Operação Valquíria (Philipp Freiherr Von Boeselager)
agosto 6, 2009 – 12:21 amPor Colaborador Meia Palavra
“Etiamsi omnes, ego non”. Esta frase, em latim, está escrita na porta da casa de Philipp Von Boeselager e é uma versão de uma frase do evangelho de Matheus com as palavras de Pedro a Jesus, “Mesmo se todos os outros desertarem, eu não farei”. No caso específico de Philipp, refere-se a resistência contra Hitler durante a ditadura Nazista, retratada no livro Operação Valquíria como um testemunho precioso do último sobrevivente do grupo conspirador que planejou e executou alguns planos para assassinar Hitler e retomar o poder na Alemanha.
Diferentemente do filme de Bryan Singer, que retrata minuciosamente os planos para matar Hitler e tomar o poder na Alemanha, o livro de Philipp é um relato pessoal de um homem que viveu os dias de guerra. A relação próxima com o irmão Georg, as confissões contrárias ao regime nazista e o companheirismo entre os homens na frente de batalha são marcas constantes no livro.A relação de Philipp com outros soldados alemães fica evidente no período em que o exército alemão invade a Rússia, rumo a Moscou. A marcha alemã encontra cidades russas destruídas e sem nenhum tipo de recurso para abastecê-los, repetindo a sinistra memória do exercito francês em 1812.
Além da devastação russa, o inverno acaba com as últimas forças alemãs. “Os homens viam-se confrontados com a violência do fogo, mas também do frio. As rajadas de vento, asfixiantes, queimavam os pulmões. A temperatura não era apenas vil, era assassina. O frio matava em poucos minutos. Na falta de homens inteiros, matava membros – mãos, braços, pernas – e as partes mais salientes do rosto – orelhas e nariz.”
O frio obrigou-os a recuar; porém, o alto comando alemão ordenava que as posições fossem mantidas. Cidades, vilarejos e pontes eram defendidos dos avanços russos.
Além das obrigações militares, também existia a obrigação moral. Derrubar o regime, assassinar o Führer e salvar a Alemanha e seus homens da memória sombria a que estavam destinados.
Mesmo com o fracasso de todos os planos conspiratórios, uma coisa era clara para todos, e fica muito bem expressa nas palavras do General Tresckow. “O atentado tem que acontecer, custe o que custar. Ainda que falhe, tem de ser consumado, pois não se trata mais sequer do objeto do atentado, mas de mostrar ao mundo inteiro e à História que o movimento de resistência alemã ousou arriscar tudo, pondo em perigo suas próprias vidas. Todo o resto é apenas secundário.”
Todos os integrantes do grupo Tresckow morreram, sejam fuzilados ou em operações militares, exceto Phillip, que foi condecorado como herói pela França e Alemanha após o fim do regime nazista. Ele veio a falecer recentemente em 1° de maio de 2008.
No fim, o que fica evidente é o companheirismo que esses homens tinham uns com os outros. A luta constante para derrubar o regime era na verdade para protegê-los. Mesmo com os sucessivos fracassos, Philipp e seus companheiros só queriam garantir que seus homens voltassem em segurança para casa, sem os abandonar. Mantendo-se assim o lema “Etiamsi omnes, ego non”.
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