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	<title>Meia Palavra&#187; Resenhas</title>
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		<title>O professor e o louco (Simon Winchester)</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 22:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foram 70 anos, 12 volumes, 414.825 verbetes e 1.827.306 citações ilustrativas.  A criação do Oxford English Dictionary foi o trabalho da Sociedade Filológica de Londres, resultado dos esforços de homens como Herbert Coleridge, Frederick Furnivall e  James Murray, além de um incontável número de voluntários, entre eles o Dr. William Minor, ex-capitão cirurgião do exército [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/professorlouco.jpg"><img class="size-medium wp-image-18039 alignright" style="margin: 5px; border: 0pt none;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/professorlouco-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Foram 70 anos, 12 volumes, 414.825 verbetes e 1.827.306 citações ilustrativas.  A criação do <em><a href="http://www.oed.com/public/oedhistory">Oxford English Dictionary </a></em>foi o trabalho da Sociedade Filológica de Londres, resultado dos esforços de homens como Herbert Coleridge, Frederick Furnivall e <a href="http://www.oxforddnb.com/public/dnb/35163.html"> James Murray</a>, além de um incontável número de voluntários, entre eles o Dr. William Minor, ex-capitão cirurgião do exército dos EUA, irremediavelmente insano.</p>
<p style="text-align: justify;">Num mundo em que dicionários são fator comum, disponíveis nas mais diferentes plataformas e formatos e em todos os idiomas possíveis; é difícil conceber a monstruosidade e ambição do projeto do <em>Oxford English Dictionary</em>.  Uma obra que pretendia abarcar, explicar e codificar todas as palavras de um idioma advindo de influências etimológicas diversas e que, até meados do século XIX, não conhecia um código comum. A necessidade era premente. A influência do idioma era sentida mundialmente, todas as outras grandes línguas ocidentais já contavam com um norteador ortográfico e lexicográfico, os dicionários existentes até então eram listas de vocábulos difíceis, rebuscados ou obsoletos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-18025"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para construir tal obra de referência, a literatura inglesa deveria ser passada em revista. Toda ela. Voluntários em toda a Inglaterra atenderam ao apelo de James A. H. Murray e liam obras e separavam palavras e citações a serem colocadas no dicionário. Entre aqueles que atenderam este apelo apaixonado estava Dr. Willam Minor, e suas contribuições foram de suma importância para o sucesso do projeto. Nascia uma amizade que duraria pelo menos 30 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">A aproximação e o relacionamento amistoso entre o eminente Dr. Murray e o desequilibrado Dr. Minor é o cerne de <em>O professor e o louco: Uma história de assassinato e loucura durante a elaboração do dicionário Oxford. </em>Simon Winchester aborda o assunto pelas beiradas, com os últimos momentos de George Merrett, cuja morte levou William Minor ao Broadmoor Asylum, a 65km de Oxford. Segue um prelúdio e um histórico das personalidades dos dois protagonistas, e aos poucos a história do dicionário se imiscui na vida destes dois homens tão parecidos e tão diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O autor inicia cada capítulo (inclusive notas e agradecimentos) com um verbete retirado do famoso OED, como o dicionário ficou conhecido. Tal verbete tem relação direta com o teor do texto a que se refere, e o texto em si, apesar de acessível e leve, é pontuado por escolhas de palavras que levam à consulta do dicionário. Ao menos foi o que a tradução deixou transparecer. A história que conta é fascinante e recheada de detalhes e anedotas históricas, que deixam o texto ainda mais atrativo. <em>O professor e o louco </em>é a história da obra prima da Inglaterra Vitoriana e um livro para ler e reverenciar estes homens semi-anônimos que nos permitiram acesso irrestrito ao idioma da globalização.</p>
<p>O professor e o louco<br />
Simon Winchester<br />
Título original: THE PROFESSOR AND THE MADMAN (POCKET)<br />
Tradução: Flávia Villas-Boas<br />
240 Páginas<br />
Selo: Companhia de Bolso<br />
Preço Sugerido: R$ 25,00</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Night- Verdrana Rudan</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 19:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Tonka]]></category>
		<category><![CDATA[Verdrana Rudan]]></category>

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		<description><![CDATA[Até a Segunda Guerra Mundial a maioria dos países europeus eram plurinacionais. Isso quer dizer que, no território que se chamava Polônia, por exemplo, viviam poloneses, alemães, polábios, judeus, bielo-russos, ucranianos e lituanos. Foram as duas grandes guerras, a xenofobia e os grandes relocamentos, via de regra forçados, que fizeram com que cada país passasse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/night.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-18043" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/night-186x300.jpg" alt="" width="186" height="300" /></a>Até a Segunda Guerra Mundial a maioria dos países europeus eram plurinacionais. Isso quer dizer que, no território que se chamava Polônia, por exemplo, viviam poloneses, alemães, polábios, judeus, bielo-russos, ucranianos e lituanos. Foram as duas grandes guerras, a xenofobia e os grandes relocamentos, via de regra forçados, que fizeram com que cada país passasse a ser habitado praticamente por uma só nacionalidade.</p>
<p style="text-align: justify">Na Iugoslávia, porém, a coisa funcionou de maneira diferente. As diferentes nacionalidades constituíram, cada uma, seu país. Mas Croácia, Eslovênia, Sérvia, Bósnia, Montenegro e Macedônia estavam unidos em uma federação e, na prática, eram um único estado. Como resultado a separação étnica não aconteceu ali.</p>
<p style="text-align: justify">Foi apenas com a morte de Tito e a dissolução da Iugoslávia que as diferenças entre os vários povos vieram à tona, e a Guerra dos Bálcãs aconteceu. Sérvia e Montenegro, sob o comando de Slobodan Milosevic, atacaram a Croácia, a Eslovênia e mais tarde a Bósnia, que se declaravam independentes. Ambos os lados tornaram-se brutais e limpezas étnicas aconteceram, na forma de assassinatos meticulosamente calculados e de estupros em massa – a criança sempre tem a nacionalidade do pai, então se, por exemplo, todas as mulheres croatas carregassem filhos de sérvios e os homens croatas estivessem todos mortos, em uma geração a croácia seria habitada por sérvios. Vizinhos que viviam em paz passaram a se odiar.<span id="more-18042"></span></p>
