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	<title>Meia Palavra&#187; Cinema</title>
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		<title>Se eu já vi o filme, por que eu deveria ler o livro? – A fantástica fábrica de chocolate, de Roald Dahl</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 19:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tuca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[(A coluna desse mês pede uma alteração provisória no título para “Se eu já vi os filmes, etc.”: em português, ambas as adaptações foram intituladas A fantástica fábrica de chocolate, mesmo título da tradução do livro. Em inglês, a adaptação cinematográfica mais antiga foi denominada Willy Wonka &#38; the Chocolate Factory, e a mais recente Charlie [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify" dir="ltr"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/oompaloompas.jpg"><img class="size-medium wp-image-17876 alignleft" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/oompaloompas-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>(A coluna desse mês pede uma alteração provisória no título para “Se eu já vi os filmes, etc.”: em português, ambas as adaptações foram intituladas <em>A fantástica fábrica de chocolate</em>, mesmo título da tradução do livro. Em inglês, a adaptação cinematográfica mais antiga foi denominada <em>Willy Wonka &amp; the Chocolate Factory, </em>e a mais recente <em>Charlie and the Chocolate Factory</em>. Nada contra a tradução indiferenciada: é muito melhor, por exemplo, do que tornar <em>Extremamente alto e incrivelmente perto</em> em, argh!, <em>Tão perto e tão longe</em>.)</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Eu queria muito utilizar a palavra “remake” nesse texto (ops, já o fiz), mas claramente não é a mais adequada. Ela se refere, por exemplo, a uma refilmagem de uma obra anterior que seja originalmente cinematográfica. É o caso de <em>Duas vidas</em> (mais conhecido como <em>Love Affair</em>) e <em>Tarde demais para esquecer</em>: um filme, com roteiro original, que é refilmado – com mudanças que vão de mínimas a substanciais. Voltando ao chocolate, a diferença entre o filme de 1971 e o de 2005, gritante, torna claro que não estamos diante de um remake, mas de uma nova adaptação cinematográfica do livro de <strong>Roald Dahl</strong>, tal como a aguardadíssima adaptação de David Fincher de <em>Os homens que não amavam as mulheres</em> – o diretor nem deve ter olhado a versão sueca.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr"><span id="more-17875"></span>Aparentemente, todo remake ou readaptação exige um posicionamento de quem os comenta: quase ninguém dirá que as duas adaptações são igualmente boas e satisfatórias. Nesse sentido, a preferência muito provavelmente recairá sobre o filme mais antigo: como exemplo disso, o enaltecimento de <em>A letra escarlate</em>, filme mudo de 1926, em comparação com a versão (homônima) estrelada por Demi Moore (e seus longos banhos), lançada em 1995, e pela personagem de Emma Stone em <em>A mentira</em> – outro filme que poderia ser considerado uma leitura moderna da obra de Nathaniel Hawthorne.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Eis então minha opinião: a adaptação de <strong>Tim Burton</strong> é infinitamente superior à de <strong>Mel Stuart</strong> (Mel who?). Vi-o no cinema duas vezes – na segunda, infelizmente, só havia cópias dubladas – e não tive dúvidas que assistira a um filme muito mais divertido e mágico do que o anterior. Comparando ambos os filmes a brinquedos de um parque de diversões, a versão com Gene Wilder se aproximaria a um carrossel – possui certo charme, é levemente enjoativo e inofensivo e serve para entreter as crianças menores –, enquanto Johnny Depp protagoniza uma montanha-russa muito bem construída, que utiliza o melhor da tecnologia para fazer todos os seus espectadores se sentirem como crianças.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Após a leitura do livro de Dahl, minha opinião apenas se fortaleceu. Busquei algumas informações a respeito das adaptações na internet e descobri duas coisas interessantes sobre ambas. No que diz respeito à primeira, o autor a odiou; quanto à segunda, o roteirista contratado era fã do livro e, pasmem!, não havia assistido à versão anterior – ou seja, nada de homenagem a esta.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Isso tudo deságua num dos temas mais recorrentes quando da abordagem comparativa de livros e filmes: fidelidade. Sim, o filme de Tim Burton é muito mais fiel. Estivesse o autor vivo, não só teria ajudado na divulgação, como provavelmente teria cedido os direitos autorais para a produção da sequência da história – <em>Charlie and The Great Glass Elevator</em> (em tempo, Burton e Depp já negaram qualquer interesse em filmar uma continuação do filme de 2005).</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Isso é perceptível a partir do título, que mantém o protagonismo de Charlie ao contrário da versão anterior, substituído por Willy Wonka no título do filme. Há eventos e detalhes no filme de Burton que poderiam ser tomados por exibicionismo do diretor, mas que são meramente fruto da conjunção das imaginações deste e do autor do livro. As invenções anteriores à reclusão de Wonka, o trabalho do pai de Charlie como “tampador de tubo de pasta de dentes”, o Taj Mahal de chocolate, o país dos oompa-loompas (os trabalhadores da fábrica, viciados em cacau), o elevador de vidro, os esquilos que escolhem as nozes: tudo isso já tinha sido descrito por Roald Dahl em <em>A fantástica fábrica de chocolate</em>.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">O que não significa que o diretor não tenha criado situações que inexistiam no livro. O tom mais “dark”, a repaginada no visual dos trabalhadores da fábrica (originalmente, eles continuam a vestir os trajes típicos de sua terra) e os motivos psicanalíticos para a obsessão de Wonka por chocolate – ah, a problemática relação entre pais e filhos&#8230; – estão entre os acréscimos de Tim Burton ao original.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Aproximo-me da conclusão do texto e parece que não apresentei nenhuma razão para a leitura do livro. Este é, sem trocadilhos, delicioso. De ler numa sentada. Um pouco moralista (as canções são levemente mais assustadoras e adultas no livro), não surpreendentemente: as peraltices e defeitos de personalidade das crianças más levam a determinadas consequências, temíveis o suficiente para que o pequeno que ouça a história antes de dormir pense duas vezes antes de ser malcriado.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">A história também comove de uma forma que, ao menos comigo, só a versão de 2005 conseguiu – o Charlie loiro (interpretado por um péssimo ator) de 1971 parecia estar muito “por cima da carne-seca” para alguém que passava fome:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Dia a dia, Charlie ia emagrecendo. Seu rosto foi ficando terrivelmente pálido e judiado. A pele estava tão grudada na face, que dava para ver os ossos. Se ele continuasse daquele jeito, ia acabar ficando muito doente.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Então, calmamente, com aquela estranha sabedoria que frequentemente parece tomar conta das crianças em épocas de dificuldade, ele começou a mudar algumas coisas em sua vida, para poupar forças. De manhã, saía de casa dez minutos antes, e andava bem devagar até a escola, para não ter que correr. Ficava quietinho, sentado na classe na hora do recreio, descansando, enquanto os outros corriam para fora, atirando bolas de neve e rolando na neve. Ele fazia tudo devagar, com cuidado, para não se cansar.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Descrições tristes como essa são compensadas por outros momentos de “magia” típica dos livros infantis, como no momento em que seus avós descobrem que ele conseguiu um cupom dourado (“O velhinho respirou fundo e de repente, sem qualquer aviso prévio, pareceu ter explodido por dentro. Levantou os braços e gritou: – Iupiii! Seu corpo ossudo levantou da cama fazendo voar a tigela de sopa bem em cima da Vovó Josefina. Num salto fantástico, aquele velhote de noventa e seis anos e meio, que não saía da cama há mais de vinte anos, pulou no chão e começou a dançar, de pijama, a dança da vitória.”), ou quando Willy Wonka nota a magreza do garoto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">De repente, o Sr. Wonka, que estava sentado do outro lado de Charlie, pegou uma caneca no fundo do barco, mergulhou-a no rio, encheu-a de chocolate e ofereceu para Charlie. – Beba – ele disse. – Parece um esqueleto! Qual é o problema? Não tem tido o que comer em casa?</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– Não muito – disse Vovô José.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Charlie levou a caneca até os lábios e um chocolate quentinho, cremoso, saboroso lhe desceu pela garganta, até sua barriga vazia. Todo o seu corpo, da cabeça aos pés, começou a tremer de prazer, e um sentimento de intensa satisfação tomou conta dele.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– Gostou? – perguntou o Sr. Wonka.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– Puxa, é maravilhoso! – disse Charlie.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– O chocolate mais delicioso e cremoso que já experimentei! – disse Vovô José, estalando os lábios.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">– É porque foi misturado pela cachoeira – disse o Sr. Wonka.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">As ilustrações de Cláudia Scatamacchia dão um charme todo especial ao volume: você sente que lê um dos livros paradidáticos que a escola recomendava para que os alunos começassem a gostar de ler.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Mas creio que aquilo de que mais gostei durante a leitura foi perceber a coragem de Tim Burton, um dos diretores que mais admiro, ao criar um filme tão diferente da adaptação anterior, que já conquistara milhões de fãs, utilizando todos os recursos visuais possíveis para homenagear adequadamente o livro em que se baseou. Aproximou-se mais dos delírios imaginativos aos quais nos permitimos enquanto lemos um bom livro. E isso foi mágico o suficiente para mim.</p>
</div>
