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	<title>Meia Palavra &#187; Análise</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>Autopsicografia &#8211; uma análise.</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/02/24/autopsicografia-uma-analise/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 20:22:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Autopsicografia]]></category>
		<category><![CDATA[Bernardo Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[
Autopsicografia
Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-612" style="margin: 5px;" title="Fernando Pessoa" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/02/216_2310-fernando-pessoa-276x300.jpg" alt="216_2310-fernando-pessoa" width="276" height="300" /></p>
<p><strong>Autopsicografia</strong><br />
<em>Bernardo Soares (Fernando Pessoa)</em></p>
<p>O poeta é um fingidor.<br />
Finge tão completamente<br />
Que chega a fingir que é dor<br />
A dor que deveras sente.</p>
<p>E os que lêem o que escreve,<br />
Na dor lida sentem bem,<br />
Não as duas que ele teve,<br />
Mas só a que eles não têm.</p>
<p>E assim nas calhas de roda<br />
Gira, a entreter a razão,<br />
Esse comboio de corda<br />
Que se chama coração.</p>
<p style="text-align: justify;">Fernando Pessoa era um homem complicado. Seus heterônimos são assim considerados (ao invés de pseudônimos), visto que além de terem uma vida completa criada, Fernando Pessoa acreditava ser mesmo esses outros nomes. Quando os usava, &#8220;esquecia-se&#8221; por completo de quem era, e passava a ser  naquele momento Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caieiro ou Bernardo Soares.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-611"></span><br />
Conhecedor de astrologia, como um bom ocultista, chegou a conhecer o famoso mago Aleister Crowley. Ambos até trocaram cartas, mas Pessoa não quis muita intimidade com o mago já que acreditava que este era maluco e assim, perigoso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre Autopsicografia:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Resolvi colocar aqui a análise da Autopsicografia por diversos motivos. Esse é considerado um dos poemas do Pessoa mais famosos, muitas vezes é o único poema do Fernando que foi lido por muitas pessoas. Algumas não conseguem entender o que ele quer dizer com o fingidor, ou não conseguem captar a mensagem da poesia feita pelo autor, então resolvi ser a &#8220;chata&#8221; e explicar aqui o quanto ele fingia também.</p>
<p style="text-align: justify;">Fernando nos diz que o poeta é um fingidor. O que ele quis dizer com isso?<br />
Quer dizer que a poesia não é exteriorização imediata dos sentimentos – e sim o pranto. Esse fingir pode querer significar uma modelagem estética do sentimento: a poesia.  O poeta lida primeiro com a linguagem e muda a experiência, modifica a vivência através da linguagem. Todo processo que constrói poesia é algo que é perpassado pela linguagem – não há experiência imediata. Esse é o “fingimento”, o poeta imagina algo que sequer imaginou em poesia . Sendo o alquimista que transmuta vivência através da linguagem, acaba sendo fingidor porque fala tanto do vivido quanto do não vivido. Pode-se partilhar e mimetizar até um sentimento que ele também sente, mas quando escreve já não o é mais verdade e sim poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">O leitor então é aquele que acredita na magia da linguagem como espelho da alma. Lê a dor vivida/escrita/ lida/ fingida (que é a lida quando escrita) e a toma como sua mesmo não a sendo.</p>
<p style="text-align: justify;">E o ponto final do poema, o coração: refere-se às paixões (ira, ódio, amor), e a simultaneidade entre sentir e pensar, que é o verdadeiro dilema transmitido ao leitor.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2434">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2009%2F02%2F24%2Fautopsicografia-uma-analise%2F&amp;linkname=Autopsicografia%20%26%238211%3B%20uma%20an%C3%A1lise.">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Anatomia da poesia: One Art</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/04/27/anatomia-da-poesia-one-art/</link>
		<comments>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2008/04/27/anatomia-da-poesia-one-art/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 20:08:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Elizabeth Bishop]]></category>
