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	<title>Meia Palavra&#187; Chico Buarque</title>
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		<title>Links e Notícias da Semana #50</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 17:21:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Daytripper de Fábio Moon e Gabriel Bá (clica aí para ver MAIOR) Na nossa quinquagésima edição de links e notícias que poderiam-mas-não-abalaram-o-mundo avisamos que Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá, entrará em pré-venda na internet. Para você que comentou, recomentou e espalhou por aí, anunciamos o ganhador da promoção do Meia Palavra e Editora Aleph, quem vai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: center"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/daytripper.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-13438" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/daytripper-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" /></a><em>Daytripper de Fábio Moon e Gabriel Bá (clica aí para ver MAIOR)</em></p>
<p style="text-align: justify">Na nossa quinquagésima edição de links e notícias que poderiam-mas-não-abalaram-o-mundo avisamos que <a href="http://10paezinhos.blog.uol.com.br/arch2011-08-01_2011-08-31.html#2011_08-18_15_16_58-2677714-0" target="_blank">Daytripper</a>, de Fábio Moon e Gabriel Bá, entrará em pré-venda na internet. Para você que comentou, recomentou e espalhou por aí, anunciamos o ganhador da <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/08/11/promocao-encontro-com-rama-de-arthur-c-clarke/" target="_blank">promoção do Meia Palavra e Editora Aleph</a>, quem vai levar Encontro com Rama do Arthur C. Clarke, é Bruce Torres! Não vá para cama sem saber que o <a href="http://www.jornalcorreiodenoticias.com.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2047:premio-moacyr-scliar-de-literatura-sera-lancado-na-terca-feira&amp;catid=2:entretenimento&amp;Itemid=8" target="_blank">Prêmio Moacyr Scliar de Literatura</a>, lançado esta semana, premiará os melhores livros de contos e poesia.</p>
<div>
<p style="text-align: justify">Aqui no Meia Palavra temos um canal de colaboração, quem quiser pode mandar seu texto sobre literatura, cinema, teatro e outras artes em geral que possivelmente será publicado por aqui. Todavia, se você nunca mandou um texto, pode participar do concurso do TodoProsa, onde <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/vida-literaria/i-concurso-todoprosa-de-resenhas-brasil-seculo-21/" target="_blank">Sérgio Rodrigues</a> premiará resenhas inéditas sobre literatura brasileira contemporânea.</p>
<div style="text-align: justify">Em 24 de outubro sai <a href="http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/arch2011-08-07_2011-08-13.html#2011_08-13_12_58_30-160637125-0" target="_blank">versão em inglês da A Hora da Estrela</a> de Clarice Lispector, com tradução de Benjamin Moser (editora New Directions, NY). <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/especial/rs/segundocaderno/19,0,3449073,Evento-em-que-mulheres-leem-sem-roupa-vira-atracao-em-Nova-York.html" target="_blank">Grupo de mulheres </a>que exercem o hábito da leitura como vieram ao mundo chamam a atenção em Nova York. <a href="http://manualpraticodebonsmodosemlivrarias.blogspot.com/2011/08/trollando-o-namorado-freguesa-moca-fora.html" target="_blank">Trollando o namorado</a>.</div>
<p style="text-align: justify">No The Sun Sets, <a href="http://thesunsets.wordpress.com/2011/08/10/antes-de-nascer-o-mundo-mia-couto/" target="_blank">Amanda Zampieri</a> resenhou o livro Antes de Nascer o Mundo, de Mia Couto. No Mundo de K, <a href="http://mundodek.blogspot.com/2011/08/henry-james-outra-volta-do-parafuso.html" target="_blank">Kovacs </a>resenhou o livro A Outra Volta do Parafuso, de Henry James e <a href="http://mundodek.blogspot.com/2011/08/20-citacoes-sobre-as-dificuldades-do.html?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=twitter&amp;utm_campaign=Feed%3A+MundoDeK+%28Mundo+de+K%29&amp;utm_content=Twitter" target="_blank">reuniu 20 citações sobre a dificuldade do amor na literatura.</a> <a href="http://betterbooktitles.com/" target="_blank">Better Book Titles</a>: histórias resumidas já no título.</p>
<p style="text-align: justify">Direto do Piauí Herald, a crítica e o guizadinho de abóbora nos bilhetes de <a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/cultura/bilhete-de-chico-buarque-a-diarista-e-considerado-magistral" target="_blank">Chico Buarque</a>, <a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/cultura/bilhete-de-joao-gilberto-a-diarista-e-considerado-revolucionario" target="_blank">João Gilberto</a> e <a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/cultura/bilhete-de-gil-a-diarista-e-considerado-incompreensivel" target="_blank">Gilberto Gil</a>. <a href="http://flavorwire.com/201680/thus-with-a-kiss-10-spectacular-suicides-in-literature" target="_blank">10 suicídios espetaculares da literatura </a>(em inglês). Os números do mercado <a href="http://blogs.estadao.com.br/a-biblioteca-de-raquel/2011/08/16/pesquisa-producao-do-mercado-editorial-em-2010/" target="_blank">editorial em 2010</a></p>
<p style="text-align: justify">No Blog da Companhia, <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/08/os-meus-bunkers-prediletos/" target="_blank">Joca Reiners Terron</a> fala sobre seus bunkers prediletos de leitura. No site da Revista Cult, <a href="http://revistacult.uol.com.br/home/2011/08/mascaras-de-marx/#.TkmNMv5cwW0.twitter" target="_blank">Jorge Grespan</a> fez uma análise do mega-filme de 9 horas de O Capital, a monumental obra do pensador Karl Marx. <a href="http://vidaordinaria.com/2011/08/marvel-minimalista/" target="_blank">No Vida Ordinária</a>, confira posters minimalistas para os heróis e vilões da Marvel. <a href="http://judao.mtv.uol.com.br/cinema/planeta-dos-macacos-a-origem-e-mesmo-isso-tudo/" target="_blank">No Judão</a>, Thiago Borbs fala sobre o novo Planeta dos Macacos.</p>
<div style="text-align: justify"><strong><em>Tome nota:</em></strong></div>
<p style="text-align: justify"><a href="https://www.facebook.com/event.php?eid=193630587367936" target="_blank">Debate de lançamento de &#8220;Defesa do marxismo&#8221;, de J. C. Mariátegui</a></p>
<p style="text-align: justify"><a href="https://www.facebook.com/event.php?eid=219873404724120" target="_blank">Debates de lançamento dos &#8220;Grundrisse&#8221;, de Karl Marx</a></p>
<p style="text-align: justify"><a href="https://www.facebook.com/event.php?eid=136886976403146" target="_blank">Debates de lançamento das &#8220;Memórias&#8221; de Gregório Bezerra</a></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Lançamentos da Companhia das Letras:</strong></p>
<p style="text-align: justify">Jake Cake e a merendeira robô, de Michael Broad (Tradução de Antônio Xerxenesky)<br />
A letra escarlate, de Nathaniel Hawthorme (Tradução de Christian Schwartz)<br />
Lembranças de 1848: as jornadas revolucionárias em Paris, de Alexis de Tocqueville (Tradução de Modesto Florenzano)<br />
Contos e lendas da Amazônia, de Reginaldo Prandi (Ilustrações de Pedro Rafael)<br />
O homem frondoso e outras histórias da África, de Claude Blum (Ilustrações de Grégoire Vallancien; Tradução de Hildegard Feist)<br />
O cobertor de Jane, de Arthur Miller (Ilustrações de Elisabeth Teixeira e Al Parker; Tradução de José Rubens Siqueira)</p>
</div>
</div>
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		<title>Links e Notícias da Semana #46</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 17:25:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Avise aos navegantes que Antônio Xerxenesky, escritor e colaborador do Meia Palavra, foi entrevistado pelo Zero Hora sobre seu novo livro. E como ele é gaúcho, aproveitemos o ensejo para notificar que o Rio Grande do Sul terá convenção de quadrinhos em setembro. Enquanto isso&#8230; nos links e notícias da semana do Meia Palavra, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/reading-a-book.jpg"><img class="size-medium wp-image-12617 aligncenter" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/reading-a-book-247x300.jpg" alt="" width="247" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Avise aos navegantes que Antônio Xerxenesky, escritor e colaborador do Meia Palavra, <a title="zero hora" href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2011/07/20/o-escritor-e-seus-fantasmas/?topo=13%2C1%2C1%2C%2C%2C13" target="_blank">foi entrevistado pelo Zero Hora</a> sobre seu novo livro. E como ele é gaúcho, aproveitemos o ensejo para notificar que o <a href="http://universohq.com/quadrinhos/2011/n20072011_01.cfm" target="_blank">Rio Grande do Sul</a> terá convenção de quadrinhos em setembro.</p>
