex mesmo protesta, em certo trecho do livro, ao ser apresentado ao Método Ludovico: &#8211; &#8220;Eu vou ser uma Laranja Mecânica?&#8221;. Alex perde seus prazeres, criatividade e paixões, que embora fossem um perigo, eram o que o tornava humano. Com sua mecanização, ele perdeu seu senso de escolha e é isso que eu acredito ser o motivo para o leitor conseguir simpatizar com ele, apesar de seus atos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alex e apontamentos finais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É de fato irônico o fato de que Burgess tenha conseguido criar uma simpatia dos leitores em Alex, mas, afinal, o personagem tem o destino que merece. O leitor, que colocado na posição de seu único amigo e confidente, consegue ver um dos destinos mais cruéis lançados ao personagem: Ele perde seu livre arbítrio.</p>
<p style="text-align: justify;">Pior do que isso é o fato de Alex sofrer na mão das mesmas pessoas que um dia ele agrediu, criando assim uma ciclicidade para a narrativa. O desfecho é justo, porém cruel. Ao longo dos 21 capítulos de livro, Alex atinge atravessa sua adolescência e atinge sua maturidade, conhecendo as drogas, violência e punição não só pelo Sistema, mas também pelas casualidades da vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Laranja Mecânica</strong></p>
<p>Anthony Burgess<br />
Tradução: Fábio Fernandes<br />
224 Páginas<br />
Preço sugerido: R$36,00</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Aleph</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Editora Aleph" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/aleph.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Meia Palavra Indica: Livros Adaptados para o Cinema</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 17:02:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Meia Palavra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Adaptar livros para o cinema não é nenhuma novidade, inclusive parece carregado de certo modismo nos dias de hoje. Porém, o filme adaptado nunca é uma cópia fiel do livro devido a uma série de fatores como estilo da narrativa, nível de detalhes, visão do roteirista e diretor, entre outros. Talvez o primeiro livro adaptado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/literatura-cinema.png"><img class="size-medium wp-image-11657 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/literatura-cinema-300x224.png" alt="" width="300" height="224" /></a>Adaptar livros para o cinema não é nenhuma novidade, inclusive parece carregado de certo modismo nos dias de hoje. Porém, o filme adaptado nunca é uma cópia fiel do livro devido a uma série de fatores como estilo da narrativa, nível de detalhes, visão do roteirista e diretor, entre outros. Talvez o primeiro livro adaptado para o cinema seja Alice no país das maravilhas – Lewis Carrol &#8211;  em 1903, um filme curto de apenas 8 minutos. Mas o fato é que desde então muitos outros títulos literários seguiram o mesmo caminho, sempre carregados pela discussão em torno das adaptações: <em><strong>“Esse filme é melhor que o livro?”</strong></em>. O que não se pode negar é a curiosidade que um filme adaptado gera em torno do título literário, seja para os cinéfilos pelo livro que originou o filme ou pelas traças leitoras e sua curiosidade acerca do trabalho do diretor e roteirista. Independente do motivo, nós do <strong>Meia Palavra</strong> preparamos uma seleção com nove indicações de livros que foram parar na telona.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-11625"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Orgulho-e-Preconceito.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11627 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Orgulho-e-Preconceito-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Liv: Orgulho e Preconceito</strong> (Jane Austen, adaptação de 2005 por Joe Wright) &#8211; Ah, o amor! Nada mais bonito do que uma boa história de amor bem adaptada. Nesse caso, uma das histórias mais conhecidas e adoradas da literatura. Quem aqui nunca ouviu falar no Mr. Darcy? Certamente um dos personagens mais amados de Jane Austen. A adaptação de 2005 é estrelada por Keira Knightley e Matthew Macfadyen. Bastante fiel ao livro e até mais romântica em várias cenas, como o pedido de casamento no meio da chuva com direito à declaração de amor, fazendo derreter até o mais duro dos corações! Orgulho e Preconceito é um livro ótimo, que faz os corações apaixonados suspirarem desde 1813 e assistir o filme é uma ótima ideia para o dia dos namorados.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/StalkerFilme.