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	<title>Meia Palavra&#187; Contos</title>
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		<title>Contos Essenciais Meia Palavra &#8211; Os desastres de Sofia (Clarice Lispector)</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 16:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dando continuidade aos Contos Essenciais do Meia Palavra, eu resolvi indicar o meu favorito de  Clarice Lispector:  Os desastres de Sofia, que pode ser lido em A legião estrangeira. Conhecida por centenas de frases e pensamentos profundos nas redes sociais, qualquer pessoa pode citar alguma coisa de Clarice, pois ela foi uma escritora das mazelas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/sala_aula.jpg"><img class="size-medium wp-image-17847 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/sala_aula-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Dando continuidade aos <em>Contos Essenciais</em> do Meia Palavra, eu resolvi indicar o meu favorito de  Clarice Lispector:  <em>Os desastres de Sofia,</em> que pode ser lido em <em>A legião estrangeira</em>. Conhecida por centenas de frases e pensamentos profundos nas redes sociais, qualquer pessoa pode citar alguma coisa de Clarice, pois ela foi uma escritora das mazelas cotidianas.</p>
<p style="text-align: justify">Romancista, contista, cronista e jornalista. Nascida na Ucrânia em 1920, chegou ao Brasil com dois meses de vida junto com a família, que fugia das perseguições aos judeus pela Guerra Civil Russa. Aqui escreveu todos os seus livros e nunca se considerou ucraniana, faleceu vítima de câncer no útero em 1977. Comparada com James Joyce, Virgínia Woolf e Kafka, a literatura brasileira nunca mais foi a mesma depois dela.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17846"></span></p>
<p style="text-align: justify"><em>Os desastres de Sofia</em> conta a história do primeiro amor da menina e toda a sua rebeldia nesse sentimento. Focando no ambiente escolar, Sofia tem uma relação intensa com o professor. Começando com um desafio, seu mau comportamento em sala era uma maneira de chamar a atenção dele, que a cada dia ficava mais aborrecido com isso; e terminando em um jogo de sedução entre os dois, mas sem envolvimento sexual.</p>
<p style="text-align: justify">A personagem tem nove anos e sente-se completamente confusa com esse sentimento. Apesar da rebeldia e da <em>demonização</em> da criança, o sentimento ainda é puro. <em>“E eu era atraída por ele. Não amor, mas atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência que ele tinha em nos ensinar e que, ofendida, eu adivinhara”. </em>Porém, Sofia é uma menina repleta de ilusões, com o seu amor infantil acredita que será aceita entre o mundo dos adultos, e com sua atitude rebelde tenta tirar a máscara na qual se esconde o frágil professor.</p>
<p style="text-align: justify">Ao fim do conto, tanto a menina como o professor acabam aprendendo sobre si próprios e com o outro, invertendo a posição de mestre e aluno. Em uma simples lição, uma redação escrita pela menina, a autora nos mostra que o tesouro (e esse conto é) está escondido, só basta descobri-lo.</p>
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		<title>Beatriz (Cristóvão Tezza)</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 19:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
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		<description><![CDATA[Conhecido por seus romances, o escritor lajeano radicado em Curitiba Cristóvão Tezza publicou recentemente &#8220;Beatriz&#8221;, seu segundo volume de contos &#8211; depois que um enorme hiato, em que se dedicou exclusivamente ao romance. Que começa com um prefácio: uma espécie mista de confissão e explicação, já que parece não sentir-se confortável com essa literatura mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/beatriz1.jpg"><img class="size-medium wp-image-17050 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/beatriz1-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>Conhecido por seus romances, o escritor lajeano radicado em Curitiba Cristóvão Tezza publicou recentemente &#8220;Beatriz&#8221;, seu segundo volume de contos &#8211; depois que um enorme hiato, em que se dedicou exclusivamente ao romance. Que começa com um prefácio: uma espécie mista de confissão e explicação, já que parece não sentir-se confortável com essa literatura mais breve. Explica que percebe não aproveitar bem as  personagens, criadas sempre com certa dificuldade.</p>
<p style="text-align: justify">O resultado, no entanto, não é mau. Eu diria até que fica bastante próximo dos romances, com as mesmas qualidades e os mesmos defeitos. Talvez ajude o fato de ser uma mesma personagem, Beatriz, o centro de quase todos os contos &#8211; exceto pelo que abre o livro, onde ela é mera coadjuvante.</p>
<p style="text-align: justify">São sete contos, e em cada um deles acontece basicamente o encontro de Beatriz, revisora e professora particular de português, jovem e divorciada, com um personagem diferente, em situações diferentes.<span id="more-17049"></span></p>
<p style="text-align: justify">Sempre, no entanto, existe um elemento que torna o encontro um tanto estranho, como se para torná-lo digno de ser contado. Em <em>Aula de reforço</em>, ela é contratada por uma mãe super-protetora e com segundas intenções para dar aulas de português para um adolescente; em <em>Beatriz e a velha senhora </em>ela acaba por escutar a confissão de um crime; em <em>Um dia ruim</em> ela é contratada para revisar um trabalho de cunho racista escrito por um velho, que acaba morrendo quando ela chega na casa dele.</p>
<p style="text-align: justify">Com isso já se pode ter uma ideia do inusitado de algumas situações. Os sentimentos despertados também se alternam, sendo que se as vezes as coisas parecem muito engraçadas, em outras tudo é muito terrível. Outras vezes, como em <em>O homem tatuado</em>, há um lirismo sutil, que empresta uma espécie de alegria melancólica ao conto.</p>
