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	<title>Meia Palavra &#187; Colaborador Meia Palavra</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>A Guardiã da Meia-Noite – Sarah Jane Stratford</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 22:09:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A Guardiã da Meia-Noite]]></category>
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		<category><![CDATA[Sarah Jane Stratford]]></category>
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		<description><![CDATA[Vampiros sempre foram criaturas que despertaram um grande interesse (ou, no mínimo, curiosidade) entre nós. Representados, sobretudo, através da literatura e do cinema, a temática vampiresca retornou de forma intensa nesta década – reforçando a idéia de que nenhum mito ou lenda caem em eterno esquecimento. E foi justamente o que Sarah Jane Stratford resgatou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/A-Guardia-da-Meia-noite.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2913" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="A Guardia da Meia noite" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/A-Guardia-da-Meia-noite-207x300.jpg" alt="" width="199" height="287" /></a>Vampiros sempre foram criaturas que despertaram um grande interesse (ou, no mínimo, curiosidade) entre nós. Representados, sobretudo, através da literatura e do cinema, a temática vampiresca retornou de forma intensa nesta década – reforçando a idéia de que nenhum mito ou lenda caem em eterno esquecimento. E foi justamente o que Sarah Jane Stratford resgatou, ao publicar seu primeiro livro “A Guardiã da Meia-Noite”, retomando a essência destes personagens da noite.</p>
<p style="text-align: justify;">Mestre em História Medieval, a autora uniu útil ao agradável: seu conhecimento acadêmico com sua paixão em contar histórias. O enredo possui um contexto histórico embasado – passando-se durante meses antecedentes à Segunda Guerra Mundial, o qual os vampiros do Tribunal de Londres buscam interferir. Embora a história possua certos mistérios em torno da real missão do grupo, o que acaba até confundindo de início, se prender à narrativa é fatal. A protagonista, Brigit, é uma vampira milenar que não se conforma com as atrocidades cometidas pelos nazistas e tem uma missão especial a ser cumprida: ser guardiã de duas crianças que lhe foram confiadas.<span id="more-2912"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas, ela não está desamparada: além dos companheiros do Tribunal, ela ultrapassa a barreira do tempo e espaço para manter contato com Eamon, seu amado, que teve que deixar para poder levar adiante o plano contra a suástica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que torna o livro ainda mais peculiar, é o modo como a autora e explora a mente de Brigit: a bela vampira, para o leitor, torna-se uma janela entre o mundo dos seres humanos e dos mortos, levando a reflexões em meio à época mais desumana da história.<br />
Suas personagens têm fortes características, enriquecendo ainda mais a narrativa que é deliciosa de ler. Com grande sensualidade em torno das mais clássicas lendas sobre vampiros, Stratford encanta em sua estreia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O vampiro de Sarah</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Diante da flexibilidade que os autores possuem para manipular os personagens – até mesmo os mitológicos -, cabem algumas ressalvas a respeito do vampiro, na concepção de Sarah Jane Stratford. Algumas coisas não mudam! O instinto aguçado e a sedução fazem parte de todo o universo vampiresco. Mas, antes de adquirirem tais habilidades, eles devem renascer. E para que o ritual seja completo, a nova criatura passa por um teste de dificuldade – representado por um túmulo: o corpo morto é enterrado, e a prova da força do novo vampiro dá-se quando ele consegue sair da vala. A renascença, assim, torna-se um triunfo por meio do rito de passagem para a nova vida (ou sobrevida).</p>
<p style="text-align: justify;">Do mesmo modo que um recém-nascido recebe um nome da mãe, o novo vampiro também deve ser nomeado. A escolha do nome representa a ruptura com a vida humana, e comumente não é imediata à transformação. Mais que isso, significa deixar de lado os vínculos com as pessoas, sobretudo a família, de modo que somente restem as lembranças, caso seja necessário retornar aos dias de mortal.</p>
<p style="text-align: justify;">Consequentemente, a transformação de um vampiro acarreta na busca pela sobrevivência. Como Sarah descreve, por meio de sua fabulosa protagonista, um demônio divide o espaço de um corpo humano, com a existência de Brigit. Sua própria existência, assim, é uma ideia, pois se alterna entre a manifestação do demônio, que possibilita a alimentação – obviamente, através de sangue humano. E cada vampiro possui um dom presenteado por este demônio.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, o diferencial de Stratford não é enfatizar as proezas dos dons dos vampiros – velocidade, força ou qualquer outro poder sobre-humano. A nova forma de existência possibilita uma nova visão, afastada do mundo dos seres humanos, mas ainda inserido no mesmo. As fraquezas e medo de ambas as partes são exploradas, e dentro do contexto de pré-guerra, isso se torna mais evidente, pois a missão do Tribunal passa a ser secundária, diante das reflexões pessoais de cada personagem – que, por mais que neguem, ainda têm um pouco de humano dentro de si.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre a autora:</strong> Elis é estudante de Jornalismo e pode ser encontrada como <a title="Brigit" href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=2015" target="_blank">Brigit</a> no Fórum Meia Palavra. Além da literatura, sua outra paixão é o cinema.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5059" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Meia Palavra Indica: Livros para ler no Dia Mundial do Rock</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 11:37:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meia Palavra Indica]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[A Estrada da Noite]]></category>
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		<category><![CDATA[Conselhos de um discípulo de Morrison a um fanático de Joyce]]></category>
		<category><![CDATA[Dia mundial do rock]]></category>
		<category><![CDATA[Franchini e Seganfredo]]></category>
		<category><![CDATA[Joe Hill]]></category>
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		<description><![CDATA[No dia 13 de Julho de 1985 foi realizado um concerto de rock para os famintos da Etiópia. Nesse dia diversas bandas do cenário do rock e pop da época fizeram shows memoráveis. Entre eles: Elvis Costello, U2, Queen, David Bowie, The Who, Sting, Phil Collins, Paul McCartney, Status Quo, entre outras. Um dos organizadores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/rock-n-roll.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2611" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="rock-n-roll" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/rock-n-roll.jpg" alt="" width="264" height="220" /></a>No dia 13 de Julho de 1985 foi realizado um concerto de rock para os famintos da Etiópia. Nesse dia diversas bandas do cenário do rock e pop da época fizeram shows memoráveis. Entre eles: Elvis Costello, U2, Queen, David Bowie, The Who, Sting, Phil Collins, Paul McCartney, Status Quo, entre outras. Um dos organizadores desse evento foi Bob Geldof, o famoso personagem principal do filme The Wall de Alan Parker, baseado no álbum homônimo do Pink Floyd. Esse dia ficou conhecido como O Dia Mundial do Rock e agora o Meia Palavra indica os melhores livros para se ler no dia 13 de julho:</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2610"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/pips/">Pips</a></strong>: <em>Alta Fidelidade</em> (Nick Hornby): Imagine que você, homem, acabou de receber um pé na bunda do amor da sua vida, mas tenta ao máximo dizer que não foi o pior dos foras. Alta Fidelidade é um exemplo de romance de homens sobre mulheres, diferenciado justamente por causa que o coração partido nessa história é o de um homem. Seria mais uma história de amor? Como não parecer machista? Entre todos os devaneios e pensamentos possíveis, Rob Flemming tenta decifrar a alma feminina, e o amadurecimento de um cara, e o que é amor ou não, o que é obsessão e apego. E aí você se pergunta o que isso tem a ver com o dia do rock? Entre uma dúvida e um por quê, Rob intercala citações da música pop, fala sobre sua vida como dono de uma