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	<title>Meia Palavra &#187; Comportamento</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>Entre o filme e a filosofia: Dogville e Nietzche</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 15:22:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Além do Bem e do Mal]]></category>
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		<category><![CDATA[O Anticristo]]></category>

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		<description><![CDATA[“Há homens que já nascem póstumos”. Nietzsche tinha plena consciência de que suas idéias somente influenciariam gerações posteriores àquela que pertenceu. Se durante a sua época o filosofo não foi valorizado, no século seguinte ocorreu exatamente o oposto: Ele se tornou um dos mais célebres pensadores a serem discutidos e assim segue até hoje.
Li sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/dogville1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2976" style="margin: 5px; border: 0px;" title="dogville1" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/dogville1-213x300.jpg" alt="" width="149" height="210" /></a>“Há homens que já nascem póstumos”. Nietzsche tinha plena consciência de que suas idéias somente influenciariam gerações posteriores àquela que pertenceu. Se durante a sua época o filosofo não foi valorizado, no século seguinte ocorreu exatamente o oposto: Ele se tornou um dos mais célebres pensadores a serem discutidos e assim segue até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Li sua crítica ardente à sociedade e o ser humano nos livros “Alem do Bem e do Mal”, que mostra as diferentes facetas que uma pessoa pode assumir, e, sobretudo, “O Anticristo”, onde ele mostra que o mal da sociedade está na fé cega. Eles ficaram por um bom tempo na minha cabeça. (e é comum isso acontecer com leitores de Nietzsche). A ideia agora é mostrar como o pensamento desse filósofo pode ser visto em um filme. Escolhi falar hoje sobre Dogville, porque não vejo melhor exemplo de narrativa que se foca tão somente nos personagens do que essa.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2975"></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>DOGVILLE: A História</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dogville é uma pequena cidade que fica nas montanhas rochosas dos EUA. A região passa por tempos difíceis, mas seus poucos habitantes continuam vivendo no local, cada um cumprindo sua função. Com a chegada de Grace, as coisas mudam bruscamente, ora para o bem, ora para o mal. O final do filme não poderia ser mais surpreendente. Na narrativa, encontramos alguns momentos monótonos, do cotidiano dos moradores da cidade, mas, assim como na vida real, as coisas podem mudar bruscamente. Acho que essa é a grande graça do filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa que chama muita atenção é o fato do filme praticamente não usar cenário. A impressão que temos é que os personagens caminham sobre uma grande planta baixa de cidade. As casas não têm paredes, teto, ou portas. A iluminação e figurino também tende a usar cores neutras e sem destaque. Quando você assiste ao filme, só lhe resta uma opção de foco: Os personagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Pra mim, o diretor Lars Von Trier soube muito bem como articular a história. Assisti-lo é uma verdadeira aula do que é vida em sociedade. Se numa primeira vista os moradores são boas pessoas, que seguem seu cotidiano, eles também escondem um outro lado. Eles assumem uma personalidade para a cidade, mas existe um lado que somente eles (e nós, que assistimos o filme) podemos ver. E é até irônico, porque como não existe realmente um cenário, é como se todos os personagens pudessem ver o que acontece na trama, afinal está diante dos olhos deles, mas não vêem. Como já disse antes, é surpreendente.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>No olhar de Nietzshe&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Falando sobre religião, uma das críticas que Nietzsche faz ao cristianismo é o fato do padre agir como se fosse um ser acima dos outros; um ser que acredita que pode mudar decisões, mostrar os princípios de moralidade e pregar com sabedoria, sendo sempre inquestionável. Dogville possui uma igreja, mas não um padre. Mesmo assim, o personagem Tom se assemelha à essa figura pois organiza “sermões” toda semana para os moradores e também se enxerga como um ser superior, como mostra o trecho do filme: “Tom organizara reuniões semanais sobre rearmamento moral e era seu dever beneficiar a cidade com elas [...] Se alguém tentava decifrar qual era a sua profissão ele responderia “mineração”. Ele não abria caminho através de rochas, mas de algo ainda mais duro. Ou seja, a alma humana. Bem onde ela cria bolhas.”</p>
