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	<title>Meia Palavra &#187; Luciano R. M.</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>Dossiê H (Ismail Kadaré)</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 11:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;A pessoa de Homero está para sempre imersa nas trevas impenetráveis da lenda. Ignoramos quando viveu; não sabemos que terra privilegiada lhe ouviu os primeiros vagidos (&#8230;) Venerandas tradições representavam-no como um velho cantor, pobre e cego que, peregrinando de terra em terra, recompensava a quem o agasalhava com a declamação de seus poemas”. (Augusto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/homero.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2934" style="margin: 5px;" title="homero" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/homero.jpg" alt="" width="238" height="300" /></a>&#8220;A pessoa de Homero está para sempre imersa nas trevas impenetráveis da lenda. Ignoramos quando viveu; não sabemos que terra privilegiada lhe ouviu os primeiros vagidos (&#8230;) Venerandas tradições representavam-no como um velho cantor, pobre e cego que, peregrinando de terra em terra, recompensava a quem o agasalhava com a declamação de seus poemas</em>”. (Augusto Magne)</p>
<p style="text-align: justify;">Homero é considerado um dos pais da literatura ocidental- se não o pai em sim- mas a verdade é que é uma figura controversa: alguns sustentam que, talvez, o autor da Ilíada e da Odisséia não seja um só indivíduo, mas uma ficção que acoberta centenas ou milhares de indivíduos, de trovadores de uma tradição épica já perdida. Ou ainda talvez ele tenha existido mas não criou os poemas que lhe são atribuídos: selecionou as versões e os catalogou, uma tarefa no mínimo tão árdua quanto a de os criar.<span id="more-2933"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em o &#8216;Dossiê H&#8217; o escritor Ismal Kadaré transporta dois homeristas- estudiosos do poeta cego e sua obra- irlandeses para sua Albânia em busca da resposta para o enigma de Homero; na primeira metade do século XX, quando se passa a ação do livro, a Albânia era um lugar extremamente singular, em que o começo de uma modernidade imiscuia-se e transmutava tradições milenares e a poesia época e o trovadorismo davam lá seus últimos suspiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Munidos de um &#8216;magnetofone&#8217;- um esboço de gravador de som- e certa ingenuidade acadêmica os dois homeristas acabam sendo envolvidos, sem saber, no milenar conflito sérvio-albanes, em intrigas políticas e até mesmo nas fantasias eróticas de mulheres provincianas, enquanto tentam registrar as alterações sofridas pelos últimos épicos a cada vez que são cantados, para que possam reconstruir o esforço homérico.</p>
<p style="text-align: justify;">Não cabe aqui um spoiler, contando o resultado. Basta-me escrever que mesmo não estando entre as principais obras de Kadaré- e com razão quando pensamos em &#8216;Abril Despedaçado&#8217; ou &#8216;Concerto no fim do Inverno&#8217;- &#8216;O Dossiê H&#8217; é um livro muito bom, que mostra de modo breve e conciso o porque de Marguerite Yourcenar ter dito que a literatura albanesa supera, hoje, a francesa, mesmo que o seu único autor com um reconhecimento universal seja Kadaré- cuja escrita consegue misturar beleza, tristeza e mesmo humor de modo que o resultado final é sempre algo singular.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Bernard-Marie Koltès</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 17:21:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<description><![CDATA[Um homossexual em um mundo heterossexual. Um francês que não se sentia francês e, na África, sentia-se ainda mais estrangeiro. Um eterno exilado em um mundo violento, um eterno revoltado. Bernard-Marie Koltès poderia facilmente ser uma personagem de alguma obra do franco-argelino Albert Camus. Mas não é.