<p style="text-align: justify">A guerra acabou, o que era a Iugoslávia agora são seis países independentes (ou sete; mas o Kosovo, de maioria albanesa não é reconhecido por muitos países) que vivem em paz, os idealizadores e incitadores da barbárie foram presos, julgados e condenados. As feridas, porém, não cicatrizaram: acusações e culpas ainda pairam no ar.</p>
<p style="text-align: justify">E é nesse cenário, mais especificamente na Croácia de 2004, que se passa a ação de <em>Uho, Grlo, Nož</em>, de Verdrana Rudan, lançado em ingles como <em>Night</em>, pela Dalkley Archive Press, tradução de Celia Hawkesworth.</p>
<p style="text-align: justify">A protagonista, Tonka, já não é mais uma mulher tão jovem, podemos apenas adivinhar que sua idade está entre cinquenta e sessenta anos. Ela é filha de mãe croata, entusiasta do antigo Partido Comunista Iugoslavo e de pai sérvio, que nunca conheceu mas que culpa por muitos de seus problemas. É casada com Kiki, que vende ternos roubados. Os dois tem uma filha, chamada Aki, que estuda – ao que tudo indica &#8211; na Alemanhna.</p>
<p style="text-align: justify">O livro é um grande monólogo de Tonka, na noite em que espera a chegada de Miki, seu amante que é 12 anos mais jovem, para levá-la embora. Ela espera na frente da TV, vestindo o pajama do marido. E ela se dirige a alguém, que incorpora-se no leitor.</p>
<p style="text-align: justify">Mas Tonka é um barril de ódio: ela odeia os sérvios que vivem na Croácia como ela, ela odeia os croatas, ela odeia as mulheres casadas, ela odeia as gerações mais jovens e as gerações mais antigas, ela odeia sentir-se feia e odeia, também, a obrigação de sentir-se bonita, odeia os EUA, a Guerra dos Bálcãs, a Guerra do Afeganistão, todas as guerras.  Acima de tudo Tonka odeia dar explicações. Cada vez que sente que seu ouvinte poderia perguntar os motivos por trás de alguma coisa ela explode, demonstrando uma crueldade verbal desmedida.</p>
<p style="text-align: justify">Em todos esses ódios, temos o cerne da obra. A guerra é um deles: é quase inevitável não falar da guerra quando ainda se vive suas consequências. Mas o outro ponto é menos explorado, e talvez seja ele o grande atrativo da obra de Rudan. Ela retrata a situação da mulher no que sobrou da Iugoslávia. Pois se os homens morreram na guerra, as mulheres perderam seus pais, irmãos, maridos e amigos e, ainda, foram violentadas, abusadas e obrigadas a permanecer em silêncio. Foram obrigadas a reconhecer estupradores e assassinos – que estupraram e mataram do outro lado da fronteira – como heróis.</p>
<p style="text-align: justify">Verdrana Rudan é de origem croata. No começo dos anos 1990 ela perdeu seu emprego numa rádio por satirizar o presidente da Croácia. Tonka é uma sérvia que vive na Croácia. O livro, no entanto, é uma das poucas ocasiões em que se deu voz às mulheres iugoslavas, e, quiçá, não só a elas: todas as mulheres, crianças e velhos, todas as minorias poderiam sentir esse ódio nascido da impotência e do abuso que Rudan expressa tão bem.</p>
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		<title>Pó de Parede (Carol Bensimon)</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 16:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi lendo Nove Noites, do Bernardo de Carvalho que me dei conta de quanto estava perdendo em não conhecer autores brasileiros contemporâneos. Há mais riqueza e boas leituras na literatura brasileira atual do que podem supor artigos de revistas pessimistas e o senso comum, que acha que o ônus da literatura tupiniquim se sustenta sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><img class="alignright" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/parede-350.jpg" alt="" width="200" height="300" />Foi lendo <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/11/17/nove-noites-bernardo-carvalho/">Nove Noites</a></em>, do Bernardo de Carvalho que me dei conta de quanto estava perdendo em não conhecer autores brasileiros contemporâneos. Há mais riqueza e boas leituras na literatura brasileira atual do que podem supor artigos de revistas pessimistas e o senso comum, que acha que o ônus da literatura tupiniquim se sustenta sobre os ombros de três ou quatro nomes, metade deles do século retrasado. <em>Pó de Parede</em>, da jovem escritora gaúcha Carol Bensimon, serve como prova disso.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Pó de Parede</em> é um livro curtinho, que dá para ler de uma sentada, mas não se deixe enganar pela natureza “não-tijolesca” do livro, ele pode até não ser tão pretensioso (o que, na maioria das vezes, é um sinal de maturidade), mas encerra uma prosa intimista e belamente lapidada que se vale de pequenos fragmentos, referências, metáforas e comparações que em seu conjunto possuem um “grau” de expressividade muito interessante.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Pó de Parede</em> se constitui de três contos: <em>A Caixa, Falta Céu</em> e <em>Capitão Capivara</em>. São histórias independentes que não se tocam em relação ao enredo, mas que possuem diversas intersecções temáticas e que, a meu ver, lidam com o que, tratando assim de forma mais generalizante, poderíamos chamar de modernidade. Ou pelo menos alguns dos aspectos dela, a urbanização, a solidão, a superficialidade falseada das relações pessoais e o clima de decadência.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-18017"></span></p>
<p style="text-align: justify">Vamos por partes: <em>A Caixa</em> conta a história de Alice e de seus amigos, Tomás e Laura, em uma fase da vida bastante conturbada, a adolescência. Essa história, porém, é contada do ponto de vista adulto tanto quanto do adolescente. As divisões do conto se dão em torno de anos específicos, nos quais estão localizados eventos-chave para tentarmos compreender o infausto destino de Alice.</p>
<p style="text-align: justify">O conto lida com as experiências desses adolescentes, como a experimentação de drogas, de relacionamentos e de música, por exemplo. No caso de Alice, algo mais, pois ela mora na casa arquitetonicamente peculiar projetada pelo famoso arquiteto Kowalski: a Caixa. Não bastasse isso, ela é estigmatizada ainda pelos pais nada convencionais que possui, que parecem ser hippies, o que contribui para alimentar o caldeirão de mistura explosiva que é sua existência, e que desempenha um papel fundamental na constituição dela.</p>
