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	<title>Meia Palavra&#187; Felippe Cordeiro</title>
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		<title>Gatos Empoleirados &#8211; À memória fraca</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 22:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há uma semana ocorreu um Shabat em memória às vítimas do Holocausto na Congregação Israelita Paulista e eu, como um entusiasta do judaísmo &#8211; vide os livros sobre o assunto que já resenhei, duas ou três colunas que escrevi -, sem kipá e sem torá, compareci. Por medida de segurança extrema, antes de entrar no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/pips4.png"><img class="size-full wp-image-7639 alignleft" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/02/pips4.png" alt="" width="200" height="200" /></a>Há uma semana ocorreu um Shabat em memória às vítimas do Holocausto na Congregação Israelita Paulista e eu, como um entusiasta do judaísmo &#8211; vide os livros sobre o assunto que já resenhei, duas ou três colunas que escrevi -, sem kipá e sem torá, compareci. Por medida de segurança extrema, antes de entrar no local, esvaziei os bolsos, entreguei minha carteira de habilitação e fui interrogado porque, como e por onde eu sabia daquele tal evento (faltou medirem o tamanho da minha barba e do meu nariz). Passando por duas portas de ferro pesadas e por um detector de metais, caminhei até dentro do complexo e encontrei uma amiga, que trabalha na Prefeitura e me chamou para o evento. Graças a chuva de São Paulo e o trânsito, eu perdi, de acordo com ela, o que seria a parte mais animada do Shabat: dali para frente teríamos o Kadish. Antes do salão principal há um enorme recipiente, que parece mais aquela taça onde as assistentes de palco do Gugu ficavam dançando, com kipás e um Shabat Shalom (com traduções em português das rezas e canções em uma página, e na outra tudo escrito em Alef-Beit). Peguei um de cada e caminhei pelos fundos. Quando tentei sentar na última fileira localizada perto da porta, “Aqui somente a senhorras”, disse um religioso, e me apontou os lugares onde eu poderia sentar.</p>
<p style="text-align: justify">Antes do culto religioso, o rabino chamou ao palco um ex-prisioneiro do Campo de Buchenwald &#8211; ou um nome bem similar, porque ouvir um senhor de mais de oitenta anos, cuja língua-mãe é o iídiche e o alemão, falar português (não é fácil) &#8211; para contar sua história. Por culpa de sua dicção e idade, não memorizei o nome, mas soou algo como Bernaar. Ele contou em detalhes, e com uma mágoa quase imperdoável sobre a humanidade, a ascensão de Hitler, o dia da separação de seus pais e outras tantas famílias, até o dia em que finalmente pisou no Brasil, onde conheceu sua mulher Miriam, também sobrevivente do holocausto. Essa palestra em sua grande essência era um desabafo que, ano a ano, o senhor tinha o prazer &#8211; e até mesmo um dever, conforme encarado pela comunidade presente &#8211; de dar. Essa foi a minha maior decepção.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17953"></span></p>
<p style="text-align: justify">Em dado momento, ele não acusou os nazistas de exterminarem o povo de Israel, mas os alemães em geral. Não gostei muito dessa generalização, assim como não aprovo nenhuma. Por mais que muitos alemães estivessem envolvidos nesse processo, foram os membros do partido nazista quem capturaram e exterminaram os judeus e outras minorias (afinal, não podemos esquecer que eles não foram os únicos perseguidos: homossexuais, ciganos, evangélicos, opositores políticos e outros tantos). Será que todos os alemães aprovavam tal processo? É culpa de uma nação inteira? Quando eles perceberam o erro que tinham cometido ao colocar o Fürher no poder não era tarde demais? Pois já se tratava de uma ditadura com milhares de seguidores com poder de fogo muito mais forte. Só uma guerra para acabar com tudo isso, um embate exterior que forçou ao suicídio o líder do Terceiro Reich. Não preciso recontar a história devido a quantidade de livros e filmes dedicados à Segunda Guerra Mundial. Muito menos irei apontar vítimas e carrascos. Aliás, o que não gostaria de citar mesmo era a presença do ex-governador-e-ex-prefeito-arroz-de-festa José Serra, discursando apenas para citar um artigo dele com a opinião dele sobre tudo isso (e tantas outras redundâncias “acadêmicas”) e, para vergonha alheia, deixou o kipá cair no meio da sua ego exposição e só conseguiu colocá-lo numa maneira à lá Sérgio Mallandro de Israel.</p>
<p>    <iframe src="http://player.vimeo.com/video/36023128" width="500" height="281" frameborder="0" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify">Pouco depois da cerimônia e das cantorias acabarem, comecei a refletir como o reforço da memória de quem viveu (ou sobreviveu?) os horrores do Holocausto faz com que essa história não seja esquecida. Romanceados, amargurados ou não, esse assunto perpetuará pelo resto da existência da humanidade &#8211; podem surgir uns Códigos de Abraão no caminho &#8211; por se tratar de um choque que tomou o mundo e sujou uma nação que até hoje sente vergonha do seu passado. A partir desse ponto podemos ver o quanto a nossa história passada nos mostra a força que temos dentro do presente e nosso papel no futuro. Devemos sim celebrar a memória e revisitar constantemente os fatos que nos moldaram no que somos.</p>
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		<title>Links e Notícias da Semana #74</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 16:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Carnaval tá aí, você já ouve as marchinhas com sucessos como &#8220;A Pipa do Vovô&#8221; e os menos entusiastas, os famigerados comunistas das fanfarras de apartamento, contrariam a caminhada do povo alegando que a música deu o que tinha de dar e já dizem &#8220;todo carnaval tem seu fim&#8230;&#8221;. Em resumo, fevereiro começa com gostinho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18000" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/teletubies.jpg"><img class="size-medium wp-image-18000 " src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/02/teletubies-300x213.jpg" alt="" width="300" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">Clica aí ; )</p></div>
<p style="text-align: justify">Carnaval tá aí, você já ouve as marchinhas com sucessos como &#8220;A Pipa do Vovô&#8221; e os menos entusiastas, os famigerados comunistas das fanfarras de apartamento, contrariam a caminhada do povo alegando que a música deu o que tinha de dar e já dizem &#8220;todo carnaval tem seu fim&#8230;&#8221;. Em resumo, fevereiro começa com gostinho de quero mais, porque a <a href="http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/cultura/e-book-hostil-1/?utm_source=VEJA&amp;utm_medium=twitter&amp;utm_campaign=Feed%3A+radar-on-line+%28Lauro+Jardim%29" target="_blank">Amazon ignora editoras e começa a procurar por escritores brasileiros</a>.</p>
<p style="text-align: justify">O Mago Patológico, <a href="http://paulocoelhoblog.com/2012/01/28/promo-bay/" target="_blank">Paulo Coelho, é a estrela do Pirate Bay</a>. Dizem os grimas que os donos do site sueco gostam mais de <a href="http://www.balaiodenoticias.com.br/artigos-e-noticias-ler.php?codNoticia=76&amp;codSecao=14&amp;q=O+Brasil+como+personagem" target="_blank">Edney Silvestre,</a> que tem o Brasil como personagem.</p>
<p style="text-align: justify">Entrevistas - <a href="http://rascunho.gazetadopovo.com.br/menos-iludido/" target="_blank">Paulo Scott no Jornal Rascunho</a> e <a href="http://www.amazon.com/Death-Kings-Novel-Saxon-Tales/dp/0061969656/ref=tmm_hrd_title_0?ie=UTF8&amp;qid=1324661888&amp;sr=1-1" target="_blank">Bernard Cornwell entrevistado por George R. R. Martin</a>.</p>
<p style="text-align: justify">B.O.M. (Boletim de Óbito do Meia) - <a href="http://www.washingtonpost.com/world/europe/her-secretary-says-that-polands-1996-nobel-winning-poet-wislawa-szymborska-has-died-at-88/2012/02/01/gIQAzfFMiQ_story.html" target="_blank">Wislawa Szymborska morre aos 88 anos</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Lavô tá novo &#8211; A velha discussão desde que o mundo é mundo, sobre e-readers destruírem os livros impressos ganhou <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2012/jan/30/jonathan-franzen-ebooks-values" target="_blank">Jonathan Frazen como mais novo aliado</a>, o escritor afirma ter medo dos e-books e as consequências que estes podem trazer. Em resposta, um grupo de esquerda soltou os cachorros em inglês: <a href="http://www.npr.org/blogs/monkeysee/2012/01/31/146140663/no-more-e-books-vs-print-books-arguments-ok?sc=tw&amp;cc=share" target="_blank">No More E-Books Vs. Print Books Arguments, OK?</a></p>
<p style="text-align: justify">Retórica para que te quero - <a href="http://nomundoeditorial.blogspot.com/2012/01/afinal-quantos-livros-estao-sendo.html" target="_blank">Afinal, quantos livros estão sendo vendidos?</a></p>