loja de vinis e o sonho de abrir uma gravadora. As músicas marcam cada momento de sua narrativa, todas compostas por um Top 5 das melhores, piores e tudo mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/admin/">Anica</a>:</strong> <em>A Estrada da Noite</em> de Joe Hill tem tudo para agradar não só o público que adora histórias de horror, mas também os fãs do bom e velho rock n&#8217; roll. Recheado de referências à músicas e bandas famosas, conta a história de um velho roqueiro que resolve comprar para sua coleção de artigos bizarros um terno assombrado. A questão é que o fantasma do terno passa a persegui-lo e a todos perto dele, o que rende capítulos de tensão contínua que não devem nada aos bons livros de horror. Entre uma e outra brincadeira que Joe Hill deixa para os leitores apaixonados por rock, vale ressaltar que o título original é o nome de uma canção do Nirvana (Heart-Shaped Box) e que os cachorros do protagonista se chamam Angus e Bon, em uma referência ao pessoal do AC/DC. Ou seja, mesmo que terror não seja sua área, ainda dá para se divertir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/kika/">Kika</a></strong>: <em>As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica</em> &#8211; A.S. Franchini e Carmen Seganfredo Esse livro é feito especialmente para os fãs de metal. A mitologia nórdica é fonte de inspiração para muitas bandas, com suas histórias de sangue, trapaça, honra de guerreiro, força e sabedoria. Manowar, Tyr, Rhapsody e muitas outras bebem dessa fonte praticamente inesgotável de histórias, e os autores nos apresentam às mais significativas de um jeito interessante e divertido. Para os curiosos, é uma boa chance de ter seu primeiro contato direto com personagens como Odin, Thor, Loki, Fenrir, Freya, as três fiandeiras, bem como lugares como as profundas cavernas dos anões, a árvore da vida Yggdrasil, o salão de festas dos guerreiros &#8211; Vallhalla. Enfim, nesse dia do rock, eu sugiro que você conheça os deuses que inspiraram os deuses do metal.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/luciano/"><strong>Luciano</strong></a>: <em>Conselhos de um discípulo de Morrison a um fanático de Joyce</em> (Roberto Bolaño e A. G. Porta)- Ángel e Ana. Ele é de barcelona. Ela latino-americana. Ele um escritor fadado ao insucesso. Ela uma deliquente. A vida na Espanha dos anos 80 não é fácil para essas personagems, por isso assaltam um banco. E assim começa uma conturbada carreira criminosa, que divide espaço com as outras paixões de Ángel, além de Ana: a música de Jim Morrison e a literatura de James Joyce. Obra primeira escrita a quatro mãos por Bolaño e A. G. Porta, já é um embrião do que seriam as respectivas obras posteriores de cada um. Ainda um pouco imaturo se comparado com o que veio depois mas&#8230; Um romance policial que começa com a letra de &#8216;The End&#8217; como epígrafe e que é repleto de alusões à Ulisses não pode ser nada mal, pode?</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/lucas-deschain/"><strong>Lucas</strong></a>: <em>Torre Negra</em> (Stephen King): Em discussão no Meia Palavra no tópico de Stephen King estive pensando sobre uma caracterização do universo d’A Torre Negra, e sendo breve poderia dizer que é um universo rock n’roll. Isso é vago e serve de pretexto para muitas discussões, mas parece que há uma música de rock para cada passagem do livro, a saga hauriu do rock seu clima épico, bruto e forte, parece que foi feito para ser acompanhado por rock n’roll (espero inclusive que eles lembrem disso no filme). Não a toa que a obra-prima de King possui trechos de músicas famosas como Paint It Black dos Rolling Stones; Hey Jude dos Beatles; Velcro Fly do Z.Z.Top; uma ou outra música do Bob Dylan etc. Além disso, recomendo Locomotive Breath, do Jethro Tull para a leitura do terceiro volume (As Terras Devastadas, meu predileto), é arrepiante. Isso sem contar que, se levarmos em consideração a estranha relação entre Terra e Mundo-Médio, dá para imaginar que a música The Wizard, do Black Sabbath deve ter um significado bem diverso no universo de Roland Deschain (principalmente a partir do quarto volume, Mago e Vidro).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4989" target="_blank">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>A Misteriosa Chama da Rainha Loana (Umberto Eco)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/06/21/a-misteriosa-chama-da-rainha-loana-umberto-eco/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 13:45:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A misteriosa chama da rainha loana]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>

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		<description><![CDATA[Bueno.
Terminei a leitura do meu primeiro romance do Umberto Eco, A Misteriosa Chama da Rainha Loana. E posso dizer que, embora não seja dos melhores que li, as muitas horas de leitura até que valeram a pena.
Para falar sobre esse livro, não quero começar fazendo um resuminho do enredo. Quero que vocês entrem nele, ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Eco_capa.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2555" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="Eco_capa" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Eco_capa.jpg" alt="" width="200" height="297" /></a>Bueno.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminei a leitura do meu primeiro romance do Umberto Eco, A Misteriosa Chama da Rainha Loana. E posso dizer que, embora não seja dos melhores que li, as muitas horas de leitura até que valeram a pena.</p>
<p style="text-align: justify;">Para falar sobre esse livro, não quero começar fazendo um resuminho do enredo. Quero que vocês entrem nele, ao menos aqui, às escuras. E quero isso porque isso é importante para esse livro. Por ora, digo que ele foi publicado pela Record, em 2005, que a tradutora é a Eliana Aguiar e que ele tem 456 páginas. E também que a narrativa divide-se em três grandes partes: “O Acidente”, “Uma memória de Papel” e “OI NOΣTOI”. Vamos a elas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2554"></span><strong>O Acidente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Então compramos o livro e, faceiramente, começamos a leitura:</p>
<p style="text-align: justify;">“E o senhor, como se chama?”</p>
<p style="text-align: justify;">“Espere, está na ponta da língua.”</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo começou assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Era como se acordasse de um longo sono&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois discursos diretos com os quais a narrativa começa já nos dão o tom de toda a primeira parte do livro: o protagonista não sabe seu nome, ou melhor, não o sabia no momento em que a história que será narrada começou. Mais adiante, descobriremos que ele não sabe nada sobre sua vida: não reconhece a si próprio, a sua esposa, filhos, netos; não recorda nada sobre seus pais e seus demais familiares; não sabe onde mora, no que trabalha e, ao menos, se trabalha. Em resumo, não se lembra de nada relacionado a si próprio, embora saiba quem foi Napoleão, que houve duas grandes guerras mundiais, que o branco chama-se branco – todas as coisas que o mundo inteiro sabe, na medida do possível. O interessante aqui é que ele, o protagonista e narrador da história, e nós, os leitores, estamos na mesma situação, não sabemos nada sobre ele mas sabemos quem foi Napoleão, que houve duas grandes guerras mundiais, que o branco chama-se branco&#8230; E, juntos, nessa primeira parte, descobriremos que ele está num hospital, que sofreu um acidente cardiovascular (embora o livro não explicite isso, dá pra supor durante a leitura), que por isso perdeu sua memória autobiográfica – aquela responsável pelas coisas que vivemos – mas que manteve intacta sua memória semântica, ou seja, ele não esqueceu de como se fala, de como se dirige, se escova os dentes ou de como se faz amor, embora não consiga lembrar de qual é a sensação que o sexo provoca nele; descobrimos que sua esposa se chama Paola, que tem filhos, netos, prováveis amantes e, dentre outras coisas, que é vendedor de livros raros. Vamos, juntos com ele, descobrindo, através dos outros, todas as coisas sobre sua vida, e vamos descobrindo, também juntos, que ele não sabe como se sentiu e como se sentia frente a todo esse mundo e a essa vida agora nova que se nos abrem – mas sabemos como se sente, um outro de quem nada se sabe. Já em casa, num determinado momento, sua esposa propõe que Yambo (a essa altura, já sabemos que seu nome é Giambattista Bodoni e que seu apelido é Yambo) viaje para Solara – uma cidadezinha