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		<title>Especial &#8211; Os homens que não amavam as mulheres (Parte 02)</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 13:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Fazer adaptação de um livro não é uma tarefa fácil, principalmente quando se trata de uma narrativa volumosa que precisa ser condensada em, no máximo, duas horas de imagens e, em um ou outro caso excepcional, em mais tempo do que isso. Nesse sentido, tanto a versão cinematográfica sueca quanto a norte-americana de Os homens [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/os-homens-2.jpeg"><img class="alignright size-full wp-image-17782" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/os-homens-2.jpeg" alt="" width="185" height="272" /></a>Fazer adaptação de um livro não é uma tarefa fácil, principalmente quando se trata de uma narrativa volumosa que precisa ser condensada em, no máximo, duas horas de imagens e, em um ou outro caso excepcional, em mais tempo do que isso. Nesse sentido, tanto a versão cinematográfica sueca quanto a norte-americana de <em>Os homens que não amavam as mulheres</em> são exemplos de filmes que ultrapassaram esse padrão de longa-metragem, com cerca de 2h30 de duração. Justificável, levando em conta que o livro adaptado tem mais de 500 páginas e um grande mistério envolvendo toda a família Vanger a ser solucionado: o assassinato de Harriet, há 40 anos. Além disso, a vida dos personagens Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander é exposta entre a busca pelas respostas.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Mesmo assim, alguns trechos ficam de fora de ambos os filmes, e muitas cenas que no livro ganham várias páginas de história e explicação passam em alguns segundos diante dos nossos olhos nas telas. Além disso, soluções rápidas para situações mais complexas também não faltam. Ou seja, <em>Os homens que não amavam as mulheres</em>, em ambas as versões, têm os mesmos problemas que a grande maioria das adaptações possuem e que tanto desagradam os fãs que conheceram a história pelo livro.<span id="more-17781"></span></p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Contudo, se formos pensar apenas por esse ponto de vista, a maior parte dos filmes adaptados de obras literárias não faria o menor sentido. Por isso, falando especificamente da versão sueca neste primeiro momento, <em>Os homens que não amavam as mulheres</em> funciona bem como narrativa cinematográfica. Nessa versão, o diretor <strong>Niels Arden Oplev</strong> optou por seguir bastante a narrativa do livro, com seus principais acontecimentos. O enigma ao redor do desaparecimento de Harriet é intrigante e não perdemos o foco disso. Falando mais sobre estética, gostei muito de alguns enquadramentos escolhidos pelo diretor, como, por exemplo, o momento em que a tatuagem de dragão de Lisbeth é mostrada com uma luz entrecortada, e, com os movimentos de suas costas, temos a impressão de que o dragão está vivo em sua pele. Noomi Rapace, que interpreta Lisbeth nessa adaptação, é dotada de uma interpretação espetacular, na minha opinião. Em um dos ápices de sua atuação, a atriz interpreta um estupro. Os gritos e chutes de Noomi Rapace são assustadores.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-poster3.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17783" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-poster3-203x300.jpg" alt="" width="203" height="300" /></a>Visualmente falando, a atriz Rooney Mara (que interpreta Lisbeth na versão norte-americana) carrega uma primeira impressão bem mais impactante do que Noomi Rapace. A atriz é mais pálida, magra e impõe presença em seus olhares fulminantes. No entanto, como aparece bem pouco na primeira hora de filme, fica difícil criar algum laço com a personagem. Não que a versão sueca seja muito diferente disso, já que o foco dessa primeira parte do filme é Mikael e o início das investigações sobre a familia Vanger, além do caso Wennerstrom. Mas senti os momentos eleitos pela adaptação sueca mais capazes de criar esse vínculo inicial, isso, inclusive, porque as duas versões apresentam um início e participação diferentes de Lisbeth nas investigações. Tentando resumir sem passar spoilers, na narrativa sueca temos uma Lisbeth a todo tempo fechada e que conquista. Na americana, uma totalmente fechada e que, em uma virada, torna-se mais aberta.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Ao assistir ou simplesmente citar a versão americana, dirigida por <strong>David Fincher</strong>, não há como não se perguntar o porquê de uma nova adaptação em tão pouco tempo, principalmente se levarmos em conta que público e crítica aprovaram, de maneira geral, a versão sueca. Costume péssimo da indústria norte-americana, ao meu ver. Mas David Fincher e o roteirista Steve Zaillian acertaram quanto a isso: não fizeram um remake, e sim construíram uma nova trama para a adaptação, porque, afinal de contas, ninguém precisa de dois filmes iguais apenas falados em idiomas diferentes.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">O filme começa com uma abertura hollywoodiana muito bonita. Trilha sonora, efeitos especiais e uma explosão de objetos e pessoas, se tornando, basicamente, um videoclipe do livro, que inclusive foi lançado antes de estreia oficial, como uma espécie de teaser:</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/sY4f_83t_rw?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify">Se, no início da história, percebemos diversos diálogos literalmente chupados do livro, aos poucos, notamos uma maior independência. Esse é o ponto forte da trama. O fato é que a trilogia <em>Millenium</em> apresenta uma narrativa muito forte, que dificilmente seria desinteressante ou ruim de ser vista nos cinemas. A equipe que encabeçou o projeto certamente se aproveitou disso para tentar inovar. O resultado, no entanto, talvez deixe a desejar. Isso porque o enigma em torno de Harriet não apresenta tantas intrigas a ponto de deixar o espectador nervoso. Não há dúvidas de que, visualmente falando, o filme é lindo. Muito menos negar sua qualidade técnica: ele é impecável como a indústria gosta, contudo, fica aquém no enredo.</p>
<p style="text-align: justify" dir="ltr">Por fim, <em>Os homens que não amavam as mulheres</em> concorre ao Oscar na categoria de melhor atriz e apresentou bilheteria de 90 milhões de dólares nos cinemas norte-americanos nas quatro semanas desde sua estreia. Aqui no Brasil, o filme entra em cartaz nos cinemas hoje.</p>
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		<title>Filmes adaptados de livros que chegam em 2012 (Segunda Parte)</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 19:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Semana passada comentei sobre alguns filmes adaptados de livros que chegarão aos cinemas brasileiros em 2012, falando das estreias de janeiro até março. O motivo pelo qual a segunda parte começa de abril e vai até dezembro é que logo depois das grandes premiações, como o Globo de Ouro e o Oscar, o calendário de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><img class="alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/interno_di_un_sala_da_cinema-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/?s=Filmes+adaptados+de+livros+que+chegam+em+2012">Semana passada</a> comentei sobre alguns filmes adaptados de livros que chegarão aos cinemas brasileiros em 2012, falando das estreias de janeiro até março. O motivo pelo qual a segunda parte começa de abril e vai até dezembro é que logo depois das grandes premiações, como o Globo de Ouro e o Oscar, o calendário de estreias para o circuito nacional já começa a ficar mais nebuloso: nada é muito definido, as chances de alterações de datas são grandes e ainda tem o caso de filmes que já foram lançados lá fora e que aqui no Brasil não têm nem sinal de que chegarão (alguém lembra de como foi com <em>Death Proof,</em> de Tarantino?). É até por isso que alguns filmes acabaram ficando de fora da lista, uma vez que não têm uma data oficial de estreia no Brasil definida, mas é quase certo que aparecerão nas telonas daqui ainda em 2012, como <em><a title="the raven" href="http://www.imdb.com/title/tt1486192/" target="_blank">The Raven</a></em>, <em><a title="sangue quente" href="http://www.imdb.com/title/tt1588173/" target="_blank">Sangue Quente</a></em>, <em><a title="bel ami" href="http://www.imdb.com/title/tt1440732/" target="_blank">Bel Ami</a></em> e <em><a title="rum" href="http://www.imdb.com/title/tt0376136/" target="_blank">O diário de um jornalista bêbado</a></em>.</p>
<p style="text-align: justify">E a verdade é que mesmo que nada seja muito certo para os filmes de abril em diante (alguns ainda nem ganharam título em português), a tendência é que muito <em>blockbuster</em> chegue a partir desse mês, com peixes grandes disputando a tapa as bilheterias. Então fiquem atentos e, é claro, não esqueçam de passar nas livrarias depois de ver os filmes.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17672"></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>ABRIL</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="mirror mirror" href="http://www.imdb.pt/title/tt1667353/" target="_blank">Espelho, espelho meu</a></em>: Estreia prevista para o dia 6. Seguindo a tendência de releitura dos contos de fadas, <em>Espelho, espelho meu</em> chega com Julia Roberts no papel da Rainha Má de <em>Branca de Neve</em>. Tudo seria muito legal e bacana, não fosse o fato de que agora mesmo em 2012 sai uma outra &#8220;adaptação&#8221; de <em>Branca de Neve</em>. Comparações inevitáveis já surgiram na época em que eram filmados, imagine após os lançamentos.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="os vingadores" href="http://www.imdb.pt/title/tt0848228/" target="_blank">Os Vingadores</a></em>: Estreia prevista para o dia 27. Vamos manter a coerência da lista, e já que <em>As aventuras de Tintim</em> entrou na primeira parte, <em>Os Vingadores</em>, baseado nas HQs da Marvel, entra aqui também. Conseguiram unir um ótimo elenco, interpretando personagens já aprovadas pelo público (como o Homem de Ferro de Downey Jr.), então tem tudo para ser um sucesso não só lá fora, mas por aqui também.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>MAIO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="um homem de sorte" href="http://www.imdb.pt/title/tt1327194/" target="_blank">Um homem de sorte</a></em>: Estreia prevista para o dia 4. Sortudo é o Nicholas Sparks, isso sim. Entra ano, sai ano e lá está ele com mais um filme adaptado com um galã no papel principal. Desta vez é Zac Efron interpretando um soldado que busca a mulher desconhecida que acredita ter dado sorte para ele durante a guerra no Iraque. O livro foi lançado aqui no ano passado pela Novo Conceito, e tem o mesmo nome que o filme.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/On-the-Road-movie-poster-kristen-stewart-22103939-1420-1880.