<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Meia Palavra&#187; Biografias</title>
	<atom:link href="http://blog.meiapalavra.com.br/category/bio/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blog.meiapalavra.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 05 Feb 2012 23:06:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Wysława Szymborska (02/07/1923 &#8211; 01/02/2012)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/wyslawa-szymborska-2061923-01022012/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/wyslawa-szymborska-2061923-01022012/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 13:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Polonesa]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Polonesa]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>
		<category><![CDATA[Wysława Szymborska]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17938</guid>
		<description><![CDATA[A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa, foi o berço de grandes personagens históricas. Lá nasceram Chopin, Madame Curie, João Paulo II. Czesław Miłosz também é outro polonês de peso. Ontem, juntou-se a esse verdadeiro panteão a poeta Wysława Szymborska: aos 88 anos, a vencedora do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/szymborska.jpg"><img class="size-medium wp-image-17939 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/szymborska-300x227.jpg" alt="" width="300" height="227" /></a>A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa, foi o berço de grandes personagens históricas. Lá nasceram Chopin, Madame Curie, João Paulo II. Czesław Miłosz também é outro polonês de peso. Ontem, juntou-se a esse verdadeiro panteão a poeta <strong>Wysława Szymborska</strong>: aos 88 anos, a vencedora do Nobel de Literatura de 1996 faleceu depois de uma longa doença – tendo, inclusive, sido operada no ultimo mês de novembro. Segundo o secretário de Szymborska, porém, a poeta morreu em sua casa em Cracóvia, de forma tranquila.</p>
<p>***</p>
<p><span id="more-17938"></span></p>
<p style="text-align: justify">Filha do político Wincenty Szymborski e de Anna Maria de d. Rottermund, Wysława Szymborska nasceu em 1923 na cidade de Kórnik, região centro-oeste da Polônia. Em 1924 sua família mudou-se para Toruń, e em 1929 para Cracóvia – onde ela viveria pelo resto da vida.</p>
<p style="text-align: justify">Uma vez em Cracóvia, ela estudou na escola primária Józefy Joteyko e, a partir de 1935, no Colégio Irmã Ursulina. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a continuidade de seus estudos foi em segredo. Em 1943, para evitar ser deportada para a Alemanha, começou a trabalhar nas estradas de ferro. Na mesma época ilustrou um livro didático de inglês. Começou a escrever algumas histórias e poemas.</p>
<p style="text-align: justify">Em 1945 começou seus estudos de língua e literatura polonesa na Universidade Jagellonica de Cracóvia – mais tarde mudaria de curso para sociologia. Nessa mesma época começou a envolver-se no universo literário, tomando parte do grupo de vanguarda <em>Inaczej </em>– junto com Stanisław Lem. Também acabou conhecendo Czesław Miłosz, que muito a influenciaria. Foi em 1945 que também publicou seu primeiro poema, <em>Szukam s</em><em>łowa </em>(<em>Eu procuro a palavra</em>).</p>
<p style="text-align: justify">Em 1948 ela desiste dos estudos por conta de dificuldades financeiras. No mesmo ano se casa com o poeta Adam Włodek. Em 1949 seu primeiro livro deveria ter sido publicado, mas a censura impediu, já que seus versos não se encaixavam nos padrões do recém-instaurado regime socialista. Durante esse tempo ela trabalhava como secretaria de uma revista bissemanal, bem como ilustradora.</p>
<p style="text-align: justify">Acabou começando a publicar apenas em 1952, com <em>Dlatego żyjemy</em> (<em>Por isso vivemos</em>). Como a maioria dos intelectuais poloneses, ela apoiava o regime socialista em seus primeiros anos, e seus poemas demonstravam isso com clareza: exaltavam Lênin e os feitos de Stálin. Em 1953 começou a trabalhar para a revista <em>Życie Literackie </em>(<em>Vida Literária</em>) – onde trabalharia até 1981, chegando a ter sua própria coluna dedicada à crítica literária, <em>Lektury Nadobowiązkowe </em>(Leitura Não-Obrigatória).</p>
<p style="text-align: justify">Em 1954 ela lançou seu segundo volume de poesia, <em>Pytania zadawane sobie </em>(<em>Perguntas que fazemos para nós mesmos</em>), ainda bastante influenciado pela ideologia oficial do Partido dos Trabalhadores Poloneses Unidos, o partido comunista polonês – ao qual era filiada. Nesse mesmo ano, a poeta também divorciou-se.</p>
<p style="text-align: justify">Depois desse segundo livro, porém, Wysława começou a distanciar-se do partido. Permaneceria oficialmente nele até 1966, mas antes disso já afastava-se paulatinamente, começando a manter contato com dissidentes. Em 1957, ano em que lançou <em>Wołanie do Yeti </em>(<em>Chamando pelo Ieti</em>), tornou-se amiga de Jerzy Giedoryc – editor do jornal dissidente baseado em Paris, <em>Kultura</em>, para o qual Szymborska passaria a escrever.</p>
<p style="text-align: justify">Seus poemas afastavam-se da política, tornando-se cada vez mais espirituais, falando cada vez mais de coisas simples, cotidianas. Ela chegou a renegar seus dois primeiros livros. Ao mesmo tempo, assinou diversos manifestos pela liberdade dos países sob o julgo da URSS, entre os quais a &#8220;Lista 34&#8243; e a &#8220;Lista 59&#8243;, além de escrever para alguns jornais publicados de maneira ilegal, como <em>samizdat</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Ganhou diversos prêmios literários durante sua carreira, sendo o mais famoso deles o Nobel de Literatura. Publicou 13 livros de poesia, além de ensaios e crítica literária. Nos últimos anos esteve doente, diminuindo suas aparições públicas. E ontem, faleceu.</p>
<p style="text-align: justify">Uma perda histórica para a Polônia – ela viveu e participou da conturbada história do país durante o século XX, que culminou com a retomada <em>de facto</em> da independência após séculos de dominação estrangeira. Mas, além disso, perdeu-se uma das maiores poetas que vivia, cujos versos estão entre os mais sublimes que já tive o prazer de ler.</p>
<p><strong>Sobre a morte, sem exageros</strong></p>
<p>(de Wysława Szymborska, tradução do polonês de Luciano R. Mendes)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não entende piadas,</p>
<p>nem sobre estrelas, sobre pontes,</p>
<p>sobre tecer, sobre mineração, sobre cultivar a terra,</p>
<p>sobre construir navios ou assar bolos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em nossas conversas sobre planos futuros,</p>
<p>sempre tem a última palavra</p>
<p>fora do assunto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não consegue sequer as coisas</p>
<p>que combinam diretamente com sua especialidade:</p>
<p>nem cavar uma cova,</p>
<p>nem fazer um caixão,</p>
<p>nem limpar a propria sujeira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Preocupada em matar,</p>
<p>o faz desastradamente,</p>
<p>sem método nem perícia.</p>
<p>Como se cada um de nós fosse um treino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Até tem seus triunfos,</p>
<p>mas costuma ser derrotada,</p>
<p>erra seus golpes</p>
<p>e experimenta novas tentativas!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Às vezes lhe faltam forças,</p>
<p>para abater uma mosca no ar.</p>
<p>Para várias lagartas</p>
<p>perdeu corridas rastejantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todos esses tubérculos, casulos,</p>
<p>tentáculos, barbatanas, traquéias,</p>
<p>penas nupciais e pelos de frio</p>
<p>provam o atraso</p>
<p>em seu maçante trabalho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não é suficiente</p>
<p>mesmo que ajudemos com guerras e golpes de estado,</p>
<p>isso, até agora, é pouco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Corações batem dentro de ovos.</p>
<p>Crescem os esqueletos dos lactentes.</p>
<p>A sementes, esforçadas, vingam com suas primeiras folhinhas,</p>
<p>e algumas vezes também árvores altas caem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quem afirma sua onipotência,</p>
<p>é a propria prova viva,</p>
<p>de que onipotente ela não é.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não existe vida</p>
<p>que pelo menos por um momento</p>
<p>não tenha sido imortal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Morte</p>
<p>sempre chegando um momento tarde demais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em vão puxa a maçaneta</p>
<p>de uma porta invisível.</p>
<p>Quem  chegou a tempo,</p>
<p>não pode voltar atrás.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/02/02/wyslawa-szymborska-2061923-01022012/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Edgar Allan Poe</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/19/edgar-allan-poe/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/19/edgar-allan-poe/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 19:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Edgar Allan Poe]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Norte-Americana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17473</guid>
