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	<title>Meia Palavra&#187; Línguas&amp;Tradução</title>
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		<title>Traduções por vir: Literatura de língua espanhola – Parte II</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 19:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recentemente, os confraternizadores Tiago e Felippe falaram aqui sobre as traduções por vir de obras de língua espanhola, em especial dos escritores latino-americanos. Caso você não tenha lido, vale a pena conferir a primeira parte do artigo escrito por ambos. Para dar continuidade a esta empreitada, propus-me a invadir a península ibérica, em especial o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/donquixote.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17524" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/donquixote-300x297.jpg" alt="" width="300" height="297" /></a>Recentemente, os confraternizadores Tiago e Felippe falaram aqui sobre as traduções por vir de obras de língua espanhola, em especial dos escritores latino-americanos. Caso você não tenha lido, vale a pena conferir a <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/08/18/traducoes-por-vir-literatura-de-lingua-espanhola/" target="_blank">primeira parte do artigo escrito por ambos</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Para dar continuidade a esta empreitada, propus-me a invadir a península ibérica, em especial o país que fala a charmosa língua que predomina no continente americano, a Espanha. Impossível não pensar em literatura espanhola sem mencionar Miguel de Cervantes, Garcia Llorca, Enrique Vila-Matas, Juan Ramon Jiménez, Camilo José Cela e mais recentemente Carlos Ruiz Zafón e Javier Marias. Mas esses são autores que já têm uma boa parcela de seus livros publicados aqui no Brasil – e que esperamos que continuem sendo traduzidos. Por isso, vou tentar explorar outros autores que têm destaque no cenário literário espanhol e que merecem espaço no mercado brasileiro.<span id="more-17521"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ambito (Vicente Aleixandre)</strong> – A poesia é um dos gêneros mais trabalhados na Espanha, com poetas como Francisco de Quevedo, Lope de Vega, Federico Garcia Llorca, Becquer, Miguel de Unamuno, entre outros. Além de poeta, Vicente Aleixandre é um dos cinco espanhóis que foi galardoado com o prêmio Nobel de Literatura. Esse é um dos motivos que chama a atenção para a obra do escritor, em especial para a de estreia, <em>Ambito,</em> que reúne uma poesia multiforme que integra diversas preocupações temáticas, como o irracional, erótico, dimensão histórica e social, dando ao livro de Vicente Aleixandre um ar abrangente e que merece tradução.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>El Hereje (Miguel Delibes)</strong> – Miguel Delibes é um dos escritores espanhóis mais premiados, dentre estes o Prêmio Nadal, Príncipe de Astúrias e Prêmio Nacional de Literatura. Dentre suas obras mais famosas, gostaria de ver traduzido o último romance, chamado <em>El Hereje</em>, que conta a história de Cipriano Salcedo na época da reforma protestante, com um ambiente político e religioso tumultuado em que o escritor explora com habilidade a complexidade das relações humanas, a tolerância e a liberdade de consciência.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Paijaje después de la batalla (Juan Goytisolo)</strong> – Outro escritor que eu gostaria de ver traduzido é Juan Goytisolo, em especial com o livro <em>Paijaje después de La batalla</em> – que já foi traduzido em Portugal como <em>Paisagens depois da Batalha</em>. Neste livro, o escritor narra o improvável ao transformar a cidade Luz na cidade das trevas, prevendo o futuro com uma Paris ocupada por imigrantes em um mundo prestes a sucumbir. Comparado por alguns críticos com <em>O jogo da amarelinha</em>, de Cortázar – dito até que as duas obras se complementam -, esse romance encanta não só pela história, mas pela narrativa fantástica de Goytisolo que pede, ansiosamente, para ter uma tradução aqui no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>El jinete Polaco (Antonio Muñoz Molina)</strong> – O quebra-cabeça em que essa obra é montada é de tal complexidade que encanta pelo modo que é contada. Manuel é um tradutor simultâneo e reconta a própria vida ao montar um mosaico de vários momentos e personagens que vieram antes dele e daquele momento. Um livro único, que já foi agraciado com os prêmios Planeta, Nacional de narrativa e da Crítica.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Los estados carenciales (Ángela Vallvey)</strong> – Seria injusto não mencionar nenhuma escritora espanhola nesta lista. Para evitar tal erro, cito Ángela Vallvey, que já teve uma de seus livros traduzidos no Brasil (<em>Morte entre poetas</em>), e espero que tenha outros. Uma das minhas sugestões é <em>Los estados carenciales</em>, que recebeu o prêmio Nadal de Novela em 2002, e que contém toda a capacidade poética da narrativa da escritora em levar o leitor com um leve humor a deliciosas reflexões filosóficas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Las aventuras del Capitán Alatriste (Arturo Pérez-Reverte)</strong> – Por último, mas não menos importante, deixo aqui meu desejo para que a série de livros do Capitão Alatriste seja inteiramente traduzida. Os três primeiros livros já foram publicados pela Companhia das Letras e por mim resenhados – <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/12/o-capitao-alatriste-arturo-perez-reverte/" target="_blank">O Capitão Alatriste</a>, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/30/limpeza-de-sangue-arturo-perez-reverte/" target="_blank">Limpeza de Sangue</a>, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/03/o-sol-de-breda-arturo-perez-reverte/" target="_blank">O Sol de Breda</a></em>. Porém, ainda restam outros quatro livros já publicados pelo autor – <em>El oro del rey, El Caballero del jubón amarillo, Corsarios de Levante</em> e <em>El puente de los Asesinos</em>. Então, deixo aqui meu pedido para que os livros sejam traduzidos para que possamos seguir acompanhando as aventuras do charmoso Don Diego Alatriste, sempre acompanhado dos versos de Francisco de Quevedo, Lope de Vega e as aventuras por uma Espanha decadente, profana e heróica.</p>
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		<title>Traduções por vir: Literatura Japonesa</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 19:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Talvez esta lista seja a mais óbvia de todas até agora feitas aqui nos “Traduções por vir”. Mas, apesar de nos últimos oito anos, graças aos esforços de editoras como a Estação Liberdade e a Companhia das Letras, o público brasileiro ter ganhado acesso aos grandes nomes da literatura moderna nipônica – Kawabata, Soseki, Inoue, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/genji.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-16683" style="margin: 5px;border: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/genji.jpg" alt="" width="250" height="280" /></a>Talvez esta lista seja a mais óbvia de todas até agora feitas aqui nos <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/tag/traducoes-por-vir/">“Traduções por vir”</a>. Mas, apesar de nos últimos oito anos, graças aos esforços de editoras como a Estação Liberdade e a Companhia das Letras, o público brasileiro ter ganhado acesso aos grandes nomes da literatura moderna nipônica – Kawabata, Soseki, Inoue, Tanzaki, Mishima, etc. – e mesmo alguns contemporâneos – Oe, Murakami, Hiromi Kawakami -, ainda falta muito da literatura clássica, alguns títulos bastante evidentes. Entretanto, fiel ao espírito dessa seção, tentei buscar nomes de diversas épocas ainda inéditos em português, ainda que os contemporâneos fiquem para uma próxima vez. A lista é quase infinita, de forma espantosa, inversamente proporcional ao tamanho da pequena ilha, mas os títulos que me vieram foram estes:<span id="more-16674"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Genji Monogatari [A História de Genji]:</strong> considerado, aos olhos de muitos ocidentais, o primeiro livro a ter certas características que definiriam o gênero “romance”, esse grosso volume foi escrito no início do século XI, por uma dama da corte japonesa, de nome Shikibu Murasaki. Basicamente, a história narra a vida do filho do imperador do Japão que dá nome ao livro, e, em especial, nos diversos amores de sua vida, a começar por sua mãe, que morre logo cedo, e que depois passará para a madrasta e por uma série de mulheres até chegar a uma menina que ele rapta e reconhece como a reencarnação de seu primeiro amor. Mas esse não será o último amor de Genji que, surpreendentemente, se apaixonará por uma mulher que também chama “Murasaki”. A demonstração de amor da autora por seu personagem não para aí: o livro só termina 200 páginas depois que o filho do imperador já está morto – como se não quisesse deixá-lo. O encanto de <em>Genji Monogatari</em>, no entanto, não para aí: através dele, podemos conhecer, com descrições detalhadas, a vida na corte de um Japão que está muito longe de nós, antes dos samurais, das cerimônias do chá, e de todo aquele imaginário que nos persegue. É um Japão de contos de fadas, no qual os personagens – mais de 400 – são identificados por seus títulos e funções (Ministro da Direita, Filho Herdeiro, Escrivão, etc.) sem que ganhem nomes (o que dificulta muito a leitura, já que as pessoas são as mesmas e os títulos vão mudando – e isso nem sempre é explicito), numa língua que mesmo os japoneses de hoje já não conseguem ler sem uma tradução “modernizadora”, ainda que identifiquem tal idioma como sendo deles. Ainda hoje, é o grande clássico da literatura japonesa.