6 de fevereiro de 2012

Palavras sem tradução

Tem uma besteirinha que me diverte um monte.
Palavras sem tradução.
Elas mostram muito sobre as diferenças das culturas.
O fato de os esquimós terem dezenas de palavras para “neve” é um clássico!
E a revista Língua Portuguesa publicou matéria sobre o assunto com direito a alguns exemplos.
Quem souber de outros, por favor me envie!

Em Rapa Nui, Tingo significa pedir emprestadas, uma a uma, as coisas da casa de um amigo até não sobrar nada.
Para os Inuits, Iktsuarpok é o ato de ir muitas vezes à porta da casa para ver se a pessoa está vindo.
2 preciosidades do Gaélico escocês: Giomlaireachd é o hábito de aparecer na casa dos outros na hora das refeições e Sgriob é uma coceira no lábio superior um pouco antes de tomar um gole de uísque.
Os românticos Russos chamam Razbliuto o afeto que ainda se sente por alguém que um dia se amou.
Mais apaixonados ainda os Boros da Índia para quem Onsay é fingir amar, Ongubsy é amar de verdade e Onsia é amar pela última vez.
E sabe quando você atira uma pedrinha na água para ela pular várias vezes na superfície? Os divertidos holandeses chamam isso de Plimpplamppletteren.
E é isso.
Vou plimpplamppletteren ali e volto já!

(Esse post é uma colaboração de Rui Bittencourt, coordenardor da coleção GiraMundo da editora Juruá e autor do blog anotações esporádicas para eventuais falhas de memória)

(Sugestão da Revisora: como esta que vos fala é apaixonada por tradução, foi um prazer imenso revisar o artigo do Rui, e pra quem gostou do assunto e está com o inglês em dia fica um link bem interessante com mais palavras intraduzíveis, do site Words Without Borders. Tem até a nossa saudades)

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Comentários

  1. Gabriel diz:

    Isso de “saudade” não possuir um equivalente semântico em outras línguas é meio que uma lenda urbana, fomentada geralmente pelos falantes de português numa atitude um tanto ufanosa. Isso pode se sustentar se só se levar em consideração as línguas “de costume”, como francês, alemão, inglês, etc., mas há trocentas outras que não são levadas em consideração simplesmente por ignorância das mesmas.

    Posso citar pelo menos o galês, que tem a palavra “hiraeth”, que pelo que vi pode ter todos os sentidos da “saudade” portuguesa.

  2. Ágata diz:

    Ah Gabriel, mas aí eu já acho que é mais ignorancia do que ufanismo propriamente dito. Até porque, se for considerar desse jeito, não tem como fazer qualquer estudo comparando todos os idiomas do mundo, que a gente nem sabe quais são.

  3. Gabriel diz:

    Sim, o que eu digo é que muitas vezes as pessoas enchem a boca para dizer que “saudade” só existe em português, dando a entender inclusive que esse tipo de sentimento só existe nessa forma complexa para os lusófonos. LOL!

  4. Gabriel diz:

    Forma complexa = expressado em uma única palavra.

  5. Ágata diz:

    É que enche a bola pra brasileiro falar que “nosso lugar é tão maravilhoso que saudades mesmo só daqui”… XD

  6. Pips diz:

    Por mim as palavras sem tradução são o de menos. O que ocorre é quando as palavras são mais belas de se falar em determinados idiomas, não importa se existe tradução ou não, saudade no bom português é belo demais, assim como tantas outras.

  7. Vail diz:

    Que o diga Luís Fernando Veríssimo, cara Pips, lembro das palavras do nosso bom e velho português que de tão exóticas, seja pelo significado intrigante, seja pela beleza da pronuncia, levaram Veríssimo a escrever a crônica hilária e inteligentissima chamada “Defenestração”. Quem não leu, por favor, leia urgentemente.

  8. ILACIR EVANGELISTA GOMES diz:

    Estou precisando da traduçao para a Lingua Portuguesa da palavra FELOPS ou PHELOPS. Alguem pode me ajudar ?

Trackbacks

  1. [...] Ontem nenhum aluno apareceu (nesses casos sempre lembro de uma colega de Tópicos de Estudo em Linguística perguntando para o professor “Vai ter pré-feriado?”), e fiquei lá preparandinho minhas aulas futuras. O tema de uma das unidades é termos atípicos,  “palavras sem tradução direta em outras línguas” digamos assim, assunto que o Rui já comentou lá no Blog do Meia Palavra. [...]

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