Bernard-Marie Koltès é um dos nomes mais importantes da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Photo_article_Koltes-2-5b2b8.jpg"><img class="size-medium wp-image-2572 alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="Photo_article_Koltes-2-5b2b8" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Photo_article_Koltes-2-5b2b8-300x214.jpg" alt="" width="300" height="214" /></a>Um homossexual em um mundo heterossexual. Um francês que não se sentia francês e, na África, sentia-se ainda mais estrangeiro. Um eterno exilado em um mundo violento, um eterno revoltado. Bernard-Marie Koltès poderia facilmente ser uma personagem de alguma obra do franco-argelino Albert Camus. Mas não é.</p>
<p style="text-align: justify;">Bernard-Marie Koltès é um dos nomes mais importantes da dramaturgia contemporânea. Se em sua vida já se percebe algo de Camus, em sua obra essa sombra é ainda mais forte. Porém Koltès anda no lado mais escuro, em que a violência e a desesperança governam. Alcoolista, homossexual e controverso, a poética de Koltès foi inovadora e iconoclástica.<span id="more-2571"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Nascido em 1948 na cidade de Metz, em uma família de classe média, Koltès começou a escrever ainda muito jovem, mas desistiu. Anos mais tarde, com 22 anos ele participaria de uma montagem de Medéa dirigida por Jorge Lavelli, o que o colocaria novamente no mundo do teatro. Pouco depois, inspirado pela atriz Maria Casarès, voltou a escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram dezesseis peças escritas entre 1970 e 1989, sendo que a última é composta de fragmentos incompletos. Além disso Koltès escreveu alguns contos, textos de crítica e técnica teatral e traduziu Shakespeare para o francês. Suas obras mais representativas talvez sejam &#8216;<em>D</em><em>ans la solitude des champs de coton</em>&#8216; ou &#8216;<em>Na solidão dos campos de algodão</em>&#8216;, de 1985; e &#8216;<em>Combat de nègre et de chiens&#8217;</em>- <em>&#8216;Briga de negro e de cão&#8217;</em>, de 1979; e &#8216;<em>Retou au desért&#8217; (&#8216;Retorno ao Deserto&#8217;)</em>, de 1988.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8216;<em>Na solidão dos campos de algodão&#8217; </em>é um diálogo- ou, melhor posto, dois monólogos que se intercalam e dialogam entre si- entre um traficante e um cliente. O traficante, porém, não ousa anunciar seu produto, ao passo que seu cliente não ousa enunciar seu desejo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já em &#8216;<em>Briga de negro e de cão</em>&#8216; Koltès explora as relações de choque entre a cultura das colônias francesas na África e do branco europeu. É curioso como um tema aparentemente &#8216;antiquado&#8217; é atual e chocante. E Koltès faz com que esse embate seja ao mesmo tempo sutil e extremamente visceral.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8216;Retorno ao Deserto&#8217;</em> segue no tema das colônias, agora mostrando uma família que volta a reunir-se (e a odiar-se) depois de anos de exílio de parte dela. Uma curiosidade a respeito dessa peça é que em 2007 a <em>Comédie Française </em> colocou uma montagem dessa peça em cartaz, mas não respeitou o testamento do autor, ao colocar um ator francês no papel de Aziz. Isso rendeu-lhes duras críticas da parte de Fraçois Koltès, irmão e responsável pela obra do autor, e gerou polêmica no meio artístico francês.</p>
<p style="text-align: justify;">Koltès morreu em 1989, por complicações relacionadas à AIDS. Seus últimos anos de vida são contados por ele mesmo, em &#8216;<em>Une part de ma vie : Entretiens (1983-1989)&#8217;</em>, coletânea de textos autobiográficos publicada em 1999.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4891"><br />
</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4891">DISCUTA O POST NO FORUM DO MEIA-PALAVRA</a></p>
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		<title>Primos- Histórias da Herança Árabe e Judaica</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2010 14:45:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Hamsa é um símbolo comum no Oriente Médio e no norte da África. Uma mão com dois polegares e um olho no centro de sua palma. É conhecida também como &#8216;mão de Fátima&#8217;- uma referência à filha do profeta Maomé. Os judeus a conhecem como &#8216;mão de Miriam&#8217;- irmã de Moisés e Aarão. Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/14.22-Jew-and-Arab.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2498" style="margin: 5px;" title="14.22 Jew and Arab" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/14.22-Jew-and-Arab-219x300.jpg" alt="" width="219" height="300" /></a>A <em>Hamsa</em> é um símbolo comum no Oriente Médio e no norte da África. Uma mão com dois polegares e um olho no centro de sua palma. É conhecida também como &#8216;mão de Fátima&#8217;- uma referência à filha do profeta Maomé. Os judeus a conhecem como &#8216;mão de Miriam&#8217;- irmã de Moisés e Aarão. Por ser um símbolo comum às culturas árabe e judaica, é frequentemente utilizado por organizações que lutam pela paz entre os dois povos.</p>