<div>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso&#8230; nos links e notícias da semana do Meia Palavra, <a href="http://publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=64268" target="_blank">o fim da maior rede de livrarias dos EUA</a> e o proocesso por plágio envolvendo <a href="http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/reuters/2011/07/18/processo-por-plagio-envolvendo-harry-potter-e-arquivado.jhtm" target="_blank">&#8220;Harry Potter</a> é arquivado. <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2011/jul/19/famous-wrong-book-vonnegut-waugh-ishiguro?CMP=twt_gu" target="_blank">Por que alguns escritores são conhecidos pelos livros errados?</a> O <a href="http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/arch2011-07-17_2011-07-23.html#2011_07-19_12_31_54-160637125-0" target="_blank">Banksy dos Livros</a> e o que tocaria no <a href="http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/arch2011-07-17_2011-07-23.html#2011_07-19_12_31_54-160637125-0" target="_blank">iPod de Gregor Samsa</a> (personagem d&#8217;A Metamorfose). Um debate sobre a escassez de<a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/default.asp" target="_blank"> poesia estrangeira no Brasil</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Denise Bottmann está traduzindo Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, a ser lançado pela L&amp;PM, cuja única tradução é a de Mario Quintana. Ela está relatando suas experiências no diário <a href="http://traduzindomrsdalloway.blogspot.com/" target="_blank">TraduzindoMrsDalloway</a>. Na Biblioteca de Raquel, <a href="http://blogs.estadao.com.br/a-biblioteca-de-raquel/2011/07/20/a-fantastica-fabrica-de-livros/" target="_blank">a fantástica fábrica de livros</a>. No TodoProsa, o <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/sobrescritos/decalogo-do-antologista/" target="_blank">Decálogo do Antologista</a>. <a href="http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/40418" target="_blank">Na Saraiva Conteúdo,</a> uma matéria sobre os escritores reclusos como Thomas Pynchon e J.D. Salinger. <a href="http://www.orelhadolivro.com.br/2011/07/17/homens-de-letras/" target="_blank">Retratos de escritores</a> feitos de letras.</p>
<p style="text-align: justify;">No Blog da Companhia, <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/07/os-escritores-e-a-grana/" target="_blank">Joca Reiners Terron </a>fala sobre os escritores e a grana (ou falta dela). Ainda no blog da editora de <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/07/em-busca-do-tempo-perdido/" target="_blank">Luiz Schwarcz, </a>o próprio fala sobre os autores e obras recusadas. E o editor da Penguin-Companhia, <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/07/no-esquenta-do-ulysses/">André Conti,</a> faz um aquecimento para Ulysses.</p>
<div style="text-align: justify;">
<p><a href="http://cmais.com.br/entrelinhas/valter-hugo-mae-faz-criticas-as-novas-geracoes-em-seu-novo-livro" target="_blank">valter hugo mãe</a> faz críticas às novas gerações em seu novo livro. <a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-58/ficcao/dublin-assombrada-secreta" target="_blank">A Piauí</a> publicou um trecho do livro de Daniel Pellizzari para o projeto Amores Expressos. E se você não conhece o ambicioso projeto que levou diversos escritores para várias cidades do mundo, confira as resenhas no<a href="http://blog.meiapalavra.com.br/category/resenhas/colecao-amores-expressos/"> Meia Palavra</a>de todos os livros lançados até agora. Para quem não se contenta apenas com as letras e gosta de um quê audiovisual, confira <a href="http://cmais.com.br/sessaoindependente/videos" target="_blank">Amores Expressos em video</a>.</p>
<p>A pergunta que não quer se calar: <a href="http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2011/07/15/as-paginas-daquele-disco.htm" target="_blank">Se as bandas fossem livros</a>?</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">O primeiro teaser da continuação de Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas, <a href="http://judao.mtv.uol.com.br/cinema/saiu-warner-libera-teaser-oficial-de-the-dark-knight-rises/" target="_blank">The Dark Knight Rises</a>, está disponível na internet. <a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/07/ator-de-se-beber-nao-case-vai-interpretar-lucifer-em-novo-filme.html" target="_blank">Bradley Cooper </a>(Se Beber, Não Case) será Lucifer na adaptação de Paraíso Perdido. Confira a imagem oficial dos<a href="http://www.valinor.com.br/17157/" target="_blank"> 13 anões de O Hobbit</a> e depois confira <a href="http://judao.mtv.uol.com.br/cinema/novo-video-dos-bastidores-da-producao-de-o-hobbit/">o terceiro vídeo dos bastidores do filme</a>, com piadinhas de Peter Jackson e uma surpresa no final! Para os gomadinhos, hipsters e demais amantes do cinema francês, um alerta: o autor está morto, de acordo com<a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/946713-o-autor-esta-morto-diz-jean-luc-godard.shtml"> Jean-Luc Godard</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">O trovador, o político, o cronista, o amante, o malandro, e ainda com tempo para escrever romances, <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1148491&amp;tit=Sempre-o-melhor" target="_blank">Chico Buarque</a> fala sobre seu novo trabalho sonoro (e ainda chamado CD ou álbum) ao Caderno G. <a href="http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/evita-peron-volta-como-desenho-animado/" target="_blank">Evita Perón </a>volta como desenho animado. Por último, mas não menos importante, Maurício de Sousa antecipa que personagens da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/mercado/946527-personagens-da-turma-da-monica-vao-envelhecer-a-partir-de-2012.shtml" target="_blank">Turma da Mônica</a> vão envelhecer a partir de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Tome nota:</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O fantástico dentro da Literatura</strong><br />
Sábado, 23 de julho,às 11h30.<br />
Bate-papo com alguns dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2011: Sérgio Mudado, Andréa Del Fuego, Reni Adriano e Gabriela Guimarães Gazzinelli. Mediação de Marcelino Freire.<br />
Local: Livraria Cultura – Teatro Eva Herz – Av. Paulista, 2073 – Bela Vista – São Paulo, SP</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Contações de histórias da Companhia das Letrinhas no RJ</strong><br />
Domingo, 24 de julho, às 17h.<br />
Flávia Reis conta a história do livro Contradança, de Roger Mello.<br />
Local: Livraria da Travessa – Av. das Américas, 4666 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro, RJ</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lançamentos da Companhia das Letras</strong>:</p>
<p style="text-align: justify;">Os fatos são subversivos, de Timothy Garton Ash (Tradução de Pedro Maia Soares)<br />
O cavaleiro da esperança, de Jorge Amado (Posfácio de Anita Leocadia Prestes)<br />
Monsieur Pain, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)<br />
Borges oral &amp; Sete noites, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)<br />
O anexo: a incrível história do garoto que amava Anne Frank, de Sharon Dogar (Tradução de Luiz A. de Araújo)<br />
Macbeth, de Andrew Matthews (Ilustrações de Tony Ross; Tradução de Érico Assis)</p>
</div>
