Mil e uma noites passadas a limpo
junho 28, 2008 – 10:29 pmPor kuinzytao
O imaginário, quando se trata das “mil e uma noites”, nos conduz “às Arábias”,
local onde já estiveram quase todos os sonhadores. Tapetes mágicos, cores, sedas, calor, mistérios, oásis, tendas, castelos…
Ora, esqueça. Isso é passado!
Vamos de novo?
Mil e uma noites passadas a limpo, nos reporta a exuberantes construções, aos gigantes da arquitetura atual. Nos jornais, as manchetes mostram a construção do edifício que gira andar por andar em Dubai, serpenteando em direção ao céu. A Dynamic Tower é um projeto extraordinário e merece toda a atenção que desperta. As empresas que aceitam esse desafio nos transportam dos sonhos direto para a realidade.
Os ImHoteps da atualidade
Foster+Partners, por exemplo, são arquitetos do “Gengis Khan Entertainment”,
da Tower of Glass, cuja idéia original está no livro de Robert Silverberg (parceiro de Asimov) e de “Spaceport America”, entre outros. Gewers Kuhn são projetistas de Hydropolis - um empreendimento sob o mar, Hydropalace - um local flutuante para grandes eventos e “Landstation”. Há também WS Atkins+Partners, criadores do “Burj al Arab” e “Sama Dubai”. Ainda, David Fischer Architects Florence, responsáveis pela Dynamic Tower, a manchete do momento.
Bagdá, Marrocos, Egito e a bela Rússia
A Bagdá encantada de nossas lembranças fechou seus portais e os olhares assombrados pela beleza e grandiosidade de um empreendimento dirigem-se agora a outros locais. E esses locais pretendem captar admiração, tal como fizeram os contos das mil e uma noites. Monumentos como as pirâmides, por exemplo, cuja engenhosidade e audácia nos ejetava da realidade para uma viagem criativa, imaginativa, parecem hoje ceder espaço às realizações inspiradas na literatura e cultura local, invertendo o processo.
A imaginação no resgate da construtividade
Um novo modo de viver e habitar, tendo arte e cultura por inspiração, restaura para mim como aspirante na área, o sabor da união em prol de uma causa edificante. Um alerta aos corações povoados pela descrença na realização de obras cuidadosas, cultivadas.
Por outro lado, a arte vem sendo examinada como alimento à velha máquina de guerra. Os soldados israelenses não andam mais pelas ruas, eles recortam as paredes das casas com explosivos e criam um caminho alternativo, rápido e seguro para se deslocarem em território inimigo. A inspiração para esse feito vem de um artista, Gordon Matta-Clark, prova de que os meios de expressão e comunicação planetária não garantem só o uso apropriado.
Por enquanto, considero agradavelmente surpreendente que arranha-céus arranquem suspiros novamente e que a expressão de “última geração” esteja voltada para conforto e beleza acompanhada da sensação prazerosa de construção.
Mas que mundo é esse? Alguém poderia perguntar.
A resposta? Apenas um mundo inspirado em criações literárias e no imaginário local.