		<description><![CDATA[Com o escritor norte-americano Edgar Allan Poe é melhor começar ali pelo fim, que é ironicamente tão misterioso quanto muitos dos seus contos. No final de setembro de 1849, Poe seguia para Nova York quando por dias ninguém teve qualquer notícia sobre ele. Então, em 3 de outubro, ele foi encontrado em uma rua de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/822_128296592789.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17476" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/822_128296592789-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a>Com o escritor norte-americano Edgar Allan Poe é melhor começar ali pelo fim, que é ironicamente tão misterioso quanto muitos dos seus contos. No final de setembro de 1849, Poe seguia para Nova York quando por dias ninguém teve qualquer notícia sobre ele. Então, em 3 de outubro, ele foi encontrado em uma rua de Baltimore, delirando e completamente maltrapilho. Por que ele desviou seu caminho para Nova York? O que aconteceu em Baltimore? Ninguém sabe. A única coisa que se sabe é que quatro dias depois, Edgar Allan Poe falecia em um hospital da cidade.</p>
<p style="text-align: justify">Deixou uma vasta obra, focada principalmente nos contos, gênero através do qual serviu de inspiração para muitos que viriam depois (incluindo nosso <a title="o corvo" href="http://pt.wikisource.org/wiki/O_Corvo_(tradu%C3%A7%C3%A3o_de_Machado_de_Assis)" target="_blank">Machado de Assis</a>). Mas além disso, também escreveu um romance (<em>O relato de Arthur Gordon Pym</em>), vários poemas (sendo o mais famoso <em>O Corvo</em>) e diversos ensaios críticos sobre literatura (onde talvez o mais importante seja <em>Philosophy of Composition</em>). Era tão inovador que até hoje a crítica ainda discute exatamente onde situá-lo nas escolas literárias americanas. E mais: é considerado por muitos algo como um &#8220;avô&#8221; do Simbolismo. Como dá para ver, ele não era qualquer um.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17473"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>GRISWOLD</strong></p>
<p style="text-align: justify">E como se a vida de Poe não estivesse já cheia de histórias estranhas, anota outra aí. Tão logo o escritor morreu, foi publicado um obituário que  dizia: <em>&#8220;Edgar Allan Poe está morto. Ele morreu em Baltimore, anteontem. Este anúncio chocará muitos, mas será sentido por poucos&#8221;</em>. Logo ficaram sabendo que o &#8220;Ludwig&#8221; que assinava tal nota era na realidade Rufus Wilmot Griswold, sujeito que alguns anos antes fora criticado por Poe e, digamos assim, não soube lidar muito bem com isso.</p>
<p style="text-align: justify">Em um esquema que até hoje eu não consegui compreender (pelo menos não sob o ponto de vista jurídico da coisa), Griswold torna-se executor literário de Poe e é responsável pela publicação de uma antologia que unia prosa, poesia e crítica (e que serve de base para muitas antologias publicadas até hoje em dia). Abrindo a tal coletânea, havia uma biografia que descrevia Poe como um bêbado depravado e maluco, escrita pelo Griswold. Basicamente, a imagem que muita gente tem até os dias de hoje, quando na verdade Poe só era um cara muito, muito azarado (e sim, dono de uma mente brilhante).</p>
<p style="text-align: justify"><strong>DO COMEÇO</strong></p>
<p style="text-align: justify">Nascido como Edgar Poe no dia 19 de janeiro de 1809, as coisas já não começam a dar muito certo para ele antes mesmo que aprendesse a falar. O pai (um ator) abandona a família em 1810 e a mãe morre um ano depois de tuberculose. Poe é então criado por um comerciante chamado John Allan, que garantiu à criança educação e conforto, embora o preço fosse uma disciplina bastante rígida. É de John Allan que Poe conquistou o nome do meio, embora a família nunca o tenha adotado legalmente.</p>
<p style="text-align: justify">Na universidade de Virgínia, Poe faz a versão do século XIX para a cerveja com truco de universitários atuais, contrai uma dívida enorme que acaba sendo o motivo para o afastamento de John Allan. Sem a ajuda dele, Poe acaba deixando a universidade e partindo para Boston, onde trabalha aqui e acolá para tentar se sustentar, tentativa que termina até em alistamento militar.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>AFINAL, O ESCRITOR</strong></p>
<p style="text-align: justify">Temos como marco inicial da produção literária de Poe a coletânea de poemas <em>Tamerlane and other Poems</em>, publicada em 1827 e que o poeta assinou sob o pseudônimo de “A Bostonian”. Entre 1828 e 1829, <em>Al Aaraaf</em>, <em>Tamerlane</em> <em>and</em> <em>Minor Poems</em> é publicado já com o nome de Edgar Allan Poe. Entretanto, é após a publicação de <em>Poems: Second Edition</em>, entre 1830 e 1831, que o cenário ideal para a criação dos contos começa a ser desenvolvido. Nesse período, o escritor envia cinco trabalhos para um concurso do Saturday Courier e, embora nenhum ganhe, no ano seguinte seriam todos publicados no periódico.</p>
<p style="text-align: justify">Esses cinco textos fazem parte de um projeto de Poe: a publicação do que chamaria de <em>Tales of the Folio Club</em>. No verão de 1833, o autor manda os contos, além de outros seis, para um concurso do jornal Saturday Visiter, de Baltimore e &#8220;Manuscrito encontrado em uma garrafa&#8221; ganha o primeiro lugar. A boa colocação garante um espaço para a publicação do conto em 1834, “The Visionary”, no Godey’s Lady’s Book, primeiro jornal de grande circulação no qual algum trabalho dele aparece.</p>
<p style="text-align: justify">É importante ressaltar que é essa cultura de publicação e concurso de contos e poemas que oferece uma oportunidade não só para o Poe “contador de histórias”, como para o resenhista. Tanto é que, em 1835, um dos juízes do concurso que Poe ganhara recomenda o escritor para o dono do Southern Literary Messenger, e o jornal tem suas vendas alavancadas com a publicação de vários textos de Poe entre contos, ensaios e também com “Hans Phaall”, a primeira narrativa longa do autor. Com esse sucesso, Poe ganha o cargo de editor assistente e de principal resenhista de livros neste jornal.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar da boa fase, Poe não consegue publicar o já mencionado projeto <em>Tales of the Folio Club</em>. Além disso, em 1837 ele é demitido do Southern Literary Messenger e passa a trabalhar como freelancer, publicando contos como “Ligeia”- que o autor considerava seu melhor trabalho – escrevendo criptogramas para a Alexander’s Weekly Magazine e editoriais para a Gentleman’s Magazine.</p>
<p style="text-align: justify">Em 1839, o livro <em>Tales of the Grotesque and Arabesque</em> é publicado pela Lea and Blanchard. Um ano depois, na fusão da Burton’s Gentleman’s Magazine com The Casket (que formaria o Graham’s Magazine), Poe tem maior sucesso. Recebendo um salário de 800 dólares, com pagamento extra para textos literários, Poe consegue entrar em um período de calmaria na vida pessoal, o que colabora para um impulso na vida profissional: não apenas aumenta a sua produção de textos, mas alavanca as vendas do Graham’s. É nesse período que temos a publicação de contos como &#8220;A Máscara da Morte Rubra&#8221; e o poema &#8220;O Corvo&#8221; (pelo qual recebeu apenas nove dólares para a publicação).</p>
<p style="text-align: justify">Depois disso, Poe entra em uma nova maré de azar, apesar de tentativas de melhorar. Seu jornal fracassa, a esposa Virginia morre de tuberculose e aí infelizmente é ladeira abaixo até aquele dia 7 de outubro em Boston, e a história que agora vocês já conhecem envolvendo Griswold e a tentativa de manchar a reputação deste que foi um dos maiores escritores da literatura norte-americana. O curioso é que alguns textos bem importantes de Poe foram escritos já nessa fase ruim próxima ao fim da vida do escritor, como os poemas &#8220;Annabel Lee&#8221; e &#8220;A Dream Within a Dream&#8221; e o ensaio &#8220;The Poetic Principle&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>RECOMENDAÇÕES</strong></p>
<ul style="text-align: justify">
<li>Nunca leu Poe e quer saber por onde começar? Não, não vá por <em>Assassinatos na Rua Morgue</em>. Nove entre dez pessoas que falam &#8220;Não gosto de Poe&#8221; leram apenas esse conto,<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/19/edgar-allan-poe/#footnote_0_17473" id="identifier_0_17473" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ok, estou chutando a estimativa como naqueles comerciais da pasta de dente">1</a></sup> o que pode ser uma boa dica de que esta é uma leitura para quem já está mais familiarizado com o autor. Recomendo fortemente que comece por: <em>O Gato Negro</em>, <em>O Retrato Oval</em>, <em>A Máscara da Morte Rubra</em>, <em>O Barril de Amontillado</em> e <em>O Coração Denunciador</em>. Depois desses acredito que naturalmente você buscará mais Poe, tenha certeza.</li>
<li>Se você lê em inglês, minha recomendação é que reserve algumas horas da sua vida para visitar a <a title="sociedade baltimore" href="http://www.eapoe.org/" target="_blank">Edgar Allan Poe Society of Baltimore</a>. Tem absolutamente todos os textos que você possa imaginar do autor, incluindo resenhas literárias e ensaios.</li>
<li>A tradutora Denise Bottmann tem atualizado um blog sobre Allan Poe que vale a pena conferir, é só <strong><a title="eapoebrasil" href="http://eapoebrasil.blogspot.com/" target="_blank">clicar aqui</a></strong>.</li>
<li>Eu sei que o nome Clarice Lispector faz os olhinhos de muitas pessoas brilharem, mas fiquem atentos quando forem procurar algo do Poe traduzido por ela. O trabalho que ela fez foi de traduzir e <em>adaptar</em> o texto para pessoas mais jovens. Então calcule: se uma tradução já muda a experiência de leitura, o que podemos dizer de uma adaptação, certo?</li>
</ul>