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11628 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/StalkerFilme-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/luciano-r-m/" target="_blank">Luciano:</a> Stalker</strong> (Irmãos Strugatsky; adaptação de 1979 por Andrei Tarkovsky) &#8211; Um clássico da ficção científica soviética, o livro dos irmãos Boris e Arkady foi transformado em filme por ninguém menos que o mundialmente conhecido Tarkovsky. Existem enormes diferenças entre o livro e o filme, é verdade. À primeira vista, as únicas coisas que se preservaram foram &#8216;a zona&#8217; (uma área que sofre influência alienígena e tem uma série de regras físicas diferentes do resto do nosso mundo, além de objetos incríveis) e o objeto buscado (tanto no livro quanto no filme trata-se de algo que pode garantir desejos). Ao se olhar com mais atenção, porém, percebe-se que existem alguns detalhes menores em comum, como a guarda da zona, o nome do mentor do protagonista e o método utilizado para avaliar a segurança dentro da zona. Mas o que interessa realmente é que Tarkovsy não só fez um grande filme de ficção-científica , mas capturou com maestria o espírito da obra dos Strugatsky, mesmo com mudanças substanciais na história. Mesmo para os padrões russos (habitualmente mais lentos do que os filmes ocidentais), o filme foi considerado lento e pouco dinâmico, recebendo algumas críticas negativas. Tarkovsky replicou, porém, que só duas opiniões lhe interessavam: a de Bergman e a de Bresson.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/A-Rainha-dos-Condenados.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11629 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/A-Rainha-dos-Condenados-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/pips/" target="_blank">Pips:</a> A Rainha dos Condenados</strong> (Anne Rice; adaptação de 2002 por Michael Rymer) &#8211; O primeiro erro de uma adaptação &#8211; que é sequência de um filme de sucesso (Entrevista com o Vampiro, 1994) &#8211; é tentar juntar dois livros em um só filme. O que acontece é que não querendo explorar a vida de Lestat, os estúdios da Warner (que estavam prestes a perder os direitos de adaptação) juntaram a história solo do vampiro loiro com o terceiro livro d&#8217;As Crônicas Vampirescas: A Rainha dos Condenados (que tem momentos bons, mas muito momentos ruins). Com tanta história para se contar &#8211; diversos personagens, origens e mitologias, com a morte da protagonista Aaliyah antes do término das gravações, atores nada carismáticos e um romance terrivelmente forçado, A Rainha dos Condenados pode e deve ser considerada uma das piores adaptações da história (a trilha sonora é muito boa &#8211; referência ao livro O Vampiro Lestat, onde o protagonista monta uma banda).</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/poster-o-leitor.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11631 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/poster-o-leitor-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/dindii/" target="_blank">Dindii:</a> O Leitor</strong> ( Bernhard Schlink, adaptação de 2008 por Stephen Daldry) &#8211; O livro de Benhard Schlink, narra a história de Michael Berg, menino de 15 anos que se envolve por Hanna, vinte anos mais velha. A relação amorosa dos dois é mantida por encontros secretos e alguns rituais em que o garoto lê, em voz alta, livros para a amada. O fim do relacionamento é marcado pelo desaparecimento de Hanna. Sete anos depois, os dois se encontram em um julgamento de crimes nazistas.<br />
A versão cinematográfica, dirigida por Stephen Daldry, mantém basicamente a mesma história e sequência de fatos do livro, sendo bastante fiel, apesar de não se aprofundar em alguns pontos (coisa já esperada). A diferença básica se dá pelo fato do livro ser narrado em primeira pessoa, no caso, pelo personagem Michael Berg, tornando a leitura muito mais pessoal e reveladora sobre os sentimentos, impressões e expectativas do garoto, do que o filme.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Laranja_Mecânica.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11639 alignleft" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Laranja_Mecânica-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/lucas-deschain-2/" target="_blank">Lucas:</a> Laranja Mecânica</strong> (Anthony Burgess, adaptação de 1971 por Stanley Kubrick) &#8211; Qualquer um que já tenha se aventurado pela prosa inusitada de Burguess não pode deixar de sentir diversos estranhamentos, dentre os quais se destacam os neologismos bizarros porém divertidos, e os condicionamentos do Tratamento Ludovico a que Alex é submetido. Kubrick, um dos grandes nomes do Cinema Mundial, soube conduzir com maestria a história de Alex e não se enredar pelas inúmeras expressões que Burguess criou (o livro conta com um glossário para ajudar o leitor a se situar). Kubrick valoriza, como bom cético e racionalista, a parte psicológica do livro, dando especial atenção ao método Ludovico e deixando transparecer o horror distópico de uma sociedade controlada, cuja ânsia de controle e condicionamento total produz indivíduos incapazes de terem uma vida &#8216;normal&#8217;. A violência, as cenas fortes e o mal estar permeiam todo o filme, deixando espaço para outras reflexões. Uma obra-prima!</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/rainhamargot.