9 de fevereiro de 2012

10 perguntas e Meia para Samir Mesquita

samir-dois palitosSamir Mesquita nasceu em 1982 na cidade de Curitiba, cresceu em Alfenas (MG) e há 8 anos vive em São Paulo. Publicitário inquieto, ele vem se destacando no cenário literário através dos microcontos. O primeiro livro lançado foi “Dois Palitos” (2007), com 50 contos organizados e distribuídos dentro de uma caixa de fósforos e que já tem mais de 5 mil exemplares vendidos.

Em seu novo livro “18:30”, Samir escreve microcontos inspirados no caótico trânsito da capital paulista. O mais interessante é a proposta de distribuição, onde o livro “18:30” é trocado por um outro através do seu site oficial, que contém uma lista de livros constantemente atualizada. Eu mesmo já me aventurei na troca, que foi muito bem sucedida. Segundo o próprio Samir, já foram trocados 200 livros: “E além dos livros que estão lá (no site), ganhei (troquei) livros de outros novos autores, e por alguns títulos que os leitores me sugeriam.” O caráter acessível de Samir rendeu esta entrevista imperdível para o blog do Meia Palavra.

1. Por que decidiu trocar o 18:30 por um outro livro ao invés de cobrar um valor por ele?

A idéia surgiu de fatos: boa parte do pouco dinheiro que ganhei com meu primeiro livro “Dois Palitos” eu gastei em livros. Não foi rara a vez em que fui receber um pagamento numa livraria e acabei gastando o dinheiro ali mesmo. Então pensei: por que não simplificar isso? Por que as pessoas já não depositam o dinheiro onde eu vou gastá-lo?
A idéia foi amadurecendo e virou o “1 livro por 1 livro” , um escambo literário e uma forma de me aproximar dos leitores e deles contribuírem nos meus novos trabalhos.

2. Quais escritores são suas maiores influências? E com quais você nunca gostaria de ser comparado?

Comecei lendo poesia: Arnaldo Antunes, Carlos Drummond, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Paulo Leminski. E só depois parti para a prosa: Franz Kafka, Luis Fernando Veríssimo, Roberto Bolaño, Guillermo Arriaga, Haruki Murakami.
Mas um artista que me influenciou e influencia até hoje é Lenine.

E quais escritores que eu nunca gostaria de ser comparado?
Acho que quem vai ficar ofendido é o escritor que tiver seu trabalho comparado ao meu.

3. Quais outros praticantes do microconto você admira?

Dalton Trevisan é sem dúvida o grande mestre. E Marcelino Freire que me apresentou o gênero em uma de suas oficinas é hoje meu grande tutor, influência e, felizmente, um grande amigo.

4. Seus novos projetos seguem a mesma linha do microconto ou você vai se aventurar em novos gêneros? Em quais gêneros você gostaria de escrever?

Meus novos projetos não tem nada de microcontos. E também nada de livros convencionais. Ultrapassar as 50 letras e trabalhar com outras linguagens tem sido um desafio instigante e divertido.

5. Como você se define como escritor?

Eu não me defino. E isso me dá liberdade para experimentar qualquer idéia maluca que eu tenha.

6. Em uma entrevista a Revista Claudia você definiu o microconto como a “literatura fast-food” e que se adapta bem aos nossos dias devido ao nosso imediatismo de consumo. Você acredita que este é o futuro da literatura? Haverá espaço para outros estilos como poesia e romances?

Acho todo esse interesse das pessoas sobre o microconto sim como um reflexo do nosso tempo: as pessoas querem algo rápido e impactante. Microconto é literatura “fast-food” no sentido que alimenta, mas não mata a fome. E isso é ótimo pois estimula o leitor devorar mais o universo literário.
Se há espaço para poesia e romances? Sempre vai haver.
Poesia é algo mais seleto, sempre foi e acredito que vá continuar.
E os romaces estão aí, vivos e fortes. 2666 de Roberto Bolaño, um calhamaço de quase 1000 páginas foi best-seller nos EUA ano passado. Harry Poter e Senhor dos Anéis são talvez os maiores fenômenos editorias dos últimos tempos.
Acho que a sobrevivência de um livro hoje em dia não está no seu tamanho, mas no que ele tem a falar para o leitor.

7. Qual o papel das mídias sociais (Twitter, blog, orkut) nos seus livros? Como você as utiliza para a divulgação do seu trabalho?

Tenho apenas um twitter que criei logo que lancei o Dois Palitos, em dezembro de 2007. E sem dúvida, foi um canal que ajudou muito na divulgação do meu trabalho. No twitter posto alguns microcontos e algumas notícias que acho relevantes. Atualmente, sempre que dá, às 18:30 posto um microconto sobre o trânsito.
Fora o twitter, mantenho um site no ar (http://www.samirmesquita.com.br) que faz parte dos projetos Dois Palitos e 18:30, onde as pessoas podem conhecer um pouco mais dos livros.

8. Você concorda com José Saramago quando ele diz sobre o Twitter “Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.”? Isso se aplicaria também para os microcontos?

Também não sou favorável a maneira como as pessoas estão se comunicando últimamente, cada vez de modo mais superficial. Todos sabem falar sobre tudo, mas só durante alguns minutos.
Mas antes 140 caracteres do que nenhum. Melhor estes poucos grunhidos do que o silêncio.
Agora quanto aos microcontos, não sei a posição de Saramago sobre o assunto (talvez ele nem tenha). Mas se disser que textos como: “For sale: baby shoes, never worn.”, não tem valor, ele que vá se entender com Hemingway daqui alguns anos.

9. Que dicas você daria para um autor que está começando a escrever?

Acho que isso já é lugar-comum, mas são verdades, então lá vai:
- leia mais que escreva,
- reescreva mais que escreva,
- viva mais que escreva,

10. Kindle ou livros? Você acredita que os leitores eletrônicos substituirão os livros de papel?

Sou um apaixonado por livros, daqueles que compra um apenas pela capa. Por isso mesmo não acredito, nem posso acreditar que o livro impresso vá morrer.
Talvez o Kindle e outras formas de livros eletrônicos conquistem muitos adeptos e possivelmente boa parte dos novos leitores. Mas acho que temos uma relação com o livro impresso de séculos, faz parte da nossa referência como pessoas. E isso será para sempre.

½. Às 18:30 eu… fujo do trânsito.

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Sobre Palazo

Não sou jornalista, muito menos escritor. Não guardo segredos, simplesmente por que estes não me pertencem. Prefiro dialogar ao vento para espalhar tudo aquilo que chega até mim. Leio com meus ouvidos e falo através dos meus olhos. Tenho a alma de um vagabundo responsável. Sou um contador de histórias.

Comentários

  1. Anica diz:

    Muito legal a entrevista =D
    E o site oficial vale a visita, é realmente bem interessante

  2. Palazo diz:

    O site vale a visita sim Anica, assim como o contato com o autor que é muito acessível e super disposto a trocar idéias… aceita indicação de livros e tudo mais!

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