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	<title>Meia Palavra &#187; Chico Buarque</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>10 Perguntas e meia para Wagner Homem</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 23:38:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Homem]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora tenha se formado em administração de empresas, Wagner Homem atua na área de tecnologia da informação. Em 1998 propôs a Chico Buarque a criação de seu website. Com a aprovação do compositor, Wagner tocou o projeto e o site já foi três vezes premiado pelo iBest. Ao longo desses anos todos como curador, Wagner [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/02/WAGNER.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1655" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="WAGNER" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/02/WAGNER-300x225.jpg" alt="WAGNER" width="300" height="225" /></a>Embora tenha se formado em administração de empresas, Wagner Homem atua na área de tecnologia da informação. Em 1998 propôs a Chico Buarque a criação de seu website. Com a aprovação do compositor, Wagner tocou o projeto e o site já foi três vezes premiado pelo iBest. Ao longo desses anos todos como curador, Wagner recebeu com freqüência inúmeros e-mails perguntando sobre bastidores e curiosidades sobre as músicas de Chico. Esses fãs, mesmo sem saber, fizeram o livro “Chico Buarque – Histórias de Canções” nascer. A obra, como o título sugere, é um apanhado de fatos por trás de várias canções de Chico. Com presença marcada na lista dos mais vendidos e já com lançamento previsto para Portugal, Wagner Homem cedeu a entrevista por e-mail. Para mais informações, visite o hotsite: www.historiasdecancoes.com.br</p>
<p style="text-align: justify;">Ele concedeu a seguinte entrevista para Tauil, membro do Fórum Meia Palavra.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1624"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1 – Você chegou a comentar com Chico a idéia do livro ou ele só foi saber mais tarde, já com o projeto em desenvolvimento?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Antes de começar a escrever pedi autorização para ele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2- Por quanto tempo você gerou esse livro? Foi uma idéia que veio desde o início do site do Chico ou ela nasceu depois?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escrever o livro foi na verdade um ato de organizar informações que fui obtendo ao longo do tempo. Esse ato me tomou 5 meses. Mas a pesquisa foi diluída aí pelos 11 anos administrando o site.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3 – O subtítulo “Histórias de canções” abre uma brecha para uma coleção de livros no mesmo estilo para outros compositores. Já tem algum outro em mente?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Estamos organizando um para a obra de Toquinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4 – Existe alguma história que você achou melhor não publicar por medo de uma resposta negativa do público?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não. Não houve isso em nenhum momento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5 – De todas as histórias, qual foi a mais inesperada, a que mais te surpreendeu quando você a ouviu pela primeira vez?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O que mais me surpreendeu foi saber que a bela canção “Todo o sentimento” era originalmente um samba. E como na é época da gravação havia uma greve de técnicos, os músicos começaram a brincar com a melodia que se tornou essa canção suave.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6 – Você cita no livro que a amizade entre Caetano e Chico atravessaria os anos, embora não sem alguns arranhões. Dito isso, por que você acha que os dois compuseram tão pouco em parceria mesmo tendo feito um show histórico na Bahia que virou disco e um programa mensal na Rede Globo? Acha que foram influenciados pelo maniqueísmo “Chico ou Caetano”?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei te dizer. Creio que são estilos diferentes. Mas o Chico admite que conhecer as coisas novas de Caetanao, Gil, Milton etc. funciona como estímulo até hoje para ele. Creio que a recíproca seja verdadeira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7 – De onde você acha que vem essa euforia que o Chico causa? Se fosse um livro sobre Tom Jobim, por exemplo, você acha que venderia tanto quanto esse? Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bem, o Chico sempre causa uma euforia, e isso obviamente ajuda a vender. Mas outros livros sobre Chico não tiveram a mesma performance. Creio que parte do sucesso se deva à simplicidade: é um livro que não analisa nada sob nenhum ponto de vista. Ele conta histórias e as contextualiza – só isso. Há também o fato de que as pessoas têm essa necessidade de saber sobre curiosidades relacionadas às canções.