na qual há uma antiga casa da família em que ele viveu, quando criança, durante a segunda guerra mundial, momentos decisivos de sua vida –, pois ela acreditava que lá, reencontrando-se com as coisas e os lugares do seu passado, ele pudesse recobrar sua memória. E, entrando em Solara, entramos também na segunda parte da narrativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma memória de Papel</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chegando à casa da família, em que vive uma empregada já com seus 70 anos e que viveu sua infância junto com Yambo, que tem quase 60, nosso herói começa suas investigações sobre seu passado. Investigando junto com ele, descobrimos que Yambo foi um grande leitor na sua infância e pré-adolescência. Lia revistas em quadrinhos, diferentes formas de narrativa e gostava também de música, principalmente clássica. E aqui a narrativa fica chata, deve-se confessar. Ao encontrar seus livros e revistas da infância, Yambo acredita que, (re)fazendo essas leituras, pode se (re)descobrir. E a narrativa entra em longas descrições de histórias em quadrinhos e de livros dos anos 20, 30 e 40, principalmente, de músicas, e aí o troço fica maçante pacas – embora existam momentos em que pequenas histórias sejam contadas e apareçam muitas ilustrações e reproduções de capas de livros, de HQs, de discos, compilações de músicas, cartazes, panfletos e etc (tá, o que cansa um pouco também). Mas, a essa altura, nós – agora o nós somos só nós leitores – já estamos querendo saber se isso vai adiantar de alguma coisa, se Yambo vai recobrar sua memória e parar de nos cansar com essa catalogação de tudo aquilo que leu e ouviu durante os tempos em Solara – não esqueçamos de que ele é vendedor de livros raros, para quem a catalogação é uma prática fundamental. Daí que a coisa toda parece que não adiantou de nada, e, ao que tudo indica, nós – leitores e ele – não avançamos muito nas suas memórias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em qualquer caso, até o momento Solara não me restituíra algo que fosse realmente e somente meu. Tudo o que descobri foi o que lera, mas assim como tantos outros leram.</p>
<p style="text-align: justify;">Até  que, quando já está decidido a voltar para Milão, onde morava com sua esposa, descobre um livro: o in-folio de 1623 das obras de Shakespeare, talvez um dos livros mais raros e desejados e procurados.</p>
<p style="text-align: justify;">Com esse in-fólio estou vivendo um romance mais excitante que todos os mistérios vividos entre os muros de Solara, durante quase três meses de alta pressão [Yambo ficou cerca de três meses em Solara e tinha pressão alta]. A emoção me embaralha as idéias, sobem a meu rosto lufadas de calor.</p>
<p style="text-align: justify;">É seguramente o grande golpe da minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Então que ele acha o in-fólio de 1623 do Shakespeare, e parece que vai ter uma síncope. E a segunda parte acaba.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>OI NOΣTOI</strong></p>
<p style="text-align: justify;">(Grego. Alguma coisa do tipo: retorno/retornam para casa)</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, algo aconteceu com nosso herói. Aqui, estamos dentro da cabeça de Yambo – mas não esperem técnicas narrativas extremamente apuradas para a representação disso. As suas memórias começam a voltar, completamente embaralhadas, e as vamos percebendo, só pra variar, junto com Yambo, que tenta organizá-las, dar a elas algumas formas. Yambo, novamente, não sabe onde está e nem como está, mas imagina-se num hospital, em coma, ou morto, no limbo. Essa é uma das coisas que fica suspensa até o final da narrativa, mas muitas outras começam  a fazer sentido, até o momento em que, nas suas lembranças, a possibilidade de ver o rosto daquela que fora seu primeiro amor embaralha tudo novamente, e, numa confusão entre ficção e realidade somos conduzidos junto com Yambo ao final da história, que eu não vou contar.</p>
<p style="text-align: justify;">É essa a história que Eco nos conta, um homem que perdeu sua memória e tenta recuperá-la. A narrativa em primeira pessoa faz com que nos colemos a Yambo e sigamos, junto com ele, na busca por suas lembranças – o que seria bem difícil de ser feito em uma narrativa em terceira pessoa. Escutar a história de um narrador-personagem, que conta a sua história de como procurou rememorar todas as suas lembranças que haviam sido perdidas é a grande sacada da narrativa de Eco. E é a grande sacada pelo motivo no qual insisti durante meu texto: fazemos isso juntos. Exceto a segunda parte do livro, cansativa por seu aspecto algo catalográfico – explicável estruturalmente pelo fato de a história ser contada por um vendedor de livros raros –, a história nos prende. É verdade que mais pela curiosidade em saber se Yambo se (re)descobre que por qualquer outro motivo – a sua busca pelo rosto do seu primeiro amor parece ser um outro recurso utilizado para se prender a atenção do leitor, e, embora se confunda em alguns momentos com o objetivo principal da busca de Yambo, pode ser caracterizada como algo que desempenha o papel de fortalecer o seu ímpeto pela busca. Podemos dizer também que o livro não deixa de tematizar uma velha questão da teoria literária: ficção vs realidade. Na primeira parte, Yambo relembra trechos de diversos textos literários, embora não saiba bem o porquê disso acontecer. Na segunda parte, é através da ficção – seja ela a música, a literatura ou as histórias em quadrinho – que Yambo procura (re)descobrir quem realmente foi. Porém, nenhuma das histórias que leu o ajudam, mas sim um livro visto como objeto, que o ajuda não pelo que conta, mas sim por sua raridade – Yambo é, no fundo, um bibliófilo. Ao final da terceira parte, temos por fim a total confusão entre ficção e realidade, quando da interação entre personagens históricas – pessoas reais – e personagens ficcionais, e da confusão entre essas duas, digamos, categorias: será que Lila, seu primeiro amor, é real? Será que ela é uma personagem de ficção? Talvez uma pessoa real ficcionalizada? Não sabemos. E não acredito que precisemos dar um veredicto sobre isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Bueno, dos caminhos possíveis para a abordagem do livro, achei que esse seria bom para provocar a sua leitura. E é isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Até  a próxima!</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor:</strong> Leandro Cardoso é o <a title="leandrão" href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=123" target="_blank">Leandrão</a> no Fórum Meia Palavra.  É formado em Letras – Bacharelado em Estudos da Tradução, Português e Latim – pela UFPR e mestrando em Literatura pela mesma instituição.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4812&amp;pid=80428#pid80428" target="_blank"><strong>COMENTE O ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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		<title>Meia Palavra Explica: A Estrada</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 13:20:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meia Palavra Explica]]></category>
		<category><![CDATA[A Estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Cormac McCarthy]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Num futuro não muito distante, o planeta encontra-se totalmente devastado. As cidades foram transformadas em ruínas e pó, as florestas se transformaram em cinzas, os céus ficaram turvos com a fuligem e os mares se tornaram estéreis. Os poucos sobreviventes vagam em bandos. Um homem e seu filho não possuem praticamente nada. Apenas uns cobertores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/3219533.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2522" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="3219533" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/3219533-192x300.jpg" alt="" width="192" height="300" /></a>Num futuro não muito distante, o planeta encontra-se totalmente devastado. As cidades foram transformadas em ruínas e pó, as florestas se transformaram em cinzas, os céus ficaram turvos com a fuligem e os mares se tornaram estéreis. Os poucos sobreviventes vagam em bandos. Um homem e seu filho não possuem praticamente nada. Apenas uns cobertores puídos, um carrinho de compras com poucos alimentos e um revólver com algumas balas, para se defender de grupos de assassinos. Estão em farrapos e com os rostos cobertos por panos para se proteger da fuligem que preenche o ar e recobre a paisagem. Eles buscam a salvação e tentam fugir do frio, sem saber, no entanto, o que encontrarão no final da viagem. Essa jornada é a única coisa que pode mantê-los unidos, que pode lhes dar um pouco de força para continuar a sobreviver.</p>