<p style="text-align: justify">Viver a Vida - <a href="http://www.livrosabertos.com.br/?p=1749" target="_blank">Virginia Woolf  - A medida da vida</a> e Vila-Matas: <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/pelo-mundo/como-viver-por-vila-matas/" target="_blank">Como viver</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Paraíso das traças - <a href="http://javiermariasblog.wordpress.com/2012/01/28/javier-marias-manual-de-literatura/" target="_blank">A biblioteca de Javier Marías</a> e <a href="http://flavorwire.com/254434/the-20-most-beautiful-bookstores-in-the-world" target="_blank">As mais belas livrarias do mundo</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Fãs do pirata James Joyce, que fez aniversário essa semana (<a href="http://www.theparisreview.org/blog/2012/02/02/document-happy-birthday-james-joyce/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+TheParisReviewBlog+%28The+Paris+Review+Blog%29&amp;utm_content=Google+Reader" target="_blank">documento da Paris Review</a>), mas não quis sair do túmulo e mandou a marmota em seu lugar, já deliram com panteras ao verem a <a href="https://twitter.com/#!/andre_conti/status/165117780998373378/photo/1" target="_blank">capa da nova tradução de Ulysses</a> com lançamento previsto para abril!</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=10451" target="_blank">O escritor que não conseguia ler</a>, enquanto há boatos que <a href="http://www.yabu.com.br/blog/2012/01/30/brasileiro-nao-gosta-de-ler/" target="_blank">“brasileiro não gosta de ler”</a>, descubra essa e outras lendas do nosso foclore. Antes você pode correr até o <a href="http://www.amalgama.blog.br/01/2012/salman-rushdie-affair-versos-satanicos/" target="_blank">Amálgama e ler um artigo de Nick Cohen, do The Observer, comentando a desistência de Salman Rushdie de participar do Festival de Jaipul.</a> No Festival do Litoral fluminense, <a href="http://www.flip.org.br/noticias.php?id=704" target="_blank">mais dois nomes pra Flip: Javier Cercas e Zoé Valdés</a>. E acharam que o cigarro de <a href="http://www.revistaenie.clarin.com/literatura/Bob-Marley-Feria-del-Libro-de-La-Habana_0_638936320.html" target="_blank">Bob Marley era charuto e o músico será homenageado na Feira de Livros de Cuba</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Xiitas de plantão subiram pelas paredes, roeram as unhas e já planejam o churrasco dos devotos diferenciados a frente da DC Comics que <a href="http://dcu.blog.dccomics.com/2012/02/01/dc-entertainment-officially-announces-%E2%80%9Cbefore-watchmen%E2%80%9D/" target="_blank">anunciou &#8220;Before Watchmen&#8221;</a>. Mais extremistas e mais céticos <a href="http://papodehomem.com.br/30-autores-fodas-falam-sobre-deus-e-ateismo/">são os escritores, 30 para ser mais exato, que falam sobre D&#8217;us</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Coming soon - <a href="http://omelete.uol.com.br/cinema/notas-sobre-gaza-de-joe-sacco-vai-virar-filme/" target="_blank">Notas sobre Gaza no cinema</a>. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1040092-woody-allen-fala-sobre-sua-vida-e-processo-de-criacao-em-filme.shtml" target="_blank">Woody Allen</a> fala sobre sua vida e processo de criação em filme. <a href="http://www.guardian.co.uk/film/2012/jan/30/girl-dragon-tattoo-cancelled-india" target="_blank">Os homens que não amavam as mulheres</a> é cancelado na China após Diretor se recusar a cortar cenas de sexo. O mais chocante é <a href="http://latimesblogs.latimes.com/movies/2012/01/ferris-bueller-honda-super-bowm-matthew-broderick-ad.html" target="_blank">Ferris Bueller, em crise de meia idade, trocando uma Ferrari envenenada por um Honda</a> de tiozão.</p>
<p style="text-align: justify">Resenhas de montão: <a href="http://armonte.wordpress.com/2012/01/29/os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-encanto-e-frustracao/" target="_blank">Alfredo Monte comenta <em>Os Homens que não Amavam as Mulheres</em>, do sueco Stieg Larsson</a> e <a href="http://mundodek.blogspot.com/2012/01/flavio-quintale-os-peppini.html" target="_blank">Kovacs comentando <em>Os Peppini</em>, de Flavio Quintale.</a></p>
<p style="text-align: justify">Poliglota &#8211; a) <a href="http://www.revistaenie.clarin.com/literatura/El-dia-que-Bolano-decidio-ser-novelista_0_637136474.html" target="_blank">El día que Bolaño decidió ser novelista</a>. b) <a href="http://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2012/01/guns-pipes-and-puppies-famous-authors-signature-accessories/252225/#slide1" target="_blank">Guns, Pipes, and Puppies: Famous Authors&#8217; Signature Accessories</a>. c) <a href="http://bookriot.com/?p=9722" target="_blank">What I Hate About Being a Reader</a>. d) <a href="http://www.youtube.com/watch?v=3Gwhp3MuXXE&amp;feature=youtu.be" target="_blank">The Inevitable Sh*t Agents and Editors Say</a>. e) <a href="http://flavorwire.com/253959/your-favorite-authors-favorite-books-of-all-time" target="_blank">Your Favorite Authors’ Favorite Books of All Time</a>. f) <a href="http://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2012/01/the-greatest-books-of-all-time-as-voted-by-125-famous-authors/252209/" target="_blank">The Greatest Books of All Time, as Voted by 125 Famous Authors</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Martelo - <a href="http://www.publico.pt/Cultura/primeira-edicao-de-mensagem-de-fernando-pessoa-leiloada-por-3800-euros-1531760?utm_source=feedburner" target="_blank">Primeira edição de “Mensagem”, de Fernando Pessoa, leiloada por 3800 euros</a> e <a href="http://cultura.elpais.com/cultura/2012/01/30/actualidad/1327935764_297421.html" target="_blank">quadro pintado por Adolf Hitler foi leiloado na Eslováquia</a>.</p>
<p style="text-align: justify">No Blog da Companhia das Letras, <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2012/01/nao-nao-e-nao/" target="_blank">Vanessa Bárbara fala sobre recusas de convites</a> e <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2012/02/leitura-em-voz-alta/">Carol Bensimon</a> discorre sobre leitura em voz alta.</p>
<p style="text-align: justify">Bônus track: <a href="http://rockntech.com.br/travesseiro-em-forma-de-livro-indicado-para-os-que-sempre-dormem-enquanto-estudam/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+rockntech+%28ROCK%27N+TECH+-+O+maior+conte%C3%BAdo+geek+do+Brasil!%29&amp;utm_content=Google+Reader" target="_blank">Travesseiro em forma de livro. Indicado para os que sempre dormem enquanto estudam</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Lançamentos da Companhia das Letras:</strong></p>
<p style="text-align: justify">Os gêmeos (Crônicas de Salicanda – Volume 1), de Pauline Alphen (Tradução Dorothée de Bruchard)<br />
O último suspiro do mouro, de Salman Rushdie (Tradução Paulo Henriques Britto)<br />
A educação de uma criança sob o Protetorado Britânico, de Chinua Achebe (Tradução Isa Mara Lando)<br />
Clara dos Anjos, de Lima Barreto<br />
Diário de Oaxaca, Oliver Sacks (Tradução Laura Teixeira Motta)<br />
A águia que não queria voar, de James Aggrey e Wolf Erlbruch (Tradução Sergio Tellaroli)<br />
Na casa do Leo — O corpo humano, de Philip Ardagh (Tradução Érico Assis)<br />
Beto e Bia em De Mentirinha, de Geoffrey Hayes (Tradução Érico Assis)<br />
O peixe e a passarinha, de Blandina Franco e José Carlos Lollo</p>
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		<title>Drive (James Sallis)</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/31/drive-james-sallis/</link>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 13:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há um termo pejorativo em inglês conhecido como chick-lit, ou seja, literatura para garotinhas, e mulherzinhas também, com muito açúcar, corações partidos, reatados e questões voltadas mais para o universo feminino (ou como é considerado universal, afinal, nem todas as mulheres e garotas gostam de livros dessa alcunha). Familiarizado com esse termo por causa da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/drive.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17857" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/drive-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" /></a>Há um termo pejorativo em inglês conhecido como <em>chick-lit</em>, ou seja, literatura para garotinhas, e mulherzinhas também, com muito açúcar, corações partidos, reatados e questões voltadas mais para o universo feminino (ou como é considerado universal, afinal, nem todas as mulheres e garotas gostam de livros dessa alcunha). Familiarizado com esse termo por causa da série<em> Crepúsculo</em>, tentei encontrar um equivalente para o gênero masculino durante a minha leitura de <em>Drive</em>, de <strong>James Sallis</strong>, lançado pela editora Leya, mas não encontrei algo específico mesmo recorrendo à Anica, a quem expliquei ser um gênero recheado de violência, anti-heróis <em>bad asses</em>, carros e frases espertinhas.</p>
<p style="text-align: justify">Neste quarto livro escrito pelo autor norte-americano, e primeiro levado às telas no ano passado com Ryan Gosling no papel principal, acompanhamos a vida e carreira d’O Piloto, nascido em um lar destruído com ambos os pais com problemas, crescendo em outra casa, fugindo para Los Angeles e finalmente conseguindo uma carreira: a de motorista em cenas de ação em grandes produções hollywoodianas &#8211; de acordo com o próprio personagem, ele dirige e é apenas isso que faz, e muito bem. Não há, porém, lendo por cima essa pequena sinopse, nada de superação ou um verdadeiro sonho americano, a história não é apresentada em ordem cronológica, não são <em>flashbacks</em> e <em>flashfowards</em>, são momentos isolados que montam a vida do Piloto, o que obriga o leitor a ficar atento às diversas pontas que vão se amarrando.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17855"></span>A trama não se prende apenas a manobras automobilísticas em sets de filmagem, um dos bicos d’O Piloto é ser motorista de fuga para criminosos e ajudá-los a sumir antes da polícia aparecer. É claro que muitos dos crimes não dão certo e auxiliam na injeção de suspense, que nunca é solucionado no capítulo seguinte, sempre em pílulas, e é como poderia ser classificado grande parte dos capítulos do livros, alguns não ocupam mais que uma página.</p>