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8 – Como você vê a música brasileira atualmente? Você acha que lá para frente algum compositor recente será tão pesquisado e citado quanto essa geração dos Festivais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu espero que sim. Toda época felizmente gera alguém novo que permanece. Sempre foi assim e não será diferente</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9 – O que você acha da Internet como instrumento cultural? A facilitação do acesso à cultura com downloads, fóruns etc.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu acho a internet fantástica e ao mesmo tempo perigosa. Só pra dar um exemplo do perigo, há inúmeros sites que dizem que Chico é filho do Aurélio [Buarque de Hollanda, o dicionarista]. Por outro lado, você sabendo garimpar e tendo condições de avaliar a fonte, ela é sem dúvida de um valor insuperável para se obter a informação desejada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 – O que você costuma ler? Quais são suas influências e autores favoritos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu leio de tudo. Acabei de ler “Velejando a vida”, um livro autobiográfico de João Carlos Pecci, irmão do músico Toquinho. Hoje tenho como referência o livro “O pai dos burros”, de Humberto Werneck. E claro, os clássicos. Sobretudo Machado de Asssis e Graciliano Ramos. Na poesia, Bandeira e Fernando Pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A pior besteira que já ouvi alguém falar do Chico…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">… é que ele era mais criativo na época da Ditadura.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o autor: Tauil é pesquisador de Chico Buarque e mantém um acervo digital sobre o músico e escritor em:<a href="http://www.youtube.com/tauil"> http://www.youtube.com/tauil</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4172">DISCUTA O POST NO FORUM DO MEIA PALAVRA</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F02%2F03%2F10-perguntas-e-meia-para-wagner-homem%2F&amp;linkname=10%20Perguntas%20e%20meia%20para%20Wagner%20Homem">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O inesquecível “Leite Derramado” de Matilde</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 13:08:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Leite Derramado]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quando saísse daqui, eu pretendia pedi-la em casamento, mas ela não me quer mais.”
Chico Buarque, “Leite Derramado”
Em seu recente livro intitulado “Leite Derramado”, lançado em 2009 pela editora Companhia das Letras, o polivalente Chico Buarque conta a história da família Assumpção, narrada pelo personagem Eulálio Montenegro d’Assumpção. O romance de escrita sedutora e fluente é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5 style="text-align: right;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/04/leite-derramado-capa1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-708" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="leite-derramado-capa1" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/04/leite-derramado-capa1.jpg" alt="leite-derramado-capa1" width="221" height="320" /></a>“Quando saísse daqui, eu pretendia pedi-la em casamento, mas ela não me quer mais.”</h5>
<h5 style="text-align: right;">Chico Buarque, “Leite Derramado”</h5>
<p style="text-align: justify;">Em seu recente livro intitulado “Leite Derramado”, lançado em 2009 pela editora Companhia das Letras, o polivalente Chico Buarque conta a história da família Assumpção, narrada pelo personagem Eulálio Montenegro d’Assumpção. O romance de escrita sedutora e fluente é rico por retratar de forma expressiva a realidade da cultura brasileira dos últimos cem anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Eulálio se encontra enfermo na cama de um humilde hospital e em meio aos delírios e ao esquecimento, causado pela idade avançada e, provavelmente, pela doença de Alzheimer, tenta passar suas confusas lembranças a uma enfermeira, com quem promete se casar.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-988"></span>De antemão, o que se pode perceber é que o personagem descreve a história de sua própria família, fazendo-se assim uma ligação à vida cotidiana de muitos brasileiros. A obra contada em primeira pessoa confirma ainda mais essa ligação, pois o leitor se sente parte da história e íntimo do personagem, compartilhando a cada página suas lembranças, pensamentos e segredos.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão principal em “Leite Derramado” é o amor possessivo de Eulálio por sua esposa Matilde, jovem e bonita, com quem tem uma filha: Maria Eulália. Matilde desperta em Lalinho, (seu apelido de infância), uma paixão avassaladora, transformando seu amor em dúvida, ciúme e egoísmo. Paralelamente às lembranças íntimas do personagem, Eulálio retrata a decadência social e econômica da tradicional família Assumpção: desde seus ancestrais portugueses até seus descendentes humildes, contando a história de seu avô, barão do Império, de seu pai, senador da Primeira República e de seu tataraneto, garotão que só quer curtir a vida. O próprio personagem fala sobre isso: “Pai rico, filho nobre, neto pobre.” (BUARQUE, 2009, p.18).</p>
