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	<title>Meia Palavra &#187; George Romero</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>Zumbis na Literatura</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2009 12:36:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[O maior problema para situar historicamente as primeiras aparições de zumbis na Literatura está na delimitação da representação apropriada da figura. Enquanto para alguns leitores para ser zumbi basta ser um morto-vivo (undead), outros acreditam que essa definição é problemática se considerarmos outras personagens da literatura de horror, como os vampiros. Há ainda a questão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/night-of-the-living-dead-zombies.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1081" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="night-of-the-living-dead-zombies" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/night-of-the-living-dead-zombies-300x224.jpg" alt="night-of-the-living-dead-zombies" width="300" height="224" /></a>O maior problema para situar historicamente as primeiras aparições de zumbis na Literatura está na delimitação da representação apropriada da figura. Enquanto para alguns leitores para ser zumbi basta ser um morto-vivo (<em>undead</em>), outros acreditam que essa definição é problemática se considerarmos outras personagens da literatura de horror, como os vampiros. Há ainda a questão do imaginário de grande parte dos leitores estar relacionado com os zumbis de filmes como o de <a title="george a. romero" href="http://www.imdb.com/name/nm0001681/" target="_blank">George A. Romero</a>, seres violentos e primitivos com corpos já em evidente estado de decomposição.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos autores que melhor se aproximou dessa imagem antes mesmo dos filmes de Romero chegarem ao cinema foi H.P. Lovecraft, que em 1922 publicou <a title="herbert west: reanimator" href="http://www.dagonbytes.com/thelibrary/lovecraft/reanimator.htm" target="_blank">Herbert West: Reanimator</a> (sim, aquele filme foi adaptado dessa história). Na história de Lovecraft temos um elemento comum em muitas das tantas outras que viriam depois, a da ciência envolvida com o horror: os cadáveres sendo reanimados por conta de algum reagente misterioso (lembram do gás de <a title="a volta dos mortos-vivos" href="http://www.imdb.com/title/tt0089907/" target="_blank">A volta dos mortos-vivos</a> e de <a title="planet terror" href="http://www.imdb.com/title/tt1077258/" target="_blank">Planet Terror</a>?).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1080"></span>Como deve ter ficado claro, o cinema acabou conquistando um papel vital na construção do arquétipo do zumbi moderno, aqui incluindo não apenas Romero, mas diretores como <a title="lucio fulci" href="http://www.anica.com.br/2009/03/02/lucio-fulci/" target="_blank">Lucio Fulci</a>, que são fontes de inspiração para muito escritor que resolve se aventurar nesse nicho do horror. Aqui você poderá conferir dicas do <strong>Meia Palavra</strong> para cinco obras da literatura moderna que são exemplos dessa inspiração.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/world_war_z_book_cover.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1082" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="world_war_z_book_cover" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/world_war_z_book_cover-203x300.jpg" alt="world_war_z_book_cover" width="108" height="161" /></a>World War Z (Max Brooks)</strong>: Começar pelo melhor chega a ser injusto com os demais, mas o fato é que <em>World War Z</em> é um romance brilhante sob todos os aspectos, não só como história de zumbi. O narrador começa explicando que foi contratado para colher depoimentos dos sobreviventes da World War Z, e que como muita coisa foi deixada de lado nos relatórios oficiais, ele resolveu unir as histórias em um livro. Os relatos começam desde as primeiras aparições dos zumbis até o final da guerra, e têm o formato de &#8220;contos&#8221;, alguns deles terminando de maneira tal que você até precisa fechar o livro para recuperar o fôlego. Excelente, daqueles que até mesmo quem não gosta de zumbis deveria ler um dia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/celular_212.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1083" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="celular_212" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/celular_212-208x300.jpg" alt="celular_212" width="111" height="161" /></a>Celular (Stephen King)</strong>: A ideia começa de forma interessante, com um sinal de linha misterioso que afetou todo mundo que estava falando ao celular naquele momento, transformando essas pessoas em zumbis. Os primeiros momentos, e mesmo a descrição de como lugares conhecidos para a personagem mudam drasticamente passado um tempo depois do sinal de linha são muito bons, elevando a tensão a pontos altíssimos. O que estraga é a conclusão, que além de ser meio sem pé nem cabeça pareceu extremamente preguiçosa. Mas ainda assim vale a leitura, tanto para os que gostam de horror quanto para os que gostam de histórias de zumbis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/generation_dead.