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		<title>Intertextualidades &#8211; Música Brasileira X Literatura</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2010 19:17:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tauil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois de fazer aquele artigo sobre a intertextualidade na obra do Chico Buarque, destacando alguns diálogos que suas composições fazem com obras literárias, resolvi expandir o horizonte e fazer outro abordando mais compositores, todos brasileiros. Faremos outro post só com música estrangeira. Aos que possam estar boiando, de acordo com o dicionário, “intertextualidade” é a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/03/chico_1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-683" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="chico_1" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/03/chico_1.jpg" alt="" width="266" height="266" /></a>Depois de fazer aquele artigo sobre a intertextualidade na obra do Chico Buarque, destacando alguns diálogos que suas composições fazem com obras literárias, resolvi expandir o horizonte e fazer outro abordando mais compositores, todos brasileiros. Faremos outro post só com música estrangeira. Aos que possam estar boiando, de acordo com o dicionário, “intertextualidade” é a relação entre dois ou mais textos.Vamos, então, à breve seleção:</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4865"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Paulo César Pinheiro e Tom Jobim x João Guimarães Rosa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nada inspirado por João Guimarães Rosa pode ser ruim. “Matita perê”, única parceria entre Tom Jobim e Paulo César Pinheiro, é uma das músicas mais bonitas e profundas do cancioneiro popular. Ela foi composta para o disco homônimo de Tom em 1973 (disco que, na minha opinião, é top5 do Tom), que foi dedicado a Carlos Drummond de Andrade e Mário Palmério. Dizem que o telefone de Paulo César Pinheiro um dia tocou e do outro lado era Tom, dizendo que precisava de um letrista para fazer uma música, “coisa de mateiro”. PCP topou na hora e ajudou na composição de “Matita perê”, que além do clima roseano tem referências também à obra drummondiana. Veja Milton Nascimento acompanhando a OSESP:</p>
<p style="text-align: justify;"><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/cc7HBAu2SWQ?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/cc7HBAu2SWQ?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chico Buarque x Carlos Drummond de Andrade</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/chicodrummond.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4868" title="chicodrummond" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/chicodrummond-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Em 1975, Chico fez uma peça de teatro em parceria com Paulo Pontes, chamada “Gota d’água“. Uma das canções do repertório era “Flor da idade”, que deveria ser executada numa cena de apresentação do cenário e dos personagens. A música tem um animado desfecho que brinca com o poema “Quadrilha”, de Drummond. Veja:</p>
<p style="text-align: justify;">Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo<br />
Que amava Juca que amava Dora que amava<br />
Carlos que amava Dora<br />
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava<br />
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava<br />
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha</p>
<p style="text-align: justify;">Esse encontro amoroso entre Paulo e Juca levou Chico a prestar esclarecimentos para a censura da ditadura militar, mas isso é outra história, para outro post. O poema de Drummond:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">João amava Teresa que amava Raimundo<br />
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili<br />
que não amava ninguém.<br />
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,<br />
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,<br />
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes<br />
que não tinha entrado na história</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Paulinho da Viola x Manuel Antônio de Almeida</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/paulinhomanuel.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4869" title="paulinhomanuel" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/paulinhomanuel-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O único samba-enredo composto por Paulinho da Viola levou a Portela ao primeiro lugar do carnaval de 1966. Trata-se de um resumão (alô vestibulandos) de “Memórias de um sargento de milícias”, único livro do carioca Manuel Antônio de Almeida, padrinho literário do nosso amigo Machado de Assis. O samba foi gravado por Martinho da Vila quase dez anos depois e a letra, que começa como o livro, você vê aqui:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Era o tempo do rei<br />
Quando aqui, chegou<br />
Um modesto casal feliz pelo recente amor<br />
Leonardo, tornando-se meirinho<br />
Deu a Maria Hortaliça um novo lar<br />
Um pouco de conforto e de carinho<br />
Dessa união, nasceu<br />
Um lindo varão<br />
Que recebeu o mesmo nome do seu pai<br />
Personagem central da história que contamos neste<br />
carnaval<br />
Mas um dia Maria<br />
Fez a Leonardo uma ingratidão<br />
Mostrando que não era uma boa companheira<br />
Provocou a separação<br />
Foi assim que o padrinho passou<br />
A ser do menino tutor<br />
A quem lhe deu toda dedicação<br />
Sofrendo uma grande desilusão<br />
Outra figura importante em sua vida<br />
Foi a comadre parteira popular<br />
Diziam que benziam de quebranto<br />
A beata mais famosa do lugar<br />
Havia nesse tempo aqui no Rio<br />
Tipos que devemos mencionar<br />
Chico Juca, era mestre em valentia<br />
E por todos se fazia, respeitar<br />
O reverendo amante da cigana<br />
Preso pelo Vidigal<br />
O justiceiro<br />
Homem de grande autoridade<br />
Que à frente dos seus granadeiros<br />
Era temido pelo povo da cidade<br />
Luisinha, primeiro amor<br />
Que Leonardo conheceu<br />
E que Dona Maria, a outro como esposa concedeu<br />
Somente foi feliz<br />
Quando José Manuel<br />
Morreu<br />
Nosso herói<br />
Novamente se apaixonou<br />
Quando com sua viola<br />
A mulata Vidinha, esta singela modinha cantou:<br />
Se os meus suspiros pudessem<br />
Aos seus ouvidos chegar<br />
Verias que uma paixão<br />
Tem o poder de assassinar</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>João Nogueira e Martinho da Vila x Carlos Drummond de Andrade</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/joãomartinhodrummond.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4870" title="joãomartinhodrummond" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/joãomartinhodrummond-300x150.jpg" alt="" width="300" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Única parceria entre os sambistas João Nogueira e Martinho da Vila, “João e José”, de 1976, mantém diálogos com a obra de Drummond “A rosa do povo”, escrita pelos anos 40 e imbuída de temas sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">[..]</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">- Então que seria João, do povo sem rosa?<br />
- É, nem haveria José<br />
Essa nossa prosa<br />
É José, é João, é Drummond, é paixão<br />
É o irmão, é o amor, linda flor<br />
Em botão</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O mais legal é ver “esses sambistas que só falam porcaria, essa gente que vem do morro, esses pobres que emporcalham as cidades” fazendo música inspirado em Carlos Drummond de Andrade. É a visão popular de uma densa obra literária. Durmam com essa, madamas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edu Lobo e Chico Buarque x Dante Alighieri</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/educhicodante.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4871" title="educhicodante" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/educhicodante-300x150.jpg" alt="" width="300" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Acho que ninguém discorda da beleza dessa canção, “Beatriz”. Clamada por muitos como a mais bonita cria da rendosa parceria entre Chico e Edu, Beatriz, originalmente, tinha outro nome. O poema de Cunha Lima, no qual baseou-se o espetáculo O grande circo místico, tinha como personagem uma tal de Agnes, mas Chico não conseguiu fazer uma música com esse nome e mudou para Beatriz, que claramente dialoga com a mulher que levou Dante Alighieri a cruzar todas as camadas do inferno em sua procura. “A divina comédia” é citada, por exemplo, em versos como “Se ela dança no sétimo céu” (são sete as camadas astrais do céu) e “Será que é comédia / Será que é divina”. Fora isso, há, em ambos os casos, a contemplação da musa inatingível – porque, cá entre nós, eu não atravessaria o céu e o inferno nem se fosse pra ter a Cléo Pires (talvez eu pensasse na hipótese).</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam a interpretação de Milton Nascimento, que se tornou absoluta. Todas as outras estão fadadas ao coadjuvantismo. E, por favor, não escutem coisas como Ana Carolina, pois ela não prestou atenção à delicadeza da canção. A palavra “chão”, por exemplo, corresponde à nota mais grave; e céu à mais fina.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Zeca Baleiro x Manuel Bandeira</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/zecamanuel.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4872" title="zecamanuel" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/zecamanuel-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“Alma nova” foi uma das músicas que lançou Zeca Baleiro como um dos mais promissores compositores da nova geração. Parece claro que ela nasceu da leitura dos poemas de Manuel Bandeira (autor, aliás, que Zeca já disse admirar). Veja a letra de Zeca, que, além da intertextualidade, tem também uma cacofonia bacana:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Sempre que te vejo assim<br />
