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	<title>Meia Palavra&#187; HQs</title>
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		<title>Links e Notícias da Semana #67</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 16:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Links da Semana]]></category>
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		<description><![CDATA[(clique e leia essa tirinha maneira) Nas últimas três semanas só o que se fala são de listas, por isso, para manter a tradição natalina, confira os livros mais vendidos em 2011 no brasil e no mundo. O pessoal do G1 é tão incrivelmente bacana (a Anica prefere batuta, vejam bem) que eles fizeram um resumo dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/calvin-on-reading.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-16647" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/calvin-on-reading-300x96.jpg" alt="" width="300" height="96" /></a><em>(clique e leia essa tirinha maneira)</em></p>
<p style="text-align: justify">Nas últimas três semanas só o que se fala são de listas, por isso, para manter a tradição natalina, confira <a href="http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/os-livros-mais-vendidos-no-mundo-em-2011" target="_blank">os livros mais vendidos em 2011 no brasil e no mundo</a>. O pessoal do G1 é tão incrivelmente bacana (a Anica prefere batuta, vejam bem) que eles fizeram um resumo dos três dias do II Seminário Internacional de Crítica Literária: <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/...ulo-420657.asp">primeiro dia</a>, <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/...ias-420886.asp">segundo dia</a>, <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/...ica-421051.asp">terceiro dia</a>. Ou, se preferir, tem tudo aqui no <a href="http://www.youtube.com/playlist?list=PL5040DD0CD1CAF011&amp;feature=view_all">YouTube</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Muitos não querem nem saber da crítica, outros não ligam para lista, mas que tal dar pulinhos e arranhar as paredes porque a <a href="http://www.flip.org.br/noticias.php?id=701" target="_blank">Flip confirma Ian McEwan e novidades da comemoração dos 10 anos do evento</a>? Pouco? Exigente! Assista à entrega do <a href="http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/2011/transtromer-lecture.html" target="_blank">Prêmio Nobel</a> de 2011 ao escritor sueco Tomas Tranströmer.</p>
<p style="text-align: justify">Elas são birrentas e querem sempre ter a razão entre um por quê? e outro, <a href="http://rascunho.gazetadopovo.com.br/a-crianca-e-a-critica/" target="_blank">a criança e a crítica</a> mostra como se trilha um caminho a partir da literatura infantil. HQ, quadrinho, gibi, tirinha é coisa de criança e adolescente? <a href="http://revistaogrito.com/papodequadrinho/2011/12/14/a-nova-lei-dos-quadrinhos-na-opiniao-dos-profissionais/" target="_blank">A opinião de profissionais sobre a nova lei de cotas para os Quadrinhos</a> parece coisa de gente grande.</p>
<p style="text-align: justify">Quando política e literatura se misturam dá nisso: <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,boa-nova-para-as-biografias,810785,0.htm" target="_blank">Câmara dos Deputados aprova texto que libera publicação de biografias sem autorização do biografado ou de sua família</a>. Quando sexo e literatura não se dão bem, dá nisso: <a href="http://www.revistaenie.clarin.com/literatura/david-guterson_0_605339689.html" target="_blank">David Guterson ganha o prêmio de pior cena literária de sexo do ano</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Na Biblioteca da charmosa e eloquente Raquel Cozer, um título assaz intrigante: <a href="http://abibliotecaderaquel.folha.blog.uol.com.br/arch2011-12-11_2011-12-17.html#2011_12-11_21_42_36-167024240-0" target="_blank">Leitor de e-book lê mais. E aí?</a>. A editora Intrínseca ficou sabendo disso e já <a href="http://www.intrinseca.com.br/site/2011/12/a-partir-de-quinta-feira-a-intrinseca-inicia-a-publicacao-de-e-books/" target="_blank">começou a venda de e-books de Crepúsculo, Percy Jackson, entre outros</a>. No Blog da Companhia, o <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/12/humano-demasiado-humano/" target="_blank">Todo-Poderoso Luiz Schwarcz</a> fala sobre as próximas publicações internacionais de sua editora, um pouco antes o escritor de barba profética, nascido em Cuiabá e radicado em São Paulo, <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/12/o-que-acontece-quando-nada-acontece/" target="_blank">Joca Reiners Terron</a>, fala o que acontece quando nada acontece e <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/12/dark-stuff/" target="_blank">Tony Bellotto</a> usa uma citação de Frank Zappa para abrir seu post e falar sobre The dark stuff, de Nick Kent. Outro Tony, Antônio Xerxenesky, junto de seu companheiro Bruno falam da próxima <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2XnqmZA0afU&amp;feature=colike" target="_blank">edição do Cadernos de Não Ficção</a>. Por último, nesse paragrafo, <a href="http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=10246" target="_blank">Daniel Benevides</a> fala sobre todas as cores de Stendhal no blog da Cosac Naify.</p>
<p style="text-align: justify">Cinema: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1019812-manoel-de-oliveira-comemora-103-anos-finalizando-novo-filme.shtml" target="_blank">Manoel de Oliveira completa 103 anos finalizando novo filme</a> e <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,robert-downey-jr-e-guy-ritchie-vem-ao-brasil-para-lancar-sherlock-holmes,810944,0.htm" target="_blank">Robert Downey Jr. e Guy Ritchie vêm ao Brasil lançar novo Sherlock Holmes</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Lançamentos da Companhia das Letras:</p>
<p style="text-align: justify"><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12874" target="_blank">Como Shakespeare se tornou Shakespeare</a></em>, de Stephen Greenblatt</strong> (Tradução de Donaldson M. Garschagen e Renata Guerra)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=87007" target="_blank">O xangô de Baker Street</a></em>, de Jô Soares</strong> (Nova edição, econômica)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40640" target="_blank">Chakchuca desapareceu</a></em>, de Galia Oz</strong> (Ilustrações de Sandra Javera; Tradução de Paulo Geiger)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40684" target="_blank">Ratinhos</a></em>, de Ronaldo Simões Coelho</strong> (Ilustrações de Humberto Guimarães)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80082" target="_blank">A luta</a></em>, de Norman Mailer<br />
</strong><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/penguin/titulo.php?codigo=85048" target="_blank">O jornal e o livro</a></em>, de Machado de Assis<br />
</strong><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/penguin/titulo.php?codigo=85046" target="_blank">O mal-estar na civilização</a></em>, de Sigmund Freud</strong> (Tradução de Paulo César de Souza)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/penguin/titulo.php?codigo=85047" target="_blank">Que é o abolicionismo?</a></em>, de Joaquim Nabuco<br />
</strong><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13148" target="_blank">Quando meu pai se encontrou com ET fazia um dia quente</a></em>, de Lourenço Mutarelli </strong>(<a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/13/quando-meu-pai-se-encontrou-com-o-et-fazia-um-dia-quente-lourenco-mutarelli/" target="_blank">resenha</a> do Meia Palavra)</p>
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		<title>Leitura Marginal: Pré-conceito contra o Livro Ilustrado</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/21/leitura-marginal-pre-conceito-contra-o-livro-ilustrado/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 23:47:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nas últimas semanas fiquei me perguntando por que não encontro pessoas lendo livros ilustrados em ônibus, trens, metrôs e qualquer tipo de ambiente público. Ou eu estou andando pelos locais errados, ou de fato poucas pessoas tiram um livro ilustrado de suas estantes, pastas, mochilas e bolsas para ler em frente aos outros. E quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/marg.png"><img class="alignright size-full wp-image-8101" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/marg.png" alt="" width="200" height="200" /></a>Nas últimas semanas fiquei me perguntando por que não encontro pessoas lendo livros ilustrados em ônibus, trens, metrôs e qualquer tipo de ambiente público. Ou eu estou andando pelos locais errados, ou de fato poucas pessoas tiram um livro ilustrado de suas estantes, pastas, mochilas e bolsas para ler em frente aos outros.</p>