<p style="text-align: justify;">Já sobre o amor, para o filósofo, “O amor é o estado em que os homens mais têm probabilidade de ver as coisas como elas não são” e a personagem de Grace é prova disso. Ela se apaixona por Dogville e passa a ver a cidade como um lugar bom e acolhedor, ela trabalha para todas as pessoas e confia profundamente em Tom. O personagem Chuck chega a avisá-la desse sentimento um pouco antes dela conhecer a fundo Dogville: “Essa cidade apodreceu, e de dentro pra fora&#8230; essa cidade não me atrai, mas atrai você. Admita, você se apaixonou por Dogville[...]As pessoas são iguais em todos os lugares: gananciosas como animais”. Mas Grace não consegue enxergar o que está bem a frente de seus olhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à moralidade, a sociedade de Dogville está cercada de valores morais que, segundo Nietzsche, transforma as pessoas em um rebanho facilmente manipulável. Esta moralidade, contudo, não se mantém o tempo todo: As pessoas se comportam seguindo esses valores quando estão em grupo, mas seguem seus próprios sentidos quando sozinhas. Prova disso está nas chantagens, agressões e estupros que Grace recebe ao longo do filme quando está sozinha com algum dos personagens. Esse comportamento muda quando atinge a esfera pública. Nietzsche fala que é hipocrisia dizer que o ser humano segue a moralidade imposta sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, a vontade de potência, termo que Nietzsche usa para denominar tudo que uma pessoa pode ser, mas não é. Neste sentido, o filme se inicia com uma frase que mostra a ausência de vontade de potência nas pessoas de Dogville: “esta é a triste história da cidade chamada Dogville. Dogville ficava nas Montanhas Rochosas dos EUA. [...] Os residentes de Dogville eram honestos e gostavam de sua cidade. Embora alguma alma do leste tenha dado à rua principal o nome de Elm e embora não haja olmo algum por aqui, eles não viram razão para mudar coisa alguma”. Assim se comportam as pessoas de Dogville: Não pensam em mudar nada. Nietzsche acredita que a vontade de potência é anulada quando entra em jogo a moralidade, quando o ser humano deixa de seguir o seus sentidos: “Considero corrupto um animal, um indivíduo, uma espécie quando despreza seus sentidos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro exemplo claro da ausência da vontade de potência pode ser percebido pelo personagem Bill Henson, que estudava, mas tinha plena consciência de que sempre seria um idiota: “Bill era burro, e sabia disso. Idiota demais para se tornar engenheiro, e tinha certeza disso.”</p>
<p style="text-align: justify;">Dogville, se torna, por tudo isso, um filme realmente clássico e indispensável para fãs de cinema, assim como Friedrich Nietzsche é para quem gosta de analisar a sociedade. Mas essa é só a minha opinião, e como diria o filósofo “Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.”</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a autora: Ingrid Coelho também pode ser escontrada no blog <a href="http://dindivagando2.blogspot.com">Dindivagando</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5130">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F25%2Fentre-o-filme-e-a-filosofia-dogville-e-nietzche%2F&amp;linkname=Entre%20o%20filme%20e%20a%20filosofia%3A%20Dogville%20e%20Nietzche">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Paulo Coelho, o Brasil e a Europa</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 12:11:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Coelho]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu passei a minha vida inteira ouvindo as pessoas falarem mal das obras de Coelho.Fora os fiéis fãs do autor, me parece que todo o resto do país tende a não gostar de seus escritos. Mas jamais dei muita atenção para a popularidade, ou falta dela, do escritor no Brasil, até eu mudar de país.
Assim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/paulo-coelho.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1959" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="paulo-coelho" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/paulo-coelho-211x300.jpg" alt="paulo-coelho" width="211" height="300" /></a>Eu passei a minha vida inteira ouvindo as pessoas falarem mal das obras de Coelho.Fora os fiéis fãs do autor, me parece que todo o resto do país tende a não gostar de seus escritos. Mas jamais dei muita atenção para a popularidade, ou falta dela, do escritor no Brasil, até eu mudar de país.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como a maioria, eu sempre soube que os livros do brasileiro são muito lidos mundo a fora, principalmente na Europa. Quando cheguei à Alemanha, me pus a pesquisar sobre essa diferença de opiniões, e a coisa esquentou.</p>