linda nua e um pouco nervosa<br />
minha velha alma<br />
cria alma nova<br />
quer voar pela boca<br />
quer sair por aí<br />
e eu digo<br />
calma alma minha<br />
calminha<br />
ainda não é hora de partir</p>
<p style="text-align: justify;">então ficamos<br />
minha alma e eu<br />
olhando o corpo teu<br />
sem entender<br />
como é que a alma entra nessa história<br />
afinal o amor é tão carnal<br />
eu bem que tento<br />
tento entender<br />
mas a minha alma não quer nem saber<br />
só quer entrar em você<br />
como tantas vezes já me viu fazer</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Sacaram a cacofonia do “alma minha“? Pois é. Dos poemas de Bandeira, o que parece ter sido a inspiração para Zeca atende por “Arte de amar”:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.<br />
A alma é que estraga o amor.<br />
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.<br />
Não noutra alma.<br />
Só em Deus — ou fora do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">As almas são incomunicáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque os corpos se entendem, mas as almas não.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Caetano Veloso x José de Alencar</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/caetanojose.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4873" title="caetanojose" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/caetanojose-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“Um índio” faz parte do repertório de Caetano Veloso. Só a tropicália para juntar Muhammed Ali, Gandhi, Bruce Lee e Peri. Este último, aliás, personagem de José de Alencar na obra “Iracema“, que tentou transformar o índio em genuíno herói brasileiro – que de brasileiro não tem nada senão as raízes indígenas, pois de resto é totalmente europeizado, como os vestibulandos bem sabem. Sem entrar no julgamento do valor da obra literária alencariana, pois isso não cabe a mim, Caetano compôs a música para o disco clássico “Doces bárbaros”, que reuniu Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano.</p>
<p style="text-align: justify;"><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/dPdfwzYuOsw?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/dPdfwzYuOsw?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chico Buarque x João Guimarães Rosa</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/chicojoão.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4874" title="chicojoão" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/11/chicojoão-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“Assentamento” é uma das mais ilustres músicas desconhecidas do Chico. Integrou um disquinho que era vendido com o projeto “Terra“, um livro de fotos do Sebastião Salgado com prefácio de José Saramago em prol do MST – todo o dinheiro das vendas era revertido ao movimento. É um disco de apenas quatro faixas, todas com temática social, e, além de Chico, conta com vozes de peso como Milton Nascimento, Olivia Hime e os integrantes do MPB-4. Um trabalho primoroso. Mas onde João Guimarães Rosa entra nessa história? Ouça a música e veja as inúmeras referências ao universo roseano, algumas delas mais explícitas, como a citação dos personagens Manuel (Manuelzão), Miguilim e Quim. A própria abertura é uma citação de Guimarães:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Quando eu morrer, que me enterrem na<br />
beira do chapadão<br />
– contente com minha terra<br />
cansado de tanta guerra<br />
crescido de coração</p>
</blockquote>
<p><object width="447" height="269" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/MtMXuXlbI60?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="447" height="269" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/MtMXuXlbI60?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong>: Tauil é quase o oposto daquelas pessoas que vivem no cerne das emoções, e pode ser encontrado em @tauiltter e no <a href="http://artilhariacultural.com" target="_blank">Artilharia Cultural</a>.</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2319">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 Perguntas e meia para Wagner Homem</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 23:38:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tauil</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Homem]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora tenha se formado em administração de empresas, Wagner Homem atua na área de tecnologia da informação. Em 1998 propôs a Chico Buarque a criação de seu website. Com a aprovação do compositor, Wagner tocou o projeto e o site já foi três vezes premiado pelo iBest. Ao longo desses anos todos como curador, Wagner [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/03/WAGNER.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1655" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/uploads/2010/02/WAGNER-300x225.jpg" alt="WAGNER" width="300" height="225" /></a>Embora tenha se formado em administração de empresas, Wagner Homem atua na área de tecnologia da informação. Em 1998 propôs a Chico Buarque a criação de seu website. Com a aprovação do compositor, Wagner tocou o projeto e o site já foi três vezes premiado pelo iBest. Ao longo desses anos todos como curador, Wagner recebeu com freqüência inúmeros e-mails perguntando sobre bastidores e curiosidades sobre as músicas de Chico. Esses fãs, mesmo sem saber, fizeram o livro “Chico Buarque – Histórias de Canções” nascer. A obra, como o título sugere, é um apanhado de fatos por trás de várias canções de Chico. Com presença marcada na lista dos mais vendidos e já com lançamento previsto para Portugal, Wagner Homem cedeu a entrevista por e-mail. Para mais informações, visite o hotsite: www.historiasdecancoes.com.br</p>
<p style="text-align: justify;">Ele concedeu a seguinte entrevista para Tauil, membro do Fórum Meia Palavra.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1624"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1 – Você chegou a comentar com Chico a idéia do livro ou ele só foi saber mais tarde, já com o projeto em desenvolvimento?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Antes de começar a escrever pedi autorização para ele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2- Por quanto tempo você gerou esse livro? Foi uma idéia que veio desde o início do site do Chico ou ela nasceu depois?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escrever o livro foi na verdade um ato de organizar informações que fui obtendo ao longo do tempo. Esse ato me tomou 5 meses. Mas a pesquisa foi diluída aí pelos 11 anos administrando o site.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3 – O subtítulo “Histórias de canções” abre uma brecha para uma coleção de livros no mesmo estilo para outros compositores. Já tem algum outro em mente?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Estamos organizando um para a obra de Toquinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4 – Existe alguma história que você achou melhor não publicar por medo de uma resposta negativa do público?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não. Não houve isso em nenhum momento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5 – De todas as histórias, qual foi a mais inesperada, a que mais te surpreendeu quando você a ouviu pela primeira vez?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O que mais me surpreendeu foi saber que a bela canção “Todo o sentimento” era originalmente um samba. E como na é época da gravação havia uma greve de técnicos, os músicos começaram a brincar com a melodia que se tornou essa canção suave.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6 – Você cita no livro que a amizade entre Caetano e Chico atravessaria os anos, embora não sem alguns arranhões. Dito isso, por que você acha que os dois compuseram tão pouco em parceria mesmo tendo feito um show histórico na Bahia que virou disco e um programa mensal na Rede Globo? Acha que foram influenciados pelo maniqueísmo “Chico ou Caetano”?