<p style="text-align: justify">E quando falo de livro ilustrado eu menciono livros infanto-juvenis, quadrinhos (ou HQs) e qualquer tipo de livro em que o texto precisa, necessariamente, da imagem para existir.</p>
<p style="text-align: justify">Estou sendo cruel? Claro que não, do contrário eu não ouviria de alguns leitores: <em>“Já estourei minha cota de livros infantis por este ano”</em>. Existe uma cota? Deve funcionar no estilo de cotas padrões. A classe excluída, no caso os livros ilustrados, ganham direito de 5% do tempo anual dos leitores e assim se sentem valorizados pela inclusão literária.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-11583"></span></p>
<p style="text-align: justify">Isso sem falar nos engolidores de HQ. Aquele estilo de leitor que lê uma revista em quadrinhos em questão de minutos pulando de balão em balão, frase em frase, sem ao menos notar que há personagens e ilustrações que dizem muito mais além dos balões em suas cabeças. Esse fato aconteceu comigo recentemente quando emprestei o livro <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/06/tres-sombras-cyril-pedrosa-2/" target="_blank"><strong>Três Sombras</strong></a> a um primo meu, que o leu em 40 minutos e me devolveu dizendo: <em>“O livro é legal, mas eu não entendi nada”</em>. Óbvio, a poesia está muito mais na ilustração de Cyril Pedrosa do que no texto.</p>
<p style="text-align: justify">Lembro do inicio da minha vida de leitor, e acredito que da maioria de leitores. Debruçados sobre gibis da Turma da Mônica, nós ficávamos ansiosos pelas tiras que estavam sempre no jornal de domingo. Então nos deparamos com o livro sem ilustração, e um olhar preguiçoso se perde em um emaranhado de letras, palavras e frases: “<em>Mas não há figuras?</em>”.</p>
<p style="text-align: justify">Crescemos e o livro não assusta mais, o emaranhado de palavras serve agora para criar sensações, ambientes e uma série de reações que somente a leitura pode causar. Então nos deparamos com um livro ilustrado, folheamos as páginas entre frases, balões e ilustrações diversas e nos perguntamos: “<em>Posso chamar isso de leitura?</em>”</p>
<p style="text-align: justify">Então eu me pergunto: <strong>Será que vivemos um preconceito as avessas contra o livro ilustrado?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não é possível que isso seja verdade, ainda mais em uma época em que presenciamos quadrinhos que não podem ser enquadrados na categoria infantil. Isso se aplica a obra de <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/29/tres-sombras-cyril-pedrosa/" target="_blank">Cyril Pedrosa</a>, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/category/artes/quadrinhos/sacco/" target="_blank">Joe Sacco</a>, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/03/genesis-por-robert-crumb/" target="_blank">Robert Crumb</a>, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/24/scott-pilgrim-contra-o-mundo-bryan-lee-omalley-2/" target="_blank">Bryan O’ Malley</a>, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/18/o-chines-americano-gene-luen-yang/" target="_blank">Gene Yang</a>, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/17/ordinario-rafael-sica-2/" target="_blank">Rafael Sica</a></em>, entre muitos outros. Todos eles usam a linguagem ilustrativa para expressar uma série de sentimentos diversos, abordagem jornalística e poesia tocante da melhor qualidade.</p>
<p style="text-align: justify">Isso sem falar em personagens que marcam época até hoje pelas histórias e ensinamentos. Como por exemplo, as tiradas fantásticas de <em>Mafalda, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/26/calvin-e-haroldo-bill-watterson/" target="_blank">Calvin &amp; Haroldo</a>, Snoopy e Charlie Brown</em> e a famosa <em>Turma da Mônica</em> e seus personagens que encantam gerações e gerações.</p>
<p style="text-align: justify">Mas também não podemos ignorar os infantis que trazem muito mais do que histórias pobres e sem graça. <em>Os lobos dentro da parede</em>, de Neil Gaiman, é uma fábula fantástica e encantadora que fala de uma maneira simples sobre o medo. E o livro de Marie Seller, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/02/12/a-africa-meu-pequeno-chaka-marie-sellier/" target="_blank">“<em>A África meu pequeno Chaka&#8230;</em>”</a>, conta a história da África, suas crenças e costumes de uma maneira simples e encantadora para mostrar a rica cultura de um continente quase desconhecido.</p>
<p style="text-align: justify">Não é possível crer que nutrimos mesmo um pré-conceito contra o livro ilustrado em que a imagem ou a ilustração não faz parte da literatura. O próprio <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/09/10-perguntas-e-meia-para-mauricio-de-sousa/" target="_blank">Mauricio de Sousa, em entrevista ao Meia Palavra</a>, ao ser questionado se HQ é literatura respondeu: <em>“Sem dúvida. A criação de todo um universo de histórias faz parte da visão de um escritor. A diferença é que também há referências de imagens nessa linguagem”</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Não existe motivo para evitar o livro ilustrado, o gibi ou o livro infantil. Mesmo por que a grande maioria dos leitores admite que escolhe seus livros pela capa, que não é nada mais que uma composição do título com a uma imagem gráfica, certo?</p>
<p style="text-align: justify">E dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, porém eu continuo procurando, em vão, pessoas que lêem livros ilustrados em ambientes públicos.</p>
<p><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7424" target="_blank">DISCUTA ESSA COLUNA NO FORUM DO MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Área de Segurança GORAZDE (Joe Sacco)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/05/area-de-seguranca-gorazde-joe-sacco/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Jun 2011 21:47:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial Joe Sacco]]></category>
		<category><![CDATA[A Guerra na Bósnia Oriental 1992-1995]]></category>
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		<description><![CDATA[Durante a guerra da Bósnia ouviu-se muito falar sobre Sarajevo, a capital da maior cidade do país e todos os conflitos entre sérvios e mulçumanos. Mas existia uma área, na parte oriental da Bósnia, que ficou esquecida pelos noticiários e negligenciada pelas autoridades. Gorazde é uma cidade no leste da Bósnia, as margens do rio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Gorazde.jpg"><img class="size-full wp-image-11022 alignleft" style="margin: 5px;border: 0pt" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Gorazde.jpg" alt="" width="236" height="320" /></a>Durante a guerra da Bósnia ouviu-se muito falar sobre Sarajevo, a capital da maior cidade do país e todos os conflitos entre sérvios e mulçumanos. Mas existia uma área, na parte oriental da Bósnia, que ficou esquecida pelos noticiários e negligenciada pelas autoridades. <strong>Gorazde</strong> é uma cidade no leste da Bósnia, as margens do rio Drina.</p>
<p style="text-align: justify">A pequena cidade foi declarada pela ONU como zona de segurança, porém seu pequeno território estava dentro de um vale às margens do rio Drina e rodeado por território sérvio. Distante cerca de 50 km de Sarajevo, ligado apenas por uma rota azul por dentro do território sérvio e que só funcionava, de modo precário, nos períodos de acordos de paz aparentes. <strong>Gorazde</strong> vivia isolada, esquecida e marginalizada.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joe Sacco</strong> teve acesso a esta área, como jornalista, durante quatro meses entre 1994 e 1995. Neste período ele pode viver experiências da situação de Gorazde, fazer algumas amizades com mulçumanos que não podiam sair do enclave<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/05/area-de-seguranca-gorazde-joe-sacco/#footnote_0_11021" id="identifier_0_11021" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Territ&oacute;rio cujas fronteiras geogr&aacute;ficas ficam inteiramente dentro dos limites de um outro territ&oacute;rio">1</a></sup>, e obter preciosos depoimentos de diversos acontecimentos que ocorreram na região durante a guerra.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-11021"></span></p>
