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	<title>Meia Palavra&#187; Colaboração</title>
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		<title>Dinossauros (David Norman)</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jul 2011 22:58:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clara V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A série “Encyclopaedia”, da coleção L&#38;PM Pocket, que começou a ser publicada em 2009, tem como proposta apresentar textos como uma espécie de introdução aos mais variados personagens da história da civilização: de Cleópatra a Machado de Assis passando por Freud, Jesus Cristo e Karl Marx; e às diversas áreas do conhecimento universal: do Egito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/dinocapa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11972" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/dinocapa-182x300.jpg" alt="" width="182" height="300" /></a>A série “Encyclopaedia”, da coleção L&amp;PM Pocket, que começou a ser publicada em 2009, tem como proposta apresentar textos como uma espécie de introdução aos mais variados personagens da história da civilização: de Cleópatra a Machado de Assis passando por Freud, Jesus Cristo e Karl Marx; e às diversas áreas do conhecimento universal: do Egito Antigo à China Moderna, das Cruzadas ao Movimento Existencialista.</p>
<p style="text-align: justify">Aos leigos assuntos aparentemente tão díspares são apresentados de uma forma simples e perfeitamente acessível, sempre através de textos escritos por especialistas no assunto.</p>
<p style="text-align: justify">O livrinho “Budismo”  por exemplo,  foi escrito por Claude B. Levenson,  escritora e jornalista especialista na questão tibetana, já o texto sobre Maquiavel  é da autoria do historiador britânico e professor da Universidade de Cambridge, Quentin Skinner.</p>
<p style="text-align: justify">Um dos títulos mais recentes dessa série bacana, “Dinossauros”, foi escrito pelo professor de paleobiologia de vertebrados e diretor do <a title="sedgwick" href="http://www.sedgwickmuseum.org/" target="_blank">Museu Sedgwick de Geociências  em Cambridge</a>, David Norman.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-11966"></span>Embora o último espécime, ao que tudo indica, tenha caminhado pelo planeta Terra há cerca de 65 milhões de anos, ou seja, muito tempo antes do surgimento do primeiro ancestral do homem, dinossauros são seres que causam paixões (geralmente despertadas na infância, caso desta que vos escreve) e não é porque seja diretor de museu e especialista no assunto que David Norman tenha escrito um texto frio de especialista.</p>
<p style="text-align: justify">Não mesmo.</p>
<p style="text-align: justify">Às vezes, durante a leitura, tem–se a impressão de estar ao lado de um garotinho de olhos arregalados exclamando: “Uaaauu&#8230;!!!” diante de uma réplica, mesmo que meio fajuta, de um T-Rex no museu.</p>
<p style="text-align: justify">E é com essa mesma paixão e expectativa, e ao mesmo tempo com a objetividade de um especialista, que David Norman tenta nos colocar a par das descobertas sobre esses seres fascinantes, muitos deles gigantescos,  que habitaram nosso planeta.</p>
<p style="text-align: justify">Tomamos conhecimento (um pouco pelo menos, já que o livro possui cerca de 170 páginas de texto)  das principais descobertas feitas pelos grandes estudiosos da paleontologia (e um pouco também das várias guerrinhas de egos entre eles).</p>
<p style="text-align: justify">Dos primeiros fósseis estudados pelo inglês Richard Owen no século XIX, às mais recentes descobertas feitas na província de Liaoning, na China do século XXI, passando por questões importantes como: por que os fósseis são tão raros? Como se formam e como se determina (aproximadamente) sua idade? A ‘Pangeia’ existiu? Como evoluíram os dinossauros? Eram seres ectotérmicos (de sangue frio) ou endotérmicos (de sangue quente)? Dinossauros, terópodes e aves, qual a ligação entre eles?</p>
<p style="text-align: justify">A verdade, e isso o autor deixa bem claro ao longo do livro, é que a resposta, ou as respostas, a essas questões não são simples nem definitivas, na maioria das vezes não passam de suposições,  mudaram bastante ao longo dos anos e com certeza mudarão ainda mais no futuro,  como mudou, por exemplo, a concepção do Iguanodon, que do monstrengo desajeitado  visualizado por Owen no século XIX (a direita):</p>
<p style="text-align: justify">A partir de estudos feitos no século XX, passou ao ágil e elegante dinossauro que vemos hoje em museus como o do <a title="natural sciences" href="http://www.naturalsciences.be/" target="_blank">Instituto de Ciências Naturais, de Bruxelas</a> (abaixo):</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/dino1.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-11968 alignnone" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/dino1-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/dino2.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-11969" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/dino2-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Mas, longe de causar frustração, os enigmas causados pelas descobertas de novos fósseis, como os da China recentemente, despertam ainda mais a curiosidade e o fascínio por essas criaturas que por tanto tempo dominaram o planeta, há mais de 65 milhões de anos .</p>
<p style="text-align: justify">O livro de David Norman também é capaz disso ao levar o leitor a explorar tempos tão antigos: estimular ainda mais o interesse no assunto e fazê-lo aprofundar-se através das leituras complementares que indica, que em sua maioria, infelizmente, ainda não foi publicada no Brasil.</p>
<p><strong>Dinossauros</strong><br />
David Norman<br />
Tradução: Otavio Albuquerque<br />
192 páginas<br />
Preço sugerido: R$ 14,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7502">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Um Sussurro nas Trevas (H.P. Lovecraft)</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 19:26:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clara V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Hedra lança sua edição de “Um Sussurro nas Trevas” (The Whisperer in Darkness)  o terceiro livro de H.P. Lovecraft pela editora; o primeiro foi “O Chamado Cthulhu e Outros Contos”,  o segundo “A Sombra de Innsmouth” . Escrita em 1930 trata-se de um texto da fase madura de Lovecraft (falecido em 1937) e relativamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/1399393.jpg"><img class="size-medium wp-image-9213 alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="1399393" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/1399393-e1302608534596-185x300.jpg" alt="" width="185" height="300" /></a>A Hedra lança sua edição de “Um Sussurro nas Trevas” (<em>The Whisperer in Darkness</em>)  o terceiro livro de H.P. Lovecraft pela editora; o primeiro foi “O Chamado Cthulhu e Outros Contos”,  o segundo “A Sombra de Innsmouth” .</p>
<p style="text-align: justify;">Escrita em 1930 trata-se de um texto da fase madura de Lovecraft (falecido em 1937) e relativamente longo, se compararmos com os trabalhos anteriores do autor.</p>
<p style="text-align: justify;">A leitura de “Um Sussurro&#8230;” traz todas as características fictícias da obra de Lovecraft: as referências aos  “Grandes Antigos” (<em>Great Old Ones</em>), a expectativa diante das revelações feitas pelas descobertas dos personagens principais, descobertas essas que seriam suficientes para “<em>transformar em um Dante ou em um Poe qualquer homem capaz de manter o juízo tempo suficiente para relatar o que viu”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-9212"></span>E a história tem ainda o atrativo de um clima de verdadeiro “terror cósmico”, quase de ficção científica, por conta da descoberta de que os seres que atormentam a vida de um dos protagonistas (um velho solitário que vive em uma pequena cidade no estado de Vermont, nos Estados Unidos) vêm de outro planeta e que possuem uma maneira muito peculiar de transportar humanos para seu mundo de origem.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como os dois livros anteriores, “Um Sussurro&#8230;” tem tradução de Guilherme da Silva Braga (que traduz o texto principal e também cartas e/ou artigos de Lovecraft presentes no Apêndice) e ainda escreve a Introdução em cada um dos livros.</p>
<p style="text-align: justify;">Introdução e Apêndice funcionam como espécies de “extras” nos moldes dos filmes em DVD (conforme a comparação da Anica em uma resenha) e se transformam em verdadeiros presentes para os fãs de Lovecraft, principalmente para os que não têm acesso aos livros publicados sobre o autor, como aqueles que tratam de sua famosa correspondência (que, dizem, chegou à casa dos milhares em número de cartas trocadas).</p>
<p style="text-align: justify;">Sem exagero afirmo que as introduções, presentes nos três livros editados pela Hedra, mereceriam uma resenha a parte, já que nos coloca a par de alguns detalhes da vida de Lovecraft e de como estes influenciaram sua obra; como saber que ele era oriundo de uma família tradicional de Rhode Island (que acabou por decair economicamente) e Lovecraft, que apesar de ateu era apaixonado pelas tradições e história de sua família e de sua cidade natal, com horror viu essas mesmas tradições e história serem engolidas pelo progresso e pela “nova aristocracia” formada por industriais e banqueiros.</p>