<p style="text-align: justify;">A vida do personagem é aberta como um leque em menos de 200 páginas, que fazem pensar e questionar sobre nossa própria realidade. O romance também faz refletir sobre assuntos complicados, mas existentes na história brasileira, como a relação poder e subserviência, machismo, desigualdade social e também racial. O autor apresenta ainda temas relevantes ao comportamento humano: egoísmo, paixão, desejo, velhice, traição, rejeição, abandono, depressão, solidão, dentre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de Eulálio ser marcado pelos sentimentos de posse e ciúme, o personagem reflete sobre esse último de forma a proclamá-lo de peito aberto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta. O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe-se a culpa na feiúra.” (BUARQUE, 2009, p. 62).</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Dos temas variados que o autor expõe no romance os mais marcantes são o amor pela Matilde, assim como a maternidade e o desaparecimento da mesma. Utilizando-se de uma narrativa não-linear, o autor torna o texto embaraçado:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Não é culpa minha se acontecimentos às vezes me vêm a memória fora da ordem em que se produziram.” (BUARQUE, 2009, p. 188).</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O texto também é caracterizado pela repetição, tornando a leitura um pouco cansativa. Nota-se que Eulálio conta inúmeras vezes os mesmos fatos: o excitante e primeiro encontro com Matilde, as conversas com o francês Dubosc, a relação com sua mãe, o paradeiro de sua esposa e o nascimento do bisneto. O próprio personagem afirma que repete suas histórias:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Mas se com a idade a gente dá para repetir histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.” (BUARQUE, 2009, p. 184).</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Porém, as lembranças repetitivas de Eulálio, muitas vezes confusas, se tornam tão contraditórias que criam dúvidas e suspenses que prendem o leitor.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto de Chico Buarque em “Leite Derramado” é mais informal e, apesar da narrativa elegante, o escritor abusa um pouco da escrita chula o que causa no leitor reações diversas e inesperadas como o riso: “Aí ele me mandou tomar no cu mais o barão, desaforo que nem lhe posso censurar.” (BUARQUE, 2009, p.50). .</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ler o livro, não é difícil associá-lo a um romance clássico da nossa literatura brasileira, “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. As duas obras são contadas em primeira pessoa e isso faz com que o leitor se sinta envolvido com as histórias. Em “Dom Casmurro”, há a eterna dúvida sobre a fidelidade de Capitu, enquanto no livro de Chico Buarque a dúvida é o verdadeiro paradeiro de Matilde, sentimento vivido pelos personagens principais, respectivamente, Casmurro e Eulálio. A dúvida é o ponto central de ambos os romances, sustentando assim toda a história. Uma das principais diferenças entre eles é que, em “Dom Casmurro”, a história é narrada de forma linear, sendo lógica e cronológica, com início, meio e fim, diferentemente da narrativa de “Leite Derramado”, que possui uma ordem embaralhada.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, em sua obra Chico Buarque fala sobre assuntos sérios da nossa sociedade brasileira por meio do relato de um personagem com memória desfalecente, corroído por uma paixão mal vivida e mal compreendida pelo narrador. Enfim, “Leite Derramado” retrata nossa forma egoísta e preconceituosa de enxergar nossa própria realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o autor: <strong>Lilian Gomes</strong> mora em Belo Horizonte e é estudante do sexto período do curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH).</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2596&amp;pid=51766#pid51766" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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		<title>Leite Derramado</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 12:37:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pips</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
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		<description><![CDATA[No sábado passado, dia 28 de Março, chegou às livrarias do Brasil “Leite Derramado”, o novo livro do compositor, cantor e escritor carioca Chico Buarque. Enquanto noticias chegavam sobre o livro, a sinopse foi divulgada no dia do lançamento do livro, antes disso pouco detalhes eram revelados.