<p style="text-align: justify;">E é mais ou menos como uma Hamsa o livro lançado recentemente pela Editora Record, organizado pelas escritoras Adriana Armony e Tatiana Salem Levy. Primos- histórias da herança árabe e judaica é uma coletânea de contos de 20 escritores dessas duas origens- nem todos nascidos no Brasil, mas todos adotados pelo Brasil.<span id="more-2494"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O livro divide-se em quatro partes: <em>História</em>, <em>Memória</em>, <em>Alegoria</em> e <em>Tradição e Ruptura</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Na primeira, como o nome sugere os autores passam eventos históricos em revista. Adriana Armony, com <em>Espinosa se deita</em>- um ponto de vista nada usual sobre a vida do filósofo; Alberto Mussa, com <em>De canibus qæstio</em>, uma espécie e conto-ensaio em que Mussa desfila erudição ao falar sobre o cerco de Máara pelos cruzados do Tafur, cães e canibalismo- e na minha opinião um dos melhores contos da coletânea; Flávio Izhak, o conto <em>A última noite</em>; <em>Uns de outros</em>, de Julian Fuks; e Samir Yazbek, com seu <em>O último profeta</em>, na realidade uma cena dramatica curta, não um conto.</p>
<p style="text-align: justify;">A parte seguinte, <em>Memória,</em> é bastante semelhante, porém não trata necessariamente de fatos históricos, mas de acontecimentos revisitados por indivíduos. Nessa parte temos Leandro Sarmaz com o escritor solitário de <em>Uma fome;</em> Moacir Sclyar em <em>Na minha cabeça suja, o Holocausto</em> mostra as associações que um menino de 11 anos faz com o holocausto; em <em>Trinta. Ou mais</em> Salim Miguel apresenta um simpático taxista que conta a história de sua família. E essa segunda parte termina com <em>Sonâmbulos</em>, de Whisker Fraga, um texto talvez um pouco hermético e fragmentário, algo que me remeteu ao melhor de Raduan Nassar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Alegoria</em> os textos distanciam-se cada vez mais de qualquer traço de realismo que possa ter existido: Alexandre Plosk sepulta o senhor Weizman inúmeras vezes em <em>Os funerais de Baruch Weizman</em>; em <em>Sessão de Campa</em> Bernanro Ajzemberg nos faz acompanhar um homem de 31 à compra precoce de sua sepultura; Carlos Nejar, com <em>Xerazade, ou a infância das formigas</em>, apresenta uma metamorfose muito mais singela que a kafkina; enquanto que Fabrício Carpinejar traz uma figura quase divina de volta a condição humana em <em>Os Sapos</em>; e terminamos com Georges Bourdoukan e a história mais abertamente alegórica de todas, <em>O homem que libertou a morte</em>, praticamente uma lenda ou fábula.</p>
<p style="text-align: justify;">A última parte,<em> Tradição e Ruptura</em>, mostra o que se salvou das duas culturas no Brasil- e o que se perdeu. <em>Efsher</em>, palavra iídiche significando &#8216;talvez&#8217; é o título do conto de Arnaldo Bloch, um diálogo cáustico, carregado de cinismo, entre pai e filho; Saul, o gordo e triste protagonista de <em>Ungido como um Rei</em>, de Cíntia Moscovich, vê seu mundo fugir do controle ao decidir mudá-lo; indo no sentido oposto a protagonista do conto de Márcia Bechara, <em>A Travessia</em>, é uma mulher de grande vontade de potência, que carrega a tradição dentro de si. Em <em>A filha única do filho mais velho</em> e em <em>Arroz com lentilhas</em> (respectivamente de Eliane Ganem e Luiz Antônio Aguar) o amor é o tema, no primeiro melancólico e filial, no segundo romântico e acolhedor. O último conto é de Tatiana Salem Levy, <em>Shabat</em>, em que se vê uma desalentadora ruptura com a tradição- o velho mundo não é sequer suplantado pelo novo, é ignorado por ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois disso ainda existem breves páginas dando mais informações sobre cada um dos autores, explicando sua ascendência e um pouco de sua carreira.</p>
<p style="text-align: justify;">Como toda coletânea, existem contos que agradam mais e contos que agradam menos, ao gosto do leitor. Mas mais que isso, acredito que tenha dois pontos de importância crucial: apresentar escritores para o público brasileiro e mostrar as semelhanças entre os dois grandes povos semíticos- e como tornaram-se ainda mais semelhantes em nosso país.</p>
<p style="text-align: justify;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4824">COMENTE O POST NO FÓRUM DO MEIA-PALAVRA</a></p>
