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	<title>Meia Palavra&#187; Entrevista</title>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Christopher Kastensmidt</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Mar 2011 16:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[A Bandeira do Elefante e da Arara]]></category>
		<category><![CDATA[Christopher Kastensmidt]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Nebula Awards]]></category>
		<category><![CDATA[O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara]]></category>

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		<description><![CDATA[Christopher Kastensmidt é norte-americano e vive há mais de 10 anos em Porto Algre, onde veio à trabalho nos tempos de diretor criativo de uma empresa de games. Autor da novela fantástica O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara, publicado pela Devir no livro Duplo Fantasia Heroica, Kastensmidt trabalha com a cultura e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/kastendsmith.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-8427" style="border: 0pt none;" title="kastendsmith" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/kastendsmith-1024x576.jpg" alt="" width="491" height="277" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Christopher Kastensmidt</strong> é norte-americano e vive há mais de 10 anos em Porto Algre, onde veio à trabalho nos tempos de diretor criativo de uma empresa de games. Autor da novela fantástica<strong> O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara</strong>, publicado pela <strong>Devir</strong> no livro <strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/31/duplo-fantasia-heroica/">Duplo Fantasia Heroica</a></strong>, Kastensmidt trabalha com a cultura e folclore brasileiros do século XVI. Publicado primeiro em inglês nos Estados Unidos, a novela que abre a série <strong>A Bandeira do Elefante e da Arara</strong> protagonizada pelo aventureiro holandês e o ex-escravo africano foi recentemente nomeada finalista de melhor novela do <strong>Nebula Awards</strong>, um dos principais prêmios de literatura fantástica dos EUA. Em entrevista ao <strong>Meia Palavra</strong>, o escritor fala do seu interesse pela cultura brasileira, as referências para sua série e, claro, da expectativa pelo Nebula Awards.<span id="more-8426"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. Por que escrever uma história no Brasil colonial? Onde surgiu esse interesse pela cultura daqui e pela fantasia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">História sempre foi uma paixão minha, especialmente a das épocas medieval e renascentista. Por isso, quando comecei a aprender português nos anos noventa, os livros de história foram alguns dos primeiros que li e estudei.</p>
<p style="text-align: justify;">Mitologia eu aprendi a gostar mesmo antes de história. As mitologias gregas e nórdicas foram alguns dos meus textos prediletos quando eu era criança. O folclore brasileiro é muito rico e me atraiu bastante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Os protagonistas de O Encontro Fortuito&#8230; não são brasileiros, e sim um holandês e um africano. Por que a escolha de personagens de outras nacionalidades, isso tem alguma relação com você mesmo por ser americano e morar aqui?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong>O conceito de “brasileiro” hoje não é o mesmo do Brasil do século XVI. Na época, o Brasil era uma colônia recém-descoberta e pouco estimada de Portugal, e pouquíssimas pessoas de origem europeia tinham nascido aqui. Os “brasileiros” foram os índios. Foi a mistura de culturas europeias, africanas e indígenas ao longo dos séculos que gerou a cultura brasileira atual. Por isso, considero Gerard e Oludara protagonistas altamente brasileiros! Mas acho que este ponto vai ficar mais clara ao longo da série.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, concordo que neste conto eles são estrangeiros mesmo, recém-chegados, e existe um motivo literário por isso. Colocar alguém em um lugar desconhecido é uma técnica que facilita a explicação da cultura local: o leitor vai descobrindo a cultura junto com os personagens. Já que escrevi o conto originalmente para leitores norte-americanos que em geral não conhecem nada da cultura brasileira, e esse é um aspecto importante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Qual foi o seu primeiro contato com a cultura brasileira, e que referências literárias e folclóricas você usou para a novela?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong>O meu primeiro contato com a cultura brasileira foi em 1997, quando vim prestar consultoria para empresas de software aqui. Adorei o povo e a cultura brasileira desde aquele primeiro encontro, e acabei me mudando para cá logo depois.</p>
<p style="text-align: justify;">De referências literárias brasileiras usei poucas, até porque existem tão poucas no estilo em que escrevo. As minhas influências literárias são estrangeiras, como os livros de Fritz Leiber e as antigas histórias de Robin Hood, para dar dois exemplos.</p>
<p style="text-align: justify;">De referências culturais e históricas, usei centenas, não dá nem para começar a citar essas obras. Mas para quem quiser conhecer mais sobre o século XVI sem ler textos pesados de história, recomendo muito os livros de Eduardo Bueno, da série Terra Brasilis. É uma leitura acessível e gostosa. Só que a série acaba uns vinte e cinco anos antes do começo da minha série, em que aconteceram alguns eventos importantíssimos no Brasil, como a fundação e destruição da França Antártida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. A ficção e fantasia não é um gênero muito lido aqui no Brasil. Quais obras e projetos de ficção do país você recomenda para quem quer começar a ler mais da produção nacional?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong>Para a fantasia curta, há séries novas e bem interessantes: Imaginários da Editora Draco e Sagas da Argonautas Editora (da qual vou participar no volume 3) são dois exemplos. Estas duas séries andam reunindo alguns dos melhores escritores de fantasia no Brasil hoje. Rumo à Fantasia da Devir Editora é uma coleção forte de escritores nacionais e internacionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Para romances, posso citar Raphael Draccon, Helena Gomes e Leonel Caldela como três escritores produzindo fantasias baseadas mais na tradição europeia. Para quem procura fantasia ambientada no Brasil, indico os livros da Saga de Tarajê, do Roberto de Sousa Causo, ou As Belas Terras, de Simone Saueressig (para adolescentes).</p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">
<p><strong>5. Você consegue imaginar uma &#8220;história da literatura de fantasia brasileira&#8221;? Há autores de nosso país que o influenciaram?</strong></p>
<p>Se está se referindo a fantasia com temática brasileira, são poucos autores que posso citar. Monteiro Lobato é um exemplo clássico. Mais recentemente temos Simone Saueressig (dos anos oitenta até hoje) e Roberto de Sousa Causo (dos anos noventa até hoje) que mencionei na pergunta anterior. Ouvi falar de mais alguns, mas poucos. É difícil chamar isso de uma “história”. Mas pode ser um belo começo para uma história, isso sim!</p>
<p><strong>6. O Encontro Fortuito&#8230; foi escrito originalmente em inglês. Como a história foi vista nos EUA, e como você recebeu a indicação ao Nebula?</strong></p>
<div style="text-align: justify;">
<p>A história foi muito bem recebida, além das minhas expectativas. Ela recebeu resenhas favoráveis e apareceu em algumas listas das melhores histórias do ano.</p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">
<p>Mas a minha indicação ao Nebula foi um verdadeiro espanto. Conheço este prêmio desde a minha infância, ele tem mais de quarenta anos e é o principal da área, junto com o Hugo. Cresci lendo livros com “Vencedor do Prêmio Nebula” escrito na capa. Foi a coisa mais longe da minha cabeça chegar a concorrer este prêmio algum dia.</p>
<p><strong>7. O que você acha da &#8220;onda&#8221; de romances históricos que vem invadindo o mercado editorial? É uma boa forma de estimular os leitores à História ou turva a concepção deles à respeito?</strong></p>
<p>Adoro romances históricos, desde Alexandre Dumas até James Clavell e além. São alguns dos meus livros prediletos. Eu acho que estimula o leitor à história, com certeza. Claro que o escritor precisa tomar algumas liberdades para criar uma boa narrativa, mas com talento vai colocar todos os detalhes certos para mergulhar o leitor na época. E o bom leitor vai procurar material didático depois para separar o fato (se o fato mesmo existe) da ficção.</p>
<p>Desde o lançamento da minha série nos EUA, mantenho um website (<a href="http://www.eamb.org/">http://www.eamb.org/</a>) para o leitor norte-americano que não sabe nada sobre o Brasil da época. Nele, coloco explicações sobre os elementos históricos, culturais e folclóricos que aparecem nas histórias. Para quem quiser aprofundar no assunto, acho que este tipo de material enriquece a experiência da leitura. Gosto do leitor que quer saber mais e faço tudo possível para ajudar. Agora existe uma versão em português também, e estou acrescentando conteúdo aos poucos.</p>
<p><strong>8. Alejo Carpenter, ao referir-se ao realismo fantástico latino-americano, disse que existe nessas paragens um caudal de mitologia que fomenta esse tipo de literatura. Na sua opinião o Brasil também possui tal caudal? Se sim, como estimular que ele venha à tona através da Literatura?</strong></p>
<p>Acho que existe esse caudal, sim, mas também existe certo preconceito. Ouvi um podcast recente detonando o folclore brasileiro como inferior a outros, que os seres não eram tão interessantes. O único que defendeu a riqueza do folclore brasileiro foi o Eduardo Spohr, grande escritor brasileiro de fantasia que admiro muito.</p>
<p>Para que essa mitologia venha à tona, o primeiro passo é o escritor levar ela a sério. O segundo passo é o leitor levar ela a sério.</p>
<p>Mas o meu conto está sendo bem recebido aqui no Brasil, muito melhor do que eu esperava. Acho que já é uma prova que o leitor aceita a mitologia brasileira na ficção quando ela é apresentada dentro de uma narrativa moderna.</p>
<p><strong>9. Apesar de todas as transformações que ocorreram, a Ficção Científica e a Fantasia ainda sofrem de um certo &#8220;preconceito&#8221; ou ao menos uma hesitação de parte do público e mesmo da crítica. O que apontaria no quesito potencialidades da Literatura Fantástica e da Ficção Científica? É um gênero promissor ou em crise?</strong>&lt;</p>
<p>A fantasia é um gênero muito promissor. Alguns críticos podem considerá-la um gênero bobo, mas há muitos críticos que cresceram com o gênero e trabalham apenas com ele. A Era Digital liberou o leitor a procurar uma crítica mais especializada, e o público encontra os críticos que respeitam o que eles querem ler.</p>
<p>Não faltam leitores de Literatura Fantástica hoje em dia, muito pelo contrário. Para dar um só exemplo, os livros de Harry Potter já superaram 400 milhões de vendas. Essa, sim, é uma série com efeitos culturais profundos. No Brasil, a Fantasia é um dos gêneros mais crescentes, com editoras mais tradicionais colocando obras inéditas no mercado.</p>
<p>Ao contrário, a Ficção Científica sofre um momento de crise. O otimismo científico dos anos sessenta e setenta caiu na corrida capitalista de tecnologia posterior. O leitor é mais informado e mais cínico hoje em dia, e as antigas pautas da FC, como, por exemplo, viagens extraterrestres, são mais difíceis de vender. Ao mesmo tempo, há muitos escritores utilizando a ficção científica para temáticas mais atuais e imediatas, como o meio ambiente. Não Verás País Nenhum é um exemplo perfeito, um dos grandes clássicos da área.</p>
<p><strong>10. Quando serão publicadas as novas histórias de A bandeira do elefante e da arara? Você já tem ideia de quantas novelas vão compor a série?</strong></p>
<p>Espero que saiam mais noveletas em breve! Tenho histórias prontas, mas publicação é outra questão. Estou em discussões sobre isso no momento, mas não posso anunciar nada oficialmente. Para quem quiser ficar a par do que está acontecendo na série, o website dispõe de opções de notificações automáticas para usuários de Twitter, Facebook e RSS (<a href="http://www.eamb.org/brasil/links-relacionados/">http://www.eamb.org/brasil/links-relacionados/</a>).</p>
<p>A respeito da série inteira, tenho planejado três grandes narrativas. “O Encontro Fortuito” é o começo da primeira narrativa, e planejo publicar mais sete noveletas e, eventualmente, juntar tudo com uma novela para fechar esta primeira parte. A segunda e terceira narrativas têm uma estrutura um pouco diferente, mas deixo isso para o leitor descobrir depois. De qualquer forma, há muito mais aventuras pela frente!</p>
<p><strong>1/2. Fantasia em 3D ou páginas&#8230;</strong></p>
<p>A leitura sempre será a minha mídia de primeiro amor, mas passei treze anos fazendo videogames e aprecio narrativas em todas as suas formas. Vivemos numa época inédita em maneiras de contar uma história, até dou aulas sobre isso. E o que eu não daria para ver van Oost e Oludara em 3D!</p>
