6 de fevereiro de 2012

Destaques:

Wysława Szymborska (02/07/1923 – 01/02/2012)

A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa,… [more]

Wysława Szymborska (02/07/1923 – 01/02/2012) Wysława Szymborska (02/07/1923 - 01/02/2012)

Especial – Os homens que não amavam as mulheres (Parte 01)

Recentemente, Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro volume da trilogia Millenium, de Stieg… [more]

Especial – Os homens que não amavam as mulheres (Parte 01) Especial - Os homens que não amavam as mulheres (Parte 01)

Filmes adaptados de livros que chegam em 2012 (Segunda Parte)

Semana passada comentei sobre alguns filmes adaptados de livros que chegarão aos cinemas brasileiros… [more]

Filmes adaptados de livros que chegam em 2012 (Segunda Parte) Filmes adaptados de livros que chegam em 2012 (Segunda Parte)

Contos essenciais Meia Palavra: Pruebas irrefutables de vida inteligente en otros planetas (Rodrigo Fresán)

Eis que inauguro uma nova série de posts aqui no Meia Palavra: os contos essenciais. Não acredito que… [more]

Contos essenciais Meia Palavra: Pruebas irrefutables de vida inteligente en otros planetas (Rodrigo Fresán) Contos essenciais Meia Palavra: Pruebas irrefutables de vida inteligente en otros planetas (Rodrigo Fresán)

Fotolivros latino-americanos (Horacio Fernández)

“Creio que geralmente os fotógrafos demonstram certa miopia na hora de indagar as causas. Interessam-lhes os sintomas mais dramáticos do problema, em vez de suas causas. É como se se negassem a buscar comuns em todo o assunto.” – Richard Cross

A fotografia sempre foi para mim uma extensão da História e da literatura, capaz de capturar expressões humanas e momentos incapazes de serem traduzidos pelas letras. Na verdade, o texto pode ser a extensão da fotografia, somando-se e complementando-se entre si em uma única expressão de arte. Algumas pessoas definem o fotolivro como um livro em que as fotos devem ser lidas, onde a imagem é, de fato, o texto. Porém, muitos dos fotolivros buscam uma comunhão entre foto e texto para passar uma ideia, retratar um momento histórico, captar um instante ou simplesmente expressar a arte.

Independente da sua definição, o fotolivro tem uma vasta produção na América, apesar de muitas vezes ficar esquecido até mesmo pelos fotógrafos latinos. A partir desta constatação foi que o historiador espanhol Horacio Fernández criou o projeto mais amplo de documentação dos livros de fotografia da América Latina, com o apoio do conselho de curadores formado pelo argentino Marcelo Brodsky, o mexicano Pablo Ortiz Monatério, o inglês Martin Parr e o brasileiro Iatá Cannabrava. O volume foi lançado em três idiomas – espanhol, inglês e português – sendo que a versão brasileira foi publicada pela editora Cosac Naify. [Continue a ler o artigo ...]

Shakespeare escrevia por dinheiro: Ritmo de leitura

Dia desses no fórum travei um diálogo que era até meio surreal. A coisa toda começou com uma mensagem que afirmava, basicamente, que as pessoas tinham que gostar de clássicos, porque se elas dizem que não gostam é porque não costumam ler nada de bom. Eu tomei o argumento como uma bobagem, visto que, bem, sou bacharel em estudos literários, já tive minha boa cota de alta literatura e nem por isso Crime e Castigo deixou de ser uma decepção para mim (sim, foi. Não, não odiei o livro. Só esperava que ele fosse um daqueles que me mudariam para sempre. Foi “só” um bom livro). Enfim, chega um momento que a pessoa argumenta que percebeu que no Meia Palavra nossas listas de livros lidos no ano tinham livros demais, e que “se dedicassem dois meses e todos os dias a Moby Dick ou a Ulysses veriam a diferença”.