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17675" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/On-the-Road-movie-poster-kristen-stewart-22103939-1420-1880-226x300.jpg" alt="" width="226" height="300" /></a>JUNHO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="branca de neve" href="http://www.imdb.com/title/tt1735898/" target="_blank">Branca de Neve e o Caçador</a></em>: Estreia prevista para o dia 1. Pronto, está aí a outra adaptação de <em>Branca de Neve</em>, desta vez com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0829576/">Kristen Stewart</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000234/">Charlize Theron</a> no elenco, o que rendeu ótimas piadas como <strong><a title="hehe" href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/377783_2720928186178_1346255822_3012090_106708873_n.jpg" target="_blank">esta aqui</a></strong>. E para quem gosta de outras versões de contos de fadas, sugiro a coletânea <em>Contos dos Irmãos Grimm</em>, organizado por Clarissa Pinkola Estés e lançada pela Rocco aqui no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="on the road" href="http://www.imdb.com/title/tt0337692/" target="_blank">On the Road</a></em>: Estreia prevista para o dia 8. Para tomar um belo chá de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0829576/">Kristen Stewart</a> no mês de junho, a atriz chega como Marylou na adaptação de <em>On the Road</em>, dirigida pelo brasileiro Walter Salles. A obra de Jack Kerouac que serve como base para o roteiro foi lançada aqui no Brasil pela L&amp;PM, que inclusive no ano passado publicou também uma edição baseada no manuscrito original, sobre a qual <a title="On the Road – O Manuscrito Original (Jack Kerouac)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/15/on-the-road-o-manuscrito-original-jack-kerouac/" target="_blank">comentei aqui no Meia Palavra</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>JULHO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="homem aranha" href="http://www.imdb.com/title/tt0948470/" target="_blank">O Espetacular Homem Aranha</a></em>: Estreia prevista para o dia 3. Mês de férias vem com duas adaptações dos quadrinhos, começando por <em>Homem Aranha</em> (da Marvel), o primeiro com <a href="http://www.imdb.com/name/nm1940449/">Andrew Garfield</a> como o Cabeça de Teia. Tem também <a href="http://www.imdb.com/name/nm1297015/">Emma Stone</a> no papel de Gwen Stacy. Para quem quer uma sugestão do que ler de O Homem Aranha, vale dar uma olhada em <em>A Morte de Gwen Stacy </em>(saiu uma edição especial pela Panini em 2007), um dos clássicos da personagem da Marvel.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="batman" href="http://www.imdb.com/title/tt1345836/" target="_blank">Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas Ressurge</a></em>: Estreia prevista para o dia 27. Terceiro filme do homem morcego dirigido por Christopher Nolan, com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000288/">Christian Bale</a> como Batman e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0004266/">Anne Hathaway</a> como Mulher Gato. Promete ser o filme mais dark dos três, se é que isso é possível considerando o anterior, com Coringa e Duas Caras. Como sugestão de HQ, fica <em>Batman: A Queda do Morcego</em> (saiu em edição especial pela Panini em 2008), que traz o vilão Bane fazendo o que muito inimigo do Batman sonhou.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>AGOSTO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="abraham" href="http://www.imdb.com/title/tt1611224/" target="_blank">Abraham Lincoln: Vampire Hunter</a></em>: Estreia prevista para o dia 3. Seguindo a moda de misturar o elemento sobrenatural com algo já conhecido, aqui temos vampiros e o presidente norte-americano Abraham Lincoln. O filme é uma adaptação do livro <em>Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros</em> escrito por Seth Grahame-Smith (o mesmo autor de <em>Orgulho e Preconceito e Zumbis</em>), e foi lançado pela Intrínseca em 2010.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="the bourne legacy" href="http://www.imdb.com/title/tt1194173/" target="_blank">The Bourne Legacy</a></em>: Estreia prevista para o dia 3. Olhando superficialmente a sinopse (história acontecendo na nova CIA no universo criado pelo escritor Robert Ludlum), a verdade é que não sei se realmente é baseado em um livro de mesmo nome, que chegou aqui em 2009 pela Rocco como <em>O legado Bourne</em>. A única coisa certa é que não tem Matt Damon como Jason Bourne.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>SETEMBRO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify">Pode parecer estranho, mas até o momento não há lançamento de filme adaptado de livro previsto para setembro. Mas é óbvio que em alguns meses isso deve mudar.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>OUTUBRO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="cloud atlas" href="http://www.imdb.com/title/tt1371111/" target="_blank">Cloud Atlas</a></em>: Estreia prevista para o dia 26. Esse vem para agradar aos amantes de sci-fi, com seis histórias que se passam em tempos e lugares diferentes, mas que acabam se entrelaçando. O livro homônimo de David Mitchell não tem tradução no Brasil ainda.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="gangster" href="http://www.imdb.com/title/tt1321870/" target="_blank">The Gangster Squad</a></em>: Estreia prevista para o dia 26. Baseado no livro<em> Tales From the Gangster Squad,</em> de  Paul Lieberman, vem com um elenco tão cheio de estrelas que é pouco provável que passe batido nos cinemas. Anota alguns nomes aí: <a href="http://www.imdb.com/name/nm0331516/">Ryan Gosling</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm1297015/">Emma Stone</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000576/">Sean Penn</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000982/">Josh Brolin</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>NOVEMBRO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="007" href="http://www.imdb.com/title/tt1074638/" target="_blank">007 &#8211; Skyfall</a></em>: Estreia prevista para o dia 2. Depois de aparecer como Mikael Blomkvist no começo do ano, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0185819/">Daniel Craig</a> volta às telonas como o mais famoso agente do MI6, James Bond. A personagem criada por Ian Fleming já conta com dezenas de filmes, mas essa é a terceira vez que o agente é interpretado por Craig.</p>
<p><img class="alignright size-medium wp-image-17676" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/The-Hobbit-Movie-Poster-e1327348631783-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /><em><a title="amanhecer" href="http://www.imdb.com/title/tt1673434/" target="_blank">A saga Crepúsculo: Amanhecer Parte 2</a></em><span style="text-align: justify">: Estreia prevista para o dia 16. Último filme da saga baseada nos livros de Stephenie Meyer, para alegria de alguns e tristeza de outros. A história parte do momento em que a protagonista Bella se transforma em vampira.</span></p>
<div>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>DEZEMBRO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="a vida de pi" href="http://www.imdb.com/title/tt0454876/" target="_blank">A vida de Pi</a></em>: Estreia prevista para o dia 14. Com direção de Ang Lee, o filme é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Yann Martel. Há uma edição do ano passado que saiu pela Nova Fronteira aqui no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="o hobbit" href="http://www.imdb.com/title/tt0903624/" target="_blank">O Hobbit: Uma Jornada Inesperada</a></em>: Estreia prevista para o dia 14. Não é exagero dizer que trata-se de um dos filmes mais aguardados de 2012. Para delírio dos fãs de Tolkien, Peter Jackson retorna à Terra-média para contar as aventuras de Bilbo antes do que conhecemos em <em>O Senhor dos Anéis</em>.</p>
</div>
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		<item>
		<title>Filmes adaptados de livros que chegam em 2012 (Primeira Parte)</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 16:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que a literatura serve de fonte para o cinema há anos não é nenhum segredo. Trata-se de algo tão comum que algumas pessoas já até criaram o hábito de sair do filme e ir direto para uma livraria comprar o livro que deu origem ao que acabou de assistir. Grandes franquias modernas como Harry Potter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/interno_di_un_sala_da_cinema.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17421" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/interno_di_un_sala_da_cinema-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Que a literatura serve de fonte para o cinema há anos não é nenhum segredo. Trata-se de algo tão comum que algumas pessoas já até criaram o hábito de sair do filme e ir direto para uma livraria comprar o livro que deu origem ao que acabou de assistir. Grandes franquias modernas como <em>Harry Potter</em> e <em>O Senhor dos Anéis</em> são dois bons exemplos de como a sétima arte tem uma grande dívida com as letras. E seguindo essa tendência, é evidente que 2012 chega com diversos filmes adaptados de livros.</p>
<p style="text-align: justify">Já começou agora nos primeiros dias de janeiro com <em><a title="sherlock holmes: o jogo das sombras" href="http://www.imdb.com/title/tt1515091/" target="_blank">Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras</a></em> (lançado no último dia 13), mas muito mais está por vir. E é justamente pensando nisso que o Meia Palavra traz para você um guia das adaptações cinematográficas que chegarão aqui no Brasil este ano. Chamamos a atenção para o fato de que as datas de estreias podem variar (dependendo das distribuidoras), e que tem muitos filmes que se encaixam nessa categoria para ser lançado, mas que ainda não tem data de estreia prevista aqui no Brasil. Então, para 2012 o que você pode esperar é&#8230;</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17397"></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/MIllennium-Os-Homens-que-não-Amavam-as-Mulheres-544x800.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17422" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/MIllennium-Os-Homens-que-não-Amavam-as-Mulheres-544x800-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" /></a>JANEIRO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="as aventuras de tintin" href="http://www.imdb.com/title/tt0983193/" target="_blank">As Aventuras de Tintin</a></em>: Estreia prevista para o dia 20. Começamos com um não-livro, eu sei. Mas vamos considerar HQs literatura só para não deixar batido: o produtor do filme é Peter Jackson, que está dirigindo <em>O Hobbit</em>. E até por causa dessa relação, já foi prometido que o trailer de <em>O Hobbit</em> estreará nos cinemas justamente com <em>As Aventuras de Tintin</em>. Se os fãs de Tolkien já foram às lágrimas com o trailer só de assistir no computador, imagine ao ver na telona.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="os homens que não amavam as mulheres" href="http://www.imdb.com/title/tt1568346/" target="_blank">Os homens que não amavam as mulheres</a></em>: Estreia prevista para o dia 27. É provavelmente um dos lançamentos mais esperados do ano, dirigido por David Fincher (<em>Clube da Luta</em>, <em>A Rede Social</em>, etc.), é a versão americana do romance do sueco Stieg Larsson. Conta com Trent Reznor do Nine Inch Nails como responsável pela trilha sonora (<strong><a title="immigrant song" href="http://www.youtube.com/watch?v=QDsZNDeN3F8" target="_blank">clica aqui</a></strong> para ver Immigrant Song como aparecerá nos créditos de abertura do filme, muito bom!).