<p style="text-align: justify;">As introduções funcionam não apenas como uma análise do texto mas também como fio condutor nas relações entre as histórias, personagens e os mitos criados por Lovecraft.</p>
<p style="text-align: justify;">“Um Sussurro nas Trevas”, embora H.P.Lovecraft seja um de meus autores favoritos, é uma história que, ao contrário dos outros escritos do moço de Providence, eu sempre evitei reler, sem no entanto nunca parar para pensar nos motivos que me levavam a (não) fazer isso.</p>
<p style="text-align: justify;">É sabido que  a maioria das pessoas tem dificuldade em discutir ou mesmo admitir que seu escritor favorito, em algum momento da carreira, escreveu uma história ruim ou não tão boa como as outras; ou ainda uma história que tinha tudo para ser bacana do começo ao fim, mas que foi um pouco prejudicada por um (às vezes mais de um) deslize como uma final meia-boca, acontecimentos incongruentes e personagens mal construídos ou simplesmente irritantes em suas atitudes.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso sempre se aplicou a mim no que se refere a um “Um Sussurro&#8230;” por conta de um dos personagens principais, Albert Wilmarth, professor universitário de literatura (da Universidade de Miskatonic, é claro!) no início, com sua teimosia em aceitar como verdadeiros os acontecimentos narrados por seu correspondente, o solitário Henry Akeley, e, logo em seguida, assim, sem mais aquela, a parvoíce do personagem em decidir ir até as colinas de Vermont (ao que parece) acreditando em uma mudança (mega radical) no comportamento de seu amigo, que conhecia apenas através das cartas que trocavam.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais não posso falar sob o risco de revelar algo importante.</p>
<p style="text-align: justify;">Informo porém que este “deslize” de Lovecraft na composição do personagem não desmerece a história em nada, talvez incomode um pouco os fãs de histórias de terror (chatos assim) como eu, mas a estes recomendo fortemente que leiam, no final do volume, em Apêndice, o ensaio escrito por Fritz Leiber (e publicado em 1964 na revista <em>Haunted</em>) “O Sussurro Reconsiderado” excelente texto sobre a “Um Sussurro nas Trevas” e sobre Lovecraft.</p>
<p style="text-align: justify;">E, agora que peguei o gosto por essas edições bacaninhas, fico aguardando que a Hedra nos dê mais Lovecraft; se possível: “Nas Montanhas da Loucura” e o onírico “A Procura de Kadath”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6941">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FORUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Definições para David Foster Wallace (ou DFW é, dois-pontos)</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Apr 2011 12:55:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Breves Entrevistas com Homens Hediondos]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano W. Galindo]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[David Foster Wallace]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Norte-Americana]]></category>
		<category><![CDATA[The Broom of the System]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Pynchon]]></category>

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		<description><![CDATA[David Foster Wallace (1962-2008) Quando eu fui ler David Foster Wallace (atrasado, como sempre) foi por causa de uma dica do Cassiano Elek, hoje editor da Cosac, que na época assinava uma preciosa coluna na Folha em que falava, entre outras coisas, de lacunas do mercado editorial brasileiro. E lá ele comentava e meio que fazia uma propaganda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/david-foster-wallace.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-8658" style="margin: 5px; border: 0px;" title="david foster wallace" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/david-foster-wallace-e1301582678658.jpg" alt="" width="296" height="392" /></a>David Foster Wallace (1962-2008)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu fui ler David Foster Wallace (atrasado, como sempre) foi por causa de uma dica do Cassiano Elek, hoje editor da Cosac, que na época assinava uma preciosa coluna na Folha em que falava, entre outras coisas, de lacunas do mercado editorial brasileiro. E lá ele comentava e meio que fazia uma propaganda do megacatatau Infinite Jest, de 1996. Isso foi em 2004&#8230; De lá pra cá eu li tudo do cara. Tudo que existe em português, tudo que existe publicado, tudo que ainda nem foi publicado mas que dá pra achar em sites, arquivos de áudio, vídeos de youtube. Onde for.</p>
<p style="text-align: justify;">Na época eu estava metido no projeto-ulysses, de onde ainda não saí, e estava meio que desesperado pra tentar achar vida inteligente pós-joyceana. Pra me provar que a literatura tinha continuado etc&#8230; (é, eu andava meio xiita). Foi quando comecei a ler Gaddis, Pynchon e acima de tudo Wallace. De lá pra cá ele saiu da posição de autor cultuado especialmente por outros escritores (e por gente ligada de verdade, que nem o Elek), pra de mito de toda uma geração. O maior escritor americano do seu tempo u.s.w. De lá pra cá ele casou, fez muito sucesso, lançou mais uns livros e se matou, em 2008. Tio, então eu queria saber qual apito que esse cara toca/tocava. Pois vai.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-8655"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Definições (ou: DFW é, dois-pontos)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1. O cara que os leitores passaram a chamar de Dê Efe Dábliu. Como se ele fosse uma instituição. E é&#8230;?</p>
<p style="text-align: justify;">2. O cara que literarizou todo um campo “feio” do vocabulário e da sintaxe do inglês. Gírias, sim. Mas também todo um lado marketal, administrativo. Siglas, barras (como ali em cima). O cara que era capaz de abreviar como a.d. algo como “aspas digitais”, quando o personagem aspeia manualmente a própria fala.</p>
<p style="text-align: justify;">3. O criador da conjunção composta. Como em: and then but so, ou e aí mas então, em começo de frase, na tentativa de imitar a pressa e o atabalhoamento do discurso oral.</p>
<p style="text-align: justify;">4. O maior cultor da nota de rodapé como meio literário.</p>
<p style="text-align: justify;">5. O cara que foi parando de usar todas essas coisas aí de cima na medida em que elas iam virando “marcas”, ou “moda”.</p>
<p style="text-align: justify;">6. O sujeito que levou mais longe a mistura de bobagem e lirismo que caracteriza o melhor Pynchon (humor e profundidade, se você quiser).</p>
<p style="text-align: justify;">7. O sujeito que mais usou um ferramental de filósofo (era a formação dele) pra produzir literatura nos tempos recentes.</p>
<p style="text-align: justify;">8. Provavelmente o maior renovador da forma do ensaio no mundo americano das últimas décadas. (Recentemente um editor de uma revista disse que não passa um dia sem que ele receba uma proposta de “um olhar à la DFW” sobre tal ou qual tema.)</p>
<p style="text-align: justify;">9. O maior e o mais desavergonhado dos humanistas da literatura contemporânea.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Livros</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sujeito deixou dois romances.</p>
<p style="text-align: justify;">10. The Broom of the System, de 1987, que era o TCC dele! Ou seja, a monografia de conclusão do curso de redação criativa na universidade. Belíssimo romanção que tem desde uma cacatua (Vlad, o empalador) que de repente começa a recitar a bíblia, até uma intriga químico-industrial envolvendo um asilo de velhinhos e uma heroína de all-star. Mas, sério, se você realmente quiser saber qual a graça do livro, te recomendo dar uma lidinha em Wittgenstein&#8230;? Como assim, precisa Wittgenstein pra entender um livro que tem uma cacatua com nome de vampiro? Precisar não precisa. Mas que faz mais sentido, lá isso faz. Eis o mistério do homem.</p>
<p style="text-align: justify;">11. Infinite Jest, 1996, o calhamaço de mais de 1000 páginas que fez a fama e a infâmia de DFW. Uma história alucinada sobre prodígios do tênis, drogas, dependências e etc. Dezenas de personagens impagáveis e inesquecíveis. Mas, acima de tudo, um livro com um tema, o nosso “vício” em prazer e entretenimento. O mcguffin do livro, por exemplo, é um filme (ou um “entretenimento”) chamado precisamente Infinite Jest, que pode existir, pode não existir, e que aparentemente é tão delirantemente interessante que faz com que seus espectadores fiquem presos à frente da tela, querendo nada além de reassistir o mesmo loop, até morrerem de inanição. Parece até que uma facção terrorista separatista canadense (sim) está usando o filme como arma contra membros da ONAN (pun intended), a Organização das Nações da América do Norte que, depois da Reconfiguração, fundiu todo o subcontinente em um único país e confirmou a centralidade dos antigos Estados Unidos, que agora usam grandes áreas do seu vizinho do norte, por exemplo, como depósito de lixo, catapultado até ali de grandes distâncias. O livro é complicado. Muita gente, muitos nomes, muitos enredos, muuuitas notas de rodapé, algumas com dezenas de páginas. Mas é, acima de tudo, simultaneamente divertidíssimo e dolorosíssimo. Símbolo? Tem um cara que, durante um assalto, é amarrado e amordaçado pelos ladrões. Mas ele está resfriadíssimo. Com o nariz entupido. E morre. Afogado em meleca&#8230;? Quase redefine “humor negro”. Aliás, boa parte da catástrofe que recai sobre um dos protagonistas (que realizou esse assalto) vem do fato de ele, em outro assalto, ter entrado numa casa e deixado tudo intocado. Somente pra mandar depois pro dono (um inimigo e sua futura perdição), uma foto em que ele estava com as escovas de dente da família (depois devidamente devolvidas ao armário) enfiadas no&#8230; Símbolos. É tudo bizarro. Engraçado mesmo. Mas “pare pra pensar” (a frase mais valiosa pro leitor de DFW), ou “ponha-se no lugar deles”&#8230; e aí tudo muda de figura.</p>