</div>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><em>A Equipe do Meia Palavra agradece a atenção Christopher Kastensmidt e sua assessora Luciana Thomé e o parabeniza pela indicação ao Nebula Awards.</em></p>
<p><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6805" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FORUM MEIA PALAVRA</a></p>
</div>
</div>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Rafael Cortez</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2011 15:56:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Custe O Que Custar]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Cortez]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Bandeirantes]]></category>

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		<description><![CDATA[Rafael de Faria Cortez é jornalista, músico, ator e humorista brasileiro. Atualmente faz parte da equipe de jornalistas do programa humorístico Custe o Que Custar na Rede Bandeirantes. Além de diversos filmes publicitários, participou (entre os anos de 1998 e 2003) de produções independentes veiculadas nas redes CNT (TV Fantasia), Gazeta e Rede Mulher. Está no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/2-Rafa-Cortez_credito-Gustavo-Ferri.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8203" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/2-Rafa-Cortez_credito-Gustavo-Ferri-e1300386048549.jpg" alt="" width="241" height="535" /></a><strong>Rafael de Faria Cortez</strong> é jornalista, músico, ator e humorista brasileiro. Atualmente faz parte da equipe de jornalistas do programa humorístico <strong>Custe o Que Custar</strong> na Rede Bandeirantes. Além de diversos filmes publicitários, participou (entre os anos de 1998 e 2003) de produções independentes veiculadas nas redes CNT (TV Fantasia), Gazeta e Rede Mulher. Está no 12º episódio da série especial de Chico Buarque produção da R.W.R e Rede Bandeirantes, exibida em 2006 e comercializada para todo o Brasil. Em 2010 estreou como apresentador de rádio no programa Na Pegada da Metropolitana FM. Neste ano, Rafael lançará um CD com músicas apenas instrumentais que ele mesmo compôs. Com todo esse currículo, só faltava ele responder às 10 perguntas e meia do Meia Palavra!</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-8201"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1 &#8211; Você se candidatou primeiramente para ser produtor antes do CQC estrear, como foi que de produtor você virou repórter? Como faz para manter-se sempre tão afiado ao atuar como repórter pelo CQC?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Cheguei na entrevista de emprego com o diretor geral do programa e a diretora de produção e disse que tinha pensado bem&#8230; e que a vaga de produtor não me interessava, que queria a oportunidade de fazer o teste para repórter. O diretor então me disse que tudo bem, mas que eu deveria ir realmente bem&#8230; ou não me daria chance nem para ser cabo-man. Foi o tipo de pressão boa que me fez entrar nos testes mais concentrado e determinado.</p>
<p style="text-align: justify">Atualmente, minha maneira de me manter &#8220;afiado&#8221; nas matérias é seguir bastante minha intuição, tentar preservar a espontaneidade e, claro, conversar muito com a equipe sobre cada pauta, ler bastante, etc. Tô sempre de olho em tudo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2- No CQC, a equipe de repórters provoca tudo e a todos e uma vez você até foi detido em Cannes. Qual foi a maior enrascada que você se meteu e como fez para se livrar dela?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">Fui pego pelo chefe de segurança do presidente da África do Sul ano passado, em Johanesburgo, na Copa. Eu invadi o camarote do presida para falar com ele e seus convidados, como o Blater, Zidane, Desmon Tútu e o Mandela, se ele tivesse ido. Depois de uma ótima entrevista com o presidente, um muçulmano de 2,10 metros chamado Muhammed nos levou até um canto, confiscou nossas credenciais e queria nossa fita com todo o material gravado. Nós, obviamente, não íamos dar. Mas na hora em que ele nos disse que passaríamos a noite presos numa cadeia da África, eu e a equipe, tivemos de ceder. Foram 45 minutos de muita tensão e dias e dias seguintes para recuperar a fita e as credencias &#8211; elas vieram, mas nunca pudemos exibir minha entrevista com o Zuma.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3 &#8211; Como aprendeu violão clássico? Foi muito difícil aprender? Já pensou em dar aulas de violão?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">Aprendi ao longo de anos de estudos muito disciplinados, com a Ledice Ferndes, inicialmente, e depois com Henrique Pinto e Edelton Gloeden. Depois, meio desanimado com o clássico, fui estudar um violão mais brasileiro e moderno com a Badi Assad. Foi muito boa essa experiência. E sim, foi muito difícil aprender. Só consegui passar da pior fase pq eu gostava &#8211; e ainda gosto &#8211; muito do instrumento. E sim de novo, já dei muita aula de violão. Tive uma fase em que quase vivi só de aulas; devia ter uns 10 alunos. Mas isso acabou e eu nunca mais quero lecionar.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4 &#8211; Em breve você lançará um CD instrumental, o que podemos esperar desse trabalho?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">Algo verdadeiro, descompromissado com mídias e expectativas humorísticas. Na TV e nos teatros eu faço humor. Nesse CD, não há nenhum espaço para isso. É um disco intimista, autoral, emotivo e terapêutico, por assim dizer.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5 &#8211; O que toca no seu iPod enquanto você está na academia, Nara Leão ou Cartola?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">Nara. Acho que sou o único cara que malha ao som de Nara, João Gilberto e violão clássico. Hj apelei: malhei ouvindo Milton Nascimento.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6 &#8211; Como repórter surgem diversas oportunidades para entrevistar ídolos, você já entrevistou alguém de quem era muito fã? Qual dos seus ídolos, vivos ou mortos, você gostaria de entrevistar?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">Já entrevistei a Bethânia, de quem sou um fã devoto. E foi muito, muito ruim. Ela não gostou de uma piada minha e me deixou falando sozinho. Na hora me senti péssimo, e fiquei muito mal por semanas. Mas me orgulho, lembrando hj, de não ter &#8220;amarelado&#8221; com o princípio do meu trabalho só pq eu entrevistava uma ídola. Como repórter televisivo, o princípio do meu trabalho está no humor, obviamente. Há uma tendência de fazer bom-mocismo ou jornalismo de puxa-saco quando entrevistamos ídolos. Isso não é bom. Se eles são humanos como nós, tbm devem ser humanizados na comédia.</p>
<p style="text-align: justify">Ah sim&#8230; um ídolo que quero muito entrevistar? O maior, para mim: Chuck D, vocalista, fundador e líder de minha banda favorita, Public Enemy.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7 &#8211; E sobre a fama, o que você tem a dizer agora que é um rosto conhecido Brasil afora? Como fica o lado pessoal, família e amigos, com tantos compromissos?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">Tenho uma agenda cheia e sou hiper-ativo. Isso não me ajuda muito a manter grandes laços com a família, amigos e mulheres. Sou muito feliz fazendo o que faço: tenho meus shows, eventos, o CQC, programa de rádio, lanço meu CD daqui e pouco&#8230; mas pouca gente aguenta esse meu ritmo, e eu me vejo muitas vezes bem só.</p>
<p style="text-align: justify">Hj tenho público para tudo que faço, um público que respeito e honro. Mas não me sinto mais importante que ninguém, e tenho plena consciência que isso tudo pode ser uma fase. Acima de tudo, não me levo a sério. As situações muitas vezes constrangedoras a que eu mesmo me sujeito no CQC, mostram isso. A consciência de todas essas coisas mantém meus pés no chão.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8 &#8211; De onde surgiu a oportunidade de gravar audiobooks de Machado de Assis? Quais autores são os seus favoritos?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">Foi um convite da Sandra Silvério, editora da Livro Falante. Ainda nem havia CQC. Ela me chamou pois me viu numa peça infantil que eu fazia, e curtiu minha voz. Com a projeção do CQC, eu mesmo pedi que fizéssemos mais gravações, de modo a potencializar o audiolivro &#8211; que é algo pouco difundido no país.</p>
<p style="text-align: justify">Meus autores prediletos são Machado de Assis, Érico Veríssimo, Luís Fernando Veríssimo, José Mauro de Vasconcellos, entre muitos outros. E adoro os livros dos jornalistas Fernando Moraes, Ruy Castro, Caco Barcelos, etc.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9 &#8211; Você faz música e já fez teatro, mas e quanto a dança? Ouvimos dizer que você sabe algumas coreografias&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify">Eu danço muito mal. Só caio nessa roubada se estiver muito bêbado ou sem nenhuma noção de amor-próprio.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10 &#8211; Tem ainda alguma coisa que falta você realizar na vida?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não posso morrer sem lançar um bom livro.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10 e 1/2 &#8211; Fight the&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify">Power!! O Public Enemy já disse isso muito antes da gente.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agradece a atenção de Rafael Cortez e Thais Cortez</em></p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6733">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FORUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Ivo Barroso</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2011 14:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
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		<description><![CDATA[Ivo Barroso nasceu em Ervália, MG, em 1929. É um amante da Literatura desde a mais tenra idade, foi aluno da Faculdade Nacional de Filosofia no Rio de Janeiro, e tendo escolhida voltar-se às Letras, logo passou a traduzir poesia, contribuindo com suplementos e revistas da época. Foi encarregado pelos trabalhos da Coleção dos Prêmios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/Ivo.Barroso.jpg"><img class="size-full wp-image-7683 aligncenter" style="margin-top: 5px;margin-bottom: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/Ivo.Barroso.jpg" alt="" width="350" height="263" /></a>Ivo Barroso</strong> nasceu em Ervália, MG, em 1929. É um amante da Literatura desde a mais tenra idade, foi aluno da Faculdade Nacional de Filosofia no Rio de Janeiro, e tendo escolhida voltar-se às Letras, logo passou a traduzir poesia, contribuindo com suplementos e revistas da época. Foi encarregado pelos trabalhos da <em>Coleção dos Prêmios Nobel de Literatura</em>, ajudou Houaiss na <em>Grande Enciclopédia Delta-Larousse</em> e Carlos Lacerda na E<em>nciclopédia Século XX</em>. Ganhou diversos prêmios por suas traduções inclusive o Prêmio Jabuti pela tradução de <em>O Livro dos Gatos</em>, de T.S. Eliot, e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras, pelos esforços tradutórios em <em>Teatro Completo</em>, também de T.S. Eliot e Seu notável trabalho com a tradução inclui Shakespeare, Rimbaud, Eliot, Hesse, Calvino, Kazantzakis, Eco, Svevo e diversos outros. Além disso, pode ser encontrado no <a href="http://gavetadoivo.wordpress.com/" target="_self">Gaveta do Ivo</a>, seu blog.<span id="more-7682"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>01. Como a tradução chegou para você? Através da escrita, do amor a literatura, por necessidades financeiras&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify">Creio que pela curiosidade. Antes mesmo de ter conhecimentos linguísticos já tentava adivinham o sentido de palavras estrangeiras, um pouco assim como quem resolve enigmas ou mata palavras cruzadas. Mais tarde, já engatinhando em dois ou três idiomas, passava horas catando as palavras em precários dicionários de bolso que frustravam boa parte das minhas ilusões.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>02. Quais as armadilhas e as benesses da tradução da poesia? Ser poeta ajuda a traduzir poesia?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não posso imaginar um tradutor de poesia que não seja poeta. Poemas traduzidos em prosa deixam de ser poemas. Na tradução, em geral, as armadilhas são muitas e, em poesia, a principal é a frustração de nunca se alcançar a reprodução da totalidade do poema. Quanto às benesses, agrada-nos às vezes produzir um belo verso que poderia ser nosso.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>03. O que representa para você de ter seu nome associado com gigantes da literatura como T.S. Eliot, Hermann Hesse, André Malraux, Arthur Rimbaud?<br />
</strong><br />
Uma grande responsabilidade e muito exercício de estilo para não frustrar o leitor.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>04. No blog <a href="http://lendowalden.blogspot.com/" target="_self">LendoWalden</a>, Denise Bottmann tem mostrado como o processo de tradução mergulha fundo no universo do autor, tanto em relação ao contexto histórico como quanto a língua estrangeira bem como referências, informações biográficas, idiossincrasias etc. Que tipo de informações costuma levar em conta ao traduzir?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Como em geral só traduzo livros propostos por mim, fica implícita desde logo uma certa familiaridade com a(s) obra(s) do autor, inclusive com sua época, seus contemporâneos e sua biografia.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>05. No que a tradução mudou sua experiência de leitor? Alguma tradução o fez mudar de idéia em relação a algum autor ou obra?</strong></p>