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11633 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/rainhamargot-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/kika/" target="_blank">Kika:</a> A Rainha Margot</strong> (Alexandre Dumas père, adaptação de 1994 por Patrice Chéreau) &#8211; A Rainha Margot consta no limitadíssimo universo dos livros que reli. E é, já há uns bons 10 anos, o líder no meu ranking de boas adaptações para o cinema. Conta a história do casamento de Marguerite de Valois, católica com o Henrique de Navarra, protestante, evento marcado na história pela sangrenta perseguição huguenote, mais tarde conhecida como Noite de São Bartolomeu. O estilo europeu mais cru e sem pudores casa perfeitamente com a narrativa de Dumas, e as atuações de nomes como Isabelle Adjani, Daniel Auteuil, Vincent Perez e Virna Lisi e tantos outros dão o toque de ouro na produção. Livro e filme recomendadíssimos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/cartaz-filme-desejo-e-reparacao.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11635 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/cartaz-filme-desejo-e-reparacao-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/anica/" target="_blank">Anica:</a> Reparação </strong>(Ian McEwan, adaptação de de 2007 por Joe Wright): O livro de McEwan tem uma enormidade de sutilezas que ao serem passadas para o cinema parecem que estão sob uma lente de aumento. Por causa do trabalho impecável de Keira Knightley, James McAvoy e Saoirse Ronan as palavras de McEwan ganham vida de forma bela, como se o filme fosse um quadro, vide a combinação do verde do vestido da personagem de Knightley contrastando com a escuridão na fatídica noite em que seu amor nasce e ao mesmo tempo é condenado. Ou ainda, o plano sequência formidável com a personagem de McAvoy chegando ao litoral destruído pela guerra. Tanto livro quanto filme conseguem arrebatar o leitor/espectador, com um desfecho tocante e maravilhoso.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/a_rede_social-poster.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11636 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/a_rede_social-poster-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/izze/" target="_blank">Izze:</a> A Rede Social</strong> (David Fincher, adaptação do livro Bilionários Por Acaso, de Ben Mezrich) &#8211; Não escolhi falar de A Rede Social, o filme-sensação-do-ano-passado, só porque ele foi essa sensação toda, com direito a indicação ao Oscar de melhor filme e algumas estatuetas devoradas. Acredito que ele merece menção nessa lista de adaptações justamente por ser bem diferente do livro de origem. Não da maneira como a maioria pensa, que diz que o filme estraga o livro, mas o contrário: David Fincher transformou o livro nada empolgante de Ben Mezrich em um longa muito bom. Mezrich prometeu polêmicas em Bilionários Por Acaso e decepcionou por conta da narração pouco convincente e branda demais para as expectativas dos leitores. E Fincher conseguiu trazer para o filme o que Mezrich prometeu, mas não fez. A trilha sonora contagiante, o roteiro bem estruturado com flahbacks e diálogos rápidos fizeram da história do fundador do Facebook algo interessante para se gastar duas horas assistindo sem cair no tédio em momento algum.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/alatriste.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11637 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/alatriste-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/palazo/" target="_blank">Palazo:</a> Alatriste</strong> (Arturo Perez-Reverte, adaptação 2006 por Agustín Díaz Yanes) &#8211; O filme conta a história do espadachim Diego Alatriste (Viggo Mortensen) durante o século de ouro espanhol. Porém, adaptar os 5 livros da série em um único longa metragem não é tarefa fácil, e cabível de erros como a fraca sequência de lutas entre espadachins e a condensação demasiada de algumas cenas. Apesar disso, o filme de Agustín Díaz Yanes é de uma fotografia maravilhosa, retratanto a Espanha durante o século de ouro, que apesar da fortuna apresenta um aspecto de abandono e desolação. Viggo Mortensen está no papel de Alatriste, e assim como o restante do elenco todos transmitem na narração de ritmo lento, com poucos diálogos e que transmite todo o ar decadente da narrativa. Uma superprodução espanhol (24 milhões de euros), vencedora de três prêmios no festival de Goya<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/22/meia-palavra-indica-livros-adaptados-para-o-cinema/#footnote_0_11625" id="identifier_0_11625" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Oscar espanhol &amp;#8211; melhor dire&ccedil;&atilde;o de arte, melhor figurino e melhor design de produ&ccedil;&atilde;o.">1</a></sup>, e que encanta pela retratação histórica impecável, pela bela poesia da época, pelas intrigas políticas e por ser um filme que surpreende pela beleza artística.</p>