<p style="text-align: justify">O segundo conto, <em>Falta Céu</em>, versa sobre o choque da modernização urbana sobre os habitantes de uma cidadezinha do interior, principalmente Lina, uma adolescente. Além dos lampejos de dramaticidade, como quando um sujeito invade o condomínio que está sendo construído ou quando são contrapostas as agruras cinzentas e frias do concreto ao clima tépido e acolhedor do interior; Bensimon também pontua seu texto com tiradas irônicas e um sarcasmo velado mas perceptível. As tiradas aparecem, por exemplo, quando ela fala sobre as propagandas do condomínio, que prometem natureza (e que só oferecem mais artificialidade) ou quando brinca com os lugares-comuns do discursos dos vendedores, embalados pelo “administrês” tacanho e um marketing cheio de cafonices de auto-ajuda.</p>
<p style="text-align: justify">O terceiro conto é <em>Capitão Capivara</em>, na minha opinião o mais emblemático dos três. Autores que falam sobre o estranhamento que causa a modernidade ou como são inócuos diversos dos elementos que a constituem são vários, e Carol Bensimon se insere entre eles com elegância, desnudando situações isoladas para costurá-las com o quadro mais amplo e mostrar algumas das contradições bizarras que, pela repetição exaustiva, se tornam banais.</p>
<p style="text-align: justify">A história é contada a partir de dois focos: Clara, a aspirante a escritora que aceita um emprego em um hotel como o mascote Capitão Capivara, cuja função é entreter as crianças e dar sossego aos pais em férias; e Carlo Bueno, um escritor decadente que largou a veia crítica da literatura para vender-se à literatura policial propagandística, em que chega a fazer publicidade de produtos em seus livros.</p>
<p style="text-align: justify">A admiração de Clara por Carlo é desconstruída conforme ela vai conhecendo o autor e descobrindo o que o ofício de escritor se tornou para ele. Nessa relação envolve-se ainda uma amiga de Clara, que entra em desavença com essa e resolve dar o troco. <em>Capitão Capivara</em> é um conto sobre a literatura e sobre a existência na contemporaneidade, onde sonhos são decompostos à toque de caixa pela constatação cruel de verdades outrora desconhecidas.</p>
<p style="text-align: justify">A teatralização da convivência, o falseamento das identidades e a volatilidade da existência de crenças ou de modelos são todos sintomas de uma realidade que desafia todos os que vivem, e de forma peculiar os escritores, que devem tentar entender e dar visibilidade aos conflitos que pululam nela, por mais escamoteados que esses estejam. Espero não estar exagerando na minha leitura de <em>Pó de Parede</em> no que tange à modernidade, mas conscientemente ou não, Carol Bensimon tratou de vários dilemas e contradições de nosso tempo, extraindo deles drama e expressividade com pitadas de sarcasmo e elegância. Isso não é qualquer coisa.</p>
<p><strong>Pó de Parede</strong><br />
128 páginas<br />
Preço Sugerido: R$ 28,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Não Editora</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.naoeditora.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/naoeditoralogo.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Arte e Letra: Estórias O</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 19:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem frequenta o blog há algum tempo já deve estar familiarizado com a proposta da revista literária da editora Arte &#38; Letra. Desde março do ano passado já falamos da edição L (texto da Liv e outro do Felippe), depois da edição M e então da N (texto do Luciano e outro meu). Chega agora a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/arteletra.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-18009" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/arteletra-224x300.jpg" alt="" width="224" height="300" /></a>Quem frequenta o blog há algum tempo já deve estar familiarizado com a proposta da revista literária da editora Arte &amp; Letra. Desde março do ano passado já falamos da edição L (<a title="liv" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/14/revista-de-literatura-arte-e-letra-estorias/" target="_blank">texto da Liv</a> e outro <a title="felippe" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/13/revista-de-literatura-arte-e-letra-estorias-edicao-l/" target="_blank">do Felippe</a>), depois da <a title="M" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/09/arte-e-letra-estorias-m/" target="_blank">edição M</a> e então da N (<a title="luciano" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/17/arte-e-letra-estorias-n-2/" target="_blank">texto do Luciano</a> e <a title="anica" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/11/arte-e-letra-estorias-n/" target="_blank">outro meu</a>). Chega agora a vez da edição O, recheada com ótimos contos e incluindo nomes como Joseph Conrad e Robert Louis Stevenson, entre várias novidades. Gosto de pensar na revista e nos contos nela publicados como uma espécie de menu de degustação, uma amostra do que alguns nomes que ainda não tive oportunidade de ler ou conhecer têm para oferecer. E é por isso que fiquei tão feliz em perceber que a edição O veio com bastante brasileiros representando a literatura contemporânea.</p>
<p style="text-align: justify">A coletânea abre com um conto de J.M. Barrie, criador de Peter Pan. Confesso que desconhecia o nome do criador do personagem, assim como outras obras do autor, então foi uma excelente surpresa descobrir alguém com senso de humor apurado e língua afiada para criticar a sociedade britânica. Lembrou, de certa forma, o tom satírico que Thackerey usa em seu <a title="o livro dos esnobes" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/21/o-livro-dos-esnobes-william-makepeace-thackeray/" target="_blank">O livro dos esnobes</a>. Também desconhecido para mim era o peruano José Antonio de Lavalle, que aparece na revista com  <em>O vivo caiu morto e o morto saiu correndo</em>, texto bastante gostoso de ler.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-18008"></span></p>