As lembranças entrecortadas e lacunas na memória, a construção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-708" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="leite-derramado-capa1" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/04/leite-derramado-capa1.jpg" alt="leite-derramado-capa1" width="138" height="175" />No sábado passado, dia 28 de Março, chegou às livrarias do Brasil “Leite Derramado”, o novo livro do compositor, cantor e escritor carioca Chico Buarque. Enquanto noticias chegavam sobre o livro, a sinopse foi divulgada no dia do lançamento do livro, antes disso pouco detalhes eram revelados.</p>
<p style="text-align: justify;">As lembranças entrecortadas e lacunas na memória, a construção de uma narrativa sob o efeito da morfina. Eulálio D’Assumpção é um homem muito velho, centenário, que está em um leito de hospital relembrando sua vida e contando a história de sua nobre família, desde os tempos da corte real no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-703"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Neste novo romance, Chico Buarque opta mais uma vez um narrador em primeira pessoa para conduzir sua história. Seguimos os pensamentos presentes, as reminiscências e impressões de um velho moribundo em uma cama de hospital, sem sabermos quando está num monólogo ou descrevendo suas memórias às pessoas que passam pelo seu quarto. Pessoas essas que não reconhece em grande parte, pode ser uma enfermeira ou a sua filha, que servem de ouvintes ou interlocutoras de suas recordações sem ordem cronológica – parando, voltando e se perdendo no tempo (isso remete a canção <a href="http://letras.terra.com.br/chico-buarque/86019/">&#8220;O Velho Francisco&#8221;</a>)</p>
<p style="text-align: justify;">Eulálio é o retrato de uma “elite em crise”, vivendo do sobrenome que tem e perdendo cada vez mais espaço na sociedade de alto escalão (devido a deslizes próprios de seus descendentes). Tal espaço é descrito toda vez que o velho considera o tratamento do lugar onde está inapropriado para uma pessoa de sua classe. Ainda sustentando essa superioridade afirma que seu avô libertara os negros e os levara de volta para a África. Em diversos pontos a obra o racismo figura como personagem chave e ironicamente os negros tangem pela vida de Eulálio (inclusive o amor de sua vida é a mulata Matilde, “a mais moreninha das sete irmãs”). Em uma passagem bem curiosa, e também bem irônica, Eulálio lembra uma época em que gostaria de enrabar um escravo com quem mantinha amizade desde a infância (outra evidência de sua sensação de superioridade). Basta saber que todos esses detalhes jogados na narrativa servem para consolidar o intuito da história: a miscigenação brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Por se tratar da narrativa de um moribundo, muitas personagens não têm descrições completas e todas são risíveis (em vista do que é narrado). O que importa no romance é como construir o personagem principal através do que ele diz sobre o ambiente, sobre o passado, sobre todos e pelo pouco do que fala de si mesmo (exaltando traços de sua personalidade, muitas vezes contraditório em suas opiniões, tentando mostrar humildade, mas apenas exalando arrogância). Os sentimentos de Eulálio são rasos, somente os descritos com uma cor alaranjada é que são mais profundos – e verdadeiros.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Nem parei para pensar de onde vinha a minha raiva repentina, só senti que era alaranjada a raiva cega que tive da alegria dela.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Os períodos históricos não são explorados também, para retratar o Brasil e o Rio de Janeiro o narrador usa o futebol, as tecnologias, as religiões, a criminalidade e sobre a influência de sua família na política.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto ao título, parece bem simples que seja uma alusão ao saudosismo e irreversível fim de Eulálio, há ambigüidade: apesar de ter gozado o bom da vida graças ao nome que carrega, o personagem principal não tem um nicho familiar, foi criado por uma babá e espelha-se na história de sua estirpe para tentar enriquecer a sua vida desmamada e sem simplicidades (como os paradoxos de ser um bon vivant mulherengo que morre de ciúmes da sua mulher). Todavia, a interpretação do antigo ditado fica por conta da última imagem de Matilde que Eulálio se recorda: amamentando a filha dos dois.</p>
<p style="text-align: justify;">De linguagem refinada, irônica, paradoxal e biográfica, temos uma obra que passará pelos olhos de leitores recordando Machado de Assis com seu Brás Cubas e com Bentinho, mas acontece que além de um drama machadiano, temos uma obra buarqueana que flerta com sua vida pessoal e sua obra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BUARQUE</strong>, Chico. <em>Leite Derramado</em>. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2009. 195 págs. Preço sugerido: R$28,00</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2596&amp;page=1">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Intertextualidade Buarqueana</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 22:40:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
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		<category><![CDATA[Guimarães Rosa]]></category>