<p style="text-align: justify;">Comecei a minha “jornada curiosa” nas minhas livrarias favoritas e na maior rede de livrarias por aqui. Todas elas, sem exceção, contaram-me sobre o enorme sucesso dos romances de Coelho e sobre suas vendas excelentes. Confesso que toda vez que ouvia frases como essa eu coçava a minha cabeça e tentava entender. Perguntava-me se a resposta estava na tradução.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1802"></span>O meu interesse diminuiu e eu acabei esquecendo a temática, até que em uma conversa corriqueira na redação onde trabalhava, uma amiga alemã, que estudou Literatura e Teatro, me disse que Paulo Coelho era o seu escritor favorito. Aí vocês podem imaginar a minha confusão. Eu informei a ela sobre as críticas negativas que ele recebe no Brasil e ela ficou chocada.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando pensei ter todo o material que eu precisava para este artigo, ouvi mais uma conversa intrigante: Uma amiga da minha faculdade estava contando, eufórica, que há poucas semanas havia comprado seis livros do Paulo Coelho e mal podia esperar para terminar todos; e disse: “ ‘Veronika decide morrer’ salvou a minha vida”. Entendam vocês que eu precisei interromper sua narrativa. A minha curiosidade falou mais alto que a minha educação. Eu mencionei à ela e às outras quatro, que suspiravam ao ouvir falar do livro, que seus romances não são exatamente benquistos no meu país.</p>
<p style="text-align: justify;">Ali eu percebi estar discutindo um problema cultural, e a pergunta que eu fiz a elas, farei aqui. Será que a intolerância brasileira para com os livros de Coelho tem a ver com a maneira como ele usa o idioma ou com os assuntos que ele aborda? Será que nós somos tão culturalmente forçados a aceitar uma única verdade que todas as outras são imediatamente descartadas? Eu não estou aqui defendendo ou criticando qualquer coisa, mas levantando uma questão que me interessa pessoalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Sei que uma grande percentagem de pessoas que lêem muito não se deixam levar por especulações religiosas ou pela mentalidade de suas crenças. Mas será mesmo que é a Literatura como arte e não a nossa cultura que não aceita as suas histórias? Naquele momento eu vi que os europeus pensam que sim. Uma outra amiga, que morou na Bolívia, disse entender perfeitamente porquê o povo brasileiro evita os livros de Paulo Coelho, pois por mais “avançada” que seja uma mente sulamericana, ela ainda vai carregar em suas entranhas os preconceitos cristãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se eu estava conversando com um bando de mulheres desesperadas, que precisam de palavras de auto-ajuda, ou se nós somos preconceituosos irremediáveis, não sei, mas fato é que Coelho é apedrejado no Brasil e adorado na Alemanha, se isso tem a ver com um deus único ou a falta dele, eu deixo em aberto. E se nós realmente levamos nossa cultura impregnada no sangue, eu continuo me perguntando…</p>
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		<title>Todo escritor é RPGista</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/11/24/todo-escritor-e-rpgista/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 00:15:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Escritor]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de começar, um aviso. Este post baseia-se unica e exclusivamente em minha opinião, como RPGista, leitora e escritora eventual.
Pensem comigo. Qual a primeira coisa que um jogador de RPG deve fazer? Montar um personagem. Ele tem a ajuda de uma ficha, para não esquecer nenhuma característica importante ou especial. Ele possui listas – e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/rpg1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1867" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="rpg1" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/rpg1-300x210.jpg" alt="rpg1" width="280" height="196" /></a>Antes de começar, um aviso. Este post baseia-se unica e exclusivamente em minha opinião, como RPGista, leitora e escritora eventual.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensem comigo. Qual a primeira coisa que um jogador de RPG deve fazer? Montar um personagem. Ele tem a ajuda de uma ficha, para não esquecer nenhuma característica importante ou especial. Ele possui listas – e livros, vários livros – onde escolher atributos, poderes, armas, roupas, e até altura e raça. Tudo isso ele faz pensando em como encaixar seu personagem à história que o mestre montou e ao grupo com o qual vai jogar. É um trabalho de análise. Leva horas, às vezes até dias, para transformar aquela ficha cheia de números num personagem coerente. E é um exercício de criatividade, que indico para todos que querem escrever.<span id="more-1866"></span>Seu personagem de jogo ganha vida própria conforme este prossegue. Cada encontro o leva a ter uma reação conforme sua personalidade, montada com aqueles números no papel. E a cada sessão essas características ficam mais fortes, e o grupo mais coeso. Logo, o grupo de aventureiros (ou de vampiros, lobisomens, anjos, demônios, punks, androides e etc) sabe como puxar o botão daquele personagem, seus gostos, desgostos, reações, pontos fortes e pontos fracos, e ele vai se separando da personalidade do autor.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por isso que conversa de RPGistas costuma não fazer sentido para pessoas “normais”. Os jogadores já conhecem o personagem tão a fundo, que começam a contar as histórias dele em primeira pessoa, o que gera algumas frases, que, se captadas num ônibus lotado, faz com que pareçam loucos, algo como isso:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>_ Daí a gente passou horas tentando matar aquele dragão… </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>_ eu acertei aquela flecha bem no meio da testa do Lych, e ele nada, nem dano tomou.. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>_ E arrebentaram a porta do meu apartamento, fiz da porta uma prateleira. Quero ver o vampiro arrebentar a porta de novo.. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>_ …Daí eu peguei aquele lobisomem, mas ele entrou na forma Crinus e quase acabou comigo </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>_ E ela mandou o demônio se danar! Um demônio!!! E ela tinha força 1, é louca… </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>_ Eu lembro do Sir William, que morreu por causa do dado mata-player…</em></p>