</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="os descendentes" href="http://www.imdb.com/title/tt1033575/" target="_blank">Os Descendentes</a></em>: Estreia prevista para o dia 27. A data de estreia é um problema, o filme vai acabar chegando junto com <em>Os homens que não amavam as mulheres</em> e pode passar batido para muitas pessoas. Mas vale dizer que ele foi bem recebido lá fora, e esse é um dos que podem estar concorrendo ao Oscar desse ano, então vale a pena conferir.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="precisamos falar sobre kevin" href="http://www.imdb.com/title/tt1242460/" target="_blank">Precisamos falar sobre o Kevin</a></em>: Estreia prevista para o dia 27. O filme é baseado em um livro de tema bastante polêmico, mas algumas opiniões de quem já assistiu falam que é melhor só ler o livro mesmo. De qualquer forma, tem <a href="http://www.imdb.com/name/nm0842770/">Tilda Swinton</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000604/">John C. Reilly</a> no elenco, que não costumam entrar em muitas roubadas (é, mas ela estava em <em>Constantine</em>, então ok, isso no final das contas não quer dizer nada).</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/DRIVE_Poster.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17424" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/DRIVE_Poster-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>FEVEREIRO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="histórias cruzadas" href="http://www.imdb.com/title/tt1454029/" target="_blank">Histórias Cruzadas</a></em>: Estreia prevista para o dia 3. Emma Stone, a queridinha do momento, aparece nessa adaptação do livro <em>The Help,</em> de Kathryn Stockett. Quem for caçar o livro depois do filme, fique atento que aqui no Brasil ele foi lançado em 2010 pela Bertrand como <em>A Resposta. </em></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="o homem que mudou o jogo" href="http://www.imdb.com/title/tt1210166/" target="_blank">O homem que mudou o jogo</a></em>: Estreia prevista para o dia 3. Baseado em um livro de Michael Lewis ainda sem tradução no Brasil, é melhor você prestar atenção que este filme (chamado de <em>Moneyball</em> lá fora) tem grandes chances no Oscar. E tem Brad Pitt no elenco. Ah, e é baseado em uma história real.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="a invenção de hugo cabret" href="http://www.imdb.com/title/tt0970179/" target="_blank">A invenção de Hugo Cabret</a></em>: Estreia prevista para o dia 17. Não estranhe se a palavra Oscar aparecer em muitos textos sobre os filmes lançados em fevereiro. É bastante comum os &#8220;oscarizáveis&#8221; chegarem por aqui mais ou menos nessa época. Uma aventura dirigida por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000217/">Martin Scorsese</a>, acredito que isso por si só já deve ser um convite. O livro já tem tradução (do linguista Marcos Bagno!!), e saiu pela Editora SM.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="a mulher de preto" href="http://www.imdb.com/title/tt1596365/" target="_blank">A mulher de preto</a></em>: Estreia prevista para o dia 17. E chega a vez dos amantes do horror. Com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0705356/">Daniel Radcliffe</a> no papel principal (você conseguirá deixar de pensar que ele é o Harry Potter?), trata-se de um remake de um filme feito para a TV em 1989. O romance de Susan Hill que deu origem ao filme no momento não tem tradução aqui no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="drive" href="http://www.imdb.com/title/tt0780504/" target="_blank">Drive</a></em>: Estreia prevista para o dia 24. <a href="http://www.imdb.com/name/nm0331516/">Ryan Gosling</a> como protagonista, tenho certeza que pelo menos o público feminino já está garantido para esse filme. A editora Leya acabou de lançar a tradução aqui no Brasil (e sem querer estragar surpresas, eu acredito que em breve teremos uma resenha do <a title="pips" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/pips/" target="_blank">Felippe</a> para esse livro).</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/JogosVorazes_posterBrasileiro.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-17425" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/JogosVorazes_posterBrasileiro-184x300.png" alt="" width="184" height="300" /></a>MARÇO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="tão forte e tão perto" href="http://www.imdb.com/title/tt0477302/" target="_blank">Tão forte e Tão Perto</a></em>: Estreia prevista para o dia 2. Mais uma vez, se quiser comprar o livro depois de assistir ao filme é melhor ficar atento, porque aqui no Brasil a Rocco optou por uma tradução direta do título em inglês: <em>Extremamente alto &amp; incrivelmente perto.</em> O romance de Jonathan Safran Foer chegou por aqui em 2006, mas é certeza que a procura pelo título aumentará, até porque com Tom Hanks e Sandra Bullock no elenco não tem como não chamar a atenção do público.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="como agarrar meu ex-namorado" href="http://www.imdb.com/title/tt1598828/" target="_blank">Como Agarrar Meu Ex-Namorado</a></em>: Estreia prevista para o dia 9. Mais lambança com tradução de título, e aqui é ainda pior. A escolha da tradução de <em>One for the money</em> para <em>Como agarrar meu ex-namorado</em>, somando ao fato de que a protagonista é interpretada por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001337/">Katherine Heigl</a>, passa a falsa impressão de que temos outra comédia romântica por aí. É uma comédia, mas tende mais para filme de crime e ação. Ah, sim, sobre a bagunça dos títulos, a Rocco lançou o romance de Janet Evanovich como <em>Um dinheiro nada fácil</em>.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="john carter" href="http://www.imdb.com/title/tt0401729/" target="_blank">John Carter</a></em>: Estreia prevista para o dia 9. Para os fãs de ação e fantasia, chega <em>John Carter</em>, dos estúdios Disney. Foi adaptado do livro de Edgar Rice Burroughs, conhecido por ter criado a personagem Tarzan. Se sair do cinema e quiser ler o livro, procure por <em>Uma princesa de Marte</em>, lançado em 2010 pela Editora Aleph.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="flor da neve" href="http://www.imdb.com/title/tt1541995/" target="_blank">Flor da Neve e o Leque Secreto</a></em>: Estreia prevista para o dia 16. Produção americana e chinesa, este drama é ambientado na China do século XIX. Baseado em um livro de Lisa See, que para sorte dos brasileiros já ganhou tradução em 2005, pela editora Rocco. Ah, sim, e desta vez nenhum problema com o título, o livro também se chama <em>Flor da Neve e o Leque Secreto</em>.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="jogos vorazes" href="http://www.imdb.com/title/tt1392170/" target="_blank">Jogos Vorazes</a></em>: Estreia prevista para o dia 23. Acredito não estar exagerando ao dizer que este é um dos filmes mais esperados do ano, e isso não é pouca coisa se pensar nos destaques de 2012. Mais voltado para o público jovem, este filme foi adaptado de um livro do mesmo nome da escritora Suzanne Collins, lançado em 2010 pela editora Rocco.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="um método perigoso" href="http://www.imdb.com/title/tt1571222/" target="_blank">Um método perigoso</a></em>: Estreia prevista para o dia 23. O filme falando da relação entre Jung e Freud, dirigido por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000343/">David Cronenberg</a> e com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0461136/">Keira Knightley</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001557/">Viggo Mortensen</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm1055413/">Michael Fassbender</a> já deu as caras aqui no Brasil no ano passado, no Festival do Rio de Janeiro. Mas agora chega para todos os cinemas brasileiros e pode chamar a atenção para o livro de John Kerr, <em>Método Muito Perigoso</em>, que foi lançado em 1997 (isso mesmo, 1997) pela Imago.</p>
<p style="text-align: justify"><em><a title="the grey" href="http://www.imdb.com/title/tt1601913/" target="_blank">A perseguição</a></em>: Estreia prevista para o dia 30. Neve, homens lutando para sobreviver, lobos e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000553/">Liam Neeson</a>. Foi baseado em um conto chamado <em>Ghost Walker,</em> de Ian Mackenzie Jeffers, que ainda não ganhou tradução aqui no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify">***</p>
<p style="text-align: justify">Como podem ver, é muita coisa para vir, especialmente se considerar que essa lista mostra só os três primeiros meses do ano. Os lançamentos de abril até dezembro de 2012 você poderá conferir na segunda parte deste artigo, que será publicado na <strong>próxima terça-feira, dia 24</strong>.</p>
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		<title>Teorema (Pier Paolo Pasolini)</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 16:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel F.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Todo mundo sabe de livros que foram adaptados para o cinema, mas acredito que seja mais estranho para a maioria um filme que virou livro. É exatamente esse o caso de Teorema (1968), romance de Pier Paolo Pasolini escrito a partir de seu roteiro para o filme homônimo (também de 1968), que também foi dirigido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/teorema-pasolini.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-16966" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/teorema-pasolini-180x300.jpg" alt="" width="180" height="300" /></a>Todo mundo sabe de livros que foram adaptados para o cinema, mas acredito que seja mais estranho para a maioria um filme que virou livro. É exatamente esse o caso de <em>Teorema </em>(1968), romance de Pier Paolo Pasolini escrito a partir de seu roteiro para o filme homônimo (também de 1968), que também foi dirigido por ele. Antes de se tornar o famoso cineasta italiano, Pasolini já era escritor, especialmente de poesia, portanto não deve ser um fato alarmante ele ser autor de um romance, até porque ele já havia publicado outros antes de <em>Teorema</em>, como <em>Ragazzi de vita </em>(1955), ou, na tradução brasileira, <em>Meninos da vida</em>. Assim sendo, ele já era romancista, porém ainda não havia transformado uma obra cinematográfica sua em romance, daí a novidade de <em>Teorema</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Certamente não é algo fácil partir de um outro texto, como um roteiro, e chegar a um novo, ainda mais se considerarmos que não há uma convenção em relação a isso. Pasolini fez isso e não se limitou somente a retirar todos os termos técnicos do texto, pois o expandiu de maneira considerável. <em>Teorema </em>se tornou um texto misto, que integra trechos nitidamente cinematográficos com passagens de caráter muito romanesco, intercalando essa prosa com poemas próprios. O que temos é uma espécie de compilação das habilidades de seu autor: há cinema, prosa, poesia.<span id="more-16965"></span></p>