<p style="text-align: justify">No caso dos autores mais consagrados que já conhecia a edição O tem <em>Um prefácio familiar</em>, de Joseph Conrad &#8211; uma explicação do autor para escrever suas memórias. Me pareceu interessante, não só por ser uma alternativa à <em>Lord Jim</em> ou <em>Coração das Trevas</em>, mas também porque de certa forma aborda a relação do escritor com o que escreve. Já com Robert Louis Stevenson eu vibrei ao ver que o conto escolhido era <em>O Ladrão de Corpos</em>, que tem como fonte de inspiração uma história que já faz parte das lendas de Edimburgo, o caso de <a title="burke e hare" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Burke_and_Hare_murders" target="_blank">Burke e Hare</a>. E representando os clássicos nacionais, tem Coelho Neto, com duas histórias: <em>A Casa &#8220;Sem Sono&#8221;</em> e <em>Um Modelo de Marido</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Dos autores contemporâneos (e aí todos novidades pra mim), quem aparece primeiro na coletânea é o curitibano Luiz Felipe Leprevost e seu conto <em>Alto, alto, alto</em>. Narrativa louca que parece imitar nossos pensamentos ao lembrarmos de momentos de nossa vida.  Este conto é seguido por <em>Abdução?,</em> de Luiz Bras, com um pé no fantástico e um ótimo desfecho. Depois vem o meu favorito da edição, <em>Distâncias</em>, de Carola Saavedra, bastante breve e simples, mas daqueles que continuam ecoando na cabeça do leitor depois do final. Depois temos dois textos do francês Serge Pey, <em>A roupa e o varal</em> e <em>A cega</em>, que em comum tem o tom de recordação e uma linguagem bastante poética.  Quem fecha a edição O é G. Norris, com <em>Apague a Luz</em>. É engraçado que o texto introdutório diga que o autor é um grande fã de Stephen King, porque enquanto lia o texto lembrei muito dele &#8211; especialmente dos livros que envolvem escritores como protagonistas.</p>
<p style="text-align: justify">No final das contas a revista tendeu mais para os contemporâneos do que para os clássicos. Como disse antes, serve muito bem como um menu de degustação de vários escritores, já que através dos contos que li na edição O anotei pelo menos quatro nomes para acompanhar mais de perto. Continuo feliz em saber que há uma editora com uma proposta tão legal como a revista Estórias, que dá espaço não só para novos escritores, mas também para tradutores. E o tratamento dispensado à revista (papel de qualidade, lindas ilustrações, etc.) me fazem torcer para que essa não seja uma ideia que acabe na letra Z.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Arte e Letra Estórias O</strong><br />
Autores: Joseph Conrad, Luiz Bras, Carola Saavedra, Serge Pey, J. M. Barrie, Luiz Felipe Leprevost, José Antonio de Lavalle, Coelho Neto, Robert Louis Stevenson, G. Norris<br />
Ilustrações: André Ducci<br />
Tradutores: Iara Tizzot, Irinêo Baptista Netto, Beatriz Sidou, Adriano Scandolara, Luana Azzolin.<br />
84 Páginas<br />
Preço sugerido: R$20,50</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Arte &amp; Letra</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.arteeletra.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/arteeletra.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
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		<title>A vida está em outro lugar (Milan Kundera)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/04/a-vida-esta-em-outro-lugar-milan-kundera/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 16:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A vida está em outor lugar]]></category>
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		<category><![CDATA[Companhia de Bolso]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Tcheca]]></category>
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		<description><![CDATA[A vida está em outro lugar, obra do já famoso escritor tcheco Milan Kundera, tem basicamente três pilares de sustentação: sexo, poesia e política. Não é uma combinação exatamente inédita em seus livros, mas é algo que via de regra funciona bem. Nesse caso, o resultado é especialmente bom. O protagonista, Jarosmil, nasceu na cidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/vida.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-18015" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/vida-207x300.jpg" alt="" width="207" height="300" /></a>A vida está em outro lugar</em>, obra do já famoso escritor tcheco Milan Kundera, tem basicamente três pilares de sustentação: sexo, poesia e política. Não é uma combinação exatamente inédita em seus livros, mas é algo que via de regra funciona bem. Nesse caso, o resultado é especialmente bom.</p>
<p style="text-align: justify">O protagonista, Jarosmil, nasceu na cidade de Praga. É fruto de um casamento sem amor, e nem mesmo era desejado por seu pai. Por outro lado, sua mãe, herdeira de uma família abastada, o ama de modo incondicional e possessivo. Ainda bastante pequeno Jaromil demonstra talento com palavras, rimas e metáforas. É incentivado a tornar-se poeta.</p>
<p style="text-align: justify">Acompanhamos sua vida durante momentos bastante complicados da história Tcheca,  como a Segunda Guerra Mundial e a tomada do poder pelos comunistas. Seu pai morre pelas mãos da Gestapo. Ele afasta-se de sua família e do meio pequeno-burguês em que vivia, abraçando o comunismo e rejeitando até mesmo a arte moderna – que lhe era bastante cara – para rejeitar, entre outras coisas, o tio que acreditava que &#8220;<em>Voltaire inventou os volts&#8221;.<span id="more-18014"></span></em></p>
<p style="text-align: justify">Em meio a inseguranças e temores relacionados ao sexo, ele torna-se um homem ciumento e dominador, que obedece cegamente o Partido Comunista da República Tcheca. Ao mesmo tempo vemos o desabrochar do artista, tateando por uma voz própria, que possa falar de beleza e exaltar o proletariado.</p>
<p style="text-align: justify">Jarosmil consegue, finalmente, o sucesso: em primeiro lugar, faz sexo, sentindo que deixa de pertencer à classe das crianças e adolescentes e tornando-se, verdadeira e completamente, um homem. Sua namorada, aliás, pertence à gente simples, ao povo, o que muito lhe agrada. Seus poemas atingem certa maturidade que antes lhes era negada, e ele consegue ser publicado e convidado a eventos poéticos.</p>
<p style="text-align: justify">O livro é, porém, trágico. Não é a toa que, durante toda a narrativa, apareçam inúmeras alusões à Lermontov, Rimbaud e outros poetas que tiveram fins dolorosos ou obscuros. Os três sustentáculos da vida de Jarosmil &#8211; lembremos-nos, o sexo, a poesia e a política &#8211; parecem aliar-se para se transformarem em uma força soturna e esmagadora, um poder destrutivo e incontrolável.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>A vida está em outro lugar</strong></p>
<p style="text-align: justify">de Milan Kundera</p>
<p style="text-align: justify">traduzido do francês por Denise Rangé Barreto</p>
<p style="text-align: justify">336 páginas</p>