<p style="text-align: justify">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7433">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_11625" class="footnote">Oscar espanhol &#8211; melhor direção de arte, melhor figurino e melhor design de produção.</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Links e Notícias da Semana #28</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 16:07:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[James Ellroy, confirmado para a FLIP 2011. Ótima notícia para o pessoal de Curitiba: Livraria Cultura abrirá uma loja na cidade, no Shopping Curitiba! E para quem vai para a FLIP 2011, Diversos escritores estrangeiros estão confirmados para o evento: Joe Sacco, Claude Lanzmann, Póla Olaixarac, Emmanuel Carrère, Antonio Tabucchi, David Remnick, valter hugo mãe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5 style="text-align: center"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/ellroy.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-8224" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/ellroy-300x208.jpg" alt="" width="300" height="208" /></a><strong>James Ellroy, confirmado para a FLIP 2011.</strong></h5>
<p style="text-align: justify">Ótima notícia para o pessoal de Curitiba: <a title="livraria cultura em curitiba" href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1105118&amp;tit=Sonho-de-consumo-cultural" target="_blank">Livraria Cultura abrirá uma loja na cidade, no Shopping Curitiba</a>! E para quem vai para a FLIP 2011, <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1105468&amp;tit=Oito-estrangeiros-para-a-Flip-2011" target="_blank">Diversos  escritores estrangeiros estão confirmados</a> para o evento: Joe Sacco,  Claude Lanzmann, Póla Olaixarac, Emmanuel Carrère, Antonio Tabucchi,  David Remnick, valter hugo mãe e Andres Neuman. O escritor João Ubaldo  Ribeiro prometeu aparecer, dessa vez de verdade. Também <a title="james ellroy" href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/888385-autor-de-dalia-negra-james-ellroy-sera-atracao-da-flip.shtml" target="_blank">já foi confirmada a vinda de James Ellroy</a>, autor de Dália Negra.</p>
<p style="text-align: justify">Ao comemorar um ano de circulação, <a href="http://www.estadao.com.br/especiais/um-ano-de-sabatico,133244.htm" target="_blank">o caderno sabático do Estado de São Paulo disponibiliza entrevistas e textos que foram destaque.</a> No  <a title="saraiva" href="http://www.saraivaconteudo.com.br/Artigo.aspx?id=523" target="_blank">Saraiva Conteúdo</a>, uma entrevista com Luiz Zerbini, ilustrador da edição  especial de Alice no País das Maravilhas da editora Cosac Naify. Esse sábado, dia 19, a atividade infantil da Livraria Cultura<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/eventos/resenha.asp?nevento=20948" target="_blank"> traz Encontros Clubinho + Cultura com Pedro Bandeira.</a> No blog da L&amp;PM: <a href="http://www.lpm-editores.com.br/blog/?p=6506" target="_blank">O perigoso ofício de editor ou como não confiar em poetas.</a></p>
<p style="text-align: justify">Para os escritores, <a href="http://midiaboom.com.br/2011/03/16/os-100-erros-mais-comuns-lingua-portuguesa/" target="_blank">Os 100 erros mais comuns da língua portuguesa</a>. E o Vida Ordinária traz <a title="conselhos" href="Os 100 erros mais comuns da língua portuguesa" target="_blank">conselhos de escritores sobre a escrita</a>. Você escreve? Então compartilhe conosco o que já criou no subfórum <a title="lutar com palavras" href="http://www.meiapalavra.com.br/forumdisplay.php?fid=28" target="_blank">Lutar com Palavras</a> do <strong>Meia Palavra</strong>.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://mundodek.blogspot.com/2011/03/giuseppe-ungaretti-vita-dun-uomo.html" target="_blank">No Mundo de K, </a>Kovacs comentou a poesia de Giuseppe Ungaretti. <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2011/03/10/a-mae-de-todas-as-armas/?topo=77,1,1" target="_blank">No Mundo Livro</a>, Gustavo Brigatti resenhou o livro AK-47: A Arma que transformou a guerra, de Larry Kahaner. No Caderno G da Gazeta do Povo: <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1105457&amp;tit=O-fator-Snege" target="_blank">O Fator Snege: matéria sobre o cultuado escritor curitibano</a>. E <a href="http://blogdosamir.blogspot.com/2011/03/primeiro-tijolo-do-ano-hitler.html" target="_blank">Samir Machado comentou a biografia de Hitler</a>, de autoria do Ian Kershaw. (via @<a href="http://twitter.com/#%21/taizze" target="_blank">TaIzze</a>)</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/888895-machado-de-assis-descobre-doenca-psiquiatrica-em-conto.shtml" target="_blank">Machado de Assis &#8220;descobre&#8221; doença psiquiátrica em conto</a> e <a href="http://antoniofarinaci.blogosfera.uol.com.br/2011/03/15/laranja-mecanica-faz-40-anos-e-ganha-caixa-comemorativa/" target="_blank">&#8220;Laranja Mecânica&#8221; faz 40 anos e ganha box especial</a>. A <a href="http://twitpic.com/49rtzk" target="_blank">Quadrinhos na Cia disponibiliza teaser da nova HQ de Rafael Coutinho</a>, prevista para chegar em 2012. <a href="http://revistacult.uol.com.br/home/2011/03/uma-nova-estetica-e-um-novo-cinema/" target="_blank">A Revista Cult</a> analisou as realizações e a a dívida que o Cinema tem em relação ao Glauber Rocha.</p>