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1084" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="generation_dead" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/generation_dead-199x300.jpg" alt="generation_dead" width="107" height="161" /></a>Generation Dead (Daniel Waters)</strong>: Muito embora a sinopse possa passar a falsa ideia de que trata-se de uma <em>Malhação</em> com zumbis (ou um <em>Crepúsculo</em> com zumbis), averdade é que Generation Dead vai fundo em uma das características principais das histórias envolvendo mortos-vivos: o uso da alegoria para fazer crítica social. Aqui adolescentes  que acabaram de morrer simplesmente voltam dos mortos, e passam a viver como &#8220;pessoas comuns&#8221;. O problema é que são marginalizados, e é impressionante como do preconceito dos adolescentes que surge o real horror do livro. Muito interessante, e já tem continuação: <em>Kiss of Life</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/6a00c2251fecfa8fdb0109d0f5e4bf000f-500pi.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1085" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="6a00c2251fecfa8fdb0109d0f5e4bf000f-500pi" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/06/6a00c2251fecfa8fdb0109d0f5e4bf000f-500pi-185x300.jpg" alt="6a00c2251fecfa8fdb0109d0f5e4bf000f-500pi" width="109" height="161" /></a>The Laughing Corpse (Laurell K. Hamilton)</strong>: Em outra oportunidade eu comentei sobre a série da caça-vampiros Anita Blake, mas foi comentando o primeiro livro (e único que tem tradução disponível aqui no Brasil), <a title="vampiros na literatura" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/01/15/vampiros-na-literatura/" target="_blank">Prazeres Malditos</a>. Mas no segundo livro da coleção o que pesa mais é o fato de Anita ser uma &#8220;animator&#8221; e poder levantar mortos e controlar zumbis, com a história praticamente focada nisso. Ironicamente é um dos melhores livros da série, com alguns momentos em que a tensão é muito bem desenvolvida e claro, com o ótimo senso de humor ácido da protagonista e narradora Anita Blake. O negócio é torcer para que a Rocco volte a publicar as traduções.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu sou um zumbi apaixonado (Isaac Marion)</strong>: na verdade não é um livro, mas um conto. Mas um conto tão, tão legal que merece um espaço aqui nas indicações. Você pode ler <a title="zombie filled with love" href="http://www.burningbuilding.com/filledwithlove.htm" target="_blank">em inglês no site do autor</a>, ou ler <a title="tradução do conto" href="http://www.jesusmechicoteia.com.br/traduo-canhestra" target="_blank">a tradução do Marco Aurélio lá no Jesus me chicoteia!</a>, mas o importante é: <span style="text-decoration: underline;">leia</span>. Marion já publicou um livro que seria baseado nesse conto, o Warm Bodies, o problema é que ele lançou em tiragem limitada e no momento não tem como comprar, então só resta ler o conto mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Só para terminar</strong>:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Não sei se repararam em um padrão nessa lista de sugestões: quase todos não foram publicados aqui no Brasil ainda. Eu pessoalmente acho uma pena que um livro como<em> World War Z</em> não tenha tradução, e que as editoras brazucas estejam preferindo seguir o <em>hype</em> das histórias de vampiros e deixando de lado &#8216;n&#8217; títulos relacionados com zumbis, mesmo os que tem mais a ver com humor do que horror, como o <em>Pride and Prejudice and Zombies</em> do Seth Grahame-Smith. Fica a dica para as editoras aí: zumbis são legais. Zumbis pode ser engraçados, assustadores e até românticos, como nossas sugestões deixam claro. Vamos variar, minha gente.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">
<ul style="text-align: justify;">
<li>Não entrou na lista só porque ainda não li, mas continuo curiosíssima sobre o livro de zumbis do brazuca Antônio Xerxenesky, <a title="areia nos dentes" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2008/08/26/areia-nos-dentes-%E2%80%93-antonio-xerxenesky/" target="_blank">Areia nos Dentes</a>.  Se ainda não leu <a title="10 perguntas e meia" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/04/27/10-perguntas-e-meia-para-antonio-xerxenesky/" target="_blank">a entrevista com o autor aqui no <strong>Blog Meia Palavra</strong></a>, corre lá conferir porque está muito legal.</li>
</ul>
<p><a title="comente" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=3307" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2009%2F06%2F28%2Fzumbis-na-literatura%2F&amp;linkname=Zumbis%20na%20Literatura">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A crítica social de George Romero</title>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2008 18:22:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica Social]]></category>