		<category><![CDATA[Poema]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode parecer estranho estabelecer uma relação entre criaturas feitas de carne e osso com outras feitas de palavras e idéias, mas o fato é que poesia é, de certa forma, um ser vivo. Tão vivo que depois de criada parece que ganha pernas e sai por aí, para todo o sempre (ou pelo menos enquanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/04/elizabeth-bishop1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2811" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="elizabeth-bishop" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2008/04/elizabeth-bishop1.jpg" alt="" width="144" height="176" /></a>Pode parecer estranho estabelecer uma relação entre criaturas feitas de carne e osso com outras feitas de palavras e idéias, mas o fato é que poesia é, de certa forma, um ser vivo. Tão vivo que depois de criada parece que ganha pernas e sai por aí, para todo o sempre (ou pelo menos enquanto a última cópia não sumir). É levando em consideração essa idéia que começo hoje a série &#8220;Anatomia da poesia&#8221;, que procura indicar os <em>órgãos vitais</em> de alguns poemas, visando estudá-los de uma forma um pouco mais divertida do que é feito em sala de aula.</p>
<p style="text-align: justify;">E, para começar, coloco sob observação a brilhante poeta norte-americana, Elizabeth Bishop. O charme na poesia de Bishop vai além do domínio sobre as palavras: embora escreva na língua inglesa, tem muito do Brasil em suas obras &#8211; ou pelo menos das paisagens que ela viu enquanto por aqui passou. Vejamos então o que <em>One Art </em>pode nos oferecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-51"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para começar, uma leitura completa do poema:</p>
<blockquote><p><strong>One Art</strong><br />
The art of losing isn&#8217;t hard to master;<br />
so many things seem filled with the intent<br />
to be lost that their loss is no disaster.<br />
Lose something every day. Accept the fluster<br />
of lost door keys, the hour badly spent.<br />
The art of losing isn&#8217;t hard to master.<br />
Then practice losing farther, losing faster:<br />
places, and names, and where it was you meant<br />
to travel. None of these will bring disaster.<br />
I lost my mother&#8217;s watch. And look! my last, or<br />
next-to-last, of three loved houses went.<br />
The art of losing isn&#8217;t hard to master.<br />
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,<br />
some realms I owned, two rivers, a continent.<br />
I miss them, but it wasn&#8217;t a disaster.<br />
-Even losing you (the joking voice, a gesture<br />
I love) I shan&#8217;t have lied. It&#8217;s evident<br />
the art of losing&#8217;s not too hard to master<br />
though it may look like (Write it!) like disaster.</p></blockquote>
<p>***</p>
<p>Tradução de Paulo Henriques Britto</p>
<blockquote><p>“A arte de perder não é nenhum mistério;<br />
Tantas coisas contêm em si o acidente<br />
De perdê-las, que perder não é nada sério.<br />
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,<br />
A chave perdida, a hora gasta bestamente.<br />
A arte de perder não é nenhum mistério.<br />
Depois perca mais rápido, com mais critério:<br />
Lugares, nomes, a escala subseqüente<br />
Da viagem não feita. Nada disso é sério.<br />
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero<br />
Lembrar a perda de três casas excelentes.<br />
A arte de perder não é nenhum mistério.<br />
Perdi duas cidades lindas. E um império<br />
Que era meu, dois rios, e mais um continente.<br />
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.<br />
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente<br />
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Agora à análise!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cérebro</strong>: Assim como na língua portuguesa temos bastante poemas escritos em formas fixas (tal como haicai, soneto e balada), na poesia em inglês também podemos encontrar obras que seguem um padrão pré-estabelecido para números de estrofes, posicionamento de rimas, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso de <em>One Art</em>, temos um bom exemplo de uma forma fixa conhecida como &#8220;villanelle&#8221;, que apresenta 19 versos distribuídos em 5 tercetos (estrofes de três versos) e 1 quadra (estrofe de quatro versos). Lembra, de certa forma, uma canção, até por apresentar dois refrões que se repetem alternadamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Na poesia de Bishop as idéias que se repetem são a de que a perda não é um desastre e que dominar a arte de perder não é difícil. Durante os cinco tercetos a poeta intercala o refrão com exemplos de perdas, das mais banais (chaves, relógios, nomes) para outras maiores (cidades, impérios, continentes).