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		<title>Comunicação a uma academia</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 11:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um macaco é ferido por caçadores e levado prisioneiro: provavelmente acabaria em um zoológico. No caminho, porém, é submetido a tantos sofrimentos e a estranheza é tanta que Pedro Rubro- este é o nome do simiesco protagonista- toma uma decisão drástica, a de tornar-se um ser humano. Assim, então, Pedro aprende a beber, a fumar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/comunicacao_a_uma_academia_3_edson_kumasaka.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2487" style="margin: 5px;" title="comunicacao_a_uma_academia_3_edson_kumasaka" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/comunicacao_a_uma_academia_3_edson_kumasaka-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Um macaco é ferido por caçadores e levado prisioneiro: provavelmente acabaria em um zoológico. No caminho, porém, é submetido a tantos sofrimentos e a estranheza é tanta que Pedro Rubro- este é o nome do simiesco protagonista- toma uma decisão drástica, a de tornar-se um ser humano. Assim, então, Pedro aprende a beber, a fumar, a falar e a pegar em armas.</p>
<p style="text-align: justify;">E é com o ex-macaco contando isso para os estudiosos de uma universidade que se constitui o conto de Kafka, um conto sobre a inadequação e sobre adaptação- que nunca é plena, que nunca deixa de ser mutilante. E é a partir desse conto do escritor Checo que a companhia <em>Club Noir</em> montou a peça homônima ao conto.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2486"></span><em>A </em><em>Club Noir </em> foi fundada em 2006 pelo diretor e dramaturgo Roberto Alvim e pela atriz Juliana Galdino, com o objetivo de encenar exclusivamente autores contemporâneos. Essa adaptação kafkiana, porém, destoa de seu objetivo inicial, o que é justificado pela atemporalidade e eminência dramática do texto.</p>
<p style="text-align: justify;">A adaptação é um monólogo em que Juliana Galdino interpreta Pedro, de modo brilhante- não é a toa que lhe valeu uma indicação ao prêmio Shell de melhor atriz. Somando-se à sua impostura vocal e linguagem corporal excelentes, a maquiagem é impressionante e a iluminação apóio tudo isso de maneira fenomenal.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe um outro personagem, um guarda, interpretado por José Geraldo Jr., que poderia passar apenas como elenco de apoio, pois não tem falas, nem grandes ações, quase que um detalhe cênico- mas que está lá de modo propositado: Rubro está separado do público por uma faixa e, com o guarda presente, não deixa que os acadêmicos (no caso, o público) esqueça que por melhor que seja sua adaptação ele nunca será um humano verdadeiro, nunca será um de nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Captando a essência do conto de Kafka de um modo esteticamente  adequando, o <em>Club Noir </em>mostrou o porque de ser tão elogiado e indicado a tantos prêmios. Sem sombra de dúvida, uma das mais expressivas forças do teatro brasileiro nesse começo de século.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4811">DISCUTA O POST NO FÓRUM DO MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Vai vir alguém (Jon Fosse)</title>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2010 01:19:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O norueguês Jon Fosse (nascido em 29 de Setembro de 1959) é autor de livros infantis, romances, contos e poemas. Mas é como dramaturgo que é mais conhecido, sendo considerado um dos mais importantes da contemporaneidade. Além disso Fosse é um dos principais expoentes da literatura em Nynorsk, ou &#8216;novo norueguês&#8217;, uma variante do idioma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/JonFosse_DW_Kultur__759860g.jpg"><img class="size-medium wp-image-2224 alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="JonFosse_DW_Kultur__759860g" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/JonFosse_DW_Kultur__759860g-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>O norueguês Jon Fosse (nascido em 29 de Setembro de 1959) é autor de livros infantis, romances, contos e poemas. Mas é como dramaturgo que é mais conhecido, sendo considerado um dos mais importantes da contemporaneidade. Além disso Fosse é um dos principais expoentes da literatura em <em>Nynorsk</em>, ou &#8216;novo norueguês&#8217;, uma variante do idioma falada no oeste do país.</p>
<p style="text-align: justify;">Estreou em 1983 com a novela &#8216;<em>Raudt, svart&#8217;</em> (&#8216;<em>Vermelho, preto&#8217;</em>). Em 1994 sai sua primeira peça, &#8216;<em>Og aldri skal vi skiljast&#8217;</em> (&#8216;<em>E nós nunca iremos nos separar&#8217;</em>).<span id="more-2223"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8216;Nokon kjem til å komm</em>e&#8217; (&#8216;<em>Vai vir alguém</em>&#8216;), peça de 1996, é uma de suas primeiras obras para o teatro, mas é um bom exemplo da poética do autor: ainda utiliza de rubricas, que praticamente abandonou com o tempo, mas já fragmenta o texto de modo a ter um ritmo próprio no qual a sonoridade é tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">O mote é simples: um homem e uma mulher, casados, abandonam a cidade para viverem em isolamento- para que tenham um ao outro e apenas isso. Um terceiro personagem, um homem bonito mas vulgar, antigo dono da casa em que agora moram, surge para perturbar sua paz.</p>
