<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Meia Palavra</title>
	<atom:link href="http://blog.meiapalavra.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blog.meiapalavra.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 May 2012 23:00:12 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Anos-Luz Depois &#8211; Lesão por pensamento repetitivo</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/anos-luz-depois-lesao-por-pensamento-repetitivo/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/anos-luz-depois-lesao-por-pensamento-repetitivo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 May 2012 23:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos-luz depois]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[lesão por pensamento repetitivo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=21010</guid>
		<description><![CDATA[Love, love will tear us apart, again. Já perdi a conta de quantas vezes o meu inconsciente (que daqui pra frente chamarei de Agatha) estava caminhando pelo quarto do meu cérebro, andando de lá pra cá, assim meio entediado, despreocupado e descompromissado, e resolveu ligar o som para ouvir essa música repetidas vezes. Toda vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/Captura-de-Tela-2012-05-17-às-09.56.51.png"><img class="alignleft size-full wp-image-21065" style="border: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/Captura-de-Tela-2012-05-17-às-09.56.51.png" alt="" width="196" height="196" /></a>Love, love will tear us apart, again. </em>Já perdi a conta de quantas vezes o meu inconsciente (que daqui pra frente chamarei de Agatha) estava caminhando pelo quarto do meu cérebro, andando de lá pra cá, assim meio entediado, despreocupado e descompromissado, e resolveu ligar o som para ouvir essa música repetidas vezes. Toda vez que ela faz isso, eu passo o dia cantarolando esse refrão, mentalmente ou em pequenos sussurros. O mesmo se repete com outras músicas, frases de filmes, trechos impactantes de livros e frases sem sentido.</p>
<p style="text-align: justify">O nome Agatha surgiu recentemente. Comecei a assinar alguns bilhetes com esse quase alter-ego, assim como passei a chamar meu <em>roommate</em> por esse nome, assim, sem motivo algum. Mas Agatha é só a personificação dessa forma de pensamento interior, que me acompanha desde que eu nasci. Todos temos uma Agatha dentro de nós, só muda o nome ou a forma de chamá-la. De alguma forma, ela está ligada à minha personalidade, ajudando a definir as coisas que eu gosto e o que me marca.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-21010"></span>A Agatha é uma virginiana organizada, embora muitas vezes eu desconfie dos métodos e bom gosto na seleção de armazenamento que ela faz. Ela que decide, no meio de toda a informação que eu recebo, o que fica e o que vai embora no ralo do tempo. Ela também decide o que vai voltar, de tempos em tempos, assim como os churrascos de família, e o que nunca vai me abandonar. Ela me faz lembrar, por exemplo, do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Nh2iyPmucFk">Ace Ventura nascendo de um robô de rinoceronte</a> toda vez que eu vejo algum filme do Jim Carrey (mesmo se for, ironicamente, <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=1GiLxkDK8sI">Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças</a></em>).</p>
<p style="text-align: justify">Há muitos anos, quando criança, eu ficava repetindo a frase &#8220;cuidado! Os tiras estão chegando!&#8221; por conta dos filmes super bem dublados da sessão da tarde. Mais tarde, &#8220;você quer casar comigo?&#8221; foi um <em>trending topic</em> mental, que durou anos na minha imaginação (mesmo eu não querendo casar com ninguém, só pra deixar claro) e se os médicos me entendessem, constatariam que tratava-se claramente de uma Lesão por pensamento repetitivo, talvez por conta de todos os contos de fada, filmes da Disney ou novelas.</p>
<p style="text-align: justify">Agatha tem os autores favoritos, marcados com uma estrela nos arquivos impactantes: Tarantino, Miranda July, John Cameron Mitchell, Douglas Adams estão lá, alguns quase que na íntegra. No meio das relíquias, ela guardou um cartaz de peça de teatro, que ainda hoje é reproduzido por mim, com o seguinte diálogo:</p>
<blockquote><p>Naquela noite, Camila estava louca. Sua doce irmã sempre dizia: -&#8221;Você é adotada, Camila!&#8221;<br />
A única pessoa que sabia da verdade, era o cego: -&#8221;Eu não vi nada&#8221;<br />
Mas Camila sabia se defender&#8230;</p></blockquote>
<p style="text-align: justify">Talvez esse seja o grande trunfo dos escritores e autores: suas histórias são escolhidas por alguns para serem mais do que aquelas páginas ou minutos diante da tela/palco. Algumas vão ser reproduzidas em outras situações, outras vão virar a <em>Lesão por pensamento repetitivo, </em>sendo como um narrador mental de tempos em tempos. O fato é que alguém vai lembrar daqueles refrões indies, filmes e livros de amor que não deram certo, ou daquele personagem que é tão parecido com ela em diferentes aspectos.</p>
<p style="text-align: justify">Eu não poderia terminar essa coluna sem dividir um dos trechos de livro que mais me perseguem, atualmente. Em várias conversas, textos e ações, existe uma clara e repetitiva referência a ele (inclusive em outras colunas e até na minha biografia aqui do blog): “Só estou viva em um a cada quatro segundos, só registro quinze minutos a cada hora.” Miranda July, obrigada por narrar essa frase toda vez que eu me pego perdida em algum pensamento ou distraída por aí e retomo à realidade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/anos-luz-depois-lesao-por-pensamento-repetitivo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Por isso a gente acabou (Daniel Handler)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/por-isso-a-gente-acabou-daniel-handler/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/por-isso-a-gente-acabou-daniel-handler/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 May 2012 20:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Handler]]></category>
		<category><![CDATA[Desventuras em Série]]></category>
		<category><![CDATA[Lemony Snicket]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Juvenil]]></category>
		<category><![CDATA[Maira Kalman]]></category>
		<category><![CDATA[Por isso a gente acabou]]></category>
		<category><![CDATA[Selo Cia das Letras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=21019</guid>
		<description><![CDATA[Na capa de Por isso a gente acabou tem um selinho que diz &#8220;Daniel Handler é Lemony Snicket, o autor das Desventuras em Série&#8220;. Ao contrário de muita gente eu ainda não li Desventuras em Série, então no final das contas a questão do nome do autor não pesou no meu interesse pelo livro &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/12986_gg.jpg"><img class="size-medium wp-image-21027 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/12986_gg-216x300.jpg" alt="" width="216" height="300" /></a>Na capa de <em>Por isso a gente acabou</em> tem um selinho que diz &#8220;Daniel Handler é Lemony Snicket, o autor das <em>Desventuras em Série</em>&#8220;. Ao contrário de muita gente eu ainda não li <em>Desventuras em Série</em>, então no final das contas a questão do nome do autor não pesou no meu interesse pelo livro &#8211; Handler, Snicket, tanto faz. Mas ao ler a sinopse, fiquei morrendo de vontade e curiosidade de ler <em>Por isso a gente acabou</em>. A história é na realidade uma carta que Min está escrevendo para o ex-namorado Ed, para entregar junto com uma caixa cheia de objetos que representaram algo para ela no tempo em que estiveram juntos. &#8220;<em>Vou largar essa caixa na sua varanda, Ed, mas é você, Ed, quem está sendo largado</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify">A identificação com a situação foi instantânea, por isso queria ver como a trama se desenvolveria. Minha primeira (boa) surpresa ao ter o livro em mãos foi perceber que ele tinha ilustrações de Maira Kalman representando os objetos dos quais Min está falando. A arte é muito legal, e o efeito que provoca ver o objeto e então ler o que Min tem a falar sobre ele acaba de certo modo reproduzindo a sensação que teríamos se fôssemos Ed, abrindo a caixa e vendo aos poucos aquelas recordações, revendo tudo o que passaram juntos nos poucos dias de namoro.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-21019"></span></p>
