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	<title>Meia Palavra &#187; Anica</title>
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	<description>O prazer de uma palavra e meia em Meia Palavra.</description>
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		<title>Promoção Meia Palavra &#8220;Conn Iggulden na Bienal&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 14:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meia Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Bienal do Livro de São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Conn Iggulden]]></category>
		<category><![CDATA[O Imperador]]></category>
		<category><![CDATA[O Livro Perigoso para Garotos]]></category>
		<category><![CDATA[Os Portões de Roma]]></category>
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		<description><![CDATA[Como muitos de vocês já devem estar sabendo, entre 12 e 22 de agosto acontecerá em São Paulo um dos eventos literários mais importantes do país, a Bienal do Livro. Faltando apenas duas semanas para o início da Bienal, é com satisfação que divulgamos a vinda do escritor Conn Iggulden, um dos autores de O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/osportõesderoma.jpg"><img class="size-medium wp-image-2998 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="osportõesderoma" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/osportõesderoma-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>Como muitos de vocês já devem estar sabendo, entre 12 e 22 de agosto acontecerá em São Paulo um dos eventos literários mais importantes do país, a <a title="bienal do livro" href="http://www.bienaldolivrosp.com.br/" target="_blank">Bienal do Livro</a>. Faltando apenas duas semanas para o início da Bienal, é com satisfação que divulgamos a vinda do escritor Conn Iggulden, um dos autores de <a title="o livro perigoso" href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=17034" target="_blank">O Livro Perigoso para Garotos</a> e da série <a title="o imperador" href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=20225" target="_blank">O Imperador</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem já conhece ou deseja conhecer o escritor, ele estará na Bienal de São Paulo autografando <strong>nos dias 13 e 16</strong>. No <strong>dia 13</strong> ele dará uma palestra sobre Literatura Fantástica, às 17h, e no <strong>dia 16</strong> uma sobre o <em>Livro Perigoso Para Garotos</em>, às 15h.</p>
<p style="text-align: justify;">E a boa notícia é para começar o aquecimento para a chegada de Conn Iggulden, a <a title="record" href="http://www.record.com.br/" target="_blank">Editora Record</a> ofereceu dois exemplares de <span style="text-decoration: underline;"><strong>Os Portões e Roma</strong></span> (o primeiro livro da série &#8220;O Imperador&#8221;) para sortearmos aqui no Meia Palavra! Sobre o livro:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>Em sua estréia na literatura, Conn Iggulden captura a essência de uma terra, um povo, uma lenda. O IMPERADOR — OS PORTÕES DE ROMA traz à vida uma das mais fascinantes eras da história da humanidade. Neste impressionante romance histórico, Iggulden é o guia de uma empolgante viagem pela Antiga Roma, um reino de tiranos e escravos, de sórdidas intrigas e paixões avassaladoras. Uma saga que está para Roma como a série Ramsés para o Antigo Egito. Primeiro título da trilogia O imperador, sobre a vida de Júlio César e livro que o prestigiado Bernard Cornwell (autor das trilogias Crônicas de Arthur e Em busca do Graal) expressou o desejo de ter escrito.</p>
<p>O mais lendário de todos os monarcas, figura dominante dos últimos anos da república romana, Júlio César ascendeu de chefe político a chefe militar, e de chefe militar a ditador. Para contar essa história, o inglês Iggulden acompanha a trajetória de dois jovens, criados como irmãos, embora um deles seja ilegítimo, no colapso da república e ascensão de Julio César. Na luxuriante península italiana, um novo império está tomando forma. Em seu coração, a cidade de Roma, um lugar de glória e decadência, beleza e sangue derramado.</p>
<p>As aventuras e desventuras de Gaius e Marcus até a vida adulta, seus sonhos de batalhas, fama e glória a serviço do poderoso império funcionam como um microcosmos da Antiga Roma. Um é filho de um poderoso senador, nascido num ambiente de grande privilégio e ambição. Um menino ao qual muito se dá e muito se espera em retorno. O outro é seu irmão adotivo, um bastardo de grande força e esperteza, cujo amor pela família adotiva e principalmente pelo irmão, será a força motriz de toda sua vida.<br />
Conforme os caminhos dos dois se separam e o desejo por uma bela escrava se interpõe entre os dois, Gaius e Marcus conhecerão amor, perda e violência. E a terra que tanto amam perde a inocência e mergulha num conflito civil que colocará romano contra romano. E a amizade entre os dois em xeque.</p>
<p>O IMPERADOR — OS PORTÕES DE ROMA mistura história e aventura, e mescla uma incrível miríade de cenários: os campos sangrentos de batalha em contraste com a opulência da maior cidade de todos os tempos.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Se ficou com vontade e deseja ganhar um, basta enviar um email para <strong>meiapalavra@meiapalavra.com.br</strong> dizendo QUERO OS PORTÕES DE ROMA! Não esqueça de colocar no email seu endereço completo para envio do livro. O resultado sairá semana que vem (dia 04/08), então aproveita e mande logo o email para garantir sua participação!</p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F28%2Fpromocao-meia-palavra-conn-iggulden-na-bienal%2F&amp;linkname=Promo%C3%A7%C3%A3o%20Meia%20Palavra%20%26%238220%3BConn%20Iggulden%20na%20Bienal%26%238221%3B">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>2666: A parte de Amalfitano</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 13:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[A parte de Amalfitano]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a leitura de 2666 de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666.jpg"><img class="size-medium wp-image-2621 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="2666" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Continuando a leitura de <em>2666</em> de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes de iniciar a parte seguinte. Minhas opiniões sobre a primeira parte (A parte dos críticos) você pode encontrar <a title="a parte dos críticos" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/15/2666-a-parte-dos-criticos/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que em teoria estou lendo o livro tal e qual a qualquer um – até porque mal estou interrompendo a leitura. Por causa disso acho que as sensações que tive sobre A parte de Amalfitano não serão tão diferentes, talvez só os achismos sobre o que as outras três partes podem trazer, o que será até divertido de confirmar depois. A verdade é que se não fosse a já familiar dificuldade para ler o catatau na cama, fiquei em alguns momentos com a impressão que tratava-se de um outro livro.<span id="more-2991"></span>A parte de Amalfitano é extremamente melancólica e densa, muito densa. Ontem quando concluí a leitura fiquei morrendo de vontade de voltar para o começo e reler os trechos em que Amalfitano aparece para os críticos, porque o que ele falava ali ganharia toda uma outra conotação depois de saber o que ele vivera antes daquele encontro, especialmente aquele trecho no qual comenta sobre a sombra se separando do escritor que trabalha para o Estado. A narrativa trata basicamente dos caminhos que o levaram a viver em Santa Teresa (cidade onde encontrará os críticos), começando do momento que sua esposa Lola o abandona para viajar em busca de um poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando falo que a segunda parte é diferente, é porque realmente distoa do que foi visto antes, tendo como único elo três elementos que se repetem d’A parte dos críticos: Amalfitano, o livro de Dieste pendurado no varal e os assassinatos que estão acontecendo em Santa Teresa.  Mesmo o estilo é diferente, tendendo muito mais para o fluxo de consciência do que para um discurso direto, o que funciona muito bem se considerar que um dos temas recorrentes dessa parte é a loucura.</p>
<p style="text-align: justify;">A loucura do poeta que Lola persegue, depois a loucura de Lola e então o próprio Amalfitano questionando se está ou não louco. A rapidez do estilo adotado por Bolaño para registrar diálogos e pensamentos nessa segunda parte acabam justamente criando aquele redemoinho que tiram a segurança da personagem (e óbvio, do leitor) sobre o que é real, sobre o que é certo. E no final das contas, acredito eu, pesam bastante para o plot dos crimes, mas aqui provavelmente também pela união de alguns elementos que são colocados na primeira parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre isso, a ideia que as duas partes dão é que Bolaño brinca um pouco com as exepectativas do leitor. Sempre retomando aquela ideia de que o ato de ler carrega junto o de prever, os elementos que ele oferece na primeira parte apontam para um grande clímax que não acontece. E agora a fórmula se repete: quando parece que tudo tende a levar a uma conclusão, ele segue uma outra direção. Da minha parte acho um exercício ótimo como leitora (e bem, da parte dele como escritor), mas tenho a sensação que no fim da segunda parte ele pode perder o leitor que busca apenas um enredo com  estrutura básica de começo meio e fim, digamos assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso para não falar da questão da melancolia, que comentei inicialmente. Não são só as ações (ou em alguns momentos a falta delas) de Amalfitano que constroem esse tom. As personagens ao seu redor, desde a filha até um possível novo interesse romântico, mostram a aridez de Amalfitano, como ele simplesmente não sente. Aridez como a de Santa Teresa, que cresce ainda mais na história e se revela triste tal como o protagonista. Eu sei que isso varia muito de leitor para leitor, mas para quem não suporta o calor como eu, dá quase para entender porque Amalfitano fica daquele jeito nesse lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluindo, a leitura continua sendo uma ótima experiência – e é experiência mesmo, extrapola um pouco aquela linha da leitura por puro entretenimento. E a verdade é que agora mal posso esperar para ver qual a próxima expectativa que será frustrada na terceira parte (talvez o fato de que não será frustrada?). E sim, eu continuo evitando ler o máximo possível o que saiu por aí sobre o livro, mas acabei lendo o post no blog do Tony Bellotto e aproveito para recomendar aqui: <a title="testamento geométrico" href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2010/07/testamento-geometrico/" target="_blank">Testamento geométrico</a>. Em tempo, se você ainda não conferiu, corre lá no blog do Meia Palavra para ler o <a title="10 perguntas e meia para tony bellotto" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/21/10-perguntas-e-meia-para-tony-bellotto/" target="_blank">10 Perguntas e Meia para Tony Bellotto</a>. Está bem legal!</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/26/2666-a-parte-de-amalfitano/" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F26%2F2666-a-parte-de-amalfitano%2F&amp;linkname=2666%3A%20A%20parte%20de%20Amalfitano">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>2666: A parte dos críticos</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 14:37:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[A parte dos críticos]]></category>
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		<description><![CDATA[A tradução de Eduardo Brandão para 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2621" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="2666" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>A tradução de Eduardo Brandão para <em>2666</em> do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão da família de Bolaño em não dividir <em>2666</em> em cinco partes como sugerido pelo escritor para facilitar o sustento dos filhos quando morresse. A obra foi publicada mais de um ano após sua morte, mas, como garante Ignacio Echevarría em nota à primeira edição, &#8220;o romance se aproxima muito do objetivo que ele traçou&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">E eu sei que para muitos fãs de Bolaño (e de <em>2666</em>) eu provavelmente estarei cometendo uma heresia, mas decidi seguir o caminho oposto da família, e comentar o livro por partes, publicando os comentários  sempre antes de iniciar a leitura da parte seguinte. E para começar, vamos de <em>A parte dos críticos</em>, primeira parte de <em>2666</em>. Acredito ser importante destacar aqui que estou tentando ler o mínimo possível sobre o livro para não estragar a experiência, e que muito do que falar agora eu posso contrariar em textos futuros. Mas bem, qual é a graça de se ler uma obra sem participar da brincadeira da adivinhação do que está por vir?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2620"></span><strong>A parte dos críticos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu tenho uma curiosidade enorme de conhecer a obra de Bolaño porque muitas pessoas próximas que acredito terem bom gosto literário simplesmente adoram o que ele publicou. Mas eu sou teimosa e encasquetei que meu primeiro Bolaño seria o <em>tão-falado-2666</em>, que demorou um pouco para chegar no Brasil porque Brandão levou mais de um ano para traduzir a obra.<sup>1</sup> E então finalmente tive a oportunidade de ler o livro, com as expectativas lá no alto, é óbvio.</p>
<p style="text-align: justify;">E Bolaño já começa impondo um ritmo de narrativa mais lento, fazendo com que o leitor mais afoito volte a acostumar os olhos a uma leitura mais cuidadosa, detalhada. O autor não tem pressa e vai desenvolvendo as personagens e os eventos que as conectam de forma cuidadosa: não são apenas suas ações que os definem, são seus sonhos, o que se pensou mas não foi dito, o modo como se relacionam com o que ou quem gostam.</p>
<p style="text-align: justify;">E por causa disso, quanto menos se espera, você já está completamente amarrado pelo quarteto de críticos apaixonados pela obra do recluso escritor alemão Benno von Archimboldi. Espinoza, Pelletier, Norton e Morini se encontram nos congressos de estudos literários que frequentam, e desenvolvem um grande laço de amizade justamente por causa do interesse em comum &#8211; Archimboldi &#8211; e, mais precisamente, por onde andará Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify;">A relação entre eles se estreita, e apesar de obviamente as cutucadas que Bolaño dá na crítica literária ficarem mais ao gosto de quem é da área, ainda assim a amizade independe desse aspecto, e mesmo quem não é muito familiar aos estudos literários vai acabar se encantando com as personagens, até mesmo ao se enxergar na situação de apaixonado que eles se encontram. Isso não precisa ser só entre leitor e escritor, aparece de tantas formas: o músico e o sujeito que o escuta, o cineasta e quem o assiste. É a relação com a arte.</p>
<p style="text-align: justify;">E nisso, um dos trechos mais memoráveis é o dos críticos conversando com a dona da editora que publicou Archimboldi pela primera vez, a senhora Bubis. O comentário da mulher sobre o gosto que tinha pela obra de Grosz e da diferente reação que ela tinha para seus quadros da que seu amigo tinha é genial. A questão da diferença entre o gostar e o entender, e de como uma obra pode refletir de maneiras diferentes de acordo com quem a vê.</p>
<p style="text-align: justify;">É o que acaba nos levando ao trecho com o pintor Edwin Johns, que decepou a própria mão para fazer o que seria sua obra-prima.  O artista causa reações diferentes nas personagens, sendo a mais forte certamente sobre Morini, o único que lhe pergunta a razão da mutilação. A história é retomada na conclusão da primeira parte, servindo como o elemento que faltava para definir a relação dos quatro críticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como comentei, evitei ao máximo possível saber sobre <em>2666</em> antes de completar a leitura, mas é óbvio que do básico do enredo é impossível fugir, e sei que uma pequena história contada para os críticos enquanto seguiam uma pista de Archimboldi no México, de assassinatos de centenas de mulheres, vai acabar se desdobrando nas partes que virão. Mas no momento o que temos é isso: esse primeiro quadro com a relação entre os quatro críticos e a relação desses com Benno von Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu adorei, especialmente pelo modo como Bolaño conduz a narrativa. Um &#8220;truque&#8221; legal utilizado por ele é mudar a forma de escrever de acordo com o que está representando. Por exemplo, um sujeito está contando uma história, a fala vem com marcas de oralidade &#8211; aquelas pequenas idas e vindas de quando relatamos algo. A parte do email de Norton é simplesmente fantástica, com ações de Pelletier e Espinoza entrecortadas por trechos do que ela escreveu para eles. Ou ainda, Amalfitano falando sobre os artistas e o Estado na América Latina, fala longa e cheia de metáforas que é cortada por um &#8220;Não entendi nada do que você disse&#8221; de Norton.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto é quase como um labirinto, que em alguns momentos você continua seguindo e com a certeza de que está no caminho certo, em outros anda, anda e anda para então dar de cara com uma parede indicando que é hora de recomeçar. Mas não pensem que isso faz de <em>2666</em> um texto difícil. Muito pelo contrário: Bolaño é acima de tudo um contador de histórias, e a primeira parte fluiu muito bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem ficou curioso, <a title="2666 na companhia" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12537" target="_blank">no site da Companhia das Letras está disponível um trecho do livro em pdf</a>. Vale a pena conferir, mas se as outras quatro partes do livro forem tão boas (ou melhores) do que a primeira, vale a pena é ir atrás do livro mesmo.  Se já leu e quer saber mais sobre outras obras do Bolaño, não deixe de conferir as resenhas do Pips para <a title="noturno do chile" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/03/18/noturno-do-chile-roberto-bolano/" target="_blank">Noturno do Chile</a>, <a title="os detetives selvagens" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/26/os-detetives-selvagens/" target="_blank">Os Detetives Selvagens</a> e <a title="estrela distante" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/04/estrela-distante/" target="_blank">Estrela Distante</a> já publicadas aqui no blog do Meia Palavra. Enquanto isso, aguardo dicas  das melhores posições para ler <em>2666</em> na cama, há!</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5037" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2620" class="footnote">para saber mais sobre a tradução, vale a pena conferir <a title="tradução 2666" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/766166-tradutor-brasileiro-de-bolano-defende-que-narrativa-do-autor-e-anti-heroica.shtml" target="_blank">uma entrevista com Brandão para a Livraria da Folha</a></li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F15%2F2666-a-parte-dos-criticos%2F&amp;linkname=2666%3A%20A%20parte%20dos%20cr%C3%ADticos">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Louras Zumbis (Brian James)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 13:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
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		<description><![CDATA[Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/louraszumbis.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2606" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="louraszumbis" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/07/louraszumbis-194x300.jpg" alt="" width="194" height="300" /></a>Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque no fim é tudo sobre o sujeito diferentão que atrai a menina para sua vida, que apresenta supostos perigos. No final das contas, quem ainda busca esses livros atrás de diversão acaba se desapontando e simplesmente deixando de lado títulos novos, pensando que será mais do mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por isso que li com certo alívio <a title="louras zumbis" href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24887" target="_blank"><strong><em>Louras Zumbis</em></strong></a>, de Brian James lançado aqui no Brasil pela <a title="galera record" href="http://www.record.com.br/grupoeditorial_editora.asp?id_editora=11" target="_blank">Galera Record</a>. Quando fiquei sabendo sobre o título, pensei que lá vinha outra história com uma heroína desajeitada perdidamente apaixonada, só que dessa vez por um zumbi. Bem, as coisas são diferentes com <em>Louras Zumbis</em>, porque não se trata de um livro romântico, mas de ação (ou, sendo mais específica, de horror).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2605"></span>Logo de início somos apresentados à Hannah Sanders, uma garota que vive mudando de cidade porque o pai precisa fugir das dívidas. Eles chegam na pequena Maplecrest, uma cidadezinha que ela pensa ser como qualquer outra no começo. Chegando no primeiro dia de aula, ela precisa enfrentar a rotina que já conhece bem para se adaptar ao novo ambiente. Hannah é já mudou tantas vezes que sequer tem dificuldades para reconhecer quem são as garotas populares da escola: as líderes de torcida, todas louras e perfeitas e admiradas pelos demais.</p>
<p style="text-align: justify;">A história em muito apresenta essa adaptação de Hannah em Maplecrest, que apesar de alertada por Lukas, o &#8220;esquisitão&#8221; da escola ainda assim sente uma vontade irresistível de se aproximar dessas meninas. Aqui aquele ponto interessante do deslocamento, de simplesmente querer fazer parte de algo &#8220;normal&#8221;, mesmo que sabendo que com certo prazo de validade, acaba dando um histórico legal para a personagem. Mas é nos avisos de Lukas que começa a parte da ação: as meninas são mesmo zumbis ou é só exagero da parte de alguém que lê muito gibi?</p>
<p style="text-align: justify;">E enquanto a protagonista ainda está querendo encontrar a resposta para essa dúvida, já temos a preparação do que são capítulos finais que já estavam fazendo falta em livros do gênero: muito mais tensão do que sacarina, e a conclusão (que eu obviamente não vou contar aqui) simplesmente me conquistou. Então se você já estava meio cansado desse tema porque nunca era o que você achava que TINHA que ser, dê uma chance para <em>Louras Zumbis</em>. Não segue a metáfora do ótimo <a title="generation dead" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/08/13/10-perguntas-e-meia-para-daniel-waters/" target="_blank">Generation Dead de Daniel Waters</a>, mas diverte muito quem gosta do gênero.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4726&amp;pid=81812#pid81812" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F07%2F12%2Flouras-zumbis-brian-james%2F&amp;linkname=Louras%20Zumbis%20%28Brian%20James%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Bartleby, o Escrivão – Uma história de Wall Street (Herman Melville)</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2010 22:17:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Bartleby]]></category>
		<category><![CDATA[Herman Melville]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao mostrar minha edição de Bartleby, O Escrivão para minha mãe, falei toda orgulhosa que era “um Cosac Naify” e então expliquei que era o equivalente para uma pessoa que gosta muito de moda comprar um produto de grife. Ok, a compração é meio leviana, mas a verdade é que os preços da Cosac são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/bartleby_abrindo.gif"><img class="alignright size-full wp-image-2539" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="bartleby_abrindo" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/bartleby_abrindo.gif" alt="" width="200" height="133" /></a>Ao mostrar minha edição de <em>Bartleby, O Escrivão</em> para minha mãe, falei toda orgulhosa que era “um Cosac Naify” e então expliquei que era o equivalente para uma pessoa que gosta muito de moda comprar um produto de grife. Ok, a compração é meio leviana, mas a verdade é que os preços da Cosac são diretamente proporcionais ao capricho das edições, e toda vez que consigo colocar um na minha estante, fico toda serelepe. Mesmo que seja fininho como esse Bartleby<sup>1</sup></p>
<p style="text-align: justify;">Mas aí tem toda a história do dizáin do produto, né? Eu não sou exigente, normalmente uma “edição caprichada” para mim tem lá o meu amado papel pólen e capa dura. Mas no caso de Bartleby, você leva para casa o 3º colocado do 7º Prêmio Max Feffer de Design Gráfico. Hum. Confesso que quando chegou aqui em casa pensei que meu livro estava zoado, e depois pensei “Ahá, nova noção de literatura hermética!” (sacou, sacou?). O livro vem com a capa costurada, e as páginas precisam ser “rasgadas” para serem lidas. <a title="bartleby" href="http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/10900/Bartleby,-o-escriv%C3%A3o---Uma-hist%C3%B3ria-de-Wall-Street.aspx" target="_blank">Explicação da editora</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2538"></span>Para ler a nova edição deste clássico de 1853, o leitor começa pelo <strong><span style="text-decoration: underline;">desafio</span></strong> de descosturar a capa (puxando para baixo a linha vermelha que a lacra) e cortar as páginas não refiladas do livro (com a espátula plástica que acompanha o livro). Só assim, aos poucos, poderá desemparedar este personagem enigmático da ficção moderna que, no dizer do filósofo francês Gilles Deleuze, “desafia toda a psicologia e a lógica da razão”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Grifo meu para a palavra desafio, porque realmente foi um desafio para minha paciência. Em resumo, projeto gráfico super inovador e tchananam, mas eu não tenho muita paciência nem coordenação motora para esse tipo de coisa, então gostaria que meu Bartleby estivesse encarando paredes só no texto mesmo. Ah, sim, não se apoquente, vou falar do texto agora.</p>
<p style="text-align: justify;">Verdade é que já tinha lido a obra em inglês depois que uma professora de Literatura da faculdade tinha citado em uma disciplina sobre Sátira. E o <em>I would prefer not to</em> falou tão alto que eu fui atrás dessa novela e na época gostei e tudo o mais, mas acho que foi uma leitura meio desatenta. Porque dessa vez tanta coisa que não tinha chamado minha atenção antes começou a ficar mais evidente, ao ponto de eu terminar o livro pensando no que de fato a “parede” significa, porque Bartleby é a única personagem que não é chamada por um apelido como no caso de Turkey, ou Ginger Nuts, o papel do “meio dia” na história (que não só marca as transformações dos colegas de trabalho de Bartleby, mas também alguns momentos-chave da história)… enfim, fiquei lá pirandinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais ainda porque como já tinha lido a história antes, comecei a ler pelo posfácio de Modesto Carone, que chama a atenção para o narrador de uma forma que não tinha pensado anteriormente. Aquele “narrador-não-confiável”,  e aí você começa a perceber que o ritmo da narrativa muda, partindo do sujeito que se apresenta como calmo (“nunca deixei que os problemas perturbassem a minha paz”) e que se explica em mil detalhes, para então diante das recusas de Bartleby começar a comentar os fatos e seus pensamentos de forma até um tanto afobada (para não dizer caótica), dando a entender que ele simplesmente não sabia como agir naquela situação.</p>
<p style="text-align: justify;">E aquela coisa, como toda obra literária, ela dá espaço a ‘n’ interpretações. Depende sempre do leitor, livro como máquina preguiçosa, etc. etc. etc. Mas eu gosto especialmente da ideia de que Bartleby era como Melville, alguém cujo trabalho consistia em escrever, e que bem, preferia não escrever o que lhe era solicitado. Não acho que isso tenha relação só com o ato de escrever, é claro, mas enfim, é minha leitura preferida da obra (embora essa deixe de lado um fator importante que é o narrador-personagem).</p>
<p style="text-align: justify;">Penso muito na apatia de Bartleby também, em como o não-fazer dele era tão mais forte que as ações das outras personagens. Nippers e Turkey tinham comportamentos que também tirariam qualquer patrão do sério, mas o narrador não parece se perturbar de fato. E a verdade é que ele não se perturba com Bartleby, pelo menos não de forma tão forte, até que comecem a comentar sobre a relação dele com o subordinado fora do escritório. É quando é julgado pela não-reação (o não-fazer parece realmente marcar a história) que ele de fato começa a tomar medidas mais fortes para tentar resolver a situação.</p>
<p style="text-align: justify;">E é aí, para cada brechinha, cada personagem, cada detalhe que você fica pensando e pensando sobre o texto. No mais, eu sei que o absurdo da recusa de Bartleby pode soar engraçada para alguns, e realmente a reação do patrão inicialmente pode tirar algum riso. Mas é um livro melancólico, na minha opinião. Não pelo desfecho, mas porque Bartleby é a melancolia personificada. As  palavras utilizadas pelo narrador nas descrições que ele faz da personagem sempre levam à isso, em alguns momentos mesmo referindo-se a ele como um fantasma.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que é um texto curto, e que provavelmente muita gente deixa de lado porque se sente mais “desafiado” pelo catatau <em>Moby Dick</em>, mas <em>Bartleby</em> é um daqueles exemplos de que você não precisa de muitas palavras para dizer muito. Qualquer obra que te faça pensar além do jogo de adivinhação típico imposto ao leitor enquanto no exercício de leitura, já merece atenção. Então nem que não seja com capa costurada e páginas a serem rasgadas (há!),  procure por <em>Bartleby</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="comente" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4629&amp;pid=79995#pid79995" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2538" class="footnote">eu estava prestes a dar a dica que na Saraiva somando com a promoção do desconto progressivo saiu por menos de 15 reais, mas agora lá já está na casa dos 31 e no site da Cosac por 37. Blé.</li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F06%2F14%2Fbartleby-o-escrivao-%25e2%2580%2593-uma-historia-de-wall-street-herman-melville%2F&amp;linkname=Bartleby%2C%20o%20Escriv%C3%A3o%20%E2%80%93%20Uma%20hist%C3%B3ria%20de%20Wall%20Street%20%28Herman%20Melville%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Febre de Bola (Nick Hornby)</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 12:14:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Arsenal]]></category>
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		<category><![CDATA[Mario de Andrade]]></category>
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		<category><![CDATA[Os Filhos da Candinha]]></category>

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		<description><![CDATA[E já que a Copa do Mundo começa oficialmente hoje, nada melhor do que entrar no clima também no campo de literatura. O gostoso de ler textos relacionados ao futebol é que normalmente eles se apresentam como crônicas, mantendo aquele tom de memória e humor que descem tão bem mesmo que você não tenha compartilhado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/febredebola.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2532" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="febredebola" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/febredebola.jpg" alt="" width="200" height="303" /></a>E já que a Copa do Mundo começa oficialmente hoje, nada melhor do que entrar no clima também no campo de literatura. O gostoso de ler textos relacionados ao futebol é que normalmente eles se apresentam como crônicas, mantendo aquele tom de memória e humor que descem tão bem mesmo que você não tenha compartilhado o evento descrito. Um bom exemplo disso é <em>Febre de Bola</em>, de Nick Hornby. Primeiro romance do escritor inglês, publicado em 1992 e contando suas experiências com uma de suas maiores paixões, o Arsenal.  E mesmo assim, você não precisa torcer para o Arsenal nem ser fã de futebol desde 1970 para se encantar com essa história.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso porque o livro divide-se em capítulos que descrevem o que vivia a personagem durante momentos marcantes para o time (e algumas vezes não só o Arsenal, é bom destacar). Segue uma ordem cronológica e embora seja &#8220;costurado&#8221; de modo a ser um romance, os capítulos poderiam muito bem ser dividos em crônicas &#8211; o que nos traz novamente aos pontos altos desse gênero, como por exemplo a possibilidade de estabelecer uma relação com o leitor de tal forma que soa como se você estivesse não lendo um livro, mas conversando com um amigo em uma mesa de bar.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2531"></span>E eu já fui fanática por futebol, mas é importante ressaltar que <em>Febre de Bola</em> não é <strong>só </strong>para quem gosta do esporte. Porque do mesmo jeito que faz ao falar de Música em <em>Alta Fidelidade</em>, Nick Hornby consegue mesclar a paixão com a vida do protagonista (e vale lembrar que nesse caso é ele mesmo), estabelecendo relações algumas vezes hilárias entre situações que estava vivendo e que o time do coração estava passando. Por causa desse caráter autobiográfico do livro, ele fala de tudo, chegando em momentos ótimos como quando comenta sobre ser crítico:</p>
<blockquote><p>A faculdade de crítica é uma coisa terrível. Quando eu tinha 11 anos não havia filmes ruins, apenas filmes que eu não queria ver, não havia comida ruim, apenas couve-de-bruxelas e repolho, e não havia livros ruins – tudo o que eu lia era ótimo. De repente, certa manhã acordei e tudo havia mudado. Como é que minha irmã não percebia que David Cassidy não estava na mesma categoria que Black Sabbath? Haveria razão no mundo para meu professor de inglês achar que A história do Sr. Polly era melhor que os Dez Negrinhos de Agatha Christie? E desse momento em diante, a satisfação tornou-se algo muito mais fugidio.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">E lógico que tem um momento especial para os brasileiros, logo no começo de <em>Febre de Bola</em> quando esse inglês que estava começando a se apaixonar pelo futebol acompanha a Copa de 1970, e se admira com nossa seleção. Nós sempre fomos extremamente ufanistas sobre nossos talentos, mas ler o texto de um estrangeiro que tem memória tão nítida sobre aquele time, ao ponto de citar os nomes e momentos marcantes do jogo e colocar aquela participação tupiniquim entre momentos que mudaram o futebol, isso há de agradar até o brasileiro mais ranzinza em tempos de Copa do Mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O tom é informal do começo ao fim, soa realmente como um amigo dividindo memórias, mas aquele amigo que sabe contar histórias de um jeito gostoso, que mesmo que estivesse falando sobre chucrute ainda assim seria interessante. Mistura inteligência e senso de humor de forma afiadíssima, como se superaria apenas em <em>Alta Fidelidade</em>, publicado três anos depois.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro ganhou duas adaptações para o cinema, uma inglesa que conta com Colin Firth (de 1997) e uma americana com Drew Barrymore (de 2005), que esculhamba um pouco as coisas ao mudar o futebol para o baseball (essas mudanças são completamente desnecessárias, na minha opinião). Infelizmente ele está esgotado, então você precisará recorrer às bibliotecas (que foi como consegui ler pela primeira vez) ou aos sebos, como o <a title="estante virtual" href="http://www.estantevirtual.com.br/" target="_blank">Estante Virtual</a>. Mas vale a pena a garimpada, especialmente se você ficou meio decepcionado com o lançamento mais recente do autor, <a title="juliet nua e crua" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/04/25/juliet-nua-e-crua-nick-hornby/" target="_blank">Juliet, Nua e Crua</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">E se quiser uma leitura mais rápida para entrar no clima da Copa, uma sugestão: procure pela crônica <em>Brasil x Argentina </em>de Mario de Andrade, publicado na coletânea <em>Os Filhos da Candinha</em>. O texto é de 1930, mas poderia ser de qualquer ano, é realmente muito bom.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2186&amp;pid=79800#pid79800" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>O chamado de Cthulhu e outros contos (H.P.Lovecraft)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/06/09/o-chamado-de-cthulhu-e-outros-contos-h-p-lovecraft/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 11:39:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Edgar Allan Poe]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Hedra]]></category>
		<category><![CDATA[H. P. Lovecraft]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu já tive contato com Lovecraft anteriormente. Naquele momento, para falar bem a verdade, era TANTA gente dizendo que era a coisa mais bacana do mundo em se tratando de horror que bem, como fã do gênero é óbvio que li os livros com altíssimas expectativas. E nós sabemos que esse tipo de coisa causa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/chamado-179x300.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2527" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="chamado-179x300" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/chamado-179x300.jpg" alt="" width="179" height="300" /></a>Eu já tive contato com Lovecraft anteriormente. Naquele momento, para falar bem a verdade, era TANTA gente dizendo que era a coisa mais bacana do mundo em se tratando de horror que bem, como fã do gênero é óbvio que li os livros com altíssimas expectativas. E nós sabemos que esse tipo de coisa causa decepção na grande maioria das vezes, e com o sr. Lovecraft não foi diferente. Fiquei pensando em como ele fazia caca ao prolongar demais a história após o clímax (eu sou meio fã daquela coisa de unidade de efeito, sabe como é) ou ainda ao tentar explicar o que foi visto.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem. Eis que após a leitura de <a title="fumaça e espelhos" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/05/28/fumaca-e-espelhos-neil-gaiman/" target="_blank">Smoke and Mirrors</a> do Neil Gaiman eu me animei a ler novamente Lovecraft (até porque uma das minhas histórias favoritas na coletânea prestava homenagem ao autor). E lá vou eu, conferir uma edição de bolso publicada pela editora Hedra, que me surpreendeu, diga-se de passagem. Fui consultar os livros disponíveis no catálogo da editora e o legal é que eles fogem do óbvio – tem muita coisa que foge dos títulos que vemos nas publicações de mesmo formato aqui no Brasil, a começar pela seleção de contos do Lovecraft. Troféu joinha para eles.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2526"></span>Sobre os contos. Hum. As teorias do Poe ainda pesam muito quando estou lendo um conto de horror. Eu fico pensando naquelas ideias de não ser muito prolixo, para não prejudicar o efeito final e yadda yadda yadda. Nesse sentido, Lovecraft falha miseravelmente MESMO. Porque alguns de seus contos são quase novelas.<sup>1</sup> E então eu comecei a observar os textos não como quem tenta atingir a tal unidade de efeito, mas como quem simplesmente quer contar uma história de horror. E aí, meu filho, o sujeito manda muito bem.</p>
<p style="text-align: justify;">O legal nos contos dele não é a unidade de efeito, mas as imagens. Lovecraft é um autor extremamente visual. Mesmo dias após ler alguns contos eu ainda fecho os olhos e vejo o que li como se tivesse presenciado aqueles momentos. E alguns deles são horror puro, ainda mais se somadas à exploração dos demais sentidos que ele faz, ao incluir elementos como frio intenso, fedor insuportável e afins. É um outro tipo de horror, mas é um ótimo horror.</p>
<p style="text-align: justify;">Dos contos presentes na coletânea meu favorito é O Modelo de Pickman, simplesmente genial. Por causa de algumas coisas que o narrador comenta você meio que já sabe o que está por vir, mas essa antecipação acaba auxiliando no desenvolvimento da tensão cada vez que se aproxima da conclusão. E a conclusão por si, é daquelas para não colocar defeito algum.</p>
<p style="text-align: justify;">Gostei também dos demais, mesmo Dagon que já tinha lido antes e não curtido muito, agora ficou interessante depois que adotei esse novo esquema de leitura dos contos do Lovecraft. E no final das contas valeu muito a pena, até (e aqui elogiando a Hedra mais uma vez) pelo trabalho bacana que fizeram, com uma ótima introdução e com uma carta do Lovecraft no fim, além de “Notas sobre a escritura de contos fantásticos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Resumindo: daquela história de “Poe ser melhor do que Lovecraft”, eu cheguei a conclusão de que eles são diferentes. E eu sei que isso parece ser o tipo de coisa que se fala sobre a amante para a esposa, mas a verdade é que a coletânea me convenceu que vale muito a pena reler e ir atrás de outras coisas dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrando para quem gosta do autor que o Gabriel postou uma excelente tradução do conto <em>Os Gatos de Ulthar</em> aqui para nós no Blog Meia Palavra. Confira clicando <a title="os gatos de ulthar" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2009/05/28/os-gatos-de-ulthar-h-p-lovecraft/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4831" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2526" class="footnote">por novela aqui entenda-se texto mais longo que conto e mais curto que romance, sim?</li></ol><p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save?linkurl=http%3A%2F%2Fmeiapalavra.mtv.uol.com.br%2F2010%2F06%2F09%2Fo-chamado-de-cthulhu-e-outros-contos-h-p-lovecraft%2F&amp;linkname=O%20chamado%20de%20Cthulhu%20e%20outros%20contos%20%28H.P.Lovecraft%29">Compartilhe esse artigo!</a></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Excalibur (Bernard Cornwell)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/06/05/excalibur-bernard-cornwell/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 12:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Artur]]></category>
		<category><![CDATA[Bernard Cornwell]]></category>
		<category><![CDATA[Excalibur]]></category>

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		<description><![CDATA[Finais de sagas são sempre tristes. Não importa se porque a conclusão por si só seja melancólica ou feliz, a verdade é que depois de ler vários livros acompanhando uma determinada personagem, você se apega e aí às vezes a “tristeza” do fim tem mais a ver com a despedida do que com o término [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/excalibur.jpg"><img class="size-full wp-image-2509 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="excalibur" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/06/excalibur.jpg" alt="" width="200" height="291" /></a>Finais de sagas são sempre tristes. Não importa se porque a conclusão por si só seja melancólica ou feliz, a verdade é que depois de ler vários livros acompanhando uma determinada personagem, você se apega e aí às vezes a “tristeza” do fim tem mais a ver com a despedida do que com o término da história. E não poderia deixar de ser assim com Excalibur, que completa a <a title="as crônicas de artur" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/?s=cr%C3%B4nicas+de+artur" target="_blank">trilogia As Crônicas de Artur</a>, de Bernard Cornwell.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não vou dizer que me apeguei tanto assim à Derfel e cia. São apaixonantes (especialmente Artur, que na maioria das lendas é só um bundão enganado por todos e aqui é um líder cativante) e algumas delas odiosas (lembrando aqui de Lancelote, sempre um dos favoritos em histórias de Artur, e descrito por Cornwell como o mais asqueroso dos covardes). Mas talvez o fato de não ter lido um livro seguido do outro pode ter pesado um pouco na questão do “apego”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2508"></span>De qualquer modo, Excalibur conclui muito bem a saga. E o título é perfeito, porque dos três eu achei que foi o que mais teve batalhas, mais sangue. Nesse desfecho Artur finalmente consegue se livrar dos saxões (embora todos soubessem que temporariamente) mas aí passa a ter que lidar com as disputas por poder dentro do próprio reino que jurou defender. E se você lembrar qual é a conclusão da lenda de Artur, e mesmo retomar a condição do narrador Derfel desde o primeiro livro (vivendo em um mosteiro, recebendo ordens de Samsum), já dá para imaginar que não é exatamente um “final feliz”.</p>
<p style="text-align: justify;">O que mais gostei aqui é, mais uma vez, como Cornwell trabalhou com as personagens. Depois de dois livros eu achava que Guinevere era a vaca mais nojenta de qualquer história já escrita, e em Excalibur ela reaparece como uma personagem extremamente cativante, inclusive participando das batalhas. E não de um jeito forçado, como se ela tivesse acordado da noite para o dia mais bacaninha. Houve um desenvolvimento progressivo, que levou a isso (e me faz lembrar de quando no primeiro livro Igraine diz que odiava Guinevere e Derfel comenta que então falhou miseravelmente em descrevê-la).</p>
<p style="text-align: justify;">Outra personagem que muda é Nimue, sempre amiga do narrador e nessa conclusão completamente louca e obcecada com sua religião, ao ponto de fazer o impensável para conseguir o que precisa para completar um ritual: Excalibur e o filho de Artur. Ela aparece como mais uma peça em um tabuleiro cheio de personagens prontas para atacar Artur, que falhou justamente por não aceitar sua natureza, a de ser rei.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale a pena acompanhar a trilogia, e deixar para trás algumas imagens já cristalizadas sobre o ciclo arturiano. Insisto que a questão de ser a mais verdadeira história de Artur não é exatamente a melhor definição, porque Cornwell mesmo comenta no posfácio que nenhum dos dados nos quais se baseou eram conclusivos e/ou definitivos. Foram inspiradores, no final das contas. O brilho da obra no sentido histórico ainda fica por conta de como o autor descreve os hábitos da época, como por exemplo as comemorações de Beltane e Imbolc.</p>
<p style="text-align: justify;">Diversão garantida, daqueles livros que você lê tão rápido que só percebe que chegou no fim porque as personagens estão se despedindo. E se bater saudades, talvez valha a pena arriscar <a title="cornwell" href="http://www.record.com.br/autor_sobre.asp?id_autor=292" target="_blank">os outros títulos de Cornwell</a> que já foram publicados no Brasil.</p>
<p style="text-align: center;">Saiba mais sobre essa e outras obras no site do <strong>Grupo Editorial Record</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.record.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Grupo Editorial Record" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/logorecord.jpg" alt="" width="338" height="98" /></a></p>
<p><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4817" target="_blank"><strong>COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</strong></a></p>
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		<title>Fumaça e Espelhos (Neil Gaiman)</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/05/28/fumaca-e-espelhos-neil-gaiman/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 23:26:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Fumaça e espelhos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Neil Gaiman]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado pela primeira vez em 1998 (por coincidência, o ano que li Sandman pela primeira vez), a versão estrangeira de Fumaça e Espelhos conta lá com 30 textos de Gaiman, isso sem contar a Introdução que tem um conto no meio também. Aqui não tem a história de contos escolhidos para crianças, são os contos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/SmokeandMirrorsShortFictionsandIllusions_MassMarketPaperback_1185590201-185x300.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2405" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="SmokeandMirrors" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/SmokeandMirrorsShortFictionsandIllusions_MassMarketPaperback_1185590201-185x300.jpg" alt="" width="185" height="300" /></a>Publicado pela primeira vez em 1998 (por coincidência, o ano que li Sandman pela primeira vez), a versão estrangeira de <em>Fumaça e Espelhos</em> conta lá com 30 textos de Gaiman, isso sem contar a Introdução que tem um conto no meio também. Aqui não tem a história de contos escolhidos para crianças, são os contos dele e é isso aí. E por causa do número grande de textos que eu indicaria para alguém que quer conhecê-lo além das HQs e dos romances (mas vale lembrar que alguns dos meus favoritos estão lá no <em>M is for Magic</em> também, incluindo <em>Chivalry</em>, <em>The Price</em> e <em>October in the Chair</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">E eu fico repetindo conto, conto, conto mas acho importante frisar que <em>Fumaça e Espelhos</em> não tem só contos, mas alguns poemas do Gaiman também. Quero deixar isso claro porque se teve algo que eu não gostei dos textos foi exatamente quando ele vai para os versos. Nem todos são ruins, mas a maioria você tem aquela noção de que seria bem melhor se ele tivesse desenvolvido a ideia em prosa. E aí se for considerar o que se perde em traduções, talvez o resultado nas coletâneas em português tenha sido bem pior.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2404"></span>Mas sobre os contos, é aquela velha história: ele é bom (MUITO BOM) na inclusão de referências. É de longe o que ele faz de melhor, juntar em um caldeirão elementos de mitologias variadas ou mesmo outras textos de outros escritores. Isso fica bem claro no excelente <em>Shoggoth’s Old Peculiar</em>, que fez com que eu engatasse a leitura desse livro com a de uma coletânea de contos do Lovecraft. A releitura da história de Branca de Neve em <em>Snow, Glass, Apples</em> é simplesmente genial e o que já citei antes, <em>Chivalry</em>, é também um daqueles acima da média.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, o que em surpreendeu em <em>Fumaça e Espelhos</em> foi ver que Gaiman não é só referências. Alguns textos da coleção são novos não apenas como primeira leitura, mas porque não conversam com obras de outros autores, pelo menos não tão diretamente como normalmente acontece. Considerando esses, gostei muito de <em>Foreign Parts</em> e <em>Babycakes</em>. Mas <em>The Goldfish Pool and Other Stories</em> e <em>Changes</em> se destacam, um porque não conta absolutamente nada demais, mas te prende do início ao fim. O outro, por ser tão criativo quando explora o tema da “cura do câncer”, digamos assim.</p>
<p style="text-align: justify;">E a Introdução do livro, com Gaiman comentando cada um dos textos é realmente bem legal. O tipo de coisa que faz diferença para quem estuda literatura, porque se tem algo que acho importantíssimo recuperar em uma arte que aceita leituras múltiplas é a intenção do autor. Isso para não falar que o conto <em>The Wedding Present</em> é um ótimo prêmio para aqueles leitores que não pulam introduções. Se você pulou e perdeu, shame on you! Volta lá e confere, porque é bem bacana.</p>
<p style="text-align: justify;">No geral, gostei da leitura. Foram boas surpresas, e mesmo os que não me surpreenderam acabaram me agradando bastante. Só não gostei muito, como comentei antes, da poesia. Mas é curtinho e indolor, e bem, vale a pena conferir  nem que seja para dizer que eu não sou tããããão fangirl assim do Gaiman e até tem coisa dele que eu não gosto, tchans.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4772" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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		<title>10 perguntas e meia para Lindenberg Moreira</title>
		<link>http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/05/21/10-perguntas-e-meia-para-lindenberg-moreira/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 22:28:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Lindenberg Moreira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Redes Sociais Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[Skoob]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde dezembro de 2008 os brasileiros apaixonados por literatura ganharam um espaço para falar sobre o que andam lendo. Foi quando nasceu a rede social literária Skoob, que vai além de ser uma simples &#8220;estante virtual&#8221;, porque permite a interação entre leitores com gostos similares. A pessoa por trás dessa rede social é o carioca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/skoob2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2273" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="skoob2" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2010/05/skoob2-300x194.jpg" alt="" width="300" height="194" /></a>Desde dezembro de 2008 os brasileiros apaixonados por literatura ganharam um espaço para falar sobre o que andam lendo. Foi quando nasceu a rede social literária <strong><a href="http://www.skoob.com.br" target="_blank">Skoob</a></strong>, que vai além de ser uma simples &#8220;estante virtual&#8221;, porque permite a interação entre leitores com gostos similares. A pessoa por trás dessa rede social é o carioca <a title="lindenberg moreira" href="http://www.skoob.com.br/usuario/mostrar/1" target="_blank">Lindenberg Moreira</a>, um sujeito extremamente simpático e acessível que não só já apareceu no <a href="http://www.meiapalavra.com.br" target="_blank"><strong>Meia Palavra</strong></a> para ler e comentar sugestões dos membros sobre o Skoob, como também conversou conosco participando desse 10 perguntas e meia, que você pode conferir agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. De onde surgiu a ideia para fazer o Skoob?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: Desde de pequeno sou apaixonado por livros e a dificuldade de encontrar pessoas que compartilhassem da mesma paixão sempre foi frustrante. Um certo dia estava em uma livraria e ouvi duas meninas conversando sobre um livro, uma estava indicando o livro para outra, fazendo vários elogios ao autor e a história. Foi neste dia que imaginei criar uma rede social com o objetivo de unir e encontrar pessoas que transmitissem a paixão por livros. Alguns dias depois falei com alguns amigos sobre a ideia e como tudo funcionaria, todos gostaram, então tendo várias opiniões positivas, comecei a concretizar o que havia imaginado.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2272"></span><strong>2. E quais as maiores dificuldades para colocar a ideia em prática?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: Para colocar a ideia em prática não houve nenhuma grande dificuldade, de início era apenas uma diversão, não havia nenhuma responsabilidade de fazer a coisa realmente acontecer. Estava tudo dentro do normal, só havia uma grande ansiedade de ver as coisas funcionando logo. Os problemas só começaram a surgir depois que o Skoob ganhou um certa visibilidade, em 3 meses conseguimos mais de 5 mil usuários, este número era o esperado para o ano todo e foi este crescimento acelerado que me deixou várias noites sem dormir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Como você vê o papel das redes sociais na divulgação de cultura e, particularmente, na fomentação da leitura?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: Com estas redes temos a oportunidade de facilitar o acesso das pessoas, principalmente as crianças, à música, livros, arte e a cultura em geral. As redes sociais temáticas podem e devem, se utilizadas da forma correta, servirem como fonte de incentivo. No caso da leitura, um rede social pode criar a curiosidade, o debate e a vontade de ler, basta que se crie as ferramentas certas que permitam que as pessoas façam na rede tudo aquilo que poderiam fazer se estivessem em uma roda de leitura com amigos. Conheço várias pessoas que me dizem ter aumentado muito o número de livros lidos depois que conheceram o Skoob, isso aconteceu comigo, que antes ficava muito preso aos livros técnicos e hoje por curiosidade, leio alguns livros que vejo estarem falando muito bem no Skoob, o último foi A Estrada de Cormac McCarthy, não o conhecia, mas lendo as resenhas acabei sendo convencido a lê-lo logo, e é ótimo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. De qual forma o público do Skoob já te surpreendeu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: O público do Skoob me surpreende o tempo todo. Começou com a criação da comunidade do Skoob no Orkut, que já tem 8 mil membros e foi criada por um usuário, depois pelos encontros organizados pelos Skoobers, que acontecem no Rio, São Paulo, Curitiba e outros Estados. Me surpreenderam quando transformaram o Skoob em um local de troca de livros, o que não estava previsto no início do projeto. E continuam me surpreendendo pelo carinho e cumplicidade que possuem pelo site.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. Acha que ainda tem algo para mudar no Skoob? Tem novidades vindo por aí?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: Tem muita coisa para mudar, sou um eterno insatisfeito quando se trata de funcionalidades para o Skoob. Neste exato momento estou colocando uma nova versão do Skoob no ar, ela será avaliada e testada por alguns usuários escolhidos, assim que eu obtiver o feedback positivo de todos, estarei disponibilizando para todos os Skoobers.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. No tópico sobre o Skoob no Meia Palavra o pessoal discute bastante a questão de valer ou não adicionar revistas em quadrinhos, mangás, etc. na estante. Qual sua opinião sobre isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: Este é um assunto polêmico, não temos a intenção de tirar as revistas em quadrinhos e mangás do Skoob, vejo muitas crianças com estantes repletas de Turma da Mônica. Eu mesmo comecei minha paixão por livros lendo muito Gibi, até hoje tenho caixas deles em minha casa. Mas também não podemos deixar as coisas ficarem misturadas, estamos finalizando ferramentas que irão separar as estantes de livros e revistas em quadrinhos deixando tudo bem organizado e em seu devido lugar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. Quais são os livros favoritos da sua estante?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: São vários é difícil escolher alguns, mas&#8230;<br />
A Metamorfose &#8211;  Kafka.<br />
Ensaio sobre a Cegueira &#8211; Saramago.<br />
A boneca viajante de Kafka &#8211; Jordi Sierra i Fabra<br />
Operação Cavalo de Tróia 1 &#8211; J. J. Benítez<br />
Ilusões &#8211; Richard Bach</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. Que tipo de livro nunca veríamos em sua estante?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: Sou capaz de ler qualquer coisa. As vezes me arrependo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. Considerando o número de usuários e livros cadastrados, você acha que a velha máxima &#8220;Brasileiro não lê&#8221; é verdadeira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: O brasileiro lê, mas lê pouco. Precisamos incentivar mais nossas crianças, elas nos imitam em tudo, se comerçarmos a ler para elas ou<br />
na presença delas, vão acabar querendo ler também. Quando era criança a imagem que mais tenho guardada na memória era o cantinho de leitura de meu pai. Vê-lo ali todos os dias sempre me despertou  uma curiosidade, o que seria tão interessante a ponto de fazer uma pessoa ficar ali parada, lendo durante horas. Precisamos gerar essa curiosidade nos pequeninos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. Todo leitor quer ser escritor? Você já pensou em escrever?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: Eu acredito que toda pessoa de tanto ler, chega uma hora que acaba tendo alguma coisa pra falar e acaba tendo esta necessidade falar, então escreve. Eu penso em escrever sim, mas isso só acontecerá quando eu tiver algo a dizer, e que seja algo que me incomode a ponto de ter<br />
que escrever sobre ele. <img src='http://blog.meiapalavra.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1/2: &#8230;oãs sorvil</strong></p>
<p style="text-align: justify;">LM: Os livros são a possibilidade de vivermos mais tristezas, mais medos, mais alegrias, mais primeiros encontros, mais falta de ar, mais paixões, mais amores e mais todas as emoções que deveríamos ter em uma só vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="COMENTE" href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4748" target="_blank">COMENTE ESSE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA</a></p>
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