<p style="text-align: justify"><strong>POE AÍ</strong><br />
Comentei inicialmente da influência dele sobre outros escritores, mas a realidade é que ela vai muito mais além da Literatura. Para terem uma ideia, três artigos da Wikipedia em inglês: <a title="eamusic" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe_and_music" target="_blank">Edgar Allan Poe and music</a>, <a title="eatvfilm" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe_in_television_and_film" target="_blank">Edgar Allan Poe in television and film</a> e <a title="popculture" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe_in_popular_culture" target="_blank">Edgar Allan Poe in popular culture</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Ah, lembra do mistério envolvendo a morte de Poe? Não foi o último que ele nos deixou. Durante anos uma figura misteriosa aparecia no túmulo do escritor nas primeiras horas do dia 19 de janeiro, deixando lá uma garrafa de conhaque e uma rosa. Quem seria essa pessoa? Dizem que desde 2010 a tradição daquele que é conhecido como &#8220;Poe Toaster&#8221; acabou, de qualquer forma já rendeu mais um mistério para a história da vida deste grande escritor (e um conto excelente de Paulo Leminski, chamado &#8220;Além Poe&#8221;, presente na coletânea <em>Gozo Fabuloso</em>).</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_17473" class="footnote">Ok, estou chutando a estimativa como naqueles comerciais da pasta de dente</li></ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/19/edgar-allan-poe/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Como Shakespeare se tornou Shakespeare (Stephen Greenblatt)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/14/como-shakespeare-se-tornou-shakespeare-stephen-greenblatt/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/14/como-shakespeare-se-tornou-shakespeare-stephen-greenblatt/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 19:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Inglesa]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen Greenblatt]]></category>
		<category><![CDATA[William Shakespeare]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=17243</guid>
		<description><![CDATA[O maior problema das biografias sempre me pareceu ser a falta de criatividade de quem as escreve. O modelo que invariavelmente se adota é de transformar a pessoa em personagem, e aí narrar sua vida como um romance linear, partindo da infância até os últimos dias. É evidente que em alguns casos a fórmula funciona [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Shakespeare.jpg"><img class="wp-image-17247 alignleft" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/Shakespeare-207x300.jpg" alt="" width="207" height="300" /></a>O maior problema das biografias sempre me pareceu ser a falta de criatividade de quem as escreve. O modelo que invariavelmente se adota é de transformar a pessoa em personagem, e aí narrar sua vida como um romance linear, partindo da infância até os últimos dias. É evidente que em alguns casos a fórmula funciona porque a pessoa cuja vida é retratada é interessantíssima<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/14/como-shakespeare-se-tornou-shakespeare-stephen-greenblatt/#footnote_0_17243" id="identifier_0_17243" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="parece bobo dizer isso, como se fosse &oacute;bvio que s&oacute; pessoas interessant&iacute;ssimas merecessem biografias, mas a verdade &eacute; que o fato da pessoa ser famosa ou ter realizado algo grande n&atilde;o faz da vida dela algo que desperte o interesse do leitor">1</a></sup>, imagino aqui que deva ser extremamente difícil errar a mão em uma biografia sobre Oscar Wilde ou Voltaire, por exemplo.  Mas no final das contas é isso: o texto pode até ser bom de ler, mas não traz novidades.</p>
<p style="text-align: justify">Pensava isso pelo menos até ler <em>Como Shakespeare se tornou Shakespeare</em>, de Stephen Greenblatt. O modo como ele escolhe falar sobre a vida daquele que é considerado um dos nomes mais importantes da literatura de língua inglesa é simplesmente genial, indo além da já citada linearidade (sim, começa do &#8220;começo&#8221;, como qualquer outra biografia) detalhando momentos que foram fundamentais para que as obras de Shakespeare fossem tais como são. O curioso da ideia por trás desse livro, de que Shakespeare era um reflexo do tempo em que vivia, é que enquanto lia lembrava da faculdade, da professora Célia Arns na disciplina sobre Shakespeare dizendo exatamente isso: que Shakespeare só existiu (e consequentemente sua obra) porque ele nasceu naquele exato momento da história. Tivesse surgido hoje em dia, não teríamos o Bardo.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17243"></span></p>
<p style="text-align: justify">E se ele só poderia existir naquele momento histórico, é evidente que algo extremamente importante seja a quantidade de informações sobre o período que realmente expliquem porque Shakespeare só poderia ter existido ali. E Greenblatt faz isso muito bem, transportando o leitor para a Inglaterra de meados do século XVI e começo do XVII através de descrições ricas e vivas daquele tempo, com anedotas que parecem ter repercutido na obra do dramaturgo mesmo anos depois de terem acontecido. Com esse retrato daquela época, Greenblatt  alerta o leitor de Shakespeare moderno de que obras como <em>Hamlet</em>, <em>Rei Lear</em> e <em>Othello</em> foram escritas em um outro contexto, em uma outra realidade.</p>
<p style="text-align: justify">Um capítulo que chama particularmente a atenção para a diferença entre a nossa realidade e a de Shakespeare foi o sexto, &#8220;A vida nos subúrbios&#8221;, descrevendo a Londres que Shakespeare encontrou ao chegar de Stratford-upon-Avon. O fedor da cidade grande, o fato de ao você ver quase que diariamente execuções em praça pública (incluindo cabeças decepadas), ou ainda frequentar o Bear Garden, um lugar onde colocavam um urso para lutar contra um cão &#8211; são retratos de uma época que se perdeu, que nossa mentalidade atual mal consegue imaginar que um dia foi um retrato do cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify">Greenblatt usa então pedaços da vida de Shakespeare com trechos de suas peças, mostrando como sua vida ecoou em sua obra. Destaca bastante o fato de que muito da vida do escritor ser um mistério até os dias de hoje, e que em alguns casos poucas fontes sobraram (e não tem receio de dizer quais são ou não confiáveis). Ele mergulha tão fundo nessa pesquisa que traz questões interessantes sobre a educação de Shakespeare, o que o trouxe para Londres, a morte de seu filho Hamnet e, é óbvio, seus últimos anos. E é tanta informação que mesmo aquele que acredita conhecer bastante sobre o dramaturgo acaba ficando de queixo caído, como, por exemplo, com o fato de que este homem:</p>
<div id="attachment_17246" class="wp-caption aligncenter" style="width: 259px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/william-shakespeare.jpg"><img class="size-medium wp-image-17246" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/william-shakespeare-249x300.jpg" alt="" width="249" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Shakespeare?</p></div>
<p style="text-align: justify">Pode simplesmente <strong>não</strong> ser Shakespeare como muitos acreditam, mas um afilhado e filho bastardo dele chamado William Davenant. O que chama a atenção então para a escolha da capa, que é de uma representação que foge das mais conhecidas do bardo. A imagem que pode não ser de Shakespeare aparece junto com outras no meio do livro, em uma série de ilustrações que mostram um pouco de elementos da vida dele (até o retrato de um par de luvas da época, ilustrando o fato de que o pai de Shakespeare era luveiro). As fotos estão em preto e branco e são impressas no mesmo tipo de papel do livro todo (pólen soft), ao contrário do que normalmente acontece nesse tipo de livro, quando as imagens são coloridas e impressas em papel diferente. Mesmo assim é um mero extra, então cor e papel não chegam a fazer diferença nesse caso.</p>
<p style="text-align: justify">Acredito que trata-se de um livro que agradará principalmente quem já está familiarizado com os textos de Shakespeare. Digo isso porque para mim os trechos citados por Greenblatt ganhavam proporções diferentes considerando o que eu já tinha lido e o que eu ainda não tinha lido do escritor. É como se toda a leitura da peça fornecesse um panorama maior do que aquele que alguns poucos versos citados por Greenblatt mostram.</p>
<p style="text-align: justify">Mas mesmo que seja mais voltado para os que já conhecem a obra de Shakespeare, ainda assim acredito que a leitura seja válida para aqueles que se interessem por biografias. Nesse caso, não só a &#8220;personagem&#8221; é interessantíssima, mas Greeblatt também consegue fugir daquele mais do mesmo que sempre vemos em textos do tipo por aí.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Como Shakespeare se tornou Shakespeare</strong><br />
Stephen Greenblatt<br />
Tradução: Donaldson M. Garschagen e Renata Guerra<br />
456 páginas<br />
