18 de maio de 2012

Amrik (Ana Miranda)

Ser livre é, frequentemente, ser só. A frase que está na abertura do livro de Ana Miranda, nada mais é do que a síntese da sua história e de sua personagem principal, Amina. Assim como deseja ser livre, ela é solitária e presa por convenções sociais em uma época onde o ideal de felicidade feminino era estar casada e com filhos.

Amrik, lançado pela Editora Companhia das Letras, é um livro atípico e difícil de ser ler. Nele temos a história de bela Amina, imigrante libanesa que foge de sua aldeia com o tio parcialmente cego e vem para Amrik, a América.

No livro, Amina relembra a sua infância com a avó em uma aldeia libanesa, onde aprendera a dançar e no que a sua vida foi se transformando após ela deixar a sua casa e embarcar em uma viagem sem volta para uma terra desconhecida. O tempo não é registrado de forma linear, e o leitor vai relembrando e revivendo junto com a personagem-narradora todas as suas emoções ao longo dos capítulos.

Amina em tese é uma transgressora. Tentou sozinha se estabelecer na América do Norte, enquanto o tio estava em São Paulo, porém, sem sucesso. Evocando sempre a imagem da avó Farida, a bela libanesa aprendeu a dançar e a arte de seduzir os homens com o seu nariz de “serpente do Nilo”. Por ser uma transgressora, ela foi rejeitada pelo pai ainda no Líbano, em parte por ser semelhante à mãe, uma mulher “ardilosa”.

O caráter sinestésico do livro se dá a partir de cada memória reconstruída, misturando palavras em português, inglês e árabe, onomatopeias e escassa pontuação. A cada página temos um novo capítulo, em que Amina vai se descobrindo e o leitor vai, aos poucos, se aprofundando na cultura libanesa através dos olhos da autora, que escreveu o livro baseada em relatos do marido libanês.

A protagonista da história tenta ser livre das amarras sociais, mas não consegue. E Amrik nada mais é do que uma ode à solidão. Ao mesmo tempo em que vemos a história da imigração libanesa dentro da São Paulo do início do século XX, temos uma menina ingênua, apaixonada e solitária, que ia de contraponto às outras imigrantes, pois o seu maior sonho era dançar.

Amrik é um relato sinestésico da imigração libanesa, onde estereótipos são construídos e desconstruídos aos olhos do leitor. O livro de Ana Miranda é um guia para os amantes da literatura oriental, pois é tão exótico quanto uma das histórias de Sherazade d’As mil e uma noites.

Amrik
Páginas: 208
Sugestão de Preço: R$ 45,50
Lançamento: 1997

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

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Sobre Liv

Liv que também é conhecida por Carol ou Ana é leitora por paixão e opção. Começou com Chapeuzinho Vermelho e hoje aprende muito no Meia Palavra. De bula de remédio à Bíblia, troca na boa a balada por um bom escrito. Rata de biblioteca, nerd e mau humorada por opção, chuta pedrinhas nas ruas de Florianópolis devido ao talento (ninja, segundo alguns) de ler enquanto anda.

Comentários

  1. Lidia diz:

    Amo muito esse livro na verdade amo as Obras de Ana Miranda que apesar de ser quase todas históricas agente consegue ler fácil fácil…

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