<p style="text-align: justify">Para aqueles que desconhecem o maltês Joe Sacco, o relato surpreende não só pelas palavras, mas principalmente pelo jornalismo em forma de quadrinhos. A combinação de texto e ilustrações pode dar a idéia de que será uma visão unilateral dos fatos, e até tendenciosa. Mas a forma como o quadrinista cria sua obra através de relatos e experiências próprias e das pessoas com quem ele conviveu refuta tal teoria.</p>
<p style="text-align: justify">O livro divide-se em duas partes, que se intercalam durante toda a narrativa. De um lado as experiências de Sacco entre os anos de 1994 e 1995, quando a imprensa teve acesso à região de Gorazde. Do outro, os relatos de pessoas que viveram os anos anteriores a esse período.</p>
<p style="text-align: justify">A narrativa do autor tem as páginas brancas, já o relato dos habitantes sobre o passado da região tem as páginas negras. As cores não têm mero papel para separar a narrativa, elas tem sua própria simbologia.</p>
<p style="text-align: justify">Nos relatos das páginas negras, são narrados muitos fatos antes e durante a guerra. Há alguns relatos da amizade entre sérvios e mulçumanos, que conviviam em harmonia e eram vizinhos, até a fuga dos sérvios. Então seguiram os fortes ataques de 1992, e a feroz ofensiva de 1994. Casas de mulçumanos eram queimadas pelos próprios ex-vizinhos sérvios, bombardeios narrados em detalhes, civis sendo executados em uma limpeza étnica sem limites.</p>
<p style="text-align: justify">Os relatos seguem sempre acompanhados da marcante ilustração do quadrinista. Além dos corpos mutilados, dos cadáveres sem cabeça e outras cenas fortes, o que mais marca é a expressão dos sobreviventes. Seja nas fugas desenfreadas, no sofrimento dos feridos, no desespero de parentes e suas perdas ou na busca por alimento em uma rota perigosa até Gebak<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/05/area-de-seguranca-gorazde-joe-sacco/#footnote_1_11021" id="identifier_1_11021" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Posto do ex&eacute;rcito B&oacute;snio, na montanha a leste de Gorazde, alcan&ccedil;ada por uma rota prec&aacute;ria atrav&eacute;s de territ&oacute;rios s&eacute;rvios. Rota noturna para levar alimentos, armamento e pessoal para Gorazde">2</a></sup>. As expressões são desoladoras e fazem o leitor se colocar no lugar dos esquecidos habitantes de Gorazde.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/FugaGoraze.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-11023" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/FugaGoraze.jpg" alt="" width="524" height="447" /></a>Todos esses relatos são complementados por uma pesquisa biográfica de Joe Sacco sobre os eventos do período, como os pronunciamentos do presidente dos EUA, <em>Bill Clinton</em>, do líder sérvio-bósnio, <em>Radovan Karadzic</em> e o oficial da ONU <em>Yasushi Akashi</em>, entre outros líderes.</p>
<p style="text-align: justify">Em contraste com as páginas negras, as páginas brancas narram as experiências de <strong>Joe Sacco</strong> no enclave bósnio. Os relatos procuram observar um olhar humano àqueles que vivem na região e que ainda estão excluídos do mundo. A desilusão é marca de quase todos, que estão cansados do isolamento. Dizem não ter “mais sobre o que conversar” e que querem voltar a viver. Porém a desilusão também abre um pequeno espaço para a esperança, para alguns risos, piadas e muita música na voz de <em>Riki</em> e todos aqueles que convivem e se apóiam.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Área de segurança Gorazde</strong> é uma obra fantástica de <strong>Joe Sacco</strong>. Não só pelo jornalismo em forma de quadrinhos, mas por todos os relatos e a experiências narradas através de textos e ilustrações que se complementam e procuram passar ao leitor muitos mais do que um relato jornalístico. A obra de Sacco transmite um olhar humano, em que a esperança das páginas brancas ainda sobrevive perante um passado negro e devastador.</p>
<p><strong>Área de Segurança GORAZDE – A Guerra na Bósnia Oriental 1992 &#8211; 1995</strong><br />
<strong>Autor:</strong> Joe Sacco<br />
<strong>Tradução:</strong> Sérgio Augusto Miranda<br />
<strong>Editora:</strong> Conrad<br />
<strong>232 páginas</strong><br />
<strong>Preço sugerido:</strong> R$41,00</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7285">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM DO MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_11021" class="footnote">Território cujas fronteiras geográficas ficam inteiramente dentro dos limites de um outro território</li><li id="footnote_1_11021" class="footnote">Posto do exército Bósnio, na montanha a leste de Gorazde, alcançada por uma rota precária através de territórios sérvios. Rota noturna para levar alimentos, armamento e pessoal para Gorazde</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Revista Café Espacial N.06</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/30/revista-cafe-espacial-n-06/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 May 2011 13:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
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		<category><![CDATA[Revista Café Espacial N.06]]></category>
		<category><![CDATA[Revista Independente]]></category>
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		<category><![CDATA[Talita Prado]]></category>
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		<description><![CDATA[Atuar na cena independente é sempre uma complicação a parte. Seja no ramo da música, das artes cênicas ou na publicação de um livro. Quem dirá para publicar uma revista cultural? Pois foi exatamente nessa encrenca que o editor Sergio Chaves e a jornalista Lídia Basoli meteram-se ao lançar em outubro de 2007 a primeira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/Cadeespacial6.jpg"><img class="size-full wp-image-10802 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/Cadeespacial6.jpg" alt="" width="266" height="400" /></a>Atuar na cena independente é sempre uma complicação a parte. Seja no ramo da música, das artes cênicas ou na publicação de um livro. Quem dirá para publicar uma revista cultural? Pois foi exatamente nessa encrenca que o editor <strong>Sergio Chaves</strong> e a jornalista <strong>Lídia Basoli</strong> meteram-se ao lançar em outubro de 2007 a primeira edição da <strong>Revista Café Espacial.</strong></p>
<p style="text-align: justify">De lá para cá já foram nove edições<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/30/revista-cafe-espacial-n-06/#footnote_0_10799" id="identifier_0_10799" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A nona edi&ccedil;&atilde;o da Revista Caf&eacute; Espacial teve seu pr&eacute;-lan&ccedil;amento no &uacute;ltimo dia 28 de maio">1</a></sup> reunindo um projeto cultural que mescla história em quadrinhos &#8211; ou HQs &#8211; com contos, entrevistas, música, artigos, fotografia, resenhas e muito mais.</p>
<p style="text-align: justify">A revista <strong>número 06</strong> vem recheada de todos esses ingredientes, com uma pitada típica das publicações independentes e que se apresenta na capa, de <strong>Guilherme Caldas</strong>. Uma mulher com lábios pintados, mochila na costa, em cima de uma bicicleta. Ao fundo o sinal proibitivo do trafego de bicicletas, e ela retribui com seu delicado dedo do meio com puro ar de provocação.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-10799"></span></p>
<p style="text-align: justify">Os traços apresentados na capa também estão presentes no interior da revista em suas inúmeras histórias em quadrinhos. São diferentes artistas que se revezam entre roteiros e arte. Com a presença de artistas nacionais e estrangeiros em histórias psicológicas, trágicas, psicodélicas e divertidas.</p>
<p style="text-align: justify">Destaque especial para <strong>Cosmogonia</strong> de <strong>Cadu Simões</strong> com desenho de <strong>Jozz</strong> e <strong>Nanquim Descartável</strong> de <strong>Daniel Esteves</strong>, com desenho de <strong>Wanderson de Souza</strong> e arte final de <strong>Mário Cau</strong>.</p>
<p style="text-align: justify">Na primeira história o mundo foi cancelado por falta de audiência, restando apenas um retângulo no meio do espaço em que o personagem principal conversa com o criador. Com traços que lembram formas geométricas a história arranca risos e reflexões sobre a falta de privacidade e a febre dos reality shows.</p>