Preço sugerido: R$ 59,00</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_17243" class="footnote">parece bobo dizer isso, como se fosse óbvio que só pessoas interessantíssimas merecessem biografias, mas a verdade é que o fato da pessoa ser famosa ou ter realizado algo grande não faz da vida dela algo que desperte o interesse do leitor</li></ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/14/como-shakespeare-se-tornou-shakespeare-stephen-greenblatt/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Whole Lotta Led Zeppelin &#8211; A história ilustrada da banda mais pesada de todos os tempos (Jon Bream)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/13/whole-lotta-led-zeppelin-a-historia-ilustrada-da-banda-mais-pesada-de-todos-os-tempos-jon-bream/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/13/whole-lotta-led-zeppelin-a-historia-ilustrada-da-banda-mais-pesada-de-todos-os-tempos-jon-bream/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 13:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Agir]]></category>
		<category><![CDATA[Jimmy Page]]></category>
		<category><![CDATA[John Bonham]]></category>
		<category><![CDATA[John Paul Jones]]></category>
		<category><![CDATA[Jon Bream]]></category>
		<category><![CDATA[Led Zeppelin]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Plant]]></category>
		<category><![CDATA[Rock And Roll]]></category>
		<category><![CDATA[Whole Lotta Led Zeppelin]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=16537</guid>
		<description><![CDATA[Nunca fui um fã-fanático, um cego que idolatrava o quarteto Page, Plant, Bonham e Jones, contudo sempre que ouvia suas músicas na rádio ou queria música pesada e dançante &#8211; as minhas favoritas &#8211; colocava Led Zeppelin na radiola. Muito da história da banda eu conhecia através de pequenos documentários apresentados na MTV quando ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/ledzep.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-16538" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/ledzep-259x300.jpg" alt="" width="259" height="300" /></a>Nunca fui um fã-fanático, um cego que idolatrava o quarteto Page, Plant, Bonham e Jones, contudo sempre que ouvia suas músicas na rádio ou queria música pesada e dançante &#8211; as minhas favoritas &#8211; colocava Led Zeppelin na radiola. Muito da história da banda eu conhecia através de pequenos documentários apresentados na MTV quando ainda rolavam os “Fim de Semana Especial &#8211; coloque uma banda aqui” que contavam um pouco sobre algum álbum específico ou um concerto que tenha sido um sucesso. E claro que os emblemáticos hinos como All My Love, Rock n Roll e Stairway to Heaven eram sempre os destaques.</p>
<p style="text-align: justify"><em>“Whole Lotta Led Zeppelin &#8211; A história ilustrada da banda mais pesada de todos os tempos”</em>, copilado pelo jornalista Jon Bream e lançado pela editora Agir três anos após o lançamento oficial, fala sobre os hinos e sobre os riffs com resenhas apaixonantes de cada um dos 9 álbuns (escritas por diversos &#8220;especialistas&#8221;), datas das turnês, críticas a alguns shows, a personalidade perfeccionista de Jimmy Page, mini-biografias e fotos &#8211; muitas fotos. Nem todas são inéditas ou extremamente raras, muitas, na verdade, podem ser encontradas no Google, mas a impressão e a disposição que se dão nesse livro-almanaque o tornam ainda mais convidativo para a leitura. Como as imagens são destaques, é necessário frisar que muitas páginas do livro contém depoimentos de diversos músicos que consideram o Led Zeppelin uma das maiores bandas de todos os tempos. Entre a lista de citadores estão os músicos Kid Rock, Dave Grohl, Chris Robinson, Ray Davies, Lenny Kravitz, Ritchie Sambora, Tom Morello, o jornalista Nick Hornby e o cineasta Cameron Crowe, entre muitos outros.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-16537"></span>Leitura que não é romanceada, nem parcial &#8211; dois erros quase capitais em &#8220;Mais pesado que o céu&#8221;, sobre Kurt Cobain &#8211; , aliás, Bream é tão imparcial que não nega que um show que viu do Led Zeppelin estava aquém de suas expectativas e que o próprio líder da banda, Page, tentava provar a cada nova apresentação que a banda poderia ser muito melhor do que aquilo que os críticos viram. Os pequenos textos ajudam o leitor a viajar mais pelo conteúdo estético (ingressos de concertos clássicos, posters de turnês, camisetas, capas de álbuns e singles e bottons) e pelo material fotográfico do que pela própria narrativa, pois, provavelmente, grande parte do fãs já conhecem todas aquelas histórias.</p>
<p style="text-align: justify">Para os não fãs, mas admiradores discretos do quarteto, é possível se deliciar com Jon Bream contando como surgiu a ideia de Jimmy Page, músico de estúdio, para montar uma banda extraordinária, intercalando com falas do próprio guitarrista em diversas entrevistas cedidas &#8211; uma das entrevistas mais surpreendentes é a do guitarrista com o repórter William S. Burroughs. Outros dois destaques é trazer para a luz algumas histórias do enigmático John Paul Jones &#8211; baixista que preferia criar bases sólidas ao ser extravagante &#8211; e explicar de onde vieram os famosos símbolos que estampam a capa do quarto álbum da banda e o que cada um representa.</p>
<p style="text-align: justify">Há as curiosidades musicais, análises de letras e melodias que tentam desvendar o poder místico dos acordes de Jimmy Page, da voz de bluesman de Robert Plant ou da máquina de ritmo que era a bateria de John Bonham &#8211; único membro que veio a falecer e com isso culminar no fim da banda que durou, oficialmente, 12 anos (1968-1980), com reuniões em 1985, 1988, 1995 e último na O2 arena, em 2007 (contando com o filho de Bonham na bateria). Para muitos fãs de Tolkien não é de se surpreender que músicas como Ramble On, The Battle of Evermore e Stairway to Heaven são inspiradas em<em> O Senhor dos Anéis.</em></p>
<div style="text-align: justify">
<p>Com um esforço incrível de Jon Bream, que comprou diversos itens de colecionadores para transformar esse trabalho de uma biografia para um álbum entrecortado e cheio de vozes apaixonadas pelo quarteto britânico, “Whole Lotta Led Zeppelin &#8211; A história ilustrada da banda mais pesada de todos os tempos” é um chamariz aos olhos de qualquer fã de rock and roll e também um ótimo aperitivo para revisitar cada trabalho da banda que é considerada por muitos especialistas e não-especialistas como os “Deuses do Rock”.</p>
<div style="text-align: justify"><strong>BREAM</strong>, Jon. <em>Whole Lotta Led Zeppelin &#8211; A história ilustrada da banda mais pesada de todos os tempos</em>. Agir, 2011. Tradução: Gustavo Mesquita, Luiz Fragoso e Anna Paola Monteiro. 288 págs.</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/13/whole-lotta-led-zeppelin-a-historia-ilustrada-da-banda-mais-pesada-de-todos-os-tempos-jon-bream/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Istambul: memória e cidade (Orhan Pamuk)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/04/istambul-memoria-e-cidade-orhan-pamuk/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/04/istambul-memoria-e-cidade-orhan-pamuk/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 19:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Istambul]]></category>
		<category><![CDATA[Istambul: memória e cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Turca]]></category>
		<category><![CDATA[Orhan Pamuk]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=16277</guid>
		<description><![CDATA[Com olhos de pintor e palavras de poeta, Orhan Pamuk nos descreve sua cidade. Pamuk nasceu em Istambul em 1952 e de lá escreve este livro de memórias, em que usa a cidade para contar sua vida e sua vida para contar a história de sua cidade. Intercalando memórias de sua infância no edifício Pamuk [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/istambul.jpg"><img class="size-medium wp-image-16279 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/istambul-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Com olhos de pintor e palavras de poeta, Orhan Pamuk nos descreve sua cidade. Pamuk nasceu em Istambul em 1952 e de lá escreve este livro de memórias, em que usa a cidade para contar sua vida e sua vida para contar a história de sua cidade. Intercalando memórias de sua infância no edifício Pamuk e lembranças alheias de poetas e jornalistas turcos e mesmo de autores estrangeiros que por ali passaram, Orhan Pamuk traça um retrato em preto e branco de sua cidade natal, esta cidade que ainda busca uma harmonia entre passado e futuro, entre o Oriente e o Ocidente.</p>
<p style="text-align: justify">O autor busca imagens da opulência da cidade, quando ainda se chamava Constantinopla, e sua decadência em meio ao processo ocidentalizador ou &#8220;europaizante&#8221; pelo qual a cidade passou, principalmente após o governo de Atatürk,  responsável, entre outras coisas,  pela adoção do alfabeto latino na Turquia.</p>
<p style="text-align: justify">Ele descreve esta decadência, esta esquizofrenia através de memórias pessoais &#8211; as salas das casas do edifício Pamuk, que abrigava toda sua família, e que pareciam museus ocidentais, quase nunca utilizados &#8211; e memórias coletivas, como os grandes incêndios que, aos poucos, destruíram as grandes <em>yalis</em>, as casas dos paxás.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-16277"></span></p>
<p style="text-align: justify">Orhan Pamuk transmite uma tal sinceridade nesta obra que podemos ver seus dias como garoto, sua admiração pelos pais que às vezes sumiam, sua rivalidade com o irmão mais velho, seus impulsos de artista, quando ainda acreditava que seria um pintor, sua obsessão com um duplo, que moraria em outra casa, seus passeios pelo Bósforo ou pelas ruelas de Istambul através dos olhos de sua juventude.</p>