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Makura no soshi [O livro de cabeceira]:</strong> O outro grande clássico fundador da literatura japonesa também foi escrita por uma mulher da corte que viveu nos século X e XI, chamada Sei Shonagon. Esse, porém, não é um livro de narrativas, mas uma espécie de miscelâneas com observações pessoais sobre a vida diária, mesclando diversos gêneros, algo que no Japão será posteriormente reconhecido como um gênero específico chamado zuihitsu. Mas o que rendeu grande notoriedade a esse livro foram suas listas: Shonagon muitas vezes arrolava itens em categorias como “Coisas que devem ser breves”, “Coisas que estão perto apesar de distantes” (e vice e versa), “Coisas que perderam o seu poder”, “Coisas especialmente prazerosas do primeiro dia do ano”, etc. A poética dessas listas inventada por Shonagon capturou diversos artistas ocidentais, como Jorge Luis Borges (que escreveu um prefácio a edição argentino de <em>O livro de cabeceira</em>), Georges Perec, Paulo Leminski e o cineasta Peter Greenaway, que realizou um filme de mesmo nome.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Heike Monogatari [A História de Heike]:</strong> Outro grande livro distante temporalmente de nós (escrito no século XII), narra as grandes guerras do período, entre os clãs Tara e Minamoto. Diferente de <em>Genji Monogatari</em>, esse livro não possui uma autoria única, podendo ser considerado uma compilação de vários cronistas, vinda de várias fontes orais. Assim, são narradas uma sucessão de eventos e intrigas políticas ao longo de cinco anos, explicitando o processo de inúmeras disputas que, como adverte a reflexão filosófica que abre o livro, exibe a impermanência dos poderosos. Essa inúmera variedade de episódios e tragédias fez desse livro uma enorme fonte de inspiração para outros autores, principalmente do teatro noh e do kabuki. Em meados do século XX, essa obra foi reescrita para o japonês moderno por ninguém mais que Eiji Yoshikawa, autor do famoso épico<em> Musashi</em>.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Daiyon kampyōki [Quarta Era Glacial Intermediária]:</strong> de todos os maiores romancistas modernos japoneses, o único que não foi traduzido (ou não temos previsão de quando o será) talvez seja Kobo Abe (1924-1993). Apesar de ter notícias de uma tradução de <em>A Mulher de Areia</em> (1962) ter circulado em português (não sei se aqui, não sei se em Portugal), acredito que esse exemplar seja muito raro para ser considerado “disponível”. Abe foi o escritor japonês mais próximo daquilo que podemos chamar de uma “vanguarda”, não só no sentido da experimentação, da fusão entre “arte” e “vida”, mas também da filiação política forte, no caso, ao socialismo. O surrealismo dos seus romances se tornou notório, em especial no erotismo da novela mencionada acima, que ganhou uma versão cinematográfica clássica pelas mãos de Hiroshi Teshigahara. Mas é a <em>Quarta Era Glacial Intermediária</em> (1959) que essas disposições para imagens bizarras e oníricas ganha maiores proporções, associadas com uma certa ficção científica. Basicamente, o livro gira em torno do desespero dos japoneses frente aos derretimentos dos pólos e da elevação dos níveis oceânicos. O surgimento de figuras bizarras em prol de uma certa “sobrevivência” – uma criança-peixe, um computador-quiromântico que indica o que a humanidade deve fazer, alucinações coletivas –, associado a uma linguagem associativa com a qual o romance foi escrito, dão o toque surrealista do romance. Mais tarde, graças a Mishima, Abe se tornaria enormemente reconhecido por suas peças de teatro minimalista, tais como <em>O Homem que virou um galho</em> e <em>Sequestro</em>.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Correspondência Yasunari Kawabata (1899-1972) &#8211; Yukio Mishima (1925-1970):</strong> as cartas trocas entre os dois grandes nomes da literatura moderna japonesa talvez seja o documento mais importante sobre os processos de criação artística recente nesse país. Além disso, essa correspondência também é uma missiva entre mestre e aluno, numa relação paternal bem peculiar. Mishima só poderia, como qualquer um que tenha lido <em>Confissões de uma máscara</em> ou<em> Sol e Aço</em>, o discípulo mais caprichoso possível: após ver suas expectativas de superá-lo ganhando o Nobel – Mishima era de fato o favorito em sua época – findarem quando o próprio Kawabata o recebe, escreve um romance todo baseado nessa relação, intitulado <em>Cores Proibidas</em>. Já Kawabata será o mestre contemplativo, guiando suas novelas pelas veredas das peças mais significativas da história do Japão: a cerimônia do chá (<em>Mil Tsurus</em>), o jogo de go (<em>O Mestre do go</em>), a música japonesa (<em>O Som das montanhas</em>), a fabricação de seda (<em>País das Neves</em>), etc. O diálogo dos dois só poderia ser um registro de uma reflexão profunda sobre os modos de vida tradicionais, sobre os valores de honra, coragem, contemplação, meditação, etc. No fim, ambos conservaram as posturas de guardiões da cultura milenar japonesa: o primeiro como um monge zen-budista, o segundo como um guerreiro. Inclusive, na incapacidade de conviver com o modo moderno que despreza essas tradições, morrem de acordo com suas convicções: a morte silenciosa por gás carbono de Kawabata, e a o seppuku ritualístico realizado publicamente por Mishima.</p>
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		<title>Traduções por vir &#8211; Literatura de Língua Inglesa &#8211; Parte II</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 19:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Deschain</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dando continuidade a série de artigos Traduções por vir, listo mais algumas obras em língua inglesa que ainda não possuem edições em português, seja como forma de sugerir às editoras, seja como forma de dar indicações de leitura. Caso ainda não tenham lido, vale a pena conferir a primeira parte do artigo que a Anica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/American.Literature.jpg"><img class="size-medium wp-image-15885 alignleft" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/American.Literature-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Dando continuidade a série de artigos <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/category/linguas-e-traducao/porvir/">Traduções por vir</a></em>, listo mais algumas obras em língua inglesa que ainda não possuem edições em português, seja como forma de sugerir às editoras, seja como forma de dar indicações de leitura. Caso ainda não tenham lido, vale a pena conferir a primeira parte do <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/18/traducoes-por-vir-literatura-de-lingua-inglesa/">artigo que a Anica escreveu</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Não sou um leitor costumeiro de livros em inglês. As poucas incursões que fiz foram em traduções de outras línguas ou de livros que já possuem edições em português. Vou arrolar alguns livros que já ouvi falar bastante (e que me deixam curiosos) e de livros que, embora se refiram ao universo mais restrito da literatura estadunidense da primeira metade do século XX (por conta da minha pesquisa), certamente constituem-se boas leituras não só no âmbito daquela realidade como no universo literário no geral.<span id="more-15877"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Bombs.Away_.John_.Steinbeck.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-15878" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Bombs.Away_.John_.Steinbeck.jpg" alt="" width="200" height="302" /></a>- <em>Bombs Away: the story of a bomber team</em> (John Steinbeck)</strong> – vocês certamente notaram que eu gosto muito desse autor e que leio uma porção de livros dele. Pois bem, esse livro, como sugere o subtítulo, conta a história de um esquadrão de bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial. O livro é propagandístico de uma forma que despertou a indignação de Hemingway, que declarou que preferia ter três dedos arrancados a escrever algo como esse. No mais mantém os toques de simplicidade humanística tipicamente steinbeckianos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Once.there_.was_.a.war_.John_.Steinbeck.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-15879" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Once.there_.was_.a.war_.John_.Steinbeck.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>- <em>Once there was a war</em> (John Steinbeck)</strong> – embora tenha se envolvido mais tardiamente com a Segunda Guerra Mundial (inclusive por estar às voltas com um processo também muito dramático: os avassaladores efeitos da Grande Depressão sobre os pequenos proprietários), Steinbeck reportou-se em relação ao conflito como correspondente de guerra. Esse livro é justamente a reunião de artigos que ele escreveu a respeito da guerra, com a peculiaridade de tratarem de situações aparentemente banais, no nível dos sujeitos mesmo, revelando detalhes interessantes e curiosos sobre o cotidiano do sangrento conflito.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/The.Octopus.Frank_.Norris.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-15880" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/The.Octopus.Frank_.Norris.