<p style="text-align: justify;">O escritor também é, em essência, um RPGista. RPG, para quem ainda não sabe, significa Role Playing Game – ou o jogo de interpretação de papéis. Um escritor começa com uma vaga ideia de como serão suas personagens, e em que mundo elas viverão. A cada parágrafo, aqueles traços vagos tomam forma, criam feições próprias, tem até ações inesperadas. Não raro, vemos em entrevistas os escritores falando de seus personagens como filhos, tão palpáveis e complexos como estes. Pela cabeça do escritor passa cada suspiro, cada nuance do rosto, cada característica, como ele reagiria a cada tipo de estímulo, muito disso nem fazendo parte do livro no qual se insere.</p>
<p style="text-align: justify;">Exatamente como acontece com o personagem do jogo. O jogador sabe, quase instintivamente, cada nuance daquele ser que só existe no papel – ou numa miniatura – como ele reage em situações de stress, como se comporta à noite sozinho, de onde veio, quais seus objetivos na vida. Por mais que seus acertos dependam muito de sorte, afinal quase tudo que ele faz depende dos dados, eles sabem como reagiriam.</p>
<p style="text-align: justify;">A maior diferença, acredito, é o fato do escritor ser ao mesmo tempo jogador e mestre. Tudo sai por conta dele. Os livros guia, de características, são as pesquisas que ele faz para montar o personagem, os livros que o autor leu, as suas experiências de vida, os filmes que viu, cada jantar de família. A ficha cheia de números é o perfil que ele se obriga a montar, nem que seja para responder perguntas de jornalistas. O mundo, pode ser algo pré-estabelecido, ou algo totalmente novo, e quanto mais passa o tempo, mais real a história se torna… E o escritor se pega vivendo a vida de um personagem, sendo levado por ele, sem muito controle do que faz.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por isso que acredito nesta frase do início… Todo escritor é RPGista…</p>
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		<title>Personagens franceses no imaginário brasileiro</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 02:49:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Jacques Couteaux]]></category>
		<category><![CDATA[Jacques Vallée]]></category>
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		<description><![CDATA[No cinema, Jacques Vallée, autor de Dimensions: A Casebook of Alien Contact, foi o escolhido por Steven Spielberg como modelo para o personagem Lacombe, o cientista francês interpretado por François Truffaut no seu famoso filme &#8220;Contatos Imediatos do Terceiro Grau&#8221;. Costumo dizer, que esse personagem povoa nossa imaginação como um exemplo de comportamento humanista. Foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/contatos3.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1222" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="contatos3" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/contatos3.jpg" alt="contatos3" width="200" height="163" /></a>No cinema, Jacques Vallée, autor de Dimensions: A Casebook of Alien Contact, foi o escolhido por Steven Spielberg como modelo para o personagem Lacombe, o cientista francês interpretado por François Truffaut no seu famoso filme &#8220;Contatos Imediatos do Terceiro Grau&#8221;. Costumo dizer, que esse personagem povoa nossa imaginação como um exemplo de comportamento humanista. Foi em 1961 que a sua primeira obra de ficção científica, &#8220;O Sub Espaço&#8221;, foi publicada por Georges H. Gallet, diretor do &#8220;raio fantástico&#8221;. Com esta obra, Vallée ganha o prêmio Jules Verne sob o pseudônimo de Jérome Série. Depois Vallée é convidado para integrar a inteligência artificial e se junta ao projeto Blue Book.</p>
