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	<title>Meia Palavra&#187; 10 perguntas e meia</title>
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		<title>10 Perguntas e Meia para André Diniz</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 16:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Meia Palavra</dc:creator>
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		<category><![CDATA[10 Perguntas e Meia para André Diniz]]></category>
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		<description><![CDATA[André Diniz é roteirista e ilustrador. Nasceu no Rio de Janeiro em 1975, mas adotou São Paulo como residência. Segundo as palavras dele próprio: “Sempre adorei aqui, sou um carioca fajuto”. André é atualmente um dos quadrinistas de maior prestígio no Brasil, vencedor de diversos prêmios, dentre estes o HQMIX e Ângelo Agostini, o quadrinista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/andre.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-16520" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/andre-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify">André Diniz é roteirista e ilustrador. Nasceu no Rio de Janeiro em 1975, mas adotou São Paulo como residência. Segundo as palavras dele próprio: <em>“Sempre adorei aqui, sou um carioca fajuto”</em>. André é atualmente um dos quadrinistas de maior prestígio no Brasil, vencedor de diversos prêmios, dentre estes o HQMIX e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%AAmio_Angelo_Agostini" target="_blank">Ângelo Agostini</a>, o quadrinista possui algumas obras ligadas a história do Brasil, como Morro da Favela e Quilombo Orum Aiê.. Além disso já produziu Zines, possuiu sua própria editora e publicou por grandes editoras brasileiras. Com a simpatia habitual, e uma trajetória que se confunde com a evolução dos quadrinhos no país, André nos cedeu uma entrevista fantástica.<span id="more-16510"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>01 &#8211; Qual a maior dificuldade em se publicar/vender histórias em quadrinhos no Brasil? Podemos dizer que é uma mídia consolidada no país?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Há uma década atrás, o maior desafio de um autor de quadrinhos era a publicação. A auto-publicação era praticamente o único caminho existente, e foi assim que eu e praticamente toda a minha geração de quadrinhistas começamos: juntando dinheiro, pagando a gráfica e distribuindo nas lojas especializadas e poucas livrarias que aceitavam vender HQs, tudo por conta própria.</p>
<p style="text-align: justify">Hoje, porém, publicar não é mais um fantasma. As editoras estão bem abertas aos quadrinhos, assim como as livrarias. O grande desafio agora do quadrinhista é viver somente da sua arte. Costumo dizer que viramos gente grande, com as benesses e os problemas de adulto. Assim como um escritor, o quadrinhista tem espaço de destaque na livraria, mas vai ter que conciliar outros trabalhos em paralelo para viver.</p>
<p style="text-align: justify">Mas o cenário é fabuloso se compararmos com sete, oito anos atrás. Temos espaço generoso nas livrarias, na mídia, várias editoras especializadas em HQs. E, o que considero ainda mais interessante: as ediToras em geral estão abertas a uma HQ que se encaixe em sua linha editorial. Fiz uma adaptação para HQ do poema A Cacheira de Paulo Afonso, de Castro Alves, e quem publicou não foi uma editora de quadrinhos. Foi a Pallas, especializada em cultura afro-brasileira. Isso é uma prova da maturidade das HQs no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/Morro.da_.Favela.Andr%C3%A9.Diniz_.e.Maur%C3%ADcio.Hora_.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-12383" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/Morro.da_.Favela.Andr%C3%A9.Diniz_.e.Maur%C3%ADcio.Hora_.jpg" alt="" width="200" height="288" /></a>02 &#8211; Você trabalhou com Maurício Hora na HQ Morro da Favela, como foi essa parceria? O roteiro e a história foram construídas de maneira conjunta? As experiências do Maurício te serviram de que modo?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Fiz uma série de entrevistas com ele, gravamos horas e horas de conversa, e com base nisso fiz o roteiro e desenhei a HQ. A construção da história foi toda minha, apenas mandei a história pronta ao Maurício para que ele desse pitacos finais. Mas a história não se limita a contar a vida dele &#8211; o que por si só já seria riquíssimo. Um componente fundamental da história é a forma como ela fala da história de Maurício e de seu pai &#8211; um dos primeiros traficantes do Rio &#8211; assim como fala de quatro décadas de vida na favela, da forma menos óbvia possível. Em vez de mostrar tiroteios, por exemplo, ela mostra que Maurício não sabe arrumar seu armário até hoje, pois cresceu com a polícia entrando em sua casa e revirando suas coisas. Essas sutilezas, assim como uma forma de ver tudo de dentro e com distanciamento nas doses certas, é uma visão 100% do Maurício. As observações ricas e a forma particular com que a favela é mostrada na história, tudo isso quem me deu foi o Maurício. Então, não há como negar que ele também é autor da HQ. Sem falar nas fotos dele, no final do livro. Fotos de dentro da favela, muitas noturnas, que talvez fossem únicas até a implementação da UPP &#8211; Unidade de Polícia Pacificadora &#8211; que se deu quando o livro já estava pronto.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>03 &#8211; No início de Morro da Favela, você diz que se trata de um &#8220;romance em quadrinhos&#8221;. Quais as peculiaridades presentes na produção que o caracterizariam dessa forma?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Na verdade, quem usa esse termo é o Marcos Vinicius Faustini, que escreveu o prefácio. Particularmente, acho que quadrinhos é quadrinhos, embora eu não entre muito nessa questão de nomenclaturas. Mas é que o termo “quadrinhos”, por décadas, ficou marcado como algo mais descartável para o público infantojuvenil, ao menos na visão do grande público. Daí, há uma certa resistência de muitos &#8211; leitores e autores &#8211; de chamar pelo mesmo nome uma obra adulta, que levou três anos para ser feita. Por mim, tanto faz, o importante é que leiam!</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Orum_quilombo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-14404" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/Orum_quilombo-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>04 &#8211; Em O Quilombo Orum Aiê, você trabalha com um assunto que vem sendo gradativamente inserido nos programas de ensino escolares, mesmo nas cursos de História e Ciências Humanas e no senso comum em alguma medida, que é a História Africana ou africanidade de um modo geral. Quais os cuidados, pesquisas e potencial encontrado no trato com esse assunto?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Fui abençoado pelo destino nessa questão de quadrinhos nas escolas, pois mesmo na época em que eu me auto-publicava, na época ainda que sequer se falava em usar HQ na educação, as minhas obras já tinham, em grande parte, o mesmo ponto de partida de O Quilombo Orum Aiê: personagens fictícios em cenários históricos. Então, de uma hora pra outra, aquilo que eu queria fazer de qualquer jeito, aquilo que me dava prejuizo mas eu continuava mesmo assim, auqilo virou um filão, por ironia do destino. Então, eu faria O Quilombo Orum Aiê com ou sem mercado para escolas, pois era uma história que eu precisava contar.</p>
<p style="text-align: justify">A ideia inicial me veio quase como algo simbólico: a jornada de três jovens escravos em busca de um quilombo utópico, que eles sequer sabem de fato se existe ou não. Algo que representasse o fim da infância e a entrada na adolescência, o fim da inocência e o encontro com o mundo real, talvez a maior aventura da vida de todos nós. Aí entraram as pesquisas, para a ideia amadurecer.</p>
<p style="text-align: justify">Na fase das pesquisas, decidi inserir na história a Revolta dos Malês, a maior revolta escrava da nossa história. É durante ela que dá-se a fuga dos personagens. Descobri, também, o quanto o tema é bem mais rico do que o tradicional escravo passivo cortando cana na fazenda e dormindo na senzala. Decidi ir por outro caminho: mostrar os escravos urbanos, usar a confusão linguística de um cenário onde muitos eram recém-chegados de diferentes povos africanos, além de mostrar também os escravos que seguiam o islã, religião adotada por seus povos. Dessa forma, a ideia inicial, foi bem enriquecida pelas pesquisas. O livro foi comprado pelo governo, em 2010, para todas as bibliotecas de escolas públicas do país pelo programa PNBE.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>05 &#8211; A internet tem tornado mais fácil ou mais concorrido o trabalho de ilustrador e roteirista de quadrinhos? O que de bom e de ruim você tem experimentado nesse meio?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A internet é um antes-e-depois para os autores nacionais de quadrinhos. Através dela, passamos a ter contato com o que é feito lá fora, a trocar dicas e experiências entre autores de diversos cantos do país e do mundo, a divulgar, marcar encontros, lançamentos&#8230; Mas, principalmente, por dois motivos: foi pela internet que começamos a ter uma mídia de grande alcance que noticia e critica quadrinhos no Brasil, sem falar quando a internet é a própria mídia em si para a veiculação das HQs, especialmente tiras. Diante disso tudo, nem lembro do lado ruim!</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/diniz3.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-16524" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/diniz3-300x300.jpg" alt="" width="210" height="210" /></a>06 &#8211; Não podemos deixar de notar a similaridade entre suas ilustrações e as presentes na chamada literatura de cordel. Ela é uma de suas influências? Quais outras obras/autores influênciam o seu trabalho?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sem dúvida, junto com a arte africana. Xilogravuras em geral, não só as do cordel. São grandes paixões minhas que resumem bem a forma como consigo ver o mundo. São artes que não se “limitam” a reproduzir o mundo como ele é, elas o recriam. Nisso, também sou fascinado pelo cubismo e pelo impressionismo. Amo a distorção de formas, a economia de traços o uso livro das cores e o exagero do resultado final.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>07 &#8211; A História do Brasil é uma das recorrências de sua obra, seja através do AI-5 na ditadura civil-militar (em Ato 5), seja através da revolta de Canudos (em História do Brasil em quadrinhos). Quais tem sido suas preocupações ao retratar episódios da História do país?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Tenho claro pra mim que não sou um historiador. Sou, sim um autor que quer contar uma boa história. Porém, há uma responsabilidade, claro, principalmente ao imaginar que minhas HQs podem ser usadas em sala de aula. Mas eu sempre foco muito mais no ser humano do que nos eventos, e vem daí a minha linha de criar personagens fictícios em cenários históricos, pois posso contar a saga de um personagem meu e, como consequência, o leitor reviverá um momento único e decisivo que, mesmo tendo sido há três séculos, influi muito mais nas nossas vidas do que podemos imaginar. E é em grandes acontecimentos que o ser humano se revela, por isso acho fascinante recriar épocas e eventos passados, sem falar no prazer da pesquisa, da reconstituição.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>08 &#8211; Você tem em seu currículo obras que lidam com temas em acirrada disputa mesmo em nosso tempo, como História Mundial, História do Brasil e Filosofia. Adaptar tais produções para a linguagem dos quadrinhos encontra que barreiras? Como foi o feedback que você recebeu por essas produções?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não vejo barreiras, já que o objetivo da HQ não é substituir o livro teórico ou didático. Ela atua em paralelo, e com isso há um casamento perfeito. O estudante aprende a matéria pela forma tradicional, onde os fatos e seus agentes são ensinados a ele. Depois, pela história em quadrinhos, é a hora do aluno se envolver com o tema. Ali ele revive aquela época e aquele momento, vê como as pessoas viviam, envolve-se com o lado aventuresco ou dramático dos fatos e descobre que aqueles nomes distantes que a professora falou, na verdade eram gente de carne-e-osso, com defeitos, medos, caprichos, ambições. O quadrinho faz o aluno gostar do tema e entendê-lo melhor, aumentando o seu interesse. Sem falar na lingiagem visual, pela qual se aprende muito também. E, nisso, o quadrinho é imbatível, ao lado do cinema.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>09 &#8211; Quais foram as razões que o levaram a ser quadrinista e roteirista?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Eu já fazia as minhas primeiras HQs antes mesmo de saber ler e nunca pensei em fazer outra coisa. Se existe predestinação, eu sou um bom exemplo disso!</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10 &#8211; Você já publicou obras de forma independente, no meio digital (em sites) e por diversas editoras. Baseado na sua experiência, quais dicas você daria para novos autores (roteiristas e quadrinistas) que desejam publicar suas obras?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Ter sempre humildade, saber ouvir críticas e saber avaliá-las para o seu crescimento como artista. Claro que um vai achar pequeno demais e outro vai achar grande demais, daí cabe ao artista saber ver sua própria obra com distanciamento. Mas sempre lembrando que, assim como a nossa própria imagem no espelho, nunca conseguiremos ver sem distorção a nossa própria obra. É importantíssimo saber ouvir. Isso vale também para os elogios: mesmo que eles sejam unânimes, o artista deve sempre procurar onde melhorar e ver os elogios com certa relatividade.</p>
<p style="text-align: justify">Outra postura fundamental é diversificar-se ao máximo culturalmente. O autor, seja de cinema, de romances ou de quadrinhos, tem que ter algo a dizer. É para isso que o leitor vai comprar a sua obra. Portanto, viaje, leia jornal, assista a filmes iranianos, a desenhos da Pixar, assista a novelas, vá ao teatro, confira as exposições em cartaz, navegue na internet, leia Dostoiévski, Machado de Assis, Harry Potter, bula de remédio&#8230; Mas não seja fã de nada, ou você vai se prender a um gênero e não vai conseguir oferecer nada de novo como autor. Ah, e conheça pessoas e nunca as pré-julgue. Ouça-as abertamente. Se o taxista não puxar conversa com você, tome então a iniciativa!</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2 &#8211; Na nona arte há&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify">um mundo de possibilidades criativas.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agradece a grande atenção dada por André Diniz.</em></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para a Café Espacial (Editores: Sergio Chaves e Lídia Basoli)</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 16:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