<p style="text-align: justify">O grande defeito de <em>Beatriz</em> é o mesmo grande defeito de toda a obra de Tezza: parece existir uma crença de que a literatura é uma espécie de virtude e que aqueles que vivem às voltas com os livros, especialmente aqueles que os escrevem, são melhores do que os outros. Isso é algo que considero particularmente incômodo – e que é o que impede que eu tenha um melhor conceito da obra do ex-professor da UFPR.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Beatriz<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify">de Cristóvão Tezza</p>
<p style="text-align: justify">144 páginas</p>
<p style="text-align: justify">R$ 34,90</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
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		<title>Breves entrevistas com homens hediondos (David Foster Wallace)</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 16:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Breves Entrevistas com Homens Hediondos]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea]]></category>
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		<category><![CDATA[David Foster Wallace]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Norte-Americana]]></category>

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		<description><![CDATA[Já tinha algum tempo que cruzava com o nome de David Foster Wallace, seja como indicação de amigos que conhecem meu gosto para livros, seja simplesmente através de artigos mencionando o escritor norte-americano. Ia adiando a leitura, até que ano passado li o artigo do Caetano Galindo sobre Foster Wallace e depois &#8220;Isto é água&#8220;, título [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/brevesentrevistas.jpg" alt="" width="200" height="299" />Já tinha algum tempo que cruzava com o nome de David Foster Wallace, seja como indicação de amigos que conhecem meu gosto para livros, seja simplesmente através de artigos mencionando o escritor norte-americano. Ia adiando a leitura, até que ano passado li <a title="definições" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/05/definicoes-para-david-foster-wallace-ou-dfw-e-dois-pontos/" target="_blank">o artigo do Caetano Galindo sobre Foster Wallace</a> e depois &#8220;<a title="isto é água" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/06/isto-e-agua-david-foster-wallace/" target="_blank">Isto é água</a>&#8220;, título que deram para um discurso que ele fez para uma cerimônia de graduação. Pronto, eu precisava ler Foster Wallace. Virou um daqueles casos (raros) em que você sabe que vai gostar do autor antes mesmo de ler algo dele &#8211; você sabe que ele te dirá algo, que marcará sua vida como leitor.</p>
<p style="text-align: justify;">E eis que, no momento, o único livro traduzido dele aqui no Brasil é a coletânea de contos <em>Breves entrevistas com homens hediondos</em>, lançado em 2005 pela Companhia das Letras. Embora tenha o <em>Infinite Jest</em> no meu Kindle, achei que começar por <em>Breves entrevistas</em> parecia mais adequado: aquela oportunidade de sentir uma amostra do que é o trabalho do autor aos poucos, como uma preparação para algo que parece ser obviamente mais complexo. E não me arrependi, encontrei no livro o que esperava, e ainda me surpreendi (alguma dúvida que logo começo <em>Infinite Jest</em>?).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-17097"></span>Os vinte e três contos da coletânea mostram para começar que Foster Wallace não tinha medo de ousar na forma. Eu sinceramente achava que ele seria um daqueles autores pós-Joyce que abusam do neologismo para fazer uma narrativa hermética, mas não é isso. A linguagem de Wallace é tão simples que toca diretamente o leitor. O irônico é como ele fala de modo direto (e sim, com humor corrosivo) de temas bastante pesados: sexo, depressão, solidão. As neuroses que as pessoas desejam manter escondidas são reveladas, quase como um <a title="post secret" href="http://www.postsecret.com/" target="_blank">Post Secret</a> em forma de conto.</p>
<p style="text-align: justify;">Como já dito, o que fica claro em <em>Breves Entrevistas</em> é que Foster Wallace experimenta bastante no modo de desenvolver a narrativa. Poucos contos aparecem com a estrutura normal/convencional. Seja por detalhes como a inclusão das já famosas notas de rodapé (que em contos como <em>A pessoa deprimida</em> e <em>Octeto</em> chegam a ocupar quase toda a página), seja pelo modelo esquemático em<em> Adult World (II)</em>, a verdade é que cada texto traz uma nova surpresa.</p>
<p style="text-align: justify;">As breves entrevistas que dão título à coletânea são divididas em quatro contos, sempre seguindo o mesmo modelo: homens sendo entrevistados, e nisso temos as respostas deles mas nunca as perguntas feitas (sempre marcadas por um &#8220;P.&#8221;). O leitor pode imaginar o que foi perguntado, e talvez esse exercício torne esses textos ainda melhores, carregados de marcas de oralidade. Saiu um filme baseado nesses contos, sobre o qual o Alessandro Garcia comenta <strong><a title="breves entrevistas" href="http://blog.alessandrogarcia.com/2010/10/breves-entrevistas-com-homens-hediondos.html" target="_blank">aqui</a></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu favorito foi <em>Para sempre em cima</em> (se seu inglês estiver bom, você pode ouvir <a title="forever overhead" href="http://www.youtube.com/watch?v=wUSs9XBszLc" target="_blank">o próprio Foster Wallace fazendo uma leitura dele</a>). O jogo entre tensão (a espera para saber o que o garoto fará subindo no trampolim) com a beleza das imagens criadas pelo autor é algo de deixar o leitor sem palavras. A voz que fala com o garoto parece que ao mesmo tempo fala com quem lê, e qualquer um que passou por um momento de amadurecimento se reconhecerá ali.</p>