<p style="text-align: justify">Ao contrário do que possa se imaginar, tudo isso não quer dizer que temos uma obra mais “completa”, que pode até mesmo “explicar” o filme, considerado de difícil compreensão desde o seu lançamento. Com essa forma totalmente renovada, não temos somente uma transposição textual, uma mera “cópia” do filme para o romance, mas sim uma obra nova, que só tem uma semelhança básica em relação ao filme: o enredo fragmentado. Continuamos a ter o mesmo argumento: um estranho de beleza única (talvez um anjo?) surge como hóspede na casa de uma família burguesa de Milão e muda a trajetória de todos da casa durante sua estada. Daí em diante, cada uma das personagens segue caminhos distintos, tentando lidar com o fato de ter sido tocado (literalmente) por alguém quase divino. Como pode se imaginar, nem todos lidaram bem com isso.</p>
<p style="text-align: justify">Pasolini, como bom esquerdista que era, pensava em todos os aspectos sociais em sua obra literária e cinematográfica. É inevitável não perceber a profunda crítica política em <em>Teorema </em>(mais explicitamente no romance) e ela parece ser muito bem trabalhada por essa forma diferenciada do texto. Porém, não se pode pensar que se trata de um “romance social” e ponto. Esse romance vai além dessa definição e só nos faz confirmar como Pasolini, seja pelo cinema, seja pela literatura, é alguém de uma criatividade incrível, autor de obras que todos podem apreciar.</p>
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		<title>Conversas com Scorsese (Richard Schickel)</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 16:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Conversas com Scorsese]]></category>
		<category><![CDATA[Cosac Naify]]></category>
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		<description><![CDATA[A infância na Elizabeth Street, no Lower East Side em Nova York, diz muito sobre o futuro do pequeno e asmático Marty, embora ele nem fosse pensar isso na época. Ali, entre as décadas de 1940 e 1950, a comunidade italiana como todos conhecemos – alegre, festiva e intensa – convivia ao lado de outra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/conversas-com-scorsese.jpg"><img class="size-medium wp-image-15864 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/conversas-com-scorsese-235x300.jpg" alt="" width="235" height="300" /></a>A infância na Elizabeth Street, no Lower East Side em Nova York, diz muito sobre o futuro do pequeno e asmático Marty, embora ele nem fosse pensar isso na época. Ali, entre as décadas de 1940 e 1950, a comunidade italiana como todos conhecemos – alegre, festiva e intensa – convivia ao lado de outra característica que ligamos muito aos ítalo-americanos: a máfia, a violência, o medo. Marty sentia o peso desse ambiente na sua juventude, e mesmo com sua família estando fora das atividades perigosas exercidas por boa parte de seus vizinhos, saber que o pai daquele amigo com quem brincou no dia anterior foi morto por criminosos e que a qualquer hora alguém poderia sumir desse jeito, era um fato amedrontador. Para fugir disso, a igreja e as salas de cinema foram seus esconderijos.</p>
<p style="text-align: justify">É falando dessa infância atribulada em Little Italy que <strong>Richard Schickel</strong> dá inicio à conversa com um dos maiores diretores de cinema norte-americano, <strong>Martin Scorsese</strong>. Na verdade, o diálogo parece ter início bem antes, mas é a partir desse momento que o leitor entra na roda como um expectador invisível para conhecer mais intimamente a história e trabalho do diretor. Em <strong>Conversas com Scorsese</strong>, com uma edição brasileira mais que caprichada publicada pela editora <strong>Cosac Naify</strong>, até quem não é lá muito chegado a cinema, ou conhece pouco da filmografia do diretor, se encanta com a visão e dedicação de Scorsese ao seu trabalho.<span id="more-15863"></span></p>
<p style="text-align: justify">Esse início de conversa que evoca as lembranças de Scorsese quando pequeno, o medo e opressão do lugar em que vivia e toda a relação com sua família, é a chave central para toda a sua produção, a fonte de influências que marcaram seus filmes que tratam, em grande parte, de temas como violência e traição. São temas que atraem Scorsese justamente por ele ter crescido em meio essa atmosfera, e que utilizou em seus filmes como forma de lidar com o próprio passado, ou como diversas vezes sentencia, é algo que faz parte da pessoa que ele é, o que o leva a falar sobre isso. Enquanto conversa com Schickel, Scorsese lista os acontecimentos que lhe marcaram, os filmes que assistia acompanhado de seu pai, e revela uma atividade que já indicava uma predileção pelo cinema: os desenhos que criava para contar pequenas histórias, como se fossem filmes.</p>
<p style="text-align: justify">Daí em diante, Schickel conduz a conversa para o interesse de Scorsese pelo cinema, seus primeiros trabalhos realizados na New York University e a estreia do diretor, em que cada capítulo fala de uma obra de sua filmografia. <strong>Caminhos perigosos, Taxi Driver, Touro indomável, Os bons companheiros, Gangues de Nova York, Os infiltrados</strong>, esses e outros filmes são vistos pelos olhos do próprio Scorsese que comenta o processo de filmagem de cada um, a relação com os atores, com a história, as dificuldades encontradas durante a gravação, montagem ou distribuição, as negociações com o estúdio. O que ele queria ou não colocar em seus filmes, passar ao público, é dito à Schickel e ao leitor que tem acesso ao que cada obra representou para a realização profissional e pessoal do diretor.</p>
<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/The_Departed-Martin_Scorsese.jpg"><img class="size-full wp-image-15865 aligncenter" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/The_Departed-Martin_Scorsese.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Conversas com Scorsese</strong> é um livro que revela muito sobre os seus filmes e ainda mais sobre ele mesmo. A ligação com seu passado, com sua família, é muito forte e está sempre presente. A dedicação ao seu trabalho e ao cinema todo em si é estupenda, parece que toda frase dita por Scorsese contém algum filme ou documentário como referência, revelando o grande conhecimento do diretor sobre a área em que atua e que tanto admira. Como Schickel muitas vezes lembra durante o diálogo, a procura pela perfeição, a obsessão de Scorsese para conseguir a tomada certa, faz dele um diretor completamente diferente daquilo que ele esperava ser quando decidiu fazer cinema: um diretor de estúdio, que faz filmes às pencas. Se Scorsese seguisse por esse caminho, o cinema perderia e ele mesmo estaria menos realizado.</p>
<p style="text-align: justify">Como ele comenta em diversas passagens, depois de terminar um grande filme a primeira coisa que pensa é: “Nunca mais farei isso de novo”. Mas, felizmente, a vontade de realizar um bom projeto é maior do que todo o trabalho e complicação que ele possa ter durante seu processo, e podemos ver de novo mais um filme de Scorsese nas telas do cinema. Depois de ler <strong>Conversas com Scorsese</strong>, é impossível não querer assistir a todos os filmes, e depois voltar a ler os capítulos correspondentes a eles para notar os detalhes que Schickel e o diretor comentaram. Apesar do tamanho do livro – quase 500 páginas de conversa – o leitor continuaria a ler facilmente o dobro disso só para poder sentir mais um pouco a fascinação de Martin Scorsese pelo cinema.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Conversas com Scorsese</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Autor: </strong>Richard Schickel</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Tradução: </strong>José Rubens Siqueira</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Editora: </strong>Cosac Naify</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Páginas: </strong>528</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Preço sugerido: </strong>R$ 89,90</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Cosac Naify</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://editora.cosacnaify.com.br/Default/1/Default.aspx"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/cosaclogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para DW Ribatski</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 16:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[DW Ribatski ou DW RBTZK, também é conhecido como Darlan Willian Ribaski. Nasceu em Curitiba no ano de 1982 e mora atualmente em São Paulo. Darlan é músico, produtor, educador, ilustrador, publicitário, designer e cartunista. Com esse currículo invejável ele intitula-se um Artista Plástico, afinal, como ele mesmo diz: &#8220;meu maior interesse na vida é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-15508" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI-300x292.jpg" alt="" width="300" height="292" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI.jpg"><br />
