9 de fevereiro de 2012

Ninguém é perfeito (Jaguar)

Como alguém que gosta bastante de quadrinhos eu tenho uma falha bem grande em uma das ramificações (ou seriam raízes? Nunca sei ao certo) dessa forma de arte: o cartum. O que é de fato uma pena, porque a charge entra naquele campo que eu adoro, que é o de dizer muito com pouco (vide meus comentários no artigo sobre Robert Frost). E, mais além, é também o desenvolvimento da arte da Sátira – que de todos os gêneros literários parece o que carregamos conosco desde sempre, visto que ela envolve praticamente a idéia de criticar ridicularizando o outro (ou, como nós brasileiros fazemos também, tirar sarro de si).

E é por unir essas duas características básicas da charge que a tarefa não é para qualquer um que saiba desenhar. Dominar o lápis é uma coisa. Dominar as idéias, já é outra história. E foi através do novo lançamento da Desiderata, “Ninguém é perfeito” que tive a oportunidade de conhecer melhor o trabalho de um dos cartunistas de maior destaque aqui no Brasil, o Jaguar.

Se tivesse só a introdução o livro já valeria a pena. É muito divertido ver a forma como Jaguar fala dele mesmo em”O retrato do artista quando jovem quarentão” e “O brioche o matambre”. No segundo o artista conta principalmente a história por trás desse livro, que foi originalmente publicado na Argentina em 1973, sendo uma reunião de cartuns d’O Pasquim. Entre frases como:

“No dia seguinte, entreguei ao cara (do qual não lembro o nome) um monte de desenhos que peguei no arquivo da redação. E esqueci a história, como faço sempre depois de um porre”.

e

“Sábat, a grande estrela do Clárin, o maior jornal argentino, convenceu o editor a me contratar, alternando com Fontanarosa. Cheguei a assinar contrato e a combinar salário. Voltei para o Brasil no dia do desfile da Banda de Ipanema, caí de novo na gandaia e nunca mandei um desenho para eles. Em geral, não me arrependo das besteiras que faço, mas essa foi de lascar.”

Acabam preparando o leitor para o que virá a seguir. Infelizmente por tratar-se de desenhos eu não posso me alongar muito sobre os comentários aqui, mas o fato é que trata-se de diversão garantida. E diversão de boa qualidade, sem piadas forçadas e fáceis.

O mais impressionante, no final das contas, é terminar o livro e se dar conta que nada/pouco mudou, depois dos 35 anos de publicação. E agora deixo vocês aqui com um dos meus favoritos:

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Sobre Anica

Bacharel em Estudos Literários pela UFPR, Especialista em Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas pela UTFPR, professora de Língua Inglesa e mãe. Tem uma quedinha descarada por filmes e livros de horror, de preferência os com zumbis. Pode ser encontrada também no .:Hellfire Club:., no Ministry of Zombie Walks e no Blog do Arthur.

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