<p style="text-align: justify;">Na área de documentários, a beleza da natureza e sua defesa, conhecimentos que se tornaram populares no Brasil, um nome salta de imediato, Jacques Couteaux.<span id="more-1124"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No campo histórico e cultural temos Carlos Magno, com um império que foi responsável pelo renascimento da cultura e conhecimento no oeste; Joana D&#8217;Arc; La Salle, com seu método de ensino à criança; <a href="http://www.estadao.com.br/especiais/100-anos-de-levi-strauss,38179.htm" target="_blank">Claude Lévi-Strauss</a>, Émile Durkheim, Pierre de Coubertin, Simone de Beauvoir, P. Bourdieux, o pensador Foucault e muitos outros&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/kirikou2_10-250.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1223" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="kirikou2_10-250" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/kirikou2_10-250.jpg" alt="kirikou2_10-250" width="250" height="146" /></a>Na animação a genealidade é do animador <a href="http://www.youtube.com/watch?v=gxUiV9-R26k&amp;NR=1" target="_blank">Michel Ocelot</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Na literatura e poesia, Gustave Flaubert, Julio Verne, Alexandre Dumas o pai e o filho, André Breton, Bernard-Marie Koltès, A. Rimbeau, Paul Verlaine, Charles Baudelaire, A. Saint-Exupery, &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Nas artes e arquitetura inúmeros são nossos conhecidos, destaco na atualidade o trabalho do artista <a href="http://www.titouanlamazou.com/" target="_blank">Titouan Lamazou</a> e o arquiteto que influenciou os melhores do Brasil: Le corbusier. Sendo esse um inspirador não só aos de sua área, também nosso escritor &#8220;João Cabral&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/75.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1224" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="75" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/75.jpg" alt="75" width="200" height="289" /></a>Na música dou destaque para Piaf e <a href="http://www.jeanmicheljarre.com/discography" target="_blank">Jean Michel Jarre</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">A vinda da família real ao Brasil, está no nosso imaginário como um &#8220;empurrão&#8221; francês, para o bem ou mal. Eu creio que para os brasileiros observar a realeza de perto foi um choque cultural.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrava ainda que a Inglaterra trazia significados de frieza, distância e inflexibilidade, enquanto a França se abrira aos sonhos, ao respeito pelas artes. Uma abertura antes à beleza e as sensações do que a razão fria, até alcançar o ponto de abandonar o mórbido e construir a realidade antes só almejada.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é uma pequena mostra de personalidades conhecidas e culturalmente respeitadas no que se refere à França. Fica o convite para engrossar essa lista com os seus personagens inesquecíveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=3388" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA<br />
</a></p>
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		<title>Frases de Efeito</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 13:09:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pips</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Lobão]]></category>
		<category><![CDATA[Maquiavel]]></category>
		<category><![CDATA[MTV]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[ As frases de efeito podem ser encontradas facilmente em perfis de internet, já que às vezes é bem mais fácil pegar uma sentença pronta, bonita e poética e usá-la com o simples efeito de explicarem quem somos. O cuidado que deve ser tomado é: realmente sabemos de onde tiramos essa frase? Ela significa o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/lobao1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2835" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="lobao" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/lobao1.jpg" alt="" width="250" height="188" /></a> As frases de efeito podem ser encontradas facilmente em perfis de internet, já que às vezes é bem mais fácil pegar uma sentença pronta, bonita e poética e usá-la com o simples efeito de explicarem quem somos. O cuidado que deve ser tomado é: realmente sabemos de onde tiramos essa frase? Ela significa o que eu realmente sou ou o que quero dizer?</p>
<p style="text-align: justify;">Lobão tem músicas que sempre ficaram na minha cabeça. Quando tocam na rádio, é raro eu mudar de estação ou diminuir o volume &#8211; muitas vezes ainda sou pego cantando os versos. Mas não é sobre o cantor que quero falar, e sim do Lobão mediador do MTV Debate. Acontece que um dos programas era sobre a internet e o isolamento das pessoas. Enquanto questões como falta de convívio social, apatia e vício eram discutidas, um dos convidados soltou o refrão “A maior expressão da angústia/Pode ser a depressão/Algo que você pressente”, de uma das músicas mais famosas de Lobão, como uma espécie de alusão ao que ele tentava explicar. O cantor não se sentiu elogiado e, categórico, disse que não havia qualquer sentido naquela citação porque ela não se referia ao assunto.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-110"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Muitas vezes temos o costume de soltar frases feitas para explicar, ilustrar ou economizar o que queremos dizer no dia-a-dia. Não estou falando somente sobre os ditados populares ou famosos chavões (“quem não tem cão caça com gato”), mas também sobre sentenças célebres que o emissor às vezes nem sabe de onde tirou e se realmente se encaixa com a mensagem que ele quer emitir. Um dos exemplos clássicos é citar “os fins justificam os meios” para explicar as atitudes que nos levaram a fazer determinada coisa. O que acontece é que essa frase não pode ser aplicada em qualquer caso. Maquiavel, ao citá-la, não poderia prever o alvoroço que ela causaria, apesar de ser uma síntese do pensamento geral de sua obra (ele nunca escreveu essa frase): é de acordo com os objetivos que temos que vamos traçar nos planos, e não usá-los como desculpa pelas nossas falhas ou para nossos atos impensados. A reflexão vem antes de tudo, e não ao contrário. Profanar essa frase para justificar o próprio ato já mostra a incoerência do causador.</p>