<p style="text-align: justify;">A estrutura repetitiva e quebrada aprofunda a idéia de solidão do homem que, bastante seguro no início, parece trocar de lugar com sua esposa, e tornar-se o elo frágil da relação.</p>
<p style="text-align: justify;">Fosse,de modo confesso, buscava em &#8216;<em>Vai vir alguém&#8217;</em> uma atmosfera de recolhimento, de isolamento, de profundo silêncio. E conseguiu fazê-lo de modo surpreendentemente musical.</p>
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		<title>Imre Kertész: a voz do Holocausto</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 02:15:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Se eu penso em uma novela, eu penso novamente em Auschwitz. O que quer que eu pense, eu penso sempre em Auschwitz. Mesmo que eu aparentemente fale de algo totalmente diferente, é sobre Auschwitz que estou falando. Eu sou um meio para o espírito de Auschwitz. Auschwitz fala através de mim. Todo o resto me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/holocaust.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2216" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="holocaust" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/holocaust.jpg" alt="" width="279" height="244" /></a>&#8220;<em>Se eu penso em uma novela, eu penso novamente em Auschwitz. O que quer que eu pense, eu penso sempre em Auschwitz. Mesmo que eu aparentemente fale de algo totalmente diferente, é sobre Auschwitz que estou falando. Eu sou um meio para o espírito de Auschwitz. Auschwitz fala através de mim. Todo o resto me parece estúpido, comparado a isso.</em>&#8220;</p>
<p>Essa citação é de Imre Kertész, escritor judeu húngaro nascido em 1929 e escolhido para o Nobel de literatura de 2002. Sua obra mais conhecida é &#8216;<em>Sorstalanság</em>&#8216; (&#8216;Sem destino&#8217;) (1975), em que a experiência de um jovem judeu húngaro em Auschwitz. A obra é considerada uma das mais poderosas narrativas sobre o holocausto.</p>
<p>Esse livro também é o primeiro de uma trilogia, composta ainda por &#8216;<em>A kudarc</em>&#8216; (&#8216;O fiasco&#8217;) (1988)- no qual vê sua primeira obra recusada pela editora e seu ser esmagado pelo regime comunista- e &#8216;<em>Kaddis a meg nem született gyermekért</em>&#8216; (&#8216;Kadish para uma criança não nascida&#8217;) (1990)- o Kadish é a oração judaica pelos mortos, que no caso é feito para o filho que ele decidiu nunca deixar nascer, devido ao peso do passado.</p>
<p><span id="more-2214"></span></p>
<p>Kertész foi enviado para o campo de concentração de Auschwitz aos 14 anos mas permaneceu lá apenas por três dias, sendo então enviado para Buchenwald e, apesar de negar que &#8216;<em>Sorstalanság</em>&#8216; tenha um grande teor autobiográfico, a experiência foi marcante em sua obra.</p>
<p>De fato, Kertész diz que tudo o que escreveu e que fez depois disso deve-se a Auschwitz. Em Felszámolás (&#8216;<em>Liquidação</em>&#8216;) (2003) chega a afirmar que &#8220;<em>nunca se pode abandonar Auschwitz</em>&#8220;.</p>
<p>O campo de concentração não aparece em todas suas obras. Porém sua influência é fortíssima e sem dúvida é a isso que se deve o tom amargo e doloroso presente em todo seu trabalho.</p>
<p>Já seu uso da linguagem é simples, porém fragmentado. Ele mesmo disse, em seu discurso do Nobel, que isso se deve à desintegração que a linguagem sofreu no século XX- exemplificando com Kafka e Orwell. Mas isso não significa que suas narrativas sejam simplistas: no já citado &#8216;<em>Felszámolas</em>&#8216; Kertész mistura a prosa e o drama, e todas suas obras são recheadas de referências bastante intelectualizadas, como Kant e Nietszche (os quais, inclusive, ele traduziu para o húngaro).</p>
<p>Além de sua obra literária e de traduções, Kertész também publicou diversos ensaios e conferências a respeito da literatura e da morte.</p>
<p>Imre Kertész é um autor pesado, mas cuja leitura é compensadora. E, apesar do fardo que carrega, não é datado: quando pensa no passado, na verdade reflete o futuro. Quando pensa nos campos de concentração, pensa no quão estúpido e sem sentido é o mundo que nos é dado viver, em que sempre seremos estrangeiros.</p>
<p>Obs: Em 2005 foi lançado um filme homônimo baseado em &#8216;<em>Sorstalanság</em>&#8216;, dirigido por Lajos Koltai. O roteiro foi escrito pelo próprio Kertész e é muito mais autobiográfico que o livro.</p>
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		<title>&#8216;El fondo del cielo&#8217;, de Rodrigo Fresán</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 16:39:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[El fondo del cielo]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Mondadori]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigo Fresán]]></category>

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		<description><![CDATA[Isaac Goldman é judeu e filho do falecido rabino Solomon Goldman, visionário que buscava o Tikkun Ra, a &#8216;reparação do mundo&#8217;: a Luz Divina de Deus rompeu-se e ele buscava seus fragmentos para restaurá-la. Solomon Goldman, porém, suicidou-se ou melhor, enquanto voava distraiu-se e caiu.