<p style="text-align: justify;">O mini-conto que abre a coletânea também é genial. É engraçado que o título seja tão longo (<em>Uma história radicalmente condensada da vida pós-industrial</em>) para um texto tão breve, mas o que chama a atenção aqui é como Foster Wallace consegue dizer tanto sobre as relações humanas pegando apenas um recorte, um breve momento na vida de suas personagens. E é excelente que esse conto abra <em>Breves entrevistas</em>, porque funciona quase como um cartão de visitas, já que é justamente isso que veremos nas próximas páginas, esses pequenos momentos das vidas das pessoas, focando seus pensamentos mais íntimos.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns se apresentam como um tapa na cara, como o pai falando com o filho em <em>Em seu leito de morte, segurando sua mão, o pai do novo aclamado jovem autor Off-Broadway implora uma benção</em>. E é o que faz com que você não possa ler o livro e dizer que não mudou &#8211; é uma obra que mexe com você, que faz com que pense sobre você e  o mundo ao seu redor. É, por isso mesmo, uma daquelas leituras inesquecíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempo: O <a title="breves entrevistas" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/07/breves-entrevistas-com-homens-hediondos-david-foster-wallace/#footnote_0_8967" target="_blank">Felippe falou sobre<em> Breves entrevistas</em></a> em abril do ano passado, se você perdeu o post corre lá para conferir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WALLACE</strong>, David Foster. <em>Breves entrevistas com homens hediondos</em>. Companhia das Letras, 2005. Tradução: José Rubens Siqueira. 377 págs. Preço sugerido: R$62,00.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>A Christmas Memory (Truman Capote)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/25/a-christmas-memory-truman-capote/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 19:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Um Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[A Christmas Memory é um conto de cunho autobiográfico, que remete à infância de Truman Capote (Buddy) nos poucos anos que passou no Alabama, onde formou um precioso vínculo com Nanny Rumbley Faulk, a quem chamava de Sook. Foi publicado pela primeira vez na revista Mademoiselle em 1956, e republicado em 1963 e 1966, e aparece ainda hoje [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/ChristmasMemory.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-16771" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/ChristmasMemory-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>A Christmas Memory é um conto de cunho autobiográfico, que remete à infância de Truman Capote (Buddy) nos poucos anos que passou no Alabama, onde formou um precioso vínculo com Nanny Rumbley Faulk, a quem chamava de Sook. Foi publicado pela primeira vez na revista <em>Mademoiselle </em>em 1956, e republicado em 1963 e 1966, e aparece ainda hoje em antologias e listas, como a da Bravo!, que tenho usado para me nortear nesse mundo dos contos.</p>
<p style="text-align: justify">É novembro. O tempo começou a esfriar e para  Buddy e sua melhor amiga é tempo de Bolo de Frutas. Buddy tem 7 anos, sua melhor amiga é uma prima distante, uma senhora de sessenta e poucos, mas com espírito infantil. Juntos eles se preparam o ano inteiro para a estação das festas, para o Natal. A amizade deles é simples, baseada no profundo conhecimento mútuo e a confiança um no outro. A história se passa nos anos 30, em meio Lei Seca, numa casa familiar de uma cidade do interior (provavelmente nos Estados Unidos). Buddy e sua amiga não são os únicos a habitar a casa, apesar de parecer que sim.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-16770"></span></p>
<p style="text-align: justify">A história em si é simples, e até mesmo prosaica. E resumi-la em poucas palavras seria um pecado. Não se trata de fazer bolos de frutas ou de se preparar para o Natal. Fala de amor, de um relacionamento sincero, uma amizade preciosa. Posso parecer piegas, e talvez o espírito natalino tenha me absorvido, mas me emocionei enormemente com o Natal de Buddy e sua amiga, da felicidade que um encontrou no outro. E isso sem recorrer à religião ou aos textos de cartão de Natal da Hallmark. O narrador, Buddy, simplesmente divide com o leitor sua memória daquele Natal, de todo o ritual que envolveu a preparação dos bolos de frutas, da escolha e troca de presentes num inverno frio de sua infância.</p>
<p style="text-align: justify">Não é nada mais que isso, mas é muito mais que isso.  A singeleza do conteúdo é magistralmente trabalhada pelo autor, através da escolha das palavras, das frases, das descrições. Nos vemos naquela casa, contando as moedas para comprar os ingredientes do bolo, cozinhando, dançando pela sala e até sendo repreendidos por &#8220;Aqueles que sabem melhor&#8221;. Queremos dividir nossas alegrias com esses dois amigos, celdebrar uma ceia de Natal com eles, presenteá-los. Somos, na verdade, presenteados pela história, que sem moralizar a época de festas dá-lhe um sentido, um porquê.</p>
<p style="text-align: justify">Uma excelente pedida neste domingo de Natal, para degustar depois dos presentes abertos e da confraternização familiar. Boas Festas!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>De tudo fica um pouco (organizado por Luiz Antonio de Assis Brasil)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/20/de-tudo-fica-um-pouco-organizado-por-luiz-antonio-de-assis-brasil/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 13:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de falar diretamente do livro De tudo fica um pouco, quero comentar duas coisas, ou fazer duas reflexões, o que quer que isso signifique. Primeiro já falando do livro de certa forma, ele é fruto de uma oficina literária ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUC-RS. O professor é nome conhecido e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/de-tudo-fica-um-pouco.jpg"><img class="size-medium wp-image-16710 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/de-tudo-fica-um-pouco-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>Antes de falar diretamente do livro <strong>De tudo fica um pouco</strong>, quero comentar duas coisas, ou fazer duas reflexões, o que quer que isso signifique. Primeiro já falando do livro de certa forma, ele é fruto de uma oficina literária ministrada por <strong>Luiz Antonio de Assis Brasil, </strong>na PUC-RS. O professor é nome conhecido e acompanha muitos lançamentos de novos escritores da cena literária porto-alegrense, autores que passaram pela sua oficina de escrita criativa. Uns bons, outros nem tanto. Não sei exatamente o que pensar dessas oficinas, se elas são mais uma máquina de fazer escritores – contribuindo para a tal reclamação que corre por aí que possuímos mais autores do que leitores e por isso estamos em uma área já saturada cheia de “criação não criativa” –, um capricho de quem gosta de rabiscar algumas linhas para aperfeiçoar um pouco a linguagem ou uma ferramenta que realmente contribui para a formação do escritor. Minha opinião sobre isso é inexistente, no final das contas.</p>
