16 de maio de 2012

Um Grande Garoto (Nick Hornby)

Quando você se encanta por um livro de um autor, normalmente a experiência da leitura de um segundo título não é tão boa. Aquela coisa: seus personagens favoritos não estão lá, a história é outra. E mesmo que Um Grande Garoto tenha sido meu segundo livro do Hornby, conseguiu passar muito bem no teste sendo uma leitura boa mesmo após a paixão por Alta Fidelidade.

Falando nesse livro, é bom deixar claro logo de início: não tem nada a ver com Alta Fidelidade. Ok, tem uma brincadeira para os fãs do livro. Em dado momento o personagem dá uma passada na loja de discos do Rob. Mas para por aí. Talvez a única coisa em comum entre os dois livros seja o fato de que bem, Nick Hornby é excelente na hora de criar personagens com traços típicos de “perdedores”, digamos assim.

O livro tem ótimos momentos, mas sem dúvida o que chama mais a atenção é como a história é contada. Hornby intercala os pontos de vista entre Will (o quase quarentão com alma de adolescente) e os de Marcus (o adolescente atípico). O que é mais bacana é que ele não mostra as diferenças de idéias de uma forma forçada, ao estilo “Willéadultoentãoémaiscoerente” ou algo assim.

Além disso, é legal perceber o desenvolvimento das personagens ao longo do livro. Como acontecem as mudanças sutis, principalmente como eles amadurecem convivendo. No final das contas, acho que é bem essa a idéia do livro: mostrar as trocas que acontecem entre amigos.

Com relação as personagens principais, acho que o destaque fica mesmo para o garotinho Marcus. Não sei até que ponto simpatizei com ele por ser um peixe fora d’água ou por ser um moleque de 12 anos em 1993 (é, eu fui uma moleca de 12 anos em 1993). Seja qual for a razão, o fato é que ele é bem mais carismático que o Will, e os momentos com a coleguinha Ellie são ótimos.

Acho que o segredo para fazer um personagem tão querido é que Hornby deve ter um pedaço de criança ainda. Resgatar aquele início de adolescência com a doçura que ele fez, é só para as pessoas de alma jovem mesmo. Enfim, Um Grande Garoto não é ácido como Alta Fidelidade, é leve e desprentesioso, a melhor pedida para quem está procurando ler só para desbaratinar.

HORNBY, Nick. Um Grande Garoto. Editora Rocco. Tradução: Paulo Reis. 268 págs. Preço sugerido: R$ 40,20

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Sobre Anica

Bacharel em Estudos Literários pela UFPR, Especialista em Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas pela UTFPR, professora de Língua Inglesa e mãe. Tem uma quedinha descarada por filmes e livros de horror, de preferência os com zumbis. Pode ser encontrada também no .:Hellfire Club:., no Ministry of Zombie Walks e no Blog do Arthur.

Comentários

  1. Pips diz:

    Só faltou citar o Kirk O’Baine

  2. Anica diz:

    mas é meio spoiler, né? eu só fui me tocar de quem o marcus falava qdo o will deixa claro heheeh adoro essa parte ^^

Trackbacks

  1. [...] Ainda acho que no caso de adolescentes Hornby acabou criando alguns mais verossímeis em Um Grande Garoto e Uma Longa [...]

  2. [...] Ainda acho que no caso de adolescentes Hornby acabou criando alguns mais verossímeis em Um Grande Garoto e Uma Longa [...]

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