<p style="text-align: justify;">A Estrada é um livro sobre a jornada de um pai e seu filho, nunca nomeados, numa terra pós-apocalíptica. O autor é Cormac McCarthy, mesmo de Onde os Velhos Não Têm Vez. Em 2009 foi lançada a versão cinematográfica dirigida por John Hillcoat e estrelada por Viggo Mortensen.</p>
<p><span id="more-2521"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/luciano/">Luciano R.M.</a>: Violência costuma ser a tônica dos livros do americano McCarthy. Em &#8216;A Estrada&#8217;, porém, ela assume uma forma diferente da costumeira: não se apresenta como matanças sangrentas, mas como um profundo niilismo. O mundo desolado sem que se apresente um motivo de forma clara, esperanças débeis prontas a serem frustradas e diálogos curtos e secos- pois não se resta muito a dizer. Contrastando com isso, porém, existe a relação entre um pai e seu filho, lutando juntos por algo que nem eles sabem ao certo o que é.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/author/pips">Pips</a>: Quando chegarmos ao fim do planeta, será possível separarmos emoções, moral e medos? Nesse exemplar de McCarthy somos levados por uma estrada sem nome, onde pessoas sem nome se cruzam, assustam e são assustados, e acima de tudo, perderam o vínculo real das relações humanas. Um pai vive num que o mundo não é mais mundo; cinzento, sem sol, chuvoso, melancólico, silencioso e sufocante. Seu filho nasceu em meio a essa era apocaliptica, sem anjos ou demônios, somente sobreviventes sem nomes e raças. Resta a eles existir e ser pelo outro. Aqui a ausência de uma perspectiva torna-se a dioptria da transgressão, o credo pela salvação através de descendentes e acima de tudo as escolhas num mundo &#8220;livre&#8221; de regras.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://trecosetrapos.org/weblog/">Clandestini:</a> A Estrada é o tipo de livro que é preciso encarar com certo cuidado. Se quiseres um livro raso ou leve, melhor procurar outra leitura. Se sua sensibilidade é assim, digamos, muito alta, prepare-se com caixas e mais caixas de lencinhos de papel: as lágrimas foram companheiras durante quase todo o livro. O cenário é desolador, mas mesmo aterrorizante, funciona apenas como plano de fundo para o que o autor pretende com seu romance (fazer o que se eu gosto tanto desse cenário nas histórias de ficção). O livro é muito mais do que a história do que nos aguarda no temido fim dos tempos, é a história da profunda relação entre pai e filho, amadurecimento e sobre esperança, “cada um o mundo inteiro do outro” (sem dúvida a melhor frase do livro). Acho que uma palavra que adjetiva bem a narrativa é angústia. Mas não se engane, não é um melodrama grudento e pobre. Longe disso, é um romance requintado, profundo e extremamente complexo. A experiência de ler uma obra como A Estrada é algo que não se esquece jamais, com certeza um dos melhores livros lidos em toda minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.pensarexpresso.blogspot.com/">Luciano Altoé</a>: Determinados livros não foram feitos para serem lidos, mas para serem sentidos. No videogame chamamos isso de “capacidade de imersão” e ocorre quando o jogo transporta o jogador para o universo transmitido pela tela. Esse é exatamente o efeito causado por “A Estrada” de Cormac MacCarthy; essa pequena obra-prima da literatura tem o raro poder de fazer o leitor embarcar, de corpo e alma, na viagem realizada pelos protagonistas da história. E é bom que se diga, a viagem não será nada fácil para o leitor! A história se passa em um futuro pós-apocalíptico, onde pai e filho caminham em busca da salvação. MacCarthy não poupa o leitor; descreve sucintamente cenários e as reações dos personagens, todo o resto fica para o imaginário de quem tem a obra nas mãos, as situações são de um realismo medonho, os diálogos são crus e, às vezes, cruéis; tudo sob um eterno céu acinzentado, onde o Sol, há anos, não passa de uma sombra pálida. Ainda assim é uma história de amor incondicional entre pai e filho. Não é um livro fácil; eu mesmo lia duas ou três páginas e era obrigado a parar e ruminar tudo o que fora transmitido pelo autor, mas isso apenas demonstra a força desse livro inesquecível, com certeza um dos melhores que li&#8230; ou senti.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://eveningredness.tumblr.com/">Wilson</a>: Existem livros que tiram tudo de nós. O silêncio das palavras não escritas ao final da história é o que sobra após termos verdade por verdade pulverizadas sobre o mundo como o vemos. Pai e filho seguem em meio aos destrocos de um mundo apos o apocalipse, onde a noite e o silencio parecem eternos, alimentos sao quase impossiveis de serem encontrados, os demais sobreviventes foram reduzidos a canibais em desespero. Pai e filho vagam por estradas desertas num mundo apagado. Nao existe trama. Existem as palavras do autor conduzidas por um fio narrativo dos mais basicos, o amor de um pai por seu filho, no qual apesar da destruicao se deposita a fe. Nao e um livro facil de ser lido, mas a poesia esta ali em cada pagina. E num último instante de contemplação antes que fechemos por fim o livro, um inventário surdo do que podemos dizer que amamos ou esperamos ou sabemos do mundo como um todo e o quão pouco realmente temos apenas para nos enganar de que não temos realmente nada. No princípio e no fim o mundo se encerra no labirinto, é o que diz McCarthy.</p>
<p style="text-align: justify;">Zzeugma: O aspecto que a maioria dos leitores irão se prender é na relação pai e filho. A descrição é repleta de detalhes simples que conferem veracidade e emoção. Já li em uma resenha anterior: “Preparem a caixa de lenços”. Não dá para negar que é o tema principal e inescapável do romance: como criar um filho em um mundo louco e sem esperança? Como e – principalmente &#8211; por quê? Mas existem outros aspectos que, a meu ver, merecem tanto relembrar quanto este. Em geral, nas histórias pós-apocalípticas mais comuns reforça-se o aspecto da luta contra o meio ambiente hostil. Falamos do fim da civilização, de um retorno a uma barbárie selvagem, e não do fim da humanidade. Às vezes, podemos encontrar até uma espécie de renascer da natureza como (nos filmes, não sei como foram os livros) “O Mensageiro” e “Eu sou a Lenda”. Mas n´A Estrada, a natureza está morta, completamente morta, de uma forma tão total que não restaram nem insetos. Pode ser uma “premissa” um tanto forte, mas a ideia é transmitir que, por mais longe e separados que estejamos dela, nós ainda dependemos da natureza, de uma forma absoluta. Depois de ler Meridiano de Sangue, não consegui deixar de enxergar ligações entre este mundo morto e aquele exuberante. Além disso, vê-se que um ambiente de barbárie, existe violência, mas bem distante daquela violência “heroica” que vemos em filmes e livros. N´A Estrada, a violência é constante e brutal, entretanto não há orgulho nenhum nisso, não há coragem, não há esta defesa do &#8220;Homem Forte&#8221;: não é um faroeste ou romance de aventuras maquiado em cenário de &#8220;fim de mundo&#8221;. A violência ou é ferramenta de domínio ou a defesa do desesperado.</p>
<p style="text-align: justify;">Rafaela: Um livro diferente, um pouco assustador, que retrata um mundo sem esperança, onde um pai e seu filho caminham, não em busca de um lugar prometido, mas somente pensam em sobreviver por mais um dia, em meio a cinzas, canibais, falta de alimentos, frio. Através da forma que foi escrito o autor pode transmitir o terror e o desespero de um mundo que está se deteriorando, onde os animais deixaram de existir, as plantas morreram e algumas pessoas tentam sobreviver, como animai. Muitos comendo outros de sua espécie. E um pai e seu filho caminham por esse mundo. Duas realidades diferentes: um lembra ainda do antigo mundo, onde o ser humano era o dono do mundo, outro que conhece apenas essa realidade e não acredita muito nas histórias que o outro conta, pois acha difícil acreditar que o mundo onde vive já foi bonito e rico. Quando comecei a ler não consegui largá-lo, li em dois dias! Eu sentia o frio que as personagens sentiam, a fome que os atormentava, o medo. O autor soube passar tudo isso para o papel e é um dos livros que mais gostei de ler! Chega a lembrar um pouco Ensaio Sobre a Cegueira do Saramago, mas mais aterrador! Um livro que deve ser lido e refletido. Recomendo!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>McCarthy</strong>, Cormac. <em>A Estrada</em>. Editora Alfaguara, 2007. 240 Págs.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4826">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F06%2F07%2Fmeia-palavra-explica-a-estrada%2F&amp;linkname=Meia%20Palavra%20Explica%3A%20A%20Estrada">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>“Fractal” de Marcela Godoy e Eduardo Ferigato</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 12:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Ferigato]]></category>