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		<description><![CDATA[Talvez a principal contribuição do velho Romero à cultura pop sejam os adoráveis mortos que um dia resolvem levantar e sair atrás da gente. Na concepção de Romero, os zumbis são um reflexo da humanidade. O zumbi é o ser humano em estado puro, sem as amarras e limitações impostas pela vida em sociedade. Com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/1458317417_78130e487222.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2735" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="1458317417_78130e48722" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/1458317417_78130e487222.jpg" alt="" width="250" height="375" /></a>Talvez a principal contribuição do velho Romero à cultura pop sejam os adoráveis mortos que um dia resolvem levantar e sair atrás da gente. Na concepção de Romero, os zumbis são um reflexo da humanidade. O zumbi é o ser humano em estado puro, sem as amarras e limitações impostas pela vida em sociedade. Com essa definição, Romero imbuiu em seus filmes uma pesada crítica social contemporânea, não só em relação ao comportamento dos zumbis (como em Zumbi: O Despertar dos Mortos e em Terra dos Mortos), mas também em relação à situação e ao comportamento de todos os envolvidos no holocausto zumbi.</p>
<p style="text-align: justify;">A Noite dos Mortos-vivos, produção de 1968, tem por base a luta pela sobrevivência. Trata-se de um grupo de pessoas tentando sobreviver a uma situação extrema com os parcos recursos disponíveis. Armas com pouca munição, carros sem combustível, janelas sem grades. Paralelamente a isso, Romero buscou retratar a situação social americana daquele ano. Isso se percebe em diversos aspectos do filme, como no polêmico personagem Duane Jones (que, reza a lenda, foi contratado pelo simples fato de ser negro), que, além de ser a pessoa mais lúcida na casa-refúgio, ainda consegue impor a sua liderança de forma positiva, além de ser o único sobrevivente do cerco dos mortos à casa-refúgio, para, no final do filme, ser morto por um caipira de forma absolutamente estúpida e desnecessária. Com Duane Jones, Romero buscou retratar Martin Luther King Jr. e Malcolm X, líderes negros de destaque nos EUA e que foram assassinados, respectivamente, em 1968 e 1965.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-68"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O descrédito que recaía sobre o governo americano e a defesa nacional na época também é representado no filme, já que as autoridades oficiais se mostram praticamente incapazes de conter o holocausto zumbi que se inicia, tanto que o cerco à casa-refúgio só é quebrado com a ajuda de fazendeiros e outras pessoas da região. É interessante notar também a quebra de paradigma no que tange à ameaça do filme. Não são mutantes. Não são alienígenas. Somos nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Já em Zumbi: O Despertar dos Mortos, o alvo da crítica de George Romero passou a ser o comportamento consumista e preconceituoso do cidadão americano. O filme se inicia com uma invasão da SWAT a um edifício habitado por imigrantes hispânicos e afro-caribenhos que desrespeitaram a lei marcial imposta de entregar ao governo americano os mortos e feridos, visando reduzir e eliminar a praga dos mortos-vivos. A crítica à postura racista e segregadora americana em relação aos imigrantes e negros fica clara não no sentido óbvio dos zumbis do começo do filme serem negros e hispânicos, mas sim no sentido de que esses grupos se negam a cumprir as leis a eles impostas. Isso só se evidencia em um diálogo politicamente incorretíssimo, logo após a missão no prédio, em que Peter e Francine falam sobre quem eles perderam na epidemia (tradução minha):</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>Francine: E você, quem você perdeu?</p>
<p>Peter: Uns manos.</p>
<p>Francine: Manos de irmãos ou só&#8230; manos?</p>
<p>Peter: Os dois.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Com a chegada ao shopping center, o alvo da crítica muda, passando para os hábitos consumistas norte-americanos que transcendem a morte. Os zumbis se dirigem instintivamente ao shopping e são vistos, inclusive, fazendo compras, empurrando carrinhos transbordando mercadorias, roupas e comidas. Com isso, Romero quis passar a idéia do nosso impulso consumista de nos empanturrarmos de coisas que não precisamos, já que zumbis não precisam de comida, roupas, etc., pois estão mortos. Assim como nós, que empanturramos nossos carrinhos de coisas que não precisamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Dia dos Mortos, o apocalipse já se consumou. Os humanos vivem em fortalezas militares. Na fortaleza retratada no filme, um zumbi é capturado por um cientista e é usado como cobaia não para uma eventual cura (não há o que curar, Bub está morto), mas para uma re-socialização. Como disse antes, a definição de Romero para os zumbis nada mais é que o ser humano sem as amarras da sociedade. Neste terceiro filme da saga, a sociedade não existe mais. O homem não tem mais um parâmetro