Destaques:
Wysława Szymborska (02/07/1923 – 01/02/2012)
A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa,… [more]
Especial – Os homens que não amavam as mulheres (Parte 01)
Recentemente, Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro volume da trilogia Millenium, de Stieg… [more]
Filmes adaptados de livros que chegam em 2012 (Segunda Parte)
Semana passada comentei sobre alguns filmes adaptados de livros que chegarão aos cinemas brasileiros… [more]
Contos essenciais Meia Palavra: Pruebas irrefutables de vida inteligente en otros planetas (Rodrigo Fresán)
Eis que inauguro uma nova série de posts aqui no Meia Palavra: os contos essenciais. Não acredito que… [more]
Fotolivros latino-americanos (Horacio Fernández)
1 de fevereiro de 2012 By Palazo Comentar
“Creio que geralmente os fotógrafos demonstram certa miopia na hora de indagar as causas. Interessam-lhes os sintomas mais dramáticos do problema, em vez de suas causas. É como se se negassem a buscar comuns em todo o assunto.” – Richard Cross
A fotografia sempre foi para mim uma extensão da História e da literatura, capaz de capturar expressões humanas e momentos incapazes de serem traduzidos pelas letras. Na verdade, o texto pode ser a extensão da fotografia, somando-se e complementando-se entre si em uma única expressão de arte. Algumas pessoas definem o fotolivro como um livro em que as fotos devem ser lidas, onde a imagem é, de fato, o texto. Porém, muitos dos fotolivros buscam uma comunhão entre foto e texto para passar uma ideia, retratar um momento histórico, captar um instante ou simplesmente expressar a arte.
Independente da sua definição, o fotolivro tem uma vasta produção na América, apesar de muitas vezes ficar esquecido até mesmo pelos fotógrafos latinos. A partir desta constatação foi que o historiador espanhol Horacio Fernández criou o projeto mais amplo de documentação dos livros de fotografia da América Latina, com o apoio do conselho de curadores formado pelo argentino Marcelo Brodsky, o mexicano Pablo Ortiz Monatério, o inglês Martin Parr e o brasileiro Iatá Cannabrava. O volume foi lançado em três idiomas – espanhol, inglês e português – sendo que a versão brasileira foi publicada pela editora Cosac Naify. [Continue a ler o artigo ...]
Shakespeare escrevia por dinheiro: Ritmo de leitura
31 de janeiro de 2012 By Anica 39 Comentários
Dia desses no fórum travei um diálogo que era até meio surreal. A coisa toda começou com uma mensagem que afirmava, basicamente, que as pessoas tinham que gostar de clássicos, porque se elas dizem que não gostam é porque não costumam ler nada de bom. Eu tomei o argumento como uma bobagem, visto que, bem, sou bacharel em estudos literários, já tive minha boa cota de alta literatura e nem por isso Crime e Castigo deixou de ser uma decepção para mim (sim, foi. Não, não odiei o livro. Só esperava que ele fosse um daqueles que me mudariam para sempre. Foi “só” um bom livro). Enfim, chega um momento que a pessoa argumenta que percebeu que no Meia Palavra nossas listas de livros lidos no ano tinham livros demais, e que “se dedicassem dois meses e todos os dias a Moby Dick ou a Ulysses veriam a diferença”.
Primeiro, um comentário: essa fama de livro “difícil” e só para “iniciados” que alguns tentam impor a Ulysses me irrita profundamente. Mas vamos ao que interessa: a lista de livros lidos grande quer realmente dizer que a pessoa não está se “dedicando” à leitura? Por que o comentário de dezenas de pessoas ao ver uma lista de livros lidos com mais de cinquenta títulos já começa com a conversa de “Ah, mas essa pessoa nem reflete sobre o que leu, então é a mesma coisa que nem ler nada, porque ela não aproveita a leitura”? Meu amigo, vamos desde já deixar claro que isso é uma tremenda bobagem.
Se eu já vi o filme, por que eu deveria ler o livro? – A fantástica fábrica de chocolate, de Roald Dahl
31 de janeiro de 2012 By Tuca 2 Comentários
(A coluna desse mês pede uma alteração provisória no título para “Se eu já vi os filmes, etc.”: em português, ambas as adaptações foram intituladas A fantástica fábrica de chocolate, mesmo título da tradução do livro. Em inglês, a adaptação cinematográfica mais antiga foi denominada Willy Wonka & the Chocolate Factory, e a mais recente Charlie and the Chocolate Factory. Nada contra a tradução indiferenciada: é muito melhor, por exemplo, do que tornar Extremamente alto e incrivelmente perto em, argh!, Tão perto e tão longe.)
Eu queria muito utilizar a palavra “remake” nesse texto (ops, já o fiz), mas claramente não é a mais adequada. Ela se refere, por exemplo, a uma refilmagem de uma obra anterior que seja originalmente cinematográfica. É o caso de Duas vidas (mais conhecido como Love Affair) e Tarde demais para esquecer: um filme, com roteiro original, que é refilmado – com mudanças que vão de mínimas a substanciais. Voltando ao chocolate, a diferença entre o filme de 1971 e o de 2005, gritante, torna claro que não estamos diante de um remake, mas de uma nova adaptação cinematográfica do livro de Roald Dahl, tal como a aguardadíssima adaptação de David Fincher de Os homens que não amavam as mulheres – o diretor nem deve ter olhado a versão sueca.
Contos Essenciais Meia Palavra – Os desastres de Sofia (Clarice Lispector)
31 de janeiro de 2012 By Liv 1 Comentário
Dando continuidade aos Contos Essenciais do Meia Palavra, eu resolvi indicar o meu favorito de Clarice Lispector: Os desastres de Sofia, que pode ser lido em A legião estrangeira. Conhecida por centenas de frases e pensamentos profundos nas redes sociais, qualquer pessoa pode citar alguma coisa de Clarice, pois ela foi uma escritora das mazelas cotidianas.