<p style="text-align: justify">De idéia em relação a um autor, não; mas houve  uma que me fez mudar de vida. Quando li, primeiro em espanhol, o <em>Demian</em>, de Hermann Hesse, determinei-me a traduzi-lo para que outros, como eu, pudessem se beneficiar com minha experiência – o livro me ajudara a libertar-me (em grande parte) de uma timidez obsessiva, que me incapacitava  inclusive  para a literatura.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>06. Quando o ato de trazer ao vernáculo se torna uma arte?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Quando o tradutor consegue transpor o que está dito da maneira em que foi dito, ou seja, reproduzir integralmente o estilo do autor.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>07. O que pensa sobre a discrepância encontrada entre obras traduzidas e obras de escritores nacionais no mercado editorial brasileiro? Isso é um problema ou apenas questão de proporionalidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Em geral as obras traduzidas são <em>bestsellers</em> já consagrados em outros países e adquiridos por nossos editores já com essa garantia de vendas; daí o número de traduções superar grandemente o das obras produzidas no país, as quais, salvo algumas exceções, são sempre uma incógnita de vendagem. Observe que não me refiro à qualidade.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>08. Das &#8220;tendências&#8221; literárias atuais: qual sua opinião? A Internet é mocinha, vilã ou algo não tão dicotômico assim?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A Internet é uma ferramenta que pode ser muito útil e estimular inclusive, através da pesquisa (que é o seu forte), a leitura do livro-objeto. Mas acho ocioso pensar-se que ela será capaz de acabar com o livro, ou algo assim.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>09. Das traduções que tem no currículo, alguma pela qual tem algum apreço ou orgulho em especial? Alguma tradução na qual gostaria de ter seu nome?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A tradução em que, por necessidade do próprio texto, mais tive que interferir, numa espécie de criatividade paralela, foi <em>Os Gatos</em> (Old Possum´s Book of Practical Cats) de T. S. Eliot. A que me deu mais trabalho foi  <em>A Vida, modo de usar</em>, de Georges Perec. E a de que mais gosto são os (agora 50) Sonetos, de William Shakespeare.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. Você foi escolhido como um dos responsáveis pelas traduções das obras da Coleção dos Prêmios Nobel de Literatura, o que pensa que o Nobel representa para a Literatura Contemporânea? E sobre os últimos laureados, algum comentário? Apostas para 2011?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Representa, antes de mais nada, uma grande divulgação; o laureado passa a ser um escritor internacional, o que sem dúvida despertará a curiosidade dos leitores. Não entro na questão dos méritos, pois eu próprio tive algumas decepções. Quando morava na Suécia, fiz tentativas de promover a obra de Drummond junto à Academia Sueca, mas a grande frustração foi que ele morreu no ano em que teria sua maior chance de ser o escolhido.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2 &#8211; Entre a prosa e a poesia&#8230;</strong> Fico com ambas.</p>
<p style="text-align: justify"><em>(A equipe Meia Palavra agradece a atenção e cordialidade de Ivo Barroso)</em></p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6596">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Rubem Alves</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 14:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando recebemos o endereço para a entrevista nós jamais poderíamos imaginar que estávamos a caminho da casa do filósofo, escritor, educador, terapeuta e professor Rubem Alves. O espanto ao entrar foi inevitável (estamos na casa dele?), mas logo quebrado por uma recepção calorosa. O que se seguiu foi uma sequência de histórias contadas pelo escritor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/Rubem-Alves.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6098" title="Rubem Alves" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/Rubem-Alves.jpg" alt="" width="558" height="413" /></a>Quando recebemos o endereço para a entrevista nós jamais poderíamos imaginar que estávamos a caminho da casa do filósofo, escritor, educador, terapeuta e professor Rubem Alves. O espanto ao entrar foi inevitável (estamos na casa dele?), mas logo quebrado por uma recepção calorosa. O que se seguiu foi uma sequência de histórias contadas pelo escritor sem ao menos fazermos uma pergunta, e logo descobrimos que é impossível fazer uma entrevista de maneira linear com Rubem Alves, simplesmente por que ele é um contador de histórias fantásticas da sua longa experiência de vida. O mineiro Rubem Alves é professor emérito da Unicamp e autor de mais de 100 livros, da maravilhosa experiência que eles nos presenteou durante a visita em sua casa, tentamos traduzir em uma entrevista cativante, inspiradora e provocadora deste indescritível escritor.<span id="more-6094"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. Como aconteceu o seu primeiro contato com os livros e a leitura? Existiu algum “padrinho” ou o gosto partiu de própria curiosidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Lembro claramente, e lembro-me das minhas experiências de felicidade. Meu pai foi um homem muito rico antes de eu nascer, na década de 20. A riqueza dele vinha do fato de que ele tinha dois automóveis, e ele era exportador de café e dono de tudo na cidade. Ele tinha segundo ano primário, e uma das formas de se afirmar era comprando livros: Biblioteca de obras Célebres, enciclopédias&#8230; Ele aprendeu a falar francês por conta própria. Mas ele perdeu tudo e nós fomos para a roça, em uma casa em Boa Esperança (MG).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/Casa-de-Rubem-Alves.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6099" title="Casa de Rubem Alves" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/Casa-de-Rubem-Alves.jpg" alt="" width="535" height="360" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Casa de Rubem Alves em Boa Esperança (MG)</em></p>
<p style="text-align: justify;">E na biblioteca de obras célebres a história que mais me impressionava era a de Robinson Crusoé (Daniel Defoe – 1719) e havia uma pintura que me impressionava. Robinson Crusoé estava em uma ilha aparentemente deserta e em um belo dia ele viu uma marca de pé na areia, e a pintura mostrava o terror na face de Crusoé. E meu pai contava essa história quantas vezes quisesse.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra, antigamente as farmácias eram agentes da educação. Elas distribuíam os almanaques, livrinhos fininhos distribuídos por Biotônico Fontoura entre outros, e tinha almanaque de tudo quanto é jeito. E um dos almanaques distribuídos foi, talvez, a história mais famosa do Brasil: Jeca Tatuzinho&#8230; “Jeca Tatu era um pobre caboclo”&#8230;  E eu adorava aquilo, eu queria ser o Jeca Tatuzinho, decorei o livro do Jeca Tatu.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, a minha experiência de gostar de ler tem a ver com a outra pessoa lendo pra mim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Quais são seus autores favoritos na área da literatura? E quais os autores da área da educação que mais te influenciaram?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Eu não fui influenciado especificamente por autores de educação, eu fui influenciado por leitura de “outros”. Por exemplo, um que me influenciou demais é Nietzsche. Guimarães Rosa, Manoel de Barros que influenciou o moçambicano Mia Couto e o Angolano Ondjaki. Na literatura eu gosto dos autores com os quais me identifico e me encantam. Fernando Pessoa, Adélia Prado, Cecília Meireles, Mario Quintana. Também gosto dos meus livros (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Seus textos parecem revelar muito de seu cotidiano. O senhor acha que é nas percepções diárias que podemos exercitar nosso eu literário?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Pra mim funciona assim. As pessoas já me perguntaram várias vezes e até eu mesmo já me perguntei por que nunca escrevi um Romance. Por absoluta incompetência! O Romance tem princípio, meio e fim. Quando se escreve um romance, se faz uma filmagem, uma passagem do tempo. Eu não sou assim, eu sou um fotógrafo, registro momentos. Eu trabalho assim, dessa coisa que vi de repente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. Qual a relação possível (se ela existe) entre literatura e religião?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>A religião me inspira, há coisas maravilhosas nela. Um exemplo é o Saramago, ele era ateu, mas o livro dele “o Evangelho segundo Jesus Cristo” é uma coisa maravilhosa, religiosa. A religião inspira de duas maneiras: ela inspira inspirando mesmo, ou ela trabalha os horrores da religião.</p>
<p style="text-align: justify;">A alma humana não muda. Mudam os momentos e as formas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. Segundo dados da UNESCO a média de livros lidos por brasileiros em um ano é de apenas 1 (UM) exemplar. Existe alguma relação entre a leitura dos clássicos (obrigatória) no ensino brasileiro e o fato do por que os brasileiros lêem tão pouco? Os nossos jovens devem ler os clássicos na escola?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Para a leitura não pode haver o imperativo, na hora que se faz isso o texto amarga. Por isso quando as pessoas me perguntam o que fazer para adquirir o hábito da leitura eu respondo que não precisa de nada, absolutamente nada. Hábito é escovar os dentes, leitura é o que se pode fazer para amá-la e isso não tem técnica, o professor é que precisa querer partilhar com o aluno o fascínio da leitura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. Schopenhauer diz que “durante a leitura, nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios”, e acrescenta, “aquele que lê muito e quase o dia inteiro perde a capacidade de pensar por conta própria”. O senhor acredita que o excesso de leitura pode prejudicar nossa capacidade criativa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Vou te dar um exemplo. Quando eu era professor da Unicamp eu fui nomeado presidente da comissão para escolher os alunos candidatos a doutorado, e o preparo para o exame de doutoramento é um rol de livros que eles tem que ler. No dia do exame estavam todos os candidatos no corredor com suas fichas cheias de anotações, por que o exame era oral, você precisava conversar com o aluno. E eu sugeri aos meus dois companheiros de banca uma pergunta meio safada. Eu disse “vamos fazer uma só pergunta”, disse qual era a pergunta e eles concordaram. Entrava o aluno tremulo, sentava, e eu fazia a pergunta fatídica.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar.</em></p>
<p style="text-align: justify;">E uma aluna, que devia achar que todos nós éramos marxistas ferozes, começou a recitar um texto lá do marxismo e eu disse: “Já sei, já li isso. Eu quero saber o que você pensa não o que Marx pensou”. Então eu compreendi que uma das coisas que acontecem na universidade é que você começa a aprender a repetir, ou seja, desaprender.<br />
Então eu acredito sim, excesso de leitura é prejudicial.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. Com tantas práticas pedagógicas, autores, diretrizes e etc, como um estudante de pedagogia (ou licenciatura) pode se orientar para ser um bom professor no futuro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Eu quis muito ser pianista, estudei feito um alucinado. Aí na minha cidade nasceu um menino chamado Nelson Freire (10 anos de idade a menos que eu), e fez seu primeiro concerto de piano aos 4 anos de idade. Ele não aprendeu a tocar piano, já nasceu sabendo. “Aquilo que eu vou saber sem saber eu já sabia”, disse Guimarães Rosa. Não se ensina a ser poeta, você pode ensinar rima e apenas isso. Eu acho que não se ensina a ser mestre, você já nasce sabendo. Você pode ensinar equação do segundo grau, mas isso não é educar. Se tivesse regra para ser pianista eu teria sido um. O que se pode fazer para despertar esta vontade é ler biografias, porque você pode se identificar com a pessoa. Processo de identificação, não de saberes científicos. Alguns querem a ciência da educação, mas é a arte da educação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. No cenário da educação brasileira atual, qual é o papel do professor? E dos pais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Você pode fazer essa pergunta de duas formas: Qual deveria ser o papel e qual é o papel do professor e pais. São coisas completamente diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Deveria ser é o ponto ideal, o que eu espero de um professor. Eu espero de um professor que ele converse com os alunos olhando nos olhos, é isso que eu espero também dos pais, dêem tempo e atenção aos filhos.<br />