Ezra Leventhal é primo de Isaac, e após a morte do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/12_20_09_ElPublicoLee_RFresan.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2207" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="12_20_09_ElPublicoLee_RFresan" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/12_20_09_ElPublicoLee_RFresan.jpg" alt="" width="243" height="404" /></a>Isaac Goldman é judeu e filho do falecido rabino Solomon Goldman, visionário que buscava o <em>Tikkun Ra</em>, a &#8216;reparação do mundo&#8217;: a Luz Divina de Deus rompeu-se e ele buscava seus fragmentos para restaurá-la. Solomon Goldman, porém, suicidou-se ou melhor, enquanto voava distraiu-se e caiu.</p>
<p style="text-align: justify;">Ezra Leventhal é primo de Isaac, e após a morte do rabino é com ele que o pequeno Goldman vai viver. Ezra o apresenta à ficção científica. Juntos tornam-se uma das facções político-literárias de jovens e solitários aficionados por ficção-científica que esperavam encontrar em outros mundos aquilo que não encontravam nesse. Juntos, os dois eram os &#8216;Distantes&#8217; (&#8216;<em>Los Lejanos&#8217;</em>, no original).</p>
<p style="text-align: justify;">Soma-se a eles o sinistro Jefferson Washington Darlingskill, sobrinho de tendências nazistas de um grande escritor de ficção científica, igualmente nazista- mas apesar disso muito admirado pelos dois garotos judeus. Mais tarde os três conhecem uma garota. Todos apaixonam-se por ela. E ela apaixona-se por Isaac e por Ezra.</p>
<p style="text-align: justify;">Ezra torna-se um grande escritor e desaparece, Jefferson jura vingança por ter sido ridicularizado em uma convenção de ficção-científica e a garota os abandona. Quem resta é Isaac, o primeiro narrador da história. Anos mais tarde um acontece um reencontro, e desvelam-se realidades alternativas, os atentados de 11 de setembro e seu verdadeiro culpado, o fim de um planeta muito distante chamado Urkh 24 e múltiplos finais para a Terra.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2206"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Esse é um pequeno e bastante simplificado resumo de &#8216;<em>El Fondo del Ciel</em>o&#8217;, novela do argentino Rodrigo Fresán nascida em 2007, logo após a morte de Kurt Vonnegut, sob o título de &#8216;<em>Tsunami</em>&#8216;.</p>
<p style="text-align: justify;">Fresán diz que o livro pode ser definido de três maneiras: uma história de amor, uma história privada sobre o fim do mundo ou ainda como uma história universal do amor. Existem alienígenas e outros planetas, mas- segundo o próprio autor- não é um livro de ficção-científica, mas um livro com ficção-científica.</p>
<p style="text-align: justify;">Com um estilo digressivo e extremamente rico em referências, Fresán apresenta autores como Kurt Vonnegut, Bioy Casares, H. P. Lovecraft, Phillip K. Dick, Ron L. Hubbard, seja puramente sob a forma de influências ou transformados em personagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao todo são três partes que parecem destoar entre si, mas que logo tornam-se uma coisa só- com a tradicional complexidade das tramas do argentino. E repetem-se aqui algumas imagens presentes em todos os seus livros, como a cidade de Sad Songs ou Canções Tristes, a planeta Urkh 24 e a garota que caia nas piscinas.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8216;El fondo del cielo&#8217; é um livro extremamente estranho e extremamente bonito. Talvez tudo que eu escrevi aqui seja pouco para definir essa novela, mas ao mesmo tempo é quase tudo que se pode dizer a respeito: sua complexidade e estranheza tornam difícil explicações mais detalhadas. Mas algo que posso dizer  sem nenhuma dificuldade é que é uma obra-prima de um dos melhores autores vivos, imperdível para fãs de Fresán, de ficção-científica e mesmo de histórias de amor.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Karel Čapek</title>
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		<pubDate>Sun, 02 May 2010 02:41:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Karel Čapek]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[A palavra &#8216;robô&#8217; é de uso corrente hoje em dia, mas obviamente é um termo relativamente novo, já que designa uma maravilha tecnológica que apenas agora começa a parecer próxima da existência sempre imaginada por fãs e autores de ficção científica.
E a primeira vez que foi usada foi na literatura. Criada por Josef Čapek, foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/490px-Karel_Čapek.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2200" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="490px-Karel_Čapek" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/490px-Karel_Čapek.jpg" alt="" width="258" height="315" /></a>A palavra &#8216;robô&#8217; é de uso corrente hoje em dia, mas obviamente é um termo relativamente novo, já que designa uma maravilha tecnológica que apenas agora começa a parecer próxima da existência sempre imaginada por fãs e autores de ficção científica.</p>