<p style="text-align: justify;">12. The Pale King, que ele deixou incompleto ao morrer, e que sai daqui a poucos dias. E que aparentemente era, como IJ pretendia ser um livro triste sobre vícios, um livro lento sobre tédio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Três livros de contos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">13. Girl with curious hair, 1989, que é a coisa mais próxima da “ortodoxia” pós-moderna em toda a produção dele. Excelentes momentos. Mas o livro mais fraco do autor. Não se engane, no entanto, o mais fraco dele ainda tem muita coisa a oferecer. E alguns dos contos são simplesmente sublimes.</p>
<p style="text-align: justify;">14. Brief interviews with hideous men, 1999. Já se disse que ele tendia a experimentar mais com formas narrativas nos contos que nos romances (o que, aliás, faz sentido pacas, né?), e esse livro, posterior a IJ é também muito mais póich-muderrno. Há contos de todo tipo, desde uma entrada fictícia de dicionário, a um miniconto de meia página. Narrativas mais “ortodoxas”, como o perfeito (sim, eu pensei bem antes de escolher o adjetivo) “Forever overhead”, mais alegóricas como a bizarra (e recentemente transformada em ópera) “Tri-Stan: I sold Sissee Nar to Ecko”, que é uma reencanação do mito de narciso, num futuro distante, no mundo das cadeias de televisão, e de todos os jeitos do meio do caminho. Dois grandes destaques. A série que dá nome ao livro (e ao filme, recente, beeem bacaninha), em que diversos anônimos falam aparentemente para uma entrevistadora, cujas réplicas são suprimidas, sobre assuntos variados. Tem coisa épica nesse grupo. Além de um dos contos mais humana, filosófica e epistemologicamente fodidos que eu já li, em que o narrador trata da obra de Viktor Frankl e narra um estupro com uma garrafa. De te mudar mesmo. Pra tudo. Outro (destaque). A incrível meta-meta-estória de “Octet”, em que o autor &#8211; e não “um” autor &#8211; tenta questionar até as meta-estórias pós-modernas típicas, tenta desesperadamente falar com você.</p>
<p style="text-align: justify;">15. Oblivion, 2004. O melhor livro de contos que você pode ler em muito tempo. Vai por mim. Quase todo o aparato meta-pós-isso-aquilo foi posto de lado em nome de contos tremendamente tocantes, realizados com uma prosa luminosa. Ele continua usando o bizarro misturado com o quotidiano (o cara que faz cocô em forma de estátuas famosas e os reality shows de uma empresa, sim, pasme, brasileira). Mas agora de uma forma muito mais concentrada no efeito sobre o leitor, e muito menos na experimentação formal. Difícil escolher destaques. Mas “The soul is not a smithy” é uma verdadeira joia. Assim como o brevíssimo “Incarnations of burned children”. O melhor livro que ele deixou, e que parecia apontar pra um caminho ainda mais foda, ainda mais preciso que o do romance anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">16. Nota: de todos esses livros citados até aqui, só <a href="http://companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11215">Breves entrevistas com homens hediondos</a> saiu no Brasil. Pela Companhia das letras. Alguma outra coisa é encontrável na internet. Na não-ficção vamos por partes.</p>
<p style="text-align: justify;">17. Primeiro, os dois livros de coletâneas de ensaios (a mesma Companhia das Letras prepara pro ano que vem uma seleção de ensaios traduzidos por Danieis Galera e Pellizzari). A supposedly fun thing I’ll never do again, 1997, e Consider the lobster, 2005. Esses ensaios são quase mais empolgantes que a ficção. Parece que era aqui que o cara achava o tom entre a reflexão filosófica, humanística e a diversão com vozes, prosas e registros, de um jeito ainda mais poderoso. Os temas mais improváveis e mais singulares, abordados por uma persona ensaística que parece o irmão-prodígio de Woody Allen. Pra qualquer leitor. Leia tipo já. Ria um monte. Pense demais.</p>
<p style="text-align: justify;">18. Um livro, Signifying rappers, 1990, com um colega de faculdade, que ainda hoje é considerado um dos primeiros destaques acadêmicos sobre o hip-hop. Mas esse eu não li. Viu? E ainda menti lá em cima.</p>
<p style="text-align: justify;">19. Dois livros acadêmicos, Fate, time and language, que saiu no ano passado e publica o outro TCC dele, em filosofia. Lógica modal. Mais pra quem é do ramo.</p>
<p style="text-align: justify;">E Everything and more, um livrinho sobre o conceito de infinito que é o livro de vulgarização científica mais divertido que eu já vi. Dizem que a matemática é meio furada, mas a prosa&#8230; É como ter aula com um matemático alucinado, aquele cara bacanão que você sonhava que podia existir quando estavam tentando te ensinar radiciação&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">20. Um outro póstumo, singularíssimo, This is water, que na verdade é a transcrição em livro de um discurso de formatura que ele fez em 2005. É provavelmente a melhor coisa pra você ver se quer se aventurar por essa ficção mais madura do cara. Por aqui, saiu publicado na revista Piauí. E acho que ainda dá pra encontrar online facinho. Montaigne na veia. De um jeito muito cool. Uma puta aula sobre como ser no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Juízo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">21. Tenha.</p>
<p style="text-align: justify;">22. Cê gosta de ficção? Leia. Cê gosta de ficção inventiva formalmente? Leia mesmo. Cê gosta de ser obrigado a pensar? Leia correndo (ou andando). Cê quer saber se existia vida inteligente na literatura dos anos 90/2000? Leia, ah.. leia.</p>
<p style="text-align: justify;">Cê quer saber se consegue ficar comovida e inconformada com a morte de um cara que você nunca conheceu?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Caetano Waldrigues Galindo<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/05/definicoes-para-david-foster-wallace-ou-dfw-e-dois-pontos/#footnote_0_8655" id="identifier_0_8655" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="confira aqui o 10 perguntas e meia com Caetano W. Galindo">1</a></sup> é professor de linguística e tradução no curso de Letras da Universidade Federal do Paraná e é responsável pela nova tradução da obra Ulysses de James Joyce que será lançado em 2012 pela Penguin-Companhia das Letras. Quando o Ulysses for publicado, dependendo do jeito de contar, será algo como o 15o-20o livro de outras pessoas que ele já escreveu.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6875">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FORUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_8655" class="footnote"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/24/10-perguntas-e-meia-para-caetano-w-galindo/">confira aqui</a> o 10 perguntas e meia com Caetano W. Galindo</li></ol>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>O Fim da Eternidade (Isaac Asimov)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/02/10/o-fim-da-eternidade-isaac-asimov/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Feb 2011 13:53:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Aleph]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Isaac Asimov]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[O Fim da Eternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das séries de televisão de maior sucesso nos últimos anos, Lost tratou de paradoxos temporais em pelo menos duas de suas temporadas. O estrondo provocado pela produção abriu, com certeza, a mente de muitas pessoas sobre teorias científicas complicadas sobre viagens no tempo, alterações na linha de vida da Terra, formas de interferência temporal. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/livros_nerds_o-fim_da_eternidade.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6857" style="margin: 5px; border: 0pt none;" title="livros_nerds_o-fim_da_eternidade" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/livros_nerds_o-fim_da_eternidade.jpg" alt="" width="273" height="307" /></a>Uma das séries de televisão de maior sucesso nos últimos anos, Lost tratou de paradoxos temporais em pelo menos duas de suas temporadas. O estrondo provocado pela produção abriu, com certeza, a mente de muitas pessoas sobre teorias científicas complicadas sobre viagens no tempo, alterações na linha de vida da Terra, formas de interferência temporal.</p>
<p style="text-align: justify;">Vivemos em um mundo hoje mais dado às descobertas científicas do que o de Isaac Asimov. Nos anos 40 e 50 do século passado, quando viveu sua fase mais prolífera na literatura, o autor e a sociedade se deparavam com limites bélicos da tecnologia. A física nuclear era estudada não para gerar energia ou servir como propulsão de naves como submarinos e mesmo foguetes, e sim para causar uma destruição nuclear. Eram feitas as primeiras observações sobre viagens estrelares, a existência de vida alienígena, o estudo da robótica etc. Tudo o que um autor teria como base para criar seria sua própria mente, sua inventividade. Quais os efeitos de uma guerra nuclear? Como seriam os alienígenas, os planetas de outros sistemas? Os robôs teriam poder de criar inteligência e vida própria por si próprios?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6829"></span><br />