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>- <em>The Octopus: a Story of California</em> (Frank Norris)</strong> – esse livro foi lançado em 1901 e seria parte de uma trilogia (que não chegou a ser escrita integralmente), chamada provisoriamente de <em>A Epopéia do Trigo</em> (<em>The Epic of Wheat</em>). No livro são retratados os duros conflitos existentes entre os pequenos proprietários e agricultores da Califórnia frente ao avanço da companhia ferroviária Southern Pacific Railroad. O crescimento do capital especulativo e a expansão da exploração extensiva e científica da terra pelas regiões agrícolas do oeste dos Estados Unidos foi um processo deveras dramático em que várias vozes se levantaram para descortinarem a desumanidade com que ele se caracterizou.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/The.Jungle.Upton_.Sinclair.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-15881" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/The.Jungle.Upton_.Sinclair.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>- <em>The Jungle</em> (Upton Sinclair)</strong> – há vários livros de Sinclair traduzidos para o português, mas são poucos se comparados a sua prolífica carreira (que conta com quase cem livros publicados). Vencedor de vários prêmios Pulitzer, o autor estadunidense retrata nesse livro as condições desumanas a que são submetidos os trabalhadores de uma fábrica de processamento de carne. A tônica jornalística de característica crueza que marcou boa parte da produção “neo-realista” estadunidense dos anos 30 está presente em <em>The Jungle</em>, o autor inclusive declarou que buscava acertar seus leitores no coração, mas acabou pegando-os pelo estômago, tamanha a visceralidade e a crueldade empregadas para descrever o cotidiano desses trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Lord.Fouls_.Bane_.Stephen.Donaldson.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-15882" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/Lord.Fouls_.Bane_.Stephen.Donaldson.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>- <em>The Chronicles of Thomas Covenant, the Unbeliever</em> (Stephen Donaldson)</strong> – essa é uma sugestão múltipla, pois são <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Chronicles_of_Thomas_Covenant,_the_Unbeliever">três arcos de história</a> que formam as crônicas de Thomas Covenant, os dois primeiros com três livros cada e o terceiro com quatro. Donaldson inscreveu seu nome nos anais da Fantasia através de uma vasta obra que explora a fundo não só seu protagonista como também o universo fantástico em que a história se situa. Thomas Covenant é um escritor leproso que por uma sucessão de eventos acaba se tornando o salvador do mundo alternativo, chamado apenas The Land. Várias listas colocam ao menos algum dos romances das crônicas de Covenant entre as melhores ou mais expressivas obras de Fantasia de todos os tempos.</p>
<p style="text-align: justify">Esses são somente alguns exemplos de livros que a meu ver seriam boas pedidas de tradução. Citei aqui alguns títulos com os quais tenho mais familiaridade, mas há diversos outros, desses e de outros autores que mereciam também seu traslado ao vernáculo. Basta olhar para listas de melhores livros de Ficção Científica e Fantasia como essa da <em><a href="http://thisrecording.com/today/2010/1/18/in-which-we-count-down-the-100-greatest-science-fiction-or-f.html">This Recording</a></em> ou da <em><a href="http://www.npr.org/2011/08/11/139085843/your-picks-top-100-science-fiction-fantasy-books">NPR</a></em>, ou de melhores romances em língua inglesa, como <a href="http://entertainment.time.com/2005/10/16/all-time-100-novels/#the-adventures-of-augie-march-1953-by-saul-bellow">essa da Revista Time</a>, ou mesmo essa eleição dos melhores <em>thrillers</em> de todos os tempos também da <em><a href="http://www.npr.org/2011/06/13/128718927/audience-picks-top-100-killer-thrillers?ft=1&amp;f=1032">NPR</a></em>, para se ter uma idéia de quantos títulos ainda não estão acessíveis para o português. Uma ótima sugestão para posteriores <em>Traduções por vir</em> que explorem esses gêneros em específico, quem sabe&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">Fica a dica para quem quiser conferir o que há de bom lá fora sem tradução, para as editoras que porventura se animarem em traduzir tais livros, e para os que queiram pleitear traduções junto a suas editoras.</p>
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		<title>Traduções por vir: Literatura Tcheca</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 19:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A República Tcheca é mundialmente famosa por suas cervejas e por sua literatura. Com o crescimento que o mercado de cervejas vem tendo no Brasil, acho que pelo menos a Budweiser  (a de verdade, não norte-americana) a maioria das pessoas deve conhecer. Considerando que essa coisa de cervejas importadas é algo para qual o público [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/Bohumil_Hrabal_Wall_Prague_Liben_CZ.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-15033" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/Bohumil_Hrabal_Wall_Prague_Liben_CZ-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>A República Tcheca é mundialmente famosa por suas cervejas e por sua literatura.</p>
<p style="text-align: justify">Com o crescimento que o mercado de cervejas vem tendo no Brasil, acho que pelo menos a Budweiser  (a de verdade, não norte-americana) a maioria das pessoas deve conhecer. Considerando que essa coisa de cervejas importadas é algo para qual o público de nosso país tem se aberto apenas mais recentemente, acho que já é um saldo positivo.</p>
<p style="text-align: justify">Mas, como de praxe, a literatura acaba sendo preterida por aqui, e de todo o gigantesco universo literário que a República Tcheca possuiu, só uma ínfima parte foi publicada. E do que foi publicado aqui, ainda menos é conhecido. Eu diria que, basicamente, dois autores estão bem difundidos: Franz Kakfa e Milan Kundera. Kafka escreve em alemão, vou contar fora. Ficamos, então, só com Kundera.</p>
<p style="text-align: justify">É claro que existem outros autores de língua tcheca que saíram no Brasil. Bohuil Hrabal, Ivan Klíma, Václav Havel, Vladimír Škutina, Jaroslav Hašek e Karel Čapek, por exemplo. O problema é que, além de eles não serem muito difundidos, ainda é pouco: não só são poucas obras de cada um, muitas em edições esgotadas, quando existe uma infinidade de autores que são extremamente representativos no universo letrado tcheco e que inexistem no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify">Vou fazer aqui um breve apanhado de algumas obras que, penso, não poderiam faltar nas livrarias de nenhum lugar do mundo &#8211; e que, no entanto, faltam por aqui. Limitar-me-ei, porém, a obras dos séculos XX e XXI e cujos autores sejam inéditos no Brasil.<br />
<span id="more-15031"></span><br />
<strong>Noc s Hamletem (Noite com Hamlet), de Vladimír Houlan</strong>- Houlan foi um dos principais poetas tchecos depois da Segunda Guerra. Utilizando imagens e linguagem obscuras em seus poemas, ele é um tanto quanto pessimista e enigmático &#8211; mas nem por isso menos hedonista. Cito esse livro, de 1964, apenas porque o poema que lhe empresta o título é, provavelmente, o poema em tcheco mais traduzido de todos os tempos. O que não tornaria, é claro, a publicação de outras obras &#8211; tanto poéticas quanto em prosa &#8211; menos interessante.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Život s hvězdou (Vida com estrela), de Jiří Weil</strong>- Phillip Roth considera esse livro um dos melhores relatos sobre a vida dos judeus sob a dominação Nazista. Baseado no que o próprio Weil passou durante a Guerra, o livro (e todo o resto de sua obra) foram banidos da República Tcheca durante os piores anos do comunismo, pois foi considerado subversivo demais pela sua riqueza reflexiva. Uma obra profunda e terrível, que se destaca em meio à infinidade de coisas escritas sobre o mesmo tema.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Půlnoční pacient (Paciente da Meia-Noite), de Egon Hostovský</strong>- Em uma obra carregada de influências expressionistas, um psiquiatra atende um paciente que só pode vir à meia-noite, pois seu emprego assim o exige: trabalha como espião. Hostovský, parente do escritor austríaco Stephan Zweig, constrói um universo confuso com uma linguagem igualmente confusa, em que busca refletir o estado em que o mundo encontrava-se durante a Guerra Fria.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Němá barikáda (Barricada muda), de Jan Drda</strong>- Apesar de Drda ter sido membro do Partido Comunista da Tchecoslováquia e de ter sido o diretor da União dos Escritores Tchecoeslovacos, seu livro pode ser encarado como uma crítica velada ao regime que dominava seu país. Em  Němá barikáda ele conta a história da resistência contra os invasores nazistas, em um mundo cinzento, opressivo e coletivizado.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Modlitba pro Kateřinu Horovitzovou (Uma oração para Katerine Horovitz), de Arnošt Lustig</strong>- Mais um judeu sobrevivente do Holocausto. Em Modlitba pro Kateřinu Horovitzovou, Lustig conta duas histórias paralelas: uma sobre alguns empresários judeus que são capturados e mortos pelos nazistas na ilha italiana da Sicília; a outra é sobre o destino de uma judia polonesa que, quando estava prestes a entrar na câmara de gás em Auschwitz, saca uma arma, mata um oficial nazista e tenta escapar.