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Contos Essenciais: Um túmulo para Boris Davidovitch (Danilo Kiš)
É comum dividir a literatura em duas partes, bastante distintas e distantes entre si: a ficção e a… [more]
Ana Cristina Cesar
Nosso país nunca me pareceu um campo exatamente bom para a poesia. Eu tinha uma visão de que existiam… [more]
10 perguntas e meia para Juan Pablo Villalobos
Juan Pablo Villalobos nasceu em 1973, em Guadalajara, México, e atualmente mora no Brasil. É autor… [more]
Especial Alan Moore
Confira aqui o que foi publicado no Especial Alan Moore. Para ler, basta clicar nas capas das obras abaixo.… [more]
A gaia ciência (Friedrich Nietzsche)
11 de maio de 2012 By Luciano R. M. 6 Comentários
O filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche é uma das figuras mais mal interpretadas da história. Foi, certamente, figura polêmica e bastante controversa – mas não acredito que suas ideias sejam tão absurdas quando alguns costumam fazer acreditar. Apesar de tudo o que pode parecer, ele me soa extremamente contemporâneo: critica uma sociedade, uma moral e uma visão histórica que consideram certos valores como sendo os únicos – criando, assim, uma alteridade negativa.
A Gaia Ciência, um de seus livros mais lidos, é considerado como a última de suas obras positivas, mas não por isso é menos crítico. Muito pelo contrário: o bigodudo ataca a sociedade, a moral, a ciência e a religião de modo que muitos, ainda hoje, não o fazem.
Nietzsche ataca, por exemplo, as definições do que é bom para o ser humano. Ainda que muito atrelado a ideias de evolução e progresso, ele já as relativiza. Desconstrói, com clareza, a ideia da existência de benesses absolutas. Chega, na verdade, a falar que o mal é algo necessário, quiçá em maior medida do que o bem. [Continue a ler o artigo ...]
Clarissa (Érico Veríssimo)
10 de maio de 2012 By Liv 2 Comentários
Clarissa foi o primeiro romance escrito pelo escritor gaúcho Érico Veríssimo – conhecido pela trilogia O Tempo e o Vento – e publicado em 1933. O livro pertence à segunda fase do modernismo – considerada mais madura e crítica do que a fase anterior, nas obras eram abordadas problemas sócio-políticos como desigualdade social.
A história é simples, real e romântica. É o relato da vida da menina Clarissa, que sai da casa dos pais para estudar na cidade grande (Porto Alegre) e como ela percebe o mundo ao seu redor. A partir desse livro, percebem-se traços que acompanham o autor ao longo de sua carreira, como o gosto pelas descrições.
Ana Cristina Cesar
10 de maio de 2012 By Luciano R. M. 4 Comentários
Nosso país nunca me pareceu um campo exatamente bom para a poesia. Eu tinha uma visão de que existiam alguns poetas canônicos – muito bons, é verdade, mas que não me satisfazem e me significam menos do que eu gostaria – e nada mais. Felizmente, de uns tempos pra cá, eu tenho descoberto que isso é mentira. Não só existe uma pluralidade muito maior das vozes poéticas brasileiras, como várias delas são capazes de tocar, em mim, cordas que o nosso cânone não consegue – mas que poetas de outras nacionalidades conseguiam.
Andei falando de alguns deles aqui no Meia Palavra nos últimos tempos, como Roberto Piva e Fabiano Calixto. Existem outros ainda sobre os quais não falei – e quem sabe no futuro fale. Mas, por hora, fiquemos com a primeira poeta mulher brasileira (não gosto da palavra poetisa, quem sabe um dia escrevo a respeito da minha visão sobre questões de gênero e literatura, aí eu explico isso direito) que me prendeu a atenção (não que qualquer dessas coisas sejam realmente relevantes, ver o parênteses anterior – tenho uma relação igualmente complexa com nacionalidades): Ana Cristina Cesar. [Continue a ler o artigo ...]
Os Ensaios – Uma Seleção (Michel de Montaigne)
10 de maio de 2012 By Lucas Deschain Comentar
É de fato difícil almejar abarcar, minimamente que seja, a extensão física e espiritual dos célebres Ensaios de Michel de Montaigne. A seleção brasileira (ou Uma Seleção, como diz o subtítulo) lançada recentemente pela Companhia das Letras, possui mais de 600 páginas. A edição francesa, da Gallimard, muito mais (duas mil, se não me engano). Diante dessa constatação, limitar-me-ei a ressaltar traços gerais dos ensaios e pinçar, aqui e ali, elementos que ilustrem um pouco o amplo espectro de questões abordadas por Montaigne.
