9 de fevereiro de 2012

Música, Ídolos e Poder – do Vinil ao Download (André Midani)

Deixando de lado os casos de pessoas que vivem de música ou são obcecadas pelo assunto o fato é que o público em geral tem contato basicamente com o produto final e o artista, esquecendo que existe todo um processo bem longo e complicado entre a composição e a venda de uma canção. E é justamente aí que entra o ponto alto de Música, Ídolos e Poder – do Vinil ao Download do André Midani: pelo autor ter sido parte tão importante em muito do que ouvimos hoje como nossa MPB, vemos muito mais desse processo.

A Bossa Nova, a Tropicália, as carreiras solo de Erasmo Carlos e Rita Lee, Tim Maia, Kid Abelha, Barão Vermelho, Titãs… Você pensa em qualquer coisa criada no Brasil até os anos 90 e pode ter certeza que tem o dedo desse Midani no meio. E mesmo nas figuras que ele não “descobriu”, nos grandes momentos desses artistas ele esteve presente (caso de Chico Buarque, por exemplo).

O melhor é que o tom da narrativa dessa autobiografia é quase como de um amigo em uma mesa de bar contando anedotas do passado. Um evento leva à outro, avanços e recuos no tempo, personagens entram e saem a todo momento. E não são quaisquers personagens, são AS personagens. Não é sempre que você ouve de Vinícius de Moraes, Elis Regina, Raul Seixas, Odair José e Nara Leão sob outro ponto de vista.

Com toda essa constelação musical presente na própria vida, é óbvio que o livro do Midani é leitura obrigatória para qualquer um que goste de música. Mas mais do que isso, é um prazer para quem reconhece nas histórias álbuns dos quais ele conta todas as histórias dos bastidores (como o dueto de Caetano e Chico Buarque, por exemplo).

E a visão da indústria fonográfica que Midani tem é simplesmente brilhante. Em dado momento ele consegue reconhecer até um dos fatores que trouxeram a crise para esse setor, que chegou com força total após a popularização do formato mp3: diz ele em dado momento que na pressa de obter lucro mais rápido, as gravadoras deixaram de investir em álbuns de desenvolvimento do artista para começar a focar na questão da canção de sucesso. O feitiço virou contra o feiticeiro quando as pessoas começaram a se questionar se valia a pena comprar um cd se eles gostavam/conheciam apenas de uma música…

Esse é só um exemplo do que pode ser encontrado em Música, Ídolos e Poder. Recomendo fortemente a leitura, e sugiro que busquem pelo livro rapidamente. Como todo caso de biografia, essa aqui já está rendendo um processo e pelo visto duas coisas podem acontecer. A primeira, é o livro ser retirado do mercado. A segunda, é um parágrafo ser retirado do livro – não que o segundo caso estrague o livro, mas sabe como é, deixa aquele gosto amargo de censura.

Comente esse post no Fórum Meia Palavra.

Sem Artigos Relacionados.

Sobre Anica

Bacharel em Estudos Literários pela UFPR, Especialista em Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas pela UTFPR, professora de Língua Inglesa e mãe. Tem uma quedinha descarada por filmes e livros de horror, de preferência os com zumbis. Pode ser encontrada também no .:Hellfire Club:., no Ministry of Zombie Walks e no Blog do Arthur.

Comentários

  1. Cabal diz:

    Cara, valeu mesmo, vou buscar o meu, já que estou nesse meio musical, como vc mesmo disse, esse aí é leitura obrigatória.

Faça seu Comentário

*