<p style="text-align: justify">No Painel das letras da Folha de São Paulo: <a href="http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/arch2011-03-06_2011-03-12.html#2011_03-09_22_17_27-160637125-0" target="_blank">O cheiro dos livros, </a><a href="http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/arch2011-03-06_2011-03-12.html#2011_03-09_16_56_11-160637125-0" target="_blank">Não julgue pelo título</a> e <a href="http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/arch2011-03-13_2011-03-19.html#2011_03-15_10_58_56-160637125-0" target="_blank">como seria a caixa de emails de Raskolnikov</a>. O blog também trouxe a dica de uma lista com <a href="http://www.buzzfeed.com/melismashable/20-awesome-literary-tattoos" target="_blank">20 tatuagens literárias</a> e de <a href="http://www.bookliciousblog.com/2011/01/literary-legos-writers-transformed.html" target="_blank">escritores de lego</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Assine a <a href="http://www.thepetitionsite.com/1/save-the-poe-house-and-museum-in-baltimore/" target="_blank">petição</a> e ajude a <a href="http://blogdoturismo.folha.blog.uol.com.br/arch2011-02-13_2011-02-19.html#2011_02-16_18_38_05-148972769-0" target="_blank">salvar o museu de Edgar Allan Poe</a>. E não esqueçam, <a href="http://sce.fflch.usp.br/node/314" target="_blank">inscrições para o curso Roberto Bolaño, de Tiago Pinheiro (aqui do Meia Palavra) começam na semana que vem.</a> E Mafalda está quase se despedindo dos 40: <a href="http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/uma-quarentona-supimpa-mafalda-sopra-hoje-49-velinhas-eeeh-bem-e-um-de-seus-aniversarios/" target="_blank">soprou dia 16/03 49 velinhas</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Após dois anos de muitos pedidos, o <strong>Meia Palavra</strong> relança a caneca do site! Além do logo na parte da frente, a parte  interna recebe a citação de Fernando Pessoa: “Ler é sonhar pela mão de  outrem”. Você pode garantir a sua através da loja online da <a href="http://loja.valinor.com.br/caneca-meia-palavra.html">Valinor</a>, mas tem que correr, porque a edição é limitada. E você já está seguindo <a title="meia palavra" href="http://twitter.com/#!/meiapalavra" target="_blank">nosso twitter</a>? Aproveite também para <a title="meia no facebook" href="http://www.facebook.com/Meia.Palavra" target="_blank">curtir nossa página no Facebook</a> e acompanhar as atualizações do <strong>Meia Palavra</strong> na rede social.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Lançamentos da semana da Companhia das Letras:</strong></p>
<p style="text-align: justify">Cláudio Manuel da Costa, de Laura de Mello e Souza<br />
O mineiro Cláudio Manuel da Costa, consagrado pelos versos de Vila Rica,  poema dedicado à fundação da capital “das Minas Gerais”, é revisitado  de maneira inovadora nesse perfil biográfico escrito por Laura de Mello e  Souza, que pesquisou inventários, escrituras e processos judiciais para  reconstituir os passos do poeta no Brasil e na Europa. O leitor é  transportado à Minas Gerais do século XVIII, onde Cláudio Manuel da  Costa exerceu a carreira de advogado paralelamente à de poeta,  engajando-se também no movimento da Inconfidência Mineira. Leia o post  que Lilia Moritz Schwarcz fez sobre uma das muitas controvérsias que  marcam a vida do poeta.</p>
<p>Onde os homens conquistam a glória, de Jon Krakauer (Tradução de Ivo Korytovski)<br />
Jon Krakauer, autor de Na natureza selvagem, reconstitui a trajetória de  Pat Tillman — astro do futebol americano que se tornou um dos  principais ícones do patriotismo pós-11 de setembro ao abrir mão de uma  carreira milionária para servir no Afeganistão. Tillman foi morto  acidentalmente por um colega após uma sequência de manobras equivocadas  de sua unidade de combate. A reação oficial foi um cínico encobrimento  da verdade aprovado pelos mais altos escalões do governo e uma série de  investigações que resultariam ineptas não fosse a determinação de Dannie  Tillman em descobrir o que acontecera com seu filho. Em uma pesquisa de  fôlego, Krakauer reconstrói a trajetória de Pat Tillman e expõe a farsa  arquitetada para encobrir aquele que se tornaria um dos mais  emblemáticos escândalos militares da era Bush.</p>
<p>O negócio do Brasil, Evaldo Cabral de Mello<br />
Sessenta e três toneladas de ouro: esse foi o preço que Portugal pagou  aos holandeses para que eles devolvessem o Nordeste aos lusitanos; essa  negociação teria sido o arremate de uma guerra que já havia sido vencida  pelos portugueses, que mesmo assim sentiam-se vulneráveis ao rivalizar  com a principal potência econômica e militar do século XVII. A tese  heroica de que os holandeses foram expulsos mediante a valentia dos  portugueses, dos índios e dos negros é revista nessa reconstituição  histórica feita por Evaldo Cabral de Mello, um dos maiores historiadores  brasileiros, especialista em história regional e no período de domínio  holandês em Pernambuco no século XVI.</p>