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		<description><![CDATA[Imagine misturar em um único projeto cultural histórias em quadrinhos, música, literatura, poesia, cinema e artes em geral? Pois essa foi a idéia do projeto cultural Café Espacial encabeçado pelo editor, designer gráfico e roteirista Sergio Chaves e pela jornalista e professora de comunicação Lídia Basoli. O projeto teve inicio em outubro de 2007, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Cafedestaque.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-16338" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Cafedestaque-300x135.jpg" alt="" width="300" height="135" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Imagine misturar em um único projeto cultural histórias em quadrinhos, música, literatura, poesia, cinema e artes em geral? Pois essa foi a idéia do projeto cultural Café Espacial encabeçado pelo editor, designer gráfico e roteirista Sergio Chaves e pela jornalista e professora de comunicação Lídia Basoli. O projeto teve inicio em outubro de 2007, e nesses quatro anos já foram publicadas 10 revistas, todas de forma independente. A dedicação e o amor ao trabalho rendeu três troféus HQMIX como melhor publicação independente. E é com amor ao que fazem, que Sergio Chaves e Lídia Basoli cederam uma deliciosa e espacial entrevista ao Meia Palavra.<span id="more-16322"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Como surgiu a ideia para o início da Revista Café Espacial?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Surgiu com nossa parceria no fanzine Justiça Eterna (1999/2008), em meados de 2005. Nossas ideias se ampliaram tanto a cada edição do fanzine que projetamos a Revista Café Espacial para irmos mais além. Isso era no início de 2007.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. Quais as dificuldades da publicação independente?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Vários fatores no mercado editorial não são simples ou fáceis &#8211; seja antes, durante ou depois de conceber uma publicação. Mas acredito que o principal desafio é o modo de distribuição. Temos conseguido bons resultados, mas ainda há muito pela frente.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/sergio.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-16328" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/sergio-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>3. A Revista Café Espacial esteve durante os três primeiros anos vinculada ao Quarto Mundo (site que reúne publicação de quadrinhos independentes). Qual o papel desta parceria para o desenvolvimento da Café Espacial? E por que vocês se desvincularam do Quarto Mundo?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A Café Espacial e o coletivo Quarto Mundo surgiram em outubro de 2007. Essa rede colaborativa foi muito importante, pois a troca de experiências entre seus membros sempre foi um dos alicerces do coletivo, a meu ver.</p>
<p style="text-align: justify">Foi muito bom ter participado do Quarto Mundo desde o início, mas a decisão de nos desvincularmos do coletivo foi tomada para que pudéssemos nos dedicar exclusivamente aos projetos editoriais da Café Espacial, que se ampliou para outros caminhos e atividades culturais e artísticas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Existe resistência ou preconceito por parte da mídia, livrarias e público para com as publicações independentes?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Creio que não. Pelo menos nunca presenciamos ou sofremos nada do tipo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5. Na Revista os quadrinhos dividem espaço com outros tipos de arte, como literatura, fotografia, poesia, música e teatro. Qual o intuito da Café Espacial ao promover em seu conteúdo um MIX de expressões artísticas?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Desde o início a proposta da Café Espacial é justamente essa: juntar um monte de coisas bacanas em um mesmo lugar. Como temos espaço para isso, quisemos ampliar com novas propostas artísticas. Esse tem sido um caminho totalmente determinado.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/lidia.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-16329" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/lidia-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>6. Quando a Revista Café Espacial é montada e editada, há a preocupação de que as diferentes expressões de arte que compõem o seu conteúdo conversem entre si? Ou a indepêndencia das matérias é possível?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sim, apesar da Café Espacial não ser temática, onde nenhuma das edições não tiveram um tema pré-definido, sempre procuramos criar uma linha coerente a cada número, dosando cada arte para potencializar o resultado final da publicação.</p>
<p style="text-align: justify">A intenção sempre é criar uma unidade homogênea, se analisarmos a edição como um todo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><br />
7. Quais são suas principais influências em quadrinhos? E artísticas?</strong></p>
<p style="text-align: justify">As influências são muitas, e diferentes no caso, porque veja bem, editamos a revista em duas pessoas e contamos com muitos colaboradores, das mais diversas áreas. Sendo assim, na Café Espacial podemos reconhecer muitas influências.</p>
<p style="text-align: justify">Podemos falar que gostamos de trabalhos bem-feitos, que se destaquem. Revistas bem feitas na questão editorial e conteúdo como a extinta Animal (da VHD Diffusion), a Bravo!, a Caros Amigos, a Trip, a Cult, entre outras, foram algumas das influências diretas que tivemos. Influências para quadrinhos, são várias, como Love and Rockets, Mafalda, Calvin e Haroldo, Charlie Brown e sua turma, Daniel Clowes, Flavio Colin, André Diniz, Mutarelli e muitos dos trabalhos independentes que estão crescendo com todo vapor. Tudo o que vivenciamos influenciam de algum modo, na verdade.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Revista.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-16331" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/12/Revista-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>8. Costumeiramente, aqui no Brasil, os quadrinhos são ainda vistos como produções voltadas para um público infantil, ocupando pouco espaço em livrarias e no catálogo de editoras nacionais. Porém, nos últimos anos a produção brasileira vem crescendo sensivelmente, assim como mais títulos sendo traduzidos para o nosso mercado. Como vocês enxergam o mercado de quadrinhos para os próximos anos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Vemos com bons olhos. A perspectiva é das melhores, o que não significa que será algo simples ou fácil, claro. Mas vemos que tudo está caminhando para a solidificação de um mercado mais interessante e à altura dos profissionais da área.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><br />
9. Além de editar a revista, vocês (Sergio Chaves e Lídia Basoli) escrevem roteiros de HQ’s, contos literários e matérias para a revista. O que é mais prazeroso – editar ou compor um roteiro/conto?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Talvez seja meio piegas dizer isso, mas editar uma publicação (pensar, repensar e definir seu conteúdo, ponderar qual o melhor caminho a seguir diante de tantas possiblidades e muitos outros fatores envolvidos em editoração) é tão prazeroso quanto sentar diante de um papel (ou um arquivo, que seja) em branco para criar uma nova história. Cada qual tem sua importância, sua forma e exigência organizacional.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. Nesse último ano a Revista cresceu, participando de eventos na Bolívia, sendo indicada a um prêmio na França, ganhando pela terceira vez o prêmio HQMix além de disponibilizar sua publicação em pontos de venda em países como Portugal, Argentina, Bolívia, França e também na Livraria Cultura. O que podemos esperar da Café Espacial em 2012? Vocês podem nos adiantar alguns planos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Temos traçados alguns planos para 2012 e 2013 para a Café Espacial, mas só divulgaremos assim que tivermos algo consistente e data certa de lançamentos. Melhor, pois alguns deles dependem além da nossa vontade (e as ideias são muitas). Mas estamos trabalhando para apresentarmos boas novas em breve.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2. Um café espacial contém&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify">&#8230;ingredientes que cabe ao leitor saborear para desvendar.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agradece a grande atenção dada por Sergio Chaves e Lídia Basoli.</em></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para DW Ribatski</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 16:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[DW Ribatski ou DW RBTZK, também é conhecido como Darlan Willian Ribaski. Nasceu em Curitiba no ano de 1982 e mora atualmente em São Paulo. Darlan é músico, produtor, educador, ilustrador, publicitário, designer e cartunista. Com esse currículo invejável ele intitula-se um Artista Plástico, afinal, como ele mesmo diz: &#8220;meu maior interesse na vida é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-15508" style="border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI-300x292.jpg" alt="" width="300" height="292" /></a><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DWRIBATSKI.jpg"><br />
</a>DW Ribatski ou DW RBTZK, também é conhecido como Darlan Willian Ribaski. Nasceu em Curitiba no ano de 1982 e mora atualmente em São Paulo. Darlan é músico, produtor, educador, ilustrador, publicitário, designer e cartunista. Com esse currículo invejável ele intitula-se um Artista Plástico, afinal, como ele mesmo diz: &#8220;meu maior interesse na vida é arte, seguido viagens, garotas e a vontade de colaborar com o mundo de alguma forma&#8221;. E é com esse jeito descontraído que o artista e quadrinista DW Ribatski nos cedeu uma entrevista leve, sincera e interessantíssima.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-15504"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Como foi seu primeiro contato com os quadrinhos? Quando você decidiu, ou descobriu, que seria quadrinista?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Meus primeiros contatos foram porque meus pais me davam muitos quadrinhos. Meu pai tinha uma espécie de prazer em me dá-los, mesmo ele não lendo, um mistério pra mim até hoje. Minha mãe gostava de mudar as histórias, lia pra mim a versão dela de livros e quadrinhos. Eu fazia quadrinhos desde antes de saber ler, primeiro tirinhas e aos 7 anos fiz meu primeiro &#8220;gibi&#8221;. Tenho boa parte desse material até hoje.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. Qual a importância dos fanzines na sua carreira?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Muito grande. Eu passava tardes e tardes desenhando quadrinhos no meu quarto, em formato de revistinha, mas sempre cópias únicas. Até que um amigo do colégio um dia trouxe uma fotocópia de uns quadrinhos que ele tinha feito e eu quis muito fazer igual. Daí comecei a xerocar os meus e tentar vender pros amigos. Mais tarde conheci algumas pessoas que também gostavam da brincadeira de editar e fiz pelo menos 100 fanzines diferentes. Eu não era muito dessa turma que enviava pelo correio, tinha preguiça, mas costumava (tentar) vender em bares. Fiz fanzines compulsivamente junto a amigos que frequentavam a Gibiteca de Curitiba (ainda tem muitos zines meus lá) e fiquei super inspirado ao ver que as primeiras publicações do Adrian Tomine eram super bem cuidadas. Acho que adquiri esse desejo, de sempre tentar ir além da expectativa (da minha principalmente). O Guilherme Caldas, com quem trabalhei um tempo também tinha fanzines muito legais, inspiradores.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. O que acha da mistura da linguagem da HQ com a do teatro, como Paulo Biscaia costuma fazer em suas peças, como Morgue Story?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Acho bacana. Acho que em algum caso poderia ser uma idéia péssima. Muita gente curte meter o bico em coisas que não conhece e sai aquela coisa boba, pra público de novela. Tenho muita preguiça. Não é o caso do Paulo. Saquei desde sempre nossas afinidades por uma área, na qual ele é expert, que é aquela onde a coisa pop encontra algo mais profundo, mas sem deixar de lado o cinismo, não exclusivo, mas típico do séc. XX pra cá. Acho importante.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Quais são suas maiores influências dos quadrinhos? E de outras expressões de arte?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Quadrinhos atualmente eu diria, acredite ou não, não estou puxando o saco, são alguns amigos como Rafa Coutinho, Diego Gerlach, Gabriel Góes, André Ducci, Allan Ledo, Rafael Silveira, José Aguiar, Guilherme Caldas, ElCerdo, Mateus Aciolli, Laura Teixeira, Kitagawa, DSalete, os gêmeos Moon e Bá (achava eles &#8220;médio&#8221; até ler o Daytripper, que achei uma obra prima, desculpem aí moleques, caso leiam, mas é a verdade, rs) e tantos outros que vou começar a lembrar tão logo envie este e-mail. Bem, tem os mestres também, que acabaram se tornando amigos, pra minha honra total, Zimbres, Jaca, Mutarelli, Laerte. Sempre fui bem ligado em &#8220;ídolos locais&#8221; e, no meio desse fascínio demorei pra perceber que eles são muito menos reconhecidos do que eu achava (Muta ficou mais famoso por causa dos livros, claro). É como se todo mundo fosse cego, não percebendo que tem alguns dos maiores gênios da história do Brasil vivos e produzindo (vou citar o Zimbres e Jaca aqui como exemplo), heheh, será que foi nisso que o Saramago pensou? (&#8230;) Eu diria que minhas maiores influências de fora do Brasil são o Muñoz, o Schultz, o Crumb, o Pettibon, o pessoal da Fantagraphics e Drawn and Quaterly, o pessoal da Krammers Ergott. Na literatura curto muito a Lispector, o Kafka, o Cortázar, o Joseph Campbell, os Beatniks. Cinema e música, putz, muita coisa, deixa pra lá, haha.</p>
<div id="attachment_15553" class="wp-caption alignright" style="width: 222px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DW.jpg" target="_blank"><img class="size-medium wp-image-15553" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/DW-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem da nova HQ autobiográfica (Clique para aumentar)</p></div>
<p style="text-align: justify"><strong>5. Você atua na música, quadrinhos, design e animação. Qual dessas produções artítisticas é a mais prazerosa? E por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, acho que todas em seu momento. Tive um momento forte ligado a quadrinhos que achei que tinha desaparecido. Fiquei anos só pensando em música e agora, sei lá, 6 anos depois, os quadrinhos voltaram à minha mente. Acho que um pouco porque o mundo da música é muito disputado, e na minha opinião, rola muita briga, rixa&#8230; Me parece que os quadrinhos por serem uma coisa um pouco mais nova, ainda não deu tempo de aparecer essas coisas, é todo mundo muito amigo e admirador do trabalho um do outro. Não sei muito de quadrinistas que se odeiam, etc. Até eu que não leio super heróis sou amigo do Marcelo Campos e também não sendo muito fã de tiras admiro muito algumas pessoas específicas (citando a nova geração, o Lafayette, por ex). O que eu não suporto, confesso, são cartuns e caricaturas. Nada contra as pessoas e desculpe se sou um canalha, mas não gosto, pronto.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. Além das artes, você ministra cursos sobre quadrinhos. Como é o seu trabalho como educador?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, entrei na faculdade de artes e no primeiro dia de aula um professor falou: &#8220;vocês sabem que estão num curso de licenciatura, né?&#8221;, todo mundo concordou e eu fiquei pensando: &#8220;o que é &#8216;licenciatura&#8217; mesmo?&#8221;<br />