Agora, como é? “Mostra o boletim!”. É imperativo, obrigação, cobrança. Eu digo que os pais são os piores inimigos da educação, por que eles nem sabem o que é educação, não estão interessados em educação, eles estão interessados que os filhos tenham boas notas para passar no vestibular, isso é educação para eles.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. Qual seria o melhor método de avaliação antes de o jovem entrar na universidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Do ponto de vista legal, o vestibular existe por que há mais jovens aptos a entrar na universidade em relação ao número de vagas disponíveis. Para mim o problema do vestibular não é a questão de você ter um mecanismo para entrar na universidade, mas sim a sombra que ele lança para tudo que vem antes, um exemplo que não existe espaço para a poesia nas escolas, a não ser para questões técnicas, análises gramaticais. Também não há espaço para a leitura e apreciação de obras literárias, uma vez que disponibilizam resumos das obras do vestibular.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Então o problema é que o vestibular determina a filosofia de educação.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Na Unicamp nós fizemos uma reforma em que o que interessava era a capacidade de pensar do aluno. Um dos participantes do grupo sugeriu que o método de avaliação fosse uma redação. A princípio eu estranhei, mas logo eu compreendi que a redação é a única forma de avaliar a maneira de a pessoa pensar. E não há resposta certa ou errada, a redação mostra se a pessoa sabe pensar certo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10.  Em alguns de seus livros, o senhor demonstra ser um andarilho em busca de Deus e faz isso com maestria visitando diversas religiões. Chegou a alguma conclusão nesta busca.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Se eu chegasse a alguma conclusão, eu teria um ídolo em minha mão. Conclusão vem do latim “concluderi”, fechar. A minha conclusão é a seguinte: eu estou diante de um Grande Mistério, isso eu sei. E pra saber deste Grande Mistério eu não preciso ir até Fátima fazer peregrinação, eu vou na feira, na barraca das frutas corto, uma laranja ao meio e isso basta para que eu fique abobalhado diante daquela coisa fantástica. O que produziu aquilo?<br />
Eu estou diante de um Mistério e me extasio diante Dele e quando sinto isso, acho que eu rezo de tanto espanto do fantástico.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1/2. Ser Educador é..</strong>. Seduzir.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Equipe Meia Palavra agradece a atenção de Rubem Alves e sua Assessora Erika Luppe.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6200" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 Perguntas e meia para Lourenço Mutarelli</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2010 13:50:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lourenço Mutarelli é escritor, ator, dramaturgo e autor de histórias em quadrinhos brasileiro. Trabalhou nos estúdios Maurício de Sousa e durante o final dos anos de 1980 publicou duas histórias próprias: Over-12 e Solúvel, ambas impressas pela extinta editora Pro-C. Na literatura, escreveu os livros O Cheiro do Ralo, levado às telas por Heitor Dhalia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/lourenco_560.jpg"><img class="size-full wp-image-4706 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 5px; margin-bottom: 5px;" title="lourenco_560" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/lourenco_560.jpg" alt="" width="560" height="375" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lourenço Mutarelli</strong> é escritor, ator, dramaturgo e autor de histórias em quadrinhos brasileiro. Trabalhou nos estúdios Maurício de Sousa e durante o final dos anos de 1980 publicou duas histórias próprias: <em>Over-12</em> e <em>Solúvel</em>, ambas impressas pela extinta editora Pro-C. Na literatura, escreveu os livros <em><strong>O Cheiro do Ralo</strong></em>, levado às telas por <strong>Heitor Dhalia</strong> e com <strong>Selton Melo</strong>, <em><strong>O Natimorto</strong></em>, <em><strong>A Arte de produzir sem efeito de causa</strong></em>, <em><strong>Jesus Kid</strong></em>, <em><strong>Miguel e os demônios</strong></em> e em outubro foi lançado seu mais novo romance pela <strong>Companhia das Letras</strong>:<strong> <em><a href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/11/02/nada-me-faltara-lourenco-mutarelli/" target="_blank">Nada Me Faltará</a></em></strong><sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/11/22/10-perguntas-e-meia-para-lourenco-mutarelli/#footnote_0_4704" id="identifier_0_4704" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="clique no link para ler a resenha">1</a></sup>. Esse final de semana ele estará na <a href="http://www.livrariacultura.com.br/vira_cultura/index.asp" target="_blank">Vira Cultura </a>para autografar seu útimo romance. Leia agora as 10 perguntas e meia para Lourenço Mutarelli que o Meia Palavra fez.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4704"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1 &#8211; O seu novo romance <em>Nada me faltará</em> conta com uma ambivalência sobre loucura, cotidiano e, ironicamente, sobre a incomunicabilidade. Como foi trabalhar com esse desenvolvimento e essas temáticas usando apenas falas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Parti dessa ideia da fala justamente pelo diálogo, pelas dificuldades de  comunicação, que eu sinto que a gente vive muito hoje. Falamos, mas é dificil falar e ouvir. Eu percebo muito isso. E eu quis brincar um pouco com isso. Com isso que a gente vive sem ter narrador a não ser nossa mente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2 &#8211; Como é ver seus livros adaptados para o cinema?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu tive sorte de ter boas adaptações. Eu tenho dois livros adaptados (para o cinema), uma peça montada e outro livro adaptado para o teatro. Adaptações muito boas. Gosto muito de tudo que foi adaptado, mesmo com as diferenças. E gosto muito do olhar de quem fez esse trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3 &#8211; Quais as diferenças entre trabalhar com quadrinhos, literatura e teatro? Um trabalho influência o outro na parte criativa ou mesmo na inspiração?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu tenho a ideia, eu já sei de qual forma que vou desenvolver essa história. Acredito que talvez o desenho, quando faço quadrinhos, que eu levo muito mais tempo – acho que aí mesmo que o desenho não me ajude a ter uma ideia para um livro ou para uma outra coisa, minha cabeça está livre e muito mais solta e isso ajuda a ter idéias para outras coisas. Mas não sei se uma coisa influencia muito a outra. Eu sigo a melhor forma que existe para contar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4 &#8211; E quanto à publicação? Você penou muito para conseguir publicar seus trabalhos? Hoje em dia esse processo é mais fácil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi muito dificil começar, demorei quase dois anos para publicar. Na época fazia apenas quadrinhos. Comecei a publicar meu trabalho de forma independente através da PRO-C, na verdade era simplesmente uma impressora off-set. Hoje em dia é muito mais facil, chega um ponto que você pode escolher onde publicar e eu felizmente vivo esse momento. Estou numa editora, que é  a Companhia das Letras, que eu gosto muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5 &#8211; O que diferencia seus romances uns dos outros?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sempre tento experimentar muito mais na forma do que no conteúdo. Às vezes eu acho que estou fazendo um livro completamente diferente do outro, mas no fundo eu tenho a impressão que, quando isso se distancia, estou sempre fazendo o mesmo livro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6 &#8211;  Você se considera um criador de anti-heróis?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu acho que falo do ser humano e ele por natureza é um anti-herói. Nunca fui um leitor de super-heróis, sempre gostei mais de quadrinhos autorais. Os heróis nunca me convenceram.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7 &#8211; Existe o tal &#8220;bloqueio criativo&#8221; ou é falta de inspiração de autores?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu tive um bloqueio durante um ano. Achei que nunca fosse vivenciar até então. Eu reclamava que tinha muitas ideias e não dava para concretizá-las de uma vez. Foi uma experiência muito ruim esse bloqueio, uma coisa angustiante. Durou um ano entre 2007 e 2008 &#8211; passou, mas a sombra, o fantasma, ficou. Voltei a fazer várias coisas depois disso, mas ainda existe o medo porque eu sei que esse bloqueio foi real e não é nada fácil passar por isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8 &#8211; Quais são seus autores favoritos de quadrinhos e na literatura?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cada época tem um que é mais forte. Atualmente na literatura tenho lido, por indicação do Antonio Prata, Kurt Vonnegut (<em>Matadouro 5</em>, <em>Café-da-manhã dos Campeões</em>) que eu to gostando muito e quando descubro um autor tento ler ao máximo tudo dele. Mas sem dúvida meu primeiro autor de literatura, que me influenciou nos quadrinhos também, foi Kafka. Ele que me trouxe para a leitura. Antes eu tinha que ler livros para escola, que era obrigado a ler, e eu não tinha prazer nisso até encontrar <em>A Metamorfose</em> e descobrir a literatura. Nos quadrinhos tenho vários e é dificil escolher. O desenho do Munhoz, um argentino, me fascina muito. Tem uma série, dos clássicos mesmo: Will Eisner, Chester Gould (que fez Dick Tracy) e Hal Foster, do Príncipe Valente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9 &#8211; Há uma questão levantada sempre: brasileiro lê pouco? Você acha que existe resistência à leitura no país, preguiça ou isso não previlégio somente de brasileiros?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu acho que não é um privilégio só dos brasileiros. Outro dia eu conversei com um amigo argentino, porque se diz que na Argentina se lê muito, e ele revelou que lá se lê muito auto-ajuda. O Brasil tem a questão da televisão, que tem um peso muito forte, pessoal trabalha muito, percorre muita distância e chega em casa cansado e é mais fácil sentar e esvaziar a cabeça, no bom sentido, vendo televisão, telenovela. Ler é preciso tempo, concentração e tudo isso é cada vez mais dificil. Não sei se é um fenômeno apenas brasileiro – aqui é forte, mas acho compreensível.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 &#8211; Samuel Fuller dizia que &#8220;o cinema é como um campo de batalha&#8221;. O que seria a literatura na sua visão?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É uma batalha também, só que interna, que você trava sozinho. Quando faço quadrinhos, ouço música. Quando escrevo, não consigo. É uma batalha com seu interior e muito solitária. No cinema você trabalha com uma equipe, no teatro também, mas na literatura é praticamente impossível trabalhar em equipe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 1/2 &#8211; &#8220;Arte é&#8230;&#8221;</strong><br />
Uma doença.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja o teaser de <em><strong>Nada Me Faltará</strong></em>:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="595" height="359" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/9l_uni1ZHw8?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="595" height="359" src="http://www.youtube.com/v/9l_uni1ZHw8?fs=1&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5782" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_4704" class="footnote">clique no link para ler a resenha</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>10 Perguntas e meia para Fábio Moon e Gabriel Bá</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2010 16:34:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[10 pãezinhos]]></category>
		<category><![CDATA[David Lloyd]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Fábio Moon]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Bá]]></category>
		<category><![CDATA[Pixu]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto: Tomás Rangel Fábio Moon e Gabriel Bá são contadores de histórias. Fábio é formado em Artes Plásticas pela FAAP, gosta de dança de salão e músicas cantadas por mulheres. Gabriel é formado em Artes Plásticas pela ECA-USP, não lê jornal e gosta de estar na companhia dos amigos. Fábio e Gabriel são irmãos. Gêmeos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6 style="text-align: center;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/10/fabiomoongabriel.jpg"><img class="size-full wp-image-4348 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 5px; margin-bottom: 5px;" title="fabiomoongabriel" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/10/fabiomoongabriel.jpg" alt="" width="242" height="363" /></a>Foto: Tomás Rangel</h6>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fábio Moon</strong> e <strong>Gabriel Bá</strong> são contadores de histórias. <strong>Fábio</strong> é formado em Artes Plásticas pela FAAP, gosta de dança de salão e  músicas cantadas por mulheres.<strong> Gabriel</strong> é formado em Artes Plásticas pela  ECA-USP, não lê jornal e gosta de estar na companhia dos amigos. <strong>Fábio</strong> e <strong>Gabriel</strong> são irmãos. Gêmeos. Eles cresceram juntos, sempre moraram juntos e trabalham juntos. Já  publicaram no Brasil, Estados Unidos, Espanha, França, Alemanha e  Itália. Já ganharam os prêmios Jubuti, Eisner, Harvey, HQ Mix, Angelo  Agostini e o Xeric Foudation Grant.  Eles sabem que ninguém é uma ilha e a importância que uma pessoa tem na  vida de outra e é isso que eles querem contar em suas histórias.</p>