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		<title>Lendo e ouvindo – Laranja Mecânica e A-Lex</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 11:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
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		<category><![CDATA[A Divina Comédia]]></category>
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		<description><![CDATA[Criar um álbum musical baseado em um livro não é um feito que possamos chamar de novidade. Algumas bandas já tiveram essa iniciativa de musicar os livros preferidos, mas a verdade é que poucas conseguiram passar algo parecido com as obras que homenageavam. Um grande exemplo de sucesso é o álbum Nightfall in Middlhe-Eart do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><img class="size-full wp-image-462 alignleft" style="margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/01/a-lex.jpg" alt="A-Lex" width="200" height="200" />Criar um álbum musical baseado em um livro não é um feito que possamos chamar de novidade. Algumas bandas já tiveram essa iniciativa de musicar os livros preferidos, mas a verdade é que poucas conseguiram passar algo parecido com as obras que homenageavam. Um grande exemplo de sucesso é o álbum<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nightfall_in_Middle-Earth"> <strong>Nightfall in Middlh</strong><strong>e-Eart</strong></a> do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Blind_Guardian"><strong>Blind Guardian</strong>, </a>que consegue transmitir para o ouvinte toda a atmosfera tolkieniana em suas faixas. Dia 23 de janeiro, mais um álbum baseado em uma obra literária foi apresentado ao mundo.</p>
<p style="text-align: justify">A-Lex é o mais novo CD da banda de “trash”<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/01/28/lendo-e-ouvindo-%e2%80%93-laranja-mecanica-e-a-lex/#footnote_0_461" id="identifier_0_461" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Eu ainda considero o Sepultura como uma banda de trash">1</a></sup> Sepultura e, para a felicidade dos fãs, ele é inteiramente baseado no livro <em>Laranja Mecânica</em> do escritor <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anthony_Burgess"><strong>Anthony Burgess</strong></a>. São ao todo 18 faixas que tem a intenção de “cantar” um pouco da história do livro ou abordar o assunto mais recorrente da obra: a violência. Eu considero esse CD em questão um marco na carreira da banda, mesmo não sendo o primeiro álbum baseado em um clássico literário. O Sepultura já havia experimentado essa temática literária em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dante_XXI"><strong>Dante XXI</strong></a>, quando usou o livro <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Divina_Com%C3%A9dia">A Divina Comédia</a> </strong>como base para seu trabalho. Existem algumas controvérsias que vão marcar A-Lex na memória musical de alguns críticos do gênero, talvez elas passem despercebidas pelos simples ouvintes, mas vou salientá-las nos próximos parágrafos.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-461"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Sai Igor Cavalera entre Jean Dollabela</strong></p>
<p style="text-align: justify">A primeira notícia bombástica sobre o novo trabalho do Sepultura é que ele não conta com a participação de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Igor_Cavalera"><strong>Igor Cavalera</strong></a> no comando da bateria. Não vou explorar muito o fato, porque ele não tem um valor muito grande para esse artigo e pode causar certo descontentamento por parte dos fãs mais antigos da banda. Porém achei que deveria citá-lo, pois acredito que seja uma notícia importante.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Visão musical</strong></p>
<p style="text-align: justify">Quem já conhece os outros trabalhos do Sepultura vai perceber logo nos primeiros minutos escutando A-Lex que a banda manteve o foco na inovação e redimensionamento das musicais. Desde <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Against"><strong>Against</strong></a> (primeiro álbum do <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Derrick_Green">Derrick Green</a></strong> na frente do vocal) que eles vem mantendo o critério originalidade como ponto forte da banda, sempre buscando agregar às músicas novos instrumentos e ritmos; mas nem tudo são flores em A-Lex.</p>
<p style="text-align: justify">O CD tem pontos fracos que podem atrasar seu sucesso, algumas músicas são extremante repetitivas, causando aquela pergunta “ué, mas eu já não ouvi isso na faixa anterior?”. A tentativa de misturar música clássica com o som característico da banda também não pode ser vista como total sucesso, mas isso vai de acordo com o gosto de cada um que ouvir o CD, no meu caso achei que ficou um pouco forçado.  O destaque mesmo vai para <em>The Treatment, Metamorphosis e The Experiment</em>, além das faixas intitulados A-Lex, que vão do I Até o IV.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Relação com o livro</strong></p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/01/laranja_mecanica.jpg"><img class="size-full wp-image-466 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/01/laranja_mecanica.jpg" alt="Laranja Mecânica" width="130" height="195" /></a></p>