rs. Mas depois isso meio que acabou virando uma missão pra mim. Até porque trabalhei bastante em comunidades carentes e quando não são a nuvem de gafanhotos do apocalipse, os jovens são muito empolgados e dedicados. Isso me fez descobrir algo que eu não conhecia em mim. Prazer em repassar algo que eu &#8220;saiba&#8221;. Essas aspas estão aí, clichê ou não, porque aprendo muito muito mesmo ao ensinar. Sobre o meu trabalho e sobre formas de abrir as possibilidades dele. As pessoas olham pras coisas de jeitos muito diferentes e isso é muito legal. Fico imaginando que quem tem &#8220;crise de criatividade&#8221; não se abre pra essas trocas. Hoje em dia não trabalho mais nesses projetos sociais, por mais que gostaria de ter tempo um dia pra isso de novo. Mas esse outro lado de iniciar as pessoas no mundo dos quadrinhos autorais é algo que pra mim tem também um efeito social, por mais que de outro modo, e ao mesmo tempo ajuda minha área profissional artística a crescer: disseminar pensamento crítico e boas referências.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Você está produzindo junto com o escritor Emilio Fraia a graphic novel “Campo em Branco”, que será publicada pela Companhia das Letras. Como é a composição de um trabalho que une a literatura aos quadrinhos? O Emilio escreve o texto e te passa para fazer as imagens, ou o trabalho funciona melhor se feito em conjunto?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pois é, este trabalho já teve várias fases. Tivemos que aprender qual o melhor processo, e a cada semestre, digamos, ele se modifica naturalmente. O mais importante foi aprendermos a parar de xingar a mãe um do outro. Não sei se diria que este trabalho é literatura + quadrinhos, por mais que seja deste ambiente que o Emilio veio, eu acho que é um trabalho de quadrinhos. Procuramos aproveitar as propriedades da linguagem, criar algo que se virar, por exemplo, um filme ou se fosse adaptado para um livro ficaria naturalmente diferente, como uma adaptação tem que ser pra não ser simplesmente uma &#8220;simplificadora de linguagem&#8221;. O Emilio escreve de um modo que não é o meu, mas que eu gosto muito. Pra mim essa experiência tem sido muito interessante por isso. Se eu tivesse que trabalhar com alguém de cujo texto eu não gostasse ou que quisesse que eu trabalhasse uma linguagem muito naturalista, acho que não daria certo. Gosto de cortes bruscos e quase sempre, de pouca repetição de cenas. Não quero fazer &#8216;animações estáticas&#8217;, então o texto tem que se adaptar a esta forma de trabalho. É uma coisa dinâmica, sem muito &#8220;tempo&#8221;. Gosto de ter imagens que resumem/sugerem uma sequência e não desenhar a sequência. Gosto de confusão, rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. Em uma entrevista ao programa Entre Linhas você afirma que os quadrinhos possuem uma linguagem própria. Como podemos definir os quadrinhos como linguagem artística?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sim, acho que se trata exatamente disso. Ao trabalhar com quadrinhos tem que se ter em mente: quadrinhos não são filmes de quem não tem dinheiro/equipe pra fazer um. Não são livros pra pessoas que precisam de desenhos pra entender. Não são animações estáticas e não são contos ilustrados. Se você conseguir encontrar algo que não seja nenhuma dessas coisas, você estará fazendo quadrinhos. Mas claro, grosso modo. Existem obras ótimas, como Watchmen, por exemplo, que são super cinematográficas. Estou sendo propositalmente purista, rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. Recentemente o uso de tiras e histórias em quadrinhos no Enem gerou discussão a respeito de uma suposta &#8216;supervalorização&#8217; dos quadrinhos em detrimento da literatura. O que você pensa sobre essa conflituosa relação entre literatura e quadrinhos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não sei bem o que pensar. Acho só que se é pra criterizar que tipo de texto é &#8220;mais inteligente&#8221; porque não temos textos mais subjetivos no vestibular? Põe um texto do Joyce, põe Lispector&#8230; Põe textos medievais, põe textos indianos direto do sânscrito, mesopotâmicos, sumérios&#8230; Sei lá. Acho a educação no Brasil toda errada. O incentivo aos quadrinhos na infância e juvenilidade seria um modo de aumentar a capacidade do cérebro das pessoas antes que seja tarde. rs.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. Como você enxerga as 400 mil cópias vendidas em uma única edição da Turma da Mônica Jovem em comparação com as vendas, ainda pequenas, das HQs para adultos?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Normal. Já achei antigamente que Mônica era um &#8220;inimigo&#8221;. Mas sei lá, quem faz o mundo são as pessoas. E se Mônica fosse igual à dos anos 70 e 80 eu ainda leria!<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2. Se sobre a sua cabeça houvesse um balão, ele diria&#8230; </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong></strong>&#8220;calaboca DW&#8221;</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agradece a grande atenção dada por DW Ribatski.</em></p>
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		<title>10 perguntas e meia para Hervé Bourhis</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 17:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hervé Bourhis, autor de histórias em quadrinhos, nasceu em Touraine em 1974 e mora em Bordeaux (França). Apesar de ser mais conhecido pelo Pequeno Livro do Rock, ele atua como roteirista e ilustrador de quadrinhos desde 2002, e é autor de vários álbuns, a maior parte dedicada ao público jovem, revisitando heróis da Marvel e, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/Hervé.jpg"><img class="size-medium wp-image-14662 alignleft" style="margin: 5px; border: 0pt none;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/Hervé-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Hervé Bourhis, autor de histórias em quadrinhos, nasceu em Touraine em 1974 e mora em Bordeaux (França). Apesar de ser mais conhecido pelo Pequeno Livro do Rock, ele atua como roteirista e ilustrador de quadrinhos desde 2002, e é autor de vários álbuns, a maior parte dedicada ao público jovem, revisitando heróis da Marvel e, com Rudy Spiessert, a Guerra nas Estrelas com a obra<em> &#8220;Naguère les étoiles&#8221;</em>.  Hervé Bourhis recebeu em 2002 o Prêmio Goscinny pelo álbum <em>Thomas ou le retour du Tabou, </em> e em 2010 o prêmio Jacques Lob pelo conjunto de sua obra.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="text-align: justify;">Além do <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/01/o-pequeno-livro-do-rock-herve-bourhis/">Pequeno Livro do Rock</a> e do Pequeno Livro dos Beatles, traduzidos para o português e editados pela Conrad, Hervé é autor e/ou roteirista de: <em>Le Petit livre de la cinquième République</em> (nov. 2011), <em>Le Stéréo club</em> ( 2004-2009) pela Editora Dargaud; <em>Comix remix</em> (2005-2007), <em>Un enterrement de vie de jeune fille</em> (2008), <em>Piscine Molitor</em> (2009), <em>Hélas</em> (2010),<em> Ingmar</em> (4 tomes) 2006-2010 pela editora Dupuis; <em>La main verte</em> (2009) e <em>Apelle-moi</em> <em>Ferdinand</em> (2009) pela editora Futuropolis; <em>Naguère les étoiles</em> (2010-2011) pela editora Delcourt e T<em>homas ou le retour du Tabou</em> (2002) pela editora Les Humanoïdes Associés.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="text-align: justify;">Super carismático e falante, Hervé concedeu esta entrevista ao nosso colaborador <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/tuca/">Tuca</a> durante a Gibicon de Curitiba, antes e depois de sua sessão de dedicatórias, e respondeu não 10, mas ONZE perguntas e meia. Segue a conversa,  Os créditos de tradução são de <em>Kika, e <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/tuca/">Tuca</a>.</em></div>
<div style="text-align: justify;"><span id="more-14510"></span></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>1. Você já tinha vindo ao Brasil?</strong></div>
<p style="text-align: justify;">Sim, mas não antes do “Pequeno Livro”. Eu vim pela primeira vez em dezembro do ano passado, para São Paulo, para um evento que se chamava, eu acho, “ As 24 horas de Cultura”, na Livraria Cultura. Eu vim participar de um debate, uma discussão como aqui (Gibicon), e também autógrafos, enfim. Eu fiquei apenas 3 dias, logo muito pouco tempo para&#8230; eu sei lá&#8230; Eu pude visitar um pouco São Paulo, porque tenho uma amiga que mora lá, a tradutora do “Pequeno Livro do Rock”, e que me levou para visitar os jornalistas em São Paulo e me fez conhecer um pouco a cidade. Mas eu queria voltar, logo estou contente de ter vindo, e de conhecer uma nova cidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. O que você achou de Curitiba?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Então, eu não vi grande coisa aqui. Eu acabei de voltar do Museu Oscar Niemeyer, ele é muito bonito, e de um arquiteto de quem eu gosto bastante e faz muito tempo, logo eu fiquei feliz de conhecer este museu. Eu achei a cidade bonita, e me parece mais calma que São Paulo (risos)&#8230; Menos louca. Mas bom, eu cheguei há 24 horas, logo estou aqui há apenas um dia. Eu achei legal, mas eu não conheci bem. As pessoas são simpáticas e o festival é agradável.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Você fala no “Pequeno Livro do Rock” sobre a música Brasileira (Bossa Nova, Sepultura, Mutantes). Você já conhecia? Foi apenas para a edição brasileira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bom, na verdade eu não falei da música brasileira apenas para a versão brasileira, eu a escuto faz bastante tempo, não sou ainda um especialista, mas eu escutei bastante Bossa Nova por um período e depois eu conheci o movimento Tropicalista, com Mutantes e Caetano Veloso, e então, depois conheci grupos de que gostei bastante, como CSS, Sepultura&#8230; Eu quis falar disso (no livro) por que é um movimento forte do qual eu gosto bastante. Por outro lado, eu acho que foi porque eu falei disso que o editor brasileiro se interessou pelo livro. Ele gostava bastante de Rock, para início de conversa, mas quando viu que eu falei de música brasileira, ele se surpreendeu, isto o agradou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. E a música francesa, o Rock Francês. Será que você poderia nos indicar alguém?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Então, o Rock francês do jeito que está não é&#8230;. não é muito bom na verdade (risos). A França gosta mais de Jazz na verdade, ou de Hip Hop, música eletrônica, como Daft Punk ou então de Pop francês. O Rock, como tal, poderia dizer que nunca tivemos grupos verdadeiramente bons e que quisessem se tornar internacionais porque&#8230; bom, são franceses demais. Este é sempre um problema para o Rock Francês. Isso é apenas a minha opinião, hein? Vai ter gente que vai dizer o contrário, mas eu acho (faz cara de quem não curte muito). Por outro lado o Pop francês, principalmente nos anos 60, têm um monte de artistas ótimos, como Serge Gainsbourg, ou Jacques Dutronc, ou Michel Polnareff.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. Quais são os materiais com os quais você prefere trabalhar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu trabalho com pincel, pincel e nanquim, na verdade. Eu gosto bastante, para este tipo de livro, de desenhar diretamente com o pincel a partir de fotos – ou não, também. Mas sem lápis embaixo, para preparar o desenho. Eu pinto diretamente com o pincel, acho que não é a mesma coisa, é mais livre, espontâneo. Todos os desenhos que estão nos livros, na verdade são desenhos em papel A4 que são depois digitalizados e montados no Photoshop. As páginas (do livro) na verdade não existem, são desenhos e depois uma montagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. Por que o Rock é um sujeito tão apaixonante para você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como assim? Não faço a mínima idéia (risos). Eu acho que há várias maneiras de falar de sua paixão. Ou se toma uma certa distância e se fala um pouco como um trabalho acadêmico, que pode ser bem objetivo, mas que serve a um certo meio, e eu acho que não funciona para o Rock, que não deve ser analisado como um outro sujeito acadêmico. Ele deve ser algo de espontâneo, justamente de entusiasta, logo eu queria que os leitores sentissem esse entusiasmo nos meus desenhos e no meu jeito de escrever. Eu não queria um livro morno. Como sou um apaixonado por isso, queria demonstrar minha paixão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. Você fala de “Alta Fidelidade” no seu livro. Você se inspirou em Nick Hornby?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nick Hornby é um autor de quem gosto bastante.. AH SIM, por causa das listas (risos). Sim, para as listas sim. Mas para escrever, as pessoas que mais me influenciaram eu acho que foram Nick Tosches, um escritor americano que escreve sobre o Rock faz 40 anos e que possui um tom cotidiano, Lester Bangs que é um crítico de Rock&#8230; Esses são críticos de Rock que escrevem com grande qualidade literária&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. Como foi trabalhar com um editor com idéias tão diferentes das suas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bom, ele conheceu o projeto em sua origem, então ele sabia que eu falaria do que eu curto e daria minha opinião. Ele me respeitou desde o início. Depois discutíamos, ríamos, não concordávamos em muita coisa, mas ele não me fez mudar nada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. Como você escolheu o formato do “Pequeno Livro do Rock” (e dos Beatles) – (eles foram originalmente publicados no tamannho exato de um LP 45 rotações)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No início ele sairia num formato romance, padrão. Eu tinha esta ideia, mas não ousava pedir, porque para o editor isso queria dizer um livro mais caro, pois não é um formato padrão, logo não falei nada, achei que seria impossível, faria subir o preço do livro também. E isso não é interessante para os leitores, já que quanto mais caro menos pessoas compram e isso não era interessante para mim também. Por isso eu não quis pedir, mas assim que comecei a primeira página, o diretor artístico da editora Dargaud me disse: “Então, você não gostaria de fazer num formato quadrado? Nós poderíamos fazer no formato de um 45 rotações.” Logo, acabou vindo da editora (a sugestão), eu não ousei pedir. E tem até o buraquinho! No início faríamos no formato do disco mesmo (redondo), mas aí sim ficaria caro demais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. Havia a intenção de se tornar internacional com esse livro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ah não, de jeito nenhum! Eu, antes de ter um editor, eu o propus para todo mundo, e ninguém quis. E eu o apresentei para pequenos editores independentes, para os grandes editores. E Dargaud – Dargaud é minha editora na França, é bem grande , uma das maiores da Europa – com quem eu já fiz alguns livros, mas a quem eu não ousava apresentar, porque sabia que diriam não! E finalmente, quando não encontrei ninguém que quisesse editá-lo, eu o enviei para a Dargaud, e eles me ligaram logo em seguida porque queriam editá-lo (risos). Este livro, no início, foi feito para mim. Eu nunca pensei que se tornaria internacional, nunca, nunca, nunca, nunca. E quando me disseram que sairia em outros países eu&#8230; No início foi na Europa, primeiro na Itália, em seguida na Alemanha e eu fiquei bastante surpreso, pois meus outros livros não foram traduzidos, e depois está aqui no Brasil e então&#8230; é inacreditável. E longe! Depois ele saiu na Holanda e agora estão traduzindo para a China, Inglaterra, Taiwan&#8230; enfim.. é inacreditável.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>11. A referência final da batalha Stones x Beatles no “Pequeno Livro dos Beatles” é uma indicação de um novo livro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não, não, não, não&#8230; Eu achei que não tinha falado o suficiente de Rolling Stones que é um outro grupo importante, e quis terminar o “Pequeno Livro dos Beatles” deste jeito, com uma brincadeirinha, mas eu não farei outro livro sobre outro grupo, porque para fazer este tipo de livro, para ter este entusiasmo, esta paixão, você deve adorar o sujeito do qual se fala, e eu adoro os Beatles, eu conheço desde sempre, mas os Rolling Stones eu só gosto bastante, não é a mesma coisa. E eu não sou obcecado pelo assunto. Já dos Beatles eu compro tudo que vejo pela frente desde os 14 anos. Eu tenho todos os discos dos Stones, mas apenas uns 3 livros, alguns DVDs, nem se compara. Então não seria honesto de minha parte. De todo modo, eu poderia falar de um disco ruim do Ringo Starr porque é engraçado e porque todo mundo concorda que ele foi ruim, mas os Rolling Stones fizeram discos ruins nos anos 80 e 90 e&#8230; ah sim, é isso! Na fase solo dos Beatles há um período bem ruim nos anos 80 e depois George Harrison fez um bom disco no final dos anos 80, Paul McCartney voltou a fazer bons discos nos anos 2000, principalmente em 2005; mas os Rolling Stones, para mim, tem um momento em que começaram a ficar ruim e nunca mais voltaram. Com certeza ainda fazem ótimos shows, mas os discos continuam ruins, logo o que eu gosto nos Beatles é que eles caíram sim, mas depois voltaram a subir, com super shows de McCartney e bons discos, mas os Stones não. E seria um fim terrível (para um livro). Seriam 30 páginas de coisas ruins e shows ruins, brigas envolvendo o Keith Richards&#8230;seria muito triste, e impossível para mim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>½ O Rock é&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tem um monte de gente que diz que o Rock está morto, então eu acho que vou dizer que o Rock é um morto-vivo, como um zumbi. Regularmente ele sai de sua tumba e depois volta à moda, então é um morto-vivo. (risos).</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem preferir, segue a transcrição da entrevista, no idioma original:</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>1. Est-ce que tu étais déjà venu au Brésil?</strong></em><em>R. Oui, mais pas avant &#8220;Le Petit Livre&#8221;. J&#8217;y suis venu pour la première fois en Decembre dernier, à São Paulo, pour un événement qui s&#8217;appelait , je crois, &#8220;les 24h de la culture&#8221; pour le Magasin Cultura. J&#8217;y suis venu faire un débat, une discussion comme ici et puis j&#8217;ai fait le dédicaces, enfin. J&#8217;y suis resté seulement 3 jours, donc c&#8217;est tellement trop court pour&#8230; je sais pas&#8230;J&#8217;ai pu visiter un petit peu São Paulo parce que j&#8217;ai une amie qui habite là bàs, qui est la traductrice du Petit Livre Rock et qui m&#8217;a fait visiter des jounalistes à São Paulo et qui m&#8217;a fait visiter un peu la ville, Mais je voulais revenir, donc je suis content d&#8217;avoir revenu, et de découvrir une autre ville.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>2. Qu&#8217;est-ce que tu penses de Curitiba?</strong></em><br />
