“Não era o homem mais honesto nem o mais piedoso, mas era um homem valente”. O livro de Arturo Pérez-Reverte, começa com o anúncio do seu herói humanizado, Diego Alatriste y Tenório, ou simplesmente Capitão Alatriste. Ele já fora soldado nas guerras entre Espanha e Holanda em Flandres, porém agora vive em Madri do aluguel de sua espada para atender a serviços de pouca valia como proteger o caminho de algumas damas, socorrer homens com pouca valentia ou vingar maridos cornudos.
O narrador da história é Íñigo Balboa, pajem do Capitão, cujo pai, Lope Balboa, lutara ao lado de Diego na guerra de Flandres, e antes de falecer pediu a Alatriste que cuidasse do garoto. Assim Íñigo foi parar ao lado de Diego Alatriste e conta-nos as aventuras dos dois pelas ruas de Madri. A narrativa segue o olhar do narrador que “ainda era um pirralho novo e curioso que descobria o mundo com olhos cheios de assombro procurando não perder um só detalhe”.
Íñigo Balboa narra os fatos com olhar crítico da época, e assim nos apresenta o cenário em que se passa a história, a Espanha do século XVII: “Esse tempo infame foi chamado Século de Ouro. Mas a verdade é que nós, que o vivemos e sofremos, de ouro vimos pouco; e da prata, a exata. Sacrifício estéril, gloriosas derrotas, corrupção, picardia, miséria e pouca vergonha… gastando o ouro e a prata da América em festejos inúteis, em enriquecer funcionários, clérigos, nobres e validos corruptos e encher de túmulos de homens valentes os campos de batalha de metade da Europa”.
Além do cenário, alguns personagens são marcantes na rotina de Diego Alatriste y Tenorio e Íñigo Balboa, e dão cor a história. Assim encontramos Francisco de Quevedo, poeta de versos ácidos e certeiros como o golpe de uma espada, ou então da bela Caridade de Lebrijana, dona da Taberna do Turco, local de encontro de Alatriste e seus amigos como o padre Domine Pérez, o Caolho Fradique e o tenente Martín Saldaña que combatera ao lado de Diego na guerra de Flandres. Além de amigos, o Capitão Alatriste também era habilidoso em criar inimigos terríveis como Luís de Alquézar, secretário real, Gualterio Malatesta, espachim italiano, e o temível Frei Emílio Bocanegra, que não media esforços para defender os assuntos divinos.
Com este cenário e personagens curiosos presenciamos a aventura de Diego Alatriste ganhar rumos curiosos. Interpelado por Martín Saldaña, Alatriste é solicitado para um serviço de aluguel de espada de caráter divino, solicitado pelo próprio Frei Emílio Bocanegra. Porém, seguindo sua ética incomum, Alatriste descumpre as ordens explícitas de assassinar dois jovens viajantes e desafia os interesses da igreja na Espanha.
Os contornos que tomam a história a partir deste evento vão dar o rumo para continuação das aventuras de Alatriste e Íñigo que se espalham por seis1 livros que completam a série2. Mas não são apenas as aventuras e a Espanha do Século XVII que tornam a história cativante, mas também toda a cultura e poesia exposta no meio e final de cada um dos livros. Pois como descreve aquele que nos conta a história: “Mas o fato é que, depois, alguém vê um quadro de Diego Velázquez, ouve uns versos de Lope ou de Caderón, lê um soneto de dom Francisco de Quevedo e pensa, bom, talvez tenha valido a pena”.
O Capitão Alatriste
Autor: Arturo Pérez-Reverte
Tradução: Paulina Wacht e Ari Roitman
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 216
Preço sugerido: R$ 42,00
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Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras
- Os seis livros da série são: El Capitán Alatriste (1996); Limpieza de Sangre (1997); El sol de Breda (1998); El oro del rey (2000); El caballero del jubón amarillo (2003); Corsarios de Levante (2006) [↩]
- A Companhia das Letras publicou os três primeiros: O Capitão Alatriste; Limpeza de Sangue; Sol de Breda [↩]















Muito bom, obrigado.
Ajudou imenso com essa explicação, estava com algumas dificuldades em saber se compraria o livro ou não
assim já vou querer ler a história.