Robert Frost
julho 1, 2008 – 8:11 pmPor Anica
Eu às vezes vejo a poesia como uma floresta: você vai abrindo seu caminho para o coração da mata aos poucos, vencendo medos (”Poesia é só para gênios!”), se alimentando de uma ou outra fruta coletada ao longo da jornada (”Ei, esse poeta é bom mesmo!”) e claro, utilizando mapas desenhados por quem já esteve lá (ou o conhecido “seguir a indicação de professores e amigos”). Mas, ao contrário do que acontece em uma exploração em um espaço real, com a poesia parece que você dificilmente desvendará todo o caminho.
Veja o meu caso, por exemplo. Eu demorei para me encantar pela poesia, de verdade. Acho que os primeiros poetas que de fato curti foram alguns haijins (ou haicaísta, termo usado para quem escreve haikai), apresentados para mim através de uma coletânea de haikais da Estrela. A paixão completa mesmo só veio na universidade, com alguns professores como a Luci e o Édison, que, continuando na metáfora da floresta, entregaram não só mapas mas fotos mostrando toda a beleza desse espaço.
E aqui você me pergunta: “Mas peraí, Anica, o que o Robert Frost tem a ver com tudo isso?” Tem a ver com a questão da abrangência desse campo. Sou bacharel em estudos literários e só conheci Robert Frost de fato após terminar o curso. É culpa de professor? Não. Porque eu tenho certeza que Robert Frost já esteve na minha frente, mas eu não conseguia enxergá-lo. É quase como você curtir o som de determinada banda toda vez que escuta, mas por não saber o nome da banda ela simplesmente passa batida e nunca entra na sua lista de favoritos.
Pois o Frost é muito, muito citado na cultura pop. Neil Gaiman, por exemplo, já bebeu dessa fonte (e eu até comentei sobre isso no meu blog, o Hellfire Club). E o poema “Stopping by the Woods on a Snowy Evening” tem uma listinha de referências lá na Wiki, sendo uma das mais modernas o Death Proof do Tarantino (os versos que a Jungle Julia diz para seus ouvintes recitarem para Butterfly em troca de uma lap dance é na verdade a última estrofe do poema).
Mas a minha favorita mesmo, a que eu queria compartilhar com vocês e por isso até comecei essa conversa sobre o Frost, é “The Road Not Taken“. Para quem não entende inglês, segue aí uma tradução de José Alberto Oliveira:
A estrada que não foi seguida
Duas estradas separavam-se num bosque amarelo,
Que pena não poder seguir por ambas
Numa só viagem: muito tempo fiquei
Mirando uma até onde enxergava
Quando se perdia entre os arbustos;
Depois tomei a outra, igualmente bela,
E que teria talvez maior apelo,
Pois era relvada e fora de uso;
Embora, na verdade, o trânsito
As tivesse gasto quase o mesmo,
E nessa manhã nas duas houvesse
Folhas que os passos não enegreceram.
Oh, reservei a primeira para outro dia!
Mas sabendo como caminhos sucedem a caminhos,
E duvidava se alguma vez lá voltaria.
É como um suspiro que conto isto,
Tanto, tanto tempo já passado:
Duas estradas separavam-se num bosque e eu -
Eu segui pela menos viajada,
E isso fez a diferença toda.




Pepper em 01 jul 2008 às 8:15 pm, disse:
Do Robert Frost eu só conhecia Fire and Ice, que aliás conheci pelo Hellfire. E que aliás de novo, é linda!
Mas ó, o que me chamou bastante a atenção foi a referência aos haikais. Sou louca pra aprender mais sobre eles…
achei um link bem legal sobre isso, ó:
http://www.kakinet.com/caqui/gogae.shtml
Meia Palavra » Blog Archive » Ninguém é perfeito (Jaguar) em 08 out 2008 às 8:55 pm, disse:
[...] campo que eu adoro, que é o de dizer muito com pouco (vide meus comentários no artigo sobre Robert Frost). E, mais além, é também o desenvolvimento da arte da Sátira - que de todos os gêneros [...]