<p style="text-align: justify">Perto de um desfecho, ou o que poderia ser um, afinal, James Sallis fala que muitas coisas aconteceram com O Piloto depois das histórias apresentadas nesse livro, mas uma das coisas mais bizarras, que até assustam quando se lê, é quando o personagem principal tem lembranças e não sabe se são reais ou imaginárias. Ele começa a travar uma conversa sobre Dom Quixote e Borges para assimilar e aceitar o mundo real e violento.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Drive</em> não é um livro de mistério a ser solucionado, é um livro de ação com toques de suspense e em diversos momentos é possível ler numa tacada só e, realmente, esquecer quem é quem ou em que período do tempo estamos, qual segmento é mais importante &#8211; todos são. O que poderia ser ruim como um filme do gênero Michael Bay, em que cortes rápidos de câmera não deixam o espectador ver, nesse livro a ação é direta e descritiva, mas não se apega a detalhes mínimos de como a pessoa quebrou um braço e como ocorreu dentro do corpo dela. Não é uma questão de superficialidade ou falta de descrição, tudo é mantido de maneira sucinta para não atrapalhar o ritmo de adrenalina proposto por Sallis. Isso é tão visível que grande parte dos seus personagens não têm nomes próprios, os que participam de subtramas mais relevantes têm apelidos, como O Cozinheiro, O Montanha, O Doutor, etc.; enquanto outros têm nomes curtos, como Nino, Manny, os Smiths, o que ajuda na leitura desenfreada.</p>
<p style="text-align: justify">Irônico é que o filme inspirado por esse livro não pega todas as histórias, apenas duas, e as juntam transformando a trama em um suspense sufocante, pois assim como o protagonista do livro, na grande tela não existem diálogos marcantes dele, seu silêncio é seu principal trunfo para passar despercebido. Aliás, são dois exemplares diferentes que jogam muito bem em seus esportes, o livro consegue prender o leitor, enganá-lo e fazê-lo repensar as situações, enquanto o filme cria um certo desespero com tanto suspense e choque com a violência. Se alguém disser que o livro é melhor, não confie.</p>
<p style="text-align: justify"><em>Drive</em> não mudará sua vida em nada, é entretenimento em forma de braços quebrados, perseguições de carros e, acreditem, longe de qualquer romantismo. É nesse ponto que demorei para formular um gênero específico para garotos, graças à Anica, não achei outro melhor:<em> testo-lit</em>, a literatura de testosterona, não apenas para os marmanjos que querem ter a língua afiada, mas para qualquer pessoa que quer um pouco menos de açúcar em forma de prosa.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>SALLIS,</strong> James. <em>Drive</em>. Editora Leya, 2012. Tradução: Texto Editores Ltda. 160 páginas. Preço sugerido: R$ 29,90.</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Editora Leya</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.leya.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/leyalogo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
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		<title>Links e Notícias da Semana #73</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 16:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direto da paulicéia de Noé e seus dilúvios, abrimos mais alguns links e notícias da semana, a começar não por literatura, mas pelo cinema: a Academia mostrou seus polêmicos indicados ao Oscar 2012. Em resumo, muitos filmes e muitos roteiros adaptados, na verdade cinco, alguns baseados em livros que a Anica citou nesses (um, dois) posts [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_17793" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/bolo-de-livros.jpg"><img class="size-medium wp-image-17793" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/bolo-de-livros-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Meia Palavra entra pro mundo hipster e posta foto de bolo + filtro + livros de bolo (mentira, pegamos de um usuário do instagram)</p></div>
<p style="text-align: justify">Direto da paulicéia de Noé e seus dilúvios, abrimos mais alguns links e notícias da semana, a começar não por literatura, mas pelo cinema: a Academia mostrou seus polêmicos <a href="http://a.oscar.go.com/media/2012/pdf/nominees.pdf" target="_blank">indicados ao Oscar 2012</a>. Em resumo, muitos filmes e muitos roteiros adaptados, na verdade cinco, alguns baseados em livros que a Anica citou nesses (<a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/17/filmes-adaptados-de-livros-que-chegam-em-2012/">um</a>, <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/24/filmes-adaptados-de-livros-que-chegam-em-2012-segunda-parte/">dois</a>) posts rechonchudos. Lá no Judão, resenha dos indicados <a href="http://judao.mtv.uol.com.br/cinema/millenium-os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-e-uma-boa-adaptacao-mas/">Os Homens Que Não Amavam As Mulheres</a>, que a Dindii <a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/27/especial-os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-parte-02/">resenhou aqui</a> hoje também, e <a href="http://judao.mtv.uol.com.br/cinema/os-descendentes-familia-e-tudo-de-bom-e-ruim-que-se-pode-ter-com-e-sem-ela/">Os Descendentes</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Se todo prêmio é um Oscar de alguma coisa, o Oscar é o Oscar do cinema e gera discussões pelos <a href="http://www.20minutes.fr/cinema/diaporama-2050-photo-698820-oscars-20-oublis-impardonnables" target="_blank">20 filmes imperdoavelmente esquecidos</a> pelo careca dourado. Só que mais arrebatador do que uma boa argumentação sobre obras de artes, blockbusters de verão e velhinhos judeus reacionários, os fãs e detratores do Super Bowl se arrepiaram, não de medo e nem de frio, com um misterioso teaser <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/matthew-broderick-vai-reviver-personagem-de-curtindo-vida-adoidado-3774914" target="_blank">com o ator Matthew Broderick revivendo o personagem de Ferris Bueller, do jovem clássico de quase 30 anos, Curtindo a vida adoidado</a>. Vem sequência ou não rola nem um touchdown?</p>
<p style="text-align: justify">Já na literatura, veja os <a href="http://www.themillions.com/2012/01/2011-national-book-critics-circle-award-finalists-announced.html" target="_blank">finalistas do National Book Critics Circle Award e trechos das obras indicadas</a>. Não é premiação, mas é mais badalado que perestroika, a Flip pode trazer os fundadores do <a href="http://valerumlivro.mtv.uol.com.br/2012/01/19/fundadores-do-google-podem-participar-da-flip/" target="_blank">Google</a>, enquanto isso não se afirma, vamos a confirmação de <a href="http://www.companhiadasletras.com.br/noticias.php?id=728" target="_blank">Greenblatt no evento</a>.</p>
<div style="text-align: justify">
<p>Os donos dos direitos de imagem do cãozinho Totó não gostaram nem um pouco que um dos fundadores da Cosac Naify usou o nome em vão, mas vale a pena uma lida na história de vida do ex-rapaz, agora homem formado: <a href="http://www.valor.com.br/cultura/2491934/um-personagem-procura-de-seus-autores" target="_blank">um personagem à procura de seus autores</a>. Easy come, easy go: <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/pelo-mundo/quer-ganhar-aumento-leia-guimaraes-rosa/" target="_blank">Ler ficção aumenta a &#8220;inteligência emocional&#8221; e o salário?</a>. Mandão quem manda, esperto quem ignora, mas <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/uma-nova-ordem-no-mercado-editorial-brasileiro-3735071" target="_blank">uma nova ordem no mercado editorial brasileiro</a> surge. <a href="http://br.noticias.yahoo.com/vamos-arrebentar-mercado-externo-diz-luciana-villas-boas-092300600.html" target="_blank">&#8216;Vamos arrebentar no mercado externo&#8217;, afirma Luciana Villas-Boas</a>. <a href="http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=66870" target="_blank">Editoras deixam de vender 10% dos títulos porque eles estão esgotados</a>. Pode vir quente que eu já achei a mangueira, porque as <a href="http://publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=66849" target="_blank">livrarias brasileiras mantêm planos de expansão física</a>.</p>
<p>Na língua-mãe de Shakespeare, <a href="http://open.salon.com/blog/jlsathre/2012/01/11/25_things_i_learned_from_opening_a_bookstore" target="_blank">25 Things I Learned From Opening a Bookstore</a>, e falando no bardo, <a href="http://shine.yahoo.com/work-money/ten-everyday-phrases-written-shakespeare-232900030.html" target="_blank">10 Shakespeare Quotes you Use Every Day</a>. The best for last: <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2012/jan/26/vladimir-putin-book-russian-canon" target="_blank">Vladimir Putin plans 100-book Russian canon all students must read</a>.</p>
<p>Lista da semana: <a href="http://listasliterarias.blogspot.com/2012/01/10-escritores-que-preferem-nao-usar.html" target="_blank">10 Escritores que preferem não usar computadores para escrever</a>.</p>