Primeiro, um comentário: essa fama de livro “difícil” e só para “iniciados” que alguns tentam impor a Ulysses me irrita profundamente. Mas vamos ao que interessa: a lista de livros lidos grande quer realmente dizer que a pessoa não está se “dedicando” à leitura? Por que o comentário de dezenas de pessoas ao ver uma lista de livros lidos com mais de cinquenta títulos já começa com a conversa de “Ah, mas essa pessoa nem reflete sobre o que leu, então é a mesma coisa que nem ler nada, porque ela não aproveita a leitura”? Meu amigo, vamos desde já deixar claro que isso é uma tremenda bobagem.

[Continue a ler o artigo ...]

Se eu já vi o filme, por que eu deveria ler o livro? – A fantástica fábrica de chocolate, de Roald Dahl

(A coluna desse mês pede uma alteração provisória no título para “Se eu já vi os filmes, etc.”: em português, ambas as adaptações foram intituladas A fantástica fábrica de chocolate, mesmo título da tradução do livro. Em inglês, a adaptação cinematográfica mais antiga foi denominada Willy Wonka & the Chocolate Factory, e a mais recente Charlie and the Chocolate Factory. Nada contra a tradução indiferenciada: é muito melhor, por exemplo, do que tornar Extremamente alto e incrivelmente perto em, argh!, Tão perto e tão longe.)

Eu queria muito utilizar a palavra “remake” nesse texto (ops, já o fiz), mas claramente não é a mais adequada. Ela se refere, por exemplo, a uma refilmagem de uma obra anterior que seja originalmente cinematográfica. É o caso de Duas vidas (mais conhecido como Love Affair) e Tarde demais para esquecer: um filme, com roteiro original, que é refilmado – com mudanças que vão de mínimas a substanciais. Voltando ao chocolate, a diferença entre o filme de 1971 e o de 2005, gritante, torna claro que não estamos diante de um remake, mas de uma nova adaptação cinematográfica do livro de Roald Dahl, tal como a aguardadíssima adaptação de David Fincher de Os homens que não amavam as mulheres – o diretor nem deve ter olhado a versão sueca.

[Continue a ler o artigo ...]

Contos Essenciais Meia Palavra – Os desastres de Sofia (Clarice Lispector)

Dando continuidade aos Contos Essenciais do Meia Palavra, eu resolvi indicar o meu favorito de  Clarice Lispector:  Os desastres de Sofia, que pode ser lido em A legião estrangeira. Conhecida por centenas de frases e pensamentos profundos nas redes sociais, qualquer pessoa pode citar alguma coisa de Clarice, pois ela foi uma escritora das mazelas cotidianas.

Romancista, contista, cronista e jornalista. Nascida na Ucrânia em 1920, chegou ao Brasil com dois meses de vida junto com a família, que fugia das perseguições aos judeus pela Guerra Civil Russa. Aqui escreveu todos os seus livros e nunca se considerou ucraniana, faleceu vítima de câncer no útero em 1977. Comparada com James Joyce, Virgínia Woolf e Kafka, a literatura brasileira nunca mais foi a mesma depois dela.

[Continue a ler o artigo ...]

Drive (James Sallis)

Há um termo pejorativo em inglês conhecido como chick-lit, ou seja, literatura para garotinhas, e mulherzinhas também, com muito açúcar, corações partidos, reatados e questões voltadas mais para o universo feminino (ou como é considerado universal, afinal, nem todas as mulheres e garotas gostam de livros dessa alcunha). Familiarizado com esse termo por causa da série Crepúsculo, tentei encontrar um equivalente para o gênero masculino durante a minha leitura de Drive, de James Sallis, lançado pela editora Leya, mas não encontrei algo específico mesmo recorrendo à Anica, a quem expliquei ser um gênero recheado de violência, anti-heróis bad asses, carros e frases espertinhas.