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei te dizer. Creio que são estilos diferentes. Mas o Chico admite que conhecer as coisas novas de Caetanao, Gil, Milton etc. funciona como estímulo até hoje para ele. Creio que a recíproca seja verdadeira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7 – De onde você acha que vem essa euforia que o Chico causa? Se fosse um livro sobre Tom Jobim, por exemplo, você acha que venderia tanto quanto esse? Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bem, o Chico sempre causa uma euforia, e isso obviamente ajuda a vender. Mas outros livros sobre Chico não tiveram a mesma performance. Creio que parte do sucesso se deva à simplicidade: é um livro que não analisa nada sob nenhum ponto de vista. Ele conta histórias e as contextualiza – só isso. Há também o fato de que as pessoas têm essa necessidade de saber sobre curiosidades relacionadas às canções.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8 – Como você vê a música brasileira atualmente? Você acha que lá para frente algum compositor recente será tão pesquisado e citado quanto essa geração dos Festivais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu espero que sim. Toda época felizmente gera alguém novo que permanece. Sempre foi assim e não será diferente</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9 – O que você acha da Internet como instrumento cultural? A facilitação do acesso à cultura com downloads, fóruns etc.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu acho a internet fantástica e ao mesmo tempo perigosa. Só pra dar um exemplo do perigo, há inúmeros sites que dizem que Chico é filho do Aurélio [Buarque de Hollanda, o dicionarista]. Por outro lado, você sabendo garimpar e tendo condições de avaliar a fonte, ela é sem dúvida de um valor insuperável para se obter a informação desejada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 – O que você costuma ler? Quais são suas influências e autores favoritos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu leio de tudo. Acabei de ler “Velejando a vida”, um livro autobiográfico de João Carlos Pecci, irmão do músico Toquinho. Hoje tenho como referência o livro “O pai dos burros”, de Humberto Werneck. E claro, os clássicos. Sobretudo Machado de Asssis e Graciliano Ramos. Na poesia, Bandeira e Fernando Pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A pior besteira que já ouvi alguém falar do Chico…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">… é que ele era mais criativo na época da Ditadura.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o autor: Tauil é pesquisador de Chico Buarque e mantém um acervo digital sobre o músico e escritor em:<a href="http://www.youtube.com/tauil"> http://www.youtube.com/tauil</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4172">DISCUTA O POST NO FORUM DO MEIA PALAVRA</a></p>
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		<item>
		<title>O inesquecível “Leite Derramado” de Matilde</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2009/06/07/o-inesquecivel-%e2%80%9cleite-derramado%e2%80%9d-de-matilde/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 13:08:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Leite Derramado]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quando saísse daqui, eu pretendia pedi-la em casamento, mas ela não me quer mais.” Chico Buarque, “Leite Derramado” Em seu recente livro intitulado “Leite Derramado”, lançado em 2009 pela editora Companhia das Letras, o polivalente Chico Buarque conta a história da família Assumpção, narrada pelo personagem Eulálio Montenegro d’Assumpção. O romance de escrita sedutora e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5 style="text-align: right"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/04/leite-derramado-capa1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-708" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/04/leite-derramado-capa1.jpg" alt="leite-derramado-capa1" width="221" height="320" /></a>“Quando saísse daqui, eu pretendia pedi-la em casamento, mas ela não me quer mais.”</h5>
<h5 style="text-align: right">Chico Buarque, “Leite Derramado”</h5>
<p style="text-align: justify">Em seu recente livro intitulado “Leite Derramado”, lançado em 2009 pela editora Companhia das Letras, o polivalente Chico Buarque conta a história da família Assumpção, narrada pelo personagem Eulálio Montenegro d’Assumpção. O romance de escrita sedutora e fluente é rico por retratar de forma expressiva a realidade da cultura brasileira dos últimos cem anos.</p>
<p style="text-align: justify">Eulálio se encontra enfermo na cama de um humilde hospital e em meio aos delírios e ao esquecimento, causado pela idade avançada e, provavelmente, pela doença de Alzheimer, tenta passar suas confusas lembranças a uma enfermeira, com quem promete se casar.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-988"></span>De antemão, o que se pode perceber é que o personagem descreve a história de sua própria família, fazendo-se assim uma ligação à vida cotidiana de muitos brasileiros. A obra contada em primeira pessoa confirma ainda mais essa ligação, pois o leitor se sente parte da história e íntimo do personagem, compartilhando a cada página suas lembranças, pensamentos e segredos.</p>
<p style="text-align: justify">A questão principal em “Leite Derramado” é o amor possessivo de Eulálio por sua esposa Matilde, jovem e bonita, com quem tem uma filha: Maria Eulália. Matilde desperta em Lalinho, (seu apelido de infância), uma paixão avassaladora, transformando seu amor em dúvida, ciúme e egoísmo. Paralelamente às lembranças íntimas do personagem, Eulálio retrata a decadência social e econômica da tradicional família Assumpção: desde seus ancestrais portugueses até seus descendentes humildes, contando a história de seu avô, barão do Império, de seu pai, senador da Primeira República e de seu tataraneto, garotão que só quer curtir a vida. O próprio personagem fala sobre isso: “Pai rico, filho nobre, neto pobre.” (BUARQUE, 2009, p.18).</p>
<p style="text-align: justify">A vida do personagem é aberta como um leque em menos de 200 páginas, que fazem pensar e questionar sobre nossa própria realidade. O romance também faz refletir sobre assuntos complicados, mas existentes na história brasileira, como a relação poder e subserviência, machismo, desigualdade social e também racial. O autor apresenta ainda temas relevantes ao comportamento humano: egoísmo, paixão, desejo, velhice, traição, rejeição, abandono, depressão, solidão, dentre outros.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar de Eulálio ser marcado pelos sentimentos de posse e ciúme, o personagem reflete sobre esse último de forma a proclamá-lo de peito aberto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta. O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe-se a culpa na feiúra.” (BUARQUE, 2009, p. 62).</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Dos temas variados que o autor expõe no romance os mais marcantes são o amor pela Matilde, assim como a maternidade e o desaparecimento da mesma. Utilizando-se de uma narrativa não-linear, o autor torna o texto embaraçado:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“Não é culpa minha se acontecimentos às vezes me vêm a memória fora da ordem em que se produziram.” (BUARQUE, 2009, p. 188).</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">O texto também é caracterizado pela repetição, tornando a leitura um pouco cansativa. Nota-se que Eulálio conta inúmeras vezes os mesmos fatos: o excitante e primeiro encontro com Matilde, as conversas com o francês Dubosc, a relação com sua mãe, o paradeiro de sua esposa e o nascimento do bisneto. O próprio personagem afirma que repete suas histórias:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">“Mas se com a idade a gente dá para repetir histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.” (BUARQUE, 2009, p. 184).</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Porém, as lembranças repetitivas de Eulálio, muitas vezes confusas, se tornam tão contraditórias que criam dúvidas e suspenses que prendem o leitor.</p>
<p style="text-align: justify">O texto de Chico Buarque em “Leite Derramado” é mais informal e, apesar da narrativa elegante, o escritor abusa um pouco da escrita chula o que causa no leitor reações diversas e inesperadas como o riso: “Aí ele me mandou tomar no cu mais o barão, desaforo que nem lhe posso censurar.” (BUARQUE, 2009, p.50). .</p>