<p style="text-align: justify">Na segunda história o traço é mais jovial, lembrando um pouco os famosos mangás. A história se passa na USP<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/30/revista-cafe-espacial-n-06/#footnote_1_10799" id="identifier_1_10799" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Universidade de S&atilde;o Paulo">2</a></sup> e conta uma das aventuras universitárias de Ju e Sandra, que dividem a cerveja em um papo quase sem sentido e que contrapõe o lado amargo e doce de se viver.</p>
<p style="text-align: justify">Intercalando as histórias em quadrinhos encontramos entrevistas e matérias apimentadas. Algumas bandas do cenário independente são citadas, com uma entrevista bem interessante com a banda Vitrola Vil. Além de uma matéria especial sobre a sétima arte, abordando o surgimento do cinema na cidade de Marília, do interior paulista, e que remonta desde o inicio até os dias atuais com entrevistas curiosas e um paralelo com o filme italiano Cinema Paradiso<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/30/revista-cafe-espacial-n-06/#footnote_2_10799" id="identifier_2_10799" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Giuseppe Tornatore &ndash; 1988/It&aacute;lia">3</a></sup>.</p>
<p style="text-align: justify">As matérias sempre provocativas ficam por conta de Lídia Basoli e Talita Prado. A primeira provoca o leitor ao brincar sobre o fato de que temos mais escritores do que leitores, terminando ao citar duas obras que fogem do escritor que não lê. A segunda aborda o cenário apelativo da TV brasileira citando desde os primórdios até os tempos atuais.</p>
<p style="text-align: justify">O formato da revista, dividido entre HQs e matérias ou expressões de arte mostra a cara e o tom da <strong>Revista Café Espacial</strong>. Uma publicação independente, que mistura o amargo e o doce a fim de provocar. E assim como mostra a garota da capa, é daquelas publicações que não tem medo de mostrar o que pensa.</p>
<p><strong>Revista Café Espacial</strong><br />
Editado: Sérgio Chaves e Lídia Basoli<br />
Publicação Independente<br />
53 páginas<br />
Valor Sugerido: R$ 6,00<br />
Site Oficial: <a href="http://cafeespacial.wordpress.com/" target="_blank">http://cafeespacial.wordpress.com/</a></p>
<p><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7252" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FORUM DO MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_10799" class="footnote">A nona edição da Revista Café Espacial teve seu <a href="http://cafeespacial.wordpress.com/2011/05/22/pre-lancamento-cafe9/" target="_blank">pré-lançamento no último dia 28 de maio</a></li><li id="footnote_1_10799" class="footnote">Universidade de São Paulo</li><li id="footnote_2_10799" class="footnote">Giuseppe Tornatore – 1988/Itália</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Três Sombras (Cyril Pedrosa)</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 13:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Bensimon]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Cyril Pedrosa]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos na Cia]]></category>
		<category><![CDATA[Três Sombras]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de ler este livro emprestei-o a um primo que achou o livro bonito e interessante. Disse, porém, para que não demorasse na leitura. As minhas palavras devem ter soado mandatórias ao jovem rapaz que devorou o livro em menos de 2 horas. Ele voltou com o livro em mãos e ao ser perguntado sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/tres-sombras.jpg"><img class="size-full wp-image-9699 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/tres-sombras.jpg" alt="" width="234" height="312" /></a>Antes de ler este livro emprestei-o a um primo que achou o livro bonito e interessante. Disse, porém, para que não demorasse na leitura. As minhas palavras devem ter soado mandatórias ao jovem rapaz que devorou o livro em menos de 2 horas. Ele voltou com o livro em mãos e ao ser perguntado sobre a história respondeu: <em>“O livro é legal, mas eu não entendi nada”</em>.</p>
<p style="text-align: justify">As palavras dele ressoaram estranhas na minha cabeça, que me fizeram pegar a obra alguns dias depois. E assim que a última página foi virada eu percebi o porquê das dizeres do jovem rapaz. O livro de <strong>Cyril Pedrosa</strong>, publicado pela <strong>Quadrinhos na Cia.</strong>, não foi feito para ser devorado, mas para ser apreciado a cada página. Isso acontece por que a essência não está nas falas dos personagens, mas nas ilustrações.</p>
<p style="text-align: justify">A história começa com o surgimento de três sombras. A imagem, aparentemente passageira, se repete através dos dias e desperta o medo no jovem Joachim e seus pais, Louis e Lise. A mãe vai procurar conselhos com uma velha e sábia senhora no vilarejo próximo de sua casa. O pai decide fugir com o filho e assim escapar das figuras que insistem em povoar a paisagem.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-9977"></span></p>
<p style="text-align: justify">A fuga de Louis e Joachim cria alguns elementos tão marcantes que prendem a atenção do leitor de maneira única. Amizade, integridade, carinho são muito evidentes durante toda a trama. Porém o medo é o elemento mais presente, criado por toda uma atmosfera de suspense pelas três figuras que seguem pai e filho.</p>
<p style="text-align: justify">O traço certeiro de <strong>Pedrosa</strong> dá o tom. Os rabiscos, o jogo de sombras e a sequência de cenas é quase hipnótica. Muitas vezes não é preciso nenhuma palavra para expressar o medo, o silêncio torna-se o melhor ingrediente. E por vezes até é possível imaginar alguma trilha sonora de suspense em uma sequência de imagens, típica dos filmes do gênero.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Pedrosa</strong> brinca muito com os elementos de proximidade e afastamento para criar esse efeito no leitor. Ora com um vulto distante, que pouco a pouco é aproximado e se apresenta em três sombras quase nítidas. Outras vezes capta o detalhe de um olhar, abre para a face, cruza com outro rosto tenso, olhos se cruzam, desviam. Nada é dito, não é preciso.</p>
<p style="text-align: justify">As ilustrações contidas no livro <strong>Três Sombras</strong> são cheias de metáforas que precisam ser apreciadas e saboreadas no seu ritmo, só assim o livro cria seu devido efeito. Então quando for ler esta história, não tenha pressa. Aprecie cada traço com atenção, procure perceber o jogo de sombras e rabiscos, pois são nesses detalhes que se encontra a poesia de Cyril Pedrosa.</p>
<p><strong>Três Sombras</strong><br />
Autor: Cyril Pedrosa<br />
Tradução: Carol Bensimon<br />
Editora: Quadrinhos na Cia.<br />
Páginas: 272<br />
Preço sugerido: R$ 39,50</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<p><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7041&amp;pid=118271#pid118271" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FORUM DO MEU PALAVRA</a></p>
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		<title>Sandman &#8211; Fim dos Mundos</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/24/sandman-fim-dos-mundos/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Apr 2011 22:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial Sandman]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Conrad]]></category>
		<category><![CDATA[Fim dos Mundos]]></category>
		<category><![CDATA[Graphic Novel]]></category>
		<category><![CDATA[HQs]]></category>
		<category><![CDATA[Neil Gaiman]]></category>
		<category><![CDATA[Sandman]]></category>