Como é possível uma viagem temporal? Este é o tema de O Fim da Eternidade, que dizem ser o melhor romance escrito por Asimov, em 1955. O que foi conto rejeitado muitos anos antes por um pulp norte-americano acabou se tornando uma obra seminal, de certa forma um prólogo à duas séries do autor: Fundação e Império Galático.</p>
<p style="text-align: justify;">Na história, uma sociedade que na Eternidade trabalha para alterar pequenos fatos no tempo, gerando benefícios para toda a humanidade ao longo do futuro. Nada muito grande. Um copo movido um metro meio à esquerda, que cai, se quebra e atrasa o infeliz protagonista da ação por meia hora. Um carro não bate, um cientista morre e um remédio é criado. No ano 3000, uma nave espacial explode e os humanos decidem não ir mais longe no espaço, evitando confronto alienígena e à extinção.</p>
<p style="text-align: justify;">É mais ou menos essa a vida do Técnico Andrew Harlan, que precisa executar essas alterações enquanto seus “fisioanos” passam. Louvável, apenas pelo fato de que para ser Técnico é exigida uma frieza que afasta o ser humano de qualquer emoção. Senão, como ele poderia jogar com a vida de bilhões, talvez sua própria família, ao longo dos infinitos séculos do Tempo?</p>
<p style="text-align: justify;">E o que melhor para trair um bom trabalho do que uma mulher? Mulher e cerveja, talvez? Na Eternidade não havia a bebida, mas Harlan se deparou com Noÿs Lambert, uma habitante do 482 (Os Eternos são simples aos se referirem aos séculos. Para um ano quebrado, 1930 por exemplo, o uso correto na Língua Intertemporal Padrão). Suas roupas transparentes, decotadas, seu cabelo arqueado como o de gregas, e sim, cacheado &#8211; todos elementos tradicionais da cultura daquele século, nada fora do comum, como explica Asimov -, foram demais para o Técnico.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais ou menos como sacerdotes, o povo da Eternidade se mantém casto, justamente por essa afetação no padrão emocional. No começo, Harlan não se importa no cotidiano com a mulher, mas ao descobrir que ela será totalmente apagada em uma Mudança, passa a lutar contra a própria Eternidade por amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Asimov, como é de sua característica, trata com simplicidade do tema, evoluindo conceitos aos poucos, para não “fritar” a cabeça de leitores menos acostumados a este tema. O grande gancho é o amor, como num romance comum, que distância a obra da, às vezes, frieza da abordagem tecnológica. É nessa simplicidade literária que ele aplica o maior trunfo da obra, o estudo de paradoxos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se para alguns, é impossível voltar no tempo e assassinar seu próprio avô, já que você nasceu e voltou – a arma falharia, por exemplo; outros indicam que uma pequena alteração geraria sim uma completa mudança na realidade. É através do estudo destes paradoxos que a Eternidade trabalha, no que se descobre ao longo do romance, em uma assepsia cirúrgica.</p>
<p style="text-align: justify;">Falando da edição em si, a Aleph mostrou ótimo trabalho na obra, como vêm fazendo constantemente com sua linha de ficção científica. A capa, com fio prateados em fundo preto, e letras rosas enormes, é linda. A orelha foi, pelo menos por aqui, resistente às 256 páginas da publicação.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora ainda esteja engatinhando, a linha parece ter público fiel e tem tudo para ser sucesso como são os romances de Stephen King publicados pela Objetiva, por exemplo. O exemplar que eu adquiri de O Fim da Eternidade é de sua segunda reimpressão, feita três anos depois da original, em 2007, o que demonstra sucesso.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre estar engatinhando – e para não deixar o assunto no ar como crítica infundada -, a Aleph terá trabalho para trazer tantas obras de Asimov (como as séries dos Robôs, ou a própria Império Galático), e para terminar a publicação da série Barsoom, cujo o primeiro de onze romances, Uma Princesa de Marte, foi lançado em meados de 2010. Pode-se limitar aos três primeiros, focados em John Carter, mas sabe como são os fãs (e os nerds que trabalham nestas editoras).</p>
<p style="text-align: justify;">Em resumo: O Fim da Eternidade é uma ficção científica que todo mundo deveria ler. Nem que seja a única digerida em toda a vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Artur Tavares é um dos diretores da <a href="http://hqmaniacs.uol.com.br/editora/" target="_blank">HQM Editora</a>, responsável por trazer Os Mortos-Vivos (Walking Dead) para o Brasil. Divide seu tempo livre entre as histórias em quadrinhos, textos para a página Jovem do iG e a produção de um programa mais ou menos sério na MTV Brasil. Você pode encontrá-lo no @arturem e <a href="http://facebook.com/artur.tavares">Facebook</a>.</p>
<p><strong>ASIMOV</strong>, Isaac. <em>O Fim da Eternidade</em>. Editora Aleph. Tradução: Susana Alexandria. 256 págs. Preço sugerido: R$38,00</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Aleph</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Editora Aleph" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/aleph.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6394" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Coisas Frágeis Vol. 2 (Neil Gaiman)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/02/06/coisas-frageis-vol-2-neil-gaiman/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Feb 2011 14:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neil Gaiman é um ótimo autor. Como muitos ingleses que se enveredaram na ficção, ele tem como base uma narrativa clássica, calcada nos autores românticos e suas homenagens aos temas antigos – não só gregos – em suas histórias. Gaiman é um cara que pouco erra. Os Filhos de Anansi não tem a beleza de Deuses Americanos, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/COISAS_FRAGEIS_2_1294430130P.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6757" style="margin: 5px; border: 0pt none;" title="COISAS_FRAGEIS_2_1294430130P" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/COISAS_FRAGEIS_2_1294430130P.jpg" alt="" width="200" height="294" /></a>Neil Gaiman é um ótimo autor. Como muitos ingleses que se enveredaram na ficção, ele tem como base uma narrativa clássica, calcada nos autores românticos e suas homenagens aos temas antigos – não só gregos – em suas histórias. Gaiman é um cara que pouco erra. Os Filhos de Anansi não tem a beleza de Deuses Americanos, e Orquídea Negra não é sua obra prima, mas na maioria das vezes, suas narrativas são acima da média. Ele é multimídia, tem sucesso não só na literatura adulta e nos quadrinhos, como nas animações e na literatura infantil.</p>
<p style="text-align: justify;">Com tantas qualidades do autor, o que faz do segundo volume de Coisas Frágeis tão ruim?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6708"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O segundo Coisas Frágeis é praticamente uma aberração. Não há, em nenhum lugar do mundo, este segundo volume. Trata-se de um excerto dos piores contos da versão original de Fragile Things. Trocando em miúdos: a Conrad tirou o joio do trigo no primeiro volume da publicação, uma bela coletânea de contos, deixando o que havia de pior para este segundo volume. Fosse publicado como um todo, Coisas Frágeis ainda seria um ótimo livro, apenas maior.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem misturados, os contos se confundiriam, principalmente porque os deixados de lado são pequenos, o que faz da publicação ainda mais sem sentido. O restolho trata-se principalmente de mitos, rememorações do próprio autor e de histórias de fantasma. Uma delas, Pó Amargo – escrita ao estilo Ghost Story (aqui no Brasil Os Mortos-Vivos), de Ray Bradbury – é a melhor do livro. Conta a aventura de um falido que troca de identidade com um acadêmico desaparecido. Tendo parado em Nova Orleans, se envolve com prostitutas que lhe explicam o mito das meninas negras zumbis que vendiam café em Porto Príncipe há alguns séculos.</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que o livro demora para engrenar, já que os dois primeiros textos, A Dança das Fadas e A Câmara Secreta, são poemas, e o terceiro, Noivas Proibidas dos Escravos sem Rosto na Casa Secreta da Noite do Temível Desejo, nada mais é que uma paródia juvenil do Corvo, de Poe.</p>
<p style="text-align: justify;">O último conto do livro, Inventando Aladim, também merece destaque. Mostra a leveza de Gaiman na prosa, uma narrativa de pouco mais de quatro páginas que merecia ilustração de P. Craig Russell, parceiro do autor em adaptações quadrinísticas como Coraline e Mistérios Divinos. Com certeza a história de Sherazade enrolando por mais uma das Mil e Uma Noites seu sultão fica na memória de todo fã de Sandman pela semelhança com Ramadã, ilustrada por Russell. O Dia dos Namorados do Arlequim, que virou adaptação quadrinística por John Bolton – A Paixão do Arlequim – é melhor que sua revista. Mesmo assim, merecia as ilustrações do inglês para completar a história.</p>