<p>Li <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Clockwork_Orange_(livro)"><strong>Laranja Mecânica</strong></a> há um tempo e admito que não me lembro muito do livro, até mesmo porque o filme ocupa quase todas as referências mentais que eu tenho com esse nome. Lembro que o autor ressalta o fator violência durante o livro e meio que “vomita” em cima do leitor uma série de conflitos étnicos e sociais em uma <strong>Londres </strong>(se não em um mundo) falida moral e financeiramente. Burgess também brinca com as gírias e faz com que boa parte do livro tenha que ser lida mais de uma vez para que aja um entendimento correto.</p>
<p style="text-align: justify">A-Lex é tão violento quanto o livro Laranja Mecânica e os riffes de guitarra são de um peso que eu já considerava esquecido pela banda. As letras também têm seu forte na acidez dos comentários. A  segunda música traz o nome de uma das drogas psicotrópica do filme, Moloko Mesto, que é basicamente um leite batizado<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/01/28/lendo-e-ouvindo-%e2%80%93-laranja-mecanica-e-a-lex/#footnote_1_461" id="identifier_1_461" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A verdade &eacute; que eu n&atilde;o sei explicar bem o que &eacute; o Moloko Mesto">2</a></sup>. Obviamente A-Lex não seria uma boa trilha sonora para o filme que também é baseado no livro, dirigido pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Stanley_Kubrick"><strong>Stanley Kubrick</strong></a>, mas em momento nenhum o álbum tem essa pretensão.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Minha conclusão como pseudo crítico</strong></p>
<p style="text-align: justify">A-Lex é realmente um álbum de boa qualidade, até mesmo pela liberdade que a banda teve para fazer sua gravação e os deuses do Rock sabem como isso é de vital importância. Não é o tipo de trabalho que eu recomendaria para todos os tipos de ouvinte, mas quem curte metal e seus afluentes, vai se interessar em ouvir o CD pelo menos em nível de curiosidade. Eu já comprei o meu e acho que vou dar de presente para um amigo. No final das contas o que importa mesmo é ouvir o CD antes de dar a opinião sobre ele.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2133">Comentem esse Artigo no Fórum Meia Palavra</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_461" class="footnote">Eu ainda considero o Sepultura como uma banda de trash</li><li id="footnote_1_461" class="footnote">A verdade é que eu não sei explicar bem o que é o Moloko Mesto</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Hey, Drugue!</title>
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		<pubDate>Thu, 01 May 2008 03:34:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/laranja.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2832" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/laranja.jpg" alt="" width="225" height="182" /></a>&#8220;Laranja Mecânica&#8221; (A Clockwork Orange) é um dos raros casos onde o filme suplanta o livro que lhe originou. A adaptação do diretor Stanley Kubrick para o cinema, datada de 1971, não preza por ser das mais fiéis ao texto do autor, em contrapartida traz em si toda a essência de caos e violência urbana contida no romance. Na época das filmagens, Kubrick chegou a suprimir o último capítulo da trama, o que causou certo descontentamento dos leitores mais puritanos, mas isso longe de tornar a conclusão mais otimista, reafirma a condição de impossibilidade para uma futura convivência social de Alex.</p>
<p style="text-align: justify">A obra máxima de Anthony Burgess é comumente colocada lado a lado com &#8220;Admirável Mundo Novo&#8221;, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell, formando uma trilogia que vislumbra o futuro da sociedade com um olhar pessimista, onde a violência e os governos totalitários se sobressaem. Os enredos foram inspirados em alguns casos pela situação política vivida na época pelos autores, em outros por reflexões quanto ao avanço científico sem ponderação, mas das três obras a que mais se aproxima da realidade que vivemos hoje continua sendo a criada por Burgess.</p>
<p><span id="more-59"></span>Apesar da história de Orwell ter descrito magistralmente o voyeurismo televisivo moderno, e de Huxley ter previsto o corre-corre tecnológico e um medo atual quanto à evolução exacerbada da tecnologia (isso no longínquo ano de 1931), é a distopia criada em &#8220;Laranja Mecânica&#8221; que esbarra na realidade atual das grandes metrópoles mundiais e forma um retrato anacrônico de uma civilização industrializada com enormes lapsos sociais.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>O Nadsat</strong></p>