<p style="text-align: justify">R$ 26,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Visões de Cody (Jack Kerouac)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/03/visoes-de-cody-jack-kerouac/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 19:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Jack Kerouac]]></category>
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		<category><![CDATA[On The Road]]></category>
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		<description><![CDATA[O conceito de “obra-prima” é um pouco maldoso: ele induz a uma raciocínio metonímico que diz que basta ler um e não dez, nem cem. Reduz a produção inteira de uma vida (ou de uma geração, ou de um país) através de um gesto que diz “isto é suficiente”. É um conceito presunçoso e preguiço, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/kerouac.jpg"><img class=" wp-image-17966 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/kerouac-203x300.jpg" alt="" width="203" height="300" /></a>O conceito de “obra-prima” é um pouco maldoso: ele induz a uma raciocínio metonímico que diz que basta ler um e não dez, nem cem. Reduz a produção inteira de uma vida (ou de uma geração, ou de um país) através de um gesto que diz “isto é suficiente”. É um conceito presunçoso e preguiço, no fundo. E triste. Afinal, é difícil dizer que <em>Madame Bovary</em> possa substituir <em>Bouvard e Pécuchet</em> ou que a força de <em>Guerra e Paz</em> é capaz de ofuscar <em>Hadji-Murat</em>. Apelar para o “melhor” de um escritor é um ato de soterramento: todo o cânone é também uma catacumba infinita. Algo semelhante se aplica ao trabalho de Jack Kerouac que, muitas vezes, na voz de outros, parece começar e terminar em <em>On the Road</em>. Há, para aqueles que são generosos e não cumprem listas, um excelente segredo intitulado <em>Visões de Cody</em>, cujas mais de 400 páginas traduzidas por Guilherme da Silva Braga foram publicas pela L&amp;PM.</p>
<p style="text-align: justify">Escrito nos anos de 1951-52, entre a finalização do manuscrito original de <em>On the Road</em> e o lançamento da versão que faria moleques de todo os Estados Unidos a deixar suas casas para conhecer seu país, <em>Visões de Cody</em> é o experimento último de um escritor na beira do precipício, antes que sua &#8220;carreira&#8221; começe. Frustrado com as constantes recusas das editoras e com a corda no pescoço por causa das contas, Kerouac, que na época vivia no porão da casa de Neal Cassady (o famoso Dean Moriarty de <em>On the Road</em>), decide investir com tudo contra o papel.<span id="more-17963"></span></p>
<p style="text-align: justify">Se a força do romance beat mais conhecido está no impulso pela viagem, pela possibilidade de viver ao vento, com empregos temporários e travando amizades com desconhecidos, <em>Visões de Cody</em> é a tentativa de percorrer tudo isso de volta – não pela descrição de lembranças, mas pela recriação, através da palavra, do trabalho com a palavra, nela mesma, de uma experiência errática. Apesar dos dois livros compartilharem a mesma viagem como tema, aqui sabemos muito bem que Kerouac está diante de uma folha de papel, escrevendo chapado da meia-noite às seis da manhã, ouvindo o programa de bop apresentado por Pat Henry. Não tanto porque o narrador se apresenta assim (ele não o faz), mas porque a memória de uma vivência aqui é apenas o pretexto para a experimentação da musicalidade das palavras. Se em <em>On the Road</em> esse era o acompanhamento da narrativa, em <em>Visões de Cody</em>, em certos momentos, isso é tudo o que resta &#8211; e é muito.</p>
<p style="text-align: justify">O livro é divido em três partes. Na primeira, formada por aquilo que o autor chamava de suas “sketches”, voltamos aos momentos iniciais da viagem de Jack Duluoz, o alter-ego de Kerouac neste livro (ou o Sal Paradise de <em>On the Road</em>), quando ele decide sair de Nova York para visitar Cody/Cassady em São Francisco. Mas o que temos aqui são menos as histórias das estradas do que a construção de grandes imagens, como a de uma lanchonete lotada de comida, descrita com a fome que só um poeta pode ter. São longos parágrafos enumerando cada detalhe, numa cena parece uma mistura da famosa confeitaria de <em>O Primo Basílio</em>, de Eça de Queiroz, com as experimentações joyceanas, improvisadas com um jazz alucinatório. O panorama de Nova York depois da Segunda Guerra é vibrante, mas também decadente, ecoando até mesmo no espaço fechado de uma cabine de banheiro público, enquanto Duluoz conta suas atribuladas práticas masturbatórias.</p>
<p style="text-align: justify">A segunda parte se refere a algumas cenas da viagem propriamente dita, e tem um tom de “cenas inéditas” de <em>On the Road</em>. Literalmente, é aqui que Kerouac emprega suas descrições mais cinematográficas, de perseguição, corridas e personagens – fugitivos sem que ninguém os persiga.</p>
<p style="text-align: justify">Mas a porrada maior está na terceira parte. Aqui vemos que a caneta e o papel atuam num tempo demasiado devagar para acompanhar o ritmo da prosódia do autor. Então, junto com Cassady, resolvem simplesmente gravar suas conversas, baixo os efeitos de alucinatórios variados. São 140 páginas muitas vezes compostas por blocos sólidos de palavras que, a despeito do espaço que ocupam na página, são muitas vezes difíceis de recompor enquanto imagem ou sentido. Segue-se ainda uma sub-parte na qual Keroauc parte para o monólogo, experimento que faz sentir ainda mais os limites da escrita, pois, enquanto lemos esses textos, sabemos que tudo falta: a voz, os cheiros, os ruídos, a música – tudo. E ainda assim o resultado é genial.</p>
<p style="text-align: justify">A edição brasileira ainda acompanha uma série de outras peças, incluindo a participação de Allen Ginsberg, algo que dá uma sensação peculiar a este livro: seria mais que correto considerá-lo uma espécie de bootleg literário, com remendos, improvisos, escutas, e peças valiosíssimas de livre produção, como aqueles arquivos gravados nos antigos clubes de jazz, durante os anos 1950-60, muitas vezes nas condições mais precárias possíveis, e que hoje constituem os registros mais honestos de um ritmo gestual que não cabe em seções agendadas e repertórios preparados.</p>
<p style="text-align: justify">Título: Visões de Cody</p>
<p style="text-align: justify">Autor: Jack Kerouac</p>
<p style="text-align: justify">Tradução: Guilherme da Silva Braga</p>
<p style="text-align: justify">448 páginas</p>
<p style="text-align: justify">Preço: 79 reais</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>L&amp;PM Editores</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/08/lepm.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Fábulas (Liev Tolstói)</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 13:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Liev Tólstoi]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Tatiana Mariz]]></category>