<em>R. Alors j&#8217;ai pas vu grand chose là, je reviens du Musée Niemeyer, il est super beau, et c&#8217;est un architecte que j&#8217;aime beaucoup et depuis longtemps, donc j&#8217;étais content pour voir ça, et je pense qu&#8217;elle est jolie et ça me semble plus calme que São Paulo (risos de todo mundo)&#8230; moins fou. Mais bon, j&#8217;y suis arrivé à 24h de ce tard, donc ça fait une journée que je suis ici donc,je trouve la bien, mais je ne la connais pas bien, mais les gens sont sympathiques et Le festival est agréable</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>3. Vous avez écrit dans le Petit Livre Rock sur la musique brésilienne (Bossa Nova, Sepultura, Mutantes). C&#8217;était juste pour l&#8217;édition brésilienne?</strong></em><br />
<em>R. h oui, Oui c&#8217;est ça, si je la connaissais avant, oui, ben, en fait j&#8217;ai pas parlé la musique brésilienne pour la version brésilienne &#8211; ah bon on était là, voilà &#8211; ah non, je l&#8217;écoute depuis longtemps, je suis pas vraiment un spécialiste encore, mais j&#8217;ai écouté beaucoup beaucoup de Bossa Nova une période et puis après j&#8217;ai découvert le mouvement Tropicaliste avec Mutantes et Caetano Veloso, (Tuca fala; J&#8217;aime beaucoup/ Hervé diz: et moi aussi) et donc&#8230; et puis après ce vrai que j&#8217;ai des groupes que j&#8217;ai bien aimé comme CSS ou Sepultura comme Verve(bla)&#8230;et voilà donc, je voulais en parler parce que c&#8217;est de le morceux plus fort que j’aime bienl que j&#8217;aime bien et la musique aussi . Je pense que par contre c&#8217;est parce que j&#8217;ai parlé de ça que l&#8217;éditeur brésilien était intéressé par le livre. Il aimait bien le Rock dans le principe, mais quand il a vu ça ça l&#8217;a surpris donc ça y est, il l’a plu quoi.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>4. Et la musique française, le Rock français. Est&#8217;ce que tu as quelq&#8217;un pour nous conseiller?</strong></em><br />
<em>R.Alors le Rock français autant que tel n&#8217;est&#8230; c&#8217;est pas très bon en fait (rs) . On est, on est. La France aime plus le Jazz en fait, ou le Hip Hop, ou le musique életronique comme Daft Punk euh, ou alors la Pop française. Le Rock au tant que tel autant que ça on va dire que l&#8217;on n&#8217;a jamais eu vraiment des très bons groupes et qui ne veux pas marcher à l&#8217;international parce que.. , sont trop français, c&#8217;est toujour un problème avec le Rock français. Après, moi, c&#8217;est mon avis han, Y aura de gens qui vont vous dire le contraire mais mois je trouve (ouf.. faz cara de quem não curte muito). Par contre la Pop française, notamment dans les années 60, il y a eu plein des supers artistes, Serge Gainsbourg ou Jacques Dutronc ou Michel Polnareff</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>5. Quels sont les materiaux qui tu prefères travailler avec?</strong></em><br />
<em>R. Euh, je travaille au pinceau, au pinceau et l&#8217;encre de Chine en fait. Ce qui j&#8217;aime bien pour ce genre de livre est de déssiner directement en pinceau, d&#8217;après des photos &#8211; ou pas, d&#8217;ailleurs, mais sans crayon au dessous, pour préparer le déssin. Jje peins directement au pinceau, je pense que c&#8217;est pas pareil, c&#8217;est plus libre, spontané ouais. Et ensuite en fait le tous de les cadres qui sont dans les livres, tous les petits déssin qu&#8217;on voit dans le livres, à l&#8217;origine ce sont tous des grands déssins sur le papier A4, qui sont après scanées et montés au Photoshop (olhar embasbacado dos entrevistadores). Les pages n&#8217;existent pas en fait ce sont des déssins après une montage.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>6. Tu sembles très passionant sur le sujet Rock. Pourquoi ça, pourquoi tu es si passionant? </strong></em><br />
<em>R. Comment ça? J&#8217;en sais rien (risos). Je pense qu&#8217;il y a plusieurs manières de parler sur sa passion, soit on mène distance et on parle comme un travail universitaire qui pourrais être trés pointu mais qui se prête à un milieu, et moi je pense que ça marche pas, ça fonccione pas pour le Rock, qui doit pas être analisé comme un autre sujet universitaire, ça doit rester quelque chose de spontané et justement d&#8217;enthousiaste, donc je voulais absolument qu&#8217;on ressente cet enthousiaste d&#8217;une fois dans le déssins, et dans ma façon d&#8217;écrire, et c&#8217;est pour ça que ça ressens aussi, euh, je voulais pas un livre tiède (between cold and hot, tu comprends?). Eh oui, voilà c&#8217;est parce que moi j&#8217;étais passioné pour ça que je voulais recomuniquer cette passion.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>7. Tu parles de High Fidelity dans ton livre. Est-ce que t&#8217;as été inspiré par Nick Hornby?</em></strong><br />
<em>R. Nick Hornby est un auteur que j&#8217;aime bien&#8230;.. AH OUI, pour les listes! (risos), oui, pour les listes oui. Mais sinon euh, au niveau de l&#8217;écriture les gens qui m&#8217;ont plus influencé je pense que&#8230; Nick Tosches, un écrivain américan qui écrit sur le Rock depuis 40 ans et qui a comme ça un ton souvent quotidien, Lester Bangs qui est un critic Rock&#8230; </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>8. Comment c&#8217;était travailler avec un éditeur qui avait des opinions si diferentes des tiennes?</strong></em><br />
<em>R. Non justement, il a bien presenté le projet à l&#8217;origine, donc il savait que je parlerais de ce que je kiffe et je donnerais mon avis, donc il a respecté dès ce temps là. Après on a discuté, on riait de ça, on n&#8217;était pas d&#8217;accord mais il ne m&#8217;a rien fait changer.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>9. Comment vous avez choisi le format du LIvre Rock (et Beatles)? </strong></em><br />
<em>R.  À l&#8217;origine ça sortirait dans un format roman, classique, mais Ahn, euh.. moi j&#8217;avais eu cette idée là, mais j&#8217;ai n&#8217;ai pas osé la demander, parce que pour l&#8217;éditeur ça veut dire que ça serait plus cher, parce que c&#8217;est pas un format classique, donc on n&#8217;avait pas parlé, on dirait que c&#8217;était impossible, ça allait faire monter le prix du livre aussi et c&#8217;est pas interessant pour les lecteurs, et puis si c&#8217;est cher moins de gens l&#8217;achètent et ça c&#8217;est pas interessant pour moi non plus, donc je voulais pas parler et puis j&#8217;ai commencé ma première page, le directeur artistique de chez Dargaud (editora) m&#8217;a dit: &#8220;mais , tu ne voulais pas le faire en carré? On pourrait le faire en format 45&#8242;&#8221;. C&#8217;est venu de Dargaud finalement, je n&#8217;ai pas osé de demander. Et il a même le trou (mostra o livro com a capa típica de LPs e tal). À l&#8217;origine, voilà, on voulait faire un 45&#8242; soupple (na forma do LP), mais ça serait trop cher.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>10. Il y avait l&#8217;intention de devenir international avec ce livre?</em></strong><br />
<em>R. Ah non, ah non, pas du tout! Moi, avant d&#8217;avoir un éditeur, je le proposait à tous les gens, et personne ne le voulait.Donc, j&#8217;ai demandé chez des petit éditeurs independents, des gros éditeurs. Et Dargaud &#8211; Dargaud c&#8217;est mon éditeur français han, c&#8217;est un gros gros éditeur, c&#8217;est un des plus grands de l&#8217;Europe &#8211; Avec qui j&#8217;ai déjà fait des livres, mais pareil je n&#8217;ai pas osé, parce que je savais qu&#8217;ils iraient dire non, quoi! Et finalement quand je n&#8217;ai trouvé personne qui ne le voulait, je l&#8217;ai renvoyé sur Dargaud e après ils m&#8217;ont appelé tout de suite parce qu&#8217;ils voulaient le faire. (risos). Ce livre là, à l&#8217;origine, je l&#8217;ai fait pour moi. Jamais je ne pensais que</em> <em>ça deviendrai international, jamais, jamais, jamais quoi. Er quand on m&#8217;a dit que ça allait sortir dans d&#8217;autres pays moi&#8230;D&#8217;abord ça était en Europe, le premier était L&#8217;Italie en suite c&#8217;était L&#8217;Allemagne, e donc j&#8217;etais très très surpris parce que mes autres livres n&#8217;avaient pas été traduits, e puis après il est au Brésil et donc&#8230;c&#8217;est incroyable. Puis il est loin. Et après il est sorti en Hollande et ils sont en train de traduire pour la Chine, L&#8217;Angleterre, Taiwan, enfin c&#8217;est incroyable</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em></em><strong><em>11. Est-ce que la réference final de la bataille StonesxBeatles sur le Petit Livre Beatles est une indication d&#8217;un nouveau livre? </em></strong><br />
<em>R. Non, non non non&#8230;J&#8217;ai trouvé éfectivement que j&#8217;ai parlé pas assez de Rolling Stones qui sont l&#8217;autre groupe super important et donc je voulais finir comme ça avec un clin d&#8217;oeil rigolo mais je ne ferai pas d&#8217;autre livre sur un autre groupe, parce que pour faire ce genre de livre pour avoir cet enthousiasme, cette passion, il faut adorer ce dont on parle, et moi j&#8217;adore les Beatles, je les connais depuis toujours, mais les Rolling Stones, je ne sais que les aimer beaucoup, c&#8217;est pas pareil. Et je suis pas obsédé par le sujet quoi. Et depuis que j&#8217;ai eu 14 ans j&#8217;achète tout sur les Beatles. Des Stones j&#8217;ai tous les disques mais je dois avoir que trois livres sur le sujet, quelques DVDs&#8230; C&#8217;est pas comparable. Donc ce serait pas honnête de ma part de&#8230; et puis j&#8217;ai pu parler d&#8217;un mauvais disque de Ringo Starr parce que c&#8217;est drôle et parce que tout le monde est d&#8217;accord que ça c&#8217;est mauvais mais les Rolling Stones ont fait des mauvais disques dans les années 80 et 90 et là euh,,,,ah oui si si c&#8217;est ça!, dans la phase solo des Beatles y avait une période trés mauvais dans les années 80 et puis après euh George Harrison a fait un bon disque à la fin des années 80, Paul McCartney s&#8217;est remis à faire des bons disques dans les années 2000, nottament 2005 y en a un super, mais les Rolling Stones, pour moi, il y a un moment qu&#8217;ils ont été mauvais et qui ne sont jamais revenus euh&#8230; C&#8217;est sûr qu&#8217;ils font des très bons concerts mais les disques sont restés mauvais quoi, donc ce que j&#8217;aime bien dans celui-ci bon y a sa chute mais à la ça ça remonte avec de super concerts de McCartney et des bons disques e Les Stones non. Ça resterait une fin terrible quoi! Ça resterait le 30 dernières pages avec que de mauvais trucs des mauvais concerts, des engueulades entre Keith Richards.. donc ce serait trop triste, ce serait pas possible, donc</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Demi question:  Le rock est&#8230;</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>En géneral il y a des gens qui disent que le Rock est mort&#8230;à la fin&#8230; (blabla) il y a plein des gens qui disent que le Rock est mort, donc moi je pense que je vais dire que Le Rock est mort vivant, comme un zombie. Régulierment il resors de sa tombe et puis il remonteet après il passe à la mode, donc il est mort vivant.</em></p>
<p style="text-align: justify;">A Equipe Meia Palavra gostaria de agradecer a Hervé Bourhis, por sua entrevista</p>
<p style="text-align: justify;"><em>L&#8217;Equipe Meia Palavra voudrait remercier Hervé Bourhis pour cet interview.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Edit: Quer mais? O Tuca postou esta entrevista, com extras, lá <a href="http://oleitorcomum.blogspot.com/2011/10/o-leitor-comum-entrevista-herve-bourhis.html">n&#8217;O Leitor Comum</a></p>
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		<title>10 perguntas e meia para Luciana Thomé</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 16:56:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato Gaúcho de Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Copa de Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção de Polpa]]></category>
		<category><![CDATA[Gauchão de Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciana Thomé]]></category>
		<category><![CDATA[Não Editora]]></category>
