18 de maio de 2012

A Torre Negra – Nasce o Pistoleiro (David, Furth, Lee e Isanove)

Stephen King é um nome que causa torções de nariz em muitos leitores, mas que causa também boas lembranças a vários outros. De minha parte digo que é um autor cujos livros, apesar de todos os pesares que podem ser levantados contra ele, eu curto ler. Minha única experiência com ele foi a saga d’A Torre Negra, que é uma das mais loucas e frenéticas histórias que já tive a oportunidade de ler, e, como grande parte das obras literárias de King, tem grande potencial quando pensado a partir da linguagem cinematográfica, por exemplo.

Não à toa tantas obras suas já amealharam sua adaptação cinematográfica. Contudo, não é sobre cinema baseado em King que essa resenha se debruça, mas sobre outra espécie de adaptação, que tem em comum com o cinema o recurso da imagem: os quadrinhos. A Torre Negra conta com uma interessante adaptação quadrinhesca, assinada por Peter David, Robin Furth, Jae Lee e Richard Isanove. A título de esclarecimento, essa primeira resenha é sobre os 7 volumes que compõem um arco, Nasce o Pistoleiro.

A profusão de personagens, de sub-tramas e de elementos, típicos da narrativa de King, é habilmente sintetizada pelos autores, que conseguiram estabelecer outro fio narrativo e localizá-lo dentro do enredo sem comprometer nem o andamento da história nem deixar de trazer algo diferencial para quem já travou contato com a vasta saga literária, composta de sete volumes e mais de 4000 páginas.

Aliás, isso é um ponto bastante importante a ser ressaltado, porque, se você não leu os livros, é bom saber de duas coisas: 1ª – você entenderá a história das HQs, mas (e essa é a segunda “coisa”), caso queira ler o livro posteriormente, já terá boa parte da saga na mão, o que fará com que as deduções venham a tona no momento em que os livros forem lidos, podendo “estragar” algumas surpresas. Particularmente não acho que você deva se limitar a um ou a outro, embora eu deva dizer que, a meu ver, a leitura na cronologia de publicação do autor é melhor. De qualquer modo, o critério é do leitor.

Depois esse imbróglio inicial, à história: temos um recorte bastante interessante no qual a história se localiza, a juventude de Roland Deschain, o pistoleiro protagonista da saga fantástica-western do Mundo Médio. A história que é contada no volume 4 (Mago e Vidro) é trazido ao centro dos quadrinhos e a trajetória do primeiro ka-tet de Roland, com Alain Johns e Cuthbert Allgood, desde sua formação de pistoleiros até a missão de que são incumbidos no Baronato de Mejis.

Confesso que minha reação inicial ao estilo dos desenhos foi meio receosa, não apreciei muito, esperava algo mais convencional e rico em detalhes, mas ao passo em que a história foi sendo contada e eu ia me lembrando das leituras dos livros, não dava para dizer que a escolha da oposição de luminosidade e sombra como marcação dos traços tenha sido uma má escolha. É justamente nesse clima lúgubre que as aventuras se passam. O Mundo Médio não é um lugar cheio de luzes e caprichos, a escolha do traço precisava refletir isso.

A morbidez que esse estilo traz ressalta bastante os olhos dos personagens, os traços macabros (como a carne sendo devorada pelos urubus ou a face encarnada do Rei Rubro),  e no jogo de oposição entre luz e sombra que a cena tem seus elementos principais delineados.

Outro recurso que achei bastante interessante é que, justamente por essa escolha matizada de luz e trevas, ficam bem mais em evidência a dramaticidade das cenas. Os quadrinhos não são aquela seqüência mecânica de movimento, mas a dramatização quase épica que é bastante o que, em boa parte da história, King tenta conferir a saga da Torre Negra.

Como King indica pelos posfácios dos livros, ele não planejava desde o começo como seria a história, o que ele relata ao início do primeiro livro é que ele encontrou algumas pontas soltas e resolveu expandi-las a partir de contos publicados em revistas de Fantasia, Terror e Ficção Científica. Esse caráter incompleto e não delineado de maneira mais exata de antemão, faz com que ele abuse em “desvios” de vez em quando e acabe deixando o enredo principal um pouco obscuro. Esse é um dos méritos dos HQs, e que faz valer a pena até para quem já leu os livros: a história é recontada com outros pontos de orientação, fazendo, inclusive, com que a saga literária faça mais sentido.

Leitor prévio dos livros ou não, certamente há bastante coisa legal a ser aproveitada nas HQs de A Torre Negra.

A Torre Negra – Nasce o Pistoleiro
Tradução de Eduardo Tanaka
208 páginas
Preço Sugerido: R$ 59,90

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Editora Objetiva

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Sobre Lucas Deschain

Lucas Kölln adotou Deschain depois de ler A Torre Negra, aliás, ler é algo que ele gosta muito. Além disso cursa História e adora o silêncio contemplativo das bibliotecas. Se surpreende (negativa e positivamente) com a humanidade todos os dias, gostaria de não precisar dormir e é dono de um perfeccionismo que beira a insanidade. Eclético com tendências a livros com Fantasia e fluxo de consciência.

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  1. [...] que gostei bastante da adaptação de alguns recortes da história d’A Torre Negra para o arco Nasce o Pistoleiro, mas no caso do segundo arco, O Longo Caminho para casa (formado de cinco volumes), a adaptação [...]

  2. [...] com o terceiro volume baseado no universo fantástico d’A Torre Negra, Traição. Após os arcos Nasce o Pistoleiro e O Longo Caminho para Casa, seguindo o mesmo estilo de roteiro e de traço, as histórias de [...]

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