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10 perguntas e meia para Lindenberg Moreira

Publicado por Anica em maio - 21 - 2010

Desde dezembro de 2008 os brasileiros apaixonados por literatura ganharam um espaço para falar sobre o que andam lendo. Foi quando nasceu a rede social literária Skoob, que vai além de ser uma simples “estante virtual”, porque permite a interação entre leitores com gostos similares. A pessoa por trás dessa rede social é o carioca Lindenberg Moreira, um sujeito extremamente simpático e acessível que não só já apareceu no Meia Palavra para ler e comentar sugestões dos membros sobre o Skoob, como também conversou conosco participando desse 10 perguntas e meia, que você pode conferir agora.

1. De onde surgiu a ideia para fazer o Skoob?

LM: Desde de pequeno sou apaixonado por livros e a dificuldade de encontrar pessoas que compartilhassem da mesma paixão sempre foi frustrante. Um certo dia estava em uma livraria e ouvi duas meninas conversando sobre um livro, uma estava indicando o livro para outra, fazendo vários elogios ao autor e a história. Foi neste dia que imaginei criar uma rede social com o objetivo de unir e encontrar pessoas que transmitissem a paixão por livros. Alguns dias depois falei com alguns amigos sobre a ideia e como tudo funcionaria, todos gostaram, então tendo várias opiniões positivas, comecei a concretizar o que havia imaginado.

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Dália Negra (James Ellroy)

Publicado por Anica em maio - 7 - 2010

Primeiro, vamos aos fatos: 1) Não, eu não vi o filme de Brian de Palma inspirado nessa obra de James Ellroy (que também escreveu Los Angeles: Cidade Proibida). 2) Comprei Dália Negra em uma promoção da Livrarias Curitiba e eu se fosse você aproveitava e dava uma garimpada lá, livros por apenas R$9,90 (e o que é melhor: não são todos de auto-ajuda, como costuma acontecer em promoções assim). Acertado tudo isso, vamos então ao livro em si.

Eu já tinha ouvido falar na história do assassinato da atriz Elizabeth Short – sabe como é, difícil ter acesso à Internet e em algum momento não ficar sabendo de casos que nunca foram solucionados. O que James Ellroy se propõe a fazer é escrever o que acredita ser a conclusão do crime, a partir de anos colhendo informações sobre o assunto.

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Neuromancer (William Gibson)

Publicado por Anica em abril - 29 - 2010

Quando comecei a ler Neuromancer lembro que estava mais supresa com o quanto os irmãos Wachowski tinham “bebido da fonte Gibsoniana” (fiquemos com o eufemismo, sim?) do que com qualquer outra coisa. Aí Fábio vai lá e chama minha atenção para o detalhe de que quando o livro foi escrito (em 1984) muitos conceitos ali está apresentados e passa batido por nossos olhos “modernos” sequer existia naquele tempo. A partir disso você até esquece de Neo e cia. (ok, às vezes não dá para evitar a comparação) e se rende completamente à história.

Com um tom que lembra bastante aquele sci-fi meio noir escrito pelo Philip K. Dick em Blade Runner e Ubik – no qual nada nem ninguém parece ser o que é – Neuromancer apresenta Case, um “cowboy” (hacker) que era um dos melhores ladrões de informação da matrix, que então tem a ideia infeliz de roubar de um cliente. A consequência é que tem seu sistema nervoso lesado de tal forma que não pode mais trabalhar, o que faz dele um completo perdedor quando Molly entra em cena para oferecer uma chance única.

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Juliet, Nua e Crua (Nick Hornby)

Publicado por Anica em abril - 25 - 2010

Depois de terminar Juliet, Nua e Crua de Nick Hornby a sensação que tive foi de ter levado dois livros pelo preço de um. Explico: a história começa com Annie e seu namorado Duncan passeando pelos Estados Unidos, fazendo uma tour por lugares onde o roqueiro Tucker Crowe passou antes de abandonar a carreira. Duncan considera-se um “crowlogo”, e Annie até gosta das músicas do cara, mas está meio cansada da vida que tem levado com o namorado, que obviamente ama mais o roqueiro sumido do que a garota.

Se o livro ficasse por aí, seria um daqueles para colocar ao lado de Alta Fidelidade, com toda certeza. Os elementos estão lá novamente: a paixão pela música, a dor e incerteza da separação, o fato de perceber que os anos passaram e você não é tudo aquilo que planejou ser quando jovem. Tudo temperado com o humor típico de Hornby, é claro. Com momentos como quando Duncan fica irritado pela nova namorada não perceber o quão desorientado ele ficou com o fim de um relacionamento de quinze anos, e aí ele se dá conta que “ele tinha dito para ela que era só um arranhão e ficou chateado quando ela não ofereceu morfina”. São pequenos detalhes que estão ali nas disgressões das personagens, aquele tipo de coisa que torna Annie, Duncan e cia. “pessoas de verdade”, gente que tem uma história parecida com a sua e com quem você sentaria para conversar por algum tempo.

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O Inimigo de Deus (Bernard Cornwell)

Publicado por Anica em abril - 17 - 2010

Segunda parte da trilogia As Crônicas de Artur (que começa com O Rei do Inverno), O Inimigo de Deus continua narrando as histórias do Rei Artur sob o que seria um ponto de vista historicamente possível. Gosto de insistir na questão de que o “historicamente possível” não significa de maneira alguma “o relato mais fiel”, uma vez que existem poucos registros sobre o rei bretão que não sejam lendas medievais (obviamente fontes não tão confiáveis).

De qualquer forma, O Inimigo de Deus segue cumprindo com a mesma precisão a proposta de narrar as histórias sem o faz-de-conta e romantismo do que muitos pensam ter sido o tom predominante da época. As batalhas são descritas sem poupar qualquer detalhe mais sangrento, algumas convenções sociais da época podem revoltar assim como outros valores chegam a soar até mesmo ilógicos nos dias de hoje. O trabalho de Cornwell nos hábitos alimentares, religiosos e afins continua sendo um dos pontos altos da trilogia.

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Caim (José Saramago)

Publicado por Anica em abril - 7 - 2010

Uma característica que acho louvável em um autor é saber ser o mesmo e ser diferente ao mesmo tempo. Ele tem aquele tom que é familiar ao leitor, alguns temas reaparecem, mas aí ele tem uma carta qualquer na manga que muda tudo, e faz com que o livro mais recente não seja só “mais um livro de fulano”. Tive o prazer de perceber isso em José Saramago e seu Caim (lançado ano passado pela Companhia das Letras). Aquele que leu O Evangelho Segundo Jesus Cristo vai pensar “Ok, Saramago explorando temas relacionados com a Bíblia…”. Mas aí entramos no como ele o faz.

Em O Evangelho… o que temos é, obviamente, um foco no Novo Testamento. Saramago desconstrói a imagem que temos de Jesus, humanizando ao mostrar defeitos e fraquezas. Mas talvez até por conta disso, a ironia de Saramago em O Evangelho… é sutil, e não é nem de longe o tom predominante de uma narrativa que é extremamente densa. E agora temos Caim, no qual Saramago ao focar o Antigo Testamento desconstrói ninguém mais ninguém menos do que Deus, mas com um tom completamente diferente: narrativa leve, rápida e com o humor quase como constante.

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Livros sugeridos por Renato Russo

Publicado por Anica em março - 27 - 2010

Hoje o músico Renato Russo completaria 50 anos e como era de se esperar, as homenagens pipocam em todos os cantos. Entre elas, está previsto o lançamento de um CD com 15 duetos  de Renato com artistas nacionais, e o também do livro Como se não houvesse amanhã, publicado pela Record e organizado por Henrique Rodrigues, trata-se de uma coletânea de contos baseados nas canções escritas pelo músico.

As homenagens deixam evidente que musicalmente, alguém pode adorar ou odiar o que ele fez, mas é impossível dizer que foi irrelevante para o rock nacional. As letras são o destaque principal em sua carreira, algumas com versos que são poesia pura, daquelas que várias pessoas gostariam de ter escrito. E foi dessa vontade de compreender como Renato Russo conseguia compor músicas tão bonitas que surgiu uma história bem bacana envolvendo o músico com a Literatura.

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A loja dos suicidas (Jean Teulé)

Publicado por Anica em março - 24 - 2010

Chegou aqui no Brasil pela Ediouro no começo do ano a tradução do livro A loja dos suicidas (Le magasin des suicides), do francês Jean Teulé. Na primeira vez que li uma resenha sobre o livro já fiquei curiosa, até porque ele parecia transbordar humor negro: em um futuro pós-apocalíptico a família Tuvache trabalha em uma pequena loja especializada em vender objetos para suicidas: corda, veneno e o que mais for possível imaginar, o importante é manter o nome e tradição da Loja dos Suicidas.

De primeira as personagens são tão caricatas que você pensa tratar-se de um livro infanto-juvenil. São tipos, tais como Mortícia e Gomez da família Addams. Não suportam a alegria de viver, orgulham-se de seus problemas pessoais e de saúde e apresentam uma série de valores distorcidos sobre o que é “normal”. Algo que fica evidente ao ver o orgulho da mãe ao falar da filha obesa que se odeia e do filho que sofre com enxaquecas insuportáveis. Isso torna-se ainda mais óbvio com a chegada de Alan, o caçula, que difere em tudo da família ou seja, a “ovelha branca”. É ele que diz “Obrigada, volte sempre!” para os clientes, e quer mostrar para os Tuvaches que vale a pena viver.

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O Rei do Inverno (Bernard Cornwell)

Publicado por Anica em fevereiro - 13 - 2010

O rei do InvernoEstá aí um livro que estou retirando da lista de atraso. O Rei do Inverno foi originalmente publicado em 1995, mas só ganhou tradução aqui no Brasil em 2001. Eu o ignorei solenemente desde os primeiros comentários, tinha cá minha birrinha pessoal contra bestsellers. Mas já vão aí quase 10 anos da publicação e as pessoas continuavam falando do livro, de como era legal, de como passava uma visão diferente das lendas sobre o Rei Artur e então ok, chegou o momento de deixar o preconceito de lado e peguei emprestado com meu tio para conferir.

O Rei do Inverno é o primeiro de três livros que compõem As Crônicas de Artur. Como já fica claro pelo nome, a história gira em torno de Artur, tentando deixar ao máximo de lado o elemento fantástico que vemos nas lendas mais conhecidas (como Excalibur sendo entregue para Artur pela Dama do Lago), focando no aspecto real do que eram aqueles tempos e partindo do teoria de que não houve um rei Artur, mas um equivalente a um general extremamente amado e respeitado chamado Artur. Esqueça daquela história de tirar uma espada de uma pedra e o que mais outras lendas possam ter apresentado porque o que você tem em mãos é mais um romance histórico do que fantasia. Leia a continuao desse artigo »

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O Meia Palavra nasceu ao contrário: surgiu como um fórum, um espaço novo para discutir literatura entre amigos, e do fórum saiu a idéia de montar um blog para todas as pessoas que se interessam por literatura sem preconceitos e sempre de bom humor. O blog tem áreas também sobre música, cinema e quadrinhos, e o que mais for arte e interessante, e está aberto a colaborações. As atualizações regulares fazem com que sempre tenha alguma coisa nova, portanto, não deixe de conferir! A Equipe dá boas vindas e manda sentirem-se a vontade, mas avisa que quem quiser água vai ter que buscar lá na geladeira.

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