<p style="text-align: justify;">A capa do segundo Coisas Frágeis é, ironicamente, mais bonita do que a da primeira edição, com uma japonesa e algumas flores de camélia, em uma fotografia. No final das contas vale a compra, se você tiver a primeira edição.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Artur Tavares é um dos diretores da <a href="http://hqmaniacs.uol.com.br/editora/" target="_blank">HQM Editora</a>, responsável por trazer Os Mortos-Vivos (Walking Dead) para o Brasil. Divide seu tempo livre entre as histórias em quadrinhos, textos para a página Jovem do iG e a produção de um programa mais ou menos sério na MTV Brasil. Você pode encontrá-lo no @arturem e <a href="http://facebook.com/artur.tavares">Facebook</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5336" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>A plebeia (John Burnham Schwartz)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/02/01/a-plebeia-john-burnham-schwartz/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Feb 2011 14:08:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A plebeia]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[John Burnham Schwartz]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Chamá-lo de uma verdadeira obra-prima é um exagero, mas, esse livro é fundamental para entender o comportamento de um povo tão diferente do povo brasileiro, ao ler A plebeia me senti muitas vezes sufocado com a rigidez da encantadora tradição japonesa e entendi o porquê da Imperatriz entrar em um esgotamento nervoso e perder a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/apleb.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-6495" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="apleb" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/apleb-205x300.jpg" alt="" width="205" height="300" /></a>Chamá-lo de uma verdadeira obra-prima é um exagero, mas, esse livro é fundamental para entender o comportamento de um povo tão diferente do povo brasileiro, ao ler A plebeia me senti muitas vezes sufocado com a rigidez da encantadora tradição japonesa e entendi o porquê da Imperatriz entrar em um esgotamento nervoso e perder a voz por um tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">A plebeia é a história emocionante de uma existência sufocada e do relacionamento entre duas mulheres solitárias que, apesar de visadas por toda a sociedade, são compreendidas somente uma pela outra.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6494"></span>Esse não é um conto de fadas onde a princesa encontra o seu principe encantado e são felizes para sempre; essa é uma história real, inspirada na vida da Imperatriz Michiko e, contada pelo olhar único da primeira princesa do Japão que não possuia sangue azul.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é qualquer mulher que deixaria sua carreira profissional promissora para se casar por amor com um &#8220;deus&#8221;. Haruko entregou sua vida pela tradição e bem estar de seu povo, mas vai perceber que ela não se transformou  em uma &#8220;deusa&#8221; só porque se casou com o príncipe do Japão e garantiu a ele um herdeiro ao Trono do Crisântemo.</p>
<p style="text-align: justify;">Haruko é uma mulher a frente do seu tempo e vemos isso desde a sua infância, onde os males da guerra mudam a sociedade japonesa; vale ressaltar que cheguei a achar beleza e dor durante a descrição delicada que o autor fez da guerra.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a adolescência Haruko aprenderá, não uma vez apenas, a renunciar ao início de um possível amor e entenderá que ser melhor que um &#8220;deus&#8221; pode lhe custar caro.</p>
<p style="text-align: justify;">O grande porém do livro e que faz ele deixar de ser uma &#8220;obra-prima&#8221; é justamente o olhar estadunidense do autor John Burnham Schwartz no final do livro, dá até pra entender a boa intenção do autor, mas isso não impede de ser apreciado com toda a atenção que merece. Em A plebeia você conhecerá a história de uma mulher verdadeira e não da equivocada estória de Cinderela. Depois desse livro você pensará duas vezes se vai querer encontrar seu príncipe encantado!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Evandro de Campos Câmara, estudante de  Administração e apaixonado por design; possui uma relação de amor e ódio  com os livros desde a infância. twitter: @EwanCamp</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6323" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>The Pedro Franz Book Club</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/23/the-pedro-franz-book-club/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 16:59:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tuca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[HQs]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Franz]]></category>
		<category><![CDATA[Promessas de amor a desconhcidos enquanto espero o fim do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das angústias constantes ao comentar a leitura dum livro é a dificuldade em escolher uma abordagem. Deve haver uma espécie de clichê resenhístico que consista numa indecisão inicial a respeito de quais aspectos da obra terão destaque e quais ficarão ocultos no artigo – algo parecido com o apelo dos cronistas à metalinguagem para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/promessas_01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6321" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="promessas_01" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/promessas_01-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>Uma das angústias constantes ao comentar a leitura dum livro é a dificuldade em escolher uma abordagem. Deve haver uma espécie de clichê resenhístico que consista numa indecisão inicial a respeito de quais aspectos da obra terão destaque e quais ficarão ocultos no artigo – algo parecido com o apelo dos cronistas à metalinguagem para discorrer sobre a falta de assunto. Isso ocorre, dentre outros motivos, porque, ao citar os melhores momentos da obra em questão, há sempre o perigo de revelar demais o enredo e estragar a surpresa do leitor – já tentou imaginar como seria bom ler Grande Sertão: Veredas sem conhecer Diadorim? (E, se você nada ouviu sobre este personagem, não sabe o que está perdendo: corra, leia o livro e depois me diga como foi a experiência.)</p>
<p style="text-align: justify;">Toco nesse assunto simplesmente para ressaltar um dos pontos positivos em comentar <em>Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo</em>. A hq é um presente para resenhistas indecisos e que temem spoilers: ao discorrer sobre a obra numa plataforma como o blog, pode-se simplesmente assumir que todos a leram.</p>
<p style="text-align: justify;">E é isto que farei no texto a seguir: você pode se adiantar e ir ao blog do autor para baixar os oito capítulos da obra; ou, se preferir, ir para a resenha abaixo e alternar a leitura dela com a dos capítulos (para baixa-los, basta clicar com o botão direito e escolher “salvar como”).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6320"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. Limbo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que, antes de ir à Itiban Comic Shop para o lançamento, resolvi fazer o download dos oito capítulos disponíveis da hq de Pedro Franz. Pretendia ler tudo para ver se valia a pena comprar, mas depois pensei What the hell? Vou comprar sem ter lido mesmo. Ao menos o nome dado já agradava: Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo é um título enorme e bonito, de jeito a capturar, de imediato, minha atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Autógrafos nos dois volumes, já em casa, deito-me para começar a leitura de Limbo – o primeiro deles, em papel jornal, capa colorida e demais páginas em preto e branco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 1 – No qual Lucas Jolly Roger foge de seu esconderijo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A história está apenas começando. Fragmentada, a narrativa mostra helicópteros em busca de suspeitos dum atentado, um rapaz escondido, um outro morto depois de tortura policial, um jornalista indignado com a situação – mas que subiu na vida maquiando informações recebidas da polícia, um garoto (Danilo) que compra uma máscara de caveira e dois amigos (Julia e Rafa) que ajudam o primeiro rapaz (Lucas) a fugir de seu esconderijo.</p>
<p style="text-align: justify;">O bonde já está em movimento em todos os pedaços de história, o que não chega a complicar o entendimento. Apenas duas coisas estranham: Jolly Roger, que é o nome que se dá àquelas bandeiras piratas: fundo preto, caveira e dois ossos cruzados; e os comprimidos Ícaro que, no entanto, só adivinhamos que seja uma nova droga ilegal. Colocar a cena com o corpo torturado do adolescente, convenhamos, não chega a causar um real estranhamento, infelizmente. Está mais pra consequência de Tropa de Elite, do que para o final feliz de Quem quer ser um milionário?.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois que os fugitivos se atiram do topo de um prédio, você vira a página rapidamente para ver o que acontece e&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 2 – Quando convida-se o leitor a testar sua fé ao julgar a veracidade da história do Padre Julio Siqueira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;ahn?<br />