<p style="text-align: justify;">Para isso, eles criaram os <a href="http://10paezinhos.blog.uol.com.br/" target="_blank"><strong>10 Pãezinhos</strong></a>. Juntos. Agora os dois responderam juntos às 10 Perguntas e meia!</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4347"></span><strong>1. Como surgiu a idéia de trabalharem juntos com a &#8220;nona&#8221; arte? E a criação da 10 paezinhos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fábio</strong>- Somos gêmeos, sempre desenhamos juntos, ao mesmo tempo, crescemos  dividindo essa paixão. Acho que, quando trabalhamos juntos, essa paixão  pelos Quadrinhos é sempre maior do que quando colaboramos com outros  autores, então para nós é sempre mais prazeiroso um projeto conjunto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gabriel</strong>- Criamos o fanzine 10 Pãezinhos em 97 pra podermos mostrar aos  amigos da faculdade o que nós tanto amávamos nos Quadrinhos, todas suas  possibilidades. Já havíamos feito outros fanzines com outros autores,  mas somente quando fechamos o círculo somente em nós dois é que a coisa  realmente alavancou, pois temos uma sintonia muito grande. Foi  importante se fechar em um mundo mais restrito e aprender nosso ofício. O  fanzine foi nosso laboratório, nosso aprendizado a olhos nus.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Muitas pessoas acreditam que existem diferenças mínimas, umas parecem  com caneta, outras com pincel&#8230; Há diferença de traços entre os dois?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>F-</strong> Milhões, mas acho que várias são visíveis mais na diferença da técnica. Eu uso pincel e o Bá, caneta. O resto é subjetivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Entre os dois, quem é o mais criativo? Há uma competição de irmãos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>F</strong>- Existe uma competição saudável entre nós, uma busca de superação e de  crítica constante. Nossa competição não deixa a peteca cair.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>G</strong>- Antes de mais nada, existe a necessidade de agradar o outro, o leitor mais exigente. Somos muito críticos.</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>4. Outro dia entrevistamos David Lloyd e ele citou vocês como os  notáveis artistas de quadrinhos do Brasil e vocês também já ganharam o  Eisner, como é ter todo esse reconhecimento?</strong></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>F</strong>- O reconhecimento é o resultado de anos de trabalho e dedicação. Acho  que nossa busca por trabalhos mais autorais também cria um  reconhecimento pessoal, e não só do trabalho, que acho importante quando  trilhamos caminhos menos convencionais, ou menos comerciais, como  contadores de histórias. Acho ótimo, me incentiva a continuar sempre em  frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>G</strong>- O importante é trabalhar, se esforçar e se superar sempre. Se os prêmios ajudarem a destacar o trabalho, melhor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. Graças a esse reconhecimento vocês conseguem trabalhar com diversos artistas, há alguma ambição maior no quesito parceria?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>F</strong>- a melhor parceria é com o Bá, então estou no topo. Admiro, até  idolatro, alguns autores, mas a parceria precisa de mais do que isso,  precisa de uma sintonia que não acho que seria melhor do que a que nós  dois temos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>G</strong>- Toda parceiria depende muito de um projeto que a dê sentido. Pra nós  dois, trabalhar juntos é natural. Trabalhar com outro autor,  independente de quem seja, depende do projeto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/10/images.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4349" title="images" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/10/images.jpg" alt="" width="318" height="159" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. Gostariam que algum trabalho de vocês fosse adaptado para o cinema ou alguma outra mídia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>F</strong>- Ainda não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>G</strong>- Não tenho este desejo. Se acontecer, espero que seja bem feito, respeitando a história e a linguagem para qual for adaptado.</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>7. Por falar em adaptação, vocês ganharam o Jabuti pela adaptação de O  Alienista, como surgiu essa idéia? Vocês tem planos de lançar mais  alguma adaptação desse tipo?</strong></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>F</strong>- O Alienista foi feito a convite da editora. Fazer adaptações entra na  mesma categoria dos trabalhos com outros autores, é preciso haver uma  sintonia entre o que queremos contar e a história a ser adaptada. Temos  vontade, mas como fazer quadrinho demora muito tempo, estamos agora nos  concentramos nas nossas próprias histórias.</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>8. Muitos quadrinistas brasileiros vem sendo reconhecidos atualmente, os  quadrinhos brasileiros terão um destaque maior num futuro próximo? O  mercado aqui é muito competitivo ou é apenas restrito?</strong></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>F</strong>-Tudo depende de qualidade e esforço. O mercado está crescendo, o  interesse está aumentando, agora as editoras e os autores precisam  acompanhar esse movimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>G</strong>- O mercado nacional é muito pequeno, tá todo mundo no mesmo barco.  Publicando com editoras ou independentemente, o esforço maior vem dos  autores. Não tem competição.</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>9. Como foi escrever Pixu? Um quadrinho feito à oito mãos&#8230;</strong></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>F</strong>- Cada um dos autores era responsável por escrever um apartamento  dentro do prédio em que se passa a história, mas depois passávamos horas  discutindo os roteiros para manter a história coerente, para decidir  como era a melhor forma de misturar os capítulos, essas coisas. Deu  muito trabalho, mas esse era o desafio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>G</strong>- Primeiro partimos do que cada um queria contar, queria explorar  graficamente, decidindo então por uma história de terror. Depois cada um  desenvolveu os capítulos de seus respectivos personagens e fomos  entrelaçando as histórias pra contruir a tensão. Sabíamos tudo que iria  acontecer, mas só fomos ver o resultado final quando a história inteira  estava montada.</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>10. Quem são os maiores contadores de histórias no Brasil e no Mundo atualmente?</strong></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>F</strong>- Milton Hatoum, Fernando Meirelles e Laerte, no Brasil. No mundo, Neil  Gaiman, Murakami, Cristopher Nolan. Iñarritu, Del Toro, Cuaron, esses  cineastas de língua espanhola.  E a Pixar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>G</strong>- O Saramago morreu. O mundo era dele.</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>10 e 1/2: Quase nada ou metade de tudo? </strong></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>G</strong>- Metade é uma medida definida. &#8220;Quase&#8221; deixa uma abertura que nos agrada, uma incerteza.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8212;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A equipe Meia Palavra agradece a atenção de Fábio e Gabriel.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5643" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 perguntas e Meia para Daniel Waters</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 17:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Waters]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Zumbis]]></category>

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		<description><![CDATA[Daniel Waters é autor dos livros Generation Dead e Kiss of Life, uma série sobre zumbis que (infelizmente) ainda não tem tradução no Brasil.  Apesar de não divulgar por aí informações básicas como local e data de nascimento, o escritor é bastante aberto ao contato com os  leitores, mantendo um blog constantemente atualizado com informações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/generationdead.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2843" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/generationdead.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Daniel Waters é autor dos livros <em><a title="generation dead" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/06/28/zumbis-na-literatura/" target="_blank">Generation Dead</a></em> e <em>Kiss of Life</em>, uma série sobre zumbis que (infelizmente) ainda não tem tradução no Brasil.  Apesar de não divulgar por aí informações básicas como local e data de nascimento, o escritor é bastante aberto ao contato com os  leitores, mantendo um <a title="daniel waters" href="http://watersdan.blogspot.com/" target="_blank">blog</a> constantemente atualizado com informações sobre o processo de escrita de seus livros.  Então, torcendo para que <em>Generation Dead</em> chegue logo em português por aqui, é com muito orgulho que trazemos para vocês nosso primeiro 10 perguntas e Meia internacional. Por questão até de clareza publicaremos a tradução da entrevista junto com o original. A tradução é de Gabriel O. Brum (o <a title="tilion" href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/tilion/" target="_blank">Tilion</a>).</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Livros e filmes de zumbi normalmente passam uma ideia de crítica à nossa sociedade. Quando você escreveu Generation Dead, você estava pensando em algo mais do que uma história de horror?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sim, com certeza. Ou pelo menos em tipos diferentes de histórias de horror.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. Qual é sua opinião sobre essa febre de livros de vampiros para adolescentes? Teve algum que você já leu e gostou?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Acho que a febre pelos vampiros é ótima, especialmente porque ela levou de maneira bem natural a uma febre por zumbis.</p>
<p style="text-align: justify">Na verdade não li nenhum dos livros de vampiros para adolescentes mais recentes.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-1331"></span><strong>3. Quais são seus filmes de zumbi favoritos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">The Stepford Wives [no Brasil, Mulheres Perfeitas/As Possuídas] e Invasion of the Body Snatchers [Vampiros de Alma] (gosto mais do original). Se preferir o gênero mais tradicional, com Romero não tem erro, mas meu favorito sempre foi Return of the Living Dead [A Volta dos Mortos-Vivos].</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Que outros livros você recomendaria para alguém que já leu Generation Dead e Kiss of Life?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Hm. Acho que depende se os leitores gostaram deles ou não!</p>
<p style="text-align: justify">Acredito bastante na variação entre gêneros. Se os últimos vinte livros que você leu foram sobre vampiros, zumbis e elfos, dê um tempo e leia algum tipo de ficção realista. Ou mesmo não-ficção. Misture os gêneros.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5. Qual foi o último livro que fez com que você ficasse com medo?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Uma biografia sobre o meu quadrinista favorito, Wally Wood. Acho que se chamava Against the Grain. A obra me fez perceber como muitos dos meus ídolos criativos cometeram suicídio.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. Como você acha que a Internet pode ajudar os autores a divulgarem seus livros?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Para mim, a melhor coisa que a Internet pode fazer por um autor é ajudá-lo a entrar em contato com seus leitores. Isso cria uma experiência mais abrangente e interativa para os leitores e ajuda autores velhos e solitários como eu a sentir que podem estar fazendo alguma diferença nas vidas das pessoas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Qual sua opinião sobre o download de livros?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Acho ótimo. É claro que ainda nenhum dos meus livros está disponível para download!</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. Que dicas você daria para um autor que está começando a escrever?</strong></p>
<p style="text-align: justify">1. Escreva todo dia. 2. Leia todo dia.</p>