<p>Entrevista com o dono da Poesia Incompleta, <a href="http://meupedelaranjamecanica.wordpress.com/2012/01/21/mas-ouca-na-lousa-da-noite-os-grilos-vao-deixando-reticencias/" target="_blank">a única livraria de Portugal dedicada exclusivamente a livros de poesia</a>. O escritor argentino <a href="http://www.elpais.com/articulo/portada/gato/elpepuculbab/20120121elpbabpor_58/Tes" target="_blank">Ricardo Piglia</a> volta a publicar trechos de seu diário no jornal El País. Ainda no país coirmão, <a href="http://www.revistaenie.clarin.com/literatura/Adelanto-exclusivo-Julio-Cortazar-en-primera-persona_0_631736827.html" target="_blank">nova edição da correspondência de Julio Cortázar incluí mais de 1000 novas cartas</a>.</p>
<p>Leitores do Meia Palavra, respondam: <a href="http://publishingperspectives.com/2012/01/the-value-rubric-do-book-bloggers-really-matter/" target="_blank">Os blogs literários são realmente importantes?</a> <a href="http://www.businessinsider.com/15-banned-google-interview-questions-that-will-make-you-feel-stupid-2011-11" target="_blank">15 Questões BANIDAS nas entrevistas para a Google</a>.</p>
</div>
<p style="text-align: justify"><a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/01/compare-sao-paulo-da-vida-real-com-aquela-que-so-existe-nos-quadrinhos.html" target="_blank">A cidade de São Paulo retratada por quadrinistas</a>. <a href="http://cyrilpedrosa.blogspot.com/2012/01/brazil-part-two-belo-horizonte.html" target="_blank">Cyril Pedrosa abre seus carnets e mostra desenhos sobre o Brasil em seu blog</a>. <a href="http://www.jornaldamanhamarilia.com.br/noticia/11681/Cafe-Espacial-disputa-principal-premio-frances-de-quadrinhos/" target="_blank">Revista Café Espacial disputa principal prêmio francês de quadrinhos</a>. No Festival de Angoulême, <a href="http://www.24hdelabandedessinee.com/public/list2012.php" target="_blank">autores e amadores participaram das 24 horas de HQ</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Companhia das Letras faz <a href="http://www.youtube.com/watch?v=_-5cAFTx1AU" target="_blank">vídeo comentando os lançamentos infantojuvenis do primeiro semestre de 2012</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Lançamentos da Companhia das Letras:</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13077" target="_blank">Estrada escura</a></em>, de Dennis Lehane</strong> (Tradução de Fernanda Abreu)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11680" target="_blank">A ponte invisível</a></em>, de Julie Orringer</strong> (Tradução de Rubens Figueiredo)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=87010" target="_blank">Infiel</a></em>, de Ayaan Hirsi Ali</strong> (Nova edição econômica; Tradução de Luiz A. de Araújo)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12730" target="_blank">A gênese da sociedade do espetáculo</a></em>, de Christophe Charle</strong> (Tradução de Hildegard Feist)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80089" target="_blank">A vida está em outro lugar</a></em>, de Milan Kundera</strong> (Tradução de Denise Rangé Barreto)</p>
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		<title>O Buda do subúrbio (Hanif Kureishi)</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 13:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Stephen Frears]]></category>

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		<description><![CDATA[É quase trágico quando um livro é hilário de uma maneira triste, quando não importa o quão histérica as situações se moldem, elas têm, no fundo, algo a mais para contar &#8211; um subtexto poderoso que funciona como crítica e autorreflexão. Hanif Kureishi tem esse estilo em demasia em O Buda do subúrbio, obra de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/obuda.jpg"><img class="size-full wp-image-17639 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/obuda-e1327281502585.jpg" alt="" width="188" height="279" /></a>É quase trágico quando um livro é hilário de uma maneira triste, quando não importa o quão histérica as situações se moldem, elas têm, no fundo, algo a mais para contar &#8211; um subtexto poderoso que funciona como crítica e autorreflexão.<strong> Hanif Kureishi</strong> tem esse estilo em demasia em <em>O Buda do subúrbio</em>, obra de 1990. O autor foi roteirista de dois filmes dirigidos por <strong>Stephen Frears</strong> (diretor de <em>Alta Fidelidade</em>) carregados de questões sexuais e de preconceitos. Não é de se admirar que esse primeiro romance carregue tantas dessas questões, juntando também um cenário setentista onde o rock pulsava na veia dos jovens e a capital londrina era uma porta de entrada para os prazeres ilícitos.</p>
<p style="text-align: justify">Karim Amir é o narrador e filho de um imigrante indiano chamado Haroon &#8211; que mudou-se para Londres para cursar direito, mas seus excessos com bebida e festas o fizeram casar-se cedo com a britânica Margaret e ir viver no subúrbio de Chislehurst, no condado de Kent &#8211; e vive uma fase de descobertas na vida junto a seu pai. Haroon está em uma crise de meia idade em que necessita encontrar paz interior, ele acaba seduzido por Eva, que o convence a espalhar a espiritualidade pelos subúrbios &#8211; aproveitando a onda paz e amor da época &#8211; e para burgueses entediados como um excepcional guru. Karim embarca nas aventuras do pai e passa a chamá-lo de Deus. Eva é mãe de Charlie, um lindo rapaz que desperta sentimento e tesão em nosso narrador-personagem.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17638"></span>Tendo que viver em uma época de turbulência política, cercado pelo preconceito &#8211; não apenas na questão racial, mas também sexual -, Karim é uma verdadeira bomba relógio numa cidade muito pequena. Ele precisa se libertar através da música e do sexo, e suas reflexões sobre a vida mostram um retrato amargo em plenos anos 1970 e ao mesmo tempo com doses de esperança e momentos melancólicos camuflados com seu humor único. É impossível não rir das passagens em que ele cita a maneira de seu pai se vestir &#8211; &#8220;Com certeza era exótico, provavelmente único homem do sul da Inglaterra (fora George Harrison, possivelmente) a usar um colete vermelho e dourado e pijamas indianos&#8221;. Essas pequenas passagens mostram um preconceito intrínseco dentro do personagem, que mudará durante sua ida para Londres, onde, possivelmente encontrará sua vocação e salvação. A busca do &#8220;eu interior&#8221; de Haroon é uma das muitas ambiguidades de <em>O Buda do subúrbio</em>, afinal como é viável alguém que chegou em elevação espiritual se zangar com situações supérfulas e até, vejam que irônico, sentir ciúme da mulher que abandonou.</p>
<p style="text-align: justify">É possível ser preconceituoso mesmo sendo vítima de preconceito. O amadurecimento de Karim ocorrerá aos poucos, como um caminho a ser percorrido (sim, com essa clareza) entre Chislehurst e Londres. Ele conhecerá um dos amores da sua vida &#8211; incluindo um triângulo amoroso &#8211; e começará a questionar as suas crenças e seu momento na história. Afinal, a visão revolucionária da época seria mesmo concretizada ou todos viveriam num transe até acordarem? Karim levanta questões sem questionar a si mesmo ou dirigir-se ao leitor, dessa forma conquista com sua sinceridade voraz &#8211; distanciando-se da sua psique vezes contraditória e entrando em um surto de consciência inacreditáveis &#8211; e seu aprendizado com os mais diversos personagens &#8211; Changez, uma pessoa repugnante que beira a um autismo funcional e  noivo prometido da britânica e muçulmana Jamila, uma mulher liberal (em quase todos os sentidos); e Pike, diretor de um grupo de teatro, são os maiores destaques.</p>
<p style="text-align: justify">Por ser vir do cinema para a literatura, Kureishi trabalha muito com detalhes visuais no livro, descreve roupas e o físico dos personagens com muita desenvoltura. Aliado a um poder descritivo de sensações, principalmente nas cenas mais eróticas, a precisão do escritor é incrível e envolvente, mesmo que muitas vezes pareça alguns capítulos são, essencialmente, um episódio de uma série com começo, meio e fim fechados neles.</p>
<p style="text-align: justify">A crítica da cultura de massa é tão forte e tão igualitária quanto a cultura pop para Karim (ou seria Hanif?), há um desprezo tão forte e rancoroso (e uma admiração suicida), quase anárquico &#8211; como a música punk que ascende nos porões londrinos &#8211; para as duas no decorrer da história. As quase inexistentes diferenças entre ser um ator, um político ou um deus. <em>O Buda do subúrbio</em> é por todas as suas linhas um livro cínico e taciturno, não é uma leitura digerível quando chega ao ponto máximo de rirmos de situações condenáveis.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>KUREISHI</strong>, Hanif. <em>O Buda do subúrbio</em>. Companhia das Letras, 2003. Tradução: Celso Nogueira. Págs. 300.</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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		<title>Links e Notícias da Semana #72</title>
