9 de fevereiro de 2012

Maya Fox: A Predestinada (Igino Straffi e Silvia Brena)

MAYAFOXA essa altura as editoras já devem ter percebido que ter no catálogo um título juvenil com algum elemento sobrenatural é mais do que necessário. Tentando variar um pouco do esquema vampiros (que chegam nas prateleiras com títulos como Crepúsculo, Os Diários do Vampiro, Marcada, O Beijo das Sombras, etc.), a Editora Planeta chega com a trilogia Maya Fox, que conta a história de uma menina que consegue se comunicar com os mortos.

Ao contrário das demais, o fator sobrenatural é só um elemento extra em uma trama que tende muito mais ao Dan Brown com seu O Código Da Vinci. Fica no mesmo nível em qualidade literária também, mas acho que ninguém pega um livro desses esperando ler o próximo Nobel, né?

A história do primeiro livro gira em torno do momento em que Maya (uma adolescente gótica) descobre que tem o dom de falar com os mortos. Também descobrimos que sua mãe prendeu um perigoso psicopata que hum, escapou. E que antes disso deixou pistas suficientes para que a mãe da protagonista percebesse que a próxima vítima seria a filha. Ok, não soa muito interessante e nem é, para falar bem a verdade.

O que chamou minha atenção mesmo é que o livro de fato retrata essa geração internet, com gente gravando video e colocando no YouTube, conversas em chats e afins. É o tipo de coisa que alguns autores mais modernos esquecem quando escrevem para jovens: uma história nos dias de hoje na qual o protagonista adolescente não acessa a internet pelo menos uma vez por dia beira à inverossimilhança.

De qualquer modo, algumas coisas no livro são extremamente irritantes. Eu uso expressões em inglês quando escrevo aqui, sei disso. Mas ali era o TEMPO TODO. E considerando que as personagens vivem em Londres duh, então não é gíria, né. Isso para não falar de “o” party que aparece em várias páginas. Na minha cabeça, não sei se por já relacionar com a palavra festa, eu colocaria a tradução como “a” party.

No mais, a protagonista é uma adolescente mal educada que se fosse minha filha teria levado umas palmadas, então simplesmente não senti qualquer empatia por ela. O menino por quem ela se apaixona parece mais interessante (ok, ele me venceu com referências aos Smiths e ao Joy Division…). Resumindo, não é daqueles livros juvenis que agradam adultos também. Mas os jovens vão adorar, tenho certeza. Até porque tem palavrão e sexo no livro (bem ao contrário da virginal Bella da Stephenie Meyer, certo?).

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Sobre Anica

Bacharel em Estudos Literários pela UFPR, Especialista em Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas pela UTFPR, professora de Língua Inglesa e mãe. Tem uma quedinha descarada por filmes e livros de horror, de preferência os com zumbis. Pode ser encontrada também no .:Hellfire Club:., no Ministry of Zombie Walks e no Blog do Arthur.

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