<p style="text-align: justify;">Não podemos exigir que todas as pessoas leiam obras políticas ou famosas, mas parece razoável esperar que pelo menos pensem antes de falar. Em muitas ocasiões as pessoas citam o que ouviram de mais bonito como: “ser ou não ser”, “ao vencedor as batatas”, “não entre em pânico” (apesar de que um bombeiro falando isso é bem útil e pode ser coerente com a situação), “definir seria limitar-me”, “complicada e perfeitinha”, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">De tanto citarmos essas frases, podemos acabar fazendo com que se tornem um grande livro de auto-ajuda. Claro que é divertido soltar frases em meio a brincadeiras e ilustrações, mas não podemos esquecer que nosso receptor pode se aprofundar e replicar de maneira brilhante. Sem contar que muitas vezes as entrelinhas não são entendidas por quem recitou, e a frase, na realidade, significa totalmente ao contrário do que se quis dizer. Portanto, citando certo ou errado, devemos pensar antes de falar e ao menos saber do que estamos falando.</p>
<p style="text-align: justify;">E isso sim é elementar, meus caros.</p>
<p style="text-align: justify;">Obs.: Olhem o top 10 desse <a href="http://www.frasesfamosas.com.br/">site</a> (o dominio foi suspenso a pouco, desculpe) e vejam as frases e autores mais acessados, garanto que vocês conhecem a maioria.</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=1328"><strong>Comente esse post no Fórum Meia Palavra.</strong></a></p>
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		<title>As sementes da flexibilidade I</title>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2008 23:24:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Surrealismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Há normas e regras rígidas em tudo o que é oficial. Sabe-se que sua existência pretende a conservação da sociedade estabelecida. Nesse modelo, em geral, não há válvula de escape. Nada deve colocar em risco o poder estabelecido.
Ora, ora&#8230; Um ambiente fechado sob pressão tenderá a explosão, todos sabemos. No entanto, pactuamos com as regras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há normas e regras rígidas em tudo o que é oficial. Sabe-se que sua existência pretende a conservação da sociedade estabelecida. Nesse modelo, em geral, não há válvula de escape. Nada deve colocar em risco o poder estabelecido.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/magritte-the-famine1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2771" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="magritte-the-famine" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/magritte-the-famine1.jpg" alt="" width="144" height="122" /></a>Ora, ora&#8230; Um ambiente fechado sob pressão tenderá a explosão, todos sabemos. No entanto, pactuamos com as regras gerais, com os padrões, mesmo que se perca um pouco de identidade, um pouco de flexibilidade, um pouco ou muito de liberdade. Claro que temos uma consciência a zelar e para ela também temos uma resposta dentro das normas: “É para o bem comum.”<em> Bem comum</em>, pressupõe-se o bem da comunidade. Um funcionamento mais-que-perfeito, tanto que, pode parecer uma unidade. Será que nossos sensores ratificam tranqüilamente essa afirmação?<span id="more-75"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Em um modelo semelhante ao descrito acima nasce o movimento surrealista</strong></em><br />
Em busca de flexibilidade no modo de escrever, nas expressões artísticas, nas relações pessoais e sociais.<a href="http://www.meiapalavra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/05/magritte-the-good-omens.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-106" style="float: right; margin: 5px;" title="magritte-the-good-omens" src="http://www.meiapalavra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/05/magritte-the-good-omens.jpg" alt="" width="144" height="101" /></a> No <em>surrealismo</em> o pensamento e a arte não podem, de maneira alguma, ser considerados ameaças a uma sociedade e sim expressões de sua vivência.</p>