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		<description><![CDATA[Num primeiro momento, Fim dos Mundos (nº51 ao 56) seria um arco de pequenas histórias isoladas, como aquelas contadas em Terra dos Sonhos ou Fábulas e Reflexões. No entanto, a função dessas narrativas é bastante diferente, o lugar e o tempo em que são contadas formam a moldura que as eleva a um outro patamar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/fimdosmundos.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-9444" style="margin: 5px; border-width: 0px;" title="fimdosmundos" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/fimdosmundos-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" /></a>Num primeiro momento, <em>Fim dos Mundos </em>(nº51 ao 56) seria um arco de pequenas histórias isoladas, como aquelas contadas em <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/20/sandman-terra-dos-sonhos/">Terra dos Sonhos</a> </em>ou <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/10/sandman-fabulas-e-reflexoes/">Fábulas e Reflexões</a></em>. No entanto, a função dessas narrativas é bastante diferente, o lugar e o tempo em que são contadas formam a moldura que as eleva a um outro patamar, a uma outra função: uma espécie de luto, mesmo que aquilo que esteja de fato morrendo não esteja bem claro aos contadores dessas histórias (e, talvez, nem mesmo ao leitor). Tudo se passa numa estalagem chamada “Fim do Mundo”, onde Brant e sua colega de trabalho Charlene são levados por um estranho ser (um porco-espinho, aparentemente) após sofrerem um acidente de carro. Lá, encontram uma série de peregrinos e viajantes dos mais variados mundos. Logo após a chegada dos dois, uma tempestade de proporções cósmicas (literalmente) tem inicio, o que obriga a todos a adiarem a retomada de seus caminhos. Para passar o tempo, cada um resolve contar uma história.<br />
<span id="more-9442"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Essa saga é inspirada diretamente pelos <em>Contos de Canterbury </em>(ou <em>da Cantuária</em>), escritos por Geoffrey Chaucer (1343-1400), no qual um grupo bastante heterogêneos (com relação, inclusive, a classe social) de personagens peregrinos começam uma roda de pequenas narrativas. Chaucer, por sua vez, copiou a estrutura geral do seu trabalho do <em>Decamerão</em> de Bocaccio (1313-1375), em que um bando de jovens nobres contam histórias enquanto se exilam num castelo, por causa da Peste Negra. Em Fim dos Mundos, as narrativas têm as mesmas funções dessas duas obras: serem um interlúdio de uma viagem e uma modo de se distrair do desastre quase incompreensível que ocorre para além das paredes do estabelecimento. Por último, podíamos lembrar Sherazade e inferir que muitos desses contam suas histórias buscando salvar suas próprias vidas&#8230; Além disso, há um uso constante das histórias dentro de histórias, narradores contando o que outros narradores contaram, o que lembra bastante as <em>Mil e Uma Noites</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">As histórias contadas são cinco, cujos títulos e temas são referências diretas a obras clássicas da literatura européia: “Um conto de duas cidades”, “O conto de Cluracan”, “O Leviatã de Hob”; “O menino dourado” e “Funerais”.<br />
Assim, sabemos o que sonham as pessoas das grandes cidades contemporâneas, que é algo bem diferente dos sonhos<a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/mortetriste.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-9445" style="margin: 5px; border: 0px;" title="mortetriste" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/mortetriste-196x300.jpg" alt="" width="196" height="300" /></a> descritos por Charles Dickens em seu livro; ouvimos um relato de corrupção e diplomacia dentro do mundo das fadas contado por Clauracan, emissário de Titânia de Faerie (lembram-se dele em <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/27/sandman-estacao-das-brumas/">Estação das Brumas</a></em>?); re-encontramos o imortal Hob Gadling (desse eu sei que todos lembram) junto com um rei indu e com Lord Jim (do romance de Joseph Conrad), numa história que bem lembra as de Rudyard Kipling; e imaginamos uma realidade paralela onde um garoto de 19 anos torna-se presidente dos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Além das referências e das construções tipicamente literárias, há também uma peculiaridade dessa seqüência de <em>Sandman</em> porque ela se relaciona (ainda que seja difícil inferir isso somente a partir da leitura) com o restante do Universo DC (lembrem-se de que Sandman foi escrito antes da política editorial de separar os dois universos): o “vórtice” da tempestade é uma referência a mega-saga <em>Zero Hora</em>, na qual toda a confusão cronológica e multidimensional da realidade de Super-Homem, Batman e companhia foi “arrumada” (provisoriamente, é claro), durante aquele ano de 1994.<br />
Pouco pode ser falado sobre o desfecho dessa saga. Para tornar as coisas mais sucintas, mais simbólicas também, posso apenas dizer que há cena absolutamente singular na qual a Morte, a querida irmã mais velha de Sonho, demonstra algo que em todas as outras 74 edições ela nunca demonstra: uma tristeza absoluta.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=111">COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>The Pedro Franz Book Club</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 16:59:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tuca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[HQs]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Franz]]></category>
		<category><![CDATA[Promessas de amor a desconhcidos enquanto espero o fim do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das angústias constantes ao comentar a leitura dum livro é a dificuldade em escolher uma abordagem. Deve haver uma espécie de clichê resenhístico que consista numa indecisão inicial a respeito de quais aspectos da obra terão destaque e quais ficarão ocultos no artigo – algo parecido com o apelo dos cronistas à metalinguagem para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/promessas_01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6321" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="promessas_01" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/promessas_01-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>Uma das angústias constantes ao comentar a leitura dum livro é a dificuldade em escolher uma abordagem. Deve haver uma espécie de clichê resenhístico que consista numa indecisão inicial a respeito de quais aspectos da obra terão destaque e quais ficarão ocultos no artigo – algo parecido com o apelo dos cronistas à metalinguagem para discorrer sobre a falta de assunto. Isso ocorre, dentre outros motivos, porque, ao citar os melhores momentos da obra em questão, há sempre o perigo de revelar demais o enredo e estragar a surpresa do leitor – já tentou imaginar como seria bom ler Grande Sertão: Veredas sem conhecer Diadorim? (E, se você nada ouviu sobre este personagem, não sabe o que está perdendo: corra, leia o livro e depois me diga como foi a experiência.)</p>
<p style="text-align: justify;">Toco nesse assunto simplesmente para ressaltar um dos pontos positivos em comentar <em>Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo</em>. A hq é um presente para resenhistas indecisos e que temem spoilers: ao discorrer sobre a obra numa plataforma como o blog, pode-se simplesmente assumir que todos a leram.</p>
<p style="text-align: justify;">E é isto que farei no texto a seguir: você pode se adiantar e ir ao blog do autor para baixar os oito capítulos da obra; ou, se preferir, ir para a resenha abaixo e alternar a leitura dela com a dos capítulos (para baixa-los, basta clicar com o botão direito e escolher “salvar como”).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6320"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. Limbo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que, antes de ir à Itiban Comic Shop para o lançamento, resolvi fazer o download dos oito capítulos disponíveis da hq de Pedro Franz. Pretendia ler tudo para ver se valia a pena comprar, mas depois pensei What the hell? Vou comprar sem ter lido mesmo. Ao menos o nome dado já agradava: Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo é um título enorme e bonito, de jeito a capturar, de imediato, minha atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Autógrafos nos dois volumes, já em casa, deito-me para começar a leitura de Limbo – o primeiro deles, em papel jornal, capa colorida e demais páginas em preto e branco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 1 – No qual Lucas Jolly Roger foge de seu esconderijo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A história está apenas começando. Fragmentada, a narrativa mostra helicópteros em busca de suspeitos dum atentado, um rapaz escondido, um outro morto depois de tortura policial, um jornalista indignado com a situação – mas que subiu na vida maquiando informações recebidas da polícia, um garoto (Danilo) que compra uma máscara de caveira e dois amigos (Julia e Rafa) que ajudam o primeiro rapaz (Lucas) a fugir de seu esconderijo.</p>