<p style="text-align: justify">Outra coisa é relacionada à orelha do livro assinada pelo editor da <strong>Dublinense</strong>, <strong>Rodrigo Rosp</strong>, em que, além de apresentar o resultado da turma 41 da oficina literária, revela outra linha que agrupa todos esses contos neste livro: a inspiração. E é aí que o leitor descobre a origem do nome dessa coletânea: tudo o que vemos, ouvimos, comemos e consumismos deixa seu rastro. De tudo fica um pouco, e disso os alunos de Luiz Antonio de Assis Brasil tiraram a base para construir seus contos. Mas esse comentário é esquecido logo quando a leitura começa, pois nenhuma informação é dada ao leitor sobre essas fontes de inspiração. Isso aparece apenas nas últimas páginas, e aí se percebe a grande gama de referências que existe em seus contos: a própria literatura, a música, as artes em geral com suas pinturas, esculturas e composições.<span id="more-16709"></span></p>
<p style="text-align: justify">Já está na hora de falar, então, do livro. Em <strong>De tudo fica um pouco</strong>, 16 autores apresentam dois contos cada em que exercitam a criação com base na referência que escolheram. E do contrário do que pensei enquanto lia esses contos, os autores não são necessariamente estreantes. Muitos já têm livros publicados, até prêmios, possuem experiência com a escrita e com esses contos buscam lapidar ainda mais a técnica da produção textual. E nisso o livro não falha. A forma e linguagem não deixam a desejar.</p>
<p style="text-align: justify">No que diz respeito às histórias, também não ficam atrás. Há enredos diversos que trazem temas como amor, morte, abandono, traição, insegurança. Dramas familiares, profissionais, existenciais, relacionamento entre amantes, amigos, enfim, questões que inquietam e, dessa insatisfação, se transformam em histórias interessantes. Dessas, uma das mais bonitas presentes no livro é de autoria de <strong>Renan Santos</strong>, o conto <strong>Garoto do espaço</strong>, em que ele narra a gradual aproximação de um garoto com o filho de sua madrasta, um menino mais novo e com certo atraso mental, relação que passa da vergonha ao amor genuíno entre irmãos – o texto é inspirado em uma música do Smashing Pumpkins.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Bárbara Zeni</strong> se destaca com <strong>Babúcia reino</strong>, uma história sobre um estudante de filosofia relaxado, ou melhor, um filósofo de botequim que grita aquele tipo de frases de impacto que percorrem as redes sociais e que possuem sua sabedoria momentânea. <strong>O lugar que ela abandonou</strong>, de <strong>Luisa Geisler</strong>, chama a atenção pela forma como mostra o receio de uma universitária pela mudança, a insegurança sobre o que se espera do futuro e se as escolhas serão, definitivamente, as certas.</p>
<p style="text-align: justify">O resultado final da produção da turma 41 de Luiz Antonio de Assis Brasil é satisfatória para o leitor. São contos de leitura agradável, nem todos com um enredo realmente interessante, muitos deixam a impressão de incompletos, como se fossem necessárias algumas páginas a mais para que as ideias ficassem claras e bem apresentadas ao leitor. Contudo, ao analisar a escrita, o que foi escolhido colocar no papel, os textos aparecem impecáveis. O cuidado na construção, releituras e revisões, fizeram dos contos em <strong>De tudo fica um pouco </strong>textos para revisitar.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>De tudo fica um pouco</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Organização: </strong>Luiz Antonio de Assis Brasil</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Autores: </strong>Adriana Jorgge, Ângela Broilo, Bárbara Zeni, Berenice Rheinheimer, Caroline Becker, Felipe S. Karasek, Joséte Sobbé Obino, Josué de Paiva, Juliana Grünhäuser, Luís Roberto Amabile, Luisa Geisler, Marana Borges, Marcos Vinícius Almeida, Moema Vilela, Renan Santos e Rosangela Petta.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Editora: </strong>Dublinense</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Páginas: </strong>176</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Preço sugerido: </strong>R$ 28,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Dublinense</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.dublinense.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/dublinenselogo.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>14 contos de Kenzaburo Oe</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/14/14-contos-de-kenzaburo-oe/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 13:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[14 contos de Kenzaburo Oe]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Dapieve]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Kenzaburo Oe]]></category>
		<category><![CDATA[Leiko Gotoda]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Japonesa]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao falar da literatura japonesa na introdução de 14 contos de Kenzaburo Oe, Arthur Dapieve destaca o talento desse povo em dizer muito usando poucas palavras. Ou seja, da forma que os japoneses, como sociedade em geral e não só seus escritores, dizem tanto sobre suas dores e problemas quando silenciam. É estranho pensar na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/kenzaburo-oe.jpg"><img class="size-medium wp-image-16589 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/kenzaburo-oe-206x300.jpg" alt="" width="206" height="300" /></a>Ao falar da literatura japonesa na introdução de <strong>14 contos de Kenzaburo Oe</strong>, <strong>Arthur Dapieve</strong> destaca o talento desse povo em dizer muito usando poucas palavras. Ou seja, da forma que os japoneses, como sociedade em geral e não só seus escritores, dizem tanto sobre suas dores e problemas quando silenciam. É estranho pensar na literatura como algo que se destaca pelo silêncio, pela ausência de palavras, sejam ditas ou escritas, justamente na abertura de uma coletânea de contos de um dos maiores escritores japoneses, ganhador do Nobel de Literatura em 1994. Ainda mais que <strong>Kenzaburo Oe</strong> não esconde nenhum desses dramas dentro dele mesmo, mas confere às suas personagens certa dificuldade para falarem de seus problemas – e, por isso, o talento da narrativa se faz indispensável para que o leitor veja o que elas não dizem.