<p style="text-align: justify">Se você quiser escrever profissionalmente, eu acrescentaria 3. aprender como receber um golpe.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. É dificil assustar as pessoas hoje em dia? Será que quando há um pé na realidade as pessoas procurem mais os livros que misturam realidade e ficção do que os totalmente fictícios?</strong></p>
<p style="text-align: justify">O mundo é um lugar assustador e é difícil competir com a realidade. Mas se você consegue fazer com que as pessoas se importem com seus personagens e as situações pelas quais eles passam, você sempre pode assustá-las.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. O que é mais dificil fazer: moldar personagens para espelhar a sociedade ou um nicho que vai se criticar ou pegar atributos de pessoas reais e transformá-los em algo fantástico?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não sei o que é mais difícil, pois nunca tentei moldar meus personagens com base em pessoas reais. Sei que sempre incorporo a vida real (ou pelo menos a minha percepção distorcida da vida real) nas minhas obras, mas provavelmente sou mais como um corvo que cata objetos brilhantes aqui e ali do que o tipo de fera que engole as coisas inteiras.</p>
<p style="text-align: justify">Entendi corretamente a sua pergunta?</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2. Se hoje fosse o Z day&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify">&#8230; eu tentaria me tornar menos saboroso.</p>
<p style="text-align: justify">
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/08/kissoflife.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1333" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/08/kissoflife.jpg" alt="kissoflife" width="259" height="388" /></a></strong><em>No original</em>:</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Zombie books and movies are usually seen as a critical take on our society. Were you thinking about something that was more than just a horror story when you wrote Generation Dead?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Yes, absolutely. Or different kinds of horror stories, anyhow&#8211;</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. What do you think about this craze of vampire books for teenagers? Is there any that you have read and liked?</strong></p>
<p style="text-align: justify">I think the vampire craze is great, especially as it led quite nature to a zombie craze.</p>
<p style="text-align: justify">I actually haven&#8217;t read any of the more recent teen vampire books.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. What are your favorite zombie movies?</strong></p>
<p style="text-align: justify">The Stepford Wives and Invasion of the Body Snatchers (I&#8217;m most fond of the original). For more traditional faire you can&#8217;t go wrong with Romero, but my favorite was always Return of the Living Dead.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. What other books would you recommend to someone who has already read Generation Dead and Kiss of Life?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Hm. I guess it depends if they liked them or not!</p>
<p style="text-align: justify">I&#8217;m a big believer in cross-genre pollination. If you the last twenty books you&#8217;ve read have been about vampires, zombies, and elves, take a break with some realistic fiction. Or nonfiction, even. Mix it up.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5. What was the last book that frightened you?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A biography about my favorite comic book artist, Wally Wood. I think it was called Against the Grain. It made me realize how many of my creative idols committed suicide.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. How do you think the Internet can help authors in advertizing their books? </strong></p>
<p style="text-align: justify">The best thing, to me, that the Internet can do for an author is help he or she get in touch with their readership. Doing so provides a more well-rounded, interactive experience for the readers, and helps lonely old authors like myself feel like they might be making a difference in people&#8217;s lives.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. What do you think about downloading books? </strong></p>
<p style="text-align: justify">I think it is great. Of course, none of my work is available for download at this time!</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. What advices would you give to an author who is getting into writing?</strong></p>
<p style="text-align: justify">1. Write every day 2. Read every day</p>
<p style="text-align: justify">If you want to write professionally, I would add 3. learn how to take a punch.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. Is it hard to scare people nowadays? Is it possible that when there is a foot in reality people look more for books which blend reality and fiction than the ones that have a completely fictional backdrop? </strong></p>
<p style="text-align: justify">The world is a scary place, and it is difficult competing with reality. But if you can make people care about your characters and their situations, you can always scare them.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. What is more difficult to do, to shape characters in order for them to reflect society or a specific niche that you intend to make a criticism about, or to get attributes from real life people and change them into something fantastic?</strong></p>
<p style="text-align: justify">I don&#8217;t know which is harder, because I&#8217;ve never tried to model my characters off of real people. I&#8217;m sure that I&#8217;m incorporating real life (or my warped perception of real life, anyway) into my writing all the time, but I&#8217;m probably more like a crow that picks up shiny objects here and there rather than the type of beast that swallows things whole.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2. If today was the Z-Day&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify">I would try and become less tasty.</p>
<p style="text-align: justify"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=3691" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 perguntas e Meia para Carlos Reichenbach</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2009 12:40:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Reichanbach]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

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		<description><![CDATA[Carlos Reichenbach, o Carlão, nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 14 de Junho de 1945. Cursou a Escola de Cinema de São Luiz, onde foi aluno de Luis Sérgio Person. Considerado um dos mais importantes realizadores paulistas, Reichenbach teve sua obra reconhecida internacionalmente em 1985 no Festival de Rotterdam, Holanda, onde [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img class="size-medium wp-image-876 aligncenter" style="border: 0pt none;margin-top: 5px;margin-bottom: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/uploads/2009/05/carlosreichenbach300dpi-300x299.jpg" alt="carlosreichenbach300dpi" width="300" height="299" /></p>
<p style="text-align: justify">Carlos Reichenbach, o Carlão, nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 14 de Junho de 1945. Cursou a Escola de Cinema de São Luiz, onde foi aluno de Luis Sérgio Person. Considerado um dos mais importantes realizadores paulistas, Reichenbach teve sua obra reconhecida internacionalmente em 1985 no Festival de Rotterdam, Holanda, onde participou com seus filmes por cinco anos consecutivos. Foi por duas vezes premiado pela Cinemateca Real de Bruxelas, recebeu com ALMA CORSÁRIA, o prêmio dos 30 anos do Festival do Novo Cinema de Pesaro. Em 2001, após ter sobrevivido a três infartos do miocárdio e ganhar três pontes de safena e uma mamária, foi o primeiro cineasta a receber o Troféu Eduardo Abelim, no 29° Festival de Gramado. Recebeu também o troféu Barroco, pela obra, na 3ª Mostra de Cinema Brasileiro de Tirandentes, Minas Gerais, e o troféu especial do Guarnicê de Cine-Vídeo, em São Luiz do Maranhão.Tem exercido, esporadicamente, a função de crítico e ensaísta em diversas publicações, assinou durante dois três duas prestigiadas colunas semanais de cinema em sites específicos, participado de inúmeros cursos e palestras sobre o filme brasileiro no Brasil e exterior, lecionou cursos de roteiro cinematográfico em diversos lugares, fez parte da diretoria e conselho de diversos órgãos de classe cinematográfica e foi, durante quatro anos, titular da cadeira de direção cinematográfica e &#8220;expressão em cinema e vídeo&#8221;, do curso de cinema e vídeo da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo. Reichenbach mantém um blog sobre cinema e assuntos em geral, o <a href="http://olhoslivres.zip.net">Olhos Livres</a>, e promove a Sessão do Comodoro no Cinesesc.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-875"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Por que filmes? Por que a sétima arte?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – O polonês Jerzy Skolimowski costuma afirmar que o cinema é “o conglomerado de todas as artes”. É pintura, dramaturgia, literatura e música. É de todas as artes a que mais rapidamente nos coloca em contato com outras culturas. Apesar de uma sólida formação literária (sou neto, sobrinho e filho de editores) e – acredito &#8211; uma razoável formação musical (paguei meus estudos de cinema – nos anos 60 &#8211; como tecladista eventual), escolhi o cinema como meio de expressão pela sua abrangência e para sublimar minha total incompetência para o desenho e o traço. Acabei exercendo também as funções de operador de câmera e diretor de fotografia em mais de 30 longas metragens para satisfazer meu fascínio pelas artes plásticas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. Cinefilia é um tipo de estudo para entender e realizar cinema?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – Inicialmente, a cinefilia não é uma ciência, mas a prática que é fruto da paixão pela linguagem do cinema. O verdadeiro cinéfilo é antes de tudo um garimpeiro. Sua meta é a prospecção isenta de preconceitos. A ciência surge quando o cinéfilo consegue detectar as pepitas autênticas, antes que elas sejam “oficializadas”. Nem todo cineasta é cinéfilo e poucos cinéfilos<br />
se tornam cineastas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. O que é preciso para ser um diretor? Qual o diferencial? Você pode citar quais diretores ainda mexem com você depois de tantos anos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – O ideal seria que todo diretor soubesse dominar plenamente a gramática (ou a sintaxe) do cinema; que conhecesse (ou tivesse exercido em algum momento) profundamente todas as funções técnicas e artísticas de seu métier. Mas, na prática, sabemos que não é isso que acontece. Sinceramente, não levo a sério diretores que não tenham estudado com alguma profundidade história da arte, ciência política, literatura, filosofia, música erudita; que nunca tenham se interessado pelo teatro, pelas artes plásticas ou desenvolvido algum talento musical. Grandes diretores devem amar os atores como Joseph L. Mankiewicz e Elia Kazan, o teatro épico como Welles e Kurosawa, a filosofia como Carl Th. Dreyer, a ópera como Visconti e Bertolucci, o jazz como Clint Eastwood, o homem comum como Eisenstein e Pasolini, os grandes espaços como Anthony Mann, a aventura como Samuel Fuller e Howard Hawks, a poesia como Cocteau e Jean Renoir, a lenda como Mizoguchi, a música clássica como Jean Luc Godard ou o homem brasileiro como Humberto Mauro e Nelson Pereira dos Santos. De todos os grandes, o que mexe comigo – até hoje – é Fritz Lang; parafraseando Goard a respeito de Nicholas Ray (o poeta ecológico), Fritz Lang é o cinema.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Acredita que existe uma elite dominando o cinema brasileiro? Se existe: qual o impacto que ela causa na qualidade do que é produzido?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – Não acho que exista uma elite (o que poderia pressupor qualidade), mas uma “filosofia” (fundamentada na política do borderô). Ora, essa é a política mais furada que existe. Pode-se falar – hoje &#8211; em cinema comercial, mas não existe mais o filme popular; pelo menos, não no sentido que existia até a década de 80, quando o cinema era acessível ao público C e D (que sempre foi fiel ao cinema brasileiro). Até o começo dos anos 80 o ingresso custava uma passagem de ônibus. O público C e D lotava as salas para ver os nossos “filmes de gênero”: a chanchada, o filme de cangaço, o policial urbano (colhido das manchetes dos jornais baratos), o musical caipira, as comédias eróticas, etc. Com o advento dos cinemas de shopping e o custo exorbitante do ingresso, esse público sumiu. Cinema comercial hoje nada tem de popular; se não é a “carta marcada” do best seller (que dá certo no mundo todo) e sucata ou contrafação da teve aberta. O resto é produção subvencionada (necessária, claro!) que é arremessada nas salas de cinema sem nenhum critério.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5. O que estamos vendo é mesmo um bloqueio criativo de Hollywood ou os remakes são mesmo só uma fase de saudosismo?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – Existe uma crise mundial na produção de filmes, de certa forma causada pelas transformações tecnológicas. No Japão, a revolução digital (tanto na questão da captação, da finalização, quanto – e, sobretudo &#8211; na exibição) provocou a falência dos grandes estúdios como a Daiei ou a Toho.  O cinema americano sentiu o golpe à sua maneira e até agora não conseguiu resolver qual o sistema de exibição vai adotar no futuro (em parte por não querer adotar o sistema ideal inventado pelos japoneses). Isso está se refletindo dramaticamente na qualidade dos filmes, que hoje são apenas uma parte do “evento cinematográfico”. Para dar certo, o filme precisa gerar outros produtos. O “remake” é efeito deste “fenômeno”.</p>