		<link>http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/20/links-e-noticias-da-semana-72/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 16:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Saiba mais sobre essa tira perdida. Mal virou boato e já tem gente torcendo o nariz para Mario Vargas Llosa como diretor do Instituto Cervantes. Enquanto isso, no lustre do castelo, mas não, lá da Catalunha mesmo, vem o grito a plenos pulmões de Vila-Matas: Voltarei à Flip para lançar meu novo livro, &#8220;Aire de Dylan&#8221;, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_17576" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/1peanuts1958.jpg"><img class="size-medium wp-image-17576" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/1peanuts1958-300x238.jpg" alt="" width="300" height="238" /></a><p class="wp-caption-text">Tira perdida de Peanuts, clique na imagem para ver maior</p></div>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa <a href="http://www.updateordie.com/2012/01/17/tira-perdida-dos-peanuts-de-1958/" target="_blank">tira perdida</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Mal virou boato e já tem gente torcendo o nariz para <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,vargas-llosa-pode-dirigir-cervantes,824526,0.htm">Mario Vargas Llosa</a> como diretor do Instituto Cervantes. Enquanto isso, no lustre do castelo, mas não, lá da Catalunha mesmo, vem o grito a plenos pulmões de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/19867-vila-matas-volta-a-flip.shtml" target="_blank">Vila-Matas: Voltarei à Flip para lançar meu novo livro, &#8220;Aire de Dylan&#8221;</a>, que tem passagem ambientada no Mercado Municipal de São Paulo. Com um <em>apelido </em>forte desses, Enrique e seus contemporâneos Pauls, Fresán e outros sem sobrenomes marcantes <a href="http://www.elpais.com/articulo/portada/secreto/dioses/elpepuculbab/20120114elpbabpor_3/Tes" target="_blank">tentam definir o que é um escritor &#8220;cultuado&#8221;</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Há tempos o livro mais secreto de todos os tempos, capaz de levar homens de estatura baixa ao grande escalão de um país de primeiro mundo, parece que sairá das sombras, mas continua a causar polêmica, inclusive uma <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,editora-enfrenta-polemica-ao-reeditar-livro-de-hitler,823837,0.htm" target="_blank">editora inglesa enfrenta problemas ao reeditar livro de Hitler</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Furo da semana</strong>: <a href="http://publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=66782" target="_blank">Diretora editorial da Record deixará o cargo</a>.</p>
<div>
<p style="text-align: justify"><strong>Túnel das rememorações do Meia Palavra</strong>: <a href="http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/a-ultima-entrevista-de-guimaraes-rosa" target="_blank">A última entrevista de Guimarães Rosa</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>B.O.M</strong> (Boletim de Óbito do Meia): <a href="http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2012/01/16/escritor-bartolomeu-campos-de-queiros-morre-em-minas.htm" target="_blank">Na madrugada do dia 16/01, morreu o poeta Bartolomeu Campos de Queiroz</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Crepusletes<sup><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2012/01/20/links-e-noticias-da-semana-72/#footnote_0_17575" id="identifier_0_17575" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="by Pablo Vila&ccedil;a">1</a></sup> e demais simpatizantes de fadas e cães telepatas, apaixonados por uma estátua de cera dividem-se entre TeamHATE e TeamCANTWAIT com a nota divulgada de que a <a href="http://www.guardian.co.uk/film/2012/jan/16/twilight-saga-breaking-dawn" target="_blank">Saga Crepúsculo deve ter continuação, mesmo sem a publicação de novos livros</a>. Os fãs não se cansam e gostam de imaginar <a href="http://www.failwars.com.br/nerd-feelings/se-harry-potter-fosse-um-anime-2/" target="_blank">como seria a abertura de Harry Potter se fosse um anime</a>.</p>
<p style="text-align: justify">No Todoprosa, <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/pelo-mundo/o-critico-demolidor-como-personagem-folclorico-e-outros-links/" target="_blank">o ‘crítico demolidor’ como figura folclórica e outros links</a> e <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/pelo-mundo/como-nao-escrever-um-romance-o-escracho/" target="_blank">como não escrever um romance</a>. No Blog da Companhia, o chefão de lá, <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2012/01/guerra-e-paz-em-areias-baianas/" target="_blank">Luiz Schwarcz</a>, fala sobre férias recheadas de areia e <em>Guerra e Paz</em>. Para quem não sabe, aquela que carrega a idade de cristo, Raquel Cozer, fala sobre <a href="http://abibliotecaderaquel.folha.blog.uol.com.br/arch2012-01-15_2012-01-21.html#2012_01-19_20_54_43-167024240-0" target="_blank">10 leituras para 2012</a>.</p>
<p style="text-align: justify">No Judão, <em><a href="http://judao.mtv.uol.com.br/cinema/as-aventuras-de-tintim-se-voce-gostava-do-desenho-e-impossivel-nao-gostar-desse-filme/">As Aventuras de Tintim</a></em> é a redenção de Steven Spielberg. Falando na sétima arte, o Haruki Murakami das telas, Quentin Tarantino, <a href="http://omelete.uol.com.br/cinema/quentin-tarantino-lista-os-seus-filmes-favoritos-de-2011-e-tambem-os-piores/" target="_blank">faz sua lista dos melhores e piores filmes de 2011</a>.</p>
<p style="text-align: justify">O mundo digital, com a bola toda, agora tem <a href="http://revolucaoebook.com.br/cursos-verao-entenda-livro-digital-epub-com-software-livre-escrita-criativa-com-ebooks/" target="_blank">cursos de verão sobre livros digitais e ePub</a>. Já que agora todos querem digital de bits and bytes, a <a href="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/1,,EMI281048-17933,00.html" target="_blank">Amazon lança sua própria editora</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Maior que a força das chuvas na paulicéia desvairada, <a href="http://www.elpais.com/articulo/cultura/nuevo/Paul/Auster/primero/e-book/elpepucul/20120112elpepucul_5/Tes" target="_blank">novo livro de Paul Auster, &#8220;Winter Journal&#8221;, será lançado no formato digital antes do papel</a> para deixar leitores ultra-ortodoxos de cabelo em pé. <a href="http://www.warrenellis.com/?p=13633" target="_blank">Warren Ellis</a> diz para que serve um roteiro de quadrinhos. E se você já sabia, vamos aos <a href="http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=10413" target="_blank">Livros absurdos</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Não tome um Balão, porque a Balão Editorial mandou avisar: no próximo sábado, dia 21 de janeiro, rola o lançamento em São Paulo de <em>Os Passarinhos e Outros Bichos</em>, segundo volume de tiras dos personagens Hector e Afonso, criados por Estevão Ribeiro. &#8220;Esse lançamento tem um significado especial para nós, pois foi com <em>Hector e Afonso &#8211; Os Passarinhos</em> que inauguramos a editora e agora chegamos ao volume 2 no nosso aniversário.&#8221; O lançamento acontecerá na Gibiteria, que fica na Praça Benedito Calixto, 158 &#8211; 1º andar, loja 11, em Pinheiros. O evento é a partir das 15h.</p>
<p style="text-align: justify">No dia seguinte, 22 de janeiro, a festa acontece no Bar Paiol, também no bairro de Pinheiros, na Rua Inácio Pereira da Rocha, 273, a partir das 16h. Nesse dia, todos os livros da Balão Editorial com descontos progressivos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Lançamentos da Companhia das Letras:</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13168" target="_blank">As coisas: uma história dos anos sessenta</a></em>, de Georges Perec</strong> (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)<br />
<strong><em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13013" target="_blank">Dez mil guitarras</a></em>, de Catherine Clément</strong> (Tradução de Eduardo Brandão)</p>
</div>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_17575" class="footnote">by Pablo Vilaça</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Pedro Páramo (Juan Rulfo)</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 19:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um eco continua e ninguém se dá conta até onde ele vai: se ao final da caverna, onde irá sumir, ou se atravessa as paredes rochosas feito uma alma penada para continuar. Aquele barulho que ouvimos no meio da noite, como estalos de madeira com a mudança de temperatura, seria apenas um eco de algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/pedroparamo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17336" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/pedroparamo-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>Um eco continua e ninguém se dá conta até onde ele vai: se ao final da caverna, onde irá sumir, ou se atravessa as paredes rochosas feito uma alma penada para continuar. Aquele barulho que ouvimos no meio da noite, como estalos de madeira com a mudança de temperatura, seria apenas um eco de algo que está acontecendo em um lugar mais afastado? Ou seriam esses ruídos vozes perdidas querendo invadir um tempo que não lhes pertencem para contar-nos vossas histórias e as de muitos outros? Tudo pode ser real desde que se preste atenção nos estrépitos aliterados do romance de ecos <em>Pedro Páramo</em>, um dos dois livros escritos pelo autor mexicano <strong>Juan Rulfo</strong> &#8211; o outro é de contos &#8211; e tendo sua segunda edição pela BestBolso, lançada em 2011 com tradução de Eric Nepomuceno.</p>
<p style="text-align: justify">Às voltas com a mãe moribunda, Juan Preciado promete a ela que irá atrás de seu pai, Pedro Páramo, na distante cidade de Comala para reaver o que é seu de direito. Ao chegar à cidade descobre que seu pai está morto há anos e que Comala deixou de existir quase que por completo, não fossem pelos defuntos que vagam sem rumo. A simplicidade não está somente na sinopse, um romance deveras singelo que nunca perde sua elegância e vitalidade, mistério e invenção. As vozes e ecos que narram <em>Pedro Páramo</em> não são as mesmas, alterando entre terceira e primeira pessoa, o livro é um depósito de fragmentos que servem para contar a história do personagem que dá nome à obra, que teve uma infância miserável e se alçou como maior coronel e dono de terras de sua região, e sobre a cidade &#8211; escutando até seus fantasmas: aqui os mortos em suas covas participam da “contação” da história.</p>
