Ser livre é, frequentemente, ser só. A frase que está na abertura do livro de Ana Miranda, nada mais é do que a síntese da sua história e de sua personagem principal, Amina. Assim como deseja ser livre, ela é solitária e presa por convenções sociais em uma época onde o ideal de felicidade feminino era estar casada e com filhos.
Amrik, lançado pela Editora Companhia das Letras, é um livro atípico e difícil de ser ler. Nele temos a história de bela Amina, imigrante libanesa que foge de sua aldeia com o tio parcialmente cego e vem para Amrik, a América.
No livro, Amina relembra a sua infância com a avó em uma aldeia libanesa, onde aprendera a dançar e no que a sua vida foi se transformando após ela deixar a sua casa e embarcar em uma viagem sem volta para uma terra desconhecida. O tempo não é registrado de forma linear, e o leitor vai relembrando e revivendo junto com a personagem-narradora todas as suas emoções ao longo dos capítulos.
Amina em tese é uma transgressora. Tentou sozinha se estabelecer na América do Norte, enquanto o tio estava em São Paulo, porém, sem sucesso. Evocando sempre a imagem da avó Farida, a bela libanesa aprendeu a dançar e a arte de seduzir os homens com o seu nariz de “serpente do Nilo”. Por ser uma transgressora, ela foi rejeitada pelo pai ainda no Líbano, em parte por ser semelhante à mãe, uma mulher “ardilosa”.
O caráter sinestésico do livro se dá a partir de cada memória reconstruída, misturando palavras em português, inglês e árabe, onomatopeias e escassa pontuação. A cada página temos um novo capítulo, em que Amina vai se descobrindo e o leitor vai, aos poucos, se aprofundando na cultura libanesa através dos olhos da autora, que escreveu o livro baseada em relatos do marido libanês.
A protagonista da história tenta ser livre das amarras sociais, mas não consegue. E Amrik nada mais é do que uma ode à solidão. Ao mesmo tempo em que vemos a história da imigração libanesa dentro da São Paulo do início do século XX, temos uma menina ingênua, apaixonada e solitária, que ia de contraponto às outras imigrantes, pois o seu maior sonho era dançar.
Amrik é um relato sinestésico da imigração libanesa, onde estereótipos são construídos e desconstruídos aos olhos do leitor. O livro de Ana Miranda é um guia para os amantes da literatura oriental, pois é tão exótico quanto uma das histórias de Sherazade d’As mil e uma noites.
Amrik
Páginas: 208
Sugestão de Preço: R$ 45,50
Lançamento: 1997
Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras















Amo muito esse livro na verdade amo as Obras de Ana Miranda que apesar de ser quase todas históricas agente consegue ler fácil fácil…