Dentro da história mundial, é sabido que os efeitos da colonização podem ser nocivos ou benéficos dependendo de como é a influência do colonizador no povo colonizado. Tratando-se de uma África partilhada por diversos países, podemos afirmar que na Nigéria, como um recorte, foi amplamente difundida a cultura americana e européia. E é nesse país católico e tradicionalista com a sua identidade em conflito que a trama de Hibisco roxo acontece.
Através de Hibisco roxo, lançado pela Editora Companhia das Letras a Nigéria se torna mais próxima do Brasil e pelos olhos da menina Kambili, mergulhamos na mágica e misteriosa cultura nigeriana. Ela é uma garota bonita que tem uma vida muito boa em comparação com outras jovens da mesma idade. Junto com o irmão Jaja, desfrutam de confortos que para a maioria de brasileiros (água encanada, comida saudável, ensino de qualidade) é considerado normal, mas em um país tão dividido, nem tanto.
Apesar de uma vida confortável, ela e seu irmão são vítimas da religiosidade extremada do pai, Eugene e junto com a mãe, Beatrice são perseguidos pela personalidade dominadora do pai que ao mesmo tempo é altruísta e fornece diversas doações para construção de igrejas, missões, auxílio aos necessitados e ao único jornal liberal da Nigéria, é capaz de torturar os filhos e espancar a esposa (levando-a ao aborto por duas vezes) por julgar que eles não eram cristãos dignos do amor de Deus.
Eugene é um personagem dúbio. Ao mesmo tempo em que é bondoso com a sociedade, destrói a vida da sua família com a sua religiosidade e o pavor pelo pecado. Devido, em partes, ao seu pai ser um contador de histórias tradicionalista e a irmã, uma professora universitária esclarecida política e psicologicamente. E é através da tia Ifeoma e dos primos que Kambili e Jaja têm a oportunidade de conhecer o outro lado do seu país e deles próprios.
Ao passar as férias em Nsuka, a cidade natal de sua tia, eles acabam descobrindo prazeres ocultos, como sorrir espontaneamente e também aprendem mais sobre as condições sociais nigerianas. Já Kambili, acaba descobrindo o amor, na figura bondosa e carismática do Padre Amadi, que foi o amigo certo nas horas mais incertas.
Hibisco roxo é um tipo raro de livro. É daqueles romances que deixam o leitor com um hiato e é necessário voltar algumas páginas para ter certeza que assimilou bem a história e ao passar dos parágrafos o livro vai se tornando cada vez mais intenso e quem está lendo acaba sofrendo junto com os personagens. Nas bem traçadas linhas da talentosa Chimamanda Ngozi Adichie conhecemos Kambili, a protagonista e também narradora de uma história repleta de assombro e magia.
Hibisco roxo
Tradução: Julia Romeu
Páginas: 328
Preço sugerido: R$ 49.00
Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras















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