Antes, temos contato com a história desse padre e do milagre que o fez decidir sua vocação. Ao final do capítulo, numa cena em que o vemos gritar no meio duma praça cheia mas em ouvintes, uma frase do narrador possibilita uma interessante ambiguidade: decidir se acredita ou não que julio siqueira faz o que deus lhe diz e que apenas ele consegue escutá-lo. Fica ao leitor, como apontado no título, a decisão a respeito de crer se apenas o padre ouve Deus e se somente Ele, como parece, ouve Julio Siqueira.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas no meio do capítulo há outras informações. Vemos Danilio usando a caveira no rosto, brincando de ser Jolly Roger e atrapalhando a novela da mãe com uma espécie de coquetel molotov na mão. Também vemos que os fugitivos conseguiram escapar e por algum motivo não se esborracharam. Numa splash-page – duma beleza que estou satisfeito por não precisar descrever, porque você já viu – relata-se que a sensação écomo estar respirando embaixo d’água mas com o vento batendo no teu rosto. É como se a fuga deles obedecesse às leis da gravidade d’O tigre e o dragão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 3 – Após mostrar cenas de nudez, de sexo e de uso de drogas por crianças, utiliza-se uma conversa de bar para comentar a relação entre território e sociedade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E nesse capítulo estão as páginas que Rafael Coutinho mostrou à guria que perguntou algo sobre quadrinhos eróticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na cena com Lucas, ele visita uma guria. Ela grita com ele, depois passa a sussurra (as letras nos balões se deformam, perdem a nitidez e se confundem) até que eles não falem mais nada. A quebra do silêncio pela Te amo, num suspiro sonolento, leva à despedida. Na cena com Danilo, finalmente é visto o nexo causal entre os comprimidos ilegais e o vôo, com o vislumbre de possíveis efeitos colaterais.</p>
<p style="text-align: justify;">O título do capítulo, ainda mais metalinguístico que o anterior, demonstra que o autor não teme expor os artifícios que utiliza na narrativa. Isso porque sempre se busca esconder que a fluidez quase sempre é fruto dum constante processo de revisão e análise dos métodos de criação visando determinadas reações do leitor. O que Pedro Franz escreve seria equivalente a assistir ao Homem-Aranha, antecipado por longos letreiros que discorrem sobre como Há uma relação das cores do uniforme do herói com o desejo de aumentar a moral dos cidadãos estadunidenses após 11 de setembro, bem como a presença da bandeira do país em momentos de forte apelo emocional visam a incentivar o patriotismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto que no Homem-Aranha tais letreiros atrapalhariam a suspensão da descrença que nos leva a aceitar uma aranha transgênica como transmissora de super-poderes, em Promessas ela serve ao propósito de misturar ficção e realidade. As fotos 3&#215;4 (enviadas por leitores para ajudar a narrativa) – que, nas capas, estão em número equivalente ao da numeração dos capítulos – coloca-os, mascarados, como participantes do movimento Jolly Roger. E a partir dessa interlocução com o mundo real, podemos pensar na conversa no bar, localizado em um local aparentemente fictício, como uma forma de revelar que o ocultamento/maquiagem da pobreza talvez não seja uma exclusividade curitibana.</p>
<p style="text-align: justify;">O plano aéreo da ilha de Florianópolis, no final do capítulo, faz a primeira ligação entre as histórias paralelas, e servindo para organizá-las temporalmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 4 – E Jolly Roger convida todos a tomarem as ruas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Personagem de Chagal, Ícaro, Peter Pan: Lucas. Jolly Roger. Voando com uma ausência no peito.  Perguntando-se se quem pôs a bomba é um integrante de Jolly Roger ou se isto foi uma espécie de sabotagem tentando denegrir a imagem do movimento, pacífico. Até que a resposta deixe de importar, em raciocínio mais rápido que o do narrador deClube da Luta: o movimento é maior do que ele.</p>
<p style="text-align: justify;">O ano é 2018, mas parece hoje mesmo: uma postura parecida com a de certos filmes de ficção científica low-tech: deixar de apostar tanto em um futuro totalmente diferente do mundo contemporâneo. E assim ter mais chance de acertos nas previsões – nesse sentido, o jornalista que resolve revelar fatos que ocultara em suas reportagens soa um pouco como o criador do Wikileaks, meses antes do site existir.</p>
<p style="text-align: justify;">As páginas finais constituem uma linha do tempo com pistas, em vez de descrições, sobre determinados momentos históricos. Ao leitor são dadas duas possibilidades: a de sentir a atmosfera que permeia os períodos citados; e a de pesquisar um pouco mais sobre eles. Ambas satisfatórias.</p>
<p style="text-align: justify;">E em 2018, Jolly Roger vai às ruas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Underground</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Durante o lançamento na Itiban, muito se falou sobre as definições do adjetivo “experimental”. Pedro Franz, ao comentar sobre sua hq, disse não saber onde pretende chegar com aquilo e que leituras, acontecimentos diários podem influenciar e apontar caminhos não vistos anteriormente.<br />
O volume 2 – Underground – estranha pelo formato. Em vez de livro ou revista, um envelope colorido com 55 lâminas soltas, totalizando 110 páginas. Há a divisão em capítulos, há uma ordem sugerida pelo autor (assim como n’O jogo da amarelinha, de Cortázar, há dois: a ordem de alternância de capítulos e a convencional, necessária no livro de papel e seguida pelos mais conservadores). Ao mesmo tempo, não há numeração de páginas e há a sugestão de que a leitura seja feita em ordem aleatória.</p>
<p style="text-align: justify;">Tampouco há quadrinhos como aqueles com que estamos acostumados, com “calhas” separando os quadros. O que está escrito não está em balões, mas em letras brancas e tipografia característica de máquinas de escrever, contra o fundo negro das páginas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 5 – Se você toma as ruas, a polícia toma as ruas também.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A quantidade de referências a artistas e intelectuais dos mais diversos calibres cresce no segundo terço de Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo. Neste quinto capítulo, por exemplo, há homenagens/citações/referências a Magritte (Isto não é uma caveira), Picasso (Guernica em versão retardada), a Bíblia (Teu nome é Legião porque sois muitos) e Rudolphe Topffer (que parece descreverUnderground no trecho citado).</p>
<p style="text-align: justify;">O crescendo de tensão nos remete a conflitos iminentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda ameaça será reprovada, desqualificada, transformada em algo com um código de barras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 6 – Quando a criança torna-se parte da multidão</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Estávamos acostumados a filmes de ação em que não perdíamos um detalhe sequer das brigas, os golpes desferidos e sofridos, até que diretores como Paul Greengrass resolveram tornar a estética e edição cinematográfica em algo que representasse mais fielmente a confusão que é estar no olho do furacão.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se sabe quem começou o conflito. E isso é claro tanto nas ilustrações – Pedro Franz desenha aqui mais ou menos como Paul Greengrass filma e edita; afinal, ele quer seu leitor no meio da confusão –, quanto em sua escrita – em momentos que descrevem a humanidade dos que estão nos dois lados do embate: com falhas, defeitos, qualidades e amores frágeis, passíveis de serem destruídos em instantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 7 – No qual comenta-se Gil Scott-Herom.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">The Revolution Will Not Be Televised é o título do poema/canção mais famoso do cidadão citado no título do capítulo.</p>
<p style="text-align: justify;">Danilo é morto. O jornalista provavelmente terá o mesmo destino.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, a novela das oito sequer é interrompida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Capítulo 8 – O herói descobre que é parecido com seu inimigo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O título é o que acontece nos momentos finais do segundo volume. Conjuntamente, aprendemos bastante sobre conceitos de Clifford Geerts a respeito de conjuntos de pessoas que estão entre o grupo e a multidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda nos sentíamos mal por Danilo e pelo jornalista e, depois do capítulo, talvez nos sintamos vingados pela pedra na mão de Lucas. Algo que negamos, óbvio, se alguém nos perguntar.<br />
Isso é ficção, se passa no futuro, ouvimos o cérebro dizer. Calma, estou aqui para lembrar que suspensão da descrença não deve se prolongar tanto que lhe faça pensar em sua existência. Ou na violência crescente. Ou nos pequenos abusos que sofremos diariamente. Não: uma hq é para passar o tempo e se não cumpre sua serventia deve ser jogada fora. Ou deletada permanentemente do computador.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo outra voz, diminuta, torna-se grito e repete alguns nomes próprios, tais como Teresa Lewis e Sakineh Mohammadi Ashtianti.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso não acontece nos dias de hoje, o cérebro tenta continuar, mas não damos muita trela. Estamos acostumados à ideia de progresso (novas gerações de ipods desbancando as anteriores, novas versões do Windows prometendo maior eficiência) e de que, quanto mais o tempo passa, mais nos desenvolvemos. Não entendemos como absurdos como o Holocausto ocorreram, mas durante a Segunda Guerra Mundial, muita gente ficou sem entender sua ocorrência num mundo em tal estágio de desenvolvimento. No Brasil, não entendemos o atirador que feriu uma deputada americana e matou seis pessoas, mas não vemos um desejo semelhante nas pessoas que conhecemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada povo ama sua própria forma de violência.</p>