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Coração</strong>: Embora siga uma forma fixa, o que torna o processo de criação mais complexo já que não trata-se mais de dizer algo, mas também de respeitar as regras do &#8220;como dizer&#8221;, ainda assim <em>One Art</em> não é um poema frio: ele é todo sentimento, quente, e tão pessoal que, contraditoriamente, torna-se universal. Ao falar de suas próprias perdas, Elizabeth Bishop cria um vínculo com o leitor que se identificará com a idéia central.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das formas de capturar o leitor é quando, no final, ao usar a expressão &#8220;<em>Write it!</em>&#8220;, ela deixa claro que está conversando com ele. Como em uma entrevista, ou conversa entre o sábio e o aprendiz. E é na conclusão do poema (a quadra) que toda a ironia e a paixão do discurso explodem ao mesmo tempo, com a utilização de uma única expressão.</p>
<p style="text-align: justify;">Bishop salta de &#8220;The art of losing isn&#8217;t hard to master.&#8221; para um &#8220;The art of losing isn&#8217;t <strong>TOO</strong> hard to master.&#8221; A expressão &#8220;too&#8221;, que no inglês quando posicionado na frente do adjetivo indica algo que é mais do que você gostaria, deixa evidente que apesar do que disse anteriormente, quando o assunto é a perda da pessoa amada, as coisas mudam e a idéia de perda já não é mais tão simples quanto como quando tratava-se de coisas e lugares.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui cabe uma curiosidade: nos rascunhos de Bishop para o poema, a conclusão de <em>One Art</em> fica muito mais explícita, como é possível ler nesse trecho:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>All that I write is false, it&#8217;s evident<br />
The art of losing isn&#8217;t hard to master.<br />
oh no.<br />
anything at all anything but one&#8217;s love. (Say it: disaster.)</p>
<p>Tradução livre:<br />
Tudo o que escrevi é mentira, é evidente<br />
A arte da perda não é dificil de dominar<br />
oh não<br />
qualquer coisa, qualquer coisa exceto o amor de alguém.<sup>1</sup></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Estômago</strong>: E quem é essa pessoa? Apesar de ser bastante contrária às leituras biográficas, para alguns poemas é simplesmente impossível não estabelecer uma relação entre vida e obra. <em>One Art</em> é quase uma biografia em versos. Como dito anteriormente, o Brasil é peça importante na vida da poeta, visto que ela passou mais de quinze anos por aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Bishop fazia uma espécie de cruzeiro e resolveu desembarcar em Santos. Depois disso, foi para o Rio e lá reencontrou Lota (Maria Carlota de Macedo Soares, uma importante arquiteta carioca), ficando sob os cuidados da amiga brasileira por causa de uma reação alérgica a um pedaço de caju. Dos cuidados nasceu a paixão, e elas passaram a morar juntas em Petrópolis e depois em Ouro Preto (&#8220;I lost two cities, lovely ones.&#8221;), tranformando o lar em ponto de encontro dos intelectuais da época (&#8220;some realms I owned&#8221;).</p>
<p style="text-align: justify;">Lota e Bishop romperam por volta de 1965, e a poeta voltou à terra natal para dar aulas na universidade. Um ano depois, recebe a visita de Lota, que acaba tomando um vidro de valium e se suicida. Quase dez anos depois, Bishop nos presenteia com <em>One Art</em>.</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=1303"><strong>Comente esse artigo no Fórum Meia Palavra.</strong></a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_51" class="footnote">Mais sobre os rascunhos pode ser encontrado neste site: <a href="http://www.english.uiuc.edu/maps/poets/a_f/bishop/drafts.htm">The Drafts of &#8220;One Art&#8221;</a>, em inglês</li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2008%2F04%2F27%2Fanatomia-da-poesia-one-art%2F&amp;linkname=Anatomia%20da%20poesia%3A%20One%20Art">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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