<p style="text-align: justify">Como a cidade, o autor também se vê dividido entre a cultura ocidental e a herdada do grande Império Otomano. Sua sensibilidade em misturar sua vida à vida de sua cidade é um dos grandes atrativos deste livro. Sua franqueza em lidar com momentos delicados da vida de um menino, como o primeiro amor ou as brigas com a mãe, é tocante</p>
<p style="text-align: justify">Logo no início, ele informa que falará de coração aberto, e pede que o leitor o compreenda. Em certo momento diz que estar em Istambul é para ele fonte de inspiração, como o exílio o foi para escritores como Nabokov. Recheado de fotografias e imagens da cidade em preto e branco, incluídas também fotografias de sua família, Istambul é daqueles livros para mergulhar.</p>
<p style="text-align: justify">Mergulha-se na vida numa cidade dividida, na vida de um garoto com grandes sonhos, pelos olhos de um dos escritores mais perceptivos com quem me deparei na minha carreira de leitora. As fotos não possuem legendas, e delas prescindem, uma vez que estão intimamente relacionadas com o texto. Não se precisa de legenda para ver na cidade um belo e melancólico cenário, repleto da <em>hüzün</em> que ele faz questão que conheçamos.</p>
<p style="text-align: justify">Não a toa a capa deste livro traz um Pamuk criança, com uma bela imagem do Bósforo ao fundo. Homem e cidade se confundem, num mosaico de lembranças e cenários, que só um escritor com alma de pintor poderia nos entregar. Em tempo, Orhan Pamuk estará em São Paulo nesta <a href="http://www.mackenzie.br/portal/dhtm/assessoria_comunicacao/eventos/index2.php?dia_evento=6&amp;mes=12&amp;ano=2011&amp;id=565&amp;operacao=pesquisar">terça-feira</a>.</p>
<p>Título original: ISTANBUL: HATIRALAR VE SEHIR</p>
<p>Tradução: Sergio Flaksman</p>
<p>Capa: Raul Loureiro e Fabio Uehara</p>
<p>400 Páginas</p>
<p>Selo: Companhia das Letras</p>
<p>Preço sugerido: R$ 55,50</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/12/04/istambul-memoria-e-cidade-orhan-pamuk/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Anna Akhmatova</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/11/02/anna-akhmatova/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/11/02/anna-akhmatova/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 16:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Akhmatova]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Russa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=15463</guid>
		<description><![CDATA[A Rússia foi um dos países que teve um modernismo tardio: ao contrário dos centros culturais, que consistiam da França, Inglaterra, Áustria e Alemanha, a grosso modo países como a Rússia, Polônia e Itália só foram ‘despertar’ para a arte moderna no final do século XIX, ou ainda no começo do século XX. Quando o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/1.jpg"><img class="size-medium wp-image-15464 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/1-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></a>A Rússia foi um dos países que teve um modernismo tardio: ao contrário dos centros culturais, que consistiam da França, Inglaterra, Áustria e Alemanha, a grosso modo países como a Rússia, Polônia e Itália só foram ‘despertar’ para a arte moderna no final do século XIX, ou ainda no começo do século XX. Quando o fizeram, porém, passaram por uma espécie de movimento compensatório, com ideias e movimentos muito mais radicais em seu desprezo pela tradição e proposição da estética do novo, vide o futurismo italiano.</p>
<p style="text-align: justify">Entre o mar de artistas, poetas e dramaturgos com ímpetos revolucionários, alguns poucos se destacaram. Os que o fizeram, notadamente, foram aqueles que não se associaram a grupos (pelo menos não por muito tempo) ou que não se comprometeram com ideais estéticos fechados. Witkacy, com seu estilo ímpar, que conjugava um pouco de dadaísmo, um pouco de expressionismo, um pouco de futurismo e muito de coisa nenhuma, é considerado até hoje um dos maiores escritores de língua polonesa, bem como Bruno Schulz e Witold Gombrowicz.</p>
<p style="text-align: justify">De maneira semelhante, na Rússia uma das figuras literárias de maior destaque foi Anna Andreyevna Gorenko – que, a pedido do pai, publicou sob o pseudônimo de Anna Akhmatova. A adoção do nome Akhmatova, por si só, já é simbólica: o nome é uma russificação do sobrenome da avó de Anna, teoricamente descendente de Genghis Khan. Vale lembrar que, nos últimos dias do Império Russo – época em que ela começou a escrever- tal herança seria vista mais com desconfiança do que com interesse.<span id="more-15463"></span></p>
<p style="text-align: justify">Logo, porém, sobreveio a Revolução de Outubro, e Akhmatova tornou-se <em>persona non-grata</em>: sua família tinha ligações com a nobreza de outrora, seu primeiro marido foi executado por ser considerado um inimigo da revolução, e as formas e temas que ela utilizava em seus poemas eram considerados subversivos. Tudo isso lhe valeu uma vida de sofrimento e perseguições, uma luta infindável contra o um sexto da superfície terrestre pelo qual Akhmatova estava cercada.</p>
<p style="text-align: justify">A despeito disso e de todos os poemas que foram perdidos devido às perseguições, pode-se considerar que Akhmatova venceu o regime. Ela viveu de modo humilde, tinha dificuldades para publicar, teve de fazer muitas concessões para tentar salvar seu filho, que passou 18 anos em um <em>gulag</em>. Seu nome, porém, está inscrito no cânon da poesia russa e, porque não, universal.</p>
<p style="text-align: justify">E essa inscrição é plenamente justificada. Akhmatova conseguiu, em um tempo de ruptura, dialogar com as formas e mesmo com temas clássicos sem soar anacrônica.  Sua poesia tinha uma profundidade que, como Joseph Brodsky cita, ‘era inexplicável’ e ‘só pode ser atribuía à voz com que Akhmatova nasceu’.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/11/02/anna-akhmatova/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cláudio Manuel da Costa e eu</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/15/claudio-manuel-da-costa-e-eu/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/15/claudio-manuel-da-costa-e-eu/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 Oct 2011 17:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Cláudio Manuel da Costa]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Laura de Mello e Souza]]></category>
		<category><![CDATA[Perfis brasileiros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=14986</guid>
		<description><![CDATA[Sabe aqueles poetas de que a gente só ouve falar no colégio e que de tantas inversões de período e floreios nos traumatizam para a eternidade? Pois bem, resolvi dar mais uma chance a um deles, e talvez fosse melhor para Cláudio Manuel da Costa que tivéssemos ficado apenas na lembrança da escola. Caiu-me na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/claudio-manuel.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-14987" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" title="claudio-manuel" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/claudio-manuel-191x300.jpg" alt="" width="191" height="300" /></a>Sabe aqueles poetas de que a gente só ouve falar no colégio e que de tantas inversões de período e floreios nos traumatizam para a eternidade? Pois bem, resolvi dar mais uma chance a um deles, e talvez fosse melhor para Cláudio Manuel da Costa que tivéssemos ficado apenas na lembrança da escola. Caiu-me na mão Perfis brasileiros – Cláudio Manuel da Costa (Laura de Mello e Souza, Companhia das Letras, 2011, 272 páginas) e antes que eu te assuste mais do que pretendo, adianto que a ideia aqui não é duvidar da competência do poeta mineiro para o verso clássico (ainda preciso revisitar seu célebre Vila Rica para ver se engulo), mas apenas constatar que se Cláudio Manuel não me fisgou no colégio não foi apenas por incompetência  da professora: a vida do cara foi patética.</p>
<p style="text-align: justify;">Não que a minha existência seja lá essas coisas, mas depois de passar pelas biografias de Rimbaud, Maiakovski,Twain, Proust, Kerouac, Faulkner, Dostoievski, Lispector, Leminski e até Kafka e Mann, confesso que saber como foi a vida de Costa me assustou. É claro que a vida dos escritores (inclusive os que citei) dificilmente compete com suas obras — seria covardia comparar a criação com essas realidades em grande parte banais –, mas a agitação interna e consequente produção literária dos grandes tendem a preencher o marasmo existencial a que até os gênios (e, talvez, principalmente eles) estão fadados. Não no caso de Cláudio Manuel da Costa e aqui vai por quê:</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-14986"></span>Filho da união entre um português e uma brasileira, Claudinho nasceu em junho de 1729, em Minas Gerais. Como rebento da classe média alta local (o pai reuniu relativo patrimônio às custas do próprio trabalho), o futuro poeta iniciou os estudos com os jesuítas no Rio de Janeiro e, a exemplo dos irmãos, foi completá-los em Portugal. Alma sensível, o garoto obviamente se encantaria com a vida agitada da metrópole, mas, com a morte do pai, seria condenado a voltar ao Brasil, para cuidar da família.</p>
<p style="text-align: justify;">Aí já viu, né? Apesar de tecer famigeradas loas a Minas, Claudio queria mesmo é freqüentar as ruas de Lisboa. O jeito, então, foi se posicionar na elite mineira e, para isso, o poeta não hesitou em louvar qualquer que fosse a autoridade nas páginas dos jornais — se naquela época os governantes ainda tinham (ou pelo menos fingiam) alguma sensibilidade para se emocionar com versos, hoje pelo menos os poetas têm o pretexto da incompreensão e a pecha auto-imposta de malditos em que se escorar no caso do desprezo por suas obras.</p>