<p style="text-align: justify;">É isso, amigo: a hq de Pedro Franz já fez o estrago dentro da gente. Fez pensar, algo a que nem sempre estamos dispostos em nossas leituras.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, dá um sopro de esperança: TODAO ORDEM CAOS É APENAS APARENTE. Um sopro que nos sustenta até o próximo volume: Potlatch.</p>
<p><strong>Sobre o autor</strong>: Arthur Tertuliano é bacharel em Direito pela UFPR e apaixonado por literatura. Sempre está com um livro na mão pra aproveitar cada momento possível pra ler (de vez em quando é visto andando e lendo, quando o trajeto é familiar). Escreve n&#8217;<a href="http://oleitorcomum.blogspot.com/">O Leitor Comum</a>.</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6259">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Pequena Abelha (Chris Cleave)</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 13:52:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katrina Galad</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Chris Cleave]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando o livro Pequena Abelha foi lançado o foi com estardalhaço, mas um estardalhaço que ao mesmo tempo era barulhento e não entregava nada. Pegue o livro, leia a contracapa e suas orelhas, nada ali entrega sobre o que ele trata, tudo o que sabemos do livro é isto: “Esta é a história de duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/10/PEQUENA_ABELHA_1285425763P.jpg"><img class="size-full wp-image-4245 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="PEQUENA_ABELHA_1285425763P" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/10/PEQUENA_ABELHA_1285425763P.jpg" alt="" width="200" height="288" /></a>Quando o livro Pequena Abelha foi lançado o foi com estardalhaço, mas um estardalhaço que ao mesmo tempo era barulhento e não entregava nada. Pegue o livro, leia a contracapa e suas orelhas, nada ali entrega sobre o que ele trata, tudo o que sabemos do livro é isto:</p>
<p style="text-align: justify;">“Esta é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquela que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa…”</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6034"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Quem são essas duas mulheres? O que elas fazem? Onde elas se encontram? Nada disso nos é revelado. Não vejo razão para não contar do que a história trata. Porque não falar que é a história de uma refugiada nigeriana (Abelhinha) que por um acaso do destino conheceu um casal inglês em uma praia da Nigéria e que dois anos depois se tem um reencontro? Saber isso não tira o brilho da história ou a vontade de ler o livro, além disso, também não provoca expectativas em demasia. Expectativas demais não fazem bem, esperar diamantes lapidados em vez de brutos não confere mais brilho a história, só causa frustração caso suas expectativas não sejam atendidas. É uma estratégia perigosa, um tiro que pode sair pela culatra.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando comecei a ler o livro já estava vacinada, já havia lido opiniões que falavam sobre essa “venda exagerada do produto”, li Pequena Abelha sem esperar diamantes lapidados, narrativas impressionantes ou êxtases literários. Não esperava ser surpreendida pela narrativa de Cleave (de fato não o fui) e talvez seja por isso que a beleza de sua narrativa (ainda que não seja surpreendente) tenha me cativado. A maneira como ele dividiu sua narrativa entre as duas personagens principais, de forma alternada, mas principalmente a parte que cabe a Abelhinha contar: a comparação entre os dois mundos, de onde ela fugiu e para onde ela foi; a luta pela sobrevivência, a busca pela adaptação…</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>Desculpem-me por aprender a falar direito sua língua. Estou aqui para contar uma história verdadeira. Não vim para conversar sobre as cores vibrantes da África…</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">É assim que Abelhinha começa a sua história e em sua história verdadeira há outros personagens: Sarah, a outra mulher; Andrew, seu marido; e Charlie, o filho do casal que vive fantasiado de Batman.</p>
<p style="text-align: justify;">Cleave escreveu seu livro optando por uma narrativa sob o ponto de vista de duas mulheres e o fez muito bem. Cada parte da narrativa incorpora bem as características de cada personagem. É possível reconhecer Abelhinha e Sarah em seus relatos. Ele também não segue uma linearidade temporal, somos lançados do presente ao passado e de volta ao presente constantemente. Por fim cabe dizer que a história de Abelhinha não é um diamante lapidado, mas sim bruto como a história que nos é contada, a história de uma refugiada que só quer garantir o seu direito à vida. O tema abordado traz informações sobre o sistema de asilo político, nos faz refletir sobre a dificuldade de se “construir” uma nova vida e nos deixa na torcida para que essa “construção” seja permitida, talvez seja esta a maior contribuição da obra de Cleave.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>[...]Você sabe o que é paz, Charlie?<br />
(…)<br />
- Paz é quando as pessoas podem contar umas às outras seus nomes de verdade.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Núbia Esther é bióloga e doutoranda, mas mesmo em meio aos áridos textos científicos sempre acaba encontrando um tempo para seu vício favorito: ler muitos livros. Escreve no Blablabla Aleatório.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5469" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Fazendo Meu Filme 3: O Roteiro Inesperado de Fani (Paula Pimenta)</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 11:27:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katrina Galad</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[Fazendo Meu Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Paula Pimenta]]></category>

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		<description><![CDATA[*Atenção, esta resenha pode conter spoilers referentes aos primeiros livros da série (Fazendo Meu Filme 1 e Fazendo Meu Filme 2), leia por sua própria conta e risco. Já leu as resenhas do primeiro e do segundo livro? Você poder ler a minha opinião sobre eles aqui e aqui. O script de Fazendo Meu Filme [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/fazendo-meu-filme_3_400.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6031" style="margin: 5px;" title="fazendo-meu-filme_3_400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/fazendo-meu-filme_3_400.jpg" alt="" width="213" height="320" /></a>*Atenção, esta resenha pode conter spoilers referentes aos primeiros livros da série (Fazendo Meu Filme 1 e Fazendo Meu Filme 2), leia por sua própria conta e risco. Já leu as resenhas do primeiro e do segundo livro? Você poder ler a minha opinião sobre eles aqui e aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">O script de Fazendo Meu Filme 3 começa exatamente após a chegada de Fani da Inglaterra. Fani está de volta ao Brasil, de volta aos braços do Leo. Mas como a gente sabe os roteiros da Fani não são sempre cor de rosa como ela gostaria que fossem. O retorno para a vida que ela deixou aqui antes de ir para o intercâmbio não é mais possível, as pessoas mudaram, ela mudou (e não é só do físico que estou falando), a adaptação que ela sofreu ao chegar à Inglaterra deve acontecer novamente, é preciso se readaptar ao Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">“[...] comecei a pensar em como a Alice deve ter se sentido ao voltar do País das Maravilhas. Durante a história inteira ela quis achar o caminho de volta. Será que quando acordou e se viu em casa ela também se sentiu estranha? Teria ela também sentido saudade daquela outra vida, que mais parecia um sonho?”</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6030"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Ela precisa aceitar e compreender que muitas coisas estão diferentes, afinal, um ano se passou, um longo ano pautado por muitos acontecimentos, tais como o noivado do Alberto e da Natália, a Gabi estar fazendo medicina e não psicologia, o ambiente escolar ter ficado lá atrás e a vida de pré-vestibulanda bater à sua porta, o Leo ter passado no vestibular para… (ah, então, não vou contar não, só digo que foi uma parte que me deixou ressabiada e eu não concordei totalmente com a escolha que ele fez). Aliás, alguém aí está curioso para saber qual curso a protagonista irá fazer? Será que a mãe dela irá perceber que direito não é para ela e aceitar que ela faça cinema? Bom, enquanto Fani estuda para o vestibular, a Ana Elisa lhe dá uma ótima ideia, criar um blog, um espaço para ela comentar sobre filmes e ir treinando para quando seguir a carreira de cineasta. É assim que surge o“Filmes de Amorzinho” o lugar em que Fani escreve sobre filmes de romances ou filmes que a fazem suspirar por algum motivo. Para quem quiser ver e acompanhar (é minha gente, o blog existe de verdade!): http://filmesdeamorzinho.blogspot.com. Fani se diverte muito escrevendo seu blog, mas ele também será o causador de alguns acontecimentos chatos e tristes, mas também repletos de esperança e tudo devido a um comentário e a uma indicação. Mas essa sinopse está muito cor de rosa né? E como eu disse os roteiros de Fani não são monocromáticos… eis que sempre surge um empecilho para o seu feliz para sempre, nesse caso o empecilho tem nome e sobrenome: Christian Ferrari. O garoto surge novamente e com seu aparecimento o roteiro de Fani toma um rumo totalmente inesperado, captaram o trocadilho? (tá, eu sei que foi tosco).</p>