<p style="text-align: justify">Aí entra um pouco a faixa etária para a qual o livro é destinado. É evidente que trata-se de uma obra direcionada especialmente para o público jovem, que se verá na relação de Min e Ed mesmo que ela seja tão obviamente marcada por valores dos jovens norte-americanos (a questão do garoto do time de basquete ser o popular, por exemplo). Mas o motivo principal, de dois mundos diferentes colidindo, é algo universal, que acontece lá, acontece aqui e em qualquer lugar. Min vivia em outro mundo quando Ed entrou em sua história, e o que ela deixa evidente em sua carta é que o fracasso da relação se deu justamente pelas realidades diferentes, que acabam se traduzindo em interesses diferentes, conceitos diferentes. E o fundamental: o que é importante para um pode passar despercebido para o outro.</p>
<p style="text-align: justify">Mas quando falo da idade do público-alvo é porque acredito que o livro possa apresentar um obstáculo para as pessoas mais velhas (especialmente aquelas que já esqueceram o que é ser adolescente). Chega um momento em que o garoto fala para Min que eles estão juntos há 26 dias. E então você, leitor adulto que está lendo <em>Por isso a gente acabou</em> porque foi escrito pelo autor de <em>Desventuras em Série</em>, logo se questiona: &#8220;como assim só 26 dias? Essa menina está com o coração partido desse jeito por <em>só</em> 26 dias?&#8221;. Digo isso porque foi o que passou por minha cabeça em dado momento. Mas aí logo lembrei de quando era mais nova, de todos os grandes amores que surgiram de uma noite aleatória e marcaram minha vida para sempre. O que quero dizer é que hoje em dia na segurança de um relacionamento estável de anos, somando mais a experiência, é fácil julgar Min como uma carente louca por um romance de filme, mas não acho que o comportamento dela fuja tanto do normal. E acho que é o resgate dessa lembrança, do que era amar quando se era mais novo que faz o livro ser tão gostoso de ler mesmo se você não faz parte do público-alvo da obra.</p>
<p style="text-align: justify">Na realidade, o livro todo é delicioso, seja pela nostalgia, seja por conta da história em si. A cada página que passa o leitor vai se encantando mais e mais por Min e Ed, torcendo por eles e ficando cada vez mais curioso para compreender como foi que eles acabaram &#8211; o que deu errado quando eles pareciam tão dispostos a fazer o relacionamento funcionar. Alguns elementos são colocados pelo autor de modo a ampliar esse mistério de como eles rompem o namoro (afinal, o título é <em>Por isso a gente acabou</em>, então não é nenhum <em>spoiler</em> revelar que sim, eles terminam), como o comportamento da irmã de Ed em algumas situações, ou algumas falas dele que parecem ficar no ar mas que fazem todo sentido no fim.</p>
<p style="text-align: justify">Há apenas duas coisas que ainda não digeri muito bem sobre o livro (ou, piada interna para quem já leu: não tenho opinião formada). A primeira é sobre as referências ao cinema. Eu ainda não fui checar no Google, mas vá lá, não sou tão perdida assim com cinema, então acredito que nomes de filmes e atores citados por Min são inventados, assim como as dezenas de cenas que ela descreve como comparação aos momentos em que está vivendo. Pessoalmente acho que teria sido muito mais bacana ter usado elementos reais ou, caso sejam reais, menos obscuros, criando uma possibilidade de identificação rápida para o leitor. Não apenas isso, como também poderia servir de sugestões de filmes para assistir para quem desconheceria alguns dos títulos. Sempre ouvi dizer que um dos pontos positivos de <em>Desventuras em Série</em> são as &#8220;n&#8221; referências literárias, que estimulam os leitores a procurarem outros autores ali citados, de repente o efeito fosse o mesmo caso os filmes comentados por Min fossem reais.</p>
<p style="text-align: justify">Outra coisa é o comportamento de Ed no final da história, confesso estar bastante confusa sobre o que penso do que aconteceu. De primeira me pareceu como uma coisa forçada, &#8220;tá aí, por isso eles acabaram&#8221;, e fiquei pensando em como relacionamentos não precisam de um evento em específico para acabar. Esperava que com Min e Ed fosse assim, que em uma hora eles simplesmente percebessem que não se amavam mais. Por outro lado, fico pensando sobre a questão do choque de diferentes realidades, e aí as ações de Ed me parecem coerentes. Ainda não decidi por qual lado sigo, e tenho quase certeza que meu julgamento é bastante afetado pelo Ed que Min apresenta antes da parte final do livro.</p>
<p style="text-align: justify">Mas quero frisar: são só coisas que ainda não digeri muito bem. Não vejo exatamente como aspectos negativos, e tenho quase certeza que isso poderá passar batido para muito leitor (inclusive a questão dos filmes fictícios). No final das contas eu me diverti, me emocionei e fiquei com gosto de quero mais ao terminar <em>Por isso a gente acabou</em>. Fica aquela vontade de saber o que aconteceu depois que Ed recebeu a caixa, ou qual os efeitos do &#8220;presente&#8221; para ele. Mais ainda, qual a versão dele para o que aconteceu. Enfim, delicioso, até porque convenhamos, todo mundo já teve o coração partido um dia e sabe bem o que Min queria colocar naquela carta.</p>
<p><strong>Por isso a gente acabou </strong><br />
Daniel Handler<br />
Ilustrações: Maira Kalman<br />
Tradução: Érico Assis<br />
368 Páginas<br />
Preço sugerido: R$ 44,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/por-isso-a-gente-acabou-daniel-handler/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Homem Cordial (Sérgio Buarque de Holanda)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/o-homem-cordial-sergio-buarque-de-holanda/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/o-homem-cordial-sergio-buarque-de-holanda/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 May 2012 17:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dindii</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Penguin-Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Buarque de Holanda]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=21032</guid>
		<description><![CDATA[Aqui em São Paulo é comum encontrarmos crachás e guarda-chuvas sendo usados como guarda-lugares das mesas em praças de alimentação de shoppings e restaurantes, para que as pessoas consigam garantir um lugar para comer sem ter que ficar procurando e esperando com uma bandeja de almoço nas mãos. Provavelmente, essa prática se repete em outras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/Captura-de-Tela-2012-05-16-às-22.49.21.png"><img class="alignleft size-full wp-image-21041" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/Captura-de-Tela-2012-05-16-às-22.49.21.png" alt="" width="158" height="246" /></a>Aqui em São Paulo é comum encontrarmos crachás e guarda-chuvas sendo usados como guarda-lugares das mesas em praças de alimentação de shoppings e restaurantes, para que as pessoas consigam garantir um lugar para comer sem ter que ficar procurando e esperando com uma bandeja de almoço nas mãos. Provavelmente, essa prática se repete em outras cidades e situações, como quando um amigo guarda lugar para o outro em uma fila ou na cadeira ao lado em uma sala de cinema. Esse hábito nada correto, mas muito usado pelo brasileiro, pode até esbarrar nas leis, por exemplo, quando dois carros se chocam e os motoristas decidem atribuir a culpa àquele que tem seguro, ou ainda quando encontramos formas de não pagar um imposto ou conseguir algum benefício.</p>
<p style="text-align: justify">Os exemplos são muitos e provavelmente você já se deparou com alguma situação em que o nosso lado &#8220;malandro&#8221; ou o &#8220;jeitinho brasileiro&#8221; falou mais alto. Para Sérgio Buarque de Holanda, esse hábito do nosso povo é o que o torna um <strong>homem cordial, </strong>termo presente em um de seus ensaios<strong>. </strong>A palavra cordial, no entanto, nos leva para um lado mais polido, que não é o sentido que o autor quis atribuir, e ele mesmo se resguarda disso em seu texto. É fato que o brasileiro é conhecido por ser hospitaleiro, alegre e festeiro, mas não seriam tão conhecidos pela educação ou polidez, como os japoneses e outros povos. A palavra cordial, nesse caso, remete ao latim <em>cordis, </em>que significa coração. O homem cordial é, assim, alguém que age com o coração ao invés da razão.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-21032"></span>Para o autor, o brasileiro carrega uma herança já de Portugal e, mais do que isso, indígena e africana, que o torna mais voltado à família patriarcal e amizades. Além disso, temos um cenário de poder instaurado que não permite diálogo entre quem governa e quem é governado. Para o homem cordial, a esfera pública é uma extensão da esfera privada, quando elas, na verdade, deveriam ser opostas. Isso gera um problema de entendimento de leis em prol de interesses próprios. Além disso, segundo o autor, &#8221;a própria gestão política apresenta-se como um assunto de seu interesse particular&#8221;, e isso explica o hábito, até hoje visto, de políticos levarem parentes e amigos à cargos públicos. O problema está, como o autor indica, no crescimento das cidades e na não-distinção entre o que é público e privado:</p>
<blockquote><p>&#8220;No Brasil, onde imperou, desde tempos remotos, o tipo primitivo da família patriarcal, o desenvolvimento da urbanização &#8211; que não resulta unicamente do crescimento das cidades, mas também do crescimento dos meios de comunicação, atraindo vastas áreas rurais para a esfera de influências das cidades &#8211; ia acarretar um desequilíbrio social, cujos efeitos permanecem vivos ainda hoje&#8221;.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify">Com o crescimento das cidades, o homem se vê obrigado a ser individualista. A cordialidade é também, de certa forma, uma negação a isso, pois ela aproxima as pessoas e cria uma esfera nova de regras, como num círculo familiar. No fim da análise, Sérgio Buarque de Holanda mostra como até mesmo a nossa religião é &#8220;cordial&#8221;, uma vez que não é rígida nas formas da oração e chega a aproximar os santos, de um jeito que poderia ser julgado até mesmo como desrespeitoso em outros países, como é o caso da Santa Teresinha (Teresa de Lisineux).</p>
<p style="text-align: justify"><em>O homem cordial</em> foi publicado pela primeira vez em 1936, no livro &#8220;Raízes do Brasil&#8221;, primeiro de Sérgio Buarque de Holanda, em uma época em que o brasileiro começava verdadeiramente sua busca por uma identidade (a partir da semana de arte de 22). A Penguin-Companhia apresenta o texto, na íntegra, em um livro que leva o mesmo nome. Junto desse ensaio, o leitor encontrará outras das principais obras do autor, como &#8220;O poder pessoal&#8221;, que é uma análise do império brasileiro no século XIX, através de relações de poder do imperador que, aos poucos, se perdem; &#8220;Experiência e Fantasia&#8221;, que é uma crítica sobre a falta de fantasia nos registros quinhentistas dos portugueses sobre o Brasil, além de &#8220;Botica da natureza&#8221; e &#8220;Poesia e crítica&#8221;.</p>
<p><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/xAVRGvoy2Sk?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<p>Título: O Homem Cordial<br />
Preço: R$10,90<br />
Páginas: 111</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/17/o-homem-cordial-sergio-buarque-de-holanda/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Imperador (Conn Iggulden)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/o-imperador-conn-iggulden/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/o-imperador-conn-iggulden/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 May 2012 20:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A Morte dos Reis]]></category>
		<category><![CDATA[Campo de Espadas]]></category>
		<category><![CDATA[Conn Iggulden]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[O Imperador]]></category>
		<category><![CDATA[Os Deuses da Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Os Portões de Roma]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=21020</guid>
		<description><![CDATA[Eu sou amigo do Júlio César! Sim, estou falando do Júlio César o Imperador Romano. Infelizmente não usei uma máquina do tempo, tampouco sou o personagem da célebre canção do genial Raul Seixas “Eu Nasci a 10.000 Anos Atrás”, e não sou louco. Pelo menos não mais que a maioria  das pessoas. Eu me tornei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/o-imperador-livros1.jpg"><img class="size-medium wp-image-21024 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/o-imperador-livros1-300x216.jpg" alt="" width="300" height="216" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Eu sou amigo do Júlio César! Sim, estou falando do Júlio César o Imperador Romano. Infelizmente não usei uma máquina do tempo, tampouco sou o personagem da célebre canção do genial Raul Seixas “Eu Nasci a 10.000 Anos Atrás”, e não sou louco. Pelo menos não mais que a maioria  das pessoas. Eu me tornei amigo do famoso Imperador Romano pela prosa deliciosa do inglês Conn Iggulden.</p>
<p style="text-align: justify">Uma das vertentes literárias que mais me chamam a atenção é a chamada “Romance Histórico”. Se você acompanha esse blog, tem grandes chances de saber o que vem a ser o tal de Romance Histórico, mas se você ainda não sabe vamos lá: Chama-se Romance Histórico livros que utilizam fatos, personagens ou até mesmo locais reais, descritos e narrados com diálogos, ações, personagens e situações criadas pelo autor.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-21020"></span></p>
<p style="text-align: justify">Assim, podemos ler o Rei Arthur conversando com seus amigos da Távola Redonda ou, como nesse caso, acompanhar os diálogos e pensamentos do próprio Júlio César. Os fãs do gênero podem estar se perguntando: “Ei, mas o Bernard Cornwell é O Cara nisso! Esse tal Iggulden é bom mesmo?”.  Para quem ainda tem dúvidas, basta ler a capa das 4 edições da Editora Record:</p>
<p style="text-align: justify" align="center"><em>“Uma história brilhante, com personagens vivos, ação e ritmo fantásticos! Eu queria tê-la escrito.” <strong>Bernard Cornwell</strong></em></p>
<p style="text-align: justify">Analisando os 4 volumes de <em>O Imperador</em> como um todo, temos um história familiar, contada de forma que nos sentimos amigos dos personagens. Mesmo sabendo que certo personagem morreu muito antes de alguns fatos narrados com sua presença ou quando sabemos que certa batalha não ocorreu exatamente daquele forma, os livros se mantém. O carisma do personagem principal, qualidade tão decantada por historiadores ao longo dos séculos, transborda em cada página.</p>
<p style="text-align: justify">A narração das batalhas é um show à parte. Desde a quase obsessiva atenção dada aos suprimentos e acampamentos, até a visão estratégica de terreno, tropas e táticas adotadas e alteradas ao longo da mesma batalha está descrito de forma tão realista que o leitor pode sentir o suor e o medo dos envolvidos. Mas tão vívido quanto as batalhas são os costumes, a cultura, o pensamento romano, que ganham vida linha após linha.</p>
<p style="text-align: justify">A Quadrilogia está dividida da seguinte forma:</p>
<p style="text-align: justify">Volume I – <em>Os Portões de Roma</em>: Neste primeiro volume, somos levados para uma pequena propriedade nos arredores de Roma. Dois meninos levados, espertos e com uma centelha do que se tornarão quando adultos, nos são apresentados: Júlio e Marco.</p>
<p style="text-align: justify">Uma amizade que é o cerne do que será o núcleo de tudo o que está por vir. O treinamento físico e mental a que são submetidos aceleram o coração, causam raiva, alegria e culmina com uma sensação de familiaridade, de proximidade com os garotos, algo que só as boas histórias conseguem criar. Conhecemos ainda personagens que, acredite, você ficará triste ao descobrir terem sido apenas inventados pelo autor.</p>
<p style="text-align: justify">E não, não revelarei quais são. O próprio autor se encarrega disso no fim do livro, na denominada “Nota Histórica”. Aliás, lê-las será um prazer, e um drama, todo especial. Cada livro possui a sua, onde o autor revela, para aqueles que não conheciam, as diferenças entre sua história e o que ocorreu no mundo real.</p>
<p style="text-align: justify">Volume II – <em>A Morte dos Reis</em>: Aqui já temos Júlio César e Marcus Brutus partindo para viver o que aprenderam na teoria. Vemos a característica mais acentuada do Júlio César histórico desabrochando: seu charme, seu magnetismo pessoal. A forma como sai de uma situação desesperadora, cai em outra tão ruim quanto e consegue se reerguer triunfante, levando pessoas a seguirem-no de forma tão absoluta quanto natural. É de fazer qualquer político morrer de inveja!</p>
<p style="text-align: justify">O título do livro merece uma consideração à parte, pois faz referência a um dos pontos mais sensíveis para os antigos romanos. O sistema politico com um Senado sendo o pilar de vários outros cargos menores sempre foi motivo de orgulho e, no outro extremo, um Rei era considerado então um sistema de bárbaros, de povos atrasados. Temos uma aula de política romana que pode, sem muitos adendos, ser aplicada aos nossos dias.</p>
<p style="text-align: justify">Volume III – <em>Campo de Espadas</em>: Como o próprio nome indica, esse volume tem uma grande quantidade de batalhas. E quão imersiva, perfeita e real são essas batalhas! A conquista da Gália e a chegada à Britânia conseguem trazer o leitor para dentro de uma Legião Romana. A revelação de que soldados romanos eram mais construtores que guerreiros pode surpreender os mais desavisados, mas com certeza é um dos fatos que levaram as Legiões a servirem de modelo bélico até nossos dias.</p>
<p style="text-align: justify">Outro tema que o leitor perceberá estar enredado é o tipo de conquista imposta pelos romanos. Mais do que matar-pilhar-destruir, os romanos traziam benesses aos povos conquistados. O próprio Júlio César explica por que a chegada de Roma é boa, sua consternação com a resistência encontrada, o que só ajuda a formar o personagem, que foi um dos maiores generais da história.</p>
<p style="text-align: justify">Volume IV – <em>Os Deuses da Guerra</em>: É o final épico que a saga merece. Você provavelmente sabe como o Imperador Júlio César morreu. Neste último volume, viajamos para a Grécia e o Egito. Cleópatra está presente, e com ela a conquista militar e politica do antigo reino do Egito. Personagens históricos têm suas vidas desnudadas de forma eletrizante, o leitor entra no clímax quase sem perceber.</p>
<p style="text-align: justify">O autor avisa nas Notas Históricas que a morte de Júlio César não termina quando seu corpo é esfaqueado, todos os personagens envolvidos no fato histórico tiveram mortes violentas, dando margem a um possível 5º volume.</p>
<p style="text-align: justify">Se você gosta da cultura romana <em>O Imperador</em> é uma aula, exaustivamente pesquisada pelo autor, deliciosamente exposta e que acompanha o emaranhado politico que culmina no maior Império Ocidental de todos os tempos.</p>
<p style="text-align: justify">Não tenha dúvida, meu amigo Júlio César não é lembrado e feito personagem de obras tão divertidas quanto essa saga à toa.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Sobre o autor:</strong> Por incrível que pareça Ramalokion não é seu nome de batismo. Foi registrado Rubens São Lourenço Neto, formou-se em Direito (de um jeito errado), é bancário por obrigação (por escolha seria Playboy Milionário Alter Ego de Super Herói). É um eterno apaixonado por Ler e beber Cerveja.</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/o-imperador-conn-iggulden/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Livros Pipoca</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/livros-pipoca/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/livros-pipoca/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 May 2012 17:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Best Sellers]]></category>
		<category><![CDATA[Leitura Popular]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Livros Pipoca]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=20994</guid>
		<description><![CDATA[Imagine o cenário: semana de provas na faculdade, acumulada com a semana oficial de descascar o abacaxi no trabalho. Entre livros técnicos e clientes irritados, sua capacidade de concentração vai aos poucos se esvaindo. Nesses momentos, tudo que seu cérebro pede é sono e distração. Seu corpo pede cama, e no caminho para casa seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/livro-pipoca1.jpg"><img class="alignleft  wp-image-20998" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/livro-pipoca1.jpg" alt="" width="193" height="128" /></a>Imagine o cenário: semana de provas na faculdade, acumulada com a semana oficial de descascar o abacaxi no trabalho. Entre livros técnicos e clientes irritados, sua capacidade de concentração vai aos poucos se esvaindo. Nesses momentos, tudo que seu cérebro pede é sono e distração. Seu corpo pede cama, e no caminho para casa seu sonho é colocar os pés para cima e ligar a TV naquele programa bobinho e previsível para “não pensar”.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">Mas há aqueles que prefiram um bom livro pipoca, daqueles que você devora sem perceber às mancheias. Livros muitas vezes caracterizados como <em>&#8220;guilty pleasures&#8221;, </em>livros de leitura mais prazerosa que instrutiva, um passatempo na sua melhor definição. São livros que normalmente vemos massacrados pelas mídias consideradas mais sérias.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY"><span id="more-20994"></span></p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">Toda forma de entretenimento tem sua versão que minha mãe chamaria de “zera QI”. Nos cinemas são as comédias românticas e os filmes de ação. Na televisão, bom, é quase qualquer coisa. Teatro, música e até as artes mais conceituadas possuem sua versão “<em>Hard Day&#8217;s Night</em>”. E com livros não é diferente.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">Você se depara com os Livros Pipoca em qualquer livraria e/ou lista de <em>best-sellers. </em>Em geral são tramas fáceis de acompanhar, com ganchos entre os capítulos, munidas de um final razoavelmente previsível e feliz para o protagonista. Não importa em quantas enrascadas ele se meta, no final tudo fica bem. Não têm como propósito a alta literatura, ou o questionamento.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">Foram feitos para entreter, passar o tempo, distrair dos problemas do dia a dia. São francos em sua mensagem e diretos em seu discurso. Sabemos para quem torcer, para quem direcionar nossa raiva. Como as crianças que querem ver o mesmo desenho diversas vezes seguidas, esses livros nos transmitem segurança e diversão, sem o estresse mental de livros considerados mais sérios.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">Mas ser um livro de entretenimento não quer dizer necessariamente um livro ruim. Entram nessa categoria livros e autores que adoro,  como Agatha Christie, cujos assassinos sempre são descobertos pela genialidade de seus detetives; viciantes livros de Dan Brown, que contam sempre com a mesma estrutura, livros de humor como as crônicas de Luis Fernando Verissimo ou os livros do Mário Prata, romances como os de Nicholas Sparks, Danielle Steel e Anne Tyler, e mesmo alguns clássicos, como os romances de capa e espada de Alexandre Dumas.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">Considerando a rotina cada vez mais agitada da população em geral, não espanta esta forma de entretenimento disparar nas listas dos mais vendidos. É um tipo de literatura que garantiu seu espaço no mercado ao longo dos anos, merecidamente, e tem sua origem junto com a literatura. Isso não tira o valor dos grandes clássicos, pelo contrário, valoriza sua existência.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">Mas tem dias em que os grandes clássicos ou livros mais densos simplesmente não descem. Dias como os que descrevi acima, nos quais seu cérebro não consegue diferenciar ironia de sarcasmo, nem desconstruir um pensamento complexo em conceitos palatáveis. Ou então, não estamos preparados para lidar com a carga emocional de um personagem perturbado como Holden Caufield ou Emma Bovary.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">Os livros pipoca encontram nossa necessidade de sonhar um mundo melhor. O ser humano tem a tendência a definir padrões e determinar opostos, como maneira de encontrar sua segurança. Por isso vemos formas em nuvens, por isso gostamos de saber quem é &#8220;bom&#8221; ou quem é &#8220;mau&#8221;. Na alta literatura, como na vida, esses conceitos são misturados numa grande área cinza, e não raro o leitor de clássicos se descreve como transtornado, modificado em sua essência por essas questões. E isso é ótimo, mas também pode ser exaustivo.</p>
<p style="text-align: justify" align="JUSTIFY">E é para esses momentos de cansaço mental que, penso, os livros pipoca servem. Como uma transição, um descanso, e  como uma diversão. E, sejamos francos, quem não gosta de ser transportado para um mundo onde definir quem é bom ou mau é fácil, e o primeiro sempre se dá bem no final? É reconfortante saber que há histórias feitas para levá-lo a esse mundo. Afinal, não é sempre que você tem cabeça ou estrutura emocional para um livro mais sério. Agora eu pergunto: qual é seu livro pipoca favorito?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/livros-pipoca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Contos Essenciais: Um túmulo para Boris Davidovitch (Danilo Kiš)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/contos-essenciais-um-tumulo-para-boris-davidovitch/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/contos-essenciais-um-tumulo-para-boris-davidovitch/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 May 2012 14:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos Essenciais]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Danilo Kiš]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Iugoslava]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=20926</guid>
		<description><![CDATA[É comum dividir a literatura em duas partes, bastante distintas e distantes entre si: a ficção e a não-ficção. É claro que muitas vezes a ficção se aproveita de fatos reais. Fatos históricos, via de regra: quantos livros não contam sobre alguma coisa que não-aconteceu-mas-aconteceu em um determinado momento da história, tentando caracterizá-lo com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/grobnica2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-20927" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/grobnica2-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>É comum dividir a literatura em duas partes, bastante distintas e distantes entre si: a ficção e a não-ficção. É claro que muitas vezes a ficção se aproveita de fatos reais. Fatos históricos, via de regra: quantos livros não contam sobre alguma coisa que não-aconteceu-mas-aconteceu em um determinado momento da história, tentando caracterizá-lo com o máximo de verossimilhança possível? Por vezes, também, a não-ficção acaba por incorporar a ficção em alguns momentos: nada mais natural do que mesmo o autor mais meticuloso não consiga reconstruir os eventos à perfeição e crie alguns fatos, deixando que sua imaginação e seu raciocínio lógico preencham os buracos que a pesquisa ou a memória não conseguem suprir.</p>
<p style="text-align: justify">Alguns autores, porém, dão um passo além na direção da misturar os dois âmbitos, e criam uma terceira <em>coisa</em>, a qual não se pode dizer que é ficção, mas que não se pode acreditar como realidade. Jorge Luís Borges era mestre nisso, como nos mostra sua <em>História Universal da Infâmia. </em>São inúmeras biografias de criminosos, que misturam fato e ficção, chegando a apontar as referências bibliográficas ao fim do livro.<span id="more-20926"></span></p>
<p style="text-align: justify">Mas, embora lhe deva muito, o conto que eu escolhi não é de Borges, mas de um de seus mais claros tributários: o iugoslavo Danilo Kiš, com o conto que dá nome ao livro <em>Um túmulo para Boris Davidovitch</em>. O livro, aliás, procede de modo semelhante ao do argentino, mas apela para aqueles que foram perseguidos pelos regimes comunistas – muitas vezes depois de terem ajudado a implementar ou a manter tais regimes.</p>
<p style="text-align: justify">O conto, como é de se esperar, narra a história de Boris Davidovitch, que teoricamente entraria para a história como Novski B. D. Novski: revolucionário bolchevique, que acabaria sendo condenado como traidor pelo país que ajudara a criar.</p>
<p style="text-align: justify">Fruto de um encontro quase inverossímil entre um judeu membro do exército do Czar – David Abramovitch &#8211; e da filha, também judia, de um médico que ajudou a tratar das feridas de David, quando este foi castigado por seus companheiros bêbados;  Novski tornar-se-ia importante revolucionário, tendo sido preso inúmeras vezes pelos czaristas, infiltrando-se nas cortes e se envolvendo em atividades terroristas. Depois da revolução ocuparia importantes cargos na recém-nascida URSS: ajudaria a subjugar o Turcomenistão, o Cazaquistão e a Estônia, participaria de missões diplomáticas que estabeleceriam as relações do novo país com a Coroa Inglesa. Depois disso é preso, acusado de espionagem a favor dos ingleses. É submetido a interrogatórios bastante cruéis até acabar executado.</p>
<p style="text-align: justify">Parece <em>spoiler</em>, eu sei, mas não é: além de ser o mote do livro, Kiš entrega esse desfecho desde o começo do conto. E o que é genial, na realidade, é justamente a construção da realidade na narrativa. A redação lembra, em muitos aspectos, um texto acadêmico. O texto é bastante seco e direto, não se submetendo a juízos de valor e nem entrando em aspectos emocionais. Mesmo os espaços da vida de Boris em que Kiš diz não ter encontrado fontes suficientes, não são preenchidos com suspeições ou largados a imaginação do leitor: o autor chega ao cúmulo de escrever, com todas as letras, que não quer isso – pois tornaria seu texto um simples conto, uma simples transformação literária.</p>
<p style="text-align: justify">Aliar essa perspectiva à violência da história que é contada ali torna tudo um tanto brutal. Ainda assim, porém, Kiš é um escritor bastante arguto, e seu estilo inscreve-se de maneira sutil, tornando esse horror um pouco mais assimilável – mas ainda não a ponto de ser naturalizado pelo leitor. Ninguém que leia a história vai sofrer junto do Boris Davidovitch, muito menos se afeiçoar a ele, mas tampouco o leitor consegue permanecer indiferente à violência que é forçado a encarar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/16/contos-essenciais-um-tumulo-para-boris-davidovitch/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sweet as a bee &#8211; Não chega de saudade</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/sweet-as-a-bee-nao-chega-de-saudade/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/sweet-as-a-bee-nao-chega-de-saudade/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 23:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sweet as a Bee]]></category>
		<category><![CDATA[Duendes e Gnomos]]></category>
		<category><![CDATA[Harry Potter]]></category>
		<category><![CDATA[Hitler]]></category>
		<category><![CDATA[Os detetives selvagens]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>
		<category><![CDATA[Shantaram]]></category>
		<category><![CDATA[Sweet as a bee]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=20963</guid>
		<description><![CDATA[O que o Aurélio diz sobre a saudade: lembrança melancólica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa(s), coisa(s) distante(s) ou extinta(s). A Wikipedia complementa dizendo que é a palavra que mais aparece nas poesias de amor e nas músicas populares brasileiras. Faz sentido, é só pesquisar a palavra no Google e ver os resultados: sites [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/sweet.png"><img class="size-full wp-image-8143 alignleft" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/sweet.png" alt="" width="200" height="200" /></a>O que o Aurélio diz sobre a saudade: lembrança melancólica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa(s), coisa(s) distante(s) ou extinta(s). A Wikipedia complementa dizendo que é a palavra que mais aparece nas poesias de amor e nas músicas populares brasileiras. Faz sentido, é só pesquisar a palavra no Google e ver os resultados: sites com frases de saudade, poemas de saudade, imagens de saudade. A palavra é única, não existe em outra língua um termo que defina tão bem essa mistura de sentimentos de perda, distância, ausência e amor, e dizem que esclarecer seu significado para quem não a conhece não é uma tarefa das mais fáceis. Uma palavra tão celebrada que está no centro de toda trama artística brasileira, ou pelo menos em grande parte das músicas de duplas sertanejas que deixaram a roça para tentar o sucesso na cidade grande. A saudade, dolorosa ou não, como na arte, é um sentimento constante naquele que se afastou da família e amigos e vive longe deles. É mais ou menos o meu caso.<span id="more-20963"></span></p>
<p style="text-align: justify">A maior parte dos meus dias se define em desejar estar em outro lugar, com outras pessoas que infelizmente não vejo tanto quanto gostaria. Não há passatempo que me tire dessa condição melancólica, nem livro, nem filme, nem música – essas coisas têm o poder de intensificar a saudade. Ela se embrenha tão fundo, que qualquer coisinha ou situação me leva a lembrar daquele lugar, pessoa ou época em que tudo parecia mais feliz e fácil. Tenho saudade do cheiro de fumo na estufa na casa dos meus avós em Witmarsum, do feijão frito com açúcar no almoço, do cheiro de grama cortada no fim das tardes de verão, de deitar na cama com meus pais para assistir o jornal e a novela das 8 – ou das 9 – da vez. São saudades que vêm quando lembro quão bom esses dias eram comparados aos que passo hoje, trabalhando, estudando e voltando para uma casa vazia para me embrenhar em páginas de livros que, por melhores que sejam, não substituem essas coisas.</p>
<p style="text-align: justify">Os livros também deixam sua parcela de saudade ou alimentam uma. Lembro que quando queria encontrar energia para me empenhar nos estudos, lia Harry Potter para me espelhar na Hermione, o que me levou a reler cada livro pelo menos umas cinco vezes. Quem sabe não é por não ter mais tempo para me jogar em Hogwarts que ando tão desmotivada com as aulas. Quando olho para a minha pilha torta de livros na prateleira e vejo <em>Hitler </em>e <em>Shantaram</em>, os últimos grandes catataus que li, sinto o gostoinho das raras semanas de férias de fim de ano que passei na casa dos meus pais depois que me mudei, lendo incansavelmente todos os dias enquanto eles assistiam a qualquer coisa na TV. E <em>Duendes e gnomos? </em>Ver esse exemplar fininho entre meus outros livros quase provoca a mesma sensação que tive aos 9 anos de idade na biblioteca da escola ao encontrar essas histórias de criaturas mágicas. Logo lembro da turma de pestinhas da 4ª série, de todas as brincadeiras com os colegas e das tardes com meus primos, um tempo onde a saudade nem existia pra mim. Cada livro tem o seu resquício de bons momentos que poderiam se repetir.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Os detetives selvagens, </em>que fica na pilha de livros bem na minha frente, me lembra da minha primeira visita a São Paulo, quando ganhei o livro, e de tudo o que aconteceu naquela viagem e das pessoas que conheci naquele fim de semana e que agora quero tanto voltar a ver. A saudade que esse momento específico traz despertou vontades e ambições que não existiam, ou então fez aumentar aquelas que estavam escondidas atrás de uma camada de acomodação e medo de mudanças. É um outro efeito da saudade, um novo tipo de falta que não é nostálgica, não traz exatamente lembranças, ela cria projeções do que poderá vir a acontecer e faz crescer o desejo de que realmente aconteçam. Uma falta que pode ser sanada em breves momentos ou totalmente quando as circunstâncias permitirem.</p>
<p style="text-align: justify">Mas como o dicionário define, a saudade vem daquilo que passou, que não volta mais, a não ser que existisse uma forma de voltar no tempo e poder viver tudo de novo exatamente da forma que aconteceu. As coisas mudam, as pessoas também, o cheiro de fumo na estufa não é mais o mesmo – logo nem haverá mais as plantações de fumo dos meus tios, suponho. Sentar, rir e conversar com meus primos não é mais a mesma coisa de tão diferentes que nos tornamos. Eu certamente não caibo mais na cama dos meus pais de um jeito confortável como na minha infância – e as novelas não são tão boas quanto as daquela época. Por isso me parece sem sentido dizer que a saudade é suave. A saudade dói. Essas coisas não voltam, lembrar desses momentos que agora não tenho mais é alimentar um desejo que não pode ser saciado, e isso gera uma dor com que se deve aprender a conviver. Porque matar a saudade é tão difícil quanto tentar explicar para um estrangeiro tudo o que a palavra realmente significa. E se é possível saciá-la um pouquinho, na próxima rodoviária ou aeroporto ela está esperando pronta para renascer.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/sweet-as-a-bee-nao-chega-de-saudade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Estrada do Tabaco (Erskine Caldwell)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/a-estrada-do-tabaco-erskine-caldwell/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/a-estrada-do-tabaco-erskine-caldwell/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 20:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A Estrada do Tabaco]]></category>
		<category><![CDATA[Crise de 29]]></category>
		<category><![CDATA[Erskine Caldwell]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Norte-Americana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=20940</guid>
		<description><![CDATA[Já fazia algum tempo que eu queria ler A Estrada do Tabaco (1932), do escritor estadunidense Erskine Caldwell. Não poucas vezes eu tinha visto, ou lido, a respeito dessa obra como emblemática a respeito do rescaldo da crise de 29 sobre as populações dos Estados Unidos. Em várias fontes, ela é listada como representativa de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/A.Estrada.do_.Tabaco.Erskine.Caldwell.jpg"><img class="alignright  wp-image-20941" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/A.Estrada.do_.Tabaco.Erskine.Caldwell.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Já fazia algum tempo que eu queria ler <em>A Estrada do Tabac</em>o (1932), do escritor estadunidense Erskine Caldwell. Não poucas vezes eu tinha visto, ou lido, a respeito dessa obra como emblemática a respeito do rescaldo da crise de 29 sobre as populações dos Estados Unidos. Em várias fontes, ela é listada como representativa de um processo histórico pungente, que é conhecido mais a partir de suas características econômicas e quantitativas do que propriamente humanas.</p>
<p style="text-align: justify">Assim como em <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/03/26/o-pregador-erskine-caldwell/">O Pregador</a></em>, Caldwell lida com as populações rurais dos Estados Unidos e suas peculiares visões de mundo, em especial com relação à religião e à terra. Os personagens são mostrados em toda a simplicidade rústica de suas vidas e de suas opiniões, dos outros e de si próprios.</p>
<p style="text-align: justify">A história gira em torno de uma família da região rural da Geórgia, os Lester, bem como das pessoas que com ela mantém algum tipo de relação, seja de parentesco ou de vizinhança. Jeeter Lester, o patriarca, encarna os valores das &#8220;antigas classes médias&#8221;, que valorizavam a terra e o trabalho duro e braçal que a agricultura exigia, olhando com temeridade para as modernidades, tais como juros, empréstimos, fábricas e quaisquer outras tecnologias. O &#8220;mundo&#8221; que ele costumava habitar está sendo aos poucos invadido por esses elementos estranhos, motivo pelo qual ele vive um dilema que desafia seus poderes de percepção e de ação.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-20940"></span></p>
<p style="text-align: justify">Jeeter é casado com Ada e é pai de Dude, Pearl, Lizzie Belle, Ellie Mary, e outros mais. Era comum a família possuir tal quantidade de rebentos. Os Lester ganharam o direito de morar em sua terra e cultivá-la de um capitão que as possuía, no passado, garantindo que poderiam habitar ali tanto quanto quisessem. Acontece que a conjuntura econômica estava em recessão, o que, aliado às intempéries do clima, frustrara as colheitas e impedira Jeeter de conseguir recursos financeiros para voltar a ver suas terras verdejando de tabaco, algodão e guano.</p>
<p style="text-align: justify">Ao mesmo tempo em que essa possibilidade vai se fechando, outras possibilidades &#8211; bem menos convidativas &#8211; se apresentavam, entre elas o trabalho numa fábrica de fiação de algodão. Jeeter &#8211; para quem trabalhar na terra era a única atividade que sabia &#8211; acha essa ideia completamente estapafúrdia, ao passo que finca o pé na terra e obstinadamente comunica que dali não sairá. Todo o seu modo de vida e sua identidade estavam investidos naquela terra, deixá-la seria como deixar parte de si próprio. Ou seja, ele não quer sair da terra, mas não encontra uma maneira de conseguir mantê-la.</p>
<p style="text-align: justify">Caldwell retrata os agricultores com um misto de compaixão e impaciência, pois por um lado os descreve com uma &#8220;rusticidade ignorante&#8221; que faz quase as vezes de gracejo velado; por outro manifesta uma espécie de solidariedade por compreender como eles não tinham condições de enfrentar a ressaca que se abatia em nível sistêmico sobre os americanos no período.</p>
<p style="text-align: justify">Se em <em>O Pregador</em> a religião apresentava-se moralmente questionável nas ações de Semon Dye, o pregador aproveitador; em <em>A Estrada do Tabaco</em> é a Irmã Bessie que aparece como uma espécie de &#8220;santo do pau oco&#8221;. Suas atitudes e seu passado escondem fatos que antagonizam com suas pregações. Os Lester passam a duvidar de Bessie enquanto Caldwell mostra como a miséria da situação histórica ensejava um questionamento profundo sobre as promessas da religião. Não são raras as imagens de subversão e repensar da religião na literatura do período, vide os livros de Steinbeck e de Upton Sinclair, por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify">Não havia muito espaço para esperanças na realidade enfrentada por eles. Essa falta de esperança se materializa no tragicômico desfecho da história, que cristaliza a constatação de que o horizonte dos pequenos agricultores norte-americanos nos anos 30 estava realmente se fechando.</p>
<p style="text-align: justify"><em>(Não há edição brasileira para esse livro, mas há uma edição portuguesa que saiu pela editora Europa-América que, com um pouco de sorte, dá para achar em algum sebo)</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/a-estrada-do-tabaco-erskine-caldwell/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As esganadas (Jô Soares)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/as-esganadas-jo-soares-2/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/as-esganadas-jo-soares-2/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 17:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[As Esganadas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Getulio Vargas]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Jô Joares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Pastéis de Nata]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=20947</guid>
		<description><![CDATA[Duas horas de espera na fila. Eu acompanhava minha noiva, agora esposa, e uma amiga na empreitada de conseguir um autógrafo de Jô Soares no seu novo livro. Fora o calor, tínhamos como acompanhante alguns pastéis de nata, ou de belém, para adoçar a espera. O último doce foi oferecido a Andréa Ascensão, que recusou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/13252_gg.jpg"><img class="size-medium wp-image-15516 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/13252_gg-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Duas horas de espera na fila. Eu acompanhava minha noiva, agora esposa, e uma amiga na empreitada de conseguir um autógrafo de Jô Soares no seu novo livro. Fora o calor, tínhamos como acompanhante alguns pastéis de nata, ou de belém, para adoçar a espera. O último doce foi oferecido a Andréa Ascensão, que recusou alegando uma indigestão enquanto se deliciava com as páginas da obra.</p>
<p style="text-align: justify">Somente alguns dias depois, ao ler algumas resenhas, que eu notei que a culinária portuguesa fazia parte da história e não de maneira simplesmente ilustrativa, mas como ingrediente fundamental da trama intitulada <em>As esganadas,</em> publicada pela Companhia das Letras. Nada que me fizesse engasgar com a lembrança dos pastéis de nata, na verdade o toque gastronômico na trama deu-me um apetite extra.</p>
<p style="text-align: justify">Curiosamente era a primeira vez que tive gula por um livro de Jô Soares, apesar de apreciar o trabalho dele como humorista e entrevistador, sempre duvidei da sua capacidade como escritor, principalmente em obras policiais. Não que lhe falte habilidade, mas o uso do humor combinado a esse estilo soa a mim enfadonho e desnecessário – e sinceramente, não consigo pensar em um texto escrito por Jô sem o uso de humor.<span id="more-20947"></span></p>
<p style="text-align: justify">Por causa dessa característica é inegável a leveza na leitura, que anuncia seu objetivo principal de entreter o leitor. Fato reforçado pela inversão da narrativa ao revelar logo nas primeiras páginas o assassino e suas razões &#8211; deixando de lado o jogo de detetive típico de livros policiais &#8211; e reforçando que o foco está na ação do assassino, nas vítimas e a equipe de investigação do caso.</p>
<div id="attachment_20948" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/jô-soares-multidão.jpg" target="_blank"><img class="size-medium wp-image-20948   " style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/jô-soares-multidão-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Lançamento do livro As Esganadas.</p></div>
<p style="text-align: justify">Sendo assim, é inevitável não rir das peripécias do criminoso, que caça suas presas aproveitando-se do pecado da gula, cometido por todas, e extermina-as como se preparasse pratos portugueses degustados pela imprensa e público. Isso sem falar da equipe de investigação formada por um delegado, e seu ajudante, uma jornalista e um ex-policial português, dono de uma confeitaria no Rio de Janeiro. Este último entra no caso exatamente pela sua experiência criminal e culinária, mas se torna ponto chave ao proporcionar momentos hilários devido às confusões causadas pelo uso do vocabulário falado em Portugal e tão estranho aos brasileiros – fato bastante explorado pelo autor.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar do humor, fiquei com a sensação de que Jô Soares errou o tom da narrativa ao retratar as mortes. Relatadas de forma cruel e brutal, parecem anunciar um olhar mais profundo e aterrorizante dos eventos, talvez até com pitadas de humor negro. Porém, elas se perdem dentro da narrativa leve e engraçada, parecendo que esses atos vis estão fora de contexto ou são inapropriadas para o estilo adotado.</p>
<p style="text-align: justify">Tanto que tais relatos me causaram fome ao invés de nojo, o que me fez voltar a comprar pastéis de nata para acompanhar a narrativa. Com ou sem acompanhamentos, os ingredientes dessa história que se passa no Rio de Janeiro dos anos 30, mostrando alguns poucos aspectos da ditadura de Getúlio Vargas, apresentam claramente ao que propõe o livro de Jô Soares: diversão e puro entretenimento – e nada melhor que alguns doces para acompanhar essa deliciosa obra.</p>
<p><strong>As esganadas</strong><br />
<strong>Autor:</strong> Jô Soares<br />
<strong>264 páginas</strong><br />
<strong>Preço Sugerido:</strong> R$ 36,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/as-esganadas-jo-soares-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sob o olhar do leão (Maaza Mengiste)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/sob-o-olhar-do-leao-maaza-mengiste/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/sob-o-olhar-do-leao-maaza-mengiste/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 14:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadorno Teles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Colaborador Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Maaza Mengiste]]></category>
		<category><![CDATA[Sob o olhar do leão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=20944</guid>
		<description><![CDATA[O século XX é distinguido nos livros de História por uma quantidade de traumas: guerras, expurgos, genocídios. A África padeceu inúmeras vezes, foram diversos conflitos que arrasaram muito as nações do continente durante o século passado. Entre elas temos a Etiópia como uma das mais sofridas. Invadida por Mussolini, entrou em guerra com a Eritréia, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/imagem.jpg"><img class="size-medium wp-image-20945 alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/05/imagem-203x300.jpg" alt="" width="203" height="300" /></a>O século XX é distinguido nos livros de História por uma quantidade de traumas: guerras, expurgos, genocídios. A África padeceu inúmeras vezes, foram diversos conflitos que arrasaram muito as nações do continente durante o século passado. Entre elas temos a Etiópia como uma das mais sofridas. Invadida por Mussolini, entrou em guerra com a Eritréia, com o Sudão e com a Somália, carestia<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/sob-o-olhar-do-leao-maaza-mengiste/#footnote_0_20944" id="identifier_0_20944" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Carestia: crise social e econ&ocirc;mica acompanhada de m&aacute; nutri&ccedil;&atilde;o em massa, epidemias e aumento na mortalidade.">1</a></sup> em vários momentos, duas mudanças violentas de regime, entre elas, a deposição do imperador Haile Selassiê (1974), onde foi substituído o regime monárquico por um estado militar marxista-lenista, ainda hoje não foi esquecida.</p>
<p style="text-align: justify">As origens da revolução etíope começaram quando o imperador não tomou nenhuma ação durante uma grande seca numa região do interior, ceifando a vida de duzentas mil pessoas. Após um documentário da BBC que mostrou ao mundo os horrores da fome, estimulando a ajuda massiva, mas que ao mesmo tempo desestabilizava o regime, minando o apoio popular e a popularidade inatacável de Selassiê. A crise foi agravada pelos motins militares e pelo preço do petróleo, tudo isso levaria o país à revolução. E é nesse ponto que a narrativa de <em>Sob o olhar do leão</em> (<em>Beneath the lion&#8217;s gaze</em>, tradução de Flávia Rössler, 364 páginas) se passa, durante a década de 1970. A autora, Maaza Mengiste, nos apresenta a história de uma família esfacelada pelo caos social e político, fruto do golpe de estado realizado pelos militantes da junta militar. Maaza, cuja família fugiu do país quando ela tinha quatro anos, perdera três tios naquele período, estreia com uma habilidade narrativa que impressiona, contando sua história através de uma família em meio às lutas entre as facções e as ideologias que se digladiavam pelo poder.<span id="more-20944"></span></p>
<p style="text-align: justify">Addis Abeba, explode a rebelião, a cidade sangra. Nesse ambiente hostil, o experiente médico Hailu luta para manter as bases de sua família firmes enquanto vê a saúde de sua esposa, Selam, acometida por uma grave doença, piorar. Ali perto, no Hospital Black Lion, onde trabalhara por trinta anos, sentiu as hostilidades que a guerra civil trazia. O golpe militar terá efeitos diferentes em seus filhos: enquanto o mais novo, Dawit, se aproxima cada vez mais de uma milícia inimiga do Derg, o mais velho, o passivo Yonas, vê seu casamento ruir enquanto se volta com todas as forças para a religião.</p>
<p style="text-align: justify">Dá para sentir o medo dos personagens nas páginas. A realidade crua vem e vai, como quanto uma jovem torturada jaz morta envolta em um saco plástico ou centenas de cadáveres são abandonados na beira das estradas para as hienas. E as mensagens pregadas: “Eu sou um inimigo do povo&#8230;”.</p>
<p style="text-align: justify">A narrativa da autora não pede indulto a ninguém, nem mesmo para escrever. Seu estilo é seco, longe do retórico, mas tem o cuidado para não exceder o limite do impressionável. Evocando a essência desses anos tumultuados através da imaginação e do que ouvia dos familiares, Mengiste, utiliza de metáforas, em especial da relação do imperador que por direito divino estava no poder e o perdeu pelo povo. Uma mudança que teve um duro significado para os etíopes, conhecidos como leões, agora estavam acuados, chocados pela extrema crueldade, tanto física como emocional, daqueles que estavam no poder.</p>
<p style="text-align: justify">As atrocidades de um período turbulento da história etíope, somadas à complexa teia de relações humanas diante da violência e da perda são abordadas com maestria. E deixa os leitores sob o olhar do leão, daqueles que lutaram por uma liberdade e pagaram o preço, do povo que sofreu e ainda sofre. Emocionalmente poético e indelevelmente trágico. Recomendo.</p>
<p>Sob o olhar do leão<br />
Tradução: Flávia Rössler<br />
Páginas:364<br />
Sugestão de Preço: R$ 49,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_20944" class="footnote">Carestia: crise social e econômica acompanhada de má nutrição em massa, epidemias e aumento na mortalidade.</li></ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/05/15/sob-o-olhar-do-leao-maaza-mengiste/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
<!-- This Quick Cache file was built for (  blog.meiapalavra.com.br/feed/ ) in 0.39301 seconds, on May 18th, 2012 at 1:42 am UTC. -->
<!-- This Quick Cache file will automatically expire ( and be re-built automatically ) on May 18th, 2012 at 2:42 am UTC -->
<!-- +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ -->
<!-- Quick Cache Is Fully Functional :-) ... A Quick Cache file was just served for (  blog.meiapalavra.com.br/feed/ ) in 0.00042 seconds, on May 18th, 2012 at 2:36 am UTC. -->