<p style="text-align: center"><img class="size-large wp-image-878 aligncenter" style="border: 0pt none;margin-top: 5px;margin-bottom: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/uploads/2009/05/carlosreichenbachboadef1-1024x689.jpg" alt="carlosreichenbachboadef1" width="553" height="372" /></p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. Um Certo Capitão Rodrigo, filme com de 1971, protagonista Francisco Di Franco, o gato da época, foi visto pelas gurias escondido dos pais e incentivado por professores, para que tivéssemos uma idéia melhor do cinema brasileiro, visto que fora o estilo já citado, havia o pastelão e os regionalistas. Hoje você consegue ver com distanciamento daquele tempo e os trabalhos que foram feitos, imagino. Quais as tendências e os interesses dos cineastas da época? Por trás existia uma critica ao falso moralismo da ditadura?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – Inconscientemente, talvez. Havia – na época – uma censura muito rígida. De certa maneira, os filmes eróticos buscavam transgredir as rédeas da censura vigente. Era praxe, no início dos anos 70, se proibir todo filme que não explicitava sua posição política. Bastava mostrar seca e miséria, que a censura caia em cima. Filmes como ORGIA, OU O HOMEM QUE DEU CRIA, de João Silvério Trevisan (que eu fotografei) e REPÚBLICA DA TRAIÇÃO, de Carlos Ebert, foram vetados, porque não foram entendidos pelos censores. Na época, para que um filme brasileiro pudesse ser exibido nos cinemas (ou ser exportado), era necessário receber o “Certificado de Filme Brasileiro”; ora, quem emitia o tal certificado era justamente a Censura Federal! Um absurdo! Houve tanta reclamação que o governo mandou arrefecer a rigidez da censura. Foi nesta época que começaram a surgir as comédias de teor picante, inspiradas no sucesso de alguns filmes italianos (como MULHERES PERIGOSAS, ALTA INFIDELIDADE e O SUPERMACHO); assim surgiram sucessos estrondosos do cinema nacional como A VIÚVA VIRGEM, de Pedro Rovai e OS PAQUERAS, de Reginaldo Farias. Na esteira do sucesso deste dois filmes veio uma enxurrada de contrafações que nem a censura e nem o governo conseguiram segurar. O resto é história.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Em Falsa Loura, Alma Corsária e Filme Demência você invoca entidades para agir num mundo &#8220;real&#8221;, como musas citando alguma passagem da literatura. Você pensa nisso desde a concepção do roteiro? Como é o processo para invocar uma entidade (ou musa) numa cena chave?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – Às vezes, essas “entidades” surgem no processo de escritura do roteiro, como forma de apresentar a minha “carta de intenções”. Em ALMA CORSÁRIA, a morte é mostrada como uma benção para o poeta tísico; uma mulher linda, vestida de negro, à beira do rio (numa assumida influência de Mizogushi. A presença do rio, como elemento que une e separa os personagens – como em ALMA CORSÁRIA e DOIS CÓRREGOS &#8211; é presença constante em Renoir e nos filmes mais poéticos de Mizogushi. Isso esteve sempre presente nos roteiros. Já em FALSA LOURA (as citações de Sócrates pela boca da “deusa oblíqua”) ou a súmula do discurso “irracionalista” de Oswald Spengler, pela boca do personagem fascistóide de Selton Mello (em GAROTAS DO ABC) surgiram alguns dias antes das filmagens, motivados pela necessidade que senti de subverter o andamento que estava se configurando. Em uma das melhores seqüências de LILIAN M, RELATÓRIO CONFIDENCIAL, de 1974, surpreendi um dos atores principais, um dia antes da filmagem, entregando duas páginas de diálogo para ele decorar; tratava-se de um famoso discurso de Rui Barbosa , em Haia, que o personagem repete deitado na esteira de uma sauna para homens. Em resumo, se em algum momento da filmagem me soar a impressão que a realização da obra está se prefigurando burocrática – ou mesmo careta – eu arrumo um jeito de colocá-la fora dos eixos. Como bem disse o poeta e editor anarquista Roberto das Neves, “é essencial cultivar sempre um mínimo de má reputação”.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. Seus filmes espelham todos os seus fetiches: cinema (em Garotas do ABC há homenagem a Sganzerla e Fritz Lang), livros, vestais, etc. Você faz cinema para entender seu tempo e a si mesmo?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – Sempre. O saudoso cine-poeta Sergio Bernardes Filho dizia que fazia filmes (que – infelizmente &#8211; muito poucos viram) para não enlouquecer. Eu concordo com número e grau. São vozes que ficam na sua cabeça, imagens que vem, somem e voltam a toda hora, tesões inesperados, sentimentos sublimados&#8230;. O filme só tem sentido quando é fruto de um dilaceramento, quando amplia minha forma de enxergar o mundo, os outros e a mim mesmo. “SYRIANA”, “GUERRA SEM CORTES”, “O ACOMPANHANTE”, “BOA DIA, NOITE”, “OS ANJOS EXTERMINADORES”, “A CIDADE DOS SONHOS”, “FINE DEAD GIRLS”, “ARRIVEDERCI, AMORE CIAO”, ‘SERRAS DA DESORDEM”, “CRIME DELICADO”, e o vídeo “ISTO É MEU E MORRERÁ COMIGO”, de Fabio Carvalho, são obras que me ajudaram a compreender a década que estamos vivendo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. Você gostaria de adaptar algum livro favorito para o cinema? Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – Nunca pensei em adaptar livro nenhum para cinema porque o filme – para mim – começa no papel. Minha formação é literária e minha primeira ambição foi escrever. Acho, no entanto, acho que vários livros mereciam ser filmados. (não pó mim, especificamente). Se tivesse dinheiro eu iria produzir filmes. Seria fantástico ver Nelson Pereira dos Santos filmando Rosário Fusco (“O Dia do Juízo”) ou Walter Lima Junior adaptando Dyonélio Machado (“Passos Perdidos”). Eu produziria – com muito prazer &#8211; outros diretores (como Beto Brant, André Klotzel ou Hermano Penna) refilmando obras essenciais da dramaturgia paulistana de Abílio Pereira de Almeida, como “Paiol Velho” (sobre a decadência do café) e “Santa Marta Fabril” (sobre o boom da indústria têxtil); eles seriam capazes de “traduzir” cinematograficamente a importância e a excelência dramatúrgica destes textos. No entanto, eu estaria sendo hipócrita se não revelasse que, assim como Glauber Rocha, Jorge Bodanski e tantos outros, pensei seriamente em filmar um dia o nosso maior épico contemporâneo: KUARUP, de Antônio Callado. Mas o filme de Ruy Guerra serviu para atestar o velho e batido truísmo de que “grandes livros não costumam render grandes filmes”. As exceções de Nelson Pereira dos Santos (VIDAS SECAS e MEMÓRIAS DO CÁRCERE), Roberto Santos (AUGUSTO MATRAGA) e Leon Hirzmann (SÃO BERNARDO) parecem confirmar a regra. Aliás, não deixa de ser curioso que Graciliano Ramos tenha sido o escritor mais bem “compreendido” pelo cinema brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. O que podemos esperar do seu próximo projeto (Um Anjo Desarticulado)?</strong></p>
<p style="text-align: justify">RESPOSTA – Não tenho a mínima idéia. Este tem sido o mais árduo roteiro que já escrevi. Foram oito anos de intensa prospecção no âmbito do pensamento teológico. Esbocei um rascunho do futuro longa no curta metragem EQUILÍBRIO E GRAÇA (2002). Há quatro meses atrás, por indicação do meu cardiologista (que é um erudito), mergulhei na leitura de Plotino e achei que tudo que havia escrito antes tinha pouca relevância.  O livro de Gabriela Bal, “Silêncio e Contemplação”, tem sido uma benção e uma danação; por um lado, me abre generosamente a percepção para a “ciência” do silêncio; por outro, me obriga outras tantas leituras que só confirmam a dimensão da minha ignorância. UM ANJO DESARTICULADO fala justamente das nossas limitações em compreender o outro. Narra a história de um criador (um escultor e artista plástico) que há sete anos perdeu a inspiração, que vai ao interior de São Paulo para a missa de sétimo dia de seu melhor amigo. Como de hábito, o personagem chega atrasado. Do amigo falecido herda a incumbência de encontrar seu antigo professor no seminário; um teólogo que é dado como misteriosamente desaparecido. Em resumo, o filme narra a peregrinação de um artista que perdeu a inspiração em busca de um teólogo que perdeu a fé. Se puder, farei o filme com os dois atores de FILME DEMÊNCIA (Ênio Gonçalves e Emílio di Biasi), Aconteceu uma coisa curiosa na escritura deste roteiro. O enredo inicial nunca previu a presença de uma personagem feminina relevante e por vários anos nunca me dei por satisfeito com a seqüência chave do desfecho. Com a leitura de Plotino e a interferência de uma inesperada personagem feminina, o desfecho – de espantoso teor poético e erótico &#8211; se resolveu como por milagre. Ainda não dei o roteiro como fechado, mas estou chegando lá. De qualquer maneira, não acho que será um filme para grandes platéias.  Conforme o resultado, após a filmagem e a montagem, espero que UM ANJO DESARTICULADO se aproxime da música de câmara para sensibilidades afinadas ou um oratório de Penderecki.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Meia: &#8220;Palavras e imagens&#8230;&#8221;</strong><br />
RESPOSTA &#8211; &#8220;Palavras e imagens = música; cinema.”</p>
<p style="text-align: justify">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br />
<em>Meia Palavra agradece Carlos Reichenbach pela imensa atenção que deu para nós e nossa Equipe deseja sorte em seu próximo projeto.</em></p>
<p style="text-align: justify"><em>*Fotos fornecidas pelo entrevistado<br />
** Biografia retirado do site oficial: http://www.olhoslivres.com</em></p>
<p style="text-align: justify">
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2868">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 perguntas e meia para Antônio Xerxenesky</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 13:26:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Xerxenesky]]></category>
		<category><![CDATA[Areia nos Dentes]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Antônio Xerxenesky é um porto-alegrense nascido no fim de 1984. Publicou o livro de contos Entre (Fumproate/Ed. Movimento) e outras narrativas curtas em antologias e revistas. Seu conto O desvio (publicado em Ficção de Polpa, vol. 1) foi adaptado para a tevê por Fernando Mantelli em 2007. Areia nos Dentes é seu primeiro romance. 01. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img class="size-full wp-image-841 aligncenter" style="border: 0pt none;margin-top: 5px;margin-bottom: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/04/antonio-xerxenesky-2-foto-de-andre-hilgert.jpg" alt="Portrait of Tony - Areia nos Dentes" width="374" height="253" /></p>
<p style="text-align: justify">Antônio Xerxenesky é um porto-alegrense nascido no fim de 1984. Publicou o livro de contos <em>Entre </em>(Fumproate/Ed. Movimento) e outras narrativas curtas em antologias e revistas. Seu conto <em>O desvio</em> (publicado em Ficção de Polpa, vol. 1) foi adaptado para a tevê por Fernando Mantelli em 2007. <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2008/08/26/areia-nos-dentes-%E2%80%93-antonio-xerxenesky/">Areia nos Dentes</a> é seu primeiro romance.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-840"></span><strong>01. Como surgiu a idéia para Areia nos Dentes? Além de se inspirar em faroeste (chega até a citar Sérgio Leone), de onde surgiu a idéia de somar o velho Oeste Mexicano com Zumbis?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Em primeiro lugar, foi uma maneira de unir dois gêneros fundamentais na minha formação de cinéfilo, o western e o horror. Mas não é uma ideia, digamos, original. Ela surgiu de um videogame. Dá para acreditar? Bom, para quem me conhece dá, pois só um radical defensor dos videogames como forma de expressão artística. Teve um jogo que muito me marcou: Alone in the Dark 3. Faroeste com zumbis. Realmente não existe originalidade nesse mundo!<br />