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		<category><![CDATA[Ney Matogrosso]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Jobim]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algum tempo que tenho experimentado a Arte do Brasil. Digo, compulsivamente. Por um longo tempo fechei-me para o estrangeiro e abracei nossa literatura, nossa música, nosso teatro, etc. Acho que para o sujeito pensar pra onde vai, ele precisa antes conhecer da onde veio, e por achar que nossas obras não são devidamente valorizadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-683" style="margin: 5px;" title="chico_1" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/03/chico_1.jpg" alt="chico_1" width="209" height="209" />Há algum tempo que tenho experimentado a Arte do Brasil. Digo, compulsivamente. Por um longo tempo fechei-me para o estrangeiro e abracei nossa literatura, nossa música, nosso teatro, etc. Acho que para o sujeito pensar pra onde vai, ele precisa antes conhecer da onde veio, e por achar que nossas obras não são devidamente valorizadas em nosso próprio país, adotei por alguns anos essa espécie de nacionalismo. Percebi muito claramente que nossas artes mantém um diálogo, bebem da mesma fonte, e por isso resolvi juntar nesse texto um punhado de intertextualidades da Literatura com a música de Chico Buarque, que para mim é o maior expoente vivo de nossa música. Chico, que também é metido na literatura, tem em sua obra muitas citações literárias. Veja só:</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-661"></span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Em <strong>1968</strong> Chico fez uma letra para <strong>Tom Jobim</strong> chamada “<strong>Sabiá</strong>”. A música foi feita para o III Festival Internacional da Canção promovido pela Rede Globo, e, injustamente, sofreu uma vaia terrível ao vencê-lo, porque o povo exaltado não percebeu a crítica que a canção faz à Ditadura, mais diretamente ao exílio.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Vou voltar<br />
Sei que ainda vou voltar<br />
Para o meu lugar<br />
Foi lá e é ainda lá<br />
Que eu hei de ouvir cantar<br />
Uma sabiá</strong></span></p>
<p><strong>Vou voltar<br />
Sei que ainda vou voltar<br />
Vou deitar à sombra<br />
De um palmeira<br />
Que já não há<br />
Colher a flor<br />
Que já não dá<br />
E algum amor Talvez possa espantar<br />
As noites que eu não queira<br />
E anunciar o dia</strong></p>
<p><strong>Vou voltar<br />
Sei que ainda vou voltar<br />
Não vai ser em vão<br />
Que fiz tantos planos<br />
De me enganar<br />
Como fiz enganos<br />
De me encontrar<br />
Como fiz estradas<br />
De me perder<br />
Fiz de tudo e nada<br />
De te esquecer</strong></p>
<p><strong>Vou voltar<br />
Sei que ainda vou voltar<br />
E é pra ficar<br />
Sei que o amor existe<br />
Não sou mais triste<br />
E a nova vida já vai chegar<br />
E a solidão vai se acabar<br />
E a solidão vai se acabar</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/U9epAdaRXCk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/U9epAdaRXCk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/U9epAdaRXCk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/U9epAdaRXCk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0"></embed></object><br />
<strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: darkgreen;"> </span></p>
<p class="MsoNormal">Esse exemplo já foi muito explorado, mas não custa ressaltá-lo. Para dialogar com Sabiá, a “<strong>Canção do exílio</strong>”, de <strong>Gonçalves Dias</strong>:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá;<br />
As aves, que aqui gorjeiam,<br />
Não gorjeiam como lá.</strong></span></p>
<p><strong>Nosso céu tem mais estrelas,<br />
Nossas várzeas têm mais flores,<br />
Nossos bosques têm mais vida,<br />
Nossa vida mais amores.</strong></p>
<p><strong>Em cismar, sozinho, à noite,<br />
Mais prazer eu encontro lá;<br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.</strong></p>
<p><strong>Minha terra tem primores,<br />
Que tais não encontro eu cá;<br />
Em cismar –sozinho, à noite–<br />
Mais prazer eu encontro lá;<br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.</strong></p>
<p><strong>Não permita Deus que eu morra,<br />
Sem que eu volte para lá;<br />
Sem que disfrute os primores<br />
Que não encontro por cá;<br />
Sem qu&#8217;inda aviste as palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: darkgreen;"> </span></p>
<p class="MsoNormal">Um ano mais tarde, Chico exilou-se na Itália e gravou um compacto por lá com uma composição inédita. Aqui no Brasil, essa canção foi gravada pelo <strong>MPB-4</strong>, e chamou-se “<strong>Cara a Cara”</strong>. Veja:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Tira a pedra do caminho<br />
Serve mais um vinho<br />
Bota vento no moinho<br />
Bota pra correr<br />
[...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/vZdyk3vBAbA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/vZdyk3vBAbA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/vZdyk3vBAbA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/vZdyk3vBAbA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0"></embed></object><br />
<strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Aqui, pela primeira vez, Chico intertextualiza com <strong>Carlos Drummond</strong>, um poeta bem presente em sua influência. O poema da vez tem mais de oitenta anos e foi o responsável pela pedra no caminho da nossa literatura. “<strong>No meio do caminho” </strong>é relembrado até hoje por sua complexa simplicidade:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>No meio do caminho tinha uma pedra<br />
tinha uma pedra no meio do caminho<br />
tinha uma pedra<br />
no meio do caminho tinha uma pedra.<br />
[...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal">Ainda em <strong>1969</strong>, Chico tem sua primeira filha com a atriz <strong>Marieta Severo</strong>, a <strong>Sílvia</strong>. Torcedor declarado do Fluminense, Chico recebeu de presente do sambista <strong>Ciro Monteiro</strong> uma camiseta do Flamengo para dar para a filhinha. A resposta veio em música e se chamou “<strong>Ilmo. Sr. Ciro Monteiro”</strong>:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Amigo velho<br />
Amei o teu conselho</strong><br />
<strong>Amei o teu vermelho<br />
Que é de tanto ardor<br />
Mas quis o verde<br />
Que te quero verde<br />
É bom pra quem vai ter<br />
De ser bom sofredor<br />
[...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/EQOl1OWIiZ0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/EQOl1OWIiZ0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/EQOl1OWIiZ0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/EQOl1OWIiZ0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0"></embed></object></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal">Tenho a impressão que antes de compor esse samba, Chico bateu os olhos de relance no poema “<strong>Romance sonâmbulo”</strong>, do maldito <strong>Frederíco Garcia Lorca:</strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Verde que te quero verde.<br />
Verde vento. Verdes ramas.<br />
O barco vai sobre o mar<br />
e o cavalo na montanha.<br />
<span lang="EN-US">[...]</span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: red;" lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoNormal">Alguns anos depois, em <strong>1975</strong>, Chico fez uma peça de teatro em parceria com <strong>Paulo Pontes</strong>, chamada <strong>Gota d’água. </strong>Uma das canções do repertório chamava-se <strong>“Flor da Idade”</strong>, que mais tarde seria gravada pela majestosa <strong>Bibi Ferreira</strong>:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong> [...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo<br />
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora<br />
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava<br />
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava<br />
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/p9uz19TlD38&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/p9uz19TlD38&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/p9uz19TlD38&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/p9uz19TlD38&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0"></embed></object><br />
<strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="color: orange;"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal">Ninguém há de negar a presença de <strong>Drummond</strong> e sua <strong>“Quadrilha</strong>”:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>João amava Teresa que amava Raimundo<br />
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili<br />
que não amava ninguém.<br />
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,<br />
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,<br />
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes<br />
que não tinha entrado na história</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><!--[if gte mso 9]><xml> <w :worddocument> </w><w :view>Normal</w> <w :zoom>0</w> <w :hyphenationzone>21</w> <w :punctuationkerning /> <w :validateagainstschemas /> <w :saveifxmlinvalid>false</w> <w :ignoremixedcontent>false</w> <w :alwaysshowplaceholdertext>false</w> <w :compatibility> <w :breakwrappedtables /> <w :snaptogridincell /> <w :wraptextwithpunct /> <w :useasianbreakrules /> <w :dontgrowautofit /> </w> <w :browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</w> </xml>< ![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w :latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"> </w> </xml>< ![endif]--></p>
<p>Mais tarde, em <strong>1978</strong>, desponta mais uma citação na introdução de “<strong>Até o fim</strong>”, que mais tarde seria revivida em duo com <strong>Ney Matogrosso:</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Quando nasci veio um anjo safado<br />
O chato do querubim<br />
E decretou que eu estava predestinado<br />
A ser errado assim<br />
Já de saída a minha estrada entortou<br />
Mas vou até o fim</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>[...]</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/DJYbje-UGto&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DJYbje-UGto&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/DJYbje-UGto&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/DJYbje-UGto&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0"></embed></object><br />
<strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: mediumblue;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O diálogo se dá novamente com <strong>Drummond, </strong>com um de seus poemas mais famosos, o “<strong>Poema de sete faces</strong>”:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Quando nasci, um anjo torto<br />