<p style="text-align: justify;">O bonde já está em movimento em todos os pedaços de história, o que não chega a complicar o entendimento. Apenas duas coisas estranham: Jolly Roger, que é o nome que se dá àquelas bandeiras piratas: fundo preto, caveira e dois ossos cruzados; e os comprimidos Ícaro que, no entanto, só adivinhamos que seja uma nova droga ilegal. Colocar a cena com o corpo torturado do adolescente, convenhamos, não chega a causar um real estranhamento, infelizmente. Está mais pra consequência de Tropa de Elite, do que para o final feliz de Quem quer ser um milionário?.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois que os fugitivos se atiram do topo de um prédio, você vira a página rapidamente para ver o que acontece e&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 2 – Quando convida-se o leitor a testar sua fé ao julgar a veracidade da história do Padre Julio Siqueira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;ahn?<br />
Antes, temos contato com a história desse padre e do milagre que o fez decidir sua vocação. Ao final do capítulo, numa cena em que o vemos gritar no meio duma praça cheia mas em ouvintes, uma frase do narrador possibilita uma interessante ambiguidade: decidir se acredita ou não que julio siqueira faz o que deus lhe diz e que apenas ele consegue escutá-lo. Fica ao leitor, como apontado no título, a decisão a respeito de crer se apenas o padre ouve Deus e se somente Ele, como parece, ouve Julio Siqueira.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas no meio do capítulo há outras informações. Vemos Danilio usando a caveira no rosto, brincando de ser Jolly Roger e atrapalhando a novela da mãe com uma espécie de coquetel molotov na mão. Também vemos que os fugitivos conseguiram escapar e por algum motivo não se esborracharam. Numa splash-page – duma beleza que estou satisfeito por não precisar descrever, porque você já viu – relata-se que a sensação écomo estar respirando embaixo d’água mas com o vento batendo no teu rosto. É como se a fuga deles obedecesse às leis da gravidade d’O tigre e o dragão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 3 – Após mostrar cenas de nudez, de sexo e de uso de drogas por crianças, utiliza-se uma conversa de bar para comentar a relação entre território e sociedade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E nesse capítulo estão as páginas que Rafael Coutinho mostrou à guria que perguntou algo sobre quadrinhos eróticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na cena com Lucas, ele visita uma guria. Ela grita com ele, depois passa a sussurra (as letras nos balões se deformam, perdem a nitidez e se confundem) até que eles não falem mais nada. A quebra do silêncio pela Te amo, num suspiro sonolento, leva à despedida. Na cena com Danilo, finalmente é visto o nexo causal entre os comprimidos ilegais e o vôo, com o vislumbre de possíveis efeitos colaterais.</p>
<p style="text-align: justify;">O título do capítulo, ainda mais metalinguístico que o anterior, demonstra que o autor não teme expor os artifícios que utiliza na narrativa. Isso porque sempre se busca esconder que a fluidez quase sempre é fruto dum constante processo de revisão e análise dos métodos de criação visando determinadas reações do leitor. O que Pedro Franz escreve seria equivalente a assistir ao Homem-Aranha, antecipado por longos letreiros que discorrem sobre como Há uma relação das cores do uniforme do herói com o desejo de aumentar a moral dos cidadãos estadunidenses após 11 de setembro, bem como a presença da bandeira do país em momentos de forte apelo emocional visam a incentivar o patriotismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto que no Homem-Aranha tais letreiros atrapalhariam a suspensão da descrença que nos leva a aceitar uma aranha transgênica como transmissora de super-poderes, em Promessas ela serve ao propósito de misturar ficção e realidade. As fotos 3&#215;4 (enviadas por leitores para ajudar a narrativa) – que, nas capas, estão em número equivalente ao da numeração dos capítulos – coloca-os, mascarados, como participantes do movimento Jolly Roger. E a partir dessa interlocução com o mundo real, podemos pensar na conversa no bar, localizado em um local aparentemente fictício, como uma forma de revelar que o ocultamento/maquiagem da pobreza talvez não seja uma exclusividade curitibana.</p>
<p style="text-align: justify;">O plano aéreo da ilha de Florianópolis, no final do capítulo, faz a primeira ligação entre as histórias paralelas, e servindo para organizá-las temporalmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 4 – E Jolly Roger convida todos a tomarem as ruas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Personagem de Chagal, Ícaro, Peter Pan: Lucas. Jolly Roger. Voando com uma ausência no peito.  Perguntando-se se quem pôs a bomba é um integrante de Jolly Roger ou se isto foi uma espécie de sabotagem tentando denegrir a imagem do movimento, pacífico. Até que a resposta deixe de importar, em raciocínio mais rápido que o do narrador deClube da Luta: o movimento é maior do que ele.</p>
<p style="text-align: justify;">O ano é 2018, mas parece hoje mesmo: uma postura parecida com a de certos filmes de ficção científica low-tech: deixar de apostar tanto em um futuro totalmente diferente do mundo contemporâneo. E assim ter mais chance de acertos nas previsões – nesse sentido, o jornalista que resolve revelar fatos que ocultara em suas reportagens soa um pouco como o criador do Wikileaks, meses antes do site existir.</p>
<p style="text-align: justify;">As páginas finais constituem uma linha do tempo com pistas, em vez de descrições, sobre determinados momentos históricos. Ao leitor são dadas duas possibilidades: a de sentir a atmosfera que permeia os períodos citados; e a de pesquisar um pouco mais sobre eles. Ambas satisfatórias.</p>
<p style="text-align: justify;">E em 2018, Jolly Roger vai às ruas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Underground</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Durante o lançamento na Itiban, muito se falou sobre as definições do adjetivo “experimental”. Pedro Franz, ao comentar sobre sua hq, disse não saber onde pretende chegar com aquilo e que leituras, acontecimentos diários podem influenciar e apontar caminhos não vistos anteriormente.<br />
O volume 2 – Underground – estranha pelo formato. Em vez de livro ou revista, um envelope colorido com 55 lâminas soltas, totalizando 110 páginas. Há a divisão em capítulos, há uma ordem sugerida pelo autor (assim como n’O jogo da amarelinha, de Cortázar, há dois: a ordem de alternância de capítulos e a convencional, necessária no livro de papel e seguida pelos mais conservadores). Ao mesmo tempo, não há numeração de páginas e há a sugestão de que a leitura seja feita em ordem aleatória.</p>
<p style="text-align: justify;">Tampouco há quadrinhos como aqueles com que estamos acostumados, com “calhas” separando os quadros. O que está escrito não está em balões, mas em letras brancas e tipografia característica de máquinas de escrever, contra o fundo negro das páginas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 5 – Se você toma as ruas, a polícia toma as ruas também.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A quantidade de referências a artistas e intelectuais dos mais diversos calibres cresce no segundo terço de Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo. Neste quinto capítulo, por exemplo, há homenagens/citações/referências a Magritte (Isto não é uma caveira), Picasso (Guernica em versão retardada), a Bíblia (Teu nome é Legião porque sois muitos) e Rudolphe Topffer (que parece descreverUnderground no trecho citado).</p>
<p style="text-align: justify;">O crescendo de tensão nos remete a conflitos iminentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda ameaça será reprovada, desqualificada, transformada em algo com um código de barras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 6 – Quando a criança torna-se parte da multidão</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Estávamos acostumados a filmes de ação em que não perdíamos um detalhe sequer das brigas, os golpes desferidos e sofridos, até que diretores como Paul Greengrass resolveram tornar a estética e edição cinematográfica em algo que representasse mais fielmente a confusão que é estar no olho do furacão.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se sabe quem começou o conflito. E isso é claro tanto nas ilustrações – Pedro Franz desenha aqui mais ou menos como Paul Greengrass filma e edita; afinal, ele quer seu leitor no meio da confusão –, quanto em sua escrita – em momentos que descrevem a humanidade dos que estão nos dois lados do embate: com falhas, defeitos, qualidades e amores frágeis, passíveis de serem destruídos em instantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 7 – No qual comenta-se Gil Scott-Herom.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">The Revolution Will Not Be Televised é o título do poema/canção mais famoso do cidadão citado no título do capítulo.</p>