Montaigne escreveu os Ensaios no século XVI, principalmente no período em que, já de idade avançada, se retirou para a acolhida de uma torre na sua propriedade. De origem nobre e tradição familiar católica, Montaigne é, como o chama Eric Auerbach na ótima introdução da edição brasileira, um escritor antes de tudo. Numa época em que as ciências e as artes se encontravam em intensa efervescência, o autor não voltou-se de maneira exclusiva a qualquer campo definido, mas dialogou com eles ao longo de todos os seus textos.
A inspiração dos Ensaios é esmagadoramente clássica, curiosa herdeira da cultura greco-romana da Antiguidade. O diálogo com pensadores como Platão, Aristóteles, Sêneca, Plutarco, Virgílio e diversos outros é frequente e estrutura o próprio corpo do livro, pois são eles que oportunizam – e servem de referência – para Montaigne no tratamento dos assuntos que o motivaram e intrigaram. Perceber como essa influência tão fervorosa no pensamento clássico se adapta – ora harmoniosa, ora conflituosamente – às crenças católicas do autor, à sua formação nobre ainda calcada nos expedientes cavalheirescos e bélicos do medievo e às suas próprias opiniões é um exercício tão interessante quanto às vezes engraçado.
Imaginário popular e criaturas sobrenaturais
9 de maio de 2012 By Kika 27 Comentários
Cada leitor tem sua própria biblioteca de referências formada, entre tantos outros fatores, por suas experiências pessoais, leituras, filmes vistos, e uma boa dose de imaginário popular. É parte do motivo pelo qual cada leitura é única. Mas o tal do imaginário popular é também responsável por um fenômeno que muito me intriga: os estereótipos de criaturas da ficção.
Pense rápido: como deve ser um vampiro para você? Virtualmente imortal, pálido, sensível ao sol, sugador de sangue humano, caninos como presas, insensível ao sentimento humano? E um zumbi? Destituído de inteligência, lento, comedor de cérebros, talvez? São algumas características que, para nós, definem a criatura, e se tornaram tão canônicas que geram histeria em alguns leitores quando não seguidas à risca.
A Mão Invisível (Terry Laban, Ilya e Andre Parks)
9 de maio de 2012 By Luciano R. M. Comentar
Teorias conspiratórias são uma constante no universo da ficção (e, por vezes, na vida real também): quantas vezes não se aventa a hipótese de que o livre-arbítrio seja uma mentira e que nossas vidas são governadas por poderes e organizações secretas?
Na HQ A Mão Invisível, com roteiro de Terry Laban, desenhos de Ilya e arte final de AndreParks, publicada pela Vertigo – linha da DC Comics e traduzida por Paulo Mancini – a problemática é exatamente essa. Um grupo de multimilionários (que empresta seu nome ao quadrinho; nome, aliás, que deriva do termo cunhado por Adam Smith em A Economia das Nações) é quem está por trás de tudo, controlando o mundo e a vida de seus habitantes através da economia.
Nada disso é lá muito original, verdade. Mas as coisas começam a tornar-se interessantes nas especificidades: o protagonista, Mike Webb, é um estudante de economia norte-americano de raízes na Europa Oriental. Fala cinco línguas e tem um currículo excelente. Acredita piamente no livre comércio. Tudo isso se combina para garantir-lhe, em suas próprias palavras, um excelente futuro. [Continue a ler o artigo ...]
Sétima do singular (Diego Grando)
9 de maio de 2012 By Taize Odelli Comentar
“Eu faço a vida como quem tem sorte / e não prática / como quem deseja o fruto / e o tendo à mão / não colhe / como quem só espera da lástima / que evapore.”
Num verso de degustação da contracapa de Sétima do singular, livro de Diego Grando publicado pela Não Editora, logo percebi uma identificação que é difícil eu ter com a poesia. Ao ler “Hiato”, do trecho acima, essas foram as palavras que mais disseram algo a mim, e assim permaneceu até o fim da leitura. Não quer dizer que a contracapa sirva exclusivamente como contato com os poemas dele. Abrir o livro vale à pena.
Sétima do singular é dividido em sete partes, cada uma delas com sete poemas. Essas partes são condicionadas a um tema, todas as poesias dentro de uma coisa só: o ser poeta, as relações, o cotidiano, as profissões ordinárias, o ser (e não ser) fumante. Curtos, mas carregados com aquilo que o poeta e o leitor vivenciam em comum: o que o poeta diz se encaixa no que o leitor sente. E para alguém como eu que não tem a poesia em alta conta e chega a considerá-la intragável, Diego Grando mostra o contrário: a poesia conta histórias. [Continue a ler o artigo ...]














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