<p style="text-align: justify">Ao ler o livro, não é difícil associá-lo a um romance clássico da nossa literatura brasileira, “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. As duas obras são contadas em primeira pessoa e isso faz com que o leitor se sinta envolvido com as histórias. Em “Dom Casmurro”, há a eterna dúvida sobre a fidelidade de Capitu, enquanto no livro de Chico Buarque a dúvida é o verdadeiro paradeiro de Matilde, sentimento vivido pelos personagens principais, respectivamente, Casmurro e Eulálio. A dúvida é o ponto central de ambos os romances, sustentando assim toda a história. Uma das principais diferenças entre eles é que, em “Dom Casmurro”, a história é narrada de forma linear, sendo lógica e cronológica, com início, meio e fim, diferentemente da narrativa de “Leite Derramado”, que possui uma ordem embaralhada.</p>
<p style="text-align: justify">Finalmente, em sua obra Chico Buarque fala sobre assuntos sérios da nossa sociedade brasileira por meio do relato de um personagem com memória desfalecente, corroído por uma paixão mal vivida e mal compreendida pelo narrador. Enfim, “Leite Derramado” retrata nossa forma egoísta e preconceituosa de enxergar nossa própria realidade.</p>
<p style="text-align: justify">Sobre o autor: <strong>Lilian Gomes</strong> mora em Belo Horizonte e é estudante do sexto período do curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH).</p>
<p style="text-align: justify"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2596&amp;pid=51766#pid51766" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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		<title>Leite Derramado</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 12:37:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Leite Derramado]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[No sábado passado, dia 28 de Março, chegou às livrarias do Brasil “Leite Derramado”, o novo livro do compositor, cantor e escritor carioca Chico Buarque. Enquanto noticias chegavam sobre o livro, a sinopse foi divulgada no dia do lançamento do livro, antes disso pouco detalhes eram revelados. As lembranças entrecortadas e lacunas na memória, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><img class="alignright size-full wp-image-708" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/04/leite-derramado-capa1.jpg" alt="leite-derramado-capa1" width="138" height="175" />No sábado passado, dia 28 de Março, chegou às livrarias do Brasil “Leite Derramado”, o novo livro do compositor, cantor e escritor carioca Chico Buarque. Enquanto noticias chegavam sobre o livro, a sinopse foi divulgada no dia do lançamento do livro, antes disso pouco detalhes eram revelados.</p>
<p style="text-align: justify">As lembranças entrecortadas e lacunas na memória, a construção de uma narrativa sob o efeito da morfina. Eulálio D’Assumpção é um homem muito velho, centenário, que está em um leito de hospital relembrando sua vida e contando a história de sua nobre família, desde os tempos da corte real no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-703"></span></p>
<p style="text-align: justify">Neste novo romance, Chico Buarque opta mais uma vez um narrador em primeira pessoa para conduzir sua história. Seguimos os pensamentos presentes, as reminiscências e impressões de um velho moribundo em uma cama de hospital, sem sabermos quando está num monólogo ou descrevendo suas memórias às pessoas que passam pelo seu quarto. Pessoas essas que não reconhece em grande parte, pode ser uma enfermeira ou a sua filha, que servem de ouvintes ou interlocutoras de suas recordações sem ordem cronológica – parando, voltando e se perdendo no tempo (isso remete a canção <a href="http://letras.terra.com.br/chico-buarque/86019/">&#8220;O Velho Francisco&#8221;</a>)</p>
<p style="text-align: justify">Eulálio é o retrato de uma “elite em crise”, vivendo do sobrenome que tem e perdendo cada vez mais espaço na sociedade de alto escalão (devido a deslizes próprios de seus descendentes). Tal espaço é descrito toda vez que o velho considera o tratamento do lugar onde está inapropriado para uma pessoa de sua classe. Ainda sustentando essa superioridade afirma que seu avô libertara os negros e os levara de volta para a África. Em diversos pontos a obra o racismo figura como personagem chave e ironicamente os negros tangem pela vida de Eulálio (inclusive o amor de sua vida é a mulata Matilde, “a mais moreninha das sete irmãs”). Em uma passagem bem curiosa, e também bem irônica, Eulálio lembra uma época em que gostaria de enrabar um escravo com quem mantinha amizade desde a infância (outra evidência de sua sensação de superioridade). Basta saber que todos esses detalhes jogados na narrativa servem para consolidar o intuito da história: a miscigenação brasileira.</p>
<p style="text-align: justify">Por se tratar da narrativa de um moribundo, muitas personagens não têm descrições completas e todas são risíveis (em vista do que é narrado). O que importa no romance é como construir o personagem principal através do que ele diz sobre o ambiente, sobre o passado, sobre todos e pelo pouco do que fala de si mesmo (exaltando traços de sua personalidade, muitas vezes contraditório em suas opiniões, tentando mostrar humildade, mas apenas exalando arrogância). Os sentimentos de Eulálio são rasos, somente os descritos com uma cor alaranjada é que são mais profundos – e verdadeiros.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">Nem parei para pensar de onde vinha a minha raiva repentina, só senti que era alaranjada a raiva cega que tive da alegria dela.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Os períodos históricos não são explorados também, para retratar o Brasil e o Rio de Janeiro o narrador usa o futebol, as tecnologias, as religiões, a criminalidade e sobre a influência de sua família na política.</p>
<p style="text-align: justify">Quanto ao título, parece bem simples que seja uma alusão ao saudosismo e irreversível fim de Eulálio, há ambigüidade: apesar de ter gozado o bom da vida graças ao nome que carrega, o personagem principal não tem um nicho familiar, foi criado por uma babá e espelha-se na história de sua estirpe para tentar enriquecer a sua vida desmamada e sem simplicidades (como os paradoxos de ser um bon vivant mulherengo que morre de ciúmes da sua mulher). Todavia, a interpretação do antigo ditado fica por conta da última imagem de Matilde que Eulálio se recorda: amamentando a filha dos dois.</p>
<p style="text-align: justify">De linguagem refinada, irônica, paradoxal e biográfica, temos uma obra que passará pelos olhos de leitores recordando Machado de Assis com seu Brás Cubas e com Bentinho, mas acontece que além de um drama machadiano, temos uma obra buarqueana que flerta com sua vida pessoal e sua obra.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>BUARQUE</strong>, Chico. <em>Leite Derramado</em>. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2009. 195 págs. Preço sugerido: R$28,00</p>
<p style="text-align: justify">
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2596&amp;page=1">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Intertextualidade Buarqueana</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2009/03/29/intertextualidade-buarqueana/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 22:40:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tauil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Drummond]]></category>
		<category><![CDATA[Guimarães Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Ney Matogrosso]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Jobim]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algum tempo que tenho experimentado a Arte do Brasil. Digo, compulsivamente. Por um longo tempo fechei-me para o estrangeiro e abracei nossa literatura, nossa música, nosso teatro, etc. Acho que para o sujeito pensar pra onde vai, ele precisa antes conhecer da onde veio, e por achar que nossas obras não são devidamente valorizadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-683" style="margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/03/chico_1.jpg" alt="chico_1" width="209" height="209" />Há algum tempo que tenho experimentado a Arte do Brasil. Digo, compulsivamente. Por um longo tempo fechei-me para o estrangeiro e abracei nossa literatura, nossa música, nosso teatro, etc. Acho que para o sujeito pensar pra onde vai, ele precisa antes conhecer da onde veio, e por achar que nossas obras não são devidamente valorizadas em nosso próprio país, adotei por alguns anos essa espécie de nacionalismo. Percebi muito claramente que nossas artes mantém um diálogo, bebem da mesma fonte, e por isso resolvi juntar nesse texto um punhado de intertextualidades da Literatura com a música de Chico Buarque, que para mim é o maior expoente vivo de nossa música. Chico, que também é metido na literatura, tem em sua obra muitas citações literárias. Veja só:</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-661"></span></p>