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		<description><![CDATA[Liev Tolstói é um dos escritores mais conhecidos do mundo, principalmente por ter escrito dois clássicos da literatura mundial – Ana Karênina e Guerra e Paz. Além de grande escritor, Tolstói também era preocupado com a educação em seu tempo, tanto que abriu uma escola gratuita para crianças menos favorecidas. Além da escola, ele também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/FABULAS.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-17983" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/FABULAS.jpg" alt="" width="200" height="288" /></a>Liev Tolstói é um dos escritores mais conhecidos do mundo, principalmente por ter escrito dois clássicos da literatura mundial – <em>Ana Karênina</em> e <em>Guerra e Paz</em>. Além de grande escritor, Tolstói também era preocupado com a educação em seu tempo, tanto que abriu uma escola gratuita para crianças menos favorecidas.</p>
<p style="text-align: justify">Além da escola, ele também escreveu artigos dedicados a educação infantil e publicou obras como <em>Livros de estudos</em> e <em>Livros de leitura para crianças</em>. E foi com base nessas duas obras que Tatiana Maris e Ana Sofia Maris retiraram os textos que compõem o livro <em>Fábulas</em>, que ainda conta com a ilustração de Cárcamo e foi publicado pela Companhia das Letras.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17982"></span></p>
<p style="text-align: justify">A obra é composta por contos que contêm animais como personagens. Assim, encontramos leões, ratos, mosquitos, gaviões, galos, raposas entre outros. Em todos os contos os animais são humanizados em suas ações, despertando pequenas mazelas e virtudes humanas, como egoísmo, prepotência, inveja humildade, solidariedade e cidadania, ficando claro seu intuito educativo.</p>
<p style="text-align: justify">A preocupação educativa também está em como as histórias são retratadas. Com uma linguagem clara e um senso de humor delicioso, é fácil correr os olhos pelo livro e captar em cada conto a mensagem que o escritor quer passar, acompanhada da simples e bela ilustração de Cárcamo, que segue o ritmo e atmosfera do livro.</p>
<p style="text-align: justify">Certamente este não é o livro de entrada para a literatura de Liev Tosltói, mas ao ler <em>Fábulas</em> é curioso perceber o cuidado e a preocupação do escritor com as crianças, as quais ele “considerava de grande importância estimular a criatividade, o senso de beleza e a sinceridade”. E é perceptivel todo o cuidado a esses estímulos em cada imagem criada em cada conto, na clareza da linguagem e, principalmente, no humor estimulante a leitura.</p>
<p><strong>Fábulas</strong><br />
<strong>Autor:</strong> Liev Tolstói<br />
<strong>Tradução:</strong> Tatiana Mariz e Ana Sofia Mariz<br />
<strong>Ilustrações:</strong> Cárcamo<br />
<strong>48 páginas</strong><br />
<strong>Preço Sugerido:</strong> R$ 36,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children (Ransom Riggs)</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 19:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Miss Peregrine's Home for Peculiar Children]]></category>
		<category><![CDATA[Ransom Riggs]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não lembro bem como foi que encontrei Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children pela primeira vez. Só sei que a capa chamou minha atenção (uma foto antiga, em preto e branco, de uma menininha cujos pés não tocam o chão) e que achei o título interessante. Julgando a sinopse (falando de orfanato abandonado e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/Miss-Peregrine’s-Home-For-Peculiar-Children-Book-Cover.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17928" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/Miss-Peregrine’s-Home-For-Peculiar-Children-Book-Cover-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>Eu não lembro bem como foi que encontrei <em>Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children</em> pela primeira vez. Só sei que a capa chamou minha atenção (uma foto antiga, em preto e branco, de uma menininha cujos pés não tocam o chão) e que achei o título interessante. Julgando a sinopse (falando de orfanato abandonado e afins) e a imagem da garotinha da capa, pensei &#8220;Opa, é horror, vamos conferir&#8221;. Aí comecei a leitura e para mim pareceu algo meio <em><a title="the princess bride" href="http://www.imdb.com/title/tt0093779/" target="_blank">The Princess Bride</a></em> meets <em><a title="a vida é bela" href="http://www.imdb.com/title/tt0118799/" target="_blank">A Vida é Bela</a></em>, com o avô do protagonista Jacob contando histórias sobre a ilha em que ele passou uma parte da vida com outras crianças como ele &#8211; que tinham habilidades extraordinárias. A sensação que fica é de que o livro será uma doce e divertida história sobre como o avô maquiou os horrores da Segunda Guerra Mundial com relatos sobre pessoas extraordinárias (judeus?) que precisavam se esconder em um orfanato para fugir dos monstros (nazistas?).</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, a questão é que Ransom Riggs tem uma carta na manga: ele te leva a pensar que o livro vai tomar um rumo e aí surpreende. E isso não é apenas uma vez só (e é óbvio que eu não vou ficar revelando aqui as surpresas). A leitura de <em>Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children</em> fica parecendo um pouco com um passeio em um trem fantasma, onde você nunca sabe ao certo o que virá a seguir. Eu disse que achava que seria uma história de horror, certo? <em>É</em> horror.  Mas também fantasia. E aventura. Daquelas obras que enquanto você passa por alguns parágrafos fica só pensando: &#8220;Caramba, digam que vão filmar isso aqui!&#8221;<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/miss-peregrines-home-for-peculiar-children-ransom-riggs/#footnote_0_17927" id="identifier_0_17927" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Fox j&aacute; comprou os direitos de filmagem do filme">1</a></sup></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-17927"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O bacana é que Riggs, embora esteja escrevendo para o público mais jovem (o livro é classificado como &#8220;young adult&#8221; lá fora), segue a escola Neil Gaiman de não poupar a juventude de grandes pesadelos. A combinação das fotos com o texto em alguns momentos causa medo de verdade, aquela sensação de &#8220;Ufa, ainda bem que é só um livro&#8221;. Aliás, um dos charmes da história é realmente a coleção de fotografias que Riggs usa para ilustrá-la (por isso desaconselho cópias piratas do livro, elas podem vir sem essas imagens, que são fundamentais para a compreensão da obra). No meio da leitura, estava tão empolgada que fui pesquisar um pouco sobre <em>Miss Peregrine&#8217;s Home for Peculiar Children </em>e sobre o autor, e acabei descobrindo que as fotos são todas REAIS, emprestadas de colecionadores (os créditos aparecem no final). Algumas delas são perturbadoras, como do dentista e a outra com a menininha sentada no meio-fio e a sombra de um homem próxima a ela.</p>