</a>DW Ribatski ou DW RBTZK, também é conhecido como Darlan Willian Ribaski. Nasceu em Curitiba no ano de 1982 e mora atualmente em São Paulo. Darlan é músico, produtor, educador, ilustrador, publicitário, designer e cartunista. Com esse currículo invejável ele intitula-se um Artista Plástico, afinal, como ele mesmo diz: &#8220;meu maior interesse na vida é arte, seguido viagens, garotas e a vontade de colaborar com o mundo de alguma forma&#8221;. E é com esse jeito descontraído que o artista e quadrinista DW Ribatski nos cedeu uma entrevista leve, sincera e interessantíssima.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-15504"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Como foi seu primeiro contato com os quadrinhos? Quando você decidiu, ou descobriu, que seria quadrinista?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Meus primeiros contatos foram porque meus pais me davam muitos quadrinhos. Meu pai tinha uma espécie de prazer em me dá-los, mesmo ele não lendo, um mistério pra mim até hoje. Minha mãe gostava de mudar as histórias, lia pra mim a versão dela de livros e quadrinhos. Eu fazia quadrinhos desde antes de saber ler, primeiro tirinhas e aos 7 anos fiz meu primeiro &#8220;gibi&#8221;. Tenho boa parte desse material até hoje.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. Qual a importância dos fanzines na sua carreira?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Muito grande. Eu passava tardes e tardes desenhando quadrinhos no meu quarto, em formato de revistinha, mas sempre cópias únicas. Até que um amigo do colégio um dia trouxe uma fotocópia de uns quadrinhos que ele tinha feito e eu quis muito fazer igual. Daí comecei a xerocar os meus e tentar vender pros amigos. Mais tarde conheci algumas pessoas que também gostavam da brincadeira de editar e fiz pelo menos 100 fanzines diferentes. Eu não era muito dessa turma que enviava pelo correio, tinha preguiça, mas costumava (tentar) vender em bares. Fiz fanzines compulsivamente junto a amigos que frequentavam a Gibiteca de Curitiba (ainda tem muitos zines meus lá) e fiquei super inspirado ao ver que as primeiras publicações do Adrian Tomine eram super bem cuidadas. Acho que adquiri esse desejo, de sempre tentar ir além da expectativa (da minha principalmente). O Guilherme Caldas, com quem trabalhei um tempo também tinha fanzines muito legais, inspiradores.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. O que acha da mistura da linguagem da HQ com a do teatro, como Paulo Biscaia costuma fazer em suas peças, como Morgue Story?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Acho bacana. Acho que em algum caso poderia ser uma idéia péssima. Muita gente curte meter o bico em coisas que não conhece e sai aquela coisa boba, pra público de novela. Tenho muita preguiça. Não é o caso do Paulo. Saquei desde sempre nossas afinidades por uma área, na qual ele é expert, que é aquela onde a coisa pop encontra algo mais profundo, mas sem deixar de lado o cinismo, não exclusivo, mas típico do séc. XX pra cá. Acho importante.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Quais são suas maiores influências dos quadrinhos? E de outras expressões de arte?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Quadrinhos atualmente eu diria, acredite ou não, não estou puxando o saco, são alguns amigos como Rafa Coutinho, Diego Gerlach, Gabriel Góes, André Ducci, Allan Ledo, Rafael Silveira, José Aguiar, Guilherme Caldas, ElCerdo, Mateus Aciolli, Laura Teixeira, Kitagawa, DSalete, os gêmeos Moon e Bá (achava eles &#8220;médio&#8221; até ler o Daytripper, que achei uma obra prima, desculpem aí moleques, caso leiam, mas é a verdade, rs) e tantos outros que vou começar a lembrar tão logo envie este e-mail. Bem, tem os mestres também, que acabaram se tornando amigos, pra minha honra total, Zimbres, Jaca, Mutarelli, Laerte. Sempre fui bem ligado em &#8220;ídolos locais&#8221; e, no meio desse fascínio demorei pra perceber que eles são muito menos reconhecidos do que eu achava (Muta ficou mais famoso por causa dos livros, claro). É como se todo mundo fosse cego, não percebendo que tem alguns dos maiores gênios da história do Brasil vivos e produzindo (vou citar o Zimbres e Jaca aqui como exemplo), heheh, será que foi nisso que o Saramago pensou? (&#8230;) Eu diria que minhas maiores influências de fora do Brasil são o Muñoz, o Schultz, o Crumb, o Pettibon, o pessoal da Fantagraphics e Drawn and Quaterly, o pessoal da Krammers Ergott. Na literatura curto muito a Lispector, o Kafka, o Cortázar, o Joseph Campbell, os Beatniks. Cinema e música, putz, muita coisa, deixa pra lá, haha.</p>
<div id="attachment_15553" class="wp-caption alignright" style="width: 222px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DW.jpg" target="_blank"><img class="size-medium wp-image-15553" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DW-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem da nova HQ autobiográfica (Clique para aumentar)</p></div>
<p style="text-align: justify"><strong>5. Você atua na música, quadrinhos, design e animação. Qual dessas produções artítisticas é a mais prazerosa? E por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, acho que todas em seu momento. Tive um momento forte ligado a quadrinhos que achei que tinha desaparecido. Fiquei anos só pensando em música e agora, sei lá, 6 anos depois, os quadrinhos voltaram à minha mente. Acho que um pouco porque o mundo da música é muito disputado, e na minha opinião, rola muita briga, rixa&#8230; Me parece que os quadrinhos por serem uma coisa um pouco mais nova, ainda não deu tempo de aparecer essas coisas, é todo mundo muito amigo e admirador do trabalho um do outro. Não sei muito de quadrinistas que se odeiam, etc. Até eu que não leio super heróis sou amigo do Marcelo Campos e também não sendo muito fã de tiras admiro muito algumas pessoas específicas (citando a nova geração, o Lafayette, por ex). O que eu não suporto, confesso, são cartuns e caricaturas. Nada contra as pessoas e desculpe se sou um canalha, mas não gosto, pronto.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. Além das artes, você ministra cursos sobre quadrinhos. Como é o seu trabalho como educador?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, entrei na faculdade de artes e no primeiro dia de aula um professor falou: &#8220;vocês sabem que estão num curso de licenciatura, né?&#8221;, todo mundo concordou e eu fiquei pensando: &#8220;o que é &#8216;licenciatura&#8217; mesmo?&#8221;<br />
rs. Mas depois isso meio que acabou virando uma missão pra mim. Até porque trabalhei bastante em comunidades carentes e quando não são a nuvem de gafanhotos do apocalipse, os jovens são muito empolgados e dedicados. Isso me fez descobrir algo que eu não conhecia em mim. Prazer em repassar algo que eu &#8220;saiba&#8221;. Essas aspas estão aí, clichê ou não, porque aprendo muito muito mesmo ao ensinar. Sobre o meu trabalho e sobre formas de abrir as possibilidades dele. As pessoas olham pras coisas de jeitos muito diferentes e isso é muito legal. Fico imaginando que quem tem &#8220;crise de criatividade&#8221; não se abre pra essas trocas. Hoje em dia não trabalho mais nesses projetos sociais, por mais que gostaria de ter tempo um dia pra isso de novo. Mas esse outro lado de iniciar as pessoas no mundo dos quadrinhos autorais é algo que pra mim tem também um efeito social, por mais que de outro modo, e ao mesmo tempo ajuda minha área profissional artística a crescer: disseminar pensamento crítico e boas referências.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Você está produzindo junto com o escritor Emilio Fraia a graphic novel “Campo em Branco”, que será publicada pela Companhia das Letras. Como é a composição de um trabalho que une a literatura aos quadrinhos? O Emilio escreve o texto e te passa para fazer as imagens, ou o trabalho funciona melhor se feito em conjunto?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, este trabalho já teve várias fases. Tivemos que aprender qual o melhor processo, e a cada semestre, digamos, ele se modifica naturalmente. O mais importante foi aprendermos a parar de xingar a mãe um do outro. Não sei se diria que este trabalho é literatura + quadrinhos, por mais que seja deste ambiente que o Emilio veio, eu acho que é um trabalho de quadrinhos. Procuramos aproveitar as propriedades da linguagem, criar algo que se virar, por exemplo, um filme ou se fosse adaptado para um livro ficaria naturalmente diferente, como uma adaptação tem que ser pra não ser simplesmente uma &#8220;simplificadora de linguagem&#8221;. O Emilio escreve de um modo que não é o meu, mas que eu gosto muito. Pra mim essa experiência tem sido muito interessante por isso. Se eu tivesse que trabalhar com alguém de cujo texto eu não gostasse ou que quisesse que eu trabalhasse uma linguagem muito naturalista, acho que não daria certo. Gosto de cortes bruscos e quase sempre, de pouca repetição de cenas. Não quero fazer &#8216;animações estáticas&#8217;, então o texto tem que se adaptar a esta forma de trabalho. É uma coisa dinâmica, sem muito &#8220;tempo&#8221;. Gosto de ter imagens que resumem/sugerem uma sequência e não desenhar a sequência. Gosto de confusão, rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. Em uma entrevista ao programa Entre Linhas você afirma que os quadrinhos possuem uma linguagem própria. Como podemos definir os quadrinhos como linguagem artística?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sim, acho que se trata exatamente disso. Ao trabalhar com quadrinhos tem que se ter em mente: quadrinhos não são filmes de quem não tem dinheiro/equipe pra fazer um. Não são livros pra pessoas que precisam de desenhos pra entender. Não são animações estáticas e não são contos ilustrados. Se você conseguir encontrar algo que não seja nenhuma dessas coisas, você estará fazendo quadrinhos. Mas claro, grosso modo. Existem obras ótimas, como Watchmen, por exemplo, que são super cinematográficas. Estou sendo propositalmente purista, rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. Recentemente o uso de tiras e histórias em quadrinhos no Enem gerou discussão a respeito de uma suposta &#8216;supervalorização&#8217; dos quadrinhos em detrimento da literatura. O que você pensa sobre essa conflituosa relação entre literatura e quadrinhos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não sei bem o que pensar. Acho só que se é pra criterizar que tipo de texto é &#8220;mais inteligente&#8221; porque não temos textos mais subjetivos no vestibular? Põe um texto do Joyce, põe Lispector&#8230; Põe textos medievais, põe textos indianos direto do sânscrito, mesopotâmicos, sumérios&#8230; Sei lá. Acho a educação no Brasil toda errada. O incentivo aos quadrinhos na infância e juvenilidade seria um modo de aumentar a capacidade do cérebro das pessoas antes que seja tarde. rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. Como você enxerga as 400 mil cópias vendidas em uma única edição da Turma da Mônica Jovem em comparação com as vendas, ainda pequenas, das HQs para adultos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Normal. Já achei antigamente que Mônica era um &#8220;inimigo&#8221;. Mas sei lá, quem faz o mundo são as pessoas. E se Mônica fosse igual à dos anos 70 e 80 eu ainda leria!<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2. Se sobre a sua cabeça houvesse um balão, ele diria&#8230; </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong></strong>&#8220;calaboca DW&#8221;</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agradece a grande atenção dada por DW Ribatski.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sweet as a bee &#8211; The book is a lie</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Oct 2011 23:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu nem ao menos jogo Portal para poder fazer esse trocadilho com alguma credibilidade, mas ele serve para o propósito da coluna desse mês – e foi o único título em que consegui pensar. Essa semana, depois de uma pseudo-corrida (ou seja, uma caminhada) pela avenida aqui de casa, dei aquela passada básica na padaria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/sweet.png"><img class="size-full wp-image-8143 alignright" style="margin: 5px; border: 0pt none;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/sweet.png" alt="" width="200" height="200" /></a>Eu nem ao menos jogo Portal para poder fazer esse trocadilho com alguma credibilidade, mas ele serve para o propósito da coluna desse mês – e foi o único título em que consegui pensar. Essa semana, depois de uma pseudo-corrida (ou seja, uma caminhada) pela avenida aqui de casa, dei aquela passada básica na padaria na frente do meu condomínio para repor as calorias perdidas – nunca o contrário. Na fila para pedir o habitual “dois cacetinhos e dois bolos ingleses” – eu sei, cacetinho, mas pelo menos aqui chamam cupcake de bolo inglês, fica menos afetado –, dois homens conversavam embasbacados nas mesinhas que tinham do meu lado sobre um certo jovem bilionário. Um jovem que fez um negócio superbacana na internet e por isso ficou bilionário. Jovem. Dinheiro. Internet. Acertou quem disse Mark Zuckerberg, o criador do Facebook.</p>