<p style="text-align: justify">Adepto de um exercício de concisão literária, Juan Rulfo acreditava que para compor grandes histórias era preciso cortá-las e torná-las eficientes o suficiente para arrebatar os leitores. A diminuição dos textos são inversamente proporcionais a tamanha colaboração que o escritor teve na literatura. Publicou apenas dois livros oficialmente e se manteve em silêncio literário pelo resto da vida, conseguindo dois prêmios notórios: Prêmio Nacional de Literatura do México e Prêmio Príncipe de Asturías. Em sua homenagem, foi criado em 1991 o Prêmio Juan Rulfo, que laureia os grandes nomes da literatura latino-americana.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17335"></span>A tarefa de diferenciar os sonhos de Juan Preciado, a realidade de Comala e as aparições sobrenaturais tomam conta quase que inteiramente da primeira parte do romance &#8211; mesmo sem ter numerações ou referências é possível notar uma leve diferença na forma de contar a história dos diferentes narradores em terceira pessoa, enquanto os saltos no tempo se fazem necessários para manter o mistério (para o leitor) da morte de Pedro Páramo e seu legado à cidade. A segunda parte estabelece o vai-e-volta no tempo deixando mais sucinto o que é extranatural e loucura.</p>
<p style="text-align: justify">Pedro Páramo é uma figura ambígua e chega a uma característica de divindade dentro desse universo criado por Juan Rulfo. Por mais que seja um antagonista, muito do que ocorre na cidade de Comala se deve a ele. Grande parte das mulheres da cidade tiveram um filho seu &#8211; poder da fertilidade &#8211; e o crescimento dela e sua sustentabilidade devem-se aos negócios e às terras vigiadas pelo personagem. É também por sua decisão que a cidade entra na revolução, apesar de escolher o lado de quem está ganhando (estaria o Todo Poderoso ao lado apenas de quem vence?). Em nenhum momento há alguém que desafie Dom Pedro Páramo, seu poder ou sua divindade, mesmo que suas decisões estejam equivocadas e não há como passar batido o fato de que a cidade deixa de existir justamente quando ele para de viver. Não podemos ignorar o fato de que Pedro, o apóstolo, foi assim batizado por Jesus porque ele daria continuidade na sua igreja e que nele toda a palavra estaria fortalecida como uma rocha (significado do nome), algo inabalável &#8211; o que torna irônico a presença de um padre anti-herói na história &#8211; e Páramo, quando se entregou a morte, desmoronou com uma pilha de pedras.</p>
<p style="text-align: justify">Nenhum personagem é jogado no romance. Permitam-me falar sobre um dos grandes dentro de <em>Pedro Páramo</em>: o Padre Rentería, pároco pouco ortodoxo que tem uma personalidade ambivalente &#8211; por dentro tenta ser um homem bom, mas por fora é corrompido por mesquinharias e atitudes egoístas (incluindo aceitar dinheiro para enterrar um dos filhos de Dom Pedro) -, e muitos personagens não encontram nele um caminho para absolvição perante a Deus. Aí reside a razão para a cidade de Comala, anos após a revolução, manter a alma de todos os seus habitantes vagando e contando suas histórias.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">Saiu da casa e olhou o céu. Choviam estrelas. Lamentou aquilo, porque teria gostado de ver um céu quieto. Ouviu o canto dos galos. Sentiu a envoltura da noite cobrindo a terra. A terra, “este vale de lágrimas&#8221;.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Todas as vozes de personagens invisíveis podem vir a confundir o leitor tamanha a variação delas e seu envolvimento direto ou indireto com Pedro Páramo &#8211; essa é a grande arma para o romance arrebatar a atenção de quem se atreve a lê-lo. Digno de uma construção linguística concisa e precisa &#8211; nada parece estar a mais ou a menos na obra -, Juan Rulfo não entrega nada por acaso ou facilmente, em sua estrutura não há uma linha temporal exata e muito menos um narrador fixo. As participações além-túmulo juntam-se às referências alegóricas e históricas sobre dois grandes acontecimentos no México: Revolução Mexicana &#8211; Pancho Villa é citado em dois momentos &#8211; e a Guerra Cristeira &#8211; tornando assim um exemplar importante do realismo fantástico reconhecido por Gabriel García Márquez (que por coincidência ou não tem um personagem em <em>Cem anos de solidão</em> com o mesmo nome a um desse romance), Mario Vargas Llosa e Julio Cortázar.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Juan Rulfo</strong> exige do leitor uma participação em <em>Pedro Páramo</em>, em diversos momentos aqueles que acompanham a narrativa podem entrar em dúvida se existem ou não os fantasmas, se tudo aquilo é real e quão real chega a ser. Essa é a chave que transforma esse único romance do escritor mexicano em um marco na literatura mundial, seu poder de fazer o leitor questionar sua própria interpretação diante das palavras e sentenças minuciosamente escolhidas.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>RULFO</strong>, Juan. <em>Pedro Páramo</em>. BestBolso, 2011. 2ª edição. Tradução: Eric Nepomuceno. 137 páginas. Preço sugerido: R$ 12,90.</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/06/logo.jpg" alt="" width="279" height="127" /></a></p>
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		<title>Minha querida Sputnik (Haruki Murakami)</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 13:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por um pequeno momento na vida, pode ter sido único ou ter-se repetido inúmeras vezes, uma pessoa se sente só. Se sente consumida pela solidão, como se uma inércia a puxasse para longe mesmo nos lugares mais lotados &#8211; cercada por diversas outras pessoas -, ou seja, há um isolamento quase natural. Dessa forma é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/minha_querida_sputnik.jpg"><img class="size-medium wp-image-17153 alignright" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/minha_querida_sputnik-189x300.jpg" alt="" width="189" height="300" /></a>Por um pequeno momento na vida, pode ter sido único ou ter-se repetido inúmeras vezes, uma pessoa se sente só. Se sente consumida pela solidão, como se uma inércia a puxasse para longe mesmo nos lugares mais lotados &#8211; cercada por diversas outras pessoas -, ou seja, há um isolamento quase natural. Dessa forma é como podemos ver uma das três personagens principais do romance <em>Minha querida Sputnik</em>, de <strong>Haruki Murakami,</strong> lançado pela Alfaguara e com tradução de Ana Luiza Dantes Borges, chamada Sumire.</p>
<p style="text-align: justify">Sumire é uma jovem introspectiva, leitora assídua de diversos romances, se veste como uma beatnik e pretende ser uma grande escritora, mesmo com a tenra idade de 22 anos, após largar a faculdade acreditando que os compromissos com os estudos atrasam sua carreira imediata. O único amigo dela é K., um jovem professor do primário e principal narrador, que a ajuda a solucionar questões existenciais durante a madrugada e alimenta estudos e divagações sobre livros em seus breves encontros. Ele nutre uma paixão por Sumire, mas ela não tem olhos, corpo e tampouco tesão para o amor.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17152"></span>Por nunca ter se apaixonado, Sumire, em primeira instância, surge quase como uma paciente típica de Asperger: não consegue se relacionar ou ter empatia pelas pessoas mais próximas. A força de seus questionamentos é o que a move pelo mundo e a faz escrever durante noites inteiras. Quando conhece Miu, uma empresária de beleza indescritível e inebriante, Sumire se vê apaixonada pela primeira vez &#8211; muito provável que, além da estética, a confusão feita pela empresária entre Sputnik (primeiro satélite lançado pelo homem) e Beatnik (o que muito lembra o Kurt Cobain e Kirk O’Bane de <em><a href="http://www.anica.com.br/2004/06/04/108639169287145700/">Um Grande Garoto</a></em>, de <strong>Nick Hornby</strong>) tenha conquistado a garota. Por causa desse trocadilho começam as análises mais interessantes do narrador (K.) sobre como os satélites pairam em órbita com a Terra, mas sem nunca tocá-la, uma espécie de solidão contempladora &#8211; observar o amado sem nunca chegar perto.</p>
<p style="text-align: justify">Levando em conta essa interpretação, muitos dos símbolos usados por Murakami (e até sua explicação, dentro da história, sobre símbolo e signo) neste romance fazem muito mais sentido, a solidão aqui tem muitas faces a serem descobertas. Em umas ela pode dividir e mudar a pessoa para sempre, em outras o personagem pode se perder dentro de sua própria mente ou, em um dos casos mais extremos, lhe devorar vivo. Por mais que o tema seja esse invariavelmente, <em>Minha querida Sputnik</em> reserva passagens belíssimas sobre a descrição do amor, de sentimentos inomináveis e até de uma ereção &#8211; sem esquecer das citações musicais típicas das obras do escritor (incluindo aqui o significado de Sumire).</p>