		<category><![CDATA[SportClub Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Luciana Thomé nasceu em 1977 e mora em Porto Alegre. É jornalista, webwriter e assessora de imprensa, atendendo escritores e projetos do mercado editorial no Estúdio de Conteúdo. É uma das editoras da Não Editora, e publicou contos nos três volumes da antologia Ficção de Polpa (Não Editora). Sem falar que é uma das organizadoras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img class="size-medium wp-image-13130 aligncenter" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/Lu-Thome-foto-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify">Luciana Thomé nasceu em 1977 e mora em Porto Alegre. É jornalista, webwriter e assessora de imprensa, atendendo escritores e projetos do mercado editorial no<a href="www.estudiodeconteudo.com.br"> Estúdio de Conteúdo</a>. É uma das editoras da Não Editora, e publicou contos nos três volumes da antologia Ficção de Polpa (Não Editora). Sem falar que é uma das organizadoras do Gauchão de Literatura, da Copa de Literatura e do projeto SportClub Literatura. No Twitter, é a @luthome.  Além de fazer esse monte de coisa, ela  ainda topou responder às 10 perguntas e meia.<span id="more-13021"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Você é mais escritora ou editora? Um influencia o outro na hora de</strong> <strong>escrever ou editar?</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong></strong>Acho que, mais do que escritora/editora/jornalista, sempre me considerei &#8220;escrevinhadora&#8221;. Foi escrevendo que eu comecei a trabalhar, é o que gosto de fazer, e é o que geralmente sinto necessidade de realizar depois de ler. A leitura me levou para o jornalismo. As matérias que escrevi enquanto trabalhava num grande jornal me levaram a ler mais. E lendo mais fui enxergando temas que eu gostaria de escrever, além de possibilidades de aperfeiçoar o texto de outros escritores. É quase uma vida em looping &#8211; ler e escrever sempre. Além disso, duas coisas formaram o grande divisor de águas na minha atuação profissional: trabalhar quatro anos na Casa de Cultura Mario Quintana, com o escritor e letrista Sergio Napp; e me matricular na oficina de criação literária do professor Assis Brasil na PUCRS. Depois disso o caminho estava muito claro: queria trabalhar mais e mais com literatura. Então, respondendo a pergunta, acho que o que mais influencia minhas atuais atividades são as minhas leituras. No momento de trabalhar, sou mais leitora (e isso ajuda muito, acreditem).</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. Quanto tempo você dedica para cada atividade, entre assessoria de imprensa, edição e escrita?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A organização do tempo depende muito das demandas. E elas são pontuais. Geralmente, trabalho com duas ou três assessorias de imprensa por mês para divulgar lançamentos de livros (é a área que acabei me especializando). Também atuo como jornalista freelancer, fazendo matérias para revistas e conteúdo para sites (trabalhei muito tempo como webwriter e arquiteta de informação antes da literatura). Para escrever, costumo reservar períodos de tempo sem interrupção (os finais de semana acabam sendo perfeitos). E, mesmo depois de um dia corrido, reservo no mínimo uma hora para ler à noite. Claro, tudo pode ficar embolado quando se tem duas assessorias de imprensa, três roteiros de site, organização do Gauchão de Literatura e produção do Sport Club Literatura numa mesma semana. A solução, nesses casos, é fazer listas, e ir executando as tarefas uma a uma, às vezes ocupando 12 horas por dia.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. Que leituras te incentivaram a escrever e despertaram o interesse pelo mercado editorial?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sempre tive o hábito de desbravar as bibliotecas das escolas onde estudei. Quando criança, trazia livrinhos para casa, um a cada semana. Desde sempre, tenho essa lembrança de livros na mochila. Ao crescer, passei a percorrer sozinha as prateleiras e escolher minhas próximas leituras de forma aleatória. Foi assim que li Clarice Lispector, Vinícius de Moraes, Lima Barreto. Sempre li os livros obrigatórios da escola, mas com o passar do tempo aprendi a mesclar leituras clássicas e contemporâneas. É o meu sistema atual de leitura. Depois de ler José Saramago, Carlos Heitor Cony, Truman Capote, Tosltói, Jean-Paul Sartre e Franz Kafka, decidi escrever mais profissionalmente.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Como começou a Não Editora?</strong></p>
<p style="text-align: justify">A Não Editora começou da cabeça de um não editor. Samir Machado de Machado, em 2006, organizou um projeto pessoal &#8211; a antologia Ficção de polpa. Para o primeiro volume, que foi publicado pela editora Fósforo, ele chamou colegas da oficina do Assis Brasil (foi assim que eu conheci o Samir) e outros amigos envolvidos com literatura. Como organizador, ele ficou responsável pela seleção e edição dos contos, e um grupo de voluntários se apresentou para as diferentes tarefas. Eu fui assessora de imprensa do projeto, o Rodrigo Rosp foi o revisor, o Antônio Xerxenesky ajudou a fazer contatos com escritores interessados, e o Guilherme Smee ajudou com ideias para o projeto gráfico. O lançamento foi um sucesso, e vimos que tinhamos formado um grupo multidisciplinar interessado na área editorial, que poderia atuar com qualidade e profissionalismo em todas as etapas da criação de um livro. O nome foi uma sugestão do Smee, se inspirando em Magritte. Não éramos editores ainda, éramos escritores. Então, parecia ser a denominação perfeita: nascia a Não Editora, em 2007.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5. A Não Editora tem poucos anos de vida, mas é um destaque no mercado editorial. Quais as dificuldades que vocês encontram para publicar e divulgar um novo livro?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Acho que tivemos sorte desde o início. Nossos livros foram bem recebidos pela imprensa, tanto em Porto Alegre quanto em veículos mais importantes do eixo Rio-São Paulo. Fazer a divulgação dos livros nunca foi o maior obstáculo. Acho que um dos méritos foi ter estabelecido critérios editoriais e buscar, mais do que perfis de autores, estilos de textos que gostaríamos de editar. A verdadeira batalha começa quando o assunto é comercial: vender os livros, distribuir nacionalmente, fazer nossos produtos chegarem às mãos dos leitores. Essa é a maior dificuldade de uma editora independente como a Não. A Internet ajuda muito, e foi o que fortaleceu a nossa imagem institucional. E, atualmente, temos um editor concentrado totalmente em comercialização e logística, o Gustavo Faraon.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. Há planos na Não Editora de lançarem e-books? O que você acha do formato?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sim, obviamente. Dos seis editores da Não, dois são fãs declarados de e-readers. Queremos muito apoiar o formato, porque também acreditamos que isso pode expandir nossa atuação, além de facilitar muitos dos entraves que temos atualmente (a questão de estar em Porto Alegre é um deles, por exemplo). Pela Internet, o livro pode ser entregue em qualquer lugar. Algumas negociações estão sendo ensaiadas na direção dos e-books. Mas queremos fazer isso com segurança, sentindo que podemos atuar profissionalmente nesse nicho do mercado.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Você se considera uma editora muito exigente? Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sim, mas porque sou uma leitora exigente. Tenho um defeito grave: sou incapaz de largar um livro depois de começar a lê-lo. Posso sofrer, me desesperar, mas vou até o fim. Acho que esse foi o processo doloroso que fez com que eu identificasse mais facilmente o que não gosto num texto. E, como todos que acabam frequentando oficinas literárias, não tenho pudores de dizer o que realmente acho de um texto. O objetivo é sempre fazer melhorar. Alguns autores aceitam, outros, não. Mas faz parte.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. Quais os pedidos/manuscritos mais bizarros que você já recebeu?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Recebemos, durante alguns anos, muitas coisas inusitadas na Não Editora. É fácil mandar um e-mail hoje em dia. Isso faz com que muitas vezes as pessoas até esqueçam de verificar se o livro escrito tem relação com o catálogo de determinada editora. Lançamos títulos de ficção, de autores jovens ou que tenham certos atributos mais modernos em suas narrativas. E recebemos até originais de livros espíritas. Por isso modificamos nosso modo de obter originais: agora, os editores procuram os originais, conversando com seus pares ou recebendo indicações.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. Você fez parte da organização do Campeonato Gaúcho de Literatura, na Copa de Literatura de 2011 e agora também do SportClub Literatura. Como é escolher os livros e participantes desses eventos literários? Há algum incentivo financeiro por trás deles ou são iniciativas próprias para difundir a literatura?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Sim, na minha distribuição diária de tarefas, muito tempo é reservado para esses projetos. O Gauchão de Literatura é feito em parceria com o Rodrigo Rosp (está acontecendo atualmente, seguindo até dezembro no endereço www.gauchaodeliteratura.com.br). O convite para ajudar na organização da Copa de Literatura veio do Lucas Murtinho, depois que ele foi juiz da primeira edição do Gauchão (a Copa acontece uma vez por ano, no endereço www.copadeliteratura.com.br e retorna em 2012). E o Sport Club Literatura é a minha mais recente &#8220;invenção&#8221;. Ele foi inspirado na final do Gauchão, que eu organizei para acontecer ao vivo, com um amistoso prévio entre Brasil e Argentina. Foi muito bacana, e rendeu o convite do StudioClio para tornar essa uma atividade permanente do instituto. Ela está acontecendo desde junho, e já promoveu embates como Jonathan Franzen x Roberto Bolaño, Machado de Assis x Anton Tchekhov, Dan Brown x Paulo Coelho. Vale tudo. E, sim: todos, de uma maneira ou de outra, são iniciativas para difundir a leitura. E mais: são novas formas de debater livros e de divulgar a produção contemporânea. São projetos que estão ganhando visibilidade e despertando o interesse do público, mas ainda não contam com recursos ou patrocínios. Seria um desafio tentar romper isso, no entanto, daria ainda mais qualidades para todos os projetos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. Fora os autores publicados pela Não Editora, quais outros escritores você destaca, também fora do Rio Grande do Sul?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Do Rio Grande do Sul, gosto muito de João Gilberto Noll, Altair Martins, Amilcar Bettega Barbosa, Michel Laub e Verônica Stigger, para falar da produção atual. Me surpreendi com uma recente descoberta: Menalton Braff, que é gaúcho e escreve livros há anos, mas eu nunca tinha lido. Também tenho acompanhado o trabalho de outros talentos como o pernambucano Walther Moreira Santos. Dos estrangeiros, gosto de Philip Roth, Paul Auster, Han-Ulrich Treichel, Jonathan Safran Foer, Martin Page e Enrique Vila-Matas. E dos clássicos, Ítalo Calvino, Herman Melville, Edgar Allan Poe, Georges Perec e Samuel Beckett. E paro por aqui. Porque poderia falar sobre leituras durante muito tempo. <img src='http://blog.meiapalavra.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p style="text-align: justify"><strong>10 1/2) Escrevo porque&#8230;</strong> &#8230;leio porque escrevo porque leio porque escrevo&#8230; Uma ótima maneira de se levar a vida.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agradece a atenção dada por Luciana Thomé</em></p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7923">COMENTE ESSA ENTREVISTA NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 perguntas e meia para Humberto Gessinger</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/11/10-perguntas-e-meia-para-humberto-gessinger/</link>
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		<pubDate>Mon, 11 Jul 2011 16:53:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Engenheiros do Hawaii]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto Gessinger]]></category>
		<category><![CDATA[Mapas do Acaso]]></category>
		<category><![CDATA[Pouca Vogal]]></category>
		<category><![CDATA[Pra Ser Sincero]]></category>

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		<description><![CDATA[Humberto Gessinger é vocalista, baixista, guitarrista e líder da banda Engenheiros do Hawaii, conhecida pelos hits O Papa é Pop, Piano&#8217;s Bar, Refrão de Bolero, Infinita Highway, entre outras. Escreveu três livros: Pra Ser Sincero, Meu Pequeno Gremista e o novo Mapas do Acaso, todos lançados pela Belas Letras. A banda formada em Porto Alegre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/humberto-gessinger-9.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12090" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/humberto-gessinger-9-300x297.jpg" alt="" width="300" height="297" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Humberto Gessinger é vocalista, baixista, guitarrista e líder da banda Engenheiros do Hawaii, conhecida pelos hits <em>O Papa é Pop</em>, <em>Piano&#8217;s Bar</em>, <em>Refrão de Bolero</em>, <em>Infinita Highway</em>, entre outras. Escreveu três livros: <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/16/pra-ser-sincero-humberto-gessinger/">Pra Ser Sincero</a>, Meu Pequeno Gremista</em> e o novo <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/07/05/mapas-do-acaso-humberto-gessinger/"><em>Mapas do Acaso</em></a>, todos lançados pela <strong>Belas Letras</strong>. A banda formada em Porto Alegre na década de 1980 lançou 18 álbuns e 5 DVD&#8217;s ao todo. Atualmente, Humberto trabalha com o Pouca Vogal junto com Duca Leindecker. O músico e escritor topou responder às 10 perguntas e meia, confira:</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-12089"></span><br />
<strong>1. Qual a diferença entre um livro e um canção? O que cabe em uma que não serve na outra?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Texto, música, livros, discos&#8230; são as ondas que chegam no litoral. No fundo, é o mesmo oceano. Para mim, escrever uma canção é um ato que se justifica por si só, mesmo que ninguém a ouça. Já um texto não lido me parece algo tristemente incompleto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Geralmente, muitos críticos ou especialistas tentam classificar a intenção de um autor/músico/cineasta em fazer críticas ou passar mensagens em um trabalho. Há alguma intenção nas suas letras?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nenhuma intenção consciente. Minhas músicas são como eu sou, não coloco uniforme e luvas para escrever. Se um estudante de arquitetura que não sabe nadar usa, como nome de sua banda, Engenheiros do Hawaii, deixa claro que não tá afim de ser modelo pra ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Nas músicas do Engenheiros do Hawaii podemos notar diversas referências literárias. Há algum autor em especial que você gostaria de homenagear e ainda não o tenha feito?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nunca parei para pensar se as citações são proprocionais a importância dos autores para mim. Tenho a impressão de que elas ocorrem mais por que a canção pede do que por proselitismo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. Quais escritores são seus favoritos? E bandas/músicos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há livros que foram tão importantes para mim quanto discos (Grande Sertão: Veredas, 100 Anos de Solidão, A Peste, O Estrangeiro, Lobo da Estepe), mas não tenho com escritores a mesma relação apaixonada que tenho com músicos. E, na música, meu viés sempre foi o da composição: Gil, Chico, Caetano, Dylan, Leonard Cohen, Joni Mitchell, Roger Waters&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. Em Pra Ser Sincero, você fala de alguns momentos importantes da banda e da sua vida, como as saídas de integrantes. Em algum momento você pensou em parar de vez com o Engenheiros do Hawaii por conta dessas saídas? Por quanto tempo ainda vai durar essa &#8220;pausa&#8221; na banda?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo passa pela minha cabeça. Sempre. Para mim, o mais importante, no formato, é que não crie ruídos para minhas canções. A experiência do Gessinger trio me esinou isso. Ao menos até o fim do ano, sigo só com o Pouca Vogal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. Como surgiu o Pouca Vogal? Existe alguma grande diferença para você entre subir ao palco com a banda completa e tocar só com o Lendecker?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há muito tempo eu pensava em fazer um trabalho neste formato, um power-duo. Desde o início dos 90. Demorou para achar o cara certo e para nossas agendas coincidirem. Engenheiros do Hawaii era uma banda estranha que, bem ou mal, se encaixou numa cena que já existia. No Pouca Vogal, a gente teve que inventar a própria cena, não tem ninguem fazendo o que a gente faz. É mais difícil, mas a diversão compensa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. Há alguma parceria musical que você gostaria de tentar? Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não me ocorre nada, a não se seguir&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. O que acha da inovação tecnológica ajuda (ou atrapalha) no mundo dos discos e livros?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se o artista está no comando da tecnologia, é ótimo. Piano também é um lance tecnológico. Tecnologia mecânica&#8230; Quando a tecnologia passa a ser a coisa mais importante da obra, não me sinto muito atraído. Quando, por exemplo, Radiohead lança um disco e só se fala na forma como ele foi vendido (download ou sei lá o que), é empobrecedor. O papo de economia/tecnologia tomando espaço da música.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. O que acha do cenário atual do rock no Brasil e no Mundo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho a menor idéia do que está se passando.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. Por que você não gosta de cinema? Foi um trauma de infância?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tem um tanto provocação esta minha afirmação. O que realmente acho que empobrece o ambiente é esta suposta hegemonia da linguagem audiovisual. Não é por ficar empilhando sentidos (audição, visão&#8230; daqui a pouco até cheiro vão ter os filmes) que se tem um meio mais rico do que, por exemplo uma corda de violino ou algumas letras numa folha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. 1/2 pop poupado ou pop papado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O iPad não poupa ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A equipe Meia Palavra agradece a atenção de Humberto.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7567">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 perguntas e meia para Sérgio Sant&#8217;Anna</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/27/10-perguntas-e-meia-para-sergio-santanna/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/27/10-perguntas-e-meia-para-sergio-santanna/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 16:51:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[André Sant'Anna]]></category>