<p style="text-align: justify;">Danilo é morto. O jornalista provavelmente terá o mesmo destino.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, a novela das oito sequer é interrompida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 8 – O herói descobre que é parecido com seu inimigo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O título é o que acontece nos momentos finais do segundo volume. Conjuntamente, aprendemos bastante sobre conceitos de Clifford Geerts a respeito de conjuntos de pessoas que estão entre o grupo e a multidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda nos sentíamos mal por Danilo e pelo jornalista e, depois do capítulo, talvez nos sintamos vingados pela pedra na mão de Lucas. Algo que negamos, óbvio, se alguém nos perguntar.<br />
Isso é ficção, se passa no futuro, ouvimos o cérebro dizer. Calma, estou aqui para lembrar que suspensão da descrença não deve se prolongar tanto que lhe faça pensar em sua existência. Ou na violência crescente. Ou nos pequenos abusos que sofremos diariamente. Não: uma hq é para passar o tempo e se não cumpre sua serventia deve ser jogada fora. Ou deletada permanentemente do computador.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo outra voz, diminuta, torna-se grito e repete alguns nomes próprios, tais como Teresa Lewis e Sakineh Mohammadi Ashtianti.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso não acontece nos dias de hoje, o cérebro tenta continuar, mas não damos muita trela. Estamos acostumados à ideia de progresso (novas gerações de ipods desbancando as anteriores, novas versões do Windows prometendo maior eficiência) e de que, quanto mais o tempo passa, mais nos desenvolvemos. Não entendemos como absurdos como o Holocausto ocorreram, mas durante a Segunda Guerra Mundial, muita gente ficou sem entender sua ocorrência num mundo em tal estágio de desenvolvimento. No Brasil, não entendemos o atirador que feriu uma deputada americana e matou seis pessoas, mas não vemos um desejo semelhante nas pessoas que conhecemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada povo ama sua própria forma de violência.</p>
<p style="text-align: justify;">É isso, amigo: a hq de Pedro Franz já fez o estrago dentro da gente. Fez pensar, algo a que nem sempre estamos dispostos em nossas leituras.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, dá um sopro de esperança: TODAO ORDEM CAOS É APENAS APARENTE. Um sopro que nos sustenta até o próximo volume: Potlatch.</p>
<p><strong>Sobre o autor</strong>: Arthur Tertuliano é bacharel em Direito pela UFPR e apaixonado por literatura. Sempre está com um livro na mão pra aproveitar cada momento possível pra ler (de vez em quando é visto andando e lendo, quando o trajeto é familiar). Escreve n&#8217;<a href="http://oleitorcomum.blogspot.com/">O Leitor Comum</a>.</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6259">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Violent Cases (Neil Gaiman &amp; David McKean)</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 18:51:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Dave McKean]]></category>
		<category><![CDATA[HQs]]></category>
		<category><![CDATA[Mr. Punch]]></category>
		<category><![CDATA[Neil Gaiman]]></category>
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		<description><![CDATA[Química. Está aí algo fundamental em qualquer trabalho que envolva mais do que uma pessoa. Tome os Beatles, por exemplo. Seria a mesma coisa se ao invés de Ringo Starr tivéssemos Stuart Sutcliffe? E como seria a copa de 94 sem Bebeto e Romário? E seguem exemplos infinitos, uma lista enorme mesmo. Dessa, certamente faz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/09/violentcases.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3859" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="violentcases" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/09/violentcases.jpg" alt="" width="200" height="268" /></a>Química. Está aí algo fundamental em qualquer trabalho que envolva mais do que uma pessoa. Tome os Beatles, por exemplo. Seria a mesma coisa se ao invés de Ringo Starr tivéssemos Stuart Sutcliffe? E como seria a copa de 94 sem Bebeto e Romário? E seguem exemplos infinitos, uma lista enorme mesmo. Dessa, certamente faz parte também a dupla Gaiman e McKean.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo menos para nós, fãs de quadrinhos, dá para dizer sem nem piscar os olhos que se esses dois não tivessem começado a trabalhar juntos há mais de 20 anos, a idéia de quadrinhos para adultos seria bem diferente. É por isso que <em>Violent Cases</em> (lançado em 1987, mas chegando aqui no Brasil no começo de 2008) é tão especial: trata-se da primeira <em>graphic novel</em> publicada pela dupla. Depois dessa, muitos outros trabalhos de sucesso viriam, entre eles, é claro, <em>Sandman</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3858"></span>O irônico aqui é que normalmente o texto de Gaiman se sobressai em relação à arte do McKean, mas em <em>Violent Cases</em> é o contrário. Na história do garotinho que descobre que seu osteopata trabalhara com Al Capone, o que fala mais alto são as imagens. Não que o texto seja ruim, pelo contrário. Levando em conta que é uma história de memória, o narrador recria muito bem as condições complicadas de quando recorremos ao que lembramos: espaços em brancos, momentos que não sabemos encaixar com determinados eventos e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas é na arte de McKean que isso fica ainda mais evidente. Como quando mescla figuras do passado com figuras do presente de modo bastante sutil (as estrelas da roupa do mágico sobre o sujeito que aparece para conversar com o osteopata, por exemplo). A curiosidade fica por conta do fato de que a HQ foi originalmente publicada em p&amp;b – na realidade fico bem curiosa para ver um exemplar dessa época.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, parabéns para a HQM que trouxe para cá uma hq tão importante para os fãs. E parabéns aos editores que há mais de 20 anos atrás resolveram apostar naqueles dois malucos e suas histórias maravilhosas. Aproveitando para lembrar aos fãs da dupla Gaiman e McKean que a <a title="mr. punch" href="http://www.lojaconrad.com.br/lojas/CONRAD/__Detalhes.cfm?produto=RQ16414" target="_blank">Editora Conrad acabou de lançar Mr. Punch</a> aqui no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5478" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Assunto de Família (Will Eisner)</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 14:03:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Assunto de Família]]></category>
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		<category><![CDATA[Quadrihos Norte-Americanos]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos Judaicos]]></category>
		<category><![CDATA[Will Eisner]]></category>

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		<description><![CDATA[Tolstói em seu célebre romance Anna Karenina começa escrevendo que &#8216;todas as famílias felizes são iguais, ao passo que as infelizes o são cada uma a sua maneira&#8217;. Não tenho certeza se existe alguma relação com o romance do escritor russo, mas essa certamente parece ser a tônica da HQ Assunto de Família, de Will [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/09/20100119-capa_fechada_ASSUNTO_FAMILIA_baixa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3717" style="margin: 5px;" title="20100119-capa_fechada_ASSUNTO_FAMILIA_baixa" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/09/20100119-capa_fechada_ASSUNTO_FAMILIA_baixa-228x300.jpg" alt="" width="228" height="300" /></a>Tolstói em seu célebre romance Anna Karenina começa escrevendo que &#8216;todas as famílias felizes são iguais, ao passo que as infelizes o são cada uma a sua maneira&#8217;.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho certeza se existe alguma relação com o romance do escritor russo, mas essa certamente parece ser a tônica da HQ Assunto de Família, de Will Eisner.</p>