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Rok kohouta (O ano do galo), de Tereza Boučkova</strong>- Uma autora mais recente do que todos os outros que eu citei, Tereza Boučkova pertence ao que é conhecido como &#8216;literatura fato&#8217; &#8211; um gênero próximo ao jornalismo literário, e que se tornou bastante grande na Europa Centro-Oriental pós-Guerra Fria. Em Rok kohouta Boučkova, conta sua experiência ao adotar uma criança cigana &#8211; levantando questões sociais e étnicas ainda bastante presentes naquela parte da Europa.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Osmý&#8230; čili nedokončený životopis (Oitenta&#8230; ou ainda uma bioagrafia não completa), de Ota Filip</strong>- Autor exilado desde 1974, que somente retornou ao país com a queda do regime comunista. Mais um adepto da literatura fato, narra suas experiências no exército tcheco &#8211; tendo sido enviado em missões punitivas, sua prisão depois da Primavera de Praga, seu exílio e seu retorno ao país.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Poemas de Tomas Tranströmer</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 20:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Línguas&Tradução]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[A Insegurança Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Allegro]]></category>
		<category><![CDATA[Depois da RDA]]></category>
		<category><![CDATA[Depois de uma Morte]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura Sueca]]></category>
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		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tomas Tranströmer]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem foi anunciado o vencedor  prêmio Nobel de literatura desse ano, que foi o poeta sueco Tomas Tranströmer. Praticamente desconhecido no Brasil, ele é um dos maiores nomes da literatura sueca contemporânea, tendo sido extensamente traduzido para boa parte dos idiomas europeus. Como de praxe, as traduções para a língua portuguesa praticamente inexistem (só sei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/transtromerklein.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-14791" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/transtromerklein-300x221.jpg" alt="" width="300" height="221" /></a>Ontem foi anunciado o vencedor  prêmio Nobel de literatura desse ano, que foi o poeta sueco Tomas Tranströmer. Praticamente desconhecido no Brasil, ele é um dos maiores nomes da literatura sueca contemporânea, tendo sido extensamente traduzido para boa parte dos idiomas europeus. Como de praxe, as traduções para a língua portuguesa praticamente inexistem (só sei de alguns poucos poemas traduzidos em Portugal, e nada mais).</p>
<p style="text-align: justify">Eu e o Tiago já discutimos um pouco a respeito da escolha da Academia Sueca em outro tópico, e, conforme prometido, traduzimos alguns poemas de Tranströmer.<span id="more-14790"></span><strong></strong></p>
<p><strong>A insegurança nacional</strong></p>
<p>(tradução de Luciano Ramos Mendes)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A sub-secretária se inclina para a frente e desenha um X</p>
<p>e seus brincos balançam como espadas de Damócles</p>
<p>Tal qual uma borboleta manchada é invisível no chão</p>
<p>também o demônio se mescla ao jornal aberto.</p>
<p>Um elmo vestido por ninguém tomou o poder.</p>
<p>A mãe tartaruga foge voando sob a água.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Depois da RDA (visita de cinco dias em 1990)</strong></p>
<p><strong></strong>(tradução de Tiago Guilherme Pinheiro)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O olho todo-poderoso do ciclope foi partido em meio às nuvens</p>
<p>e à grama bufando dentro da poeira de carvão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Magoados pelos sonhos da noite</p>
<p>nós subimos à bordo de um trem</p>
<p>que se detém em todas as estações</p>
<p>para botar lá uns ovos.</p>
<p>Tudo parece tranqüilo&#8230;</p>
<p>Badalando os baldes dos sinos das igrejas</p>
<p>Que buscam por água</p>
<p>E a tosse implacável de alguém</p>
<p>Que engasga tudo e todo mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um ídolo de pedra que comove-se aos prantos:</p>
<p>eis a cidade.</p>
<p>Onde os mau-entendidos dominam</p>
<p>entre os vendedores dos quiosques os açougueiros os carpinteiros os oficiais da marinha</p>
<p>os mau-entendidos de bronze, os universitários,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que aos meus olhos fazem mal!</p>
<p>Eles viram</p>
<p>Eles leram ao surdo lampejo das lanternas dos pirilampos</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Contudo, nós entendemos o badalar</p>
<p>Dos baldes dos sinos das igrejas, que buscam por água</p>
<p>Todas as quartas-feiras</p>
<p>- mas já estamos na quarta?-</p>
<p>Vejam só o que nos dão no lugar do Dia da Domingo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Allegro</strong></p>
<p>(tradução de Luciano Ramos Mendes)<strong></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu toco Haydn depois de um dia escuro</p>
<p>e sinto um calorzinho nas mãos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As teclas desejosas. Os martelos gentis.</p>
<p>O som é jovem, vigoroso e silencioso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O som diz que existe a liberdade</p>
<p>e que não se devem impostos ao imperador.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu enfio minhas mãos nos meus haydn-bolsos</p>
<p>e imito um homem tranqüilo sobre o mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu ergo minha haydn-bandeira. O sinal é:</p>
<p>&#8220;Jamais nos renderemos, mas queremos paz.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A música é uma casa de vidro na encosta</p>
<p>onde voam pedras, rolam rochas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As rochas rolam e a atravessam</p>
<p>mas as vidraças continuam intactas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Depois de uma morte</strong></p>
<p>(tradução de Tiago Guilherme Pinheiro)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Houve então uma colisão</p>
<p>que deixou para trás uma longa, bruxelante cauda de cometa.</p>
<p>Fechou-nos em seu interior. Fez com que nevassem as imagens da TV.</p>
<p>Formou estalactites frias nos fios dos telefones.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda é possível esquiar lentamente sob o sol invernal</p>
<p>Em meio a alamedas onde umas poucas folhas perduram.</p>
<p>Parecem páginas rasgadas de antigas listas telefônicas</p>
<p>Nomes engolidos pelo frio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É bonito ouvir o coração bater</p>
<p>Mas é comum que a sombra pareça mais verdadeira que o corpo.</p>
<p>O samurai fica insignificante</p>
<p>Ao lado de sua armadura de escamas de dragão negro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Madrigal</strong></p>
<p>(tradução de Luciano Ramos Mendes)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify">Herdei um bosque sombrio onde raramente vou. Mas chegará um dia em que os mortos e os vivos trocarão de lugar. Então, o bosque se colocará em movimento. Não estamos sem esperanças. Os crimes mais difícies continuam sem solução, apesar dos esforços de muitos policiais. Do mesmo modo, há em nossa vida um grande amor por solucionar. Herdei um bosque sombrio, mas caminho em um outro bosque, o luminoso. Todas as criaturas que cantam, serpenteiam, mexem a cauda e se arrastam! É primavera e o ar é muito forte. Tenho um diploma da universidade do esquecimento e estou tão vazio quanto a camisa que seca no varal.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Haikais</strong></p>
<p>(tradução de Tiago Guilherme Pinheiro)<strong><br />
</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Forte e lenta brisa</p>
<p>Da livraria marinha</p>
<p>- Descasarei em paz aqui</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A grama crescente&#8230;</p>
<p>Sua face uma runa, pedra</p>
<p>ascendente na memória</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na biblioteca das meias-espertezas</p>
<p>Um livro-sermão na estante</p>
<p>Intocado</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desgrenhados pinos</p>
<p>Num pântano trágico</p>
<p>- para sempre, eternamente</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Cavalo da Morte salta sobre mim</p>
<p>Eu sou um problema de xadrez</p>
<p>E ela, a solução.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ele escreve e escreve&#8230;</p>
<p>Cola fluindo pelos canais;</p>
<p>Uma gôndola atravessando o Styx.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Traduções por vir: Literatura Francesa</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 20:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Traduções por vir]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Dumas]]></category>
		<category><![CDATA[Boulet]]></category>
		<category><![CDATA[Cadavre Exquis]]></category>
		<category><![CDATA[Conde de Saint-Germain]]></category>
		<category><![CDATA[Contes à Faire Rougir les petits Chaperons]]></category>
		<category><![CDATA[Crimes Célèbres]]></category>
		<category><![CDATA[Gerald Messadié]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-Pierre Enard]]></category>
		<category><![CDATA[Línguas&Tradução]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Francesa]]></category>
		<category><![CDATA[Notes]]></category>