		<category><![CDATA[Coleção Amores Expressos]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Ivan Sant'Anna]]></category>
		<category><![CDATA[Jabuti]]></category>
		<category><![CDATA[O Livro de Praga]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Sant'Anna]]></category>
		<category><![CDATA[Um Crime Delicado]]></category>

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		<description><![CDATA[Sérgio Sant&#8217;Anna é escritor brasileiro, conhecido por seus trabalhos O sobrevivente, Simulacros, Um crime delicado, O voo da madrugada, entre outros. Ele também escreve peças de teatro e teve trabalhos adaptados para o cinema. É pai do também escritor André Sant&#8217;Anna e irmão de Ivan Sant&#8217;Anna. Nesse ano, a Companhia das Letras lançou seu último [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Sérgio-Santanna.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-11605" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Sérgio-Santanna.jpg" alt="" width="252" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Sérgio Sant&#8217;Anna é escritor brasileiro, conhecido por seus trabalhos <em>O sobrevivente, Simulacros, Um crime delicado, O voo da madrugada</em>, entre outros. Ele também escreve peças de teatro e teve trabalhos adaptados para o cinema. É pai do também escritor André Sant&#8217;Anna e irmão de Ivan Sant&#8217;Anna. Nesse ano, a Companhia das Letras lançou seu último trabalho, <em>O livro de praga &#8211; narrativas de amor e arte</em> da Coleção Amores Expressos. Sérgio topou responder às 10 perguntas e meia do Meia Palavra! Confira a seguir.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-11602"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. Que tipos de desafios você teve que enfrentar para realizar o projeto Amores Expressos, do qual resultou <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/25/o-livro-de-praga-narrativas-de-amor-e-arte-sergio-santanna/">O Livro de Praga &#8211; Narrativas de Amor e Arte</a>?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify">Além dos desafios que qualquer livro apresenta, havia outro: escrever numa cidade estrangeira, com a qual tinha de me familiarizar em um mês.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. O fato de ter o prazo de um mês para ficar na cidade e sair de lá com a ideia para o romance interferiu em sua criatividade?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Interferir com a minha criatividade, não interferiu não. Digamos que eu flanei o tempo todo em Praga, com os olhos e a imaginação bem abertos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. <em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/25/o-livro-de-praga-narrativas-de-amor-e-arte-sergio-santanna/">O Livro de Praga</a></em> contém diversos tipos de fetiches que estão flertando sempre com alguma arte: música, teatro, arte sacra. Em algum momento você pensou que este livro seria rejeitado por tratar o erotismo em primeiro lugar e não o amor acidental dos outros livros da coleção?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Pensei na possibilidade de o livro  ser rejeitado por seu intenso erotismo, mas foi o que me veio a cabeça, aos sentidos, e toquei o barco.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Em &#8220;Um Crime Delicado&#8221;, há uma relação íntima entre violência e arte, entre agressividade e crítica. De que modo você enxerga essas relações no ambiente literário hoje?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Um crime delicado foi um livro específico, em que beirei o romance policial e agradou-me misturar essa agressividade com a arte. Quanto à crítica, eu quis brincar com ela, talvez de uma forma um tanto ambígua, porque o crítico era acusado de um crime. Mas quem leu o livro sabe que era tudo falso, fake. Adoro esse fake na literatura e na própria arte.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5. A narrativa curta parece ter sido a marca de mais de uma geração de escritores urbanos no Brasil. Quais são as vantagens do gênero &#8220;conto&#8221;? Ele estaria supervalorizado?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Eu gosto do conto por sua densidade. Me agradam as formas breves. Mas não acho que o conto esteja supervalorizado. Na verdade, o romance é muito mais valorizado.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. Você não cansa, de vez em quando, de trabalhar com uma literatura tão auto-reflexiva? Não dá vontade de escrever um romance tradicional, com início, meio e fim, de vez em quando?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Eu não me canso de trabalhar com uma literatura que você chama de auto-reflexiva, porque a escrita simplesmente me sai assim. Não está nas minhas cogitações do momento escrever um romance tradicional.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Você opina acerca do trabalho de seu filho, André? E ele, faz sugestões e críticas ao seu trabalho?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Eu gosto muito da literatura do André, mas só leio os trabalhos dele depois de prontos. Ele lê os meus da mesma forma. Sua opinião é muito importante para mim.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. Quais são suas influências literárias?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Não tenho como falar em influências pois sempre li de tudo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. Existe algum escritor das últimas décadas que você destacaria?</strong></p>
<p style="text-align: justify">João Gilberto Noll, Luiz Ruffato, o próprio André.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. Como ganhador de alguns prêmios Jabuti, qual a sua opinião na relevância de prêmios literários?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Os prêmios são gratificantes para quem os ganha. Mas em termos literários não determina a importância deste ou daquele livro.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10 1/2. (&#8230;) você estará sempre errado</strong><br />
Essa frase é de O processo, não? Ou de A colônia penal. É uma frase lapidar e com o humor cáustico de Kafka.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A equipe Meia Palavra agrade a atenção de Sérgio e deseja sucesso no seu novo livro</em></p>
<p style="text-align: justify">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</p>
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		<title>10 perguntas e meia para Rafael Coutinho</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/20/10-perguntas-e-meia-para-rafael-coutinho/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 17:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Cachalote]]></category>
		<category><![CDATA[Choque Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Laerte]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos na Cia]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Coutinho]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto: Renato Parada Rafael Coutinho é quadrinista e nasceu em São Paulo em 1980, filho do também quadrinista Laerte. Coutinho é formado em artes plásticas pela UNESP (Universidade Estadual de São Paulo). Já dirigiu curtas-metragens, teve pinturas, esculturas e desenhos em exposição na Choque Cultural, e realizou grandes publicações: Bang Bang, Contos dos Irmãos Grimm [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5 style="text-align: center;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Rafael-Coutinho-©-Renato-Parada.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-11416" style="border: 0pt none; margin-top: 5px; margin-bottom: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/Rafael-Coutinho-©-Renato-Parada-e1308247650869.jpg" alt="" width="302" height="306" /></a>Foto: Renato Parada</h5>
<p style="text-align: justify;">Rafael Coutinho é quadrinista e nasceu em São Paulo em 1980, filho do também quadrinista Laerte. Coutinho é formado em artes plásticas pela UNESP (Universidade Estadual de São Paulo). Já dirigiu curtas-metragens, teve pinturas, esculturas e desenhos em exposição na Choque Cultural, e realizou grandes publicações: Bang Bang, Contos dos Irmãos Grimm e o mais recente Cachalote (Companhia das Letras, 2009). Rafael topou responder às 10 perguntas e meia do Meia Palavra! Confira a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-11414"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>01 &#8211; Temos que começar com a pergunta sobre a influência de seu pai (Laerte) na sua escolha por produzir quadrinhos. Existiu algo? Foi direto ou indireto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Foi indireto e acho que partiu mais da minha parte do que da dele. Não me lembro de ter sido “coagido” a ser quadrinista, mas com certeza fui “encantado” desde criança. Era como ver algo mágico acontecer, não conseguia entender de onde vinha a idéia, como ele controlava a mão, e mais tarde com outros desenhistas o mesmo. Era algo fora da realidade, muito impressionante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>02 &#8211; Quais são suas referências, influências e xodós no universo quadrinhesco? E fora dele?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Sei que tenho muita influência de alguns caras. Michelanxo Prado, Moebius, Katsuhiro Otomo, Jaime Hernandes, Crumb. Mais recentes foram Tayio Matsumoto, Gipi, Jason, Grampá. Fora dos quadrinhos acho que muito do cinema francês e oriental, de uma forma geral. Adoro um bom filme argentino ou mexicano também, muita cor e boas histórias. Gosto muito de acompanhar os novos escritores, ler o que tiver saindo de novo. De uma forma ou outra, somos parte da mesma época, quero saber como eles enxergam o mundo moderno e montam suas histórias, desconstroem narrativa. Às vezes basta um bom parágrafo de um romance pra desentupir uma enxurrada de ideias, já fui salvo algumas vezes por novos autores. Vanessa Bárbara, Terêncio Porto, Joca Terron, Paulo Scott, Daniel Galera.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03 &#8211; Em Cachalote, a arte sequencial se alterna de forma fantástica com a contraparte literária. De que forma você entende essa relação entre desenho e escrita? Que &#8220;casamentos&#8221; entre as partes você considera fenomenais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Pros bons leitores, algumas duplas são muito conhecidas do mundo das graphic novels. Berardi e Milazzo, Sampayo e Muñoz, Jodorowsky e Moebius, ou até mesmo Harvey Pekar e Crumb. Não acho que se alternem, e sim se complementam. Mas isso é trabalho de roteiro, não de proza. O texto e a imagem fazem o quadrinho. Existem grandes histórias mudas, mas a base é essa relação. Uma boa relação entre desenhista e escritor é a chave de um bom livro, se o trabalho for em dupla. E não consigo deixar de me encantar com essa amizade criativa que se firma numa graphic novel. É um trabalho de uma cumplicidade e aproximação emocional muito grande, parcerias que ficam pruma vida inteira. Com o Galera foi assim, ficamos amigos na medida em que criávamos o livro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04 &#8211; Que tipo de histórias você gosta de ilustrar? E quais não gastaria tinta nem tempo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Gosto de história mais densa, madura, o que se chama por aí de quadrinho adulto. Mas tenho começado a gostar da ideia de fazer quadrinho pra adolescentes com uma pegada mais adulta, ou inverter. Fazer quadrinho de suspense com cara de infantil, essas coisas mais híbridas onde as nomenclaturas caem por terra. Acho mais interessante esse terreno onde o leitor não sabe se aquilo é uma piada ou se é um momento dramático, como leitor gosto muito de ser surpreendido por uma história de mais de um gênero.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sou muito ligado aos heróis, mas não diria que nunca faria. Como disse, acho que cada gênero contém em si um potencial e vocabulário próprio muito extensos. Tem que saber usar isso pro que você procura. Mas não gosto de publicidade, gostaria de nunca mais trabalhar com isso, principalmente envolvendo quadrinhos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>05- Cachalote é uma graphic novel adulta. Você vê mudanças na concepção de quadrinhos como &#8220;coisa de criança&#8221; ou esse estereótipo ainda está bem arraigado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Isso não existe. Tem gente que acredita no que quiser, por ignorância, e temos uma cultura que consome pouco livro e quadrinhos. Mas não existe, é bobagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06 &#8211; Qual a maior bobagem ao se falar em quadrinhos? O aspecto comercial, artístico ou o público?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Não sei, cara. Tem muita bobagem, as pessoas falam absurdos. Mas no geral, acho que tudo é valido. E acredito que estamos passando por uma passagem de reaprendizado, pra todo mundo. Um novo mercado está se criando, um novo público também. O consumo e criação de quadrinhos ficou hibernando no país por quase 20 anos, pouco era publicado. Acho que todos somos responsáveis por essa repopularização dos quadrinhos. Pode perguntar o que quiser, ou falar a bobagem que quiser, vamos falar juntos.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois dias atrás ouvi de um jornalista de uma grande emissora a seguinte pergunta: &#8220;quer dizer que você é um grande ícone do quadrinho nacional?&#8221; Minha resposta não poderia ser outra: &#8220;Sim, eu sou um grande ícone.&#8221; Esse tipo de merda rola bastante, geralmente vindo de jornalista de saco cheio, ou com nenhum saco pra trabalhar</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>07 &#8211; Como surgiu a ideia para o projeto MIL?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Surgiu da necessidade de desenhar histórias mais curtas, e de celebrar o quadrinista durante o ano em que ele está trabalhando no seu livro longo. Algo que coubesse entre os projetos, que substituísse o freela chato que temos que pegar por algo mais legal e que desse uma graninha. É uma ideia comercial também, uma publicação que é barata e acessível, com tiragem baixa pra não virar uma dor de cabeça na hora de vender e distribuir, e que durante o ano fosse montando uma coletânea à ser lançada no fim de um ano de trabalhos. Tem muito desenhista bom por aí, queria fazer algo mais voltado pra eles, pra nós. Sem contar que é um ótimo motivo pra nos encontrarmos mais, são amigos e gente que admiro muito, é uma honra poder lançar as histórias deles.