Adaptações Parte I – O Procurado
fevereiro 15, 2009 – 8:32 pmPor Colaborador Meia Palavra
Escrever uma matéria sobre adaptações cinematográficas de quadrinhos soa como se eu estivesse querendo dar material para os fãs mais xiitas fazerem o que sabem melhor: reclamar. Mas vou passar longe dessa premissa de que todas as adaptações são ruins e o blábláblá de sempre destinado a explicar por achismos a raiva que alguns sentem de certos diretores e roteiristas. Dessa vez eu pretendo fazer uma matéria diferente, tentando mostrar que nem sempre Hollywood faz besteira com adaptações e que existe sim filme de qualidade sobre quadrinhos. Obvio que mais uma vez vou me desprender dos clichês e falar de filmes que muitas vezes as pessoas nem sabem que são baseados em quadrinhos. Dividirei a esse artigo em três partes, cada uma destinada a falar sobre uma adaptação que eu tenha gostado. A começar por um dos filmes mais recentes produzidos e baseados em uma HQ, O Procurado (Wanted).
Sim senhoras e senhores, O Procurado é um filme baseado numa revista em quadrinhos de mesmo nome, que não fez muito sucesso aqui em terras tupiniquins. E quando eu digo baseado, estou querendo dizer que o filme não é muito fiel (leia nada fiel) a HQ e que por isso não considero como uma adaptação direta.
Wanted aborda de uma forma diferente do convencional, assuntos como liberdade, violência, bem e mal. Temas que muitas vezes são por si só polêmicos. A forma com que Mark Millar (autor da série de seis revistas) fala sobre o preço da liberdade e o caminho que se trilha até se conhecer a verdadeira liberdade, é o mais interessante de toda a obra. Na visão colocada na HQ, a única forma que se tem para chegar ao estado de liberdade plena é negando todas as leis existentes, quebrando as sistematicamente. Uma por uma, Gibson, personagem central dessa trama, vai quebrando essas regras.
A HQ conta a história de Wesley Gibson, um contador hipocondríaco que começa a sua narrativa mostrando que sabe das traições de sua namorada com o melhor amigo. Gibson é o que podemos chamar de eterno covarde, o tipo de pessoa que está sempre se prendendo a coisa sem futuro e deixando que as pessoas o subjuguem, o que alias é o esporte favorito de sua chefa. Resumindo a história sem encher esse artigo de spoilers, posso contar que depois que Gibson descobre que seu pai agora morto, na verdade era um super vilão (o melhor matador do mundo), fica ciente de muitos outros fatos que alteram a realidade que ele considerava sólida. Depois e é apresentado a uma das mulheres mais perigosas do mundo, a Fox, e que vai fazer ele passa por um treinamento que visa fazer dele o sucessor de seu pai dentro da Fraternidade, que é a liga de super vilões do qual fazia parte e que conseguiu o inimaginável: derrotar os super heróis! E no fundo Wanted é uma história com tantas reviravoltas que se eu fosse contar “algumas coisas” acabaria tirando a graça de ler a HQ, então ficam somente esses fatos sobre o que vocês podem ler nas revistas.
HQ e filme são completamente diferentes nesse caso. Mas o que provoca essa distancia entre eles? Seria a pergunta de alguns. E bem… a resposta é até bem simples. A HQ é do mal e o filme é do bem. No filme todas as maldades que são vistas na revista como uma forma de se libertar e ficar acima da humanidade (o que é de certa forma pura maldade), foram transformados em um processo de aprendizado por parte do personagem principal, que no final se nega a cometer as mesma “maldades”. Sem contar que nem de longe as cenas de assassinato, estupro, queima de arquivo e vinganças, se quer arranharam o nível das propostas pela HQ.

Alguns mais ligados em leis físicas e coisas como fidelidade a realidade, vão estranhar o filme, porque algumas cenas são… como posso dizer… um pouco difíceis de se acreditar. Muitas perseguições de carros em alta velocidade, umas cenas de luta nada reais e muitas balas sendo desviadas em pleno ar pela força “psíquica” dos seus atiradores (não fica bem claro que é uma força psíquica, o filme se refere como um dom). Não que esses fatos tirem de alguma forma a beleza do filme, muito pelo contrário. Assim como o desenho da HQ é bem feito e é um dos melhores trabalhos de coloração que eu já vi, o filme também é de grande beleza. As cenas com a Jolie (que faz papel da Fox) treinando o Gibson, vivido pelo novato James McAvoy, são as melhores, porque ela realmente consegue passar alguma emoção, mas para atriz e personagem ficarem mais parecidas, quem deveria ter feito o papel seria a Halle Berry e teria que ser uma ninfomaníaca.
O Legal de O Procurado é que para mim, foi um dos poucos filmes adaptados que conseguiu ser melhor do que a HQ. A revista é cheia de pontas soltas e coisas sem noção como viagens entre realidades paralelas, enquanto o filme trata mais de um tema mais “humano”. Claro que não existem grandes reflexões a serem tiradas de nenhuma das duas mídias, mas rendem boas risadas em alguns momentos.
Na próxima parte desse meu artigo vou falar sobre Aeon Flux, então espero vocês até lá.
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A menina de cabelos encaracolados « deadmonkeys em 20 fev 2009 às 9:42 pm, disse:
[...] P.S: Para quem curte livros e filmes, escrevi uma matéria sobre adaptações de quadrinhos. A matéria ainda está na primeira parte, mas prometo vir mais coisa por ai. Só clicar no link para visitar >> Adaptações Parte I – O Procurado. [...]
Liv em 24 fev 2009 às 11:38 am, disse:
Eu ia escrever sobre o filme, mas sem ligar ele a Hq. Adorei o artigo e depois dessa fiquei curiosa pra ler a hq =}
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