		<category><![CDATA[Pénélope Bagieu]]></category>

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		<description><![CDATA[A portuguesa Maria de Medeiros (atriz e cantora), radicada em Paris, declarou em uma entrevista para a rede de TV francesa TV5 que o francês e o português são línguas irmãs. Estou inclinada a concordar.  Não por acaso que muitas obras de literatura russa e afins chegaram a nós via traduções francesas. Possuímos expressões idiomáticas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/48-img2.jpg"><img class="size-full wp-image-14317 alignleft" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/48-img2.jpg" alt="" width="250" height="288" /></a>A portuguesa Maria de Medeiros (atriz e cantora), radicada em Paris, declarou em uma entrevista para a rede de TV francesa TV5 que o francês e o português são línguas irmãs. Estou inclinada a concordar.  Não por acaso que muitas obras de literatura russa e afins chegaram a nós via traduções francesas. Possuímos expressões idiomáticas similares, as frases são construídas de forma semelhante, partilhamos boa parte da gramática latina. Os franceses são também prolíficos em clássicos: Alexandre Dumas, Guy de Maupassant, Victor Hugo, Balzac, Antoine de Saint-Exupery, Camus, Sartre, Beauvoir, Sade.</p>
<p style="text-align: justify">Abrigou ainda muitos escritores e artistas de outras regiões, como Ernest Hemingway, só para citar um exemplo. Tudo isso levaria a crer que não há muitas obras francesas não traduzidas por aqui. Ledo engano. Selecionei aqui algumas obras que adoraria ver nas estantes brasileiras, o quanto antes. Não dá para traduzir tudo, a gente bem sabe, mas espero que os editores olhem minhas sugestões com carinho:</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-14311"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2009/08/29/saint-germain-o-homem-que-nao-queria-morrer-gerald-messadie/">Saint-German: l&#8217;homme qui ne voulais pas mourir (Gerald Messadié):</a> </strong> Este livro está no meu top 10.  Escrevi sobre ele em uma das minhas primeiras participações aqui no blog, e ainda não localizei um rival. São dois tomos, num total de mais de 1000 páginas, que transformam o homem Conde de Saint-Germain em personagem, e sua trajetória mística e misteriosa numa aventura digna de um romance capa e espada. É também uma obra sobre a identidade. Fantasticamente escrita por esse autor que possui alguns livros publicados no Brasil,  mas não o suficiente.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Histoire Géneral du Diable (Gerald Messadié)</strong>: Ainda deste autor, que também é historiador, merece uma boa tradução para o português (brasileiro) este estudo sobre o Diabo. Nele, Messadié busca as origens deste antagonista de Deus, Satã, Belzebu, quem quer que ele seja. Ele busca sua figura em diversas civilizações, antigas e contemporâneas. Faz com que o leitor reflita sobre história e religião, deuses e homens.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Crimes Célèbres (Alexandre Dumas): </strong>Meu escritor favorito, o responsável pela minha paixão pelo idioma tem só uma pequena parcela de suas obras traduzidas aqui no Brasil. Poderia fazer um traduções por vir só de obras do mestre, mas vou me ater a esta. São relatos de crimes célebres em sua época. Dentre os celerados, encontramos os Bórgias, a marquesa de Brinvilliers e Urban Grandier. Considerando o poder da pena de Dumas, deve ser um primor de leitura. Considerando o sucesso da série de Dexter, e o novo fascínio que parece surgir de romances históricos, este livro deve ser uma boa pedida para as editoras. Texto de qualidade, assunto de interesse do público.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Contes à faire rougir les petits Chaperons (Jean-Pierre Enard): </strong>Versões, digamos, adultas de contos de fadas, este livro não é recomendado aos menores de 18 anos. As releituras de Jean-Pierre Enard são um tanto quanto apimentadas, e podem causar espanto aos mais puritanos, mas é um livro divertidíssimo, e bastante envolvente. Seu nome é uma brincadeira com a Chapeuzinho vermelho: Contos que fazem corar as pequenas Chapeuzinhos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Le Dernier Amour d’Aramis ou les Vrais Mémoires du chevalier René d’Herblay (Jean-Pierre Dufreigne): </strong>Editores poderiam aproveitar o boom do recente lançamento dos cinemas &#8211; mais uma versão de &#8220;Os Três Mosqueteiros&#8221; &#8211; e traduzir este que seria um livro de memórias de Aramis, o mais misterioso dos Mosqueteiros do rei. Lançado em 1993, este livro faz do personagem de Dumas um senhor de 70 anos, apaixonado por uma donzela muito mais jovem, a quem são dedicadas tais memórias.</p>
<p style="text-align: justify">E, para terminar, <strong>quadrinhos franceses: </strong>Literatura ou não, a França lança anualmente mais de 100 mil álbuns por ano. São vários os autores, vários os estilos, e entrar numa livraria e ver uma sessão de quadrinhos como as de Paris é algo de babar. Nesta categoria eu destacaria o<a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/15/notes-1-born-to-be-a-larve-boulet/"> Notes</a>, do Boulet, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/09/29/lembrancas-culturais-de-paris/">Cadavre Exquis,</a> de Pénélope Bagieu e Naguère les Étoiles de Hervé Bourhis, e vários outros. Não é à toa que a França abriga um dos mais famosos festivais de quadrinhos do mundo: O Festival de Angoulême.</p>
<p style="text-align: justify">
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		<title>Traduções por vir (Literatura de língua espanhola)</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 19:40:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Felippe e eu nos unimos nessa edição das Traduções por vir para falarmos um pouco da nossa querida literatura de língua espanhola, em especial de escritores latino-americanos (somos confraternizadores). Eis aí os nossos comentários. Esperemos que as editoras um dia se animem aos nossos conselhos. Felippe : Quando posso, e tenho um mínimo de coragem, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/torresgarcia.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-13394" style="margin: 5px;border: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/torresgarcia-295x300.jpg" alt="" width="236" height="240" /></a>Felippe e eu nos unimos nessa edição das Traduções por vir para falarmos um pouco da nossa querida literatura de língua espanhola, em especial de escritores latino-americanos (somos confraternizadores). Eis aí os nossos comentários. Esperemos que as editoras um dia se animem aos nossos conselhos.</p>
<p style="text-align: justify">Felippe :</p>
<p style="text-align: justify">Quando posso, e tenho um mínimo de coragem, comento sobre meus escritores favoritos por aqui. Não gosto muito de escrever sobre eles por parecer babação de ovo e quase parcial ao extremo para convencer quem lê minha resenha a virar devoto do tal autor. <span id="more-13390"></span>De qualquer forma, venho aqui para falar um pouco sobre os livros não traduzidos de Adolfo Bioy Casares, escritor argentino que por muito tempo era encoberto em terras tupiniquins por seus conterrâneos Borges, de quem era muito amigo, e Julio Cortázar. O primeiro era amigo íntimo de Casares, eles constumavam passar muitas noites na Ponte Alsina, na Zona Sul de Buenos Aires, para observar a paisagem sem uma motivação aparente. A amizade dos dois era tão fortes que escreveram livros juntos como <em>Seis Problemas Para Isidro Parodi</em>, uma história sobre um ex-cabeleleiro que de dentro da sua cela tenta resolver um crime através das conversas com cada um dos envolvidos. Esse livro tem como autor original H. Bustos Domecq, pseudônimo adotado pelos escritores, e seu nome ainda está em uma compilação de crônicas e outra de contos. Infelizmente, todos sabem exatamente quem são os autores e esse é um problema gigantesco para conseguir traduzir uma obra feita a quatro mãos. Os direitos de Borges estão com a Companhia das Letras, enquanto os de Bioy Casares estão com a Cosac Naify – que tem lançado nos últimos anos grandes exemplares do escritor como <em>A Invenção de Morel</em>, <em>O Sonho dos Heróis</em>, <em>Diário da Guerra do Porco</em> e <em>Histórias Fantásticas</em> (coletânea de contos). Outro livro surgido dessa forte amizade é Borges, um a obra póstuma que Bioy Casares começou a editar a partir de diários secretos – que serviram para compor os três trabalhos póstumos <em>Memorias</em>, <em>Descanso de caminantes</em> e <em>Unos días en el Brasil</em> &#8211; que ele mantinha sobre a amizade com o parceiro literário, viagens e demais anotações sobre o cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify">Dos romances de Bioy Casares, os brasileiros ainda desconhecem o incrível <em>Dormir Al Sol</em>, uma história de amor e mutação – uma parábola sobre a troca de identidades e sobre a alma humana, tudo com o ritmo satírico intrínseco. No campo dos contos, onde Bioy Casares bate de frente com o gênio Cortázar, temos um de seus últimos livros que deveria ser traduzido o quanto antes: <em>Una Muñeca Rusa</em>. As narrativas daqui fogem da lógica e a moral ética, misturando arte, política, amor e morte – os vícios do escritor em quase toda sua bibliografia.