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>08- Quais são os futuros planos para o Selo Cachalote?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Tenho gestado um outro projeto em formato maior, mas acho melhor esperar um pouco mais pra falarmos sobre ele. E não posso me empolgar demais com as publicações, tenho dois livros pra terminar esse ano e uma exposição de telas novas pra produzir, um filme média metragem e uma e-loja. É coisa demais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>09 &#8211; Como você enxerga o mercado brasileiro atual para produção de quadrinhos? Você acha que o público está consumindo mais HQ&#8217;s nacionais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Sim, vivemos uma ótima época. Podemos nos divulgar sem intermediários, chegar ao leitor de forma mais direta e rápida, podemos imprimir com mais facilidade e diferentes formas de pagamento, o país atravessa um bom momento, o brasileiro compra com mais facilidade hoje em dia. Em comparação com outros períodos, acho até que há mais dinheiro no mercado editorial. Mas também acho que vivemos um novo momento de formatos e saídas para o quadrinho, produtos e merchands. É um ótimo momento pra publicações de tiragem baixa, que exploram aspectos mais artísticos do quadrinho e dão muito valor pra cada cópia. As HQs digitais são uma novidade muito interessante, que acho que deve crescer muito no país. E hoje em dia existem gráficas que mandam imprimir UM livro único, por demanda. Você não precisa mais imprimir 2 mil e estocar na sua cozinha, ou sequer precisa de editora. Acho que isso tudo afeta diretamente a criatividade dos artistas e editores envolvidos também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 &#8211; Ano que vem você lançará um novo quadrinho pelo Selo Quadrinhos na Cia. Pode nos falar um pouco sobre ele?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R – Desculpe, mas tenho achado melhor não falar muito ainda. Estou bem no meio do caminho, é muito fácil a coisa desandar nessa fase. Sou um cara aplicado e cumpro meus contratos, mas sei que trabalhamos com dinamite nesse meio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 1/2</strong> &#8211; Na ponta do lápis&#8230; o bicho pega!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A equipe Meia Palavra agradece a grande atenção dada por Rafael.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7404">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FORUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Luci Collin</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/13/10-perguntas-e-meia-para-luci-collin/</link>
		<comments>http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/13/10-perguntas-e-meia-para-luci-collin/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Jun 2011 17:32:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Gary Snyder]]></category>
		<category><![CDATA[Gertrude Stein]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Luci Collin]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Nascida em Curitiba, Luci Collin é mil em uma só: professora de Literatura na UFPR, graduada em Piano, Letras e Percussão, doutora em Letras pela USP. Já escreveu livros de poesia (Estarrecer (1984), Espelhar (1991), Esvazio (1991), Ondas e Azuis (1992), Poesia Reunida (1996), Todo Implícito (1998)) e de contos (Lição Invisível (1997), Precioso Impreciso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/luci-collin.jpg"><img class="size-medium wp-image-11284 alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/luci-collin-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Nascida em Curitiba, Luci Collin é mil em uma só: professora de Literatura na UFPR, graduada em Piano, Letras e Percussão, doutora em Letras pela USP. Já escreveu livros de poesia (<em>Estarrecer</em> (1984), <em>Espelhar</em> (1991), <em>Esvazio</em> (1991), <em>Ondas e Azuis</em> (1992), <em>Poesia Reunida</em> (1996), <em>Todo Implícito</em> (1998)) e de contos (<em>Lição Invisível</em> (1997), <em>Precioso Impreciso</em> (2001), <em>Inescritos</em> (2004), Acasos Pensados (2008) e Vozes num Divertimento (2008)). Também já traduziu obras como <em>Re-habitar: ensaios e poemas</em>, de Gary Snyder (Azougue, 2005), <em>Etnopoesia no milênio</em>, de Jerome Rothenberg (Azougue, 2006) e <em>Contos irlandeses do início do século XX</em> (Travessa dos Editores, 2007).É tanta coisa que é certo que esse breve parágrafo não apresenta tudo o que ela já produziu &#8211; e aguardem que tem um romance chegando por aí em breve!</p>
<p style="text-align: justify">E com isso fica claro que Luci Collin respira Literatura, o que reflete em seu trabalho, que somado ao senso de humor e sensibilidade ímpares, faz com que qualquer aluno que diz &#8220;odiar literatura&#8221; se apaixone em poucas horas. De Shakespeare à James Joyce, Luci conta histórias de contadores de histórias como ninguém. Ela topou responder nossas 10 perguntas e meia, que você pode conferir aqui.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-11283"></span><strong>1. Você pesquisou sobre Gary Snyder, um poeta associado aos escritores da Geração Beat. Tendo em vista a controvérsia que existe acerca dos méritos literários dos beats, o que a Geração Beat representou para a Literatura, na sua opinião? E em relação a visão de mundo, crítica do sistema, atuação política, postura espiritual?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Esta controvérsia é estéril, uma vez que é indiscutível a contribuição dos <em>beats</em> &#8211; em termos de estilo, temática e técnica &#8211; para a literatura. A Geração Beat, e aqui incluímos a revolucionária ficção de Jack Kerouac, herdeiro imediato de um dos maiores nomes da literatura norte-americana que foi Mark Twain, e de William Burroughs, mestre de técnicas como o <em>cut-up</em>, e a revolucionária poesia de Allen Ginsberg, herdeiro imediato de Walt Whitman.  Só esta tríade bastaria para afirmar a importância literária do movimento beat, mas a ela ainda podemos acrescentar as contribuições de Kenneth Rexroth, Lawrence Ferlinghetti, Michael McClure,  Diane di Prima, Gregory Corso  e Gary Snyder, entre outros. O impacto da literatura beat &#8211;  uma literatura que conjugou e absorveu elementos também da música, do cinema e de outras artes -,  extrapola os limites da produção literária e envolve o intenso questionamento de âmbitos diversos  da nossa cultura: a repressão imposta pelo sistema capitalista, a sexualidade, o abuso do poder político, a escravidão perpetrada pelo materialismo e pelo consumo em detrimento de valores espirituais, o livre pensar; a proposição de uma contracultura pelos <em>beats</em> representa que a literatura é um meio vivo de expressão e não uma súmula teórica de regras literárias desconectadas do pulso contemporâneo. Se alguém tem dúvida dos méritos, literários e culturais,  da Geração Beat, atesta que, se leu seus autores, os compreendeu pouco e que perdeu uma grande oportunidade de convívio com a expressão humana em um de seus momentos mais fulgurantes. Leiam os <em>beats</em>, os que duvidam deles.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>2. </strong><strong>Gary Snyder não ganhou a notoriedade que ganharam Burroughs, Kerouac ou Ginsberg, por  exemplo. Algum motivo especial para isso? O que estamos perdendo por não conhecermos mais sobre esse literato?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Com o poema “A Berry Feast” Snyder participou da famosa leitura de poemas na Six Gallery, em São Francisco no dia 07 de outubro de 1955. Este evento projetou a produção daqueles poetas em um   âmbito nacional e “Howl”, por exemplo, poema lido por Ginsberg naquela noite, tornou-se imediatamente o “hino” da contracultura. Mas, deliberadamente, Snyder saiu deste cenário em que se evidenciava a Geração Beat e foi, no mesmo ano, para o Japão, a fim de aprofundar seus estudos de japonês e a prática do zen budismo. Ficou anos no Japão e só se estabeleceria em definitivo novamente nos EUA no início da década de 1970. Isso gerou um desligamento de seu nome de toda a propaganda e atenção que a Geração Beat recebeu da mídia e da crítica. Com mais de trinta livros publicados, Snyder é hoje um nome reconhecido no mundo todo. Poeta, ensaísta, tradutor do chinês antigo e do japonês, antropólogo e ativista ambiental, vencedor do Pulitzer Prize, Snyder se afirmou como um dos maiores nomes da poesia e da ensaística norte-americana pos-moderna. Com base no pensamento oriental e na natureza Snyder renova a tradição poética desde Whitman passando por Pound e Rexroth; seu livro <em>Myths and Texts</em>, que resgata valores ancestrais e xamânicos da cultura ameríndia,  foi considerado pela crítica o sucessor direto do <em>The Waste Land</em> de T. S. Eliot – isso bastaria para evidenciar a importância do nome deste poeta na cena literária de hoje.</p>
<p style="text-align: justify"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. </strong><strong>Em outra entrevista afirmou que daria o Nobel para Gertrude Stein, se possível fosse, poderia comentar mais sobre seus motivos para tal escolha?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Gertrude Stein, embora injustamente abafada da história do Modernismo, foi uma das vozes mais revolucionárias da literatura do século 20. Basta analisar os textos que a escritora produziu <strong>no início do século </strong>(e não na década de 1920, como outros modernistas de renome), e salta aos olhos a grande inventividade de Stein, a proposta revolucionária de seus conceitos literários, e a habilidade excepcional com que aplica estes conceitos à sua literatura. A justificativa para o apagamento do nome de Gertrude Stein pela crítica literária é que, em um momento de produção artística eminentemente masculina (Robert Scholes está entre os que afirmam que o Modernismo é um “movimento feito por homens”) ela desafia todas as convenções possíveis, não só as literárias: é mulher, judia, expatriada, homossexual e experimentalista radical  - que se recusa a explicar seus procedimentos estéticos, ou seja, pronta para ser invisível  aos olhos da crítica que acha mais fácil descartá-la do que compreendê-la. Quem leu com atenção o romance de Stein <em>The Making of Americans: Being a History of a Family&#8217;s Progress<strong>, </strong></em>escrito de 1903 a 1911? Até o início da década de 1930, apenas William Carlos Williams percebe e aponta, com consistência, a importância de Stein. Vale lembrar que a escritora publicou com excelência nos três gêneros literários  e que operou uma revolução não só na ficção como também na poesia e na dramaturgia; criou conceitos como o “presente contínuo” e a “insistência”, desenvolveu o cubismo na literatura e a noção de retrato literário mas, diferentemente de James Joyce e de T. S. Eliot, por exemplo, não explicou suas próprias composições, acreditando que este seria o papel natural da crítica. Pagou um alto preço por isto. Infelizmente, dada a incapacidade desta crítica e de boa parte dos leitores – ainda agarrados a conceitos de realismo e linearidade – Stein foi descartada e até ridicularizada como escritora hermética e menor.  Mas o tempo vem recuperando a relevância do nome de Stein e cada vez mais se descobre a extraordinária qualidade da obra desta autora, inclusive aqui no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. </strong><strong>Gertrude Stein foi uma das pessoas responsáveis por fazer o termo &#8220;Geração Perdida&#8221; ser usado mais amplamente para designar a geração de escritores como Fitzgerald, Hemingway, T.S. Eliot entre outros. Qual a relação dela para com esses escritores? E de que forma os temas caros a essa geração se instilam na obra dela?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Stein foi uma grande mentora intelectual de toda uma geração de artistas, não só de  escritores, mas de vários músicos, bailarinos, fotógrafos e artistas plásticos. Sua coleção particular de objetos de arte &#8211; não só da produção pré-moderna (como a de Paul Cézanne) e moderna (como de Picasso e Matisse), mas também com grande acervo de arte chinesa e japonesa -, exibida livremente nas paredes de seu famoso <em>salon,</em> em Paris, e as reuniões semanais que ela organizava em sua própria casa para que ali se discutisse arte e estética, influenciaram toda uma geração de novos artistas.  Stein é a mistagoga de Ernest Hemingway, Thornton Wilder, Sherwood Anderson, Paul Bowles, Virgil Thomson, entre outros. Na primeira fase de sua produção – até o ano de 1933 – que é marcada pelo experimentalismo radical, não há como encontrar temas da “Geração Perdida”, expressão que ela mesma cunhou referindo-se aos escritores mais jovens, cuja literatura ela via florescer.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5. </strong><strong>Falando sobre a obra de Louis-Ferdinand Céline, Mario Vargas Llosa afirmou recentemente  que &#8220;A Literatura não é edificante&#8221;. O que pensa sobre isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Acredito que tenha se referido ao fato de que a literatura não tem obrigação nenhuma de ser  didática nem moralizante, de ensinar ou perpetuar valores ou sentimentos tidos como morais. O que deve ser é livre, sempre, e estética, sempre; deve evocar emoções profundas, experiências emocionais vigorosas e que conduzam a alguma reflexão, deve provocar alguma desestabilidade comovente que gere reflexão.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>6. </strong><strong> Para você, o que é melhor escrever, prosa ou poesia? Dos seus livros quais você acha que melhor representam sua produção literária?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Da perspectiva da escritura, prosa e poesia acabam sendo complementares, em relação às sensações que suscitam ao escritor tanto no momento da composição  quanto depois, quando os leitores começam a dividir suas impressões conosco. Dos livros que escrevi, tem muito de mim no <em>Lição Invisível</em> (contos); e, espero, mais ainda no <em>Trato de silêncios</em> (poesia), inédito ainda.</p>
<p style="text-align: justify"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Quais seus livros preferidos? E quais sugestões de leitura você faria para alguém que diz que não gosta de ler?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Minha trajetória como leitora foi sempre muito aberta e, apesar de naturalmente ter freqüentado os clássicos, sem constrangimento de confessar isso, li muitos livros que chocariam os colegas acadêmicos e literatos por serem “literatura menor”. Não me arrependo, mas isto é a minha experiência apenas. Acredito que cada um vai construindo sua história como leitor. Há leituras que se fazem com o tempo – não basta dizer que ler <em>Os Sertões</em> é importante, que ler <em>Ulisses</em> é vital e você compra o livro e sai fruindo aquela literatura; há sempre o melhor momento para determinadas leituras. Eu sou uma leitora de trajetória  esdrúxula e sempre foi assim (não acredito muito em conselhos, regras ou gostos literários a serem impostos como os melhores). Para mim autores sempre fascinantes são  Eugéne Ionesco, Alain Robbe-Grillet, Osman Lins, Jorge de Lima e Samuel Beckett (além de Stein e Snyder, claro &#8211; tenho que ser pelo menos meio coerente&#8230;) entre outros. Para alguém que ainda não gosta de ler, busque algum livro que tematize algo de seu interesse; isso vai colocá-lo em franca conversa com o livro e com o autor. O prazer da leitura demanda atenção, liberdade e cumplicidade &#8211; dê ao livro a chance de, em algum momento, encantá-lo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. </strong><strong>Você também é tradutora. Acredita que o tradutor é um traidor? O que vê de mais difícil na tarefa de traduzir uma obra?</strong></p>
