6 de fevereiro de 2012

10 Perguntas e meia para Wagner Homem

WAGNEREmbora tenha se formado em administração de empresas, Wagner Homem atua na área de tecnologia da informação. Em 1998 propôs a Chico Buarque a criação de seu website. Com a aprovação do compositor, Wagner tocou o projeto e o site já foi três vezes premiado pelo iBest. Ao longo desses anos todos como curador, Wagner recebeu com freqüência inúmeros e-mails perguntando sobre bastidores e curiosidades sobre as músicas de Chico. Esses fãs, mesmo sem saber, fizeram o livro “Chico Buarque – Histórias de Canções” nascer. A obra, como o título sugere, é um apanhado de fatos por trás de várias canções de Chico. Com presença marcada na lista dos mais vendidos e já com lançamento previsto para Portugal, Wagner Homem cedeu a entrevista por e-mail. Para mais informações, visite o hotsite: www.historiasdecancoes.com.br

Ele concedeu a seguinte entrevista para Tauil, membro do Fórum Meia Palavra.

1 – Você chegou a comentar com Chico a idéia do livro ou ele só foi saber mais tarde, já com o projeto em desenvolvimento?

Antes de começar a escrever pedi autorização para ele.

2- Por quanto tempo você gerou esse livro? Foi uma idéia que veio desde o início do site do Chico ou ela nasceu depois?

Escrever o livro foi na verdade um ato de organizar informações que fui obtendo ao longo do tempo. Esse ato me tomou 5 meses. Mas a pesquisa foi diluída aí pelos 11 anos administrando o site.

3 – O subtítulo “Histórias de canções” abre uma brecha para uma coleção de livros no mesmo estilo para outros compositores. Já tem algum outro em mente?

Sim. Estamos organizando um para a obra de Toquinho.

4 – Existe alguma história que você achou melhor não publicar por medo de uma resposta negativa do público?

Não. Não houve isso em nenhum momento.

5 – De todas as histórias, qual foi a mais inesperada, a que mais te surpreendeu quando você a ouviu pela primeira vez?

O que mais me surpreendeu foi saber que a bela canção “Todo o sentimento” era originalmente um samba. E como na é época da gravação havia uma greve de técnicos, os músicos começaram a brincar com a melodia que se tornou essa canção suave.

6 – Você cita no livro que a amizade entre Caetano e Chico atravessaria os anos, embora não sem alguns arranhões. Dito isso, por que você acha que os dois compuseram tão pouco em parceria mesmo tendo feito um show histórico na Bahia que virou disco e um programa mensal na Rede Globo? Acha que foram influenciados pelo maniqueísmo “Chico ou Caetano”?

Não sei te dizer. Creio que são estilos diferentes. Mas o Chico admite que conhecer as coisas novas de Caetanao, Gil, Milton etc. funciona como estímulo até hoje para ele. Creio que a recíproca seja verdadeira.

7 – De onde você acha que vem essa euforia que o Chico causa? Se fosse um livro sobre Tom Jobim, por exemplo, você acha que venderia tanto quanto esse? Por quê?

Bem, o Chico sempre causa uma euforia, e isso obviamente ajuda a vender. Mas outros livros sobre Chico não tiveram a mesma performance. Creio que parte do sucesso se deva à simplicidade: é um livro que não analisa nada sob nenhum ponto de vista. Ele conta histórias e as contextualiza – só isso. Há também o fato de que as pessoas têm essa necessidade de saber sobre curiosidades relacionadas às canções.

8 – Como você vê a música brasileira atualmente? Você acha que lá para frente algum compositor recente será tão pesquisado e citado quanto essa geração dos Festivais?

Eu espero que sim. Toda época felizmente gera alguém novo que permanece. Sempre foi assim e não será diferente

9 – O que você acha da Internet como instrumento cultural? A facilitação do acesso à cultura com downloads, fóruns etc.

Eu acho a internet fantástica e ao mesmo tempo perigosa. Só pra dar um exemplo do perigo, há inúmeros sites que dizem que Chico é filho do Aurélio [Buarque de Hollanda, o dicionarista]. Por outro lado, você sabendo garimpar e tendo condições de avaliar a fonte, ela é sem dúvida de um valor insuperável para se obter a informação desejada.

10 – O que você costuma ler? Quais são suas influências e autores favoritos?

Eu leio de tudo. Acabei de ler “Velejando a vida”, um livro autobiográfico de João Carlos Pecci, irmão do músico Toquinho. Hoje tenho como referência o livro “O pai dos burros”, de Humberto Werneck. E claro, os clássicos. Sobretudo Machado de Asssis e Graciliano Ramos. Na poesia, Bandeira e Fernando Pessoa.

A pior besteira que já ouvi alguém falar do Chico…

… é que ele era mais criativo na época da Ditadura.

Sobre o autor: Tauil é pesquisador de Chico Buarque e mantém um acervo digital sobre o músico e escritor em: http://www.youtube.com/tauil

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Sobre Tauil

Tauil cursa Letras na USP, é editor do Artilharia Cultural e morre de preguiça de falar dele mesmo. No mais, é pesquisador da obra de Chico Buarque e gosta de escrever crônicas. Pode ser encontrado no @tauiltter.

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