23 de fevereiro de 2012

Os Filmes de Hayao Miyazaki – Parte I

Animes costumam gerar opiniões extremas: há aqueles que odeiam e há aqueles que adoram. Porém, para além dessa da admiração ou do ódio, ou de todo o estigma que essa arte possui, vivificado desde os clássicos Dragon Ball até a recente “yellow fever” de Naruto, os animes em longa metragem são um caso a parte, uma categoria especial. Dentro dessa categoria restrita de animes em longa-metragem famosos, em que talvez Akira, de Katsuhiro Ôtomo seja o título mais famoso, há um certo diretor cuja obra vem se celebrizando e angariando elogios e fãs em todo o mundo: Hayao Miyazaki.

Esse diretor japonês, nascido em 1941 em Tóquio, é responsável por obras cinematográficas como Nausicaä do Vale do Vento, de 1984; Meu Vizinho Totoro, de 1988; Princesa Mononoke, de 1997; Viagem de Chihiro, de 2001; O Castelo Animado, de 2004 e o recente Ponyo à Beira Mar, lançado em 2008 que chegou aos cinemas brasileiros recentemente.

Conhecido por animações de qualidade inquestionável, tanto em relação a roteiros e personagens como também em relação à arte em si, Miyazaki entrou para o hall da fama dos diretores de cinema. Suas obras explodem em cores expressivas, técnicas de animação extraordinárias, com mensagens profundas e fantásticas, abundando em todos os sentidos em filmes espetaculares e obrigatórios para fãs do gênero e de cinema em geral.

Os filmes em seu currículo falam por si, pois são verdadeiras obras de arte do Cinema. Nausicaä do Vale do Vento é um filme espetacular, que junta a fantasia com elementos sci-fi que, quando adidos, ganham feições mágicas, quase abstratas, mas que, no contexto da trama e do universo fantástico, dão o tom misterioso que segue a menina Nausicaä ao longo da trama. Num futuro pós-apocalíptico os seres humanos convivem com estranhas criaturas e uma floresta com esporos venenosos, tendo que encontrar nesse nada inóspito lugar um meio de sobreviver.

O equilíbrio tênue que mantém o Vale do Vento encontra-se ameaçado pela força misteriosa que encerra uma preocupação ecológica, marca também de outro filme seu, Princesa Mononoke e também de Meu Vizinho Totoro. O meio ambiente tem raízes místicas, espirituais, que desafiam a compreensão tanto de Nausicaä quanto os personagens do filme de 1997. Espíritos ancestrais, deuses, criaturas fantásticas entre outros seres, eivados da tradição japonesa, tão comuns nos animes, perambulam pelo cenário criando as brumas de mistério que marcam as histórias e tornam os desfechos espetáculos de pura magia.

Princesa Mononoke conta a história do embate da natureza contra a exploração desenfreada dos seres humanos. Ashitaka, um jovem guerreiro, encontra San, a princesa Mononoke, criada por lobos, e juntos entram em uma batalha épica pela defesa da natureza. O filme tem uma mensagem ecológica clara, mas que encanta pela originalidade dos personagens e pela inusitada relação entre natureza e fantasia. O meio ambiente nos filmes de Miyazaki se assemelha muito mais para a mística Gaia do que uma concepção mais realista e factual. Essa visão ao mesmo tempo em que deslumbra deixa patente a necessidade de uma atenção maior à questão ambiental. Engraçado ainda como Miyazaki consegue fazer isso sem deixar de lado a arte maravilhosa e toda a experiência visual que as animações conseguem transmitir.

Meu Vizinho Totoro mantém aquela visão toda mágica da natureza. A história do filme consiste na mudança de um homem e suas duas filhas para o campo, numa casa que dizem ser mal assombrada (lembrei de Coraline, do Neil Gaiman); assim eles ficam mais próximos a mãe, que convalesce em um hospital próximo e podem ficar sob os cuidados da avó, que vive nas redondezas. As duas irmãs encontram na tranqüilidade bucólica um mundo de fantasia que as ajuda a superarem a ausência da mãe e a preocupação com seu estado de saúde.

Totoro é um espírito guardião da floresta, que embarca as duas irmãs em situações divertidas e aventuras que mostram toda a beleza do universo infantil. Um passeio divertidíssimo por cenários deslumbrantes, pela meiguice de Mei (a irmã menor) e pela tranqüilidade da infância.

Na próxima semana tem a parte II, com A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado.

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Sobre Lucas Deschain

Lucas Kölln adotou Deschain depois de ler A Torre Negra, aliás, ler é algo que ele gosta muito. Além disso cursa História e adora o silêncio contemplativo das bibliotecas. Se surpreende (negativa e positivamente) com a humanidade todos os dias, gostaria de não precisar dormir e é dono de um perfeccionismo que beira a insanidade. Eclético com tendências a livros com Fantasia e fluxo de consciência.

Comentários

  1. Diego diz:

    Ótimo artigo, mesmo não tendo ouvido falar neste diretor me impressiona a qualidade do texto escrito.
    Parabéns!

  2. R. Moss diz:

    Uma pena que os animes do Studio Ghibli não tem o tratamento que merecem aqui no Brasil.

    Lembro do caso de “A Princesa Mononoke”, que foi dublado mas nunca lançado por aqui, porém a versão nacional está disponível no DVD americano.

    Bom artigo, mas faltou uma citação aos excelentes Laputa e Kiki. Porco Rosso também merecia uma nota, até porque passou na TV fechada.

  3. Lucas_Deschain diz:

    @R. Moss

    com certeza devem ser bons filmes, afinal o Miyazaki tem um currículo que praticamente fala por ele, o problema é que não consegui ter acesso a esses filmes para poder emitir minha opinião aqui.
    Obrigado por lembrar.

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  1. [...] Os Filmes de Hayao Miyazaki – Parte II Publicado por Lucas Deschain em agosto – 2 – 2010 Se você não viu a parte I desse artigo, pode lê-la aqui. [...]

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