<em> El lado de la sombra</em> é para os iniciados em <em>A Invenção de Morel</em>, dois contos mostram diferentes ângulos e conclusões do livro de 1940, classificado por Borges como perfeito. Ainda constam livros não reconhecidos pelo autor como <em>17 disparos contra lo porvenir</em> e <em>La estatua casera</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Em outras notícias, eu até falaria sobre o que falta chegar de Julio Cortázar no Brasil, como suas correspondências (a revista Piauí traduziu algumas) ou novas edições de seus outros três romances e dezenas de livros de contos que não receberam traduções – o que considero que não demorará a acontecer, o autor de <em>O jogo da amarelinha</em> tem muito fôlego no país de Guimarães Rosa. Contudo, há outro autor argentino um pouco mais velho que Cortázar – e admirado por este -, Leopoldo Marechal, desconhecido no Brasil nos tempos atuais. É complicado encontrar até biografias ou notas sobre ele. Marechal era professor, poeta, ensaísta e amigo de diversos artistas, um deles Pablo Picasso. A ponte entre Cortázar e Marechal não está nos holofotes em um e apagados para o outro, longe disso, na verdade Julio considerava a magnum opus de Leopoldo, <em>Adán Buenosayres</em>, um livro composto por uma bússola em cima de uma papel em branco. Explico: é uma obra labiríntica e arquitetada de maneira que desnorteie seu leitor e o fisgue pela angústia, humor e náuseas emanadas das palavras. O livro dividido em livros (ao invés de capítulos) conta com um paralelismo com a obra de Homero, assim como <em>Ulysses</em>, mas também surge como uma pararódia, em sua sétima e última parte, de <em>O Inferno</em> d’A Divina Comédia. Os poemas de Marechal lhe renderam diversos prêmios e <em>Heptamerón</em> é uma das coletâneas mais elogiadas do autor. Días como flechas, publicado na década de 1920 e ainda inédito no Brasil, tem um dos poemas mais encantadores da língua espanhola, Canción:</p>
<p style="text-align: justify">El Río de tu Sueño cantará el abecedario del agua.<br />
Tendrá árboles, como llamas verdes<br />
chisporroteando alondras;<br />
y altos bambúes cazarán el girasol de las lunas<br />
en el Río de tu Sueño que sólo tú remontas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">El alba será un loto que perfuma<br />
la muerte de tus noches;<br />
de picotear estrellas estarán ebrios tus pájaro-moscas.<br />
Habrá remansos y un polen que hace dormir al viento<br />
en el Río de tu Sueño que tú remontas.</p>
<p style="text-align: justify">Con mi remo al hombro he visto zarpar cien días:<br />
mis hermanos pelarán la fruta del mundo, la más roja&#8230;<br />
Con mi renio inútil, a lo largo de las noches,<br />
busco el Río de tu Sueño, que sólo tú remontas.<br />
________________________________________<br />
Tiago:</p>
<p style="text-align: justify">Sou alguém que teve sua formação de leitor altamente tendo Jorge Luis Borges como zênite. Li não só suas obras, com certo furor, como também os autores que ele admirava e também os escritores que o admiravam. Faz-se assim uma história não muito breve da literatura hispânica: de Domingos Sarmiento e José Hernandez, passando por Macedonio Fernández (que agora voltou às livrarias brasileiras), Juan Rulfo, Bioy Casares, Silvina Ocampo (que merecia ter seus contos publicados por aqui), Júlio Cortázar, Manuel Puig, Ricardo Piglia, César Aira, Roberto Bolaño, Enrique Vila-Matas, Alan Pauls e infinitos etecéteras. Desses admiradores tão diferentes entre si, faltam alguns, não muito pequenos. Um deles é Osvaldo Lamborghini, um dos coordenadores da importante revista Literal, da Argentina dos 1970. Aliás, desse grupo, só temos traduzido aqui no Brasil – com vários romances, inclusive – Luis Gúsman. Faltariam ainda Héctor Libertella e Gérman García que formam um grupo que buscou desencavar na própria constituição das palavras, em sua sintaxe, mais do que em seu enredo, a violência de seu tempo. O mote da revista – “A literatura só é possível porque o mundo é impossível” &#8211; deve ser levado ao extremo, na real impossibilidade da própria vida. Mas fico com Lamborghini porque o considero mais fulminante, com seu pequenino <em>El Fiord</em>, uma história de um nascimento nas condições mais horríveis possíveis. Sua primeira linha: “E por que, se no fim das contas a criatura resultou tão miserável – em relação ao tamanho, entendamos –, ela proferia semelhante berreiro, arrancando seus cabelos aos tufos e lançando as nádegas tão ferozmente contra o colchão atigrado?” A porrada verbal que esse livro desfere sabe que a linguagem não se apresenta irresponsavelmente para ninguém, ainda mais quando ela sendo compartilhada por tiranos; sabe-se que não é possível se constituir fora dessa violência, mas que é preciso esgotá-la desde esse lugar repudiável, assumindo-o sem cinismo. Por isso mesmo, o livro muitas vezes tem por motor slogans da época do peronismo e da ditadura argentina, transformando-o na base de um inferno grotesco. O livro só circulou nos primeiros anos de publicação na forma de uma edição pirata, “Chinatown”.</p>
<p style="text-align: justify">Continuando entre nossos amigos do sul, penso também numa escritora uruguaia pouco lembrada, mas que tem uma obra forte que só recentemente voltou a circular lá fora de novo. Refiro-me a Armonía Somers (1914-1994), principalmente seu <em>Sólo los elefantes encuentran mandrágona</em> (1986), onde narra, semi-auto-biograficamente, a experiência de uma mulher com quilotorax (acúmulo de linfa nos pulmões), uma doença que vai comendo a pessoa de dentro para fora, fazendo-a definhar lentamente, e que, desde o título, remete a elefantíase sofrida pela própria autora. Tudo é descrito com paciência e lentidão – “Um tempo coagulado como sangue ou leite” – até recair numa vertigem memorialística asfixiante que vai da genealogia da protagonista, passando pelo folhetim que sua mãe lia, caminhando por sua infância, a despedida de seu pai anarquista, a história de seu gato, os pesadelos do hospital que não a abandonam até seu último suspiro.</p>
<p style="text-align: justify">De poetas haveria uma infinidade a se falar, e talvez isso seja tópico para outro texto, mas para não dizer que não falei nada de poesia, torço para que alguém se anime a traduzir a argentina Alfonsina Storni (1891-1938) e o chileno Nicanor Parra (1914-) que tem uma rara qualidade entre os poetas: é extremamente engraçado.</p>
<p style="text-align: justify">Dos mais recentes, valeria lembrar Rodrigo Rey Rosa, que <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/09/el-material-humano-rodrigo-rey-rosa/">já resenhei aqui</a>, os mexicanos Álvaro Enrique e Juan Villoro, o colombiano Antonio Ugar, os chilenos Gonzalo Contreras, Alberto Fuguet e Alejandro Zambra e vários outros.</p>
<p style="text-align: justify">Para não deixar os espanhóis de fora, não seria má idéia trazer <em>Paisajes depués de la batalla</em> (1982) de Juan Goytisolo (1931-), muito pertinente para os dias que a Europa vive hoje: um grupo de amigos conversam sobre uns “invasores” que começam a tomar as ruas, advertindo-se sobre o perigo de deixá-los rondando por aí, até que notam que todas as placas das lojas, os sinais de trânsito, os anúncios de TV, foram tomados por estranhos símbolos gráficos, conspiratórios, e que, não por casa, tem enorme semelhança com a escrita árabe&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">Ainda dos espanhóis: no Brasil a chamada Geração de (18)98 – marcada pela perda da (nova) perda de influência ibérica no mundo, após a derrota da Espanha na Guerra Hispano-Estadunidense, não recebeu muitas atenções. Autores como Pío Baroja, por exemplo, deveriam ser levados mais em consideração, em especial seu <em>El Árbol de la Ciencia</em>, de cunho biográfico, mas que apela para uma espécie de diálogo filosófico entre o protagonista e seu tio. Juan Carlos Onetti, por exemplo, dizia que lia toda a obra de Baroja a cada inverno.</p>
<p style="text-align: justify">Haveria muitos autores para se mencionar – Damiela Eltit, Ricardo Zelarayan, Mario Santiango, Enrique Lihn, Salvador Benesdra –, além das grandes obras que faltam de escritores que já apareceram por aqui: <em>Mantra</em> de Rodrigo Frésan, <em>El Gran Vidrio</em> de Mario Belattin, todo o resto do Macedonio Fernández, os <em>Diário</em> de Gombrowicz, as <em>Aguafurtes</em> de Roberto Arlt, <em>Espantapajaros</em> de Girondo,etc.</p>
<p style="text-align: justify">E etc etc etc&#8230;</p>