<p style="text-align: justify;">Se esse tipo de bajulação pega mal pra qualquer pessoa, imagina pra um poeta… ossos do ofício, você dirá, e eu concordo. Não acho justo condenar o cara por isso — era como as coisas funcionavam naquele tempo. Mas, de qualquer forma, esses poemas ao prefeito e a busca obcecada por títulos de nobreza acrescentam detalhes sórdidos ao perfil do homem que, levemente envolvido com os inconfidentes, delataria a todos no primeiro interrogatório, para, no dia seguinte aparecer morto em sua cela — seu suicídio entrou para a história apenas como uma possibilidade, já que pode ter sido forjado.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a leitura da biografia, cheguei a desconfiar por um momento que a falta de emoção na vida do poeta provinha da falta de qualidade do livro, mas a ausência de um estilo mais livre, leve e solto na pena da historiadora Laura de Mello e Souza (que exagerou nos gerúndios a ponto de me fazer notá-los e insistiu na repetição de algumas informações) se equilibra na rigidez e no detalhismo dos poucos dados que restaram sobre a vida de Cláudio Manuel, o que me leva a concluir que o poeta é mais vítima das circunstâncias que da biógrafa.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a vida do cara foi tão desinteressante, por que ler esse livro?, você, enfim, me pergunta. Dada a ridícula vida do poeta mineiro, minha primeira resposta seria: como forma de vingança — se é que você se sentiu ofendido por ser coagido, no colégio, a ler o que não poderia entender. Mas o livro também vale como registro de uma época em que muito do que condenamos e repelimos na atual sociedade brasileira estava a se consolidar.</p>
<p style="text-align: justify;">Suspeita-se que o próprio Cláudio Manuel da Costa traficava diamantes, algo que, naquela época, tinha um quê de contestação do poder metropolitano — já que os impostos cobrados por Portugal eram muito altos e o Brasil já tinha uma elite em processo de consolidação. Se esse raciocínio não faz dos chefes do crime organizado inconfidentes, pelo menos ajuda a explicar o alto índice de sonegação de impostos — entre outros desafios ao Estado — no país.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Rodolfo Borges é jornalista (nascido em Recife, formado em Brasília e morador de São Paulo) e toca um blog chamado <a title="literatura de verdade" href="http://literaturadeverdade.wordpress.com" target="_blank">Literatura de verdade</a> desde 2007. Além das crônicas misturando fatos e notícias a livros, que são o mote do blog, publica algumas resenhas. Nos últimos meses, tem publicado as crônicas do blog no <a title="brasil 247" href="www.brasil247.com.br" target="_blank">jornal Brasil 247</a>, que é onde trabalha atualmente. Seu twitter é <a title="livrada" href="http://twitter.com/#!/livrada" target="_blank">@livrada</a>.</p>
<p><strong>CLÁUDIO MANUEL DA COSTA &#8211; O letrado dividido</strong><br />
Laura de Mello e Souza<br />
272 Páginas<br />
Preço sugerido: R$39,50</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Companhia das Letras" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/15/claudio-manuel-da-costa-e-eu/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Na casa de Rubem Alves – Parte II</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/22/na-casa-de-rubem-alves-%e2%80%93-parte-ii/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/22/na-casa-de-rubem-alves-%e2%80%93-parte-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 20:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[A Alegria de Ensinar]]></category>
		<category><![CDATA[A escola que eu sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir]]></category>
		<category><![CDATA[Arte de Aprender]]></category>
		<category><![CDATA[Conversas com quem gosta de ensinar]]></category>
		<category><![CDATA[Conversas sobre Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Escola da Ponte]]></category>
		<category><![CDATA[Fomos maus alunos]]></category>
		<category><![CDATA[IFCH]]></category>
		<category><![CDATA[Na casa de Rubem Alves]]></category>
		<category><![CDATA[Parte II]]></category>
		<category><![CDATA[Por que uma educação romântica?]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>
		<category><![CDATA[Unicamp]]></category>
		<category><![CDATA[Vestibular]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=14435</guid>
		<description><![CDATA[Não leu a primeira parte? Leia aqui. Após ouvir Rubem Alves recitar o poema de Cecília Meireles e nos ensinar sobre o poder da leitura para qualquer leitor, resolvemos mudar de cômodo. O som do vento estava realmente atrapalhando nossa conversa e talvez comprometesse a qualidade do som no nosso pequeno gravador. Estabelecidos no novo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Ruben-Alves.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-14438" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Ruben-Alves.jpg" alt="" width="220" height="237" /></a>Não leu a primeira parte? <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/15/na-casa-de-rubem-alves-parte-i/" target="_blank">Leia aqui.</a></p>
<p style="text-align: justify;">Após ouvir Rubem Alves <a href="http://www.youtube.com/watch?v=n8y0IeJMC3c&amp;feature" target="_blank">recitar o poema de Cecília Meireles</a> e nos ensinar sobre o poder da leitura para qualquer leitor, resolvemos mudar de cômodo. O som do vento estava realmente atrapalhando nossa conversa e talvez comprometesse a qualidade do som no nosso pequeno gravador.</p>
<p style="text-align: justify;">Estabelecidos no novo quarto, voltamos ao assunto da importância da leitura e consequentemente sobre educação. Rubem Alves, ao retornar ao Brasil depois do período que passara nos EUA por conta da perseguição militar, fora contratado para dar aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP).<span id="more-14435"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em 1974 ocupou o cargo de professor-titular de Filosofia no instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Durante a década de 80, Rubem Alves foi eleito representante dos professores no Conselho Universitário, ocupou cargos de Diretor da Assessoria de Relações Internacionais e de Assuntos de Ensino na UNICAMP. Hoje ele é professor-emérito da Universidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A participação importante na Universidade Estadual de Campinas na área de ensino conferiu a Rubem Alves um olhar especial na área de educação, tanto que é possível conferir na sua biografia alguns livros sobre o tema como <em>&#8220;A Alegria de Ensinar&#8221;, &#8220;Arte de Aprender&#8221;, &#8220;Conversas sobre Educação&#8221;, &#8220;Fomos maus alunos&#8221;, &#8220;Por que uma educação romântica?&#8221;, &#8220;Conversas com quem gosta de ensinar</em>&#8220;, entre outros.</p>
<div id="attachment_14439" class="wp-caption aligncenter" style="width: 492px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Rubem.jpg"><img class="size-full wp-image-14439" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Rubem.jpg" alt="" width="482" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Rubem Alves (1950 - 1970 - 2010)</p></div>
<p style="text-align: justify;">O olhar de Rubem sobre a educação pode soar um pouco romântico e radical ao mesmo tempo. Ao defender que a escola tem o dever de estimular a curiosidade das crianças, principalmente com as regionalidades pertencentes ao ambiente de cada escola, o professor questiona o próprio sistema de ensino, que vive preso ao vestibular. Nas palavras do mestre:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>Para mim o problema do vestibular não é a questão de você ter um mecanismo para entrar na universidade, mas sim a sombra que ele lança para tudo que vem antes, um exemplo que não existe espaço para a poesia nas escolas, a não ser para questões técnicas, análises gramaticais. Também não há espaço para a leitura e apreciação de obras literárias, uma vez que disponibilizam resumos das obras do vestibular. Então o problema é que o vestibular determina a filosofia de educação.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Para aqueles que se sentem indignados pelas palavras do escritor e questionam uma forma melhor para que os alunos entrem na universidade, Rubem Alves é claro: <em>“Façamos um sorteio, é mais justo que o vestibular pois as chances são as mesmas para todos”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">O questionamento sobre a educação não passa somente pelo vestibular, mas também sobre os professores. Um dos casos curiosos aconteceu quando Rubem Alves relatou desconhecer algumas regras de análise sintática. Tal informação motivou uma professora a explicar-lhe tais regras, fato que foi logo negado pelo filósofo que alegou não necessitar delas para ler ou escrever.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/a_escola_quesempr.gif"><img class="alignright size-full wp-image-14442" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/a_escola_quesempr.gif" alt="" width="169" height="275" /></a>As palavras do mestre podem soar um tanto quanto ignorantes, mas tem fundamento. Rubem Alves defende uma escola que provoque a curiosidade, e não que implique em decorar regras e nomes da geografia do país, como os afluentes do rio Amazonas: Madeira, Tapajós, Xingu, Japurá, Negro, Paru e Jari. Segundo o mestre: <em>“Para que eu preciso saber os nomes dos afluentes do Rio Amazonas? Eu queria mesmo era aprender sobre as galinhas da fazenda. Então como não ensinavam na escola, fui aprender sozinho”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse olhar diferenciado da educação levou-o a Portugal para conhecer o projeto da Escola da Ponte, e consequentemente a paixão pela inovação proposta. Na escola não há classes, e os temas estudados são escolhidos pelos próprios alunos, que são provocados a brincar com a curiosidade. Tal paixão pelo método diferenciado gerou o livro <em>“A escola que eu sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O modo apaixonante como educador fala sobre a Escola da Ponte motivou-nos a procurar a escola e fazer duas entrevistas, com os <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/04/10-perguntas-e-meia-para-escola-da-ponte-orientadores-educativos/" target="_blank">orientadores educativos</a> e os <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/05/23/10-perguntas-e-meia-para-escola-da-ponte-miudos-criancas/" target="_blank">próprios alunos.</a></p>