<p class="MsoNormal">Em <strong>1968</strong> Chico fez uma letra para <strong>Tom Jobim</strong> chamada “<strong>Sabiá</strong>”. A música foi feita para o III Festival Internacional da Canção promovido pela Rede Globo, e, injustamente, sofreu uma vaia terrível ao vencê-lo, porque o povo exaltado não percebeu a crítica que a canção faz à Ditadura, mais diretamente ao exílio.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Vou voltar<br />
Sei que ainda vou voltar<br />
Para o meu lugar<br />
Foi lá e é ainda lá<br />
Que eu hei de ouvir cantar<br />
Uma sabiá</strong></span></p>
<p><strong>Vou voltar<br />
Sei que ainda vou voltar<br />
Vou deitar à sombra<br />
De um palmeira<br />
Que já não há<br />
Colher a flor<br />
Que já não dá<br />
E algum amor Talvez possa espantar<br />
As noites que eu não queira<br />
E anunciar o dia</strong></p>
<p><strong>Vou voltar<br />
Sei que ainda vou voltar<br />
Não vai ser em vão<br />
Que fiz tantos planos<br />
De me enganar<br />
Como fiz enganos<br />
De me encontrar<br />
Como fiz estradas<br />
De me perder<br />
Fiz de tudo e nada<br />
De te esquecer</strong></p>
<p><strong>Vou voltar<br />
Sei que ainda vou voltar<br />
E é pra ficar<br />
Sei que o amor existe<br />
Não sou mais triste<br />
E a nova vida já vai chegar<br />
E a solidão vai se acabar<br />
E a solidão vai se acabar</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Esse exemplo já foi muito explorado, mas não custa ressaltá-lo. Para dialogar com Sabiá, a “<strong>Canção do exílio</strong>”, de <strong>Gonçalves Dias</strong>:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá;<br />
As aves, que aqui gorjeiam,<br />
Não gorjeiam como lá.</strong></span></p>
<p><strong>Nosso céu tem mais estrelas,<br />
Nossas várzeas têm mais flores,<br />
Nossos bosques têm mais vida,<br />
Nossa vida mais amores.</strong></p>
<p><strong>Em cismar, sozinho, à noite,<br />
Mais prazer eu encontro lá;<br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.</strong></p>
<p><strong>Minha terra tem primores,<br />
Que tais não encontro eu cá;<br />
Em cismar –sozinho, à noite–<br />
Mais prazer eu encontro lá;<br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.</strong></p>
<p><strong>Não permita Deus que eu morra,<br />
Sem que eu volte para lá;<br />
Sem que disfrute os primores<br />
Que não encontro por cá;<br />
Sem qu&#8217;inda aviste as palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Um ano mais tarde, Chico exilou-se na Itália e gravou um compacto por lá com uma composição inédita. Aqui no Brasil, essa canção foi gravada pelo <strong>MPB-4</strong>, e chamou-se “<strong>Cara a Cara”</strong>. Veja:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Tira a pedra do caminho<br />
Serve mais um vinho<br />
Bota vento no moinho<br />
Bota pra correr<br />
[...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal">Aqui, pela primeira vez, Chico intertextualiza com <strong>Carlos Drummond</strong>, um poeta bem presente em sua influência. O poema da vez tem mais de oitenta anos e foi o responsável pela pedra no caminho da nossa literatura. “<strong>No meio do caminho” </strong>é relembrado até hoje por sua complexa simplicidade:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>No meio do caminho tinha uma pedra<br />
tinha uma pedra no meio do caminho<br />
tinha uma pedra<br />
no meio do caminho tinha uma pedra.<br />
[...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal">Ainda em <strong>1969</strong>, Chico tem sua primeira filha com a atriz <strong>Marieta Severo</strong>, a <strong>Sílvia</strong>. Torcedor declarado do Fluminense, Chico recebeu de presente do sambista <strong>Ciro Monteiro</strong> uma camiseta do Flamengo para dar para a filhinha. A resposta veio em música e se chamou “<strong>Ilmo. Sr. Ciro Monteiro”</strong>:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Amigo velho<br />
Amei o teu conselho</strong><br />
<strong>Amei o teu vermelho<br />
Que é de tanto ardor<br />
Mas quis o verde<br />
Que te quero verde<br />
É bom pra quem vai ter<br />
De ser bom sofredor<br />
[...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal">Tenho a impressão que antes de compor esse samba, Chico bateu os olhos de relance no poema “<strong>Romance sonâmbulo”</strong>, do maldito <strong>Frederíco Garcia Lorca:</strong></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Verde que te quero verde.<br />
Verde vento. Verdes ramas.<br />
O barco vai sobre o mar<br />
e o cavalo na montanha.<br />
<span lang="EN-US">[...]</span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Alguns anos depois, em <strong>1975</strong>, Chico fez uma peça de teatro em parceria com <strong>Paulo Pontes</strong>, chamada <strong>Gota d’água. </strong>Uma das canções do repertório chamava-se <strong>“Flor da Idade”</strong>, que mais tarde seria gravada pela majestosa <strong>Bibi Ferreira</strong>:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong> [...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo<br />
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora<br />
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava<br />
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava<br />
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Ninguém há de negar a presença de <strong>Drummond</strong> e sua <strong>“Quadrilha</strong>”:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>João amava Teresa que amava Raimundo<br />
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili<br />
que não amava ninguém.<br />
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,<br />
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,<br />
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes<br />
que não tinha entrado na história</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p>Mais tarde, em <strong>1978</strong>, desponta mais uma citação na introdução de “<strong>Até o fim</strong>”, que mais tarde seria revivida em duo com <strong>Ney Matogrosso:</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Quando nasci veio um anjo safado<br />
O chato do querubim<br />
E decretou que eu estava predestinado<br />
A ser errado assim<br />
Já de saída a minha estrada entortou<br />
Mas vou até o fim</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>[...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O diálogo se dá novamente com <strong>Drummond, </strong>com um de seus poemas mais famosos, o “<strong>Poema de sete faces</strong>”:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Quando nasci, um anjo torto<br />
desses que vivem na sombra<br />
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>[...]</strong></span></p>
<p><strong> </strong>Para finalizar, acho que vale a pena destacar uma passagem de <strong>João Guimarães Rosa</strong> na obra de Chico. A música &#8220;<strong>Assentamento</strong>&#8220;, de <strong>1997</strong>, cheira a Rosa, definitivamente. Prefiro que vocês ouçam ao invés de eu escrever o que cada passagem remete em Guimarães, porque ela é crivada de intertextualidade e nem sou um profundo conhecedor dos escritos de J.G.R.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Quando eu morrer, que me enterrem na<br />
beira do chapadão<br />
&#8211; contente com minha terra<br />
cansado de tanta guerra<br />
crescido de coração</em></strong><strong><br />
(Tôo apud. Guimarães Rosa)</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong><br />
Zanza daqui<br />
Zanza pra acolá<br />
Fim de feira, periferia afora<br />
A cidade não mora mais em mim<br />
Francisco, Serafim<br />
Vamos embora</strong></span></p>
<p><strong>Ver o capim<br />
Ver o baobá<br />
Vamos ver a campina quando flora<br />
A piracema, rios contravim<br />
Binho, Bel, Bia, Quim<br />
Vamos embora</strong></p>
<p><strong>Quando eu morrer<br />
Cansado de guerra<br />
Morro de bem<br />
Com a minha terra:<br />