<p style="text-align: justify;">E a primeira vez que foi usada foi na literatura. Criada por Josef Čapek, foi seu irmão, o escritor Karel Čapek, o responsável pela popularização da palavra- inicialmente em sua peça R.U.R.- também um dos marcos fundamentais da ficção-científica.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de pouco conhecido por aqui o escritor checo foi certamente uma das figuras literárias mais importantes do século XX. Entre os escritores influenciados por ele estão Ray Bradbury, Salman Rushdie, Brian Aldiss, Dan Simmons e Isaac Asimov. Junto com Huxley e Orwell foi um dos expoentes da ficção especulativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2199"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar disso não se pode dizer  que a obra de Čapek realmente se preocupe em imaginar o futuro, mas sim em prever como o presente se comportará quando for passado. E é isso que lhe confere o impacto que tem, até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Em R.U.R. há uma preocupação com os abusos sofridos pelos trabalhadores- que, no caso, são robôs construídos de protoplasma. Em um outro livro seu, A Guerra das Salamandras, as tensões políticas da época de Karel são o estopim de uma guerra entre as grandes potências- mais ou menos nos moldes da Segunda Guerra Mundial, iniciada um ano após sua morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem todos seus trabalhos podem ser descritos como ficção científica: na coletânea de contos (ou seriam ensaios) Histórias Apócrifas ele perverte os clássicos da literatura e da filosofia, usando de uma ironia fina e bastante inteligente. O Ano do Jardineiro é um manual de jardinagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Nascido em 1890, morreu de pneumonia em 1938, pouco após parte da Boêmia ter sido anexada pelo Reich. Karel Čapek foi um escritor brilhante, que criticava igualmente ditaduras e utopias.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4665">DISCUTA O POST NO BLOG DO MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Mais teatro, Brasil!</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/04/26/mais-teatro-brasil/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 16:12:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Blogagem coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Campanha]]></category>
		<category><![CDATA[Mais teatro Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil é um país culturalmente muito rico. Ou poderia ser, se soubéssemos aproveitar o que temos: e, acreditem, isso não acontece. Prova disso é o descaso com que o teatro é tratado: além de subcelebridades fazerem sucesso com textos (bastante mal articulados, diga-se de passagem) sobre os porquês de não irem ao teatro, há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/04/maisteatro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2190" style="margin: 5px;" title="maisteatro" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/04/maisteatro.jpg" alt="" width="150" height="200" /></a>O Brasil é um país culturalmente muito rico. Ou poderia ser, se soubéssemos aproveitar o que temos: e, acreditem, isso não acontece. Prova disso é o descaso com que o teatro é tratado: além de subcelebridades fazerem sucesso com textos (bastante mal articulados, diga-se de passagem) sobre os porquês de não irem ao teatro, há uma falta de espaço e de fomento para a sexta arte.</p>
<p>É para tentar mudar isso que surgiu a campanha &#8216;Mais Teatro, Brasil!&#8217;- que visa, obviamente, aumentar o número de salas de teatro no Brasil.</p>
<p><span id="more-2189"></span></p>
<p>O teatro, apesar do que uns e outros podem dizer por aí, é bastante importante, e sua repercussão cultural é imensa. Até porque o teatro- pelo menos o bom teatro- dialoga com a realidade e com tudo aquilo que foi produzido antes dele. É, talvez, a mais humana das artes.</p>
<p>Um maior acesso ao teatro, portanto, pode significar um maior acesso à reflexão e à cultura como um todo. E a cultura é uma das maiores forças motrizes de um povo.</p>
<p>É assustador então quando percebemos que 95% da população brasileira nunca foi ao teatro. E que apenas 16% dos municípios do país têm salas de espetáculo.</p>
<p>E é aí que entra a campanha! Ela busca o apoio popular para elaborar um projeto de lei que obrigará os governos a construírem &#8216;Centros Integrados de Cultura&#8217; em todo município com pelo menos 25 mil habitantes, com o objetivo não apenas de levar o teatro para cidades menores e distantes do eixo Rio-São Paulo, mas também de incentivar a inclusão socio-cultural como um todo.</p>
<p>Então, se você não é dos que torcem o nariz para o teatro pelo fato de ele não ter explosões ou por outros motivos igualmente bestas (que sequer valem que eu os cite), vale a pena assinar. Teatro é cultura, e cultura pode não resolver todos os nosso problemas, mas com certeza ajuda!</p>
<p><a href="http://www.maisteatrobrasil.com.br">Clique aqui para apoiar! </a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F04%2F26%2Fmais-teatro-brasil%2F&amp;linkname=Mais%20teatro%2C%20Brasil%21">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Festival de Teatro de Curitiba- Parte II</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/04/20/festival-de-teatro-de-curitiba-parte-ii/</link>
		<comments>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/04/20/festival-de-teatro-de-curitiba-parte-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 14:30:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano R. M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Teatro de Curitiba]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/?p=2162</guid>
		<description><![CDATA[No meu último post (que, por motivos alheios à minha vontade, foi há mais tempo do que eu gostaria) eu falei sobre o Festival. Eis aqui um resumo póstumo das peças que tive o prazer (ou desprazer) de assistir (ou de tentar).