<p style="text-align: justify;">Um deles, de uns 50 anos de idade, falava para o outro mais jovem sobre como Zuckerberg, essa safadinho programador, teve a ideia bilionária depois de ter levado um fora da namoradinha que tinha em Harvard, o que o levou a fazer um brincadeira sacana que envolvia mulheres, comparações com animais e a eleição da mais gostosa da universidade. E o homem dizia, admirado: “e tudo por causa de um fora dessa guria” – imaginei se ele não estava tentando consolar o moço de um recente pé na bunda com algo como: “hey, se tu for brilhante o bastante, esse fora vai te deixar rico!” Provavelmente o homem ficou sabendo de tudo isso vendo o filme de David Fincher, ou então lendo <strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/10/28/bilionarios-por-acaso-ben-mezrich/">Bilionários por acaso</a></strong>, de <strong>Ben Mezrich</strong>, enfim, o filme e livro que contam a “história da criação do Facebook”.<span id="more-14954"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Na hora em que ouvi eles falarem sobre o fora que levou à criação da rede social, fiquei me mordendo de vontade de virar pros dois e dizer: isso tudo é mentira. Porque é mentira mesmo, pelo menos em parte. Há menos de uma semana tinha dito a mesma coisa numa conversa com um amigo, e queria muito dizer o mesmo para aqueles dois caras, mas eu não estava muito metida naquele dia. Porém, isso ficou na cabeça, o quanto um fato propagado por um livro ou filme acaba virando verdade absoluta quando não é. Mas como eu sei que não é verdade? Bem, na mesma semana que <strong>A rede social</strong> estreou nos cinemas, Mark Zuckerberg concedeu uma entrevista para o programa <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1znhVrb8Yek">60 minutes</a> e falou sobre a criação do Facebook, as novidades do site e, claro, sobre o filme que conta a sua vida. E, nas palavras do próprio, essa tal namorada que lhe deu o fora nunca existiu – ou melhor, não existe <a href="http://www.imdb.com/character/ch0225344/bio">Erica Albright</a>, a garota no filme. Aliás, ele contou que namora a mesma garota desde 2003, antes de criar o Facebook, uma tal de Priscilla Chan, com quem vive até hoje e não apareceu no livro de Mezrich e no filme em momento algum. Posso ser ingênua, mas prefiro acreditar nas palavras do Zuckerberg – por mais filho da puta que ele possa ser, mas lembrem, isso também é uma imagem criada pelo filme e pelo livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem não leu, <strong>Bilionários por acaso</strong> é uma “biografia não autorizada” do Facebook, escrita baseada principalmente nas palavras de Eduardo Saverin, o ex-amigo de Zuckerberg e co-fundador do site. O que o autor do livro fez, porém, foi romancear toda a história, contá-la como se fosse uma ficção qualquer sobre jovens gênios que conquistam prestígio, mulheres, dinheiro e vivem intriguinhas. E para mim, a partir do momento em que a “realidade” vira romance, tudo não passa de uma mentira para entreter, como qualquer outro livro – os fatos reais até estão aí, mas são só a base na qual toda a invenção se constroi. É isso que acontece no livro de Mezrich, o que Fincher levou para os cinemas e o que o senso comum tomou como verdade. Não sei dizer – por memória fraca, por preguiça, por falta de leitura&#8230; – quantas vezes isso aconteceu com outros livros baseados em fatos reais, mas é certo que já lemos muita ficção como se fossem registros fiéis de um momento da História, como se a arte representasse a realidade tal qual ela é, ignorando a liberdade que o autor tem para mudar o que é necessário para que seu romance flua do jeito que espera.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem lê romances históricos está habituado a ver as explicações finais dos livros em que os autores listam todas as mudanças necessárias que fizeram na história para que suas tramas se encaixassem, deixando bem claro que, por mais que as personagens tenham realmente existido, assim como as guerras e conflitos narrados, o livro é uma mentira, uma ficção, um passatempo para entreter. <strong>Ben Mezrich</strong>, por mais reais que fossem as suas fontes, acabou alterando a ordem em que as coisas aconteceram, adicionou personagens e conflitos para que o enredo fluísse, condensou diálogos e usou sua imaginação para preencher os buracos nos depoimentos de seus entrevistados. E ele diz isso lá no início, antes de apresentar Saverin e Zuckerberg em uma festa de Harvard. Mas por algum motivo obscuro, o leitor esquece essas palavras iniciais do autor, esquece as alterações que ele alertou serem feitas – sem as sinalizar realmente –, e o que ele escreveu acaba virando verdade. Será que a história é tão legal assim que preferimos a versão romanceada à real? Talvez, mais por mérito do filme do que do livro – caso raro em que a adaptação é superior à obra original. Ou então simplesmente não paramos para pensar em quais trechos narrados pelo autor são ou não verdade, e na dúvida, tudo vira realidade, confiamos no autor enquanto, na verdade, o único compromisso dele é só contar mais uma historinha. Apesar de tudo, na ficção, o livro sempre é uma mentira.</p>
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		<title>24 Letras por segundo (Organizado por Rodrigo Rosp)</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 20:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A sétima arte costuma utilizar em muitos filmes a inspiração proveniente da literatura, ou como é mais chamada de adaptação para o cinema. Muitos livros ganham suas versões cinematográficas e geram discussões calorosas sobre a fidelidade do filme à obra literária, o elenco escolhido, a visão do diretor e outros aspectos que recaem sobre a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/24-letras-por-segundo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-13031" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/24-letras-por-segundo-198x300.jpg" alt="" width="198" height="300" /></a>A sétima arte costuma utilizar em muitos filmes a inspiração proveniente da literatura, ou como é mais chamada de adaptação para o cinema. Muitos livros ganham suas versões cinematográficas e geram discussões calorosas sobre a fidelidade do filme à obra literária, o elenco escolhido, a visão do diretor e outros aspectos que recaem sobre a mesma pergunta:</p>
<p style="text-align: justify">O filme superou a obra literária?</p>
<p style="text-align: justify">Agora imaginemos o contrario, a sétima arte adaptada para a literatura. Pois esta é a ideia do livro <strong>24 letras por segundo</strong>, lançado pela <strong>Não Editora</strong> e organizado por <strong>Rodrigo Rosp</strong>. Dezessete escritores escolhem seus diretores preferidos e escrevem um conto baseado em um filme ou na obra cinematográfica do diretor.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-14585"></span></p>
<p style="text-align: justify">As adaptações dos contos seguem linhas diversas na escrita de cada autor, porém em muitos deles é possível perceber traços marcantes de cada diretor. Como por exemplo, no conto <strong>“Um mar para Carmina”,</strong> de <strong>Monique Revillion, </strong>que demonstra com maestria todo o ambiente fantástico da cinematografia de <strong>Tim Burton</strong>, fazendo uma alusão clara ao filme Peixe grande, um dos meus favoritos.</p>
<p style="text-align: justify">No conto <strong>“Três Copos”, </strong>de <strong>Diego Grando,</strong> é perceptível nos detalhes o diretor <strong>Sylvain Chomet</strong> (As bicicletas de Belleville e O mágico). A falta de diálogos nos obriga a seguir cada gesto, ação e expressão dos personagens que não precisam da expressão verbal para demonstrar sentimentos, trejeitos ou ações no decorrer da narrativa.</p>
<p style="text-align: justify">Já o conto <strong>&#8220;Inquebrável&#8221;,</strong> de <strong>Juarez Guedes Cruz,</strong> mostra um ponto de vista diferente do filme “Corpo fechado” do diretor <strong>Night Shyamalan</strong>. Na história é apresentada a versão dos fatos pela mãe do homem de ossos de vidro, um relato tocante e que dá nova cor ao filme que tem no elenco Bruce Willis e Samuel L. Jackson.</p>
<p style="text-align: justify">Encontramos também contos que não precisavam de qualquer indicação de qual diretor inspiraram, devido ao estilo único de cada um e que é captado pelos escritores. É o caso do suspense <strong>“Visitas”</strong> de <strong>Samir Machado de Machado</strong>, o fantástico<strong> “O túmulo frio de Mimi Meyers”</strong> de <strong>Bernardo Moraes</strong>, os diálogos desnorteados de<strong> “Todos os homens dizem eu te amo”</strong> de <strong>Rodrigo Rosp</strong> e o inesperado<strong> “O paradigma do mexilhão”</strong> de <strong>Rafael Bán Jacobsen</strong>. Impossível não dizer que esses contos são inspirados respectivamente nas obras de <strong>Spielberg</strong>,<strong> Tarantino</strong>,<strong> Woody Allen </strong>e<strong> Almodóvar</strong>.</p>
<p style="text-align: justify">Dois contos merecem destaque especial. <strong>“No trânsito”,</strong> de <strong>Silvio Pilau</strong><strong>,</strong> inspirado na obra de <strong>Kevin Smith</strong>, um hilariante diálogo entre três jovens em um texto construído em forma de roteiro. O outro é o conto de <strong>Bruno Mattos</strong>, <strong>“Se não ficares até o fim, eles te passam a perna”</strong> inspirado nos filmes de <strong>José Mojica Marins</strong>, conto que ganha naturalmente a voz do personagem Zé do Caixão – eu mesmo li alguns trechos em voz alta imitando o personagem, o que torna o conto muito mais interessante.</p>
<p style="text-align: justify">Além de todos os contos, vale destacar o design do livro que imita em todos os seus detalhes uma fita VHS, com selos, indicações de elenco e até detalhes no começo e final do livro. Isso sem falar nas informações que precedem cada conto sobre o autor e o cineasta. Detalhes estes que não podem passar batidos, e dão um toque todo especial a obra.</p>