		<category><![CDATA[Fractal]]></category>
		<category><![CDATA[HQs]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Godoy]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar de ser um leitor de quadrinhos preocupado com a relação da qualidade com a quantidade do que é produzido, posso afirmar que estou cada vez mais feliz por ver a adesão que as HQs estão tendo dentro do nosso país. Antes o mercado era meio restrito a grupos de autores e leitores com vícios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/capa_v001_200.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2503" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="capa_v001_200" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/capa_v001_200.jpg" alt="" width="200" height="290" /></a>Apesar de ser um leitor de quadrinhos preocupado com a relação da qualidade com a quantidade do que é produzido, posso afirmar que estou cada vez mais feliz por ver a adesão que as HQs estão tendo dentro do nosso país. Antes o mercado era meio restrito a grupos de autores e leitores com vícios autoafirmativos que, no contexto geral, ajudavam a criar estereótipos, excluindo quem estivesse fora do lugar comum. O leitor já esperava uma obra que tivesse uma carga “cultural” impregnada de clichês sobre a real condição do Brasil ou do seu povo. Ou seja, muitos deixavam de comprar HQs nacionais, porque tinham uma ideia do que estaria escrito e quais pontos seriam abordados constatando a falta de originalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Podem chamar de preconceito, mas a verdade é que esses leitores estavam cansados de ver sempre o mesmo tipo de narrativa e regionalismos exagerados. Todos queriam algo original, porem que mantivesse o espírito brasileiro, e é justamente nesse ponto que a HQ <em>Fractal</em> se diferencia do produtor comum nacional.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2502"></span>Ao abrir as primeiras páginas de <em>Fractal</em>, somos confrontados com uma pequena narrativa que serve como uma ótima demonstração das reais intenções da leitura. Genética, DNA, pequenas partículas quânticas e a geometria dos Fractais são a forma da autora nos dizer que essa vai ser uma leitura no mínimo densa. No mundo dos quadrinhos, tratar desses assuntos sem cair dentro de tramas envolvendo mutantes heroicos ou ameaças alienígenas é um grande desafio, sendo que abordar de forma concisa e interessante, relacionando os mesmos temas com o mundo real, igual a esse em que vivemos, só torna o dificuldade maior ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">A trama proposta de início é bem simples: policial da delegacia de homicídios é convocado à participar de uma investigação em conjunto com a delegacia antissequestro. Desaparecimentos estranhos estavam acontecendo com uma frequência grande e só atingiam pessoas nascidas numa mesma data e no mesmo hospital.</p>
<p style="text-align: justify;">Até ai o cenário pode ser considerado normal em termos de história para HQs. O negócio começa mesma a esquentar quando Liel, o policial em questão e o personagem principal, percebe que os desaparecidos além das duas características iniciais tem uma terceira: são gêmeos, mais precisamente a parte masculina de uma casal de gêmeos. Esse é ouro preso nas entre linhas da história de <em>Fractal</em>. O potencial que a história tem de focar em elementos loucos e incomuns como maçonaria, numerologia, fractais e matemática linear.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prev_v001_001g.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2504" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="prev_v001_001g" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prev_v001_001g.jpg" alt="" width="275" height="399" /></a>Liel, quase um super policial, é de longe o personagem trunfo da história e o melhor desenvolvido, todos os outros são apenas sombras de seres humanos reais. Ele tem um passado pouco claro, aliado a um presente fácil de definir como: caótico e pouco feliz, onde seu trabalho serve de fantasma ao mesmo tempo em que o encoraja a continuar vivendo e sua namorada socialight com problemas psicológicos o utiliza como pilar de sanidade. Falando em trunfos, cabe aqui fazer um levantamento dos pontos positivos e motivos de compra de <em>Fractal</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">De prima podemos destacar a originalidade em termos de HQ nacional, mesmo que ela possa ser comparada as obras de literatura policial, tão comuns nos anos 50. Os elementos pouco convencionais para nós brasileiros, intimamente ligados a números e citações literárias (<em>O Médico e o Monstro</em>), servindo de gancho para o nível de profundidade da trama, forçam um limiar entre o entendimento sem o auxílio de uma enciclopédia e as pontuações bem construídas atrativas para o leitor. Claro que a boa narrativa é de grande ajuda nessa questão do “entender a trama”, até mesmo porque ela vem à compensar os diálogos pouco estruturados tão comuns na comunicação diária.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o assunto é a arte de <em>Fractal</em>, temos que entender primeiro o valor de uma boa HQ em preto e branco. E não podemos ver a utilização desse recurso, apenas afins de causar uma boa impressão ao publico apreciador. As imagens movimentadas construídas no tom monocromático foram essenciais para criar o ambiente da trama. Os desenhos são bem detalhados e com traços finos, a diagramação é perfeita e bate de encontro com a ideia da HQ ser explicativa no mesmo momento em que propões desafios ao intelecto do leitor. Numa conclusão final, é viável afirmar que foi um trabalho de ilustração bem casado.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fractal</em> foi editado em 2009 e saiu pela Devir. Escrito por Marcela Godoy e ilustrada por Eduardo Ferigato, fica de indicação para um publico mais adulto, pelas cenas fortes de seminudez e a violência, porém acima desses detalhes, o que faz ser uma indicação adulta é o nível de profundidade do material. Quem quiser mais informações, basta dar uma lida na página da Devir (link: http://www.devir.com.br/hqs/fractal_v001.php) ou comprar a HQ (sem medo) pela Comix (link: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=10593), o preço é um dos atrativos também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Breno Cavalcante é o <a title="breno c." href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=17" target="_blank">Breno C.</a> no Meia Palavra e também pode ser encontrado no blog <a title="csides" href="http://imaginebirds.com/csides/" target="_blank">CSIDES</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="FRACTAL" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4814" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F06%2F04%2F%25e2%2580%259cfractal%25e2%2580%259d-de-marcela-godoy-e-eduardo-ferigato%2F&amp;linkname=%E2%80%9CFractal%E2%80%9D%20de%20Marcela%20Godoy%20e%20Eduardo%20Ferigato">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Infiel</title>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2010 12:35:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Ayaan Irsi Ali]]></category>
		<category><![CDATA[Infiel]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Ayaan Hirsi Ali
Editora: Companhia das Letras, 2007
#Vouconfessarque eu ganhei o livro Infiel em um amigo secreto de final de ano. Na mesma ocasião eu ganhei um dos livros mais comentados do momento, o Crepúsculo. Claro que minha curiosidade sobre a saga fez com que eu lesse primeiro o Crepúsculo, e em seguida, toda a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/infiel-ayaan-hirsi-ali.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2229" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="infiel-ayaan-hirsi-ali" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/infiel-ayaan-hirsi-ali-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a>Autor: Ayaan Hirsi Ali<br />
Editora: Companhia das Letras, 2007</p>