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>14 contos de Kenzaburo Oe</strong> reúne textos do autor escritos entre 1957 e 1990, selecionados e traduzidos por <strong>Leiko Gotada</strong> nessa edição publicada pela <strong>Companhia das Letras</strong>. Nesses contos, um pouco da História e questões sociais do Japão estão presentes, passadas para a ficção quase como se fossem fantasia e, mais do que tudo, o próprio autor está dentro desse livro. E assim como Dapieve encerra a introdução da edição dizendo que a obra de Oe trata da “dignidade do ser humano”, o primeiro conto – ou melhor, roteiro – do livro traz essa questão como ponto central. Mas diferente da história absurda marcada por desencontros, comunicação falha e final feliz encontrado nesse primeiro texto, os outros 13 contos do autor se aprofundam mais e mais em retratar o homem e suas tragédias.<span id="more-16588"></span></p>
<p style="text-align: justify">Em <strong>Salte sem olhar</strong>, um jovem estudante de literatura francesa – jovens estudantes de literatura francesa são, aliás, personagens constantes em outros contos – fala da relação tranquila, mas inquieta, com uma prostituta de quem é amante há muito tempo. Mas apesar dos desejos e de algumas ambições, ele pouco faz além de viver seus dias na mesma rotina de sempre: frequentar aulas, ficar com sua amante e sair com seus clientes. De olhar a vida, mas nunca saltar diretamente para ela. Ao detalhar cada ato e pensamento do estudante, Oe vai aprofundando essa inquietação que surge da falta de ação – falta da coragem de “saltar sem olhar”.  Com esse conto sim o leitor entra dentro do “espírito” de Oe e tem pela frente textos que tratam da morte, do abandono e de traumas que assombram a vida das personagens, do próprio Oe e do Japão.</p>
<p style="text-align: justify">Personagens marcadas pela loucura são quase tão constantes (tal qual os estudantes de literatura francesa), como em <strong>Os pássaros</strong>, em que um jovem acredita ser rodeado por aves que lhe protegem da realidade. Em <strong>A convivência</strong>, um rapaz recém formado na faculdade acredita dividir seu quarto com quatro macacos que o observam e atormentam a todo instante. E também em <strong>Aghwii, o monstro celeste</strong>, sobre um homem que conversa com um bebê gigante que vem do céu – imagem essa que representa o filho deficiente que esse homem matou. Essas histórias trazem fantasias criadas por personagens que as usam para escapar de uma realidade dura, inaceitável e, na visão deles, insuportável. As suas invenções os protegem de lembranças ou desafios que preferem nunca ter de enfrentar.</p>
<p style="text-align: justify">A sexualidade não pode deixar de ser comentada dentro da obra de Kenzaburo Oe. Em quase todos os contos, há uma tensão sexual que movimenta as personagens, no estudante e sua amante; no diretor cinematográfico e sua jovem atriz, em <strong>Exultação</strong>; no adolescente onanista que de simpatizante da esquerda se torna um extremo-direitista,  em <strong>Seventeen</strong>. E, principalmente, em <strong>O homem sexual</strong>, a história de um homem que esconde a homossexualidade da segunda mulher e, depois dela revelada, procura satisfazer-se de outras formas – sendo a última delas a transição de gay a molestador de mulheres. Kenzaburo Oe usa em seus contos uma linguagem livre para falar sobre a sexualidade, suas variantes e taras, contrastando com o moralismo, os preconceitos e os tabus da sociedade japonesa – e porque não também ocidental – que são a causa dos conflitos dessas personagens.</p>
<p style="text-align: justify">Nos dois últimos contos, <strong>Viver em paz </strong>e <strong>A dor de uma história</strong>, Kenzaburo toma emprestada a voz de sua filha do meio para retratar um cotidiano familiar permeado por cuidados com o filho mais velho, portador de uma deficiência mental, discussões e descobertas sobre literatura e pequenos acontecimentos ocorridos enquanto vivia com sua mulher na Califórnia, registrados por ela em seus diários. O último conto fala principalmente sobre o uso que o autor faz da ficção para colocar nela a realidade que percebe. E essa realidade, por mais difícil, feia e intragável que seja, dentro do texto de Oe, com suas palavras, ganha uma beleza difícil de definir, pois choca ao mesmo tempo que encanta – as descrições das maneiras de molestar mulheres em público, por exemplo, causam mais admiração que espanto. <strong>14 contos de Kenzaburo Oe</strong>, para os que já conhecem, é um livro a acrescentar mais na leitura da obra desse autor. Já para os iniciantes, como eu, é uma bela porta de entrada para a literatura japonesa e, claro, para a produção de Oe.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>14 contos de Kenzaburo Oe</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Autor: </strong>Kenzaburo Oe</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Tradução: </strong>Leiko Gotoda</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Editora: </strong>Companhia das Letras</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Páginas: </strong>456</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Preço sugerido: </strong>R$ 59,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Conexões malignas (Mário André Pacheco)</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 13:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Conexões malignas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dublinense]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Mário André Pacheco]]></category>