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		<title>Traduções por vir: Literatura de Língua Inglesa</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 20:10:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/english.jpg"><img class="size-medium wp-image-12425 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/english-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Observando os títulos lançados mensalmente no Brasil, fica evidente que grande parte das traduções vem de originais escritos em inglês. São incontáveis autores anglófonos, considerados campeões de venda lá fora e que chegam aqui com o que seria provavelmente um &#8220;selo de pré-aprovação&#8221;, como se o sucesso de lá já fosse quase garantido aqui. E mesmo que vários escritores de língua inglesa já tenham tradução aqui no Brasil, ainda assim falta muita coisa por aqui, seja por ser um livro relativamente novo que ainda está em processo de tradução, seja porque é um que encontra dificuldades para ser lançado no mercado editorial brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify">É óbvio que esta lista não inclui todos as obras ainda aguardando tradução, mas procurei pensar em títulos em variadas áreas literárias para que se tenha uma ideia do quanto ainda tem para se traduzir aqui no Brasil. De literatura infanto-juvenil, passando pelos nerds, o teatro e nomes consagrados, o que temos é o seguinte: <span id="more-12424"></span><strong>Generation Dead</strong> (Daniel Waters): Quando começou a febre dos livros adolescentes envolvendo algum elemento sobrenatural (especialmente vampiros), muita coisa pipocou nas estantes brasileiras, mas até agora Daniel Waters infelizmente não deu as caras por aqui. Generation Dead é história de zumbis para adolescentes, porém tem tudo para agradar muitos adultos também, considerando as intermináveis metáforas que as narrativas com zumbis podem oferecer. Considerando a opção por títulos que são fracos até para os adolescentes, fica a dúvida de por que um tão legal como esse ainda não chegou aqui no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>The History of Middle-earth</strong> (J.R.R. Tolkien): Esse é simplesmente o sonho de consumo de qualquer fã de Tolkien. São doze volumes editados pelo filho de Tolkien, Christopher, cheio de material novo para quem quer mais da Terra-média. É evidente que trata-se de um título voltado para um nicho específico, aqueles mais apaixonados pelas obras do escritor inglês. Mas é também certo que a primeira editora que anunciasse a tradução dos 12 volumes aqui no Brasil ganharia um lugar especial no coração de nerds de todas as idades.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Our Mutual Friend</strong> (Charles Dickens): Essa é a maior prova de que não basta ser clássico para conquistar um lugar nas prateleiras tupiniquins. Apesar de aparecer constantemente em listas de favoritos e leituras obrigatórias lá fora, Our Mutual Friend de Charles Dickens ainda segue sem tradução aqui no Brasil. Conversando com o Gabriel aqui do Meia Palavra (que é tradutor e conhece bem a obra de Dickens), foi levantada a teoria de que a falta da tradução pode ser por conta do tamanho do livro, que em algumas edições lá fora ultrapassa as 900 páginas. Pode ser custoso e não ter o retorno esperado, o que é uma pena &#8211; desse jeito, ele continuará sem tradução por algum tempo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Rosencrantz and Guildenstern are Dead</strong> (Tom Stoppard): Trata-se de uma peça de teatro, e talvez por isso não tenha ainda um lugar no sol brasileiro, já que o público é mais restrito. De qualquer forma, é um trabalho genial de Stoppard, infinitamente superior ao Shakespeare Apaixonado que ganhou tradução. É um daqueles casos em que a leitura do texto é tão rica quanto assistir a encenação. Para os curiosos pelo menos fica o consolo de que existe uma versão para o cinema com Tim Roth e Gary Oldman.</p>
<p style="text-align: justify">Há ainda uma série de escritores contemporâneos que também estão na lista de espera com alguns de seus títulos, como <em>Good to be God</em> (2008) de Tibor Fischer, ou ainda <em>Foe</em> (1986) do vencedor do Nobel J.M. Coetzee e <em>Nemesis</em> (2010) do norte-americano Philip Roth. Como dá para perceber que tem muita coisa por vir ainda. Tanta, que o Lucas já prometeu uma segunda parte desse Traduções por Vir: Literatura de Língua Inglesa, então fiquem atentos que logo falaremos de mais títulos anglófonos ainda sem versão para o português.</p>
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		<title>Traduções por vir: Literatura Polonesa</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jun 2011 19:57:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Hanna Krall]]></category>
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		<description><![CDATA[Que autores poloneses você conhece? As respostas dificilmente irão além de Witold Gombrowicz, Bruno Schulz, Czesław Miłosz. Henryk Sienkiewicy e Wisława Szymborska. Com toda a certeza são autores importantíssimos mas, no enorme universo literário polonês, isso é muito pouco. Quase nada, quantitativamente falando (qualitativamente, porém, estes estão entre os mais importantes, apesar de existirem uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;font-size: small"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/bruno-schulz.jpg"><img class="size-medium wp-image-11498 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/bruno-schulz-300x248.jpg" alt="" width="300" height="248" /></a>Que autores poloneses você conhece? As respostas dificilmente irão além de Witold Gombrowicz, Bruno Schulz, Czesław Miłosz. Henryk Sienkiewicy e Wisława Szymborska. Com toda a certeza são autores importantíssimos mas, no enorme universo literário polonês, isso é muito pouco. Quase nada, quantitativamente falando (qualitativamente, porém, estes estão entre os mais importantes, apesar de existirem uma miríade de outros tão ou mais importantes).</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: small">O problema é que, no Brasil, a literatura polonesa é subestimada e pouco traduzida. Witkaci, por exemplo, que é um dos principais dramaturgos do século XX- não apenas na Polônia, mas na Europa de maneira geral, nunca foi lançado em português- e a única de suas peças a ser encenada por aqui foi <em>Matka </em>(<em>Mãe</em>), há mais de 30 anos e em francês. </span></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: small">Pensando nisso, eu elaborei uma pequena lista, em que coloquei alguns dos principais nomes da literatura polonesa que não tem edições brasileiras (muitos, aliás, também não têm edições portuguesas). Ao contrário do que o Tiago fez com os russos, porém, não vou me ater a obras específicas: existem bibliografias inteiras por traduzir, qualquer dos livros desses autores já seria alguma coisa. Vou também me concentrar nos séculos XX e XXI, apesar de nem mesmo os clássicos com Adam Mickiewicz terem sido lançados por aqui.</span></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: small"><span id="more-11496"></span></span></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: small"><strong>Tadeusz Borowski- </strong>Poeta e contista. Seus trabalhos mais representativos são os volumes de contos <em>Pozegnanie z Marią, Kamienny Świat </em>e <em>Prosze Państwo do gazu </em>(respectivamente <em>Adeus à Maria, Mundo de Pedra </em>e <em>Por favor, todos para o gás</em>)<em>, </em>em que relata suas experiências no campo de concentração de Auschwitz- porém de modo ficcionalizado. Foi, aliás, o primeiro a fazer relatos do tipo e serviu de inspiração para que o húngaro Imre Kertész começasse a escrever. Escrevia também poemas, publicados na imprensa clandestina polonesa durante a guerra. Durante o regime comunista da Polônia ele passou a escrever para o regime, e sua obra perdeu força. Suicidou-se em 1951.</span></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: small"><strong><span style="color: #000000">Tadeusz Różewicz</span></strong> &#8211; Outro rebento da guerra. Não foi para campos, porém. Poeta, escritor e dramaturgo, lutou na resistência polonesa ao lado de seu irmão, Janusz  <span style="color: #000000">Różewicz- também poeta. Janusz, porém, não sobreviveu à guerra, tendo sido aprisionado e executado pela Gestapo. Isso marcou profundamente a obra de Tadeusz, que é marcada por um intenso niilismo. Além de sua obra poética, destacam-se as peças </span><span style="color: #000000"><em>Kartoteka (</em></span><span style="color: #000000">algo como </span><span style="color: #000000"><em>A coleção de </em></span><span style="color: #000000">cartas) e </span><span style="color: #000000"><em>Białe małżeństwo </em></span><span style="color: #000000">(</span><span style="color: #000000"><em>Casamento Branco</em></span><span style="color: #000000">).</span></span></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: small"><strong><span style="color: #000000">Stanisław Ignacy Witkiewicz</span><span style="color: #000000"><span style="font-family: sans-serif"><span style="font-size: xx-small"><em> &#8211; </em></span></span></span></strong><span style="color: #000000">Um dos mais importantes dramaturgos poloneses, influenciou todo o teatro Europeu do século XX. Porém, nunca foi publicado em língua portuguesa- e a única montagem de uma de suas peças no Brasil foi </span><span style="color: #000000"><em>Matka </em></span><span style="color: #000000">(Mãe), que aconteceu nos anos 70 e em foi em francês.  Além de peças, escreveu também romances, entre os quais se destaca </span><span style="color: #000000"><em>Pożegnanie jesieni</em></span><span style="color: #000000"> (</span><span style="color: #000000"><em>Adeus ao Outono).</em></span></span></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: small"><strong>Michał Witkowski</strong><em>- </em>Jornalista e romancista contemporâneo. Considerado por muitos um dos melhores- se não o melhor- estetas da atual geração da literatura polonesa. Além disso é considerado bastante ousado em seus temas, por tratar do submundo homossexual- algo que ainda hoje costuma ser voluntariamente ignorado na Polônia. Sua novela <em>Lubiewo </em>(<em>Do amor</em>) é extremamente explícita e causou certo alvoroço.</span></span></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: small"><strong>Hanna Krall- </strong>Judia, sobreviveu à guerra por ter sido escondida por uma família polonesa- sorte que sua família não compartilhou. É jornalista e uma das principais figuras do jornalismo literário (ou literatura fato, como é mais comumente chamada na polônia)- um dos gêneros mais prolíficos no país, junto com a poesia e o drama. Suas obras retratam, via de regra, as relações entre poloneses, alemães e judeus durante e depois da guerra. Ela, inclusive, tem uma história que se passa no Rio de Janeiro.</span></span></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;font-size: small">Essa é uma pequena lista de autores que são importantes e que ainda não foram publicados por aqui. Existem inúmeros outros, mas esses são apenas alguns exemplos baseados não tanto na importância da obra, quanto em minhas preferências pessoais.</span></p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7393">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Traduções por vir: Literatura Russa</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2011 19:09:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Traduções por vir]]></category>