<p style="text-align: justify;">#Vouconfessarque eu ganhei o livro Infiel em um amigo secreto de final de ano. Na mesma ocasião eu ganhei um dos livros mais comentados do momento, o Crepúsculo. Claro que minha curiosidade sobre a saga fez com que eu lesse primeiro o Crepúsculo, e em seguida, toda a continuação da série, fazendo com que Infiel ficasse parado na meu rack por vários meses até que eu me interessasse em abrir aquela obra dona de uma capa sóbria, cores frias, e com a negra somaliana Ayaan Irsi Ali, a qual eu nunca havia ouvido falar. Pois bem, com a primeira missão de abrir o livro cumprida, para minha surpresa, eu não consegui mais fechá-lo até que o acabasse &#8211; e trata-se de um livro relativamente grande, com 496 páginas &#8211; que valem cada palavra lida.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se da biografia desta mulher, nascida em Mogadíscio, capital da Somália em 1969. Na época a Somália era um país em guerra política constante e extremamente cravado nas tradições, para nós ainda bizarras, de certos países africanos. Ayaan cresceu com seus dois irmãos num ambiente hostil, sendo espancada pela mãe e pela avó. Seu pai, um opositor do governo, foi preso quando ela nasceu, e passou boa parte da vida na prisão, longe da família. Após sua liberdade, eles fugiam e se exilavam constantemente, o que fez com que Ayaan aprendesse várias línguas, incluindo o inglês.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2228"></span><br />
Sob uma educação rígida regida pelo Alcorão, Ayaan e sua irmã tiveram o clitórios retirado com uma tesoura a sangue frio em uma cerimônia de purificação quando tinham, respectivamente, cinco e quatro anos (uma das passagens mais impressionantes da narração) e foi devidamente espancada e chamada de prostituta quando mestruou pela primera vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Nossa heroína certamente poderia ter sido apenas mais uma mulher africana e muçulmana que passa a vida debaixo de uma burca aceitando as imposições machistas, políticas e sociais, mas ao contrário disso, cada surra a fazia questionar sua realidade e a posição da mulher perante a sociedade. E foi justamente num casamento arranjado por seu pai, que ela conheceu a tão sonhada liberdade. Casada com um somali que morava no Canadá, e já com planos de fugir, Ayaan vai ao seu encontro e faz uma escala na Alemanha, onde aguardaria seus domumentos canadenses.</p>
<p style="text-align: justify;">De lá, sem avisar ninguém, ela vai para a Holanda onde consegue se manter no país como exilada, e sobrevive fazendo traduções. Com muito esforço ela aprendeu holandês, foi aceita na Unviversidade de Lieden, umas das mais tradicionais da Holanda e cursou Ciência Política, seguido de um mestrado. Tudo isso determinada a entender as atrocidades que o governo muçulmano trouxe para a sua vida e para a de tantos que viveram situações como a dela. Para coroar seus ideais, Ayaan se tornou deputada e foi jurada de morte pelos radicais islâmicos ao defender o direito da mulher como cidadã.</p>
<p style="text-align: justify;">Infiel é uma fonte de inspiração. Sem clichês, o livro transborda força e coragem, nos fazendo questionar o que levamos dentro de nós, e como muitas vezes não valorizamos quase nada que temos como “humanos felizes nascidos numa sociedade livre” . Ayaan saiu de uma situação das mais improváveis e superou todas as barreiras que a vida a impôs.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje ela vive nos Estados Unidos e foi eleita em 2005 pela revista Time com uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Diante da leitura do livro, fica impossível discordar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre a autora</strong>: Fernanda Carréa é radialista e pode ser encontrada em <a title="fernanda carrea" href="http://fernandacarrea.com.br/" target="_blank">Fernanda Carréa &#8211; Comunicação, Rádio e TV</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4711" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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		<title>Meia Palavra Explica: Alice no País das Maravilhas</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/04/21/meia-palavra-explica-alice-no-pais-das-maravilhas/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 13:59:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meia Palavra Explica]]></category>
		<category><![CDATA[Alice no país das maravilhas]]></category>
		<category><![CDATA[Johnny Depp]]></category>
		<category><![CDATA[Lewis Carroll]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Burton]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta sexta-feira estreia Alice no País das Maravilhas de Tim Burton e o Meia Palavra Explica porque a história fez tanto sucesso sendo adaptada diversas vezes para o cinema (tanto em live action como em desenho).
O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai numa toca  de coelho que a transporta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/04/alice-no-pais-das-maravilhas.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2169" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="alice no pais das maravilhas" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/04/alice-no-pais-das-maravilhas.jpg" alt="" width="226" height="236" /></a>Nesta sexta-feira estreia Alice no País das Maravilhas de Tim Burton e o Meia Palavra Explica porque a história fez tanto sucesso sendo adaptada diversas vezes para o cinema (tanto em live action como em desenho).</p>
<p style="text-align: justify;">O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai numa toca  de coelho que a transporta para um lugar fantástico povoado por  criaturas peculiares e antropomórficas, revelando uma lógica do  absurdo característica dos sonhos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2168"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/admin/">Anica</a>: Se você é um daqueles que torcem o nariz ao ouvir falar de literatura infanto-juvenil, achando que é tudo meio bobo e sem qualquer desafio, deveria conhecer Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho de Lewis Caroll. Ali você pode encontrar de tudo: jogos de palavras muito bem elaborados, referências à poetas brilhantes como T. S. Eliot (Four Quartets e a ideia de &#8216;tempo presente&#8217;), além, é claro, de momentos que talvez só mesmo adultos vão conseguir captar (como quando o Chapeleiro Louco e Alice conversam como lidar com o tempo). É um livro tão importante que já influenciou até vários músicos, de Júpiter Maçã (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=VL2z5M0Tcs8">Freaking Alice</a>) até Jefferson Airplane (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=WANNqr-vcx0">White Rabbit</a>).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/carol/">Liv</a>: Pop, excêntrico e encantador. Isso tudo e muito mais. Alice, o Chapeleiro, a Rainha e o mundo de Lewis Caroll de uma forma completa nos encanta e acaba entran naquela classe de livros atemporais. Não importa que seja literatura infanto-juvenil ou que tenha um coelho louco correndo para todos os lados, você o adora da mesma forma. Por que é extremamente bem escrito e agrada gregos, troianos, quem torce o nariz para histórias infanto-juvenis e principalmente, os fãs de uma boa leitura.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/pips/">Pips</a>: Alice no País das Maravilhas não é um livro. É um jogo, um desafio a mente &#8211; cheio de enigmas de raciocinio rápido, quebra-cabeças, lógica, matemática etc. Mescla personagens inesqueciveis (o gato Cheshire, o chapeleiro maluco, a rainha de copas, etc.) em situações que retratam coisas do cotidiano de maneira fantástica (muitos consideram a história de Alice numa alegoria sobre a adolescência: as mudanças no tamanho, nas idéias e nas dúvidas, em dado momento, a própria Alice diz não saber quem é). O texto ainda aborda temas filosóficos atemporais (como O Tempo, juro que não foi trocadilho). Mas não se engane ao chegar ao fim do País das Maravilhas, Carroll como bom samaritano, ainda presentiou seus leitores com Alice Do Outro Lado do Espelho, uma continuação tão pertinente quanto poética das aventuras de Alice. E antes que eu me esqueça: Feliz Desaniversário!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4595">DISCUTA ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>A Revolução dos Bichos (George Orwell)</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 18:31:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[A revolução dos bichos]]></category>
		<category><![CDATA[George Orwell]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Li 1984 já faz algum tempo, em 2007 para ser mais exato. E, no que minha memória ainda não deixou difuso, lembro de uma história original sem contar assustadoramente bem fundamentada e que se tornava mais verossímil a cada dia que assistia televisão, abria o jornal ou navegava pela Internet.