desses que vivem na sombra<br />
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>[...]</strong></span></p>
<p><strong> </strong>Para finalizar, acho que vale a pena destacar uma passagem de <strong>João Guimarães Rosa</strong> na obra de Chico. A música &#8220;<strong>Assentamento</strong>&#8220;, de <strong>1997</strong>, cheira a Rosa, definitivamente. Prefiro que vocês ouçam ao invés de eu escrever o que cada passagem remete em Guimarães, porque ela é crivada de intertextualidade e nem sou um profundo conhecedor dos escritos de J.G.R.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Quando eu morrer, que me enterrem na<br />
beira do chapadão<br />
&#8211; contente com minha terra<br />
cansado de tanta guerra<br />
crescido de coração</em></strong><strong><br />
(Tôo apud. Guimarães Rosa)</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong><br />
Zanza daqui<br />
Zanza pra acolá<br />
Fim de feira, periferia afora<br />
A cidade não mora mais em  mim<br />
Francisco, Serafim<br />
Vamos embora</strong></span></p>
<p><strong>Ver o capim<br />
Ver o baobá<br />
Vamos ver a campina quando flora<br />
A piracema, rios contravim<br />
Binho, Bel, Bia, Quim<br />
Vamos embora</strong></p>
<p><strong>Quando eu morrer<br />
Cansado de guerra<br />
Morro de bem<br />
Com a minha terra:<br />
Cana, caqui<br />
Inhame, abóbora<br />
Onde só vento se semeava outrora<br />
Amplidão, nação, sertão sem fim<br />
Ó Manuel, Miguilim<br />
Vamos embora</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/jDLjFJh1zPM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jDLjFJh1zPM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/jDLjFJh1zPM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/jDLjFJh1zPM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0"></embed></object></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Sobre o autor: Tauil é usuário do <a href="http://www.meiapalavra.com.br">fórum meia palavra</a>, você também pode encontrá-lo <a href="http://www.meiameiosuja.blogspot.com/">Meia meio suja</a>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2612&amp;pid=42160#pid42160">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Leite derramado (Chico Buarque)</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 12:04:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Leite Derramado]]></category>
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		<description><![CDATA[Poucos escritores no Brasil têm tanta moral como Chico Buarque, para ter um lançamento de livro tão badalado como o de Leite derramado (que chega hoje às livrarias). Até ontem à noite nada se sabia sobre a mais nova obra de Chico, a não ser o título e que  a informação de que o enredo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/03/livro.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-664" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="livro" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/03/livro-300x199.jpg" alt="livro" width="278" height="185" /></a>Poucos escritores no Brasil têm tanta moral como Chico Buarque, para ter um lançamento de livro tão badalado como o de <em>Leite derramado</em> (que chega hoje às livrarias). Até ontem à noite nada se sabia sobre a mais nova obra de Chico, a não ser o título e que  a informação de que o enredo girava em torno de uma família (sim, a Companhia das Letras só divulgou isso, até mesmo para as livrarias). E enquanto para alguns escritores isso pode simplesmente nem fazer a diferença, no caso dessa obra vi mais do que um leitor curiosíssimo sobre o que seria o tal do <em>Leite Derramado</em>. Vi até contagem regressiva (do tipo &#8220;Faltam três dias, faltam dois dias&#8230;&#8221;).</p>
<p style="text-align: justify;">No final das contas é um &#8220;fênomeno&#8221; extremamente positivo para o mercado editorial brasileiro, que vê atualmente nas listas de mais vendidos (ou seja, títulos mais procurados) quase que apenas obras infanto-juvenis. Saber que o público está interessado na obra de um autor tão denso como Chico (basta ler a obra anterior, <a title="budapeste" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2008/05/23/budapeste/" target="_blank">Budapeste</a>, para compreender o sentido de &#8220;denso&#8221;), mesmo que seja por causa do músico Chico Buarque, e não necessariamente o escritor, já dá qualquer esperança.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-663"></span>Inclusive usar a música para popularizar a literatura (ou o status no mundo da música) não chega a ser algo ruim, muito menos novidade aqui no Brasil. Vinicius de Moraes, famoso por sonetos que todos sabem de cor adotou não só na música mas também na poesia uma forma mais simples (a Balada, por exemplo), justamente para tornar a poesia mais acessível. E veja só o efeito disso: você pode contar nos dedos a quantidade de pessoas que não conhecem pelo menos algum trabalho dele, não?</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando ao Chico e ao <em>Leite Derramado</em>, aparentemente já sairá com uma boa tiragem, o que garante um preço razoável (nas livrarias virtuais não está passando de 30 reais), mais um ponto favorável, os curiosos de plantão nem terão que pensar duas vezes na hora de comprar. Mas sim, a partir de hoje já é possível saber sobre do que se trata o novo livro, basta acessar o <a title="site de divulgação" href="http://www.leitederramado.com.br/wordpress/" target="_blank">site de divulgação</a>. No site também está disponível <a title="1º capítulo" href="http://www.leitederramado.com.br/wordpress/wp-content/uploads/leite_derramado.pdf" target="_blank">o primeiro capítulo da obra</a>, além de outras informações sobre o livro e o autor. Além disso, a Época já publicou uma <a title="época leite derramado" href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI66044-15220,00-CHICO+BEBE+O+LEITE+AMARGO+DA+MULHER+AMADA.html" target="_blank">ótima reportagem sobre Leite Derramado</a> e as demais obras de Chico Buarque.</p>