moral a seguir. Os habitantes da fortaleza, liderados pelo paranóico capitão Rhodes, vivem no limite da sanidade. Atos de agressividade e assassinatos são costumeiros dentre eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste filme não prevalecem os motivos de sobrevivência e o equilíbrio entre supérfulos e indispensáveis, mas sim o motivo de que o ser humano jamais enfrentará uma ameaça maior que ele mesmo. O espelho disto é Bub, o zumbi treinado pelo Dr. Logan, que é dócil e leal e, como uma criança, começa a descobrir (ou redescobrir) que o mundo ao seu redor é mais que abrir cabeças e comer miolos. Com isso, as diferenças entre os humanos e os zumbis diminuem, sendo que em momentos do filme o zumbi não representa a ameaça, mas sim uma ponta de esperança para o restabelecimento da sanidade naquela fortaleza.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Terra dos Mortos o mundo está totalmente desolado. Os zumbis disputam com os homens o domínio da Terra em pé de igualdade. Os mortos se organizaram, seguem um líder, possuem ambições e têm um mínimo de racionalidade, a ponto de estabelecerem uma trégua com os humanos, já que ambos não possuem nada e precisam reconstruir as suas sociedades a partir de ruínas. Big Daddy, o líder dos zumbis, foi concebido a partir da evolução intelectual demonstrada por Bub em Dia dos Mortos. Ele é o responsável pelo primeiro degrau na escala evolutiva dos zumbis, onde eles aprendem a se adaptar, aprender e até a se comunicar a partir de grunhidos e gemidos primitivos.</p>
<p style="text-align: justify;">Disparado o pior filme da franquia, Terra dos Mortos aproxima de forma definitiva os humanos dos zumbis. A premissa final do filme é que no fundo, tanto os homens quanto os zumbis são iguais e, como iguais, devemos aprender a conviver.</p>
<p style="text-align: justify;">No recente (e fraquíssimo) Diário dos Mortos, Romero apresenta, de forma bastante duvidosa, eventos que aconteceram paralelamente ao cerco à casa-refúgio da Noite dos Mortos Vivos. Ignorando que o filme original se passa em 1968, Romero apresenta uma sociedade completamente anacrônica em relação à época, com notebooks, celulares 3G, blogs, videocasts, etc. Talvez Romero pretendesse demonstrar que a Noite dos Mortos Vivos seria um evento contemporâneo, desprendido de limitações temporais. Essa demonstração foi alcançada, mas ao custo de comprometer a lógica da franquia inteira.</p>
<p style="text-align: justify;">Críticas à parte, o filme gira em torno de eventos que aconteciam em outros locais na fatídica noite em que os mortos se levantaram e começaram a subjugar os humanos. Filmado em perspectiva subjetiva (mais um herdeiro da Bruxa de Blair), Diário dos Mortos conta a história de um grupo de estudantes de cinema que, enquanto produzia um filme, é atacado pelos zumbis. O filme não chega a ser tão ruim quanto o Terra dos Mortos, mas deixa bastante a desejar, especialmente em relação aos primeiros dois filmes da saga. Entretanto, alguns aspectos são bastante relevantes e, apesar de inverossímeis para as pessoas com um mínimo de bom senso, não me surpreenderiam se efetivamente ocorressem. Nós vivemos uma época em que a informação não pode se dar ao luxo de não ser transmitida. A necessidade de assistirmos/ouvirmos/lermos chega a extremos, como no atual caso do assassinato de Isabela Nardoni, onde a imprensa armou um verdadeiro circo e não nos privou nem do mais ínfimo e particular detalhe da vida dos envolvidos, seja nos noticiários, seja nos YouTubes da vida. A necessidade de sabermos todos os detalhes (especialmente os mais sangrentos) cresce ao ponto da irracionalidade. O popular termo “link para o vídeo ou isso não aconteceu” ganha uma conotação cada vez mais doentia. Em Diário dos Mortos não é diferente. A necessidade de alguns dos membros do grupo de documentar chega a ser doentia, especialmente no ponto em que o personagem Jason prefere filmar a amiga sendo atacada por um zumbi a prestar algum tipo de auxílio. Inclusive o fatídico destino do personagem que, após ser mordido por um zumbi, entrega a câmera a uma amiga e suplica: “Shoot me.” Neste caso particular, o termo shoot me ganha uma ambigüidade interessantíssima, pois tanto pode significar que Jason queria que pusessem um fim ao seu sofrimento e o impedissem de, após morto, levantar-se como zumbi como também pode significar o ápice da loucura da disseminação da informação, no sentido de que seu último pedido era que o filmassem morrer e se reerguer como um zumbi.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da constante e gradual queda na qualidade dos filmes, a crítica social de Romero em momento algum deixou de ser atual e pertinente. É louvável o interesse do diretor de não só nos presentear com uma peça de entretenimento, mas também nos jogar na cara que o holocausto zumbi está acontecendo, mesmo que os mortos jamais tenham se levantado das tumbas.</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=1311"><strong>Comente esse post no Fórum Meia Palavra.</strong></a></p>
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