Porém, lembro também que tive minhas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/04/revolucao_bichos.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2124" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="revolucao_bichos" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/04/revolucao_bichos.jpg" alt="" width="193" height="292" /></a>Li <em>1984</em> já faz algum tempo, em 2007 para ser mais exato. E, no que minha memória ainda não deixou difuso, lembro de uma história original sem contar assustadoramente bem fundamentada e que se tornava mais verossímil a cada dia que assistia televisão, abria o jornal ou navegava pela Internet.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, lembro também que tive minhas ressalvas em afirmar que era a melhor obra que já havia lido, os “orwellianos” que não me levem a mal, achei o livro estupendo, mas sempre que pensava sobre como a distópica realidade era fundamentada, descrita e pormenorizada, me ficava um quê de artificialidade que, embora não me impedisse de forma nenhuma de apreciar o livro, me incomodava um bocado.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2110"></span>Procurei saber mais sobre o autor, olhar mais sobre o momento histórico que viveu e de que forma as raízes da ficção se encontravam com o solo fértil da realidade, e descobri fatos muito pertinentes para entender a obra de Eric Arthur Blair, mais conhecido como George Orwell.</p>
<p style="text-align: justify;">Fato é que essa resenha se refere ao livro <em>A Revolução dos Bichos</em>, do mesmo autor e cuja leitura fiz recentemente, já munido de um arsenal de saberes significativamente maior e mais capaz do que aquele de que dispunha em 2007. De antemão, já faço a minha mea culpa: essa resenha nada mais é do que um esboço de interpretação que carece de uma sorte de aparatos teórico-metodológicos que, mesmo que a empobreçam em uma série de sentidos, não a descaracteriza nem a desqualifica, já que suas pretensões são muitíssimo mais modestas que quaisquer pesquisas acadêmicas que certamente já foram escritas sobre essa magnífica obra.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem mais delongas, <em>A Revolução dos Bichos</em> é um livro inegavelmente alegórico, que conta a história de uma fazenda na qual os animais que lá vivem resolvem, a sugestão do leitão Major (na minha cabeça uma versão mais sisuda e menos caricata do Oolong, do desenho <em>Dragon Ball,</em> sem tirar a famosa boininha verde-pinheiro com uma estrela vermelha), iniciar uma revolução contra o jugo humano. Galinhas, gatos, ratos, lebres, cavalos, cachorros, ovelhas, cabras, patos e porcos iniciam um levante que expulsa os homens da fazenda e instaura o animalismo, ideologia em que se baseia a construção de um governo gerido pelos próprios animais.</p>
<p style="text-align: justify;">Fiquei estupefato com tamanho absurdo, temendo o que viesse em seguida. Mas antes que pudesse dar continuidade ao livro, fiquei alguns dias sem pegá-lo na mão, o que foi crucial para que eu refletisse sobre os significados de uma obra cujo plot é contar a história de um levante animalesco contra a autoridade humana. Recordei-me prontamente de <em>1984</em> e foi então que tudo ficou mais palpável, nada que se possa dizer epifânico, mas certamente interessante: George Orwell foi uma pessoa que vivenciou uma série de eventos históricos peculiares, em que o abuso de poder, cúmulos de absurdo e horror em guerras, ideologias repressivamente autoritárias e excludentes, para não dizer subversões e perversões de valores tão intensamente que era quase impossível que esse turbilhão não fizesse ao menos algumas pessoas se questionarem sobre o que estava acontecendo.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Orwell fez foi justamente usar sua argúcia literária para deter-se intelectualmente sobre toda esse turbilhão. Não quero aqui dizer a que se referem suas alegorias, já que não creio que apenas uma leitura da obra seja suficiente para determinar “quem é quem” e “porque é esse e não aquele”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois romances de sua autoria que li, já supracitados, equivalem, a meu ver, a uma decantação da realidade, uma dissecação dos elementos políticos, sociais e comportamentais que pujantemente pulsavam em sua realidade, a exemplo de um experimento científico de um modo mais ou menos bizarro, em que as “realidades ficcionais” que ele cria servem de laboratório para que ele compreenda uma equação que imprimiu dolorosas marcas em sua geração. Ao escrever, ele parece querer recompor o caminho que levou as coisas até onde elas chegaram, ele parece querer refazer os passos da humanidade (não generalizando) até aquele ponto em que ele viveu, para poder entender o que estava ocorrendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse modo de conceber a literatura dele, me fiz repensar sobre as minhas impressões de artificialidade, que havia encarado a contragosto na primeira leitura que fiz dele: ela era lógica, fazia parte do processo de criação e significação do que ele escrevia, faz todo o sentido, já que é através da recriação dos eventos e da evolução deles que Orwell se pretende entender o que estava havendo. E não só isso, já que as situações e personagens do livro são ao mesmo tempo causticamente alegóricas e perturbadoramente possíveis e verossímeis dentro da abstração literária que ele cria, sem que, com isso, ele deixe de dar pinceladas caracteristicamente humanas aos tipos que povoam suas distopias e histórias.</p>
<p style="text-align: justify;">Trabalho de gênio, tenho que admitir. Pano para manga de muita pesquisa, acadêmica ou não, que já existem e que ainda estão por ser feitas, e que uma resenha tão curta como essa nem pretensiosamente pode esgotar. Coube aqui somente a instigação dos leitores, da obra e do mundo. A investigação mais profunda deixo a cargo daqueles que dispuserem de um arcabouço intelectual mais vasto e capaz que o meu.</p>
<p><strong>Sobre o autor</strong>: Lucas Kölln é acadêmico do curso de História e é o <a title="lucas" href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=1554" target="_blank">Lucas_Deschain</a> no Fórum Meia Palavra.</p>
<p><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4541" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>Meia Palavra Indica: Livros e contos para ler na Páscoa</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 14:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meia Palavra Indica]]></category>
		<category><![CDATA[Gerald Messadié]]></category>
		<category><![CDATA[Julio Cortázar]]></category>
		<category><![CDATA[Lewis Carroll]]></category>
		<category><![CDATA[Pär Ingve Lagerkvist]]></category>
		<category><![CDATA[Páscoa]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, no dia da mentira, estreia a seção Meia Palavra Indica, uma categoria que abrange resenha dos nossos resenhistas sobre diferentes livros ou contos que tem em comum um assunto específico. A Páscoa é um feriado cristão que comemora a Ressurreição de Cristo. Antigamente a tradição era pintar ovos e escondê-los para as crianças acharem, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/rabbits-giant-greys1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2083" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="rabbits-giant-greys1" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/rabbits-giant-greys1-300x229.jpg" alt="" width="240" height="183" /></a>Hoje, no dia da mentira, estreia a seção <strong>Meia Palavra Indica</strong>, uma categoria que abrange resenha dos nossos resenhistas sobre diferentes livros ou contos que tem em comum um assunto específico. A Páscoa é um feriado cristão que comemora a Ressurreição de Cristo. Antigamente a tradição era pintar ovos e escondê-los para as crianças acharem, todavia nos tempos de hoje o coelho e os ovos de chocolate são o grande atrativo desse feriado e nós do Meia Palavra indicamos leituras para lembrarmos desse feriado e de seus personagens principais. E feliz páscoa!</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2082"></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/luciano/">Luciano</a>: <em><strong>Barrabás</strong></em> (Pär Ingve Lagerkvist)- A pascoa cristã é a respeito da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Quando ele morreu, entretanto, conforme o costume da administração romana da Palestina, um prisioneiro era liberto no feriado do Pessach- a páscoa judaica. E o escolhido foi o ladrão e assassino Barrabás. Depois de sua libertação Barrabás é praticamente esquecido. Lagerkvist traça em seu livro uma possível história para esse homem: ao invés de contentar-se com sua sorte, considera que teve a morte &#8216;roubada&#8217;- o que só piora quando descobre que o homem que morreu em seu lugar é considerado um deus.