Cana, caqui<br />
Inhame, abóbora<br />
Onde só vento se semeava outrora<br />
Amplidão, nação, sertão sem fim<br />
Ó Manuel, Miguilim<br />
Vamos embora</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Sobre o autor: Tauil é usuário do <a href="http://www.meiapalavra.com.br">fórum meia palavra</a>, você também pode encontrá-lo <a href="http://www.meiameiosuja.blogspot.com/">Meia meio suja</a>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2612&amp;pid=42160#pid42160">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Leite derramado (Chico Buarque)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2009/03/28/leite-derramado-chico-buarque/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 12:04:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Lançamento]]></category>
		<category><![CDATA[Leite Derramado]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Poucos escritores no Brasil têm tanta moral como Chico Buarque, para ter um lançamento de livro tão badalado como o de Leite derramado (que chega hoje às livrarias). Até ontem à noite nada se sabia sobre a mais nova obra de Chico, a não ser o título e que  a informação de que o enredo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2009/03/livro.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-664" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/uploads/2009/03/livro-300x199.jpg" alt="livro" width="278" height="185" /></a>Poucos escritores no Brasil têm tanta moral como Chico Buarque, para ter um lançamento de livro tão badalado como o de <em>Leite derramado</em> (que chega hoje às livrarias). Até ontem à noite nada se sabia sobre a mais nova obra de Chico, a não ser o título e que  a informação de que o enredo girava em torno de uma família (sim, a Companhia das Letras só divulgou isso, até mesmo para as livrarias). E enquanto para alguns escritores isso pode simplesmente nem fazer a diferença, no caso dessa obra vi mais do que um leitor curiosíssimo sobre o que seria o tal do <em>Leite Derramado</em>. Vi até contagem regressiva (do tipo &#8220;Faltam três dias, faltam dois dias&#8230;&#8221;).</p>
<p style="text-align: justify">No final das contas é um &#8220;fênomeno&#8221; extremamente positivo para o mercado editorial brasileiro, que vê atualmente nas listas de mais vendidos (ou seja, títulos mais procurados) quase que apenas obras infanto-juvenis. Saber que o público está interessado na obra de um autor tão denso como Chico (basta ler a obra anterior, <a title="budapeste" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2008/05/23/budapeste/" target="_blank">Budapeste</a>, para compreender o sentido de &#8220;denso&#8221;), mesmo que seja por causa do músico Chico Buarque, e não necessariamente o escritor, já dá qualquer esperança.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-663"></span>Inclusive usar a música para popularizar a literatura (ou o status no mundo da música) não chega a ser algo ruim, muito menos novidade aqui no Brasil. Vinicius de Moraes, famoso por sonetos que todos sabem de cor adotou não só na música mas também na poesia uma forma mais simples (a Balada, por exemplo), justamente para tornar a poesia mais acessível. E veja só o efeito disso: você pode contar nos dedos a quantidade de pessoas que não conhecem pelo menos algum trabalho dele, não?</p>
<p style="text-align: justify">Voltando ao Chico e ao <em>Leite Derramado</em>, aparentemente já sairá com uma boa tiragem, o que garante um preço razoável (nas livrarias virtuais não está passando de 30 reais), mais um ponto favorável, os curiosos de plantão nem terão que pensar duas vezes na hora de comprar. Mas sim, a partir de hoje já é possível saber sobre do que se trata o novo livro, basta acessar o <a title="site de divulgação" href="http://www.leitederramado.com.br/wordpress/" target="_blank">site de divulgação</a>. No site também está disponível <a title="1º capítulo" href="http://www.leitederramado.com.br/wordpress/files/leite_derramado.pdf" target="_blank">o primeiro capítulo da obra</a>, além de outras informações sobre o livro e o autor. Além disso, a Época já publicou uma <a title="época leite derramado" href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI66044-15220,00-CHICO+BEBE+O+LEITE+AMARGO+DA+MULHER+AMADA.html" target="_blank">ótima reportagem sobre Leite Derramado</a> e as demais obras de Chico Buarque.</p>
<p style="text-align: justify">E se você já leu todo o livro, mande sua resenha para publicarmos aqui no <strong>Meia Palavra</strong>. Basta enviar para o email meiapalavra@meiapalavra.com.br</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2596" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></strong></p>
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		<title>Budapeste</title>
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		<pubDate>Fri, 23 May 2008 15:21:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Budapeste]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
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		<description><![CDATA[Bom, eu devo confessar que &#8220;Lista dos Mais Vendidos da Veja&#8221; normalmente tira qualquer vontade minha de ler um livro, já que é como se ele perdesse mais da metade do charme. É aquela história: isso é livro para qualquer um ler. Mas eu não consigo resistir ao nome &#8220;Chico Buarque&#8221; escrito embaixo do título. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/budapeste.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2871" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/budapeste.jpg" alt="" width="130" height="188" /></a>Bom, eu devo confessar que &#8220;Lista dos Mais Vendidos da Veja&#8221; normalmente tira qualquer vontade minha de ler um livro, já que é como se ele perdesse mais da metade do charme. É aquela história: isso é livro para qualquer um ler. Mas eu não consigo resistir ao nome &#8220;Chico Buarque&#8221; escrito embaixo do título. Comecei a ler pelo Chico, pensando &#8220;Nossa, para quem já escreveu tanta coisa linda, vai ver é um dos poucos casos que o sujeito figura na lista dos mais vendidos por sua qualidade, e não só pela propaganda&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify">Merece? Sim. <em>Budapeste</em> não é nem de longe aqueles livrinhos babas que encontramos semanalmente na lista dos mais vendidos. Não é aquela &#8220;literatura-pronta-pra-beber&#8221; que ficou tão comum em épocas de Harry Potter e afins. É um trabalho digno do artesão que o Chico de fato é.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-94"></span></p>
<p style="text-align: justify">A premissa é bem interessante: um <em>ghost writer</em> relatando suas memórias, principalmente depois de que visitou Budapeste. No caso, <em>ghost writer</em> é o sujeito que escreve livros para que outras pessoas sejam reconhecidas pela obra. Através do protagonista, dá para se tirar muita coisa sobre a vaidade humana (bem como <span style="text-decoration: underline">a forma com a qual</span> lidamos com isso).</p>
<p style="text-align: justify">A narrativa é essencialmente psicológica e embora o livro seja dividido em capítulos, se tem a sensação de que o protagonista (José Costa) está contando tudo de uma vez só, como se fosse oralmente mesmo. Aqueles devaneios típicos de conversas, lembranças, cortes na narrativa&#8230; enfim, tudo lembra a fala de uma pessoa contando para outra sua própria história.</p>
<p style="text-align: justify">A escolha do narrador em primeira pessoa, assim como esse estilo de narrativa (que lembra muito a <em>Mrs. Dalloway</em>), a profissão do personagem e outros tantos detalhes (até a capa!), foram visivelmente escolhidos para se criar o efeito final da obra. É nisso que relembro a posição de artesão do Chico: ele não contou simplesmente uma história, ele <strong>trabalhou</strong> essa história. Sinceramente não ficaria surpresa se soubesse que toda a questão das idas e vindas do José Costa a Budapeste não passavam de fundo para esse exercício literário que é a obra.</p>
<p style="text-align: justify">Em suma, esse livro apresenta tudo o que se espera de um autor ao escrever: a inovação sem medo, o equilíbrio perfeito entre técnica e inspiração e, acima de tudo: esse dom de usar as palavras para emocionar, que o Chico já mostrou tantas vezes que tem.</p>
<p style="text-align: justify"><em>&#8220;E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite, me deu de beber a água com que havia lavado sua blusa.&#8221;</em></p>
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