<p style="text-align: justify">É preciso pontuar que outro traço, presente em outros de seus livros que li, é ter outro narrador e outra narrativa &#8211; paralela ou não -, separada em dois capítulos, que ajudam a engrandecer mais ainda o mistério apresentado na metade da história. Todavia, o grande feito dessa obra é a transformação de cada personagem e suas visões sobre amor e solidão, cada um se desconstrói e se molda de outra forma, K. de uma maneira sucinta, Sumire radicalmente, mas superficialmente também e o deslocamento que essas metamorfoses trazem para suas vidas através de seus inconscientes coletivos.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Haruki Murakami</strong> tem uma narrativa pulsante e viciante, quando se começa a ler existe o envolvimento com os personagens e com os momentos surreais e viscerais que ele proporciona, o que o torna um dos maiores e melhores autores da atualidade, e essa obra é só mais uma prova.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>MURAKAMI</strong>, Haruki. <em>Minha querida Sputnik</em>. Alfaguara, 2008. Tradução: Ana Luiza Dantas Borges. 220 págs. Preço sugerido: R$ 41,90</p>
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		<title>Links e Notícias da Semana #71</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 16:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chegamos ao dia mais azarado do ano: sexta-feira 13! Se o caro leitor não sofre de triscaidecafobia, não se importará de emprestar sua voz a um poeta morto. Se o número treze, a sexta-feira ou um gato preto não exercem nenhuma fobia em ti, continuemos a falar de nossos mortos favoritos. O primeiro de todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_17372" class="wp-caption aligncenter" style="width: 247px"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/sextafeira13.jpg"><img class="size-medium wp-image-17372" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/sextafeira13-237x300.jpg" alt="" width="237" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">clique para ver o tinhoso nos zóios do béchano</p></div>
<p style="text-align: justify">Chegamos ao dia mais azarado do ano: sexta-feira 13! Se o caro leitor não sofre de triscaidecafobia, não se importará de <a href="http://www.youtube.com/lendingyourvoice" target="_blank">emprestar sua voz a um poeta morto</a>. Se o número treze, a sexta-feira ou um gato preto não exercem nenhuma fobia em ti, continuemos a falar de nossos mortos favoritos. O primeiro de todos é Charles Dickens, que teve um especial <a href="http://www.guardian.co.uk/books/series/charles-dickens-at-200" target="_blank">do Guardian para os seus 200 anos</a>. <a href="http://guia.folha.com.br/teatro/1028897-caco-ciocler-encena-texto-de-kafka-no-fim-de-janeiro.shtml" target="_blank">Caco Ciocler não está morto, mas encena o conto do defunto chamado Kafka</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Essa semana surgiu o boato  (de novo) de que Meryl Streep, ainda viva e que provavelmente concorrerá ao seu Oscar de número 17, interpretaria Clarice Lispector nos cinemas, fato desmentido pelo biógrafo Benjamin Moser. <a href="https://twitter.com/#%21/BenjaminFMoser/status/155962502109347842" target="_blank">A boa notícia é que Moser confirmou que teremos um filme sobre a vida da escritora brasileira</a>.</p>
<p style="text-align: justify">E se você sempre quis usar a urna eletrônica para votar na Clarice e ver aqueles olhos macabros saltarem da tela, não pode. Infelizmente.  Get over it. Contudo, damos de lambuja <a href="http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=1758" target="_blank">a primeira entrevista de Lispector</a>. De nada.</p>
<div style="text-align: justify">Fãs do pós-modernismo e do kinch soltaram fogos de artifício e se ouriçaram todos com a notícia que tanto esperavam, <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1210736&amp;tit=O-fim-de-uma-longa-espera" target="_blank">James Joyce em domínio público: O fim de uma longa espera</a>. E no Colorado, na cidade de South Park, chega <a href="http://www.southparkstudios.com/clips/267355/lets-read-it-now" target="_blank">O apanhador no campo de centeio</a>. No Brasil, nos contentamos com <a href="https://twitter.com/#!/valterhugomae/status/157271085283422208" target="_blank">valter hugo mãe em abril</a>.</div>
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<p>Listas para que te quero: <a href="http://blogmartinsfontespaulista.com.br/2012/01/10-livros-que-voce-deveria-ler-antes-de-ver-o-filme/" target="_blank">10 Livros que você deveria ler antes de ver o filme</a> e <a href="http://flavorwire.com/247936/10-legendary-bad-boys-of-literature?utm_source=Sailthru&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=Day%203%20%28Wednesday%29&amp;utm_campaign=Unified%20Mailer#2" target="_blank">10 Bad Boys da Literatura</a>. Quiz Show: <a href="http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/maraluquet/2012/01/07/quantos-livros-ha-em-sua-casa/" target="_blank">Quantos livros há em sua casa?</a> e <a href="http://www.teachingbooks.net/pronunciations.cgi">guia de Pronúncia de Nomes de Autores</a>.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.revistadacultura.com.br:8090/revista/rc54/index2.asp?page=materia3" target="_blank">Matéria sobre novas editoras na Revista Cultura, com a Não e a Dublinense</a>. A rua do limoeiro ficou pequena para a <a href="http://f5.folha.uol.com.br/televisao/1031604-turma-da-monica-vai-expandir-dominio-na-tv-neste-ano.shtml" target="_blank">Turma da Mônica, que vai expandir o domínio na TV neste ano</a>. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/tec/1031411-hq-bytes-de-memoria-de-gus-morais-estreia-na-folhacom.shtml" target="_blank">HQ Bytes de Memória, de Gus Morais, estreia da Folha.com</a>. Piada pronta: <a href="http://omelete.uol.com.br/quadrinhos/encontro-de-groo-e-conan-nos-quadrinhos-finalmente-vai-acontecer/" target="_blank">Groo e Conan</a> vão se encontrar numa minisérie em quatro volumes!</p>
<p style="text-align: justify">Edney Silvestre, um dos ídolos de Rafael Bán Jacobsen (<a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/12/06/uma-leve-simetria-rafael-ban-jacobsen/">quem?</a>), volta a praticar o verb to be porque seus romances serão <a href="http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=66671">traduzidos para a língua inglesa</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Um momento no túnel do tempo: <a href="http://www.theparisreview.org/interviews/6089/the-art-of-fiction-no-211-william-gibson" target="_blank">Entrevista com William Gibson na Paris Review</a>, vale a pena ser conferida mais de uma vez.</p>
<p style="text-align: justify">No Blog da Cosac, <a href="http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=10453" target="_blank">Carlos Ginzburg fala sobre Guerra e Paz </a>e <a href="http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=10500" target="_blank">Antonio Tabucchi sobre Enrique Vila-Matas</a>. <a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2012/01/quem-e-quem-na-companhia-das-letras/" target="_blank">Estreia da sessão &#8220;Quem é Quem&#8221;0 no blog da Cia</a>. <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2012/01/12/pamuk-e-os-moldes-do-romance/?topo=77,1,1" target="_blank">No Mundo Livro, Carlos André Moreira</a> resenhou <em>O romancista ingênuo e o sentimental</em>, de Orhan Pamuk.</p>
<p style="text-align: justify">Mercado editorial! EXTRA! <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1031119-novo-executivo-da-amazon-planeja-vendas-em-6-meses.shtml" target="_blank">Novo executivo da Amazon planeja vendas em 6 meses</a> e a mesma Amazon <a href="http://revolucaoebook.com.br/amazon-vendera-capa-com-energia-solar-para-kindle/" target="_blank">venderá capa com energia solar para Kindle</a>. E enquanto ela não chega de vez ao Brasil, a <a href="http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=66622" target="_blank">Companhia das Letras vende 1.200% mais e-books em 2011</a>. E diziam que a gente tava na pior, <a href="http://www.stellabortoni.com.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2758:venda-de-livros-cresce-no-brasil&amp;catid=45:blog&amp;Itemid=1" target="_blank">mercado de Livrarias sofre nos EUA, mas cresce no Brasil</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Dica dos amigos, <a href="http://abibliotecaderaquel.folha.blog.uol.com.br/arch2012-01-08_2012-01-14.html#2012_01-09_12_14_02-167024240-0" target="_blank">livros para entender a Coreia do Norte</a>. Faça como o Edney e pratique, <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2012/jan/06/literary-events-2012" target="_blank">literary events in 2012</a> AND <a href="http://www.nytimes.com/2012/01/08/books/review/why-authors-tweet.html?_r=1&amp;ref=books" target="_blank">why Authors Tweet</a>. De mimimi com os estrangeirismos? Chill out, desfrute do artigo <a href="http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/01/lingua-que-somos-lingua-que-podemos-ser.html" target="_blank">&#8220;A língua que somos, a língua que podemos ser</a>&#8221; e vamos trocar uma ideia de boa.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.rinkworks.com/fnovel/" target="_blank">Quer saber se está lendo fantasia de qualidade? Então faça o teste</a>. Se você já sabe que livro bom é aquele escrito por J.R.R. Tolkien, leia as explicações de <a href="http://www.valinor.com.br/17743/" target="_blank">Peter Jackson sobre as diferenças entre O Senhor dos Anéis e O Hobbit, enquanto Christopher Lee fala sobre Saruman.</a> Vista a carapuça e mostre que fãs do professor adoram jogar um RPG e regozijaram ao saber que a <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/jogadores-controlam-os-dados-em-nova-edicao-de-dungeons-dragons-3630151" target="_blank">Wizards of the coast anunciam D&amp;D 5</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Cinema: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1030562-comedia-agamenon-brinca-com-fatos-historicos.shtml" target="_blank">Comédia &#8220;Agamenon&#8221; brinca com fatos históricos</a> e <a href="http://guia.folha.com.br/cinema/1030427-julia-roberts-sera-rainha-ma-em-filme-sobre-a-branca-de-neve-veja.shtml" target="_blank">Julia Roberts será Rainha Má em filme sobre Branca de Neve</a>. E lá no <a href="http://judao.mtv.uol.com.br/cinema/sherlock-holmes-o-jogo-de-sombras-agora-sim-um-filme-do-guy-ritchie-d/">Judão</a> tem entrevista exclusiva com Robert Downey Jr. e resenha de Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras.</p>