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/pips/">Pips</a>: <em><strong>Carta a uma Srta. em Paris</strong></em> (Julio Cortázar): Quando eu era pequeno tinha uma inveja sem tamanho de uma prima minha que tinha um coelho branco. Na páscoa ela soltava o bicho para tentarmos encontrá-lo, quem conseguisse ganhava o Ovo de Páscoa mais gostoso do dia. Entretanto, depois de ler esse conto fiquei com vontade de vomitar coelhinhos. Isso mesmo, comprar coelhinhos? Achá-los numa estrada? Jamais. Aqui enfia-se dois dedos quando sente que vai vomitar um, puxe as orelhas e os tire da garganta. Sua páscoa estará completa com 10, quem sabe 11 pulando pelo parapeito da janela.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/kika/">Kika</a>: <em><strong>O Homem que se Tornou Deus</strong></em> (Gerald Messadié): Este católico declarado causa furor na França, por sua maneira pouco ortodoxa de abordar o tema que é o foco desta época do ano: Religião. Neste livro conhecemos um Cristo mais homem que santo, com rivais poderosos, amigos influentes, e um discurso arrebatador. Explica ainda as diversas facções do judaísmo do século I, costumes da época, um retrato vívido de um Jesus que poucos conhecem. Vale lembrar, que o livro é um romance, não pretende ser histórico, apesar da formação de seu autor. É uma excelente obra para pensar em suas atitudes, e quebrar alguns paradigmas, seja você religioso ou não&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/carol/">Liv</a>: <em><strong>Alice no País das Maravilhas</strong></em> (Lewis Carrol): &#8220;De olhos vermelhos, de pêlo branquinho, orelhas bem grandes eu sou o coelhinho&#8230;&#8221; É mais ou menos isso que diz a cantiga. Pois bem, eu cito Alice no País das Maravilhas, por causa, é claro, do coelho. Aliás, esse é o mais anti-coelho da história. Cadê a barriga grande por ter comido uma cenoura com casca e tudo? Talvez Tim Burton com suas ideias freaks respondam essa questão, mas enquanto isso, Feliz Páscoa com muito Johnny Depp pra todos nós.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/author/tiago-pinheiro/">Tiago</a>: <em><strong>El Gaucho Insufrible </strong></em>(Roberto Bolaño): se os cristãos comemoram na Páscoa a volta de seu salvador, Bolaño retraça a descida aos infernos da literatura latino-americana, nesse conto pateticamente mundano. Nele, o advogado que ensina a Bíblia a uma família de caseiros no interior da Argentina, sendo ao fim crucificado por eles, como acontece em “São Mateus” de Jorge Luis Borges, é substituído por um juiz idealista, absolutamente entediado, que após a crise financeira dos anos 2000, resolve se recolher nos Pampas. Esses Pampas já não são os dos fortes, daqueles que domam bois e laçam novilhos: é um pasto de covardes, assustados por singelos coelhinhos canibais, que substituíram todo o gado. Ninguém é sacrificado aqui, e todos os personagens são bons moços (principalmente os empregados de Héctor Pereda, nosso juiz, que mesmo não sendo pagos, seguem-no fielmente, deixando sua casa portenha pronta para a sua Volta). Ao fim, é só o poeta de rua que tomba, assassinado.</p>
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		<title>Suave é a Noite (F. Scott Fitzgerald)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/03/19/suave-e-a-noite-f-scott-fitzgerald/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 22:07:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaborador Meia Palavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[F. Scott Fitzgerald]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Suava é a noite]]></category>

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		<description><![CDATA[Suave é a Noite (1934) é considerado por muitos a obra prima de Francis Scott Fitzgerald, muito embora o autor seja também muitíssimo conhecido por O Grande Gatsby (1925), ou, recentemente pelo filme O Curioso Caso de Benjamim Button (2008), adaptado de uma história sua (1922).
O romance de 1934 possui uma ambientação muito similar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/suaveeanoite.jpg"><img class="size-medium wp-image-1934 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="suaveeanoite" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/03/suaveeanoite-200x300.jpg" alt="suaveeanoite" width="185" height="278" /></a>Suave é a Noite </em>(1934) é considerado por muitos a obra prima de Francis Scott Fitzgerald, muito embora o autor seja também muitíssimo conhecido por <em>O Grande Gatsby</em> (1925), ou, recentemente pelo filme <em>O Curioso Caso de Benjamim Button</em> (2008), adaptado de uma história sua (1922).</p>
<p style="text-align: justify;">O romance de 1934 possui uma ambientação muito similar a de <em>O Grande Gatsby</em>, embora se passe em grande parte na Europa, e conta a história de Richard Diver, um psiquiatra que se apaixona por uma paciente sua, Nicole Warren. É forçoso reconhecer que a trama não é marcada por grandes reviravoltas nem por conter muita ação ou aventura. Além disso, Fitzgerald mantém o tom de suas outras obras, o da chamada “geração perdida”, da qual é considerado representante; e o desenvolvimento dos personagens no âmbito psicológico, com menção especial, logicamente, de Dick Diver; refletem preocupações muito características de um estrato muito específico da sociedade da época, uma high society que ainda parecia sentir os eflúvios inebriantes da <em>Belle Époque</em>, ao mesmo tempo em que se encontra às voltas com uma crise econômica sem precedentes, a famosa Crise de 29.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1933"></span>Mesmo que a história de Dick Diver se passe em 1926, principalmente, os desdobramentos catastróficos do <em>crack </em>da Bolsa de Nova York ainda ecoavam na mente do escritor, que, usando dos encontros e desencontros amorosos de um psiquiatra, consegue registrar o espírito de um tempo, a essência de uma sociedade que se encontra ora preocupada com seu status e com a saúde de seus negócios, ora gozando do glamour e da classe de todo o luxo que o dinheiro pode proporcionar.</p>
<p style="text-align: justify;">O balanço pendular que embala os magnatas e as exuberantes damas que bebem gins tônicas e ouvem jazz em suntuosos salões de festa, leva-os a preocupação financeira e ao gozo da vida intermitentemente, criando uma tensão que marca vários dos livros de Fitzgerald, e que parece ter sido uma das preocupações de sua geração. A hesitação, que parece perdurar no espírito de Dick, se mantém tanto em sua vida profissional quanto em sua vida amorosa, dando a impressão de que altos e baixos se sucedem com tanta fugacidade, que a inércia acaba por guiar suas ações.</p>
<p style="text-align: justify;">Alternando um belo itinerário europeu, que conta com a Riviera Francesa e a bela Itália, com as idas e vindas de uma indefinição amorosa, Fitzgerald criou sua própria e emblemática visão de uma sociedade marcada por grandes incertezas. A separação entre América e Europa, entre a tradição européia e o american way of life marca também o desenrolar da vida de Dick Diver, aparecendo na obra como dois universos infinitamente distintos.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do clima do enredo ser ameno, o desenvolvimento psicológico dos personagens aliado ao retrato pintado com tão belas tintas de uma sociedade cujos homens de letras ficaram conhecidos como “geração perdida” fazem a trama valer a pena. As reminiscências de suas outras obras, como <em>Os Contos da Era do Jazz </em>(1922) e <em>O Grande Gatsby </em>contribuem para desfraldar os horizontes da visão de um certo escritor sobre seu tempo e como seus livros ajudam a desvendar uma série de questões que marcaram os Estados Unidos pré e pós-Crise de 29.</p>
<p style="text-align: justify;">Unindo a perspicácia da observação de seu tempo com uma habilidade literária já tida como clássica, Fitzgerald conduz o leitor por uma série de situações, em que a alternância de sentimentos e valorações retratam com maestria os sentimentos daqueles homens e mulheres que viveram a célebre Era do Jazz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre o autor</strong>: Lucas Kölln é acadêmico do curso de História e é o <a title="Lucas" href="http://www.meiapalavra.com.br/member.php?action=profile&amp;uid=1554" target="_blank">Lucas_Deschain</a> no Fórum Meia Palavra.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4069&amp;pid=71637#pid71637" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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