Neste quarto livro escrito pelo autor norte-americano, e primeiro levado às telas no ano passado com Ryan Gosling no papel principal, acompanhamos a vida e carreira d’O Piloto, nascido em um lar destruído com ambos os pais com problemas, crescendo em outra casa, fugindo para Los Angeles e finalmente conseguindo uma carreira: a de motorista em cenas de ação em grandes produções hollywoodianas – de acordo com o próprio personagem, ele dirige e é apenas isso que faz, e muito bem. Não há, porém, lendo por cima essa pequena sinopse, nada de superação ou um verdadeiro sonho americano, a história não é apresentada em ordem cronológica, não são flashbacks e flashfowards, são momentos isolados que montam a vida do Piloto, o que obriga o leitor a ficar atento às diversas pontas que vão se amarrando.

[Continue a ler o artigo ...]

Horizonte perdido (James Hilton)

Histórias absurdas conseguem prender o leitor justamente por seu distanciamento da realidade como a conhecemos. O incomum e o insólito se constituem como a atração principal quando atentam contra nosso senso de lógica imanente, fazendo-nos sentir ora assombro, ora deleite, ora uma sensação de suspensão da realidade que nos fazem, mais do que em outros estilos de escrita, realmente não saber o que virá em seguida. O livro de James Hilton, Horizonte perdido, partilha desses elementos e desse modus operandi.

O livro começa com o autor dizendo onde conseguiu o material que usou como base para escrevê-lo. Ficamos sabendo que a história de Shangri-la, a cidade misteriosa dos lamas no Tibete, foi concedida ao narrador por meio de um amigo desse, num dos encontros de ex-colegas de universidade que ele participou. Já aí Hilton começa a colocar em xeque nossa capacidade de discernir até onde vai a realidade e onde começa a ficção.

Um avião com quatro passageiros, Miss Roberta Brinklow, Henry Barnard, Hugh Conway e Charles Mallinson, decola de Baskul, rumando ao leste para sobrevoar a Cordilheira do Himalaia e outras regiões próximas à Índia, Nepal e China. O curso do voo, no entanto, é alterado. O avião para em um posto avançado no topo de uma montanha e os passageiros são mantidos presos dentro da aeronave, ao que parece estão sendo sequestrados. Após essa parada de um dia, o avião permanece na rota distinta da original, sempre ganhando altitude.

[Continue a ler o artigo ...]

O livro dos seres imaginários (Jorge Luis Borges)

Quando falamos de Jorge Luis Borges, lembramos em grande parte do realismo fantástico e de suas contribuições para a literatura mundial. Um dos autores latino-americanos mais conhecidos e aclamados é nome obrigatório em qualquer lista digna de leitura – e por isso mesmo já faz tempo que quis incluí-lo na minha. Mas além da produção literária, sabemos que o escritor, falecido em 1986, era um grande estudioso da literatura e línguas anglo-saxãs – aprendeu inglês com sua avó e daí vieram suas primeiras leituras. A literatura clássica, lendas e histórias vindas da Europa eram seu material de estudo, e é claro que seu trabalho como estudioso também está disponível para quem quiser ler. Como O livro dos seres imaginários, em que Borges enumera um grande número de criaturas mágicas que figuram nas mais variadas histórias contadas através dos tempos.

Escrito com a colaboração de Margarita Guerrero, esse compêndio reúne 116 criaturas vindas tanto da literatura quanto de lendas, mitos e religiões. São seres estranhos criados pela mente fantasiosa do homem, e Borges pesquisa em antigas fontes para tentar resgatar suas origens e diversas descrições. Organizados em verbetes breves, Borges usa as palavras de suas próprias fontes para, por vezes, descrevê-los. Assim, apresenta essas criaturas fantásticas através de C. S. Lewis, Franz Kafka, Edgar Allan Poe, resgata escritos de Shakespeare, Homero, Virgílio, conta-nos histórias de Confúcio e Plínio. O livro, então, não é apenas uma lista com descrições simples desses seres imaginários, mas uma reunião de grandes autores e histórias unidos por essas criaturas. [Continue a ler o artigo ...]