NERVO CRANIANO ZERO
Um neurocirurgião implantando um chip capaz de aumentar a criatividade, ao som [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/festival-de-curitiba-logotipo.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-2007" style="margin: 5px;" title="festival-de-curitiba-logotipo" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/festival-de-curitiba-logotipo-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>No meu último post (que, por motivos alheios à minha vontade, foi há mais tempo do que eu gostaria) eu falei sobre o Festival. Eis aqui um resumo póstumo das peças que tive o prazer (ou desprazer) de assistir (ou de tentar).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NERVO CRANIANO ZERO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um neurocirurgião implantando um chip capaz de aumentar a criatividade, ao som de &#8216;Total Eclipse of the Heart&#8217;. Órgãos arrancados e a ambição literária levada ao extremo. Esses são alguns dos elementos que compõe esse trabalho da Vigor Mortis.<br />
Posso dizer que, de todas as apresentações que já vi do grupo, essa foi a minha favorita. Os efeitos e as projeções bem feitos e bem utilizados, além de todo o talento e empenho do grupo.<span id="more-2162"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MÚSICA PARA NINAR DINOSSAUROS</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Peça de Mario Bortolloto, com participação de Lourenço Mutarelli no elenco. Era uma das que eu mais tinha vontade de assistir, mas&#8230; o Sesc da Esquina teve problemas com o som e a peça atrasou 4 horas. Como trabalhava no dia seguinte, não pude esperar até que iniciasse, lá pela meia noite.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRAVESTIES</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeira montagem da Cia. Ópera Seca desde que Gerald Thomas abandonou o teatro. Continuam bastante competentes, prova de que nem só de Thomas vinha seu talento.</p>
<p style="text-align: justify;">Com texto de Tom Stoppard e direção de Caetano Villela, Travesties é uma comédia sobre a revolução e sobre a arte, em que os caminhos de James Joyce, Lênin e Tristam Tzara se cruzam, gerando uma reflexão sobre a modernidade e, por consequinte, sobre a contemporaneidade. O seu maior problema e seu maior mérito talvez tenham sido os mesmos:  a enorme quantidade de referências é genial, mas pode tornar-se cansativa se não for reconhecida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CINEMA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma reflexão sobre algo aparentemente óbvio, executada de modo inteligentíssimo. O público da peça fica frente a frente com o público de um cinema- e apenas os assiste e escuta o audio dos filmes.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso Felipe Hirsch dialoga sobre a própria condição de público e a noção de espetáculo. Existe, afinal, uma diferença entre ver e assistir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NÃO SOBRE O AMOR</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong>Um poeta russo e seu amor não correspondido. Ela lhe pediu que escrevesse, sim, mas não sobre o amor. Um plot simples, uma história dolorosa. Um resultado excepcional.</p>
<p style="text-align: justify;">O cenário e as projeções são um show a parte. O primeiro consiste simplesmente em um quarto, porém com uma cama na parede, uma escrivaninha em outra e uma porta em outra. Todos utilizados pelos atores, como se estivessem no chão. As projeções primam pela sua qualidade e, por vezes, por serem difíceis de identificar como tais.</p>
<p style="text-align: justify;">Prefiro não falar muito a respeito da peça, de Felipe Hirsch, mas posso dizer que foi a minha favorita de todo o festival.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PSICOSE 4h48</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Utilizando de um cenário mínimo, iluminação simples e de Radiohead como trilha sonora, a companhia do diretor Marcos Damaceno conseguiu criar a atmosfera ideal para a encenação desta, que é, talvez, a obra máxima da inglesa Sarah Kane. Uma mulher em um hospital psiquiátrico monologa e discute com seu médico, tentando explicar-lhe (e explicar-se) seu sofrimento. Destaque para a atuação de Rosana Stavis, que inclusive já ganhou um Gralha Azul pelo trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>RUÍDO BRANCO DA PALAVRA DA NOITE</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu acabei não podendo assistir &#8216;Música para ninar dinossauros&#8217;, devido ao atraso, eu acabei trocando meu ingresso para assistir a &#8216;Ruído branco da palavra da noite&#8217;. Poucas vezes na vida eu me senti mal em uma peça como me senti nessa. E não pelos sentimentos que ela me despertou, mas por eu não ter gostado nem um pouco. A ideia parecia genial: uma peça baseada na correspondência entre Tchekov e Stanislávisk à época da estréia de &#8216;A Gaivota&#8217;. Recortes mal selecionados dessa correspondência, atuações exageradas e uma sede excessiva de parecer pós-moderno deram um ar adolescente à montagem, fazendo com que essa fosse uma grande decepção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O ÚLTIMO CANTO DO BODE, TOMO I: A BESTIFICAÇÃO DE RÔMULO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Performance, xamanismo e pós-modernidade: elementos que participam da composição desse trabalho do grupo curitibano Heliogábalus, quiçá uma das apresentações mais iconoclásticas de todo o Festival. A queda de Roma é recontada a partir de múltiplas perspectivas, que abrem espaço para discussões e interpretações extremamente amplas. Indo fundo na ideia do pós-moderno de que o observador tem um papel determinante a significação das coisas o grupo criou um festim de bizarrias que pode parecer sem sentido e sem ligação: batalhas de detergente e refrigerante, abelhas preparando a rainha para a cópula, caçadas e, por fim, um imperador coroado. A excelência disso não está no que quiseram dizer, mas no que cada um é capaz de entender. Uma peça difícil, para sensibilidades complexas.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4593">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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