23 de fevereiro de 2012

Neuromancer (William Gibson)

Quando comecei a ler Neuromancer lembro que estava mais supresa com o quanto os irmãos Wachowski tinham “bebido da fonte Gibsoniana” (fiquemos com o eufemismo, sim?) do que com qualquer outra coisa. Aí Fábio vai lá e chama minha atenção para o detalhe de que quando o livro foi escrito (em 1984) muitos conceitos ali está apresentados e passa batido por nossos olhos “modernos” sequer existia naquele tempo. A partir disso você até esquece de Neo e cia. (ok, às vezes não dá para evitar a comparação) e se rende completamente à história.

Com um tom que lembra bastante aquele sci-fi meio noir escrito pelo Philip K. Dick em Blade Runner e Ubik – no qual nada nem ninguém parece ser o que é – Neuromancer apresenta Case, um “cowboy” (hacker) que era um dos melhores ladrões de informação da matrix, que então tem a ideia infeliz de roubar de um cliente. A consequência é que tem seu sistema nervoso lesado de tal forma que não pode mais trabalhar, o que faz dele um completo perdedor quando Molly entra em cena para oferecer uma chance única.

Talvez o que mais me agradou no livro foram justamente as personagens, algumas tão marcantes e bizarras como Molly, uma “samurai” de olhos espelhados e unhas no melhor estilo Lady Lethal nos X-Men (gee, esse é mesmo um mundo cheio de referências). O jeitão meio frio é marcado por momentos como quando ela diz que para fazer os implantes nos olhos, ela teve seu ducto lacrimal desviado para a boca, e quando (raramente) chora, na realidade ela cospe.

Quanto à história em si, eu não vou mentir dizendo que achei fácil de ler. Não sei se por ainda não ser tão familiarizada com a ficção científica (que dirá com o cyberpunk, já que esse foi meu primeiro livro do gênero), às vezes eu demorava um pouco em certos trechos para conseguir “visualizar” o que estava sendo narrado. Mas não considerem isso como um ponto negativo, pelo contrário: é sempre bom encontrar algo desafiador para ler. No mais, acho que isso teve um pouco a ver comigo, e talvez para outras pessoas o livro seja extremamente simples.

Valeu a pena ler, até porque as referências a esse livro eram inúmeras (indo além de Matrix, acredite). É aquele tipo de obra que vale a pena conhecer nem que seja para colocar uma peça a mais no enorme quebra-cabeça da influências e inspirações literárias. No mais, vi que tem uma adaptação para 2011 lá no IMDb, mas o status “em desenvolvimento” em abril de 2011 não parece muito animador.

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Sobre Anica

Bacharel em Estudos Literários pela UFPR, Especialista em Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas pela UTFPR, professora de Língua Inglesa e mãe. Tem uma quedinha descarada por filmes e livros de horror, de preferência os com zumbis. Pode ser encontrada também no .:Hellfire Club:., no Ministry of Zombie Walks e no Blog do Arthur.

Comentários

  1. Lucas_Deschain diz:

    Faz muito tempo que estão prometendo adaptções e mais adaptações para o Neuromancer, como pode ser lido inclusive no prefácio dessa edição da Aleph mesmo. O livro é ótimo, e a capa dessa ediçao que ilustra a resenha é maravilhosa.

  2. wilson diz:

    Neuromancer é um livro que fica melhor ainda na releitura (com alguns anos de intervalo para os detalhes da trama sumirem da cabeça). Acho que o mundo que Gibson criou, como um todo, fica mais relevante como um futuro especulativo.

Trackbacks

  1. [...] Meia Palavra Comentar Tweet Depois de abandonar o futuro cyberpunk, magistralmente imaginado em Neuromancer, com direito a todas as implicações metafísicas condizentes com a criação de um cyberespaço [...]

  2. [...] industriais e empresariais (qualquer semelhança com as mega corporações opressoras de Neuromancer não é mera coincidência) estão sendo abandonados por seus mentores misteriosamente. Alguém [...]

  3. [...] A Anica também já deixou suas impressões sobre Neuromancer escritas numa resenha. [...]

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