		<category><![CDATA[Alexander Soljenitsin]]></category>
		<category><![CDATA[Andréi Platónov]]></category>
		<category><![CDATA[Distopia]]></category>
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		<category><![CDATA[Vladimir Sorkin]]></category>
		<category><![CDATA[Vladimir Tendryakov]]></category>

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		<description><![CDATA[O objetivo dessas listas será o de apresentar algumas obras importantes que ainda não tem tradução para o português ou que, pelo menos, não tenham sido publicadas no Brasil. Desta primeira, dedicada aos russos ou aqueles que escrevem em russo, excluí alguns importantíssimos nomes, pelo simples fato de ter alguma notícia de que tais autores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/literatura-russa.jpg"><img class="size-medium wp-image-10395 alignright" style="margin: 5px;border: 0px none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/literatura-russa-215x300.jpg" alt="" width="215" height="300" /></a>O objetivo dessas listas será o de apresentar algumas obras importantes que ainda não tem tradução para o português ou que, pelo menos, não tenham sido publicadas no Brasil. Desta primeira, dedicada aos russos ou aqueles que escrevem em russo, excluí alguns importantíssimos nomes, pelo simples fato de ter alguma notícia de que tais autores estão em processo de tradução ou simplesmente esperando a publicação: os poemas do tchuvache Guénadi Aigui, talvez um dos poetas mais importantes do final do século XX (traduzidos por ninguém mais ninguém menos que Boris Schnaiderman), os contos de Nikolai Leskov e de Konstantin Paustovski (ambos traduzidos por prof. Noé Silva), as pequenas pérolas narrativas de Mikhail Zoschenko (por Denise Regina Sales), a poesia zaum do revolucionário Khlébnikov, grande companheiro de Maiakovski (pelo prof. Mario Ramos Francisco Júnior) e as novelas do abkhaziano Fazil Iskander, enorme contista e satirista (por Gabriela Soares da Silva).</p>
<p style="text-align: justify">Tenho esperança de escrever sobre esses autores individualmente, na medida em que forem sendo publicados. Aqui se trata de uma lista de sugestões, talvez não muito conhecidas por aqui&#8230; Até porque a literatura russa é ainda mais vasta que o seu século XIX! E mesmo lá tem coisas esquecidas&#8230; Vamos a nossa lista então:</p>
<p style="text-align: justify"><em><span id="more-10393"></span>História da cidade</em>, de Mikhail Saltykov-Shchedrin (1826-1889): um dos maiores satiristas russos do século XIX, talvez apenas atrás de Gógol. Esse livro é uma espécie de história russa vista a partir de uma província, Glupov (algo como “a cidade boba”, “a cidade ingênua”). A graça de Saltykov-Shchedrin reside, não só nos personagens absolutamente caricatos que ele cria, mas na própria fonte de suas paródias: segundo ele próprio, sua forma de escrever sátiras “derivava do pior jornalismo político de sua época, um misto de panfletismo com altas doses de verborragia e mesmo de vulgaridade”. Claro que havia um astucia em seu uso dessa material, inclusive devido às constantes ameaças de censura que ele sofreu. Ao fim, ele se considerava uma espécie de seguidor de Esopo, um escritor obrigado a lidar com uma espécie de “animália”.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Chevengur</em>, de Andréi Platónov (1899-1951): um dos grandes nomes do gênero “utópico/distópico” não só na Rússia, mas na literatura mundial. Nessa obra, o Partido tenta fazer um telescópio temporal, isto é, tenta criar um modo de fazer o Comunismo triunfar em questão de semanas. Fragmentário, trabalhando o “tempo” na própria escrita,  o livro descreve a viagem dos operários até a vila de Chevengur, uma espécie de paraíso terrestre. Ao nunca descrever o que seria essa utopia, Platónov expõe uma das perguntas mais dolorosas do projeto socialista: os que hoje fazem a revolução poderão desfrutar desse outro modo de vida? Esse modo de vida é pensável hoje? Mais que mostrar uma “dispotia”, Platónov joga com as afetividades do leitor, que nunca sabe julgar aquilo que lhe é descrito como ideal (porque esse ideal também é desejável). O romance não deixa de criticar fortemente o regime, sua burocracia e sua crueldade, mas é muito mais perspicaz e ambíguo que a maioria dos romances (principalmente europeus) do gênero. Apesar de ser proibido durante quase todo o regime soviético, pouco autores exerceram tanta influência como Platónov nos autores desse período.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Contos de Kolima</em>, de Varlam Shalamov (1907-1982): apesar da grande fama da obra de Soljenitsin pelo seu retrato da vida nas Gulags soviéticos, talvez esses pequenos relatos de Shalamov sejam muito mais potentes para relatar a miséria e as dores desses campos de concentração. E, sobretudo, o frio: o autor não cansa de descrever o frio siberiano, de como ele pede todo o pensamento. Ao contrário do tom quase jornalístico e “burocrático” de <em>Arquipélago Gulag</em>, <em>Contos de Kolima </em>traça um retrato mais próximo dos personagens e das próprias expectativas do povo soviético. São relatos muito curtos, mas muito incisivos (e poderíamos quase dizer, mais fiéis) desse buraco negro político.</p>
<p style="text-align: justify">“O Achado” e <em>Assassinando miragens </em>de Vladimir Tendryakov (1923-1984): escritor emblemático do “entre-tempos” soviético, isto é, começa a escrever no período de destalinização de Khrushchev (1955) e morre um ano antes da perestroika. Ou seja, é o autor emblemático do desencantamento com o projeto soviético, que ele irá colocar na forma das angústias morais vividas pelos seus personagens que serão, não à toa, homens ligados a polícia, como se seus contos fossem uma versão muito peculiar da narrativa policial, já que a culpa, a angústia, a incapacidade é que tomam lugar, sendo que o criminoso parece ser a própria história que não permitiu que um outro mundo viesse a existir. Em “O achado” é um comissário de polícia, absolutamente misantropo, que vai enfrentar a angústia de ter uma criança morta em suas mãos, sem que ninguém dê a mínima para ele. Já em “Assassinando miragens”, último livro do autor, que só pode ser publicado postumamente, um físico cria um programa de computador capaz de calcular o mecanismo da História, buscando um modo de “corrigir” a moral humana. Ao retirar a variável “Jesus Cristo” para ver  qual rumo os eventos do mundo teriam, ele é capaz de entrever uma solução&#8230;</p>
<p style="text-align: justify"><em>Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha e outros horríveis contos de fadas </em>de Lyudmila Petrushevskaia (1938-): talvez a escritora russa mais importante viva, grande aposta para ganhar o prêmio Nobel. Tem uma enorme produção, principalmente de contos muito curtos, nos quais utiliza uma linguagem seca, econômica, mas cheia de simbolismos, apelando para imaginários de inocência, como mostra o próprio título, no qual classifica seus textos como “contos de fadas” (nisso, talvez, resida uma espécie de parentesco entre ela e o escritor alemão Günter Grass), para denunciar a certa caducidade da sociedade russa soviética e pós-soviética. Possui um grande humor negro e um amplo espectro de personagens deformados, obesos, depressivos, decadentes, paranóicos, como no conto em que um doente terminal não consegue dormir por causa das “paredes finas” do hospital, que permitem ouvir médicos e pacientes gemendo (de prazer) a noite toda&#8230;</p>
<p style="text-align: justify"><em>A Banha azul </em>de Vladimir Sorkin (1955-): escritor da geração da perestroika, um dos mais famosos e mais peculiares, chamado de “o Sade russo”. Essa bizarra ficção científica trata de um grupo de cientista que em 2068 revive os maiores escritores do século XIX e XX – Dostoievski, Tolstoi, Tchékov, Nabokov e companhia – para que eles produzam, enquanto escrevem, um combustível que permitirá que a colonização do espaço sideral pelos russos, o tal da “banha azul” (e não sangue azul&#8230;). Não bastasse isso, a tal substancia também pode ser usada como uma droga&#8230; Com a hegemonia da China no cenário mundial, o governo russo decide criar uma máquina do tempo para enviar essa tecnologia para 1954, com o objetivo de mudar a história do mundo&#8230; Nisso, Berya, Stálin e Kruschev, maravilhados com o poder da droga, revolvem criar um Gulag do Amor, cheio de bacanais entre escritores (a Anna Akhmátova, a “poetisa pura” é retratada como uma vagabunda, Stálin e Khrushchev viram um casal feliz&#8230;). Cada capítulo do livro é escrito por um autor e Sorkin falsifica o “estilo” de cada um deles&#8230; Não é preciso dizer que esse livro foi banido por muito tempo da Rússia, e Sorkin foi indiciado por “pornografia”&#8230; E olha que ele foi escrito nos anos 1990&#8230;</p>
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