Romancista, contista, cronista e jornalista. Nascida na Ucrânia em 1920, chegou ao Brasil com dois meses de vida junto com a família, que fugia das perseguições aos judeus pela Guerra Civil Russa. Aqui escreveu todos os seus livros e nunca se considerou ucraniana, faleceu vítima de câncer no útero em 1977. Comparada com James Joyce, Virgínia Woolf e Kafka, a literatura brasileira nunca mais foi a mesma depois dela.
Drive (James Sallis)
31 de janeiro de 2012 By Felippe Cordeiro 7 Comentários
Há um termo pejorativo em inglês conhecido como chick-lit, ou seja, literatura para garotinhas, e mulherzinhas também, com muito açúcar, corações partidos, reatados e questões voltadas mais para o universo feminino (ou como é considerado universal, afinal, nem todas as mulheres e garotas gostam de livros dessa alcunha). Familiarizado com esse termo por causa da série Crepúsculo, tentei encontrar um equivalente para o gênero masculino durante a minha leitura de Drive, de James Sallis, lançado pela editora Leya, mas não encontrei algo específico mesmo recorrendo à Anica, a quem expliquei ser um gênero recheado de violência, anti-heróis bad asses, carros e frases espertinhas.
Neste quarto livro escrito pelo autor norte-americano, e primeiro levado às telas no ano passado com Ryan Gosling no papel principal, acompanhamos a vida e carreira d’O Piloto, nascido em um lar destruído com ambos os pais com problemas, crescendo em outra casa, fugindo para Los Angeles e finalmente conseguindo uma carreira: a de motorista em cenas de ação em grandes produções hollywoodianas – de acordo com o próprio personagem, ele dirige e é apenas isso que faz, e muito bem. Não há, porém, lendo por cima essa pequena sinopse, nada de superação ou um verdadeiro sonho americano, a história não é apresentada em ordem cronológica, não são flashbacks e flashfowards, são momentos isolados que montam a vida do Piloto, o que obriga o leitor a ficar atento às diversas pontas que vão se amarrando.
Horizonte perdido (James Hilton)
30 de janeiro de 2012 By Lucas Deschain 3 Comentários
Histórias absurdas conseguem prender o leitor justamente por seu distanciamento da realidade como a conhecemos. O incomum e o insólito se constituem como a atração principal quando atentam contra nosso senso de lógica imanente, fazendo-nos sentir ora assombro, ora deleite, ora uma sensação de suspensão da realidade que nos fazem, mais do que em outros estilos de escrita, realmente não saber o que virá em seguida. O livro de James Hilton, Horizonte perdido, partilha desses elementos e desse modus operandi.
O livro começa com o autor dizendo onde conseguiu o material que usou como base para escrevê-lo. Ficamos sabendo que a história de Shangri-la, a cidade misteriosa dos lamas no Tibete, foi concedida ao narrador por meio de um amigo desse, num dos encontros de ex-colegas de universidade que ele participou. Já aí Hilton começa a colocar em xeque nossa capacidade de discernir até onde vai a realidade e onde começa a ficção.
Um avião com quatro passageiros, Miss Roberta Brinklow, Henry Barnard, Hugh Conway e Charles Mallinson, decola de Baskul, rumando ao leste para sobrevoar a Cordilheira do Himalaia e outras regiões próximas à Índia, Nepal e China. O curso do voo, no entanto, é alterado. O avião para em um posto avançado no topo de uma montanha e os passageiros são mantidos presos dentro da aeronave, ao que parece estão sendo sequestrados. Após essa parada de um dia, o avião permanece na rota distinta da original, sempre ganhando altitude.
O livro dos seres imaginários (Jorge Luis Borges)
30 de janeiro de 2012 By Taize Odelli Comentar
Quando falamos de Jorge Luis Borges, lembramos em grande parte do realismo fantástico e de suas contribuições para a literatura mundial. Um dos autores latino-americanos mais conhecidos e aclamados é nome obrigatório em qualquer lista digna de leitura – e por isso mesmo já faz tempo que quis incluí-lo na minha. Mas além da produção literária, sabemos que o escritor, falecido em 1986, era um grande estudioso da literatura e línguas anglo-saxãs – aprendeu inglês com sua avó e daí vieram suas primeiras leituras. A literatura clássica, lendas e histórias vindas da Europa eram seu material de estudo, e é claro que seu trabalho como estudioso também está disponível para quem quiser ler. Como O livro dos seres imaginários, em que Borges enumera um grande número de criaturas mágicas que figuram nas mais variadas histórias contadas através dos tempos.
Escrito com a colaboração de Margarita Guerrero, esse compêndio reúne 116 criaturas vindas tanto da literatura quanto de lendas, mitos e religiões. São seres estranhos criados pela mente fantasiosa do homem, e Borges pesquisa em antigas fontes para tentar resgatar suas origens e diversas descrições. Organizados em verbetes breves, Borges usa as palavras de suas próprias fontes para, por vezes, descrevê-los. Assim, apresenta essas criaturas fantásticas através de C. S. Lewis, Franz Kafka, Edgar Allan Poe, resgata escritos de Shakespeare, Homero, Virgílio, conta-nos histórias de Confúcio e Plínio. O livro, então, não é apenas uma lista com descrições simples desses seres imaginários, mas uma reunião de grandes autores e histórias unidos por essas criaturas. [Continue a ler o artigo ...]














Comentários: