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	<title>Meia Palavra &#187; Resenhas</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>As Aventuras de Sharpe &#8211; Bernard Cornwell</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 17:44:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
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		<category><![CDATA[Romance Histórico]]></category>
		<category><![CDATA[Sharpe]]></category>

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		<description><![CDATA[
Richard Sharpe, um britânico de origem humilde, órfão, que para fugir da prisão faz sua entrada no exército de Sir Arthur Wellesley, é o centro destra série de livros de Bernard Cornwell. Iniciada em 1981, ambientada nas campanhas militares conhecidas como Guerras Napoleônicas,  a série Sharpe acompanha a carreira de Sir Arthur Wellesley, logo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/AS_AVENTURAS_DE_SHARPE__01__O_TIGRE_DE_1258232215P.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2984" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="AS_AVENTURAS_DE_SHARPE__01__O_TIGRE_DE_1258232215P" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/AS_AVENTURAS_DE_SHARPE__01__O_TIGRE_DE_1258232215P.jpg" alt="" width="200" height="290" /></a>Richard Sharpe, um britânico de origem humilde, órfão, que para fugir da prisão faz sua entrada no exército de Sir Arthur Wellesley, é o centro destra série de livros de Bernard Cornwell. Iniciada em 1981, ambientada nas campanhas militares conhecidas como Guerras Napoleônicas,  a série Sharpe acompanha a carreira de Sir Arthur Wellesley, logo Duque de Wellington, através de Sharpe, seus amigos, seus inimigos e, como não poderia deixar de ser, suas mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Dick Sharpe é um homem rude, mas inteligente, que aprende a ler a duras penas, fiel, exímio atirador, bom estrategista, um dos poucos a avançar em sua carreira militar unicamente em função de seu mérito e, como tal, alvo da admiração de uns e da inveja de muitos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2982"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O autor não escreve as obras cronologicamente, e o primeiro livro que chegou a público lá para os gringos foi o “Sharpe&#8217;s Eagle”, que até agora é o último lançado em português. Aqui a história é outra. A editora optou por publicá-los em ordem cronológica, o que destaca ainda mais a coerência de Cornwell ao longo da história.</p>
<p style="text-align: justify;">Sharpe não precisa ser lido cronologicamente, sendo cada livro como um episódio de série padrão: facilmente aproveitável sozinho, e muito mais interessante para quem acompanha todos os episódios; e esta continuidade é bastante apreciada por esta que vos escreve, especialmente naqueles momentos em que o autor insere aquele detalhe num dos livros que remete diretamente a outro – que talvez nem tivesse sido escrito ainda!</p>
<p style="text-align: justify;">Vê-se o cuidado na pesquisa nestes detalhes. Da conservação do uniforme, às descrições de terrenos, das técnicas e armas militares ao treinamento de seu uso, do acampamento da infantaria aos escritórios de Wellesley, do comportamento dos oficiais às disputas políticas, tudo é vívido, palpável e bem colocado. É quase como se a pólvora se impregnasse em seus dedos e o salitre em suas narinas, enquanto as páginas são quase freneticamente viradas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que surpreende mesmo em &#8216;As Aventuras de Sharpe&#8217; é mesmo  a inserção e caracterização dos personagens, incluídos nesta ambientação histórica., Cornwell costura a ficção de tal maneira na trama da história que alguns fatos tomam ares de ficção e vice-versa.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez pelo cuidado com que a tradução é feita, dos mais de 20 livros  da série já publicados nos Estados Unidos, apenas oito foram lançados  no Brasil, e cada um deles vale o dinheiro e o tempo investidos. São  eles:</p>
<p style="text-align: justify;">O Tigre de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">O Triunfo de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">A Fortaleza de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">Sharpe em Trafalgar</p>
<p style="text-align: justify;">A Presa de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">Os Fuzileiros de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">A Devastação de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">A Águia de Sharpe</p>
<p style="text-align: justify;">Seja na Índia, Portugal, Dinamarca, França, Espanha, ou mesmo no mar – com a participação do Almirante Nelson, Sharpe nos transporta direto ao exército britânico do início do século XIX de tal maneira, que fica difícil soltar o livro e voltar ao século XXI.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5112">COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F27%2Fas-aventuras-de-sharpe-bernard-cornwell%2F&amp;linkname=As%20Aventuras%20de%20Sharpe%20%26%238211%3B%20Bernard%20Cornwell">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>2666: A parte de Amalfitano</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 13:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[A parte de Amalfitano]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a leitura de 2666 de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666.jpg"><img class="size-medium wp-image-2621 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="2666" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Continuando a leitura de <em>2666</em> de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes de iniciar a parte seguinte. Minhas opiniões sobre a primeira parte (A parte dos críticos) você pode encontrar <a title="a parte dos críticos" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/15/2666-a-parte-dos-criticos/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que em teoria estou lendo o livro tal e qual a qualquer um – até porque mal estou interrompendo a leitura. Por causa disso acho que as sensações que tive sobre A parte de Amalfitano não serão tão diferentes, talvez só os achismos sobre o que as outras três partes podem trazer, o que será até divertido de confirmar depois. A verdade é que se não fosse a já familiar dificuldade para ler o catatau na cama, fiquei em alguns momentos com a impressão que tratava-se de um outro livro.<span id="more-2991"></span>A parte de Amalfitano é extremamente melancólica e densa, muito densa. Ontem quando concluí a leitura fiquei morrendo de vontade de voltar para o começo e reler os trechos em que Amalfitano aparece para os críticos, porque o que ele falava ali ganharia toda uma outra conotação depois de saber o que ele vivera antes daquele encontro, especialmente aquele trecho no qual comenta sobre a sombra se separando do escritor que trabalha para o Estado. A narrativa trata basicamente dos caminhos que o levaram a viver em Santa Teresa (cidade onde encontrará os críticos), começando do momento que sua esposa Lola o abandona para viajar em busca de um poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando falo que a segunda parte é diferente, é porque realmente distoa do que foi visto antes, tendo como único elo três elementos que se repetem d’A parte dos críticos: Amalfitano, o livro de Dieste pendurado no varal e os assassinatos que estão acontecendo em Santa Teresa.  Mesmo o estilo é diferente, tendendo muito mais para o fluxo de consciência do que para um discurso direto, o que funciona muito bem se considerar que um dos temas recorrentes dessa parte é a loucura.</p>
<p style="text-align: justify;">A loucura do poeta que Lola persegue, depois a loucura de Lola e então o próprio Amalfitano questionando se está ou não louco. A rapidez do estilo adotado por Bolaño para registrar diálogos e pensamentos nessa segunda parte acabam justamente criando aquele redemoinho que tiram a segurança da personagem (e óbvio, do leitor) sobre o que é real, sobre o que é certo. E no final das contas, acredito eu, pesam bastante para o plot dos crimes, mas aqui provavelmente também pela união de alguns elementos que são colocados na primeira parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre isso, a ideia que as duas partes dão é que Bolaño brinca um pouco com as exepectativas do leitor. Sempre retomando aquela ideia de que o ato de ler carrega junto o de prever, os elementos que ele oferece na primeira parte apontam para um grande clímax que não acontece. E agora a fórmula se repete: quando parece que tudo tende a levar a uma conclusão, ele segue uma outra direção. Da minha parte acho um exercício ótimo como leitora (e bem, da parte dele como escritor), mas tenho a sensação que no fim da segunda parte ele pode perder o leitor que busca apenas um enredo com  estrutura básica de começo meio e fim, digamos assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso para não falar da questão da melancolia, que comentei inicialmente. Não são só as ações (ou em alguns momentos a falta delas) de Amalfitano que constroem esse tom. As personagens ao seu redor, desde a filha até um possível novo interesse romântico, mostram a aridez de Amalfitano, como ele simplesmente não sente. Aridez como a de Santa Teresa, que cresce ainda mais na história e se revela triste tal como o protagonista. Eu sei que isso varia muito de leitor para leitor, mas para quem não suporta o calor como eu, dá quase para entender porque Amalfitano fica daquele jeito nesse lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluindo, a leitura continua sendo uma ótima experiência – e é experiência mesmo, extrapola um pouco aquela linha da leitura por puro entretenimento. E a verdade é que agora mal posso esperar para ver qual a próxima expectativa que será frustrada na terceira parte (talvez o fato de que não será frustrada?). E sim, eu continuo evitando ler o máximo possível o que saiu por aí sobre o livro, mas acabei lendo o post no blog do Tony Bellotto e aproveito para recomendar aqui: <a title="testamento geométrico" href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2010/07/testamento-geometrico/" target="_blank">Testamento geométrico</a>. Em tempo, se você ainda não conferiu, corre lá no blog do Meia Palavra para ler o <a title="10 perguntas e meia para tony bellotto" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/21/10-perguntas-e-meia-para-tony-bellotto/" target="_blank">10 Perguntas e Meia para Tony Bellotto</a>. Está bem legal!</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/26/2666-a-parte-de-amalfitano/" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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		<title>Poesia Matemática &#8211; Millôr Fernandes</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 15:35:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Millôr]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Matemática]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde muito criança, tinha uma coisa que eu achava engraçadíssimo nas aulas de matemática. Os nomes das grandezas matemáticas. Tinha até uma brincadeira com as minhas amiguinhas de colégio, escolher qual o nome de batismo dos nossos futuros filhos. Eu teria dois: Um menino que seria “o” Subtração e uma menina com “nome duplo” como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/capa_poesiamatematica1.jpg"><img class="size-full wp-image-2970 alignright" style="margin: 5px; border-width: 0px;" title="capa_poesiamatematica" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/capa_poesiamatematica1.jpg" alt="" width="226" height="230" /></a>Desde muito criança, tinha uma coisa que eu achava engraçadíssimo nas aulas de matemática. Os nomes das grandezas matemáticas. Tinha até uma brincadeira com as minhas amiguinhas de colégio, escolher qual o nome de batismo dos nossos futuros filhos. Eu teria dois: Um menino que seria “o” Subtração e uma menina com “nome duplo” como a mãe: Expressão Numérica. E eles seriam amiguinhos de: Adição, Colchetes e Parênteses.<br />
<span id="more-2969"></span><br />
Apesar de ser apenas um poema, Millôr me lembrou dessa brincadeirinha infantil, ao juntar a poesia com a matemática. Coisa essa que eu achava impossível antes de ler essa simpática edição de 2009 da Editora Desiderata.</p>
<p style="text-align: justify;">Com certeza, o autor é muito conhecido por suas crônicas deliciosas e suas charges sempre mordazes. Já seus poemas, são menos numerosos, mas nem por isso menos  excepcionais que suas demais obras.</p>
<p style="text-align: justify;">Poesia Matemática, possivelmente é o mais consagrado, pois quem mais teria a idéia de contar a história de amor entre uma Hipotenusa charmosa e um Quociente romântico? Mesmo que em poucas páginas, essa linda historinha nada deve aos “grandes livros” românticos. Com começo, meio e fim, essas grandezas ganham vida e sentimentos (olha só, e quem disse que não há sentimentos na matemática?), te emocionam e te seguram até a última página.</p>
<p style="text-align: justify;">Com as ilustrações de Mariana Newlands, a simpatia e a leveza de Millôr são elevadas até o infinito das expectativas daqueles que (como eu) achavam que a matemática era fria e sem setimentos.</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5127">Comente esse artigo no fórum Meia Palavra</a></p>
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		<title>Papéis Inesperados (Julio Cortázar)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/23/papeis-inesperados-julio-cortazar/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 13:38:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pips</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[2009]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Julio Cortázar]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Papéis Inesperados]]></category>

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		<description><![CDATA[Julio Cortázar há tempos figura na minha mente como um dos meus escritores favoritos. E como eu sempre gosto de salientar, quando resenho, é que escrever sobre algo que mexe com seu gosto pessoal, que está em um pedestal e na sua mente é quase sem mácula, se torna uma tarefa árdua, afinal como passar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/papeisinesperados.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2954" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="papeisinesperados" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/papeisinesperados.jpg" alt="" width="211" height="314" /></a>Julio Cortázar há tempos figura na minha mente como um dos meus escritores favoritos. E como eu sempre gosto de salientar, quando resenho, é que escrever sobre algo que mexe com seu gosto pessoal, que está em um pedestal e na sua mente é quase sem mácula, se torna uma tarefa árdua, afinal como passar para as pessoas o que aquele livro, autor, personagem tem de tão especial.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa edição de textos póstumos, guardados num móvel na casa do autor em Paris, contém todos os apêndices, as críticas, diários e auto-entrevistas. Em <em><strong>Papéis Inesperados </strong></em>somos convidados a conhecer a figura do escritor argentino já tão discutida, mas de forma íntima, mostrando o seu lado de admirador do mundo, da política e das artes.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2951"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O livro é dividido em <em>Histórias, Histórias de Cronópios, Do Livro de Manuel, De um tal Lucas, Momentos, Circunstâncias, Dos Amigos, Outros Territórios, Fundos de Gaveta, Entrevistas Diante do Espelho e Poemas</em>. A partir de um prólogo de Carles Álvarez Garriga relatando como encontrou os textos e como decidiu organizá-los junto à viúva do escritor, Aurora Bernádez.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos iniciados na obra do autor, é fácil achar um atalho no amontoado de textos e descobrir quais gostariam de ler primeiro, como capítulos excluídos <em>De um tal Lucas</em> ou de <em>O Livro de Manuel</em>. Cortázar cita que excluiu um capítulo importante, ao qual chamava de chave, de <em>O Jogo da Amarelinha</em> por considerar uma abertura e ao mesmo tempo um fechamento da obra, o que daria outro sentido ao que ele se propunha ao escrever. Fato curioso também é sua contemplação com os jovens fãs da obra, pois ao analisar o antirromance a perspectiva era de um texto escrito para pessoas mais velhas, acima dos 40 anos, mas com dez anos de lançamento alcançará fiéis seguidores e admiradores da mais tenra idade.</p>
<p style="text-align: justify;">Desviei do caminho conhecido e parti para as<em> Entrevistas Diante de um Espelho</em> e encontrei os alter-egos de Cortázar discutindo a veracidade e os escapismos do realismo fantástico. Partindo de uma conversa de bar, os dois discutem o quão necessário é usar os aforismos fora da realidade para concluir uma obra, citando entre outros exemplos, <em>Cem Anos de Solidão</em>, de García Márquez.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seguida, quis conhecer o que o escritor tinha a dizer no capítulo <em>Dos Amigos</em>, nesse em especial ele cita suas amizades pelo mundo e suas viagens, aqui sua admiração pelas culturas e pelas línguas transpõe um olhar apaixonado por novidades, velharias e o que mais há de ordinário. Em <em>Para Uma Imagem De Cley</em>, ele cita doces brasileiros, <em>Como Dois e Dois</em> em um portunhol abusado e fala das vozes de Gal e Chico Buarque. Mesmo contando o entusiasmo ao ouvir a MPB, ele descreve em uma prosa verídica como era bom conversar com um parisiense que considerava Carlos Gardel um gênio para na seqüência presentear o dono da loja de vinis com Susana Rinaldi.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Mas se a mudança pode surpreender aqueles que continuam fiéis às origens de qualquer forma de arte (apoiados na moda retrô que arremeda deliberadamente os ares 1920-1940), basta escutar Susana Rinaldi para descobrir que o essencial permanece invariável e que o próprio Gardel, morto há mais de quarenta anos, seria o primeiro a admirar a maior cantora de tango do nosso tempo.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">E se <em>Em Matilde</em>, Cortázar mostra seu talento único para descrever ações do dia a dia de maneira extraordinária; objetos inanimados que ganham vida através da passividade da personagem principal, no último capítulo <em>Poemas</em> encontramos poesias românticas e outras falando de lagartixas. Selecionei como favorito O que eu gosto do teu corpo, que cita a paixão do argentino pela palavra:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O que eu gosto do teu corpo é o sexo.<br />
O que eu gosto do teu sexo é a boca.<br />
O que eu gosto da tua boca é a língua.<br />
O que eu gosto da tua língua é a palavra.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Destrinchar cada capítulo parece uma inesperada coincidência, entre discursos políticos, fantasiosos e textos soltos, reconhecemos a faceta familiar do autor, aquele que esteve impregnado em todos os seus contos, prosa e poemas, do ar crítico ao da veneração.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Papéis Inesperados</em></strong> foi publicado no momento certo, por parecer uma despedida, como uma carta que após a leitura desperta a nostalgia dos fãs que esperavam um adeus digno, cheio de palavras e invenções, e longe, bem longe, do silêncio.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5123">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F23%2Fpapeis-inesperados-julio-cortazar%2F&amp;linkname=Pap%C3%A9is%20Inesperados%20%28Julio%20Cort%C3%A1zar%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>As Minas do Rei Salomão (Henry Rider Haggard)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/22/as-minas-do-rei-salomao-henry-rider-haggard/</link>
		<comments>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/22/as-minas-do-rei-salomao-henry-rider-haggard/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 11:37:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[Allan Quatermain]]></category>
		<category><![CDATA[As Minas do Rei Salomão]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra dos Bôeres]]></category>
		<category><![CDATA[Henry Rider Haggard]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Inglesa]]></category>

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		<description><![CDATA[O Imperialismo representou para muitos povos destruição e exploração, espoliação de sua terra e de sua liberdade em detrimento da ganância e febre de ouro e riquezas de algumas pessoas. Para outros, no entanto, essa época, que vai, segundo as “balizas históricas” de Eric Hobsbawn, de 1875 a 1914, a “Era dos Impérios”; foi uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/50032_362.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2942" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="50032_362" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/50032_362.jpg" alt="" width="200" height="278" /></a>O Imperialismo representou para muitos povos destruição e exploração, espoliação de sua terra e de sua liberdade em detrimento da ganância e febre de ouro e riquezas de algumas pessoas. Para outros, no entanto, essa época, que vai, segundo as “balizas históricas” de Eric Hobsbawn, de 1875 a 1914, a “Era dos Impérios”; foi uma era de luxo e opulência, de gozos sublimes, de inebriantes e dispendiosas regalias, que ganhou um alcunha deveras significativo de <em>Belle Époque</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Edward Said estudou várias obras literárias desse período no sentido de explorar e discutir qual a visão que se tinha sobre todo esse processo no livro <em>Cultura e Imperialismo</em>: que tipo de imagem se construía sobre aquelas populações dominadas e longínquas que tinham seu sofrimento e penúria dissolvidos em meio aos régios regalos que inundavam grande parte da Europa em desfiles e salões de festas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2941"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um exemplo muito claro disso é a obra <em>As Minas do Rei Salomão</em>, de Henry Ridder Haggard. Publicada em 1885, ela trata da aventura de Allan Quatermain, alguns fidalgos ingleses e uma série de escravos africanos pelo coração inexplorado da África em busca de um parente perdido, objetivo esse que oculta uma busca às míticas Minas do Rei Salomão, onde ,segundo a lenda, estaria um tesouro grandiosíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Haggard nasceu em 1856, em Norfolk, Inglaterra e tentou, sem sucesso, alistar-se no exército inglês, ao passo que, após ter estudado e passado parte da vida na Inglaterra, muda-se para a África onde consegue amealhar, em 1878, o posto de oficial da Alta Corte no Transvaal, região agitada por enfrentamentos bélicos entre exploradores e explorados, sendo, inclusive um dos pontos nevrálgicos de disputa durante a famosa Guerra dos Bôeres, ocorrida entre 1880-1881 e 1899-1902.</p>
<p style="text-align: justify;">Tendo em mente a posição que Haggard ocupava frente ao “império onde o sol nunca se punha”, cabem algumas considerações acerca de sua obra literária. A história é narrada por Allan Quatermain, onde ele expõe que alguns gentlemen se apresentam a ele pedindo-lhe ajuda para encontrar um parente seu que perdeu-se na “selvagem África”. Quatermain aceita a empreitada e parte seguindo um mapa que um dos gentlemen detinha com uma caravana de vários cafres que os seguem e servem. É interessante como Haggard ainda dá alfinetadas na postura dos <em>gentlemen</em> britânicos, questionando-se se os negros que os acompanham são muitas vezes mais <em>gentleman </em>que alguns <em>gentlemen</em> que ele conhece.</p>
<p style="text-align: justify;">Modificando os rumos e o objetivo da missão inicial, a caravana vai matando elefantes, atravessando desertos de areias escaldantes onde quase encontram a morte, e embrenhando-se em territórios ermos, onde encontram a tribo dos kakuanas. Quando da chegada dos exploradores, os kakuanas eram explorados por um temível ditador, um terrível jugo que os assola e que incomoda a nobreza e a bravura dos estrangeiros.</p>
<p style="text-align: justify;">A história mostra como Haggard projeta uma imagem de nobre e valorosa missão do europeu sobre as tribos “selvagens” africanas, que, com a expansão imperialista estariam “civilizando-se”. A obra tornou-se clássica pelas inúmeras adaptações que teve e pela repercussão que acabou tendo também na época, pois, conforma já havia sublinhado no artigo sobre O Livro da Selva, do Kipling, a literatura tinha um importante papel por servir como forma de contato dos europeus com os povos dominados. A<em>s Minas do Rei Salomão</em> não foge (obviamente que não em todas as suas passagens) da visão de “fardo do homem branco”, do polêmico poema de Kipling, que traduz a preocupação também de legitimar essa intervenção fechando os olhos para certas práticas que eram comuns na época, como trabalho forçado, exploração econômica maximizada, desestruturação social e política dos povos africanos etc.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro tem um ritmo acelerado de aventuras e um fio narrativo afiado, com personagens bons mas não surpreendentes, dos quais se destaca o narrador da jornada, Allan Quatermain, que é sagaz, experiente e bem humano, anunciando medos e dúvidas que o perseguiram ao longo do relato de forma aberta, criando um vínculo muito interessante com o leitor. Embora não seja um grande clássico da Literatura Mundial, ajuda a entender mais sobre o período e os enfrentamentos que enchiam o continente africano.</p>
<p style="text-align: justify;">Os diamantes que jazem nas entranhas rochosas das Minas do Rei Salomão, perspicazmente colocados lá por Haggard, são regados de sangue e lapidados pela força do trabalhador negro que viu sua terra usurpada e sua gente morta ou escravizada. Um documento histórico-literário muito interessante que guarda uma série de significados de um processo complexo e muito abrangente que viria a desembocar, em 1914, na Primeira Guerra Mundial.</p>
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		<title>Dossiê H (Ismail Kadaré)</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 11:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê H]]></category>
		<category><![CDATA[Homero]]></category>
		<category><![CDATA[Ismail Kadaré]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Albanesa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A pessoa de Homero está para sempre imersa nas trevas impenetráveis da lenda. Ignoramos quando viveu; não sabemos que terra privilegiada lhe ouviu os primeiros vagidos (&#8230;) Venerandas tradições representavam-no como um velho cantor, pobre e cego que, peregrinando de terra em terra, recompensava a quem o agasalhava com a declamação de seus poemas”. (Augusto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/homero.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2934" style="margin: 5px;" title="homero" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/homero.jpg" alt="" width="238" height="300" /></a>&#8220;A pessoa de Homero está para sempre imersa nas trevas impenetráveis da lenda. Ignoramos quando viveu; não sabemos que terra privilegiada lhe ouviu os primeiros vagidos (&#8230;) Venerandas tradições representavam-no como um velho cantor, pobre e cego que, peregrinando de terra em terra, recompensava a quem o agasalhava com a declamação de seus poemas</em>”. (Augusto Magne)</p>
<p style="text-align: justify;">Homero é considerado um dos pais da literatura ocidental- se não o pai em sim- mas a verdade é que é uma figura controversa: alguns sustentam que, talvez, o autor da Ilíada e da Odisséia não seja um só indivíduo, mas uma ficção que acoberta centenas ou milhares de indivíduos, de trovadores de uma tradição épica já perdida. Ou ainda talvez ele tenha existido mas não criou os poemas que lhe são atribuídos: selecionou as versões e os catalogou, uma tarefa no mínimo tão árdua quanto a de os criar.<span id="more-2933"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em o &#8216;Dossiê H&#8217; o escritor Ismal Kadaré transporta dois homeristas- estudiosos do poeta cego e sua obra- irlandeses para sua Albânia em busca da resposta para o enigma de Homero; na primeira metade do século XX, quando se passa a ação do livro, a Albânia era um lugar extremamente singular, em que o começo de uma modernidade imiscuia-se e transmutava tradições milenares e a poesia época e o trovadorismo davam lá seus últimos suspiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Munidos de um &#8216;magnetofone&#8217;- um esboço de gravador de som- e certa ingenuidade acadêmica os dois homeristas acabam sendo envolvidos, sem saber, no milenar conflito sérvio-albanes, em intrigas políticas e até mesmo nas fantasias eróticas de mulheres provincianas, enquanto tentam registrar as alterações sofridas pelos últimos épicos a cada vez que são cantados, para que possam reconstruir o esforço homérico.</p>
<p style="text-align: justify;">Não cabe aqui um spoiler, contando o resultado. Basta-me escrever que mesmo não estando entre as principais obras de Kadaré- e com razão quando pensamos em &#8216;Abril Despedaçado&#8217; ou &#8216;Concerto no fim do Inverno&#8217;- &#8216;O Dossiê H&#8217; é um livro muito bom, que mostra de modo breve e conciso o porque de Marguerite Yourcenar ter dito que a literatura albanesa supera, hoje, a francesa, mesmo que o seu único autor com um reconhecimento universal seja Kadaré- cuja escrita consegue misturar beleza, tristeza e mesmo humor de modo que o resultado final é sempre algo singular.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<item>
		<title>A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao (Junot Díaz)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/19/a-fantastica-vida-breve-de-oscar-wao-junot-diaz/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 09:39:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Junot Díaz]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Nerd]]></category>
		<category><![CDATA[República Dominicana]]></category>
		<category><![CDATA[Trujillo]]></category>

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		<description><![CDATA[O Senhor dos Anéis, Silmarillion, Star Trek, Star Wars, Detective Comics, Marvel, Os Herculóides, Space Ghost, Capitão Marvel, Alan Moore, Planeta dos Macacos, Dungeons &#38; Dragons, Stephen King, Ultraman, Watchmen, Matrix, e por aí vai. Essas são só algumas das referências nerds presentes em A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, do dominicano Junot Díaz.
Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/avida_breve_oscar_wao.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2922" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="avida_breve_oscar_wao" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/avida_breve_oscar_wao.jpg" alt="" width="200" height="309" /></a>O Senhor dos Anéis</em>, <em>Silmarillion, Star Trek, Star Wars</em>, Detective Comics, Marvel, <em>Os Herculóides, Space Ghost, Capitão Marvel,</em> Alan Moore, <em>Planeta dos Macacos, Dungeons &amp; Dragons,</em> Stephen King, <em>Ultraman, Watchmen, Matrix</em>, e por aí vai. Essas são só algumas das referências nerds presentes em <em>A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao</em>, do dominicano Junot Díaz.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não se engane, elas não vem simplesmente para dar estofo a personagens ou para mostrar o conhecimento da cultura nerd por parte do autor (embora elas dêem um ritmo todo especial para a trama), elas são o instrumento que o autor usa para tratar da história pouquíssimo conhecida da República Dominicana. Elas servem de metáfora para a situação complicadíssima de um país que serve como exemplo de muitos outros casos América Latina afora.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2919"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Seu ponto de partida é o fukú, espécie de maldição, que assola a família de Oscar Wao (o sobrenome é fruto de uma pronúncia equivocada de Wilde) e que tem como origem, Rafael Leônidas Trujillo Molina, um dos mais cruéis ditadores que a América Latina conheceu. A partir desse plot é que Yunior, o narrador da história, começa a relatar como o fukú de Oscar originou-se e como ele interferiu na breve vida desse, atravessando as gerações da família com leveza e ritmo.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro consegue aliar a história particular de Oscar Wao e sua família a história dominicana, com um sarcasmo digno de mestre que dá o tom engraçado do livro, partindo do micro-universo da família de Oscar e dialogando a todo momento com o macro-universo da realidade dominicana. Com mordacidade e sem poupar palavrões (em português e espanhol) Junot Díaz traça um panorama histórico sobre a cruel ditadura Trujillista, ora no corpo do texto ora nas notas de rodapé, descrevendo personagens conhecidos de todo esse processo, evidenciando o pouco conhecimento que se tem sobre essa História, desde presos políticos e “desaparecidos” até de chefes de Polícia secreta e figurões do governo, criando através dos símbolos nerd’s e pop’s uma visão instigante e questionadora sobre a realidade dominicana e caribenha.</p>
<p style="text-align: justify;">A originalidade de Díaz está na referência que ele faz a cultura nerd nos mais diversos momentos do livro, comparando a avó de Oscar, La Inca, a Galadriel, pois parecia não envelhecer; ou Trujillo a Sauron; e a própria República Dominicana a Mordor. Oscar Wao entra nisso tudo emblematicamente como a minoria da minoria. Ele é um dominicano que passa um tempo nos Estados Unidos, sofrendo com o preconceito a estrangeiros (ainda mais latino-americanos); agravado pelo fato de sofrer de obesidade e ter problemas de sociabilidade, levando-o a um grau de nerdice extrema.</p>
<p style="text-align: justify;">A história se divide em capítulos descontínuos em tempo e espaço, que alternam narrativas em primeira e terceira pessoa que fornecem à história da família de Oscar uma maleabilidade e ritmo deliciosos que se ramifica em diferentes períodos da história dominicana, durante e após o Trujillato, criticando estereótipos “latinos” e mostrando como há heterogeneidade na América Latina. Em alguns momentos do livro parecia estar escutando o Holden Caufield falando.</p>
<p style="text-align: justify;">Oscar Wao traduz as dificuldades dos dominicanos não somente em relação a sua condição atual mas também acerca de seu problemático passado, passeando pelas gerações e mostrando como a marginalidade  (fukú?) dominicana é sim algo presente e pungente no cenário mundial moderno.</p>
<p style="text-align: justify;">Um livro que consegue agradar não somente latino-americanistas como amantes e entusiastas das culturas pop e nerd, assim como tolkienianos (com direito a referências a queda de Gondolin, Balrogs, élfico e Morgoth). Não à toa é que o livro foi agraciado com o Pulitzer de Ficção em 2008. Altamente recomendável.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=3454&amp;highlight=OSCAR+WAO" target="_self">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>A Guardiã da Meia-Noite – Sarah Jane Stratford</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/17/a-guardia-da-meia-noite-%e2%80%93-sarah-jane-stratford/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 22:09:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A Guardiã da Meia-Noite]]></category>
		<category><![CDATA[Chick-lit]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Jane Stratford]]></category>
		<category><![CDATA[Vampiros]]></category>

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		<description><![CDATA[Vampiros sempre foram criaturas que despertaram um grande interesse (ou, no mínimo, curiosidade) entre nós. Representados, sobretudo, através da literatura e do cinema, a temática vampiresca retornou de forma intensa nesta década – reforçando a idéia de que nenhum mito ou lenda caem em eterno esquecimento. E foi justamente o que Sarah Jane Stratford resgatou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/A-Guardia-da-Meia-noite.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2913" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="A Guardia da Meia noite" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/A-Guardia-da-Meia-noite-207x300.jpg" alt="" width="199" height="287" /></a>Vampiros sempre foram criaturas que despertaram um grande interesse (ou, no mínimo, curiosidade) entre nós. Representados, sobretudo, através da literatura e do cinema, a temática vampiresca retornou de forma intensa nesta década – reforçando a idéia de que nenhum mito ou lenda caem em eterno esquecimento. E foi justamente o que Sarah Jane Stratford resgatou, ao publicar seu primeiro livro “A Guardiã da Meia-Noite”, retomando a essência destes personagens da noite.</p>
<p style="text-align: justify;">Mestre em História Medieval, a autora uniu útil ao agradável: seu conhecimento acadêmico com sua paixão em contar histórias. O enredo possui um contexto histórico embasado – passando-se durante meses antecedentes à Segunda Guerra Mundial, o qual os vampiros do Tribunal de Londres buscam interferir. Embora a história possua certos mistérios em torno da real missão do grupo, o que acaba até confundindo de início, se prender à narrativa é fatal. A protagonista, Brigit, é uma vampira milenar que não se conforma com as atrocidades cometidas pelos nazistas e tem uma missão especial a ser cumprida: ser guardiã de duas crianças que lhe foram confiadas.<span id="more-2912"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas, ela não está desamparada: além dos companheiros do Tribunal, ela ultrapassa a barreira do tempo e espaço para manter contato com Eamon, seu amado, que teve que deixar para poder levar adiante o plano contra a suástica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que torna o livro ainda mais peculiar, é o modo como a autora e explora a mente de Brigit: a bela vampira, para o leitor, torna-se uma janela entre o mundo dos seres humanos e dos mortos, levando a reflexões em meio à época mais desumana da história.<br />
Suas personagens têm fortes características, enriquecendo ainda mais a narrativa que é deliciosa de ler. Com grande sensualidade em torno das mais clássicas lendas sobre vampiros, Stratford encanta em sua estreia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O vampiro de Sarah</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Diante da flexibilidade que os autores possuem para manipular os personagens – até mesmo os mitológicos -, cabem algumas ressalvas a respeito do vampiro, na concepção de Sarah Jane Stratford. Algumas coisas não mudam! O instinto aguçado e a sedução fazem parte de todo o universo vampiresco. Mas, antes de adquirirem tais habilidades, eles devem renascer. E para que o ritual seja completo, a nova criatura passa por um teste de dificuldade – representado por um túmulo: o corpo morto é enterrado, e a prova da força do novo vampiro dá-se quando ele consegue sair da vala. A renascença, assim, torna-se um triunfo por meio do rito de passagem para a nova vida (ou sobrevida).</p>
<p style="text-align: justify;">Do mesmo modo que um recém-nascido recebe um nome da mãe, o novo vampiro também deve ser nomeado. A escolha do nome representa a ruptura com a vida humana, e comumente não é imediata à transformação. Mais que isso, significa deixar de lado os vínculos com as pessoas, sobretudo a família, de modo que somente restem as lembranças, caso seja necessário retornar aos dias de mortal.</p>
<p style="text-align: justify;">Consequentemente, a transformação de um vampiro acarreta na busca pela sobrevivência. Como Sarah descreve, por meio de sua fabulosa protagonista, um demônio divide o espaço de um corpo humano, com a existência de Brigit. Sua própria existência, assim, é uma ideia, pois se alterna entre a manifestação do demônio, que possibilita a alimentação – obviamente, através de sangue humano. E cada vampiro possui um dom presenteado por este demônio.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, o diferencial de Stratford não é enfatizar as proezas dos dons dos vampiros – velocidade, força ou qualquer outro poder sobre-humano. A nova forma de existência possibilita uma nova visão, afastada do mundo dos seres humanos, mas ainda inserido no mesmo. As fraquezas e medo de ambas as partes são exploradas, e dentro do contexto de pré-guerra, isso se torna mais evidente, pois a missão do Tribunal passa a ser secundária, diante das reflexões pessoais de cada personagem – que, por mais que neguem, ainda têm um pouco de humano dentro de si.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre a autora:</strong> Elis é estudante de Jornalismo e pode ser encontrada como <a title="Brigit" href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=2015" target="_blank">Brigit</a> no Fórum Meia Palavra. Além da literatura, sua outra paixão é o cinema.</p>
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		</item>
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		<title>2666: A parte dos críticos</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/15/2666-a-parte-dos-criticos/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 14:37:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[A parte dos críticos]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[A tradução de Eduardo Brandão para 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2621" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="2666" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>A tradução de Eduardo Brandão para <em>2666</em> do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão da família de Bolaño em não dividir <em>2666</em> em cinco partes como sugerido pelo escritor para facilitar o sustento dos filhos quando morresse. A obra foi publicada mais de um ano após sua morte, mas, como garante Ignacio Echevarría em nota à primeira edição, &#8220;o romance se aproxima muito do objetivo que ele traçou&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">E eu sei que para muitos fãs de Bolaño (e de <em>2666</em>) eu provavelmente estarei cometendo uma heresia, mas decidi seguir o caminho oposto da família, e comentar o livro por partes, publicando os comentários  sempre antes de iniciar a leitura da parte seguinte. E para começar, vamos de <em>A parte dos críticos</em>, primeira parte de <em>2666</em>. Acredito ser importante destacar aqui que estou tentando ler o mínimo possível sobre o livro para não estragar a experiência, e que muito do que falar agora eu posso contrariar em textos futuros. Mas bem, qual é a graça de se ler uma obra sem participar da brincadeira da adivinhação do que está por vir?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2620"></span><strong>A parte dos críticos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu tenho uma curiosidade enorme de conhecer a obra de Bolaño porque muitas pessoas próximas que acredito terem bom gosto literário simplesmente adoram o que ele publicou. Mas eu sou teimosa e encasquetei que meu primeiro Bolaño seria o <em>tão-falado-2666</em>, que demorou um pouco para chegar no Brasil porque Brandão levou mais de um ano para traduzir a obra.<sup>1</sup> E então finalmente tive a oportunidade de ler o livro, com as expectativas lá no alto, é óbvio.</p>
<p style="text-align: justify;">E Bolaño já começa impondo um ritmo de narrativa mais lento, fazendo com que o leitor mais afoito volte a acostumar os olhos a uma leitura mais cuidadosa, detalhada. O autor não tem pressa e vai desenvolvendo as personagens e os eventos que as conectam de forma cuidadosa: não são apenas suas ações que os definem, são seus sonhos, o que se pensou mas não foi dito, o modo como se relacionam com o que ou quem gostam.</p>
<p style="text-align: justify;">E por causa disso, quanto menos se espera, você já está completamente amarrado pelo quarteto de críticos apaixonados pela obra do recluso escritor alemão Benno von Archimboldi. Espinoza, Pelletier, Norton e Morini se encontram nos congressos de estudos literários que frequentam, e desenvolvem um grande laço de amizade justamente por causa do interesse em comum &#8211; Archimboldi &#8211; e, mais precisamente, por onde andará Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify;">A relação entre eles se estreita, e apesar de obviamente as cutucadas que Bolaño dá na crítica literária ficarem mais ao gosto de quem é da área, ainda assim a amizade independe desse aspecto, e mesmo quem não é muito familiar aos estudos literários vai acabar se encantando com as personagens, até mesmo ao se enxergar na situação de apaixonado que eles se encontram. Isso não precisa ser só entre leitor e escritor, aparece de tantas formas: o músico e o sujeito que o escuta, o cineasta e quem o assiste. É a relação com a arte.</p>
<p style="text-align: justify;">E nisso, um dos trechos mais memoráveis é o dos críticos conversando com a dona da editora que publicou Archimboldi pela primera vez, a senhora Bubis. O comentário da mulher sobre o gosto que tinha pela obra de Grosz e da diferente reação que ela tinha para seus quadros da que seu amigo tinha é genial. A questão da diferença entre o gostar e o entender, e de como uma obra pode refletir de maneiras diferentes de acordo com quem a vê.</p>
<p style="text-align: justify;">É o que acaba nos levando ao trecho com o pintor Edwin Johns, que decepou a própria mão para fazer o que seria sua obra-prima.  O artista causa reações diferentes nas personagens, sendo a mais forte certamente sobre Morini, o único que lhe pergunta a razão da mutilação. A história é retomada na conclusão da primeira parte, servindo como o elemento que faltava para definir a relação dos quatro críticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como comentei, evitei ao máximo possível saber sobre <em>2666</em> antes de completar a leitura, mas é óbvio que do básico do enredo é impossível fugir, e sei que uma pequena história contada para os críticos enquanto seguiam uma pista de Archimboldi no México, de assassinatos de centenas de mulheres, vai acabar se desdobrando nas partes que virão. Mas no momento o que temos é isso: esse primeiro quadro com a relação entre os quatro críticos e a relação desses com Benno von Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu adorei, especialmente pelo modo como Bolaño conduz a narrativa. Um &#8220;truque&#8221; legal utilizado por ele é mudar a forma de escrever de acordo com o que está representando. Por exemplo, um sujeito está contando uma história, a fala vem com marcas de oralidade &#8211; aquelas pequenas idas e vindas de quando relatamos algo. A parte do email de Norton é simplesmente fantástica, com ações de Pelletier e Espinoza entrecortadas por trechos do que ela escreveu para eles. Ou ainda, Amalfitano falando sobre os artistas e o Estado na América Latina, fala longa e cheia de metáforas que é cortada por um &#8220;Não entendi nada do que você disse&#8221; de Norton.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto é quase como um labirinto, que em alguns momentos você continua seguindo e com a certeza de que está no caminho certo, em outros anda, anda e anda para então dar de cara com uma parede indicando que é hora de recomeçar. Mas não pensem que isso faz de <em>2666</em> um texto difícil. Muito pelo contrário: Bolaño é acima de tudo um contador de histórias, e a primeira parte fluiu muito bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem ficou curioso, <a title="2666 na companhia" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12537" target="_blank">no site da Companhia das Letras está disponível um trecho do livro em pdf</a>. Vale a pena conferir, mas se as outras quatro partes do livro forem tão boas (ou melhores) do que a primeira, vale a pena é ir atrás do livro mesmo.  Se já leu e quer saber mais sobre outras obras do Bolaño, não deixe de conferir as resenhas do Pips para <a title="noturno do chile" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/03/18/noturno-do-chile-roberto-bolano/" target="_blank">Noturno do Chile</a>, <a title="os detetives selvagens" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/26/os-detetives-selvagens/" target="_blank">Os Detetives Selvagens</a> e <a title="estrela distante" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/04/estrela-distante/" target="_blank">Estrela Distante</a> já publicadas aqui no blog do Meia Palavra. Enquanto isso, aguardo dicas  das melhores posições para ler <em>2666</em> na cama, há!</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5037" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2620" class="footnote">para saber mais sobre a tradução, vale a pena conferir <a title="tradução 2666" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/766166-tradutor-brasileiro-de-bolano-defende-que-narrativa-do-autor-e-anti-heroica.shtml" target="_blank">uma entrevista com Brandão para a Livraria da Folha</a></li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F15%2F2666-a-parte-dos-criticos%2F&amp;linkname=2666%3A%20A%20parte%20dos%20cr%C3%ADticos">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Louras Zumbis (Brian James)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 13:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/louraszumbis.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2606" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="louraszumbis" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/louraszumbis-194x300.jpg" alt="" width="194" height="300" /></a>Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque no fim é tudo sobre o sujeito diferentão que atrai a menina para sua vida, que apresenta supostos perigos. No final das contas, quem ainda busca esses livros atrás de diversão acaba se desapontando e simplesmente deixando de lado títulos novos, pensando que será mais do mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por isso que li com certo alívio <a title="louras zumbis" href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24887" target="_blank"><strong><em>Louras Zumbis</em></strong></a>, de Brian James lançado aqui no Brasil pela <a title="galera record" href="http://www.record.com.br/grupoeditorial_editora.asp?id_editora=11" target="_blank">Galera Record</a>. Quando fiquei sabendo sobre o título, pensei que lá vinha outra história com uma heroína desajeitada perdidamente apaixonada, só que dessa vez por um zumbi. Bem, as coisas são diferentes com <em>Louras Zumbis</em>, porque não se trata de um livro romântico, mas de ação (ou, sendo mais específica, de horror).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2605"></span>Logo de início somos apresentados à Hannah Sanders, uma garota que vive mudando de cidade porque o pai precisa fugir das dívidas. Eles chegam na pequena Maplecrest, uma cidadezinha que ela pensa ser como qualquer outra no começo. Chegando no primeiro dia de aula, ela precisa enfrentar a rotina que já conhece bem para se adaptar ao novo ambiente. Hannah é já mudou tantas vezes que sequer tem dificuldades para reconhecer quem são as garotas populares da escola: as líderes de torcida, todas louras e perfeitas e admiradas pelos demais.</p>
<p style="text-align: justify;">A história em muito apresenta essa adaptação de Hannah em Maplecrest, que apesar de alertada por Lukas, o &#8220;esquisitão&#8221; da escola ainda assim sente uma vontade irresistível de se aproximar dessas meninas. Aqui aquele ponto interessante do deslocamento, de simplesmente querer fazer parte de algo &#8220;normal&#8221;, mesmo que sabendo que com certo prazo de validade, acaba dando um histórico legal para a personagem. Mas é nos avisos de Lukas que começa a parte da ação: as meninas são mesmo zumbis ou é só exagero da parte de alguém que lê muito gibi?</p>
<p style="text-align: justify;">E enquanto a protagonista ainda está querendo encontrar a resposta para essa dúvida, já temos a preparação do que são capítulos finais que já estavam fazendo falta em livros do gênero: muito mais tensão do que sacarina, e a conclusão (que eu obviamente não vou contar aqui) simplesmente me conquistou. Então se você já estava meio cansado desse tema porque nunca era o que você achava que TINHA que ser, dê uma chance para <em>Louras Zumbis</em>. Não segue a metáfora do ótimo <a title="generation dead" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/08/13/10-perguntas-e-meia-para-daniel-waters/" target="_blank">Generation Dead de Daniel Waters</a>, mas diverte muito quem gosta do gênero.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4726&amp;pid=81812#pid81812" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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