<p style="text-align: justify;">E se você já leu todo o livro, mande sua resenha para publicarmos aqui no <strong>Meia Palavra</strong>. Basta enviar para o email meiapalavra@meiapalavra.com.br</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2596" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></strong></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2009%2F03%2F28%2Fleite-derramado-chico-buarque%2F&amp;linkname=Leite%20derramado%20%28Chico%20Buarque%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Budapeste</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/05/23/budapeste/</link>
		<comments>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/05/23/budapeste/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 May 2008 18:21:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Budapeste]]></category>
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		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>

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		<description><![CDATA[Bom, eu devo confessar que &#8220;Lista dos Mais Vendidos da Veja&#8221; normalmente tira qualquer vontade minha de ler um livro, já que é como se ele perdesse mais da metade do charme. É aquela história: isso é livro para qualquer um ler. Mas eu não consigo resistir ao nome &#8220;Chico Buarque&#8221; escrito embaixo do título. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/budapeste.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2871" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="budapeste" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/05/budapeste.jpg" alt="" width="130" height="188" /></a>Bom, eu devo confessar que &#8220;Lista dos Mais Vendidos da Veja&#8221; normalmente tira qualquer vontade minha de ler um livro, já que é como se ele perdesse mais da metade do charme. É aquela história: isso é livro para qualquer um ler. Mas eu não consigo resistir ao nome &#8220;Chico Buarque&#8221; escrito embaixo do título. Comecei a ler pelo Chico, pensando &#8220;Nossa, para quem já escreveu tanta coisa linda, vai ver é um dos poucos casos que o sujeito figura na lista dos mais vendidos por sua qualidade, e não só pela propaganda&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Merece? Sim. <em>Budapeste</em> não é nem de longe aqueles livrinhos babas que encontramos semanalmente na lista dos mais vendidos. Não é aquela &#8220;literatura-pronta-pra-beber&#8221; que ficou tão comum em épocas de Harry Potter e afins. É um trabalho digno do artesão que o Chico de fato é.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-94"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A premissa é bem interessante: um <em>ghost writer</em> relatando suas memórias, principalmente depois de que visitou Budapeste. No caso, <em>ghost writer</em> é o sujeito que escreve livros para que outras pessoas sejam reconhecidas pela obra. Através do protagonista, dá para se tirar muita coisa sobre a vaidade humana (bem como <span style="text-decoration: underline;">a forma com a qual</span> lidamos com isso).</p>
<p style="text-align: justify;">A narrativa é essencialmente psicológica e embora o livro seja dividido em capítulos, se tem a sensação de que o protagonista (José Costa) está contando tudo de uma vez só, como se fosse oralmente mesmo. Aqueles devaneios típicos de conversas, lembranças, cortes na narrativa&#8230; enfim, tudo lembra a fala de uma pessoa contando para outra sua própria história.</p>
<p style="text-align: justify;">A escolha do narrador em primeira pessoa, assim como esse estilo de narrativa (que lembra muito a <em>Mrs. Dalloway</em>), a profissão do personagem e outros tantos detalhes (até a capa!), foram visivelmente escolhidos para se criar o efeito final da obra. É nisso que relembro a posição de artesão do Chico: ele não contou simplesmente uma história, ele <strong>trabalhou</strong> essa história. Sinceramente não ficaria surpresa se soubesse que toda a questão das idas e vindas do José Costa a Budapeste não passavam de fundo para esse exercício literário que é a obra.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, esse livro apresenta tudo o que se espera de um autor ao escrever: a inovação sem medo, o equilíbrio perfeito entre técnica e inspiração e, acima de tudo: esse dom de usar as palavras para emocionar, que o Chico já mostrou tantas vezes que tem.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite, me deu de beber a água com que havia lavado sua blusa.&#8221;</em></p>
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