<p style="text-align: justify;">As imagens são tão importantes dentro da narrativa que eu não ficaria surpresa se em alguma entrevista eu lesse o autor contando que algumas coisas foram criadas a partir delas. Para ter uma ideia, <a title="riggs" href="http://www.ransomriggs.com/" target="_blank">em seu site</a> Riggs conta que haverá uma continuação para o livro, e que estava viajando atrás de uma nova coleção de fotos para esse segundo volume. E talvez o fato de ele trabalhar com filmagem e fotografia (este é seu primeiro livro) seja uma boa explicação para o cuidado que ele teve com este detalhe da obra. Cuidado que teve também com o trailer que fez para o livro, que incluiu até viagem para a Europa em busca de casas abandonadas que servissem de cenário, como você pode conferir aqui (ah, no book trailer aparecem fotos que estão no livro):</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/XWrNyVhSJUU?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">E então o que você tem em mãos é realmente um pouco de tudo. Dá para sentir medo, mas com a aventura e o humor da história dá para lembrar de bons filmes de Sessão da Tarde, como <em>Os Goonies. </em>Talvez o único momento em que o autor derrape seja quando vai se arriscar no romance e no drama &#8211; fica um pouco forçado, mas nada que estrague de fato o livro. E retomando a ideia de que é um livro para o público jovem, chama a minha atenção o fato de sê-lo sem que isso necessariamente signifique soar como algo idiota para um adulto na casa dos 30 como eu. É óbvio, trata-se de entretenimento, mas é entretenimento <em>de qualidade</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Por conta disso, fica a torcida para que chegue logo a tradução do livro aqui no Brasil, e que ele receba a atenção que merece. Fico realmente feliz que tenha encontrado este livro, porque é o tipo de título que eu certamente deixaria passar batido em outra situação. Valeu a leitura, valeu a diversão e fica agora a curiosidade para o próximo volume e a tal da adaptação para o cinema. Para quem tem Kindle, está custando só <a title="miss peregrine's" href="http://www.amazon.com/Miss-Peregrines-Peculiar-Children-ebook/dp/B004FGMDOQ/ref=tmm_kin_title_0?ie=UTF8&amp;m=AGFP5ZROMRZFO" target="_blank">$7,99 na Amazon</a>.</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_17927" class="footnote">A Fox já comprou os direitos de filmagem do filme</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Giovanni (James Baldwin)</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 16:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Coleção Biblioteca do Leitor Moderno]]></category>
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		<category><![CDATA[Racismo]]></category>

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		<description><![CDATA[James Baldwin é um dos vários nomes da literatura estadunidense que se dedicaram a denunciar o racismo e criticar a segregação racial que permeou a sociedade do país, principalmente aquela que dominou o século XX. Conquanto seja conhecido principalmente por sua luta no campo dos direitos civis dos negros, ele também atuou na defesa dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/Giovanni.James_.Baldwin.jpeg"><img class="alignleft  wp-image-17909" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/Giovanni.James_.Baldwin.jpeg" alt="" width="200" height="300" /></a><strong>James Baldwin</strong> é um dos vários nomes da literatura estadunidense que se dedicaram a denunciar o racismo e criticar a segregação racial que permeou a sociedade do país, principalmente aquela que dominou o século XX. Conquanto seja conhecido principalmente por sua luta no campo dos direitos civis dos negros, ele também atuou na defesa dos direitos dos homossexuais.</p>
<p style="text-align: justify">O livro <em>Giovanni</em> (ou <em>Giovanni’s Room</em>, no original [<em>O quarto de Giovanni</em>]), segundo romance do autor, publicado em 1956, trata principalmente da questão dos homossexuais, sendo que, curiosamente, não há nesse livro nenhum personagem negro. A edição a qual eu tive acesso, publicada pela editora Civilização Brasileira na ótima coleção <em>Biblioteca do Leitor Moderno</em>, contava com a orelha escrita por Paulo Francis, que escreveu algo que nos ajuda a entender <em>Giovanni</em>. Segundo ele, Baldwin criticou outros autores estadunidenses que também trataram dos direitos dos negros na sociedade americana, como Paul Green e Richard Wright, justamente porque enquanto a questão do negro não fosse encarada do ponto de vista humanista, ou seja, em uma acepção ampla, que dissesse respeito não só aos negros, mas a todos enquanto seres humanos, seus resultados seriam também restritos.</p>
<p style="text-align: justify">O <em>élan</em> do romance, portanto, pode começar a ser entendido a partir dessa colocação de Paulo Francis, já que, não apenas pelos personagens e questões, mas também pelo tratamento dado a trama, fica um tanto distante considerarmos <em>Giovanni</em> um livro que versa sobre a situação dos negros. Ao lidar com um relacionamento amoroso entre dois homens na Paris do século XX, Baldwin falava de forma análoga sobre o negro, tocando-o enquanto membro da humanidade, o que, por conseguinte, lhe faz comungar com um constructo de saberes e relações que lhe dizem respeito tanto quanto qualquer outro ser humano existente. Não se trata de igualdade por generalização abstrata, mas sim do reconhecimento da diferença pela reciprocidade.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17908"></span></p>
<p style="text-align: justify">A história se passa na romântica Paris, local por onde perambulam David (o narrador), sua namorada Hella, dois americanos que resolveram conhecer os encantos do Velho Mundo; e outros amigos, como Guillaume e Jacques, além, é claro, do homem com que o narrador se envolve, o enigmático Giovanni. Durante as madrugadas de conversas, risos e vida boêmia pelos bares e cafés de Paris, a atração do casal central do livro começa a se desenvolver, e antes que percebam, Giovanni e David se veem emaranhados em um relacionamento amoroso que começa tímido, mas que vai se aprofundando (e chegando a extremos) em pouco tempo.</p>