<p style="text-align: justify;">No primeiro <a title="Manifesto Surrealista" href="http://www.culturabrasil.org/breton.htm" target="_blank">manifesto de <em>Surrealismo</em></a> em 1924, <em>André Breton</em> declara que o novo princípio determinador do movimento era o “automatismo psíquico”, que queria dizer:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>a liberdade do pensamento de “qualquer controle exercido pela razão, isento de qualquer preocupação moral ou estética”.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">O surrealismo “é baseado na crença na realidade superior de certas formas de associação previamente negligenciadas, na onipotência do sonho, no jogo desinteressado do pensamento.” E mais adiante: “acredito na futura resolução desses dois estados, sonho e realidade, que aparentemente são tão contraditórios, em um tipo de realidade absoluta, uma surrealidade (sur = “sobre”, “acima” em francês).”</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que um mero admirador de Freud, <em>Breton</em> acreditava que a psicanálise poderia ser usada não só para tratar enfermidades mentais, mas para transformar a vida de uma maneira geral. Esta interpretação radical de Freud é um dos principais temas do primeiro manifesto <em>surrealista</em>: “Se as profundezas de nossa mente contêm estranhas forças capazes de aumentar as forças que estão na superfície, ou de travar uma batalha vitoriosa contra elas, há todo interesse em procurá-las&#8230; Não se poderia usar também o sonho na solução das questões fundamentais da vida?”</p>
<p style="text-align: justify;">Um convite a espontaneidade. Um movimento em que a musa inspiradora era a mulher. Libertar-se do extremo racionalismo dominante, das linhas retas, dos conceitos da época, de certo e errado. Os <em>surrealistas</em> esperavam que as pessoas voltassem a experimentar, e não só repetir fórmulas prontas, verdades determinadas por uma elite dominante, irrefletidamente.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>A união criativa do consciente com o inconsciente é o que se costuma chamar de “inspiração”. <em>(Trotsky)</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">O sonho, considerado agora, não mais um sintoma de doença e sim uma de nossas melhores capacidades. A liberdade de imaginar, fantasiar, criar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Referências:</strong></em><br />
Breton, <em>Manifesto Surrealista 1924</em><br />
Leon Trotsky, <em>My Life: An Attempt at an Autobiography</em><br />
Site, <em>http://www.wsws.org/pt/2007/mar2007/port-m17.shml</em><br />
Imagens: <em>http://picasaweb.google.com/arte4fun/ReneMagritte</em></p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=1313"><strong>Comente esse post no Fórum Meia Palavra.</strong></a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2008%2F05%2F08%2Fas-sementes-da-flexibilidade-i%2F&amp;linkname=As%20sementes%20da%20flexibilidade%20I">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ler é chato</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 23:24:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Literário]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada melhor que um título para contradizer o que vou falar&#8230; ou não. Na verdade não se trata de uma contradição com relação às frases que vão compôr esse texto, mas uma contradição com o que eu penso.
Há duas semanas, se não me engano, houve uma Feira do Livro aqui em Joinville. Uma semana com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/livro_jb1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2817" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="O-073-0106" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/livro_jb1.jpg" alt="" width="200" height="257" /></a>Nada melhor que um título para contradizer o que vou falar&#8230; ou não. Na verdade não se trata de uma contradição com relação às frases que vão compôr esse texto, mas uma contradição com o que eu penso.</p>
<p style="text-align: justify;">Há duas semanas, se não me engano, houve uma Feira do Livro aqui em Joinville. Uma semana com exposições de livros, bancas com livros a R$3 e outras com descontos de 20 a 50%. Além disso, vários autores nacionais foram trazidos para falar de suas obras, da experiência no mundo das letras, para se aproximarem dos leitores&#8230; que leitores?</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, eu pergunto pois em entrevista com a presidente do Instituto Feira do Livro, ela me disse que pedia pelo amor de Deus para as pessoas que passavam, que parassem e ficassem ali pelo menos dez minutos para dar volume e não decepcionarem o escritor, porque não havia quase ninguém na conversa&#8230;. Outro agravante é a quantidade de livros vendidos. Além de ser baixo, as pessoas que iam à feira só eram atraídas pois se estava dando canetas de brinde&#8230; O livro não interessa&#8230; a caneta é mais útil&#8230;<span id="more-73"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas eu poderia pensar que isso aconteceu pela falta de patrocínio e, conseqüentemente, pela pouca divulgação do evento. Mas o que explica, então, a situação crítica das livrarias da maior cidade de Santa Catarina? Existem aqui três livrarias. Dessas, uma está quebrada e a outra só se sustenta pois é uma rede de lojas que vende, além de livros, CDs, DVDs, jogos etc. e tal. Resta somente uma que vive da venda de livros e papelaria, unicamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, mas para não achar que a situação é só aqui em Joinville, eu tenho outro dado: a média de leitura do brasileiro é de 3 ponto alguma coisa livros por ano. Não chega a quatro livros por ano! A Colômbia tem uma média de 7 livros/ano. Agora lembrem do tamanho da Colômbia! Olha a situação política do país! E a gente lê menos que eles! Não menosprezando os colombianos, mas é que o nosso preconceito (pelo menos meu, pra não generalizar) faz com que seja um dado incrível e vergonhoso para nós. O que me deixou um pouco mais feliz é que ainda dentro do Brasil nós temos um estado chamado Rio Grande do Sul que tem uma média de leitura de 9 livros/ano. Isso é muito bom! Não é à toa que eles queriam ser uma nação independente.</p>