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		<description><![CDATA[Contos fantásticos que abordam temas recheados de seres sobrenaturais, como demônios e gárgulas, misturados com outros de ficção científica que se passam no espaço e em futuros distantes. É bom sair um pouco da realidade e seus dramas tão exaltados pela literatura contemporânea que conseguem, em sua maioria, representar bem esses aspectos surpreendentes que todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/conexoes-malignas.jpg"><img class="size-medium wp-image-16417 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/conexoes-malignas-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Contos fantásticos que abordam temas recheados de seres sobrenaturais, como demônios e gárgulas, misturados com outros de ficção científica que se passam no espaço e em futuros distantes. É bom sair um pouco da realidade e seus dramas tão exaltados pela literatura contemporânea que conseguem, em sua maioria, representar bem esses aspectos surpreendentes que todos guardam. Não há problema em deixar isso tudo um pouco de lado e se embrenhar em fantasias mirabolantes, certo? Certo. E foi assim que li <strong>Conexões malignas</strong>, de <strong>Mário André Pacheco</strong>, mais um dos recentes lançamentos da editora <strong>Dublinense</strong>.</p>
<p style="text-align: justify">Na orelha escrita por <strong>Glee Bohanon </strong>(autora da trilogia <strong>Code word heaven</strong>, que desconheço), havia a promessa de contos inspirados no estilo de <strong>Isaac Asimov</strong>, autor que Pacheco admira, e também uma pitada de horror nos contos que trazem demônios como protagonistas ou o inferno como cenário. Motivador. O livro começa, então, justamente com um demônio, um coletor de almas que “burla” o sistema do inferno para corromper pessoas puras e trazê-las para o lado do mal. Com a ajuda de uma secretária bonitinha, ambos se fingem de humanos e sobem à Terra para mais um dia de trabalho, mas o receio de ser descoberto em suas trapaças toma conta da cabeça do demônio. E é já aí, no primeiro conto, que alguns problemas se apresentam.<span id="more-16416"></span></p>
<p style="text-align: justify">O que incomodou minha leitura foi a insistência do autor em repetir informações – que, felizmente, não acontece tanto nos textos que seguem. Mas nesse particularmente, a constante reafirmação do fato das personagens estarem “camufladas” de seres humanos e as explicações excessivas do por que disso trancam a leitura. Além disso, senti falta do horror que a orelha prometia, pois o conto está muito mais voltado para um tom de humor, o que não chega a ser realmente um problema. O horror poderia aparecer mais à frente. Não foi nem no segundo conto, <strong>Elevador do paradoxo infernal</strong>, mas ele até chegou perto disso com a agonia de um homem preso em um elevador no inferno que nunca se move. Me animei novamente.</p>
<p style="text-align: justify">Os demônios seguem pelo livro, agora com a visita de uma entidade a um funcionário público oferecendo um pacto. Depois desse, a ficção científica toma conta: em <strong>Otocracia</strong>, o cenário me lembrou produções como <strong>Eu sou a lenda</strong> – cuja história só conheço pelo filme com Will Smith – traz um homem sozinho em uma cidade abandonada, um ambiente pós-apocalíptico que na verdade é apenas um capricho do protagonista que quis se isolar do mundo e suas tecnologias. Em seguida, o leitor conhece <strong>Dr. Kaiko</strong> através de seu diário contando seus dias de “trabalho” em um laboratório, e nesse conto esperei alguma surpresa. Porém, no final, a troca de voz do narrador – da primeira para a terceira pessoa – me desanimou, esperava ver o desfecho da natureza do protagonista ser revelada com mais criatividade por ele mesmo.</p>
<p style="text-align: justify">Há ainda mais histórias que pendem para a ficção ou para a fantasia demoníaca, mas não é necessário listá-las uma por uma. Mário André Pacheco usa uma escrita simples, sem volteios na narração e com bastante uso de diálogos, e isso deixou a impressão de simplicidade excessiva, tanto do texto quanto dos desfechos das tramas. Faltou o desafio da interpretação das histórias. Todos seguem à risca, no fim, o que está descrito na quarta capa do livro: uma sinopse simples de cada conto composta apenas por duas linhas. E assim como lá está dito, está no livro: simples e sem surpresa. A fantasia, dessa vez, se mostrou menos fantástica que a realidade.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Conexões malignas</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Autor: </strong>Mário André Pacheco</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Editora: </strong>Dublinense</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Páginas: </strong>128</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Preço sugerido: </strong>R$ 28,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Dublinense</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.dublinense.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/dublinenselogo.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Contos Completos (Sergio Faraco)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/05/contos-completos-sergio-faraco/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 13:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Contos Completos]]></category>
		<category><![CDATA[Editora L&PM]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Sergio Faraco]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1995, Sergio Faraco anunciou que abandonaria a literatura. No mesmo ano, como uma despedida aos seus leitores, foi lançada a primeira edição de Contos Completos, marcando o fim de sua carreira e registrando o apanhado de suas obras nesse campo da literatura. No entanto, em 2000, o autor publicou Rondas de escárnio e loucura, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Contos-completos1.jpg"><img class="size-medium wp-image-16305 alignright" style="margin: 5px; border: 0pt none;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Contos-completos1-211x300.jpg" alt="" width="190" height="270" /></a>Em 1995, Sergio Faraco anunciou que abandonaria a literatura. No mesmo ano, como uma despedida aos seus leitores, foi lançada a primeira edição de <strong>Contos Completos</strong>, marcando o fim de sua carreira e registrando o apanhado de suas obras nesse campo da literatura. No entanto, em 2000, o autor publicou <strong>Rondas de escárnio e loucura</strong>, com 7 contos inéditos. Como resultado disso, Contos Completos acabou por ganhar uma terceira edição, publicada pela L&amp;PM, incluindo as publicações feitas nesses 15 anos desde sua primeira edição e mais 4 contos inéditos.