<p style="text-align: justify">O líder do Black Sabbath, <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1031816-tony-iommi-guitarrista-do-black-sabbath-esta-com-cancer.shtml" target="_blank">Tony Iommi, está com câncer</a>. O sósia de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1031757-paul-mccartney-explica-nome-de-novo-album-e-revela-capa.shtml" target="_blank">Paul McCartney explica nome do novo álbum: &#8220;Kisses in the Bottom&#8221;</a>. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1031540-reedicoes-de-shows-historicos-de-elis-regina-trazem-material-inedito.shtml" target="_blank">Reedições de shows da Elis Regina trazem material inédito</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Para finalizar, <a href="http://minilua.com/que-google-se-chama-google/" target="_blank">porque o Google se chama Google</a>.</p>
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		<title>Nove ensaios dantescos &amp; a memória de Shakespeare (Jorge Luis Borges)</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 16:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felippe Cordeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Após ler Consider the lobster, de David Foster Wallace, pensei que nunca mais gostaria de ler outros ensaios. Não que o texto do escritor morto em 2008 não fossem bons, eles são excelentes. Irônicos, divertidos e informativos com as imensas notas de rodapé, como de praxe. Contudo, resolvi aceitar o desafio de ler Nove ensaios dantescos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/borges.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17205" style="margin: 5px;border: 0pt none" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2012/01/borges-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Após ler <em>Consider the lobster</em>, de <strong>David Foster Wallace</strong>, pensei que nunca mais gostaria de ler outros ensaios. Não que o texto do escritor morto em 2008 não fossem bons, eles são excelentes. Irônicos, divertidos e informativos com as imensas notas de rodapé, como de praxe. Contudo, resolvi aceitar o desafio de ler <em>Nove ensaios dantescos &amp; a memória de Shakespeare</em>, de <strong>Jorge Luis Borges,</strong> lançado há pouco tempo pela Companhia das Letras, para ver se me incentivava a reler <em>A Divina Comédia</em>. Não era apenas isso. Os ensaios de Borges são instrutivos e esclarecedores, se apoiando em diversos outros estudos sobre a obra de Dante. Esses textos não explicarão cada canto da obra ou todas as partes tim-tim por tim-tim que Dante passa, isto é, não será muito fácil acompanhar se você não tiver o mínimo de conhecimento sobre poema épico &#8211; considerando que existem personagens “reais” que atravessam os caminhos, um deles, inclusive, é o guia de Dante pelos três reinos além-túmulo, Virgílio (autor da <em>Eneida</em>).</p>
<p style="text-align: justify">Como todo ensaio, eles vêm para mostrar visões e reflexões pessoais de um autor e num tom menos formal, apesar de didático. Borges não só escreve um texto fluente e apetitoso, como também parece nos contar uma história, dar uma aula &#8211; citando exemplos e colocando muitos versos em sua versão original ou nas traduções (geralmente do inglês) que mais condizem com a interpretação que quer chegar -, e nos instigando a tirar nosso exemplar de <em>A Divina Comédia</em> da prateleira e reler, por enquanto, os cantos analisados por ele. O autor argentino também concebe algumas inversões de interpretações, nesse caso<em> &#8221;O falso problema de Ugolino&#8221;</em> é um deles. Nesse ensaio Borges levanta a questão entre a realidade e a falsidade de Dante, que gostaria que as pessoas desconfiassem das ações de Ugolino &#8211; ele comeu ou não seus filhos em uma medida desesperada para mostrar que a fome é maior que a dor (nesse caso, uma dor espiritual por se tratar de alguém que está no Inferno)? Esse questionamento leva-nos até um certo limite para relermos e tirarmos nossas conclusões, porém, Borges avisa: “Negar ou afirmar o monstruoso delito de Ugolino é menos horripilante que vislumbrá-lo” (o verdadeiro Ugolino da história cometeu realmente canibalismo, mas não cabe a Dante informar-nos disso).</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-17204"></span>Em &#8220;<em>O carrasco piedoso&#8221;</em>, um dos melhores ensaios, Borges separa em quatro conjecturas uma análise dos julgamentos de Dante, o autor, sobre determinados personagens da sua Comédia. Será que todo assassino merece a pena de morte? Todos devem arder no Inferno? Devido as suas histórias num passado remoto ou recente, eles são vítimas, talvez, de um castigo injusto. No mundo criado por Dante era possível sentir piedade de certos pecadores e o único justiceiro seria Deus &#8211; eximindo então o julgamento do próprio escritor (teólogo, crente e ético).</p>
<p style="text-align: justify">Fica reservado o posto labiríntico, a força motriz do escritor argentino em transformar seus ensaios em uma quase prosa, o capítulo <em>&#8220;Purgatório, I, 13&#8243;</em>, em que Borges abre com uma sentença magnífica: <em>“Como todas as palavras abstratas, a palavra ‘metáfora’ é uma metáfora.”</em>, que irá guiar esse texto. As metáforas sugeridas fazem parte de um jogo de reciprocidade, num exagero cabível apenas na imaginação. Não é de se negar que todos os exemplos citados são realmente curiosos, como se Dante previsse que aquelas passagens seriam um círculo infinito graças ao poder da figura de linguagem. Em um de seus exemplos, Borges cita <em>“Caminha, como a noite, em esplendor”</em>, a passagem deve ser aceita pelo leitor imaginando uma mulher alta e morena caminhando como a Noite, e não seria a Noite uma mulher alta e morena? Esse é o ciclo infinito de metáforas, está aí um dos habituais labirintos criados pelo escritor &#8211; o que se torna uma verdadeira isca para empurrar de vez o leitor no abismo d’<em>A Divina Comédia</em> onde os ecos esbravejam: Leiam!</p>
<p style="text-align: justify">Seria demais estragar as outras análises de Jorge Luis Borges, por isso aconselho àqueles que querem se aventurar nesses ensaios a manterem sua cópia fiel de <em>A Divina Comédia</em> bem ao lado. Ainda existem outros seis irrepreensíveis a serem conferidos mais de uma vez pelo teor analítico e acessível que o autor de <em>O Aleph</em> proporciona.</p>
<p style="text-align: justify">Ignorando um pouco Dante, vamos a Shakespeare e os contos maravilhosos que formam<em> &#8221;A Memória de Shakespeare&#8221;</em> &#8211; um dos últimos textos escritos por Borges antes de morrer em 1986 -, reina a obsessão e devoção que povoam os sonhos e as lembranças. No texto que dá o nome a essa pequena coletânea dentro de uma coletânea (vai saber se isso não era um labirinto Borgeano também), vemos Hermann Sorgel fissurado por uma suposta memória escrita por Shakespeare desde os tempos de menino até 1616. A crescente tormenta de se apoderar de tamanho tesouro atrapalha as próprias memórias do professor, o fazendo perder a razão em certos momentos e não imagina se é ele mesmo ou outra pessoa.</p>
<p style="text-align: justify">Ainda em outro caso de obsessão está o conto <em>&#8220;25 de agosto de 1983&#8243;</em>, onde Borges encontra a si mesmo, envelhecido, em um quarto de hotel. Entre as explicações sobre sonhos e compartilhamento dos mesmos. Mas quem está sonhando com quem? Borges velho com sua faceta mais jovem ou o jovem com sua versão senil? Em meio a isso, eles poderão se salvar da morte ou viver melhor? Nunca saberemos até algum obcecado borgeano conseguir uma biografia escrita por ele mesmo. O importante será viver de outros sonhos para adormecer o aterrorizante futuro nas memórias. Como são contos que tratam de obsessões, os leitores familiarizados com o autor conseguirão distinguir grandes traços que infestaram a obra dele, como a rosa ou os tigres.</p>
<p style="text-align: justify">Um peça fundamental da bibliografia de Jorge Luis Borges, <em>Nove ensaios dantescos &amp; a memória de Shakespeare</em> pode conter ensaios sobre um livro que soam exatamente como uma prosa cativante e pequenos contos que parecem ensaios sobre sonhos e memórias. Seja qual a classificação correta, é indispensável embarcar nessa prosa ensaística de um dos maiores escritores que já viveu.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>BORGES</strong>, Jorge Luis. <em>Nove ensaios dantescos &amp; a memória de Shakespeare</em>. Companhia das Letras, 2011. Tradução: Heloisa Jahn. 102 páginas. Preço sugerido: R$ 29,50.</p>
<p style="text-align: center">Saiba mais sobre essa e outras obras no site da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/07/logocia.jpg" alt="" width="279" height="129" /></a></p>
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