Duna de Frank Herbert talvez seja um dos mais festejados livros de ficção científica de todos os tempos: gerou uma saga que se estendeu por mais cinco livros, duas séries de televisão, um filme (dirigido por ninguém mais, ninguém menos que David Lynch), jogos eletrônicos, RPGs, card games, música do Iron Maiden (“To Tame a Land” do Piece of Mind) e todo merchandising possível. Quando foi publicado, em 1965, foi imediatamente reconhecido pela sua originalidade, recebendo os prêmios Hugo e Nebula, talvez os mais importantes do gênero. Com a recuperação da série pela Editora Aleph, os leitores brasileiros poderão agora desfrutar desse universo de proporções tolkienianas (nas palavras de Arthur C. Clark), discutindo políticas interplanetárias, rabiscando genealogias mais longas que as de Cem Anos de Solidão, consultando a todo o momento o glossário e o mapa que acompanham o livro e especulando sobre faunas e floras alienígenas. Enfim, um prato cheio.
O livro é ambientado aproximadamente no ano 25.000, numa espécie de universo feudal-colonizador, em que várias instituições políticas (chamadas Casas) disputam jogos de poder para conseguir influência sobre novas fontes de especiarias e outras mercadorias. O primeiro livro foca no jovem Paul Atreides, herdeiro da Casa administrada por sua família, liderada pelo Duque Leto, durante a mudança de sua família para o planeta Arrakis, um planeta-deserto. Único produtor de uma valiosa especiaria, chamada melange, Arrakis foi concedida a Casa Atreides pelo próprio imperador. No entanto tudo isso se revela uma armadilha, uma forma de barrar o prestigio do Duque Leto e aplicar um grande golpe de estado.
Seria difícil resumir o livro aqui: as intrigas política vão se alternando com a discrição detalhadas de novas culturas que surgem (entre elas a dos próprios nativos de Arrakis) e novas paisagens. Aliás, essas foram duas grandes novidades que o livro trouxe para o gênero ficção científica: uma espécie de preocupação ecológica universal (que fez com que ele ganhasse um outro interesse nos últimos anos) e também um tipo de focalização no “humano”, isto é, não na forma com que a tecnologia foi evoluindo conforme os séculos (aliás, há um decreto da aliança das casas que proíbe o uso de certas tecnologias, principalmente inteligências artificial. As atividades matemáticas são destinadas aos Mentats, pessoas treinadas desde o início da vida para tal função), mas como as relações entre formas vidas vão se modificando desde uma perspectiva cósmica. Por isso, são os elementos religiosos que saltam aos olhos, muitas vezes inspirados por culturas orientais (árabes e japonesas, sobretudo).
O próprio Paul Atreides acaba sendo considerado como uma espécie de salvador, de futuro da raça humana, por uma irmandade chamada Bene Gesserit, que o inicia nos mistérios dessa ordem. Essa trama ganhará outras proporções no livro seguinte O Messias de Duna.
Enfim, os órfãos de Senhor dos Anéis, de Star Wars e de outros universos alternativos certamente irão adotar (ou ser adotados por) essa saga de dimensões cósmicas.
Título: Duna
Autor: Frank Herbert
Tradução: Maria do Carmo Zanini
544 páginas
Preço: 56,00
Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Editora Aleph















Esqueceu de mencionar as músicas do Blind Guardian… hehe
Uma amigo já havia me recomendado, e não tive de ler, mas já está cadastrado lah no Skoob
Vou comprar e vai ser da Editora Aleph ^.^v
Parabéns Tiago pela resenha!
bah quanta referência desse livro o.o