<p style="text-align: justify">A namorada de David decide passar uma temporada na Espanha, deixando o caminho livre para que ele, após algumas reviravoltas, constrangimentos e resistências, acabe indo dividir um quarto com Giovanni, onde partilham de uma tórrida relação amorosa. Giovanni se entrega com paixão ao romance e faz dele um dos pontos centrais de sua existência, colocando David, que a princípio procurara não se envolver tanto, em maus lençóis. Uma sucessão de situações extremas e está preparado o terreno para a tragédia.</p>
<p style="text-align: justify">É preciso desfazer um mal entendido que possa ter sido gerado por essa simplificação do enredo: o livro não se resume a exposição sumária que eu aqui lhe dei. A forma como Baldwin conduz a história, e como consegue contá-la a partir de um dos lados da relação, revela um talento narrativo e dramático bastante apurados e dignos de nota. Já sabemos logo no começo que a tragédia é uma das marcas dessa história, justamente porque a primeira cena que Baldwin nos apresenta é a de David sentado com uma taça de conhaque na mão refletindo sobre o ocorrido. O livro se desenrola no sentido de trazer-nos novamente aquele momento, munido, então, da cadeia de fatos desencadeados até ali.</p>
<p style="text-align: justify">Além disso, o foco em primeira pessoa nos transporta para dentro das emoções e sentimentos de David, revelando nuances interessantes da trama. A inspiração calcada na verve clássica do romantismo encontra-se vivificado no desfecho da trama e no complexo imbróglio amoroso que percorre toda a obra, fazendo de <em>Giovanni</em> uma interessante e ousada reelaboração de um estilo e de uma temática passadas em pleno século XX, sob novas vestes e novos problemas.</p>
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		<title>O Forte (Bernard Cornwell)</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 16:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Bernard Cornwell]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Independência dos EUA]]></category>
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		<category><![CDATA[Majabigwaduce]]></category>
		<category><![CDATA[O Forte]]></category>
		<category><![CDATA[Romance Histórico]]></category>

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		<description><![CDATA[A batalha ocorreu no ano de 1779, durante a Guerra da Independência americana, numa comunidade portuária em Massachussets, que à época chamava-se Majabigwaduce. Os americanos têm sede de liberdade, enquanto os ingleses querem manter o porto de localização estratégica. Os ingleses possuem apenas três navios de guerra e uma pequena força em terra, regida pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/O-FOrte.jpg"><img class="size-medium wp-image-17871 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/O-FOrte-190x300.jpg" alt="" width="190" height="300" /></a>A batalha ocorreu no ano de 1779, durante a Guerra da Independência americana, numa comunidade portuária em Massachussets, que à época chamava-se Majabigwaduce. Os americanos têm sede de liberdade, enquanto os ingleses querem manter o porto de localização estratégica. Os ingleses possuem apenas três navios de guerra e uma pequena força em terra, regida pelo general de brigada Francis McLean e pelo Capitão Henry Mowat no mar.</p>
<p style="text-align: justify">As forças americanas são comandadas pelo  general de brigada Peleg Wadsworth, pelo tenente-coronel de artilharia Paul Revere, estes sob o comando do general Lovell; e pelo comodoro Saltonstall, da marinha federal. Os americanos estão evidentemente em maior número, motivo pelo qual McLean determina a construção de um forte &#8211; o Forte George &#8211; para melhorar suas defesas.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17870"></span></p>
<p style="text-align: justify">Quem gosta de <strong>Bernard Cornwell</strong> já sabe o que esperar de uma de suas obras: uma batalha histórica marcante, normalmente envolvendo o exército britânico, e um personagem principal de forte caráter, geralmente um homem alto e forte, mas de origem humilde.  É assim com Derfel (das <em>Crônicas de Arthur</em>), com Sharpe, Thomas de Hookton (na trilogia do <em>Graal</em>), Nicholas Hook (<em>Azincourt</em>) e Uthred (<em>Crônicas Saxônicas</em>). São características comuns aos livros, que não tiram o mérito e o talento de contador de histórias de Cornwell.</p>
<p style="text-align: justify">No entanto, <em>O Forte </em>não possui um personagem principal. Ou, melhor, a batalha e a construção do Forte George são os protagonistas. Nesta obra, Cornwell decide nos levar atrás das linhas dos dois exércitos, através dos olhos de seus comandantes. Tal traço do romance, por não ser habitual do autor, me encantou.</p>
<p style="text-align: justify">Somos levados a criar simpatias e antipatias com os oficiais de ambos os batalhões, e a estrutura mantém o leitor curioso pelo desfecho que, ainda que histórico, é surpreendente. Foi com a minha lealdade de leitora dividida entre Wadsworth e McLean que devorei mais uma história de Bernard Cornwell, e mais uma vez me deliciei com sua prosa.</p>
<p style="text-align: justify">Tendo o confronto como personagem principal, Cornwell é ainda mais visual em sua descrição de batalhas do que de costume. Sua qualidade gráfica pode enojar os mais sensíveis, mas é necessária para a criação da cena. O autor nos lembra constantemente que a guerra não é um negócio bonito, nem segue regras de ética e boa educação. Este aparente sensacionalismo é uma maneira bastante eficaz de nos transportar para a época, assim como o é a apresentação de trechos de cartas e ordens emitidos durante o cerco ao final de cada capítulo.</p>
<p style="text-align: justify">É uma história de erros e acertos, hesitação e incompetência, que retrata uma das expedições mais emblemáticas da história dos Estados Unidos da América.</p>
<p style="text-align: justify">O FORTE</p>
<p style="text-align: justify">Bernard Cornwell</p>
<p style="text-align: justify">Título original: The Fort</p>
<p style="text-align: justify">Tradução: Alves Calado</p>
<p style="text-align: justify">490 Páginas</p>
<p style="text-align: justify">Preço sugerido: R$ 49,90</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
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