<p style="text-align: justify">Uma das grandes sacadas de Burgess em seu livro foi a implementação de uma renovação lingüística para seu protagonista narrar a história. Influenciado grandemente pelo idioma russo após uma viagem para Leningrado, o autor juntou expressões de origem eslava com termos ingleses, originando assim as gírias do vocabulário nadsat, repleto de uma carga fonética que acrescenta uma tonalidade futurista e alienígena a história.</p>
<p style="text-align: justify">Com essa tática o livro ganha um caráter autêntico que causou grande estranhamento no leitor dos anos 60. A confusão se devia ao fato das edições não trazerem um glossário explicativo para palavras como drugui (amigo), horrorshow (ótimo, legal), smekar (rir) e tantas outras que aparecem no texto. Isto com certeza deixava o tomo ainda mais instigante e surpreendente. Outra coisa que surpreendia era a coragem de Burgess. Ele não permitia concessões a sua obra, mesmo a pedido dos editores, o que aumentava a possibilidade dos leitores desistirem após um ou dois capítulos devido a dificuldade de interpretação do nadsat.</p>
<p style="text-align: justify">A idéia inovadora da narrativa de &#8220;Laranja Mecânica&#8221; aproxima Burgess de escritores como William Burroughs, que fez de seus experimentos literários uma forma de subversão. A falta de vírgulas, pontos e as constantes aliterações do texto seguem a lógica porra-louca do personagem principal. Os dois andam juntos em uma sinergia fora do comum. Não contente em narrar em primeira pessoa a história, Alex dá forma narrativa, por vezes se refere a ele próprio como se estivesse falando de outra pessoa, com uma autocomiseração que chega a ser cômica e sua afiada ironia, mesmo nos momentos mais dramáticos, não perde o tom.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ultraviolência Moderna</strong></p>
<p style="text-align: justify">Se por um lado a forma do romance é inovadora, o enredo não fica atrás. O livro foi escrito em 1961, quando, ao retornar da Malásia, Anthony Burguess recebeu a notícia que teria menos de um ano de vida, por causa de um tumor maligno em seu cérebro. Com a intenção de escrever o maior número possível de livros e deixar sua mulher em uma boa condição financeira com os direitos autorais, ele se isolou em uma cidade no sul da Inglaterra e de lá saiu com cinco livros prontos e outro pela metade. A previsão médica não se realizou, Burgess morreu somente em 1993, com setenta e seis anos de idade.</p>
<p style="text-align: justify">Não se sabe ao certo quais seriam os cinco terminados, porém o inacabado era o romance &#8220;Laranja Mecânica&#8221;, ambientado em um futuro caótico e dominado por gangues de jovens. Alex, o narrador da história é um delinqüente juvenil cujo único propósito é praticar atos de violência e fazer sexo. A industrialização das cidades e o crescente desemprego em massa servem como pano de fundo para Burgess criar um ambiente compatível com os atos perversos de seu narrador-personagem.</p>
<p style="text-align: justify">Acompanhado de Pete, Georgie e Tosko, outros três amigos tão sociopatas quanto ele próprio, Alex (que no cinema ganhou o acréscimo “DeLarge” como sobrenome) narra a história como passava as noites divertindo-se com estupros, leite drogado e ultraviolência horrorshow, como gosta de chamar as brigas e crimes que se envolve. Para justificar suas ausências noturnas, mente para os pais que trabalha a noite e os trata de forma dominante, quase ameaçadora. Essa característica do protagonista também se apresenta no seu convívio social, sua gangue o obedece sem questionamentos, quando concebe os “planos” do grupo, até incomodarem-se com seu radicalismo e revolverem lhe dar uma lição, armando para que seja preso. Nesse momento arma-se o pano de fundo para que o autor exponha seu argumento.</p>
<p style="text-align: justify">Logo após a emboscada armada pelos ex-parceiros, Alex é preso e enviado a um presídio, onde é condenado a 14 anos de prisão. Decidido a sair da cadeia, candidata-se como cobaia em um experimento que visa transformar homens perversos em criaturas doces, que abominam a violência. O protagonista é submetido a uma lavagem cerebral, chamada “Técnica Ludovico”, tão cruel quanto os atos que praticava na rua.</p>
<p style="text-align: justify">Porém, a liberdade conquistada com muita dificuldade pelo narrador, é mais um tormento na vida do jovem Alex, que reencontra seus ex-comparsas em situações desfavoráveis. Mesmo não sendo um livro eminentemente político, Burgess faz uma ácida crítica aos métodos do sistema carcerário e ao capitalismo como um todo. Afinal, as gangues retratadas ali foram inspiradas nos grupos adolescentes que começavam a pipocar no começo dos anos 60 nas capitais industrializadas, como os mods e os rockers. Isso dá ao livro de Burgess um caráter futurológico e apocalíptico que, por incrível que pareça, se mantém atual. Um mundo em que as oportunidades sobram para poucos e para muitos simplesmente inexistem.</p>
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