<p style="text-align: justify;">O olhar educativo de Rubem Alves pode soar por vezes utópico, mas na verdade é um olhar de um homem apaixonado pela educação. Tanto que o tema é recorrente de muitos de seus livros, palestras e textos. O mestre defende que os professores façam mais do que ministrar aulas, mas que <em>“conversem com os alunos olhando nos olhos”</em>. Afinal, como ele nos disse ao final de nossso encontro, “<strong>educar é seduzir”</strong> e a sedução começa pelo olhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Após algumas horas na presença do escritor, é fácil perceber que Rubem Alves é um sedutor das palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempo, vale conferir:</p>
<p style="text-align: justify;">Site: <a href="http://www.rubemalves.com.br" target="_blank">A casa de Rubem Alves</a><br />
<a href="http://www.rubemalves.com.br/listadelivroseartigos.htm" target="_blank">Lista de Livros e artigos publicados</a><br />
<a href="http://www.rubemalves.com.br/textoconvversacomeducadores.htm" target="_blank">Conversa com Educadores</a> (Alguns textos do escritor sobre educação)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/22/na-casa-de-rubem-alves-%e2%80%93-parte-ii/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Na casa de Rubem Alves &#8211; Parte I</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/15/na-casa-de-rubem-alves-parte-i/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/15/na-casa-de-rubem-alves-parte-i/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 17:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Jeca Tatu]]></category>
		<category><![CDATA[Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Na casa de Rubem Alves]]></category>
		<category><![CDATA[Perguntaram-me se acredito em Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Robinson Crusoé]]></category>
		<category><![CDATA[Rubem Alves]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=14213</guid>
		<description><![CDATA[No final do último ano eu consegui o contato para fazer uma entrevista com Rubem Alves. A príncipio a entrevista seria por e-mail, mas o escritor preferiu o contato mais humano. A minha surpresa foi imediata, e eu logo tratei de marcar uma entrevista pessoalmente, ao invés do telefone. Como fotógrafa eu levei minha noiva, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/rubem2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-14219" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/rubem2-300x167.jpg" alt="" width="300" height="167" /></a>No final do último ano eu consegui o contato para fazer uma <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/17/10-perguntas-e-meia-para-rubem-alves/" target="_blank">entrevista com Rubem Alves</a>. A príncipio a entrevista seria por e-mail, mas o escritor preferiu o contato mais humano. A minha surpresa foi imediata, e eu logo tratei de marcar uma entrevista pessoalmente, ao invés do telefone. Como fotógrafa eu levei minha noiva, que me apresentou os textos do escritor. Ela é uma grande admiradora da obra de Rubem Alves, e não me perdoaria caso eu não a levasse comigo. Livros na mochila, maquina na mão, gravador preparado e lá fomos nós ao encontro.</p>
<p style="text-align: justify">Após um longo caminho, guiados pelo GPS, chegamos ao endereço marcado em um dos pontos mais altos de Campinas. A minha noiva e eu esperamos na parte de baixo do prédio pela assessora do escritor Rubem Alves. O vento soprava muito forte, o que impedia que esperássemos de maneira confortável. Procurávamos abrigo no abraço um do outro, atrás de pilastras, mas a ventania era impiedosa. A impressão que tínhamos era que o forte vento queria anunciar que estávamos a caminho do encontro com um mago, ou que um ser divino quisesse nos alertar de alguma coisa.</p>
<p style="text-align: justify">Subimos, enfim, para encontrar o teólogo, mestre, professor, escritor e filósofo Rubem Alves. O espanto inicial foi entrar em um ambiente aconchegante e dar-nos conta que estávamos na residência pessoal do autor. O assombro foi logo quebrado com a descontração do professor, que mal esperou que entrássemos e já foi nos abraçando e contando histórias como se já fossemos íntimos amigos.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-14213"></span></p>
<p style="text-align: justify">Uma das primeiras conversas foi sobre religião. Rubem Alves estudou Teologia entre 1953 e 1957, no Seminário Presbiteriano de Brasília, exercendo as funções de pastor em Lavras (MG). Em 1963 foi estudar em Nova York, retornando ao Brasil com o título de mestre em teologia. Apesar disso, o teólogo foi acusado por sua própria igreja de subversivo sendo assim perseguido pelo regime militar, retornando aos EUA para fugir das ameaças que recebia. Ao falar sobre esse assunto fica claro um ar de amargura na voz e no olhar de Rubem Alves.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Deus.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-14227" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Deus-192x300.jpg" alt="" width="134" height="210" /></a>Porém, a decepção está claramente ligada a instituição religiosa, e não a sua ligação com Deus. Muitos podem questionar ao dizer que Rubem Alves é ateu, alegando que o próprio teólogo admite ser um pouco místico. Mas o fato é que a ligação espiritual de Rubem Alves é evidente. Indaguei o autor sobre o assunto e ele não hesitou ao dizer que a Bíblia é uma fonte inspiradora, não só para ele como para muitos outros autores, poetas e músicos.</p>
<p style="text-align: justify">Tal inspiração resultou em um livro chamado <strong>“Perguntaram-me se acredito em Deus”</strong>. Na obra, o mestre Benjamin conta estórias e explica a beleza do mundo, e de Deus, para um grupo de pessoas que vão toda a noite ouvi-lo. São inúmeras as passagens e citações bíblicas deixando clara a grande influência e inspiração para o teólogo.</p>
<p style="text-align: justify">Porém, foi nesse momento que presenciamos uma das cenas mais belas de todo o encontro. Indagamos Rubem Alves se o mestre Benjamin, protagonista do livro, era ele próprio. Neste momento o professor ficou mudo, seus olhos ficaram marejados, um leve sorriso apareceu no seu rosto, como se tivéssemos descoberto um segredo que ele quisera revelar aos leitores do livro, e então ele respondeu: <em>“Acho que sim”</em>.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/Casa-de-Rubem-Alves.jpg"><img class="size-full wp-image-6099 alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/Casa-de-Rubem-Alves.jpg" alt="" width="225" height="151" /></a>Tal momento de silêncio e surpresa foi repetido quando perguntamos ao professor sobre sua primeira experiência com a leitura. Ele estava sentado no sofá de sua sala, contando-nos sobre um quadro em destaque na parede. Era a pintura da casa do filósofo na cidade de Boa Esperança em Minas Gerais, local onde nasceu no dia 15 de setembro de 1933. Aproveitando o gancho da infância, eu indaguei sobre a primeira experiência com a leitura que Rubem Alves teve contato. Foi nesse momento que os olhos de menino se arregalaram, com um leve sorriso saudoso no rosto.</p>
<p style="text-align: justify">Interrompi o momento nostálgico questionando a memória do escritor, e logo ele me respondeu indignado: <em>“Mas é claro que lembro”</em>. E então começou a nos contar do seu pai lendo <strong>Robinson Crusoé, Jeca Tatu</strong> e outros tantos personagens para o jovem garoto e futuro contador de estórias.</p>
<p style="text-align: justify">Uma confissão chamou nossa atenção, pois Rubem Alves admitiu que sua <em>“experiência de gostar de ler tem a ver com a outra pessoa lendo”</em> pra ele. Ficamos confusos com essa afirmação. O escritor defende a importância de escutarmos no conto <a href="http://www.rubemalves.com.br/escutatorio.htm" target="_blank"><strong>“Escutatório”</strong></a>, mas a ligação dos ouvidos com a experiência das letras soou um tanto estranha. E então ele nos mostrou através da citação de um poema de <strong>Cecilia Meireles</strong> como a leitura pode ser impactante para qualquer leitor. Abaixo eu compartilho a beleza da leitura do poema na voz de Rubem Alves:</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/n8y0IeJMC3c?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/n8y0IeJMC3c?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em>Muitas velas, muitos remos.</em><br />
<em> Âncora é outro falar…</em><br />