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro é dividido em três partes e obedece a uma organização de temáticas: Na primeira, temos as narrativas relacionadas ao universo da região fronteiriça. Nesses contos, percebemos sotaques e expressões carregadas, bem como os sentimentos e problemas do povo que habita a região em que o tempo se arrasta e a pobreza é comum.  Já na segunda parte, encontramos os contos relacionados ao mundo das crianças e adolescentes. Nas narrativas, passamos por suas descobertas, sentimento de solidão e passagem para a vida adulta através da sexualidade ou situações que exigem maturidade e experiências interiores. A terceira parte se dedica ao homem na cidade urbanizada, com seu sentimento de estar perdido, vítima da próprio ambiente que construiu.<span id="more-16287"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Falando mais especificamente de cada uma das três divisões do livro, posso dizer que a primeira é a de mais difícil leitura, justamente pela grande quantidade de termos regionais. No início, a sensação de falta de total entendimento diante daquilo que está sendo lido pode incomodar, mas, no decorrer das páginas, as narrativas ganham certa fluidez e logo os próprios termos usados passam a compôr o universo que nos é narrado. Muito longe de ser regional, os dramas narrados mostram muito mais uma questão social do que regionalista.</p>
<p style="text-align: justify;">Já os contos da segunda parte, pessoalmente a minha favorita, tratam do universo infantil e adolescente. Destaco, nessa parte, dois contos: Outro brinde para Alice, que narra a doença de uma criança e como os parentes se comportam na espera de uma cura, levando-a para capital: &#8220;Prometer Porto Alegre para um doente era o mesmo que lhe dar extrema-unção. Prometia-se o milagre mas nem sempre a medicina da capital tinha algum no estoque&#8221;. Já o conto Sermão da Montanha, que narra a história do menino Babá, vivendo nas ruas e caçando um frango. Ambas as narrativas mostram que as descobertas dessa fase, na visão de Faraco, vão além das sexuais, recorrentemente tratadas nos contos dessa parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Na terceira parte, os contos revelam a metrópole como o local-chave para desencadear diversos sentimentos nos personagens. Aqui, paira a dúvida, existencialismo e, principalmente, a solidão do indivíduo. As narrativas dessa parte tratam da vida adulta e de um mundo mais modernizado, muito embora a tecnologia não seja, necessariamente, foco das histórias.</p>
<p style="text-align: justify;">Com tudo isso, essa edição de Contos Completos mostra a qualidade da obra de Faraco, um autor que encontra no mundo real todos os elementos para construção de suas narrativas. Cada uma dessas histórias tem essa realidade embutida: Os personagens, apesar de ficcionais, poderiam ter existido ou existir em qualquer lugar, assim como seus sentimentos e situações. A sensibilidade e força que eles ganham são capazes de conquistar o leitor mesmo em narrativas de três ou quatro páginas. Aliás, é esse o verdadeiro poder de um conto: Uma narrativa breve, porém, que contém tudo aquilo necessário para cativar. Além disso, vale notar como Faraco constrói narrativas que dependem muito do ambiente em que cada personagem está colocado. São as suas relações com o universo exterior que habitam que desencadeiam seus sentimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Título: Contos Completos</p>
<p style="text-align: justify;">Autor: Sergio Faraco</p>
<p style="text-align: justify;">Páginas: 350</p>
<p style="text-align: justify;">Preço: R$58,00</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A vida é breve e passa ao lado (Henrique Schneider)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/01/a-vida-e-breve-e-passa-ao-lado-henrique-schneider/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/01/a-vida-e-breve-e-passa-ao-lado-henrique-schneider/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 13:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A vida é breve e passa ao lado]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dublinense]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Schneider]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Breve, como sugere o título, são os contos de Henrique Schneider no livro A vida é breve e passa ao lado, publicado pela editora Dublinense. Se o gênero crônica comporta a fantasia, assim eles poderiam ser classificados. Os textos de não mais que duas páginas escritas por Schneider trazem uma mistura de realidade e corriqueiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/a-vida-e-breve.jpg"><img class="size-medium wp-image-16193 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/a-vida-e-breve-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a>Breve, como sugere o título, são os contos de <strong>Henrique Schneider </strong>no livro <strong>A vida é breve e passa ao lado</strong>, publicado pela editora <strong>Dublinense</strong>. Se o gênero crônica comporta a fantasia, assim eles poderiam ser classificados. Os textos de não mais que duas páginas escritas por Schneider trazem uma mistura de realidade e corriqueiro com a fantasia que dá características incomuns às suas personagens. São 44 contos que buscam falar das alegrias, dramas e tristezas que todos – ou quase todos – enfrentam na vida, e tudo em poucas linhas – uma exigência, certamente, do espaço que tem no jornal em que elas foram originalmente publicadas, o ABC Domingo que circula na região do Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: justify">A maioria dos textos segue uma estrutura simples na apresentação de seus “conflitos”. O texto inteiro descreve as personagens, monta todo um cenário para as tramas que, no fim, tem o contexto alterado com uma única frase na última linha. Isso traz surpresa para o leitor, tira o conto do que seria mais uma história normal do cotidiano, arranca as personagens de um estado de conforto e abre portas para novos dramas que devem ser preenchidos pelo próprio leitor – é tarefa dele completar os espaços não narrados por Schneider e dar um verdadeiro fim a essas histórias.<span id="more-16192"></span></p>