<p style="text-align: justify">Sem dúvida este é um livro que encanta, seja pela identificação de cada diretor em um conto, pela descoberta de cineastas até então desconhecidos ao leitor, pela escrita de grandes escritores ou pelos fantásticos detalhes gráficos. Além do encantamento, a inversão de papéis ao adaptar filmes em contos abre um leque de discussões ás avessas propícia para boas conversas em torno de um questionamento:</p>
<p style="text-align: justify">Afinal, será que esses contos superam as obras cinematográficas?</p>
<p style="text-align: justify"><strong>24 letras por segundo</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Organização:</strong> Rodrigo Rosp</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Autores: </strong>Bernardo Moraes, Monique Revillion, Rodrigo Rosp (Org.), Juarez Guedes Cruz, Reginaldo Pujol Filho, Pena Cabreira, Pedro Gonzaga, Silvio Pilau, Milton Ribeiro, Eric Novello, Bruno Mattos, Diego Grando, Samir Machado de Machado, Antônio Xerxenesky, Rafael Bán Jacobsen, Victor Paes e Márcio-André</p>
<p style="text-align: justify"><strong>192 páginas<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Preço sugerido: </strong>R$ 32,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Não Editora</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.naoeditora.com.br/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/naoeditoralogo.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>24 Letras por Segundo (Vários)</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Sep 2011 17:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não é segredo que o cinema usa muito da literatura como inspiração. É só pensar que uma das maiores premiações da sétima arte tem uma categoria dedicada a roteiros adaptados &#8211; majoritariamente de livros. E como seria o caminho inverso, da telona para as páginas? Pois a Não Editora trouxe a resposta com a coletânea [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/24-letras-por-segundo.jpg"><img class="size-medium wp-image-13031 alignleft" style="border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/24-letras-por-segundo-198x300.jpg" alt="" width="198" height="300" /></a>Não é segredo que o cinema usa muito da literatura como inspiração. É só pensar que uma das maiores premiações da sétima arte tem uma categoria dedicada a roteiros adaptados &#8211; majoritariamente de livros. E como seria o caminho inverso, da telona para as páginas? Pois a Não Editora trouxe a resposta com a coletânea de contos <em>24 Letras por Segundo</em>, organizada por Rodrigo Rosp. O título é uma referência à<a title="cadência" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cad%C3%AAncia_(audiovisual)" target="_blank"> cadência de projeção</a> padrão de cinema, e acredite, a brincadeira de referências vai muito além disso: basta ver a capa (que lembra uma uma fita vhs, daquelas que emprestávamos em locadoras), as ilustrações que antecedem cada conto e até o &#8220;Por favor, rebobine o livro&#8221; no final. É muito divertido ficar procurando esses detalhes, e é um ponto altíssimo para a Não Editora o cuidado que tem com o visual dos livros que publicam, já que eles também tem no catálogo o ótimo <a title="ficção de polpa" href="http://blog.meiapalavra.com.br/tag/ficcao-de-polpa/" target="_blank">Ficção de Polpa</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Por falar em <em>Ficção de Polpa</em>, saiba que se você é como eu mais um daqueles fãs da série que aguarda ansiosamente o quinto volume, <em>24 Letras por Segundo</em> vem como um ótimo remédio para aliviar a espera. Como boa parte dos contistas já publicaram nos volumes do Ficção de Polpa (Bernardo Moraes, Rodrigo Rosp, Juarez Guedes Cruz, Silvio Pilau, Bruno Mattos, Samir Machado de Machado, Antônio Xerxenesky e Rafael Bán Jacobsen), há ali uma gostosa sensação de familiaridade, é quase o mesmo que dizer que deu para matar saudades.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-14358"></span>Mas sim, <em>24 Letras por Segundo</em> tem vida própria. O que une os contos da coletânea é a proposta de passar para o papel em forma de conto o que seria um filme típico de determinado diretor. Cada autor escolheu um diretor para representar em conto que sempre abre com a já comentada ilustração do título, além de uma mini-bio do autor, filmografia do diretor e um comentário do autor sobre o cineasta que &#8220;adaptou&#8221; para o livro. Alguns focam os temas principais dos filmes (como o de Tarantino), outros tentam conversar com algum filme em questão (como o de Shyamalan e o de Almodóvar), outros captam a essência dos trabalhos do diretor (como o de Spielberg). O resultado geral, como é de se esperar, é ótimo.</p>
<p style="text-align: justify">Fica a pergunta: preciso ser um cinéfilo para gostar do livro? A resposta é <strong>não</strong>. Muito embora seja evidente que reconhecer seu diretor favorito em um texto, ou mesmo perceber referências e brincadeiras com filmes que você gostou, faz parte da experiência de leitura que <em>24 Letras por Segundo</em> propõe, mas ele não precisa ser lido só desta maneira. Digo isso porque confesso aqui minha completa ignorância sobre a filmografia de alguns diretores escolhidos (ok, para falar a verdade &#8220;a completa ignorância sobre alguns diretores escolhidos&#8221;) e mesmo assim gostei dos contos, o que acabou trazendo o extra de atiçar minha curiosidade para ir atrás de alguns filmes. Então se você não se acha tão entendido em cinema, saiba que sim, dá para se divertir muito com <em>24 Letras por Segundo</em> mesmo assim.</p>
<p style="text-align: justify">Sobre os contos, mantendo a tradição da casa dá para dizer que estão todos para acima da média para excelentes. A coletânea abre com <em>O túmulo frio de Mimi Meyers</em> de Bruno Novaes (referência a Tarantino). A única coisa que faltou nele foi referência às músicas da década de 70 que costumam aparecer nos filmes do norte-americano, mas fora isso é quase como se você estivesse acompanhando algo novo de Tarantino, é divertidíssimo.</p>
<p style="text-align: justify">Segue então com <em>Um mar para Carmina</em> de Monique Revillon (referência a Tim Burton) que conseguiu captar muito bem o tom fantástico e poético dos filmes de Burton, assim como Rodrigo Rosp nos entrega <em>Todos os homens dizem eu te amo</em> (referência a Woody Allen) que tem o típico personagem neurótico cheio de tiradinhas ácidas especialmente sobre si, muito engraçado.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Inquebrável</em> de Juarez Guedes Cruz (referência a M. Night Shyamalan) traz uma proposta interessante de narrar <a title="corpo fechado" href="http://www.imdb.com/title/tt0217869/" target="_blank">Corpo Fechado</a> a partir do ponto de vista da mãe da personagem Elias. Meu único pé atrás é que eu realmente não gosto deste filme, então digo com tranquilidade que o conto consegue ser bem superior à película.</p>
<p style="text-align: justify">Reginaldo Pujol Filho assume a difícil (pelo menos eu acho) tarefa de trazer os irmãos Coen para o papel, com o conto <em>Irmãos</em> que não só ficou muito bom, mas também diverte ficar procurando o modo que o autor conseguiu encaixar cada um dos títulos dos filmes deles na história. Após este conto, por coincidência vem dois seguidos cujos diretores homenageados eu conheço pouco, então acabei lendo sem buscar as referências, no caso <em>O Conchário </em>de Pena Cabreira (referência a Terry Gilliam, que só conheço pelo lado Monty Python) e <em>O elevador</em> de Pedro Gonzaga (referência a Wong Kar-Wai, de quem assisti absolutamente nada) e aqui reforço o que já disse antes sobre não haver necessidade de conhecer os filmes e os diretores para apreciar os contos.</p>
<p style="text-align: justify">Vem então um dos meus favoritos da coletânea, <em>No trânsito</em> de Silvio Pilau (referência a Kevin Smith). Muito engraçado, lembrando os melhores momentos de Smith (que considero qualquer coisa até <a title="dogma" href="http://www.imdb.com/title/tt0120655/" target="_blank">Dogma</a>), ele vem em forma de roteiro. Depois temos <em>Os velhinhos</em> de Milton Ribeiro (referência a Roman Polanski), trazendo uma versão de escritores a famosa história do pacto com o diabo (e até Roberto Bolaño aparece ali!). Então a coletânea segue com os ótimos <em>Esqueletos no armário</em> de Eric Novello (referência a Bernardo Bertolucci) e <em>Se não ficares até o fim, eles te passam a perna</em> de Bruno Mattos (referência a José Mojica Marins). No caso do último eu desafio qualquer leitor a ler sem imaginar a voz do narrador como a do Zé do Caixão!</p>
<p style="text-align: justify">Temos então um toque francófono com <em>Três copos</em> de Diego Grando (referência a Sylvian Chomet) e <em>Visitas</em> de Samir Machado de Machado (referência a Spielberg). Esse conto já esteve presente em outra coletânea da Não Editora, o Ficção de Polpa 2, mas é tão legal que vale a pena reler (mesmo). <em>Sobrevivendo à razão</em> de Antônio Xerxenesky (referência a Hal Hartley) foi um daqueles casos de diretor que até então eu desconhecia e que agora estou morrendo de curiosidade de assistir.</p>
<p style="text-align: justify">O desfecho da coletânea fica por conta de <em>O paradigma do mexilhão</em> de Rafael Bán Jacobsen (referência a Almodóvar), <em>O fabuloso Juarez</em> de Victor Paes (referência a Milos Forman) e <em>Um dia na vida de David Lynch</em> de Márcio André. Os três conseguem captar muito bem a assinatura desses diretores, e o que é interessante é que apesar da homenagem, conseguem ser originais mantendo o que acredito ser um estilo próprio.</p>
<p style="text-align: justify">Então se você é cinéfilo e também gosta de ler, não perca tempo e corra atrás de <em>24 Letras por Segundo</em> &#8211; eu duvido que você não encontre nele algumas boas horas de diversão, nem que seja a brincadeira de encontrar referências. Mas se cinema não é muito sua praia, não desanime: a coletânea é tão bacana que é capaz de despertar em você um gosto que até então você desconhecia.</p>
<p style="text-align: justify">Em tempo, para o pessoal de São Paulo fica o convite para hoje à noite (clique na imagem para ampliar):</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/297987_10150452677954062_806509061_11300145_1750145386_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-14362" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/297987_10150452677954062_806509061_11300145_1750145386_n-300x232.jpg" alt="" width="300" height="232" /></a></p>
<p style="text-align: justify"><strong>24 Letras por Segundo (Vários)</strong></p>
<p>Organização Rodrigo Rosp<br />
192 Páginas<br />
Preço sugerido: R$32,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Não Editora</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.naoeditora.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/naoeditoralogo.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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