<em> Tempo que navegaremos</em><br />
<em> não se pode calcular.</em><br />
<em> Vimos as plêiades;</em><br />
<em> vemos agora a Estrela Polar.</em><br />
<em> Muitas velas. Muitos remos.</em><br />
<em> Curta vida. Longo mar.</em><br />
(Cecília Meireles)</p>
<p style="text-align: justify">Notem que no vídeo, enquanto Rubem Alves lê e recita os versos de Cecília Meireles, é possível ouvir o barulho do vento que de tão forte insiste em passar pelos vãos da janela, mesmo fechada. No livro &#8220;Perguntaram-me se acredito em Deus&#8221;, o mestre Benjamin diz que Deus está nas pequenas coisas, como uma jabuticaba, ou até mesmo no som do vento. Quiça Deus também queria ouvir os versos de Cecilia na voz de Rubem Alves.</p>
<p style="text-align: justify">Na próxima quinta-feira (22/9) tem a segunda parte da minha visita a casa de Rubem Alves.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/09/15/na-casa-de-rubem-alves-parte-i/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Biografia: Alexandre Dumas père</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/24/biografia-alexandre-dumas-pere/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/24/biografia-alexandre-dumas-pere/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 Jul 2011 19:53:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kika</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Dumas]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Dumas père]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.megadodo.com.br/?p=12639</guid>
		<description><![CDATA[Um dos autores franceses mais populares do século XIX, Alexandre Dumas père é o rei do romance de folhetim. Conhecido por seus romances de aventura, que inclui alguns dos maiores clássicos do estilo capa&#38;espada, o autor de &#8220;Os Três Mosqueteiros&#8221; e &#8220;O Conde de Monte Cristo&#8221; foi capaz de criar mundos a partir da história, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/Dumas.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-12642" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/Dumas-173x300.jpg" alt="" width="173" height="300" /></a>Um dos autores franceses mais populares do século XIX, Alexandre Dumas père é o rei do romance de folhetim. Conhecido por seus romances de aventura, que inclui alguns dos maiores clássicos do estilo capa&amp;espada, o autor de &#8220;Os Três Mosqueteiros&#8221; e &#8220;O Conde de Monte Cristo&#8221; foi capaz de criar mundos a partir da história, dando a seus personagens uma característica quase arquetípica. Mesmo quem nunca o leu conhece o lema &#8220;Um por todos e todos por um&#8221;,  e já ouviu falar de Edmond Dantès ou D&#8217;Artagnan. Dumas foi também autor de teatro, biografias, livros de culinária, relatos de viagem, livros sobre crimes célebres. Trabalhou como jornalista. Possuía um exército de colaboradores. E sua vida caberia muito bem em sua obra. E é por isso que, na data de seu aniversário, lembramos um pouquinho desta jornada.</p>
<p style="text-align: justify">Alexandre Dumas père (1802-1870) nasceu há exatos 209 anos. Em 24/07/1802, na cidade de Villers-Cotterêts,  Marie-Louise Labouret dá à luz o filho de Thomas Alexandre Dumas Davy de La Pailleterie, general do exército de Napoleão e um verdadeiro herói de seu tempo. Em 1806 o herói morre, e a seu filho resta uma mãe empobrecida e as histórias da vida de seu pai. Desde cedo se interessa pela aventura e pela caça que,  em 1816, ocupavam sua mente enquanto trabalhava como escriturário notarial. Em 1819 conhece Adolphe de Leuven, co-autor das primeiras obras de Dumas, bem como principal responsável pela primeira visita do autor à Paris, em 1822. Seria uma viagem longa.</p>
<p style="text-align: justify">Alexandre Dumas se instala em Paris em 1823, consegue um emprego na casa do Duque de Orléans, futuro rei Louis-Phillipe, se envolve com uma moça aqui, outra ali, e de um desses casos, uma moça chamada Laure Labay, tem seu primeiro filho, também nascido em 24/07, mas desta vez em 1824. Sua primeira obra vem logo depois, em 1825, uma colaboração com Adolphe Leuven chamada <em>La chasse et l&#8217;amour </em>(A caça e o amor), mas o sucesso só viria 4 anos mais tarde, com a apresentação da peça teatral <em>Henri III et sa cour </em>(Henrique III e sua corte).</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-12639"></span></p>
<p style="text-align: justify">Em 1831 nasce sua segunda filha, Marie-Alexandrine, esta fruto da relação com Belle Kreilssamner. Alexandre Dumas só se casaria em 1840, com Ida Ferrier Entre 1830 e 1840 escreveria vários relatos de viagem. Seu primeiro romance <em>Le chevalier d&#8217;Harmental </em>(o cavaleiro d&#8217;Harmental) é publicado em 1841. O ano de 1844 viu seus principais romances serem publicados: Os três Mosqueteiros, A Rainha Margot, o Conde de Monte-Cristo. Neste mesmo ano começa a colaboração com Auguste Maquet, que depois o denunciaria por plágio, pedindo para si os créditos destes romances e de vários outros. O caso terminou em acordo, mas a polêmica persiste e divide literatos e historiadores.</p>
<p style="text-align: justify">No auge de sua fama, compra um terreno em Saint Germains en Layes e nele constrói um <em>château. </em>Tal construção aliada a seu famoso prodigalismo foram responsáveis por sua falência e a uma longa e penosa recuperação financeira, que envolveu uma fuga à Bélgica e o leilão de seu tão amado castelo. Entrementes, não parou de escrever, pelo contrário, passou a publicar ininterruptamente suas obras ou obras de outrem sob sua insígnia &#8211; são mais de 1200 títulos publicados em seu nome &#8211;  e se lançou no jornalismo, com a criação da revista le Mousquetaire em 1853. Em 1857 deixou de publicar le Mousquetaire e lançou Le Monte-Cristo. Em tempo, ele criaria e editaria mais duas outras revistas:  D&#8217;Artagnan e L&#8217;indipendente, esta última na Itália.</p>
<p style="text-align: justify">E com tudo isso, ele ainda arranjava tempo para curtir a vida. Bonachão, inteligente, bem educado, Alexandre Dumas era a sensação nos salões de Paris. Viajou bastante, não só na Europa, mas também pela África. Curtia bons vinhos e boas mulheres, e era um sedutor inato. Seus contemporâneos o descrevem como possuidor de uma imaginação sem limites, uma criatividade monstruosa e um trabalhador febril, ainda que dado à boa vida. Poucos anos antes de morrer, em 1863, refugiou-se na Bretanha para fazer um dicionário de Culinária, publicado postumamente. Alexandre Dumas père morreu em 05 de dezembro de 1870, deixando um legado gigantesco para seus leitores. Parafraseando Getúlio Vargas, ele saiu da vida, para entrar na história.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>20 FATOS SOBRE ALEXANDRE DUMAS QUE TALVEZ VOCÊ NÃO SAIBA</strong>:</p>
<p>01) Seu nome de batismo é Dumas Davy de la Pailleterie.</p>
<p>02) O nome Dumas vem de sua avó, originária de Santo Domingo (hoje no Haiti)</p>
<p>03) Seu pai foi um dos mais famosos generais do exército de Napoleão Bonaparte.</p>
<p>04) Era mulato.</p>
<p>05) Já foi <a href="http://www.dumaspere.com/pages/phototheque/portraits.html">magro</a> e considerado belo,</p>
<p>06) Trabalhou como escriturário, mas preferia caçar.</p>
<p>07) Foi bibliotecário do Duque d&#8217;Orléans, mais conhecido como Rei Louis-Phillipe</p>
<p>08)  Escreveu (ou assinou) mais de 1200 obras</p>
<p>09) Foi amigo de Victor Hugo e Giuseppe Garibaldi</p>
<p>10) Foi processado por plágio por seus colaboradores, entre eles Auguste Maquet</p>
<p>11) Já possuiu um teatro:<em> le Théâtre Historique</em>,</p>
<p>12) Mandou construir um castelo chamado &#8220;<a href="http://www.chateau-monte-cristo.com/">Château Monte-Cristo</a>&#8221;</p>
<p>13) Só ficou conhecido como romancista em 1844 com a publicação de &#8220;Os Três Mosqueteiros&#8221;</p>
<p>14) Não é o autor de  &#8221;A Dama das Camélias&#8221;</p>
<p>15) Um de seus textos foi a inspiração para o  &#8221;Quebra-Nozes&#8221; de Tchaikovsky</p>
<p>16) Participou da revolução de 1830</p>
<p>17) causou um escândalo ao tirar fotos com sua amante Adah Menken, já no fim de sua vida.</p>
<p>18) Sua última estreia no mundo literário ocorreu em 2005, com a publicação do inacabado &#8220;Le Chevalier de Sainte-Hermine&#8221; descoberto na Biblioteca Nacional de Paris</p>
<p>19) Aparece em 246 títulos no <a href="http://www.imdb.com/name/nm0241416/">IMDB</a> como escritor</p>
<p>20) Tem uma página no <a href="http://www.facebook.com/pages/Alexandre-Dumas-pai/109419182417618?sk=info">Facebook</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=3638">COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p>Fontes: <a href="http://www.fandango.com/alexandredumas/biography/p309103">Fandango</a>, <a href="http://www.alalettre.com/dumas-bio.php">À la lettre</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0241416/">IMDB</a>,<a href="http://www.britannica.com/EBchecked/topic/173440/Alexandre-Dumas-pere"> Encyclopaedia Britannica</a>, <a href="http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b8436434x/f1.planchecontact.langPT">Gallica</a>,<a href="http://www.dumaspere.com"> la Société des Amis d&#8217;Alexandre Dumas</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/24/biografia-alexandre-dumas-pere/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
<!-- This Quick Cache file was built for (  blog.meiapalavra.com.br/category/bio/feed/ ) in 0.52607 seconds, on Feb 6th, 2012 at 5:49 am UTC. -->
<!-- This Quick Cache file will automatically expire ( and be re-built automatically ) on Feb 6th, 2012 at 6:49 am UTC -->