<p style="text-align: justify">Contos como <strong>As duas irmãs</strong>, que narra a vida de duas mulheres que vivem juntas, mas não se falam há anos e se ignoram dentro do mesmo espaço, se destacam pela melancolia do desfecho. <strong>A tempestade</strong> é um dos textos mais interessantes também, a história de uma cidade que teme pela chegada de uma tempestade anunciada há dias pelo rádio, enquanto o tempo segue ensolarado e bonito – clara crítica a uma sociedade que acredita sem ressalvas na mídia, enquanto tudo aponta para o contrário do que se diz. Outros textos conseguem trabalhar o humor, como <strong>Boa vizinhança</strong>, conto em que um homem envia um bilhete desesperado ao seu vizinho reclamando da planta carnívora que invadiu seu apartamento e consome tudo o que há nele.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar de alguns bons contos, no total <strong>A vida é breve e passa ao lado</strong> não é uma leitura que marca o leitor – os textos curtos vêm, passam, e logo dão lugar a outras leituras sem deixar muitas lembranças. Não são descartáveis, ou más leituras ou perda de tempo, não mesmo &#8211; Henrique Schneider tem sim boa mão para a escrita -, mas também não são inesquecíveis. São textos que trabalham coisas simples do dia-a-dia com igual simplicidade, com sua pitada de ficção e fantasia que aponta para várias interpretações e chegam a tirar as histórias do lugar-comum, mas que não vão muito além do que já encontramos por aí na literatura.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>A vida é breve e passa ao lado</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Autor: </strong>Henrique Schneider</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Editora: </strong>Dublinense</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Páginas: </strong>96</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Preço sugerido: </strong>R$ 26,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Dublinense</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.dublinense.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/dublinenselogo.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>A pedra que cresce (Albert Camus)</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 19:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[100 Contos Essenciais]]></category>
		<category><![CDATA[A Pedra que Cresce]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[O Exílio e o Reino]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado em 1957 no livro &#8220;O Exílio e o Reino&#8221;, A pedra que cresce conta  a história do engenheiro d&#8217;Arrast, chamado a Iguape, pequena cidade litorânea em São Paulo, para ali construir uma represa. D&#8217;Arrast chega à cidade embaixo de chuva e em meio às comemorações do Bom Jesus de Iguape. A visão do estrangeiro sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/iguape-procissao-do-bom-jesus-de-iguape.jpg"><img class="size-medium wp-image-16115 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/iguape-procissao-do-bom-jesus-de-iguape-236x300.jpg" alt="" width="236" height="300" /></a>Publicado em 1957 no livro &#8220;O Exílio e o Reino&#8221;, <strong>A pedra que cresce </strong>conta  a história do engenheiro d&#8217;Arrast, chamado a Iguape, pequena cidade litorânea em São Paulo, para ali construir uma represa. D&#8217;Arrast chega à cidade embaixo de chuva e em meio às comemorações do Bom Jesus de Iguape.</p>
<p style="text-align: justify">A visão do estrangeiro sobre os costumes de uma cidadezinha do interior, onde procissões católicas e terreiros de macumba convivem e se misturam, onde brancos, negros, mestiços, mulatos e japoneses são um só povo, que fala uma língua que ele não entende, é o foco da história.</p>
<p style="text-align: justify">Albert Camus visitou Iguape entre 5 e 7 de agosto de 1949. Ali chegou com seu amigo Oswald de Andrade, na festa religiosa do Bom Jesus do Iguape. Por um motivo não explicado, Camus é alojado no Hospital &#8220;Feliz Lembrança&#8221;, e ali conhece a história do Bom Jesus, estátua que, como tantos outros santos brasileiros, foi encontrado num curso de água (neste caso, o encontro entre o mar e o rio). Reza a lenda que esta estátua ficava mais leve ao rumar para Iguape e que a pedra onde foi lavada mantém seu tamanho original, não importa quantas lascas dela forem tiradas.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-16111"></span></p>
<p style="text-align: justify">Camus se viu tão impressionado que transferiu esta experiência para a ficção. D&#8217;Arrast fica abismado com a diversidade cultural e física dos brasileiros. Acolhe com espanto os ritmos e as danças do candomblé, às quais participa quase involuntariamente. Se incomoda com o excesso de importância que os &#8220;notáveis&#8221; da cidade lhe conferem. Através de Socrate, conhece pessoas das camadas mais baixas da sociedade, entre eles um cozinheiro de navio que fez uma promessa por ter sido salvo de um naufrágio. E nos casebres dos pobres conhece a felicidade.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>A pedra que cresce</strong> conta a história de um Brasil que as grandes metrópoles não veem. De um Brasil capaz de unir toda uma cidade numa comemoração religiosa; capaz de se orgulhar de sua diversidade cultural, de sua mistura étnica, de suas idiossincrasias. É também o relato de um estrangeiro sobre uma cultura considerada exótica, e se algumas vezes o texto usa termos hoje considerados racistas, o autor trata a cultura brasileira com bastante respeito, e até admiração, nos lembrando que não podemos julgar com as regras morais do século XXI um texto dos anos 50. O conto encanta pela simplicidade do relato, pelo francês incorreto que o autor empresta a seus personagens brasileiros, e por contar a história brasileira que muitos brasileiros desconhecem.</p>
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