<p style="text-align: justify;">Americano filho de imigrantes judeus, Eisner construiu, nessa história, uma das famílias mais infelizes que poderiam ser pensadas. E, por isso mesmo, algo único.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o pretexto da festa de aniversário do patriarca, agora completando 90 anos, incapaz de se comunicar de preso a uma cadeira de rodas devido a um derrame, Eisner cria um verdadeiro show de horrores.<span id="more-3716"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Horrores esses que nada mais são do que segredos, remorsos e mentiras, que nos são explicitados de forma lenta e delicada, dentro da mente das personagens- ou de forma violenta, em suas interações. Horrores esses que são assustadores na ficção e que são mais assustadores quando se imagina que poderiam ser reais.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se pode dizer que o final seja surpreendente. Mas não acho que foi esse o objetivo do autor. Eisner era um escritor demasiado inteligente para se deixar cair tão facilmente nas armadilhas do <em>clichè</em>. Acredito que o final- que, como eu disse, não surpreende, mas que também não é totalmente óbvio- tem seus motivos, e que dá força para todo o resto da obra.</p>
<p style="text-align: justify;">Os desenhos são típicos de Eisner, simples mas ainda sim bastante ricos; e a disposição dos quadrinhos aparenta ser anárquica porém obedece o melhor andamento possível da ação. As cores são especialmente adequadas para o tema, parecem com as de uma foto em sépia- com sombras carregadas e com uma quase ausência de brancos puros.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez &#8216;Assunto de Família&#8217; não seja Eisner em sua melhor forma, mas mesmo assim ainda é uma grande HQ.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5428" target="_blank">DISCUTA O POST NO FÓRUM DO MEIA-PALAVRA</a></p>
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		<title>Xampu &#8211; Lovely Losers</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 19:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[A juventude está categorizada naquele grupo de temas complicados de serem abordados dentro do mundo das HQs. Aparentemente essa pode parecer uma afirmação sem sentido, já que as histórias em quadrinhos deveriam ter como público-alvo os “as gerações mais novas”, mas nesse caso o problema não está exatamente no produto e sim nos seus desenvolvedores, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/capa_v001_200.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-3046" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/capa_v001_200.jpg" alt="" width="200" height="268" /></a>A juventude está categorizada naquele grupo de temas complicados de serem abordados dentro do mundo das HQs. Aparentemente essa pode parecer uma afirmação sem sentido, já que as histórias em quadrinhos deveriam ter como público-alvo os “as gerações mais novas”, mas nesse caso o problema não está exatamente no produto e sim nos seus desenvolvedores, porque escrever sobre jovens para que outros jovens leiam, é dar início a uma experiência vivenciada no limiar dos clichês falhos. Felizmente, vez ou outra, obras como <em>Xampu – Lovely Losers</em> aparecem para mostrar que a “juventude”, mesmo tardia, pode ser uma temática bem explorada, chegando ao ponto de merecer uma indicação.</p>
<p style="text-align: justify">O roteiro de <em>Xampu</em> é focado dentro da vida de 4 personagens principais e os elementos em comum que os rodeiam. Max, O Sombra, Nicole e Raquel estão na capa da HQ como uma daquelas ilustrações que vinham no centro dos discos de vinil. A presença do LP e os personagens são suficientes para se deixar claro que essa não é uma história atual e nem sobre uma juventude “colorida”. Toda a trama se passa nos anos 80 e é recheada de citações à filmes, programas e bandas da época, ficando em maior apelo a parte musical já que O Sombra, um dos personagens principais, é vocalista de uma banda de Hard Rock e um apaixonado pela música e a fama que ela pode trazer.<span id="more-3045"></span>As histórias são divididas em faixas, assim como seriam num LP de verdade. Nelas, os 4 personagens vão vivenciando experiências comuns a todos aqueles que tiveram seus 20 poucos anos vividos durante a década de 80. Festas regadas a bebidas e muita música, dividir apartamento com amigos, sobreviver com uma renda limitada, tentar mudar de vida, ser famoso entre as meninas, viver, crescer, chegar ao fundo do poço e, talvez, voltar. São tantas as experiências dentro de poucas páginas e apresentadas com uma certa rapidez.</p>
<p style="text-align: justify">Xampu usa todos esses elementos revolucionários para a época como, por exemplo, o comportamento transgressor dos ditos “roqueiros”, a fim de abordar uma gama de acontecimentos que são sentidos de uma forma mais acentuada na fase chamada juventude. Amores partidos, vidas queimadas, destinos cruéis e o cotidiano juvenil são postos em sua forma mais realista. Ou seja, não existem duas páginas seguidas com um texto pretensioso e pouco comum. Os personagens são parecidos com amigos seus, os lugares são idênticos aos que vocês podem ver por toda a grande São Paulo e, principalmente, os acontecimentos são muito reais, ao ponto de já terem ocorrido com boa parte de leitores.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/prev_v001_002g.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3047" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/uploads/2010/08/prev_v001_002g-223x300.jpg" alt="" width="223" height="300" /></a>Talvez o mais legal de Xampu seja o fato de que toda a obra foi solidificada usando uma argamassa chamada “clichê satisfatório”. Por mais comum ou usual que os perfis e ambientes sejam, ou por mais real que as situações possam parecer, em momento algum o leitor vai se queixar de estar sendo enganado. O realismo é a ferramenta utilizada para espalhar essa argamassa sem prejudicar a escultura com traços forçados.</p>
<p style="text-align: justify">No que diz respeito a arte e as cores, não existem reclamações. Colocar toda a ilustração em preto e branco, com um traço marcado deu expressão aos personagens e vida aos ambientes. Um possível descontentamento seja com o fato de que a cidade de São Paulo não está bem ambientada, simplesmente por uma falta de visões comuns e pontos de encontro.</p>
<p style="text-align: justify">Um outro susto para o leitor é saber que tudo essa obra foi pensada, escrita e ilustrada por uma única pessoa. Roger Cruz, um nome conhecidos para os leitores da Marvel, nasceu em São Paulo em plenos anos 70 e começou a trabalhar com ilustração ainda jovem. Fica visível a influencia de sua juventude dentro de Xampu e talvez essa marca de ainda mais credibilidade ao roteiro de Xampu.</p>
<p style="text-align: justify">Acredito que os dois melhores grupos para se indicar a leitura de Xampu sejam grupos conflitantes. O primeiro deles é formado pelos saudosistas que viveram nos anos 80 sua juventude e estavam antenados com o cenário <em>rock n&#8217; roll</em>. Já o segundo grupo, pode ser formado justamente por uma juventude que está bem longe do ambiente retratado pela HQ, não sei se existe uma nomenclatura correta, porém gosto de chamar esse grupo em questão de “coloridos”. No caso, esse segundo grupo, deveria ler a HQ para ter a oportunidade de conhecer os anos 80 de uma forma diferenciada e mais direta.</p>
<p style="text-align: justify">Xampu Lovely Loser saiu pela editora Devir e custa uma média de 25 à 30 reais. Quem quiser comprar uma, indico a <a href="https://www.comix.com.br/distinction.php">Comix Book</a> pela confiança que tenho no trabalho deles.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Sobre o autor</strong>: Breno Cavalcante é o <a title="breno c." href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=17" target="_blank">Breno C.</a> no Meia Palavra e também pode ser encontrado no blog <a title="csides" href="http://www.csides.com.br" target="_blank">CSIDES</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4813&amp;pid=84010#pid84010" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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