<p style="text-align: justify">É bastante difícil falar de tradução no Brasil pois infelizmente ainda não temos uma tradição de crítica de tradução em nosso país; isto nos leva a uma série de implicações , sobretudo ditadas pelo parâmetro mercadológico, que exacerbam as dificuldades do fazer tradutório. Assim, neste cenário da prática da tradução, a noção de “traidor”, em grande medida, oscilará muito. Temos excelentes tradutores no Brasil, mas que, às vezes, sucumbem a condições tenebrosas impostas pelo mercado; assim, nem sempre o bom tradutor pode dar-se ao luxo de traduzir apenas o que lhe agrada. Mercado à parte, na minha experiência, os problemas de tradução podem variar muito, de autor para autor, e abarcam desde dificuldades ligadas especificamente à linguagem, ao gênero ou ao estilo do escritor até dificuldades culturais mais amplas, que requerem traduções de elementos culturais.  O mais difícil é lidar com a frustração de saber que às vezes o máximo possível (para aquele momento, talvez, mas que será publicado) é passar ao leitor uma pálida cópia do que o original nos apresenta. Mas traduzir – significando revelar ou possibilitar a existência de uma obra em outra língua – é sempre um ato compensador para o tradutor.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. </strong><strong>Quais são as expressões irlandesas mais difíceis de traduzir?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Aquelas que não encontram correspondente imediato em português por pertencerem exclusivamente à cultura irlandesa, à sua história ou a contextos históricos e políticos mais antigos, da formação celta, por exemplo, com os quais o leitor brasileiro dificilmente estará familiarizado. Há muitos casos, na maioria palavras cujo sentido mais comum se perdeu ou se transformou na cultura irlandesa ou que estão ligadas ao idioma gaélico (irlandês). Frente a estas dificuldades, o tradutor deve contar com estratégias  e com muita criatividade.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>10. Entre escrever e traduzir, qual a sua preferência? Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify">Embora estejam ligadas à produção escrita, aos desdobramentos da palavra, escrever e traduzir são atividades muito diferentes. Talvez tenham em comum a intenção de gerar comunicação, mas quando você produz seu próprio texto, há muito mais liberdade, você sabe quais os seus limites e intenções; na tradução, um bom tempo é passado até que você consiga vislumbrar qual o limite do texto a ser traduzido e, às vezes, por mais penoso que seja constatar isto, o tradutor não consegue se satisfazer com as soluções encontradas para determinados problemas de tradução. A leitura de um autor a ser traduzido deve ser muito cuidadosa,  o tradutor  deve se esforçar para se aproximar ao máximo do autor cuja obra apresentará em outro idioma. No aspecto lúdico, escrever e traduzir podem ser igualmente divertidos. No aspecto dramático também (rsrs).</p>
<p style="text-align: justify"><strong>1/2. Acasos pensados são&#8230;</strong> drops de caqui.</p>
<p style="text-align: justify"><em>A Equipe Meia Palavra agradece a atenção de Luci, que disponibilizou seu e-mail para quem quiser fazer mais perguntas: luci_collin@yahoo.com</em></p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7358" target="_blank">DISCUTA ESSA ENTREVISTA NO FORUM DO MEIA PALAVRA</a><em><br />
</em></p>
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		<title>10 Perguntas e Meia para Escola da Ponte (Miúdos = Crianças)</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 16:13:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Palazo</dc:creator>
				<category><![CDATA[10 perguntas e meia]]></category>
		<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Escola da Ponte]]></category>
		<category><![CDATA[José Pacheco]]></category>
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		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[A Escola da Ponte surgiu na década de 1970 com o desejo de fazer uma escola que respeitasse as diferenças individuais dos alunos. Recentemente fizemos uma entrevista com a orientadora educativa Paula Fonseca com a finalidade de conhecermos melhor a Escola e tudo que está por trás deste incrível projeto. Mas como nos disse a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/miudos.jpg"><img class="size-full wp-image-10576 aligncenter" style="border: 0pt none;margin-top: 5px;margin-bottom: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/miudos.jpg" alt="" width="583" height="87" /></a>A <strong>Escola da Ponte</strong> surgiu na década de 1970 com o desejo de fazer uma escola que respeitasse as diferenças individuais dos alunos. Recentemente fizemos uma <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/04/10-perguntas-e-meia-para-escola-da-ponte-orientadores-educativos/" target="_blank">entrevista com a orientadora educativa Paula Fonseca </a>com a finalidade de conhecermos melhor a Escola e tudo que está por trás deste incrível projeto. Mas como nos disse a própria Orientadora:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">Arrogar-me-ia a aconselhá-lo a investir nas entrevistas às nossas crianças/jovens, uma vez que eles percebem muito mais de educação do que nós (adultos)! Eles sabem muito sobre este projeto porque o vivem diariamente. <em>Eles são o projeto. Nós, os orientadores, fazemos parte dele, mas as nossas crianças/jovens SÃO, em si mesmo, o projeto&#8230;</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Inspirados pelas palavras da Paula Fonseca nós insistimos junto ao Conselho da Escola da Ponte e conseguimos que três miúdos (crianças/jovens) respondessem as nossas 10 Perguntas e Meia.  Assim <strong>Ana Neto, de 9 anos, Baltazar e Joana Gouveia, de 12 anos</strong>, nos presenteiam com suas respostas certeiras sobre esse projeto educacional inspirador.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-10575"></span></p>
<p style="text-align: justify"><strong>1. De um modo geral, como funciona a Escola da Ponte? </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos): </strong>De modo geral, a escola funciona em grupos, temos uma Assembleia para discutirmos os problemas da escola e para apresentarmos os trabalhos aos alunos de todas as idades, também temos as Responsabilidades, para tentarmos resolver os problemas da escola sem chegar ao ponto de ir o assunto á Assembleia.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos): </strong>Nós trabalhamos o que quisermos quando quisermos e em grupos que se têm de entreajudar.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos): </strong>A Escola da Ponte funciona baseada numa lista de “Direitos e Deveres” que todos os alunos da escola tem de cumprir e que nos ajuda a sermos melhores para os outros.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><img class="alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/0194f.jpg" alt="" width="278" height="208" />2. Por que não há divisão de turmas por classe ou por idade entre os alunos da Escola da Ponte?</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos): </strong>A razão pela qual a nossa escola não funciona em turmas é porque assim aprendemos com colegas de diferentes idades e nos grupos estão alunos de diferentes idades.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos): </strong>Pois a escola conta com a entreajuda de todos os alunos, especialmente dos de cada grupo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos):</strong> Porque assim todos nos podemos ajudar uns aos outro, independentemente da nossa idade.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3. Há alguma divisão de disciplinas na Escola da Ponte? Se houver, como é feita essa divisão?</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos):</strong> A divisão é feita por temas gerais como: Matemática, Língua Portuguesa, língua Inglesa, Ciencias da Natureza História e Geografia de Portugal, educação Física e Dimensão Artística.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos):</strong> As disciplinas estão divididas em Dimensão Linguística, a Logico-Matemática, a Naturalista, a Identitária e a Artística.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos): </strong>Não respondeu</p>
<p style="text-align: justify"><strong>4. Como são escolhidos os temas para estudo durante as aulas? Como é feita a pesquisa para o estudo do tema escolhido?</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos):</strong> Os temas são escolhidos quando colocamos o tema no “PLANO DO DIA”, a pesquisa é feita nos manuais, na internet, e com a ajuda dos nossos colegas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos):</strong> Há um plano, que fazemos no início da quinzena (os períodos estão divididos em quinzenas), chamado o Plano da Quinzena. Nós, nesse plano, escrevemos todas as tarefas a que nos comprometos a cumprir.<br />
Nós pegamos em livros para pesquisar sobre o tema e resumimos o texto/os que encontramos sobre esse tema.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos):</strong> Os temas são escolhidos pelos alunos no início de cada quinzena e à medida que os vamos cumprindo os orientadores educativos vão nos dando um novo tema. A pesquisa do tema escolhido é feita da seguinte forma: primeiro escolhemos o tema, depois começamos a ler o que temos que saber para a avaliação e depois resumimos tudo o que lemos por palavras nossas, mais tarde fazemos exercícios e quando achamos que já sabemos tudo colocamos no “Eu já sei”.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>5. Existe alguma ação disciplinadora para alunos indisciplinados ou que não se adaptam a metodologia da Escola da Ponte? Como isso funciona?</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos):</strong> sim,existe a “COMISSÃO DE AJUDA”, que tem uma lista de acções a fazer, consoante a gravidade do caso.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos):</strong> Em relação aos que não se adaptam à metodologia da escola, não tenho a certeza, mas aos indisciplinados a Comissão de Ajuda (um grupo de alunos que tenta resolver conflitos) dá o castigo mais adequado a esse aluno.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos):</strong> Não respondeu.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><img class="alignleft" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/0194c.jpg" alt="" width="278" height="208" />6.  Como os alunos são avaliados? Há provas ou testes? Há uma média para aprovação?</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos): </strong>Os alunos são avaliados de uma forma oral ou uma ficha escrita. Não há provas ou testes.Sim, consoante as respostas certas ou erradas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos):</strong> Os alunos pesquisam sobre os temas e, quando sentem que estão preparados para avaliar um tema, escrevem num dispositivo chamado “Eu Já Sei” e no dia a seguir a escreverem, avaliam.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos):</strong> Nós alunos somos avaliados pelos orientados educativos de uma forma escrita ou oral em que os orintadores educativos nos dão a opção da avaliação que mais nos agrada. Não há provas exepto as de Aferição no 4º e 6º ano e os Exames Nacionais no 9º ano.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>7. Quem decide se uma criança está apta a ensinar outras? O Orientador Educativo ou a iniciativa parte do próprio aluno? Como isso acontece</strong>?</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos):</strong> Como nós temos os grupos se algum aluno poder ajudar, ajuda se não os professores ajudam-nos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos): </strong> A iniciativa parte e tem de partir do próprio aluno. No grupo, quando um aluno tem dificuldade a perceber alguma coisa, outro aluno tenta ajudar-lhe.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos):</strong> Isso tem muito haver com a capacidade que cada aluno tem, ou seja se um aluno está a trabalhar coisas  do 6º ano e está no 5º ano é obvio que pode ajudar outro colega do 6º ano que esteja a trabalhar o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>8. Se os próprios miúdos (crianças) escolhem os temas a serem estudados, por que é necessária a presença dos orientadores educativos?</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos): </strong>Os Orientadores Educativos servem para nos orientarem e nos ajudar no necessário.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos): </strong>Os orientadores educativos ajudam os alunos a perceber o tema quando os elementos do grupo não conseguem e os professores-tutores vão vendo o trabalho dos seus tutorados todas as semanas, para ver se estão a trabalhar bem.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos):</strong> Para nos ajudarem a escolher o livro para estudarmos porque existem livros em que a leitura é mais fácil, para nos corrigir os trabalhos e para nos darem as avaliações para além do facto de que eles são muito importantes para a escolha dos nossos temas porque mesmo sendo nos a escolher eles dizem o que é melhor e o que nos ainda não trabalhamos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>9. Como uma criança aprende a ler na Escola da Ponte? Crianças ensinam outras a ler, ou essa tarefa é restrita aos Orientadores Educativos?</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos):</strong> Depende,nos grupos existe a entreajuda, mas os Orientadores Educativos, também ajudam.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos):</strong> No primeiro ano, os Orientadores Educativos ensinam aos alunos as coisas mais básicas, como ler, escrever e fazer somas, mas, a partir do segundo ano, são mais os próprios alunos, penso eu.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos): </strong> As pessoas aprendem a ler juntando os sons lendo palavras aos poucos e claro que podemos aprender com os outros colegas, mas não só, os orientadores educativos também nos podem ajudar a aprender a ler.</p>
<p style="text-align: justify"><strong><img class="alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/foto1.jpg" alt="" width="320" height="229" />10. Além das aulas e estudos normais, existem atividades culturais e esportivas na escola? Fale um pouco sobre elas.</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos): </strong>Sim,existem actividades para quem necessita de ficar na escola da 16.15, nessas actividades são feitos diversos trabalhos de diferentes disciplinas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos):</strong> Existe a Área Artística e a Educação Física. Na Área Artística nós escolhemos um projeto, como construir um carro solar, ou fazer uma dramatização, e aprendemos a fazê-lo durante o resto do ano. Na Educação Física escolhemos um desporto e andamos a aprendê-lo durante algum tempo.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos):</strong> Existem actividades em que a escola participa, por exemplo nas Festas da Vila em que este ano tivemos uma apresentação em concerto e uma Barraquinha.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>½. Aprender é&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ana Neto (9 anos): Aprender é&#8230;</strong> saber sempre mais, termos erros úteis, melhorar-mos esses erros e saber com os outros.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Baltazar (12 anos): Aprender é&#8230;</strong> conhecer novas coisas nós próprios. Aprender é enriquecer, é um dom.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Joana Gouveia (12 anos):</strong> não respondeu</p>
<p style="text-align: justify"><em>A Equipe Meia Palavra agradece a atenção de Ana Neto, Baltazar e Joana Gouveia e ao Conselho da Escola da Ponte</em>.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=7218" target="_blank">DISCUTA ESSA ENTREVISTA NO FORUM DO MEIA PALAVRA</a></p>
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