<p style="text-align: justify;">Provocar uma miríade de emoções em seus leitores parece ser a principal característica da Paula Pimenta, é impossível ler FMF 3 sem cair na gargalhada em algumas partes, ficar com muita raiva em umas e se debulhar em lágrimas em outras. A instabilidade emocional é imensa e eu acho sensacional quando um livro consegue provocar isso. A Paula faz isso falando de coisas simples, coisas do cotidiano: namoros, família, primeira vez e prevenção, trânsito, fatalidades, superação. Por isso, talvez, a identificação seja tão forte. Adoram falar que a Paula é a nossa Meg Cabot brasileira, mas não concordo, a Paula é a nossa Paula Pimenta brasileira! E é muito bom ver esse estilo literário estar bem representado atualmente no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Como comentei na resenha do primeiro livro da série, não é só a Fani e o Leo que são cativantes, todos os personagens criados pela Paula o são, até a mãe da Fani e suas constantes implicâncias. O pai da Fani é muito compreensivo, o Inácio o irmão mais velho que todos gostariam de ter, o Alberto e Natália garantem o tom hilariante ao longo da narrativa, a Ana Elisa (que também está no Brasil, ela veio fazer faculdade em Brasília) continua sendo uma ótima amiga, a Priscila não deixa que nada passe em branco e a Gabi é a amigona e a minha favorita! E a Paula não os deixa de lado, se o roteiro principal é escrito pela Fani, eles são os roteiristas auxiliares que sempre dão a sua opinião, na maioria das vezes por e-mail. Cada capítulo dos livros da série é encerrado com trocas de e-mails entre personagens ou conversas via MSN, em alguns momentos eu não via a hora de encerrar um capítulo para saber o que o Alberto e a doidinha da Nat estavam aprontando, o que a Gabi estava vivendo, com o que o mãe da Fani iria implicar dessa vez…<br />
O roteiro de Fani após tantas reviravoltas nos leva novamente para o aeroporto e a Paula me fez chorar de novo…</p>
<p style="text-align: justify;">“Ao contrário de Hollywood, onde as películas são produzidas, revisadas, ensaiadas até que fiquem perfeitas, a nossa existência é feita de improviso. Aqui não tem script. As cenas não são filmadas. E, se errarmos uma fala, não tem como dizer “Corta!” e gravar de novo.”</p>
<p style="text-align: justify;">Dica: Leia Fazendo Meu Filme ouvindo a trilha sonora criada pelo Leo e pela Fani, as músicas são lindas! As músicas podem ser ouvidas no site da série (http://fazendomeufilme.com.br/).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Núbia Esther é bióloga e doutoranda, mas mesmo em meio aos áridos textos científicos sempre acaba encontrando um tempo para seu vício favorito: ler muitos livros. Escreve no Blablabla Aleatório.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6220" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Fazendo Meu Filme 2: Fani na Terra da Rainha (Paula Pimenta)</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jan 2011 10:53:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katrina Galad</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
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		<description><![CDATA[*Atenção, esta resenha pode conter spoilers referentes ao primeiro livro da série (Fazendo Meu Filme 1), leia por sua própria conta e risco. Já leu a resenha do primeiro livro? Você poder ler o que eu achei aqui. &#8220;[...]Desde a noite anterior, no avião, eu não tinha mais chorado, mas foi só ouvir o “alô” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/capa-fazendo-meu-filme-2.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6028" style="margin: 5px;" title="capa-fazendo-meu-filme-2" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/capa-fazendo-meu-filme-2.jpg" alt="" width="231" height="350" /></a>*Atenção, esta resenha pode conter spoilers referentes ao primeiro livro da série (Fazendo Meu Filme 1), leia por sua própria conta e risco. Já leu a resenha do primeiro livro? Você poder ler o que eu achei aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;[...]Desde a noite anterior, no avião, eu não tinha mais chorado, mas foi só ouvir o “alô” da minha mãe que tudo foi (literalmente) por água abaixo. Eu nem conseguia responder. No lugar, só saíram lágrimas e mais lágrimas.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Em Fazendo Meu Filme 1 nos despedimos de Fani no aeroporto com direito à revelações, muita choradeira e beijo de cinema. Fani agora será a única responsável por escrever a sua história do outro lado do Atlântico, na terra da rainha, longe de casa, dos amigos, do seu primeiro amor por um ano… Se há algo que odeio mais do que despedida é saudade, vontade de estar perto de quem se gosta e estar separada delas por vários quilômetros.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando fui morar sozinha em outra cidade teve choradeira e depois que eu já estava em Brasília teve muita saudade e choros no telefone, então comecei a ler FMF2 já entendendo perfeitamente qual o sentimento que a Fani estava sentindo e com um aperto na garganta por ela. Ainda mais porque a garota tem um agravante, quando finalmente descobre o amor o destino coloca meio mundo entre eles. Como lidar com a saudade? Como vencer a tristeza dos primeiros dias na Inglaterra e aproveitar a oportunidade única que ela está tendo? Fani só vê uma solução, seguir a risca o “longe dos olhos, longe do coração”, a garota evita o Leo, não lê seus e-mails, impede-se de pensar nele e com isso vai levando a tristeza, mas e o Leo no Brasil? O garoto está se sentindo rejeitado e com razão, nem uma resposta? Assim Dona Estefânia não há amor que aguente!</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6027"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Só tenho uma coisa a declarar sobre FMF2, o livro é uma montanha-russa de emoções. E o e-mail da mãe da Fani para ela deixa isso bastante claro:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">A cada vez que conversamos você está de um jeito. Ora muito feliz, ora muito empolgada, ora muito chateada, ora muito triste… “morno” é uma palavra que não podemos aplicar a esse seu ano no exterior. Todos os seus momentos transbordam intensidade.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Começamos acompanhando a adaptação de Fani, sua tristeza em deixar sua vida para trás e a coragem para encarar de frente uma nova etapa. Seus primeiros momentos com sua família inglesa, que, diga-se de passagem, é um amor, principalmente o Tom. A saudade tão forte e um amor tão recente que fazem a garota pensar em desistir do intercâmbio e voltar para o Brasil. Nessa parte o sentimento que nos acompanha é a tristeza, ficamos tristes pela Fani e na torcida para que essa fase passe logo. Mas a garota decide ficar e conforme passa o tempo, viver na Inglaterra não significa mais só tristeza, mas sim uma nova escola e uma nova amiga, a também brasileira Ana Elisa, e até mesmo um novo amor (será), o também brasileiro Christian.</p>
<p style="text-align: justify;">O garoto gosta da sétima arte tanto quanto Fani, faz faculdade de cinema e tem um jeitinho todo especial, é difícil não se pegar torcendo em alguns momentos para que os dois fiquem juntos, ainda mais com tantos problemas que ela enfrenta com o Leo. Fani começa a escrever seu roteiro inglês, mas não deixa de lado o seu roteiro verde e amarelo e essas são as partes em que me diverti muito, os e-mails e conversas no MSN com a Gabi, a Nat e a Priscila em alguns momentos são hilárias e nos mantêm informados, assim como a protagonista, dos últimos acontecimentos em solo brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato de Fani estar longe não foi desculpa para a Paula abandonar os personagens apresentados no primeiro livro, eles continuam aprontando das suas, com seus conselhos e com os papos esclarecedores (né Priscila?). Além, de deixar claro o quanto o contato com os amigos é essencial e nos faz sentir que ainda fazemos parte de suas vidas ainda que estejamos longe. Não falo mais dos roteiros de Fani, nem do inglês e nem do brasileiro, para deixar o clima de mistério no ar, caso queira saber você terá que ler o livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Fazendo Meu Filme 2 sem dúvida nenhuma marca o amadurecimento de Fani, da garota tímida à que não se deixa intimidar por uma platéia, de dependente da mãe à independência de responder por seus próprios atos, saber escolher o que quer e correr atrás…</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>aprendi a entender melhor os meus sentimentos e agora eu sei que o medo nunca deve nos impedir de tentar o que quer que seja.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">FMF1 termina com uma despedida, FMF2 também, agora é a hora de Fani continuar a escrever seu roteiro brasileiro e não vejo a hora de poder lê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Núbia Esther é bióloga e doutoranda, mas mesmo em meio aos áridos textos científicos sempre acaba encontrando um tempo para seu vício favorito: ler muitos livros. Escreve no Blablabla Aleatório.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=6211" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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