Mas, claro, isso é só a superfície. Usei essa premissa sensacionalista como um veículo para que eu pudesse expressar algumas inquietações paralelas, no caso, o drama da &#8220;necessidade de matar o pai&#8221;. Ao colocar um conflito freudiano no meio de um faroeste spaghetti acabo brincando com as fronteiras em alta e baixa cultura, que sempre foi um dos meus projetos como escritor.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>02. Você gostaria de ver seu livro adaptado para as telas? Se, sim, quem seria o diretor?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois, não sei se o livro renderia uma boa adaptação para o cinema. Há muita metalinguagem e artifícios literários que funcionam apenas na narrativa literária. Se alguém fosse adaptar para o cinema, gostaria que o diretor fizesse uma adaptação muito infiel, mais calcada nas imagens do que no texto. De brasileiros, acho que apenas o Mojica faria um trabalho interessante. De estrangeiros, poxa, são tantos. O Danny Boyle e o Alex de la Iglesia fariam trabalhos incríveis, pois estão acostumados a trabalhar com o cinema de gênero &#8211; hibridizando e pervertendo os gêneros.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>03. Quais seus filmes de Zumbis favoritos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Dos clássicos, acho que a obra fundadora &#8220;A Noite dos Mortos-Vivos&#8221; do George Romero é imbatível. Gosto muito também do &#8220;Fome Animal&#8221;, do Peter Jackson, &#8220;Zombie&#8221; do Fulci, e, dos que desrespeitam as regras clássicas dos zumbis, sou fã de &#8220;Extermínio&#8221; do Danny Boyle.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>04. O que significa ser editor para você?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Uma oportunidade de publicar e ajudar muitos novos escritores legais que não receberiam uma edição decente se não fossem editoras independentes como a Não Editora.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>05. Qual o critério de uma editora independente para a seleção das obras que publica?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A Não Editora não possui regras fixas ou um eixo temático definido. Gostamos de publicar coisas muito diferentes, de um romance de fortes tons realistas a um livro de contos fantásticos. Tornamos nossa falta de homogeneidade estilística e temática um símbolo da nova geração literária, que abarca escritores produzindo obras muito, muito diversas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>06. O que chama a atenção pra algo novo ser considerado bom, ou pelo menos, publicável?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Novamente, não há algo especial que nos salte aos olhos. Eu, pessoalmente, gosto de sentir que o escritor, além de escritor, é um grande leitor. Isso se sente na prosa, em cada linha escrita.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>07. Quais dicas você daria a um escritor iniciante? Escrever, no Brasil, vale a pena?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Vale a pena em que sentido? Financeiro? De jeito nenhum. Pelo glamour? Mais fácil tentar o Big Brother. Quem escreve deve escrever porque sente vontade, pulsão criativa, sei lá. A única dica possível para um escritor iniciante é que leia, leia muito, e não só os clássicos e obras que todos já aceitam como boas. Ler literatura contemporânea, do Brasil, do Japão, seja lá da onde for. E não só literatura: filosofia, sociologia, física. Que leia. Todo material intelectual é útil para escrita, tudo ajuda a formar o escritor. Claro, experiência de vida também é importante, mas essa é outra história.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>08. Quais livros da contemporaneidade, que geralmente são ignorados, poderiam se tornar clássicos no futuro (visando o cenário dos últimos quinze anos)?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Eu não me interesso muito pelos livros de hoje que certamente se tornarão clássicos. Há livros do Saramago e do García Márquez que com certeza serão canonizados, e esses dois escritores não me dizem quase nada. Mas, por outro lado, não consigo pensar em nenhum autor ignorado que eu seja fã. Meus favoritos todos receberam um bom reconhecimento da crítica: Roberto Bolaño, Enrique Vila-Matas, J.M. Coetzee, Thomas Pynchon, David Foster Wallace&#8230; Talvez não virem leituras obrigatórias do colégio, mas são bem lidos e possuem ampla fortuna crítica, ainda que fora do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>09. Qual o último livro que te tirou o sono? Por que? E qual o último livro que te deu sono?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Diário de um Ano Ruim, do J.M. Coetzee. Sempre foi moda dizer que o relevante da literatura é a forma, que interessa apenas a estética, e eu muitas vezes concordei em silêncio com isso. O choque de ler esse romance-ensaio do Coetzee é que é um livro com muito o que dizer. Me tirou o sono e me fez rever algumas posições.<br />
Já livro que me deu sono&#8230; Ih, é até vergonhoso confessar, mas não consegui ler &#8220;Os anéis de saturno&#8221; do Sebald. Chatice sem limites.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10.O que você pensa sobre o download gratuito de livros (como o Neil Gaiman costuma fazer com os dele vez ou outra)? Que relação você vê entre internet e as editoras independentes?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Poxa vida, esse assunto é complicado. Não tenho ilusões de que o livro-papel continuará existindo e vendendo por muitas décadas. Mas, por enquanto, se tratando de editoras publicando livros online, a questão ainda é complicada no sentido de que quase ninguém no país tem leitor de e-books, e muitos detestam ler na tela do computador. As grandes editoras daqui tampouco estão publicando online, ou seja, você não vai ler o livro novo do Bernardo Carvalho no seu iPhone. A impressão que dá, por enquanto, é que textos que saem apenas na internet não possuem muito mérito artístico, como se a seleção, por não ter dinheiro envolvido, fosse mais relaxada. E talvez até seja, já que é muito mais fácil publicar um livro online do que no papel. Não sei, ainda não tenho muitas opiniões definitivas sobre o tema. Acho que é o futuro, mas um futuro ainda distante da nossa realidade.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Meia</strong>: &#8220;Se eu fosse Clint Eastwood, atiraria&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify">Em todos os “inimigos do literário”. Todos aqueles que, como diria Vila-Matas, são pessoas &#8220;achatadas pela realidade&#8221;. Incapazes de se comover com ficções, com narrativas, preocupados com um mundo prático e utilitário. Nossa, seria um fuzilamento.</p>
<p style="text-align: justify">***<br />
<em>Meia Palavra agradece Antônio pela imensa atenção que deu para nós.</em></p>
<p style="text-align: justify"><em>Os créditos da foto são para André Hilgert.</em></p>
<p style="text-align: justify">
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2824">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Cristovão Tezza</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 17:35:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Cristovão Tezza]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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		<description><![CDATA[Cristovão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1952. Em junho de 1959, morreu seu pai; dois anos depois, a família se mudou para Curitiba, Paraná. Sua tese de doutorado (USP), Entre a prosa e a poesia &#8211; Bakhtin e o formalismo russo, foi publicada em 2002 (Rocco). Também na área acadêmica, Cristovão Tezza escreveu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2008/12/web16.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-312" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2008/12/web16.jpg" alt="" width="510" height="475" /></a></p>
<p>Cristovão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1952. Em junho de 1959, morreu seu pai; dois anos depois, a família se mudou para Curitiba, Paraná. Sua tese de doutorado (USP), Entre a prosa e a poesia &#8211; Bakhtin e o formalismo russo, foi publicada em 2002 (Rocco). Também na área acadêmica, Cristovão Tezza escreveu dois livros didáticos em parceria com o lingüista Carlos Alberto Faraco (Prática de Texto e Oficina de Texto, editora Vozes), e nos últimos anos tem publicado eventualmente resenhas e textos críticos no jornal Folha de S.Paulo. Seu livro de 2007, &#8220;O Filho Eterno&#8221; (Record), ganhou os principais prêmios de literatura na língua portuguesa, incluindo o Prêmio Jabuti de 2008.</p>
<p><span id="more-310"></span></p>
<p><strong>1. Como é vencer o Prêmio Jabuti, o APCA, o Portugal-Telecom, o Prêmio Bravo, o Prêmio São Paulo de Literatura? Esperava esse reconhecimento?</strong></p>
<p>Não, sinceramente não esperava ganhar todos esses prêmios. Sabia que o livro teria algum impacto, pela força do tema e por uma certa expectativa depois de “O fotógrafo”, de 2004, que já havia levado dois prêmios, mas nunca uma resposta dessa dimensão.</p>
<p><strong>2. Qual dos livros escritos por você é o seu preferido? Por quê?</strong></p>
<p>Essa é uma pergunta muito difícil que sempre me fazem. Tenho alguns momentos que foram importantes para mim. Gosto especialmente de “Trapo” (1988), “A suavidade do vento” (1991), “Breve espaço entre cor e sombra” (1998) e “O fotógrafo” (2004). E, é claro, de “O filho eterno”. Mas nenhum é favorito.</p>
<p><strong>3. Qual seu livro favorito ou autor?</strong></p>
<p>No Brasil, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, do Machado. São três brasileiros favoritos: Machado, Graciliano, Drummond. No mundo, dos atuais, J.M.Coetzee e Ian McEwan.</p>
<p><strong>4. O que você está lendo nos últimos tempos?</strong></p>
<p>Muita coisa, que não consigo terminar por força de leituras profissionais, por assim dizer. Estou lendo uma biografia de Schopenhauer e “A sociedade dos indivíduos”, de Norbert Elias.</p>
<p><strong>5. Além da literatura, existe outra arte que você acompanha? Cinema, teatro, dança&#8230;.</strong></p>
<p>Vejo muito cinema, quase que um filme por dia, mas na televisão, por comodidade e por falta de tempo. Gosto de teatro, uma arte que fez parte substancial na minha formação de escritor, mas tenho visto pouquíssimo. Não sou exatamente um ser musical, mas gosto de jazz e blues.</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2008/12/web19.jpg"><img class="size-full wp-image-311 aligncenter" style="border: 0pt none;margin-top: 5px;margin-bottom: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2008/12/web19.jpg" alt="" width="510" height="340" /></a></p>
<p><strong>6. O que acha das adaptações de livros para outras mídias (TV, Cinema, Teatro)?</strong></p>
<p>Uma coisa muito legal, desde que não se crie muita expectativa. Uma adaptação é sempre uma mudança radical de linguagem, com seqüelas importantes. A célebre frase “o livro é melhor” é de certa forma inevitável – é melhor como literatura, mas cinema é outra coisa. Tive um livro (“Trapo”) adaptado para o teatro, e gostei muito do resultado.</p>
<p><strong>7. No cenário brasileiro quem você apostaria como uma nova promessa de escritor?</strong></p>
<p>Muito difícil dizer. A atividade crítica nunca deve ser profética. Acho que há uma nova geração muito importante amadurecendo. Gosto muito, para dar um exemplo imediato, de “A chave da casa”, da Tatiana Levy Salem, que acaba de ganhar o Prêmio São Paulo de autor estreante.</p>
<p><strong>8. Hoje em dia é mais fácil publicar livros, mas também é mais difícil conquistar leitores devido a grande demanda. O que acha disso?</strong></p>
<p>Para quem vem de longe, como eu, é bom lembrar que sempre foi muito difícil conquistar leitores, com ou sem demanda. O leitor é um cisne raríssimo que só quer ser alimentado com iguarias. Sim, hoje é muito fácil publicar livros. Dou um exemplo comparativo: escrevi “Trapo” em 1982 e só consegui publicá-lo em 1988. Foram seis anos de recusas e esperas. Hoje ele sairia em 60 dias. Mas também com relação aos leitores a situação está melhor: hoje o Brasil tem proporcionalmente muito mais leitores do que tinha há 20 anos. Ainda são poucos, é verdade, mas a base aumentou.</p>
<p><strong>9. Como é ser reconhecido por seu talento num país onde a literatura não é uma opção entre os jovens (é vista mais como obrigações para entrar numa faculdade)?</strong></p>
<p>Não penso muito nisso. Meu projeto de escritor não nasceu exatamente de uma ansiedade por resposta, ou eu já teria parado anos atrás. Escrever é uma aventura ética em que metemos a cara por conta própria. Quando há uma resposta boa, como agora, ótimo. Faz bem para auto-estima. Mas é preciso ter gás para passar os períodos de silêncio, que são duros.</p>
<p><strong>10. Qual o ponto inicial para se escrever um livro? Você tem algum tipo de inspiração ou as idéias simplesmente surgem? Conte-nos o processo.</strong></p>
<p>Começo por uma imagem (a mãe numa maca sendo levada para o parto; um jovem morando no sótão de um bordel; alguém descendo uma velha escada para atender alguém que bate à porta), que amadurece num arcabouço narrativo (que nunca permanece o mesmo durante a escrita, mas sem ele não consigo começar) e completa-se por uma linguagem (a primeira frase que define a alma do livro; por exemplo “a solidão é a forma discreta do ressentimento”, de “O fotógrafo”, ou “Eu tinha tudo para dar certo, exceto a família”, em “Juliano Pavollini”). O resto é trabalho duro, meses a fio.</p>
<p><strong>Meia: &#8220;ser escritor no Brasil&#8230;&#8221;</strong></p>
<p>Ser escritor no Brasil não é substancialmente diferente de ser escritor em qualquer lugar do mundo. Escrever é uma viagem solitária e intransferível.</p>
<p><strong>***</strong></p>
<p><em>Meia Palavra agradece Cristovão pela imensa atenção que deu para nós e toda a Equipe parabeniza suas conquistas nesses último ano!</em></p>
<p><em>*Fotos e Biografia retirados do site oficial: http://www.cristovaotezza.com.br</em></p>
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