<p style="text-align: justify;">O que leva a tudo isso? Desculpem-me qualquer expressão chula que eu use aqui, pois esse assunto me revolta. Justamente porque não há hábito de leitura nas famílias e as pessoas dão desculpa que não tem mais tempo! Purrinholas que não tem mais tempo! Vai ver a média de televisores que ficam ligados nos domingos vendo Faustão e Gugu! Vão conferir a quantidade de famílias vendo a novela das oito. E pior! Vão pesquisar pra ver a porcentagem de brasileiros que ficam viciados em Big Brother Brasil! E ainda dizem que não tem tempo! Faça-me o favor!</p>
<p style="text-align: justify;">Os jornais impressos estão definhando. As pessoas querem as coisas prontas, mastigadas. Economistas internacionais estão convencendo seus empresários a pararem de investir em ações de jornais como The New York Times, The Washington Post, porque estão na pindaíba. Porque as pessoas dizem não terem tempo para ler.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas vamos voltar aos livros. As pessoas dizem que livros são caros, mas qual é o esforço que os jovens e as famílias fazem para adquirir um livro? Gastam-se dezenas de reais em filmes (piratas, muitas vezes, porque é mais barato), compra-se celular do último modelo, tênis da marca mais cara, mesmo tendo trocentos em casa, troca-se de piercing toda semana e não tem dinheiro para comprar livro? É caro? Gente, a última vez que saí com meus amigos à noite eu gastei perto de R$100! Um livro você compra por R$20!</p>
<p style="text-align: justify;">Daí eu tiro a conclusão: o livro não é caro. É caro se você não der importância a ele na sua vida. Não será caro um celular cheio de apetrechos se isso você definir como importante pra você. Assim como um livro não será caro se você definir como algo vital para seu intelecto e sua formação como gente e cidadão.</p>
<p style="text-align: justify;">Perdoem-me se deu a entender que eu acho tudo supérfulo e que a gente vai encher a barriga com livro. Mas certamente as pessoas teriam pensamentos diferentes se o Brasil tivesse o hábito da leitura. Investem-se bilhões em alguma revelação do futebol, e eu que há sete anos estou tentando ajuda pra publicar meus livros não consigo! E não sou só eu. Quantas pessoas no país inteiro têm esse sonho e são ignoradas? É porque livro não dá dinheiro. Livro deixa as pessoas inteligentes e isso deve incomodar alguém. Livro ensina a pensar, a questionar e isso não é interessante pra alguns. Só pode ser essa explicação.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se ninguém dá apoio é necessário que parta de nós a iniciativa. Por que, então, as nossas casas não são cheias de coisas para ler? Por que não existem revistas, jornais, livros espalhados pela casa? Por que as famílias não se sentam mais à mesa para ouvir uma boa história? Por que nós não fazemos alguma coisa? Como a gente quer que o Brasil seja um país melhor se nós temos um monte de gente analfabeta em questão literária?</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que cada vez mais estamos perdendo nossa identidade de brasileiros, sendo influenciados por outras culturas. É por isso que a cada dia que passa existem mais pessoas nas drogas, na marginalidade, porque não descobriram o prazer que existe por trás de cada página de um livro. É por isso que as pessoas são enganadas, não sabem votar, não sabem cobrar de quem votam, não dão valor à educação. É por isso que existem tantos profissionais mercenários nas diversas áreas: porque entrou na profissão pelo dinheiro, unicamente, e não também ou somente para aprender cada vez mais. É por isso que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu posso ter viajado um pouco, mas&#8230; desculpem-me, relevem. É um desabafo de quem acha que as melhores coisas da vida estão tão perto e a gente deixa escapar por entre os dedos. Infelizmente, enquanto não lermos mais, enquanto não endeusarmos mais a leitura e um bom livro, continuaremos sonhando com um Brasil e um mundo mais justo e mais inteligente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Esse post é uma colaboração de Juliano Reinert, autor do blog <a title="Juliano" href="http://www.oandarilhodetl.blogspot.com/" target="_blank">O Andarilho de TL</a>)</em></p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=1310"><strong>Comente esse post no Fórum Meia Palavra.</strong></a></p>
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